Universidade Federal do Acre
Centro de Filosofia e Ciências Humanas
Curso de Bacharelado em História
José Francisco Feitosa Soares
Carnaval de Rua: manifestação da cultura popular na cidade de Rio
Branco – AC (1975-1985).
RIO BRANCO - ACRE
Abril 2011
José Francisco Feitosa Soares
Carnaval de Rua: manifestação da cultura popular da
cidade de Rio Branco-AC (1975-1985).
Monografia apresentada como requisito para a conclusão do curso de Bacharelado em História pela Universidade Federal do Acre. Orientadora: Prof. Msc. Geórgia Pereira Lima.
Rio Branco
2011
Carnaval de Rua: manifestação da cultura popular na cidade de Rio
Branco-AC (1975-1985).
Monografia apresentada como
requisito para a conclusão do curso de
Bacharelado em História pela Universidade
Federal do Acre. Orientadora: prof. Msc.
Geórgia Pereira Lima.
Rio Branco, 08 de abril de 2011.
Banca examinadora
_____________________________
Orientadora: Msc. Geórgia Pereira Lima
_____________________________
Membro: Dr. José Dourado de Souza
______________________________
Membro: Dra. Maria José Bezerra
AGRADECIMENTOS
Em primeiro lugar, meu agradecimento a Deus por iluminar meu entendimento para a compreensão dos conteúdos, que foram ministrados pelos professores ao longo do curso de História Bacharelado e, conseqüentemente, a conclusão deste trabalho no tempo previsto.
Aos meus familiares, meus pais: “Alípio e Raimunda” e em especial a minha esposa “Maria Auxiliadora de Oliveira” que tanto me incentivou e ajudou nos trabalhos realizados como: na digitação e pesquisa bibliográfica de conteúdos que deram embasamento à monografia.
À professora Msc. Geórgia Pereira Lima, orientadora deste trabalho, pelas valiosas contribuições e sugestões que me foram tão importantes para a conclusão desta monografia.
Às pessoas que se dispuseram em conceder as entrevistas: dona Alberli, Marileide e a professora Dra. Maria José Bezerra, por ter emprestado duas fitas da entrevista realizada em 1996, com o criador da primeira escola de samba na cidade de Rio Branco-Ac, o senhor João Reis Ferreira.
Agradeço à Minha amiga Jamile Pontes, por ter formatado minha monografia. Também sou muito grato, á professora Ladisléia de Souza Machado, por te feito a correção de língua Portuguesa na monografia.
Também não poderia deixar de agradecer os professores e colegas de turma, os quais sempre manifestaram relações de compreensão e amizade durante os quatro anos de vida acadêmica na UFAC.
“A forma carnavalesca parece muito importante como um modo alternativo para o comportamento coletivo, sobretudo porque é no carnaval que são experimentadas novas avenidas de relacionamentos sociais que, quotidianamente, jazem adormecidas ou são concebidas como utopias” (Da Matta).
RESUMO
O objetivo desse trabalho é analisar o carnaval de Rua, uma manifestação da cultura popular de homens e mulheres, na cidade de Rio Branco-Acre. Como a sua historicidade pode ser credenciada no decorrer dos séculos desde a Grécia antiga, como afirmava os deuses, um deles o deus Dionísio identificado como um deus da dança, embriaguez e risada. Contudo é a partir da Idade Média que o carnaval, uma festa rústica, camponesa com forte conotação pagã. Consolida-se como uma manifestação popular, o carnaval chegou ao Brasil por volta do século XVIII, sob influência européia, principalmente de Portugal. Hoje se tornou em vários Estados como: Rio de Janeiro, Bahia, São Paulo uma manifestação sociocultural parte da cultura popular brasileira. E no Acre, particularmente, em Rio Branco atua nos anos de 1975 a 1985, os registros acervos do carnaval de rua mostraram como um momento de muito divertimento, as escolas de samba, blocos e clubes, um carnaval “rio-branquense” na base de sem violência.
Sumário
Introdução...08
Capítulo I – A cultura popular revisitada: entre o tempo dos carnavais e o
carnaval no tempo...10
1.1 A historicidade do fazer folias e carnavais...10
1.2 Recompondo quadros de carnavais na cidade de Rio Branco...18
Capitulo II – Recompondo memórias carnavalescas na cidade de Rio
Branco...25
2.1-Imagens de carnavais um caleidoscópios de tempos múltiplos: uma
leitura das representações sociais de luta e resistência...25
2.2-Recompondo as folias de ruas e clubes: revisitando memórias...35
Capitulo III- Cortes e recortes: a memória do jornal “O Rio Branco” do
carnaval rio-branquense...41
3.1-os blocos de carnaval de rua...41
3.2-o carnaval nos clubes...44
3.3-As escolas de samba...49
Considerações Finais...54
Introdução
Na presente monografia, aborda-se como se constituiu o processo do carnaval de rua, que tem como título carnaval de rua manifestação da cultura popular na cidade
de Rio Branco-Acre de (1975-1985).
Um fator importante para a escolha desse assunto, carnaval de rua, se deve a busca de saber que imagem os foliões e a imprensa faziam da memória do carnaval na cidade de Rio Branco, bem como, os desfiles das escolas de samba, dos carnavais nos clubes e na rua nas décadas de 70 e 80, buscando entender como se envolviam as classes sociais. Havia diferença e discriminação ou todos brincavam no mesmo local sem haver distinção de posição social.
Essa proposta implica em apresentar a academia uma origem sob o enfoque da compreensão da memória dos foliões e sujeitos sociais representantes da sociedade acreana, sobressai da relevância social, cientifica e acadêmica desse trabalho. Importante, se deve a viabilidade de fonte: jornal, livros e entrevistas que possibilitaram compreender o carnaval em sua Historicidade, pensá-lo como uma manifestação da cultura popular nesse sentido se tornou um viés para compreender a sociedade rio-branquense.
O objetivo principal dessa pesquisa é compreender como se desenvolvia o carnaval de rua na cidade de Rio Branco-acre, nos ano de 1975 e 1985, e como era essa manifestação dos foliões durante a festa popular do carnaval.
Os objetivos específicos são:
Compreender como se deu a contextualização da cultura popular do carnaval de rua e sua historicidade do fazer folias em Rio Branco-ac, contextualizando e analisando a memória carnavalesca e sua imagem caleidoscópios dos foliões rio-branquenses como também compreender o jornal “O Rio Branco”, para entender a manifestação popular durante os desfiles das escolas de samba, blocos e as festas nos clubes, nas décadas de 1970 e 1980.
Metodologia foi utilizado nesse estudo uma pesquisa qualitativa a parte método indutivo/explicativa no qual o pesquisador trabalhou os dados analisa, na
perspectiva de formar um quadro geral explicativo sobre o assunto pesquisado. Também foi utilizada ainda pesquisa bibliográfica, documental e pesquisa de campo. Portanto, este trabalho encontra-se assim estruturado. O primeiro capítulo - a cultura popular revisitada: entre o tempo dos carnavais e o carnaval no tempo; esse trabalho conduz o leitor a uma viagem historiográfica trazido da Grécia Antiga ao Estado do Acre, particular em Rio Branco, para recompor o quadro da historicidade da manifestação da cultura popular.
O segundo capítulo - recompondo memórias carnavalescas na cidade de Rio Branco. E buscar compreender o caleidoscópio de tempo múltiplo como as imagens do carnaval de rua na cidade de Rio Branco, foi registrado pela memória dos seus foliões e pela Imprensa, na perspectiva de analise das fontes muitas vezes é o lugar da memória da sociedade rio-branquense.
O terceiro capítulo - cortes e recortes: a memória do jornal “O Rio Branco” do carnaval rio-branquense. Compreender os traços do cotidiano e da cultura popular manifestadas nos carnavais de ruas, clubes e escolas de sambas da parte dos registros do jornal O Rio Branco de 1975 a 1985.
Capítulo I - A cultura popular revisitada: entre o tempo dos carnavais
e o carnaval no tempo.
1.1- A historicidade do fazer folias e carnavais.
