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A função socioambiental da propriedade urbana

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UNIJUI - UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

CLÉBERTON SOPRAN LOPES

A FUNÇÃO SOCIOAMBIENTAL DA PROPRIEDADE URBANA

Ijuí (RS) 2015

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CLÉBERTON SOPRAN LOPES

A FUNÇÃO SOCIOAMBIENTAL DA PROPRIEDADE URBANA

Monografia final do Curso de Graduação em Direito objetivando a aprovação no componente curricular Monografia. UNIJUI – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.

DCJS - Departamento de Ciências Jurídicas e Sociais.

Orientador: MSc. Marcelo Loeblein dos Santos

Ijuí (RS) 2015

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Dedico este trabalho a todos que de uma forma ou outra me auxiliaram e ampararam-me durante estes anos da minha caminhada acadêmica, mas principalmente aos meus pais, Evaldo da Silva Lopes e Cecilia Lopes que sempre me apoiaram e incentivaram, fazendo tudo que estava no alcance deles, para que eu pudesse concluir este percurso. Ao meu irmão Clederson Lopes e sua família pelo apoio incondicional. Dedico também a minha namorada Fabrina Andreatta Faganello que sempre me ajudou e incentivou a trilhar meu

caminho com maior empenho e

comprometimento. Obrigado por serem minha família!

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AGRADECIMENTOS

A Deus, acima de tudo, pela vida, força, coragem e por me possibilitar a alcançar algo tão almejado em minha vida, iluminando sempre meus passos.

A todos os meus professores que fizeram parte da minha formação acadêmica, meu orientador Mestre Marcelo Loeblein dos Santos pela sua dedicação e disponibilidade, não medindo esforços em me ajudar.

A todos que colaboraram de uma maneira ou outra durante a trajetória de construção deste trabalho, meu muito obrigada!

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“O princípio da democracia corrompe-se quando se perde o espírito da igualdade.” Montesquieu

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RESUMO

O presente trabalho de pesquisa monográfica faz uma análise da Função Socioambiental da Propriedade Urbana, trazendo um resgate histórico, desde a criação da propriedade, como a legislação trata sobre o direito de propriedade, qual a relação ambiental com a propriedade urbana, o respeito ao uso, gozo e fruição da propriedade. Demostra a definição da função da propriedade e como a função socioambiental se encaixa nesse conceito. Discutindo também quais as medidas estão sendo adotadas para preservar e regular o uso da propriedade urbana, leis especificas para isso, Estatuto das Cidades e Planos Diretores municipais e também demostrando um pouco da situação das propriedades urbanas hoje, riscos que sofrem os moradores, poluição no meio urbano. Analisando também a importância econômica da propriedade urbana, tanto para o indivíduo como para o social. Dando ênfase aos órgãos fiscalizadores e a questão sustentável da propriedade urbana. Incluindo os resultados desta pesquisa monográfica, como a migração de pessoas de cidade para cidade, onde encontram um local despreparado para receber a população, que muitas vezes procura moradia em beiras de rios, encostas de morros, ou seja, em locais inapropriados em sem a presença do estado, não tendo um mínimo de condição saudável para receber a população.

Palavras-Chave: Estatuto das Cidades. Função Socioambiental. Meio Ambiente. Propriedade.

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ABSTRACT

This working monographic research analyzes the Environmental Urban Property function, bringing a historical, since the creation of the property, the legislation deals with the right to property, which the environmental relationship with urban property, respect to the use , joy and enjoyment of property. Demonstrates the function definition of the property and how the environmental function fits this concept. Discussing also what steps are being taken to preserve and regulate the use of urban property, specific laws for this, the City Statute and Plans Municipal Officers and also demonstrating some of the situation of urban properties today risks suffering residents, pollution in the urban. Also analyzing the economic importance of urban property, both for the individual and the social. Emphasizing the regulatory agencies and the issue of sustainable urban property. Including the results of this monographic research, as the city of people migrating to the city, where they find a place unprepared to receive the population, who often seek housing on the banks of rivers, hillsides, or at inappropriate locations without State presence, having a minimum of healthy condition for receiving the population.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ... 8

1. A FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE URBANA ... 11 1.1 Origem da propriedade – resgate histórico ... 11 1.2 A função socioambiental da propriedade e suas garantias

constitucionais. ... 13 1.3 A função social da propriedade a partir do Código Civil de 2002 ... 18 1.4 O Estatuto da Cidade e sua função social ... 21

2. FUNÇÃO SOCIOAMBIENTAL DA PROPRIEDADE COMO PRINCÍPIO DA

POLÍTICA URBANA ... 26 2.1 A Importância da Preservação do Meio Ambiente Urbano ... 27 2.2 Relação econômica e social da questão socioambiental urbana ... 35 2.3 A atuação do Ministério Público na garantia da Função Socioambiental da Propriedade. ... 39 2.4 A Questão socioambiental como forma de sustentabilidade das cidades. ... 43

CONCLUSÃO ... 49

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INTRODUÇÃO

O presente trabalho aborda a questão da função socioambiental da propriedade urbana, sendo esta a função utilizada para solucionar ou mostrar como se deve agir nas questões relacionadas com a sociedade e meio ambiente no espaço urbano.

Visa demostrar como ocorre a função socioambiental da propriedade urbana e como ela tratada pela legislação vigente, visualizando como está a propriedade, como ela se mostra e o adequado cumprimento de sua função socioambiental.

Sendo um trabalho de extrema importância, pois vai tratar de um assunto presente no dia a dia das pessoas, que por poucos é lembrado, sendo que é a função socioambiental da propriedade urbana, que irá atuar nestas áreas que estão totalmente degradadas e que a população não se conscientiza em tomar o cuidado necessário, para a manutenção destes locais para as futuras gerações.

O trabalho tem como objetivo a demonstração da situação da propriedade urbana, como ela é tratada, principalmente nas grandes cidades, se estas possuem planejamento adequado para a demanda das pessoas existentes nestas cidades e se suas necessidades diárias (transporte, saneamento, energia elétrica, habitação) são proporcionadas pelos administradores ou gestores destes locais a seus moradores.

O primeiro capítulo do trabalho vai fazer um resgate histórico da função social da propriedade, como se criou, qual a importância que ela traz para a sociedade

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atual, falando um pouco do que as Constituições do Brasil apresentam sobre a questão e como foi implantada a função socioambiental da propriedade urbana na legislação brasileira, quais artigos fazem referência a este princípio.

Haverá um ponto específico que vai trazer um apanhado sobre a Constituição Federal, Código Civil, Estatuto das Cidades e demais leis que possam tratar do tema, sendo que estas legislações são ferramentas muito importante para efetivação da função socioambiental, o qual também demostra as obrigações do povo e do poder público com a sociedade e o meio ambiente.

A importância do Estatuto da Cidade para o desempenho correto da função socioambiental da propriedade urbana, sendo ele um instituto que regula as diretrizes acerca das normas tratadas em relação ao meio ambiente e a propriedade.

No segundo capítulo deste trabalho, argumentar-se-á acerca do que são as políticas urbanas adotadas pelos poderes públicos na busca de um equilíbrio entre o meio ambiente e a sociedade na ocupação do espaço, na convivência com qualidade de vida e na busca por um desenvolvimento sustentável das cidades.

