UNIVERSIDADE PRESIDENTE ANTONIO CARLOS
FACULDADE DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM
AUTO HEMOTERAPIA
MARIA CLARA SALOMÃO E SILVA
JUIZ DE FORA
2006
MARIA CLARA SALOMÃO E SILVA
AUTO HEMOTERAPIA
Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Curso de Enfermagem da Faculdade de
Ciências da Saúde da UNIPAC. Como um dos pré-requisitos para a obtenção do grau de bacharel em Enfermagem.
Orientadora: Prof. Ms. Enf. Telma Geovanini
JUIZ DE FORA
2006
MARIA CLARA SALOMÃO E SILVA
AUTO HEMOTERAPIA
Monografia apresentada como
exigência parcial para obtenção
do
grau
de
bacharel
em
Enfermagem,
à
Comissão
Examinadora
do
Curso
de
Graduação em Enfermagem da
Universidade Presidente Antônio
Carlos.
Aprovada em ----/---/---
BANCA EXAMINADORA
Prof(a). Ms. Enf. TELMA GEOVANINI
Prof. Ms. MARCO AURÉLIO VEIGA DE MELO
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho primeiramente a minha orientadora, professora Telma Geovanini, que me auxiliou e me orientou para o sucesso deste, procurando uma maneira eficaz de tratar os pacientes com muita qualidade, obtendo bons resultados. E também aos pacientes que colaboraram com o sucesso da nossa pesquisa, fazendo com que tivéssemos mais certeza ainda no tratamento da auto hemoterapia.
AGRADECIMENTO
Agradeço a Deus por me dar esta grande oportunidade de estar encerrando este Curso de Graduação e de poder estar apresentando este trabalho de conclusão de curso na minha área de interesse e que considero de extrema importância para todos, sejam estes professores, enfermeiros ou leigos. Agradeço também a minha família, pelo incentivo, torcida, preocupação e oportunidade que me deram para a realização deste Curso de Graduação, estando sempre presente nestes quatro anos e com certeza estarão eternamente; a minha “madrinha”, tia Cáca, por estar ao meu lado em todos os momentos e torcendo por mim; ao professor de “trabalho de conclusão de curso”, Marco Aurélio Veiga, por me auxiliar na minha monografia junto com a minha orientadora, mostrando que nada é tão difícil quanto parece, basta ter calma. Agradeço ao Rafael, por me fazer acreditar que sou capaz, e por estar sempre ao meu lado.
RESUMO
A auto hemoterapia é uma técnica bastante antiga. Em 1911 F. Ravaut descreveu seu emprego em diversas doenças infecciosas, especialmente na febre tifóide e nas dermatoses. É um recurso terapêutico de baixo custo, simples que se resume em coletar sangue do próprio paciente e aplicar em seu músculo. Este procedimento estimula o Sistema Retículo Endotelial, quadruplicando o percentual de monócitos e por conseguinte, de macrófagos em todo organismo. Esta pesquisa descritivo exploratória de enfoque quanti-qualitativo, tem como objetivo demonstrar a importância da auto hemoterapia, através da realização do procedimento e de estudos de casos clínicos em uma amostra de dez pacientes, dos quais destacaram-se 05 (cinco) casos, em vista de sua relevância. O critério de inclusão foi terem os pacientes procurado espontaneamente este tratamento, sendo em seguida incluídos em um protocolo de atendimento específico. Realizou-se o follow-up dos casos e coletaram-se as expectativas e resultados obtidos com o tratamento através de depoimentos dos próprios pacientes, com a intenção de divulgar a auto-hemoterapia no meio acadêmico e cientifico, demonstrando a eficácia do método e evidenciando a importância e papel do enfermeiro como profissional responsável pela aplicação deste procedimento. Ressaltamos neste estudo, o desaparecimento de verrugas após a 3ª aplicação; da grande melhora das dermatoses crônicas. O relato de melhora com relação ao estado de ânimo e ao desaparecimento de dores foi unânime entre os clientes atendidos que expuseram isto com tamanha intensidade, expressando seu contentamento com o fato. Foi também muito interessante observar o relato por mais de um deles sobre a melhoria da sua acuidade visual durante o tratamento, fato este que nos impulsiona a questionar sobre a eficácia desse método na ajuda a pessoas com deficiências visuais, necessitando de estudos posteriores que venham a comprovar esta eficácia.
ABSTRACT
The itself blood therapy is one sufficiently old tachnique. In 1911 F. Ravaut it described this technique in diverse infectious illnesses, especially in the tifoide fever and dermatosis. It is a therapeutical resource of low cost, simple that it consists of to collect blood of the proper patient, applying it after that in its muscle. This procedure stimulates the endothelial reticulum system, quadruplicating the percentage of monocytes and also of macrophages in all the organism. This exploratory descriptive research It is quanti-qualitative approach it has as objective to demonstrate the importance of itself blood therapy through the accomplishment of the procedure e of studies of clinical cases in one it shows of ten patients of which 05 (five) cases had been distinguished in sight of its relevance. The inclusion criterion was to have the patients looked spontaneously this treatment being after that enclosed in a protocol of specific attendance. Follow-up of the cases was become fulfilled e the expectations had been collected e resulted gotten with the treatment through depositions of the proper patients with the intention to divulge the itself blood therapy in the half scientific academic and, demonstrating the effectiveness of the method e evidencing the importance and paper of the responsible nurse as professional for the application of this procedure. We stand out in this study the wart disappearance after third application, of the great improvement of the chronic dermatosis. The improvement story of the spirit state and the disappearance of pains it was unanimous between taken care of customers that they had displayed this with joy. It was also very interesting to observe the story of some patients on the improves of the its vision during the treatment. This in induces them to question on the effectiveness of this method to help the people with visual deficiencies, needing posterior studies that they come to prove this effectiveness.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO---10
DESENVOLVIMENTO---14
1- TERAPIAS NÃO CONVENCIONAIS EM SAÚDE---14
2- O HISTÓRICO DA AUTO HEMOTERAPIA---16
3- HISTÓRIAS DO DR. LUIZ MOURA---18
3.1- Patologias tratadas pelo Dr. Luiz Moura
---18
3.1.1- Obstrução femural
---18
3.1.2- Esclerodermia---19
3.1.3- Miastenia Gravis---20
3.1.4- Doença de CROHN---21
3.1.5-LES---22
3.1.6- Ovário Policístico---22
3.1.7- Petéquias---23
3.1.8 -Picada de aranha armadeira
---24
4- IMUNOLOGIA---25
4.1- Imunidade---25
4.2- Sistema imune---26
4.3-Medulaóssea---27
4.4- Monócitos---29
4.5- Macrófagos---29
4.6- Sistema Retículo Endotelial
---31
6-O PAPEL DO ENFERMEIRO---34
6.1- Na hemoterapia
---34
6.2- Na auto hemoterapia
---35
7- REALIZANDO A AUTO HEMOTERAPIA---38
7.1- Punção venosa
---38
7.2- Aplicação
---39
8- O ENFERMEIRO COMO EDUCADOR---40
9-METODOLOGIA---41
10- RESULTADOS---46
CONSIDERAÇÕES FINAIS---58
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS---60
ANEXO A – Protocolo de inclusão dos pacientes---64
ANEXO B – Portaria n
°°°°
971, de 3 de maio de 2006---65
ANEXO C – Resolução do COFEN – 200---79
ANEXO D – Prontuário da Auto Hemoterapia---85
ANEXO E – Formulário de Controle das Aplicações---87
ANEXO F – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido---88
INTRODUÇÃO
A auto hemoterapia é uma técnica bastante antiga. Em 1911 F. Ravaut descreve seu emprego em diversas doenças infecciosas, especialmente na febre tifóide e nas dermatoses. Era também usada em casos de asma, urticária e estados anafiláticos (COREN SP – 2006).
