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Lucro Meta: uma análise de custos, preços e resultados

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Academic year: 2021

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Lucro Meta: uma análise de custos, preços e resultados

Eliane Staziacki (UNICENTRO) [email protected]

Telma Regina Stroparo (UNICENTRO) [email protected]

Celia Schery (UNICENTRO) [email protected]

Marli Kuasoski (UNICENTRO) [email protected]

Priscila Crovador Davebida (UNICENTRO) [email protected]

Resumo:

Com objetivo de analisar custos e resultados do processo produtivo de uma indústria do setor cerâmico por meio da utilização dos conceitos do lucro-meta, a presente pesquisa caracteriza-se, metodologicamente, quanto à abordagem, como descritiva e, quanto ao método, como bibliográfica, documental e estudo de caso. Foram levantados dados relativos aos custos e preços praticados em empresas da região para os produtos tijolos e lajotas e realizadas análises de lucratividade com os preços praticados pela empresa, comparativamente com preços de mercado. O bom resultado de uma empresa está diretamente ligado ao processo de gestão. O mercado altamente competitivo apresenta uma nova característica do consumidor, que por sua vez encontra-se crítico e exigente com relação à qualidade do produto, ao valor que este lhe agrega e finalmente ao preço de venda que será despendido para sua aquisição. Para que as empresas possam suprir essa necessidade é preciso adequar o custo e preços praticados. Diante deste cenário econômico o mercado tem ocupado papel de destaque, onde por sua vez o setor empresarial acaba por praticar o preço que o mercado admite. Este novo perfil potencializa a estratégia de gestão na busca de novas táticas de mercado, tornando relevante o estudo e aplicação do custo-meta e análise do lucro-meta no processo produtivo para melhoria do preço praticado. As empresas de pequeno e médio porte encontram dificuldade para a formação eficiente do preço de venda, de forma que o custo-meta se apresenta como uma importante ferramenta de auxílio no processo de gestão.

Palavras chave: Lucro, Custo Meta, Resultados, Preço

Profit Goal: an analysis of costs, prices and results

Abstract

In order to analyze costs and results of the production process of an industry of the ceramic industry through the use of the concepts of profit-goal, this research is characterized, methodologically, on the approach, as descriptive and as to the method, such as literature, document and case study. They were collected data on costs and prices of companies in the region for the bricks and tiles made products and profitability analysis with the prices charged by the company, compared to market prices. The success of a company is directly linked to the management process. The highly competitive market

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presents a new user feature, which in turn is critical and demanding with regard to product quality, value this adds him and finally the sale price that will be spent for purchase. To enable companies to meet this need it is necessary to adjust the cost and prices charged. Given this economic environment the market has occupied a prominent role, where in turn the business sector turns out to practice the price the market allows. This new profile enhances the management strategy in the search for new market tactics, making relevant the study and application of target costing and analysis of the profit-target in the production process to improve the price charged. Small and medium-sized businesses find it difficult to efficient training of the sales price, so that the target costing presented as an important tool to aid in the management process.

Key-words: Profit, Target Cost, Results, Price

1.Introdução

O avanço dos mecanismos tecnológicos resultou em um processo acelerado do capitalismo, modificando consideravelmente o cenário socioeconômico e, transformando o ambiente operacional das empresas atuantes neste mercado altamente concorrencial que movimenta os indivíduos desta sociedade moderna cujo desenvolvimento ocorre a passos largos.

Para Tucker (1999), tamanha evolução consubstancia-se, em essência, em uma mudança radical na relação entre compradores e vendedores. Nesse sentido o autor fomenta a necessidade do empreendedor voltar-se para a mudança do comportamento empresarial e principalmente do processo de produção, no intuito de adequar os custos para atender as exigências dos consumidores do mercado em que se atua.

Nesta nova perspectiva vem ganhando destaque o método do custeio-meta ou custeio-alvo que se baseia no preço de mercado a ser suportado pelos consumidores, apresentando-se como importante instrumento de gestão, principalmente acerca do processo decisório.

