LIÇÃO 03 – ARREPENDIMENTO: Remorso ou mudança? Texto bíblico: Joel 2.12-32
Dizem que na Guatemala a tribo de índios Kekchi tem uma boa palavra para arrependimento, cujo sentido é “dói meu coração”. Distante dali, no interior da África, a tribo Baouli tem um vocábulo talvez ainda melhor. O termo que usam quer dizer: “dói tanto que eu quero desistir disso”.
O arrependimento consiste exatamente nisso: em desistir de fazer o que estava sendo feito. É mudança. Em nossa lição de hoje, no livro de Joel, queremos enfatizar o arrependimento.
Joel significa “O Senhor é Deus”. Nome muito usual na Bíblia. Mas em relação ao profeta é mencionado apenas em Joel 1.1 e Atos 2.16. O tema tratado pelo profeta é o julgamento pronunciado contra Israel. Esse dia é apresentado pela praga de gafanhotos que, tendo causado uma enorme devastação na terra, trouxe enorme prejuízo financeiro. Joel não menciona o nome do rei, nem faz menção aos inimigos tradicionais de Israel, Assíria e Babilônia. A percepção do seu tempo foi algo importante para Joel. Foi um profeta ligado aos grandes temas e situações de sua época. Alguém envolvido com as crises que rodeavam o seu tempo e as pessoas que estavam ao seu redor. Um excelente observador. Muito meticuloso. Não vivia baseado na filosofia do faz de conta.
Ter a mente aberta para Deus e para os acontecimentos foi algo preponderante na vida do profeta Joel. Isso requer equilíbrio. Alguns abrem a mente para Deus, vivem numa piedade exacerbada e se esquecem da história. Outros secularizam demais a fé e não conseguem ver Deus e sua ação nos acontecimentos. Joel foi um profeta que soube unir as duas coisas. O nosso tempo precisa ser visto numa conjunção social, política, econômica e religiosa. Uma teologia, uma pregação e um ensino que não tenha aplicabilidade para os leitores e ouvintes da época se tornam ocas. Saber aplicar a Palavra de Deus a partir da vida do povo é o grande desafio para que a Palavra não se torne especulativa.
A praga dos gafanhotos era Deus permitindo o sofrimento. Praga nunca vista pelos contemporâneos, e nem pelos seus antecessores. Deus Mandou como um aviso. Sua ira estava se acendendo. Os endereçados são chamados de ébrios, porque não percebem o tamanho do desastre. Suas mentes estavam embaraçadas
como aqueles que usam o álcool. Eles também seriam alcançados, atingidos. Faltaria o simples e cotidiano alimento. A praga representava uma eminente visita de Deus ao povo de forma justa e punitiva. Esses gafanhotos representavam o quadro histórico de Israel diante das invasões constantes de nações estrangeiras. Gafanhotos cortador (Assírios), migrador (Caldeus), devorador (Macedônios), destruidor (Romanos). Mas na mensagem profética estava presente algo que naquele tempo prefigurava os dias vindouros e finais. Era como que um tipo, um ocorrido naqueles dias, mas que apontava para o tempo do fim, considerando o tempo da plantação da Igreja até o juízo final (Jl 2.11).
O profeta Joel prega sobre o arrependimento. Hoje não é muito popular falar sobre arrependimento. É uma palavra que está se perdendo, ou saindo de uso em nosso meio. Ela está sendo anulada por muitos. Estamos pregando uma mensagem de facilidade e conforto e não de arrependimento.
1. ARREPENDIMENTO: RESULTADO DA CONTRIÇÃO E QUEBRANTAMENTO (Jl 2.12-13)
Deus conclama o povo a um tempo de contrição e quebrantamento. Ninguém poderia ficar de fora. Velhos e moços, sacerdotes e leigos, ricos e pobres. Às vezes nós atribuímos a culpa ao outro ou achamos que as coisas não estão bem porque o outro pecou. Atribuímos a culpa apenas às autoridades ou àqueles que estão em eminência. O alerta de Deus era para todos. De alguma forma todos estavam contribuindo para a degradação da nação. Até que ponto temos entendido isso ou temos transferido a responsabilidade para outros? Na profecia de Joel pesava enormemente sobre os líderes religiosos a culpa e a responsabilidade. No julgamento não haveria tempo para o quebrantamento. Precisava ser antes. Buscar o Senhor enquanto se pode achar sempre foi recomendação (Is 55.6). As oportunidades se escasseiam.
A voz profética sempre é para acordar o povo. Sempre para abrir os olhos daqueles que não estão enxergando. O compromisso de clamar precisa ser pessoal e individual, não atribuindo aos outros como forma de escapismo. Somente um arrependimento sincero pode mover Deus e poupar a terra e o povo. Pensemos nisso!
