DEPARTAMENTO ACADÊMICO DE DESENHO INDUSTRIAL CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM DESIGN GRÁFICO
MAIARA CALIXTO 1101986
PATRÍCIA ZANLORENZI 1017705
ELABORAÇÃO DE GUIA ILUSTRADO PARA AUXÍLIO DE TOMADA
DE DECISÕES NO ÂMBITO DE CONSTRUÇÃO DE HABITAÇÕES
SOCIAIS NO ESTADO DO PARANÁ
TRABALHO DE DIPLOMAÇÃO
CURITIBA 2015
PATRÍCIA ZANLORENZI
ELABORAÇÃO DE GUIA ILUSTRADO PARA AUXÍLIO DE TOMADA
DE DECISÕES NO ÂMBITO DE CONSTRUÇÃO DE HABITAÇÕES
SOCIAIS NO ESTADO DO PARANÁ
Trabalho de Diplomação de graduação, apresentado à disciplina de Trabalho de DIplomação, do Curso Superior de Tecnologia em Design Gráfico do Depar-tamento Acadêmico de Desenho Industrial - DADIN - da Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR, como requisito parcial para obtenção do título de Tecnólogo.
Orientadora: Profa Claudia Bordin Rodrigues da
Silva, MsC.
CURITIBA 2015
UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ
PR
Ministério da Educação
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Câmpus Curitiba
Diretoria de Graduação e Educação Profissional Departamento Acadêmico de Desenho Industrial
TERMO DE APROVAÇÃO
TRABALHO DE DIPLOMAÇÃO N0 639“Elaboração de guia ilustrado para auxílio de tomada de decisões no âmbito de construção de habitações sociais no estado do Paraná.”
por Maiara Calixto Patrícia Zanlorenzi
Trabalho de Diplomação apresentado no dia 24 de junho de 2015 como requisito parcial para a obtenção do título de TECNÓLOGO em Design Gráfico, do Curso Superior de Tecnologia em Design Gráfico, do Departamento Acadêmico de Desenho Industrial, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. O(s) aluno(s) foi (foram) arguido(s) pela Banca Examinadora composta pelos professores abaixo, que após deliberação, consideraram o trabalho aprovado.
Banca Examinadora: Prof(a). MSc. Manoel Alexandre Schroeder DADIN - UTFPR
Prof(a). Dr. Suzete Nancy Filipak Mengatto Prof(a). MSc. Claudia Bordin Rodrigues da Silva Orientador(a) DADIN – UTFPR
Prof(a). MSc. Maria Lúcia Siebenrok
Professor Responsável pela Disciplina de TD DADIN – UTFPR
RESUMO
CALIXTO, Maiara; ZANLORENZI, Patrícia. Elaboração de um guia ilustrado para auxílio de tomada de decisões no âmbito de construção de habitações sociais no estado do Paraná. 2015. 95p. Trabalho de Conclusão de Curso (Curso Superior de Tecnologia em Design Gráfico) - Departamento Acadêmico de Desenho Industrial, Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 2015.
Este trabalho traz o processo de desenvolvimento de um guia ilustrado para apresen-tação dos modelos de habiapresen-tação de interesse social da Companhia de Habiapresen-tação do Paraná (COHAPAR) às prefeituras municipais do estado do Paraná. Em um primeiro momento são abordadas arquitetura da informação e publicações editoriais, junta-mente com fatores relacionadas ao público-alvo em questão. Parte-se então para a pesquisa relacionada ao tema estudado, incluindo pesquisa e análise de sistemas similares, são realizados também questionários com usuários, e os resultados das pesquisas são sumarizados a fim de compreender qualidades, problemas e traçar es-tratégias do sistema atualmente empregado pela empresa. Por fim, foi feito o projeto gráfico do guia ilustrado que inclui o desenvolvimento de simulações tridimensionais dos cômodos das moradias, especificações para cada modelo apresentado e para cada programa desenvolvido pela COHAPAR.
Palavras-Chave: Design editorial. Design da informação. Habitação de interesse so-cial. COHAPAR.
CALIXTO, Maiara; ZANLORENZI, Patrícia. Development of an illustrated guide to aid decision-making in the context of construction of social housing in the state of Paraná. 2015. 95p. Trabalho de Conclusão de Curso (Curso Superior de Tecnolo-gia em Design Gráfico) - Departamento Acadêmico de Desenho Industrial, Universi-dade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 2015.
This paper presents the development process of an illustrated guide of the social hous-ing models of Parana Houshous-ing Company (COHAPAR) shown to municipal govern-ments of the state of Paraná. At first the paper adresses multidisciplinary issues relat-ed to information architecture and relat-editorial publications, along with factors relatrelat-ed to the target audience in question. Then the topic in focus is studied, including research and analysis of similar systems, also the results of the research with the useres are summarized in order to understand qualities, problems and trace system strategies based on the system currently employed by the company . Finally, the graphic design illustrated guide was developed, that includes the creation of three-dimensional sim-ulations of the rooms of the houses, specifications for each model presented and for each program developed by COHAPAR.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1 - a) Planta baixa de modelo habitacional; b) Planta humanizada
bidimensio-nal de modelo habitaciobidimensio-nal ...19
Figura 2 - Estudo de volumes a partir de sólidos geométricos...20
Figura 3 - Estudo de layout com a utilização de móveis mais bem elaborados ...20
Figura 4 - Ratificação da compreensão do desenho gráfico através do 3D ...21
Figura 5 - Mapa de atuação da COHAPAR. ...23
Quadro 1 - Dados referentes aos empreendimentos desenvolv. no ano de 2014. ....24
Quadro 2 - Questões práticas do desenvolvimento do Guia Ilustrado. ...25
Figura 6 - Visualização com auxílio de ascendentes e descendentes ...26
Figura 7 - Exemplo do uso de ícones para categorizar informações ...27
Figura 8 - Exemplo de contraste simultâneo ...28
Figura 9 - Exemplo de quatro tipos de grid diferentes, retângular (canto superior esquer-do), modular (superior direito), de colunas (inferior esquerdo) e misto (inferior direito). ..30
Figura 10 - Resumo da metodologia proposta por Ambrose e Harris (2010). ...33
Figura 11 - Metodologia de projeto. ...34
Figura 12 - Índice da publicação Urban Street Design Guide. ...40
Figura 13 - Páginas internas de diferentes capítulos. ...40
Figura 14 - Evidenciação do grid utilizado na publicação. ...41
Figura 15 - Faces tipográficas da família Antenna utilizadas no guia. ...42
Figura 16 - Páginas 94 e 95 do guia enfatizando alinhamento e entrelinha. ...43
Figura 17 - Utilização de figuras e esquemas visuais no auxílio da compreensão do material. ...44
Figura 18 - Exemplo da separação clara dos conteúdos. ...45
Figura 19 - Exemplo de unidade no corpo da publicação. ...46
Figura 20 - Exemplo de unidade do estilo de ilustração utilizado. ...46
Figura 21 - Destaque em vermelho para as áreas de respiro da página. ...47
Figura 22 - Índice inicial da publicação. ...48
Figura 23 - Exemplo de hierarquia dos conteúdos da publicação. ...49
Figura 24 - Sistema de grid da publicação ...49
Figura 25 - Conjunto tipográfico utilizado na publicação ...50
Figura 26 - Página destacando a hierarquia de conteúdo. ...51
Figura 27 - Exemplo de gráfico utilizado pela publicação. ...51\
Figura 28 - Exemplo de tabela utilzada pela publicação. ...52
Figura 29 - Exemplo de gráfico de linha (superior) e ilustração (inferior)...52
Figura 30 - Páginas da publicação evidenciando a falta de ênfase dos elementos. ..53
Figura 31 - Destaque para os elementos de unidade da publicação. ...54
larga com anotações (azul). ...56
Figura 34 - Destaque da hierarquia de elementos textuais. ...56
Figura 35 - Famílias tipográficas utilizadas na publicação. ...57
Figura 36 - Hierarquia dos elementos da página do livro. ...57
Figura 37 - Figura com destaque para a legenda. ...58
Figura 38 - Tabela de especificações. ...58
Figura 39 - Páginas de início de seção e capítulo. ...59
Figura 40 - Prancha reerente ao projeto arquitetônico do modelo CF1 35-PG. ...69