A adequação do custo é um aspecto assertivo na execução do planejamento estratégico de uma empresa, pois proporciona resultados imediatos quando existe um controle seguro do custo de produção. A importância da gestão do custo-meta se apresenta bastante clara em ambientes competitivos, onde o preço é determinado pelo mercado. É nesse instante que surge a necessidade de adequar o custo a partir do preço.

Tamanho desconhecimento interfere na apropriação do custo e conseqüentemente da margem de lucro que a empresa tem alcançado. Neste sentido Bruni e Famá (2004) afirmam que a ruína de uma empresa tem início através da prática equivocada do preço de determinado produto. O entendimento da forma de alocação do custo, incluindo a correta separação deste na forma direta e indireta no processo produtivo de uma empresa, potencializa o seu desempenho, colocando o empreendedor na linha de frente, permitindo a otimização empresarial.

Assim, é possível trabalhar com metas de lucratividade e estratégia para a obtenção de um maior número de clientes devido a flexibilização do custo quando da existência de uma informação confiável obtida pela gestão do custos. Portanto, a eficiência empresarial tem início com a apropriação dos custos de forma eficiente, sendo relevante para definir a viabilidade de se produzir ou não determinado produto.

Este trabalho objetiva analisar custos e resultados de uma indústria do setor cerâmico por meio da utilização dos conceitos do lucro-meta.

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2 Fundamentação Teórica

Nesta seção são apresentados os conceitos teóricos que fundamentam a pesquisa e versam sobre gestão de custos, Custo-meta (target costing) e preço de venda

2.1 Gestão de Custos

Cardoso (2006) assevera que a gestão de custos vai muito além do controle, pois influi diretamente no processo decisório de uma organização.

A gestão e gerenciamento empresarial voltada para a formação de preço e o controle de custos tem sido no ambiente atual uma ferramenta indispensável para a tomada de decisão. Conforme Gutierrez (2009, p. 34) “Nas últimas décadas os conceitos de custo se solidificaram, muitas pessoas passaram a ter noção de que o controle de custo é essencial para a gestão da empresa e que é vital conhecer a rentabilidade dos produtos”.

Diante disso é preciso conhecer e analisar os custos, sabendo que formar preço a partir deste ainda é uma das formas mais assertivas para se chegar a um negócio que seja rentável, entende-se dessa forma que o gerenciamento do custo se utiliza das informações externas (concorrentes, clientes, fornecedores) aplicando essas informações ao conhecimento interno do custo de sua produção, gerando bases de dados que possam ser claramente analisados e que auxiliem ao gestor na tomada de decisão.

Pompermayer (2004) afirma que as necessidades que vão surgindo no contexto organizacional de uma empresa são aspectos fortes para a identificação do modelo de gestão que melhor se adapte no âmbito de sua estrutura de organização empresarial. Segundo o autor, essa identificação deve levar em consideração as estratégias e o conhecimento do produto que se fabrica e do mercado em que se atua.

2.2 Custo-meta (target costing)

O custo, adicionado à margem de lucro desejada tem sido uma das formas tradicionalmente utilizadas pelas organizações para a determinação do preço de venda. Porém, de acordo com Linhares (2004) existe uma limitação com relação a este método, pois nem sempre o preço estabelecido pela empresa é o valor que o mercado ou cliente está disposto a despender para a aquisição de determinado produto.

Contrariando os métodos de custeamento que iniciam pela produção para posterior formação do preço de venda, surge o custo-meta que é o resultado do preço de mercado, deduzindo-se a margem de lucro. Essa idéia de partir do preço para o custo, ou seja, de adequar o custo ao preço surge na cultura Japonesa entre as décadas de 60 e 80.

De acordo com Sakurai (1997) o poder aquisitivo dos consumidores em meados dos anos 60 influenciou diretamente o mercado. Esse era um período em que o gerenciamento das empresas ainda concentrava-se unicamente sobre a produção. No decorrer dos anos 70 os clientes passaram a diversificar a aquisição do produto em virtude do poder aquisitivo existente, influenciando as empresas a melhorarem a qualidade do produto.

