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Zero, 2014, ano 33, n.4, jul.

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(1)

e

"

CURSO DE JORNALISMO

DA

UFSC

FLORIANÓPOLIS,

JULHO DE 2014

ANO

XXXIII,

NÚMERO

4

.'

• I

quarela

sobre

papel,

OxO

cm)

Lentidão

nas

políticas

públicas

emperra

investimentos

na

Cultura.

A

consequência

é

um

artista

Insatlsfelto

e

com

pouco

espaço

para

mostrar

sua

arte. O

cenário

fica

ainda

pior

com a

incerteza

nas

datas dos

editais

e a

falta

de

investimentos

nas

produções

locais

(2)

Quando

se ouve

mais,

maior

é

a

chance de

acertar

o

tom

Nesta

edição

temática de

outubro,

a

equipe

do

Zeroprocu­

roumostrarondeestãoos

principals

problemas

eobstá­

culosparaodesenvolvimento da culturaem

Florian6po­

lis.

Queremos

exporaburocraciaquedificultae

Impede

quenovasideiassetomem

projetos,

aausência deuma

política

pública

consistenteemais

igual,

além da falta deespaçofísicoefi­

nanciamento para muitos

projetos.

Percebemosa

dificuldade,

e ao mesmo

tempo

a

importância,

deenxergaroque existede novidade

artística

surgindo

na

Ilha,

assimcomo oque estáse

perdendo

com o

tempo

edeveserconservado historicamente.

Paraentendera

situação

deumamaneira mais

ampla,

oZero

promoveuumCafé reunindoartistasdediferentesáreasem

Flo-OMBUDSMAN

NILSON LAGE

rian6polis.

Em maisdeduashorasdeconversaedebate

aberto,

a

equipe

do

jornal

tevea

oportunidade

de ouvir

opiniões

muito

diferentes,

conhecer melhorotema,asdeficiências daculturae o

cenário artísticoda

capital.

Além do conteúdo quevocê vaiencontrarnas

páginas

centrais

do

jornal,

oencontrofoiuma

experiência

quefavoreceutodasas

reportagens

desta

edição.

Vimos queos

problemas apontados

no

poder público

não

Impedem

aclasseartísticadesemobilizareque

há,

sim,

interesseemmelhorara

situação

atual.O

diálogo

nosper­

mitiuolharparaas

pautas

deoutra

maneira,

abrindonovosques­

tionamentos,

nãosónaáreada

cultura,

mastambémno nosso

trabalho.Vunos que é

possível

pensaroutrosformatos de

apuração

além daentrevista

individual,

eque abrirumdebateéumamanei­

ramuito

produtiva

de gerar conteúdo diferenciado.

Durantetrêssemanas,conversamoscomrendeirase

pescado­

res,ouvindosuas

tradições

ehist6rias

açorianas.

Acompanhamos

escolas desambana

preparação

do carnaval

manezinho,

além

de

questionar

os

grandes

eventoscomerciaisda

capital.

Olhamos tambémparaa nossa

propria

Universidade,

com seusespaços,pro­

jetos

edificuidadesna

promoção

daculturaentreosacadêmicos. Sabemosqueumassuntocom o

porte

da Culturanão iráse

esgotar

nas

páginas

queoleitortemem

mãos,

epor issooconvi­

damosa escreverparanossa

equipe

casosintafaltade

algum

tema

nãoabordadona

edição.

O feedbackserá muito bem vindo!

bom conhecimento de leisemconcursopara

juiz

e,

daí,

se

julga

capazde

impor

acomprade

próteses importadas

desnecessáriasou a

adoção

detratamentoscaros e sem

eficácia

comprovada.

Issotudo deixaimensamentefelizesosgestoresde

pia­

nosde

saúde,

clínicas

particulares,

terapeutas,charlatães etodos maisque,em

lugar

de cuidar da

saúde,

comoé

dever do

Estado,

tratamda

doença,

queéoseu

negócio.

Eles sabemquetêm

poderosos

aliadosno

serviço

pú­

blico:

-osque lutam para preservarsuairracionalidade.

Nomais,otrabalhodareportagemfoi bom.Lamento

que,no

infográfico,

tenham

esquecido

asUPA maisperto

aqui

decasa,umadas

grandes,

junto

à

estação

de ônibus

doTrevodoRio Tavares.

Nilson

Lage

é

jornalista,

teórico da

área,

ex-professor

daUFSCe

UFRJ.

ERRATA

Na

legenda

da reportagem sobre o

lixo

hospitalar,

na

página

cinco da

edição

de

setembro,

o verbo "recor­

re" foi mal

empregado, pois

dá a

entender que o

serviço

terceirizado

éinsuficientenos

hospitais públicos.

Aindanessamatéria o

primeiro

pa­

rágrafo

traz a

afirmação

incorreta:

"O último grupo passa porumtrata­ mentode 50minutosnaautoclave". Sendo que esses resíduos são cole­

tados

pela

empresaProactiva,enão

processados pelo

HU.

Namatériada

página

oito,sobre de­

pendentes químicos,

otermo correto

é comunidades

terapêuticas

e não

residências

terapêuticas.

Quando

o

professor

Tadeu Lemos citoua

ação

do

Estado,

sereferiu "a

rede

pública

desaúde".

-r

o

diagnóstico

Zero

das

doenças

da saúde

O

grande

méritoda

edição

doZerodedicadaaoaten­

dimento à saúdeem Santa Catarinaé queevidenciaos

principais

problemas

do setor, quesãotambémosdo

país.

Pode-se

imaginar

um

serviço

público

comfuncioná­

rios bem pagos,

concursados, diplomados,

estáveis,

segu­ ros,embaladosno

berço

da

pátria-mãe

-sempre

dispos­

tosacobrar os seusdireitose sem nenhuma

obrigação

que de fato lhes possasercobrada.

Nessaestrutura

ideal,

osservidoresnotopodacarrei­

ra, como acontece no

Judiciário,

determinarão salários emescala para

todos,

auxílios para

moradia, educação

dos

filhos, férias, qualquer

outra

prenda imaginária.

Trabalharãoseishoraspor

dia,

comoqueremosservi­

dores daUfsc. Porquenão cinco? Ou

quatro?

Ouapenas dois dias porsemana?

Seráum

serviço

público

pequeno, voltadoparaafeli­

cidade deseus

partícipes.

Infelizmente,

avidanãoéassim.

É preciso

fazer

algo

que

funcione,

voltadopara

aquele

quenãofalagrosso:odoente.

