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GRAU E EVOLUÇÃO DO CLUSTER CALÇADISTA DO VALE DO CARIRI-CE

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GRAU E EVOLUÇÃO DO CLUSTER

CALÇADISTA DO VALE DO CARIRI-CE

Carle Stein (Unifor)

[email protected]

Jose Ednilson de Oliveira Cabral (Unifor)

[email protected]

Compreender e definir as estratégias para um bom desempenho no mercado tem sido uma tarefa difícil para as organizações de qualquer segmento de atuação. O desempenho de uma empresa é influenciado pelo ambiente competitivo da indústria, poréém as idéias e ações delas próprias podem moldar o panorama econômico e industrial. Em virtude desse fato, este estudo buscou identificar se o setor calçadista do Vale do Cariri-Ceará apresenta-se organizado em clusters e, em caso positivo, a existência ou não de evolução. Em termos metodológicos a pesquisa é descritiva, com os dados secundários obtidos de fontes reconhecidas e os dados primários obtidos por meio de questionário estruturado com perguntas objetivas, aplicados aos principais gestores das empresas estudadas. O universo do estudo foi definido como sendo as empresas fabricantes de calçadistas, setores correlatos e de apoio, localizadas na região do Vale do Cariri, Estado do Ceará, que é o segundo maior produtor de calçados do Brasil, totalizando 50 empresas. No entanto, apenas 17 responderam e uma foi excluída por respostas incompletas. O questionário constou de questões formuladas utilizando a escala Likert de 5 pontos, em que a escala um representava pouca relevância e a escala cinco representava muita relevância. A análise dos dados foi efetuada para a determinação de existência de cluster e para avaliação de possível evolução do aglomerado de empresas. Os resultados evidenciam que a produção de calçados na região estudada apresenta-se organizada em clusters com evidências de evolução, onde entre as mudanças observadas destaca-se uma maior preocupação das empresas pela qualidade dos calçados fabricados, uma redução da relevância do custo como fator principal de competitividade e o surgimento formal de cooperação entre as empresas.

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Grau e Evolução do Cluster Calçadista do Vale do Cariri-CE Introdução

O atual cenário global, onde a crescente interligação dos mercados nas esferas comercial, financeira e produtiva, juntamente com a velocidade das mudanças pelas quais passam os ambientes competitivos, têm ocasionado um contexto de operação das empresas altamente volátil, incerto e competitivo. Isso tem trazido constantes desafios para as empresas, como através da busca de novas alternativas de se obter, manter e aprimorar vantagens competitivas necessárias para sua sobrevivência e obtenção de lucros.

Esse panorama de mudanças e oportunidades tem influenciado diretamente na localização das empresas. A literatura de economia e gestão (a exemplos de PORTER, 1994, 1998; KRUGMAN, 1991; SUZIGAN et al., 2000) tem enfatizado a abordagem de concentrações geográficas de empresas e como essas concentrações geram vantagens competitivas para as empresas aglomeradas.

Porter (1998), um dos mais citados, baseado nas idéias de Marshall (1985), desenvolveu a teoria dos clusters, que a explica como concentrações geográficas de companhias e instituições inter-relacionadas num setor específico, que englobam um conjunto de empresas e outras entidades importantes para a competição (PORTER, 1998).

Além de Porter (1993, 1998), outros autores, a exemplo de Krugman (1991); Suzigan et al. (2000), enfatizaram a importância da concentração geográfica de empresas de um mesmo segmento produtivo para o desenvolvimento econômico e competitivo de uma região ou País. Termos, como: sinergia, sistemas locais de inovação, competitividade sistêmica e eficiência coletiva, cada vez mais, tornam-se constantes na literatura.

Avaliar o fenômeno de aglomeração geográfica de empresas é importante, por permitir avançar no entendimento das fontes de vantagem competitivas das empresas concentradas, seja pelas economias externas, apropriadas pelo conjunto de produtores, ou pela interação entre os agentes (AMATO NETO; GARCIA, 2003).

Assim, o estudo a ser desenvolvido neste trabalho tem como problema principal: qual o grau de aglomeração e qual a evolução experimentação pelo segmento calçadista da Região do cariri no Ceará?

Partindo do problema de pesquisa, são formuladas as seguintes hipóteses:

a. a região do Vale do Cariri apresenta aglomerações que evidenciam a existência de

cluster calçadista;

b. o cluster da região do Vale do Cariri apresenta, desde a instalação de grandes empresas, uma contínua evolução;

O segmento calçadista é um importante setor produtivo brasileiro, onde apresenta intensiva demanda de mão-de-obra e perfil altamente exportador.