A auto hemoterapia é um recurso terapêutico de baixo custo, simples que se resume em coletar sangue do próprio paciente e aplicar em seu músculo. Este procedimento estimula o Sistema Retículo Endotelial, quadruplicando o percentual de macrófagos em todo organismo, conforme foi comprovado por Luiz Moura em pesquisa realizada com seus pacientes no ano de 1976.
“Antes da aplicação do sangue, em média a contagem dos macrófagos gira em torno de 5% .Após a aplicação a taxa sobe e ao fim de 8 horas chega a 22%. Durante 5 dias permanece entre 20 e 22% para voltar aos 5% ao fim de 7 dias a partir a aplicação da auto hemoterapia. A volta aos 5% ocorre quando não há sangue no músculo.” MOURA (2006) – Gráfico 01
A técnica é simples: coleta-se o sangue de uma veia periférica, comumente da prega do cotovelo e aplica-se no músculo, deltóide ou glúteo, sem nada acrescentar ao sangue. O volume retirado varia de 05ml à 20ml, dependendo da gravidade da doença a ser tratada e o volume injetado em cada músculo é de 05ml. De acordo com relato de Moura (2006), praticante e pesquisador da auto hemoterapia:
“As doenças infecciosas, alérgicas, auto-imunes, os corpos estranhos como os cistos ovarianos, miomas, as obstruções de vasos sanguíneos são combatidas pelos macrófagos, que quadruplicados conseguem assim vencer estes estados patológicos ou pelo menos, abranda-los. No caso particular das doenças auto-imunes a autoagressão decorrente da perversão do Sistema Imunológico é
desviada para o sangue aplicado no músculo, melhorando assim, o estado geral do paciente”
Gráfico 1: Taxa de macrófagos após sessão de auto hemoterapia.
A área de atuação da enfermagem no campo de hemoterapia,consiste no manuseio de transfusões e retiradas de sangue, com cuidado e qualidade, função esta que já é exercida por enfermeiros. A punção venosa periférica representa um procedimento invasivo de alta ocorrência no cotidiano dos profissionais de enfermagem.
Por seus benefícios, a auto hemoterapia deveria ser mais divulgada entre os profissionais de saúde, principalmente por se tratar de uma terapia relativamente simples com uma eficácia comprovada a partir de depoimentos de seus usuários e de estudos laboratoriais que demonstram o efetivo crescimento do número de macrófagos celulares, o que induz a um indiscutível aumento da imunidade orgânica.
Através desta pesquisa temos como objetivo realizar o procedimento de auto-hemoterapia por meio de estudos de casos clínicos em uma amostra de dez pacientes cujo critério de inclusão foi terem procurado espontaneamente este tratamento. Acompanhar o desenvolvimento dos casos clínicos através de seus próprios relatos, divulgando a auto hemoterapia no meio acadêmico e científico, de forma a demonstrar
0%
5%
10%
15%
20%
25%
a eficácia do método e evidenciar a importância e papel do enfermeiro como profissional responsável pela aplicação deste procedimento.
Em julho de 2006, um grupo de acadêmicos de enfermagem, convidados pela professora Telma Geovanini, enfermeira e coordenadora do Curso de Enfermagem da Universidade Presidente Antônio Carlos, tiveram a oportunidade de conhecer a auto hemoterapia, através de um DVD produzido pelo Dr. Luiz Moura, onde ele expõe o método, relatando sua vivência e experiência com o mesmo. Este médico carioca conta que desde os tempos em que era acadêmico de medicina, já acompanhava seu pai, cirurgião, que aplicava o sistema no pré-operatório de seus pacientes, quando então surpreendia a equipe pela inexistência de infecções pós operatórias nos pacientes submetidos previamente a auto hemoterapia.
Após assistir o DVD, formou-se uma equipe, liderada pela referida professora, que deu início a pesquisa alvo do presente estudo no laboratório de Semiologia e Semiotécnica de Enfermagem da UNIPAC – JF, onde foi montada uma sala especialmente para a realização do procedimento em um grupo de clientes que, inicialmente, foi composto por pessoas que também assistiram a mesma sessão de DVD. Esses clientes, foram incluídos na pesquisa tendo procurado espontaneamente realizar a auto hemoterapia com esta equipe.
A partir da inclusão dos pacientes num protocolo previamente formulado, (ANEXO A), buscou-se em seus relatos, confirmação para a eficácia do método, de forma a obter-se maior segurança para a divulgação no meio acadêmico e científico. A equipe citada foi composta pelos seguintes profissionais: Professora Enfermeira Telma Geovanini, o Médico Dr. Manoel Mozart Norberto e a Acadêmica de Enfermagem Maria Clara Salomão e Silva.
Entendemos que a auto hemoterapia, por suas características e especificidade, pode ser entendida como uma terapia não convencional. Quanto a isso, a Portaria n.971 de 03/05/2006 (ANEXO B) publicada no Diário Oficial da União, autoriza,
reconhece o valor terapêutico e incentiva as unidades de saúde a adotarem terapias não convencionais. A mesma Portaria, estabelece como um de seus objetivos que seja dado incentivo à pesquisa em Práticas Integrativas e Complementares com vistas ao aprimoramento da atenção à saúde, avaliando eficiência, eficácia, efetividade e segurança dos cuidados prestados.
1 - Terapias não convencionais
A Organização Mundial de Saúde (OMS) tem incentivado o uso de terapias não convencionais, partindo do princípio que os avanços científicos e tecnológicos do mundo moderno alcançam menos de 1/3 da humanidade e que tanto os profissionais de saúde quanto os usuários do sistema, atualmente convivem com verdadeiros contrastes culturais, econômicos e sociais em seu dia-a-dia. Os trabalhos de pesquisa nesta área tem demonstrado que além da eficácia comprovada, a relação custo X benefício destes procedimentos torna-os mais acessíveis à população.
Recentemente, o Ministério da Saúde, elaborou uma nova política aprovada pelo Conselho Nacional de Saúde, após amplo diálogo com a comunidade científica, prevendo para o ano de 2007 orçamentos e recursos para a implantação da política de adoção de tratamentos não convencionais na rede básica de saúde, com o objetivo de ampliar as opções terapêuticas aos usuários do SUS com segurança e eficácia. Reconheceu-se que hoje, 19 capitais e 232 municípios brasileiros já adotam uma ou mais dessas práticas. Com a criação de uma política nacional para esse fim, a idéia é ampliá-las e uniformizá-las em todo o país.
A Portaria n.971 de 03/05/2006 (ANEXO B) publicada no Diário Oficial da União, autoriza, reconhece o valor terapêutico e incentiva as unidades de saúde a adotarem terapias não convencionais. A mesma Portaria, estabelece como um de seus objetivos que seja dado incentivo à pesquisa em Práticas Integrativas e Complementares com vistas ao aprimoramento da atenção à saúde, avaliando eficiência, eficácia, efetividade e segurança dos cuidados prestados. Por sua vez, a Resolução COFEN-197 / 1997, estabelece e reconhece as Terapias Alternativas com especialidade e/ou qualificação do profissional de Enfermagem.
A OMS – Organização Mundial de Saúde reconhece que 80% da população dos países em desenvolvimento utilizam práticas tradicionais nos cuidados básicos de saúde.
Geovanini (2006), argumenta apropriadamente que é importante reconhecer, que desde que respeitadas as questões éticas e legais tanto a tecnologia simplificada quanto à sofisticada, são importantes e necessárias e que ambas devem ser incentivadas e colocadas à disposição dos usuários e ainda, que a liberdade de escolha, constitui um direito do cidadão. Nosso dever, enquanto profissionais de saúde, é estarmos receptivos e preparados para todas estas situações, conscientes de que tudo tem seu lugar, seu momento e sua aplicabilidade, desde que para isso sejam observadas a coerência, e a adequação necessárias. Importa argumentar que o preparo de um profissional de saúde, a busca pelo saber, sua atuação e seu conhecimento específico, não constitui privilégio de nenhuma classe isoladamente, ao mesmo tempo em que, os serviços básicos de atenção à saúde no Brasil e a população de usuários não prescinde de nenhum dos profissionais da área, muito pelo contrário.
