Comércio internacional e interestadual no Paraná: uma análise econométrica
Jaime Jordán Costantini1
Resumo: Este trabalho tem por objetivo avaliar a importância do comércio
internacional em relação aos fluxos interestaduais de comércio no Estado do Paraná. Constrói-se uma base de dados com utilização de fluxos de comércio internacionais e interestaduais. Para esse efeito determina-se o custo fronteira do Estado com a estimação de equações gravitacionais por efeitos fixos e OLS. Os resultados deste estudo são: (a) O comércio interestadual é muito mais importante do que o comércio internacional no estado do Paraná (b) Os resultados das estimativas econométricas determinam que o Estado de Paraná troca 9,8 vezes mais bens com outros estados do Brasil do que com o estrangeiro.
Palavras-Chave: Comércio Internacional e Interestadual, Custos fronteira,
Equações Gravitacionais
Abstract: The aims of this paper are evaluating importance of the international
trade in relation at the interstate trade in the state of Paraná in Brazil. I construct a Data Set with international and intestate trade flows for the State of Parana. For this propose I calculating the frontier cost using an gravity equation estimating by fixed effects and OLS. The results of this works are the following (a) The interstate trade are much more important that international trade for Paraná State (b) The State of Parana trade 9,8 more with other states of Brazil then foreign countries.
Key-words: International and Interstate trade, Frontier Cost, Gravity Equations
Área VI - Métodos Quantitativos para Economia Regional
1 – Introdução
Diante a perspectiva das políticas comerciais para o Estado do Paraná o comércio internacional é mais importante do que o comércio interestadual? Quais são as relações entre o comercio internacional e o comércio interestadual? Existe uma relação de dependência entre os dois tipos de comércio? A relevância de encontrar respostas às questões em pauta é significativa para identificar se os incentivos para um produtor paranaense estão na dinâmica do mercado internacional ou no mercado interno brasileiro. Ao mesmo tempo é importante para as iniciativas oficias na esfera estadual e federal entender como interagem os dois tipos de comércio para definir as políticas públicas de promoção das atividades produtivas.
Um elemento importante para entender o problema são as tendências do custo de fronteira que defronta um produtor Paranaense para atingir os mercados estrangeiros. A um maior custo de fronteira para exportar aos mercados internacionais um produtor paranaense optará por comercializar produtos no mercado nacional. Os custos de fronteira abrangem um conjunto amplo de custos como: transporte, alfândegas, adaptações dos produtos às exigências técnicas internacionais e padrões de consumo estrangeiro etc.
Desde o início dos anos noventa com a redução das tarifas alfandegárias e participação do Brasil no MERCOSUL e outros acordos comercias, as empresas do estado aumentaram seus negócios com exportações. Para o conjunto dos países do MERCOSUL Castilho (2005) estudo o custo de fronteira dos paises do MERCOSUL utilizando as técnicas das equações gravitacionais. Essa metodologia foi uma aplicação do trabalho de Wei (1996) para estudar os custos de fronteira nos países da antiga EFTA e precedente UE/CEE. Os trabalhos seminais com as equações gravitacionais devem-se a um trabalho de Mc Callum (1995) que estudo o comércio entre as províncias canadenses e 30 estados dos EUA. As metodologias das equações gravitacionais têm vantagens em relação aos métodos diretos para determinar custos de fronteira porque demandam uma menor quantidade de informações.
Este trabalho tem por objetivo determinar os custos de fronteira para o Estado do Paraná com as técnicas das equações gravitacionais e, portanto exige a estimação e análise econométrica da equação gravitacional.
O trabalho está organizado assim: na segunda parte faz-se uma revisão da literatura tanto de pesquisa nos EUA, Europa e Brasil. Na terceira parte discutem-se os fundamentos teóricos das equações gravitacionais. Na quarta parte se apresentam as fontes de informações para construir uma base de dados para o estudo. Na quinta parte apresentam-se os resultados do trabalho. Na sexta e se concluem com as considerações finais.
2 – Revisão da Literatura
A equação gravitacional está relacionada com uma evidência crescente de que o comércio doméstico é muito mais importante do que o internacional. Isso levou a definir o termo “custo de fronteira” que é a redução do comércio por efeito de que um produto, ou serviço, pelo fato de cruzar fronteira de um país a outro. Do ponto de vista do consumo, pode-se estabelecer que exista um viés em favor do bem nacional contra o bem estrangeiro. Em inglês este viés é conhecido como Home Bias.
