UMA PROPOSTA DE SIG NO PLANEJAMENTO E ACOMPANHAMENTO DE
CANTEIROS DE OBRAS
A PROPOSAL USE OF GIS IN PLANNING AND CONSTRUCTION SITE MONITORING
Rafael de Morais da Silva1, Érico Fernando de Oliveira Martins2.Resumo: Este trabalho se propôs a oferecer o uso de Sistemas de Informação Geográfica (SIG) para o planejamento e acompanhamento de canteiros de obras. Para a captura das imagens do canteiro de obras foi utilizado um Vant cujo tempo médio de sobrevoo foi de 5 minutos e para o processamento dessas imagens foi utilizado um serviço de SIG online chamado PrecisionMapper, que processa e gera os produtos fotogramétricos como ortoimagens, Modelos Digitais de Elevação e Modelos texturizados, além de outros produtos. De posse desses produtos as análises ocorreram no SIG offline QGIS. Por meio de três estudos de caso foi possível verificar a relevância desta ferramenta para a engenharia civil, produzindo insumos que possibilitam vários trabalhos posteriores no escritório, de forma a garantir os aspectos de segurança, disposição e estética do canteiro e da obra em si.
Palavras-chave:Vant; pátio de obras; planejamento; implantação; organização.
Abstract: This work proposes to offer for the use of Geographic Information Systems (GIS) for the planning and monitoring of construction sites. For the image capture of the construction site, a Vant whose average flight was 5 minutes and was used and for the processing of these images we used an online GIS service called PrecisionMapper, which processes and generates photogrammetric products such as orthoimages, Digital Elevation Models and Textured Models, as well as others products. From these products the analyzes occurred in the offline GIS, QGIS. Through three case studies it was possible to verify the relevance of this tool for civil engineering, producing inputs that make possible several subsequent work in the office, in order to guarantee the aspects of safety, layout and aesthetics of the construction site and the work itself.
Keywords: Drone; Construction site; planning; implantation; organization. 1 Introdução
Os processos construtivos e gerenciais na Engenharia Civil vêm sofrendo gradativas mudanças influenciados principalmente pelo uso de tecnologias emergentes, que oferecem novas técnicas de produção e aplicação de materiais e novas formas de capturar, processar e interpretar dados sobre o espaço físico que será impactado pela execução da obra. Neste último caso, destacam-se as diferentes aplicações dos dados geoespaciais do tipo vetorial gerados por Sistema Global de Navegação por Satélite - GNSS, por exemplo, e dos dados do tipo raster gerados por plataformas orbitais e mais recentemente por Veículo Aéreo Não Tripulado – VANT. Estes dados são processados prioritariamente em softwares conhecidos como Sistemas de Informação Geográfica – SIG que permitem manipular tais dados e gerar informações a partir deles, a partir desses dados se pode utiliza-los como recurso para gestão e planejamento de canteiro de obras.
A característica espacial tem grande demanda para a aplicação desses recursos na engenharia civil, pois a localização dos eventos é mais importante como em obras de rodovias e monitoramento de barragens devido ao maior impacto que tais construções podem provocar na paisagem no qual ela será construída, devido à redução de custos e aumento de sua autonomia o uso do VANT se intensificou nos últimos anos, o que estimula a busca do potencial desses recursos para gerar dados nos quais permitem agilizar
e expandir os processos de planejamento e gestão no canteiro de obras.
Um canteiro de obra bem gerido trará benefícios para os que ali trabalham e para toda a vizinhança. O planejamento e acompanhamento da organização do canteiro gera economia e minimiza as chances de acidentes. O uso de SIG e dados geoespaciais gerados por VANT neste trabalho se consolida por usar informações capturadas do espaço físico, pois as imagens constituem-se como um registro documental da cena, ao invés de dados simulados. De acordo com Moro (2015) sendo a construção civil uma das atividades que mais movimentam a economia brasileira torna-se necessário a elaboração do projeto de canteiro de obras com alto grau de profissionalismo, o que proporcionará maior segurança aos colaboradores e menor desperdícios. O auxilio desses recursos podem comprovar que serviços e materiais de determinada obra levam em conta a preservação do meio ambiente, elas são requeridas por certificações ou selos sustentáveis onde se pode citar o LEED (LEADERSHIP IN
ENERGY AND ENVIROMENTAL DESIGN) que é um
sistema internacional de certificação e orientação ambiental para edificações e incentiva a transformação de projetos com o foco na sustentabilidade e quem confere as certificações é o Green Building Council Brasil (GBCB).
