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Palavras-chave: Ergonomia, Posto de Trabalho, Projetação Ergonômica.

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Academic year: 2021

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1. Estudante de Design de Interiores, Faculdade Martha Falcão/Devry - Manaus, AM 2. Doutora em Ecologia. [email protected] 3. Endereço: Rua Raimunda Marques, 14. Manaus, AM. [email protected] 4. Rua Cambixe, 89-A, São José Operário. Manaus, AM. [email protected] 5. Rua Maceió, Cj. Manuaense, QN02. . Manaus, AM [email protected] 6. Docente da Faculdade Martha Falcão/Devry - Manaus, AM 7. Mestre em Design. Rua Emílio Moreira, 290, casa 10. Manaus, AM. [email protected]

8. Mestre em Educação Científica. [email protected]

ANÁLISE ERGONÔMICA E PROPOSIÇÃO DE INTERVENÇÃO NA GUARITA DE UMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR

Liliam Patricia Pinto1, 2 Edival Cardoso Lino1, 3 Brunison Ozival Santos Costa1, 4 Bartira Hollanda1, 5 Carla Cristina Vasconcelos Batista6, 7 Fábio Franscisco de Freitas Marques6, 8

RESUMO

Posto de trabalho é uma unidade produtiva que envolve uma pessoa e o equipamento para a realização do trabalho, bem como o ambiente circundante. Diversos fatores podem causar problemas ao operador, dentre eles o desconforto, cansaço e riscos à saúde. O campo da ergonomia possui técnicas para identificar e priorizar os problemas existentes, bem como diretrizes para se alcançar a conformidade durante o desempenho da tarefa. Este estudo teve por objetivo avaliar uma guarita de vigilância, levantar os constrangimentos envolvidos na execução das tarefas, e propor soluções para os principais problemas. A metodologia de intervenção foi realizada em três etapas. Na Apreciação Ergonômica foram identificados quatro problemas principais, das categorias Interfacial, Movimentacional, Físico-Ambiental e Natural, segundo a taxonomia dos problemas ergonômicos. Na Diagnose Ergonômica, priorizou-se analisar a tarefa de abertura e fechamento do portão da entrada do estacionamento. A Projetação Ergonômica permitiu elaborar as seguintes recomendações: (a) instalação de um portão automatizado, para evitar o esforço físico do operador e as dores decorrentes; (b) instalação de portão para pedestres, garantindo a segurança dos usuários; (c) estrutura coberta na entrada do portão de veículos, para proteção contra o sol e intempéries; (d) passarela coberta ao longo do trajeto dos pedestres, também para proteção contra o sol e intempéries. A expectativa é que as soluções melhorem as condições de trabalho dos operadores, além de proporcionar adequação às normas de segurança.

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1. INTRODUÇÃO

Os sistemas produtivos evoluem com o desenvolvimento da tecnologia, e cada vez mais o trabalho pesado é designado às máquinas, restando às pessoas o esforço mental e dos sentidos (Iida 2005). Nessa linha, a Associação Brasileira de Ergonomia (ABERGO 2015) recomenda priorizar a diminuição do esforço do operador no manuseio de máquinas, equipamentos, ferramentas, mobiliário e outros elementos de seu posto de trabalho.

Ao analisar um posto de trabalho, é importante atentar para os fatores que causam cansaço, desgaste e riscos diversos ao operador. Técnicas de ergonomia aplicadas de forma sistematizada são úteis para identificar e priorizar os principais problemas existentes, além de propor e implementar melhorias (Moraes & Mont’Alvão 2010).

A Norma Regulamentadora N°17 (NR-17), estabelecida pela Portaria no 3.751 de 23 de novembro de 1990, aborda a Ergonomia no Ambiente de Trabalho. Ela tem por objetivo estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e eficiência de desempenho.

Segundo Iida (2005), posto de trabalho é uma unidade produtiva que envolve um homem e o equipamento para a realização do trabalho, bem como o ambiente que o circunda. De acordo com Moraes & Mont’Alvão (2010), tarefa é o conjunto das condições de execução de um trabalho dado, por um objetivo dado, e segundo um conjunto dado de exigências. Assim, a análise da tarefa é a descrição do sistema homem-tarefa-máquina em foco, ou seja, a descrição do conjunto dos elementos que compõem esse sistema e das interações entre esses elementos, incluindo a indicação das disfunções eventuais.

