A
FORMAÇÃODOS PROFISSIONAIS DEENFERMAGEM DOTRABALHONAPERSPECTIVA DASINSTITUIÇÕES FORMADORAS
O
CCUPATIONALNURSINGTRAININGINTERMSOFEDUCATIONALINSTITUTIONSL
AFORMACIÓNDELOSPROFESIONALESDEENFERMERÍADELTRABAJOENLA PERSPECTIVADELASINSTITUCIONESEDUCATIVASRegina Célia Gollner ZeitouneI
Daiana Rangel de OliveiraII
Elisa Alves MontalvãoIII
Heloisa Dias Muniz IV
IDoutora em Enfermagem. Professora Adjunta do Departamento de Enfermagem de Saúde Pública da Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Líder do Núcleo de Pesquisa Enfermagem e Saúde do Trabalhador. Rio de Janeiro, Brasil. E-mail: [email protected].
IIEnfermeira. Graduada em Enfermagem pela Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Brasil. E-mail: [email protected].
IIIEnfermeira. Graduada em Enfermagem pela Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, Brasil. E-mail: [email protected].
IVEnfermeira. Graduada em Enfermagem pela Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. Brasil. E-mail: [email protected].
VAgradecimento ao CNPq(2005/2008) e FAPERJ (2003/2004) pelo apoio financeiro na realização do projeto. RESUMO:
RESUMO: RESUMO: RESUMO:
RESUMO: O estudo é continuidade de pesquisa realizada sobre a formação dos profissionais em enfermagem do trabalho na Região Sudeste e Sul do Brasil. O objetivo maior desta pesquisa foi caracterizar a formação do profissional especializado em enfermagem do trabalho em nível técnico e superior nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. Teve um delineamento exploratório com abordagem quantitativa, tendo 290 instituições públicas e privadas de nível superior e médio do curso de enfermagem que participaram da pesquisa.O recorte temporal foi entre 1974 e 2008, sendo usado um questionário com perguntas fechadas para a coleta de dados. Portanto, há 391 profissionais formados em enfermagem do trabalho e 60 instituições responsáveis pelos cursos de especialização/qualificação. Conclui- se que as Regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil apresentam um número reduzido de instituições formadoras de profissionais especializados/quali-ficados em enfermagem do trabalho, principalmente quando comparadas à Região Nordeste.
Palavras-chave: Palavras-chave: Palavras-chave: Palavras-chave:
Palavras-chave: Enfermagem; enfermagem do trabalho; especialização; qualificação profissional. ABSTRACT
ABSTRACT ABSTRACT ABSTRACT
ABSTRACT::::: The study is a continuation of research into occupational nursing training in Southeast and South Brazil. The main aim of this study was to characterize specialization training in occupational nursing at the technical and higher levels in Brazil’s North, Northeast and Midwest. The design was exploratory and quantitative, and the population studied were occupational nursing trainees at 290 participating technical and higher education institutions between 1974 and 2008. Data were collected by a questionnaire of closed questions. There were thus 391 graduate occupational nurses and 60 institutions responsible for the specialization/qualification courses. It was concluded that the North and Midwest regions have a limited number of institutions training occupational nurses, especially as compared with Northeast Brazil. Keywords:
Keywords: Keywords: Keywords:
Keywords: Nursing; occupational nursing; specialization; professional qualification. RESUMEN:
RESUMEN: RESUMEN: RESUMEN:
RESUMEN: El estudio es continuidad de investigación sobre la formación de los profesionales en enfermería del trabajo en las Regiones Sureste y Sur de Brasil. El objetivo más grande de esta encuesta fue caracterizar la formación del profesional especializado en enfermería del trabajo en nivel técnico y superior en las Regiones Norte, Nordeste y Centro-Oeste de Brasil. Tuvo un delineamiento exploratorio con enfoque cuantitativo, en 290 instituciones públicas y particulares de nivel superior y medio del curso de enfermería participantes. El recorte temporal fue entre 1974 y 2008, siendo usado un cuestionario con preguntas cerradas para la recolección de datos. Por tanto, hay 391 profesionales formados en enfermería del trabajo y 60 instituciones responsables por los cursos de especialización/calificación. Se concluye que las Regiones Norte y Centro-Oeste de Brasil presentan un número reducido de instituciones que forman profesionales especializados/calificados en enfermería del trabajo, principalmente cuando se compara con la Región Nordeste. Palabras clave:
Palabras clave: Palabras clave: Palabras clave:
Palabras clave: Enfermería; enfermería del trabajo; especialización; cualificación profesional.