A confecção de calçados tem como base a fabricação artesanal, onde a intensa utilização de mão-de-obra qualificada somada a presença local de fornecedores de componentes são essenciais para as empresas apresentarem competitividade.

Em virtude desse fato e a partir da iniciativa dos empresários, auxiliados muitas vezes por incentivos dados pelos governos estaduais, outros pólos calçadistas estão surgindo em várias regiões do Brasil.

Segundo Costa (2007), a indústria calçadista nacional passou por um processo de relocalização regional nos últimos anos, devido a necessidade das grandes empresas em manterem sua competitividade no mercado interno e mercado internacional, onde aproveitando do excedente de mão-de-obra nos estados de destino, somados aos incentivos

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15 fiscais ofertados por estes estados, deslocaram suas produções, principalmente para a região Nordeste, mais precisamente nos estados do Ceará, Bahia e Paraíba.

Com o surgimento desses pólos, tem havido por parte da academia um interesse crescente no estudo dos clusters, suas características, benefícios e malefícios.

Conforme destaca Porter (1990), a localização e suas características, especialmente os

clusters, podem explicar o desempenho superior de algumas empresas.

Partindo desse contexto, o objetivo geral deste artigo é: avaliar se o conjunto de empresas calçadistas na região do Vale do Cariri evidencia a existência de cluster e, em caso positivo, analisar se houve evolução desde a instalação de grandes empresas. Para alcance desse objetigo geral, são formulados os seguintes objetivos específicos:

a) avaliar a existência de aglomerações que evidenciam a presença de cluster calçadista na região do Vale do Cariri;

b) analisar se houve evolução no cluster da região do vale do Cariri desde a instalação de grandes empresas;

O artigo está organizado em quatro itens: Após essa introdução, o primeiro item apresenta o referencial teórico, no qual avaliam-se/ interpretam-se as propostas teóricas sobre

cluster de empresas; o segundo item apresenta a metodologia empregada no trabalho; o

terceiro, apresenta os resultados da pesquisa, iniciando-se com a identificação do cluster através da análise do índice de concentração, seguida da análise da evolução do cluster; e, por fim, o quarto item apresenta as considerações finais.

1. Cluster de Empresas: Existência e Evolução

A busca pelos benefícios gerados pelas aglomerações faz com que vários segmentos de mercado optem pelo processo de concentração em regiões ou países. Em virtude da importância do tema, vários são os autores que desenvolvem estudos sobre essa questão nas literaturas de economia e de negócios.

Um dos pioneiros é Marshall (1985), que em seus estudos propôs que o aumento da produtividade e/ou redução de custos poderiam resultar de benefícios proporcionados pela organização de empresas em aglomerações. Na mesma linha, Krugman (1991) considera três fatores que explicam o fenômeno da localização industrial, dando atenção especial à proximidade espacial e aos fatores relacionais: a) a concentração do mercado de trabalho; b) os insumos intermediários; e c) as externalidades tecnológicas.

O primeiro fator oferece um mercado concentrado de trabalhadores, que apresentam habilidades específicas e que garantem uma vantagem competitiva.

Conforme Marshall (1985), para os empregados, observa-se uma baixa probabilidade de falta de emprego; e para as empresas, uma baixa probabilidade de falta de mão-de-obra com qualificação.

O segundo fator consiste na possibilidade das empresas em suportar a produção de insumos intermediários específicos, e viabilizados pelo fato da concentração das empresas consumidoras.

O terceiro decorre do fato de que os “spillovers” (transferência de conhecimentos) tecnológicos podem fomentar para as empresas existentes na aglomeração uma melhor eficiência nos níveis de produtividade e qualidade dos produtos, se comparada com as empresas que produzem isoladamente (KRUGMAN, 1991).

Uma abordagem que tem sido bastante testada na literatura foi apresentada por Porter, que conceitua cluster como:

“concentrações geográficas de companhias e instituições inter-relacionadas num setor específico. Os clusters englobam uma gama de empresas e outras entidades importantes para a competição, incluindo,

por exemplo, fornecedores de insumos sofisticados, tais como componentes, maquinário, serviços e fornecedores de infra-estrutura especializada. Os clusters, muitas vezes, também se estendem para baixo na cadeia produtiva até os consumidores e lateralmente até manufaturas de produtos complementares e na

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direção de empresas com semelhantes habilidades, tecnologia, ou mesmos insumos. Finalmente, muitos

clusters incluem órgãos governamentais e outras instituições – tais como, universidades, agências de

padronização, escolas técnicas e associações de classe – que promovem treinamento, educação, informação, pesquisa e suporte técnico”. (PORTER, 1998, p. 78).

