Entrevista
Fundada por Custódio Fampa, em
1989, a Associação Dragões Negros
é uma referência do Muay Thai e do
Kung Fu e está presente em Belém
e mais cinco municípios do Pará, no
Maranhão e no Amapá. A Dragões
Negros conta com 2.000 alunos,
25 academias filiadas no Pará e 39
professores nos três estados. Para
aperfeiçoar ainda mais seu trabalho
Custódio convidou a Associação
Combat Sport para um seminário
so-bre Muay Thai, realizado no dia 24 de
abril, na capital paraense.
A
ssociaçã
o Drag
ões Negros
Custódio Fampa treinou 12 anos na
Associação Combat Sport, onde
atin-giu o Grau Preto em Muay Thai e
rep-resenta a instituição no norte do país
Foto: Selleri
Enti
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Artes
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do
Pará
son Arcanjo. Foi também a oportunidade de conhecer o grande trabalho que Custódio Fampa está desenvolvendo no norte do Brasil.
Nelson Selleri ministrou um seminário sobre Muay Thai. O evento reuniu 200 atletas, divididos em três grupos. Segundo Custódio Fampa: “A parte técnica do seminá-rio foi excelente e trouxe muita informação para nossos alunos e atletas.” Já Nelson Selleri destacou: “Passamos toda a base e o fundamento e fizemos a correção de postura, além de ensinar a técnica dos principais golpes e defesas, isso para os alunos iniciantes. Já os avan-çados aprimoraram a combinação de golpes e o que melhor funciona em um combate. Sabemos que o Pará tem grandes atletas e essa foi uma grande oportunidade de conhecê-los”.
O seminário coroou o grande trabalho de difusão do Muay Thai pelos estados do norte do país, realizado pela Associação Dragões Negros. Custódio, fundador da associação pontuou: “O Muay Thai tem uma técnica peculiar e, dentro dos treinamentos, cada técnico tem uma forma diferente de preparar um atleta, que envolve treinamento técnico, físico, tático e psicológico. Por isso esse intercâmbio com outros técnicos e atletas é muito importante porque enriquece as armas de cada um que participa, aprendendo outro ritmo de luta, golpes e téc-nicas diferenciadas”.
Também foi organizado, no dia 25, o K1Strong Fight Dragões Negros reunindo atletas e alunos avançados. Foram realizadas vinte lutas amadoras e três profissio-nais. Os dois eventos foram divulgados, tanto antes como depois, nos principais jornais da cidade: “O Liberal” e o “Diário do Pará”.
Foto: Nathalia Petta
Custódio Fampa, Nelson Selleri e Anderson Arcanjo durante o seminário
Combat Sport: Como foi sua aproximação com as artes marciais?
Custódio Fampa: Comecei a treinar numa acade-mia de Kung Fu, em Belém, chamada Clube Bruce Lee. Na época não se tinha muita opção de lutas, como hoje. Em 1992, fui o primeiro paraense a participar do 1° Campeonato de Kung Fu, em São Paulo. Tive contato com o mestre Li Wing Kay, que conheci através do estudante de psicologia amazonense Gilberto Cabral (que foi o primeiro a ministrar aulas de Kung Fu, em Belém). Ele tam-bém me apresentou ao senhor Arnaldo Pereira da Combat Sport. Fui muito bem recebido e comecei a treinar Muay Thai. Iniciei uma amizade com a Combat Sport que perdura até hoje. Com a visita de Moises “Gibi” Batista, aqui em Belém no ano de 1998, para a realização de um seminário, inicei um trabalho de aprimoramento técnico. Naquela época Gibi era o professor titular da Combat Sport. Ele me incentivou a continuar trabalhando o Muay Thai. Minha primeira graduação foi no Kick Bo-xing. Treinei 12 anos na Combat indo e voltando a Belém. Foi quando eu recebi meu Grau Preto de Muay Thai.
Conte um pouco dessas idas e vindas entre Belém e São Paulo.
CF: Era uma dificuldade muito grande. Eu dava aula de Muay Thai, Kick Boxing e Kung Fu e cur-sava faculdade de Educação Física em Belém. Viajava para São Paulo de ônibus. Eram dois dias de viagem. Fui eu quem implantou o Muay Thai, estilo tailandês, no Pará. A visita do “Gibi” foi fundamental para corrigir muita coisa, fazendo uma análise técnica. Ele veio duas vezes para Belém, em 1998.
Conte a história de sua academia.
CF: Nossa academia foi fundada em 25 de
mar-Entrevista com o fundador da
As-sociação Dragões Negros,
Custó-dio Fampa.
Custódio é natural de Belém (PA) e nasceu em três de dezembro de 1970. Estudou em sua cidade em escolas como o Colégio do Carmo, Escola Estadual Júlio Chermont e Escola Cearense e sempre gostou de lu-tas. Seu pai era fã do telequete e Custódio gostava de assistir os filmes de Bruce Lee. Custódio começou a treinar aos 16 anos de idade. Custódio é formado em Educação Física pela Universidade Federal do Pará. Ele tem mais três irmãos (um homem – que é educador físico- e duas mulheres), mas só ele se ligou ao universo das artes marciais. Custódio tem três filhos.
Entrevista
ço de 1989. A Dragões Negros tem 26 anos. Nossa filosofia é fazer um trabalho diferenciado. No começo nós treinávamos numa área de 9 x 4,5 metros com cobertura de telha Brasilit, mas evoluímos muito. Nossa academia tinha muitos alunos e adeptos. Hoje nós implantamos em três estados da região norte: Pará, Maranhão e Amapá. No Pará, estamos presentes na capital e em cinco municípios. Temos muitos atletas importantes. A academia participou de dezenas de eventos em várias partes do Brasil, o que culminou com a participação no Mundial de Kung Fu, onde fui campeão mundial, em 2012. Depois ficamos uma semana em Bangkok, com o mestre Petch, con-siderado um dos melhores técnicos de Muay Thai do mundo. Também treinamos com a lenda holandesa, Ramon Dekkers. Numa vitrine na academia, temos uma luva assinada por ele.
