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Os efeitos da tradução no sistema de patentes

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Academic year: 2021

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Aline Azevedo Larroyed

OS EFEITOS DA TRADUÇÃO NO SISTEMA DE PATENTES

Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal de Santa Catarina para obtenção do Grau de Doutora em Direito.

Orientador: Luiz Otávio Pimentel Co-orientador: José Rubens Morato Leite

Florianópolis 2019

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Ficha de identificação da obra elaborada pelo autor através do Programa de Geração Automática da Biblioteca Universitária

da UFSC.

Ficha de identificação da obra elaborada pelo autor,

através do Programa de Geração Automática da Biblioteca Universitária da UFSC. Larroyed, Aline Azevedo

Os Efeitos da Tradução no Sistema de Patentes / Aline Azevedo Larroyed ; orientador, Luiz Otávio Pimentel, coorientador, José Rubens Morato Leite, 2019.

436 p.

Tese (doutorado) - Universidade Federal de Santa Catarina, , Programa de Pós-Graduação em Direito, Florianópolis, 2019.

Inclui referências.

1. Direito. 2. Direito de patentes. 3. Tradução. I. Pimentel, Luiz Otávio. II. Morato Leite, José Rubens. III. Universidade Federal de Santa Catarina. Programa de Pós-Graduação em Direito. IV. Título.

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Aline Azevedo Larroyed

OS EFEITOS DA TRADUÇÃO NO SISTEMA DE PATENTES Esta tese foi julgada e aprovada em sua forma definitiva pelo Orientador

e demais membros da Banca Examinadora, composta pelos seguintes membros:

Florianópolis, 13 de março de 2013.

Prof. Dr. Luiz Otávio Pimentel UFSC – Orientador

Prof.Dr. Rubens Morato Leite UFSC – Co-orientador

Prof. Dr. Araken Alves de Lima INPI – Membro da Banca Examinadora

Prof. Dr. Cláudio Eduardo Régis de Figueiredo e Silva

ESMESC – Membro da Banca Examinadora

Prof. Dr. João Artur Souza UFSC – Membro da Banca Examinadora

Prof. Dr. José Aires Rover UFSC – Membro da Banca Examinadora

Prof. Dr. Lincoln Paulo Fernandes UFSC – Membro da Banca Examinadora

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Dedico este trabalho ao Professor Anselm Kamperman Sanders, que tornou possível a ousadia de pesquisar um tema inovador, apaixonante e interdisciplinar.

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AGRADECIMENTOS

Sou grata a muitas pessoas que me apoiaram durante a realização do Doutorado.

Em primeiro lugar, agradeço o apoio constante de meu orientador, Prof. Luís Otávio Pimentel. Antes de mais nada, um grande brasileiro, que, desde a sua trajetória acadêmica, tem revolucionado a propriedade intelectual no Brasil. Durante o período de realização desta pesquisa, tive a alegria de acompanhar os imensos avanços realizados por meio de acordos internacionais que integram o Brasil, cada vez mais, ao sistema internacional de propriedade intelectual, deslocando o Brasil de um longo processo de isolamento para um novo momento de integração e interação com os maiores escritórios de patentes do mundo. Ademais, o Professor Pimentel é um ser humano admirável, dessas pessoas que transformam tudo ao seu redor, um intelectual inovador, capaz de compreender e apoiar projetos que se sobressaem ao lugar comum e que abrem novas perspectivas para pensar a PI em nível global.

Toda minha gratidão ao Prof. José Rubens Morato Leite. Aos membros da banca, Prof. Aires José Rover, Prof. Araken Alves de Lima, Dr. Cláudio Régis de Figueiredo, Prof. João Artur Souza, Prof. Lincoln Paulo Fernandes, meu muito obrigada.

A meus professores na UFSC, no INPI e na Universidade de Maastricht, cujos ensinamentos foram essenciais para a realização de minha pesquisa, em especial: Profª Ana Ramalho, Profª Anke Moerland, Prof. Dick van Engelen, Prof. Luiz Henrique Cademartori, Prof. Hans Peter Grieneisen, Prof. Henryk Siewierski, Prof. Matthias Lamping.

Toda a minha gratidão ao Meritíssimo Desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região André Fontes, pela longa e proveitosa entrevista sobre patentes e tradução relacionada ao Judiciário no Brasil.

Agradeço muito ao Meritíssimo Desembargador Peter Blok, da Corte Distrital de A Haia, especializada em propriedade intelectual. Sou grata por ter tido o privilégio de debater questões de tradução de patentes relacionadas ao Sistema Judiciário Europeu.

Toda a minha gratidão ao Prof. Josef Drexl pela oportunidade única da minha estada, como pesquisadora, no Instituto Max Planck de Inovação e Direito de Concorrência. Sempre admirei profundamente a produção científica do Instituto e não poderia estar mais orgulhosa e feliz por ter feito parte dela. Meu período de pesquisa em Munique, no Instituto, foi fundamental para a produção de minha tese. Pude interagir

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com os mais renomados procuradores e examinadores de patentes, além de acadêmicos e pesquisadores de todo o mundo. Nunca encontrarei as palavras certas para demonstrar toda a minha gratidão por essa oportunidade única.

Gostaria de agradecer ao Dr. Benoît Battistelli, à época da pesquisa, Presidente do Escritório Europeu de Patentes, e aos servidores do Escritório Europeu de Patentes que apoiaram esta pesquisa, com entrevistas e material de estudo. Meus agradecimentos especiais a: Dra.

Ingrid Cailhol. Muito obrigada ao Dr. Bertrand Le Chapelain, Dra.

Carmen Salvador e Dr. Stefan Luginbuehl. A oportunidade de visitar o EPO e aprender com sua história de destaque na evolução da tradução certamente tornou esta pesquisa um trabalho único. O EPO representa a referência mais forte na tradução de patentes em âmbito global. Todos os seus desenvolvimentos inovadores não só implicaram grandes saltos para o sistema de patentes, mas para a melhoria da tradução de máquina em geral. O EPO representa, de fato, um modelo de excelência a ser estudado e seguido nesta área. Sinto-me privilegiada por ter tido a oportunidade de investigar e compreender sua jornada notável na tradução de patentes como um dos pontos centrais da minha pesquisa.

Meus mais sinceros agradecimentos ao Professor Cees Mulder, que acompanhou cada etapa da minha produção, sempre me apoiando, abrindo portas para minhas entrevistas e pesquisas e me oferecendo o privilégio de sua crítica, de sua avaliação rigorosa, tão vital para o crescimento intelectual e para a consciência científica. Tive o privilégio de sua leitura detalhada e de suas recomendações, sempre preciosas.

Toda a minha gratidão a Antônio Abrantes, pelo apoio, pelo conhecimento compartilhado, pelo seu admirável trabalho como examinador e como pensador da área de patentes no Brasil.

Agradeço a todos os professores e membros do EIPIN (Associação de Institutos Europeus de Pesquisa em Propriedade Intelectual). Sempre me lembrarei das reuniões e discussões do EIPIN como raros momentos de troca de conhecimentos. Apresentar meu trabalho e receber feedback de seus membros, bem como assistir às outras apresentações, abriu novas perspectivas para minha pesquisa. A esse respeito, agradeço, especialmente, ao Professor Manuel Desantes Real, que me ajudou a repensar minha abordagem metodológica, encurtando o meu caminho para encontrar soluções ao investigar um tema de pesquisa totalmente inovador.

Agradeço a todos que colaboraram com minhas análises e entrevistas. A informação fornecida por esses colaboradores deu consistência a minha tese. Agradecimentos especiais a: Adriana Brigante

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Deorsola, André Fontes, Bertrand Le Chapelain, Carmen Salvador, Catia Regina P. Gentil da Silva, Giovanni Souza, Gisela Nogueira, Guido Vermeer , Han Deokwon, Hans Peter Henrik Grieneisen, Hirano Takashi, Ingrid Cailhol, Krishnamani Jayaraman, Kitty Veldman, Liane Elizabeth Caldeira Lage, Lindsay Yang, Linxiao Lu, Lucas Cunico, Marcos Trevisan Vasconcelos, Nyske Blokhuis, Paulo C. Brandão, Rafaela Di Sabato Guerrante, Ryoko Oshikamo, Sander van Rijnswou, Shin Tokii, Stefan Luginbuehl, Tetsutaro Yukutake, Tianyu Hang, Viola Pendl, Zedequias Alves.