Este trabalho teve por objetivo avaliar uma guarita de vigilância, com o intuito de levantar os constrangimentos envolvidos na execução das tarefas e, com base no campo de conhecimento da ergonomia, propor soluções para os principais problemas.

2. MÉTODO UTILIZADO

O posto de trabalho estudado foi uma guarita de vigilância localizada no estacionamento de uma Instituição de Ensino Superior da cidade de Manaus, AM. Considerando que uma guarita é um ambiente com condições especiais, e que não há uma norma específica para ele, neste estudo usou-se como base a NR-17 e as recomendações

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2 encontradas no site Síndico Net, para se estabelecer os requisitos necessários ou desejáveis para este espaço, os quais são apresentados abaixo:

 A guarita precisa estar instalada em um local com visibilidade total da entrada;  A Iluminação interna e externa deve ser adequada;

 É necessário ter conforto térmico e acústico;

 O espaço precisa ser dimensionado para o número de operadores;

 É fundamental um assento ergonômico, além de uma bancada para apoiar equipamentos e livros de controle;

 O sistema de comunicação deve ser eficiente;  O bebedouro precisa estar acessível.

Para este trabalho foi utilizada uma metodologia de intervenção seguindo a proposição de Moraes & Mont’Alvão (2010), realizada em três etapas: “Apreciação Ergonômica”, “Diagnose Ergonômica” e “Projetação Ergonômica”. A Apreciação Ergonômica é uma fase exploratória que compreende o mapeamento dos problemas ergonômicos de um posto de trabalho. A Diagnose Ergonômica propõe melhorias para evitar os constrangimentos observados no posto de trabalho durante a execução da tarefa selecionada. Por fim, na Projetação Ergonômica são feitas as adaptações das estações de trabalho, equipamentos e ferramentas às características físicas, psíquicas e cognitivas dos trabalhadores / operadores / usuários / consumidores / manutenidor / instrutor (Moraes & Mont’Alvão, 2010).

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1. ETAPA 1 - APRECIAÇÃO ERGONÔMICA

Ao todo, são três operadores do sexo masculino que trabalham em dias alternados no posto de trabalho, em turnos de 12 horas. A guarita mede 2,30 m x 3,75 m, com pé direito de 3,5 m, e se localiza na entrada do estacionamento. No espaço há uma mesa e duas cadeiras comuns, não giratórias. Também estão presentes um bebedouro, um computador, um livro de ocorrência e rádios comunicadores. Um aparelho de ar condicionado propicia conforto térmico. Há um banheiro com armários, pia, sanitário e chuveiro.

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3 As tarefas são desempenhadas dentro e fora da guarita. A atividade mais frequente é a organização da utilização das vagas de carros. No início das aulas, o operador orienta os usuários do estacionamento a localizar vagas disponíveis. Quando o estacionamento atinge a capacidade máxima, ele fecha o portão manualmente, para evitar que outros carros entrem. As outras tarefas executadas pelo porteiro são:

 responsabilidade pela portaria da faculdade;  segurança do estacionamento;

 segurança patrimonial;

 fiscalização da segurança do trabalho.

Com base na taxonomia dos problemas ergonômicos (Moraes & Mont’Alvão 2010), identificou-se os seguintes tipos de problemas:

 Interfaciais: Posturas prejudiciais resultantes de inadequações do campo de visão. No posto de trabalho, identificou-se uma dificuldade de visualização da área externa devido à cadeira inadequada dentro da guarita. O peitoril da janela é alto, e para se ter uma visão adequada é necessário esticar o corpo ou se levantar frequentemente.

 Movimentacionais: Excesso de peso; desrespeito aos limites recomendados de movimentação manual de materiais, com riscos para os sistemas muscular e esquelético.

O portão do posto de trabalho é do tipo manual e muito pesado. Estima-se que a repetição da sua movimentação pode acarretar problemas de saúde.

 Físico-Ambientais: Temperatura, iluminação.

