DEPARTAMENTO ACAD ˆEMICO DE EL ´ETRICA CURSO DE ENGENHARIA EL ´ETRICA
LUCAS FERNANDO FERREIRA
MODELAGEM LONGITUDINAL, CONTROLE E
REDUC
¸ ˜
AO DO CONSUMO ENERG ´
ETICO DE UM
VE´ICULO EL ´
ETRICO
TRABALHO DE CONCLUS ˜AO DE CURSO
PATO BRANCO 2017
LUCAS FERNANDO FERREIRA
MODELAGEM LONGITUDINAL, CONTROLE E
REDUC
¸ ˜
AO DO CONSUMO ENERG ´
ETICO DE UM
VE´ICULO EL ´
ETRICO
Trabalho de Conclus ˜ao de Curso de graduac¸ ˜ao, apresentado `a disciplina de Trabalho de Conclus ˜ao de Curso 2, do Curso de Engenharia El ´etrica da Coordenac¸ ˜ao de Engenharia El ´etrica -COELT - da Universidade Tecnol ´ogica Federal do Paran ´a - UTFPR, C ˆampus Pato Branco, como requisito parcial para obtenc¸ ˜ao do t´ıtulo de Engenheiro Eletricista.
Orientador: Prof. Dr. Jean Patric da Costa
PATO BRANCO 2017
O Trabalho de Conclus ˜ao de Curso intitulado MODELAGEM LONGITUDINAL, CONTROLE E REDUC¸ ˜AO DO CONSUMO ENERG ´ETICO DE UM VE´ICULO EL ´ETRICO do acad ˆemico Lucas Fernando Ferreira foi considerado APROVADO de acordo com a ata da banca examinadora N◦ 171 de 2017.
Fizeram parte da banca examinadora os professores:
Prof. Dr. Jean Patric da Costa
Prof. Dr. Diego Rizzotto Rossetto
Prof. Dr. Rafael Cardoso
Dedico este trabalho aos meus pais, Donizete V. Ferreira e Clarinha S. L. Ferreira, a minha namorada, Jana´ına S. Dias, e a meu irm ˜ao, F ´abio V. Ferreira (in memoriam), que foram essenciais por est ´a trajet ´oria.
Agradec¸o primeiramente a Deus, que me deu forc¸a e sabedoria para compreender e absorver os desafios, que em certos momentos pareciam intranspon´ıveis que est ´a caminhada proporcionou, e saber que a dor ´e um estado moment ˆanea para concretizac¸ ˜ao deste importante passo em minha vida.
Dedico este trabalho aos meus pais, Donizete V. Ferreira e Clarinha da S. L. Ferreira, que proveram todos os recursos financeiros com minha educac¸ ˜ao at ´e hoje, privando muitas vezes de suas necessidades pessoais, e principalmente proveram o car ´ater, n ˜ao importando as justificativas, sempre ser uma pessoa correta e integra. A minha namorada, Jana´ına S. Dias pelo companheirismo e afeto desde o per´ıodo de cursinho pr ´e-vestibular at ´e a graduac¸ ˜ao se manteve firme ao meu lado. Ao meu irm ˜ao, F ´abio V. Ferreira (in memoriam), fonte de inspirac¸ ˜ao de luta e determinac¸ ˜ao.
Gostaria de manifestar a minha imensa gratid ˜ao ao professor orientador Dr. Jean Patric da Costa, no in´ıcio da iniciac¸ ˜ao cient´ıfica, onde at ´e eu duvidava se conseguiria executar este projeto, se mostrou firme e paciente, dando todo o respaldo necess ´ario. Agradec¸o `a banca deste trabalho pelas cr´ıticas e conselhos que em muito contribu´ıram para este trabalho.
Agradec¸o aos meus colegas de faculdade que encontrei durante esta caminhada: pelo apoio, sugest ˜oes de melhorias e companheirismo que me ajudaram n ˜ao apenas no ˆambito acad ˆemico, mas tamb ´em pessoal.
Agradec¸o `a Universidade Tecnol ´ogica Federal do Paran ´a (UTFPR-PB) pelo apoio educacional, se consolidando como um n ´ucleo de excel ˆencia no ensino. Agradec¸o o apoio financeiro disponibilizado pela Diretoria de Relac¸ ˜oes Empresariais e Comunit ´arias (DIREC) da UTFPR-PB para apresentar este trabalho em forma de resumo expandido no 13º Sal ˜ao Latino-Americano de Ve´ıculos H´ıbridos-El ´etricos, Componentes e Novas Tecnologias que aconteceu em S ˜ao Paulo-SP.
existe, e est ´a dispon´ıvel apenas quando algu ´em est ´a num estado em que sabe exatamente o que quer, e est ´a totalmente determinado a n ˜ao desistir at ´e conseguir.”
RESUMO
FERREIRA, Lucas Fernando. Modelagem longitudinal, controle e reduc¸ ˜ao do consumo energ ´etico de um ve´ıculo el ´etrico. 2017. 70 f. Trabalho de Conclus ˜ao de Curso - Curso de Engenharia El ´etrica, Universidade Tecnol ´ogica Federal do Paran ´a. Pato Branco, 2017.
O aumento da competitividade, sustentabilidade e a diminuic¸ ˜ao do ciclo de desenvolvimento imp ˆos `a ind ´ustria automobil´ıstica, junto aos centros de pesquisa, a investir na simulac¸ ˜ao para novos produtos. Com essa ferramenta desenvolvida, pode ser feito uma intervenc¸ ˜ao precoce ainda na fase de projeto, sem ter que conceber o prot ´otipo. Os m ´etodos propostos de simulac¸ ˜ao s ˜ao implementados baseados na din ˆamica veicular, que de forma geral trata da relac¸ ˜ao entre o ve´ıculo, o ambiente onde est ´a se trafegando e aos comandos impostos pelo condutor. As informac¸ ˜oes extra´ıdas da simulac¸ ˜ao foram carregadas no algoritmo desenvolvido, que retornou informac¸ ˜oes num ´ericas e gr ´aficos no software utilizado. Os resultados apresentados no modelo computacional mostraram a depend ˆencia dos par ˆametros do ve´ıculo (massa e relac¸ ˜ao de engrenagem) e os comandos do condutor, com a efici ˆencia energ ´etica. J ´a o dimensionamento do motor, foi levado em considerac¸ ˜ao o balanc¸o entre motor e relac¸ ˜ao de engrenagem do prot ´otipo, respeitando os valores de pot ˆencia, conjugado e velocidade angular nominais do motor. Por fim, o modelo computacional resultante deste trabalho, foi utilizado para o aumento da efici ˆencia energ ´etica de um ve´ıculo el ´etrico, onde os resultados adquiridos verificaram a viabilidade e validade da abordagem.
Palavras-chave: Algoritmo. Sistemas de Controle. Din ˆamica Longitudinal. Efici ˆencia Energ ´etica. Modelagem. Ve´ıculo El ´etrico.
FERREIRA, Lucas Fernando. Longitudinal modeling, control and reduction of the energy consumption of an electric vehicle. 2017. 70 f. Course Completion Work - Electrical Engineering Course, Federal Technological University of Paran ´a. Pato Branco, 2017.
The increase in competitiveness, sustainability and the reduction of the development cycle forced the auto industry, together with the research centers, to invest in simulation for new products. With this tool developed, an early intervention can be made even in the design phase, without having to conceive the prototype. The proposed simulation methods are implemented based on vehicle dynamics, which generally deals with the relationship between the vehicle, the environment where it is traveling and the commands imposed by the driver. The information extracted from the simulation was loaded in the developed algorithm, which returned numerical information and graphs in the used software. The results presented in the computational model showed the dependence of the vehicle parameters (mass and gear ratio) and the driver’s commands, with energy efficiency. As for the motor design, the balance between the motor and the gear ratio of the prototype was taken into consideration, respecting the nominal power, torque and rated speed of the motor. Finally, the computational model resulting from this work was used to increase the energy efficiency of an electric vehicle, where the acquired results verified the feasibility and validity of the approach. Keywords: Algorithm. Control System. Longitudinal Dynamics. Energy Efficiency. Modeling. Electric Vehicle.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Uma mulher usa um carregador de bateria para carregar o
autom ´ovel el ´etrico Columbia Mark 68 Victoria, c.1912. . . 17
Figura 2: Comparac¸ ˜ao da energia da gasolina e bateria de chumbo- ´acido. 19 Figura 3: As principais composic¸ ˜oes de baterias para VE. . . 20
Figura 4: Consumo mundial de petr ´oleo em 2014. . . 20
Figura 5: Oferta interna de energia el ´etrica - 2015 (%). . . 22
Figura 6: Participac¸ ˜ao dos tributos sobre autom ´oveis no prec¸o ao consumidor em alguns pa´ıses - 2016. . . 23
Figura 7: Equipes de efici ˆencia energ ´etica. . . 24
Figura 8: Sistemas de coordenadas do ve´ıculo normatizadas pela SAE. . 25
Figura 9: Sistema de controle do ve´ıculo: malha aberta. . . 26
Figura 10: Sistema de controle do ve´ıculo: malha fechada. . . 26
Figura 11: Diagrama de forc¸as longitudinais que agem no plano inclinado em um carro. . . 29
Figura 12: Inclinac¸ ˜ao da pista. . . 30
Figura 13: Esquem ´atico de um motor el ´etrico de corrente cont´ınua. . . 30
Figura 14: Planta do carro. . . 32
Figura 15: Diagrama de blocos do controlador PID. . . 33
Figura 16: Kart ´odromo Ayrton Senna, S ˜ao Paulo-SP. . . 34
Figura 17: Diagrama geral do modelo computacional. . . 34
Figura 18: Diagrama do algoritmo da volta ultra. . . 35
Figura 19: Modelo matem ´atico deduzido do VE. . . 36
Figura 20: Blocos Simscape da transmiss ˜ao, motor e ve´ıculo. . . 36
Figura 21: Blocos Simscape da unidade motriz. . . 37
Figura 22: Blocos Simscape da transmiss ˜ao. . . 37
Figura 25: Velocidades de refer ˆencia constante e vari ´avel que ser ˜ao usadas como entradas do modelo. . . 41 Figura 26: Comparac¸ ˜ao dos modelos matem ´aticos do VE. . . 42 Figura 27: Curvas geradas pelo algoritmo da primeira e segunda volta do
VE. . . 43 Figura 28: Consumo energ ´etico m ´edio em func¸ ˜ao da variac¸ ˜ao da massa e
entrada do sistema. . . 44 Figura 29: Consumo energ ´etico m ´edio em func¸ ˜ao da variac¸ ˜ao da relac¸ ˜ao
de engrenagem e entrada do sistema. . . 45 Figura 30: Curvas geradas pelo algoritmo da primeira volta de n=1/12 e
n=1/10, considerando a entrada 3. . . 46 Figura 31: Curvas geradas pelo algoritmo da segunda volta de n=1/12 e
n=1/10, considerando a entrada 3. . . 47 Figura 32: Tela gerada pelo algoritmo comparando as relac¸ ˜oes de
engrenagem 1/10 e 1/12, considerando a entrada 3. . . 47 Figura 33: Sess ˜ao ultra eficiente em comparac¸ ˜ao com a sess ˜ao 1. . . 48 Figura 34: Tela da sess ˜ao ultra eficiente. . . 48 Figura 35: Distribuic¸ ˜ao das curvas geradas pelo algoritmo dos melhores
setores armazenados para construc¸ ˜ao da volta um e dois. . . . 49 Figura 36: Tela da volta ultra eficiente gerada pelo algoritmo. . . 50 Figura 37: Par ˆametros para dimensionamento do motor el ´etrico. . . 51 Figura 38: Requisitos para dimensionamento do motor el ´etrico. . . 51
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
FT Func¸ ˜ao de Transfer ˆencia. MCI Motor de Combust ˜ao Interna. PID Proporcional-Integral-Derivativo.
SAE Sociedade de Engenheiros Automotivos. VCI Ve´ıculo de Combust ˜ao Interna.
1 INTRODUC¸ ˜AO . . . 13 1.1 MOTIVAC¸ ˜AO . . . 13 1.2 OBJETIVOS . . . 14 1.3 ESCOPO DA MONOGRAFIA . . . 14 2 REVIS ˜AO DA LITERATURA . . . 16 2.1 VE´ICULO EL ´ETRICO . . . 16
2.1.1 Decl´ınio dos ve´ıculos el ´etricos . . . 17
2.1.2 Ascens ˜ao dos ve´ıculos el ´etricos . . . 20
2.1.3 Competic¸ ˜oes de efici ˆencia energ ´etica . . . 23
2.2 MODELO COMPUTACIONAL . . . 23
2.2.1 Din ˆamica veicular . . . 24
2.2.2 Controle longitudinal . . . 26
3 METODOLOGIA . . . 28
3.1 MODELAGEM LONGITUDINAL . . . 28
3.2 MODELAGEM DO MOTOR EL ´ETRICO . . . 30
3.3 CONTROLE DE VELOCIDADE . . . 32
3.4 MODELO COMPUTACIONAL . . . 33
4 RESULTADOS E DISCUSS ˜AO . . . 40
4.1 COMPARATIVO ENTRE OS MODELOS PROPOSTOS . . . 41
4.2 AN ´ALISE DO MENU . . . 42
4.2.1 Determinac¸ ˜ao da sess ˜ao ultra-eficiente . . . 46
4.2.2 Determinac¸ ˜ao da volta ultra-eficiente . . . 48
4.2.3 Par ˆametros para dimensionamento do motor el ´etrico . . . 50
5 CONCLUS ˜AO E TRABALHOS FUTUROS . . . 53
A.1 BLOCO M0 . . . 60 A.2 BLOCO M1 . . . 61 A.3 BLOCO M2 . . . 62 A.4 BLOCO M3 . . . 63 A.5 BLOCO M4 . . . 64 A.6 BLOCO M5 . . . 65 A.7 BLOCO M6 . . . 66 A.8 BLOCO M7 . . . 67 A.9 BLOCO M8 . . . 68
AP ˆENDICE B - FOLHA DE DADOS DO MOTOR EL ´ETRICO EC 60 . . . 69
1 INTRODUC¸ ˜AO
Em 1830, surgiram os primeiros prot ´otipos de Ve´ıculos El ´etricos (VE), e at ´e o final do s ´eculo XIX j ´a estavam dispon´ıveis comercialmente. Os ve´ıculos el ´etricos tiveram uma boa aceitac¸ ˜ao do mercado, sendo bem sucedido por um certo per´ıodo, superando muitas outras ideias t ´ecnicas que surgiram na ´epoca. No entanto, os ve´ıculos el ´etricos n ˜ao tiveram o enorme sucesso dos Ve´ıculos de Combust ˜ao Interna (VCI), que possu´ıam autonomia muito superior e de f ´acil reabastecimento. Os VEs possu´ıam baterias de chumbo- ´acido nessa ´epoca, autonomia reduzida e longo tempo de carregamento. As preocupac¸ ˜oes de hoje sobre o meio ambiente, em particular o ru´ıdo e as emiss ˜oes de gases de escape, aliados aos novos desenvolvimentos em baterias e c ´elulas de combust´ıvel, colocam os ve´ıculos el ´etricos novamente em evid ˆencia no mercado mundial. Portanto, ´e importante que os princ´ıpios por tr ´as do projeto de ve´ıculos el ´etricos, as quest ˜oes tecnol ´ogicas e ambientais relevantes sejam bem compreendidos e estejam alinhadas para que seu desenvolvimento atenda o anseio da sociedade.
1.1 MOTIVAC¸ ˜AO
No que tange as equipes de efici ˆencia energ ´etica da Universidade Tecnol ´ogica Federal do Paran ´a (UTFPR-PB), a medic¸ ˜ao do consumo energ ´etico somente era aferido depois da confecc¸ ˜ao do prot ´otipo e posto em bancada ou em pista. Assim, ter um modelo computacional que retorne essa informac¸ ˜ao ainda na fase de projeto, torna-se bastante atrativo. Por ´em na literatura pesquisada, existem poucas refer ˆencias que contemplam todas as etapas deste projeto, at ´e mesmo por ser um assunto pouco estudado devido alguns fatores que ser ˜ao abordados nos pr ´oximos cap´ıtulos. Assim, este trabalho vem contribuir com a equipe e a comunidade acad ˆemica, no sentido de estudar o problema proposto desde a fase da simulac¸ ˜ao (processamento), que ir ´a medir (simulac¸ ˜ao) algumas vari ´aveis do ve´ıculo, at ´e a fase de execuc¸ ˜ao do algoritmo (p ´os-processamento), que ir ´a realizar o tratamento das informac¸ ˜oes colhidas, com o prop ´osito de aumentar a efici ˆencia energ ´etica do ve´ıculo el ´etrico. Alguns autores preferem dar foco na parte construtiva, estudando a melhor posic¸ ˜ao do motor el ´etrico no ve´ıculo, como (TANAKA, 2013), ou um estudo
1.2 Objetivos 14
em controladores modernos, como por exemplo o controle ´otimo aplicado em ve´ıculos h´ıbridos, em (REVOREDO, 2007). Portanto, este trabalho vem complementar os estudos citados, e tamb ´em n ˜ao foi encontrado este tipo de abordagem proposta de p ´os-processamento na literatura pesquisada.
1.2 OBJETIVOS
O objetivo geral ´e discutir alternativas de diminuic¸ ˜ao do consumo energ ´etico a partir de um modelo matem ´atico para um ve´ıculo el ´etrico.
S ˜ao enumerados os objetivos espec´ıficos deste trabalho:
1. Desenvolver um modelo din ˆamico longitudinal com base nas equac¸ ˜oes matem ´aticas do VE;
2. Investigar o comportamento din ˆamico longitudinal do modelo desenvolvido atrav ´es de simulac¸ ˜oes;
3. Comparar o modelo matem ´atico deduzido com o modelo matem ´atico do Simulink®/SimscapeT M;
4. Propor indicadores (pot ˆencia, conjugado e velocidade angular do motor) para o dimensionamento do motor el ´etrico;
5. Desenvolver um algoritmo para diminuir o consumo energ ´etico do VE.
1.3 ESCOPO DA MONOGRAFIA
Este trabalho ´e o primeiro desenvolvido na equipe de efici ˆencia energ ´etica Tubar ˜ao Branco da UTFPR-PB na ´area de ve´ıculos el ´etricos e busca estabelecer um ponto de partida para o desenvolvimento de outros estudos na ´area. Al ´em do levantamento do estado da arte do modelo din ˆamico longitudinal e controle de um ve´ıculo el ´etrico, este trabalho foi norteado pelo desenvolvimento de um algoritmo que levasse em considerac¸ ˜ao as principais caracter´ısticas de um VE para o aumento da efici ˆencia energ ´etica. Por fim, a aplicac¸ ˜ao de uma rotina no algoritmo para determinar o dimensionamento do motor el ´etrico, fundamentado na din ˆamica do ve´ıculo e pista pr ´e-definida.
A monografia ´e estruturada da seguinte maneira: no Cap´ıtulo 2 ´e apresentada uma revis ˜ao da literatura, composta pelos conceitos utilizados. No
Cap´ıtulo 3 s ˜ao mostradas as metodologias utilizadas para encontrar um modelo longitudinal do ve´ıculo, obter o controlador longitudinal e um algoritmo para elevar a efici ˆencia energ ´etica do VE. O Cap´ıtulo 4 mostra a comparac¸ ˜ao entre os modelos propostos da din ˆamica longitudinal, assim como os resultados obtidos atrav ´es da simulac¸ ˜ao e algoritmo implementados. E, por fim, no Cap´ıtulo 5 s ˜ao apresentadas as conclus ˜oes, assim como as propostas para futuros trabalhos. Dois ap ˆendices s ˜ao apresentados ao fim deste trabalho, mostrando as especificac¸ ˜oes t ´ecnicas dos motores citados neste trabalho.
16
2 REVIS ˜AO DA LITERATURA
O embasamento te ´orico traz uma breve revis ˜ao da literatura acerca dos principais temas que o projeto ir ´a abordar: contextualizac¸ ˜ao dos VEs, modelagem computacional, din ˆamica veicular e controle longitudinal.
2.1 VE´ICULO EL ´ETRICO
O primeiro projeto de motor el ´etrico comec¸ou com o h ´ungaro ´Anyos Jedlik em 1828, contudo, o primeiro ve´ıculo el ´etrico foi constru´ıdo por Thomas Davenport em 1835. Os primeiros ve´ıculos el ´etricos da d ´ecada de 1830 usavam baterias n ˜ao recarreg ´aveis. Aproximadamente meio s ´eculo seria decorrido antes de as baterias terem desenvolvido suficientemente para serem usadas em ve´ıculos el ´etricos comerciais. Neste per´ıodo surge o primeiro VCI criado por Karl Benz, por volta de 1885 (ASVREE, 2005).
No final do s ´eculo XIX, com a produc¸ ˜ao em massa de baterias recarreg ´aveis, os ve´ıculos el ´etricos se tornaram amplamente utilizados. Os carros particulares, embora raros, eram bastante propensos a serem el ´etricos, assim como outros ve´ıculos. Na Figura 1 ´e mostrado um t´ıpico ve´ıculo el ´etrico da ´epoca, que apresentava trac¸os das carruagens em seu chassi, onde se fazia um apelo pelo fato de os ve´ıculos poderem ser carregados em sua resid ˆencia como o autom ´ovel el ´etrico Columbia Mark 68 Victoria da Pope Manufacturing Company (MUSEUM, 2011). Um exemplo foi o Departamento de Correios, que testou todos os tr ˆes tipos de transporte para a recolha de correio nas cidades (puxado por cavalos, el ´etricos e a gasolina), embora mais caro do que ve´ıculos puxados por cavalos, ve´ıculos autom ´oveis foram capazes de cobrir a mesma dist ˆancia em menos da metade do tempo, assim foram sendo gradualmente adotadas pelos contratantes de transporte dos correios. Por ´em com a limitac¸ ˜ao de deslocamento que os ve´ıculos el ´etricos possu´ıam, devido as baterias da ´epoca, os VCI comec¸avam a se destacar em dist ˆancias maiores e posteriormente foram adotas de forma integral (SALDO, 2013).
Os anos de 1900 a 1912, foi considerada o ´apice dos ve´ıculos el ´etricos americanos. O ve´ıculo a gasolina estava se desenvolvendo muito rapidamente no
in´ıcio do s ´eculo XX, com o modelo K de Henry Ford em 1906 e mais tarde o modelo T de 1908 criando um verdadeiro desafio para o ve´ıculo el ´etrico norte americano. Mas, de alguma forma, a energia el ´etrica se agarrava a uma certa parcela do mercado at ´e 1920 (OLIVEIRA, 2017).
Figura 1: Uma mulher usa um carregador de bateria para carregar
o autom ´ovel el ´etrico Columbia Mark 68 Victoria, c.1912.
Fonte: (MUSEUM, 2011).
2.1.1 DECL´INIO DOS VE´ICULOS EL ´ETRICOS
Em v ´arios momentos da hist ´oria o VE era despontado como uma alternativa aos VCI por serem silenciosos e n ˜ao poluentes, por ´em esbarravam em algumas limitac¸ ˜oes em termos de autonomia e recarga, ambas vinculadas a bateria de c ´elula de ´acido e chumbo, tecnologia limitada da ´epoca. Tanto ´e, que as maiores modificac¸ ˜oes dos VEs atuais est ˜ao relacionadas principalmente `a bateria e a eletr ˆonica empregada dos carros modernos, entretanto a parte construtiva do motor el ´etrico n ˜ao houve modificac¸ ˜oes radicais.
A partir da metade do s ´eculo XX, os carros el ´etricos tiveram um papel discreto na ind ´ustria automobil´ıstica, apesar de uma tentativa de introduzir os ve´ıculos h´ıbridos, uma combinac¸ ˜ao do sistema de trac¸ ˜ao el ´etrico e a combust ˜ao, para suprir a baixa efici ˆencia das baterias e da rede limitada de postos de energia. Apesar do apelo ambiental dos ´ultimos anos, os ve´ıculos h´ıbridos por ter um investimento inicial superior aos VCI, se tornaram economicamente invi ´aveis, assim como ocorreu com os VEs no passado. A hegemonia do mercado continuou com os VCIs, tendo o decl´ınio do VE apontado pelos seguintes fatores(DOE, 2009):
2.1 Ve´ıculo el ´etrico 18
• Encontradas jazidas de petr ´oleo no Estado do Texas, desvalorizando o prec¸o do barril de petr ´oleo, tornando a gasolina uma fonte de energia de baixo custo para o setor de transportes.
• Com as rodovias interligando v ´arias cidades dos EUA, havia a necessidade de ve´ıculos que percorressem grandes dist ˆancias.
• Surgimento da partida el ´etrica para o acionamento dos motores a combust ˜ao interna, eliminando a necessidade da manivela.
• Henry Ford prop ˆos o modelo de produc¸ ˜ao em s ´erie, conhecido como Fordismo. Revolucionando o sistema de produc¸ ˜ao de autom ´oveis da ´epoca, fazendo que o custo de um VCI fosse metade de um VE.
Um fator importante da hegemonia dos VCIs ter se mantido por tanto tempo, relaciona com a energia espec´ıfica 1 proveniente do petr ´oleo e das baterias
dos VEs. Os VCIs utilizam combust´ıveis que variam sua energia espec´ıfica em torno de 9000 Whkg−1, enquanto os VEs utilizam baterias de ´acido-chumbo que possuem energia espec´ıfica de 30 Whkg−1 aproximadamente. Assim, a efici ˆencia do Motor de Combust ˜ao Interna (MCI) e transmiss ˜ao (normalmente cerca de 20%) para um motor a gasolina ´e contabilizado, isto significa que 1800 Whkg−1 de energia ´util (no eixo da
transmiss ˜ao) podem ser obtidos a partir da gasolina. Com uma efici ˆencia do motor el ´etrico de 90%, apenas 27 Whkg−1 de energia ´util (no eixo do motor) podem ser obtidos a partir de uma bateria de chumbo- ´acido (LARMINIE; LOWRY, 2003).
Para ilustrar a Figura 2, com 4,5 litros de gasolina e uma massa de cerca de 4 refer ˆencia, dar ˜ao a um autom ´ovel t´ıpico uma autonomia de 50 km. Para armazenar a mesma quantidade de energia el ´etrica ´util requer uma bateria de ´acido e chumbo com uma massa de cerca de 270 kg. Para aumentar em dez vezes o armazenamento de energia e, portanto, a gama do ve´ıculo do motor a gasolina requer armazenamento para 45 litros de combust´ıvel com uma massa de apenas cerca de 40 kg, enquanto que fazer o mesmo com um ve´ıculo com bateria de chumbo- ´acido requer uma massa de bateria de cerca de 2700 kg.
Atualmente, os VEs utilizam baterias de L´ıtio-´ıon que possuem uma energia espec´ıfica superior, se comparado com as baterias de chumbo- ´acido, como pode ser visto na Figura 3. Assim, utilizando uma bateria de L´ıtio-´ıon nas mesmas condic¸ ˜oes
1’Energia espec´ıfica’ significa energia armazenada por quilograma. A unidade SI normal ´e
Joule por quilograma (Jkg−1). No entanto, esta unidade ´e muito pequena neste contexto, e,
Figura 2: Comparac¸ ˜ao da energia da gasolina e bateria de chumbo-´acido.
Fonte: (LARMINIE; LOWRY, 2003).
do exemplo anterior, a massa de 270 kg utilizando bateria de chumbo- ´acido cairia para 40,5 kg com a bateria de L´ıtio-´ıon, uma reduc¸ ˜ao de 6,5 vezes. Ainda assim, a diferenc¸a da massa de 4 kg de um VCI do VE de 40,5 kg, seria 10 vezes menor aproximadamente, para a mesma pot ˆencia fornecida.
2.1 Ve´ıculo el ´etrico 20
superior aos VCIs, nos pr ´oximos cap´ıtulos ser ´a feita uma discuss ˜ao sobre o efeito da massa na efici ˆencia energ ´etica de um VE.
0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 220 L´ıtio-´ıon
N´ıquel hidreto met ´alico N´ıquel c ´admio Chumbo- ´acido 200 55 60 30
Energia espec´ıfica t´ıpica [Wh/kg]
Figura 3: As principais composic¸ ˜oes de baterias para VE.
Fonte: (ROSOLEM, 2016).
2.1.2 ASCENS ˜AO DOS VE´ICULOS EL ´ETRICOS
A ind ´ustria e o setor de transporte se tornaram ao longo das d ´ecadas extremamente dependentes da energia proveniente do petr ´oleo e seus derivados, tendo s ´o os EUA 21,7% do consumo mundial que equivale a 20 milh ˜oes de barris por dia (Figura 4).
ESTADOS UNIDOS21,7% CHINA12% JAPÃO 4,7% ÍNDIA 4,2% RÚSSIA3,5% ARÁBIA SAUDITA3,5% BRASIL3,5% CORÉIA DO SUL2,7% CANADÁ2,5% ALEMANHA2,5% IRÃ2,2% MÉXICO2,1% OUTROS35,9% CONSUMO MUNDIAL DE PETRÓLEO 92,086 MILHÕES DE BARRIS/DIA
Figura 4: Consumo mundial de petr ´oleo em 2014.
Fonte: (BP Statistical Review of World Energy June 2014, 2015).
para economia global. Sua depend ˆencia de certa forma mostra sua fragilidade, pois fica vulner ´avel as oscilac¸ ˜oes do cen ´ario internacional, principalmente quando se olha para o cen ´ario geopol´ıtico atual, onde as maiores reservas est ˜ao concentradas no oriente m ´edio, regi ˜oes historicamente inst ´aveis politicamente (DOE, 2009).
Segundo (GAZZONI, 2007), com diminuic¸ ˜ao das reservas de petr ´oleo, aumento do custo de extrac¸ ˜ao e descumprimento de contratos torna-se invi ´avel a longo prazo a comercializac¸ ˜ao do petr ´oleo e seus derivados. Assim, encontrar uma fonte de energia renov ´avel que supra essa demanda ´e o desafio deste s ´eculo, para uma transic¸ ˜ao de uma nova matriz energ ´etica mundial, principalmente para a ind ´ustria e o setor de transportes. Nas pr ´oximas d ´ecadas cada vez mais os VCIs ficar ˜ao invi ´aveis economicamente, abrindo o mercado para novas oportunidades de neg ´ocios, sejam autom ´oveis el ´etricos, a hidrog ˆenio ou a g ´as.
As pesquisas com ve´ıculos mais eficientes e sustent ´aveis ganharam forc¸a nas ´ultimas d ´ecadas, devido aos atuais problemas de poluic¸ ˜ao principalmente nos grandes centros urbanos mundiais, onde as emiss ˜oes dos gases dos autom ´oveis est ˜ao associadas a diversas doenc¸as, sobretudo respirat ´orias. Outro ponto negativo ´e o aquecimento global, onde os gases do efeito estufa s ˜ao lanc¸ados na atmosfera, como o mon ´oxido de carbono (CO) e o di ´oxido de carbono (CO2), resultado da
queima de combust´ıveis f ´osseis, contribuindo para o aquecimento t ´ermico da Terra
(COMPANHIA AMBIENTAL DO ESTADO DE S ˜AO PAULO, 2011). V ´arias cidades do mundo
investem em medidas para melhorar a qualidade de vida e mobilidade urbana dos cidad ˜aos. No centro de Londres, medidas como “taxa sobre congestionamento de emiss ˜oes veiculares” reduziram em 20% as emiss ˜oes de CO2 (BEEVERS; CARSLAW,
2005). Em Zurique, est ´a sendo implantado o bonde el ´etrico, um sistema de transporte urbano nas principais vias de acesso, podendo atingir uma malha de transporte superior e com custos inferiores ao sistema atual, baseado no metro. Este modelo j ´a est ´a sendo seguido por outros pa´ıses da Europa (GEROLIMINIS; DAGANZO, 2005). Com o objetivo de reduzir a depend ˆencia dos autom ´oveis, cidades como Zurique e outros munic´ıpios da Europa, criaram planos de compartilhamento de ve´ıculos e normas de emiss ˜oes, enquanto as zonas de baixa emiss ˜ao e as licenc¸as de hor ´ario de entregas contribu´ıram para reduzir a emiss ˜ao de poluentes e o congestionamentos
(NOBIS, 2006).
As fontes de energia mais utilizadas no mundo adv ˆem de fontes n ˜ao renov ´aveis, como carv ˜ao e petr ´oleo, com o cen ´ario internacional desfavor ´avel a estas energias a longo prazo, o Brasil se coloca de forma positiva neste contexto, possuindo
2.1 Ve´ıculo el ´etrico 22
sua matriz energ ´etica de baixo impacto ambiental, sendo 75,5% renov ´avel e deste montante 84,8% h´ıdrica, como podemos ver no Gr ´afico 5.
Não-renováveis; Renováveis; ; Outras Renováveis;
Figura 5: Oferta interna de energia el ´etrica - 2015 (%).
Fonte: (MINIST ´EIO DE MINAS E ENERGIA, 2015) com modificac¸ ˜oes.