Gostaria de agradecer a Guido Coumans, um grande amigo que encontrei na Holanda. Agradeço a paciência com meu holandês em ótimas conversas e a grande ajuda com o idioma.

Agradeço aos meus colegas da Universidade de Maastricht e do Instituto Max Planck. Conheci muitos colegas formidáveis, que me apoiaram em ambos os lugares. Certamente, deixarei de mencionar alguns nomes, mas deixo agradecimentos especiais para: Margaret Lin (obrigada por me ajudar tantas vezes, por sua generosidade e por suas palavras de motivação); Shin Tokii (obrigada por todo o apoio e por me ajudar a compreender - e, consequentemente, admirar! – o sistema de patentes japonês!); Daria Kim (obrigada por todo o incentivo à minha adaptação em Munique e por sua amizade preciosa). Muito obrigada a Adriana Ortiz, Agnieszka Bien-Kacała, Annalisa Cocco, Han Deokwon, Krishnamani Jayaraman, Marianna Capitti, Natale Rampazzo, Tongle Si, Yan Yu, Türker Ertas, Tian Lu, Xiao Wang, Zullay Poggi.

Agradeço aos meus colegas da UFSC e ao Grupo de Estudos de Propriedade Intelectual, Transferência de Tecnologia e Inovação, especialmente a: Ana Marchesan, Chiara M. Biasi, Jaqueline Albino, Janaína Peixer, e Juliano Rossi. Agradecimento muito especial a Camila Matos.

Sou muito grata por ter conhecido Fabio e Yvana, que se tornaram uma bela parte da minha vida e de meu coração.

Agradeço ao meu amado William, que apoia meus sonhos e projetos incondicionalmente, oferecendo-lhes brilho e significado, com as mais doces palavras holandesas.

Toda a minha gratidão a meus pais (in memoriam), Leda e Décio Larroyed, que me ensinaram o valor da criatividade, da curiosidade e do conhecimento.

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Não sei se a tradução de máquina, um dia, terá qualidade suficiente para nos permitir navegar em websites de pessoas em diferentes idiomas para que possamos ver como elas vivem em diferentes países.

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RESUMO

A tradução de máquina tornou-se uma importante ferramenta de comunicação para o sistema de patentes. Os esforços para alcançar a precisão em bancos de dados especializados proporcionaram a redução de barreiras linguísticas e permitiram que a divulgação do conteúdo das patentes pudesse ser útil em vários campos, inclusive, e sobretudo, no sistema jurídico.

O processo de resolução de conflitos em casos envolvendo direitos de patentes tem utilizado uma variedade de informações fornecidas pelas bases de dados por meio da tradução de máquina. A precisão dessas traduções pode produzir resultados diferentes. A discrepância de traduções, seja gerada por máquinas de tradução ou por um tradutor humano, pode influenciar as decisões nesses processos, e afetar adversamente o sistema jurídico, em especial, durante as etapas de validação e oposição, e em litígios relacionados à violação de patentes.

Além disso, é importante compreender em que nível e a partir de que aspectos a interferência humana é necessária para neutralizar más interpretações. Tal avaliação envolve uma abordagem multidisciplinar na fronteira entre os estudos jurídicos, os direitos de propriedade intelectual e os estudos de língua e tradução.

Esta pesquisa tem como objetivo avaliar por que a tradução é importante para o sistema de patentes, ou mais especificamente, para as etapas do processo de patenteamento e os desafios jurídicos que podem segui-las. Portanto, visa a discutir os papéis, recursos e perspectivas futuras da tradução no sistema de patentes.

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ABSTRACT

Machinery patent translation has become an increasingly sophisticated communication tool. Efforts at reaching accuracy in expert systems have been lowering language-related barriers and allowing the dissemination of disclosure of patent information to be useful in various fields, which is not different in the legal system.

Dispute resolutions in court cases involving patent rights have been using a variety of information provided by the expert systems through machinery translation. The accuracy of these translations may produce different outcomes. Translation discrepancy, either generated by the MT engine or by a human translator can influence decisions in patent cases, adversely affecting the legal system. That may happen especially during the stages of validation and opposition and in patent infringement related disputes.

Furthermore, it is important to understand at what level and from what aspects the human interference is required to neutralize misinterpretations. That involves a multidisciplinary approach on the border of law studies, intellectual property as a study field, and translation studies.

This research aims to assess the importance of translation to the patent system, to be more specific, during the stages of patent prosecution. Therefore, it intends to make a contribution to the social and scientific discussion on the roles, features and future perspectives of patent translation and its legal effects.

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Sumário

AGRADECIMENTOS ... iii

Lista de Abreviaturas ... xiii

Lista de Figuras ... xvi

Lista de Tabelas ... xix

Introdução ... 13

Capítulo 1: Enquadramento teórico e conceitos-chave ... 22

1.1. O sistema de patentes como um espaço intercultural ... 22

1.2. Inovação, língua e tradução: evolução histórica e atualizações necessárias ... 26

1.3. Tradução de máquina, tradução humana e inglês como língua franca no sistema de patentes ... 33

1.4. Um texto técnico é um texto ... 50

Capítulo 2: O direito como um sistema de comunicação ... 54

2.1. O direito como um sistema baseado na comunicação: o evento comunicativo e o código jurídico ... 54

2.2. Klaus Günther e o respeito às regras do discurso como fundamento do direito: a relação dos discursos de justificação e aplicação com o direito de patentes ... 61

2.3. Comunicação e tradução como chaves para manter a integridade do sistema jurídico e do sistema de patentes ... 81

2.4. Comunicação e tradução em sistemas de patentes ... 90

Capítulo 3: A tradução de patentes e sua influência sobre a

revelação de informação tecnológica ... 95

3.1. A tradução e a revelação de conteúdo de patentes ... 95

3.2. Análise da amostra - patentes de energia limpa: resultados e conclusões ... 101

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3.2.2. A tradução automática permite a revelação (disclosure) de informação tecnológica no sistema de patentes ... 105 3.3. A escrita e a tradução de patentes ... 134 3.4. Tradução de patentes: limites e possibilidades ... 147

Capítulo 4: A tradução de patentes e sua influência sobre

acordos internacionais ... 154

4.1. O Tratado de Cooperação de Patentes (PCT): informações sobre patentes, língua e tradução ... 154

4.1.1. Regulamentos, história e vantagens do PCT ... 154 4.1.2. As vantagens de um sistema unificado ... 158 4.1.3. O uso do PCT para a gestão estratégica de tecnologia . 161 4.1.4. O regime linguístico do PCT ... 166 4.2. O regime linguístico do Escritório Europeu de Patentes e do Sistema Unificado de Patentes na Europa ... 176 4.3. A importância da integração de países em desenvolvimento no sistema global de patentes: os avanços recentes alcançados pelo Brasil por meio de acordos e de maior inserção internacional ... 204 4.4. A acurácia da tradução de tratados internacionais e sua internalização em legislação nacional ... 212

Capítulo 5: A influência da tradução em diferentes estágios

jurídicos de uma patente ... 222

5.1. A tradução na linha do tempo de uma patente ... 222 5.2. Validação e recurso: a influência da tradução nas etapas administrativas de uma patente ... 230

5.2.1. Diretrizes de exame e regimes de tradução em diferentes sistemas nacionais ... 230 5.2.2. Exemplos de casos e processos em nível administrativo (exame, ações e diligências, oposição, recurso), em que a tradução desempenhou um papel importante ... 244 5.3. Principais aspectos em processos judiciais envolvendo tradução de conteúdo de patentes ... 258