A monografia aborda também a grande e urgente importância em se preservar o meio ambiente, tanto para a geração atual quanto para a garantia de vida das futuras gerações e com sustentabilidade, fazendo uma balança com pesos iguais para a importância ambiental, preservação do eco sistema e também do desenvolvimento correto da sociedade.

No segundo capítulo, ressalta-se a grande importância do Ministério Público na busca por soluções dos conflitos existentes no eco sistema degradado e o homem, fazendo valer seu papel de custos legis (fiscal da lei), nas relações do meio ambiente e sociedade.

Também haverá no segundo capítulo um apanhado que visa demostrar como o meio ambiente é peça fundamental para o desenvolvimento econômico das cidades, o trabalho mostra como está a situação das grandes cidades quando se trata de economia, meios de produção e ocupação do espaço urbano.

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E por fim no último ponto a ser discutido o trabalho mostrará, alguns projetos das cidades sustentáveis, que medidas devem ser adotadas para mudar a situação em que a propriedade, sociedade e meio ambiente estão hoje. Visando com isso apresentar soluções para os problemas existentes no meio ambiente urbano.

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1. A FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE URBANA

A concepção de função social nasceu da noção de que o homem em sociedade deve dar seu máximo, se dedicar o possível, tanto físico, moral e intelectual para realizar as tarefas do dia a dia individualmente da sua melhor maneira, mas sempre em prol do interesse coletivo, para o bem de todos, desenvolvendo desta forma o seu melhor em relação a função social, visto que a propriedade mesmo sendo individual, ela gera felicidade a seu proprietário, sendo que está felicidade, refletirá no bem estar social.

A integração da Função Social da propriedade, está num conteúdo mínimo de direito, estando neste direito o poder do proprietário em usar, gozar e dispor do bem, dentro dos limites de ordem pública e de ordem privada.

A função Social da Propriedade em seu aspecto urbano, traz uma supremacia do interesse de todos, ou seja, o interesse público sobrepondo-se ao interesse privado, sendo que tem por finalidade o uso coletivo, para o bem de todos.

O amparo da legislação em relação a função social da propriedade é muito grande, sendo ela tratada na Constituição Federal, Código Civil, Leis Especiais e também com grande destaque no Estatuto das Cidades e nos planos diretores dos municípios, sendo que nos planos diretores é regulada a função social da propriedade dos municípios.

1.1 Origem da propriedade – resgate histórico

No século passado a propriedade era considerada um elemento para subsistência individual, no qual o ser humano que habitava aquela localidade, usava ela como meio para sua sobrevivência, esse espaço era exclusivo daquele a qual ela pertencia, tendo este o poder de usar, gozar e dispor dele.

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De acordo com Antônio Maria Iserhard (2004) o Direito Romano construiu uma concepção de propriedade tradicional, formulada no jus utendi, jus fruendi e jus abuendi, que nada mais é do que o proprietário estar no direito de usar, gozar e dispor da coisa de maneira absoluta, destoando do que ocorre hoje dia, visto que o proprietário não mais pode usar de forma absoluta a propriedade, visto que, não pode abusar do seu Direito de Propriedade.

Pois o Direito de Propriedade no seu início era considerado ilimitado, abrangendo diversas áreas e setores, sendo que com o passar do tempo ele começou ganhar forma e definição, uma vinculação importante no direito de propriedade foi a finalidade social e ambiental que ele passou a utilizar, sendo que na união destes conceitos, os proprietários urbanos deixavam de construir ou cediam espaços para que houvesse um crescimento sustentável das cidades.

A Constituição de 1891 já trazia em suas escritas o Direito de Propriedade, garantindo a sua plenitude a todos, trazendo a possibilidade de desapropriação, como um de seus institutos.

Daniela Richter (2012) destaca que o caráter social da propriedade, começou a ocorrer à mais de 30 anos, após a primeira inscrição na Carta Constitucional, sendo que na Constituição de 1934 é que dá uma definição mais social para a propriedade, sendo que a partir deste momento as demais Cartas Constitucionais também trazem esse conceito de interesse público para a propriedade.

O Código Civil de 1916 também tratou de apresentar algo sobre a propriedade, não só trazendo o que demostrava a Constituição, mas também trazendo normas, restrições intrínsecas, sobre o uso da propriedade.

Com o advento da Constituição Federal de 1988, esta trouxe novo conceito de propriedade, elevando seu status, a princípio, retirou o pensamento privado e individualista que a propriedade detinha e colocou a supremacia do interesse público, frente ao individual, passando a propriedade a atender a função social e trazer coisas boas para a coletividade.

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Ana Rita Vieira Albuquerque (2002, p. 51), desataca que:

Com a Constituição de 1988, a propriedade transmudou seu caráter constitucional individualista em um instituto de natureza social – que vai além da simples limitação do direito de propriedade, não pretendendo o legislador apenas conciliar o interesse proprietário com um programa social, inserido, no caso brasileiro, no âmbito da “Política Urbanística” e da “Política Agrária” [...], mas representa uma alteração em seu conteúdo, submetendo os interesses patrimoniais aos princípios fundamentais do ordenamento.

Sendo fundamentada nas Constituições brasileiras, a função social da propriedade, começa a ganhar campo especifico em locais resguardados somente para seu instituto, sendo disposta no estatuto das cidades, para dar maior regulamentação as políticas públicas, visando estabelecer o que se regulamenta na Constituição Federal, juntamente com as políticas urbanas desenvolvidas, para assim se ter uma maior aplicabilidade destas normas.

Marizélia Peglow da Rosa (2012) trata da questão da função social da propriedade, como uma mudança de paradigma ideológico do estado liberal, para um paradigma de Bem estar Social, vindo também processos democráticos, sendo necessário a garantia das necessidades de estabilidade das relações, visto que a conceituação da propriedade resta ultrapassada, não mais o proprietário podendo fazer o que bem entender na propriedade, devendo agora resguardar o princípio social, que se torna princípio basilar da estrutura de um Estado Moderno, vinculando a interesses não só do proprietário mas da coletividade.

1.2 A função socioambiental da propriedade e suas garantias constitucionais.

Conforme explicitado no item acima, a função social da propriedade tem seu conceito especificado e resguardado dentro da Constituição Federal em alguns de seus artigos, sendo ela em conjunto com o Estatuto das Cidades, quem dá as diretrizes da Função Social da Propriedade.

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As primeiras escritas constitucionais sobre o direito de propriedade, se deram com a promulgação da Constituição de 1891, nela já trazia as garantias e a plenitude a todos, trazendo a possibilidade de desapropriação da propriedade, como um dos institutos vinculados na Constituição.

Sendo que as demais constituições que vieram ao longo do tempo traziam algumas mudanças em relação ao direito de propriedade, mas não com tanta ênfase como se deu na Constituição de 1988.

Em relação a Constituição Federal de 1988, esta trouxe uma ideia de conceito da função socioambiental da propriedade urbana nos artigos 5º, inciso XXIII, da CF que descrevem:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

XXIII - a propriedade atenderá a sua funçãosocial.(BRASIL, 2015).