“[...] ou único momento na historia da Grécia pré-socrático, naquela época da juventude do povo grego [...] em que nasceu o homem Dionisiaco-seja ele o super-homem, ou o louco, ou o ébrio atordoado pelo vinho ou pelas drogas [...], também a sua natureza alienada, hostil ou subjugada celebra a sua festa de
perdão ao filho perdido. É um deus louco que bebe e tem embriaguez, dança e ri “(NIETZSCHE, 1888, p.406,7).
A historicidade que envolve o fazer folias e carnavais revelam que seu provável início, ocorrera na Grécia antiga, quando nos reportamos à mitologia grega, podemos destacar as festas dos Deuses, principalmente Dionísio que transplantado para a tradição romana se manifesta nas festas do Deus Baco, conhecido como deus do vinho, da orgia e da festa exótica. Essas descrições daquela época segundo Nietzsche, são de um homem que se apresentava com seus membros cantando e dançando, como louco que se embriagava, dançando e dando risada.
Dessa forma, se pode apreender que, desde a antiguidade, homens e mulheres se davam ao divertimento do corpo com representação de danças exóticas sem a conotação da idéia de pecado. Contudo, a partir da Idade Média, todas as formas de manifestações do riso, da dança e da sexualidade, passaram a ser identificadas como “coisas mundanas”, diabólicas e, portanto, impregnadas de pecado.
LE GOFF (1998) ao se referir ao carnaval, durante a Alta Idade Média, afirma que esta “era uma festa rústica, camponesa, com forte conotação pagã, invade a cidade, urbaniza-se, e introduz uma contestação ideológica”.
Neste sentido, podemos considerar três características a que se refere Le Goff, acerca do carnaval, pertinentes a nossa analise; primeiro que o autor, ao identificar o carnaval como sendo uma “festa camponesa”, “conotação pagã” e que “invade a cidade [e] urbaniza-se”, nos permite perceber que esses componentes ainda estão presentes e se revelam na história do carnaval de rua realizado da Cidade de Rio Branco.
Dez séculos separam as festas nas ruas das cidades medievais, do carnaval de rua da cidade de Rio Branco. Contudo, se durante a Alta Idade Média a classe camponesa foram responsável pela realização de folias carnavalescas nas “ruelas” das cidades medievais, em Rio Branco a partir da década de 1960, segundo a entrevista do senhor Santinho, revela o carnaval de rua como sendo próprio do fazer cultural de homens e mulheres das classes trabalhadoras. Em sua entrevista ele nos informa que ao chegar à cidade de Rio Branco, na década de 1960. A manifestação do carnaval não estava consolidada; sendo a fase a principal folia dessa sociedade.
Assim, a cultura de massa vai absorver a cultura popular, e tentar transformá-la em coisa mais sofisticada do ponto de vista da cultura local. Com isso podemos dizer que em Rio Branco, segundo o João dos Reis Ferreira (seu Santinho), que chegou a Rio Branco-Acre, em 1968, vindo do Estado do Rio de Janeiro, a convite do senhor “Severino Barro Alto” e do “Dr. Elmar Galvão” que era juiz de direito Federal. No Rio de Janeiro trabalhava no SESI, e também como lanterneiro e conhecidos do samba acreano ao chegar a Rio Branco, continuou a desenvolver a atividade de lanterneiro mecânico e, promoveu ainda a principal organização do samba rio-branquense.
Retomando de 1975, ao afirmar que o carnaval, ao “invadir a cidade, urbaniza-se e introduz uma contestação ideológica”. Isso implica pensar que os camponeurbaniza-ses, na visão daqueles que moravam no meio urbano, trouxeram uma “conotação pagã” para cidade, pois ideologicamente o “carnaval era concebido como algo que [e] opõe a quaresma, combate a mentalidade penitencial e ascética da religião cristã.”
Consideradas as devidas proporções, podemos dizer que o carnaval ainda hoje apresenta reflexo daquela conotação pagã, no sentido no pensamento religioso. Dessa forma, é possível perceber que a mentalidade cristã rio-branquense que se opõem ao carnaval, ao alegar ser este uma festa satânica, “mundana” onde a exibição do corpo torna-se uma queda moral diante de Deus; é possível identifica tal propósito no chamado “Rio de águas viva” da “Igreja Católica”, e o “Korban” da “Igreja protestante” que durante as festividades carnavalescas, podem ser entendidas como proposta de romper com o profano, vale lembrar que essas práticas usadas pelas igrejas atuais, são advindos dos chamados “retiros”, um tipo de afastamento dos prosélitos para meditação e purificação espiritual, enquanto acontece na cidade, o anti-sagrado, ritual do carnaval.
O que nos expõem esses sujeitos em seus diferentes lugares e tempos históricos? Que Concebemos esses, como homens e mulheres no tempo, em seus fazeres culturais, que forjam saídas passíveis de serem identificadas em suas experiências de vida, registradas como subserviência e, ou, submissão social, bem como, de lutas e resistências.
Desta forma, resguardado as devidas proporções dos contextos históricos que as temporalidades aqui referidas cercam o fazer de homens e mulheres, sujeitos históricos que desvelam uma historicidade contraditória que encerra a arte da folia e do
carnaval. Uma historicidade crivada de circunstancias históricas próprias do fazer humano, como nos afirma Maria Aun, acerca da história como campo de possibilidades
“[...] A HITÓRIA COMO CAMPO DE POSSIBILIDADE, visualizam – se em cada momento, diferentes propostas em jogo e se uma delas venceu, venceu não porque tinha de vencer, mas por uma serie de injunções que é preciso desvendar.”(1989, p 43)
Nesse sentido, ao buscar desvendar o que representava o carnaval no período histórico medieval, Le Goff nos apresenta como sendo uma luta ideológica para além do confronto entre campo e cidade, visto que a concepção de campo era uma referencia ao rústico, atrasado em contradição com a cidade considerada civilizada. Esse confronto mostrou ser de domínio ideológico entre o sagrado e profano ainda hoje contemporâneo em nossa sociedade.
Neste contexto sociocultural, ambos os projetos sagrado X profano permanecem e se re-atualizam até os dias de hoje. Assim, o carnaval ao longo do tempo não se extinguiu, mais invadiu a cidade e se perpetuou como uma forma de expressão cultural do humano, tão presente naquele passado histórico, quanto nesse momento na cidade de Rio Branco.
O sagrado se ressente da visibilidade “pagã”, profana, que o carnaval durante a Idade Média representou; a alegria, o riso por serem expressões humanas contrárias ao modo de viver daquela época, próprio ou mesmo imposta ao homem medievo, com expressão facial de “pranto, contrição e de arrependimento caracteres do homem pecador”.
Nos dias atuais, na Cidade de Rio Branco, a reação manifestada por algumas igrejas em oposição ao carnaval apresentam sentidos similares como acontecia na sociedade Medieval. Homens e mulheres demonstram suas alegrias e prazeres nas noites de carnaval em nossa cidade e ainda são vistos como sujeitos do pecado o que revelam esses sujeitos históricos?
Tomando por base a afirmação de Maria Aun (1989), podemos dizer que sujeitos históricos se revelam atuantes e portadores de projetos diferenciados [mas] que nos ajudam a desvendar as injunções de uma problemática vencida no passado, mas ainda presente hoje, chamando para si a possibilidade de [ainda] intervir no presente.
Deste modo, vemos que os sujeitos sociais podem atuar em diversos lugares tanto, no tempo e no espaço diferente os acontecimentos carnavalescos ocorrido, no período medieval ou mesmo nos dias atuais, aqui mesmo na cidade de Rio Branco, demonstrou a manifestação sociais em suas múltiplas experiências sociais.
O carnaval citado ainda por LE GOFF, (1998) “transformava-se em algo que se opõe à quaresma, combate a mentalidade penitencial e ascética da religião cristã, faz triunfar o riso, que volta a ser, como na antiguidade, algo próprio do homem” [...].
Institui diante do exposto, o carnaval mesmo de origem camponesa, se na cidade como uma forma de oposição à quaresma criada pela [igreja], daquela época, significando quarenta dias de penitência e consagração do corpo, com objetivo de livra o homem do pecado carnal, período que levar o ser humano à morte espiritual. Atualmente pouco além do pecado, a indústria do carnaval se institucionalizou e garante a continuidade da expressão popular para o bem do mercado capitalista.