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5.4. Exemplos de processos judiciais que envolveram problemas

com a tradução de patentes ... 263

5.5. Mais resultados e conclusões sobre a análise da amostra e as entrevistas ... 278

Capítulo 6: Metodologia ... 306

6.1. Escopo da pesquisa ... 306

6.1.1. Problema de pesquisa e questões derivadas ... 306

6.1.2. Delimitações e proposições ... 310

6.2. Relevância social ... 312

6.3. Abordagem e técnicas metodológicas ... 314

6.3.1. Visão geral dos métodos e técnicas utilizadas ... 315

6.3.2. Fundamentos teóricos e descrição detalhada das etapas metodológicas ... 326

6.3.3. Técnicas de coleta de dados e atores investigados: análise de conteúdo e entrevistas ... 330

Capítulo 7: Resumo, conclusões e recomendações ... 344

7.1. Resultados alcançados: principais pontos e conclusões ... 345

7.2. Conclusões sobre o caso do Brasil e sua integração ao sistema global de patentes ... 358

7.3. Recomendações para estudos futuros ... 359

8. Referências ... 375

8.1. Livros e Artigos ... 375

8.2. Normas e Regulamentos da União Europeia e Documentos do EPO ... 393

8.3. Jurisprudência ... 397

8.4. Outros documentos e regulamentos ... 399

8.5. Artigos em revistas e páginas da web ... 402

Anexo 1: Lista dos entrevistados e Colaboradores ... 408

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Anexo 3: Formulários utilizados para pesquisa e análise de

conteúdo ... 417

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Lista de Abreviaturas1

ABPI Associação Brasileira da

Propriedade Intelectual

ALPAC Automatic Language Processing

Advisory Committee

AMC Arbitration and Mediation Centre

(Referindo-se ao Centro de Arbitragem e Mediação da OMPI)

BGB Bürgerliches Gesetzbuch

(Refere-se ao Código Civil alemão)

CAT Computer Assisted Translation

CUP Convention de Paris pour la

Protection de la Propriété Industrielle

ECJ European Court of Justice

EIPIN European Intellectual Property

Institutes Network

EP European Patent

EPC European Patent Convention

EPO European Patent Office

EQE European qualifying examination

(Refere-se ao exame de qualificação europeu para advogados europeus de patentes)

1 Algumas siglas foram mantidas em inglês, devido ao fato de serem mais conhecidas nesse idioma. O sistema de patentes é internacionalizado, e adotar alguns termos comuns simplifica a comunicação sobre sua estrutura e funcionamento.

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GATT Acordo Geral de Tarifas e Comércio (General Agreement on Tariffs and Trade)

IB International Bureau (Escritório

Internacional da OMPI)

IBEPI Programa Ibero-americano de

Propriedade Industrial

ICJ International Court of Justice (Corte

Internacional de Justiça Europeia)

ILF Inglês como língua franca (ou ELF,

em inglês, English as Lingua Franca)

INPI Instituto Nacional de Propriedade

Industrial

IP5 Refere-se à cooperação dos cinco

maiores escritórios de PI do mundo.

IPC International Patent Classification

IPRs Intellectual Property Rights

ISA International Search Authority

JPO Japan Patent Office

KIPO Korean Intellectual Property Office

LISA-QA Localization Industry Standards

Association Quality Assessment Metric

LSIPR Life Sciences Intellectual Property Review

MT Machine Translation

MU Maastricht University

PCT Patent Cooperation Treaty

PEA Preliminary Examining Authority

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PTOs Patent and Trademark Offices

SIPO State Intellectual Property Office of

the People’s Republic of China

TM Translation Machine

TRIPS Trade-Related Aspects of

Intellectual Property Rights

TTOs Technology Transfer Offices

UFSC Universidade Federal de Santa

Catarina

UP Unitary Patent

UPC Unitary Patent Court

UPCA Unitary Patent Court Agreement

UPTR Unitary Patent Transitional

Regulations

USPTO United States Patent and

Trademarks Office

WIPO World Intellectual Property

Organization. Em português, OMPI (Organização Mundial de Propriedade Intelectual)

WMT World Machine Translation

(Conference)

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Lista de Figuras

Figura 1: Primeira página ou página de resumo de uma patente de suspensão traseira de bicicleta, contendo o número da patente, o nome do inventor, o número de série, o resumo; referências da arte anterior e um desenho representative ... 39 Figura 2: As línguas oficiais da UE e dos Estados membros do EPO e

sua cobertura pelo Patent Translate ... 43 Figura 3: Decisões judiciais anuais envolvendo patentes ... 77 Figura 4: Diagrama acerca da relação entre o sistema jurídico e o

sistema de PI em relação ao sistema social ... 82 Figura 5: Pontuação média obtida por cada idioma (ou grupo de

idiomas) de acordo com o método LISA-QA ... 107 Figura 6: Relação entre o tipo de erros e a gravidade de erros – amostra

de patentes em língua inglesa ... 108 Figura 7: Relação entre os tipos de erros e a gravidade dos erros –

amostra de patentes em línguas latinas ... 109 Figura 8: Amostra de patentes em alemão - relação entre tipos de erros e

gravidade dos erros ... 109 Figura 9: Média de erros de acordo com os tipos de erros e com a

gravidade dos erros - erros menores: ... 111 Figura 10: Média de erros de acordo com os tipos de erros e a gravidade

dos erros - erros médios ... 111 Figura 11: Média de erros de acordo com o tipo de erros e gravidade dos erros - erros críticos: ... 112 Figura 12: Relação entre os tipos de erros e grau de gravidade dos erros

– amostra de patentes em língua chinesa ... 116 Figura 13: Visão geral do sistema PCT ... 157 Figura 14: Visão Geral do Sistema PCT ... 158

(26)
(27)

Figura 15: PCT-PPH ... 161 Figura 16: Os números-chave do PCT conforme relatórios de 2011 e

2014 ... 164 Figura 17: 10 principais depositantes ... 165 Figura 18: Pedidos por área tecnológica ... 165 Figura 19: Idiomas aceitos nos Organismos Receptores selecionados 168 Figura 20: Estrutura do Escritório Europeu de Patentes ... 178 Figura 21: Resumo do funcionamento e da regulação do Tribunal

Unitário de Patentes ... 195 Figura 22: Representação das etapas de patenteamento no EPO ... 225 Figura 23: Representação das etapas de patenteamento no USPTO .... 225 Figura 24: Relatório Anual do EPO – Total de buscas, exames e

oposições em 2015 ... 226 Figura 25: Porcentagem média de utilização de tradução humana e de

máquina em cada fase jurídica de uma patente ... 228 Figura 26: Partes de um relatório do JPO para avaliar a qualidade dos

documentos traduzidos por máquina ... 236 Figura 27: Ações judiciais e concessões de patentes nos EUA -

1991-2015 ... 260 Figura 28: Classificação de sistemas de patentes nacionais em termos de

sua interação com documentos estrangeiros ... 293 Figura 29: LISA-QA - Métrica de avaliação da qualidade das traduções,

tal como aplicada à amostra de patentes ... 320 Figura 30: Exemplo de tabela de pontuação usada para avaliar a

(28)

Figura 31: Primeira página de formulário compartilhado com pesquisadores para avaliar o nível de revelação (disclosure) de conteúdo de patentes por meio da tradução de máquina ... 324 Figura 32: Diagrama dos passos seguidos na análise ... 326 Figura 33: Procedimentos de análise de conteúdo seguidos durante a

pesquisa ... 332 Figura 34: Sequência de busca de casos de oposição ... 341 Figura 35: Sequência de busca de casos de violação ... 341 Figura 36: Formulário para análise de conteúdo de casos de oposição 342 Figura 37: Exemplo de formulário para análise de conteúdo para a