Mc Callum (1995) fez uma pesquisa das relações comerciais entre as províncias canadenses e os estados dos EUA. O resultado do estudo de Mc Callum foi surpreendente: O comércio entre as províncias canadenses é 22 vezes maior que o existente entre as províncias e os estados dos EUA. Este estudo foi feito com dados de 1988, quando entre os EUA e Canadá existiam um tratado de livre comércio pré-Nafta. Outra contribuição importante da aplicação da equação gravitacional, foi a de Wei (1996) que ampliou a amostra a paises da Organização Econômica de Cooperação e Desenvolvimento OECD2 onde, além dos EUA e Canadá incluem outros dois blocos como as antigas EFTA (Corresponde aos países escandinavos e Noruega e Holanda), Comunidade Econômica Européia (hoje União Européia).
Os estudos Brasileiros sobre equações gravitacionais poderiam classificar-se em dois grupos. O primeiro incluem os estudos que tratam de
2 Correspondem Alemanha, Benelux (Bélgica e Luxemburgo), França, Canadá, EUA, Itália, Reino Unido, Holanda.
pesquisar os fluxos do comércio entre os países e o efeito dos Acordos Preferências de Comércio APC. O segundo pesquisam o efeito dos fluxos do comércio no desenvolvimento regional do Brasil.
No primeiro tipo de trabalho temos o de Piani e Kume (2000) que aplica o modelo gravitacional para avaliar os fluxos comerciais entre os diferentes blocos comerciais a nível mundial. Outra pesquisa importante é a que apresenta Azevedo (2000), o qual tem por objetivo estudar os efeitos que tem nos fluxos do comércio a grande quantidade de Acordos Preferentes do Comércio (doravante APC) subscritos na década de noventa. A idéia é avaliar se esses acordos criaram comércio ou mudaram o padrão das relações comerciais. Aplica-se um modelo gravitacional com bastantes inovações. O ponto focal da Azevedo (2000) é a descoberta apresentada por Soloaga e Winters (2004), estes acharam que não existem evidências de que os países do MERCOSUL comercializam mais depois que a união aduaneira foi criada. A conclusão geral de Azevedo é que o MERCOSUL não teve efeito no comércio intra-bloco, pois, as variáveis categóricas da equação gravitacional não mostram sinais de mudança estrutural, desde que as variáveis categóricas do comércio no período de transição e de pré-integração não são significativamente diferentes. O que confirma que o MERCOSUL é um bloco dinâmico em quanto a importações intrabloco, mas tem um desempenho modesto em exportações extrabloco desde 1991.
Outro estudo importante foi o de Barrantes, A. B..Vergolino (1998), que pesquisaram a equação gravitacional no Nordeste, para o ano 1990, antes do inicio do MERCOSUL. O aporte desta pesquisa é que incorpora dados sobre o comércio interestadual e internacional do nordeste. O ano foi escolhido pela disponibilidade de dados dos fluxos interestaduais de comércio. A especificação da equação gravitacional diferencia-se em relação aos estudos anteriores porque considera o comércio Regional. Neste contexto os resultados da pesquisa de Barrantes, A. B. Vergolino (1998) é muito interessante: O comércio regional em o nordeste representa 11,5 vezes mais que o comércio internacional. Mas. Esta descoberta indica que além de estados produtores e exportadores de matérias-primas, criam também algum grau de interação conjunta.
Sá Porto, Canuto (2002a) que estuda o efeito do MERCOSUL em todas as regiões do Brasil. O viés em relação aos bens internos foi muito intenso com a criação do MERCOSUL. Em 1990 os estados brasileiros tendem a comerciar 2,1 vezes mais com o MERCOSUL. Para 1998 a criação do comércio incrementou esse desvio em 8,3 vezes mais. Mas, esse grande desvio de comércio em relação ao MERCOSUL, foi maior nos estados do sudeste e sul que no norte, nordeste e centro Oeste. As regiões que mais se beneficiam com o MERCOSUL são justamente as regiões mais desenvolvidas no Brasil. Isto é o MERCOSUL cria disparidades regionais adicionais às existentes.
Outra pesquisa muito importante foi desenvolvida por Sá Porto o (2002) que estuda a equação gravitacional em relação à taxa de câmbio entre a Argentina e o Brasil, com ênfase nos efeitos dos setores. A metodologia neste caso se amplia em dois sentidos: novos acordos do comércio (NAFTA e EU) e a setores. Como é habitual incorporam-se variáveis categóricas por setores e acordos. Os dados são mais recentes (2002), e, portanto, mostra a situação com um desempenho diferente do MERCOSUL. Confirmam-se as conclusões anteriores, mas o viés em favor dos bens nacionais em determinados setores é importante.
Como conclusão geral desta revisão é a aplicação das equações gravitacionais que determinam a existência de um viés em favor do mercado interno. As vantagens do MERCOSUL foram significativas para a região sudeste do Brasil, mas para o restante do país a avaliação não é tão positiva.