Hoje, nós temos em todas as academias cerca de 2.000 participantes com 39 professores e temos a pos-sibilidade de abrir mais uma filial no Espírito Santo. No Estado do Pará temos 25 academias filiadas e 1.000 alunos. No Maranhão temos 700 participantes. Como você conciliava o Kung Fu e o Muay Thai? CF: Quando eu estava em São Paulo, pela manhã eu treinava Muay Thai na Combat Sport e a tarde o Kung Fu na academia do mestre Li Wing Kay. Não era fácil, pois as técnicas são diferentes. Em nos-sas academias temos horários diferentes para não misturar e não fugir das características originais de
cada modalidade. Para quem não conhece, parecem artes marciais iguais, mas são técnicas diferentes. Sabemos que tem uma diferença de tempo, de mo-vimentação, entrada de golpe e estudamos muito isso. Paralelamente aos treinos eu estudava Edu-cação Física para me aprofundar principalmente na preparação física de metodologia e didática. Hoje isso é muito importante e faz nossa academia se diferenciar. Trabalhamos a qualidade de vida e a formação do atleta.
Como você trabalha com seus atletas?
CF: Nós temos um trabalho de base muito forte. Realizamos eventos para descobrir novos talentos. Temos uma sala de Musculação nas academias para preparar os futuros talentos. Começamos um trabalho de preparação antes das lutas e temos um fisiologista. Alguns atletas disputam as duas moda-lidades (Kung Fu e o Muay Thai). Fazemos um cam-peonato amador nos moldes americanos, no tatame, agregando 12 atletas competindo ao mesmo tempo. É uma boa vitrine para nossos patrocinadores. Va-mos organizar ainda neste ano cinco campeonatos profissionais.
Eu visito todos os estados e nossos professores e atletas nos visitam com frequencia. Fazemos semi-nários para não diminuir o padrão de qualidade. As academias de outros estados têm outros nomes, mas usam nosso logotipo nos uniformes e nas camisas para demonstrar a filiação.
lhe proporcionou a primeira oportunidade de se aprofundar nas técnicas do Kung Fu
outro lado, eu me formei como técnico da Confederação Brasileira de Kung Fu e, em 2012, fui técnico da Seleção Brasileira.
O que você acha do Projeto de Lei do advogado e professor de Aikido, Dr. Paulo Cremona, que visa a regulamentação do ensino e da prática de artes marciais e de luta no país?
CF: Acho válido, porque as faculdades formam o profis-sional de Educação Física, mas não graduam professores de ne-nhuma arte marcial. O Conselho Federal de Educação Física não pode fiscalizar uma atividade que não domina.
Você tem uma mensagem final? CF: Minha vida é a arte marcial. Eu faria tudo de novo! Se todo mundo praticasse uma arte mar-cial seria um grande incentivo. As artes marciais trazem disciplina e incentivam a honestidade.
Finalizando a entrevista, Custódio Fampa declara: “Que-ro agradecer muito ao senhor Arnaldo Pereira, por que quando fui para São Paulo, em 1992, não tinha condições de pagar uma academia, não esperava viver de artes marciais. Hoje eu vivo muito bem. O senhor Arnaldo é meu padrinho nas artes marciais. Agradeço também à São Paulo, onde fiz muitos amigos. Agradeço a Deus e à minha família.”
Nota da redação: A equipe Combat Sport faz um agradecimento especial à jornalista Nathalia Petta que, com seu profissionalismo e competência, colaborou para o sucesso do Seminário e do K-1 Strongh Fight.
Porque a Dragões Negros não fundou uma fede-ração?
CF: Até o final do ano nós vamos fundar uma federa-ção aqui em Belém, e depois uma confederafedera-ção com a participação das associações dos outros estados a nós filiados.
Como vocês organizam os eventos? CF: Fazemos vários eventos. Orga-nizamos um interestadual para reunir todos os atletas profissionais e ama-dores e, este ano, conseguimos juntar boa parte dos filiados, em Belém do Pará. Fazemos os eventos com bilheteria e patrocinadores e temos um público aproximado de 600 pes-soas por atividade. Nossa pretensão é juntar de 3.000 a 4.000 pessoas num grande ginásio. Nossa questão é formar a estrutura, porque temos um público interessado. Não temos ainda uma federação para dar o suporte.
Vocês participam de torneios internacionais?
CF: Participamos de campeonatos em outros países: na Malásia, disputamos o Kung Fu; no Suriname, compe-timos no Muay Thai. Também estivemos presentes no Sul-Americano de Muay Thai, na Argentina, pela Con-federação Brasileira de Muay Thai. Em setembro desse ano, vamos participar do Mundial de Muay Thai, a ser realizado em Mendonça, também na Argentina.
Como você aprimora a preparação de atletas? CF: Em todos esses anos trouxemos vários atletas de outros estados, como o “Gibi”, o mestre Cesar Pantoja e agora Nelson Selleri, para aprimorar nossa técnica. Por
Entrevista
...Quando fui para São Paulo, em 1992, eu não tinha
condições de pagar uma academia, não esperava viver
de artes marciais. Hoje eu vivo muito bem...
Arnaldo Pereira, presidente da Associação Combat Sport, recebendo homenagem em Belém do Pará, pelas mãos de Custódio Fampa e do atleta Samuel Paiva no evento k-1 Strongh
Foto: Nathalia Petta
Foto: arquivo pessoal