2 - O histórico da auto hemoterapia
É necessário ressaltar a importância da detecção e evolução do quadro clínico patológico pregresso e atual do paciente submetido à auto hemoterapia, sendo assim faz-se necessário esta pesquisa para servir como fonte para os profissionais da saúde. Por se tratar de uma terapia alternativa, alguns profissionais da área de saúde não a reconhecem, nem a validam por desconhecerem suas vantagens, o que torna a auto hemoterapia pouco divulgada no meio científico e entre a população em geral, situação que a partir deste estudo, pretende-se modificar.
Em 1911 houve um registro por F. Ravaut, ele indicava um modo de auto tratamento (uno mismo, haima - sangra) empregado em diversas enfermidades infecciosas, em particular na febre tifóide e em diversas dermatoses. Ravaut usa a auto-hemoterapia em certos casos de asma, urticária e estados anafiláticos.
No ano de 1941 o Dr. Leopoldo Cea, no Dicionário de Términos Y Expressiones Hematológica, cita a auto hemoterapia como método de tratamento que consiste em injetar a um indivíduo certa quantidade de sangue retirada dele mesmo. Ainda em 1941 H. DOUSSET relata que a auto hemoterapia é útil em certos casos para dessensibilizações.
Aqui no Brasil foi o professor Jesse Teixeira que provou que o Sistema Retículo Endotelial (SRE) era ativado pela auto hemoterapia em seu trabalho publicado e premiado em 1940 na Revista Brasil - Cirúrgico, no mês de Março. Jesse Teixeira provocou a formação de uma bolha na coxa de pacientes, com cantárida, substância irritante. Fez a contagem dos macrófagos antes da auto hemoterapia, a cifra foi de 5%. Após a auto hemoterapia a cifra subiu a partir da 1ª hora chegando após 8 horas a 22%. Manteve-se em 22% durante 5 dias e finalmente declinou para 5% no 7º dia após a aplicação.
No período de 1943 e 1947, quando Luiz Moura ainda era acadêmico na Faculdade Nacional de Medicina, iniciou a auto hemoterapia por ordem do seu pai e Professor Pedro Moura, nos pacientes que ele operava na Casa de Saúde São José no Rio de Janeiro, obtendo crescente redução no número de infecções pós-operatórias em seus pacientes.
Atualmente, a auto hemoterapia é pouco conhecida e divulgada, tanto pelos profissionais quanto pela população. Isso acontece devido ao desenvolvimento dos antibióticos, pois quando estes não existiam em grande quantidade no mercado e não eram tão divulgados, várias pessoas eram tratadas com a auto hemoterapia, pois não tinham condições financeiras para tratar com o antibiótico ou não existia o antibiótico, conforme pode constatar destes relatos.
É interessante relatar, que a partir do momento em que iniciamos esta pesquisa, ouvimos relatos espontâneos de pessoas, até do próprio meio acadêmico, que outrora, haviam utilizado a auto hemoterapia para os mais diversos problemas de saúde, demonstrando que o método não é tão desconhecido assim, como parece. Também foi comum o depoimento de pessoas da zona rural, que utilizaram o método com sucesso para o tratamento de diversas doenças em animais, como cavalos e vacas.
3 - Histórias do Dr. Luiz Moura
Estas histórias e experiências citadas a seguir foram coletadas a partir do DVD realizado pelo Dr. Luiz Moura, o qual poderá ser disponibilizado a todos aqueles que se interessarem pelo método. Este recurso utilizado pelo ilustre médico, teve como objetivo divulgar e demonstrar a eficácia do tratamento.
3.1 - Patologias tratadas pelo Dr. Luiz Moura
3.1.1 - Obstrução femural
A oclusão vascular aguda pode ser provocada por um êmbolo ou por uma trombose aguda. As oclusões arteriais agudas podem resultar da lesão iatrogênica, a qual pode acontecer durante a inserção de cateteres invasivos, como aqueles utilizados para a arteriografia, colocação de estentor / PTA ou uma bomba de balão intra – aórtico. As outras causas incluem trauma a partir de uma fratura, lesão por esmagamento e lesões penetrantes que rompem a camada íntima arterial. O diagnóstico exato de uma oclusão arterial, como a de origem embólica ou trombótica, é necessário para iniciar o tratamento apropriado (BRUNNER, 2002).
Relato do caso:
Dr. Luiz Moura relata que devia ao Dr. Floramante Garófalo, em 1976, quando este tinha então 71 anos, o conhecimento que resultou em mais abrangência da ação terapêutica da auto hemoterapia. Em março de 1976 o Dr. Garófalo queixou-se de fortes câimbras em sua perna direita quando caminhava mais de 100 metros; então foi sugerido pelo Dr. Moura que o colega procurasse um angiologista. Este decidiu fazer arteriografia da femural direita sendo constatada obstrução de cerca de 10cm ao nível do terço médio da coxa direita. O angiologista disse ao Dr. Garófalo que resolveria o problema com uma prótese que substituiria o segmento da artéria obstruída.O Dr. Garófalo disse ao angiologista: - "não quero me tornar um homem biônico, amanhã terei
outra artéria obstruída e terei que colocar novas próteses. Vou resolver o problema com a auto hemoterapia”. Então o Dr. Luiz Moura se ofereceu para fazer as aplicações.
Durante 4 meses, de 7 em 7 dias aplicava 10ml de sangue no Dr. Garófalo que então decidiu se submeter à nova arteriografia de femural direita, já que podia caminhar normalmente, porém o angiologista acreditava que era impossível que a artéria estivesse livre da obstrução atribuindo a melhora à sugestão. Repetida a arteriografia, não havia mais nenhuma obstrução na femural direita. O estímulo do S.R.E comprovado por Jesse Teixeira e as ações deste bem explicados no trabalho de Ricardo Veronesi explicavam a desobstrução da artéria femural de Garófalo e abriam um enorme campo no tratamento das doenças auto-imunes.
3.1.2 - Esclerodermia
Esclerodermia é uma doença do tecido conjuntivo que afeta a pele, e algumas vezes os órgãos internos. Apresenta uma variação muito grande em termos de prognóstico. Para alguns pacientes representa apenas um incômodo, enquanto para outros é uma doença grave e letal, sendo para a maioria uma doença que afeta o modo como elas vivem o seu dia a dia. A esclerodermia é classificada como uma doença auto-imune, juntamente com a artrite reumatóide, o lúpus eritematoso sistêmico, a síndrome de Sjögren e a esclerose múltipla, devido ao fato de que o sistema imunológico nestas doenças é ativado para agredir os tecidos do próprio organismo.
Relato de casos:
Em setembro de 1976 internou-se na Clínica Médica do Hospital Cardoso Fontes uma paciente cujo diagnóstico foi esclarecido pela consultora dermatológica da Clínica. Feitas as biópsias nas mamas, abdome e coxa de A.S.O. (F) - 52 anos, encaminhadas à patologista do Hospital, o diagnóstico foi: esclerodermia, fase final. A dermatologista, que tinha sido residente em Clínica Dermatológica nos Estados Unidos da América, em Nova York para onde convergiam os pacientes com E.S.P., disse que pouco podia fazer pela paciente, pois aquela Clínica era nada mais que um depósito de esclerodérmicos".
O Dr. Luiz Moura Iniciou o tratamento da paciente com E.S.P., no dia 10/09/1976. Para provocar o desvio imunológico e assim aliviar a paciente aplicou 5ml de sangue em cada deltóide e 5ml em cada glúteo, de 5 em 5 dias. A paciente já não caminhava há 8 meses e não deglutia sólidos, só líquidos, devido a estenose do esôfago. Dia 10/10/1976 a paciente saía andando do Hospital, com alta melhorada assinada pela Dra. Ryssia. A paciente continuou o tratamento com a dose reduzida para 10ml de sangue por semana. Em maio de 1977 a paciente A.S.O. foi reinternada para avaliação, sendo constatada grande melhora em relação ao dia 10/10/1976 quando teve alta no ano anterior.