I
NTRODUÇÃOO
estudo é continuidade
de pesquisa realizada so-bre a formação dos profissionais em enfermagem do tra-balho na Região Sudeste e Sul do Brasil, quando este foiconcluído e fazendo-se necessário levantar dados das
ou-tras regiões. Assim, atendendo o objetivo maior do projetoV
especi-alizado/qualificado em enfermagem do trabalho em nível técnico e superior de todas as regiões do Brasil.
Com vistas às questões da formação destes especi-alistas, o Brasil, em 1972, iniciou o Programa Nacional de Valorização do Trabalhador (PNVT), pela Portaria
no 3236/72, onde o Ministério do Trabalho subsidiou,
através da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segu-rança e Medicina do Trabalho (FUNDACENTRO), a formação de médicos, engenheiros e supervisores de se-gurança e auxiliares de enfermagem do trabalho, não
contemplando naquele momento o enfermeiro1.
Acerca da enfermagem do trabalho no Brasil, pode-se dizer que a inclusão do enfermeiro do trabalho na equipe de saúde nas empresas ocorreu em 1975, por
meio da Portaria no 3.460, do Ministério do Trabalho2.
A enfermagem do trabalho é procedente da enfer-magem generalista, tendo como enfoque a saúde do tra-balhador e com aspecto comunitário, sendo que os ser-viços prestados pela enfermagem ocupacional, está direcionado para uma população especifica, ou seja, para
os trabalhadores de instituições3.
O ingresso de novas funções no quadro funcional traz tanto para a empresa como para os trabalhadores novos desafios, que podem ser abordados como fatores que condicionam o comportamento humano no traba-lho. Uma das novas funções que está relacionada com a saúde ocupacional é a enfermagem do trabalho, que se caracteriza como uma especialização nova,
distinguin-do-se como função inovadora3.
Nessa perspectiva, o mercado de trabalho para o enfermeiro do trabalho (ET), no Brasil, se restringe ao Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) de empresas que se enquadram no grau de risco 4, a partir de 3501 trabalha-dores (Norma Regulamentadora NR-4), SESMT de Hospitais a partir de 501 trabalhadores, empresas do setor portuário a partir de 751 trabalhadores (NR-29), empresas do setor rural a partir de 501 trabalhadores (NR-31). Este profissional também pode atuar nos cen-tros de referência de saúde do trabalhador regionais e estaduais, cursos de formação de técnico em enferma-gem do trabalho, especialização para enfermeiros do
tra-balho e na pós-graduação nível mestrado e doutorado 4.
No âmbito do ensino técnico, a trajetória da for-mação do técnico de enfermagem assim como a história de enfermagem no Brasil, foi marcada pelo contexto
sociopolítico e econômico5.
Ocorreram, nas décadas de 60 e 70, reformas no ensino superior e médio, e a partir daí surgiram os cursos para técnicos de enfermagem; diversificaram-se os currí-culos dos cursos de graduação; criaram-se novos cursos nos diferentes níveis, em todas as regiões do país, e foram implementados cursos de pós- graduação para enfermei-ros. Isto significou um grande desenvolvimento na
pre-paração do pessoal de enfermagem nos diferentes níveis5.
O técnico de enfermagem do trabalho pode atuar em empresas que se enquadram no grau de risco 4 a partir de 501 trabalhadores (NR4), em empresas do se-tor portuário a partir de 20 trabalhadores (NR29) e
empresas do setor rural a partir de 151 trabalhadores4.