Um exemplo é o carnaval no Rio de Janeiro, em seu início de influência Portuguesa, em razão da própria colonização. Como cita Burke (2000), o “carnaval do Rio de Janeiro, do século XIX, por exemplo, derivou da tradição do “entrudo” Português”. [...] o entrudo era uma festa tradicional daquele país em que se brincavam lançando casca de ovos ou bisnagas de cera cheia de água, um nos outros.
Informa ainda que qualquer pessoa familiarizada com os carnavais europeus sentir-se-á em casa, ao chegar ao Brasil, e observarem os carnavais do “novo mundo”, e principalmente no Brasil, uma copia da festa carnavalesca da Europa, utilizando para as folias carnavalescas fantasias, e máscaras que revelam modelo europeu, como afirma Piter Burke.
“O fantasiar-se e usar mascaras eram um costume europeu. e mesmo alguns dos costumes preferidos dos americanos, como os hussardos, os arlequins do Rio e os pierrôs e polichinelos de Trinidad, copiavam modelos europeus [...]” (BURKE, 2000, p. 218).
Nota-se que a cultura carnavalesca foi transplantada da Europa para o Brasil, como as fantasias, arlequins, pierrôs e outros que se pode notar é que no Brasil, se criava poucas coisa naquela época. É como afirma Burke (2000) “ que em relação ao Brasil com a Europa, precisamos levar em conta, não apenas a tradição inconsciente,
mas também a imitação consciente” [...] Os Brasileiros, [...] eram e na verdade ainda são muito atraídos por modelos culturais estrangeiros”.
“No Brasil do século XIX. Citavam-nos na Imprensa como modelos de carnaval “civilizado”, nas tentativas de proibir o entrudo e substituí-lo por alguma coisa mais racional, higiênica [...] a elite brasileira considerava o carnaval europeu não violento, um carnaval “bom” e civilizado, em contraste com o carnaval brasileiro, “ruim” e não civilizado. [...] como registrou um visitante Inglês em Veneza, em fins do século XVI:” Na noite da terça-feira gorda, houve dezessete assassinatos, e muitos feridos” (BURKE, 2000, p.218).
Então, nota-se que nessa citação, a elite brasileira concebe o carnaval do Brasil ruim não civilizado, violento sem higiene. Conseqüentemente, é a opinião do carnaval no Brasil da classe mais abastada; é talvez seja diferente do ponto de vista da classe menos favorecida, trabalhadora para quem o carnaval seja um momento de liberdade de expressão contestação.
Entretanto o carnaval de rua na cidade do Rio de Janeiro ao século XXI, mostra evolução significativa e garante na avenida de “Sapucaí” desfiles originais, fazendo o profano estabelecer-se nas noites de folias, para além do culto satânico se fez escolas carnavalesca, as chamadas “escolas de sambas”.
Da Matta (1990), diz que na “escola de samba se entende como uma organização coletiva, mas que permite o destaque, essa forma extremada de individualismo. do mesmo modo, a escola se reparte em alas que podem ou não crescer, multiplicar-se e desaparecer”. Então as escolas de samba, expressas em seus desfiles a associação entre o coletivo e o pobre, em oposição ao individual e o rico. Pois tudo o que é rigorosamente coletivo na escola (como a bateria) é feio, pobre e uniforme. Mas tudo que é destacado é luxuoso e rico. Nesse sentido, o carnaval escola possibilitou sair da visão ideológica do profano x sagrado para versão sobre o critico palco social desnudo do possuído e despossuído.
Burke (2000), os “desfiles das escolas de samba do Rio hoje, lembram as paradas e carros alegóricos que já se viam em Florença e Nuremberg no século XV”. Ainda no Rio, existem além das escolas de samba, os blocos que arrastam uma multidão de pessoas pelas ruas das cidades, todos fantasiados com vários tipos de roupas, segundo Da Matta:
“no Rio de Janeiro, existem três tipos de blocos. Os blocos de enredo ou desfile, os blocos de embalo ou empolgação, e os blocos de sujos. No carnaval de 1977, desfilaram cerca de 237 blocos de enredo, cada qual com cerca de 1.000 participantes; 31 blocos de embalo, cada qual com cerca de 1.500 pessoas, e cerca de 24 blocos de sujos, com 100 pessoas cada (DAMATTA, 1990,p.103).
Aqui em Rio Branco, na década 1970, já existia carnaval de rua como se pode perceber na pesquisa realizada nos órgãos como: CDIH, Patrimônio Histórico cultural, Parque Capitão siríaco, Museu da Borracha e com as entrevistas realizadas.
Contudo, o carnaval brasileiro se restringe apenas ao Rio de Janeiro, Bruhns (1995), nos informa as forma de fazer folia e carnaval de Rua em vários pontos do Brasil. mostra que em Olinda, por exemplo, vamos encontrar o bloco “Bacalhau do Batata“. Criado desde 1964 sai na quarta-feira de cinzas, sendo composto por aqueles que trabalham durante o carnaval. “O bloco foi idealizado pelo garçom Isaias F. da Silva, de 68 anos”, vemos que esse garçom gostava muito de carnaval e criou aquele bloco para brincar na quarta-feira de cinza, junto com quem não podia sair, como ele, nas noites normais.
BRUHNS (1995) “em São Paulo o carnaval de Rua de Bauru teve, no ano 1996, um bloco formado por pacientes e 45 funcionários da sociedade Beneficente cristã, Hospital filantrópico que existe desde 1956”. Pode-se vê que em Bauru, os pacientes formaram um bloco carnavalesco e receberam apoio dos enfermeiros do Hospital. Isso é bom para que os mesmos criem um novo ânimo e enfrentem a doença com otimismo.
Ao revelar o carnaval de Rua de Salvador, BRUHNS cita que o bloco “ILHE-AIÊ”, da Bahia, é composto unicamente por indivíduos negros. Na fala de seu fundador, Antonio Carlos dos Santos, “negro na Bahia só brincava carnaval de duas formas: ou como músico dos blocos de branco ou na corda”. Segundo o fundador desse bloco os negros da Bahia, só brincavam de duas formas, quando sendo músico e na corda. Em Rio Branco existiam blocos com nomes como “Não pise na batata” e “saco cheio” que não eram como o “ILHE-AIÊ”, mas eram blocos de sujos e que era consentido desfilar no mesmo, qualquer pessoa, não importava a cor ou classe social.
Segundo a autora BRUHNS “Ainda em 1976, fora do eixo Rio, São Paulo, a Bahia ampliava seu espaço: 25 trios-eletros e 150 blocos justificavam a afirmativa dos jornais sobre “o maior carnaval de rua do país.” O Estado da Bahia, na década de setenta, conseguiu tirar o foco do carnaval de rua do “sudeste”, Rio, São Paulo e trouxe o olhar no nordeste dos pais. Porém aqui no Acre, nesse período, o carnaval de rua tinha mais ou menos três anos de criação, em Rio Branco
“Os atritos entre os policiais e os foliões eram, segundo aqueles, encorajados pela bebida que os tornavam desafiadores das regras do “bom convívio”, no espaço publico e nas relações sócias. Não havia entre essas proibições referencia ao entrudo e aos blocos, como ocorria nos comunicados da policia, anteriormente” (FENELON, 2005, p.72).
Segundo a autora, os foliões davam trabalho a policia naquela época na cidade de São Paulo, e deveria haver uma harmonia nas relações sociais? Existiam proibições entre os blocos de carnavais de rua, já que os mesmos eram encorajados pela bebida. Porém aqui em Rio Branco, segundo o jornal O Rio Branco, não havia violência no carnaval de rua, a polícia ficava à paisana junto aos foliões, para evitar brigas.
Vale ressaltar que em Rio Branco havia as celebrações nesse momento, de bailes, passeatas, blocos e também no caso dos desfiles de rua. Seja realizada de forma muito comportada, percebida pelas roupas usadas no carnaval na década de 70/ 80. Porque é importante fazer uma ressalva em relação aos blocos e escolas de samba segundo BRUHNS:
“A flexibilidade, bem como a independência nas decisões, parecem ser maiores entre os blocos, quando comparados com as escolas de samba. Menos oficializados e, portanto, com posições menos demarcadas e hierarquizantes, conduzem a formas de organização e apresentação próprias, com maior imprevisão” (BRUHNS, 1995, p.125).