Para Steinle e Schiele (2002), um segmento de indústria tem alta probabilidade de se aglomerar quando:

a) o seu produto ou serviço pode ser dividido em várias etapas de produção;

b) o seu produto ou serviço é universalmente aplicável e apresenta baixos custos de transportes; c) seus componentes são produzidos em diferentes processos;

d) sua demanda de mercado a ser satisfeita necessita constantemente de novas variações de produtos;

e) da necessidade de reações rápidas às mudanças imprevisíveis do mercado consumidor volátil atendido pela indústria.

Segundo Marshall (1985), o processo de aglomeração das indústrias traz vantagens de aumento do volume de produção e nos ganhos de desenvolvimento e organização oriundos de uma maior integração entre as empresas e os setores correlatos e de apoio ao cluster. Essa maior integração fomenta a transmissão de conhecimentos e informações, de modo a facilitar a capacidade de absorção dos mesmos pelas pessoas e tornando-as qualificadas a um baixo custo.

Schiele (2008) destaca que o sucesso competitivo de uma empresa é influenciado pela localização, bem como fatores, como os salários pagos e a qualidade da gestão.

Partindo desses conceitos, observa-se que a concentração de empresas de um mesmo segmento de atuação gera, com o passar do tempo, um ambiente que propicia um aumento da competitividade das empresas participantes, em virtude da maior interligação entre elas. Percebe-se assim, que os clusters apresentam um processo de evolução. Portanto, para uma melhor compreensão das vantagens competitivas obtidas a partir dos clusters, é necessário um maior aprofundamento das teorias que destacam essa evolução, na qual estaremos destacando na sequência deste capítulo.

Conforme Porter (1994), a proximidade física de empresas e instituições, assim como as sucessivas trocas entre elas, facilita a coordenação e amplia a confiança. A existência de um

cluster de empresas com instituições independentes e informalmente vinculadas representa

um modelo organizacional robusto, que oferece vantagens em fatores como eficiência e flexibilidade.

Para Szafir-Goldstein e Toledo (2004), os clusters podem passar por diferentes fases, que podem ser entendidas, como: estágios de seu ciclo de vida (nascimento, maturidade e declínio), tamanho das empresas presentes no cluster ou ainda como uma evolução das empresas pertencentes ao cluster e, assim, do próprio cluster.

Já para Amorim (1998), os clusters produtivos passam por diferentes estágios de evolução ao longo de seu processo de formação, de acordo com a densidade de empresas interconectadas instaladas na área e o grau de cooperação existente entre elas.

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Figura 1: Diagrama representativo da evolução de um cluster produtivo. Fonte: Amorim (1998, p. 27).

O primeiro estágio, identificado como pré-cluster, demonstra um agrupamento de empresas em sua fase inicial e refere-se a uma simples concentração de empresas de um mesmo tipo de indústria, não existindo inter-relações ou interdependência entre elas. Isto é, embora haja várias organizações com produtos ou serviços semelhantes, instaladas na mesma região, essas atuam isoladamente e não geram eficiência coletiva significativa.

No segundo estágio, denominado cluster emergente, além da existência de empresas do mesmo segmento, ocorre a formação de um conjunto de outras instituições (que fornecem apoio técnico, formação de pessoal, pesquisa e desenvolvimento) e de organizações (fornecedores de insumos especializados, serviços de apoio). Porém, apesar da conjunção de todos esses atores, ainda não há um grau elevado de relacionamento entre eles que possa gerar uma nova dinâmica de inovação e evolução para a aglomeração.

Já no terceiro estágio, denominado cluster em expansão, observa-se o surgimento de uma série de novas instituições, complementando o conjunto de atores institucionais, ou seja, tem-se a existência das empresas de mesmo segmento de atividade, de fornecedores especializados, de universidades, de centros de educação, de órgãos governamentais de apoio, de sindicatos e de associações de classe. Apesar desse conjunto, observa-se nesse estágio que o grau de interligação não se apresenta em seu estágio máximo.

No estágio superior, denominado estágio independente, o cluster além de apresentar uma série de agentes que prestam todo tipo de apoio à indústria, também mostra a existência de fortes inter-relações e interdependência entre os agentes demonstrados. Essa qualidade nas inter-relações gera benefícios provocados pelo conjunto, que são muito superiores aos estágios anteriores de evolução.

Já para Machado (2003), a origem dos clusters estaria ligada diretamente à adoção de inovações radicais no processo, que sob condições locais favoráveis, como oferta de matéria-prima especializada, capital social e setores correlatos, gerariam economias de escala superiores às existentes.