Figura 41 - Diferenciação das áreas do desenho técnico pelo uso de preenchimento com diferentes padronagens. ...70
Figura 42 - Hierarquia de informação na etiqueta da prancha de projeto arquitetônico. 70 Figura 43 - Hierarquia de informação na tabela de informações. ...70
Figura 44 - Facilitação da visualização da planta técnica por meio da planta mobiliada. ..71
Figura 45 - Sistema de grid definito para o guia ilustrado. ...73
Figura 46 - Miniatura das páginas de tabela e planta arquitetônica. ...74
Figura 47 - Família tipográfica Arial com suas variações de peso. ...74
Figura 48 - Paleta de cores utilizada no guia. ...75
Figura 49 - Miniaturas da capa e índice. ...75
Figura 50 - Ilustrações tridimensionais para representação dos cômodos. ...76
Figura 51- Ilustrações tridimensionais em tons de cinza para representação dos cômodos. ...76
Figura 52 - Ênfase para a localização do ponto de vista de cada cômodo. ...77
Figura 53 - Caixa destaque com sigla e significado ...77
LISTA DE QUADROS E TABELAS
Quadro 1 - Dados referentes aos empreendimentos desenvolvidos no ano de 2014...24 Quadro 2 - Questões práticas do desenvolvimento do Guia Ilustrado...25
Contents 1 INTRODUÇÃO ...10 1.1 OBJETIVO GERAL ...11 1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ...11 1.3 JUSTIFICATIVA ...11 1.4 METODOLOGIA DA PESQUISA ...13 2 REVISÃO DE LITERATURA ...14 2.1 DESIGN DA INFORMAÇÃO...14
2.1.1 Conceituação de design da Informação ...14
2.1.2 Princípios de desgin da informação ...15
2.1.3 Aplicação dos princípios de design da informação ...16
2.2 PLANTAS HUMANIZADAS ...17
2.3 HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL...22
2.3.1 COHAPAR ...23
2.4 DESENVOLVIMENTO DO PROJETO GRÁFICO EDITORIAL ...25
2.4.1 Projeto gráfico de publicações ...26
2.4.2 Sistema de produção de publicações ...30
3 METODOLOGIA PROJETUAL ...33
3.1 REFERENCIAL TEÓRICO PARA O PROJETO ...33
3.1.1 Pesquisa teórica ...34
3.1.2 Problematização com foco no material ...35
3.1.3 Problematização com foco no usuário ...35
3.1.4 Seleção de conteúdo ...35
3.1.5 Geração de alternativas ...36
3.1.6 Elaboração e produção do material...36
4 PROBLEMATIZAÇÃO COM FOCO NO MATERIAL ...37
4.1 ESTUDO DE CASOS SIMILARES ...37
4.1.1 Análise do Design de Informação em publicações ...38
4.1.2 Seleção ...38
4.1.3 Estudo de caso: Urban Street Design Guide ...39
4.1.4 Estudo de caso: Passive House Design ...48
4.1.5 Estudo de caso: Construction drawigns and details for interiors ...54
5 DESENVOLVIMENTO DO PROJETO GRÁFICO ...60
5.1.1.1 Elaboração e aplicação ...61
5.1.1.2 Resultados e análises ...61
5.1.2 Questionário principal ...64
5.1.2.1 Elaboração e aplicação ...64
5.1.2.2 Resultados e análise ...65
5.1.3 Considerações sobre os resultados ...67
5.2 ESTUDO DO MATERIAL UTILIZADO PELA COHAPAR ...68
5.3 ELABORAÇÃO DO GUIA ...72 5.3.1 Formato ...72 5.3.2 Impressão e acabamento ...73 5.3.3 Diagramação ...73 5.3.4 Tipografia ...74 5.3.5 Cor ...74 5.3.6 Ilustrações ...75 5.3.7 Fluxograma...77 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...79 REFERÊNCIAS ...82
APÊNDICE 1 - QUESTIONÁRIO PRELIMINAR ...85
APÊNDICE 2 - QUESTIONÁRIO PRINCIPAL ...87
1 INTRODUÇÃO
A função primária da habitação é a de abrigo. Com a evolução das téc-nicas e habilidades, apropriando-se de materiais encontrados em seu meio, o homem passou a incrementar sua moradia tornando-a mais elaborada (ABIKO,1995).
É possível distinguir três funções da habitação: social, ambiental e eco-nômica. Como função social, tem de abrigar a família, influenciando diretamente em seu desenvolvimento; vê-se na função ambiental a inserção no ambiente urbano, im-portante para que sejam assegurados os princípios básicos de infraestrutura, saúde, educação, transporte, trabalho e atividade diárias.
Por fim a função econômica que possibilita geração de empregos e ren-da, mobilizando a economia local e influenciando mercados de bens e serviços (FER-NANDES, 2003). Neste contexto de mudanças sociais, decorrentes do crescimento populacional e econômico, surgem as Habitações de Interesse Social (HIS), termo que define uma série de soluções de moradias voltadas à população de baixa renda. No Paraná, a instituição responsável pelas moradias sociais é a Com-panhia de Habitação do Paraná (COHAPAR), que tem como missão atuar de forma ampla no âmbito da habitação, buscando equacionar e resolver o déficit habitacional do Estado, prioritariamente à população de baixa renda sendo a ponte entre as famí-lias carentes, sem casa própria e o Governo do Estado do Paraná.
Após a COHAPAR iniciar o processo de autorização da construção das moradias, cabe as prefeituras escolher o modelo habitacional mais adequado à sua necessidade. Atualmente acontecem certas dificuldades de assimilação do material de negociação tramitando no estado.
O sistema atual consiste em repassar aos responsáveis plantas-baixas dos diversos modelos habitacionais, tornando o processo problemático uma vez que a leitura de tal material requer conhecimento técnico específico.
Uma possível solução seria a visualização do projeto a partir de ilustra-ções produzidas em softwares gráficos, capazes de simular a estrutura e ambientação da moradia, fazendo com que mutuários e prefeitos assimilem de forma mais fácil a informação agregando valor à COHAPAR perante seus clientes.
No Paraná, no âmbito de habitação social, ainda não são utilizados estes recursos como parte do processo de parcerias com prefeituras. O objetivo é implantar estes auxílios gráficos, para que haja um estreitamento destas relações, aumentando a credibilidade do Governo do Estado perante os municípios interessados em formar parcerias, para a construção de novas moradias populares de baixo custo.
O presente trabalho tem como objetivo a facilitação gráfica no âmbito de habitação social, por meio de um guia ilustrado, com o intuito de melhorar o en-tendimento e aceitação de plantas baixas, (desenhos técnicos de construções civís
de difícil entendimento para leigos), de forma a estreitar a relação de parcerias entre órgãos municipais, estaduais e federais, para que juntos possam aumentar o número das moradias sociais.
1.1 OBJETIVO GERAL
Elaborar um guia ilustrado, a partir de perspectivas gráficas e plantas arquitetônicas de habitações populares, como instrumento de auxilio na apresentação de projetos realizados pela COHAPAR para os municípios do Paraná.
1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
• Pesquisar as formas de apresentação de projetos utilizadas atual-mente na Companhia de Habitação do Estado do Paraná;
• pesquisar formatos mais adequados aos moldes institucionais; • realizar pesquisas e análises de projetos similares ao trabalhado; • desenvolver ilustrações dos projetos vigentes;
• preparar pesquisa para parceiros interessados, membros da compa-nhia para compilação e análise de dados.
• diagramar guia com ilustrações e informações sobre programas e projetos.
1.3 JUSTIFICATIVA
As últimas décadas do século XX marcaram a explosão da urbanização, acarretando em uma “industrialização tardia”, incapaz de englobar a totalidade dos trabalhadores e acompanhar o crescimento populacional gerando problemas urbanos complexos a serem lidados pelo poder público (AZEVEDO, 2007).
Com a desigualdade e heterogeneidade da sociedade brasileira, a op-ção habitacional para a maioria da populaop-ção carente, formada em sua maioria por desempregados e trabalhadores eventuais, tem sido os cortiços e favelas localizados fundamentalmente nas metrópoles e grandes cidades. A solução para amplas cama-das populares é a autoconstrução, mas por conta da falta de recursos tanto o tempo de construção quanto a qualidade da habitação são atingidos, aumentando os proble-mas nas regiões periféricas onde há concentração da população carente.