Háenormedistânciaentremédicoseminíciodecar­

reiraquenão aceitamtrabalharpor cincomil dólaresao

mêse acostureira quemuito não consegue enfiara

pontada linhana

agulha

porque

precisa

deumacirur­

gia

decatarata

-procedimento

que

geralmente

nãodura

mais quedez minutos, tem

pré

e

pós-operatórios

muito

simples.

Háséculos de retardona

concepção vigente

de

hospi­

taisemqueacomprade material deconsumo

depende

de

burocracia

insuportável,

sob

vigilância

deumaestrutura

de

fiscalização

gigantesca,

mais cara,além de

castradora,

do quea

máquina produtiva.

É

difícilviversobopesodeumsistemade valoresse­

gundo

o

qual

o

sujeito

fazum cursodeDireito,demonstra

vocênãosabe

oque é ARTE!

/

D

E-mail

-zeroufsc@gmail.

com Telefone

-(48)

3721-4833 Facebook

-jjornalzero

Twitter- @zeroufsc Cartas

-Departamento

de Jornalismo - Centro de

Comunicação

e

Expressão, UFSC,

Trindade, Florianópolis

(SC)

- CEP: 88040-900

Na próxima semana, o leitor

poderáacessar oconteúdo dojor­

nal com interatividade, materiais

extrasevídeos. É oZero+, aplica­

tivo desenvolvido como atividade de extensão do projeto "Jornalis­

mo para Tablet's", da professora

do curso de Jornalismo da UFSC,

Rita Paulino, com a participação

de bolsista e alunos voluntários.

Paranavegarpelo Zero+,bastaen­

viarume-mail para rcpauli@gmail.

com, solicitandooaplicativo.

Arte:LuizFernandoMenezes

Zl80

JORNALLABORATÓRIOZEROAnoXXXIII- N°3- Junhode 2014REPORTAGEMAlineTakaschima,Ana

Domingues, AylaNardelli, DanielGarcía,DayaneRos,GuilhermeLongo,

Guilherme Porcher,luriBarcellos,JoãoVítorRoberge,KauaneMoreira,LuizeRibas,PrisciladosAnjos,RenataBassani,RicardoFlorêncio,Tamires Kleinkauf,ThalesCamargo

FOTOGRAFIAAlineTakaschima, Ana Domingues,Ayla Nardelli, Dayane Ros, Guilherme Longo, Luize Ribas, Renata Bassani, Ricardo Florêncio,TamiresKleinkauf

EDiÇÃO

Ana Domingues, Ayla Nardelli, Daniel García , Gabriel Shiozawa, Guilherme Longo,Guilherme Porcher,João VítorRoberge, Luize Ribas,Priscila dosAnjos, Renata Bassani,

TamiresKleinkauf, ThalesCamargo

DIAGRAMAÇÃO

Ana Domingues, Ayla Nardelli, Carlos Estrella,JoãoVitor Roberge, GuilhermePorcher, Luize Ribas, Priscila dos Anjos

INFOGRAFIAGuilhermePorcherCAPA Julia FerrariPROFESSOR-RESPONSÁVELMarceloBarcelosMTbjSP25041MONITORIACaioSpechoto,GabrielShiozawaIMPRESSÃO

Gráfica GrafinorteTIRAGEM 5 milexemplares

DISTRIBUÇÃO

Nacional FECHAMENTO 15 deoutubro

Melhor JornalLaboratório- I PrêmioFoca

SindicatodosJornalistasdeSC 2000

30 melhorJornal-Laboratóriodo Brasil EXPOCOM 1994

������

MelhorPeça Gráfica SetUniversitárioj

PUC-RS 1988, 1989,1990, 1991, 1992e 1998

(3)

Centro de Cultura

outros

teatros

Comumespaço cultural amenosnacidade,resta

às

produtoras disputar

os

outros teatrosde Florianó­

polis.

Administrada

pela

Fundação

Catarinense

de

Cultura,

a

agenda

do AdemirRosa,noCentro

Integrado

deCultura

(CIC),

está

completamente

preenchida

atéodia20de

dezembro,

quando

encerra ocalendário deeventos.

O coordenador dolocal,

Osni

Cristóvão, explica

que atéas

segundas-feiras,

dias

emqueos

funcionários

têm

folga,

foram

disponi­

bilizadas para atenderà

grande

procura. Outras 30

produções aguardam

numa

lista de esperaem casode

cancelamentos. Já noTeatro

Álvaro

de Carvalho

(TAC)

ademanda fazcom que

produções

vol­ tadasàs

criançaS

e, outras

ao

público

adulto,

sejam

realizadasno mesmodia

-algo.

que,

segundo

Osni,

procurava-se evitar.

Diferente

daJJFSC;

onde'

o

aluguel

do espaçopara

eventosque cobram

ingres­

socustaovalor fixodê

R$

.

'

4

mil;

nosteatros da

FCp

o

prew da

10cMão va.ria

de

acordo

coma.bilheteria.:

'.

.

Grupos

catBrinenses

pagam "

,

,

'5%

,da

arrecadação:

'ESse

<

valôr êde

10%.'para

com­

panhias

deoutrosestados.

As

produções

que nãoco­

bram

ingressos

pagam R$

2 mil

-exceto

formaturas,

cuja

taxaé de R$ 10 mil. NoTAC são cobrados 50% de todosesses mesmos

preços.

Emboratambém

sejam

espaços

públicos,

nem no

AdemirRosa,nem noTAC existem editais. Uma

co-licitação restringe

eventos

Shows

ou

peças teatrais

externos

à UFSC não

acontecem

há dois

anos

em a

liberação

de um edital

paraa

ocupação

do Auditório

]

z

Garapuvu,

2014 vai

chegan-do ao fim sem que nenhum

grande

showou peça teatral

profis­

sional tenha

passado pela

UFSC, O

maior teatro de

Florianópolis,

com

capacidade

para 1371 pessoas, há

dois anos, não

pode

receber

produ­

ções

externassem

licitação, Segundo

a Secretariade Cultura dauniversi­

dade

(SeCult),

ocalendário do local

estaria quasetodo dedicado asemi­

nários,

palestras

e outrasatividades

acadêmicas,

inviabilizando uma

publicação

dedicada à comunidade

em

geraL

Emdoisanosde

restrição,

apenas seiseventossem

ligações

com

a UFSC foram realizadosno local

-todosem 2013,ano emqueoúltimo editalexternofoi aberto.

Rosemarda

Silva,

coordenadora

da

SeCult,

diz que esse cenário se

deveàs

mudanças

nasregrasdeuti­

lização

do espaço,propostasem ou­

tubro de2012

pela

Procuradoria da

UFSC,

após

detectar

irregularidades

em

produções

que aconteciam sem

contratos.A

partir

daía

ocupação

do

localpassou a ser

regulada

pordois

editais

lançados

anualmente:umin­

terno, destinado à

própria

universi­

dadeeoutroexterno,

lançado

poste­

riormente para atendera

população

em

geral

com osdias excedentes.