Em 1980, M. das G.S. - 28 anos, funcionária da Petrobrás. Diagnóstico esclerodermia sistêmica progressiva - Decisão da chefia médica da Petrobrás - aposentar a paciente. Há 22 anos vem se tratando com a auto hemoterapia. Está assintomática e deverá se aposentar em 2005 por tempo de serviço.
3.1.3 - Miastenia Gravis
A Miastenia Gravis é uma doença neuromuscular que causa fraqueza e fadiga anormalmente rápida dos músculos voluntários. A fraqueza é causada por um defeito na transmissão dos impulsos dos nervos para os músculos. A doença raramente é fatal, mas pode ameaçar a vida quando atinge os músculos da deglutição e da respiração.A doença pode afetar pessoas de todas as idades e de ambos os sexos, sendo duas vezes mais comum na mulher. Não tem um caráter de transmissão hereditária e não é contagiosa, embora ocasionalmente possa surgir em vários membros de uma mesma família.
Relato do caso:
Em 1980, G.S.C (F) 55 anos; Diagnóstico de Miastenia Gravis pelo Instituto de Neurologia. A paciente atualmente, embora com a doença, vive normalmente. É a única
paciente que sobrevive entre aquelas diagnosticadas em 1980 como miastenia gravis, no Instituto de Neurologia.
3.1.4 - Doença de Crohn
A Doença de Crohn é uma doença crônica inflamatória intestinal, que atinge geralmente o íleo e o cólon (mas pode afetar qualquer parte do trato gastrointestinal). Muitos danos são causados por células que atacam uma ou mais partes dos tecidos do tubo digestivo, mas não há certeza de etiologia auto-imune. Os sintomas e tratamentos dependem do doente, mas é comum haver dor abdominal, diarréia, perda de peso e febre. Atualmente não há cura para esta doença, no entanto os tratamentos permitem alívio dos sintomas e melhoria de qualidade de vida. A Doença de Crohn é uma das principais doenças inflamatórias intestinais. Muitos acreditam que a doença de Crohn e a Colite ulcerosa são duas manifestações extremas de uma mesma patologia intestinal subjacente. A doença atinge particularmente jovem (mais mulheres que homens) com idades entre 10 e 30 anos em países industrializados. A incidência é de 1caso em 1000 pessoas.
Relato de casos:
Em 1982, J da SR (M) 30 anos; Diagnóstico de Doença de CROHN - Tratou-se com a auto hemoterapia de 10ml semanais durante um ano. Até a data atual nenhum sintoma teve da moléstia que o acometeu em 1982.
Em 1990, M. da RS (M) 22 anos; diagnóstico de Doença de CROHN. Curiosamente a moléstia começou após o paciente ser assaltado, quando na ocasião fazia o vestibular para Odontologia. Prescrevi a auto hemoterapia que foi aplicada pelo próprio pai do paciente. Até hoje assintomático.
3.1.5 - LES
O lúpus eritematoso sistêmico (LES) é uma doença auto-imune multissistêmica remitente e recidivante, que afeta predominantemente mulheres, com incidência de 1 em 700 mulheres entre as idades de 20 a 60 anos (cerca de 1 em 250 mulheres negras) e na proporção de mulher para homem de 10:1. As principais manifestações clínicas são exantemas cutâneos, artrite e glomerulonefrite, porém são também comuns a anemia hemolítica, a trombocitopenia e o envolvimento do sistema nervoso central. Nos pacientes de LES são encontrados muitos anticorpos diferentes, sendo os mais freqüentes os anticorpos antinucleares, particularmente os anti-DNA. Muitas das manifestações do LES são devidas à formação de complexos imunes compostos de auto-anticorpos e seus antígenos específicos, com deposição desses complexos nos pequenos vasos sanguíneos de vários tecidos. O mecanismo subjacente da quebra da autotolerância no LES não é conhecido.
Relato de caso:
Em 1997, RS (F) 35 anos; diagnóstico - L.E.S - A auto hemoterapia permitiu à paciente ter vida normal, viajando para o exterior com crianças de rua que ela ensina a bailar.
3.1.6 - Ovário Policístico
A síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma doença relativamente comum, acometendo de 4% a 7% das mulheres em idade fértil. A primeira descrição da síndrome de ovários policísticos, por Stein e Leventhal, em 1935, referia amenorréia com ovários aumentados de volume e policísticos, associados a infertilidade e hirsutismo. O diagnóstico pode ser realizado por ginecologista, endocrinologista, clínico geral ou dermatologista, dependendo dos sintomas apresentados por cada paciente. Cada mulher desenvolve um quadro de SOP diferente, que pode conter os seguintes sintomas: ovários aumentados e com muitos cistos; ausência de ovulação; ausência de
menstruação; ciclos irregulares; infertilidade; aumento de peso; acne; hirsutismo; queda de cabelo; resistência à insulina (GUEDES, 2006).
Relato de caso:
Em 1978, a filha do Dr. Luiz Moura, que vivia na Espanha tinha ovários policísticos, não ovulava, era estéril. Então, ele solicitou ao ginecologista e obstetra - que fizesse a auto hemoterapia de 10ml semanais.Após 6 meses ela engravidou, e repetido o exame com insuflação tubária, já não haviam mais cistos. O médico obstetra fez os partos, um casal hoje com 20 e 21 anos respectivamente e prosseguiu aplicando DIU ao longo de 20 anos a fim de evitar gravidez indesejada.
3.1.7 - Petéquias
Petéquias são manchas vermelhas puntiformes que surgem na pele em conseqüência do extravasamento de sangue para dentro da pele. Elas têm o aspecto de pontos vermelhos na pele como cabeças de alfinetes ou hemorragia arroxeada.
Relato de caso:
Em 1990, M.D.C. - 24 anos (F); a paciente começou a apresentar petéquias e epistaxis freqüentes. Quando apresentou otorragia foi encaminhada a um hematologista que diagnosticou como púrpura trombocitopênica. Durante 6 meses foi tratada com corticosteróides em altas doses, até que estes não mais surtiram efeito e as plaquetas baixaram para 10.000 mm3 de sangue. O hematologista decidiu usar quimioterápico conseguindo a elevação das plaquetas para níveis quase normais durante dois meses. Os quimioterápicos não surtiram mais efeito e a paciente foi encaminhada para um cirurgião para se submeter a esplenectomia. A paciente se recusou quando o cirurgião não garantiu que o fígado assumiria a função do baço.A paciente me procurou e eu mandei aplicar a auto hemoterapia. As plaquetas se normalizaram, a paciente depois teve mais dois filhos, e vive vida normal com o seu baço.
3.1.8 - Picada de aranha armadeira (Amputação)
A amputação é a retirada de parte do corpo, geralmente um membro. A amputação de um membro inferior é freqüentemente necessária em conseqüência da doença vascular periférica progressiva, gangrena gasosa fulminante, trauma, deformidades congênitas, osteomielite crônica ou tumor maligno, entre outras. A amputação pode ser considerada como um tipo de cirurgia reconstrutora. Ela é empregada para aliviar sintomas, melhorar a função e salvar ou melhorar a qualidade de vida do paciente (BRUNNER, 2002).
Relato de caso:
Em 1982, M - (F); a paciente aluga cavalos para turistas em Visconde de Mauá. Foi picada por uma aranha armadeira em sua perna direita, que gangrenou, ficando exposta a tíbia. Foi internada na Santa Casa de Rezende onde foi decidida a amputação. Já na mesa de cirurgia a paciente decidiu que não aceitava a amputação da perna, como preconizava o Instituto Butantã para estes casos. Assinou termo de responsabilidade e foi liberada. Procurou o Dr. Luiz Moura e este instituiu a auto hemoterapia e a lavagem da ferida com solução de cloreto de magnésio como fazia Pierre Delbet, cirurgião na guerra de 1914 a 1918. Em 20 dias a paciente estava curada, trabalhando com sua perna até hoje.