3 – Fundamentos Teóricos
A revisão da literatura compreende os fundamentos teóricos das equações gravitacionais e o modelo empírico que se aplicara para desenvolver o trabalho.
3.1 - Uma Visão Intuitiva das Equações Gravitacionais
A ferramenta metodológica, que se aplicada no desenvolvimento deste trabalho é a equação gravitacional, que é apropriada para estabelecer
regularidades empíricas nos fluxos do comércio entre nações, e/ou regiões. A equação gravitacional foi uma contribuição pioneira de Tinbergen (1962) e uma primeira aplicação foi de Poyhonen (1963).
O nome equação gravitacional é oriundo da física. A força de atração entre dois corpos, é diretamente proporcional à massa dos mesmos e inversamente proporcionais à distância. Em economia este conceito tem o seguinte sentido: a força é associada aos fluxos comerciais e a massa ao PIB.
‘Uma equação gravitacional pode ser expressa na seguinte forma:
Comércioijt
= A d
ijβy
β2ιty
jtβ3
(1)Na equação (1) o comércio entre os países i e j é uma função da distância entre ambos que se mede pelo dij e o produto dos países i e j no ano t
dados pelas variáveis yit e yjt.. A, ββ2 , β3 são os coeficientes donde βé
negativo e β2 , β são positivos. Com o objetivo de interpretar os resultados é
mais conveniente o estudo de uma expressão logarítmica:
Ln (Comércioij)
= β
0+ β
1ln d
ijβ
2λn y
it+
β
3ln y
it (2)Com a expressão (2) os valores de β, β2 , β3 são as elasticidades do
comércio com relação à distância e aos produtos dos países que trocam bens. Para pesquisar determinados problemas que afetam o comércio, usando a equação gravitacional com ajuda de um vetor de outras variáveis, como por exemplo, se os países compartilham fronteiras comuns, ou seja, são partes de um mesmo acordo regional de comércio, ou têm uma mesma origem colonial, etc. Desta forma a expressão proposta é a seguinte:
Ln (Comércioij)
= β
0+ β
1ln d
ijβ
2ln y
it+
β
3ln y
it+ β’X
j+u
ij (3)Neste caso Xj é um vetor coluna das varáveis adicionais que estão
sendo consideradas e β’ representa um vetor fila de coeficientes e uijt é o termo
randômico da relação. Estes vetores Xj podem representar variáveis como
idioma comum, compartilhar fronteiras, participações em acordos regionais, etc.
3.2 - Modelo Teórico
Os fundamentos teóricos da equação gravitacional (Deardorff (1995) Anderson (1979), Anderson Wincoop (2001)) se obtém na base de otimização seguinte: maximizar uma função da utilidade (Uj) CES homotetica e idêntica para todos os países restrito a que cada país consuma como máximo de todos os bens que se produzem nível de renda do país isso é:
maximizar Uj=( Σβ1/σχijσ-1/σ)σ/σ-1 Sujeito a restrição orçamentária Σipicij =yj,
Onde yj é renda nominal do país j o, pij é o preço do país i do bem j e β é o parâmetro da distribuição do consumo dos bens e σ é a elasticidade de substituição de bens. Os preços dos bens diferem entre países. Se pi é o preço de exportação liquido de custos de exportação e se τij é o custo de comércio do país i então pi=τijpi. Entende-se que os custos são assumidos pelos exportadores. τij captura todo tipo de custos, como transporte, alfândega, distorções na taxa de cambio, mudança no desenho dos produtos etc. Os resultados da otimização3 da função de utilidade restrita pela renda nominal equação gravitacional é seguinte:
xij=yiyj/y
w(τij/PiPj)
1−σ(4)
A equação gravitacional prognóstica dado os níveis de renda do comércio depende das barreiras comerciais entre os dois países (τij) divididos pelo o produto da resistência multilateral do comércio (PiPj). Uma maior resistência ao comércio de um país como diferenças por exemplo em as estruturas de consumo reduz o comércio.Como o valor de τij não e observável
utiliza-se a seguinte função potencial: τij=bijdij Onde dij é a distância do país i
ao país j e o parâmetro bij se interpreta com 1 más a tarifa equivalente do
3
Para um tratamento mais completo da dedução teórica das equações gravitacionais ver Jordán (2005)
custo de fronteira. bii=bjj=1, isso quer dizer que o comércio dentro do país não tem custo de fronteira.Substituindo e aplicando logaritmos se tem que a tradicional equação gravitacional estimada em diferentes estudos empíricos
Lnxij=-lnyw+lnyiyj+(1-σ)ρlnbij-(σ-1)lnPiPj (5) A expressaõ (σ-1) reflete os custos de fronteira. Que de acordo a Wei (1985) reflete o que o país importa de se mesmo e que poderia ser importado de outro país com características similares de distância, nível de PIB, estrutura produtiva etc. A relação PiPj mede o grau de fricão do comércio que se refelete nas diferenças internacionais de preços entre países. Esse último ponto foi claramante evidenciado por estudos empíricos de McCallum (1995) no comércio dos EUA, e Canadá, e Prasley e Wei (2001) entre Japão e EUA. Os fatores que podem criar frições no fluxo de comercio podem ser de diversa origems, como custos de transportes, tarifas alfandegarias, participação de APC, diferenças culturais entre os países etc. Isso permite que nos estudos empíricos ampliar a equação gravitacional da especificação (2) para incorporar esse conjunto de variavies com a seguinte expresão
PiPj =Π
ky
kρkw
δk(6)
A equação (3) tem um conjunto de variáveis categóricas em relação a fatores específicos do comércio que recolhem os custos de fronteira.