Amato Neto (2000), analisando o desenvolvimento dos clusters, afirma que, apesar da existência dos elementos que provocam o seu surgimento ser finita (por exemplo, disponibilidade de matéria-prima), o conhecimento acumulado nesse tipo de concentração, principalmente no que se refere à mão-de-obra qualificada, faz o agrupamento ter assegurada a sua continuidade.

Assim, Machado (2003), sugere que, inicialmente, o cluster surgiria a partir de uma inovação no processo (revolucionária). Pelo fato dessa inovação ocorrer em uma região onde há a existência de características pré-existentes (capacitação em setores correlatos, condições físicas, capital social, demanda acessível e custo de transportes), que favorecem ao

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18 surgimento de economias de escala, as empresas acessariam vantagens competitivas superiores às, atualmente, existentes.

Advindo as economias de escala, obtidas pelas empresas existentes, mais empresas seriam atraídas para o cluster, em virtude desse sucesso econômico. Conforme Machado (2003), a localização está ligada ao peso locacional, onde, caso o mesmo seja maior que dois, a concentração da atividade será próxima a da matéria-prima. Sendo menor que dois, a concentração será próxima ao mercado consumidor.

Baseada nos pressupostos do modelo de Machado (2003), a subsequente evolução do

cluster ocorrerá através de estágios.

Machado (2003) baseia-se, em seu modelo, em pressupostos que explicam o surgimento e evolução dos clusters, através de estágios bem definidos de evolução. Existem quatro estágios de evolução: nascimento/ embrionário, crescimento, maturidade e pós-maturidade, descritos a seguir:

a) Nascimento/ embrionário: o nascimento de uma aglomeração está ligado às inovações revolucionárias que, através de condições favoráveis, trazem economias de escala significativas às empresas locais (MACHADO, 2003).

Tratando-se de um primeiro estágio, em que não há a atração de fornecedores ou setores correlatos e de apoio, a competição é focada em custo, com baixa preocupação pela qualidade dos produtos produzidos. Com relação a cooperação, o modelo tem como pressuposto que quando ocorre a existência de algum tipo de cooperação, a mesma caracteriza-se por um caráter informal, horizontal e técnico, com base em relações familiares ou de amizade (MACHADO, 2003).

b) Crescimento: nessa fase, em virtude do surgimento, principalmente de economias de escala, ocorre a atração de fornecedores, de setores a montantes e de setores correlatos e de apoio. Com a demanda crescente, ocorre a contribuição para a especialização, onde as empresas que ainda competem por custo, trabalham na especialização de algumas etapas do processo (MACHADO, 2003).

Devido a estas especializações e a partir das trocas de conhecimento, ocorre o surgimento dos primeiros “spin-offs”, ou seja, empregados que absorvem o conhecimento técnico do produto e do processo produtivo e, posteriormente, deixam as empresas para estruturarem seus próprios negócios.

Nesse estágio, o foco da competição e as vantagens competitivas continuam baseados em custo. A cooperação quando existente, tanto vertical como horizontal, é ainda muito inicial e tecnológica. Na maioria das vezes, essa cooperação se dá entre empresas produtoras e fornecedores de equipamentos, para desenvolver matérias-primas e maquinários para um novo produto ou processo produtivo (MACHADO, 2003).

A cooperação horizontal evolui para a formação de instituições de apoio, como associações de classe e sindicato, onde as associações têm interesses e objetivos de barganhar os interesses do setor, junto ao governo, com incentivos fiscais e de crédito (MACHADO, 2003).

c) Maturidade: caracteriza-se na fase de maturidade a estagnação dos mercados locais, em virtude, principalmente, do excesso de oferta de produtos. Em virtude desse excedente de oferta local, a competição fica mais acirrada, ocorrendo uma redução das margens de comercialização dos produtos. As margens nesta fase são obtidas nos segmentos a jusante, frequentemente na distribuição e comercialização final (MACHADO, 2003).

Devido a estagnação dos mercados locais, o ator da cadeia que permitir o escoamento da produção para outras localidades terá um maior poder na cadeia, e através deste poderá barganhar condições e preços que lhe permitam ampliar margens no fim da cadeia.

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19 Os produtores, em virtude da queda das margens de lucro e também pela detenção da governança da cadeia por parte dos segmentos a jusante, são obrigados a buscar o mercado externo como alternativa. Machado (2003) destaca que por conta dessa ação, oriunda de uma maior competição, a cooperação horizontal mais comum encontrada é na comercialização do produto final através de consórcios de exportação e compartilhamento em exposições e feiras.