Porém, a necessidade de continuidade e lucratividade das empresas forçou-as a adotar uma nova técnica que possibilitasse manter o nível de preço exigido pelo mercado e ainda continuar obtendo retorno financeiro.

Essa técnica, experenciada e desenvolvida positivamente no Japão vem se difundindo em outros países como o Brasil, porém, são raros os autores brasileiros que relatam sobre o assunto, seu estudo baseia-se de maneira freqüente nas traduções japonesas.

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Tal ferramenta passou a ser chamada de custo-meta ou target costing, como originalmente é conhecida e, a sua principal função é identificar os custos desnecessários, buscando reduzi-los ou extingui-los com o objetivo de alcançar a meta de lucratividade desejada pela empresa. Assim, Scarpin (2000, p.55), define o custo-meta conforme segue:

É um modelo de gerenciamento de lucros e custos, desenvolvido principalmente para novos produtos (ou produtos que terão seu projeto alterado) visando trazê-los para uma situação de mercado, ou seja, o produto passa a ter um preço de mercado competitivo, proporcionando um retorno do investimento durante todo o seu ciclo de vida a um custo aceitável (custo alvo), determinado pelo seu preço de venda. Portanto, o custo-meta trabalha de forma direta sobre o processo produtivo a partir da identificação do preço de venda que o mercado se dispõe a pagar. Neste sentido Wernke (2004, p.81) salienta que “O custo-meta pode ser entendido como o valor de custo de um produto a ser alcançado pelo qual é possível cobrar um preço de venda suficiente para ser aceito pelo mercado consumidor e proporcionar o lucro desejado pelos acionistas”.

Seguindo este raciocínio Sakurai (1997, p.52) caracteriza o custo-meta como “um processo de gerenciamento estratégico de custos para reduzir os custos totais, nos estágios de planejamento e desenho do produto”. O autor demonstra a partir deste entendimento que o estágio inicial de produção é o enfoque para a aplicação do custo-meta, visto que é nesse momento que a verificação dos custos se torna mais relevante.

Além de uma técnica de redução de custos, o custo-meta pode ser perfeitamente utilizado como uma ferramenta estratégica, em virtude de que em meio a este ambiente competitivo em que se encontram as indústrias, gerir os custos tem sido um grande desafio devido à inversão dos determinantes, onde hoje a pratica deste ou daquele preço está sujeito a permissão e aceitação do mercado. Neste sentido Linhares (2004, p. 9) esclarece “As empresas devem aprender a lidar com uma nova configuração de mercado, mais rápida, mais agressiva, mais exigente, mais detalhista”.

Porém, para tanto, é necessário uma estratégia interna, onde sejam executadas mudanças e adaptações nos métodos de produção. Esse procedimento é importante porque nesse momento é possível verificar a viabilidade de se produzir este ou aquele produto. Sakurai (1997, p. 50) observa que “os estágios de pré-produção determinam a estrutura dos custos”. Isso é possível porque é nesse momento que são identificados os componentes necessários para a produção de determinado item. A partir do conhecimento desse processo a identificação do custo que pode ser melhorado e minimizado se torna menos complexo.

Imprescindível também é a consideração do mercado, pois o custo-meta é voltado para este conforme a colocação de Colauto et. al. (2004, p. 35) “O custeio-alvo é um sistema direcionado ao mercado e a opinião do consumidor é um parâmetro para o desenvolvimento do processo de produção.” Portanto, este método se torna relevante porque considera primordialmente o mercado e a sua demanda que representam o enfoque empresarial e, a partir daí tem-se o ponto principal para estabelecer o percentual de lucro que se deseja e trabalhar o custo-meta para atingi-lo.

Atkinson et. al. (2000) reforça que o custo-meta se caracteriza pelo preço que a demanda está disposta a despender para a aquisição de um produto, menos o lucro desejado, assim é possível obter o custo máximo que o processo produtivo deve apresentar. Neste sentido Sakurai (1997) e Cogan (1999) acrescentam que o gerenciamento de redução dos custos totais no estágio de planejamento da produção caracteriza o custo-alvo ou meta.