A função socioambiental da propriedade também tem um cunho econômico, além do cunho social. No econômico, trata de uma forma de geração de renda por meio da preservação socioambiental e dos meios de riqueza que são desenvolvidos pela propriedade. Ocorre que muitas riquezas criadas por meio de exploração da propriedade se dá através de soluções que causam prejuízos ao meio ambiente, sendo que na maioria das vezes é assim, mas essa realidade está mudando.

A mudança com a preocupação na propriedade é demostrada com a geração de riquezas através de um meio ambiente com um ciclo regular, conforme destaca o Artigo 170, inciso III da Constituição Federal de 1988, que a ordem econômica deve observar a Função Social da Propriedade, artigo que vem sendo muito aplicado, em virtude da preocupação com uma geração de renda limpa e um meio ambiente saudável.

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Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios:

III - função social da propriedade.(BRASIL, 2015).

A função socioambiental da propriedade urbana é a integração que ocorre entre a própria propriedade urbana e a função que ela exerce garantindo o bem estar dos moradores no espaço urbano.

As normas de Direito privado impregnadas na propriedade, devem ser entendidas conforme a constituição as impõe, ou seja, devem ser postas a serviço do desenvolvimento social, em virtude de que como as normas vão mudando novas situações sociais vão surgindo, emergindo uma nova função social.

Em relação a propriedade urbana e a sua função socioambiental cabe ressaltar a importância dos entes públicos presentes na fiscalização e planejamento de um meio socioambiental adequado, sendo que o gestor é quem está obrigado a fazer as diretrizes para a ocupação, se preocupando com o uso do meio socioambiental adequado e a forma de preservar o ambiente em que se vive, pois de acordo com o Artigo 182 da Constituição Federal de 1988 é o Poder Público quem deve juntamente com a população fiscalizar, mas somente ele executar o desenvolvimento urbano.

Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem- estar de seus habitantes. § 2º - A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor. (BRASIL, 2015).

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George L. H. Humbert (2009) destaca que o plano diretor teve uma elevação constitucional, sendo um instrumento de políticas urbanas, obrigando as cidades que possuem mais de 20 mil habitantes, cumprirem o plano diretor.

Mais do que nunca a questão da função socioambiental da propriedade está à tona, por que ela visa o uso adequado da propriedade, preservação e sintonia com o meio ambiente, sendo que os órgãos públicos já fiscalizam se essa função não está sendo cumprida adequadamente, até mesmo a constituição tem em seu artigo 184, que trata da desapropriação para aquele que não cumpre a função social da propriedade:

Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em lei. (BRASIL, 2015).

O artigo acima diz respeito a propriedade rural, devendo também ser citado, visto que o legislador se preocupou em proteger a propriedade de seu mau uso, sendo ela propriedade urbana ou rural, há uma grande preocupação com a sua utilização.

Nesta sintonia o Art. 225 da Constituição Federal, dispõe que todos têm o direito a um meio ambiente sadio e aproveitável da menor maneira possível, incumbindo a coletividade e aos gestores públicos a sua fiscalização.

Conforme Tatiane K. Burmann (2014, p. 25):

A cidade deve ser o local no qual as pessoas exercitem sua cidadania, sua humanidade e sua dignidade. A cidade deve ser construída e preservada de forma que permite oferecer condições dignas de moradia para todos os seus habitantes, bem como a inclusão econômica, social, cultural e política. A cidade é um meio, as pessoas são o fim, logo, o meio urbano carrega a humanidade

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dentro de sua concepção. Foi nessa linha que o constituinte de 1988 reconheceu o direito à cidade como fundamental.

A função socioambiental da propriedade trata da propriedade não mais somente em benefício do privado, do individual ou seja, não trata mais do benefício que ela traz somente para o seu possuidor e sim agora voltado ao bem estar social e do meio ambiente.

Devendo os gestores públicos aplicarem sanções para aqueles que não usarem a propriedade de forma regular e adequada, lhes impondo multa, se não observarem os ditames legais, para seu uso e fruição.

Nesta senda Júlio Cesar Finger (2000, p. 93), passou a destacar a mudança de paradigmas em relação a constitucionalização da propriedade:

Percebe-se, destarte, que os valores desta sociedade não são mais aqueles pregados pelo direito civil do Estado Liberal. Ao invés da autonomia da vontade e da igualdade formal, sobrepõem-se os interesses de proteção de uma população que aguarda providências e prestações estatais. Estes valores, que outrora estavam no direito civil, estão agora nas Constituições. A Constituição, que no paradigma burguês era desinteressada quanto às relações sociais, passa a preocupar-se com elas, incorporando os valores que, ao mesmo tempo, vão sendo expressos no ordenamento. A Lei Fundamental então é que positiva os direitos concernentes à justiça, segurança, liberdade, igualdade, propriedade, herança etc, que antes estavam no Código Civil. Além disso, uma grande parte do complexo de relações sociais (e portanto jurídicas) não está mais regulada pelo Código Civil, mas pelos microssistemas. A Constituição [...] passou a expressar essa supremacia também no campo normativo. Como consequência, o centro do ordenamento passou a ser, em vez do Código Civil, a Constituição, [...] expressando uma ordem material de valores.

Agora passando a propriedade a ser princípio basilar na construção dos estados modernos, resguardados pela Constituição, retirando a concepção de propriedade absoluta, não podendo mais o proprietário fazer o que bem entender.

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O Estatuto das Cidades (LEI 10257/2001) e Constituição Federal de 1988, redefiniram o conceito que se dá à propriedade, dando a ela um papel de proteção ambiental, que se preocupa com a gestão ambiental e com a política ambiental, que crescimentos populacionais sejam realizados dentro de um meio ambiente em que se possa receber a todos e que sustente uma infraestrutura adequada, que o meio ambiente seja preservado e que sejam criados meios fiscalizadores para este meio, para esta propriedade adequada sócio ambientalmente.

E além do que se trata na constituição, tem se outra ferramenta de extrema importância que traz o assunto da propriedade fortemente, que é o Código Civil de 2002, um instituto muito importante para a aplicação das regras da propriedade e meio ambiente.

1.3 A função social da propriedade a partir do Código Civil 2002

O Código Civil de 2002 trouxe um novo marco para o direito de propriedade, mostrando uma visão mais social deste direito, passando a propriedade com o decorrer dos anos a ser um direito social, violável, relativo e laicizado.

Um importante instrumento regulador da função social da propriedade é o Código Civil, ele traz dentro dele alguns artigos que tratam da função social da propriedade voltada para o meio ambiente.

Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha.

§ 1o O direito de propriedade deve ser exercido em consonância com as suas finalidades econômicas e sociais e de modo que sejam preservados, de conformidade com o estabelecido em lei especial, a flora, a fauna, as belezas naturais, o equilíbrio ecológico e o patrimônio histórico e artístico, bem como evitada a poluição do ar e das águas.

§ 2o São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer comodidade, ou utilidade, e sejam animados pela intenção de prejudicar outrem.

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§ 3o O proprietário pode ser privado da coisa, nos casos de desapropriação, por necessidade ou utilidade pública ou interesse social, bem como no de requisição, em caso de perigo público iminente.

§ 4o O proprietário também pode ser privado da coisa se o imóvel reivindicado consistir em extensa área, na posse ininterrupta e de boa-fé, por mais de cinco anos, de considerável número de pessoas, e estas nela houverem realizado, em conjunto ou separadamente, obras e serviços considerados pelo juiz de interesse social e econômico relevante.