A importância da pesquisa justifica-se pelo fato de haver poucos estudos científicos relacionados com a es-pecialização de enfermeiros do trabalho e qualificação dos técnicos de enfermagem do trabalho. A produção científica nesta área não tem contemplado inquietações, havendo, neste sentido, lacunas no conhecimento.
Dessa maneira, este estudo objetivou identificar as instituições no âmbito das Regiões Norte, Nordeste e Cen-tro-Oeste, formadoras de profissionais na área de enfer-magem do trabalho; levantar o número de especialistas/ qualificados na área foco do estudo; descrever os fatores facilitadores e limitantes para a formação dos profissionais de enfermagem do trabalho; analisar as estratégias utiliza-das pelas instituições formadoras dos profissionais em tela e discutir as implicações da formação do profissional de enfermagem na área da saúde do trabalhador.
R
EVISÃOE LITERATURAÉ
importante destacar
que a especialização de en-fermagem do trabalho, no Brasil, historicamente deu-se em 1974 com o início dos cursos de especialização em enfermagem do trabalho pela Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro e1973 para auxiliares de enfermagem do trabalho6.
A enfermagem do trabalho, no Brasil, teve seu marco histórico anos depois do ingresso dos enfermei-ros em outenfermei-ros países do mundo. Com efeito, há mais de quarenta anos, algumas empresas de capital misto já tra-ziam consigo a filosofia de saúde ocupacional e incluíam
o enfermeiro na equipe de saúde nas indústrias1. Porém,
de fato, só se teve a inclusão do enfermeiro do trabalho na equipe de saúde nas empresas no ano de 1975 como
uma obrigatoriedade legal2.
Um aspecto que deve ser discutido é a respeito do profissional especializado na área de enfermagem do tra-balho e a inclusão no contexto dos Serviços Especializados em Segurança e Medicina do Trabalho conforme
legisla-ção do Ministério Trabalho e Emprego4.
Nesse sentido, a Norma Regulamentadora 4 (NR4), que trata dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho, define a inserção primeiramente do auxiliar e técnico em empresas com mais de 500 funcionários e posteriormente o enfermeiro do
tra-balho em empresas com mais de 3501 funcionários4.
Tal norma não está de acordo com a lei do
exer-cício profissional de enfermagem no 7498/86 que
es-tabelece que os auxiliares e técnicos de enfermagem deverão desenvolver suas atividades somente sob
M
ETODOLOGIAO
presente estudo
teve o delineamento exploratório com abordagem quantitativa, e a população do estudo foi representada pelas instituições públicas e privadas de nível superior e médio que formam profissionais na área de en-fermagem do trabalho das regiões Centro-oeste, Norte e Nordeste do Brasil. É importante destacar que participa-ram da pesquisa as instituições que são credenciadas pelo Ministério da Educação (MEC), e fizeram parte do estudo 290 instituições que possuem o curso de enfermagem.As fontes de dados para o levantamento das esco-las foram o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Educacionais (INEP), MEC, o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) e o Conselho Regional de En-fermagem dos Estados correspondentes às regiões de estudo (CORENs).
Foram atendidas todas as exigências éticas no
es-tudo, conforme o que preconiza a Resolução no 196/96,
tendo sido o projeto aprovado pelo comitê de ética,
pro-tocolo de no 003-05.
A pesquisa compreendeu quatro etapas distintas e sequenciais: A identificação das instituições formado-ras dos especialistas; Apresentação da proposta de estu-do via e-mail, telefone ou correspondência por correio sobre o projeto, objetivo e relevância; Confirmação da forma de contato para envio do instrumento de coleta de dados e termo de consentimento livre e esclarecido (termo este que incluía o objetivo do trabalho, a voluntariedade do participante e a garantia de nenhum prejuízo ou custo à instituição); Recebimento dos ques-tionários respondidos através do meio de comunicação optado pela instituição. A coleta de dados realizou-se entre os meses de janeiro a dezembro de 2008.