Neste contexto é necessário considerar custo, preço e o consumidor conforme observa Rocha (1999, p. 126):

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o custo-alvo é considerado o montante de custos que deve ser eliminado ou aumentado para que o custo estimado de um produto ou serviço se ajuste ao admissível, tendo em vista o custo de uso e de propriedade para o consumidor, o preço-alvo e as margens objetivadas para cada elo da cadeia.

Assim, é possível verificar a influência do consumidor, pois este não está preocupado com os custos do fabricante, mas sim, com o preço pelo qual é vendido determinado produto ou serviço.

Desta forma é a empresa que deve estabelecer metas de lucratividade a partir da redução dos seus custos, portanto não trabalha o preço a ser praticado a partir do custo do produto e, sim do preço que o mercado tem apresentado, buscando estratégias de redução deste. Seguindo este raciocínio Sakurai (1997, p. 49) considera o custo-alvo como “um método abrangente de gerenciamento estratégico de custos que envolve a redução de custos durante todo o ciclo de sua ocorrência”.

Ferreira 2007 enfatiza a importância do custo meta como ferramenta de gestão, porque esta técnica se volta para o mercado obtendo, portanto, informações externas para trabalhar a redução dos custos e as metas de lucro, já outros métodos trabalham sob o enfoque interno dos custos, são exemplos o custeio variável, padrão, absorção, entre outros.

Desta forma Padoveze (2003) destaca que com o mercado como fator determinante do preço de venda o conceito de custo-meta vem ganhando um enfoque mais amplo e estrategicamente gerencial no sentido de melhorar o custo unitário do produto a ser fabricado, para que possa suprir a necessidade da empresa e do mercado. Neste sentido Shank (2000) enfatiza a importância dos custos partirem do mercado para a empresa.

Observa-se assim que o custo-meta aliado à otimização do produto a ser fabricado vem a garantir o diferencial da empresa ou indústria. Ferreira (2007) explica que os consumidores se sujeitam a pagar maiores preços desde que o produto oferecido apresente um diferencial que seja agradável ao cliente. Neste sentido, Bruni (2006) acrescenta que um produto transmite ao cliente uma idéia de valor maior que o preço praticado quando se torna atrativo e desejável. Portanto o custo-meta é uma técnica que vem abraçar o ambiente empresarial em sentido global, porque envolve os aspectos externos e internos da empresa, mobilizando toda a estrutura hierárquica da empresa, de forma a atingir o consumidor a partir da aplicação das estratégias no mercado de atuação. Neste sentido abre espaço para uma série de questões provocativas no sentido de impulsionar a busca da minimização do custo de produção.

Para tanto é necessário um planejamento estratégico de melhoria dos custos, o qual é possível a partir da utilização inteligente e eficiente da técnica do custo-meta, cujo parâmetro é minimizar os custos de produção e melhorar a qualidade do produto, agregando valor ao cliente.

Rocha e Martins (1999, p. 85) observam que o custo-meta “é uma mentalidade que deve ser adotada pela empresa como um todo”. Portanto, não depende somente da alta administração, porém, incorporam os demais setores que fazem parte da empresa, principalmente aqueles que estão diretamente envolvidos no processo produtivo.

Esse aspecto caracteriza a eficiência empresarial, pois é no momento que antecede a produção que acaba sendo possível eliminar alguns custos indesejados. A figura abaixo proposta por Cogan (1999) caracteriza essa situação de planejamento, onde o custo para desenvolver o projeto estratégico se torna viável e até menos encarecedor que os custos normalmente incorridos durante o processo produtivo, quando realizado adequadamente.

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O novo perfil do mercado, caracterizado por clientes cada vez mais exigentes com relação à aquisição de produtos, abre um leque de responsabilidade ao setor empresarial, onde o gestor tem a necessidade de executar o planejamento do custo da produção. Seguindo este raciocínio Bornia (1995, p.64), acrescenta “para os japoneses, o custeio-alvo força a empresa a tomar decisões estratégicas e operacionais para reduzir os custos e deixar o produto com bom desempenho no mercado”.