§ 5o No caso do parágrafo antecedente, o juiz fixará a justa indenização devida ao proprietário; pago o preço, valerá a sentença como título para o registro do imóvel em nome dos possuidores. (BRASIL, 2015).

Conforme analisado no artigo 1228 do Código Civil o Direito de Propriedade, esta regulado em conformidade com a sua finalidade social, notando que o legislador está preocupado em defender a propriedade de atos abusivos, ensejando a preservação de acordo com o que estabelece a Lei, ou seja, as belezas naturais, flora, equilíbrio ecológico e os patrimônios artísticos e históricos, também evitando as poluições em água e ar, devendo, como costa no parágrafo 1º. do artigo 1228, remeter a uma preservação da lei ambiental, visto que o direito civil em relação a propriedade, deve andar no mesmo compasso que a legislação ambiental.

Sandro Luís de Souza (2009) destaca que o Estado pretende garantir um desenvolvimento sustentável, que passa pela destinação social adequada da propriedade, preservando as belezas naturais, a fauna e a flora.

Na propriedade está incorporado seu Direito Subjetivo, que é o dever jurídico que o proprietário tem perante a sociedade, sendo que este direito é a própria função social da propriedade, deste modo a propriedade que não cumpre sua função social, não pode ser chamada de propriedade.

Ocorrendo uma mudança do liberal ao social, sendo que os princípios da sociedade, eticidade e operacionalidade animam o sistema civil, fortalecendo os vínculos sociais e morais, realizando a função social a que se destina o direito.

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No entendimento de Édis Milaré (2001, p. 120):

A propriedade, sem deixar de ser privada, se socializou, com isso significando que deve oferecer à coletividade uma maior utilidade, dentro da concepção de que o social orienta o individual.

Para tratar da propriedade no Direito Civil, tem que se tratar também do Direito Ambiental, sendo que muitas das políticas ambientais, estão destacadas nos artigos do Código estudado, exemplo disto é o parágrafo 1º. do artigo 1228 do CC, que trata da questão da preservação ambiental, alegando que quem não cuidar e respeitar o meio ambiente, não estará atendendo a função social da propriedade, mostrando assim a ligação direta do social e do ambiental.

Como destaca Milaré (2001) a propriedade não se trata daquele direito que se erige a uma condição sem limites e que não se atinge, pois o uso da propriedade está condicionada ao bem-estar social. A propriedade afirma-se com mais forte no sentido social, não sendo mais um instrumento de ambição e desunião dos homens e sim um demonstrativo muito grande de progresso, bem-estar e forte desenvolvimento das pessoas.

O encontro para haver a terminologia função socioambiental da propriedade, se dá quando se obedece os dispostos na legislação, que é o atendimento as exigências da ordenação da cidade disponibilizadas no plano diretor das cidades e o cumprimento ou a utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e à preservação do meio ambiente.

Álvaro Luiz Valery Mirra (2011), trata da função social e da ambiental como um meio positivo, em que algumas vezes é a propriedade que terá que impor comportamentos ao proprietário para ele adequar a sua propriedade para que ocorra concretamente uma preservação ambiental, resguardando o direito ao bem coletivo, inclusive fazendo com que o proprietário responda por qualquer recomposição em área danificada, mesmo esta não sendo o responsável direto pela causa.

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Contudo, como Milaré (2011) destaca, a Legislação civil Brasileira contemplou a função socioambiental, como um direito que deve ser preservado e exercitado de acordo com as suas finalidades econômicas e sociais, assim, preservando, o que estabelece a legislação especial, a fauna, o equilíbrio ecológico, a flora, o patrimônio histórico e artístico e as belezas naturais, evitando também a poluição do ar e das águas.

De acordo com Iserhard (2004, p. 212):

A autonomia da vontade deve fazer com que o Direito de Propriedade atenda à sua função social, sob pena de sofrer seu violador uma reparação civil por dano ambiental, quer com culpa ou sem culpa, no caso da responsabilidade objetiva, tendência social do Direito hodierno.

Essa garantia de bem estar, de preservação, se dá pelo cuidado que se tem desse bem, que é o meio ambiente, garantindo um adequado crescimento sustentável, um espaço urbano adequado, para receber as inovações, o desenvolvimento e que esse solo seja aproveitado adequadamente.

1.4 O Estatuto da Cidade e sua função social

Somente a promulgação da Constituinte não foi o suficiente para dar eficaz a todos os artigos que a Constituição trata, ocorre que muitos ainda dependem de Leis especiais para terem validade, como o caso dos artigos 182 e 183 da Constituição Federal, que tratam da políticas urbanas e uso adequado da propriedade, sendo que com a efetivação destes artigos através do Estatuto das Cidades é que haverá o cumprimento da função social da propriedade.

No sentido em dar mais eficácia aos artigos da Constituição que tratam da propriedade e também por uma maior pressão da sociedade, visto a necessidade de uma reforma urbana foi sancionada a Lei nº 10.257 de 11 de Julho de 2001,

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regulamentando os artigos 182 e 183 da CF e estabelecendo diretrizes gerais de política urbana.

No entendimento de Souza (2009, p. 03):

O Estatuto da Cidade, teve como principais méritos reafirmar a

imperiosa necessidade de um planejamento urbano voltado para

o combate da especulação imobiliária, ditado pela necessidade de redistribuição das mais valias-urbanas para toda coletividade, exigindo-se ainda o cumprimento da função social dos imóveis urbanos e a gestão democrática da cidade, mas, lado outro, também serviu para procrastinar a imediatividade no cumprimento de alguns desses direitos.

O estatuto já em seu primeiro artigo, traz uma espécie de conceito em que ele dispõe que a Lei, estabelece normas de interesse público e social, regulando o uso da propriedade urbana em prol do coletivo, da segurança e do bem estar dos cidadãos, visando o equilíbrio ambiental.

Souza (2009) também destaca que o artigo segundo do estatuto, diz que todos devem ter cidades sustentáveis, com direito à moradia, saneamento, infraestrutura, serviços públicos, trabalho e lazer, se preocupando com as próximas gerações, trazendo mais ou menos os direitos individuais disponibilizados na Constituição.

Mas de acordo com Júlio Cesar Prado de Oliveira (2012), o maior problema enfrentado hoje é o grande crescimento populacional, muito pouco está sendo feito para que essas pessoas ocupem adequadamente o espaço ou a propriedade em que irão se instalar, sendo que em vários locais, as moradias não preenchem as mínimas condições para a sobrevivência adequada das pessoas.

Ainda existe uma grande dificuldade para se implementar e exigir o cumprimento do Plano Diretor nos municípios, primeiramente por que a Constituição Federal no artigo 182 § 1º, dispõe que que os planos diretores aprovados pelas câmaras municipais, são obrigatórios somente para cidades com mais de vinte mil

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habitantes e no § 2º do mesmo artigo, diz que a propriedade urbana deve cumprir sua função social atendendo as exigências do plano diretor do município, ficando difícil a cidades que não tem o Plano, cumprir a função social.