O operador fica exposto à temperatura e iluminação elevadas na área externa. Na área interna, os raios solares incidem intensamente no período vespertino, aumentando a carga térmica e causando ofuscamento.

 Naturais: Exposição às intempéries; Exposição excessiva ao sol.

Da mesma forma como no item acima, o operador fica exposto ao sol e à chuva na área externa.

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4 Para priorizar os problemas identificados na etapa de Apreciação Ergonômica, aplicou-se a metodologia GUT (Gravidade, Urgência e Tendência), na qual três perguntas são feitas a respeito de cada problema encontrado (Moraes & Mont’Alvão 2010):

 Qual a gravidade do desvio?

 Qual a urgência de se eliminar o problema?

 Qual a tendência do desvio e seu potencial de crescimento (agravamento)?

O Quadro 1 apresenta a aplicação da matriz da metodologia GUT, segundo Moraes & Mont’Alvão (2010).

Quadro 1. Análise dos problemas identificados a partir da metodologia GUT.

Problemas Gravidade Urgência Tendência GxUxT

Problema 1 (Interfacial) -

Dificuldade de visualização da área externa devido à cadeira inadequada dentro da guarita.

3 4 3 36

Problema 2 (Movimentacional) –

Risco de lesão por esforço ao abrir portão manual e muito pesado.

4 5 5 100

Problema 3 (Físico-Ambiental) -

Exposição à temperatura e iluminação elevadas na área externa.

4 5 4 80

Problema 4 (Natural) - Exposição

ao sol e à chuva na área externa. 4 5 5 100

Argumentos para seleção do problema

Com base na matriz GUT, priorizou-se os problemas 2, 3 e 4 para desenvolver a proposta de solução das não-conformidades. Os problemas 2 e 4 obtiveram maior pontuação na avaliação GUT (100). Entretanto, dois fatores fizeram com que o problema 3 fosse também selecionado. Além de ter uma pontuação relativamente alta (80), a solução para esse problema é similar à do problema 4.

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5 Após as fases de formulação e priorização do problema, entrevistou-se o operador do posto de trabalho, a fim de avaliar como é a percepção do mesmo sobre os problemas, e como ele acha que eles poderiam ser solucionados.

Perguntado sobre o que mais o incomodava no posto de trabalho, o operador respondeu que o portão manual é a principal dificuldade, já que ele é muito pesado. Esse aspecto corresponde ao problema 2 identificado pela equipe deste estudo (Quadro 1). O operador reportou que passou a ter dores nos braços, mais precisamente na articulação dos ombros, devido ao manuseio do portão. Por isso, passou a fechar menos o portão, e começou a usar cones na entrada para sinalizar a lotação do estacionamento.

O segundo ponto considerado mais importante pelo entrevistado foi a iluminação excessiva devido à incidência dos raios solares no interior da guarita, no período vespertino. Esse aspecto corresponde ao problema 3 do Quadro 1. Segundo o operador, ele abandona esse local na parte da tarde, e passa a ficar na varanda de um dos prédios da instituição. A varanda é sombreada e permite uma ampla visão da área externa. O inconveniente é que ele precisa se deslocar ao portão repetidas vezes para abrir e fechar.

O terceiro ponto que mais incomoda o operador é a visibilidade da área externa a partir da guarita. Esse aspecto corresponde ao problema 1 do Quadro 1. O operador reportou que a cadeira é muito baixa em relação à janela. Ele próprio substituiu a cadeira por um banco alto para melhorar a visibilidade. No entanto, esse banco não tem encosto, regulagem de altura ou apoio para os braços.

O entrevistado não manifestou, espontaneamente, que a exposição ao sol e à chuva na área externa fosse um problema para ele (identificado pela equipe como problema 4). Questionado sobre esse aspecto, ele reportou que a instituição fornece filtro solar, e que pediu um boné para proteção contra o sol. Ele disse que seria ideal que a instituição fornecesse também óculos escuros.

Constrangimentos e os custos humanos envolvidos

Vários problemas de saúde podem ser derivados dos constrangimentos identificados. Dentre eles, os principais são:

 A falta de um assento ergonômico pode acarretar dores musculares ou nas costas.

 Estima-se que a repetição da movimentação do portão manual e pesado pode acarretar problemas musculares e/ou esqueléticos.