Para a autora o bloco de carnavais de rua tem mais flexibilidade que as escolas de samba; aqueles são menos demarcados e hierarquizados, que estas. Por isso dá-se em forma de organização, e as escolas têm uma maior autonomia. Portanto, a
historicidade mostra que o modo de expressão cultural de homens e mulheres através do carnaval se modifica ao longo do tempo.
1.2. Recompondo quadros de carnavais na cidade de Rio Branco.
Segundo Bosi (1991, p.65) “a cultura popular pode atravessar a cultura de massa, tomando seus elementos e transfigurando esse cotidiano em arte”. “Afirmando que a cultura popular, pode assimilar novos significados em um fluxo contínuo e dialético”. Nota-se que a cultura popular influencia a cultura de massa, e a transforma em um cotidiano artístico.
Assim segundo seu Santinho, quando chegou à cidade de Rio Branco só existia alguns blocos de sujo e, as noites de carnavais, nos clubes da cidade. Ainda, não havia as chamadas escolas de samba, na cidade rio-branquense aí com a sua chegada [seu Santinho] é que foi criada a primeira escola de samba Unidos do Bairro Quinze.
Enquanto para Williams (1992, p.11) cultura é “modo de vida global” [...]. Também a cultura na visão deste autor encerra a divergência de interesses e valores. Nesse sentido, as contribuições da sociologia e da antropologia têm possibilitado ao historiador, pensar criticamente a cultura, que passa a ser entendida como espaço de resistência de grupos sociais excluídos, dentre os quais os ocupantes chamados de “invasores” da cidade de Rio Branco-Acre.
Em Rio Branco, segundo seu Santinho, em uma das escolas de samba que ele criou, o convidou para desfilar, mulheres ou “garotas de programa” e a sociedade criticou ficou suas sambistas escolhidas por não pertencerem à sociedade rio-branquense.
É importante refletir acerca do conceito de cultura de Bosi, a partir do seu pensamento sob cultura popular e Cultura de massa. Bosi (1991, p.77) “cultura de massa, diferentemente do folclore, não tem raízes na vivência cotidianas do homem da rua. Ela produz modas (rock and roll, twist), mas não foi capaz de criar nada que se assemelhasse ao jazz do negro norte-americano. Um setor considerável da população, extraído das classes médias, mas não exclusivamente, é capaz de consumir e de fluir objetos culturais menos primários”.
Bosi (1991, p.73) “Cultura popular consiste em uma educação informal, que se entrelaçam: os elementos mais abstratos do folclore podem persistir através dos tempos. No século passado, vista como cultura dos incultos, a cultura popular já é sentida como diferente da erudita. A arte pode realizar uma conciliação entre as duas culturas “massa e popular” e a revelação do homem através do mito. São os estudos das formas de subcultura, ou melhor, de cultura não oficial e não acadêmica viva nas cidades do ocidente nos últimos séculos”.
E também segundo Williams “cultura é modo de vida global”, após te lido o conceito de cultura popular de Williams e Bosi, [faz eu] sobressaindo daí pensar que
seja cultura é tudo aquilo que o homem e a mulher fazem do carnaval como expressão humana da cultura rio-branquense.
No ano de 1969, foi criada a primeira escola de samba “Unidos do Bairro quinze”, retrata nesta época os carnavais nas ruas de Rio Branco, era representado pelos blocos de sujos, sendo que nesse desfiles poucos foliões, na época, afirma João dos Reis (seu Santinho) que nessa década de 60 no Acre, não existia carnaval, ele havia encontrado o mundo rio-branquense “vazio” do samba
“O povo do Acre não conhecia nada de samba; conhecia o samba cantado assim, forro e carimbo, mais não era samba de carnaval [...] tinha blocos de sujos pintado de urucu, eles falaram quando eu cheguei aqui, perguntei tem escolas de samba? Eles disseram não! eu disse não tem escolas de samba? Não! E o que é que tem, aqui tem os blocos do “cuscuz”, e do Luizão o bloco do “urucu” [...] (Entrevista realizada com o senhor João dos Reis Ferreira( seu Santinho), em 22-07-1996).(acervo da pessoal da professora: Maria José Bezerra).
A partir da chegada do seu Santinho na década 1960 em Rio Branco, se tem um divisor de águas, seu Santinho sonhava ser único. Funda uma Escola de Samba “Unidos do Bairro Quinze”, sambista as “garotas de programas” do bairro. Os primeiros, instrumentos da bateria que eram feito de lata, e tinham a cobertura de pele de animais da região acreana. O ensaio e os passos do samba eram ensaiados com as moças e rapaz aquela época, e um detalhe: a ala das baianas era de meretrizes origem ao próprio bairro Quinze, vale dizer que a bateria era sempre de 30 componentes.
“em 1969, o primeiro dia de desfile de inauguração da escola “unido do quinze”, foi no domingo e era um grupo com mais ou menos de 80 pessoas, entre figurantes e a bateria [...], ai tudo bem, ai eu marquei para gente sair 2 horas da tarde, e o desfile foi ate 8 da noite [...], já na segunda feira continuo um carnaval bonito, com mais de 100, foliões[...], e na terça-feira, saiu 150 pessoas daqui pra La, ai quando chegou La foi mais de 200 e tantas pessoas,ai quando nos chegamos do outro lado, aquelas pessoas que tinha por ali, na terça-feira o ultimo dia de carnaval de 69[...] ( entrevista realizada com seu João dos Reis Ferreira, em 22-7-1996).
Desta forma podemos dizer que carnaval em Rio Branco no seu inicio tinha poucos foliões. Na primeira noite, segundo seu Santinho, tinha cerca de oitenta pessoas no domingo, na segunda noite e terceira noite no término os componentes chegavam a duzentas pessoas.
Nota-se uma evolução no carnaval de Rio Branco, desde a criação da primeira escola de samba em 1969. Entre os anos 1975 a 85, houve um crescimento considerável segundo as pesquisas feita no jornal O Rio Branco, esse mesmo periódico revela em 1975 outras agremiações carnavalesca, passaram a configurar no cenário que o rio-branquense, bem como blocos e carnavais de clubes. Segundo esse jornal:
“a primeira escola de samba a desfilar e a “Unidos do Bairro Quinze” e por ultimo a escola de samba da cadeia velha (campeã de 74) [...], primeiro bloco a desfilar Independência Futebol Clube, seguido por o bloco Atlético Clube Juventus (campeão de 74)...],o clube vasco da gama, s e Rio branco Futebol Clube[...], também os blocos Independência Futebol Clube, Atlético clube Juventus[...].( o jornal O Rio Branco, 09/02/1975, p.04).
Pode-se ver que o carnaval de Rio Branco, nessa época, já representava características de desfile, com escolas de samba, blocos competindo, campeonatos de carnaval, desde 1975. Já não se apresentava como seu Santinho, encontrou no final da década 1960, carnaval de rua representado pelos blocos de sujos e festa carnavalesca de clube -TENTAMEN.
Nota-se que o samba em Rio Branco foi evoluindo com o passar dos anos segundo o jornal “O Rio Branco”, a partir da década de 1980. Pode-se notar um carnaval com mais regulamento para os desfiles de escolas de samba. Todas e quaisquer agremiações poderiam solicitar inscrições no concurso das escolas promovido pela prefeitura municipal de Rio Branco, desde que aceitassem as condições estabelecidas no regulamento. No ano de 1980, novas escolas de samba, seguiram os integrantes do Diplomata do Bosque com cerca de cento e cinqüenta foliões na avenida, a Unidos do Bairro Quinze, bicampeã, exaltou o tema “abolição” que tinha como puxador Lereldo que recebeu aplausos dos jurados e uma “pequena manifestação de riso” do governado Joaquim Macedo.