Outro ponto importante a destacar é que muitas vezes em cidades em que se pode usar o Estatuto da Cidade, com plano diretor implementado, se depara com proprietários que não estão dispostos a cumprir a lei agindo de forma incorreta na propriedade e sem alguém com força para fazer com que esse proprietário utilize adequadamente a propriedade.

Mas são vários pontos que devem ser analisados, visto que para a efetividade do Estatuto das cidades, para que ele ocorra como forma de uma melhor função socioambiental da propriedade, acaba esbarando em diversos fatores, que não são fáceis de serem superados.

De acordo com Júlio C. P. de Oliveira (2012, p. 2):

Uma urbanização desregulada gera a reprodução de riscos sociais, carências habitacionais, desemprego, problemas de higiene e saneamento básico. O meio ambiente artificial vê-se lesado na medida em que se estabelecem condições de habitação deploráveis, sem projeção de luz solar, espaços públicos, áreas verdes, o que inevitavelmente, afeta a saúde fisiológica e psicológica dos moradores dos espaços urbanos degradados.

A Ocupação irregular do solo urbano, via de regra, avança com potencial degradativo sobre áreas abandonadas.

Como já destacado acima uma das grandes problemáticas é o excesso de habitantes em determinadas áreas, sendo que essa população ocupa muitas vezes áreas que deveriam ser preservadas, como matas, beiras de rios, morros, lagos naturais.

Hoje é comum as pessoas se depararem com catástrofes ambientais, vemos seguidamente nos meios de comunicação, notícias relacionadas a falta da

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preservação da propriedade, nosso meio ambiente degradado, florestas, rios, lagos e terrenos poluídos.

Conforme destaca Raquel Fabiana Lopes Sparemberger (2009, p. 173):

As catástrofes e os danos ao meio ambiente não são surpresos ou acontecimentos inesperados, e sim consequências inerentes a modernidade, que mostram acima de tudo, a incapacidade do conhecimento construído no século XX de controlar os efeitos gerados pelo desenvolvimento industrial.

As ideias apresentadas contribuem para uma nova visão da contemporaneidade, caracterizada pela complexidade ou por novos desafios impostos pelo processo de modernização industrial e pelos riscos que ameaçam a segurança da vida e fazem emergir uma nova realidade marcada pelo medo. Os riscos desencadeados no processo de modernização têm consequências e responsabilidades globais.

A aplicação do princípio sócio ambiental se tratando da aplicação do direito, faz com que seja criado uma espécie de barreira em relação a degradação do meio ambiente.

Essas ocupações desorganizadas geralmente causam enormes estragos a propriedade ambiental, rios poluídos, desmoronamentos de encostas, desmatamentos, sujeiras, lixos acumulados em matas.

Nesse sentido Júlio C. P. de Oliveira (2012) refere que o grande culpado por esses acontecimentos é o Poder Público, aquele que deve gerenciar os meios, ditando as formas de utilização do espaço, a falta de gestão, a falta de cuidados com o meio ambiente, são resultados da falta dos gestores públicos tomarem providencias de acordo com esta situação e fiscalizar nosso o ambiente, fazendo com que ele cumpra a função socioambiental.

O meio de ocorrer uma melhor gestão nos municípios para que se cuide mais da propriedade socioambiental é com o Plano Diretor, este plano é a gerencia dos

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locais, ele que irá projetar as formas de ocupação, aproveitar a urbanização e o solo, garantindo uma preservação dos locais públicos.

Sergio Sauer (2012) destaca que um desenvolvimento adequado e sustentável dos municípios perpassa pela preocupação em um ambiente social adequado, fazendo com que o princípio da função socioambiental seja efetivado no direito de propriedade, para um desenvolvimento correto e um ambiente mais protegido.

Então esses pontos que devem ser fiscalizados e que merecem uma atenção maior para que a propriedade tenha sua função social respeitada e que ela seja utilizada cada vez da melhor maneira.

Após demostrar a origem da propriedade, como ela é defendia pela Constituição, Código Civil, Estatuto das Cidades e demais legislações que trazem uma gama de institutos relacionados com a função social da propriedade e sua proteção, demostrando uma melhor forma de se conduzir o meio ambiente e a propriedade em equilíbrio, sendo que este será o tema a ser abordado no próximo capitulo.

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2. FUNÇÃO SOCIOAMBIENTAL DA PROPRIEDADE COMO PRINCÍPIO DA POLÍTICA URBANA

A política urbana é um tema atual, crescente e que está em um caminho muito bem estruturado, a própria Constituição Brasileira de 1988 trata do assunto em seu artigo 182 sobre as políticas de desenvolvimento urbano, as quais são tratadas pelo Poder Público Municipal, um dos principais objetivos é a ordenação do pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade, garantindo o bem estar de seus habitantes, sendo o artigo citado acima um dos mais utilizados, em se tratando de aplicabilidade das políticas urbanas.

A função socioambiental da propriedade, veio para regular e padronizar o meio ambiente, não de forma igual em todos os meios, visto a diversidade que sistemas ecológicos que temos, mas sim de forma ecologicamente correta e economicamente sustentável.

Uma das principais ferramentas para que ocorra esta padronização é o uso das políticas urbanas, visto que ela tem como princípios a criação de espaços públicos bem planejados, para que haja uma qualidade de vida cada vez maior, cidades com ideias cada vez mais sustentáveis, aplicando processos de gestão urbanística, para melhor gerenciamento dos locais, para que haja cada vez maior eficácia e qualidade no ambiente proporcionado a todos, melhor condição de vida e habitação nas cidades.

Graças a Constituição Federal nos seus artigos 182 e 183 e também ao Estatuto das Cidades é que foram criadas as diretrizes gerais da política urbana nacional, sendo estes institutos os que efetivaram as políticas urbanas.

Outro ponto importante a se ressaltar é o Marco Regulatório da organização do espaço urbano, que veio para fortificar o disposto no Estatuto das Cidades, sendo usado como força de aplicação do Estatuto, pois o Marco Regulatório dá a ordem pública e demostra o interesse social, aplicando isso nas finalidades impostas aos

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municípios, ou seja o que o povo decide é ordem a ser aplicada nos projetos de urbanização.

Este Marco Regulatório, aperfeiçoou o sistema de gestão pública aplicada, da qual falamos anteriormente, com ele houve uma maior eficácia das Leis que ditam os interesses da propriedade, cuidando assim o social e o meio ambiente.

2.1 A Importância da Preservação do Meio Ambiente Urbano

O meio ambiente no seu todo sem tratar exatamente de meio urbano ou rural tem uma grande importância para o desenvolvimento das vidas futuras, pois é o meio ambiente que irá garantir sustento para a população, se houver um cuidado maior com as matas, rios, mares, solos e tantos outros elementos que fazem parte do meio ambiente, poderá se garantir muitos e muitos anos as novas gerações que estão por vir.

Uma das ferramentas para tratar da preservação deste meio ambiente com maior eficácia é o Plano Diretor dos municípios.

Conforme destaca Milaré (2011), o Plano Diretor dos municípios, será o instrumento básico da política urbana, sendo ele quem dará os rumos ao desenvolvimento sustentável e saudável dos municípios.

Dentro dos princípios da política urbana, está concentrado a sustentabilidade ou o desenvolvimento sustentável, que se trata do poder das presentes gerações em desfrutar dos bens ambientais, atendendo as suas necessidades, sem que isso prejudique ou comprometa as futuras gerações, para que elas possam também gozar deste meio sustentável.