É possível definir o custo-meta como uma ferramenta de benefício a longo prazo, porque analisa desde a característica do produto até encontrar um meio eficaz de otimização deste. Portanto, embora o objetivo geral de uma empresa seja atingir um maior número possível de consumidores, sua continuidade baseia-se ainda na percepção do percentual cada vez mais alto de lucro. Hansen & Rocha (2004) observam que o lucro é necessário para garantir a sobrevivência de uma empresa.

Deste modo o custo-meta é a ferramenta certa para que a margem de lucro almejada e o público alvo sejam atingidos de acordo com a estratégia esboçada. Neste sentido Cooper e Slagmuder (1997, p.71) avaliam a sistemática do custo-meta como “uma técnica de gerenciamento de lucros futuros da empresa”.

Sob este enfoque Porter (1989, p.27) observa “os compradores precisam estar dispostos a pagar um preço por um produto acima do seu custo de produção, ou a empresa não sobreviverá a longo prazo.” Essas considerações enfatizam mais uma vez a perspectiva do custo-meta como uma técnica de rentabilidade direcionada à estratégia de longo prazo.

2.3 Preço de Venda

Determinar o preço de venda, ainda tem sido um dos aspectos de maior dificuldade encontrados no setor empresarial e, embora existam inúmeros fatores que influenciem essa ligação com o cliente, estabelecer um preço de venda satisfatório é interesse comum dos empreendedores.

Para Sardinha (1995) o preço pode ser considerado como a quantidade de dinheiro que o consumidor gasta para adquirir um produto e que a empresa recebe no momento em que entrega o mesmo para o cliente.

Para Dutra (2003, p. 32) o preço “é o valor estabelecido e aceito pelo vendedor para efetuar a transferência da propriedade de um bem”.

No entanto as informações necessitam de alta precisão, além de que a empresa deve ter um cuidado extremo para que o preço de venda seja capaz de cobrir os custos e despesas e, ainda, gerar uma margem de retorno financeiro, o que muitas vezes, não significa baixar o preço para aumentar a clientela, mas sim diferenciar o produto agregando-lhe valor. Filho (2009) destaca que para tanto é necessário um conhecimento elementar dos custos, pois o custo é a base para a formação do preço.

Santos (2005) considera o método de custos como o mais comum no mundo dos negócios e o mais praticado entre os gestores de preço, salienta, no entanto que independente do método utilizado para a formação do preço, é necessária uma comparação do preço praticado pelas empresas concorrentes.

Portanto, é possível observar a necessidade de trabalhar em função do custo para a correta formação do preço de venda, pois influi de forma direta no resultado da empresa. Conforme Bruni e Famá (2004) um preço equivocado de um produto ou serviço pode causar a ruína da empresa. Essa afirmação somente vem a confirmar que o preço de venda não deve ser

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elaborado somente com base em um fator considerado determinante, como o custo ou o mercado, mas sim através da avaliação desse conjunto no sentido de manter o equilíbrio. De acordo com Sardinha (1995) no curto prazo, o preço cobrado pela venda de um bem ou prestação de um serviço pode ser influenciado pelo mercado, porém a continuidade de uma empresa no longo prazo depende de suas decisões sobre políticas consistentes de preço, ou seja, não deixando em nenhum momento de avaliar os custos para designar o preço do produto. Essa avaliação geralmente ocorre durante a elaboração do mesmo, é neste momento que muitos pesquisadores econômicos afirmam que surge o lucro, com base ao valor que lhe é agregado já na fase de elaboração.

Quando assunto é formação do preço de venda geralmente a primeira ideia é a análise do custo do produto para determinação do mesmo, porém, Martins (2003, p. 219) afirma: “...definir preços não cabe exclusivamente ao setor de custos, mesmo com todo o arsenal de informações de que dispõe, bem como não cabe totalmente ao setor de marketing, com toda sua gama de dados do mercado e suas previsões”.

Nesse sentido, Bomfim e Passarelli (2008, p. 399) asseveram que a formação do preço de venda embora baseada em inúmeros fatores, segue ainda três premissas básicas: os custos do bem apreçado, a concorrência que o mercado oferece e o lucro desejado pela empresa. Segundo Santos (2011, p. 14) “Na maioria das empresas, os preços de venda são calculados antecipadamente.”.