“Em São Paulo, somente houve alteração em 1968, quando as escolas de samba Paulistanas passaram a ser estruturada de acordo com o modelo carioca. Os bailes foram relegados em favor da comissão de frente; o estandarte definitivamente substituído pela bandeira acompanhada por mestre-sala e tornou-se obrigatório a presença de “baianas”. O enredo assumiu importância capital, passando a definir toda a montagem do desfiles. A expressão “ala” torna-se corrente para designar grupo de componentes representado parte do enredo ou não e a denominação de “bateria” passa a
substituir a de “batuque” para o conjunto instrumental. Ficou definitivamente abolida a participação de qualquer instrumento de sopro na parte musical” (FENELON, 2005, p.82).
“Já o jornal “A Gazeta”, que nessa época, fundação em 01/o4/1978, era chamado “Gazeta do Acre”, em seu segundo ano, publicou uma reportagem intitulada carnaval será dos melhores”, porém a escola de samba Diplomatas do bairro do Bosque” discorda de alguns comentários de que o carnaval deste ano está frio, sem dinheiro, muita chuva e outros fatores mais”, há uma contradição do jornal em sua primeiro edição, que vem falando que o carnaval desse ano será melhor e a escola de samba Diplomatas do Bosque, se posiciona ao contrário à posição do jornal que já estréia contando vantagem, será por causa da influência dos órgãos provavelmente governamentais no mesmo? Ainda em 1978, o jornal Gazeta do Acre publicou a seguinte matéria:
“para o jornalista e advogado Elzo Rodrigues, cujo nome não precisa de apresentação e nem de comentários pelos serviços prestados à comunidade, ele acha que será um dos mais quentes de todos os tempos, e explica: - sujos vem saindo às ruas desde todo o mês de fevereiro, inclusive batuqueiros de sua escola, o que não se via há muito tempo. Nos clubes não há mais reserva de mesas, apesar dos preços astronômicos que vêm sendo exigidos pela quadra momesca – o Sequito de rei momo, I e único, abrindo o carnaval e recebendo a chave da cidade das mãos do prefeito Inácio Santos, amanhã, numa iniciativa da imprensa do Estado, é coisa que nunca mais se viu no Acre” (Gazeta do Acre, 25.2.1979, p.8).
Esse jornal Gazeta do Acre, com apenas um ano de fundação já traz uma reportagem como essa, comentada pelo jornalista Elzo que fala que o carnaval naquele ano será um dos mais quentes dos últimos anos. O jornalista Elzo diz ainda, que o prefeito irá entregar as chaves da cidade nas mãos do rei momo “Sequito”. Cita, além disso, que a imprensa do Estado deveria fazer uma reunião coisa que nunca mais se tinha visto aqui. Percebe-se que o jornal Gazeta do Acre, já surge bajulando os órgãos governamentais.
Ainda sobre a Gazeta do Acre, no ano de 81 tinha estampado como título a seguinte manchete:
“CARNAVAL SERVIDORES PODER FOLGAR.” O governador Joaquim Macedo baixou decreto, ontem facultando o ponto do funcionalismo Estadual na segunda-feira da próxima semana, em virtude das festas carnavalescas. O decreto não será aplicado: - segundo seu texto – aos servidores considerados de estrito interesse publico que deverão continuar funcionando normalmente durante a quadra carnavalesca. O expediente público só será cumprido a partir de quarta-feira pela parte da tarde “(Gazeta do Acre, 16.2.1981, p.5).
O jornal Gazeta do Acre, novamente destaca, a propaganda governamental, expondo manchete, falando do decreto que o mesmo baixou para dispensar os servidores públicos na quadra carnavalesca dos meses festivos, que são fevereiro e março. Fala ainda que o feriado não será pra todos os servidores, exceto aqueles trabalhos de estrito interesse público.
O mesmo jornal destaca no ano de 1981 para a seguinte manchete: “clube por clube, os quatro dias de festa”. Estes clubes são Rio Branco Clube, o mais tradicional da família acreana, a euforia é geral e a procura de convites e carteiras de sócios tem sido uma constante. O INDEPENDENCIA Futebol Clube, este ano entregue a alguns atletas, também está de “vento em poupa”, e promete se uns dos melhores. No clube tricolor, mesas não mais existem à venda. Segundo Waldir Silva. Uns dos responsáveis.
“No Atlético acreano, clube que domina o segundo distrito, tudo é tranqüilidade, só se espera que seja iniciado logo o carnaval”. Fala assim o presidente Wilson Ribeiro. Já o Juventus é tudo alegria, diz Jaircio Teixeira, presidente do Atlético Clube Juventus, na tarde de ontem, declarou que o carnaval este ano na sede do clube do povo, será o melhor dos últimos tempos. O BANCREVEA clube de Rio Branco, como tradicionalmente ocorre, estará com presença de associados e pessoas especialmente convidados. Dr. Sergio Batista Quitanilha, disse à reportagem que durante a quadra momesca não será permitido à presença de pessoas estranhas.
ASSERMURB, um novo clube que surge em ponto de bala, A bela Associação dos servidores municipais de Rio Branco (ASSERMURB), clube que surgiu há pouco menos de quatro meses, se faz sua estréia no carnaval acreano, está fazendo bonito. O SBORBA: carnaval, paz e amor. Paz e amor e tranqüilidade, é o principal tema dos diretores da associação beneficente dos operários de Rio branco SBORBA, que este ano está pintado como uns dos bons clubes para se brincar. O ingresso especial será vendido até momentos antes do inicio da folia.
A TENTAMEM: uma tradição que promete voltar-Associação Recreativa TENTAMEN, tradicional clube de nossa cidade, grandes carnavais de outrora, poderá voltar a ser destaque durante este ano. Sob direção de uma só família, o grande barracão de zinco, revivera os grandes momentos vividos no passado. Mesas e convites ainda estão sendo vendidos.
O carnaval de rua aqui na cidade, que vai do período de 75 a 85, segundo o jornal “O Rio Branco”, no ano de 82, o desenvolvimento do enredo da escola de samba da cadeia velha, a agremiação brincante entram em ritmo acelerado de trabalho na confecção de carros alegorias e fantasias. A união de todos os brincantes da “cadeia velha”, é que vem propiciando uma alta organização, onde todos os detalhes do enredo a ser desenvolvido estão sendo estudados com minuciosas cautelas. João Aguiar presidente surpreende muita gente este ano, com inovações que são suas armas secretas para ganhar o desfile.
Enquanto o NOSSO CLUBE, com nova roupagem-dirigida pelo empresário Manoel Almeida, está passando por uma reforma geral na sua decoração. A maior pista de dança da cidade pretende oferecer ao folião um ambiente descontraído, com preços populares. Ao bem da verdade, apesar de ser um clube de categoria “A” o nosso clube sempre cobrou preços acessíveis aos seus freqüentadores.
Nota-se que há uma diferença entre os dois jornais “O Rio Branco” e o jornal “Gazeta do Acre”. A Gazeta do Acre, que hoje se chama jornal “A Gazeta”, nas duas edições pesquisadas, dos anos de 79 e 81, as reportagens fazem muitas propagandas dos órgãos governamentais. Já o jornal O Rio Branco, pesquisados entre 1975 a 1985, que o mesmo, não traz reportagem falando dos governantes. Então, pelas leituras feitas nos jornais pode-se vê que um, defende o governo, enquanto o outro critica.
Portanto, ao recompor o período dos carnavais rio-branquense é importante frisar o ano de 1969 quando seu João dos Reis (seu Santinho) ao criar a primeira escola de Samba da cidade deixou de agora disse os carnavais e que os anos de 1975 e 1985, se matinha como momento históricos o agir do carnaval de rua.
CAPITULO II – RECOMPONDO MEMÓRIAS CARNAVALESCAS NA
CIDADE DE RIO BRANCO.
2.1 - Imagens de carnavais um caleidoscópios de tempos múltiplos: uma
leitura das representações sociais de luta e resistência.
“A fotografia não fala, mas pode comunicar uma mensagem.” (VIEIRA, 2007, p. 58).
Ao pensar o carnaval da cidade de Rio Branco, como um caleidoscópio de imagens que se constituíram em registros e se apresentam como uma possibilidade de dialogar com os tempos múltiplos da historicidade das décadas de 1970 e 1980 e também, nos permite uma leitura das representações sociais e dos espaços carnavalesco.