Em visto que os dados geoespaciais são informações do espaço físico da obra ela possui validade jurídica do registro temporal, onde se podem verificar detalhes
que a primeiro momento não constava no layout original do canteiro de obra, o que permite executar modificações no layout sem a necessidade de se locomover até a obra e sim por analisar as imagens na qual se espera constatar um alto grau de detalhamento.
2 Fundamentação Teórica
2.1Sistemas de Informação Geográfica
O SIG é uma ferramenta poderosa que pode ser definida como o conjunto integrado de dados, hardware e software projetados como um sistema para reunir, gerenciar, mapear e analisar dados geoespaciais (REZAEE, NAYERIPOUR, ROOSTA, & NIKNAM, 2009). O termo geoespacial refere-se à porção explicitamente relacionada com a superfície terrestre ou próximo a ela, sendo também tratado em algumas áreas como dados geográficos (LONGLEY, GOODCHILD, MAGUIRE, & RHIND, 2013). Os dados geoespaciais estão obrigatoriamente dispostos no espaço (georreferenciados) e podem ser categorizados como dados vetoriais e dados matriciais.
Os elementos do tipo vetorial são representados por pontos, linhas e polígonos que por sua vez são constituídos por componente geométrico (bi ou tridimensional) e atributos. Sua forma e localização são descritas pela componente geométrica (normalmente pontos de coordenadas cartográficas ou geodésicas), enquanto os atributos são descritos em estruturas tabulares e se referem a características não espaciais. A ligação entre a componente geométrica e os atributos é feita por meio do Sistema de Gerenciamento de Base de Dados (SGBD) presente nos SIG (DOUCETTE, et al., 2013).
O formato mais popular de dado vetorial é o shapefile, formato de propriedade da empresa Environmental
Systems Research Institute – ESRI, que guarda a
geometria (sem topologia) e os atributos organizados em um conjunto mínimo de três arquivos, com um arquivo principal de extensão .shp que armazena a geometria da feição, outro arquivo de extensão .dbf que abriga os atributos e um arquivo de extensão .shx que faz a relação entre a geometria e os atributos (ESRI, 1998).
Já os dados matriciais, ou simplesmente raster, consistem em uma grade regular de células ou pixels, na qual cada célula possui um valor individual que acabam por descrever objetos do mundo físico por meio de uma representação bidimensional (imagem digital). O conjunto de informações raster são gerados a partir de técnicas fotogramétricas e de sensoriamento remoto (MIKHAIL, BETHEL, & McGLONE, 2001). Os elementos do tipo raster podem ser distribuídos e armazenados em diferentes formatos, sendo o formato GeoTIFF uma opção bastante difundida (VASCONCELLOS, 2002).
Os dados geoespaciais (vetor e raster), podem ser produzidos por meio de coleta em campo com equipamentos como Global Navigation Satellite
System – GNSS, voos com aeronaves tripuladas ou não, plataformas orbitais, etc. Porém, como os custos para gerar estes dados são altos, muitos países os disponibilizam publicamente (de maneira parcial ou completa) por meio de repositórios de dados. Também há iniciativas colaborativas para geração de dados e empresas privadas que exploram o setor. Independente da fonte, a manipulação destes dados é feita via processos presentes nos SIG’s que permitem a visualização, edição e análise de dados georreferenciados. Estes processos irão variar de acordo com o SIG escolhido e sua versão. Atualmente o principal SIG de distribuição gratuita e livre é o
QGIS, enquanto a principal opção comercial é o ArcGIS. O QGIS encontra-se na versão 3.0,
oferecendo integração com outros pacotes desenvolvidos pelo Open Source Geospatial Foundation – OSGeo e o Open Geospatial Consortium – OGC. Já o ArcGIS é desenvolvido pela ESRI e encontra-se na versão 10.6, oferecendo
diferentes valores de licenças.