Essa situação problema fez com que, nas últimas décadas, autoridades governamentais, pesquisadores e líderes comunitários direcionassem esforços para
construção e melhoria de programas alternativos de habitação popular como tentativa de solucionar as necessidades habitacionais da população carente.
Atualmente o entendimento das políticas de habitações sociais não pre-vem apenas a construção de moradias na região urbana, mas também todos os as-pectos diretamente ligados a questão habitacional, como infraestrutura, transporte, saneamento e regularização fundiária. Os planos elaborados passam a incorporar as construções à vida da cidade de forma a garantir a qualidade de vida dos moradores (BAENINGER, 2003).
No Paraná, a COHAPAR visa a elaboração de projetos, em parceria com os municípios, a fim de sanar as necessidades de famílias carentes garantindo melhores condições de vida através da facilitação do acesso à moradia. Atualmente os sistemas de negociação utilizados pela instituição estão focados nas questões de construção habitacional, mas não dão prioridade a elementos auxiliares na comunica-ção entre a Companhia e as entidades municipais.
O processo de aceitação dos modelos de casas, feitos a partir apenas da visualização de plantas-baixas, não permite um diálogo claro entre a instituição e os responsáveis pela autorização e escolha dos modelos habitacionais pela falta de conhecimentos técnicos suficientes para realizar tal leitura.
A dificuldade de compreender as dimensões e estruturação das mora-dias torna o processo mais lento, uma vez que passa a ser necessária a inserção de profissionais ligados à construção civil para intermediar as negociações, prejudicando o andamento do projeto e, consequentemente, liberação das moradias às famílias.
O objetivo é que se possam estreitar essas relações fazendo com que a autoridade mais próxima, e não necessariamente alguém ligado à engenharia ou ar-quitetura, possa entender o projeto, e decidir de forma mais rápida sobre os próximos passos das tramitações, reduzindo o tempo entre o início do processo e entrega da casa, para que o número de construções aumente.
O presente trabalho propõe um material gráfico de fácil reconhecimento e leitura capaz de trazer segurança para todos envolvidos, tendo tanto as informa-ções técnicas necessárias quanto elementos gráficos de apoio capazes de traduzir tais informações. Justifica-se então, a partir dos fatores apontados, a elaboração do guia ilustrado como material de apoio às negociações entre COHAPAR e municípios, visando facilitar o processo de aceitação dos modelos habitacionais por parte destes , ao mesmo tempo beneficiando os mutuários.
Outro fator importante na escolha do projeto, é o fato da autora trabalhar na instituição como projetista de habitações, e assim, ter contato direto com as difi-culdades e problemas relacionados à tramitação inicial dos projetos de habitações de interesse social.
1.4 METODOLOGIA DA PESQUISA
Para execução do projeto, foram estudadas metodologias, propostas por diversos autores, e sintetizadas as etapas mais apropriadas para elaboração do material gráfico aqui proposto. Foi realizado levantamento bibliográfico dentro das três áreas de interesse ao projeto, sendo essas: design editorial, design da informação e arquitetura.
Os autores estudados são:
• Gavin Ambrose e Paul Harris (Design Thinking - 2010); • Bruno Munari (Design de Comunicação Visual - 2006);
• Rune Petterson (It Depends: ID - Principles and Guidelines - 2012); • Marina de A. Marconi e Eva M. Lakatos (Fundamentos de
metodolo-gia científica - 2003).
Aqui são apresentados os autores e respectivas obras utilizados para pesquisa dentro das áreas do projeto, a metodologia projetual, por sua vez, é detalha-da no capítulo 3.
2 REVISÃO DE LITERATURA
A seguir serão apresentados os conceitos e temas estudados para o desenvolvimento do projeto. Eles são: design da informação, plantas humanizadas e moradias populares. Cada tópico ainda será aprofundado em subtópicos que permi-tem a compreensão do trabalho como um todo.
2.1 DESIGN DA INFORMAÇÃO
Não há apenas uma definição para o termo design da informação, por ser um campo multidisciplinar muitas são as conceituações e atribuições possíveis. O presente capítulo apresentará tais definições para que então possam ser analisados os princípios básicos de design da informação, ressaltando os que estejam diretamen-te relacionados com a proposta final.
2.1.1 Conceituação de design da Informação
Referir-se à design de informação é referir-se a um sistema de lingua-gem visual centrado no usuário final. Petterson descreve da seguinte forma:
A fim de satisfazer as necessidades de informação dos receptores pretendi-dos, design de informação compreende análise, planejamento, apresentação e compreensão da mensagem - seu conteúdo, linguagem e forma. Idependente-mente do meio escolhido, um material de informação bem concebido consegue com sua mensagem satisfazer estética, econômica e ergonômicamicamente, bem como transmitir o conteúdo desejado (PETTERSON, 2002, p 19)
O autor ainda reitera que para atingir seu objetivo todas as mensagens devem ser elaboradas de forma precisa, produzidas, distribuídas e posteriormente interpretadas e assimiladas corretamente pela maioria do público-alvo.
Não obstante desta colocação, o termo é definido pela SBDI (Sociedade Brasileira de Design da Informação) como uma área do design gráfico que tem por objetivo equacionar os aspectos sintáticos, semânticos e pragmáticos que envolvem informações visuais. Fazendo isso através da contextualização, planejamento e pro-dução de interfaces gráficas de informação utilizáveis pelo público-alvo, tendo como principio básico otimizar o processo de aquisição da informação através de matérias gráficos, sejam eles analógicos ou digitais.
2.1.2 Princípios de desgin da informação
Para garantir que a mensagem cumpra sua função e consiga produzir o resultado compotamental desejado em seu destinatário, pesquisadores da área vem propondo princípios e metodologias a fim de auxiliar profissionais no processo da co-municação visual. Dentre a vasta literatura disponível sobre o assunto (Lipton, 2007; Lupton & Phillips 2008; Engelhardt, 2002) aqui serão apresentados a metodologia, pro-posta por Petterson em seu livro “It Depends: ID - Principles and Guidelines”, e princí-pios da sintaxe da linguagem visual defendidos por Dondis (2007) e Engelhardt (2002). Petterson (2012) propões a existência de dezesseis princípios, separados em quatro grupos: funcionais, administrativos, estéticos e cognitivos descritos pelo autor como se segue:
Princípios funcionais:
• Definição do problema: planejamento, reconhecimento e avaliação das necessidades e restrições do projeto, envolvendo datas, objeti-vos, mensagem, meio de comunicação, orçamento entre outros; • Estrutura: hierarquização dos conteúdos a fim de facilitar a
identifica-ção e relações elementos dentro de um contexto específico;
• Clareza: facilitação do reconhecimento do material através da legibi-lidade dos elementos textuais e gráficos;
• Simplicidade: enfoque na leiturabilidade da informação, reforçando a percepção da informação pelo uso de uma sintaxe visual efetiva e padronizada dos elementos de composição da mensagem;
• Ênfase: direcionamento da atenção do usuário para os aspectos de maior importância;
• Unidade: coesão dos elementos dentro de um mesmo material para garantir uma comunicação efetiva.
Os princípios administrativos são:
• Acesso: facilitação do acesso à informação com técnicas, ferramen-tas e decisões de produção que permitam ao usuário encontrar o conteúdo de modo simples;
• Custo: controle de orçamento de todas as etapas do projeto;
• Ética: elaboração do projeto dentro das leis e regulamentos vigentes sobre utilização de conteúdo e direitos autorais;
• Qualidade: relevância e credibilidade de conteúdo ao usuário final. Princípios estéticos:
• Proporção: estruturação dos elementos visando reforçar as relações existentes dentro do conteúdo.
Princípios cognitivos:
• Atenção: estimular a visualização da informação a fim de garantir atenção do usuário;
• Percepção: integração dos elementos para garantir a detecção das informações com facilidade;
• Processamento de informações: uso de técnicas para tornar a infor-mação acessível à todos os usuários com auxílio de textos, cores, configurações de página e uso de ícones;
• Memória: elaboração de conteúdo de fácil assimilação e, por conse-quência, memorização.
Os princípios de design da informação apresentados pelo autor são apli-cados no processo de design como um todo, sendo ferramentas auxiliares para isto o uso de estratégias de composição e aplicação dos estudos de cores, formas, con-traste, tipografia, imagens, gráficos, tabelas, ícones entre outros elementos. Cabe res-saltar que tais princípios são diretrizes, propostas para a elaboração de mensagens, como tentativa de garantir a capacidade de comunicação do material de informação.