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Lista de Tabelas

Tabela 1: Diferenças entre a “linguagem de patentes” e a linguagem jurídica ... 94 Tabela 2: Características da linguagem da inovação ... 102 Tabela 3: Diferentes aspectos apresentados por cada idioma ... 113 Tabela 4: Vantagens e limitações dos bancos de dados de patentes em

termos de busca associadas aos idiomas e à tradução dos

documentos ... 126 Tabela 5: Aspectos do PCT relacionados a língua e tradução em

diferentes estágios do pedido de patente ... 171 Tabela 6: Formulários utilizados pelas autoridades do PCT ... 174 Tabela 7: Evolução da patente unitária ... 192 Tabela 8: Regime de língua e tradução do Tribunal Unitário Europeu 197 Tabela 9: Conceitos importantes relacionados com a tradução de

tratados internacionais ... 214 Tabela 10: Número de processos judiciais e de patentes concedidas no

Brasil 2005-2017 ... 260 Tabela 11: Possibilidades de lidar com documentos estrangeiros em

tribunais internacionais (situações predominantes) ... 292 Tabela 12: Resultados gerais da análise de conteúdo dos casos de

oposição ... 295 Tabela 13: Resultados gerais da análise de conteúdo dos casos de

violação ... 296 Tabela 14: Questões derivadas do problema de pesquisa ... 307 Tabela 15: Critérios para selecionar a amostra de patentes ... 316

(30)

Tabela 16: Descrição da amostra utilizada para o primeiro passo da análise ... 318 Tabela 17: Detalhes do tamanho da amostra ... 321

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Introdução

Esta pesquisa teve como objetivo avaliar os efeitos da tradução no sistema de patentes, durante a trajetória de uma patente, ou seja, durante as fases de exame/validação, oposição e em processos relativos à violação e revogação de patentes. Seu objetivo é contribuir com a discussão científica acerca dos papéis, recursos e perspectivas futuras da tradução no sistema de patentes. Tal tema foi motivado pela realidade de um cenário em rápida mudança, em que a tradução de máquina e a comunicação digital, em conjunto com a globalização e as novas normas de concorrência operaram uma verdadeira revolução no sistema de patentes.

No contexto descrito, a tradução de patentes tornou-se cada vez mais sofisticada e relevante. Os esforços para alcançar a precisão em sistemas e bases de dados levaram à redução de barreiras linguísticas em um ritmo tão veloz, que soaria inacreditável em não mais que uma década atrás. A tradução automática tem permitido que a divulgação (disclosure) do conteúdo de patentes seja útil em vários campos, o que não se distingue no sistema jurídico. A tradução humana também passou por grandes transformações, após a interação necessária com ferramentas digitais e com o advento de novas tarefas combinadas a serem realizadas por tradutores especializados, como a triagem de documentos a partir de imensos arquivos globais e tarefas associadas que lembram as de agências de inteligência, por sua complexidade e pelo nível de sensibilidade da informação traduzida.

Examinadores de patentes, advogados e juízes utilizam uma variedade de informações fornecidas por sistemas especializados em patentes através de tradução de máquina e tradução humana. A precisão dessas traduções pode produzir resultados diferentes na revelação de informações sobre patentes em ambientes jurídicos. A discrepância de traduções, gerada pelas máquinas de tradução ou por tradutores humanos, pode influenciar as decisões tomadas por esses atores, afetando adversamente o sistema jurídico. Tal pode ocorrer, especialmente, durante as fases de validação e oposição/recursos, e em litígios relacionados com a violação de patentes.

O volume de informações disponíveis por meio de plataformas digitais é imenso, já que o sistema de patentes pode ser definido, nos dias de hoje, como uma estrutura global e multilíngue. O acesso simultâneo a

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aperfeiçoado por meio da tradução de máquina, em combinação com as plataformas que admitem diferentes formas de busca de conteúdo de patentes. Tais mudanças são muito recentes historicamente e contrastam com uma imagem de grandes salas cheias de arquivos e documentos impressos em escritórios de patentes, ou de advogados de patentes se esforçando para aprender idiomas como o coreano e o japonês com o intuito de desenvolver relações comerciais com países que falam esses idiomas.

Na prática, políticas e regimes de língua e tradução, relacionados com o sistema internacional de patentes, incluem acordos, tratados e a composição de escritórios e organizações de patentes, envolvendo toda uma gama de custos e atividades. Tais regimes e políticas influenciam não apenas o próprio sistema, mas um conjunto de estruturas jurídicas e sociais relacionadas a ele. O modo como os acordos internacionais em matéria de patentes são internalizados e interpretados nacionalmente também envolve um complexo processo de adaptação aos sistemas nacionais, profundamente relacionado com questões de língua e tradução, em associação com as culturas jurídicas locais.

A esse respeito, problemas de língua e tradução permeiam, de forma difusa, as diferentes fases dos processos de patentes, desde a ocasião do pedido, à busca da anterioridade, ao exame, à publicação e à concessão. Essa influência pode ser descrita como um processo constante, prevalente, sendo difícil de medir em toda a sua extensão, mas mostrando evidências concretas em todas as fases de uma patente. Essas evidências apresentam, frequentemente, um efeito bola de neve. Por exemplo, se um erro de tradução ou uma análise imprecisa do estado da arte ocorre durante o exame, pode-se incorrer em novos desafios, como processos de oposição e de recurso. Se o erro persistir, a consequência pode ser um caso de violação, normalmente envolvendo argumentos contra a validade de uma das patentes.

Outra questão importante está relacionada com os custos das traduções. Os depositantes de pedidos de patentes podem ter que arcar com custos altos de tradução, tanto em fases preliminares quanto em fases posteriores, sempre que uma autoridade de patentes não compartilhar sua língua de trabalho ou ao entrar na fase nacional de um pedido, em casos de patentes PCT ou patentes regionais. Os custos de tradução são, em geral, altos, já que as traduções de patentes são consideradas como traduções altamente especializadas. Alguns escritórios exigem que todas as respostas relacionadas às ações ou diligências administrativas sejam traduzidas, o que pode aumentar os custos e comprometer a eficiência e a

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velocidade da comunicação. Outros desafios jurídicos (casos de violação de patentes, por exemplo) irão aumentar esses custos ainda mais.

No caso dos escritórios de patentes e comunidades multilíngues, a relevância dos problemas relacionados a língua e tradução para os sistemas de patentes se torna ainda mais evidente. O EPO, por exemplo, tem seu custo direto de serviços de tradução estimado em cerca de € 8,2 milhões por ano. Seu departamento linguístico conta com 38 funcionários permanentes e é dividido em seções de tradução separadas para cada uma das três línguas oficiais, contando também com um setor responsável por tradução simultânea. O EPO também pode ser considerado um bom exemplo de fornecedor multilíngue de informações técnicas, sendo uma unidade central, sob essa perspectiva, para acessar o conteúdo global de patentes (GAZZOLA, 2014, p. 291).

Políticas e regimes de língua e tradução também afetam necessariamente a rota de difusão do conhecimento, por meio do processo de revelação de informações sobre patentes, porque determinam em que língua o conteúdo revelado será publicado. Em uma economia globalizada, que permitirá a divulgação e a transferência de tecnologia em vários idiomas, essa diversidade de idiomas e a qualidade do texto da informação divulgada irá orientar todo um conjunto de atividades, tais como planejamento de pesquisa e exploração de conteúdo tecnológico.

A esse respeito, os processos de língua e tradução podem ser descritos como componentes de uma das vias mais importantes para a elaboração de um plano de pesquisa e desenvolvimento, porque afetam a diversidade de idiomas em que o estoque de novas informações sobre patentes está disponível. Isso faz com que a semântica de toda essa troca complexa e multilíngue de informação torne-se fundamental para o processo de negociação de patentes, com grande impacto no desenvolvimento científico em uma esfera globalizada. Portanto, textos de patente devem ser escritos para serem traduzidos. Em outras palavras, os documentos de patentes devem permitir acesso global ao seu conteúdo tecnológico. Tal acesso é posto em risco quando o texto da patente (ou a sua tradução) não é suficientemente clara, de modo a permitir a reprodução da invenção, no caso de expirada a validade da patente ou em caso de licença compulsória, por exemplo. A escrita e a tradução de patentes também estão relacionadas com o escopo de proteção da invenção. Nesse ponto, um detalhe ou uma sutil diferença em seus textos pode ser crucial para as decisões judiciais.