Diante da realidade socioambiental, mister se faz aprofundar um pouco o termo desenvolvimento sustentável, que da qualidade em se desenvolver, sendo

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sustentável, mantendo, apoiando, suportando o desenvolvimento ligado com as questões ambientais.

Cagliari e Santos (2011), destaca que há diversos conceitos que definem desenvolvimento sustentável, sendo eles: buscar uma melhor qualidade de vida, envolvendo objetivos sociais, econômicos e ecológicos, tratando além das causam ambientais, como da exclusão social e da pobreza.

Os autores acima demostram que o aproveitamento adequado e ecológico do meio ambiente é o principal objetivo do desenvolvimento sustentável e que para efetivar este desenvolvimento, o primeiro passo a ser dado seria uma mudança da consciência dos cidadãos, tendo uma educação ambiental, pressionando o governo para uma nova construção de políticas sociais.

Juliana de Souza Reis Vieira (2008, p.318) diz que:

A sustentabilidade proposta pelos economistas ecologistas parte do conceito de espaço ambiental, o qual implica considerar a situação socioambiental em todos os locais que se inter-relacionam economicamente. Uma postura ecologista implica, portanto, “pressionar o mercado para que passe a considerar os custos sociais”. Defende também a criação de regulamentos e politicaspúblicas restritivas de ações dos agentes econômicos que prejudiquem, e estimuladores para as empresas que contribuam na preservação do meio ambiente.

Para que haja preservação do meio ambiente, deve-se pressionar os meios de produção para que eles sejam totalmente zelosos com o seu processo de produção, obedecendo as leis que tratam dos níveis de poluição e aplicando projetos que visem a manutenção e o resgate do meio ambiente.

De acordo com Carlos Sergio Gurgel da Silva (2013) as cidades serão sustentáveis, no momento em que as leis que ditam as regras do ordenamento urbano, cumprirem seu papel, tornando seus propósitos de interesse público e com uma séria preocupação do que trata o caso.

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Essas cidades chamadas sustentáveis teriam uma maior participação populacional, sendo que seus habitantes, dariam opiniões sobre as medidas urbanas tomadas, os equipamentos públicos e serviços públicos desejados, e também sobre os projetos futuros que trariam benefícios para o município.

Cabe ressaltar que o termo cidades sustentáveis, está disposto dentro da Lei 10.257/2001 o Estatuto das Cidades, no seu Art. 2º, inciso I, que diz:

Art. 2º A política urbana tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e da propriedade urbana, mediante as seguintes diretrizes gerais:

I - garantia do direito a cidades sustentáveis, entendido como o direito à terra urbana, à moradia, ao saneamento ambiental, à infra-estrutura urbana, ao transporte e aos serviços públicos, ao trabalho e ao lazer, para as presentes e futuras gerações.(BRASIL, 2015).

Então as cidades sustentáveis têm o seu desenvolvimento urbano ordenado, que possibilita uma vida no meio urbano digna para todos, sem destruição nem caos, sem degradação, sendo este o modelo ideal buscado pelos mais preocupados com a situação das ocupações urbanas, que não tem controle, não prezam por um mínimo de condição adequada de vida digna, com saneamento básico, sistema de iluminação pública, calçamento e terrenos adequados e administrativamente regulares para receber construções nestes locais.

Atualmente se vê cada dia mais e mais impactos naturais, o meio ambiente vem sofrendo com a degradação a cada ano que se passa, boa parte destes desastres ocorrem em locais habitados irregularmente, como grandes cidades, que não aplicam projeto nenhum na colocação de moradores nas propriedades afetadas.

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Com o processo de urbanização, o grande atrativo aos centros urbanos faz com que o crescimento se dê de forma desordenada, gerando diversos problemas cuja solução passa pela implementação de políticas públicas necessariamente antecedidas de um planejamento, pois como se observou ao longo da história brasileira, a ocupação urbana desordenada gerou inúmeros problemas.

O que de fato ocorre é um grande desequilíbrio entre as os setores ecológicos e econômicos, a grande produção em massa, a inúmera frota de veículos circulando pelas cidades, a enorme produção de lixo, isso tudo acaba afetando diretamente ao meio ambiente urbano onde se vive.

Não há conscientização do ser humano em reivindicar um meio ambiente limpo e arborizado, o consumismo está pesando cada vez mais no dia a dia das pessoas, sendo que isso afeta o meio ambiente de uma forma tão radical que não se sabe até quando o nosso eco sistema aguentará.

Existem diversos formas de diminuir essa quantidade de poluição no meio ambiente, um exemplo é o gás natural que tem 80% menos poluentes que os demais combustíveis utilizados nos veículos, os sistemas de transportes integrados, como metros e trens, também são ótimos alternativas a diminuição de poluentes, até mesmo meios mais alternativos, como a bicicleta que tem 0% de poluição e ainda ajuda a exercitar o corpo.

Luciana C. dos S. Almeida (2015), trata da poluição, como um problema de todos, que todos sofrem com isso, visto o elevado nível de poluição encontrado nas grandes cidades, a agua potável que está cada vez mais difícil de ser encontrada em razão do assoreamentos e contaminação dos rios, o lixo urbano que é produzido em escalas estratosféricas pelas indústrias, que na sua maior parte não passa por nenhum processo de neutralizar os efeitos nocivos.

Parece que o homem começou a perceber que os recursos naturais não são inesgotáveis e uma parte da população está ficando consciente e ativo na questão de preservar o que resta de meio ambiente ou tentando reverter as situações que já estão à beira do caos.

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O meio ambiente, principalmente o urbano, passou a sofrer alterações pela mão do homem, devido as exigências decorrentes do aumento da população e do crescimento das tecnologias, passando a ter juntamente com o meio ambiente que são arvores, vegetações, lagos, rios, etc.... Energia elétrica, agua encanada, telefonia, gás e muitos outros.

Essas coisas que podem viver em sintonia, desde que cada um respeite o espaço do outro e preserve as condições de funcionamento, qualidade e sobrevivência de cada matéria, de cada espécie.

Mas ocorre que o homem e os poderes públicos e sociais, não fiscalizam e não exigem que as inovações sejam colocadas à disposição de uma forma ecologicamente correta.

Conforme Almeida (2010, p. 02):

Pode-se notar, que o meio ambiente foi alterado e devido a isto tal área da Ecologia adquiriu uma relevância tão grande que a fez torna-la essencial para todos que detorna-la usufruem. Infelizmente as nascentes de água e reservas subterrâneas foram infectadas ou extinguidas através da ocupação humana descontrolada. Tal realidade pode se observar nas grandes cidades com os índices de poluição ambiental que foi gerada com o passar dos anos e só agora pode-se sentir o quanto não apenas os governantes, mas também a sociedade foi irresponsável ao consumir irracionalmente o planeta.

Como o parágrafo acima destaca, o homem que consumiu de forma devastadora as riquezas naturais do planeta e agora corre atrás para poder de alguma forma reverter o que já foi afetado.