De acordo com Santos (2011) o preço de venda será formado com base na parcela do lucro obtida a partir do ponto de equilíbrio. No entanto, o gerenciamento dos custos para a formação do preço de venda e maximização do lucro deve ser analisado de forma minuciosa, considerando principalmente o volume de produção que altera de forma significativa o custo e consequentemente a formação do preço de venda.

Nesse sentido, Santos (2011, p. 28) diferencia os custos de acordo com sua utilização perante o nível de produção: Custo marginal ou variável que aumenta na medida em que a quantidade produzida for maior e de forma unitária permanece constante e, Custo Fixo que no montante permanece constante enquanto que de forma unitária diminui à medida que aumenta a produção.

Dessa forma, a alocação correta dos custos operacionais (fixo e variável) é determinante para obtenção do resultado preciso do custo do produto para a formação correta do seu preço de venda, que deve ser calculada com base no Ponto de Equilíbrio, conforme conceitua Santos (2011, p. 37) “O ponto de equilíbrio será obtido quando o total dos lucros marginais, de todos os produtos comercializados, equivalerem ao custo estrutural fixo do mesmo período de tempo objeto da análise”.

Relevante, no entanto, além do preço de venda baseado no custo da produção, encontra-se a formação voltada para a concorrência. Segundo Lovelock e Wright (2002), isso ocorre, principalmente em indústrias ou empresas que comercializam produtos e serviços relativamente parecidos. Devido a este fato é necessário que elas mantenham-se atentas aos preços praticados pela concorrência para que permaneçam de certa forma em nível igualitário. No entanto, é necessário que se tenha um conhecimento dos custos que ocorrem no âmbito empresarial, já que na maioria das vezes não são próximos do concorrente e, esse desconhecimento pode trazer consequências negativas quando se fala em rentabilidade e lucratividade.

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3. Metodologia

A pesquisa, quanto aos objetivos, caracteriza-se como descritiva. É descritiva, de acordo com Marion, Dias e Traldi (2002, p.62) pois “[...] objetiva descrever as características de determinado fenômeno ou população, correlacionar fatos ou fenômenos (variáveis) sem, no entanto, manipulá–los. Implica observação, registro e análise do objeto que esta sendo estudado’’.

O estudo foi realizado com base na verificação dos documentos relacionados ao custo do produto, bem como dos relatórios e demonstrações financeiras que possibilitem a evidenciação da forma de gestão do custo e preço e auxiliem na aplicação da técnica do custo-meta no sentido de verificar sua aplicabilidade na indústria em análise a partir da observação analítica dos custos a que a indústria está sujeita.

Caracteriza-se como estudo de caso porque houve a observação direta (in loco), de forma minuciosa e profunda dos elementos sujeitos ao estudo. Desta maneira, esse procedimento tem por objetivo esclarecer as formas de produção de tijolos e lajotas, considerando todos os custos a serem determinados com base no aprofundamento do conhecimento teórico sobre a gestão estratégica de custos, e aplicar o método do custo-meta proposto na presente pesquisa. Quanto a abordagem, caracteriza-se como quantitativa devido a emprego de tabelas a partir da coleta de dados da estrutura de custos. Método indutivo que parte da análise de um caso induzindo-se para análises gerais. Desta forma o estudo parte de uma amostra, ou seja, da análise da viabilidade de aplicação do custo-meta de uma indústria, induzindo a partir deste evento particular, o experimento de sua aplicabilidade em outras indústrias produtivas da região. Método comparativo, devido à realização de abordagem telefônica com o objetivo de identificar o preço praticado pelas indústrias cerâmicas estabelecidas na região de Prudentópolis. Os dados coletados foram tratados estatisticamente e representados por meio de tabelas, gráficos e ilustrações.