Noentanto,umrelatório

divulga­

do

pela

Coordenadoria ---­

de Eventos da UFSC,

com todos os

projetos

realizados de

janeiro

aoutubro e os

previs­

tosaté ofinal do ano,

mostraqueolocal

poderia

terrece­

bidomais

produções.

Nodocumento é

possível

constatarquesefossecon­

tabilizado apenas o

período

em que oúltimo editalliberou datas paraos

eventos externos- entre

15 de abrile

20de dezembro de 2013- restariam 67 dias

disponíveis.

Uma das razões para tantos dias

ociosos

está nos

cancelamentos,

apontaa

responsável

pelo

setor,

Thayse

Cherem.

Outro motivoda falta de procura

do local foiofechamento doCentro

de Cultura e Eventos aos sábados e

domingos,

diasem que aprocura

pelo

teatro aumentava.Desta

forma,

amaiorpartedos dias excedenteses­

tariaconcentradonoiníciodasema­

na,

período

que,supostamente,seria

demenorinteresseparaos

produto­

resde

grandes espetáculos.

Trabalhando há 30 anos com a

realização

de eventos,Luiz

Henrique

Costa,diretor da C5

Produções,

expli­

ca queasmelhores

arrecadações

de shows costumam acontecernosdias

Últimoshowrealizado,semedital,noauditórioGarapuvufoi dacantora Maria Rita emsetembro de2012

úteis. Um

exemplo

disso foi a apre­

sentação

de

Angela

Maria e

Cauby

Peixoto,nodia 23 de

setembro,

terça­

-feira.

o

principal público

de peças

teatraisinfantissãoalunosdeescolas

quelotamosteatrosduranteasema­ na.

ParaLuiz

Henrique

Costaos dias livres

poderiam

ser

ocupados

caso a

UFSCadotasse as mesmas re­ gras deoutros teatros, onde a

licitação

Falta de edital

em

2014

impede

uso

do espaço

nãoé necessá­

ria: "Alei que espaços

públicos

devem

serlicitados paraserem

ocupados,

de 8

fatoexiste. Mastambémexiste

juris-t

prudência

que

permite

apenas um <f.

contratodeusodo espaço.SenoBra-

:§ silinteiroéassim,porquenaUFSCé '"

diferente?"

Oeditalinterno paraa

utilização

do Centro de Cultura e Eventos em

2015 foi abertonoúltimo dia6eestá

previsto

paraencerrar no dia 14 de novembro.

as

possíveis

datasexce­

dentes serão licitadasem um edital

externoaindasem

previsão

paraser

lançado.

Mas mesmo que destavez

ele

seja

publicado,

Luiz

Henrique

Costa e as demais

produtoras

difi­

cilmente entrarão na

disputa.

Para

ele,

o edital dificulta a

participação

das empresas que trabalham com a

agenda

deartistaseque

precisam

de flexibilidade de datas.

Além

disso,

caso

haja

mais ínte­

ressados em um mesmo

dia,

uma

Comissãode

Seleção

fariaaescolha

baseada em critérios que

priorizam

eventosde caráter

acadêmico,

cientí­

fico, cultural, educacional, religioso

ouartístico. "Com tudoisso nãotem

como umshow de

humor,

porexem­

plo,

competir

com um seminário.

Fizeram

algo

pra gentenem tentar,

tanto que quase

ninguém

tentou"

reclama o

produtor,

referindo-se à

baixa procuranoedital de 2013.

Em

outubro,

Luiz

Henrique

Cos­

tanão tem nenhum show marcado

para

Florianópolis,

devidoàfalta de

disponibilidade

nos outros

grandes

teatros que a cidade

dispõe (veja

abaixo).

"Temosumalista deeventos

para passar por

aqui

masnãotemos

onde fazer. O Centro de Cultura e

Eventos daUFSC seria um

comple­

mentonecessário.

Quem

perde

com

issoéa

população

que ficacom me­ nos

opções culturais",

lamenta

Guilherme Porcher

[email protected]

OS PRINCIPAIS TEATROS

DE

FLORlAN6POus

�'13,lt� t���oJeO.;>'l_,t,_ ���1ftfl<(.·1h"l<!to� '�""Ir�... ��� � c:rrll!ll�_Wbà.ae ��.f�e.t.$ 44L"'� �I":RII"'" .���.o-. .,_ '\"'�.Ú!;1iíIII.,. í.II'"

....

'lIIJMI...l,...· �,...�:t.� "L',!;��Cífd1_1IIt� ...�IO!.,.,....

ZEBO,

outubro de 2014

(4)

UFSCTock

aindamaisofestival.Deacordocom

Midiã,

dois estudantes do campus de Curitibanos

demonstraram inte­

resse.Aindanãohá alunos de

joinvil­

IeeBlumenau interessadosemlevar oUFSCTock paraseus

campi.

Ela des­

tacaaindaa

importância

doevento

paraos

organizadores

eparao

públi-co:além deser

Campus

de

Araranguá

realiza

festival

Estudantes buscam finaciamento alternativo para viabilizar

o

evento

na

cidade,

em

outubro

C

om a

quinta edição

progra­

mada parao início de no­

vembro,

o UFSCTocktem se

consolidado como um dos

principais

festivais de música índe­

pendente

de

Florianópolis.

Ao

longo

deuma semanasãorealizados sho­

ws,

exposições,

oficinase

debates,

que

contamcom a

participação

de apro­

ximadamente dez mil pessoas. Mas

em

2014,

o

festival, pela primeira

vez,

nãose

restringirá

somentea

Capital.

Nosdias 17e18de

outubro,

Araran­

guá

também recebeoevento,

organi­

zado

pelos

estudantes do campus.

Essa nãoéa

primeira

vezqueos

alunos de

Araranguá

tentam prepa­

rar uma

edição

dofestival.

Segundo

Midiã

Fraga,

estudante de

Design

e

membro da comissão

organizadora

de

Florianópolis,

no ano

passado

os

estudantes

se mostraram interes­

sados,

mas o tempo não era hábil para

organizar

o UFSCTock. Diante

disso,

resolveram esperar até 2014.

Umdos

grandes problemas

paraa

organização

éafalta deeventoscul­

turais no campus.

Segundo

Marcio

Forbeci e Lucas

Ferreira,

estudantes de

Tecnologia

de

Informação

e Co­

municação

e

organizadores

do fes­

tivalem

Araranguá,

háuma

grande

quantidade

de alunos

apoiando

a

realização

doevento,

porém

estãore­

ceososporser a

primeira edição.