Nesse sentido destaca também Carmem P. C. Nogueira (2006, p. 04):

O bem ambiental, por ser patrimônio social do povo, é de toda a coletividade, que é detentora do direito de usá-lo de modo

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responsável, devendo preservá-lo, não podendo destruí-lo, não só para o presente, mas para as futuras gerações. Nem mesmo o Poder Público tem o direito de dispor livremente dos bens ambientais, muito menos destruí-los, a qualquer pretexto, sendo mero gestor deste patrimônio coletivo.

Portanto está no homem o poder de destruir ou de preservar o meio ambiente, principalmente o meio ambiente onde ele vive. As áreas urbanas, mais precisamente as grandes cidades, estão afetadas pelas ocupações irregulares, são casas construídas em encostas sem proteção, com desmatamento, ou construções em beiras de rios ou lagos.

Se houve muito falar na figura dos chamados “ribeirinhos”, que são aqueles que vivem na beira de rios, os quais em suas moradias não possuem um sistema de saneamento básico, onde seja depositado o esgoto, indo diretamente para os lagos ou rios, afetando também os lenções freáticos, contaminando animais que vivem naquele habitat, mas também as próprias pessoas que vivem naquele local.

Preocupado com a preservação do meio ambiente urbano, o Código Florestal (Lei nº 12.651/2012) instituiu as chamadas APP ou seja Áreas de Preservação Permanente, que servem para proteger determinados territórios que estão frágeis ou vulneráveis, podendo ser este território de qualquer tipo, seja privado ou público, rural ou urbano.

Existem diversas funções ou serviços que estão sendo prestados pelas APP, no meio urbano, conforme disponível no site do Ministério do Meio Ambiente, as APP servem para:

Brasil (2015, p. 10):

A proteção do solo prevenindo a ocorrência de desastres associados ao uso e ocupação inadequados de encostas e topos de morro; A proteção dos corpos d'água, evitando enchentes, poluição das águas e assoreamento dos rios;

A manutenção da permeabilidade do solo e do regime hídrico, prevenindo contra inundações e enxurradas, colaborando com a

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recarga de aquíferos e evitando o comprometimento do abastecimento público de água em qualidade e em quantidade; A função ecológica de refúgio para a fauna e de corredores ecológicos que facilitam o fluxo gênico de fauna e flora, especialmente entre áreas verdes situadas no perímetro urbano e nas suas proximidades;

A atenuação de desequilíbrios climáticos intra-urbanos, tais como o excesso de aridez, o desconforto térmico e ambiental e o efeito "ilha de calor".

As APP são um forte instrumento na luta por um ambiente equilibrado, pois essas áreas protegidas ajudam na valorização do ambiente urbano, mantendo a originalidade, preservação e o habitat daquilo que se desenvolve naquele ambiente.

Além do proteger estas áreas naturais, também tem a proteção de parques em que pessoas transitam, campos, áreas de recreação e lazer, auxiliando numa melhor qualidade de vida a população urbana que segundo o IBGE já atinge cerca de 85 % da população brasileira.

Os processos de urbanização que ocorrem cada vez mais sem um planejamento adequado, como uso indevido de áreas e ocupações ilegais, é o que se considera como maior obstáculo para a redução da degradação ambiental, tendo que existir um maior empenho nas políticas ambientais aplicadas, pois essas degradações causam graves problemas nas cidades, tento que atuar forte com a aplicação, fiscalização, manutenção das APP.

E atitudes simples que podem ser realizadas no cotidiano das pessoas é que mudam o ambiente, coisas fáceis que podem ser feitas dentro de casa, podem salvar amenizar as destruições ecológicas e reverter o grau de poluição dos solos e aguas.

Outro Principio muito importante dentro das políticas urbanas, está o da gestão urbana participativa, que é a inclusão do povo, dos governos, iniciativas privadas e todos os demais setores que compõem a sociedade para participar e discutir os melhores métodos para controlar o meio ambiente.

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Aqui também está presente os princípios da função social da propriedade, que é o homem dar tudo de si, da melhor forma possível, em prol da propriedade, mas para o bem da coletividade.

Inclusive o Estatutos das Cidades, no seu artigo 43, traz os instrumentos utilizados para efetivar este princípio, mesclando também com o que dispõe o texto constitucional, que o povo ira exercer o poder diretamente, com características de uma democracia participativa:

Art. 43. Para garantir a gestão democrática da cidade, deverão ser utilizados, entre outros, os seguintes instrumentos:

I - órgãos colegiados de política urbana, nos níveis nacional, estadual e municipal;

II - debates, audiências e consultas públicas;

III - conferências sobre assuntos de interesse urbano, nos níveis nacional, estadual e municipal;

IV - iniciativa popular de projeto de lei e de planos, programas e projetos de desenvolvimento urbano;

V - (VETADO). (BRASIL.2015).

Silva (2013), destaca que a postura de inclusão da participação popular na gestão ambiental veio a reformar o sistema de comando e controle baseado na centralização das ações governamentais. A gestão democrática coloca o cidadão como partícipe das decisões, e como ente transformador da realidade social, tende a afastar a ideia de assistencialismo, que de certo modo ainda persiste na consciência cultural brasileira. A integração dos cidadãos com as decisões políticas objetivam dar maior efetividade às políticas públicas, haja vista haver a responsabilidade individual e coletiva pelo fim desejado.

Cabe ressaltar que o grande marco para o andamento das políticas públicas, ou seja para efetivação e aplicabilidade dessas políticas, foi a criação da Lei nº 10.257/2001 – Estatuto das Cidades, esta lei traz as diretrizes da política urbana, criando normas de interesse social e público, as quais regulam a utilidade da propriedade urbana, em benefício do coletivo e do equilíbrio ambiental.

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O Estatuto das Cidades, veio para preencher uma lacuna muito grande, visto que diversos municípios não possuem legislação especifica para a questão urbana e com o Estatuto, há um mínimo de respeito pelas questões ambientais aplicáveis nos municípios.

Adilson Abreu Dalari (2003), trata o Estatuto das Cidades, como parte de uma transformação a qual moderniza o espaço jurídico, tanto na sociedade e costumes, como na administração pública.

Sendo de imensa importância a preservação do meio ambiente, pois além de manter viva as fontes naturais de vida é uma fonte de grande importância econômica e que é explorada de uma forma incorreta, que deve ser adequada para uma maior preservação e contribuição com uma economia saudável.

2.2 Relação econômica e social da questão socioambiental urbana

Hoje planejamento e organização são dois princípios essenciais para quem quer ter um objetivo alcançado, isso não funciona só para as pessoas, como para um governo, sendo que um governo sem planejamento e organização, será um governo com bastante problemas.

O artigo 182 da Constituição Federal é claro, dizendo como deve ser desenvolvida as políticas urbanas e quais são os seus objetivos, destaca também como cada órgão deve aplicar estas políticas, falando ainda do comprometimento que o proprietário deve ter com sua propriedade:

Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem- estar de seus habitantes. (Regulamento)

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§ 1º O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para cidades com mais de vinte mil habitantes, é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana.

§ 2º A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor.

§ 3º As desapropriações de imóveis urbanos serão feitas com prévia e justa indenização em dinheiro.

§ 4º É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área incluída no plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de:

I - parcelamento ou edificação compulsórios;

II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo;

III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais.(BRASIL, 2015).