4 - Imunologia
4.1 - Imunidade
O termo imunidade é derivado do latim immunitas, que se referia à isenção de vários deveres cívicos e processos legais oferecida aos senadores romanos durante seus mandatos. Historicamente, a imunidade significava proteção contra a doença e, mais especificamente, as doenças infecciosas. As células e moléculas responsáveis pela imunidade constituem o sistema imune, e sua resposta coletiva e coordenada à introdução de substâncias estranhas no organismo é chamada resposta imune.
A função fisiológica do sistema imune é a defesa contra os microrganismos infecciosos.Todavia, mesmo substâncias estranhas não-infecciosas podem despertar respostas imunes. Além disso, em alguns casos, os próprios mecanismos que normalmente protegem contra a infecção e eliminam as substâncias estranhas são capazes de causar lesão tecidual e doença. Portanto, uma definição mais inclusiva da imunidade é a de uma reação a substâncias estranhas, incluindo microrganismos bem como macromoléculas, como proteínas e polissacarídeos, independente das conseqüências fisiológicas ou patológicas dessa reação. A imunologia é o estudo da imunidade em um sentido mais amplo e dos eventos celulares e moleculares que ocorrem após o organismo encontrar microrganismo ou outras macromoléculas estranhas (DOAN.T, 2006).
Os historiadores indicam a Thucydides, em Atenas, durante o quinto século antes de Cristo, como o primeiro a relacionar a imunidade a uma infecção, que ele chamou de “peste”. O conceito de imunidade pode ter existido há muito mais tempo, conforme sugere o antigo hábito chinês de tornar as crianças resistentes à varíola fazendo-as inalar pós obtidos de lesões cutâneas provenientes de pacientes em recuperação dessa doença. A imunologia, na sua acepção moderna, é uma ciência na qual as explicações sobre os fenômenos imunológicos são baseados em observações experimentais e nas conclusões que elas fornecem. A evolução da imunologia como
uma ciência experimental tem dependido da nossa capacidade de manipular o sistema imune sob condições controladas. Desde a década de 1960 tem havido notável transformação do nosso conhecimento sobre o sistema imune e suas funções.
Quando o organismo humano é agredido por agentes infecciosos ou parasitários, é acionado o sistema imunitário em seus vários compartimentos, a fim de destruir ou neutralizar o agressor. Tanto a imunidade mediada por células, como a mediada por anticorpos, complementadas ao final pelos macrófagos, são movimentadas para impedir a ação patogênica do agente invasor. Conforme a natureza do agente etiológico, variará o setor mais importante de defesa ora sendo os anticorpos humorais, ora sendo secretários, ora a imunidade mediada por células, complementadas pela fagocitose dos macrófagos (VERONESI, 1976).
4.2 - Sistema Imune
A diminuição de função do sistema imune pode ter como conseqüências infecções de repetição, dificuldade de eliminação de microorganismos, apesar de terapêutica adequada, disseminação de infecções, proliferação de agentes oportunistas e aparecimento de tumores. Outras disfunções imunológicas podem ocasionar auto-imunidade e reações de hipersensibilidade (BALESTIERI, 2006).
A defesa contra microorganismos é mediada pela imunidade inata e específica. A imunidade inata é também conhecida como imunidade natural, ela consiste de mecanismos que existem antes da infecção, que são capazes de rápidas respostas aos microrganismos e que reagem essencialmente do mesmo modo as infecções repetidas. Os principais componentes da imunidade inata são: barreiras físicas e químicas, tais como os epitélios e as substâncias antimicrobianas produzidas nas superfícies epiteliais; células fagocíticas (macrófagos, neutrófilos) e células matadoras naturais (natural killer); proteínas do sangue e proteínas chamadas citocinas, que coordenam e regulam muitas das atividades das células da imunidade inata. Se os microrganismos forem capazes de atravessar esses epitélios irão encontrar esses mecanismos de
defesa da imunidade inata, que são especificamente destinados a reagir contra eles e contra seus produtos. Os fagócitos (neutrófilos e macrófagos), englobam os microrganismos e os destroem pela produção de substâncias microbicidas; os macrófagos também secretam citocinas que estimulam a inflamação e as respostas dos linfócitos. As células matadoras naturais destroem as células infectadas por vírus e produzem a citocina ativadora dos macrófagos, o interferon-y. As respostas imunes inatas, além de combater as infecções, estimulam a subseqüente imunidade específica (ou adquirida). As respostas da imunidade adquirida desenvolvem-se mais tarde e consistem na ativação dos linfócitos. Existem dois tipos de respostas imunes adquiridas, designadas imunidade humoral e imunidade mediada por célula. A humoral é mediada por células do sangue, chamadas anticorpos, que são produzidos pelos linfócitos B. Os anticorpos reconhecem especificamente os antígenos microbianos,neutralizam a infecciosidade dos microrganismos e marcado-os para a eliminação pelos vários mecanismos efetores. A imunidade humoral é o principal mecanismo de defesa contra microrganismos extracelulares e suas toxinas, devido ao fato dos anticorpos secretados poderem se ligar a esses microrganismos e toxinas e ajudar na sua eliminação. A imunidade mediada por célula, também chamada de imunidade celular, é mediada por células chamada linfócitos T. Os microrganismos intracelulares, tais como os vírus e algumas bactérias, sobrevivem e proliferam dentro dos fagócitos e de outras células do hospedeiro, onde ficam inacessíveis aos anticorpos circulantes. A defesa contra essas infecções é uma função da imunidade celular, que promove a destruição dos microrganismos que residem nos fagócitos à lise das células infectadas (ABBAS,2003).
4.3 - Medula Óssea
No adulto, a medula óssea é o local de geração de todas as células circulantes do sangue e é o sítio de amadurecimento das células B. Durante o desenvolvimento fetal, a geração de todas as células do sangue, designada como hematopoiese, ocorre inicialmente em ilhas sanguíneas do saco vitelino e do mesênquima paraaórtico e, mais tarde, no fígado e no baço. Essa função é assumida gradualmente pela medula óssea e
progressivamente pela medula dos ossos chatos, de tal modo que, na puberdade, a hematopoiese ocorre na sua maior parte no esterno, nas vértebras, nos ossos ilíacos e nas costelas. A medula vermelha, que é encontrada nesses ossos, consiste de uma estrutura reticular esponjiforme localizada entre trabéculas longas. Os espaços nessas estruturas são cheios com células gordurosas, com fibroblastos estromais e com precursores das células sanguíneas.Esses precursores amadurecem e saem por meio de uma densa rede de seios vasculares para entrarem na circulação vascular. Quando a medula óssea é lesada ou quando ocorre uma demanda excepcional de produção de novas células sanguíneas, o fígado e o baço podem ser recrutados como sítios de hematopoiese extramedular (ABBAS,2003).
Todas as células sanguíneas originam-se de uma célula tronco comum que fica comprometida a se diferenciar ao longo de linhagens particulares. Essas células primordiais carecem de marcadores das células diferenciadas e, em vez disso, expressam duas proteínas.
A proliferação e maturação de células precursoras na medula óssea são estimuladas por citocinas. As citocinas hematopoiéticas são produzidas pelas células estromais e pelos macrófagos na medula óssea, proporcionando desse modo o ambiente para a hematopoiese. São também produzidas pelos linfócitos T, estimulados por antígenos, e pelos macrófagos ativados por citocinas ou por microrganismos, proporcionando um mecanismo para a reposição de leucócitos que possam ser consumidos durante as reações imunes e inflamatórias (WALTENBAUGH, 2006).
De acordo com Veronesi (1976), os macrófagos se originam de monócito da medula óssea, de onde são lançadas na corrente sanguínea, para colonizar os tecidos e órgãos.