MárcioeLucas criticamaatitude da

reitoria,

considerando o ato um

boicote.

"Apresentamos

o

projeto

e

pediram

orçamento,

cumprimos

o

pedido

e começaram a dizer que o

problema

era

operacional,

mas a

Universidade é a mesma e ofestival o mesmo", afirmaram os estudan­

tes. O fato de os

campi

do interior nãoestareminclusosnas

resoluções

de festas também acaba sendo um

entravena

negociação.

"Não temos

nenhum

apoio

porpartedareitoria

e Secretariade Cultura daUniversi­

dadequedeveriam

apoiar,

estimular

Cartaz doeventode Florianópolis

edar

condições

à

expressão

artística emtodosos

campi",

afirmaLucas.

Outro

problema

é a

liberação

de

verbas.Deacordocom os

estudantes,

haviaum

compromisso

firmado

pela

reitoria para financiar o evento, o

que acabounãoacontecendo.A

equi-"Não

temos

nenhum

apoio

por

parte

da

reitoria da

UFst"

pe doZEROentrouemcontatocom o

gabinete

da

reitora,

masatéofecha­

mentodessa

edição

nãohavia recebi­ doresposta.Paraviabilizaro

festival,

a

organização precisou

correr atrás

de outros

patrocinadores

como o

Instituto FederaldeSantaCatarina,

além daCasade Culturae aPrefei­

turade

Araranguá.

No início de

2013, a

organi­

zação

do festi­

val,

também teve

problemas

com o financiamento

vindo da

Adminís-tração

Central, quando

foi anuncia­

do que não teria repasse de verbas

paraoUFSCTock.

Após

diversasma­

nifestações

de estudantes nas redes

sociaise

campanhas

com oscentros

acadêmicos, alguns

setores daUni­

versidade fizeram

doações,

oquetor­

nouviáveloevento.

Para

2015,

planos

de

expandir

uma

opção

de cultura para

Florianópolis

e um espaço de

divulgação

para artistas

independentes,

é ummodo deos estudantes apren­

derematrabalharnaáreacultural.

GuilhermeLongo [email protected]

Verba

disponibilizada

não

é suficiente

Por

falta de

projetos

culturais

administração

central

e

secretarias

assumem

financiamento

"ArteseCiência":Essa

expressão,

lor

repassado pode

variar,de acordo localizadanobrasão daUFSCmostra comas

determinações

doedital.

o

duas áreas essenciais no conheci-

segundo

funcionacomo oedital da

mentohumano.Noentanto,areali- Pró-Reitoriade Extensãoe financia dade éafalta de

projetos

naáreade exclusivamente

projetos

culturais. cultura e, mesmo

quando

ocorrem, Para

2015,

a SeCult tem

planos

de

não são

divulgados

com

frequência

lançar

novoseditais:paraprogramas dentro daUniversidade.Para ameni-

ligados

ao

projeto

Fortalezase para zar a

situação,

órgãos ligados

aad- atividades

acadêmicas,

como Serna­

ministração

central têm

ajudado

no nas eCafés.

financiamento

de

projetos.

Um dos

projetos

ligado

à Secre-APró-Reitoria deExtensão

possui

tariade Cultura é o

Fortalezas,

que

atualmente dois editais que

possíbílí-

tem como

função

manter, cuidar

tamofinanciamento de

projetos

de e

gerenciar

as quatro

fortificações

cultura. O

primeiro

é o

ProBolsas,

localizadasnaIlha deSanta Catari­

emque

professores

responsáveis

por na earredores. Sãoelas: Santa Cruz

projetos

de extensão ativosrecebem de

Anhatomirim,

Santo Antônio de bolsas quesão distribuídas aos alu- Ratones,São

José

e São Caetano da

nos

ligados

àsiniciativas. O outroé PontaGrossa,construídasnoséculo o

Proêocíal,

criadoem2014.

Segun-

XVIII para defenderSanta Catarina

do Maristela

Bertolini, pré-reitora

e

hoje

são

protegidos pelo Projeto.

adjunta

de extensão,

explica

que o Consideradas

patrimônio

histórico edital foi criado para

disponibilizar

nacional,

elas "nãotem

intervenção

verbas para

projetos,

epara compra nenhuma por parte do governo do

de materiais de consumo e

equipa-

Estado parasua

manutenção

e res­

mentos.

Atualmente,

entreos158 pe-

tauração",

comenta Roberto Torne­

didosdeferidosno edital de ProBol- ra.Além

disso,

não existeumaverba

sas,apenas 13sãoda área de cultura.

específica

parao

projeto

porparteda

Outrofinanciador de

projetos

éa UFSC paraas

funções. Atualmente,

a

Secretaria de Cultura

(SeCult),

por

equipe

éformada porumcoordena­

meio de seu edital ProCultura e o ,

dor,

dois funcionárioseoitobolsistas.

Bolsa Cultura.No

primeiro,

asinicia- O

Departamento

Artístico-Cul­

tivas

contempladas

recebem verbas tural

(DAC),

orgão

ligado

à

SeCult,

paraa

realização

deatividades.Ova- atuaemdiversas áreascom

íníciatí-Bolsa que alunos daOrquestradeCâmera recebem nâo é suficiente paraamanutençãodogrupoda UFSC

vas como o

Projeto

12h30eoFesti­

valFITA

Floripa.

Além

destes,

oDAC

também é

responsável pelas

oficinas

e a

manutenção

da Galeria deArte,

que atualmente está fechada devido àreforma doCentrode Convivência.

A

Orquestra

de

Câmara,

o Ma­

drigal

e oCoral da UFSC são

alguns

dos

projetos

permanentes

ligados

ao

DAC.

Atualmente,

os�sãocoorde­ nados

pela

regente Miriam

Moritz,

regente do Coral desde 2004. Além

deensaiossemanais,osgrupos reali­

zam

apresentações

em

Florianópolis,

nosdemais

campi

daUniversidadee

frequentemente

recebemconvitesde

prefeituras

do estado para tocar. A

Orquestra

e o

Madrigal

sãoformados exclusivamente por estudantes de

graduação, já

oCoraltemapresen­

çade

professores,

servidores,

alémda

comunidadeexterna.

Os'estudantes que fazem parte

da

Orquestra

edo

Madrigal

recebem

bolsas,

mas esseéoúnico auxílio fi­

nanceiro queos

projetos

possuem.Os

instrumentosutilizadosna

Orquestra

sãodos

próprios

membros.

Segundo

Miriam,afalta de verba

por parte da Universidade se toma

um

grande problema,

pois

os conser­

tosdosinstrumentosacabam saindo

deseu

próprio

bolsooudosalunos.