3.3 - Modelo Empírico
Para o modelo empírico de estimação dos custos de fronteira para o Estado de Paraná utiliza-se a metodologia utilizada por Anderson Wincoop (2001). Trata-se de estimar uma equação gravitacional para os fluxos de comércio do Estado de Parana. Para esse propósito se entende o Estado do Paraná com si fuera um páis que comercializa com outros países incluido entre o resto dos estados do Brasil. Para esse efeito se utiliza-se a seguinte especificação:
lnxpar=-lnyw+β1lnyxym+β2lnypcxypcm+β3ldistijβ4fronteira+ ei (7) Onde o significado das variáveis é seguinte:
Lnxpari = é o logaritmo das exportações do estado do Paraná ao país o Estados i.
-lyw = constante da equação que se interpreta com a produção mundial com signo negativo de acordo Anderson Wincoop (2000)
Ln(yx, ym) = ln PIB em dólares do país exportador vezes e PIB do país importador.
Ln(ypx*ypm) = log PIB por pessoa do país importador e exportador DistJ = logaritmo da distância entre o país i e j
Fronteira = Variável categórica que 1 se a exportação corresponde a outro estado e 0 se e a outro país.
As interpretações dos parâmetros e variáveis são as seguintes: A variável dependente é o nível de exportações do estado do Paraná a outros estados e países A constante (-lnyω) deve ter sinal negativo é interpreta-se com o produto mundial de acordo a equação (4). Isso quer dizer que quando (-lnyw)
em valor absoluto é maior o expoente e menor, portanto os fluxos de comércio são maiores de acordo com equação (2). Variáveis explicativas muito típicas das equações gravitacionais são o nível de produtos dos parceiros comercias (lnyp e lnyj) e os produtos por pessoa (lnypm lnypx) a distância entre eles (disti).
A variável fronteira representa o custo de fronteira. Se não existe custo de fronteira o parâmetro associado a variável fronteira (β4) deve ser zero. Isso
quer dizer que para um exportador Paraense é indiferente exportar a outro país o vender a outro Estado. Se β4>0 existe um custo de fronteira.
Os valores esperados dos parâmetros são as seguintes:
β1 e β2>0, isso é que um aumento do produto no país exportador e nos
parceiros comerciais gera um incremento das exportações.
β3<0 a maior distância do parceiro comercial as exportações
reduzem-se.
β4 é o parâmetro que reflete o custo da fronteira e com foi dito que
deveria ser zero no caso que o exportador lê resulte indiferente exportar o vender no mercado interno. Se existe um custo de fronteira β4>0.
4 – Base de Dados
Para desenvolver o estudo é necessário construir uma base de dados para estimar econometricamente a equação gravitacional para o Estado do Paraná. Nas linhas seguintes apresentam-se as fontes de informações utilizadas com as definições dos conceitos.
Para efeitos de estimação da equação gravitacional no Estado do Paraná precisam-se dados dos fluxos de exportações a outros estados ou países parceiros. A informação de exportações do Estado do Paraná a outros países obtém-se de sistema WebAlice do Ministério de Indústria e Comércio. Obtiveram-nas exportações de Paraná os principais parceiros comerciais do estado do Paraná constituídos por 35 paises4. Os países foram escolhidos de forma que representem parte importante às exportações do Paraná para esse efeito se utilizam dados dos informativos de comércio exterior de IPARDES (2005) N°9. Os níveis de exportações com destino a esses países representam 78,5% e 77,2% das exportações totais do Estado de Paraná para os anos 1998 e 1999 respectivamente. Para as exportações do Estado de Paraná com destino a outros estados utilizaram-se as informações do trabalho de Vasconcellos et. al. (2001a) e Vasconcellos et. al. (2001b) que contém a matriz das transações interestaduais do Brasil para os anos 1998 e 1999. Não se encontrou dados de anos anteriores e de anos posteriores. Essa situação explica porque para as exportações a outros países utilizamos os anos 1998 e 1999. As exportações do estado de Paraná a outros estados são convertidas em dólares com taxa média anual de cambio do boletim do Banco Central obtida em site de IPEA. Consideraram-se 21 estados5 . Se excluírem alguns Estados Brasileiros por ter um comércio exterior muito incipiente.