A medula óssea, além de auto-renovar os progenitores e sua progênie diferenciada, contém numerosas células plasmáticas secretoras de anticorpos que se desenvolvem em tecidos linfóides periféricos como conseqüência da estimulação pelos
linfócitos B e depois migram para a medula. A maturação dos linfócitos T não ocorre na medula óssea.
O timo é o sítio de maturação das células T. Ele é um órgão bilobado, situado no mediastino anterior. Cada lobo é dividido em múltiplos lóbulos por septos fibrosos, e cada lóbulo consiste de um córtex externo e uma medula interna. O córtex contém uma densa coleção de linfócitos T, e a medula, mais clara, é a mais esparsamente povoada por linfócitos.
Os linfócitos no timo são linfócitos T em vários estágios de maturação. De modo geral, as células mais imaturas de linhagem T entram no córtex tímico via vasos sanguíneos. A maturação começa no córtex e, à medida que os linfócitos amadurecem, migram para a medula, de modo que a medula contém, na sua maioria, células T maduras. Somente as células T maduras saem do timo e entram no sangue e nos tecidos linfóides periféricos.
4.4 - Monócitos
O monócito é um tipo de célula sanguínea derivada da medula óssea e que é o precursor dos macrófagos teciduais. Eles são recrutados ativamente dos sítios inflamatórios, onde se diferenciam em macrófagos (ABBAS, 2003).
4.5 - Macrófagos
O macrófago é uma célula fagocítica localizada nos tecidos, derivada dos monócitos do sangue, que desempenha importantes papéis nas respostas imunes inatas e adquiridas. Ele também é conhecido como célula acessória ou fagócitos mononucleares (NASPITZ, 2005).
As células acessórias são aquelas que não expressam receptores clonalmente distribuídos para antígenos, porém participam na iniciação da resposta do linfócito aos
antígenos. No sistema imune, as principais populações de células acessórias são os fagócitos mononucleares e células dendríticas (LICHTMAN, 2002).
O sistema de fagócitos mononucleares consiste de células que têm uma linhagem comum cuja função principal é a fagocitose. No início do século XX, os morfologistas observaram certas células, os corantes (chamados vitais) injetados intravenosamente. Ludwig Aschoff identificou essas células como macrófagos nos tecidos conjuntivos, células microgliais no sistema nervoso central, células endoteliais revestindo os sinusóides vasculares e células reticulares dos órgãos linfóides. Sugeriu também que esses tipos de células atuariam na defesa do hospedeiro promovendo a fagocitose de invasores estranhos, tais como microrganismos, e os agrupou coletivamente no sistema reticulo endotelial (SRE). Atualmente está claro que a pinocitose, da qual são capazes as células endoteliais e reticulares, é diferente da fagocitose ativa dos macrófagos. Por isso, é mais apropriado classificar os macrófagos como membros do sistema fagocítico mononuclear, dedicados à defesa do hospedeiro pela fagocitose (ABBAS, 2003).
As células do sistema fagocítico mononuclear originam-se na medula óssea, circulam no sangue, amadurecem e tornam-se ativadas em vários tecidos. O primeiro tipo de célula que entra no sangue periférico depois de deixar a medula é incompletamente diferenciado e é chamado monócito. Essas células, uma vez acomodadas nos tecidos, amadurecem e tornam-se macrófagos. Eles podem assumir diferentes morfologias e são encontrados em todos os órgãos e tecidos conjuntivos.
Os macrófagos podem ser estacionários ou errantes, todavia, admite-se que macrófagos estacionários possam migrar através da parede dos sinusóides, tornar-se assim, livres, e penetrar na região sede do processo inflamatório (VERONESI, 1976).
Os fagócitos mononucleares funcionam como células acessórias nas fases de reconhecimento e ativação das respostas imunes adquiridas. Suas principais funções como células acessórias, são exibir o antígeno em uma forma que possam ser
reconhecidos pelos linfócitos T e a de produzir proteínas de membrana e secretadas que sirvam como segundos sinais para a ativação das células T. Essas funções acessórias dos macrófagos são aceleradas pelo encontro com os microrganismos e pelas citocinas produzidas durante as respostas imunes inatas aos microrganismos.
4.6 - Sistema Retículo Endotelial (S.R.E)
Segundo Veronesi (1976), o Sistema Retículo Endotelial é constituído por células macrofágicas dotadas de intensa capacidade de fagocitar, lisar e eliminar substâncias estranhas, quer vivas quer inerentes. As principais funções do SRE são:
►Clearance de partículas estranhas provenientes do sangue ou dos tecidos
(inclusive células neoplásicas), toxinas e outras substâncias tóxicas.
►Clearance de esteróides e sua biotransformação
►Remoção de microagregados de fibrina e prevenção de coagulação
intravascular
►Ingestão de antígeno, seu processamento e ulterior entrega aos linfócitos B e T ►Biotransformação e excreção do colesterol
►Metabolismo férrico e formação de bilibirrubina
►Metabolismo de proteínas e remoção de proteínas desmaturadas ►Destoxificação e metabolismo de drogas.
Após ressaltarmos tantas e tão importantes funções, fica fácil de ser entendido o papel desempenhado pelo sistema retículo endotelial no determinismo favorável ou desfavorável de processos mórbidos tão variados como sejam os infecciosos, neoplásicos, degenerativos e auto-imunes e a sua importância evidenciada através da auto hemoterapia.
5 - Hemoterapia
O serviço de hemoterapia possui instalações adequadas ao modelo assistencial e ao nível de complexidade da instituição; dispõe de equipe habilitada para atividades de hemoterapia; o funcionamento deste serviço esta de acordo com as normas e regulamentos correspondentes; existe um relacionamento formal entre o serviço e a instituição.
A área para atuação da enfermagem na hemoterapia consiste no manuseio de retiradas e transfusões de sangue. Uma outra atividade muito importante desenvolvida no serviço é a captação de doadores de sangue, demonstrando os benefícios aos doadores, e a importância desse ato de solidariedade.Os profissionais de nível médio podem exercer tais tarefas desde que estejam sob supervisão e orientação de um enfermeiro responsável.
A enfermagem representa parte da sustentação do grande desafio de diminuir o risco transfusional. Tem como objetivo identificar as mudanças ocorridas nas Normas Técnicas de Hemoterapia, no que se refere à proteção do doador e do receptor à adequação da triagem sorológica.
A Resolução COFEN-200 de 15 de abril de 1997 (ANEXO C), dispõe sobre a atuação dos profissionais de enfermagem em hemoterapia e transplante de medula óssea, sendo omissa, porém, com relação à auto hemoterapia. Isto é justificado, pela falta de divulgação e pesquisas científicas na área, bem como por não representar atividade comum do cotidiano da prática dos enfermeiros. Esperamos com este trabalho, contribuir para uma mudança de paradigma desta questão.
A Constituição Brasileira incorporou, na década de 80, a proibição de toda e qualquer comercialização de sangue e seus derivados, isso foi causado principalmente pelo aparecimento do HIV e outras doenças infectocontagiosas. Desde 1989, a doação
e a transfusão de sangue são reorientadas através de reformulação das Normas Técnicas de Hemoterapia. Ao compará-las com as normas vigentes, fica evidente que houve, ao longo desse período, a incorporação de condutas mais seletivas na triagem clínica.
Em relação aos testes sorológicos, em 1989, não eram realizados testes para Hepatite C e nem para HTLV I / II, tornando-se obrigatório no ano de 1993. Em 1996, os testes anti HIV- 1e anti HIV – 2, Doença de Chagas, Hepatite B e C, e HTLV I/II.
O cumprimento desses preceitos pelos serviços e a adequada informação das equipes multidisciplinares de saúde são fatores decisivos no processo permanente de busca da segurança transfusional.
Existem cursos de especialização, pós-graduação e técnicos para os interessados na área, que promete ser um novo e promissor mercado, abrindo as portas para a enfermagem que até o momento ocupa pouco espaço neste setor.