Uma outra questão destacada pela presente pesquisa é a importância da tradução automática para o atual sistema de patentes. A revolução representada pelo advento e aperfeiçoamento da tradução de

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máquina e a sua interação com a tradução humana têm imensa relevância para o sistema de patentes atualmente. Ao mesmo tempo, o desafio tende a crescer, considerando o cenário de uma quarta revolução industrial, marcada pelo advento de novas invenções, mais sofisticadas, um cenário em que a violação de patentes tende a ser mais difícil de provar e que exigirá fluxos mais eficientes de comunicação.

Portanto, o principal objetivo da presente tese foi possibilitar uma nova perspectiva, necessária e urgente, para compreender o sistema de patentes na sua configuração atual. Os resultados mostraram um sistema com muitas lacunas e discrepâncias envolvendo língua e tradução. Tais lacunas podem ser mitigadas, em alguns aspectos centrais. Essas soluções, vitais para a aplicação dos direitos de patentes, são explicadas durante a presente dissertação e resumidas em suas conclusões.

Nível de novidade

São raros os estudos que envolvem língua e tradução e direitos de patentes. Portanto, uma pesquisa realizada nessa fronteira deve ser considerada como nova, original e inovadora pela própria natureza do tema. Nesse sentido, a investigação da questão de pesquisa proposta exigiu uma grande quantidade de investigação empírica e implicou a possibilidade de novos fundamentos e perspectivas não só para o direito de patentes, mas para os estudos de propriedade intelectual, em geral.

Ademais, a presente pesquisa aborda um debate atual, muito relevante para o sistema de patentes: a necessidade de buscar uma maior interação e integração entre as legislações nacionais, em um contexto de mercados globalizados e em um momento em que a Europa está prestes a dar um passo histórico para estabelecer a Patente Unitária Europeia e um Tribunal Unitário Europeu, considerando que um dos principais obstáculos para a integração das legislações nacionais consistiu na diversidade linguística e nas possibilidades de conciliar regimes linguísticos diferentes.

Adotar a perspectiva dos problemas de língua e tradução mostrou-se eficaz para apresentar soluções para questões associadas à diversidade linguística e à fragmentação do sistema em relação a regras e regimes linguísticos. Também foi importante para a identificação de falhas e discrepâncias no sistema global de patentes e para propor recomendações para sua melhoria. Como o presente trabalho pode ser considerado como uma investigação seminal na fronteira dos estudos de língua e tradução e direito de patentes, e devido à falta de referências

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anteriores, foi necessário elaborar um plano metodológico associando diferentes fontes primárias e técnicas de pesquisa existentes para explorar, por um lado, a revelação (disclosure) de informações sobre patentes por meio da tradução, e, por outro, as decisões tomadas durante o processo de validação de patentes e suas consequências para processos judiciais associados.

Metodologia

Devido à falta de estudos anteriores sobre o tema, foi necessário analisar e combinar técnicas metodológicas, associando recursos relacionados, a fim de investigar o objeto de pesquisa. As fontes e as técnicas utilizadas são resumidas abaixo, em associação às sub-questões derivadas do problema de pesquisa:

Problema de pesquisa: Por que a tradução é importante para o

sistema de patentes?

Questões derivadas Métodos e técnicas Que tipo de papel a tradução

pode cumprir na

configuração atual do direito de patentes?

Revisão da literatura sobre temas correlacionados: a natureza do sistema de patentes; direito e comunicação; influência histórica da tradução na evolução da ciência e da inovação tecnológica; natureza do texto da patente; tradução técnica e tradução de patentes.

Objetivo: Descrever a configuração atual do sistema de patentes, a fim de associá-la com o papel que a tradução desempenha sobre o seu funcionamento.

A tradução de máquina pode ser considerada suficiente para revelar (disclose) o conteúdo de patentes? Até que ponto?

Aplicar a metodologia LISA-QA para avaliar a qualidade da tradução em uma amostra de 100 patentes. Realizar pesquisa em forma de questionário entre técnicos no assunto.

Objetivo: Obter e analisar dados sobre o nível de revelação (disclosure) de conteúdo de patentes por meio da tradução de máquina.

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Qual é a influência da tradução nas diferentes etapas administrativas e jurídicas de uma patente?

• Acordos internacionais e regimes de língua e tradução - análise documental combinada com entrevistas e revisão da literatura.

• Etapas administrativas: análise documental e entrevistas.

• Etapas dos Tribunais de Patentes: análise documental e entrevistas (complementadas por casos isolados descritos na literatura).

Objetivo: Analisar e descrever a influência da tradução em cada uma das principais etapas jurídicas de uma patente por meio de casos particulares.

Relevância social

O presente estudo fundamenta-se em uma questão central para o atual sistema de patentes e pode contribuir para melhorias consideráveis em sua estrutura. Ademais, oferece subsídios relevantes para os campos e ferramentas associadas, ao permitir, mediante suas conclusões e recomendações:

• Criar fundamentos para toda uma nova área de estudos (que associe a diversidade linguística e as políticas e regimes linguísticos a processos de integração e interação do direito internacional de patentes), propondo soluções que harmonizem o cenário jurídico atual do sistema internacional de patentes. • Colher informações que possibilitem o aperfeiçoamento das

bases de dados e das ferramentas de busca de patentes.

• Apresentar propostas para novos estudos multidisciplinares e empíricos que possam continuar buscando soluções para a justiça global relacionada com os direitos linguísticos no sistema de patentes.

• Propor novas possibilidades de estudos semelhantes em outros campos e formas de proteção intelectual (direitos autorais, indicação geográfica, marcas, etc.);

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• Encontrar soluções para um sistema de patentes mais integrado e apontar lacunas (e soluções) para promover maior harmonização no sistema global de patentes;

• Analisar e descrever o modelo do Sistema Unitário Europeu como uma experiência a ser debatida no sentido de promover a integração e interação dos sistemas de patentes em países em desenvolvimento.

Desafios enfrentados durante o período de investigação

A primeira e mais relevante dificuldade enfrentada na realização desta investigação foi uma resistência acadêmica relacionada ao tópico. Ainda é difícil convencer academias de estudos de propriedade intelectual ou departamentos jurídicos relacionados que as questões de língua e a tradução representam um importante campo associado ao direito de patentes e aos estudos de propriedade intelectual, em geral. Ao mesmo tempo, sobretudo no início da elaboração da proposta de pesquisa, foi um desafio comprovar o valor de uma contribuição inovadora, “fora da caixa” ou da lógica dos estudos convencionais relacionados à propriedade intelectual no Brasil. No entanto, foi importante mostrar que tal contribuição inauguraria toda uma nova área de estudos que ainda tem muito a se explorar. Nesse sentido, recomenda-se a realização de mais projetos e estudos que envolvam temas interdisciplinares e/ou grupos heterogêneos (diferentes idiomas, formações ou experiências com as modalidades de proteção intelectual).