Outra informação que se obteve foi o nível de PIB por estado no site do IBGE das contas regionais. Como a informação do PIB em reais de cada ano se converteu em dólares com a taxa de cambio igual poder de compra (GDP,
4 Os países são: Alemanha, Angola, Áustria, Argentina, Arábia Saudita Bélgica, Bolívia, Canadá, Chile, China, Cingapura, Colômbia, Corea do Sul , Costa Rica , Equador, EUA, França, Hong Kong, Índia, Irã, Itália, Irlanda, Japão, México, Malásia, Paraguai, Peru, Portugal , Rússia, Espanha, Suécia, Suíça, Taiwan, Uruguai e Venezuela
5 Amazonas, Para, Bahia, Rondônia, Ceara, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Espírito Santo, Goiás, Santa Catarina, Rio Grande do Sul Mato
Gross Domestic Product at PPP, Power Purchasing Parity) que se encontra na Penn World Tables (PWT) da Universidade de Pensilvânia. Nessas tabelas obtiveram-se as series do PIB dos países escolhidos que estão expressos em dólares do mesmo poder de compra que o PIB dos Estados.
A informação das distâncias se obteve do site do Centré D´Etudes Prospectives et de information Internationales (CEPII) da França que estudo intensamente os dados sobre distâncias entre países que trocam bens. O estudo mais destacado foi o de Head e Thierry (2002) que em uma meta análise sobre grande quantidade de estudos em equações gravitacionais. Tradicionalmente as distâncias entre as capitais dos países que trocam bens que são consideradas para as estimações das equações gravitacionais. Head e Thierry (2002) demonstram que esse conceito não é realista. Para esse efeito utilizamos a distâncias entre as cidades mais importantes entre os países que trocam bens. Neste trabalho utiliza-se essa distância que se obtém no site do CEPII (www.cepii.fr/francgraph/bbd/distances). No se considero necessário fazer um ajuste para as exportações desde Curitiba em vez de distância entre São Paulo e Rio. As distâncias entre Curitiba e as capitais dos outros estados se obtiveram de uma tabela que DENIT disponibiliza na internet. Essas são as distâncias mais cortas entre as diferentes capitais dos estados.
5 - Resultados
É apresentada primeiramente a “matéria prima em bruto dos dados” e com posterioridade os resultados da estimação econométrica.
5.1 - Principais Tendências dos Fluxos de Comércio Internacional e Interestadual do Paraná
As principais tendências do comércio internacional e produto podem observar-se na tabela 1
Tabela 1 - Comércio internacional do Estado de Paraná e Brasil e índice do PIB
Estado de Paraná Brasil
US$ Milhões PIB Indice US$ Milhões PIB Indice Dólares de 1996 1996=100 Dólares de 1996 1996=100 Exportações Importações Exportações Importações
1996 4.245,9 2.434,7 100,0 47.746,7 53.345,8 100,0 1997 4.743,4 3.231,4 95,1 51.783,7 58.382,4 104,1 1998 4.068,3 3.904,3 93,6 49.207,8 55.581,2 104,9 1999 3.703,1 3.483,5 97,8 45.209,7 46.423,2 106,6 2000 4.002,5 4.268,5 97,8 50.205,6 50.872,1 111,1 2001 4.712,8 4.366,2 108,5 51.631,8 49.253,5 113,2 2002 4.973,1 2.906,7 117,2 52.702,1 41.195,3 115,7 2003 6.103,1 2.972,3 126,2 62.416,0 41.204,4 117,3 Taxas anuais acumulativas, % ao ano
1996-2003 5,32% 2,89% 3,38% 3,90% -3,62% 2,30%
1996-1998 -2,11% 26,63% -3,26% 1,52% 2,07% 2,42%
1999-2003 8,45% -5,31% 6,16% 4,87% -5,81% 2,26%
Fonte: Dados do Estudo
Sobre tabela anterior é necessário acrescentar que para expressar a serie em dólares do mesmo poder aquisitivo dos 1996 utilizo-se o índice de preços ao consumidor dos EUA publicado no site IPEADAT. O índice de PIB do estado do Paraná foi expresso em reais do mesmo poder de compra para possibilitar uma comparação com os dados de fluxos do comércio.