6 - O papel do enfermeiro
6.1 - Na hemoterapia
De acordo com o regulamento de atuação dos profissionais de enfermagem em hemoterapia e transplante de medula óssea, aprovado pela Resolução COFEN 200, são competências e atribuições do enfermeiro na hemoterapia:
► Planejar, executar, coordenar, supervisionar e avaliar os procedimentos de
Hemoterapia nas Unidades de Saúde, visando assegurar a qualidade do sangue, hemocomponentes e hemoderivados.
► Assistir de maneira integral os doadores, receptores e suas famílias, tendo como
base o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem e as normas vigentes.
► Promover e difundir medidas de saúde preventivas e curativas por meio da
educação de doadores, receptores, familiares e comunidade em geral, objetivando a saúde e segurança dos mesmos.
► Realizar triagem clínica, visando à promoção da saúde e à segurança do doador
e do receptor, minimizando os riscos de intercorrências.
► Realizar a consulta de enfermagem, objetivando integrar doadores aptos e
inaptos, bem como receptores no contexto hospitalar, ambulatorial e domiciliar, minimizando os riscos de intercorrências.
► Planejar, executar, coordenar, supervisionar e avaliar programas de captação de
doadores.
► Proporcionar condições para o aprimoramento de profissionais de enfermagem
atuantes na área, através de cursos, reciclagem e estágios em instituições afins.
► Planejar, executar, coordenar, supervisionar e avaliar programas de estágio,
treinamento e desenvolvimento de profissionais de enfermagem dos diferentes níveis de formação.
► Participar da definição da política de recursos humanos, da aquisição de material
e da disposição de área física necessários à assistência integral aos funcionários.
► Estabelecer relações técnico-científicas com as unidades e afins.
► Participar da equipe multiprofissional, procurando garantir uma assistência
integral ao doador, receptor e familiares.
► Assistir ao doador, receptor e familiares, orientando-os durante todo o processo
hemoterápico.
► Elaborar a prescrição de enfermagem nos processo hemoterápicos.
► Executar e/ou supervisionar a administração e a monitorização da infusão de
hemocomponentes e hemoderivados, atuando nos casos de reações diversas.
► Registrar informações e dados estatísticos pertinentes à assistência de
enfermagem prestada ao doador e ao receptor.
► Manusear e monitorar equipamentos específicos de hemoterapia. ► Desenvolver pesquisas relacionas à hemoterapia.
6.2 - Na auto hemoterapia
Em pesquisas bibliográficas e eletrônicas em base de dados confiáveis, não se constatou a existência de uma definição do papel do enfermeiro na auto hemoterapia, porém, a partir do momento em que esta técnica for reconhecida e reproduzida haverá necessidade não só desta definição, como também de uma legislação específica. Através deste estudo, pretendemos divulgar este método e tornar a auto hemoterapia usual, organizando os protocolos e as atividades pertinentes, para dessa forma contribuir para a evolução do conhecimento e avanços na área.
O “papel do enfermeiro” no tratamento da auto hemoterapia é de extrema importância, pois ele é quem realizará o procedimento no paciente. Por isso, cabe a ele esclarecer para o mesmo como é realizado este tipo de tratamento e qual o objetivo desta terapia. Após estas explicações o enfermeiro irá responder as dúvidas do paciente e observar se este realmente esta disposto a realizar a auto hemoterapia, uma vez que a tenha procurado espontaneamente. O enfermeiro deve estar sempre se propondo a conversar com o paciente para que suas dúvidas, medos e aflições possam estar sendo sanadas.
Em nossa experiência, após o acolhimento dos pacientes, realiza-se a consulta de enfermagem, iniciada com a anamnese do paciente, registro de seus dados pessoais, história clínica pregressa pessoal e familiar. Em seguida dá-se início ao exame físico, anotando-se as observações pertinentes a cada caso, valorizando seus relatos e expectativas. É feita observação criteriosa da viabilidade da rede venosa periférica do candidato, de forma a assegurar que este pode se submeter ao tratamento sem riscos adjacentes. A seguir inicia-se a evolução clínica tanto do seu estado emocional quanto mental e físico, conforme roteiro de entrevista previamente elaborado (ANEXO D).
Após esta etapa da consulta de enfermagem, o caso é relatado e apresentado para o médico, para que ele possa avaliar e posicionar-se, prescrevendo a seqüência do tratamento. De posse das receitas, inicia-se o agendamento semanal dos clientes e inicia-se o tratamento prescrito. A partir de então, os clientes ficam sob supervisão direta dos enfermeiros, que constantemente discutem e analisam os casos em equipe. Realiza-se as coletas e injeções de sangue de acordo com a seqüência prescrita pelo médico, avalia-se o peso e os sinais vitais, realiza-se o follow-up dos casos, registrando tudo minuciosamente na folha de evolução. Todos esses dados são compartilhados periodicamente com o médico.
Foi montada uma sala especifica pela nossa equipe, garantindo o conforto dos pacientes, a qualidade do procedimento e a organização do processo. Nesta sala encontra-se: uma maca, duas cadeiras, suporte de braço para a injeção e um armário contendo todos os materiais necessários para o procedimento, tais como: luvas de procedimentos, bolsa de água quente, garrotes, seringas, agulhas, algodão, álcool 70%.
A bolsa de água quente tem sido utilizada com sucesso, sempre que um paciente apresenta rede venosa de difícil acesso. Nestes casos, permanecem de 5 a 10
minutos com aplicação de calor local (morna), de modo a facilitar a punção venosa através da vasodilatação produzida.
7 - Realizando a auto hemoterapia
7.1 - Punção Venosa
Após análise da rede venosa para certificar-se de sua viabilidade, o sangue é extraído de uma veia periférica escolhida (punção venosa), normalmente da parte interna do cotovelo das veias cefálica ou basílica, ou da rede venosa do dorso da mão. O local da punção é limpo com um anti-séptico (álcool 70%); um torniquete (garrote) é colocado com o fim de restringir o fluxo sangüíneo através da veia. Isso faz com que a veia abaixo do torniquete se distenda (encha-se de sangue). Insere-se uma agulha na veia, e o sangue é coletado em uma seringa. Durante o procedimento, o garrote é retirado para restaurar a circulação. Assim que o sangue tiver sido coletado, a agulha é removida e o local da punção é coberto e se necessário, elevado a um nível acima do coração, para deter o sangramento. Tal procedimento corrobora o descrito por TORRES (2003).
Na maioria das vezes a punção da veia e a aspiração do sangue são rápidas e associadas a desconforto pequeno. Algumas vezes, principalmente no caso de veias finas e profundas, há necessidade de novas tentativas, porém neste estudo raras foram as vezes em que houve necessidade deste reforço, uma vez que todos os candidatos apresentaram veias de acesso razoavelmente fácil. Pessoas sensíveis podem apresentar palidez, suor, tontura e mesmo desmaio, o que não verificamos neste estudo entre os pacientes participantes. No caso do paciente se enquadrar neste tipo, é importante antes de colher o sangue, providenciar para que a colheita seja feita com o paciente deitado.
Em pessoas com hemostasia normal, bastam alguns minutos de compressão com o algodão para que cesse o sangramento. Adotamos também a elevação do membro puncionado acima do nível do coração. Mesmo procedendo com todo cuidado - localização precisa da veia e compressão local - pode aparecer mancha roxa que indica extravasamento de sangue para fora da veia. Esta mancha habitualmente
desaparece em dias. Ao inserir a agulha para a extração de sangue, algumas pessoas sentem uma dor moderada, enquanto que outras sentem uma sensação de ferroada ou picada. Após o procedimento, pode haver um certo latejamento. Se houver dor ou crescimento exagerado na região puncionada, entre em contato a enfermeira ou com o médico que está realizando o tratamento. Cabe ressaltar, que nenhum desses efeitos colaterais foi observado em nossos pacientes, conforme pode ser comprovado em seus relatos (Vide resultados).