As cidades que não possuem um bom planejamento e uma boa gestão, apresentam inúmeros problemas de ordem social, moradias irregulares, sem saneamento básico, iluminação, calcamento, vários problemas destacados nos chamados subúrbios e favelas do nosso país.

Laila Cristina Grubert (2013) destaca que o processo de industrialização no Brasil de uma forma tardia, foi o grande causador dos problemas sócias, se agravante de uma forma muito maior quando algumas pessoas, tem muito mais do que a grande maioria, que vivem em condições precárias.

A autora acima destaca que um dos maiores problemas sociais é a falta de emprego, que gera grandes consequências no convívio social, faz aumentar as favelas e também a violência desses locais. Visto que alguns vivem em lugares confortáveis e aconchegantes com grande espaço, outros se amontoam em pequenos lugares, para terem onde morar.

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Quando o caput do artigo 225 da Constituição impõe a todos o dever de proteger o meio ambiente e preservá-lo para as presentes e futuras gerações, determina uma inter-relação entre meio ambiente e atividade econômica, na medida em que, considerando o meio ambiente um bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, ou seja, de interesse público, acaba submetendo à sua concretização todas as atividades, inclusive a econômica.

O autor supra citado assevera que é necessário proteger o meio ambiente para que se tenha condições para as futuras gerações de um habitat ecologicamente adequado, quando há uma proteção ao meio ambiente se terá também uma situação econômica mais favorável para o crescimento daqueles que estão por vim futuramente, e em consequência haverá uma sociedade mais organizada e respeitável.

A Constituição Federal de 1988, destaca no seu artigo 170 a valorização do trabalho humano a fim de garantir a sociedade uma vida digna, em conformidade com a justiça social:

Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios.(BRASIL, 2015).

Como dito acima o desemprego e também o chamado subemprego são os grandes causadores de problemas de um país, a falta de qualificação é um dos grades empecilhos para o cidadão estar empregado, as crises financeiras também ajudam muito no desemprego.

Outro grande problema social está no aumento do transito de veículos pelas ruas, muito disso ocorre pela falta de planejamento das estradas, ocasionando assim um barulho muito grande principalmente nas grandes cidades, como também a emissão de gases poluentes.

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Atualmente devido aos problemas sociais e ambientais em relação ao planejamento urbano pode-se concluir que os países subdesenvolvidos têm muito que aprender com países desenvolvidos e que possuem um planejamento das cidades de forma favorável para que as pessoas possam viver em lugares mais seguros para evitar problemas com o meio ambiente como citados no decorrer deste trabalho; não só os problemas ambientais como também os sociais causados pelas péssimas condições de vida das pessoas, incluindo os lugares onde moram, a sujeira das cidades, a violência e muitos outros fatores que trazem prejuízo ou danos à vida das pessoas.

Uma cidade bem planejada e estruturada com certeza não apresentará tantos problemas sociais e ambientais, pois o planejamento urbano não resolve tudo, mas reduz muitos problemas. Sendo bem desenvolvido o planejamento da cidade, as pessoas que nela moram irão ter a plena satisfação de fazer parte do determinado lugar, e ainda não apresentarão problemas que poderão ser prejudiciais para saúde, questão financeira, para as pessoas como um todo e é claro, também para o meio ambiente.

A autora destaca que o problema todo está na falta de políticas urbanas, que busquem a implantação de programas eficazes, tanto no campo do meio ambiente, como na economia e na sociedade, pois conforme o que ela destaca, uma coisa é consequência da outra e nos casos dos países desenvolvidos ou há preocupação com mínimas situações, é possível diagnosticar rapidamente, tanto desastres ambientais, como coisas relacionadas com a sociedades, tipo violência, trânsito elevado, falta de emprego e demais fatores.

Quando a sociedade está em risco, as tentativas de se evitar os riscos, são cada vez maiores, o que mais se busca proteger, são os humanos e também o meio ambiente.

Conforme Patrícia Maria Schneider (2009), a preocupação em resguardar o meio ambiente equilibrado é reconhecido como o princípio da equidade, o qual possui três dimensões, sendo que a primeira dimensão, as gerações devem preservar as diversidades e os recursos, tanto naturais, quanto culturais.

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A segunda destaca que as gerações devem manter a qualidade das coisas do planeta, de acordo como foi recebido e no momento de preparar para as demais gerações, seja entregue da forma que fora recebido.

E a última trata da conservação dos legados, para que as futuras gerações, tenham acesso irrestrito ao que foi deixado pelos antepassados.

Andiara Flores (2009, p. 101), ainda complementa que:

Toda a preocupação com o legado deixado para as futuras gerações traz consigo a questão de que as ações desempenhadas hoje pelo ser humano irão repercutir no futuro de forma a ocasionar verdadeiro impacto. Nesse contexto, o risco das ações humanas surge como elemento diretamente ligado às discussões que envolvem o agir da sociedade, o direito e ao tempo futuro.

Então o que se deve ser feito é a preservação do meio ambiente, para que ele fique o quanto mais parecido com o meio ambiente deixado pelas gerações passadas. Devendo também está preservação, se adequar e familiarizar-se com o desenvolvimento da sociedade, para que meio ambiente, sociedade e economia, trilhem o mesmo caminho, se respeitando e evoluindo de forma adequada sem que nenhuma destas partes sai prejudicada.

2.3 A atuação do Ministério Público na garantia da Função Socioambiental da Propriedade.

O Ministério Público órgão atuante na defesa dos direitos de diversas áreas do nosso ordenamento jurídico, também é um vigilante da questão ambiental, zelando e fiscalizando as áreas ambientes, que sofrem com a degradação.

A Lei 6.938/1981 atribuiu ao Ministério Público a possibilidade de propor o ajuizamento de ações judiciais na esfera cível, as quais teriam o objetivo de evitar ou

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reparar os danos no meio ambiente. A Lei 7.347/1985 trouxe a intervenção do MP, nas matérias, com a disciplina processual de inquérito civil e ação civil, sendo um inquérito administrativo que irá apurar as ocorrências de irregularidades no Meio Ambiente.

O Ministério Público está legitimado na defesa do meio ambiente, através de diversos procedimentos, como no caso da ação civil pública e também no Inquérito civil já falado aqui, o artigo 129, inciso III, da Constituição Federal de 1988 diz o seguinte:

Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:

III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos.(BRASIL, 2015).

Milaré (2011, p.1419), destaca em sua obra a importância do Ministério Público:

O ministério público, dentre os colegitimados, teve reservada, pela Lei 7.347/1985, posição de relevo na condução da ação civil pública: é o único autorizado a promover o Inquérito Civil, com poderes de notificação e requisição; está sempre presente, quer como sujeito ativo da ação, quer como fiscal da lei, ou, ainda, como assistente litisconsorcial, com ampla autonomia em relação à parte principal. E mais: como advogado da sociedade, é o órgão destinado por lei para receber representações de outras pessoas, de outras entidades não legitimadas e, em especial, igualmente de pessoas físicas.

A autonomia atribuída ao MP, para inclusive celebrar acordos extrajudiciais, em se tratando de matérias ambientais, trouxe um reconhecimento mundial a instituição, em virtude do ótimo trabalho realizado na área ambiental, sem deixar de lado as demais áreas de atuação.

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