O segundo desafio enfrentado durante a pesquisa associa-se a seu nível de novidade. Foi necessário criar uma metodologia para abordar o tema por meio da combinação de métodos e técnicas existentes para cruzar informações jurídicas e linguísticas a partir das fontes primárias. As soluções foram encontradas por meio de um planejamento cuidadoso, seguido de fases de tentativa e erro, até que fosse possível definir a amostra inicial de patentes a ser avaliada e definir estratégias para otimizar os resultados a partir da análise de conteúdo. A maior parte da análise de dados foi feita manualmente, de forma lenta e repetitiva. Os questionários das entrevistas foram elaborados de acordo com as funções e nacionalidades dos entrevistados, e as entrevistas foram realizadas pessoalmente, no momento e no local indicado pelos entrevistados. Estrutura da dissertação

A dissertação foi dividida em 7 capítulos. O primeiro capítulo visa a apresentar um quadro teórico para descrever a configuração do

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sistema de patentes em associação ao conceito de tradução. Os conceitos e teorias apresentados nesse capítulo foram desenvolvidos como um pano de fundo essencial para explicar o papel da tradução no sistema de patentes. O capítulo 2 se inicia apresentando o conceito de direito como um sistema de comunicação e termina explicando o papel da comunicação e da tradução no sistema de patentes.

Os últimos capítulos focam sobre os efeitos jurídicos, as características e funções da tradução sobre o sistema de patentes. O Capítulo 3 descreve a tradução como um veículo para os direitos de patentes, analisando as características da tradução de patentes, seus limites e possibilidades. O mesmo Capítulo discute a influência da tradução sobre a revelação (disclosure) de informação tecnológica. O Capítulo 4 discute a influência da tradução em acordos internacionais de patentes, mostrando a importância de regimes linguísticos e de tradução no contexto do direito internacional de patentes e fornecendo alguns exemplos de problemas de tradução envolvendo esses acordos. O Capítulo 5 descreve a influência da tradução na linha do tempo de uma patente, do ponto de vista do direito, apresentando exemplos concretos de imprecisões de tradução e seus efeitos sobre as etapas do escritório de patentes (exame, oposição/recurso) e as fases judiciais (violação/revogação). O Capítulo 6 descreve a abordagem metodológica e as técnicas utilizadas para coletar e analisar os dados, oferecendo uma descrição detalhada de cada passo metodológico seguido durante a pesquisa.

O Capítulo 7 diz respeito ao resumo da pesquisa, suas conclusões e recomendações. A principal conclusão consiste em definir o atual sistema de patentes como um sistema fundamentado na tradução (sobretudo, na tradução de máquina). Conclui-se ainda que os textos das patentes devem continuar sendo considerados textos, e não importa quão precisas suas traduções possam ser, sempre haverá espaço para discrepâncias e nuances que podem influenciar decisões judiciais. Sendo assim, o Capítulo 7 termina com recomendações que podem minimizar os efeitos negativos associados à tradução sobre o sistema de patentes. O mesmo capítulo traz recomendações para desenvolvimentos e estudos futuros e uma lista de falácias e generalizações que devem ser evitadas ao se abordar o tema.

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A pesquisa resultou em um conjunto de produtos e contribuições concretas, resumidas abaixo e detalhadas no Capítulo 7:

• Recomendações para desenvolvimentos de estudos futuros, também relativas a outras formas de proteção intelectual;

• Recomendações aos escritórios de patentes relativas a regimes e questões relacionadas a língua e tradução; • Conclusões e recomendações relacionadas ao caso do

Brasil e sua integração ao sistema global de patentes • Recomendações relativas ao regime linguístico do

Sistema Unitário na Europa;

• Recomendações para melhorias em ferramentas de pesquisa e bases de dados;

• Discussão sobre falácias e generalizações a serem evitadas ao abordar o tema da tradução de patentes.

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Capítulo 1: Enquadramento teórico e conceitos-chave 1.1. O sistema de patentes como um espaço intercultural

Um espaço intercultural pode ser definido como um espaço de interação entre membros de diferentes culturas. Tal espaço está ligado ao fluxo de influências e impactos que podem existir entre culturas e aos padrões que são estabelecidos e seguidos como meios comuns de comunicação. Nesse sentido, até mesmo a criação de um campo de estudo chamado comunicação intercultural foi motivada por uma experiência em um microambiente intercultural, no qual membros de diferentes culturas tinham problemas em compreender generalizações fora do contexto de sua cultura particular (ASANTE et al., 1960, pp. 5–12).

A história da comunicação intercultural pode ser dividida em diferentes estágios e períodos históricos, cada um caracterizado por suas particularidades em termos de interação entre identidades locais. O estágio particularmente associado a esta tese é definido pela globalização, a qual, segundo Weiming (2014, pp. 496-514), consiste em um movimento que produz novos corpos de conhecimento, falsifica verdades convencionais "auto evidentes" e gera novas possibilidades de democratização. Em todos os casos, sob uma perspectiva positiva, a globalização é marcada pela tendência a estabelecer sociedades mais abertas, por uma revolução na comunicação e tecnologia da informação e pela intensificação da interação transfronteiriça (ibid.).

A descrição acima mencionada é importante para definir o direito de patentes como um sistema que opera em um espaço intercultural. Do mesmo modo, essa associação permite que língua e tradução sejam compreendidas como parte da complexidade do cenário do direito de patentes, cada vez mais relacionado com as subjetividades e peculiaridades desse espaço. O processo de inovação, por sua vez, gera um impacto cada vez mais global, especialmente quando veiculado por documentos de patentes, que são analisados do ponto de vista universal, em relação aos critérios de patenteabilidade,2 em termos de concessão ou

2Para o conceito de inovação, consultar: ETZKOWITZ, 2004; ETZKOWITZ & LEYDESDORFF, 2000; LUNDVALL, 2007; NELSON, 1990; PEREZ, 2010; SCHUMPETER, 2009; STOKES, 2005. Sobre os critérios de patenteabilidade, ver ABRANTES, 2011.

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negação de direitos de patentes em diferentes jurisdições (nacionais ou regionais). Portanto, a maneira como esses documentos são escritos, analisados ou utilizados depende de um conjunto de percepções ou valores locais. Documentos de patentes cruzam as fronteiras desse espaço intercultural e disponibilizam o conteúdo de invenções inovadoras através do processo de revelação (disclosure).

Assim, a revelação de conteúdo tecnológico passa por esse espaço multicultural e multilíngue, em que as línguas representam o principal veículo para a identidade e para as estruturas e práticas sociais relacionadas ao uso das informações divulgadas. A distribuição e a absorção da informação disponível são assimétricas e distintas, através de um processo que não é nem direto nem passivo. Em outras palavras, o conhecimento não pode ser dissociado dos conhecedores (RILEY, 2007, p. 6).

É importante esclarecer que as línguas, associadas à cultura e à identidade, podem moldar percepções de diferentes fenômenos (fatos, estruturas, textos...) e podem aumentar ou diminuir o nível de oportunidades socioeconômicas de diferentes nações ou comunidades, já que línguas não podem ser consideradas como fenômenos descontextualizados (EVANS, 2015, pp. 3-9, p. 201). Em um espaço intercultural, como o sistema (global) de patentes pode ser considerado, as línguas e todo o conjunto de percepções associadas desempenham um papel importante, que não deve ser menosprezado em estudos de patentes e deve ser compreendido a partir da perspectiva da globalização dos mercados para novas tecnologias.

Montobbio e Sterzi (2013, pp. 281–299) consideram os spillovers de conhecimento como os principais impulsionadores da globalização da tecnologia. Os autores concluíram que a transferência de conhecimento depende tanto de recursos formais como patentes e publicações quanto de conhecimento tácito local, como know-how e rotinas de produção. Eles também defendem a ideia de que o conhecimento se difunde mais rapidamente por meio de colaborações de pesquisa, em sua capacidade de criar redes sociais e incentivar o aprendizado mútuo.

Da mesma forma, Huang et al. reconhecem o crescimento rápido e contínuo de patentes transfronteiriças, fruto de redes colaborativas de criatividade. Os autores observaram que o advento dessas redes tendeu a ser mais afetado pela distância geográfica do que por barreiras

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linguísticas. O estudo aponta que esse tipo de colaboração está concentrado na Europa e na América do Norte, e que as patentes, do ponto de vista da criatividade colaborativa global, cresceram linearmente, enquanto os inventores cresceram exponencialmente. Eles mencionam a evolução da tecnologia de comunicação como um fator que influencia a expansão de patentes e o surgimento de um maior número de inventores associados à colaboração transfronteiriça (Huang, 2012, pp. 226–236).