2.1.3 Aplicação dos princípios de design da informação
Devem ser consideradas, dentro de um projeto de design de informação, medidas subjetivas, que englobam as percepção e resposta do usuário ao material, e objetivas, que não dependem diretamente da experiência do usuário e são passíveis de validação e aprimoramento, como tempo, gastos, acertos e erros dentro do pro-cesso como um todo.
Para atingir soluções adequadas às medidas subjetivas, as técnicas de arranjo e apresentação das informações são inúmeras e oferecem diversas possibili-dades na transmissão da mensagem, podendo contribuir com o processo de percep-ção do receptor, facilitando-o, ou interferir de forma negativa caso não sejam levados em consideração princípios de design da informação.
Engelhardt (2002) define que representações gráficas, e seus compo-nentes, podem ser vistas como objetos gráficos. Estes são passíveis de distinção em vários níveis de uma mesma representação gráfica; o autor usa como exemplo um mapa que, em sua totalidade, é um objeto gráfico formado a partir de outros objetos gráficos (i.e. símbolos, imagens) inseridos dentro de um espaço gráfico, no caso a
cartografia, criado por diferentes níveis de objetos gráficos. Dentro deste contexto Engelhardt afirma:
Uma definição recorrente de sintaxe se mostra apropriada à representação gráfica, considerando que um conjunto de objetos gráficos, organizados em uma determinada estrutura espacial, geralmente funcionam como um único objeto gráfico dentro de uma estrutura espacial de nível superior (ENGE-LHARDT, 2002, p. 13)
Algumas técnicas e conceitos são propostos por Dondis (2007) em seu livro “Sintaxe da lignuagem visual”, a autora descreve-as como elementos polarizados, abordagens desiguais e antagônicas do significado, não mutuamente excludentes, que podem ser utilizadas em combinação e em diferentes intensidades.
Enquanto algumas técnicas proporcionam à natureza perceptiva huma-na uma visualização lógica e simples, outras geram desequilíbrio visual, nem por isso seu uso deve ser desconsiderado, mas usado de acordo com cada projeto.
Dondis cita como sendo técnicas voltadas à lógica e simplicidade: o equilíbrio, simetria, regularidade, simplicidade, atividade, sutileza, neutralidade, esta-bilidade, transparência, exatidão, planura, singularidade, sequêncialidade e repetição. Porém, para atingir os princípios de design da informação, suas contrapartes devem ser empregadas.
Enquanto elementos de repetição são necessários para facilitar o acom-panhamento da informação por parte do usuário, seu excesso se afasta do princípio cognitivo de atenção. Logo, o uso de imprevisibilidade e variação são vistos como opções ocasionais para quebrar a monotonia criada pela estabilidade contínua dos elementos. Em outro possível cenário o uso de assimetria pode ser uma solução gráfica mais adequada, uma vez que a simetria não seria capaz de transmitir o valor informativo na intensidade correta.
Conclui-se então que, sendo o design de informação centrado na expe-riência do usuário, estudos devem ser feitos a fim de compreender as necessidades do público-alvo em questão para poder saná-las da melhor forma possível. Nenhuma metodologia se mostra infalível, mas garantindo que um conjunto de princípios bási-cos sejam atingidos, aumenta-se a possibilidade do sucesso de comunicação.
2.2 PLANTAS HUMANIZADAS
A necessidade de representações visuais é uma característica mani-festada desde a pré-história, onde relatos do cotidiano eram registrados nas pare-des das cavernas, um dos vestígios mais antigos da habilidade de representação gráfica do ser humano.
A expressão gráfica de ideias foi facilitada pelas evoluções tecnológicas ao longo do tempo e as representações deixaram de ser feitas apenas manualmente. Fontoura (2009) afirma que através de técnicas de desenho as ideias saem do mundo imaginário para o mundo físico, tornando possível a visualização de projetos.
Com os adventos da Computação Gráfica (CG) a criação e finalização de projetos torna-se mais prática e rápida. Segundo Neto (2004) não só no campo do design, mas também na arquitetura e engenharia, a computação gráfica é de extrema importância, o uso de ferramentas CAD (Computer Aided Design) facilitaram o pro-cesso do projeto como um todo.
No âmbito de apresentação de projetos, agora as maquetes ganham sua versão virtual, possibilitando a interação em tempo real e aumentando o número de perspectivas capazes de serem reproduzidas.
A simulação de ambientes reais faz parte de um conjunto de tecnologias de Realidade Virtual (RV), termo que diz respeito às experiências de interação ou imersão do usuário com imagens gráficas computadorizadas.
O termo Realidade Virtual (RV) foi cunhado no final da década de 1980 por Jaron Lanier, artista e cientista da computação que conseguiu convergir dois conceitos antagônicos em um novo e vibrante conceito, capaz de captar a essência dessa tecnologia: a busca pela fusão do real com o virtual (KIR-NER ; TORI, 2006, p. 3)
Santaella (2000) divide a RV em dois segmentos: Realidade Virtual Imer-siva (RVI) e Realidade Virtual Não ImerImer-siva (RVNI), sendo a primeira uma modalidade de interação do usuário com o ambiente por meio de dispositivos como capacetes, lu-vas e óculos de imersão virtual. A RVNI por sua vez engloba imagens de perspectilu-vas geradas por softwares de modelagem tridimensional e, portanto, será o segmento de RV abordado aqui, uma vez que se relaciona diretamente com a proposta do trabalho. Para Kirner (2006) a modelagem tridimensional se define pela represen-tação de objetos por meio de algorítimos computacionais, Neto (2004) explica que além do modelo estrutural, são atribuídos valores cognitivos à todos os elementos compositores do cenário (i.e. textura, cores, luminosidade, brilho) que auxiliam no processamento, assimilação e formação de conexão do conteúdo com o mundo real por parte do receptor.
O autor ainda destaca a importância dos modelos tridimensionais para a arquitetura e engenharia civil, ressaltando as vantagens em termos de visualização do ambiente pela possibilidade de exploração ampla do cenário. Também afirma que tal representação não exige qualificação técnica por parte da audiências e apresenta proporções e detalhamento de objetos comparaveis à realidade.
Tal necessidade de formas mais claras de visualização é salientada pela afirmação de SCHUNCK (1999) sobre a leitura da linguagem visual de um projeto
arquitetônico, de que o código, como sistema convencional, proporciona o conteúdo de sua relaidade por meio de sinais. Quanto mais aberto for o código, menor a neces-sidade de aprendizagem técnica e maior o potêncial de assimilação por um número maior de indivíduos; por consequência, quando mais restrito, maior o conhecimento exigido para a decodifi cação apropriada da mensagem.
Os arquitetos e projetistas sempre lançaram mão de recursos de apresen-tação, recorrendo à terceira dimensão para exporem suas ideias e projetos. As tradicionais perspectivas e maquetes (modelos físicos) foram os únicos meios disponíves durante muito tempo, para facilitar a compreensão de seus trabalhos por parte dos leigos e, sobretudo, evitar problemas de comunicac-ção com os clientes (NETO, 2004, p. 50)
Na fi gura a seguir são apresentados dois tipos de representação de um mesmo objeto de estudo, percebe-se que na Figura 1a, de uma planta baixa, a neces-sidade de entendimento de um código específi co, enquanto na fi gura 1b a facilidade de compreensão é maior, pela assimilação do ambiente poder ser feita de forma mais rápida.
Figura 1 - a) Planta baixa de modelo habitacional; b) Planta humanizada bidimensional de mo-delo habitacional
Fonte: COHAPAR (2015)
Atualmente diversos softwares de computação gráfi ca e modelagem 3D são utilizados para construção dos modelos virtuais, AutoCAD, 3D Studio Max e Sketch Up são alguns deles. O desenvolvimento de um projeto de maquete tridimen-sional exige também uma série de análises referentes à design de informação e pro-cessos de design para ter sucesso na comunicação da mensagem.
A escolha dos ângulos de projeção do ambiente, por exemplo, interferem diretamente na compreensão do usuário. Ângulos muito fechados, que apresentem uma área restrita do cômodo, sem necessáriamente terem como objetivo detalhar aspectos específi cos do recinto, não terão o mesmo efeito de imagens capazes de
captar as proporções entre objetos e a estrutura da edifi cação.