Importante destacar que este estágio consiste na repulsão de novas empresas que não enxergam benefícios em fazer parte do cluster. Outra característica encontrada nesse estágio é a busca das empresas de levar suas produções para novos centros em desenvolvimento, que normalmente apresentam-se próximos à demanda, com abundância de matérias-primas e com custos de mão de obra mais baratos.

d) Pós-maturidade ou rejuvenescimento: devido a redução das economias de escalas e margens, a força de atratividade do cluster é bem menor nesta fase. Em virtude desse fato, as empresas passam a enfrentar competição de outras localidades (MACHADO, 2003).

Para Machado (2003), as competências acumuladas pelos clusters durante os estágios anteriores permitem às empresas o desenvolvimento de negócios em setores correlatos com obtenção de maiores margens agregadas.

Assim, partindo dos estudos de Machado (2003), o Quadro 1 resume os principais conceitos extraídos da teoria de evolução de cluster e que servirão de base para esta pesquisa:

Categorias - Estágios Descrição/ Características

Nascimento/ embrionário Foco no custo;

Baixa preocupação por qualidade; Cooperação em caráter informal; Crescimento Atração de fornecedores de insumos;

Especialização de etapas do processo produtivo; Competitividade por custo;

Cooperação ainda fraca, destacando-se entre empresas produtoras e fornecedores de insumo;

Início da formação de instituições de classes, sindicatos; Início do surgimento de “spin-offs”;

Maturidade Estagnação dos mercados locais por excesso de oferta; Redução das margens de comercialização por competição dos produtores locais;

Busca de mercados externos ao cluster; Cooperação na comercialização de produtos; Migração das produções a outros centros;

Repulsão de novas empresas ao cluster, por não identificação de atratividade;

Pós-maturidade/ rejuvenescimento

Força de atratividade do cluster menor;

Empresas locais sofrem competitividade de empresas de outras localidades;

Diferenciação por parte da empresa em produtos e serviços gerados por competências adquiridas ao longo dos estágios anteriores;

Quadro 1: Estágios de evolução do Cluster Fonte: Pesquisa

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20 Quanto aos objetivos, esta pesquisa é descritiva, pois visa à descrição das características da população em estudo e o estabelecimento de relações entre as variáveis determinadas na pesquisa.

Os dados secundários foram obtidos por meio de pesquisas nos documentos da FIEC – Federação das Indústrias do Estado do Ceará, da ABICALÇADOS – Associação Brasileira das Indústrias de Calçados, da ASSINTECAL – Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos, do SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, do SINDINDÚSTRIA – Sindicato das Indústrias de Calçados e Vestuário de Juazeiro do Norte e Região e do SINDICALF – Sindicato das Indústrias de Calçados de Fortaleza. Todos os dados coletados para a pesquisa referem-se ao período de 2008/2010. Já para a obtenção dos dados primários foram utilizados questionários estruturados com perguntas objetivas, aplicados aos principais gestores das empresas das regiões estudadas e selecionadas a partir dos bancos de dados do Instituto de Desenvolvimento Industrial do Ceará – INDI, órgão ligado a Federação das Indústrias do Estado do Ceará - FIEC e da Associação Brasileira de empresas de componentes para couro, calçados e artefatos – ASSINTECAL.

Em relação aos indicadores de competitividade das empresas calçadistas da região, foram realizadas entrevistas com três especialistas, sendo dois consultores da área e um diretor executivo da Abicalçados, que apontaram os principais indicadores de performance utilizados.

As entrevistas foram realizadas por telefone, devido a dificuldade de agendamento junto aos entrevistados. As entrevistas tiveram uma duração de aproximadamente 30 minutos, nas quais, foi realizado o apontamento de todas as informações apresentadas de forma analítica.

O universo em estudo foi definido como sendo as empresas fabricantes de calçadistas, setores correlatos e de apoio, localizadas na região do Vale do Cariri, dentro do Estado do Ceará, que é o segundo maior Estado produtor de calçados do Brasil. Na definição de seu número, os dados das empresas foram obtidos através do banco de dados, ano base 2008, de duas instituições de referência no âmbito nacional sendo elas: Instituto Nacional de Pesquisa Industrial - CE e da Associação dos Fabricantes de Componentes para Calçados – ASSINTECAL. Sendo o Universo um número pequeno decidiu-se pela pesquisa censitária, com as 50 empresas. No entanto, apenas 17 responderam.

Como instrumento de pesquisa e coleta de dados, aplicaram-se questionários com os dirigentes/ gerentes das empresas pesquisadas, no período entre os dias 15 de junho de 2010 e 31 de julho de 2010. O questionário constou de questões formuladas utilizando a escala Likert de 5 pontos, em que a escala um representava pouca relevância e a escala cinco representava muita relevância. O envio dos questionários foi realizado por meio de correio eletrônico, quando o endereço eletrônico da empresa constava nos dados de cadastro do banco de dados utilizado. Nos casos em que não existia a informação do endereço eletrônico, os questionários foram enviados pelo correio convencional.