2.2 SIG na engenharia civil
O SIG na engenharia civil muitas vezes é tratado como sendo uma ferramenta de geotecnologia ou geoprocessamento, pois denota um conjunto de técnicas matemáticas e computacionais para o tratamento de informações geográficas, ou seja, dados geoespaciais, que vem influenciando de maneira crescente as mais diversas áreas da construção civil (NAKAMURA & JÚNIOR, 2010). As geotecnologias estão presentes ao longo de todo o processo construtivo, desde os estudos iniciais de planejamento, passando pela execução e chegando aos procedimentos de manutenção. Maisuria e Rathod (2014) citam o uso de SIG na fase de planejamento como um recurso que auxilia na análise de questões de impacto ambiental, sustentabilidade, gerenciamento de risco em relação ao uso de recursos naturais, roteamento de estradas, entre outros. Já Nakamura e Junior (2010), citam como exemplos de aplicação das geotecnologias na etapa de execução o uso de sensores de posicionamento (inerciais e Sistema de Posicionamento Global – GPS) embarcados em equipamentos de terraplanagem como trator de esteira e niveladoras, que pela precisão alcançada promovem um aumento na produtividade e eliminação de marcações na obra. Já na fase de manutenção os autores definem o SIG como uma peça chave servindo de auxílio nas decisões estratégicas na melhora dos aspectos técnicos do projeto, como na identificação de áreas propensas a patologias em uma estrada devido a intensidade de trafego, ou áreas de risco devido a problemas de drenagem.
Assim, o SIG pode auxiliar diretamente desde a fase de planejamento e por toda a fase de manutenção, ajudando o profissional da construção civil a acompanhar a execução e a fazer um registro em base de dados sobre a obra (MAISURIA & RATHOD, 2014).
2.3 Planejamento e organização no canteiro de obras
A boa gestão do canteiro de obras favorece as ações de instalação e movimento de materiais, equipamentos e profissionais, impactando diretamente na qualidade do espaço de trabalho e contribuindo consequentemente para o cumprimento dos cronogramas definidos para a obra. A gestão do canteiro de obras inclui a fase de planejamento, quando são feitas análises do terreno que receberá as instalações e soluções construtivas e que deve ser projetado para não conflitar com o trânsito de pedestres e veículos leves e pesados, se estendendo pela fase de execução da obra, com o natural remanejamento dos espaços devido a montagem de guaritas, alojamentos, refeitórios e áreas para armazenamento de materiais (BRAGA, 2016).
O principal objetivo no planejamento do canteiro de obras é utilizar o espaço físico disponível da melhor maneira possível e para isso Tommelein (1992) dividiu esse objetivo em duas categorias que são a de alto nível, na qual consiste em manter alta motivação dos colaboradores onde se destaca o fornecimento de boas condições de trabalho em termos de conforto e segurança, e o cuidado no aspecto visual do canteiro como a limpeza que causa impacto a funcionários e clientes. A categoria de baixo nível refere-se a minimizar: distâncias de transporte, tempo de movimentação e manuseio de funcionários e materiais e evitar obstruções de movimento de equipamentos e materiais.
2.3.1 Tipos de canteiro
Conforme Illingworth(1993 apud SAURIN & FORMOSO, 2006), o canteiro de obras podem ser caracterizados em três tipos: restritos, amplos e longos e estreitos conforme no quadro 1.
Tipo Descrição Exemplos Restritos A construção ocupa o terreno completo ou uma alta percentagem deste. Acessos restritos. Construções em áreas centrais da cidade, ampliações e reformas. Amplos A construção ocupa uma parcela relativamente pequena do terreno. Há disponibilidade para acessos para veículos e de espaço para áreas de armazenamento Construção de plantas industriais, conjuntos habitacionais horizontais e outras grandes obras como barragens ou usinas e acomodação pessoal. hidrelétricas. Longos e estreitos São restritos em apenas uma das dimensões, com possibilidade de acesso em poucos pontos do canteiro. Trabalho em estradas de ferro e rodagem, redes de gás e petróleo, e em alguns casos obras de edificações e zonas urbanas. Quadro 1 - Tipos de canteiro, adaptado de Illingworth(1993). O elevado custo em áreas urbanas é um fator preponderante para que o primeiro tipo de canteiro (restrito) seja o mais comum, pois suas edificações tendem a ocupar uma alta percentagem do terreno visando maximizar sua rentabilidade. Devido a esse fator Illingworth (1993 apud SAURIN & FORMOSO, 2006) afirma que os canteiros desse tipo exigem maior cuidado de planejamento.
De acordo com Illingworth (1993 apud SAURIN & FORMOSO, 2006) duas regras são necessárias para o planejamento de canteiros restritos, a primeira recomenda que a obra inicie a partir da divisa mais problemática do canteiro. O principal intuito é evitar a execução de serviços na tal divisa em fases posteriores da obra, os fatores que determinam a criticalidade da divisa podem ser: a existência de um muro de arrimo, vegetação de grande porte ou um desnível acentuado.