Na concepção, são utilizados sólidos geométricos para mimetizar obje-tos reais a fi m de identifi car volumes e formas, facilitando a compreensão do impacto de cada objeto no ambiente como um todo (Figura 2).
Figura 2 - Estudo de volumes a partir de sólidos geométricos Fonte: O Autor (2015)
Em um segundo momento são usados modelos mais complexos que já possuam as características estruturais de objetos reais, estes podem ser desenvol-vidos pelo próprio profi ssional ou adquiridos em bancos de modelos disponíveis no mercado (Figura 3).
Figura 3 - Estudo de layout com a utilização de móveis mais bem elaborados Autor: NETO (2004, p.53)
A fi nalização com aplicação de cores, textura, brilho, luminosidade e de-mais características encontradas em ambientes reais é o último passo e deve levar em consideração a necessidade do projeto, uma vez que o extremo detalhamento de cenários não é possível em computadores com determinadas especifi cações (Figura 4).
Figura 4 - Ratifi cação da compreensão do desenho gráfi co através do 3D Fonte: NETO (2004, p. 39)
Representações gráfi cas não são apenas tridimensionais, no caso das plantas humanizadas aqui apresentadas, modelos bidimensionais também são em-pregados para auxiliar na visualização da planta baixa de forma mais didática. Uma visão aérea do empreendimento como um todo é tão necessária quanto a visualiza-ção dos cômodos em separado.
A possibilidade de detalhamento dos ambientes também é importante, assim o receptor pode correlacionar as visualizações bidimensionais e tridimensionais a partir de similaridades na composição. Por mais que os modelos de planta 2D não sejam tão detalhados, com uso de luminosidade e textura em todos os elementos, através das cores torna-se possível ao leitor relacioná-la com o modelo tridimensional, aumentando sua compreensão da imagem.
Plantas humanizadas não é um termo acadêmico, sendo utilizado no coti-diano dos profi ssionais da área de arquitetura com o seguinte signifi cado:
Planta humanizada é uma representação do espaço através de projeção pa-ralela de uma vista superior, em que observamos o ambiente por cima. É di-ferente da planta técnica usada nos documentos de projeto para construção, representando materiais dos pisos e mobiliários nos espaços. Esta ferramen-ta é mais agradável aos olhos, permitindo que as pessoas compreendam o projeto e tenham uma noção de como podem organizar o espaço (FREIRE, Rodrigo. 2015, p.16)
Afere-se então que são representações gráfi cas, feitas a partir de sof-twares, bidimensionais e tridimensionais que tem por objetivo facilitar a visualização e assimilação de elementos de um ambiente sem que haja necessidade prévia de conhe-cimento específi co das áreas de arquitetura e engenharia civil.
2.3 HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL
Com as concentrações populacionais aumentando por conta da indus-trialização, os centros urbanos passaram por reconfigurações para tornar viável a habitação para todos. A partir da década de 40, o modelo de desenvolvimento pre-cário evidenciou a falta de suporte geográfico das cidades, iniciando o deslocamento das classes média e operária para os subúrbios e iniciano o processo de favelização (SEQUINEL, 2002).
O crescimento urbano acelerado e desordenado aumentou exponencial-mente os problemas urbanos, as políticas na área social não se faziam suficientes para sanar as necessidades de infraestrutura das novas cidades. O início da inter-venção do estado nas questões habitacionais ocorreu na década de 30, a criação dos Institutos de Aposentadoria e Pensão (IAPs), que promoviam o financiamento das mo-radias à filiados, contribuiram pra o aumento na produção das unidades habitacionais. Abiko (1995) define que existem três categorias referentes à moradias populares, sendo estas:
• Habitação de baixo custo: moradias baratas, mas não necessaria-mente pra população de baixa renda e que não recebem incentivo governamental;
• Habitação para população de baixa renda: sendo a mais próxima às Habitações Sociais, depende da renda máxima dos indivíduos inseri-dos nessa faixa de atendimento e conta com auxílio do estado;
• Habitação Popular: termo genérico envolvendo todas as soluções destinadas ao atendimendo de necessidades habitacionais.
Segundo Maricato (1995) o histórico de políticas descentralizadas, que logo se tornaram extintas por apenas equacionar problemas a curto prazo, deu lugar em 1964 ao Banco Nacional da Habitação (BNH), alavancando a produção em mas-sa de moradias populares por meio de estratégias que levavam em consideração a malha urbana e suas especificidades. Com o crescimento da demanda por moradias, o BNH dividiu sua atuação no mercado e atribuiu às Companhias Municipais de Habi-tação (COHABs) a função da construção de moradias para população de baixa renda. Contudo, a crise dos anos 80 extingue o BNH que tem suas funções assumidas pela Caixa Econômica Federal, porém sua falta de experiência no ramo de construções habitacionais marcou a carência de ações governamentais de 1985 à 1989, fato que contribuiu para a expansão desordenada nas periferias (ABIKO, 1995). A partir dos anos 90 novas tendências, nacionais e internacionais, disse-minadas por eventos como a Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e De-senvolvimento, onde foi aprovada a Agenda 21 (plano que visava o desenvolvimento urbano sustentável), aumentou a preocupação e cuidados com as políticas
habitacio-nais. A partir de então não se consideravam apenas a construção e abrigo de conjuntos ha-bitacionais dentro da malha urbana, mas também todos os fatores de infraestrutura como saneamento, energia, transporte e acesso a educação e saúde.
Segundo Tonella (2002) o direito à habitação foi incluído como um dos direitos básicos do cidadão brasileiro em 1999 através da Emenda Constitucional, sendo a presença na lei das questões habitacionais adquirida por um largo histórico de mobilizações populares. Desde o início do século XXI, planos de ação municipais, federais e nacionais tem sido elaborados para, em conjunto, maximizar as chances de equacionar os problemas habitacionais tanto nas áreas urbanas quanto rurais. Dentre as instituições responsáveis pelo planejamento e execução de projetos no âmbito habitacional, estão as COHABs que atuam diretamente com suas divisões municipais, no caso aqui apresentado, a COHAPAR. 2.3.1 COHAPAR
A Companhia de Habitação do Paraná (COHAPAR), fundada em 1965, é uma empresa de economia mista que atua na execução dos programas habitacionais do Governo do Estado. Suas metas são solucionar os problemas referentes ao défi cit habitacional, para população de baixa renda, dentro de estratégias que considerem o espaço social como um todo. A empresa tem sede em Curitiba e treze escritórios regionais em todo o estado como apresentado na Figura 5.
Figura 5 - Mapa de atuação da COHAPAR. Fonte: COHAPAR (2015).
Em mais de quarenta e sete anos de existência, seu contingente de podução conta com 4.040 empreendimentos, 186.069 unidades habitacionais tota-lizando 398 municípios atendidos. Atualmente tem como programas o Morar Bem Paraná Urbano, que abrange medidas de regularização fundiária, financiamento para construção de novas unidades e melhoria de moradias já existentes. Os dados para o ano de 2014 são apresentados no quadro 1 a seguir.
URBANO RURAL TOTAL
QTD UND QTD UND QTD UND
Empreendimento concluído 141 10.671 300 4.922 441 15.593 Empreendimento em obra 372 36.692 294 4.513 666 41.205 Subtotal 513 47.363 594 9.435 1.107 56.798 Empreendimento em projeto 757 33.883 392 7.462 1.149 41.345 Total 1270 81.246 968 16.897 2.256 98.143 Municípios atendidos 304 76% 366 92% 397 99%
Quadro 1 - Dados referentes aos empreendimentos desenvolvidos no ano de 2014. Fonte: COHAPAR (2015).
O segundo programa habitacional ativo é o Morar Bem Paraná Rural, destinado à famílias de pequenos produtores rurais. No ano de 2014 foram constru-ídas mais de nove mil novas casas e outras três mil passaram por reformas. Para concretização do programa, a COHAPAR faz parceria com a Secretaria da Agricul-tura e Abastecimento, Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Caixa Econômica Federal e Cooperativas de Agricultores.
A agência é responsável pela gestão de todo o processo, ou seja, ve-rificação da demanda por habitações, projetação das moradias, planejamento, arre-cadação de recursos, produção, entrega e acompanhamento pós-ocupação. Com excessão das equipes de produção os demais setores são centralizados na sede de Curitiba e se responsabilizam pela disponibilização de recursos às sedes regionais.