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6  O operador fica exposto a uma temperatura elevada na área externa. Isso gera grande desconforto. O trabalho em áreas muito quentes pode causar desidratação. Por isso, é fundamental que o funcionário se mantenha hidratado.

 Com relação à iluminação tanto na área externa quanto na interna, o excesso de luz pode causar dores de cabeça. Particularmente na área externa, a exposição prolongada sem óculos escuros pode afetar a visão em um longo prazo.

 A exposição à chuva na área externa pode acarretar problemas de saúde.  A exposição ao sol na área externa pode acarretar problemas mais sérios,

como insolação e câncer de pele.

3.1.1. AS SUGESTÕES PRELIMINARES DE MELHORIA

O operador deste estudo de caso reforçou diversas vezes que a prioridade é a troca do portão manual por um portão automático. No ponto de vista dele, a posse do controle remoto resolveria todos os problemas identificados neste estudo. Evitaria o esforço que afeta as articulações dos membros superiores, permitiria a ele ficar abrigado do sol na varanda de um dos prédios da instituição, um lugar que ele considera mais aprazível que a guarita, além de ter uma visão mais ampla do que acontece ao redor.

Apesar de não considerado importante pelo operador, a substituição do banco por uma cadeira mais alta, com regulagem de altura e apoio para os braços poderia ser uma opção para resolver o problema 1.

3.2. ETAPA 2 – DIAGNOSE ERGONÔMICA

Para esta etapa de diagnose, a tarefa analisada é a abertura e fechamento do portão da entrada do estacionamento. Assim, são objetivos da tarefa:

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7  fechar o portão quando o estacionamento atinge a capacidade máxima, para

evitar que novos carros entrem;

 abrir novamente o portão para a saída dos carros;  fechar o portão no final do último turno de aulas. Ambiência da tarefa

O ambiente da tarefa é a área externa da guarita, na entrada do estacionamento. Nesta área externa não há proteção contra insolação, temperatura ou chuva. Assim, há constrangimento no desempenho da tarefa.

Ambiência tecnológica da tarefa

A tarefa objeto desta diagnose envolve apenas um equipamento: o portão, que é aberto e fechado de forma manual.

Ambiente físico da tarefa

O portão manual está situado em uma área descoberta do imóvel. Assim, a temperatura média é bem alta, assim como a luminosidade. Em Manaus, a temperatura média é normalmente elevada. Em 2015, ano em que foi feita essa pesquisa, registrou-se a mais alta temperatura em 90 anos, de 39°C, justamente na estação meteorológica do bairro do local de estudo (G1 Amazonas 2015). Esse é um fator considerado de grande constrangimento para o desenvolvimento da tarefa.

O ruído existe, oriundo do trânsito de veículos na via pública, mas não chega a ser um constrangimento e não foi mencionado em nenhuma ocasião pelos operadores.

Perfil e voz dos operadores

Os operadores são registrados como porteiros, mas preferem ser chamados de seguranças ou vigilantes. Apesar da disposição em colaborar neste estudo, eles se mostraram receosos em desagradar seus superiores. Isso impôs algumas limitações para a pesquisa.

A metodologia incluía a documentação fotográfica do operador realizando suas atividades. No entanto, o operador quis primeiramente consultar seu superior imediato, o qual não forneceu permissão para efetuar esse registro. Apesar destes problemas, entendemos que isso não comprometeu o trabalho de diagnose, pois a entrevista, realizada em 31 de outubro de 2015, ocorreu sem restrições. Essa entrevista está transcrita a seguir.

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8 Entrevistador: Quem é o chefe direto e qual é a hierarquia?

Operador: Meu chefe direto é o Supervisor da Segurança, Sr. N.. Na ausência dele, o supervisor da faxina, assume o comando. Acima deles, acho que é a coordenadora, não lembro o nome dela.

E. Qual é sua a relação com os demais funcionários (incluindo professores)?

O.: É uma boa relação. Sempre que possível, eu tento resolver os problemas com a ajuda de outros funcionários, só deixo pra recorrer ao chefe quando não consigo por outros meios. A coordenadora do RH é bem acessível e colabora. A relação com os professores é boa também.