Figura 01: Fotografia catalogada pelo Patrimônio Histórico (s/data, ano aproximado 75 a 76). Informação de Sâmara Sales de Oliveira, funcionária do órgão.
Ao observar esta imagem de 1975/76 do “bloco de sujos” mascarado com cartaz na mão em Rio Branco-acre, representações do carnaval de 1970 se podem entrever pelas expressões no cartaz, que criticam ao governo Estadual. Contudo, vale ressaltar que a História Política do Estado do Acre contexto (1975 a 1985) explica como um período de transição de governo, entre os governadores Francisco Wanderlei Dantas (1971 a 1975) e Geraldo Gurgel de Mesquita (1975 a 1979).
Contextualizar as críticas representadas pelo carnaval de 1975/76, no cartaz trazido pelos foliões (mascarados), mostram protesto ao Estado anunciados “governo do estado...”, denunciam que Prefeitura e Câmera de vereadores atrasam salário de servidores “vereadores e município em atraso”. E em outro a denúncia “vende-se seringal em feira” dialoga com a conjuntura do poder local e nacional. SOUZA, (2002, p.55) Os seringalistas venderam seus seringais por preços estabelecidos pelos compradores de terras do centro-sul do país.
Em Brasiléia, por exemplo, na década de 1970, o seringal Santa Quitéria foi vendido pelo preço de 67 Cruzeiros (moeda da época), o hectare. Era o paraíso para os fazendeiros que, apressados em adquirirem terras tão baratas, as compravam sem se importar em exigir os seringais desocupados antecipadamente.
Diante do exposto, pode-se dizer que o carnaval naquela época, também, serviu como palco de protesto. Contra governo, os órgãos governamentais e do
domínio do capital no campo acreano com o oferecimento dos “seringais em feira” são denúncias carnavalescas que aconteciam em plena ditadura militar.
Enquanto, através do carnaval é possível destacar uma crítica aberta ao governo do estado nesse período, como explicar o uso de máscaras pelos foliões? São evidências de uma representação de blocos de sujos. Então por que a expressão “sujo”? Aspecto característico desse tipo de “bloco” não está presente? Sobressaindo uma certa leveza e limpeza nos trajes?
Nesse prisma, torna-se relevante destacar o contexto histórico desse período caracterizado por opressão, censura perseguição própria do chamado Governo Militar. É possível que estejamos ou não diante de um grupo de luta Para SOUZA (2001, p.51) ”novos temas, novas abordagem/a LUTA sindical dos seringueiros assumiu, a partir de então, a luta também pela preservação da floresta Amazônica”. E resistência ainda SOUZA, (2002, p.48) “o existe a dominação, persiste a RESIETÊNCIA: homens e mulheres e crianças dos seringais, aprenderam a resistir às dominações dos seus patrões. Não se deixaram escraviza”.
Ao sistema de governo do Estado Ditatorial que governa o país e o Estado do Acre nesse período, analisando a imagem em tela podemos considerar que este grupo de foliões representa uma forma de resistência. Uma vez que esse grupo, ou alguns membros, demonstram certa consciência e questionam a política desenvolvida pelos representantes do poder no Estado do Acre. Dessa forma, as “máscaras” impediram que esses foliões fossem identificados e se tornassem alvo de perseguições e de repressões política por parte do governo. Assim, as “máscaras” deixam de ser uma mera figura da folia carnavalesca e aqui passa a ser entendida como uma roupagem da resistência de parte da população acreana.
Afirma LEITE, (1998, p.216) “ora, como toda informação etnográfica, desde o momento em que a câmera entra em ação, o registro de imagens é uma representação do real”. Então a imagem fotográfica desde o memento em que a câmera é acionada a um registro de uma imagem, esta pode ser real, mais também abstrata. Conforme o olhar e o interesse do fotógrafo na hora de tirar a foto, e na interpretação do historiador, em sua analise, é que entra a objetividade e subjetividade do mesmo.
Figura 02: fotografia de carnaval do Fotografo Raimundo Afonso. Manchete: “O caixão do colégio eleitoral: mau gosto no carnaval” do Jornal O Rio Branco, datada de 8-3-84.
Podemos analisar nessas imagens, três ângulos diversos e integrados. O Primeiro diz respeito à dimensão política da histórica acreana nessas décadas denunciada na avenida e registrada pela câmera fotográfica do Raimundo Afonso. O segundo, as representações sociais e os espaços carnavalescos da cidade de Rio Branco, e o terceiro, a visão do próprio fotografo da denúncia, o que nos remete ao crivo da subjetividade como, ao se fazer uso desse tipo de fonte, Vieira (2007) nos informa que:
“A fotografia não fala, mas pode comunicar uma mensagem trata-se de uma mensagem expressiva, impregnada de subjetividade, impressa a Luz e repleta de códigos visuais e simbólicos. Uma forma de representação que expõe, através de seus elementos visuais, dados ou informações capazes de proporcionar ao observador um conteúdo significativo [...]” (2007. p. 58).
Ao contextualizar historicamente os símbolos de “criticas à política em cartazes”, de (1970) como a frase ilustrada dentro do “caixão do colégio eleitoral”: “mau gosto no carnaval” se buscou dialogar com a historiografia existente.
Nesse sentido, Oliveira Pinto (1980), CALIXTO (1985) e Souza (2002) em seus trabalhos escreveram acerca da política desse período, respectivamente:
“A política de ocupação da Amazônia, promovida pelos governos militares na década de 70, foi determinante para que determinados pecuaristas adquirissem grandes. Áreas de terras no Estado do Acre, com a participação efetiva, nesse processo, da figura do “grileiro”. As terras compradas ou adquiridas por meios ilegais, pelos grileiros, foram as que mais geraram conflitos, pois o “grileiro” tentava a todo custo expulsar os posseiros (colonos,
seringueiros, moradores, índios etc.). Eles faziam isso para depois vender as terras aos pecuaristas sem problemas. Esses fazendeiros chegaram ao Acre na década de 70, vindo de São Paulo, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Rio grande do Sul e de outros Estados do país (SOUZA, 2002. p49).
A polícia, em muitos casos, fez o papel de protetor dos grileiros, nas violências praticadas contra os posseiros. Com isso, houve conflito entre fazendeiros e seringueiros e assim havendo morte de ambos os lados. E também o governo militar apoiava a vinda desses chamados “paulistas” para o Acre, com a ajuda do governo do Estado que era uma pessoa indicada por ele.
“os conflitos no campo, a assertiva de que, em um país onde o modo de produção capitalista é hegemônico e a política é ditada politicamente, a lógica do capital tudo pode corresponde apenas a uma verdade não absoluta [...] no transcorre da década de 70 destacavam a origem predominante rural dos fluxos, tanto do Sul e sudeste como do Nordeste, que se dirigiam à Amazônia [...] as hipóteses acerca da produção da capacidade da fronteira agrícola de fixar um campesinato familiar e demais segmentos de trabalhadores rurais... onde o movimento de trabalhadores rurais logra preservar a “terra de trabalho” ou reverte situações onde o processo de expulsão das terras já ia progredido” (OLIVEIRA PINTO,1982,p.48).
Segundo o autor, os conflitos no campo, que são desenvolvidos por um país onde o modo de produção capitalista é hegemônico e a política é ditada na lógica do capitalismo, tudo pode corresponder apenas a uma verdade que não é absoluta. No Acre, na década de 70, o que predominava era esta situação, onde o trabalho no campo até a chegada dos denominados “paulistas”, que não vieram apenas de São Paulo, mas também de outros locais do país como: Paraná, Goiás, Mato Grosso etc.
“[...] em 1968, exigindo melhoria do ensino, somente contida pela repressão policial. Em 1974 houve no acre nova rejeição ao regime. A oposição ganhou as eleições por maioria absoluta de votos, inclusive a cadeira de senador da Republica. A década de 70 também não foi promissora ao regime neste Estado. A violência no campo, advinda com desativação dos seringais nativos e a expulsão dos seringueiros, teve resposta imediata. Organizaram-se sindicatos rurais que, mesmo despolitizados e mal dirigidos, sustentaram grande luta para assegurar a posse da terra aos trabalhadores” (CALIXTO, 1985. P.190).