Para a produção, a COHAPAR possui especialistas (engenheiros civis e gerentes de produção) em cada uma de suas sedes que tem como responsabilidade a contratação de serviços e trabalhadores terceirizados de acordo com a necessidade do projeto em questão.
Outras parcerias são feitas com demais instituições a fim de reduzir cus-tos de produção, tanto municipais quanto dos mutuários finais, garantindo condições de infraestrutura adequadas. Uma das instituições parceiras é a Companhia Parana-ense de Energia (COPEL) que absorve os valores de instalação de rede de distribui-ção e entrada de energia, excluindo-se os valores que deveriam ser absorvidos no financiamento pelos mutuários finais, reduzindo em média R$855,00 por mutuário.
Outra parceria é com a Companhia de Saneamento do Paraná (SANE-PAR) que assume os custos dos materiais para implementação dos sistemas de abas-tecimento de água, esgotamento sanitário e da ligação de água, dessa maneira, as prefeituras municipais e mutuários finais de um valor de R$ 1080,00 por família.
Uma das diretrizes mais relevantes da política de construção habitacio-nal da COHAPAR é evitar os padrões normais das construções de moradias popula-res encontradas no popula-restante do país. Para tanto são desenvolvidas, pelos arquitetos, diferentes modelos habitacionais a fim de cumprir com as necessidades básicas dos diferentes perfis de usuários do sistema.
Cabe então aos demais setores de planejamento, averiguarem a viabili-dade de cada modelo proposto, através de estudos e orçamentos de materiais e mão-de-obra, para aprovação e disponibilização dos novos modelos.
Os objetivos do Governo do Estado para a redução do déficit habitacio-nal e da melhoria da habitabilidade são viabilizados com ações voltadas para:
• Atender 100 mil famílias na área urbana; • Produzir 10 mil habitações na área rural;
• Promover 16 mil Regularizações fundiária e 8 mil titulação;
• Melhoria de 10 mil unidades na área urbana e 4 mil na área rural. A visão de futuro da Companhia para até 2018 tem prioridades na área de habitação urbana e rural, a atual gestão busca viabilizar soluções para o déficit habitacional e melhoria da habitabilidade das famílias com renda de até três salários mínimos nacional, bem como oportuniza às famílias com até dez salários mínimos nacional a aquisição de sua moradia.
2.4 DESENVOLVIMENTO DO PROJETO GRÁFICO EDITORIAL
Aqui serão abordados os elementos de design e produção imprescindí-veis ao desenvolvimento de peças editoriais, como estudo de tipografia e cores, diagra-mação, formatos, processos de impressão e acabamento como observado no quadro 2.
Projeto Gráfico de Publicações Sistema de Produção de Publicações
Estudo tipográfico Formato
Estudo de elementos gráficos Tipos de papel
Estudo de cores Processos de impressão
Diagramação Tipos de acabamento
Quadro 2 - Questões práticas do desenvolvimento do Guia Ilustrado. Fonte: O Autor (2015).
2.4.1 Projeto gráfico de publicações
A elaboração de materiais editoriais depende do estudo de diversos componentes visuais da informação com base nos princípios de design da informação descritos anteriormente neste trabalho.
O estudo tipográfico é essêncial para a criação de uma publicação, a determinação das faces tipográficas a serem utilizadas influenciam de forma direta na comunicação da mensagem. A configuração das letras determina a legibilidade, hierarquia e clareza para apresentação de informações verbais, mas mensagens não verbais também estão agregadas a cada face tipográfica, “A escolha da fonte estabe-lece uma voz para o conteúdo e o posiciona de forma específica mediante significados que o público pode associar à própria fonte” (SAMARA, 2011, p.30).
As faces tipográficas podem ser separadas em dois segmentos: com se-rifa e sem sese-rifa, mas não são as sese-rifas os únicos elementos a serem considerados. A leitura de um texto não se faz por caracteres individuais, mas sim pela visualização do conjunto de letras e as formas criadas tanto pelas palavras quanto pelos blocos de texto. Portanto, para textos extensos ou transmissão de conteúdos importantes é necessário o uso de tipos fácilmente distinguíveis.
A projeção das letras para baixo e para cima, descendentes e ascen-dentes respectivamente, auxiliam no processo de leitura uma vez que nossos olhos analisam o topo das letras minúsculas a fim de uma identificação inicial de cada pa-lavra. Spiekermann (2011) afirma que ascendentes e descendentes precisam estar harmonizadas para uma boa legibilidade, tipografias com detalhes exagerados não contribuem para uma leitura fluida, pois dificultam a assimilação das formas das pa-lavras (Figura 6).
Figura 6 - Visualização com auxílio de ascendentes e descendentes Fonte: O Autor (2015).
O peso dos tipos está diretamente ligado à sua contraforma, quanto mais pesado, menores seus espaços internos e consequentemente a legibilidade é reduzida. Outro fator importante é o corpo de texto ou “tamanho da fonte”, que definirá a capacidade de leitura de um material, o corpo de texto varia de acordo com as características de cada tipografia e a “altura de x”, referente à altura da linha de base ao topo das caixas baixas.
Combinações de letras nem sempre geram uma mancha gráfi ca agrada-vél ou condizente com o projeto a ser desenvolvido, por isso podem ser feitos ajustes de tracking, redução ou ampliação de espaço entre pares de letras específi cas dentro de um texto, ou kerning, reajuste do espacejamento das letras do texto todo. Assim como todas as outras características os ajustes de espaços devem ser feitos com o intuito de atingir equilíbrio na visualização do texto, caso contrário podem criar distra-ções ou interromper a continuidade da leitura.
O espacejamento das letras em palavras, frases e parágrafos é essêncial para criar um tom cinza uniforme, minimizando distrações para o leitor. Cada fonte possui um ritmo distinto de traços e espaços. Essa relação entre forma e contraforma defi ne o espacejamento ideal daquela fonte específi ca e, por-tanto, do espacejamento geral entre palavras, linhas de texto e entre pará-grafos e colunas de texto. [...] Criar um tom de cinza consistente depnde de compor as letras para que haja uma alternância uniforme de sólido e vazio, tanto dentro das letras quanto fora delas (SAMARA, 2011, p. 35)
Além de atender às necessidades de clareza na leitura da informação, há a necessidade de criar hierarquias de conteúdo; para tanto o uso de diferentes ti-pos se apresenta como solução na diferenciação de mensagens distintas, podem ser utilizados tipos de uma mesma família ou famílias diferentes, mas sempre buscando o equilíbrio na composição do texto como um todo.
Outros elementos gráfi cos, além dos tipos, devem ser utilizados para guiar o usuário pelo material e dar suporte visual às informações apresentadas. O uso de pictogramas, principalmente em material informacional, serve como sinalização para o receptor da mensagem, são ícones de identifi cação de objetos, ideias, ações ou lugares de fácil assimilação. Para que o sistema de ícones e elementos gráfi cos funcio-nem na comunicação, deve haver uma padronização e continuidade lógica (Figura 7).
Figura 7 - Exemplo do uso de ícones para categorizar informações Fonte: Superinteressante (2008).
Uma ferramenta de comunicação extremamente útil por sua capacidade de estímulo visual é a cor. Diferentes culturas atribuem diferentes significados à cada cor, por isso, bem como texto e imagem o uso da cor deve ser feito de acordo com o público-alvo em questão e o caráter do projeto. Logo, devem ser estudadas as me-lhores composições cromáticas a fim de obter uma identidade clara e harmoniosa do material gráfico.
Dentro de um ambiente visual complexo, a cor pode ajudar a distinguir dife-rentes tipos de informação, além de criar relações entre os componentes ou edições de uma publicação. Por exemplo, o designer pode desenvolver uma paleta para elementos gráficos e tipográficos que ajude o leitor a distinguir componentes específicos do texto - títulos, subtítulos e corpo de texto - ou entre seções de informação. [...] Para ser eficaz, a codificação por cores deve ser simples e facilmenmte identificável. Codificações com muitas cores criam confusão e forçam o espectador a lembrar que cor relaciona-se com que in-formação (SAMARA, 2011, p. 28,29)
Cores tem por característica quatro qualidades: matiz, saturação, tempe-ratura e valor; enquanto matiz diz respeito à cor como a vemos (i.e. vermelho, verde, azul, amarelo), saturação representa sua intensidade, valor seu aspecto de escuro ou claro (i.e. amarelo é percebido como uma cor clara, enquanto violeta escura) e tem-peratura, que tem caráter subjetivo, por exemplo a percepção do vermelho ou laranja para representar calor, umas vez que ligado à ideia de fogo (SAMARA, 2011, p.26).