A segunda regra aplica-se em obras nos quais o subsolo ocupa grande parte do terreno, o que dificulta a fase inicial da construção a existência de um layout permanente. Devem-se determinar o mais breve possível os espaços utilizáveis no nível térreo para locação e instalações provisórias e de armazenamento, para facilitar a acessibilidade de veículos e pessoas. (SAURIN, 2006).
De acordo com Alves (2012), é necessário ter informações suficientes para aplicar essas regras, elas são advindas de projetos completos e revisados, de um cronograma físico contendo informações sobre volumes e quantidades produzidas, estocadas e transportadas. É necessário o profissional da construção civil possuir as especificações técnicas da obra, conhecer a CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas e a Norma Regulamentadora NR-18 como parâmetros para dimensionamento de áreas de vivência e dados sobre produtividade dos funcionários para dimensionamento da mão de obra.
2.3.2 Legislações referentes ao canteiro de obras A legislação aplicada ao canteiro de obras está diretamente relacionada à NR 18 que estabelece as condições e o meio ambiente de trabalho na Indústria da Construção. Ela garante uma padronização que garante a eficiência e segurança no ambiente em que os trabalhadores estão expostos, nela canteiro de obras refere-se ao ambiente de trabalho da
construção de área fixa ou temporária onde se desenvolvem atividades e operações de apoio e execução de uma obra. Ela é composta por 27 capítulos de como garantir a segurança no trabalho. Pode-se citar a norma NBR-12284 que faz definição de canteiro de obras como áreas determinadas a execução e apoio da construção civil onde são divididas em áreas operacionais e de vivência. A NR 18 tem como finalidade garantir a segurança no trabalho acima de qualquer coisa, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego ela foi atualizada em 2015 é totalmente “vedado o ingresso ou a permanência de trabalhadores no canteiro de obras sem que estejam assegurados pelas medidas previstas na NR 18 e compatíveis com a fase em que a obra se encontra”.
Esta norma regulamentadora exige antes mesmo da mobilização do canteiro de obras que seja feita uma comunicação com a Delegacia Regional do Trabalho, no qual devem constar no documento o endereço da obra, endereço e qualificação do contratante, empregador ou condomínio, tipo da obra, datas de início e conclusão da obra e número máximo previsto de trabalhadores na obra. Como auxilio para cumprimento de suas exigências a NR 18 pode implantar o PCMAT (Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção) e para canteiros que agregarem mais de 20 colaboradores e a norma pode requerer a criação da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes). O não cumprimento dessa norma pode acarretar em inúmeras despesas pessoais e patrimoniais cujas indenizações podem ser bem expressivas.
Apesar de haver no mercado softwares para gestão de canteiros de obras, tais como o Navisworks1 da
Autodesk, o SIG tem um diferencial por oferecer um
conjunto de ferramentas de processamento de dados geoespacial que permite operar com dados coletados na própria obra, ao invés de simulações e modelagem que tentam recriar esse espaço. Esta característica não substitui os softwares existentes, mas uma ferramenta complementar com grande potencial. 3 Metodologia
3.1 Estudo de caso
Foram apresentados três estudos de casos que permitiram avaliar o potencial de uso das ferramentas SIG no planejamento e acompanhamento do canteiro de obras. Os produtos gerados foram avaliados de forma qualitativa e os processos envolvidos tiveram seus custos apurados, a execução de cada um dos três voos teve duração inferior de 5 minutos.
1
https://www.autodesk.com.br/products/navisworks/ove rview
3.2 Equipamentos
Foi utilizado um VANT de asa móvel fornecido pelo Laboratório de Análise de Imagens Digitais – LAID, da Unemat Sinop, que é vinculado com o Grupo de Pesquisa em Análise de Imagens Digitais – GPAID e com o grupo de pesquisa em Tecnologia na Engenharia Civil. O modelo do equipamento é um Phantom 3 Standard, da DJI, no valor de R$ 3.240,00.