Quando

participam

de eventos em

outras

cidades,

o únicoauxílio que

recebeméoônibus. GuilhermeLongo [email protected] DanielGarcía [email protected]

ZERO,

outubro de 2014

(5)

Inovação

Novo

status

cultural

para

es

games

Grupo

da UFSC

produz

jogo

e

aposta

na

inserção

no

mercado,

em

expansão

no

Brasil

Desde

oinício dosanos

2000,

umdos mercados quevem

tendoomaior crescimento

noBrasil éode games.Dos

R$

200bilhões queomercadomun­

dial movimenta,

aproximadamente

R$

7 bilhões são mobilizados

pelo

mercado brasileiro que é o maior

consumidor da América

Latina,

se­

gundo

dados deuma

pesquisa lança­

da

pela

USP.Atualmente hácercade

45milhões de

jogadores

no

país,

ten­

doomaior crescimentonomercado

de

jogos

mundial.

Santa Catarinaéoquartoestado

do

país

commaiornúmero de desen­

volvedores,

atrás de São

Paulo,

Rio

Grande do SuleRiode

Janeiro.

Flo­

rianópolis,

comseuforte

pólo

tecno­

lógico

recebeu o

apelido

de "Vale do

Silíciobrasileiro".Na UFSCumgru­

potemsedestacadonasáreasacadê­

micae comercial. O

G2E,

ligado

ao cursode

Design

de

Animação,

lide­

rado

pela

professora

Mônica

Stein,

analisaomercadode gamesnoBra­

sil,

além de

produzir

o

jogo

indieThe

Rotfather. A

expressão

indie game,

criadanosEstados Unidosnadécada

passada,

sereferea

jogos

produzidos

por indivíduos ou pequenos grupos

semauxíliofinanceiro de empresase com

distribuição

foeadanomeiodi­

gital. Alguns

games,como

Minecraft,

BraideWorldofGoo são

exemplos

de

sucessonaárea.

Além de ser

comercial,

área que vem se

expandindo

nosúltimosanos nosetor

brasileiro,

o

jogo

é

politica­

mente incorreto. O game,

segundo

Mônica,

segueoconceitode metroíd­

vania,

um

gênero

de

animação

2D,

comfoconaestruturade

exploração

através da

ação

edaaventura.Para

chegar

a esse

conceito,

ogrupo pen­

sou nos formatos favoritos de cada

membro,alémderealizarpesquisas

de

amostragem.

A

dublagem

também foi decidida

após pesquisas:

chega­

ramà conclusãodequeseriamelhor

fazerversõesem

português

e emin­

glês, pensando

emsuacomercializa­

ção

nomercado internacional.

The Rotfathercontaahistória de AlCane,umratoque,nadécadade

1940,

descobreedominaumafábrica e ocomércio de

açúcar

nos

esgotos,

noestilo de

produções

sobreamáfia.

O

jogo,

criado para

desktops,

começa

quando

um grupo de

baratas,

mer­

cenárias,

tentaassassinar Cane mas

não tem sucesso. Com a

ajuda

de

outrosanimaiscomosaposecarpas,

ele volta parase

vingar

daqueles

que

tentaramassassiná-lo. O

público-al­

vodo

jogo

são pessoasfãsde games

de

ação,

politicamente

incorretos e

principalmente

nafaixa dos20anos.

"Estamos fazendo um

jogo

que nós

queremos

jogar",

afirma Carolina

Lisboa,

estudante de

Design,

mem­

bro do grupo desde 2012 e diretora

dearte.

Aideia paraogrupo

surgiu

atra­

vés da

sugestão

deum

estudante,

por

nãoteressaárea de estudonaUFSC.

Além dos games, o grupo passou a

analisar toda a

gestão

de

design

e a

produção

transmídia envolvida

(Histórias

em

quadrinhos,

anima­

ções,

Fanfics,

entre

outros).

Porisso,

a

produção

não envolvesomente o

game.Osmembros

desenvolvem,

si­

multaneamente,

animações,

action

figures,

jogos

detabuleiroe livrose

umatrilhasonora

original.

Primeiramente,

chegaram

apen­

saremfazerum

jogo

casualouedu­

cativo,mas desistiram da ideia por

umavontade dos alunosem

produzir

umgame queseinserisseno merca­

do. Ogrupo começou adesenvolver

o conceito final do The Rotfather

no

segundo

semestre de 2011 e no

ano

passado,

fizeram sua

primeira

apresentação

no

SBGames,

um dos

principais

eventosdosetorno

país

e

foram bem recebidosaomostrarsua

produção

artística.

A

equipe

contacom27 alunose

formados de diversos cursos como

Design,

Letras,

Sistemasde Informa­

ção,

alémde estudantes de Músicana

UDESCe Publicidadee

Propaganda

naEstácio de Sá.

Porém,

onúmerode

bolsas é pequenoeamaior

parte

dos

colaboradores

participam

como vo­

luntários. Eles são divididosemáreas

comoarte, que

produzem

cenários,

concept

art,

animação

e

design

de game,

roteiro,

áudio,

trilha sonora

e

programação,

assumindo

funções

verdadeiras da indústria. "Se o

jogo

Santa

Catarina

é

o

quarto

maior

estado

no

país

emnúmerode

desenvolvedores

de games,

atrás

de

SP, lU

e

RS

dercerto,todomundovaisebenefi­

ciar. Seo

jogo

der

errado,

todomun­

do vai

perder",

afirmaa

professora.

A

falta de verbas da Universidade tem

se mostrado um entrave. Com um

maior número de

bolsas,

segundo

Mônica,

o

prólogo já

estaria

pronto.

Atualmenteérealizadono

país

o

principal

festival dosetornaAmérica

Latina:aBrasil GameShow.Seu

cres-Equipetrabalhapara finalizaroprólogoatéJulhoparaapresentaçõesemeventosnacionaiseInternacionais

cimento mostraa

importância

quea

áreatem

ganhado

no

país.

Em

2009,

anoda

primeira

edição,

o

público

foi

de4 mil pessoas.

em

2014,

mais

de 250 mil entradasforamvendidas.

Alguns

dos motivos

apontados

parao sucessodo mercado de gamesno

país

éa

fidelização

do

público

e o acessoà

conexõesdeinternetde melhor qua­

lidade.Porisso empresascomo

Sony

eaMicrosofttêmfeito

grandes

inves­ timentos por

aqui.

Um

exemplo

é a

comercialização

do Xbox

One,

con­

soleda Microsoft.Aempresa incluiu

o

país

entreos

primeiros

arecebero

aparelho,

ainda em

2013, enquanto

países

como

Portugal

e

Japão

ainda

esperampara iniciarsuasvendas.