Então, segundo CALIXTO, começou em 68 com a rejeição dos estudantes ao regime militar. Depois a apolítica ganha pela oposição, do senado da República. E ainda, a chegada dos chamados “paulistas” na década de 70.
Embora, esses historiadores tenham deixado referências à política acreana, os eventos históricos manifestados pelas alegorias dos carnavais de 1970 e 1980, tornaram-se um ato público de repúdio e as agremiações carnavalescas transformaram a avenida em palco da manifestação de insatisfações sociais de parte da sociedade da política acreana.
Importa ressaltar que, analisaremos o contexto histórico que envolve cada um desses períodos. Assim, destacamos o jornal “O Rio Branco da década de 1970 que noticiou a matéria com O prefeito Adauto Frota durante a sua gestão, a capital acreana mudou de fisionomia (14\03\1971)”. Ao comparar a temporalidade da representação da figura 1, Numa demonstração de que a precariedade de recursos não é obstáculo diante do poder da vontade e da dedicação ao bem público.
Entretanto, se torna relevante contextualizar esse momento da historia acreana, a partir de sua dimensão política, uma vez que a fotografia (figura 1) analisada faz referência direta à questão repudio político. Nesse período governava o Acre o Senhor Jorge Kalume, que segundo a manchete do jornal O Rio Branco, o Estado do Acre a partir de sua administração, deixa de ser uma abstração geo-politicas-econômica para integrar-se no processo desenvolvimentista nacional... Deixando bem nítida a imagem de ter se constituído a mola precursora desse surto progressista. O acre, no decorre de seu governo deu um salto para modernidade, com a criação de várias frentes de trabalhos e, com isso, trazendo desenvolvimento para o Estado.
Será também construída uma contextualização histórica do período político da década de 1980 para ver como se dava a administração dos governantes naquela época. Ao fazer uma analise do jornal “O Rio Branco, que noticiou as matérias diferentes dos que traziam na década de 1970, com algumas suspeitas de fraudes como se pode vê no jornal O Rio Branco de (1984, p.2). Que trazia como manchete “politika generalização” (09/03/1984)”.
Só que nota também a influência da notícia dada pelo jornalista “Luis Carlos”, que falava das possíveis mazelas colocadas por alguns integrantes do PDS, estão trazendo, sob suspeita de estarem acontecendo em órgãos Públicos. O mesmo (jornalista) coloca ainda que acredita piamente na inocência do governador “Nabor
Junior”, no caso do DERACRE, e que os culpados serão punidos, mesmo porque essa foi a promessa feita publicamente pelo governador à Imprensa(...).
O jornalista relata, que é bom lembrar que quando o estado e a capital estavam sendo administrados pelo PMDB, não exonerou uma única vez, varias, quando se comprovou corrupção no DETRAM; providências foram tomadas e os culpados perderam seus cargos. Ele pergunta: Porque então... O DERACRE aconteça à mesma coisa?
Quem informa acerca de descasos políticos para com a sociedade acreana? Então nota-se que nesse período estava havendo um antagonismo na política acreana, entre os dois partidos PDS e PMDB; um denunciando o outro sobre fraudes, nos órgãos públicos.
Figura 03: fotografia de carnaval do fotografo Raimundo Afonso. Manchete. “O caixão do colégio eleitoral: mau gosto no carnaval” do jornal O Rio Branco, datada 8-3-84.
Ao analisar o contexto histórico a partir do simbolismo do carnaval, a imagem 03 representa uma típica figura do vaqueiro do centro sul do país presente na região acreana a partir da década de 1970. Podemos considerar que nesse carnaval, o carnavalesco, procurou denunciar a critica situação do campo acreano. É possível
analisar resistência e, ou submissão, a partir da conjuntura do carnaval? Desta forma, ao analisar essas imagens somos levados a crer, como afirma Margareth Acosta Vieira:
“[...] As fotografias são repleta de códigos visuais e símbolos. Uma forma de representação que expõe, através de seus elementos visuais, dados ou informações capazes de proporcionar ao observador um conteúdo significativo ”(2007. p. 58).
Isso implica dizer que a imagem fotográfica testemunha uma experiência sociocultural de tempos e sujeitos sociais múltiplos, como diz Vieira, “repletações de códigos visuais e símbolos”
Figura 04: foto feita pelo fotografo Raimundo Afonso, do carnaval do dia 8-3-84. Jornal O Rio Branco, tendo como manchete: as passistas da Mocidade Independente em evolução na avenida iluminada/ Figura 05: fotografia catalogada pelo patrimônio Histórico cultural da na cidade de Rio Branco, carnaval esse realizado na TENTAMEN no ano 75, informações de Sâmara Sales de Oliveira, funcionaria do órgão.
Ao fazer a análise da figura 4, vemos que no contexto histórico do carnaval acreano no ano de 84, já trazia as passistas com fantasia bastante ousadas pra época, que ainda estava no regime milita. Só no ano seguinte houve eleição popular elegendo Tancredo Neves como presidente da Republica. As mesmas também estão utilizando fantasias e adereços feitos de penas de aves; não é de se estranhar porque moramos
em plena floresta Amazônica. Nota-se ainda, que não são só as mulheres que utilizavam pouca roupa naqueles períodos carnavalesco, os homens também gostavam, como se pode vê nessa quarta imagem à esquerda das moças, há um rapaz vestido a caráter.
Como a quinta imagem á direita que é da década 1970, pode-se notar uma diferença no vestuário dos foliões daquele ano. Onde estão duas mulheres e um homem, bem vestidos em um clube da cidade, onde elas usam vestidos de saia rodada e máscara e ele calça e camisa sociais brancas.
Então, pode-se notar a diferença de poder econômico entre os brincantes, nos clubes só brincavam quem era da alta sociedade rio-branquense daquela época, onde se pode observar nessa quinta imagem que foi feita na TENTAMEN, um clube tradicional da capital.
Vê-se que a foto 4 à esquerda, do carnaval de 84, os foliões estão sambando na avenida há uma diferencia nas fantasias desses brincantes. As mulheres estão vestindo duas peças, e homens de cueca, enquanto que no clube os foliões estão bem vestidos, de roupas de sociais. Então havia uma diferença entre brincar o carnaval nos clubes e nas ruas. Quem brincava o carnaval nas ruas era o “povão”, enquanto que nos clubes brincava a classe abastada.
Ao contextualizar historicamente o carnaval de Rio Branco como as imagens mostram, na década de 70 e 80, não era apena uma diversão, mas havia também uma critica aos órgãos públicos e privados. Como a chegada dos paulistas aqui no Estado do Acre, destacada na imagem 03, como fala SOUZA (2002, p.50), esses fazendeiros e pecuarista que chegavam ao Acre na década de 70, vieram de São Paulo, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Rio Grande do sul e de outro Estado. Então, Souza diz que os fazendeiros que vieram na década de 70, para o Estado, não eram apenas de São Paulo mais de vários Estados do País.
Para OLIVEIRA (1982, p.51) no Acre, os grandes empresários, os grileiros e os especuladores chegaram antes e se lançaram vorazmente à compra de terras em todo o Estado. “Os “paulistas” como passaram a ser chamados – os grades compradores de terras eram de São Paulo, Minas Gerais, Paraná ou Rio grande do sul”. Nota-se que a denominação que Oliveira fala de “paulistas” só se deu quando eles chegaram aqui no
Estado, antes não havia essa “palavra”. Porque eles não vieram só de São Paulo mas também de outros Estados.
Segundo Chico Mendes, Apud Calixto (1985, p.207), eles os (fazendeiros) chegavam e diziam o seguinte: “agora vai se acabar essa escravidão de vocês. Em cada seringal desses que estão sendo comprados, vai haver escolas pra vocês e
televisão. Essa História de seringa, isso é papo furado não dá resultado nenhum, só faz é empobrecer vocês. A gente vai precisar da terra e precisamos de vocês para trabalhar com a gente”. Os novos proprietários não estavam interessados no
extrativismo nem na agricultura de subsistência. Esse tipo de atividade lhes era bastante oneroso. O mais importante para eles era a pecuária.
Portanto ao trabalha com imagem caleidoscópios de tempos múltiplos, foi muito importante para fazer a leitura das cinco fotos escolhida, para vê como o carnaval de rua era brincado no período que vai de 1975 a1985, na cidade de Rio Branco-Acre.