Concomitante a essa tendência de maior colaboração e troca de conhecimento, segundo Chakroun, há uma tendência de os principais escritórios de patentes do mundo centralizarem um sistema de governança global do conhecimento. O autor vê alguns riscos relacionados a esse movimento, em termos de divulgação pública e difusão de informações tecnológicas. As soluções indicadas são: melhorar a qualidade das patentes, disseminar ao máximo informações sobre patentes e torná-las transparentes e facilmente acessíveis ao público (CHAKROUN, 2016, pp. 45-46).

Outra tendência está relacionada à ampla cobertura da proteção de patentes e à aceleração do processo de concessão e validação de patentes. Essa tendência responde à nova configuração do sistema de patentes, explicada nesta tese sob a perspectiva da melhoria das ferramentas de tradução e da mitigação das barreiras linguísticas, que antes impediam o fluxo de comunicação do sistema global de patentes.

A globalização, juntamente com uma tendência a um sistema de patentes mais harmonizado e internacionalizado, intensificou a disseminação e difusão de ideias, práticas, conhecimentos e tecnologias entre países. Também aumentou as possibilidades e a velocidade de transferência de conhecimento entre nações desenvolvidas e em desenvolvimento. É essa evolução que o estudo de Murthy e Alam evidencia, ao analisar o impacto da economia das patentes e seus benefícios para a inovação na economia da Índia (que pode ser comparada às economias de outros países em desenvolvimento) (MURTHY, 2014, pp. 29-46).

Nesse contexto, a falta de uniformidade e consistência do sistema de patentes ainda representa um fardo para as empresas que desejam fazer valer seus direitos em várias jurisdições. A descrição que segue faz referência a empresas norte-americanas, mas é válida para quaisquer empresas inovadoras em nível global:

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As empresas que realizam negócios através de fronteiras internacionais há muito tempo lidam com custos significativos associados a terem que se adaptar a uma grande variedade de regras de diferentes jurisdições. Para as empresas americanas que se preocupam com a proteção e o cumprimento de seus direitos de propriedade intelectual em escala mundial, essa falta de consistência e aplicabilidade uniforme tem sido uma preocupação significativa há anos (LILLIS, 2015).3

Os estudos acima mencionados apresentam uma descrição de um cenário complexo e globalizado para a transferência de conhecimento, que se associa ao sistema de patentes. O que tais pesquisas também evidenciam é que esse cenário é diversificado, dependendo das culturas locais e de outros fatores, como as diferenças linguísticas ou a distância geográfica. Embora nenhum dos estudos citados discuta diretamente o papel da tradução relacionado ao direito de patentes nesse cenário intercultural, eles tornam clara a associação de um cenário globalizado, em que os documentos de patentes revelam (disclose) conteúdo tecnológico, uma vez que a transferência de conhecimento e a colaboração internacional não seriam facilitadas pela existência de um sistema de patentes se as patentes não representassem um instrumento para revelar o conteúdo das invenções.

O sistema de patentes molda e é moldado por esse espaço intercultural, que se configura como uma estrutura multilíngue, complexa e assimétrica. Embora esse espaço conte com alguns centros de governança do conhecimento, representados pelos maiores escritórios de patentes, e embora tenha alcançado certo grau de congruência em termos de apresentar um substrato comum de diretrizes e conceitos, ainda há muito a fazer para alcançar um nível adequado de coerência e harmonização. As questões de língua e tradução, objeto desta pesquisa,

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representam um caminho importante a ser seguido para lidar com tais discrepâncias.

1.2. Inovação, língua e tradução: evolução histórica e atualizações necessárias

Esta Seção tem como objetivo introduzir possíveis associações entre inovação, língua e tradução, a fim de aproximar-se do objeto principal deste estudo: o papel da tradução no direito de patentes. Portanto, não se pretende esgotar o tema, ainda pouco explorado em estudos científicos. No entanto, embora associar inovação, língua e tradução não consista no foco deste estudo, é importante introduzir a discussão, a fim de fundamentar a relevância da tradução para o sistema de patentes e de dar o primeiro passo para novos estudos, que possam se concentrar na relação entre inovação e tradução.

Após pesquisar, em bases de dados acadêmicas ou em sites da internet, a associação entre “inovação” e “língua”, os resultados que aparecem se relacionam, principalmente, com a inovação no seu sentido comum, como, por exemplo: “inovação em estudos de idiomas” ou “métodos inovadores no ensino de línguas”. Há resultados relativos ao termo inovação (também em seu sentido corrente, ou com o significado de “criatividade”), relacionados à associação entre tecnologia da informação e aprendizagem de idiomas.4

Quando se trata do conceito de inovação tecnológica, os resultados mais relevantes que a pesquisa bibliográfica ofereceu foram alguns artigos não acadêmicos relativos à inovação relacionada à retórica, ou à importância do uso da linguagem na criação de um “ecossistema” de inovação nas empresas. Esses artigos são os que mais se aproximam do que poderia ser interpretado como “uma linguagem da inovação”. Seu mérito está em suspeitar que investigar questões linguísticas associando-as ao fenômeno da inovação tecnológica poderia gerar resultados relevantes para ambos os campos do conhecimento.

H. Doss (2014) escreve um artigo para a Revista Forbes sugerindo que a inovação requer um “modo de expressão” e advertindo

4Veja, por exemplo, os resultados de uma busca simples no Google Scholar: https://scholar.google.com/scholar?hl=nl&as_sdt=0%2C5&q=innovation+langu age&btnG= (último acesso em 7 de setembro de 2018).

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que a maioria das empresas não está sendo capaz de entender essa necessidade, o que explica o fracasso das iniciativas inovadoras dessas mesmas empresas. O autor descreve essa barreira em termos de uma utilização equivocada do discurso, intuitivamente propondo que a “linguagem da inovação” deve ser “aprendida” pelos gestores e por outras pessoas de uma empresa cujo objetivo é aumentar o nível de inovação. Seu ponto de vista é defendido pela distinção entre “a linguagem da inovação” e a “linguagem do comando” e parece centrar-se no discurso que floresce a partir do próprio objeto da inovação como uma solução para essas empresas que desejam criar mais produtos inovadores:

Podemos pensar nisso como um requisito para líderes organizacionais, que devem saber duas línguas, compreender dois dialetos distintos, e saber falar sob dois pontos de vista completamente diferentes - ao mesmo tempo. Por um lado, podemos falar sobre saída - produtos, patentes, atualizações, melhorias e assim por diante - todos os quais poderemos ser capazes de descrever em linguagem bastante precisa, e em termos de uma linguagem que normalmente compartilhamos. Sentimo-nos confortáveis com essa linguagem porque ela é empírica, acessível e comum. Mas é incompleta. Ao mesmo tempo que falamos a língua de comando, precisamos também falar a língua da inovação, da cultura, das coisas que nos ocorrem como menos empíricas (ibid.).5

O autor continua seu raciocínio, propondo que um simples pedido para que funcionários e colaboradores inovem é como uma ordem em uma língua estrangeira desconhecida em relação à “língua” falada por quem realmente inova ou tem potencial para inovar. Ele acrescenta que tal não será compreendido ou cumprido por seus supostos executores:

Em muitas organizações, há uma demanda para se fazer a inovação, uma demanda para implantar táticas e estratégias de inovação, uma demanda para a saída inovadora. Isso equivale a exigir a inovação na linguagem de comando, que é como uma exigência de que se fale inglês

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proferida em francês. Exigir que uma organização se torne inovadora é semelhante a exigir que uma pedra role para cima. A exigência é clara, os atores são claramente definidos, e o objetivo é claro. Mas o resultado é, na melhor das hipóteses, improvável (ibid.).