7.2 - Aplicação
No momento da aplicação, é injetado por via intra muscular o sangue colhido ( na maioria dos casos 05 ml em cada músculo). Apesar de muitos serem os músculos do corpo, poucos são os que se prestam a estes objetivos. Para selecioná-los devemos considerar: distância em relação a vasos e nervos importantes; musculatura desenvolvida; espessura de tecido adiposo; evitar tecido cicatricial ou endurecido.
Os locais para aplicação para a auto hemoterapia são o deltóide e o glúteo. Como a maioria das aplicações é de 05 ml, optamos por realizá-las na região dorsoglútea, apesar do Dr. Luiz Moura relatar em seu DVD que pode ser injetado até 05 ml de sangue no deltóide e até 10 ml no glúteo. Estamos realizando a auto hemoterapia desta forma pelo fato de a maioria das referências bibliográficas relatarem que o volume máximo que deve ser injetado no deltóide é de 03 ml.
Para a segurança da equipe e observância das normas de biossegurança, as agulhas (30 x 8 ou 25 x 7) são trocadas a cada punção / aplicação, utilizando-se para isso uma pinça Kelly. O material pérfuro cortante é devidamente descartado em recipiente próprio a cada procedimento. Estes critérios foram introduzidos no estudo, diversamente ao que se observa no DVD e relato do Dr. Luiz Moura. Com isto, não pretendemos desacreditar, nem desmerecer a técnica aplicada por este ilustre médico, apenas intencionamos adaptá-la aos preceitos legais e às normas de biossegurança, no sentido de cada vez mais credibilizar tão importante terapia.
8 - O enfermeiro como educador
A ênfase na educação para a saúde origina-se, em parte, do direito do público a uma atenção à saúde compreensiva. Ela também reflete o surgimento de um público informado que questiona mais significativamente sobre saúde e sobre os serviços de atenção a saúde que recebem. É obrigação dos membros da equipe de saúde, principalmente dos enfermeiros, tornar a educação nessa área consistentemente disponível. Sem o conhecimento e o treinamento adequados em habilidades de auto cuidado, os usuários não podem tomar decisões eficazes relativas a saúde.
O sucesso do enfermeiro com a educação em saúde é determinado pela avaliação constante de variáveis que afetam a capacidade do cliente em adotar comportamentos específicos, em obter recursos e em manter um ambiente social propício (GREEN & KREUTER, 1991).
Com isso, cabem a nós enfermeiros orientarmos a população com relação aos seus benefícios, conscientizando sempre sobre a eficácia das terapias alternativas. Mas, para que isso ocorra, é necessário divulgar a auto hemoterapia, e demonstrar a importância desta como fator de aumento da imunidade através do aumento da taxa de macrófagos.
Lembrando sempre que o enfermeiro como educador não deve apenas indicar, demonstrar e conscientizar, mas também realizar a educação continuada, não se prendendo apenas no problema ou atual patologia do paciente e sim tratar a atual e prevenir as futuras, mantendo seu paciente informado dos fatores de risco e possibilidades de adquirir determinadas patologias.
Ressaltamos neste estudo, o papel do enfermeiro como educador por representar a auto hemoterapia um importante momento de interação do enfermeiro com a sua clientela.
9 - Metodologia
Pesquisa descritivo-exploratória com abordagem quanti-qualitativa do tipo estudo de caso, que procurou através da análise de fontes primárias (prontuários) e secundárias (depoimentos dos pacientes), acompanhar e relatar o processo de cinco pacientes submetidos ao tratamento pela auto hemoterapia.
O estudo de caso, segundo Brevidelli e Domenico (2006), caracteriza-se por estudos que abrangem um grupo com características comuns ou submetidos a um estilo idêntico de fenômenos ou fatores. O pesquisador restringe-se a observar os fatos e relata-los de maneira específica. A observação científica requer padronização de conduta e coerência com os objetivos propostos no estudo.
Obtida a definição da estratégia do estudo foram realizadas pesquisas bibliográficas no sentido de buscar dados junto às fontes científicas confiáveis. Porém, vale lembrar o quanto é notória a escassez de bibliografia, artigos e pesquisas específicas do método e a necessidade de se validar cientificamente o procedimento.
Partiu-se do referencial teórico de Marconi e Lakatos (1999), que citam duas maneiras de obtenção de dados: por meio de pesquisa de campo ou da pesquisa de laboratório. A maneira que mais se identifica com este estudo é a de campo, pois:
Pesquisa de campo é aquela utilizada com o objetivo de conseguir informações e/ou conhecimentos acerca de um problema, para o qual se procura uma resposta, ou de uma hipótese, que se queira comprovar, ou ainda, descobrir novos fenômenos ou as relações entre eles. Consiste na observação de fatos e fenômenos tal como ocorrem espontaneamente, na coleta de dados a eles referentes e no registro de variáveis que se presumem relevantes, para analisá-los (MARCONI E LAKATOS, 1990, p.75).
Para Tripodi et al (1975 apud MARCONI e LAKATOS, 1990, p.76), “as pesquisas de campo dividem-se em três grandes grupos: quantitativo-descritivos, exploratórios e experimentais, com as respectivas subdivisões”. Neste estudo coube fazer uma abordagem quantitativo-descritiva e ainda exploratória.
Quantitativo-descritivos – consistem em investigações de pesquisa empírica cuja principal finalidade é o delineamento ou análise das características de fatos ou fenômenos, a avaliação de programas, ou o isolamento de variáveis principais ou chave. Qualquer um desses estudos pode utilizar métodos formais, que se aproximam dos projetos experimentais, caracterizados pela precisão e controle estatísticos, com a finalidade de fornecer dados para a verificação de hipóteses. Todos eles empregam artifícios quantitativos tendo por objetivo a coleta sistemática de dados sobre populações, programas ou amostras de populações e programas. Utilizam várias técnicas como entrevistas, questionários, formulários etc. e empregam procedimentos de amostragem (Tripodi et al (1975 apud MARCONI E LAKATOS, 1990, p.76).
Exploratórios – são investigações de pesquisa empírica cujo objetivo é a formulação de questões ou de um problema, com tripla finalidade: desenvolver hipóteses, aumentar a familiaridade do pesquisador com um ambiente, fato ou fenômeno, para a realização de uma pesquisa futura mais precisa ou modificar e clarificar conceitos. Empregam-se geralmente procedimentos sistemáticos ou para a obtenção de observações empíricas ou para as análises de dados (ou ambas, simultaneamente). [...] Uma variedade de procedimentos de coleta de dados podem ser utilizados, como entrevista, observação participante, análise de conteúdo etc., para o estudo relativamente intensivo de um pequeno número de unidades, mas geralmente sem o emprego de técnicas probabilísticas de amostragem (Tripodi et al (1975 apud MARCONI E LAKATOS, 1990, p.77).
Ainda relacionamos este estudo descritivo ao entender de TRIVIÑOS (1987) quando ele diz que:
"Os estudos descritivos exigem do pesquisador uma série de informações sobre o que se deseja pesquisar[...]. O estudo descritivo pretende descrever "com exatidão" os fatos e fenômenos de determinada realidade". "A análise documental é outro tipo de estudo que fornece ao investigador a possibilidade de reunir uma grande quantidade de informações..." “A população e a amostra devem ser claramente delimitadas, da mesma maneira, os objetivos do estudo, os termos e as variáveis, as hipóteses, as questões de pesquisa etc. (TRIVIÑOS, 1987, p.109-112)”.
Foi criado pela nossa equipe um protocolo de inclusão, onde consta o critério que o paciente nos procure espontaneamente; em seguida são realizados a anamnese, histórico de enfermagem, exame físico e evolução, sendo enviada para o médico da equipe. Após a análise destes dados pelo médico ele nos envia a receita, constando da dosagem do tratamento e do número de aplicações necessárias. Em seguida, informamos ao paciente que seu tratamento já pode ser iniciado. Nos casos que estamos tratando, todos os pacientes estão recebendo 10 ml de sangue, sendo