2.2-Recompondo as folias de Ruas e Clubes: revisitando memórias.
“Historia oral e memórias se valem de depoimentos, mas não se confundem” [...] (SEBE, 1996. p.65).
Ao tentar recompor o carnaval de rua e clubes da cidade de Rio branco, revisitando memórias através das entrevistas com foliões que viveram naquele período de 70 a 80, tentar se contextualizar historicamente como esses brincantes que ao sair Para os clubes
Nota-se que brincar o carnaval naquela época, era muito diferente dos dias de hoje: primeiro, porque pelas falas dos entrevistados, não havia violência no passado, enquanto nos nossos dias a violência campeia em nossa capital.
No final da década de 60, quando chegou aqui o senhor “João dos Reis Ferreira”, mais conhecido como “seu Santinho”, que veio do Estado do Rio de Janeiro chegou dia 16 de março de1968, o mesmo veio aqui para o Estado querendo passar Três meses para trabalhar como mecânico, e gostou tanto que não voltou mais para sua terra.
Ele veio a convite de seus amigos: Severino Barro Alto e do doutor Edmar Galvão que era juiz Federal. E notou que aqui, não havia carnaval como no Rio de Janeiro, mas apenas “blocos de sujos” e seu Santinho criou a primeira escola de samba de Rio Branco, chamada escola de samba “Unidos do Quinze” em cinco de fevereiro de 1969:
Quando chegou no carnaval de 69, eu aí fui na “Casa Natal”, fui na “Casa Zeque”, fui na loja Pernambucanas e comprei material e mandei confeccionar as fantasias, com meu dinheiro, eu comprei sem nem um centavos de pessoa alguma, porque ninguém aceitava aquilo, achava que eu tava fazendo uma coisa de louco, aí eu comprei as fantasias, comprei as fazendas [tecidos]. Aí eu sei fazer o modelo, aí arrumei dez costureiras, aí elas foram confeccionar as fantasias (Entrevista realizada com o senhor João dos Reis Ferreira, “seu Santinho” em 22-07-1996).
Então seu Santinho diz, que quando criou a escola de samba unidos do quinze em 69, foi chamado de doido pelos moradores de Rio Branco. E não teve ajuda de ninguém para fazer as premerias fantasias, tirando dinheiro do próprio bolso para à confeccioná-las. Vemos que não houve ajuda dos órgãos governamentais e muito menos da iniciativa privada.
A segunda entrevista é com Alberli Lemos de Oliveira, que será analisado e contextualizada historicamente sobre sua fala. Ela nasceu no município de Tarauacá-Acre, veio para Rio Branco, em 69 com apenas doze anos de idade aos treze anos fez um curso de costureira. Ela diz:
Costurei pra escola de samba da “Cadeia Velha”, pra escola de samba “Unidos do Quinze”, para aquela “Mocidade Independente”, pros blocos, clubes “Juventus”. Todas essas costuras eu tava no meio... Eu fazia fantasias pro meus filhos, e levava pros clubes também e muito mesmo, pra escola de samba do quinze (entrevista realizada com a senhora Alberli Lemos de Oliveira, em 22-07-2010).
Dona Alberli, fala que além de fazer as fantasias das escolas de sambas e clubes, ainda, confeccionava fantasia também para seus filhos levando eles e os buscava para brincar nos clubes e escolas de sambas. Ela diz que naquela época as famílias podiam levar os filhos, despreocupadamente, porque não havia violência nem nos clubes, e muito menos nas ruas, com as escolas de sambas e blocos.
Ela diz também que havia ajuda, por parte do governo Estadual e municipal para bancar os custos com o carnaval da década de 70 e 80, já o primeiro entrevistado seu Santinho, o precursor do carnaval de Rua em Rio Branco, que em sua fala expõe
que nunca houve ajuda por parte dos órgãos governamentais, como prefeitura e governo do Estado. Mais sim, o próprio bairro com a ajuda da comunidade e algumas empresas privadas.
Então nota-se que há uma discordância, entre a fala de dona Alberli e seu Santinho. Porque houve essa contradição? Dona Alberli diz que havia ajuda, por parte do governo Estadual e Municipal para bancar os custos com o carnaval da década de 1970 e 1980. Já seu Santinho que em sua fala expõe que nunca houve ajuda por parte dos órgãos governamentais como prefeitura e governo do Estado. O historiador que é um investigador deve ir em busca dessas respostas.
A terceira entrevistada, que é dona Marileide Ferreira da Silva, conhecida como “Leda”, que nasceu no seringal Nova Empresa, o atual Município de Plácido de Castro, diz:
Ai nós viemos mora na cidade de Rio branco, ai desde então vim conhecer as festas carnavalesca, as festas só que eu não era de brincar, mais eu gostava de olhar né, de participar e a gente ia, pois o carnaval a gente ficava até de manha se fosse preciso, não existia brigas era uma cidade pacata, uma cidade muito legal, não tinha transito de carros, pra gente viver na correria (Entrevista realizada com a senhora Marileide Ferreira da Silva, ”Leda” em 28-11-2010).
Dona Leda, fala que no carnaval da década de 70 e 80, não havia violência e que ela brincava no carnaval a noite inteira e não se brigava como hoje. “Só que eu não era de brincar, mais eu gostava de olhar, de participar. O Rio Acre era uma lindeza tinha moradores, muitas plantações naquelas praias”.
Dona Marileide Ferreira fala: “agente dormia tranqüila, a gente não tinha medo não, podia andar despreocupada a qualquer hora, na cidade de Rio Branco, porque não existia este medo que as pessoas têm nos dias de hoje”.
Os entrevistados falam que na década de 70 e 80, não havia violência, já para o historiador SOUZA (2002, p.46) Homens, mulheres e crianças que ocuparam terras pertencentes a grandes proprietários, formaram bairros, enfrentaram a polícia, mas acabaram conquistando um direito importante: o direito à moradia. Portanto, não podemos chamar isto de “invasão”.
Então, segundo esse autor, na década de 1970, houve muita ocupação e não invasão, por causa do êxodo rural que aconteceu, devido à chegada dos “paulistas” que ao chegar à capital acreana, os expulsaram seringalistas e seringueiros de suas colocações. Para a cidade e nessas “ocupações” houve conflito entre os agora sem moradia e os policiais representando o Estado.
Nesse confronto, de seringueiros e Estado quem perdia sempre foram os trabalhadores que, além de não terem onde morar, ainda tinha de apanhar da polícia, a mando do poder constituído que era o Estado.
Ao contextualizar historicamente, o acontecimento carnavalesco na década de 70 e 80, segundo dona Alberli existia nos anos 70 o abelhau no segundo distrito, todos faziam festa lá, ficavam batendo batuques; eu sinto muita saudade dessa época. Eu lembro que quando a ponte cauí ficou aqueles apartamentos. A “ponte metálica”, que a outra não existia ainda aí ficou aqueles apartamentos tudo cheio de camas e nunca você ouviu dizer roubaram isso ou aquilo, hoje não.
Para dona Alberli, na hora de brincar o carnaval havia diferença social, porque, mas realmente tinha diferença entre escolas de samba, blocos de sujos e clubes:
“a escolas de samba quem brincavam era as pessoas do bairro. Era um e os blocos era outros que ai a diferencia é quem tinha o dinheiro e a pros clube quem não tinha e a pra rua, brinca nas escolas de samba e blocos de sujo. Mais era uma coisa muito bonita, muito bonito mesmo (entrevista realizada no dia 14 de dezembro de2010 com dona Alberli lemos de Oliveira).
Então a entrevistada fala que nos carnavais passado havia uma diferença social em brincar o carnaval nas ruas e nos clubes. Diz ela que quem brincava o carnaval nos clubes eram as pessoas com alto poder aquisitivo, enquanto quem brincava nas escolas de samba e blocos eram aquelas pessoas com baixo poder econômico, ou seja, os pobres.
No carnaval em suas cinco noites de folias os foliões brincavam e se divertiam sem se incomodar com a origem social de quem quer que seja. Já para a outra entrevistada, dona Marileide Ferreira da Silva: