Relato de Preparac_a_o Para o Concurso de Admissa_o A_ Carreira de Diplomata - Guilherme Raicoski

Texto

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Relato de preparação para o Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata Guilherme Raicoski

Comentário iniciais

Prezados, é uma satisfação apresentar ao pessoal da Comunidade Instituto Rio Branco alguns comentários sobre minha preparação que, felizmente, deu frutos no concurso de 2013.

Sempre acreditei que os relatos de preparação dos aprovados são um meio complementar muito relevante para dar algum norte aos aspirantes à carreira diplomática. Como se sabe, o CACD é um concurso que apresenta desafios muito peculiares, como a dispersão de conhecimentos, a impossibilidade de condensar o conteúdo como um todo em apostilas gerais e a dificuldade de acesso a informações e a materiais fora do eixo Rio-São Paulo-Brasília.

Acredito que esses desafios demandam do candidato uma postura diferente daquela comum nos demais concursos. Em muitos processos seletivos para outros cargos da burocracia estatal, a informação e o conteúdo são geralmente acessíveis e com alguma facilidade, comprados em dinheiro. O mesmo não ocorre no CACD. Enquanto os certames em geral possibilitam - em verdade, exigem - uma postura autocentrada e individualista na preparação, o CACD demanda uma postura cooperativa. Não deixa de ser sintomático que, em um concurso que visa à obtenção de cargo em instituição que preza os valores de solidariedade e interdependência, a preparação é otimizada quando o candidato crê na efetividade desses mesmos valores.

Assim, os debates na comunidade do Instituto Rio Branco no Facebook, as trocas de artigos e de fichamentos e este diálogo indireto realizado por meio dos relatos de preparação de candidatos aprovados são manifestações necessárias desse espírito cooperativo, que serve a superar certas assimetrias e desafios que se impõem, sobretudo, aos candidatos fora dos grandes centros. Por essa razão, acho por bem começar este relato com um apelo àqueles que forem bem sucedidos nos próximos concursos para que mantenham essa tradição de confeccionar seus próprios relatos. Essa é uma tradição que vem desde muito antes de eu sequer cogitar a carreira diplomática como opção, e de cujas fontes eu me servi para dar os passos iniciais na minha preparação. Então, acho legal sempre ter isso em mente: dar um pouco de volta à comunidade de aspirantes à carreira diplomática, de modo a facilitar um pouco esse percurso tão difícil para aqueles que, enfim, serão nossos futuros colegas.

Acho também relevante enfatizar a insuficiência e a parcialidade inerentes a este relato. Certamente não se trata de um “guia da aprovação” ou de um “mapa do caminho”, mas uma perspectiva individual e bastante específica sobre o concurso e a preparação. Cada candidato segue um percurso muito peculiar, e mesmo relatos completos, abrangentes e brilhantes como o do Bruno Rezende, primeiro colocado no CACD de 2011, são apenas uma visão possível do concurso. Daí, novamente, a importância de vários relatos, pois o confronto e a comparação dessas múltiplas parcialidades é que permitem ao candidato definir individualmente o seu planejamento, ao invés de meramente seguir um relato único como uma espécie de manual com uma estrutura obrigatória de planejamento ou um guia de bibliografias supostamente indispensáveis. Assim, neste relato, proponho apenas uma sugestão como efetivamente fundamental:

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submeter o que eu estou escrevendo aqui a um diálogo com suas próprias experiências de preparação, com outros relatos e com o conhecimento de colegas e de professores, rejeitando o que não se coadunar com sua visão própria sobre o CACD e eventualmente encontrando alguma utilidade em um ou outro ponto. Aliás, haja vista a assumida parcialidade deste relato, desde já peço desculpas pela extensão. Infelizmente, tendo à prolixidade, e o texto acabou ficou mais longo do que eu gostaria.

Por fim, um comentário sobre o relato em si. Vou evitar tratar de questões pessoais, financeiras e motivacionais. Sei que são questões-chave para a preparação e, talvez, as principais fontes de angústia de muita gente. Faço isso porque sei que minha trajetória foi muito específica, e também porque, enfim, certamente ser uma voz inspiradora não é a minha praia. Prefiro me focar em esmiuçar a estratégia de estudo que segui no último ano e meio de preparação, em certos princípios que adotei para organizar meus estudos e meu planejamento, compartilhar algumas bibliografias e estratégias de seleção bibliográfica que me foram úteis, além de expor minhas impressões a respeito de forma.

Espero que os comentários a seguir lhes sejam úteis e que, de alguma maneira, contribuam para o êxito em seus projetos!

Guilherme Raicoski Dezembro de 2013

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Impressões gerais sobre estratégias de planejamento de estudos

Diante do vasto conteúdo cobrado no concurso, da segmentação desse conhecimento em diversas áreas do conhecimento e das diferenças de cada prova e de cada fase do concurso, sempre achei importante ter um planejamento específico de estudos. Em cerca de três anos e meio de preparação, devo ter tentado dezenas deles, alguns sendo descartados após uns poucos dias, outros durando mais. Essa experiência de tentativa e erro (e erro, e erro, e mais erro) serviu para encontrar certas estratégias que me serviram continuamente desde o fim da 4a fase de 2012, quando fiquei por volta da 70a colocação ao final do concurso.

Sei que muitos candidatos não seguem nenhum método, mas, para mim, as fases de estudo aleatório sempre foram muito improdutivas e fontes de ansiedade, pois a falta de método me dava a impressão de conteúdo infinito e de pouco ou nenhum avanço no estudo diário.

A seguir, compartilharei quais foram os métodos que melhor funcionaram para mim e, ao fim, apresentarei a grade de programação que segui desde meados de 2012, na qual os princípios a seguir são implementados na prática:

1) O edital e as provas anteriores são as referências fundamentais

Parece algo óbvio, mas não é. No meu primeiro ano e meio de preparação, não seria exagero afirmar que não olhei nenhuma vez o edital e que evitei o guia de estudos com as melhores respostas da 2a e 3a fase até passar no TPS pela primeira vez. Isso é algo comum para muitos candidatos, e acredito que seja derivado da grande dependência que temos dos cursinhos, sobretudo no início da preparação, e da compreensível preocupação com o TPS em detrimento das demais fases. O grandes nortes de estudo acabam sendo dois: os cadernos com anotações das aulas e as dicas bibliográficas mais disseminadas. Ao invés de atentarmos ao que é efetivamente cobrado, sinto que acabamos viciando a nossa preparação com o retorno frequente a um punhado de obras e a anotações de aula.

Para mim, foi vantajoso orientar meus estudos a partir do que consta no edital, estudando cada ponto e partindo para o próximo depois de esgotar o anterior. Cabe, claro, a exceção para algumas matérias:

- o edital de Português certamente não basta para orientar os estudos, embora não possa ser ignorado. Nesse caso, o ideal é seguir o manual (ou manuais) de sua preferência. Durante toda a preparação, usei exclusivamente o manual de Celso Cunha e Lindsey Cintra1, buscando eventualmente complementações na Internet.

- deve-se considerar que os pontos do edital em PI, Geografia e Economia devem ser complementados pela questões mais atuais do contexto internacional e brasileiro.

- o edital de Direito dá uma falsa aparência de equilíbrio entre Direito Interno e Direito Internacional Público, mas é claro pela dinâmica histórica do concurso que direito interno, apesar de ter alguma relevância no TPS, tem peso muito inferior a DIP na 3a

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fase. Na divisão de tempo de estudo, deve-se levar em conta que, dos 865 pontos em jogo no concurso, cerca de 3 pontos envolverão Direito Interno e mais de 100 envolverão DIP. Embora Direito Interno tenha tido papel relevante na 3a Fase de 2013 - vide as questões 3 e 4 da prova -, o aprofundamento nos estudos de DIP mantém-se muito mais relevante que o de Direito Interno.

2) Estudo por temas e tópicos, não por obras

Estudar por temas, para mim, sempre foi mais produtivo do que estudar por obras, por quatro razões.

Em primeiro lugar, é muito raro que uma obra específica inclua todas as variáveis e visões possíveis a respeito de um determinado tema. E, claro, não são raras as obras muito ruins e/ou imprecisas.

Em segundo lugar, as diferentes extensões e complexidades das obras fazem com que a ênfase nas matérias seja desequilibrada. É bastante comum, sobretudo no início da preparação, que o estudo se concentre em obras consagradas, fato que acaba gerando uma ênfase excessiva em temas de História do Brasil e questões históricas de Política Internacional em detrimento dos demais conteúdos, sobretudo línguas. De saída, passa-se, talvez, duas semanas em um fichamento completo feito a mão do História da Política Exterior do Brasil, de Amado Cervo e Clodoalbo Bueno, seguida de mais duas semanas de fichamento da História do Brasil de Boris Fausto, e mais um bom tempo lendo “Os Donos do Poder” do Raymundo Faoro do início ao fim. Essa é a descrição dos meus primeiros momentos de preparação: mais de um mês de História do Brasil, e sequer um minuto para as demais matérias. Isso certamente prejudica o equilíbrio na preparação e o desempenho nas provas. Ao deixar de estudar uma disciplina por semanas ou uma matéria por meses, nos desacostumamos com a linguagem específica dessa disciplina e esquecemos tópicos que já deveriam estar consolidados. Assim, não acredito que o método de estudo mais eficaz envolva a leitura/fichamento de uma lista de bibliografias em sequência linear, mas sim subordine as leituras aos temas e matérias em foco em determinado momento do programa de estudos.

Em terceiro lugar, não sei quanto a vocês, mas eu acho muito cansativo ler obras densas sem parar, retomando-as dia a dia. Pensem, por exemplo, em Formação Econômica do Brasil, de Celso Furtado. É uma obra cansativa, com linguagem densa, e que, na minha opinião, só deve ser lida após se dominar conceitos básicos de micro e de macroeconomia. O desempenho do estudo do final da obra, para mim, fatalmente era muito inferior que no início. E, note-se, a segunda metade de Formação Econômica do Brasil é muito mais relevante que a primeira para o CACD. Lembro também, por exemplo, de detalhes das primeiras páginas de Era das Revoluções do Eric Hobsbawn, como a altura de soldados da Pomerânia, mas não de detalhes da Era Napoleônica descritos na mesma obra. Para mim, rodízio de obras e de temas renova o interesse e adia o cansaço.

Por fim, o estudo por temas permite um ataque multidimensional ao tema. Ao invés de estudar, por exemplo, ininterruptamente a chamada “bíblia vermelha”2 e me dedicar en passant às 10 páginas que a obra dedica à política externa de Eurico Gaspar Dutra, achava mais produtivo estudar a PEB de Dutra em uma rodada de estudos específica, em que passaria pela “bíblia”, pela obra Sessenta Anos de Política Externa, por artigos retirados do site Scielo, por textos clássicos na coleção História Geral da Civilização Brasileira, melhores respostas dos Guias de Estudos para perguntas que trataram do tema etc. Pode-se comparar informações entre uma obra e outra com a memória de leitura fresca, e se produzir um fichamento consolidado que condense todo esse conjunto

2  História da Política Exterior do Brasil,

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de informações, saturando o estudo de um tema em curto tempo ao invés de dispersá-lo ao longo da preparação.

3) Prioridade ao estudo permanente de idiomas

As mudanças que ocorrem no concurso tendem a ser mais ou menos como ocorrem a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas e as reformas estruturais no Brasil: ao invés de mudanças radicais em um só lance, elas ocorrem paulatinamente, de maneira orgânica no decorrer dos anos. Talvez a mudança mais sensível nos últimos anos tenha sido o retorno das vagas oferecidas aos patamares históricos de 30 por ano, e isso tem efeitos no desempenho no concurso. O principal efeito da redução de 100 vagas para 30 vagas foi o aumento da importância relativa do estudo de idiomas. Explico:

Se vocês notarem as notas dos candidatos que ficaram nos 50 ou 60 primeiros lugares desde 2011, percebe-se uma certa homogeneidade nas notas em certas matérias, como História do Brasil, Política Internacional, Geografia e, mais notadamente em 2013, Economia e Direito. As bandas entre as quais as notas flutuam tendem a ser não muito grandes, como por volta de 70-75 em História do Brasil e PI, por exemplo. As flutuações mais radicais ocorrem justamente nas matérias em que estão envolvidos os conhecimentos linguísticos: Segunda Fase, Inglês, Espanhol e Francês. Na minha opinião, o que realmente tem sido o fator diferencial entre uma excelente colocação e a aprovação tem sido o desempenho em línguas.

De acordo com essa percepção, que notei após o desempenho pífio em 2012 que tive em Inglês e Espanhol e o abaixo da média na Segunda Fase e em Francês, decidi enfatizar o estudo de línguas no decorrer da preparação. E para melhorar o desempenho em idiomas, parece-me fundamental uma revisita constante, de preferência semanal, a todas as línguas. Mais à frente neste relato, na grade do meu plano de estudos, podem notar que, enquanto o estudo da maioria das matérias era quinzenal, o de idiomas era semanal. Isso porque, sem tal estímulo, perdemos as habilidades linguísticas e não temos o domínio e, sobretudo, a fluidez para escrever sobre temas complexos e sob pressão em francês, espanhol, inglês ou português culto.

Nesse contexto, não basta um bom conhecimento de cada língua, mas um domínio suficiente para completar as atividades propostas nas provas de 3a e 4a fase no exíguo tempo disponível. E isso exige prática.

Então, creio que, mais do que em quaisquer outras matérias, o estudo de idiomas para o CACD deve ser planejado, frequente e não ser deixado para a véspera. Em um contexto de 30 vagas - que não se sabe ainda por quanto tempo permanecerá o paradigma -, desempenhos insuficientes em idiomas são o principal obstáculo à aprovação.

Não custa enfatizar, pois essa foi, talvez, minha principal conclusão após minha não aprovação no CACD 2012: o bom desempenho em idiomas é o principal diferencial para alcançar a aprovação, pois o desempenho em línguas entre os candidatos de alto nível é irregular e muito menos homogêneo do que nas demais matérias. Há, assim, maior espaço para obter ganhos marginais que incrementem o desempenho total.

4) Treino de todas as habilidades exigidas no concurso, sobretudo a escrita

Sei que esse é um conselho difícil de seguir para quem não conseguiu passar pelo TPS. Contudo, como as demais fases se dão em curto espaço de tempo, é muito difícil desenvolver as habilidades de escrita e de organização de conteúdo apenas após a aprovação na 1a fase. Mais do que “vomitar” conteúdo nas provas discursivas, parece ser

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mais relevante saber organizar esse conteúdo em um texto objetivo, coerente e organizado, com uma tese clara e argumentos específicos. Mais à frente, apresentarei como exemplo a minha resposta à questão 1 da prova de História do Brasil deste ano, em que, acredito, consegui fazer tal organização com algum êxito.

Assim, creio que seja importante dividir o estudo a partir do que será necessário para a aprovação no CACD. Na minha sistematização, seriam elas:

- leitura e fichamento de conteúdos;

- leitura e desenvolvimento de habilidades em idiomas; - resolução de questões objetivas estilo CESPE/TPS; - produção de textos de 2a fase

- produção de textos de 3a fase - produção de textos de 4a fase

Acredito ter sido relevante para a melhora no meu desempenho revisitar essas habilidades sistematicamente em um determinado período de tempo, conforme, novamente, está exposto na minha grade de estudos. Esse estudo integral, creio, pode ser eficiente inclusive para aqueles que ainda não passaram no TPS, porque a escrita de questões é instrumento importante para instrumentalizar de maneira ativa conteúdos adormecidos em nossa mente, com os quais, não raro, tivemos contato tão somente por meio de uma atividade de leitura passiva.

Não creio, contudo, que a produção de textos de 3a fase deva fazer parte da rotina daqueles que estão iniciando a preparação para o CACD, pois simplesmente não há conteúdo disponível para trabalhar a forma de expressar esse conteúdo. Nesse caso de início de preparação, acho que não há muita vantagem em fazer exercícios discursivos de 3a fase antes de se completar uma “volta” completa por todos os conteúdos do edital.

5) Efetuar um rodízio frequente de disciplinas

Como já adiantei no ponto “2”, acho muito cansativo ler uma obra específica ou estudar apenas uma matérias durantes horas, dias e semanas a fio. O rodízio de disciplinas me pareceu importante para manter o interesse em meio à miríade de conteúdos e evitar a atrofia de conhecimentos de outras matérias.

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Grade de planejamento de estudos

Tendo em mente os princípios acima, que defini como orientadores do meu planejamento de estudos, cheguei à grade de estudos presente na próxima página. Essa grade corresponde a um regime de dedicação exclusiva ao concurso, com cerca de 8 horas diárias de estudos cronometradas. Para uma leitura mais clara do que ela significa, segue uma breve explicação abaixo:

- O tempo de estudo era sempre cronometrado. Isso significa pausar o cronômetro quando fizesse uma pausa, um lanche ou atendesse o telefone, por exemplo. Assim, 5 horas “líquidas” de estudo duravam 7 ou 8 horas corridas, contando essas pausas;

- Dividi o meu tempo de estudos em três grandes “blocos”: (i) leituras e fichamentos; (ii) exercícios TPS; (iii) exercícios discursivos. Ao concluir cada bloquinho desses em cada matéria, marcava o quadrado correspondente com um “X”;

- A dinâmica era a seguinte: dedicava-me durante 3 a 5 horas (dependendo da matéria) a leituras e fichamentos, de acordo com o ponto em que estivesse no edital. Em seguida, fazia exercícios estilo TPS (caso a matéria anterior fosse História Mundial, Direito, Economia, Português ou Inglês) por cerca de 1 hora. Depois, selecionava aleatoriamente uma questão de alguma prova de 3a ou 4a fase de anos anteriores e a fazia sem consulta, buscando fazer as questões de menor extensão em até 1 hora e as de maior extensão em até 1h15. Feito isso, passava à matéria seguinte e repetia essa dinâmica. Ou seja: leitura HB ► exercício 3a fase HB ► leitura História Geral ► exercícios TPS História Geral ►leitura PI ► exercício 3a fase PI ► Leitura Direito ► Exercícios TPS Direito ► Exercício 3a fase Direito ► etc.

- Um exemplo para ficar mais claro: em uma segunda-feira, começaria por leituras e fichamentos de textos associados ao tema da vez no edital (por exemplo, 1.1 A configuração territorial da América Portuguesa. 1.2 O Tratado de Madri e Alexandre de Gusmão) durante 5 horas cronometradas. Após isso, partia direto para um exercício discursivo, digamos, a questão 3 da prova de 2007. Sempre dava preferência a fazer uma questão que tratasse de tema distinto ao que trabalhei na leitura e fichamento. Após fazer a prova, comparava com a questão selecionada do Guia de Estudos e via quais foram minhas falhas e onde o desempenho foi bom. Terminado esse ciclo, estudaria 2 horas de História Mundial e faria 1 hora de exercícios TPS d História Mundial. Depois, 5 horas de PI, 1 hora de exercício discursivo, e assim por diante. A minha expectativa era sempre completar um grande ciclo em um período de 10 a 14 dias, após o qual eu voltaria à primeira matéria: História do Brasil.

- Não custa enfatizar, pois sei que é confuso:

-Estudo 5 horas de História do Brasil. Terminado, marco um X;

- Não estudo TPS de HB, e passo direto para um exercício de 3a fase de História do Brasil. Terminado, marco um X;

- Estudo 2 horas de História Mundial. Terminado, marco um X;

- Faço uma hora de exercícios CESPE colhidos no site questões de concursos sobre História Mundia. Terminado, marco um X

- Estudo 5 horas de Política Internacional. Terminado, marco um X;

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Terminado, marco X; - E assim por diante.

- GT, presente na tabela “exercícios discursivos”, refere-se a atividades de meu grupo de estudos. Semanalmente, selecionávamos quatro temas presentes no edital do concurso, e cada um fazia um fichamento sobre o tema, que então circulávamos entre nós.

- Notem que eu não fazia exercícios TPS de História do Brasil, PI ou Geografia. A razão é a escassez de oferta de exercícios desse tipo na Internet. Há muito poucas questões de História do Brasil em outros concursos, as questões de PI versam pesadamente sobre atualidades, o que fazia das questões antigas pouco relevantes para a minha preparação, e as questões de Geografia estilo TPS são horrorosas, ano a ano, e são mais uma fonte de desinformação que de estudo. Então, após leituras de HB, PI ou Geografia, partia direto para o exercício discursivo. Por isso as linhas tracejadas nos bloquinhos correspondentes a exercícios TPS dessas matérias na grade de estudos.

- Nesse esquema, há uma exceção, como já comentei anteriormente, para línguas. Buscava estudar ao menos 1h00 de Inglês, de Francês e de Espanhol semanalmente, além de fazer alguns exercícios, seja de provas anteriores, seja passados por professores. O famoso esquema de “ler notícias em língua estrangeira diariamente” nunca deu certo para mim. Eu não tinha a disciplina para tanto, não sentia grande avanço ao fazer meras leituras de notícias e, enfim, tomava muito tempo em um cronograma bastante apertado. Ao final de duas semanas de estudo, portanto, enquanto a maioria dos bloquinhos teria apenas dois “X” (na primeira ou na segunda semana do ciclo de estudos), línguas sempre teriam dois “X” (em toda semana do ciclo de estudos)

- Um último comentário: esse é o planejamento de estudos que segui até 2 semanas antes do TPS. Após isso, a dinâmica de estudos mudou, e foi bastante aleatória.

Na página a seguir, consta a tabela, com marcações correspondentes aos estudos de um ciclo feito entre 10 e 23 de junho. Se tiverem dúvidas em relação à tabela, não hesitem em me perguntar.

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- Ciclo: 1 tópico de leitura -> 1 tópico de exercícios objetivos -> 1 tópico de discursivos -> 1 tópico de leitura -> 1 tópico de exercícios objetivos -> 1

tópico de discursivos ->...

- Leituras e atividades de idiomas, além de atividades do grupo de estudos, feitas semanalmente; todo o resto, quinzenalmente - Tempo máximo do ciclo: 14 dias (início segunda de manhã da semana 1, final no domingo à noite da semana 2).

Matérias Matérias 10-16/06 17-23/06 24-30/06 20/04-05/05 01-07/07 08-14/07 15-21/07 22-28/07 Leitura (5 horas HB, PI e 2a fase; 2 horas Geografia e HM; 1h00 hora idiomas; 3 horas o restante) HB HM PI Direito Geografia Economia Português 2a fase Inglês Francês Espanhol X X X X X X X X X X X X X X Exercícios TPS (fazer apenas HM, Direito, Economia, Português e Inglês). 2 horas de HB HM PI Direito Geografia Economia ---X ---X ---X

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---exercícios em português e em inglês; demais, 1 hora Português Inglês X X X Exercícios discursivos (1-2 horas, exceto GT, que pode chegar a 4h, idioma,s em média 3h, e 2a fase 6h) GT HB PI Direito Geografia Economia Inglês Francês Espanhol 2a fase X X X X X X X X X X X X X X Aulas Armstrong Vivian Muller ---X X X X

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Conteúdo: Bibliografia e seleção bibliográfica

Não há como fazer uma lista bibliográfica fechada, principalmente em matérias baseadas pesadamente em atualidades, como Política Internacional. Nestas, a bibliografia é dispersa, e penso que, mais que seguir uma lista fixa de obras obrigatórias, é mais vantajoso elaborar estratégias de seleção bibliográfica. A seguir, escrevi uma lista de obras que acredito terem sido relevantes para a minha formação, mas que nem de longe esgotam tudo que estudei.

O esgotamento de conteúdo em algumas obras não é possível e, creio, nem desejável. Acredito que a preparação para o CACD passa por duas fases. A primeira delas é uma fase de homogeneização, ou seja, o processo de conhecer ao menos os fundamentos de todo o conteúdo cobrado no concurso e de nivelamento com os, digamos, 300 candidatos mais competitivos do concurso. Nessa fase, concordo que existem algumas obras básicas cuja leitura é importante para alcançar o quanto antes o patamar de homogeneidade de preparação com candidatos competitivos. A segunda fase é a de diferenciação, que no meu caso envolveu o aprofundamento e a busca do domínio dos conteúdos fundamentais, a ênfase em leituras diferenciadas e na busca de um “quê” a mais. Essa parte é mais dependente da estratégia de seleção bibliográfica e da prática da escrita, que vai além das obras mais conhecidas e passa pela autonomia do candidato em buscar sua diferenciação.

Como disse, a lista de obras a seguir e as estratégias de seleção bibliográfica não chegam perto de contemplar a totalidade do que estudei, mesmo porque há uma série de artigos, capítulos, cadernos e aulas que li, bons e ruins, dos quais não me lembro após 3 anos e meio de preparação. Mas acredito que o importante é ajudar vocês a trilharem seus próprios caminhos, então, segue minha contribuição, assumidamente parcial e incompleta.

Parêntesis: Fichar as leituras ou apenas ler?

Um rápido comentário em relação a fichamentos. Eu aderi a eles tardiamente, mas acredito terem sido importantes para a melhora no meu desempenho. Uma das mais notáveis habilidades do nosso cérebro é a de esquecer, e a fixação de detalhes e de argumentos em estudos de conteúdos volumosos é, para mim, desafiadora pela via passiva da mera leitura. Uma postura ativa, elaborando fichamentos, incrementou a minha fixação de conhecimentos. Ainda, há outras duas vantagens: em meio às provas, o fichamento é o meio por excelência de revisão, pois existe uma impossibilidade física de revisar todos os livros, artigos e capítulos estudados; e, também, os fichamentos servem como moeda de barganha com outros candidatos, possibilitando a cooperação para obter mais trabalhos e agregar à sua biblioteca. Então, embora saiba que muitos candidatos e professores prefiram a mera leitura para cobrir mais conteúdo no mesmo espaço de tempo, as três vantagens citadas - fixação, fonte de revisão, moeda de barganha - me convenceram a adotar o fichamento.

Desde já adianto que meu fichamento era por temas, não por obras. Então, eu tinha um arquivo, digamos 'Era Vargas”, ou “Desarmamento e não proliferação”, nomeados de acordo com os temas previstos no edital, em que eu fichava os diversos livros e artigos que lia. Na hora da revisão, eu tinha um arquivo consolidado sobre o tema com diversas perspectivas diferentes, e conseguia revisar, em poucas semanas, quase todo o conteúdo.

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História do Brasil

Em termos de aulas, apesar de conhecer parcialmente o trabalho de outros professores, acho difícil alguém que conheça a prova de História do Brasil e o CACD tão bem quanto o João Daniel, do Curso Clio. Tive seguidas experiências de aula com ele em cursos telepresenciais e online, do início da preparação à maratona de 3a fase. Acredito que a aula dele dá excelentes subsídios em termos de conteúdo e de forma, ambos pilares interdependentes para as provas, e recomendo fortemente para aqueles dispostos a investir em aulas de cursinho. Um dos fatores que me possibilitou fazer aulas no Clio, além da excelência do professor em questão, foi o fato de ter obtido bolsas de 75% no concurso de bolsas que o Clio faz duas vezes por ano. Sempre busquei caprichar nessas provas para ter acesso a professores como o João Daniel, então, acredito que ficar de olho nos editais do Bolsão e se dedicar às provas vale muito a pena.

Em termos de bibliografias, segue uma listagem que acho relevante. Reitero que não li essas obras em uma lista sequencial, mas a elas recorria na medida em que tivessem informações concernentes ao tema que estudava no momento. Por isso, não raro meus estudos de História do Brasil eram feitos na Biblioteca Pública do Paraná, ou lá antes passava para colher 2 ou 3 livros que tivessem ao menos um capítulo sobre o tema que estudaria em casa.

- Manual do Candidato FUNAG de História do Brasil: o mais recente manual foi elaborado pelo João Daniel, e é, de longe, na minha opinião, o melhor manual do candidato lançado na história do concurso, e o único que realmente serve ao seu propósito: ser um texto-base de referência para o CACD. A obra tem o equilíbrio necessário entre cinco perspectivas cobradas no concurso (Política Externa, Política, Economia, Sociedade e Cultura), com a ênfase necessária na Política Externa (grosso modo, 3/4 do conteúdo cobrado no CACD), riqueza de detalhes, estilo elegante e agradável de ler. Tive a oportunidade de ler quase toda a obra, mesmo ela tendo sido lançada durante o CACD 2013, e lamentei não ter tido em mãos uma ferramenta tão boa no início da preparação. Se estivesse no início da preparação, ou recomeçando os estudos com vistas a 2014, usaria esse manual como texto-base, usando-o como a primeira referência no estudo de determinado tema antes de partir para outras leituras. Está disponível para download gratuito no site da FUNAG.

- Manual do Candidato FUNAG de História do Brasil antigo: o manual de 2001, de autoria de Flávio de Campos, tem bons momentos, mas peca por ser bastante incompleto. Não o usei como fonte de leitura e de fichamento, mas sim como fonte de referência bibliográfica. Em cada capítulo do livro, estão discriminadas obras clássicas usadas na elaboração no manual. Quando ia estudar qualquer tema previsto no edital, antes consultava as bibliografias citadas no manual para então buscá-las em uma biblioteca ou na internet. Muitas das obras abaixo, além de outras, foram encontradas justamente pelo recurso a essa obra, e é uma boa estratégia de seleção bibliográfica

- História da Política Exterior do Brasil (Amado Cervo e Clodoalbo Bueno) : embora não mais seja mais fonte direta de questões, como o foi até 5 anos atrás, permanece como obra de cabeceira para os candidatos ao CACD. Consultei-a com frequência, diversas vezes, e acredito que deve estar presente nos estudos temáticos até governo Figueiredo (inclusive). A partir de Sarney, a obra não me agrada.

- Sessenta anos de política externa brasileira (coordenadores José Albuquerque, Ricardo Seitenfus e Sérgio Henrique Nabuco de Castro): enquanto o HPEB serve como fonte de

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dados e conhecimentos específicos, os diversos artigos dessa obra trazem teses específicas e argumentos fundamentados. Gosto de todos os artigos do livro, e, embora não contemplem todas as dimensões da PEB pós-1930, sempre retornei a esses artigos quando estudava os temas que abordava.

- Volumes 1, 2 e 3 da Coleção “História do Brasil-Nação” da Fundação Marpfre: cada volume conta com cinco artigos, tratando de política externa, política interna, economia, sociedade e cultura. A maioria dos artigos é excelente, muitos deles elaborados por corretores da banca de História do Brasil no CACD, e questões têm sido retiradas das obras. Recomendo, sobretudo, os textos de política externa. Não recomendo, contudo, o volume 4 da coleção: ele trata de um período muito vasto (1930-1964, ou seja, toda a Era Vargas e toda a República Liberal), o que torna os artigos fatalmente menos aprofundados.

- Coleções História Geral da Civilização Brasileira (organizada por Sérgio Buarque de Hollanda e Boris Fausto): essas obras são clássicos que sempre senti um tanto esquecidos pelos demais candidatos ao CACD. Claro que alguns textos dessas obras contam com historiografias um tanto desatualizadas e alguns são simplesmente fracos, mas no geral, para mim, foram fontes sensacionais para o meu processo de “diferenciação”. Acredito ser válido, no estudo de um tema, colher algum dos livros da coleção que tenha um artigo sobre o tema. São 25-30 páginas amareladas e empoeiradas que podem fazer a diferença.

- Navegantes, bandeirantes e diplomatas, de Synesio Sampaio: a obra seminal para estudo da formação das fronteiras brasileiras. Fundamental para o estudo das fronteiras. A parte sobre navegantes não é abordada no concurso, então pode ser pulada.

- História do Brasil, de Boris Fausto: foi a primeira obra que li para o concurso. Li uma vez, nunca mais voltei a ela, e sinto que não fez diferença. É um excelente texto geral, mas devido à ênfase do concurso em política externa, acredito que o Manual Funag do João Daniel e demais textos acima são mais relevantes.

- Obras temáticas: “Os Donos do Poder”, De Raymundo Faoro; “O Tempo Saquarema”, de Ilmar Rohloff, “A Construção da Ordem/Teatro das Sombras”, de José Murilo de Carvalho, “O Tempo de Capanema”, de Simon Schwartzman, Cidadania no Brasil”, de José Murilo de Carvalho; “Soldados da Pátria”, de Frank McCann; “Ideias em movimento”, de Angela Alonso: coloquei todos esses livros juntos porque são obras grandes, de centenas de páginas, que tratam de temas específicos, com historiografias bem específicas. Creio ter sido importante conhecê-las, mas não ter lido algumas integralmente. Essas obras em geral defendem uma tese específica, e o livro se destina a trazer dados e argumentos para subsidiar a defesa dessa tese. Então, eu não recomendaria lê-la integralmente, mas ao menos entrar em contato, ler a parte introdutória e a conclusão e algumas partes do desenvolvimento, de modo a conhecer e instrumentalizar os argumentos disponíveis.

- Textos de Gerson Moura: os textos de Gerson Moura, em diversas obras, são sempre fonte privilegiada para uma visão lúcida sobre a política externa brasileira.

- Internet: não há como subestimar a relevância da internet para buscar conteúdos. Há sites, como o Scielo e do CPDOC da FGV, que trazem artigos específicos sobre temas do concurso, que podem fazer parte do conjunto de obras em um estudo temático. No Google, embora o que se encontra deva ser considerado com cautela, não raro encontrei

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informações específicas e artigos valiosos, que ou esclareceram leituras anteriores ou trouzeram novos dados. Devo às buscas na internet, por exemplo, o bom desempenho na questão deste ano sobre o ISEB, pois eu tinha feito um fichamento consolidado sobre think-tanks da República Liberal (ESG, ISEB, IBAD e IPES) com base em artigos achados na internet, por ter visto a relevância dessas instituições para o desfecho de abril de 1964. Então, quando estudar cada aspecto de um tema, sempre é bom buscar mais coisas na internet, para além dos livros e das anotações de aula.

- Artigos e obras recentes dos membros da banca do concurso: em 2012, cobrou-se questão de 3a fase que seria bem respondida com recurso a artigo de Francisco Doratioto no volume 2 da coleção “História do Brasil-Nação”; em 2013, também houve questão de 3a fase que seria bem respondida com artigo científico de Antônio Carlos Lessa. Então, tem sido importante, para evitar surpresas, conhecer as obras mais recentes dos membros da banca de HB.

- Mais: pode-se buscar obras clássicas de História do Brasil na Internet e nas referências bibliográficas dos dois manuais do candidato FUNAG. Na medida do que se julgar necessário, há nesses meios referências de obras importantes para cada tema, que podem ajudá-los a consolidar a homogeneização e buscar a diferenciação. Certamente eu poderia ficar lembrando de todos os fragmentos de texto de HB que li, mas acredito que não é esse o propósito, afinal, não existe um só caminho para o Itamaraty. Acho que coloquei as obras gerais que foram mais importantes para mim, e a seleção bibliográfica específica de vocês pode seguir essa estratégia internet-referências bibliográficas-referência ao edital.

Política internacional

Tive aulas com os professores Paulo Afonso, do Clio, e Thomaz Napoleão, do Curso Atlas. Cada um tem uma abordagem: enquanto o Paulo Afonso enfatiza aspectos estruturais e históricos da PI, o Thomaz faz abordagens de fôlego sobre questões mais atuais. Ambas são complementares e os dois professores são brilhantes para dizer o mínimo, mas me identifiquei mais com o estilo do Thomaz.

Os meus estudos de Política Internacional foram provavelmente os mais fragmentados, e feitos quase que exclusivamente pelo computador. Meu método era pegar um tema e dissecar todas as possíveis dimensões desse tema.

Por exemplo, em estudos do ponto do edital “Política externa chinesa e relações entre China e Brasil”. Eu dividia em dois fichamentos, uma para política externa chinesa, outro para relações China-Brasil. Eu caçava informações sobre os princípios da política externa chinesa no site do “MRE” chinês e da embaixada da China no Brasil, em artigos buscados na internet, em anais de conferências sobre a China da FUNAG, entrava no site do MDIC para levantes dados de comércio... Enfim, seria impossível discriminar todas as minhas fontes de estudo de PI. Então, seguem as estratégias que orientavam a busca dessas fontes:

- Busca de dados de comércio no site do MDIC, do Banco Mundial e da OMC;

- Busca, leitura e fichamento de fontes primárias, como tratados, memorandos de entendimento, declarações presidenciais conjuntas, declarações de cúpula, temas discutidos em de Estado;

- Buscar no site do MRE (na “sala de imprensa”) o que se discutiu sobre o tema nos últimos 12-18 meses;

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- Buscar no site da FUNAG obras específicas sobre o tema;

-Buscar em sites de jornais nacionais e estrangeiros sobre informações atualíssimas, tendo as necessárias precauções de filtrar as informações permeadas por parcialidades e partidarismos através do prisma da política externa brasileira.

- Assistir ao canal do MRE no Youtube.

As fontes acima serão fundamentalmente fontes de dados. Esses dados precisam ser amarrados por teses e estruturas argumentativas, que deve necessariamente refletir a visão da diplomacia brasileira. Então, é fundamental sempre ter em mente que os dados levantados pelas fontes acima devem ser amarrados pelos princípios da política externa brasileira. Não saberia indicar obras específicas para tanto. Compreendi tais princípios aos poucos, com a leitura de discursos, de declarações à imprensa, de manifestos e de artigos e obras de diplomatas, que acabam trazendo em seu bojo essa estruturação argumentativa e axiológica.

Essas fontes de dados serviam para esclarecer os seguintes pontos:

a) Em temas sobre países e relações bilaterais/birregionais (grosso modo, pontos 2 a 15 do edital)

- Quais os princípios de política externa do país/região? - Quais os objetivos de política externa do país/região?

- O que aconteceu de mais relevante nesse país/região nos últimos anos? - Qual o histórico da relação do Brasil com esse país/região?

- Quais os princípios que regem a relação do Brasil com esse país/região? - Quais os objetivos da relação do Brasil com esse país/região?

- O que aconteceu de mais relevante na relação do Brasil com esse país/região nos últimos anos?

b) Em temas específicos (grosso modo, pontos 16 a 21 do edital) - Perspectiva e desenvolvimento histórico do tema;

- Centralidade do tema na agenda internacional contemporânea;

- Relação desse tema com os princípios gerais da política externa brasileira (por exemplo, desenvolvimento, não ingerência...);

- Princípios específicos da política externa brasileira nesse tema (por exemplo, em mudança do clima: responsabilidades comuns porém diferenciadas, evitar a ultraconcentração em medidas de mitigação, ...);

- Posicionamentos e medidas concretas do Brasil sobre o tema; - O que aconteceu de mais relevante no tema nos últimos anos; - Ações mais relevantes do Brasil no tema nos últimos anos;

História Mundial

Parece-me importante modular o estudo das matérias de acordo com o seu peso relativo no concurso. Em suas diferentes fases, o concurso soma um total de 865 pontos em jogo. Destes, apenas 10, cerca de 1% do total de pontos do concurso, trata diretamente de História Mundial. De resto, História Mundial aparece como elemento acessório em algumas questões de outras matérias.

Mesmo que a matéria tenha peso relativamente grande no TPS, após os primeiros meses de preparação, sempre estudei História Mundial de modo muito coadjuvante,

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esquecendo-a por meses e empreendendo uma revisão para o TPS a partir do momento que saísse o edital.

No cronograma de estudos que incluí neste relato, História Mundial conta com um peso relativamente grande, mas isso porque ele envolve um período imediatamente pré-TPS. Entre agosto/2012 e maio/2013, não li uma linha de História Mundial. Naturalmente, não digo que é esse o caminho que vocês devam seguir, afinal, como reiterei aqui alguma vezes, este relato não é uma fórmula incontornável para passar no concurso. Mas, enfim, foi essa minha abordagem de História Mundial, bastante marginal em relação às outras matérias.

Em termos de aulas, não destaco nenhum professor em particular. O centro dos meus estudos baseou-se em leituras.

Em História Mundial, diferentemente das demais matérias, jamais fichei nada, justamente para economizar tempo diante do peso relativo pequeno da matéria e da sua ultraconcentração em termos mais genéricos no TPS.

Seguem algumas obras:

- As Eras de Eric Hobsbawn: são históricas favoritas do concurso, mas não minhas. Li Era das Revoluções integralmente e algumas partes de A Era do Capital e de Era dos Extremos. São textos brilhantes, riquíssimos em informações. Muitas informações. Informações demais. Talvez o recurso ao livro seja interessante para aprofundar alguns temas mais ásperos do edital, mas, ao menos para mim, ler os Eras me parece algo extremamento demorado e com elevados custos de oportunidade, considerando o peso de HM no concurso.

- História da Civilização Ocidental vol.1, de Burns: livro direto ao ponto, trabalhando, talvez, uns 70% do edital. Acho que é o melhor livro para começar e para revisitar a título de revisão para o concurso, complementado pelas duas fontes abaixo. - Novo Manual do candidato FUNAG História Mundial Contemporânea, de Paulo Fagundes Visentini: Pessoalmente, acho um manual bastante bom! Foi a minha principal fonte de estudos de revisão no período pré-TPS, juntamente com o História da Civilização Ocidental do Burns. Recomendo a leitura.

- Wikipedia(sobretudo em língua inglesa): a Wikipedia em inglês é uma fonte espetacular de estudos para História Geral. Quando estudava os temas de História Geral, sempre ia ao Wikipedia em inglês ou em espanhol (para temas de história latino-americana por exemplo) para aprofundar informações e buscar detalhes. Mesmo que vez ou outra tenha alguma informação dissonante, é uma fonte protagonista, que, creio, não deve ser descartada.

Geografia

Se há uma matéria em que aulas de cursinho foram centrais para a minha preparação, foram as de Geografia. Tive aulas com os professores Thiago Rocha e - com mais frequência - João Felipe, no Curso Clio Online e Telepresencial. O Thiago Rocha é excelente, mas só tive aulas no início do curso. Meu percurso com o João Felipe foi mais longo, e é difícil economizar elogios. As aulas são completas, muito organizadas, repletas

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de dados e de dicas de bibliografia. Nesse caso, minhas anotações de aula do Thiago e do João Felipe foram principais fontes bibliográficas e de revisão.

Já de saída alerto que o estudo que vocês farão em Geografia serve quase que exclusivamente para a Terceira Fase. A prova de geografia no TPS é, ano após ano, uma tragédia: imprevisível, mal elaborada, adentrando com grave imprecisão em outros campos que não a geografia. É, sem dúvida, a pior prova da Primeira Fase, não por ser difícil, mas por ser extremamente mal feita. Em termos de preparação para o TPS, eu abandonei por completo o estudo de geografia, por ser simplesmente inútil diante da baixa qualidade das questões de Primeira Fase.

No mais, seguem algumas dicas:

- Obras de Milton Santos: o importante para a prova de geografia, creio, não seja ler e fichar as obras em sua inteireza, mas seus principais argumentos. Minha tática com Milton Santos foi semelhante à que considero mais adequada para as “obras temáticas” de História do Brasil: ler algumas páginas, folhear os textos, tentar captar a linguagem e os argumentos usados. É importante conhecer e saber usar o jargão miltonsantês, baseado em dualidades como “espaços fluidos e viscosos, luminosos e opacos”, além de “Região Concentrada”, “meio natural, meio técnico, meio técnico-científico-informacional” e suas subdivisões, definição de “espaço”, “rugosidades” etc. Li integralmente a obra “Brasil, Território e Sociedade no início do século XXI”, alguns pedaços de “Por uma outra globalização”, e foi isso. O recurso a anotações de aula e a guias de estudo foi mais relevante para aprender os conceitos.

- Obras de Bertha Becker: jamais li nenhuma, mas a citei com desenvoltura em várias provas. Não se pode exagerar a relevância dos estudos de Amazônia de Bertha Becker para a prova, vez que a perspectiva dela é paradigma para a política de desenvolvimento e de conservação do espaço amazônico desenvolvida e implementada pelo Poder Público brasileiro.

- Geografia: pequena história crítica, de Antonio Robert Moraes: membro histórico da banca de geografia e autor deste livro, que inclui basicamente tudo que é necessário saber sobre história do pensamento geográfico.

- Demais obras: parece relevante conhecer ao menos a existência e sobre o que falam certas obras centrais da geografia, com o fim de citá-las. Dou alguns exemplos:

- Antropogeografia e Geografia Política: Friedrich Ratzel

- O Espaço Urbano e Geografia Conceitos e Temas: Roberto Lobato Corrêa - Leis da migração: Ernst Ravestein

- A teoria das fases de transição demográfica, de Warren Thompson

- Os conceitos de Geopolítica, tema cada vez mais central no concurso: buscar os estudos de Alfred Mahan, Halford Mackinder, Friedrich Ratzel.

- Guias de estudo: os fichamentos das melhores questões de provas anteriores selecionadas no guia de estudos foram boa maneira para ver os conceitos que sempre aparecem e como esses conceitos fundamentais da geografia são usados no contexto de uma questão.

- Internet: ferramenta muito importante para complementar as informações obtidas pelos meios acima. Buscava autores, temas e conceitos na internet para comparar com as

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anotações e aprofundá-las.

- Fontes primárias: por fontes primárias, me refiro a relatórios, levantamentos, estatísticas e censos. Os sites do IBGE, da ONU e da burocracia nacional são fontes de diversas informações, como por exemplo:

- Balanço Energético Nacional - Censo 2010

- REGIC 2007

- Censo agropecuário 2006

- Plano Nacional de Logística e Transporte - Plano Safra da Agricultura Familiar

- Relatório sobre a Situação da População Mundial da ONU - Plano Amazônica Sustentável

- entre outros.

Em cada tema específico (energia, rodovias, meio ambiente) buscava documentos no site da burocracia federal que se relacionassem ao tema. Buscas no google, do tipo “Amazônia plano Ministério Meio Ambiente”, “hidroeletricidade brasil ibge”, muitas vezes bastavam para encontrar muitos documentos e dados. Neste site, em particular, tem muita coisa: http://downloads.ibge.gov.br/downloads_estatisticas.htm

Como há muita informação, deve-se selecioná-la, e os relatórios devem ser lidos em sua parte substancial, porque costumam ser longos.

Economia

O conteúdo de Economia divide-se em quatro grandes partes: Microeconomia, Macroeconomia, Economia Internacional e Formação Econômica do Brasil. Para cada uma, adotei uma abordagem específica:

Microeconomia

Estudei quase que exclusivamente pelo livro do Mankiw. Em alguns pontos, sobretudo Teoria do Consumidor, em que costumava patinar um pouco, recorri ao Pindick e a buscas na Internet (estas, sobretudo, para esclarecer pontos específicos como efeito-preço, efeito-renda e efeito-substituição, além de definições mais sofisticadas sobre Bens de Giffen, por exemplo).

Atualmente, Microeconomia tem peso bastante reduzido no concurso. É bastante representativo no contexto do TPS, mas pouquíssimo na Terceira Fase. Naturalmente, isso pode mudar, e é fato que o bom desempenho em Microeconomia tem peso marginal relvante no TPS, pois grande parte dos candidatos vai bastante mal. Não é algo a ser ignorado, certamente, mas o estudo de Micro foi coadjuvante na minha rotina.

Macroeconomia

Baseei meus estudos basicamente nas seguintes fontes:

- Introdução à economia, do Mankiw: bom para os conceitos básicos e para a compreensão das relações entre variáveis macroeconômicas. Deve ser ponderado, contudo, que se trata de uma obra que tem como pano de fundo a economia dos Estados Unidos, o que faz do estudo apenas de Mankiw insuficiente para a Macroeconomia do CACD.

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- Contabilidade Social - A Nova Referência das Contas Nacionais, de Carmen Feijó: o pessoal costuma estudar os capítulos 3 e 5, baseados na antiga listagem de bibliografias oferecida pelo CESPE, mas eu estudei os capítulos 1, 2, 5, 7 e início do 9, na medida em que fossem relevantes para o tema que estudava no edital.

- Dados e documentos dos sites do IPEA, MDIC, e Banco Central: por meio da internet, é possível ter acesso a documentos consolidados, a notas de imprensa e a estudos de conjuntura demonstrando como andam as diversas variáveis macroeconômicas do Brasil e suas relações, como câmbio, juros, déficit público, política fiscal, política monetária, dados de comércio exterior, balanço de pagamentos etc. Vale muito a pena circular pelos sites dessas três instituições, de modo a trazer para a prática brasileira os conceitos fundamentais de Macroeconomia.

Em específico, recomendo os links abaixo, embora não apenas eles:

-Sala de imprensa do MDIC: http://www.desenvolvimento.gov.br/sitio/sala-imprensa/busca-noticias.php

-Estatísticas de comércio exterior do MDIC:

http://www.desenvolvimento.gov.br//sitio/interna/interna.php?area=5&menu=566

-FAQ do Banco Central do Brasil: o BCB tem um FAQ específico acessível diretamente pelo site do Banco Central. Não é desse FAQ que falo, mas de um outro que acessava pelo google. Digitem no Google, sem aspas, “faq bcb pdf”, e surgirão diversos resultados, com arquivos de .pdf tratando de diversos pontos do edital em linguagem simples, direta e abrangente. Um link direto é este: http://migre.me/h8tYZ

-Carta de Conjuntura do IPEA: traz o panorama econômico momentâneo do Brasil e do mundo em linguagem sem rodeios e em todas as variáveis: http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?

option=com_alphacontent&view=alphacontent&Itemid=59 Economia internacional

- Mankiw : útil para os conceitos básicos e instrumentais - Sites acima

- Relatórios da UNCTAD: http://unctad.org/en/Pages/Publications.aspx

- World Trade Reports na OMC: não lia esses relatório inteiramente. Lia o início, o fim, e folheava o miolo e lia partes que julgava mais centrais para os fins do concurso: http://www.wto.org/english/res_e/reser_e/wtr_e.htm

Formação econômica do Brasil

- Anotações do curso de FEB do professor Daniel Sousa, do Curso Clio: foram a base fundamental dos meus estudos. Eu considerava esse caderno como um “megafichamento”. Quando estudava os temas de FEB, começava estudando por essas anotações e depois as complementava com estudos em outras fontes, achadas fundamentalmente na internet.

- Formação econômica do Brasil, de Celso Furtado: cai quase todo ano. É importante conhecer essa obra intimamente a partir de sua parte IV.

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- Artigos encontrados no google: quando queria aprofundar um tema específico, simplismente jogava o tema no google e buscava algum artigo, dissertação de mestrado ou algo do tipo. Digamos, funding loan, tema explicado de maneira superficial com frequência. Escrevo no google, sem aspas, “funding loan pdf”, e aparece um belíssimo artigo do Marcelo de Paiva Abreu (autor do Ordem e Progresso, que jamais li) sobre os funding loans brasileiros: http://ppe.ipea.gov.br/index.php/ppe/article/view/142/77

Direito

Uma das principais fontes de estudo foram os cadernos de aula dos professores Ricardo Victalino e Guilherme Bystronski. Extremamente organizados e detalhados, são um excelente ponto de partida para o estudo tema a tema. Para Direito Interno, não usei nada além das anotações das aulas do Victalino. Para DIP, além das aulas do Guilherme, recomendo ainda:

- Manual de Direito Internacional de Valério Mazzuoli: não costuma figurar entre os manuais indicados, mas foi o único manual geral que usei. Gosto muito, porque é bastante completo em comparação às demais obras nacionais, é um trabalho de pesquisa de fôlego, além de didático e agradável de ler. A obra, contudo, demanda cuidados. Trata-se de uma obra claramente militante, defendendo posições minoritárias na doutrina, mas que visam ao avanço de certos aspectos do Direito Internacional, como o status diferenciado aos direitos humanos. Deve-se tomar cuidado com certos argumentos do autor, como a ideia de que a Declaração Universal de Direitos Humanos de 1948 é jus cogens ou que tratados internacionais sobre direitos humanos equivalem à Constituição, por não serem esses os entendimentos correntes.

- Fichamento dos Guias de Estudos: Direito é a prova em que as questões mais se repetem. Assim, conhecendo os argumentos usados nas provas, você pode instrumentalizá-los no contexto de suas provas que tenham questões parecidas ou iguais. É também uma maneira de conhecer a linguagem e a forma apreciadas pela banca.

- Textos indicados no Curso de Aperfeiçoamento para Diplomatas do Instituto Rio Branco: bela descoberta derivada das aulas do Clio. Alguns textos são doutrinariamente ousados ao extremo, mas, no geral, costumam incluir temas previstos no edital de modo aprofundado e, não raro, foram clara inspiração de questões da 3a fase:

http://www.institutoriobranco.mre.gov.br/pt-br/curso_de_aperfeicoamento_de_diplomatas_-_cad.xml

- Sites do Mercosul, da OMC, da ONU, da União Europeia, do Conselho da Europa e da OEA / Comissão Interamericana/ Corte Interamericana de DH: principal fontes para estudo de estrututa institucional, histórico e funcionamentodessas instituições.

- Textos de tratados e de legislação: sempre acho que fontes primárias são melhores que artigos sobre essas mesmas fontes primárias. Então, eu lia e anotava os principais pontos dos tratados mais cobrados, como Convenções de Viena sobre Imunidades, Convenção sobre Direito dos Tratados, Tratado de Roma, Estatuto do Estrangeiro, CF/88 etc.

- Artigos recentes dos membros da banca: é importante ver quais são os temas de preferência dos membros da banca. Antenor Madruga, um dos membros da banca, é uma das maiores autoridades do país em cooperação jurídica internacional, com uma série de artigos publicados e encontrados facilmente na internet. Não deveria ser surpresa o peso

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desse tema na 3a fase deste ano. Português

Meus estudos de Português eram feitos fundamentalmente pelo Celso Cunha e pela Internet. Após algum tempo, o meu estudo se baseou em um retorno frequente a fichamentos dos temas que me causavam mais problemas (regras de uso de hífen, diferenças entre adjunto adnominal e complemento nominal, decorar figuras de linguagem, estrutura das palavras). Passei a estudar esses temas quinzenalmente, o que os tornou menos áridos.

Mas acredito que, assim como em Inglês, a melhor maneira de estudar Português é por exercícios. O site Questões de Concursos têm uma oferta imensa de provas, e sempre vale a pena fazer e refazer as provas anteriores de português e, após isso, efetuar um levantamento dos erros.

Línguas

A maneira mais eficiente de estudar línguas durante minha preparação foi fazer exercícios estilo TPS (para inglês) e 3a/4a fase com frequência, seja orientado por professores, seja individualmente.

Para exercícios TPS, não apenas de línguas, mas das demais matérias, a principal fonte foi o site Questões de Concursos (que, aliás, foi também minha fonte privilegiada de exercícios para as demais matérias em que fazia exercícios estilo TPS). Eu não gostava de fazer as questões diretamente no site, mas de fazer o download de provas de inglês/história mundial/português de diversos concursos e resolvê-las integralmente antes de verificar gabaritos.

Para exercícios 3a fase, fazia questões de provas anteriores sozinho (comparando depois com as melhores respostas), ou orientado por professores. Para inglês, gostava do curso de exercícios de redação estilo 3a fase do Curso Clio, mas acredito que consegui desmistificar a prova de maneira mais clara com as aulas do professor Rodrigo Armstrong. Digo isso, sobretudo, por perceber a relevância de estratégias específicas de resolução de prova e que, devido à natureza da prova e do tempo, o ideal é não complexificar em excesso os argumentos, palavras e estrutura, com uso obsessivo de palavras extravagantes decoradas na véspera. O importante é fluidez, objetividade, coerência e qualidade da linguagem. Em francês, fui orientado online pelo excelente professor Samir Hattabi. Em espanhol, disciplina da qual parti do zero, comecei com aulas particulares em Curitiba com a professora Patricia Rodrigues, e segui com exercícios online com a Nelly Gamboa para consolidar a redação.

Em relação a estudos, nunca funcionaram para mim estratégias de fazer leituras de notícias diariamente, elaborar grandes listas de vocabulário e coisas do gênero. Meu estudo de leituras era, basicamente, ler provas anteriores dos guias de estudo, revisar exercícios que fiz sozinho ou com orientação de professores e consultar dicionários quando necessário. Buscava, contudo, ler textos de outras matérias em inglês com frequência, e, durante minhas rotinas de estudo, meu descanso era basicamente deitar na cama e assistir CNN. Quando ouvia uma palavra interessante, buscava no dicionário, e esperava, de repente, usá-la em algum exercício eventualmente. O que eu fazia e achava particularmente útil era fazer uma lista de “correções e erros” das atividades com cada professor. Escrevia o que tinha errado em determinado exercício de determinado idioma, colocava a forma correta, a explicação para a incorreção e escrevia algumas frases treinando a forma correta da palavra/expressão que errei.

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Segunda Fase

A Segunda Fase sempre foi a fase que mais me assustou no concurso. Era um temor que, acredito, foi alimentado pelo início da minha preparação para segunda fase em cursinhos. Ter recebido zeros, descontos imensos de gramática, listagens de palavras supostamente proibidas, foi algo que atentou contra a minha confiança e que, sinceramente, não ajudou meu texto a evoluir.

Depois de fazer a Segunda Fase em 2012, percebi que o rigor na correção da forma era muito menos idiossincrática do que me fora passado. Os descontos e a exigência da banca me pareceu ser muito mais em termos de qualidade de conteúdo. Então, havia duas barreiras a superar: em primeiro lugar, o conteúdo; em segundo lugar, a excessiva cautela com a forma.