O questionário utilizado era composto por per-guntas fechadas que incluía os dados de identificação da instituição; características do curso (os anos que a insti-tuição ofereceu o curso, número de alunos concluintes, carga horária total do curso, entre outros); descrição dos fatores facilitadores e impeditivos no que se diz res-peito ao oferecimento do curso; e as estratégias utiliza-das ou a serem utilizautiliza-das pela instituição para realização do curso frente aos fatores limitantes.
Após o retorno dos questionários respondidos, foi realizada a tabulação, análise e discussão dos resultados, baseando-se no referencial bibliográfico do estudo. Para a análise dos dados, foi utilizada a estatística descritiva com distribuição de frequência simples e absoluta.
Cabe ressaltar que o recorte temporal do estudo foi de 1974 a 2008, pois, em 1974, foi o marco do início dos cursos de especialização em enfermagem pela Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de
Janeiro e 1973 para auxiliares de enfermagem do trabalho6.
É importante referir que houve limitações do es-tudo devido ao baixo retorno de questionários
respon-didos, mesmo após diversas tentativas através da utili-zação de vários meios de comunicação como e-mail, te-lefone, fax e correspondência registrada. Além disso, outro fator limitante foi a dificuldade em obter qual-quer tipo de contato com algumas instituições, dado este importante já que a ida direta às mesmas foi algo inviável devido a distância das regiões estudadas.
R
ESULTADOSEDISCUSSÃOD
e acordo com a
pesquisa realizada em 2008, na Re-gião Sudeste existiam confirmadas 56 instituições que for-mavam especialistas em enfermagem do trabalho e naRe-gião Sul elas compunham um grupo de 25 instituições8,9.
Dessa forma, dando continuidade ao levantamento de dados em nível nacional, os resultados do presente estu-do permitiram identificar as instituições formaestu-doras de profissionais na área de enfermagem do trabalho nas Re-giões Centro-Oeste, Norte e Nordeste do Brasil, assim como o número de profissionais formados, os fatores limitantes e facilitadores para a implementação dos cursos, bem como as estratégias utilizadas para enfrentar os fatores limitantes.
Na Região Centro-Oeste, entre as 35 instituições de enfermagem, apenas 7(20%) oferecem o curso de enfermagem do trabalho, sendo duas de ensino superior e cinco de nível técnico. Esta Região apresenta um nú-mero reduzido de instituições formadoras de especialis-tas em enfermagem do trabalho, principalmente quan-do comparada às outras regiões brasileiras. Além disso, outro dado importante é o predomínio de instituições de caráter privado em relação às de caráter público.
O desenvolvimento econômico da Região Centro-Oeste ainda é algo considerado recente em comparação as outras regiões brasileiras, já que teve um discreto início na década de 70 e vem apresentando real crescimento nos
últimos anos10. Este fator histórico é relevante diante da
influência que a expansão gradativa e recente das empresas de grande e pequeno porte podem exercer sobre o mercado de trabalho para o especialista em enfermagem do trabalho na Região, e consequentemente na demanda da procura pela especialização, já que a legislação vigente exige um número elevado de funcionários em uma empresa para que
seja obrigatória a contratação do especialista4.
Já a Região Norte, das 52 instituições que oferecem o curso de enfermagem, apenas 11(21%) disponibilizam o curso de especialização em enfermagem do trabalho.
A Região Norte é a que apresenta a menor con-centração de cursos superiores de enfermagem entre as cinco regiões brasileiras, apesar de seu baixo desenvol-vimento socioeconômico e consequentes condições precárias da saúde populacional exigirem maior força de
trabalho, principalmente na área de saúde10.
É importante referir que segundo o Instituto
empresas (com mais de 250 pessoas ocupadas) tenham uma participação elevada na economia da Região Norte, elas estão em número bem menor do que as pequenas empresas (com menos de 249 pessoas ocupadas), dados estes rele-vantes já que o número de funcionários de uma empresa interfere na contratação do especialista em enfermagem do trabalho, segunda as Normas Regulamentadoras do
Mi-nistério de Trabalho e Emprego12. Assim, quanto maior
número de empresas de grande porte, maior será o mercado de trabalho para esse profissional especializado.
Com relação à pouca oferta de curso de qualifica-ção em enfermagem do trabalho em nível técnico, acre-dita-se que este fator esteja diretamente relacionado com a influência da economia regional e da característica do mercado de trabalho, assim como os cursos superiores.
A Região Nordeste, por sua vez, possui 214 institui-ções de ensino que oferecem o curso de enfermagem. En-tre elas, 47(22%) disponibilizam o curso de especializa-ção em enfermagem do trabalho, um número considerá-vel comparado às demais regiões. Assim como nas outras regiões, ocorre também o predomínio de instituições de caráter privado em relação às de caráter público.
O interesse pelo investimento e especialização nesta Região pode estar relacionado com a característi-ca de sua economia, pois há uma recente migração de diversas indústrias do centro-sul do país em direção à região nordestina, atraídas principalmente pelos
incen-tivos fiscais oferecidos pelos governos locais13.
Uma característica comum nas três regiões que vale ser ressaltada é a predominância de instituições que oferecem o curso de especialização de caráter priva-do em relação às de caráter público, podenpriva-do se explicar pelo contexto histórico, já que a expansão do ensino superior se processou aceleradamente durante toda a década de 1970 fora dos grandes centros urbanos e com predomínio da iniciativa privada. A enfermagem teve seu ápice na expansão da rede privada na década de 90 e
nos primeiros anos deste novo século14:339.
Esses resultados podem estar também relacionados ao fato de que, para as instituições privadas, a oferta deste curso é um meio de recurso para a mesma, visto que é pago, ao passo que para as instituições públicas pode até ser uma fonte de recurso, porém, primeiramente o
ofere-cimento desses cursos visa o compromisso social15.
A característica econômica das regiões é em dado importante já que as normas regulamentadoras, do Minis-tério do Trabalho e Emprego, ordenam a inclusão de profissionais da área de enfermagem do trabalho em di-ferentes tipos de empresas conforme o número de fun-cionários que as compõem. A expansão quantitativa de trabalhadores de enfermagem no Brasil, a organização dos diferentes níveis de ensino de sua formação, e da prática nos diversos espaços assistenciais à saúde esti-veram sempre relacionados com as necessidades
políti-co-econômicas do país16.
Em âmbito nacional, as grandes empresas indus-triais localizam-se principalmente nas Regiões Sudeste (52,2%) e Sul (25,1%) e as demais áreas mostram as seguintes participações: Nordeste, 12,6%;
Centro-Oes-te, 5,9%; e NorCentro-Oes-te, 4,2%11.
Desse modo, as características das empresas no Cen-tro-Oeste e Norte do Brasil são importantes fatores que podem estar atribuídos à pouca oferta do curso de especi-alização em enfermagem do trabalho na Região.
Através dos dados colhidos das instituições que res-ponderam ao questionário, no período de 1974 a 2008 formaram-se 391 profissionais nas 60 instituições pesquisadas, 249 alunos se formaram na especialidade de nível superior nas Regiões Norte e Nordeste. Entre esses alunos, 145 correspondem à Região Norte e 104 à Região Nordeste. Em relação aos técnicos e auxiliares, 142 se formaram na especialidade na Região Nordeste, também no período de 1974 a 2008. A Região Centro-Oeste não forneceu esses dados e a Região Norte apenas informou dados referentes ao ensino superior. Cabe ressaltar, devi-do a essas limitações, que não foi possível determinar o quantitativo exato e traçar um perfil dos alunos forma-dos nas regiões estudadas, no período estipulado.
Entre os fatores facilitadores que mais se destaca-ram se encontdestaca-ram o interesse da faculdade em oferecer o curso, o local de realização do curso e o dia/horário das aulas, ambos citados por cinco instituições.
O interesse em disponibilizar o curso pode estar rela-cionado ao compromisso social estabelecido principalmen-te pelas instituições públicas, além do retorno financeiro
que funciona como um recurso para as instituições15. Com
relação ao local de realização da especialização, há uma pre-ocupação principalmente por parte das instituições priva-das em buscar a disponibilização do curso em diversas loca-lidades, não se concentrando em um único campus. O dia/ horário das aulas, por serem flexíveis, são considerados fa-tores facilitadores, pois são passíveis de ajustes conforme a disponibilidade dos alunos e professores.
Já entre os fatores limitantes mais citados pelas ins-tituições se encontram o custo do curso (cinco citações), o custo da remuneração do corpo docente (três citações) e a qualificação do corpo docente (duas citações).
O custo do curso, a remuneração e a qualifica-ção do corpo docente são fatores interligados e estão relacionados ao mercado de trabalho que, quanto menos competitivo for, maior poderá ser a remune-ração exigida pelo profissional especializado. Além disso, a exigência mínima de uma pós-graduação e, no caso de muitas instituições públicas, a exigência de um mestrado ou doutorado na área para que um profissional seja considerado apto a ministrar o curso de especialização são condições que também elevam o custo da remuneração do corpo docente.
Como estratégias, as mais citadas pelas insti-tuições foram: as formas de pagamento (cinco
cita-ções), por ser algo flexível e passível de acordo; redu-ção de custo (três citações); e oferta do curso em lo-cais em que há demanda (duas citações).
É importante destacar em relação à educação e formação profissional de enfermeiros do trabalho no Brasil, que, embora a Associação Nacional de Enfer-magem do Trabalho (ANENT) exija conteúdo programático específico para o desenvolvimento da profissão, não é obrigatória a certificação dos profis-sionais como o faz a Associação Norte-Americana de Enfermeiros de Saúde Ocupacional (American
Board for Occupational Health Nurses – ABOHN). 17/
C
ONCLUSÃOC
om vistas aos
resultados do estudo, a Região Nordeste possui 42 instituições, seguida da Região Norte que tem 11 instituições e o Centro – Oeste com menor número, apenas sete instituições forma-doras de profissionais especializados/qualificados na área de enfermagem do trabalho.Diante dos dados analisados, pode-se concluir que as Regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil apre-sentam um número reduzido de instituições forma-doras de profissionais especializados/qualificados em enfermagem do trabalho, principalmente quando comparadas à Região Nordeste. Nas três regiões, é possível observar que há uma predominância de ins-tituições de caráter privado sobre as de caráter públi-co fornecedoras do curso.
Apesar de não se ter ainda um levantamento do número de empresas que possuem profissionais de en-fermagem no serviço de saúde do trabalhador, pelos resul-tados aqui expostos e pela análise dos mesmos, é possí-vel inferir que o mercado de trabalho escasso para este profissional especializado é um fator determinante para a oferta do curso nas regiões brasileiras estudadas. Acre-dita-se que a deficiência na formação de recursos hu-manos na área pode ser consequência da marginalidade ainda atribuída à questão trabalho-saúde.
Quanto ao oferecimento do curso, os resultados permitiram concluir que os fatores facilitadores fo-ram: o interesse da instituição em oferecer o curso, o local de realização do curso e o dia/horário das aulas.
Os fatores limitantes mais destacados pelas ins-tituições foram: o custo do curso, a remuneração do corpo docente e a qualificação do corpo docente. Apesar de a legislação vigente, a NR-4, não ter sido colocada pelas instituições como o maior fator impeditivo/limitante para implantação do curso de especialização/qualificação nas regiões, esta pode ser considerada um dos principais fatores interferentes no mercado de trabalho para o profissional especi-alizado/qualificado na área e consequentemente na oferta do curso.
Quanto às estratégias, os resultados apontam para a versatilidade nas formas de pagamento, a redu-ção de custo do curso e a oferta do curso em locais em que há demanda.
Diante dos resultados apresentados, conclui-se que há necessidade de uma discussão maior acerca da formação desses profissionais especializados e da reformulação da legislação vigente, principalmente no que diz respeito à enfermagem do trabalho, já que é uma área imprescindível no desenvolvimento das ações de saúde do trabalhador e precisa ser adequada à sua real necessidade e à prática da lei do exercício profissional de enfermagem.
É importante ressaltar que existe ainda a neces-sidade de se buscar a participação das instituições que não responderam à chamada para a pesquisa obten-do-se, dessa forma, o real quantitativo de profissio-nais formados, bem como as instituições responsá-veis pela formação desse grupo e a criação do banco de dados sugerido como contribuição do estudo.
R
EFERÊNCIAS1.Zeitoune RCG. A prática de enfermagem do trabalho [tese de mestrado]. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro; 1990.
2.Carvalho GM. Enfermagem do Trabalho. São Paulo: EPU; 2001.
3.Reisdorfer MCT. Condicionantes organizacionais relaciona-das à atuação do enfermeiro do trabalho: uma abordagem ergonômica [dissertação]. Florianópolis (SC): Universidade Federal de Santa Catarina; 2002.
4.Manuais de Legislação. Segurança e Medicina do Trabalho. 60a ed. São Paulo: Editora Atlas; 2007.
5.Costa MFBNA, Kurcgant PA. A formação profissional do técnico de enfermagem: uma análise histórica e ético legal no contexto brasileiro. Acta Paul Enf. 2004; 17:108-113. 6.Bulhões I. Os acidentes do trabalho. In: Bulhões I.
Enferma-gem do trabalho. Rio de Janeiro: Edição da autora; 1976. p. 149-207.
7.Conselho Federal de Enfermagem (Br). Lei do exercício profissional no 7.498, de junho de 1986. Rio de Janeiro:
Grá-fica COFEN; 1986.
8.Zeitoune RCG, Lopes AS, Assumpção B. A formação dos profissionais em enfermagem do trabalho na Região Sul – Brasil [trabalho de conclusão de curso]. Rio de Janeiro: Uni-versidade Federal do Rio de Janeiro; 2008.
9.Zeitoune RCG, Lopes AS, Coelho CFM, Almeida GF. A formação dos profissionais em enfermagem do trabalho – na Região Sudeste e Sul do Brasil [trabalho de conclusão de curso]. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Ja-neiro; 2008.
10.Silva BR, Baptista SS. O movimento de expansão dos cur-sos superiores de enfermagem na Região Norte do Brasil. Rev enferm UERJ. 2007; 15:515-20.
11.Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística [site de Internet]. Pesquisa Indústria Anual - Empresas 2006 0,5% das empresas concentram 60% da produção da indústria; 25 de junho de 2008. [citado em 16 dez 2008]. Disponível
em:http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/ noticia_impressao.php?id_noticia=1173.
12.Ministério do trabalho e emprego [site de Internet]. Nor-mas regulamentadoras NR 04, NR 29, NR 31. Brasil; [cita-do em 12 set 2009]. Disponível em: http://www.mte.gov.br/ legislacao/normas_regulamentadoras.
13.Texeira MSG, Pequeno RSA, Dantas JT. América Latina, Brasil e a Região Nordeste: um espaço em retalhos. XII Encontro Nacional de Economia Política; 2007 abril; Natal, Brasil. Natal (RN): Universidade Federal do Rio Grande do Norte; 2007.
14.Barbosa ECV, Viana LO. Um olhar sobre a formação do enfermeiro/docente no Brasil. Rev enferm UERJ. 2008; 16:339-4.
15.Reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Pro-posta de plano quinquenal de desenvolvimento para a UFRJ-PDI-2006. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro; 2006.
16.Silveira R, Corrêa AK. Análise integrativa da literatura 1999-2003: ensino em educação - profissional em enferma-gem. Rev enferm UERJ. 2005; 15:91-6.
17.Marziale MHPi, Hong OS, Morris JA, Rocha FLR. Atribuições e funções dos enfermeiros do trabalho no Brasil e nos Estados Unidos. Rev Latino-Am Enfermagem [periódico na Internet] 2010 [citado 13 abr 2011]; 18:182-8. Disponível em: http:// www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11692010000200007&lng=pt. doi: 10.1590/S0104-1169 2010000200007.