4 Apresentação, Análise e Interpretação de Dados

A Indústria está situada na cidade de Prudentópolis e iniciou suas atividades na data de 10 de setembro de 2012. Trabalha com a produção de tijolos e lajotas, atendendo a região de Prudentópolis além dos municípios vizinhos. Sua produção envolve a utilização de dois fornos e a quantidade produzida mensalmente chega a cem mil tijolos e cento e dez mil lajotas.

Com relação ao aspecto legal, a empresa em estudo é uma micro-empresa e esta regida pela Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, que revoga a Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, a qual estabelece normas gerais relativas ao tratamento diferenciado das micro e pequenas empresas, principalmente no que se refere ao recolhimento dos impostos, obrigações tributárias e acesso ao crédito.

A lei considera micro a empresa que possui faturamento bruto acumulado nos últimos 12 meses no valor mínimo de R$ 180.000,00 e máximo de R$ 360.000,00. Recolhe, portanto os seguintes tributos e respectivos percentuais em função do faturamento: Cofins (0,86%), Contribuição Patronal Previdenciária-CPP (2,75%) e Imposto sobre Produto Industrializado-IPI (0,50%).

Está isenta do ICMS pela Legislação Estadual do Paraná, que beneficia as micro e pequenas empresas que recolhem sob o Regime do Simples Nacional. Tal benefício está previsto na Lei Complementar n. 139, de 10 de novembro de 2011, alterada pelo Decreto n. 3822/2012. Em situação normal a indústria estaria sujeita a 1,86% do recolhimento de ICMS.

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4.1 Coleta de dados

A coleta de dados ocorreu nos meses de julho a setembro do ano de 2014, o fabricante trabalha com dois tipos de produto no mercado, representado, portanto, pela produção de tijolos e lajotas, cuja proporção mensal segue a quantidade de cem e cento e dez milheiros respectivamente.

Na Tabela a seguir são apresentados os custos de produção de tijolos e lajotas:

Custo de Produção Tijolo Lajota

Quantidade produzida (em milheiros) 100 110 Matéria Prima (R$) 1.590,48 1.749,52 Mão de obra direta (R$) 4.011,18 4.412,29 Custos Indiretos (R$) 3.082,18 3.390,40 Custo Total de Produção (R$) 8.683,84 9.552,21

Total dos Custos 18.236,05

Fonte: Dados da Pesquisa, (2014)

Tabela 1. Apropriação dos Custos aos Produtos

Na Tabela 1, é observável, a partir da decomposição do custo que o maior dispêndio de valor concentra-se na mão-de-obra direta, cujo percentual é de 46,19% em relação ao custo total de fabricação, seguido dos custos indiretos de fabricação que representam 35,49% do total de custos e, por último a matéria-prima representando o percentual de 18,32%.

Tal resultado se deve ao fato de que a matéria prima para a produção do tijolo e da lajota não agrega um custo significativamente alto se comparado ao custo de secagem do produto que envolve energia elétrica, serragem e lenha representando 6,48% do custo da matéria-prima. A Tabela a seguir apresenta os valores de receita bruta, tributos, custos e resultado líquido:

Item Tijolo (milheiro) % Lajota (milheiro) %

Preço 230,00 - 380,00 - Qtde vendida ao mês 75 - 80 - Resultado Bruto 17.250,00 36,20% 30.400,00 63,80% Tributos (4,11%) 708,98 - 1.249,44 - Custo de produção 8.683,84 47,62% 9.552,21 52,38% Resultado 7.857,18 28,62% 19.598,35 71,38%

Fonte: Dados da Pesquisa, (2014)

Tabela 2. Cálculo do Resultado com Vendas

A Tabela 2 apresenta a quantidade em milheiros de tijolos e lajotas vendidas mensalmente, bem como a receita obtida com as vendas de lajotas que equivalem a 63,80% do montante recebido, enquanto que os tijolos representam 36,20%. Com relação aos custos de produção, observa-se que os tijolos apresentam 47,62% do montante total dispendido. Observa-se também que as lajotas sao responsáveis por 71,38% e os tijolos 28,62% do resultado liquido total do período. Conclui-se portanto que o produto mais lucrativo é a lajota.