E. Qual é a sua função aqui oficialmente, na carteira de trabalho (função prescrita)? O.: A função na carteira está como porteiro. Mas a gente faz mais do isso.

E. Qual a função real? O que o senhor faz além da sua função oficial?

O.: Além de cuidar da portaria, de controlar o portão, nós fazemos a segurança dos carros, dos prédios, ajudamos os alunos no estacionamento, arrumamos vagas. Nosso chefe pediu também para cuidarmos da segurança dos outros funcionários. Se nós percebermos que algum funcionário está fazendo uma coisa arriscada, por exemplo, subindo no telhado sem um cinto de segurança, temos que alertar para usarem equipamento de proteção.

E. Qual a atividade que mais o incomoda? Se fosse possível fazer melhorias no seu posto de trabalho, qual seria a mais prioritária?

O.: Substituiria o portão manual por um eletrônico, já que ele é muito pesado. Isso iria resolver não só o problema de esforço físico e das minhas dores nos braços e ombros, mas também outros, como ter que ficar no sol.

E. Quem faz e qual a frequência da manutenção do portão?

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3.3. ETAPA 3 – PROJETAÇÃO ERGONÔMICA

Esta é a fase na qual são executadas as adaptações das estações de trabalho, equipamentos e ferramentas, para estarem de acordo com as características físicas, psíquicas e cognitivas dos interessados (Moraes & Mont’Alvão, 2010). A partir dos dados obtidos, apresentamos a seguir os seguintes requisitos e restrições para a realização das atividades da tarefa de abertura e fechamento do portão de entrada:

Requisitos:

 A abertura e fechamento do portão devem ser feitos de forma automatizada, sem esforço físico por parte do operador;

 A área externa deve prover para o operador e demais usuários, áreas de proteção contra a chuva, a luminosidade intensa e insolação direta.

Restrições:

 A área externa é utilizada como estacionamento, assim, as modificações não devem restringir significativamente a circulação dos carros e disponibilidade das vagas;

 Há atualmente apenas um portão manual na entrada do estacionamento, e esta entrada é utilizada também pelos pedestres. Considerando que um portão eletrônico pode oferecer riscos aos pedestres (e.g. Condomínio em Foco, 2010), é necessário contemplar também a instalação de um portão menor, exclusivo para a circulação do pedestre.

3.3.1. PROJETO ERGONÔMICO

As propostas deste projeto estão focadas nas categorias de Segurança e Ambiente Físico, de acordo com a metodologia apresentada em Moraes & Mont’Alvão (2010). As soluções apresentadas terão um impacto significativo na saúde e conforto do operador, se estendendo também para outros usuários da instituição.

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a. SEGURANÇA

i. Recomendação de equipamentos

Portão de veículos:

Além de cansaço, o manuseio do portão causa riscos de saúde ao operador, principalmente dores nas articulações dos braços e ombros, bem como lombalgia. A fim de evitar esses constrangimentos, pesquisou-se uma solução dimensionada para a situação.

O novo portão de veículos e o equipamento de automação recomendados neste projeto tem valor estimado de R$ 4.500,00, incluindo a instalação. Possui as seguintes especificações técnicas:

 portão automatizado de uma folha, do tipo deslizante;  folha com comprimento de 5 m, e altura de 2,5 m;  material: tubo de aço tratado com tinta anti-corrosão;  motor potência 1/2 HP;

 acionamento por controle remoto;

 tempo aproximado de abertura: 10 segundos;  sensor antiesmagamento (fotocélula);

 barra de cremalheira.

É necessária atenção especial para a manutenção preventiva, a fim de garantir o perfeito funcionamento do equipamento. Assim, recomenda-se realizar limpeza periódica dos trilhos, lubrificar as engrenagens, bem como seguir todas as demais recomendações do fabricante, expressas no manual de instruções.

Portão de pedestres:

Um problema derivado da automação do portão é a maior vulnerabilidade dos pedestres no momento da entrada na instituição. Deste modo, foi necessário incorporar a essa proposta um portão pequeno para circulação de pedestres.