Para

ajudar

a aquecerosetor, o

BancoNacional de Desenvolvimento EconômicoeSocial

(BNDES) lançou

uma

pesquisa

em

julho

desse ano

fazendo umaanálise sobrea indús­

triade gamesno

país

e

apresentando

propostas

para incentivara

produção

de

jogos originais,

partindo

tantoda

inciativa

pública

quanto

da

priva­

da,

além de

sugerir

queasempresas

criem mais

propriedades

intelectu­

ais,

para queseus

produtos

possam ser comercializados no Brasil e no

mundo.No ano

passado,

o

jogo

To­

ren,

produzido pelo

estúdio

gaúcho

Swordtales foi o

primeiro

aprovado

pela

Lei Rouanet paraa

captação

de

recursos, sinalizandouma

mudança

nos

incentivos,

até entãofoeadosem

jogos

educativos.Para

Mônica,

essa

é umadas razões para a

produção

transmídia:mostraras

possibilidades

de

movimentação

econômicaparaa

indústria nacional. "O mercado de

games

hoje

é feito por pessoas que

decidemse reuniredesenvolverum

produto,

mas são

produções

peque­

nas.O mercado

aqui

noBrasil não

tem infraestrutura nem

dinheiro,

porque não évistocomo uma neces­

sidade por

parte

do

governo",

afirma.

A

pesquisa

também determinou

que, mesmo que

seja

o

quarto

país

do mundoemconsumir

videogames,

é

preciso

uma nova

política pública

por

parte

do Governo para queoBra­ sil possaser

competitivo

nomercado

produtor,

que édominado

pelos

Esta­ dos

Unidos, Canadá,

a

China,

Coreia do Sul e

França.

Para a

professora,

uma

solução

paraocrescimentoda indústria no

país,

seria a

criação

de

clusters,

onde setores

diferentes,

como games, cinema e musica se

apoiam

em uma

região

geográfica.

Outrabarreiraa ser

ultrapassada

pelo

mercado é a visão dos games

como elemento não-cultural. Isso

interfere diretamente com

possibili­

dades de financiamento. Por serem

enquadrados

como

"jogos ilícitos",

os

juros

de

empréstmos

feitosnos

ban-cos

públicos

acabamsendomuitoal­

tos.

Assim,

sãocolocadosno mesmo

patamar

de

produtos

como oscaça­

-níqueis.

Em

novembro,

os estudantesre­

alizarão uma

demonstração

naSB­

Gamessobrecomofuncionaadinâ­

mica do

grupo.Já

para2015,o

plano

é finalizar o

prólogo

do

jogo

para

apresentações

emfestivaisnoBrasil

e no mundo. A

partir

da

recepção,

serádiscutidoa

produção

da

trilogia

do

jogo.

Por

enquanto,

sãorealizados

testes com o game em umaversão

beta

pelos

alunose

convidados,

para

analisaras

etapas

concluídas. Daniel García [email protected] GuilhermeLongo [email protected]

í

ZERO.

outubrode 2014

(6)

Educação

Falta

de verba

emperra

graduação

Criação

de

curso

de

dança

na

Udesc requer

R$

7 milhões para

ser

implantado

na

capital

e em

Joinville

primeiro

curso

superior

de

dança

em Santa Cata­

rina, está

próximo

a sair

do

papel, após

umaespera

que duramaisde20 anos,

quando

o

primeiro

pedido

foi encaminhado à

administração

da Udesc.A

implanta­

ção

depende

agora deuma

mudança

no

artigo

171 da Lei da

Educação

Superior,

que

permitiria

aoGoverno

do Estado o repasse de verbas para

viabilizar,

fundare mantero curso.

Caso a Assembleia

Legislativa

vote

favorável à

alteração,

a

previsão

éde

queo

próximo

vestibular

já ofereça

a

Licenciaturaem

Dança

paraoinício

das aulasem2015.

Aluta

pela

criação

docurso co­

meçouem

1991,

quando

a

professora

de Teatro da

Udesc,

Sandra

Meyer,

iniciouum

projeto

pedagógico

como

apoio

de

alguns profissionais

e aca­

dêmicos da área das artes cênicas.

Na

época,

a

administração

priorizou

outroscursos commais

demanda,

e a

dança

ficounafila. Sóem2005o

projeto

foi finalizadoeencaminhado

para a universidade que demorou

mais oitoanosparaaprovaro curso.

No ano

passado

o Secretário de

Educação,

Eduardo

Deschamps,

se

comprometeua

apoiar

o curso com averba necessária. "Mas nodia 11

de fevereiro deste ano,ele disse que

aSecretaria nãotinhamais

verba",

Aulas de trabalho

corporal

suprem

parcialmente

alacuna lembra Sandra.

Deschamps

foipro­

curado por duas semanas para fa­

lara

respeito

com a

equipe

do

Zero,

porém

não mostrou

disponibilidade

paraaentrevista.

Para o assessor da Reitoria da

Udesc, Thiago

Augusto,

a demora noprocesso do repasse de verba está

dentro do

esperado quando

são cria­

dosnovos cursos."O

projeto

docurso

de

dança

segueatramitaçãonormal

e,como osdemais

projetos

denovos

cursos,

precisa

da

garantia

derecur­

sosparasua

implementação".

Ocaminho paraa

graduação

em

dança

noEstadonãoficourestritoa

Florianópolis.

Em fevereiro do ano

passado,

o diretor

geral

do Centro

de Ciências

Tecnológicas

(CCT)

da

Udesc,

Leandro

Swirkz,

demonstrou

interesse na

graduação

em

dança

tambémem

Joinville.

A

partir disso,

foi acordado quea busca por verba

junto

aogoverno,novalor de

RI

7 milhões ao ano, financiaria a im­

plantação

docurso em

Florianópolis

e

Joinville.

O Governo defende que

umrepassenovalor de

RI

4 milhões

Em

junho

desteano,o

pro-reitor

da

graduação

da

UFSC,

Rogério

LuizdeSouza,convocou

algumas

pessoas interessadasna

criação

de

umCentrodeArtesnauniversidade.Oresultadoda

reunião,

queteve

apresença de

representantes

do

CDS, CCE,

SeCulte

PROGRAD,

foia

promessa,porpartedo

pró-reitor,

deumFórumdasArtespara chamar

atenção

da comunidade universitáriaeentãoanalisara

possibilidade

da

criação

deum

projeto

paraapresentarà

Administração

Central.

A

criação

deumCentrodeArte

exigiria

mais

verba,

servidores téc­

nico-administrativos,

professores

e

infraestrutura,

afirmao

pro-reitor.

"Tenhoreceioemmobilizaraspessoasenãorecebernada do governo.