Comparando as series do Estado do Paraná e Brasil pode-se observar as seguintes tendências:
(a) As exportações no Estado do Paraná aumentam com uma taxa de crescimento superior a do Brasil nos anos de 1996-2003. As mudanças de tendência das exportações são diferentes em Paraná que no Brasil em alguns períodos: redução das exportações em 1996-1998 com uma queda mais acentuada no Estado do Paraná que do Brasil onde observa-se um aumento moderado para esse período. Com a mudança de preços relativos de 1998 em adiante o produto do ajuste cambial as exportações se recuperam vigorosamente no estado do Paraná com cerca de 4 pontos porcentuais acima do que o aumento das exportações no Brasil. Este comportamento de maiores quedas das exportações e recuperações mais vigorosas no estado do Paraná são um bom indicador de que as exportações são mais sensíveis a mudanças dos preços relativos no estado do Paraná do que no Brasil. Esta situação pode ser resultado também da intensidade das mudanças dos preços relativos no
de Paraná exporta e Brasil pode ser muito diferente em cada caso. Outro elemento a considerar se refere-se a diversificação produtiva do estado do Paraná com as exportações da indústria automotriz e os processos de integração com o MERCOSUL.
(b) Em relação às importações a situação é a seguinte: em todo o período de análise as importações no Estado do Paraná evoluem a taxas superiores ao do Brasil. Mas nos anos do real valorizado 1996-1998 as importações no Estado do Paraná crescem a uma taxa 26,63% anual nesse período. O paradoxal é que essa dinâmica das importações do Paraná é consistente com uma redução da atividade econômica entre 1996-1999. Esse fenômeno pode-se explicar por uma mudança da estrutura do consumo no estado de Paraná em favor de bens importados. Países que tradicionalmente estão fechados ao comércio internacional e iniciam um processo de abertura econômica com taxas de cambio fora de nível tem um overshuting em suas importações. Para 1996-1999 no Brasil e no Estado do Paraná tem uma redução das importações a taxas muito similares. Esta redução das importações se produz com um aumento vigoroso da atividade econômica no Paraná.
Como conclusão pode-se estabelecer que o Estado de Paraná tem um crescimento de sua corrente comercial (que é igual à soma de exportações e importações) a taxas superiores que o Brasil. Em efeito entre 1996 a 2003 as corrente comerciais do Estado de Paraná aumentam em 4,7% e esse mesmo indicador para Brasil é 0,35%. Como nesse período os PIB no Estado de Paraná aumentam em 3,38% o comércio exterior tem uma maior participação na atividade econômica na atualidade do que em 1996. Outro fator importante é destacar é esse incremento da maior abertura econômica é resultado de mais por efeito das exportações que as importações, em efeito as importações crescem a um taxa anual de 2,89% mas a taxa de incremento anual das exportações é 5,32%.
Outro elemento de análise é a comparação do comércio internacional e interestadual. Como foi explicado conta-se somente com informações do comércio interestadual para os anos 1999 e 1998, portanto não é possível analisar tendências e, portanto nos limitaremos a fazer comparações entre os dois tipos de fluxos de comércio. Na tabela 2 apresenta-se a informação:
Tabela 2 - Comércio internacional e interestadual
Comercio internacional Comércio Interestadual Ano
Exportações Importações Exportações Importações 1998 4.068,3 3.904,3 31.419,5 25.285,9 1999 3.703,1 3.483,5 25.160,4 21.470,8
Fonte: Base de Dados do Estudo. US$ Milhões, dólares de 1996
Como pode destacar-se o comércio interestadual é maior do que o comércio internacional, chegando a ser o primeiro, cerca de oito vezes o segundo. Os principais parceiros do comércio interestadual do Estado do Paraná são os Estados de São Paulo, Minas, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
As relações entre o comércio interestadual e internacional são mais complexas de deduzir. Um aumento da atividade nos estados do sudeste e Santa Catarina têm efeitos positivos nas exportações do Paraná para esses estados. Mais um melhor desempenho dos estados do Sudeste pode ser produto de uma boa conjuntura internacional, mais não necessariamente. As exportações totais do Brasil representam um 12-13% do PIB, portanto um melhor desempenho dos Estados do sudeste não necessariamente está estreitamente associado a um bom desempenho da economia internacional. A falta de informação de series mais completas de comércio interestadual não permitem maiores precisões neste ponto.
5.2 - Resultados Econométricos
A literatura sobre equações gravitacionais estabelece diferentes métodos de estimação das equações gravitacionais. No quadro seguinte se se apresenta os diferentes procedimentos econométricos utilizados. Pode-se observar que as estimações obedecem a diferentes métodos (OLS, LSDV, IV) dependendo dos objetivos do estudo.