3.2 Softwares (SIG)
Para trabalhar com Vant foi necessário definir um software para realizar o planejamento e execução autônoma do voo. Devido a portabilidade estes softwares são encontrados nas lojas dos sistemas operacionais móveis. Apesar da grande oferta de apps para essa finalidade eles apresentam a mesma forma de operação, ou seja, o usuário define a altitude de voo e a área de interesse. A partir dessas informações o aplicativo sugere uma rota de voo sobre a área e configura os parâmetros de velocidade do Vant, disparo da câmera, etc. Um aplicativo com ótimas características é o PrecisionFlight.
Figura 1: Aplicativo de planejamento e execução de voo por Vant.
Aplicativo parte do ecossistema Precision Hawk (https://www.precisionhawk.com) está disponível gratuitamente nas lojas dos sistemas operacionais
Android e iOS, possui também uma versão paga
chamada Precision Flight Pro que oferece um nível maior de personalização nas configurações e a possibilidade de usar informações de terreno (MDE) da sua base de dados para melhorar o plano de voo. Não oferece a opção de montar o plano de voo pelo site do serviço.
Figura 2: Interface do aplicativo PrecisionFlight. Fonte: PrecisionFlight.
Após a execução do voo, as imagens coletadas foram processadas para gerarem os insumos cartográficos desejados. O serviço de processamento fotogramétrico e SIG nas nuvens oferecido pela
Precision Hawk é o PrecisionMapper. Ao se cadastrar
como usuário a licença padrão é a PrecisionMapper
por mês, com um limite de 300 gigabytes de imagem. Na versão PrecisionMapper Profissinal não há limites. A Precision Hawk também disponibiliza o software
PrecisionViewer para computadores Windows e Mac,
não exigindo uma licença paga específica para utilizá-lo. O PrecisionViewer possui recursos para gerenciar e agilizar o upload das imagens para o processamento em nuvem, além de permitir a definição de pontos de controle. Outro software relevante para o trabalho foi o QGIS, Sistema de Informação Geográfica stand-alone com licença gratuita e de código aberto.
4 Resultados e análises
4.1 Estudo de caso 1
O primeiro estudo de caso foi um ensaio de confecção de layout para canteiro de obra. Para simular a demanda foi utilizando um terreno já delimitado por tapumes, mas ainda sem canteiro organizado, localizado nas margens da avenida Bruno Martini no município de Sinop-MT. A área foi sobrevoada com o Vant nas seguintes configurações: altitude de 30 metros, velocidade de 10 m/s e 70% de sobreposição das imagens capturadas. Foram capturadas 117 imagens, que processadas no PrecisionMapper e
geraram um ortomosaico de 31.008 metros quadrados. Foi feito então o download do ortomosaico para edição off line no QGIS, sendo então geradas as limitações do imóvel a partir das divisas dos tapumes e determinada a área na qual o layout do canteiro de obras deveria ser definido.
Figura 3: Imagem do ortomosaico com limitações definidas pelo QGIS. Fonte: acervo próprio, 2018.
O ortomosaico no QGIS permite ao profissional da construção civil ter dados sobre dimensões básicas referentes a área que o canteiro de obras deve ser executado, conforme os dados acima o terreno totaliza uma área de 4.637,189 metros quadrados. Então, porém para fins de pesquisa, foi planejada a composição do layout e de seus elementos, explorando as diferentes configurações de composição do canteiro de obras.
Conforme Illingworth (1993 apud SAURIN & FORMOSO, 2006) salienta, o tipo de canteiro adotado é o restrito, devido a área onde será executado o
empreendimento se localizar em área urbana do município de Sinop-MT. O SIG auxilia na elaboração do canteiro em sua fase preliminar conforme descrito por SAURIN (2006), como as informações sobre o terreno e o entorno da obra, conforme ilustrado nas figuras 4 e 5:
Figura 4: Imagem no entorno do empreendimento: Fonte: acervo próprio, 2018.
Como parte do estudo preliminar, o SIG proporciona ao profissional da construção civil uma visão ampla de todo o entorno do canteiro de obras. Pode-se avaliar a existência de infraestrutura hidro sanitária, além de acesso a rede de alta tensão.
Figura 5: Imagem do tráfego no entorno do empreendimento Na Figura 5 nota-se que não há presença de árvores na calçada e que o trânsito é intenso. Todos estes dados auxiliam na criação do cronograma físico da obra, este cronograma é fundamental para a elaboração do layout, pois ele apresenta todas as etapas da obra, estima à duração de todas as fases, necessidade de recursos e alocação de materiais de maneira simultânea além de prazos para liberação de áreas no canteiro. Outro auxílio que o ortomosaico, juntamente com a ferramenta de SIG, pode oferecer na etapa preliminar como descreve SAURIN (2006) é a vistoria nas edificações vizinhas conforme na figura 6:
Figura 6: Imagem ampla do entorno do empreendimento: Fonte: Acervo próprio, 2018.