O curso com a professora Vivian Muller me ajudou a superar as duas deficiências - embora não a insegurança, a herança maldita do início da minha preparação. Embora eu saiba que muita gente tem desempenhos fantásticos sem preparação específica de fôlego para a segunda fase, a melhor estratégia para superar minha insegurança com o desempenho da segunda fase foi melhorar meu conteúdo. A Vivian repassou uma profusão de bibliografias específicas, que busquei ler e fichar com grau de prioridade/tempo de dedicação semelhante ao que dedicava a História do Brasil e Política Internacional. Passei a acreditar que, ok, “só a gramática salva”, mas que só o conteúdo aprova. Meu estudo envolveu, embora não somente, principalmente as seguintes obras: - O Romantismo e a ideia de Nação no Brasil, de Bernardo Ricupero

- Literatura e sociedade, de Antonio Candido

- Dispersa demanda, de Luiz Costa Lima (primeiro capítulo) - Ideias em movimento, de Angela Alonso

- Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Hollanda - Redes de indignação e esperança, de Manuel Castells - Os três tipos puros de dominação legítima, de Max Weber - A ética protestante e o espírito do capitalismo, de Max Weber

- Legitimidade e outras questões internacionais, de Gelson Fonseca Jr.

- Pesquisa na internet sobre os estudos de Zygmunt Bauman e Pierre Bourdieu

Busquei ler as obras indicadas pela Vivian e buscar outras, sendo estas instrumentais para o meu processo de diferenciação, para que meu texto fosse, tanto quanto possível, diferente em termos de conteúdo dos demais. Todo mundo cita Sérgio Buarque, mas trabalhar Bauman, Weber ou Ilmar Rohloff é algo mais raro, e, acreditava, poderia ser premiado pela banca conhecer e manejar o argumento desses autores.

Nos aspectos de forma, que trabalharei a seguir, as explicações da Vivian me serviram em basicamente todas as demais provas, aprofundando a impressão que eu já tinha de que a forma é tão ou mais vital que o conteúdo no CACD.

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Forma: estratégias de resolução de prova

No CACD, creio que o conteúdo claramente se subordina à forma. Não interessa saber apenas mostrar que você conhece o conteúdo, mas amarrá-lo em um texto formalmente coerente. Ao meu ver, essa coerência formal envolve os seguintes aspectos: - Não apenas jogar os conteúdos na questão, mas organizá-los em uma tese que será explicitada no início da questão;

- Usar os argumentos de autoridade e as citações não como argumentos em si, mas como suporte para os seus próprios argumentos. Como diz o amigo Pedro Piacesi, também aprovado neste ano, o texto deve expressar a sua voz, e não tomar de empréstimo a voz de terceiros.

- Amarrar o conteúdo com princípios, conceitos gerais, termos consagrados e jargões (estes não na Segunda Fase!) típicos de cada matéria.

- Responder as questões de maneira equilibrada. Não raro, uma pergunta incluirá, na verdade, dois, três ou quatro questionamentos. Se a questão de prova estiver perguntando, em verdade, três elementos (por exemplo, a questão 2 de História do Brasil de 2013), deve-se dedicar o mesmo espaço a cada um desses elementos.

- Planejar a estrutura antecipadamente. É impossível fazer rascunhos na Terceira Fase, mas me parece essencial definir antecipadamente o que escrever, em um pequeno esquema a ser feito em 5 minutos.

Para exemplificar mais ou menos como eu aplicava essas ideias acima em uma questão, coloco como exemplo minha questão 1 na prova de História do Brasil deste ano. Acho um bom exemplo porque acho que todos esses aspectos, acredito, estão presentes na questão, e porque consegui nota máxima nela. Abaixo, consta o scanner da questão e, a seguir, o modo como apliquei os pontos acima.

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Prova Escrita - História do Brasil - Questão 1

https://www.security.cespe.unb.br/IRBR_13_DIPLOMACIA/Disc...

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Prova Escrita - História do Brasil - Questão 1

https://www.security.cespe.unb.br/IRBR_13_DIPLOMACIA/Disc...

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Prova Escrita - História do Brasil - Questão 1

https://www.security.cespe.unb.br/IRBR_13_DIPLOMACIA/Disc...

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Em relação aos pontos que eu buscava seguir ao fazer uma questão desse tipo, seguem os comentários:

- Não apenas jogar os conteúdos na questão, mas organizá-los em uma tese que será explicitada no início da questão e Usar os argumentos de autoridade e as citações não como argumentos em si, mas como suporte para os seus próprios argumentos.

Achei importante não apenas falar quais foram os aspectos das relações entre BR e Inglaterra no período (tratados desiguais, negociação da independência, transmigração da corte). Esses exemplos, para mim, deveriam servir a uma tese. O argumento que busquei usar é que o que orientou as relações entre BR e ING foi uma subordinação deliberada do interesse nacional por parte dos Bragança com o fim de manter a dinastia, e que isso ensejou um paradoxo: sacrificou-se o interesse nacional para manter a Coroa, mas as contradições geradas pela aceitação das relações com a ING em termos pesadamente assimétricos foi a base para, justamente, desestabilizar a dinastia e levar as elites nacionais a retirarem o apoio a D. Pedro I. Os argumentos e os exemplo que apresento nos parágrafos sempre dialogavam com essa tese inicial, não estando soltos, mas servindo de suporte a essa tese.

- Amarrar o conteúdo com princípios, conceitos gerais, termos consagrados e jargões (estes não na Segunda Fase!) típicos de cada matéria.

Cada matéria tem termos que cabem em quase toda questão. Nessa questão em particular, busquei usar expressões e conceitos como “lógica de dependência assimétrica”, “ensaios de autonomia”, “periferização”, “entropia regencial”, “metrópole interiorizada”, enfim, termos correntes em livros e artigos que tratam de história das relações exteriores. Em PI, parece-me importante usar termos frequentes em documentos diplomáticos e discursos (articulador de consensos, ativa e altiva etc); em Direito e Economia, jargões típicos da matéria; em Geografia, os seminais conceitos de Milton Santos e Bertha Becker, além dos conceitos e geopolítica (pivô geográfico, heartland...). São esses conceitos e princípios gerais que amarram a questão, dando unidade e ligando exemplos e eventos específicos a fenômenos e estudos mais gerais.

- Responder as questões de maneira equilibrada. Não raro, uma pergunta incluirá, na verdade, dois, três ou quatro questionamentos. Se a questão de prova estiver perguntando, em verdade, três elementos (por exemplo, a questão 2 de História do Brasil de 2013), deve-se dedicar o mesmo espaço a cada um desses elementos.

Nessa questão, havia apenas uma pergunta., então não apliquei esse princípio aqui. Contudo, se houvesse três perguntas, eu faria uma divisão aritmética do espaço. Dedicaria cerca de 13 linhas à introdução, 5 linhas à conclusão, e as 72 linhas restantes dividiria em três, tentando dedicar cerca de 24 linhas para cada questionamento.

- Planejar a estrutura antecipadamente. É impossível fazer rascunhos na Terceira Fase, mas me parece essencial definir antecipadamente o que escrever, em um pequeno esquema a ser feito em 5 minutos.

Meu rabisco da estrutura era mais ou menos o seguinte:

- TESE: subordinação do interesse nacional para manter a coroa de bragança (trabalhar isso em introdução de 10 a 15 linhas)

- 1a parte (1808-1822): bloqueio, transmigração, tratados desiguais (tarifas, extraterritorialidade, tráfico), expedição militar contra Guiana. Ensaio de autonomia: intervenções na Cisplatina e abertura dos portos às nações amigas) ( 2 parágrafos, 15 a 20 linhas cada)

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de negociação do reconhecimento), participação de mercenários britânicos na guerra de independência, interesse britânico na independência x disposição de Dom Pedro em sacrificar interesse nacional, novos tratados desiguais (tarifas, tráfico, não atrair colônias africanas, independência enquanto concessão lusa), guerra da cisplatina ( 2 parágrafos, 15 a 20 linhas cada)

- 3a parte: consequências das relações: paradoxo fundamental -> subordinou interesse nacional para manter Coroa, mas subordinação do interesse nacional contrariou elites internas e ensejou a instabilidade e queda de Dom Pedro (1 parágrafo, 15 a 20 linhas)

Era basicamente assim: colocava a tese que orientaria a minha questão, apresentando-a aos poucos na introdução; dividia a questão em grandes blocos mais ou menos simétricos, em que trabalharia um período, os eventos que ocorreram e a ligação de tudo isso com a tese; colocava uma palavra/expressão em cada grande bloco que representa os eventos e exemplos que trabalharia em cada bloco. A partir daí, minha questão estava basicamente pronta: era só seguir o roteiro e escrever

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