Não bastava para o povo afirmar que era o povo de Deus. Não era suficiente “morar na terra santa” se não houvesse uma “metanoia”, uma mudança integral. A
terra devastada não tinha como oferecer sacrifícios e ofertas em celebração ao Senhor. A adoração pública com todos os seus cerimonialismos ficou interrompida, deficiente. Não basta dizer que é convertido, é preciso apresentar fruto. Não basta usar jargões tão comuns de um vocabulário evangélico, se não existe compromisso com a verdade. Conversão não é simplesmente se vestir com a capa de evangélico. Alguns dizem que se tornou evangélico porque adotou um comportamento evangélico dentro dos parâmetros estabelecidos por terceiros, mas ainda não sabem nada sobre o novo nascimento. O que mais existe em nossos dias são “boutiques” vendendo uma roupagem evangélica, mas sem compromisso com o viver. A conversão é algo que acontece de dentro para fora e não o inverso. É algo que alcança o âmago do ser. Por isso, disse Joel: “rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, convertei-vos ao Senhor...” (Jl 2.13).
Cuidado com a aparência apenas, ela é enganosa. Cuidado com a religiosidade sem cristianismo. Cuidado com o comportamento mudado pelo aprendizado ou por imitação. A conversão muda o coração, que é a sede das decisões da vida. Joel jamais pregou uma salvação incondicional.
2. O ARREPENDIMENTO E A AÇÃO CURADORA DE DEUS (Jl 2.13-14,18)
“Eu expiarei sangue dos que não foram expiados”, diz Joel 3.21. A razão porque alguns não seriam destruídos era porque seriam expiados pelo Senhor. Essa foi a promessa: ação curadora, terapêutica. O Deus de Javé se revela como o Deus de uma ação curadora para seu povo. Diante do arrependimento, Deus mostraria zelo por sua terra. Seu povo seria curado porque a misericórdia dEle e a grandeza do seu amor tiraria a desgraça que viria sobre a nação. O amor é sempre curativo, terapêutico. Colocar o seu coração em dor e miséria traz o conforto, consolo e amparo úteis e necessários para um tempo de cura. A desgraça que viria seria retirada com a ação construtiva e abençoadora do Senhor.
Toda essa eficácia teria como pano de fundo o arrependimento do povo, que não poderia ser algo superficial, cerimonial e nem exterior. Não seria “rasgar as vestes” e sim “rasgar o coração” (Jl 2.13). Não poderia ser um teatro de arrependimento. A cura vem do Senhor mediante um arrependimento sincero do coração.
A praga dos gafanhotos tinha feito uma desgraça. A economia estava destruída. Não havia meios de sobrevivência digna e duradoura. A existência estava em perigo. Eis que o Senhor promete a restauração com bênçãos. Em Deus sempre há solução para aquilo que pareça ou que seja caótico. Na verdade, a conversão ao Senhor, o arrependimento e a busca pelo Senhor é a combinação perfeita para se alcançar a paciência divina e sua misericórdia. O que Joel estava ensinando ao povo, ao falar das bênçãos do Senhor, é que a crise não tem a última palavra.
Quando tudo parecer perdido e insolúvel em sua vida pessoal, profissional e espiritual, saiba e entenda que a crise pela qual você passa não é o ponto final. Pode até ser uma vírgula. Deus pode reverter a situação de sua vida. Mas não se esqueça: para que haja a restauração da bênção do Senhor, você deve se arrepender, deixar de lado aquela vida e atitudes que lhe tem trazido consequências de destruição.
A bênção do Senhor vai além, muito além do compromisso de suprir com bens e coisas materiais, ainda que entendendo que são úteis para a sobrevivência da nação. A bênção do Senhor envolve uma promessa para aquele tempo e para tempos futuros. Chegaria um tempo de refrigério, de ensino e de plenitude. O Espírito do senhor seria derramado e então o seu povo, sua Igreja viveria e experimentaria o que havia de mais novo e precioso (Jl 2.28-32). Deus cuida de seu povo agora, mas prepara tempos futuros, seja esse futuro aqui ou no além.
PARA PENSAR E AGIR
1. Você sabe diferenciar em sua vida o arrependimento do remorso? O arrependimento é um tempo urgente em suas oportunidades para buscar o Senhor e abandonar o pecado porque uma vida sem arrependimento é oca, portanto sem essência de uma verdadeira mudança. 2. O arrependimento é fundamental, é base no Reino de Deus. O próprio Senhor Jesus iniciou seu ministério pregando sobre este assunto. O arrependimento tem feito parte de sua vida e relacionamento com o Senhor? Você tem confessado seus pecados e erros?
3. A profecia de Joel do derramamento do Espírito já se cumpriu. O que você está esperando para ser mais ousado em suas atitudes e compromisso, visto que já tem o próprio Espírito em você?
LEITURA DIÁRIA Segunda-feira: Joel 2.12-13 Terça-feira: Joel 2.14 Quarta-feira: Joel 2.15-17 Quinta-feira: Joel 2.18 Sexta-feira: Joel 2.19-20 Sábado: Joel 2.21-27 Domingo: Joel 2.28-32