O portão de pedestre previsto tem valor estimado de R$ 1.500,00, possuindo as seguintes especificações técnicas:

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11  folha com comprimento de 1,75 m, e altura de 2,5 m;

 trava simples.

ii. Determinação da rotina

Depois de instalado o novo portão de veículos, o operador terá liberdade para escolher o local de onde quer acionar o controle, não precisando ficar apenas restrito à guarita. Além disso, terá a oportunidade de ficar protegido do sol e da chuva. Com isso, garante-se o respeito às normas e boas práticas da ergonomia e da segurança do trabalho.

Os pedestres também poderão circular com mais tranquilidade, evitando-se situações que coloquem em risco a sua segurança.

b. AMBIENTE FÍSICO

Coberturas de proteção:

A falta de proteção contra a chuva, a luminosidade intensa e insolação direta na área externa afeta tanto o operador quanto os demais usuários. Isso motivou a inclusão, neste projeto, de uma estrutura coberta na entrada do estabelecimento, que abrange toda a frente do terreno (25 m de comprimento por 5 m de largura), e uma passarela também coberta, que se inicia na entrada, e se estende até o complexo de salas (extensão total de 53m, com largura de 1,6 m).

Essas soluções são apresentadas nas vistas do layout (Figuras 1 e 2), elaboradas com o programa SketchUp. Para a cobertura da estrutura da entrada e da passarela de pedestres, foi especificada a chapa alveolar de polipropileno curvado, que possui leveza, boa durabilidade e resistência ao calor e aos raios solares. Ao todo, serão necessários 210 m2 de chapas de polipropileno. A base da estrutura é de perfis de alumínio, os quais são leves e fáceis de instalar.

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12 Figura 1. Solução proposta para a entrada da instituição, evidenciando a cobertura proposta para a entrada da instituição e o portão de pedestres.

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4. CONCLUSÃO

Na Apreciação Ergonômica foram identificados quatro problemas principais, das categorias Interfacial, Movimentacional, Físico-Ambiental e Natural, segundo a taxonomia dos problemas ergonômicos do sistema homem-máquina-tarefa.

Considerando que a guarita é um posto de trabalho, ela deve oferecer ao profissional todas as ferramentas necessárias para a plena execução dos serviços. Isso inclui o exercício da atividade profissional com um conforto adequado, para que eficiência seja propiciada.

As recomendações propostas ao longo de trabalho são resumidas a seguir:

1. Instalação de um portão automatizado, para evitar o esforço físico do operador e as dores decorrentes;

2. Instalação de um portão para pedestres, para garantir a segurança dos usuários;

3. Estrutura coberta na entrada do portão de veículos, para proteção contra o sol e intempéries;

4. Passarela ao longo do trajeto dos pedestres, também para proteção contra o sol e intempéries.

A expectativa é que as soluções apresentadas tenham significado prático nas condições de trabalho dos operadores, gerando qualidade de vida e maior disposição para o desempenho das atividades. Além desses benefícios, as recomendações devem proporcionar uma maior adequação às normas de segurança e às boas práticas preconizadas pela Associação Brasileira de Ergonomia (ABERGO 2015), que recomenda a diminuição do esforço do operador no manuseio de máquinas, equipamentos, ferramentas, mobiliário e outros elementos de seu posto de trabalho.

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5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABERGO - Associação Brasileira de Ergonomia (2015). Disponível em: http://www. abergo.org.br/internas.php?pg=o_que_e_ergonomia.

Condomínio em Foco (2010). Menino de 4 anos morre prensado em portão eletrônico de prédio em Brasília. Disponível em: http://condominioemfoco.com.br/.

G1 Amazonas (2015). Disponível em: http://g1.globo.com/am/

amazonas/noticia/2015/09/temperatura-vai-389-c-e-manaus-registra-novo-recorde-de-calor.html

Iida, I. (2005). Ergonomia: Projeto e Produção. 2 ed. São Paulo: Editora Edgard Blücher. Moraes, A. & Mont’Alvão, C. 2010. Ergonomia: Conceitos e Aplicações. 4 ed. Teresópolis:

2AB Editora.

Norma Regulamentadora 17. Portaria no 3.751 de 23 de novembro de 1990.

Sindico Net (2015). Disponível em: http://www.sindiconet.com.br/ 7183/Informese/Obras-e-Reformas/Guaritas-e-portarias-de-condominios.

Referências

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