Na tabela a seguir a análise de resultados por meio da simulação de preços, visando lucro/meta:

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Item Tijolo (milheiro) % Lajota (milheiro) % Preço 250,00 - 400,00 -Qtde vendida ao mês 75 - 80 - Resultado Bruto 18.750,00 36,95 32.000,00 63,05 Tributos (4,11%) 770,63 - 1.315,20 - Custo de produção 250,00 38,46 400,00 52,38 Resultado 9.295,53 30,55 21.132,59 69,45

Fonte: Dados da Pesquisa, (2014)

Tabela 3. Cálculo do Resultado de Venda pelo preço Admitido pelo Mercado

Na Tabela 3, observa-se que o preço que o mercado admite pagar pelo milheiro do tijolo e da lajota encontra-se acima do preço de venda praticado pela indústria em análise e que, considerando os preços de mercado, há uma pequena alteração na distribuição percentual dos lucros dos produtos. Os tijolos representam, nesta hipótese, o percentual de 30,55% e as lajotas 69,45% em relação ao montante de lucros previstos.

Caso a empresa opte por aumentar seus preços, adotando o preço de mercado, os resultados financeiros são:

Item Tijolo Lajota

Preço praticado indústria R$ 230,00 R$ 380,00 Resultado líquido R$ 7.857,18 R$ 19.598,35 Preço aceito pelo mercado R$ 250,00 R$ 400,00 Resultado líquido R$ 9.295,53 R$ 21.132,59 Diferença/Produto R$ 1.438,35 R$ 1.534,24

Diferença Total R$ 2.972,59

Fonte: Dados da Pesquisa, (2014)

Tabela 4. Variação do Lucro

Verifica-se na Tabela 4 a análise comparativa dos resultados líquidos obtidos com as duas hipóteses de preços de vendas. Com o preço de mercado há incremento no lucro dos tijolos de R$ 1.438,35 e de R$ 1.534, 24 da venda de lajota. Portanto, com a utilização dos conceitos de custo e lucro/meta a empresa pode ter ciência dos impactos financeiros positivos advindos com o estudo de preços e lucros nas finanças empresariais.

O gráfico a seguir apresenta a variação percentual no resultado dos produtos:

Fonte: Dados da Pesquisa, (2014)

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No Gráfico 1, verifica-se a variação percentual ocorrida no resultado dos produtos considerando-se o preço de venda, atualmente praticado pela empresa, como base e os resultados obtidos com o preço de mercado na comparação. Há incremento no resultado financeiro líquido dos tijolos em 18% e da lajota em 8%.

A análise corrobora a tese de que a ferramenta de lucro-meta é imprescindível para as empresas, uma vez que permite que o planejamento financeiro aconteça de forma simples, mas eficiente.

5 Considerações Finais

O bom resultado de uma empresa está diretamente ligado ao processo de gestão e controlar os custos é parte importante do processo de gestão.

A contabilidade disponibiliza diversas técnicas de controle de custos, dentre elas, o custeio meta aplicado em uma empresa industrial do setor cerâmico.

Verifica-se a importância da contabilidade de custos no contexto que além de propiciar o conhecimento e controle dos custos, possibilita análises mais complexas, objeto de novas pesquisas complementares.

Este trabalho teve como objetivo analisar custos e resultados do processo produtivo de uma indústria do setor cerâmico por meio da utilização dos conceitos do custo-meta.

A metodologia do custo-meta parte da premissa que o mercado é o principal definidor dos preços praticados pelas empresas. Trata-se de uma técnica de planejamento de lucros, preços e custos.

Por meio das análises realizadas foi possível concluir que a análise do lucro meta apresenta-se como uma ferramenta de fundamental importância para a gestão da empresa pois permite identificar os custos mais relevantes, bem como planejar o preço em função do mercado Identificar a composição do custo e a representatividade destes em relação ao preço é importante no sentido em que permite planejar com maior segurança as vendas e o orçamento empresarial.

A utilização de ferramentas que propiciem o planejamento com maior segurança e consequente diminuição dos riscos deve ser estimulada e amplamente divulgada, notadamente a ferramenta de simulação de lucro-meta, objeto desta pesquisa.

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