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BRASIL AFRO EMPREENDEDOR

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Academic year: 2021

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Ementa de Orientação – Aula/Texto 4 – Impérios e Estados Africanos

Estamos dando um grande salto na História. Para a sua compreensão é importante fixar que a ocupação do norte da África pelos povos árabes remonta mais ou menos ao século III da era cristã. Essa ocupação e a posterior conquista dos territórios da África do Norte, através das guerras de expansão territorial e a imposição do islamismo (cosmovisão árabe do mundo) para consolidar a sua hegemonia cultural e política durou cerca de 1000 anos.

Na esteira desse processo é que nasce a resistência africana através da união dos diversos grupos étnicos da África ocidental que ao consolidar as comunidades clânicas articuladas em confederações de aldeias, étnicas, dos diversos povos na faixa do Sahel, consolidam, historicamente, diversos estados, impérios e reinos, posteriores as civilizações da região do Rio Nilo e do Sudão, que foram o Egito e do Cush da antiga Núbia, hoje Etiópia.

BRASIL AFRO EMPREENDEDOR

CURSO: Introdução a História da África e resistência negra no Brasil:

Da escravidão à contemporaneidade

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Dentre as diversas cidades-estados, impérios e reinos cabem destacar o Império do Gana, do Mali e do Songhai. Ao sul do Saara, os antigos impérios de Mali, Gana e Songhai, com extensão territorial comparável ou maior que a do império romano, foram precursores dos Mande, Mossi, Haussa, Kanem-Borno, Igbo, Oyo, Fon, Anyi/Ewe, da Confederação Akan e outros.

Todos esses estados autônomos atingiram altos níveis de organização social e econômica, que os sustentaram durante muitos séculos antes dos portugueses pisarem no solo de Ceuta em 1415, na região hoje conhecida como Marrocos. Nem poderíamos negar a existência dos estados políticos dos Bamileke, Mangbetu, Azande e Fang da bacia do Congo, ou aqueles dos Grandes Lagos – dos Ganda, Nyoro, Kikuyu – quando temos em Zimbábwe uma cidade estado completa, construída alguns séculos antes da chegada dos europeus , cujas ruínas a testemunham.

No século XV, a Europa certamente não apresentava tão alto grau de organização política. A península italiana, por exemplo, constituía-se num mosaico de pequenos principados e feudos que guerreavam entre si e que careciam de qualquer noção definida de estado/nação como nós o conhecemos hoje. Até mesmo a Igreja Católica tinha seu “Estado”, mais tarde engolido pelo Estado Italiano, deixando para a posteridade apenas o atual Vaticano. Não era à toa que os chefes de guerra prussianos

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indagavam: “Quantas divisões tem o papa”? Foi apenas com Maquiavel que se estruturou intelectualmente a ideia do estado nacional, para a doutrinação dos italianos modernos, apesar de seu passado imperial romano.

Entre os europeus daquela época, pareceu elegante julgar a população da África que encontraram “uma raça menor e carente de lei”, faltando-lhe as instituições da governança social e política. Ou seja, a África não tinha civilização por não ter Estado. Trata-se de mais uma grande inverdade

histórica, baseada no preconceito e nas tentativas de desqualificação permanente da África diante do mundo, enfim do etnocentrismo.

Instituições Políticas e Sociais Africanas

As estruturas políticas africanas nativas, organizadas da base para cima, giram em torno das instituições sagadas da família, de onde ramificam para o clã, a linhagem e o grupo de descendência. Através das convenções da exogamia, testadas através de milênios, os casamentos são contratados fora da linhagem, o que significa dizer que um grupo de descendência ao casar vai pertencer a outro grupo mais distante, ligando, com isso, os grupos vizinhos numa série de alianças com uma consciência comum de identidade cultural. Esses grupos se unem para autodefender-se, quando ameaçados por um grupo estrangeiro inimigo. A autoridade, tanto temporal quanto espiritual, às vezes diferenciada, pertence genealogicamente precedente dentro do clã.

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Geralmente, as disputas ou brigas resolviam-se de duas formas: ou pela força organizada, utilizada meramente como agente punitivo e não por motivo de expansão territorial; ou por um conselho de anciãos representando os grupos locais dispersados sobre uma larga região, substituindo o conflito e a contenda pelo diálogo e a discussão. Mais significativo ainda, do ponto de vista estruturalista, esses sistema de linhagem institucionalizada, pela sua própria natureza, proibiam a guerra como instrumento de políticas públicas, já que se estaria combatendo os próprios parentes. Foram essas as primeiras “ameias” dentro da sociedade africana a serem viciadas e desestabilizadas pelas guerras escravistas desencadeadas pelos europeus nos séculos XVII e XVIII.

Havia ainda os reinos Ashanti, Oyo, Abomey, Mossi, em que o poder político efetivo era exercido por rei ou governante. Esses estados, altamente organizados, tinham instituições complexas como o conselho de anciãos para definir e controlar o exercício do poder político pelo governante ou rei. Muitos deles desfrutaram vários séculos de estabilidade, controlados por dinastias com cortes aristocráticas e burocráticas administrativas que os tornavam comparáveis aos Estados em outras partes do mundo. Havia, portanto, poucas lições de governabilidade política que a África carecia de aprender.

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Vejam, então, com mais profundidade o texto: Os três grandes impérios negro-africanos Séc. X ao Séc. XV - entre a faixa do Sahel e do Saara. Veja o Mapa 2 para identificar esta região e compare-a com o Mapa 1 – Mapa Político da África e o Mapa 4 – Principais reinos e povos da África Ocidental.

Referencia Bibliográfica

NASCIMENTO. Elisa Larkin (Org.) SANKOFA: Matrizes Africanas da Cultura Brasileira. Rio de Janeiro. EdUerj, 1996.

Referências

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