Quadro 1 - Diversos métodos econométricos aplicados em literatura para estimação de equações gravitacionais
Pesquisa Método de Estimação Fundamentos
Mc Callum (1995) OLS Não apresenta
Anderson Wincoop (2001) OLS, OLS restrito não linear, restrito as ponderações
resultantes do índice de preços da função do consumo de tipo ESC
OLS , OLS restrito para melhorar a eficiência da estimação e LSDV e OLS. Objeto do estudo e resolver o enigma do alto custo de fronteira de McCallum (1995)
Wei (1996) SUR Extendido, SUR
Ponderado, IV SUR, Pooled O objeto do estudo é estimar o custo da fronteira entre os países da OCDE. Aplica-se SUR restrito a todos os parâmetros com exceção do custo de fronteira para lograr
eficiência na estimação. Com posterioridade, estima a evolução dos custos de fronteira na base dos efeitos fixos.
Freenstra Markusen Rose (1998)
MQO, Com Variâncias Robustas
Não apresenta, mas é fácil deduzir. O objetivo é estabelecer a diferença entre as elasticidades do país exportador e o parceiro
Piani Kume (2000) MQG, White Presença de
heterocedasticidade em amostra grandes
Rauch (1998) Tobit Treehold a
estimação heckman em duas etapas
Muitos valores de comércio entre países são iguais a zero e outros maiores que zero
Azevedo (2002) OLS, Tobit, Pooled Comparar os
resultados com diferentes métodos
Fonte: Jordán C. J. (2005)
Como o propósito do presente trabalho é medir o custo de fronteira utilizaremos o método de estimação proposto por Anderson Wincoop (2001)
que sugere que a estimação seja por efeitos fixos por país e ano. O fundamento da proposta de Wincoop e Anderson(2001) é que a troca de bens entre dois parceiros é específica e, portanto sempre existira uma situação de variáveis omitidas nessa situação uma estimação por OLS gera um viés nos parâmetros.
Para aplicação das estimações econométricas o procedimento será assim: primeiramente se estima os parâmetros com OLS e se procede aplicar uma bateria de testes que são: outliers influentes com auxilio do erros studentizados presença das variáveis omitidas com teste de Reset e de erros de especificação com teste linktest homocedasticidade com teste de Cook-Weisberg e Withe e multicolineridade com o teste de Inflação de Variância (VIF).
Os resultados dos testes são: a amostra tem outliers influentes e se procede a excluir da amostra. O teste do Reset demonstra a existência de variáveis omitidas. O linktest determina que não se tenha erros de especificação. Os testes de Cook-Weisnberg e Withe demonstrarem que a amostra é heterocedastica, o teste VIF não demonstrou a presença colinearidade.
Para superar os problemas de variáveis omitidas se estima com sistema de efeitos fixos por país importador e ano. Aplica-se a estimação por variância robustas presença de heterocedasticdade na amostra.
Com objetivo de ter uma visão do viés dos parâmetros estimam-se as equações com OLS e com efeitos fixos por país e ano. Para as estimações com o sistema de OLS aplica-se a especificação da equação (7). Para os efeitos fixos seguimos as recomendações Feenstra (2005) que estabelece os métodos de obtenção de custo de fronteira. Nesse caso a especificação não se considera os coeficientes relacionados aos parâmetros do PIB total e PIB por pessoa. A justificativa que sinala Feesntra(2005): Chapter 5 e Anderson Winccop(2001) e Wall (2000) é que os efeitos fixos capturam os elementos específicos nas relações de troca de bens que estão incorporados na amostra e permite resolver a heterogeneidade dos parceiros comerciais. Outra justificativa e que existem variáveis que não mudam com o tempo com é o caso das variáveis da distância.
A função que se estima por efeitos fixos é a seguinte Lnvx=-lnyw+β3ldistiβ4fronteira+Σj=57βjYj +Σj=8 64βjwj+ ei
Onde de acordo as recomendações da literatura têm que Lnvx= lnxpar- lnyxym
Yj corresponde a variáveis categóricas para os dois anos utilizados, 1998, 1999
Wi corresponde a variáveis categóricas utilizadas por cada estado (21) e países (35) o que significa um total de 56 variáveis categóricas.
Como pode ser observada a especificação para estimação dos efeitos fixos considera o nível de renda, mais não se estima o parâmetro β1 e β2.