Oorçamentodestinadoaesse anofoio mesmodoano

passado,

e as

coisasficammaiscaras acadaano",

complementa.

ParaSouza,a

ampliação

dasartes naUFSC teriaum

papel

fun­

damental para

aproximar

aspessoasediminuira

discriminação

que

existe:"Ocentro

tecnológico

eoscentrosde humanastemrixahámui­

to

tempo,

eaarteiriainfluenciaressecomportamentoao ser

espalhada

pelos

espaços daUFSC. Aarte temo

objetivo

de

ajudar

a

compreender

as

situações

vividas".

ao ano

poderia

ser

feito, garantindo

ao menos o curso noNortedo Estado.

No entanto, nem a reitoria da

Udesc,

nem o grupo de

professores

que idealizaram o

projeto

original

pretendem

que ocurso

fique

sóem

Joinville.

Para Sandra

Meyer,

a ca­

pital

temasededoCentrodeArtes

(Ceart)

daUDESC,oque

proporciona

uma

ligação

maiorentre as outras

artes, fortalecendoocenário artístico ecultural da cidade. ''Temosa

pre-ocupação

de queo curso existaem

Joinville,

é

claro,

masémuito

impor­

tante que ocorra

aqui

também. Foi

em

Florianópolis

quea

dança

come­

çou, queos

primeiros

grupos foram

criados.Tem muitahistória

aqui,

tradição

e umaprocura

grande."

AnaDomingues

[email protected]

João VítorRoberge

[email protected]

Curso

de

Cinema reivndica

melhores

condições

Apesar

das

mudanças conquistadas,

ainda

faltam

espaços

adequados

para

sua

formação

profissional

Ao entrarna sala do

Cineclube,

projeto

deextensãodocursodecine­

madaUFSC,é

impossível

não reparar noseu mau-cheiroA

sensação

é de

quemorreu

alguém

ali dentro.

Quem

seatreveaentrarnelase

depara

com um

porta-arquivos

cinzae um

velho,

porém

bem

conservado,

sofá

bege.

O

chão,

bastante

sujo,

acabou de ser

trocadonumareformarecente.

Nele,

encontram-se

pedaços

caídos doni­

nho que um

pássaro

construiu em

cimadoarcondicionado

split.

Inves­

tigando

aáreaem

volta,

descobre-se

omotivodomaucheiro: háum

pás­

saro marrommortoali.

Esse é um

exemplo

extremo da

situação

em que estava o curso de

Cinemaatémaiodesteano.Foines­

sa

época

que os alunos decidiram

organizar

umagreve estudantil.Por

dez

dias,

eles

paralisaram

as ativi­

dades da

graduação

com o

objetivo

de resolver três

grandes problemas:

falta de

professores,

falta de labora­ tórios e a ausência de um servidor

técnico-administrativo

especializado

na área.Porcausa dessas

questões,

haviaaameaça docurso serfechado

pelo

MEC,

pois

os

requisitos

mínimos

defuncionamentonãoestavamsen­

do atendidos.

Nos meses

após

a greve, a situ­

ação

do curso melhorou bastante.

"Todas as nossas

reinvindicações

foram

atendidas",

comemora Carol

Morgan,

do Centro Acadêmico de

Cinema. "A greve foimuito ativae

contríbuíu para que tivéssemos su­ cesso emtãopouco

tempo", completa

Helena

Sardinha, presidente

do CA.

Novos

professores

foram

contratados,

eosdocentes ainda

ganharam

uma

sala

-algo

quenão

possuíam

antes.

Neste ano, foram contratadas

duas novas

professoras

através de

concursos,para dar aulas de

direção

cinematográfica

emontagem."Todas asnossasdemandas de

contratações

de

professores

foram

resolvidas",

diz

acoordenadora docursodeCinema,

Aglair

Bernardo.Anoquevemainda

será realizado um novo concurso,

paraaárea deroteiro.

Felipe

Gomes é o novo servidor

técnico-administrativo do Cinema.

Com seu estilo meio Steve

jobs

de

usar

óculos,

camiseta pretae

calça

jeans,

ele trouxe um conhecimento

técnico que estava faltando para a

parte administrativa do curso. Ele

ajuda

aidentificar

quais

equipamen­

tos

precisam

ser

comprados

emfutu­

ras

licitações,

além de queosalunos

ganham alguém

aquemrecorrer na

hora deusar ascâmerasemicrofo­

nes.

A

situação

do espaço físico éum

pouco maisdelicada.

Hoje,

não há nenhum estúdio para queosalunos

de Cinema possam usar para gra­

var seustrabalhos.-O

ideal, segundo

Felipe

Gomes,

é que ainda houvesse

umlocal exclusivo parasetrabalhar comáudio. Porenquanto,osalunos

improvisam

usando o Laboratório

de Estudos deCinema

(LEC),

e rea­

lizando as atividades de

fotografia

]

analógica

naUniversidade do Estado

de Santa Catarina

(UDESC).

Para

]

completar,

sãotrêssalas de aula para

ocursointeiro.

Um novo

prédio

de

4,6

mil mZ,

quecustoucercade

RI

16milhõese

farápartedo Centrode

Comunicação

e

Expressão

(CCE),

está sendocons­

truído.A

expectativa

éde que elere­

solvaesses

problemas.

Oedifício terá

umestúdio

multiuso,

que será usado

em

conjunto

pelos

alunos deCinema

edeArtes

Cênicas,

e umestúdio para

gravações

de áudio. O

problema

é queaconstruçãosó deveficarpronta

em2015.Casooprazo

seja

cumprido,

poderão

haver aulas neleno

pri­

meirosemestrede2016.Até

lá,

o

jeito

é

improvisar.

Carlos Estrella [email protected] Suelen Rocha [email protected]

ZERO,

outubro de2014

(7)

+-Políticas

públicas

Falta

espaço

e

verba

para

atividades

Em

Florianópolis

o

investimento

na

área

de cultura

é

tão

baixo

que

chega

a menos

de

um

real

por

habitante

da

cidade

Salas do

CIC

que

antes

serviam

para oficinas de

teatro

e

artes

hoje

sãe

usadas

como

depósitos

de materiais

Documentos

antigos,

tro­

féus,

cadeiras e armários velhos dividem espaçocom

livros didáticosecobertores na Galeria dos ImortaisCatarinen­

ses,noCentro

Integrado

de Cultura

(CIC).

Olocal é

amplo

efoiconstru­

ído para

abrigar

exposições.

Antesda

reformadoCICem

2009,

elaservia

paraoficinasdeteatroeartesecum­

pria

comasuafinalidade.