Após o processo da coleta de dados, iniciou-se o processo de classificação e análise dos dados. Com relação à análise da existência de cluster, Crocco et al. (2006) desenvolveram um método dea verificação em que a análise está baseada na aplicação do índice de concentração.

Nesse modelo, três parcelas constituem o índice de concentração, sendo a primeira utilizada para medir a especificidade de um setor dentro de uma região, através do quociente locacional (QL). A segunda consiste na mensuração do peso em relação a estrutura produtiva da região, através do índice Hirschman-Herfindahl (HHm) modificado; e por fim a terceira, avaliando a importância do setor nacionalmente, utilizando o indicador de potencialidade (PR).

Apresenta-se assim o seguinte modelo matemático: IC = QLij +HHmij +PRij Detalhando cada uma das parcelas, temos:

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21 a) Quociente locacional Eij / Ej Qlij = --- EiBR / EBR Onde:

Eij – empregos registrados do Setor i, na região j

Ej – empregos registrados na região j

EiBR – empregos registrados do setor i, no Brasil

EBR – empregos registrados no Brasil

Quando QL > 1, significa que existe uma especialização do setor i, na região j. b) Índice Hirschman-Herfindahl modificado (HHm)

HHm = (Eij / EiBR) – (Ej/EBR)

Onde:

Eij – empregos registrados do Setor i, na região j

Ej – empregos registrados na região j

EiBR – empregos registrados do setor i, no Brasil

EBR – empregos registrados no Brasil

Quando HHm > 0, possivelmente existe uma especialização, indicando que a contribuição do setor para o Brasil é menor do que a contribuição da região para o Brasil. Se HHmij < 0, provavelmente não há especialização, o que indica que a contribuição do setor é maior que a contribuição da região para o Brasil.

c) Indicador de Potencialidade (PRij) PRij = Eij / EiBR

Onde:

Eij – empregos registrados do Setor i, na região j

EiBR – empregos registrados do setor i, no Brasil

Esse indicador mostra a contribuição do Setor i, na região j, para o setor i, no Brasil.

Retomando a fórmula original do índice de concentração, temos: IC = Θ1 QLij + Θ2HHmij + Θ3PRij, sendo que Θ1 +Θ2 + Θ3 =1, onde Θ1 = peso do QLij, Θ2 = peso do HHm e Θ3 = peso do PRij.

Para cálculo dos pesos, Crocco et al. (2006) recomendam que seja realizada uma análise multivariada. Nesse estudo, considera-se o mesmo peso para os três indicadores, no caso 1/3, uma vez que essa definição não altera significativamente os resultados, da mesma forma que admitido por Ribeiro & Spínola (2003) e Sanches (2008).

A partir do resultado encontrado, se IC > 0, há indícios de concentração e está acima da média nacional, havendo a recomendação de políticas públicas para o setor. Já, se IC < 0, a aglomeração é fraca e, por fim, se IC = 0 a média nacional é igual à média daquela amostra, devido a combinação dos três indicadores.

Para a análise da evolução do cluster, foi utilizada para a medição a técnica não-comparativa, confeccionada através de três opções de respostas, sendo elas: existente, inexistente e existente, mas incipiente. Através da análise estatística de frequência foram verificadas e avaliadas as indicações de respostas proporcionais para cada indicador e período.

3. Intensidade Aglomerativa e Evolução do Cluster

Este item apresenta a análise da existência de cluster, por meio da análise do índice de concentração tendo por base o modelo desenvolvido por Crocco et al. (2006) e a evolução do

cluster tendo por base modelo desenvolvido por Machado (2003).

3.1 Intensidade Aglomerativa do Cluster Calçadista Cearense

O conceito de cluster, utilizado neste trabalho é aquele definido por Porter (1998), já apresentado no item um. Esse conceito parte do princípio da existência de uma aglomeração

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22 de empresas e instituições inter-relacionadas, em um setor específico, que o autor denomina de “concentrações geográficas”. E o modelo utilizado é o proposto por Crocco et al. (2006). Os dados necessários para a aplicação do modelo referem-se a emprego, sendo utilizados nesta análise os registrados pela Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho, competência 2008, com base na Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE 2.0). A partir dessas fontes, foram selecionados os CNAE´s referentes à cadeia calçadista

De posse dos CNAE´s, foram pesquisados os respectivos números de emprego registrados na região em estudo. Para o cálculo do índice de concentração (IC), inicialmente são encontrados o Quociente Locacional (QL), também o índice Hirschman-Herfindahl modificado (HHm) e, por fim, o indicador de Potencialidade (PR), com os seguintes resultados:

7572/ 60874 0,1244

Qlij = --- = --- = 6,91 709940/ 39441566 0,0180

Como o resultado foi QL > 1, na região em estudo, significa a existência de uma especialização do setor calçadista nessa região.