Com essas considerações estamos em condições de apresentar os resultados das estimações que se apresentam na tabela 3
Tabela 3 - Resultados econométricos
Variável Dependente Lnxpar Lnvx Variáveis independentes OLS
Efeitos Fixos por País, Estado e ano(1) ln(PIBx*PIBm) 0.74(a) (0,07) ln(PIBpcx*PIBmpc) 0.29(c) (0,18) ln(Distância) -0.58 (a) (0,15) -0,48 (a) 0,04 Custo Fronteira 3,18(a) (0,33) 2,29(a) (0,24) Constante -7,08(a) (2.53) -6,28(a) (0,47) Nº. Observações 116 111 R2 0,65 0,99 F 51,05 SME 1,07 0,25 Custo Fronteira 24,10 9,85
Fonte: Estimações da Base de dados
(1) Os parâmetros associados as variáveis categóricas não se apresentam (2) As cifras com parêntesis representam o desvio padrão robusto
A interpretação dos resultados é a seguinte:
(a) O sinal dos parâmetros em ambas estimações, tanto por OLS o efeitos fixos estão em concordância do estabelecido pela literatura. O intercepto é negativo
o que é coreto porque de acordo com a equação (5) reflete o tamanho da economia internacional com sinal negativo. Os parâmetros associados aos níveis do Produto total e por pessoa Isso β1 e β2 são positivos, isso quer dizer
quando a atividade econômica do estado do Paraná e de seus parceiros comerciais se incrementa as exportações regionais incrementam-se. O parâmetro associado à distância é negativo. Esse resultado interpreta-se de que quando o destino das exportações é mais distante se produz uma redução das exportações. A distância não é um indicador de custos de transporte e muito mais bem é uma variável que reflete a diferença com a cultura do país a que se exporta. Países mais distantes refletem culturas e costumes diferentes que fazem mais complexo ao comércio. Por último, está o valor do custo de fronteira em que se pode observar que existem importantes diferenças entre os dos métodos de estimação. Para interpretar a custo de fronteira devemos lembrar a especificação logarítmica da função gravitacional. Dessa forma o custo de fronteira é expoente de 3,18 (e3,18=24,1) para a estimação com OLS
ou expoente de 2,29 (e2,29=9,85). Isso quer dizer que o custo de fronteira para
o estado de Paraná e 9,85, o seja o estado do Paraná exporta a outros estados do Brasil 9,85 vezes mas que com o estrangeiro. A estimação por OLS tem um viés importante e sobre estima o custo de fronteira do Estado do Paraná6 em uma grandeza muito significativa. O custo de fronteira estimado por efeitos fixos esta em maior relação com os valores analisados de comércio interestadual do estado do Paraná.
O que se deseja salientar e que o custo de fronteira é uma barreira que tem o produtor interno frente a concorrência nternacional que compreende um conjunto de fatores em que se incluem os custos de transporte, alfandegas, diferenças na estrutura de consumo, desenho de produtos para o mercado internacional, regulamentações de comércio, diferenças culturaia etc.
Um alto custo de fronteira é um claro incentivo para que um produtor paranaense desenvolva negócios no mercado interno de forma preferencial em
6 Como um detalhe importante Mc Callum (1995) estimo o custo de fronteira para Canadá em relação ao EUA obtiveram um valor de 22, o seja que as províncias canadenses trocam bens entre elas 22 vezes mais que com estados dos E.U.A. Mc Callum estimo o custo de fronteira com OLS. Anderson e Wincoop (2001) com os mesmos dados de Mc Callum, estimo o custo de fronteira com efeitos fixos e obteve um valor de 16.5
relação às exportações.O resultado obtido não é surpreendente, porque é similar de outros estudos feitos no estrangeiro no Brasil.
Quais são os fatores que explicam este alto custo de fronteira?.Existem muitas explicações mais não existe um esforço em sua determinar sua estrutura . Rogoof e Obstelfeld (2001) explicam estes altos custos de fronteira por altas elasticidades Armington o que gera uma fragmentação de preços. Ou seja as diferenças nas estruturas de consumo entre países explicam altos custos de fronteira7.
6 – Considerações Finais
Este trabalho possibilita estabelecer as seguintes conclusões:
a) As tendências da corrente comercial do Estado do Paraná refletem que a partir de 1999 o Estado esta mais exposto a concorrência internacional.
b) Também se observa sinais de que as exportações Paranaenses são muito mais sensíveis a incentivos de mudanças de preços relativos que no Brasil. A recuperação da atividade econômica a partir de 2000 foi mais vigorosa no Estado do Paraná do que no Brasil
c) O comércio interestadual para o Estado do Paraná é muito mais significativo e importante que o comércio internacional e portanto as tendências regionalizadas de atividades econômicas em determinados estados do sudeste podem ser mais relevantes para atividade Paranaense do que determinadas conjunturas o tendências externas favoráveis d) Evidencia-se com métodos econométricos adequados que o
custo de fronteira para o estado do Paraná é alto, o seja , os agentes econômicos tem maiores incentivos para vender no mercado interno que para exportação.
e) Estas conclusões não devem ser entendidas como um chamado a deixar de lado o comércio exterior do Estado do Paraná, mas bem para mostrar sua verdadeira dimensão.
7 – Referências Bibliográficas
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