Como se pode observar, não há nas proximidades do canteiro de obras residências que fazem divisa com o terreno a ser construído, por outro lado a partir desses dados o profissional da construção civil pode realizar um estudo de avaliação estrutural nas construções vizinhas para saber quais atividades poderão ser executadas no canteiro de obras, esta avaliação unida ao registro de imagens servem como auxilio jurídico para qualquer transtorno que envolva a obra ao longo de seu cronograma e danos estéticos ou estruturais na sua vizinhança.
Enfim, com a finalidade de melhorar a acessibilidade de pessoas, materiais e sua localização o layout ou disposição dos elementos do canteiro de obras deve ser bem planejado. Conforme Krajewski Ritzman (1993, apud SAURIN 1997) reforçam a importância da tomada de decisões referentes ao arranjo físico de um local, que são formados por centros de atividades. Com o auxílio do SIG por meio de feições do tipo vetorial, é possível dispor os elementos do layout como demostra a Figura 7.
Figura 7: Disposição dos elementos no canteiro de obras. Fonte: Acervo próprio, 2018.
A imagem 7 mostra o resultado do uso das ferramentas como o SIG e as imagens geradas por VANT que facilitam a visão do engenheiro para melhor disposição dos elementos do layout do canteiro de obras. A disposição acima foi realizada visando à redução de transportes de materiais e pessoas, em visto que se trata de uma avenida, foram inseridos dois portões com entrada (elemento 1) e saída (elemento 2) diferentes o que proporciona maior agilidade ás atividades de carga e descarga, as centrais de atividades referentes à produção (elementos 3,4,5 e 6 respectivamente) como: concreto, argamassa, armadura e carpintaria estão posicionadas próximas as centrais de apoio (elementos 7 e 8) à produção como estoques de agregados e a central de resíduos. Também foram posicionados ramais de água e energia (elemento 9), guarita (elemento 10) e o escritório administrativo (elemento 11) com instalações sanitárias, de acordo com Dantas (2004), os elementos de apoio administrativo devem estar próximos aos elementos ligados ao apoio de produção para manter um maior controle das atividades executadas como se pode observar o almoxarifado (elemento 12) próximo do escritório.
A NR-18 recomenda a instalação de áreas de vivência (elementos 13 á 20) para suprir as necessidades humanas básicas dos colaboradores como higiene, alimentação e convivência, o layout executado com
auxílio do SIG foi posicionado elementos como alojamento para descanso dos trabalhadores, vestiário com instalações sanitárias (elementos 13 e 14), a NR-18 recomenda 1 lavatório, 1 vaso sanitário, 1 mictório para cada 20 trabalhadores e 1 chuveiro para 10 trabalhadores, a seguir foi posicionado um ambulatório (elemento 15) e lavanderia (elemento 16) próximos cozinha (elementos 17 e 18). O refeitório (elemento 19) que de acordo com a NR-18 não depende do número de trabalhadores a sua instalação é obrigatória, para atividades de lazer pode ser utilizado o refeitório e próximo a ele (elemento 20) a sala de treinamentos, esses elementos assegurados por norma estão posicionados próximos um do outro formando a área de vivência o que reduz o cansaço e desgaste dos trabalhadores e reflete diretamente na produtividade. Os elementos no centro do ortomosaico é a área a ser construída (elementos 21,22 e 23) e entre essa área e a central de produção se posiciona a central de transporte (elemento 24) que podem ser com ou sem decomposição de movimento.
4.2 Estudo de caso 2
Um segundo voo foi feito em uma área recém-aberta no bairro Aquarela das Artes, constituindo o segundo estudo de caso. Com altitude de voo em 50 metros foram coletadas 34 imagens que recobriram uma área de 4.400 metros quadrados.
Figura 8: disposição dos elementos no canteiro de obras. Fonte: Acervo próprio, 2018.
Este mosaico constitui a informação mais recente da área (Figura 9). Nos globos virtuais (Google Maps, Microsoft Maps, etc) não aparece as vias delimitadas e na base de dado municipal as vias não são georreferenciadas.
Figura 9: Ortomosaico sobreposto na imagem do Google Maps. Fonte: Acervo próprio, 2018.
O ortomosaicos permitiu ainda realizar medições de comprimentos e volumes da obra tanto no interior, quanto no canteiro da obra.
Figura 10: Recorto do ortomosaicos destacando a obra. Fonte: Acervo próprio, 2018.
O SIG PrecisionMapper ainda foi capaz de gerar um mapa de elevações (Figura 11), que poderia ser levado em conta no momento de definir o local para os insumos da obra, garantindo que os mesmos fiquem numa parte elevada do terreno.
Figura 11: Mapa de elevação da área coberta pelo Vant: Acervo próprio, 2018.
Assim, este segundo estudo de caso demonstrou derivados do ortomosaicos possuem grande relevância para o planejamento e organização do canteiro e do entorno da obra.
4.3 Estudo de caso 3
O terceiro estudo de caso ocorreu em uma área com várias edificações já estabelecidas. Foi realizado o voo com altitude de 30 m, recobrindo uma área de 13.800 m² com 53 imagens.
Neste estudo de caso, além do ortomosaicos (Figura 12), foi gerado no PrecisionMapper um modelo digital de elevação (Figuras 13).
Figura 12: Ortomosaico do terceiro estudo de caso. Fonte: Acervo próprio, 2018.
(a)
(b)
(c)
Figura 13: Modelo digital de elevação com representação das construções. Acervo próprio, 2018.
A partir deste modelo digital de elevação é possível realizar medidas tridimensionais que podem embasar a decisão do engenheiro civil em relação a disposição do canteiro de obras e a vizinhança.
Um uso estético possível é a inserção do modelo tridimensional da edificação do cliente no próprio modelo da vizinhança, gerando uma representação mais realística do imóvel.
5 Conclusão
Neste trabalho procurou-se apresentar uma nova abordagem de planejamento e acompanhamento de canteiro de obras utilizando os produtos gerados pelo SIG a partir de imagens coletadas por Vant. Por meio de três experimentos foi possível verificar o dinamismo oferecido a partir da coleta das imagens. A execução de cada um dos três voos teve um tempo inferior a 5 minutos e geraram produtos cartográficos que possibilitaram planejar no SIG a disposição dos itens no canteiro de obra, as áreas mais elevadas do canteiro, bem como a geração de modelos tridimensionais para estudos de impacto da obra na vizinhança. Assim, é notório o beneficio oferecido pela adoção de tal solução na gestão de obras, no entanto o engenheiro deve fazer um estudo de demanda para verificar se compensa em relação ao custo das licenças anuais dos serviços de SIG online, como o
PrecisionMapper, que são os responsáveis por
oferecer produtos fotogramétricos de alto nível à profissionais de outras áreas.
Por fim sugere o uso desses recursos para estudos futuros na elaboração de um cronograma físico-financeiro de um empreendimento e realizar analises quantitativas com comparações com métodos tradicionais de planejamento e organização de canteiro de obras, assim como uso do software para calculo de volumes de insumo para estimar em qual etapa a obra se encontra e se há necessidade de se adquirir nova demanda de materiais.
Agradecimentos
Agradeço primeiramente a Deus por ter me dado o dom da vida, pelas bênçãos e proteção durante minha caminhada ate aqui.
Á minha família, principalmente a minha mãe Alcioni Machado de Morais pelo amor, apoio e dedicação nas adversidades e provações. A minha tia Aguina Machado de Morais que sempre me estendeu a mão quando precisei e nunca mediu esforços para que eu alcançasse meus objetivos e a todos aqueles que
mesmo não citados contribuíram de alguma forma para minha formação.
Agradeço ao meu orientador professor Dr. Érico Fernando de Oliveira Martins por todo tempo, esforço e conhecimento compartilhado, assim como todo suporte fornecido pelo Laboratório de Análise de Imagens Digitais – LAID e ao professor Dr. Carlos Antonio da Silva Junior pelo empréstimo do equipamento Vant, materiais estes fundamentais para a realização desse trabalho.
Agradeço á Universidade do Estado do Mato Grosso – UNEMAT e os membros que a compõe como professores e técnicos que foram importantes para minha formação como pessoa e profissional.
E por fim agradeço aos meus amigos que fizeram parte dessa trajetória. Adriana Nunes de Souza Rodriguês, Joaci Alexandre da Silva e Denise Santos Serpa por todo companheirismo.
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