HHm = (7.572 / 709.940) – (60.874/39.441.566) = 0,0107 – 0,0015 = 0,0092

Como HHm > 0, interpreta-se que possivelmente há especialização na região em estudo, indicando que a contribuição do setor para o Brasil é menor que a contribuição das regiões para o país.

PRij = 7.572 / 709.940 = 0,0107

Esse indicador mostra a contribuição do setor calçadista na região para o setor no Brasil. Retomando, então, o cálculo do índice de concentração, temos:

IC = Θ1 QLij + Θ2HHmij + Θ3PRij

Conforme já destacado anteriormente, em virtude do entendimento de que a utilização de pesos iguais aos três indicadores não alteraram significativamente os resultados do estudo, foram atribuídos pesos de 1/3 para os valores Θ1, Θ2 e Θ3.

Substituindo, tem-se:

IC = 1/3 x 6,91 + 1/3 x 0,0092 + 1/3 x 0,0107 = 2,3033 + 0,0031 + 0,0036 = 2,3100 Assim, sendo o IC > 0, acima da média nacional, há indícios de concentração.

Com esse resultado, pode-se afirmar a existência de aglomeração de empresas do setor calçadista na região do Vale de Cariri.

3.2 Análise da Evolução do Cluster

A análise da evolução do Cluster Calçadista, da região do Vale do Cariri, foi efetuada através dos dados coletados por meio de questionário enviado às empresas pesquisadas, em que este contemplava 13 (treze) perguntas, que foram elaboradas a partir do referencial teórico e que apresentaram 3 (três) possibilidades de respostas, sendo elas: existente; existente, mas incipiente; e inexistente.

Como o objetivo é verificar a evolução do cluster calçadista ao longo de sua existência, as perguntas foram realizadas em dois períodos de tempo, na atualidade e há 10 (dez) anos.

A análise dos dados foi realizada utilizando a estatística descritiva, na qual foram consideradas as respostas que apresentaram maior freqüência e que pode ser verificada no agrupamento dos resultados na Tabela 1.

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23 Resposta

Variável Predominante % Predominante %

1.Foco no custo como principal fator de competitividade Existente 87,5% Existente, mas Incipiente 93,8% 2.Preocupação pela qualidade dos calçados produzidos Inexistente 100,0% Existente, mas Incipiente 100,0% 3.Completo fornecimento de insumos para calçados por

fornecedores locais Inexistente 68,8% Existente, mas Incipiente 56,3% 4.Instalação de novos fornecedores de insumos para

calçados na região Existente, mas Incipiente 56,3% Existente, mas Incipiente 56,3% 5.Mercado local estagnado por excessiva oferta de

produtos Existente, mas Incipiente 56,3% Existente 68,8% 6.Margens de lucros baixas em virtude do grande número

de concorrentes Existente, mas Incipiente 56,3% Existente 81,3% 7.Concorrência nas vendas locais por empresas de outras

localidades Inexistente 56,3% Existente, mas Incipiente 62,5% 8.Grande parte das vendas dos fabricantes locais é para o

mercado externo. Inexistente 100,0% Inexistente 75,0% 9.Cooperação entre as empresas e seus fornecedores Inexistente 75,0% Existente, mas Incipiente 56,3% 10.Cooperação entre os fabricantes na comercialização de

produtos para o mercado externo Inexistente 93,8% Inexistente 81,3% 11.Vários tipos de empresas e instituições de classes na

região Inexistente 87,5% Existente, mas Incipiente 93,8% 12.Abertura de novas empresas por ex-funcionários que

se especializaram no setor Inexistente 93,8% Existente 56,3% 13.Migração de fabricantes locais para outras regiões do

país Inexistente 93,8% Inexistente 87,5%

Ano: 2010 Análise Agrupada da Evolução do Cluster Calçadista do Vale Cariri

Ano: 2000

Fonte: Pesquisa

A partir das respostas dos questionários, verifica-se que, no ano 2000 as empresas pertencentes ao cluster apresentavam em sua maioria uma baixa preocupação pela qualidade e tinham como principal foco o custo. Também, verificou-se nesse período, a inexistência de cooperação entre as empresas e entre as empresas e seus fornecedores, a não concorrência de empresas de outras localidades, bem como a não existência de entidades de classes e vendas para o mercado externo.