Variações de significados não existem apenas entre cores diferentes, mas também entre conjuntos de cores. A percepção de uma cor é alterada quando se relaciona à outras, o mesmo matiz posicionado sobre fundos diferentes é percebido de várias formas, tal efeito é chamado de contraste simultâneo (Figura 8).
Figura 8 - Exemplo de contraste simultâneo Fonte: O Autor (2015).
Outro fator a ser elaborado no projeto é a diagramação, que consiste na disposição de todos os elementos a fim de criar uma mancha gráfica que favoreça a apresentação do conteúdo. Para tanto, é utilizado um sistema de grid, uma grade subjacente que divide a página em àreas que servem diferentes propósitos - colunas de texto, comentários marginais, títulos, rodapés, legendas e ilustrações (SPIEKER-MANN, 2003, p. 145).
O grid pode ser orgânico, dando maior mobilidade às informações, ou mecânicos, sistematizando rigorosamente a organização da informação e possui ana-tomia própria. Todos os grids contém os mesmos elementos, a diferença ocorre no ar-ranjo destes para formação de um grid específico, seus componentes são as margens, guias horizontais, medianiz, módulos, zonas espaciais, colunas, linhas e marcadores. (SAMARA, 2011).
As margens tem como função delimitar a área ativa da página e suas proporções devem ser consideradas de acordo com o conteúdo, podem ser usadas como áreas de descanso para o olhos ou ceder espaço para informações auxiliares.
As guias horizontais, por sua vez, servem como condutores do olhar ao longo da página, seu alinhamento divide a página horizontalmente em seções. Mei-daniz são margens internas criadas entre os módulos de colunas e linhas e entre as próprias páginas. Devem ser pensadas de acordo com o processo de acabamento utilizado e extensão do conteúdo, materiais gráficos com muitas páginas e encader-nação por brochura, por exemplo, precisam de medianiz mais larga, uma vez que as páginas mais internas tendem a sofrer redução da margem próxima à encadernação.
Os módulos são unidades individuas, separadas por espaços regulares cuja repetição irá formar linhas e colunas; estruturas modulares podem ser altera-das ao longo do projeto para satisfazer as diferentes necessidades do conteúdo. De acordo com Samara (2011) as zonas espaciais são grupos de módulos que exercem papéis específicos dentro de um grid, como exibição de imagens, gráficos, caixas de texto em destaque ou qualquer outro elemento que não se encaixe como continuação da informação principal.
Marcadores são indicadores para informações recorrentes ao longo do material, como títulos de seção, e seu posicionamento deve permanecer o mesmo em todas as páginas. As colunas são os alinhamentos verticais, a definição do número de colunas utilizadas deve levar em consideração tanto o conteúdo a ser apresentado como o formato da publicação, uma vez que seu uso é delimitado pelo tamanho da fo-lha. Na Figura 9 é possível ver quatro tipos de grid diferentes.
Figura 9 - Exemplo de quatro tipos de grid diferentes, retângular (canto superior esquerdo), modular (superior direito), de colunas (inferior esquerdo) e misto (inferior direito).
Fonte: O Autor (2015).
A complexidade das informações requer uma análise simultânea de to-dos os elementos apresentato-dos neste capítulo para posterior aplicação. O processo de design de uma publicação, de qualquer tipo, envolve o uso dos princípios básicos e técnicas de design e design da informação e tratamento dos elementos gráficos, di-recionados à especificidade do conteúdo, de forma a equilibrá-los dentro da proposta.
2.4.2 Sistema de produção de publicações
A produção de impressos envolve, além da projetação, três grandes eta-pas: pré-impressão, impressão e acabamento. Durante a pré-impressão ocorre a digita-lização e edição de imagens, prova de alta resolução do material, geração, revelação e prova dos fotolitos1 caso usados.
No processo de impressão a matriz é montada, gravada e revelada, pági-nas são impostas e o material é impresso; por fim, na fase de acabamento, são realiza-dos dobras, revestimentos, vernizes, refiles, cortes especiais, encadernação e empaco-tamento. Não necessariamente ocorrem todas as etapas, há variação de acordo com as particularidades do projeto (VILLAS-BOAS, 2010).
Ainda durante a projetação do material deve ser escolhido o tipo de pa-pel a ser utilizado, segundo Villas-Boas (2010) há quatro parâmetros fundamentais a serem levados em consideração, estes são descritos a seguir conforme o autor:
• Valor subjetivo: beleza, sofisticação, diferenciação etc;
1 Máscara de impressão, necessária para cada cor do impresso, formada por áreas pretas (para impedir a passagem de luz) e transparentes utilizada para gravação da matriz. (VILLAS-BOAS, 2010, p.24)
• Custo: quanto maior a tiragem, maior o custo relativo do papel. Em pequenas tiragens, muitas vezes a diferença de preço compensa o uso de um papel mais caro, pelo valor subjetivo que será agregado; • Disponibilidade no mercado: exceto no caso de tipos de uso mais
frequente (couché e offset), o mercado de papéis é instável;
• Restrições técnicas: alguns processos não permitem o uso de de-terminados tipos de papel. Mesmo no caso do offset - processo que aceita uma enorme variedade de papéis para impressão -, há dife-renças de qualidade de acordo com as propriedades de cada tipo. O tipo de papel influencia diretamente no resultado da impressão por conta de um conjunto de características específicas de cada um; suas propriedades são a formação da pasta, que varia de acordo com o processo de separação da celulose dos demais componentes da madeira. Os de formação mecânica tem alta capacidade de absorção de tinta, porém são poucos resistentes e opacos, geralmente usados para jornais e impressos de baixo custo.
A pasta semiquímica gera, basicamente, papelões destinados à cartões corrugados, tubos e caixas, enquanto a pasta química produz papéis mais caros, por gerar uma quantidade menor de pasta e, consequentemente, de papel, sendo estes os mais utilizados para publicaçõess, offset e couché são exemplos.
O revestimento é a adição de substâncias à superfícies do papel para conferir melhores condições de impressão e/ou melhor apresentação. Tal escolha não deve levar em consideração apenas a aparência do papel, mas também a complexi-dade do impresso, por exemplo, impressos que requerem muitas dobras podem ser desvalorizados pelo uso de papéis revestidos com camadas duplas.
Gramatura é o indicativo da espessura do papel, quanto mais baixa, me-nor será sua resistência e opacidade, porém o uso de gramaturas muito altas pode comprometer o material caso o impresso precise de maior maleabilidade.
Ainda referente à escolha do substrato, é necessário determinar o forma-to do impresso a partir das necessidades do projeforma-to; elemenforma-tos como cusforma-to, estética e usabilidade são a base para a definição adequada. O custo, em parte, é definido pelo aproveitamento do papel, uma vez que os formatos padrões de fábrica são capazes de conter mais que uma página por lâmina. Já a estética e usabilidade estão direta-mente ligadas às características do projeto como quantidade e tipo de informação.
Uma das etapas finais é a escolha do tipo de impressão, Villas-Boas (2010 p. 58-59) determina que a escolha é baseada em alguns fatores principais, o primeiro são as deficiências e vantagens do processo, que dependem diretamente do tipo de material em questão, por exemplo, se há grande quantidade de imagens,
alguns tipos de impressão já são descartados por não conseguirem reproduzir com tanta fidelidade quanto outros.
De acordo com a tiragem, determinados processos de impressão não se mostram economicamente vantajosos, uma vez que destinados à altas tiragens. O cus-to, determinado pela produção da matriz, por exemplo, só é compensado pela impres-são de grandes quantidades, uma vez que a produção da matriz encarece o processo. Por fim, o suporte, ou substrato, nem sempre é suportado pelo processo de impressão.
Para o acabamento do material, determinadas opções sempre são ne-cessárias, como o refile que irá eliminar margens e marcas de impressão, ajustar o tamanho da página final ou abrir cadernos em impressos paginados. O número de dobras a serem feitas depende, além do tipo de material, da gramatura de papel utili-zado e revestimento; a vincagem, por sua vez, facilitará o manuseio do impresso ou realizará dobras especiais.
O uso de cortes diferencia-se do refile por precisar de facas especiais, sua aplicação é limitada à determinados tipos de impresso, geralmente de alto custo, uma vez que o processo todo é encarecido. A encadernação pode ser do tipo canoa, mais barata, rápida, usada para impressos de baixo custo; a lombada quadrada é uti-lizada geralmente para volumes de 40 a 200 páginas, mas se manuseada em excesso pode sofrer quebras do adesivo térmico de colagem das páginas. O uso de costura e cola é adequada à materiais com mais de duzentas páginas, sempre múltiplas de quatro para que os cadernos se fechem, possuem maiores resistência e custo.
Por fim é escolhido o tipo de capa - brochura, capa dura ou flexível - e vernizes, impressões especiais e revestimentos, caso exigido pelo projeto. A determi-nação de todos os fatores aqui apresentados é de extrema importância para garantir a qualidade do material, logo devem ser feitos estudos de quais características a pu-blicação deve ter para adequar os processos de produção à tais necessidades.
3 METODOLOGIA PROJETUAL
Nas seguintes seções serão apresentados os autores e metodologias utilizadas para o desenvolvimento do projeto gráfico, bem como as diferentes fases projetuais estudadas para criação do guia ilustrado.
3.1 REFERENCIAL TEÓRICO PARA O PROJETO
As metodologias utilizadas apresentam diversas etapas, para a elabora-ção do projeto foram sintetizadas a partir da definielabora-ção das fases constantes em todas, estas são: problematização, coleta de dados, análise de dados, planejamento da informação, seleção de conteúdo, geração de alternativas, testes preliminares, pro-dução, verificação. O processo proposto por Ambrose e Harris (2010) já foi abordado anteriormente, portanto será resumido aqui como mostra a figura 10.
Figura 10 - Resumo da metodologia proposta por Ambrose e Harris (2010). Fonte: O Autor (2015).
Munari (2006) apresenta seis etapas metodológicas: enunciação do problema, que consiste na definição das necessidades; identificação dos aspectos e funções, análise dos componentes físicos - forma - e psicológicos - relação entre usuário e objeto; limites, definição de orçamentos, prazos, regulamentos e proibições; disponibilidades tecnológicas, uso de materiais que garantam o melhor resultado den-tro do menor custo possível; criatividade, fusão dos componentes visuais para criação de uma estética lógica e, por fim, modelos, geração de alternativas, que precedem o protótipo final, para testes com usuários e averiguação de correções (Figura 11).
Figura 11 - Metodologia de projeto. Fonte: Munari (2006, p. 343).
A seguir serão abordadas as fases do projeto, porém não serão consi-deradas as etapas relacionadas ao cliente, uma vez que se trata de uma proposta preliminar de um guia ilustrado para facilitar as tomadas de decisões por parte dos clientes da COHAPAR.
3.1.1 Pesquisa teórica
A etapa de pesquisa envolve todos os estudos teóricos realizados para elaboração do projeto. Fazem parte desse conhecimento a compreensão da função e princípios de design, design de informação, comunicação efetiva e sintaxe de elemen-tos visuais. Essa fase foi abordada anteriormente no capítulo 2 de revisão de literatura.
3.1.2 Problematização com foco no material
A fase inicial do projeto visa definir os problemas do material utilizado atualmente, nas negociações entre a COHAPAR e as prefeituras, para escolha de modelos habitacionais. Em um primeiro momento é realizada análise de publicações similares à aqui proposta a fim de observar os sistemas e técnicas de comunicação visual empregados por estas e, com base no conhecimento obtido pela pesquisa teó-rica, verificar o funcionamento ou não das soluções empregadas.
Posteriormente, é estudado o modelo atual levando em consideração os mesmos critérios empregados na análise das publicações similares, mas de forma mais detalhada para que se possa compilar os dados necessários e definir pontual-mente os aspectos que falham o processo de comunicação.
3.1.3 Problematização com foco no usuário
A etapa com foco no material levou em consideração sua análise em comparação à outros, mas não considerou a experiência do usuário. Nesta fase são aplicadas pesquisas com o usuário final a fim de estabelecer qualidades e defeitos do modelo atual; questionários abertos e fechados são aplicados para que se possa, compreender o nível de efetividade do material e obter as opiniões de público alvo.
Os resultados devem ser compilados a fim de estabelecer conclusões capazes de direcionar a continuidade do projeto. com base nos problemas encontra-dos garantindo, assim, o foco das soluções a serem propostas.
3.1.4 Seleção de conteúdo
Com a compreensão das deficiências do sistema atual e necessidades apresentadas pelos usuários, é feito o levantamento de conteúdos cruciais para o en-tendimento da informação contida no material. Após definição de qual conteúdo deve ser inserido no projeto, é importante relacionar conjuntos de informações similares, que devem ser apresentas próximas umas às outras, estabelecer hierarquia entre os conteúdos, idealizar soluções gráficas que poassam atender às expectativas dos usuários obtidas através dos questionários de pesquisa preliminares.
3.1.5 Geração de alternativas
Em um primeiro momento são esboçadas diferentes opções de apre-sentação do conteúdo e feitos testes para eliminação de alternativas mal sucedidas, observação de preferência dos usuários por elementos específicos e análise das so-luções gráficas que não apresentaram relevância à compreensão da informação.
Após compilação de dados das pesquisas, é possível selecionar duas ou três opções para serem trabalhadas mais detalhadamente; então, nova pesquisa é aplicada para que possa ser selecionada uma alternativa específica para continuida-de no continuida-desenvolvimento do projeto.
3.1.6 Elaboração e produção do material
Com os elementos básicos de sintaxe visual estabelecidos, é realizada a diagramação completa do material e são aplicados testes finais para refinamento do material. Por fim são definidas questões referentes à produção, como tipo de papel, de impressão e acabamento.
Após desenvolvimento do protótipo do material, é feito acompanhamen-to de seu uso com usuários específicos a fim de averiguar sua capacidade de comu-nicar a informação para validação do projeto.
4 PROBLEMATIZAÇÃO COM FOCO NO MATERIAL
Na fase de problematização são definidos os problemas e repensadas possíveis soluções com base no referencial teórico estudado e na aplicação de pes-quisas específicas. Como descrito anteriormente, a problematização é feita em dois segmentos distintos, o primeiro focado no material e o segundo na experiência do usuário final com aquele.
A definição dos problemas, nesta fase, é feita a partir da análise das escolhas gráficas e sintaxe utilizadas no modelo atual em comparação com demais publicações da mesma vertente (i.e. guias, catálogos). O objetivo é observar os com-ponentes presentes em outros materiais a fim de estabelecer padrões utilizados, solu-ções bem sucedidas e traçar paralelos com o material utilizado a fim de identificar as deficiências e possibilitar idealização de soluções.
Os aspectos de problematização estão sendo separados para garantir que os problemas encontrados nesta fase possam ser, ou não, corroborados pela pesquisa de experiência com o usuário, facilitando o processamento de quais altera-ções e implementaçõs no processo de comunicação visual devem ser feitas.
Além disso, a verificação de modelos paralelos permite visualizar previa-mente o tipo de conteúdo empregado por essa vertente de materiais informacionais. Serão analisados três exemplos de publicações, com base em uma metodologia es-pecífica, e por fim será estudado o caso do material utilizado pela COHAPAR com a sumarização dos problemas a serem sanados.
4.1 ESTUDO DE CASOS SIMILARES
A observação de materiais similares possibilita a compreensão do fun-cionamento de guias e catálogos a partir do entendimento da sintaxe utilizadas e técnicas empregadas na mecânica da comunicação com o usuário. Podem ser obser-vadas não apenas possibilidades viáveis ao projeto, mas também eliminar soluções que não se mostrem condizentes com a proposta.
Tendo em vista a especificidade do material aqui proposto, entende-se que não será possível encontrar publicações com o mesmo conjunto de informações e objetivos aqui colocados. Considerando a função de guias ilustrados, de facilitar a compreensão de um dado tema a partir da tradução de informação verbal à informa-ção visual, e de catálogos, de apresentar determinado conteúdo através de imagens, podem ser traçados paralelos com o projeto aqui descrito.