A ideia sugerida pelo autor não leva a uma descrição do que é ou do que deve ser essa “língua da inovação”. É, no entanto, conveniente para resgatá-la como ponto de partida para propor uma possível associação entre a língua (neste caso, fala e discurso)6 e a inovação

tecnológica vista como um processo. Nesse sentido, a possibilidade de caracterizar a inovação como um discurso poderia ser objeto de estudos posteriores.

Denning e Dunham (2006) também desenvolveram um estudo chamado “Inovação e a linguagem de ação”. Eles justificam o nível de falha de 96% das iniciativas de inovação através de uma má condução da comunicação em ambientes corporativos. Eles acreditam que os inovadores devem ser preparados em termos de aquisição de “certas habilidades”. Essas “habilidades” seriam explicadas em função do que eles chamaram de uma “linguagem de ação”. A linguagem de ação estaria relacionada a um discurso persuasivo e ao fato de que a inovação e a invenção requerem interações comunicacionais específicas. De acordo com essa abordagem, a reivindicação central da linguagem de ação é que ações intencionais e coordenação interpessoal são os resultados de compromissos que as pessoas estabelecem ao dialogarem (ibid.).

Interpretar a inovação em termos de enunciado (como estrutura da linguagem, para explicar de forma simples) ou discurso (uma produção contextual desse enunciado)7 poderia ser uma forma de aproximar os

estudos linguísticos da inovação como um fenômeno econômico, embora também cultural e linguístico, em termos dos resultados econômicos permitidos por esse discurso. Porém, é possível ir muito além com tal associação, já que a inovação é um fenômeno global que implica intercâmbios multilíngues, multimodais, multiplexados, ou seja, troca de informações simultânea de muitos-para-muitos.8 Tais considerações

também podem ser relevantes para lançar novas perspectivas sobre o

6Para a distinção entre os dois conceitos: WODAK; MEYER (2014). Uma referência clássica da análise do discurso é o trabalho de Pêcheux (1982). 7Idem.

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conceito de inovação, o que aumenta as possibilidades de exploração de suas interfaces com os estudos de língua e tradução.

Uma dessas interfaces é a relação entre a ciência e a tradução. Tal interface ainda foi pouco explorada por estudos científicos e poderia, ainda, gerar resultados importantes se confrontada a partir da relação entre tradução e inovação. Mongomery (2000) elaborou um trabalho raro nesse sentido, que consiste em uma abordagem histórica sobre a influência da tradução sobre a ciência em diferentes culturas. O autor também defende a expansão de estudos nessa fronteira, interpretando-a como um objeto de investigação rico e diversificado.

O estudo de Montgomery (ibid.) demonstra que a tradução cumpre um papel fundamental sobre o desenvolvimento da ciência, mostrando que está envolvida em todos os níveis da produção científica. O estudo identifica a história da ciência com a criação de novo vocabulário em qualquer idioma, através de uma evolução que implica escolhas que podem moldar uma cultura em particular ou permitir a transferência de conhecimento entre as diferentes culturas. O autor realça a definição de conhecimento como uma ideia que se modifica de cultura a cultura e indica a tradução como seu principal vetor.

Além de qualquer dúvida, a transferência de conhecimentos tem sido fundamental para a construção de sociedades, aquelas que chamamos de "modernas", acima de tudo. Repetidamente, a introdução de novos conceitos e métodos no direito romano, o sistema numérico arábico, o soneto, a física newtoniana, a perspectiva linear, provaram ser a fonte de novas capacidades de ordenar, dirigir e expandir a existência humana. Colocar o conhecimento de um povo nas mãos de outro envolve a transferência de certos poderes: poderes de expressão, no caso do conhecimento literário ou artístico; poderes sobre os padrões de organização da vida, no caso de formulações políticas, jurídicas ou religiosas; e, no caso da ciência, poderes de imaginação e prática em relação ao mundo material e seus usos (MONTGOMERY, op. cit., p. ix).9

Outro ponto importante levantado por Montgomery é o fato de que a tradução também não se constitui como um fenômeno único,

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simples. O que é comumente definido como “tradução” pode levar a diferentes perspectivas, atores, intenções, canais e resultados:

Conforme utilizado na fala cotidiana, o termo "tradução" é mais como um dossel sob o qual se reúnem grandes multidões de fenômenos. O que tem sido designado como "tradução", em sentido estrito, por exemplo, envolve tanto o intercâmbio oral quanto o escrito, às vezes, simultaneamente. Envolve algo executado por indivíduos, por equipes, por grupos ou comunidades inteiras, mesmo por máquinas. Seus materiais incluem textos originais, textos copiados, alterados, reconstruídos e até mesmo roubados, fabricados, falsificados. Pode até envolver textos imaginários. Tais textos, acima de tudo, compreendem todos os tipos imagináveis de prosa e poesia conhecidos pela humanidade, bem como canções, contos, memórias e visões. Em seus métodos, por sua vez, a tradução permite a possibilidade de uma libertas utilitis (paráfrase utilitária) não revisada, a elaboração dura de um verbum pro verbo (envolvendo a fidelidade de traduzir palavra por palavra), e explora as vastas planícies entre um e outro método. Portanto, produziu trabalhos

totalmente reelaborados, adaptados,

ideologicamente reconstituídos, ou, tão literalmente decantados a ponto de se tornarem incompreensíveis e inúteis (Ibid., p. 3).10

A principal contribuição da obra de Montgomery está em mostrar que é impossível dissociar língua, ciência e cultura, e que a história da transferência de conhecimento (e aqui é possível ler “a história da inovação”) é determinada, em grande parte, por esses intercâmbios linguísticos. Um exemplo dado em seu trabalho é a forma como a ciência moderna japonesa se desenvolveu a partir de um processo de tradução, em suas palavras, de “nativização” da ciência ocidental (ibid., pp. 189-226).

Tal processo ocorreu em fases, de acordo com o estudo mencionado. O livro explica que, no início da história do

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desenvolvimento científico moderno, no Japão, entre 1770 e 1850, uma grande quantidade de conhecimento obtido a partir da ciência ocidental entrou no Japão através da língua holandesa (ibid., p. 227). Após esse tempo, essas fontes mudariam para textos científicos em francês, alemão e inglês. No entanto, o holandês foi a “porta de entrada” predominante da cultura ocidental no Japão por quase um século (ibid., pp. 189-226).

O exemplo do desenvolvimento científico japonês também ilustra que esses processos de intercâmbio via tradução são mais complexos do que parecem ser, e não são simplesmente veículo de transferência de significados unívocos. É um processo de transformação, de criação de novos significados e novas formas de inovar. O Japão, que, hoje, é referência quanto ao acesso de alguns tipos de tecnologias, por sua vez, em idioma japonês, “traduzindo” o conhecimento estrangeiro, tornou-se um modelo de cultura inovadora à sua própria maneira.

Montgomery adverte para o risco de subestimar a importância da tradução em moldar o intercâmbio científico no presente, realçando que o pressuposto da universalidade da ciência pode ofuscar nossa visão dos intercâmbios que são realizados hoje em dia:

O poder da tradução, incluindo a sua capacidade de impor transformações importantes, não diminuiu na era atual, apesar da jargonização contínua e da padronização do discurso científico (...). Isso tem a ver com a crença profundamente enraizada de que, devido à natureza do discurso científico hoje, a sua transferência de um idioma para outros conta como um evento literário sem importância, uma questão de simplesmente passar moedas de um lado para outro. Tal crença tem o seu fundamento em outra crença cega: o universalismo presumido do discurso científico (Ibid., p. 253).11

Há alguns pontos muito importantes evidenciados pela obra de Montgomery, os quais devem ser destacados no presente estudo. O primeiro é a ideia de que a ciência transforma idiomas locais, forçando-os a recriar-se através de novas palavras que representam novas descobertas, novas invenções, novas interpretações da realidade. O que também é relevante é que tais recriações são capazes de atravessar fronteiras e “invadir” outros idiomas e culturas, mediante um processo

Referências

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