A partir da análise desses dados, evidencia-se que o cluster, no período de 2000, apresentava-se no estágio de nascimento/ embrionário. Conforme Machado (2003), no estágio de nascimento/ embrionário, a competição das empresas é focada no custo, com baixa preocupação pela qualidade dos produtos produzidos e onde é verificada a inexistência de cooperação entre as empresas. Já com base no período atual (ano 2010), verifica-se uma mudança no comportamento das empresas com o crescimento da busca pela qualidade dos seus produtos produzidos, o que faz diminuir a preocupação das empresas unicamente pelo foco nos custos. Pode-se observar que existe a evolução das opções de fornecimento local de insumos para a fabricação de calçados e também a continuidade das instalações de novos fornecedores de matérias-primas, o que demonstra que o cluster em estudo ainda não atingiu o seu estágio de maturidade. Verifica-se, ainda, o surgimento formal de cooperação entre os fabricantes de calçados e seus fornecedores, o surgimento de “spin-offs”, ou seja, empregados que absorvem o conhecimento técnico do produto e do processo e posteriormente deixam as empresas para estruturarem seus próprios negócios. Devido o segmento calçadista apresentar, por característica, o baixo investimento inicial em imobilizados e a alta dependência de mão-de-obra na fabricação, a abertura de novas empresas por profissionais é frequentemente observada neste segmento em estudo.

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24 A verificação do processo de abertura de novos tipos de empresas voltadas para o segmento e de associação de classe demonstra o fortalecimento e potencial de crescimento do

cluster. Conforme Machado (2003), no estágio de crescimento do cluster local, a cooperação

horizontal evolui para a formação de instituições de apoio, como associações de classes e sindicatos. A partir das evidências observadas e acima destacadas, pode-se caracterizar o

cluster, no período atual (ano 2010), como pertencente ao estágio de crescimento. A

confirmação dessa caracterização é reforçada pela demonstração de potencial de crescimento ainda existente do cluster em estudo, evidenciada pela baixa participação das vendas para o mercado externo e inexistência da migração das empresas para outras localidades, onde a existência destes movimentos representaria o inicio do estágio de maturidade para o cluster.

Assim podemos concluir, com base no exposto, que houve evolução do cluster calçadista do Vale do Cariri.

Pertinente a estrutura do cluster, observa-se o surgimento de entidades de classes e de ensino ligadas ao setor e de outros tipos de empresas do segmento, atraídas pelo movimento de crescimento, permitindo, com isto, a possibilidade de geração de uma maior competitividade às empresas pertencentes e a este cluster, o que confirmam as propostas teóricas sobre a evolução da estrutura para a geração de competitividade das empresas.

Pertinente às empresas, a redução da preocupação com custo e a melhoria da ênfase em qualidade mutuamente, reforçam sua mudança na estratégia. Verifica-se também a mudança do comportamento através do surgimento de cooperação entre as empresas e as empresas e seus fornecedores, o que evidencia a busca por produtos de maior valor agregado e por técnicas de produção mais apuradas. Confirmam-se, então, as propostas teóricas sobre evolução das empresas para uma posição de maior competitividade.

Considerações Finais

O setor calçadista do Vale do Cariri no Ceará apresenta-se organizado em cluster, na medida em que apresenta um índice de concentração de empresas desse segmento elevado e bem acima da média nacional.

Verificou-se neste cluster, na última década, evidências de evolução observadas principalmente por uma série de movimentos de mudança e comportamentos, promovidas pelas empresas da região e que geraram um arranjo mais fortalecido e estruturado. Muitas dessas mudanças se iniciaram com a chegada de empresas de grande porte na região, promovida principalmente pelo programa de incentivo industrial, realizado pelo governo do Estado e que mudaram o perfil do segmento calçadista da região.

Observou-se, nesta pesquisa, que houve a evolução de uma série de indicadores e também o surgimento de novos fatores, como a maior preocupação pela qualidade dos calçados produzidos e redução da relevância do custo como fator principal de competitividade. Ainda o surgimento formal, apesar de incipiente, de cooperação principalmente entre as empresas e os seus fornecedores e o surgimento de novas empresas oriundas de empregados que absorvem conhecimento das empresas em que trabalhavam e abriram seus próprios negócios, denotam a evolução do cluster estudado.

Também se verificou a existência de fatores que estão inibindo a evolução do cluster do Vale do Cariri, onde se observa a baixa preocupação pelas vendas ao mercado externo e a ainda pequena cooperação existente entre os agentes.

A partir desta evolução, muitas empresas pertencentes ao cluster da região estão se beneficiando desta melhor estrutura disponível e se tornando mais competitivas no mercado.

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Referências

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