Hoje

éum

depósito,

uma

espécie

de

galpão

onde

são

despejados

materiais

antigos,

que

não tem mais serventia. Esteéore­

tratodeumadas salas sob responsa­

bilidade da

Fundação

Catarinensede Cultura

(FCC),

localizadanaalanão

restaurada do CIC.

A reforma em infraestrutura

custou

aproximadamente

R'

17mi­

lhõesaoscofres

públicos.

Emagosto,

o

jornal

Diário Catarinenseobteve

umrelatório da

museóloga

Uzandra

Felisbino,

com críticas à infraestru­

turado Museu da

Imagem

edoSom

(MIS).

Cercade

2.433

itens não esta­

vam

catalogados,

de um total de

3.800peças- en­

tre

filmes,

foto­

grafias,

discos e

equipamentos

an­

tigos.

Umadas do­

ações,

de discos de

vinil,

foi feita há

15 anos, um ano

depois

da funda­

ção

do museu.Os

itens seriam

enca-minhados

irregu-larmenteaSãoPaulo.A

mobilização

gerada pelo

vazamentodas íníorma­

ções

aumentouointeresse parasaber oquesefezcom odinheiro

público

destinado a

manutenção

do CIC.

Somente em

2014,

três

presidentes

assumiram a

Fundação

Catarinense

de Cultura.OZeroentrouemcontato

com aFCCparaconversarcom apre­

sidenteMariaTeresinha Debaltine o

diretor de

Preservação

do Patrimônio

Cultural,

Vanderlei

Sartori,

masatéo

fechamento do

jornal

nãoobteveres­

postadaassessoriade

imprensa.

A cada ano, o investimento na

área cultural vem diminuindo. Em

2012,

o sistema de financiamento cultural

lançou

oedital de

Apoio

à

Cultura

garantindo R$

1,2 milhão,

porem

entre2013e atéoinício de

outubro de2014nãoabriramnovos

editais.Nocomeço do

mês,

aSecreta­ riade Cultura de

Florianópolis

pro­

pôs

lançar

umedital de

Apoio

à

Cul-turanovalor de

R'

380mil para 17 áreas artísticas. O subsídio é concedi­ do

pelo

Fundo

Municipal

de

Cultura,

�_5

quecontacom

R'

650

miledeveser

-aplicado

prioritariamente

aos

proje­

tosculturais da

sociedade,

conforme

apontaoGuiade

Orientações

paraos

Municípios

do Sistema Nacional de Cultura.A setorial de audiovisuale

doteatrosãocontraaproposta,

pois

acreditam queovalor é insuficiente.

OConselho de Política Cultural está dividido. "Contando que

Florianópo-lis

possui

421 mil

habitantes,

o mu­

nicípio

investemenosdeumrealem

Cultura por

pessoa",

afirmao

diretor,

dramaturgo

e membro do Conselho

Setorial de

Teatro,)ucca Rodrigues.

Fátima

Lima,

professora

de Teatro daUniversidade do Estado deSanta

Catarina,

avalia queoPrêmioElisa­

bete Anderle deIncentivo à

Cultura,

criado

pelo

Estado,

e o PrêmioFu­

narte de Teatro

Myriam

Muniz, do

governo

federal,

é quemovimentam

ocenário culturalem Santa

Catari-na."Osartistasdo Estado não têm

salário,

não tem

comosobreviver".

Osecretáriode Cultura de Floria­

nópolis,

LuizEkke

Moukanel,

desta-ca que o

objetivo

do setor é

plane­

jar,

coordenar e avaliar as

políti-cas emCulturano

município.

Como

prioridade,

a pasta está realizando ummapeamentoculturalda cidade

por meiode uma

platafonna

cola­

borativae

digital.

Através do idCult

Florípa

(Sistema

Municipal

de In­

dicadores e

Informações

Culturais),

a Secretaria indica onde estão os

artistase

quais projetos

estãosendo

realizados.

De acordo com o relatório de

2013 daSecretariade

Cultura,

apas­

tarealizoul.088atividadesculturais

-

165

pagase923

gratuitas

-, com o

público

total estimado em

427.360

pessoas. FátimaLimaavalia quenão

háincentivoa

produção

esimuma

política

deeventos.Jucca

Rodrigues

concordaediz que "a cultura ainda

nãopassouafazerparteda

política

de estado".Para

ele,

aMaratonaCul­ tural

exemplifica

a

situação.

Criado

em

2011,

o evento é realizado por

uma

instituição

privada

sem fins

lucrativos

e

contacom osubsídio da

prefeitura,

do Estadoede

patrocínio

da iniciativa

privada.

Em

2014,

o

projeto

teve o orçamento reduzido.

NoCIC,aGaleria dosImortais Catarlnenses divide espaçocomtroféus,documentosecobertores

Recebeu

R'

250 mil da �

prefeitura

e

R'

300 mil

j'

de

patrocínio privado.

DeacordocomoSiste-

i

maEstadual deIncen­ tivoà

Cultura,

Turismo

e

Esporte

e oConselho Estadual de

Cultura,

"há

pendências

na

prestação

de contas

desde a

primeira

edi­

ção".

Porconta

disso,

a

Maratona nãorecebeu

orepasse de

R'

627mil

queeram

esperados

do

Governo do Estado.

"Não adianta gastar

rios de dinheiro para

comprar talheres de

ouro sefaltaovospara

fritar", avaliaJucca.

Segundo

o

diretor,

falta

diálogo

entre o

poder

público

eosartistas. "Não há

umaescutasensível dosgovernantes.

Oqueexisteé

aquela

visãoemapre­

sentar

algo

pronto".

Ele admite queo

Conselho

Municipal

de

Cultura,

com­

posto

por 30 membros da sociedade civiledo

poder público,

é

importante

paraosetor. Noentanto, afinna que

ogrupo é pouco ouvido.

Cornoforma de

protesto,

oFórum

SetorialPennanentedeArtesCênicas

organizou

uma "Invasão Teatral" emfevereiro desteano. Nos

primei­

rosoitodias do

mês,

28

espetáculos

entraramem

putaz

nosespaços

cul-(

-r-,'",:,:::!iI.:;;',,':"�

�.,.-/�

Centro Iniciou refonnaaindanão concluídaem2009;valoré deR$17milhões

turaisda cidade contandocommais

decincomil

espectadores.

"Nem todo mundo

conseguiu

ter um retomo

da

bilheteria,

mas ao mesmo

tempo

nós lemosummanifesto

explicando

a

ação,

queagenteconsegueentrar

em cartaze quetem

público

afim

de

assistir",

explica

Barbara

Biscaro,

integrante

do Fórum Setorial deArtes

Cênicas. AllIe TakaIhIma [email protected] RIcardo FIcrincIo [email protected]

ZEROoutubro

de2014

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