O Brasil possui um mercado bastante promissor quando observa-se uma m ´edia de 4,8 habitantes por autom ´ovel e pa´ıses mais desenvolvidos como EUA, Alemanha ou Jap ˜ao possuem quase 1,2 habitantes por autom ´ovel, isso reflete que o Brasil ainda ´e um mercado em expans ˜ao. No Brasil em 2014, a frota de ve´ıculos chegou a 42 milh ˜oes de unidades e a ind ´ustria automobil´ıstica obteve faturamento l´ıquido de R$98 bilh ˜oes (ANFAVEA, 2017), n ´umeros bastante expressivos para economia do pa´ıs, onde este montante representou 23% do PIB industrial daquele ano (MINIST ´ERIO DO DESENVOLVIMENTO, IND ´USTRIA E COM ´ERCIO EXTERIOR, 2014). Neste contexto, existe um espac¸o de mercado para os VEs ocuparem bastante significativo, e a sa´ıda gradativa dos VCIs por falta de competitividade com a elevac¸ ˜ao do prec¸o do petr ´oleo e pol´ıticas ambientais mais restritivas, desponta em um cen ´ario favor ´avel aos VEs.
A eletrificac¸ ˜ao da frota de autom ´oveis brasileira tende a seguir a tend ˆencia mundial, salvo pela morosidade de investimentos p ´ublicos e leis de incentivos aos VEs para sua expans ˜ao de forma mais contundente. O Brasil possui uma carga tribut ´aria nos autom ´oveis muito elevada, como podemos ver no Gr ´afico 6, atualmente os VEs s ˜ao isentos apenas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o que n ˜ao traz uma reduc¸ ˜ao significativa no seu valor final. Com isso, a ind ´ustria automobil´ıstica n ˜ao investe na produc¸ ˜ao nacional de VEs, sendo a maioria dos ve´ıculos importados, agregando ao seu valor as altas taxas de importac¸ ˜ao, perdendo competitividade se comparado aos VCIs. O fen ˆomeno dos VEs j ´a est ´a acontecendo no mundo, onde existe isenc¸ ˜oes fiscais significativas, projetos de leis para proibic¸ ˜ao da produc¸ ˜ao de VCI e incentivos financeiros para seu desenvolvimento, o Brasil vai demorar um pouco
para sair dessa in ´ercia, est ´a mentalidade atrasada ou interesses duvidosos para que nossa ind ´ustria automobil´ıstica nacional enxergue seu grande potencial.
Figura 6: Participac¸ ˜ao dos tributos sobre autom ´oveis no prec¸o ao
consumidor em alguns pa´ıses - 2016.
Fonte: (ANFAVEA, 2017).
2.1.3 COMPETIC¸ ˜OES DE EFICI ˆENCIA ENERG ´ETICA
O mundo caminha para o uso mais racional dos recursos do planeta, foram criadas competic¸ ˜oes ao redor do mundo na busca de reduzir o consumo energ ´etico dos ve´ıculos. Os prot ´otipos de efici ˆencia energ ´etica tornaram destaque atrav ´es das competic¸ ˜oes da Shell Eco-Marathon (Am ´erica, ´Asia e Europa) e a n´ıvel nacional, a Maratona de Efici ˆencia Energ ´etica. Estes autom ´oveis s ˜ao prot ´otipos desenvolvidos por alunos de engenharia com o objetivo percorrer a maior dist ˆancia com o menor consumo de energia, estes carros s ˜ao chamados supermileage.
As equipes de efici ˆencia energ ´etica da Universidade Tecnol ´ogica Federal do Paran ´a (UTFPR-PB) s ˜ao representadas pela equipe Pato a Jato, que utiliza prot ´otipos de combust ˜ao interna, e a equipe Tubar ˜ao Branco, que utiliza prot ´otipos movidos a energia el ´etrica. As equipes e os respectivos ve´ıculos encontram-se na Figura 7.
2.2 MODELO COMPUTACIONAL
O aumento da competitividade, sustentabilidade e a diminuic¸ ˜ao do ciclo de desenvolvimento de produtos imp ˆos a ind ´ustria, junto com os centros de pesquisa a investir nas simulac¸ ˜oes de projetos (XU, 1998). Segundo o autor, quando esta ferramenta era restrita a poucos centros de pesquisa, o processo de desenvolvimento era composto basicamente por um ciclo de tentativa e erro, resultando em processos
2.2 Modelo computacional 24
(a) Pato a Jato (b) Tubar ˜ao Branco
Figura 7: Equipes de efici ˆencia energ ´etica.
Fonte: Autoria pr ´opria.
longos e onerosos. Assim, procurou melhorar o processo com a implementac¸ ˜ao de m ´etodos de simulac¸ ˜ao como sendo uma ferramenta de suporte, representando um aux´ılio para soluc¸ ˜ao de problemas na fase de testes f´ısicos, e que acompanha o desenvolvimento desde a fase de projeto at ´e validac¸ ˜ao do produto.
Particularmente na ind ´ustria automobil´ıstica, esse avanc¸o tecnol ´ogico tem possibilitado estudos mais aprofundados e percepc¸ ˜ao do comportamento dos ve´ıculos para reduc¸ ˜ao de tempo e investimento no ciclo de desenvolvimento. Para
(CAMPBELL, 1998), a modelagem virtual pode ser aplicado por toda e qualquer fase
de desenvolvimento, principalmente em fases iniciais, quando os fen ˆomenos a serem estudados sejam de total conhecimento e seus modelos validados, caso um desses dois quesitos n ˜ao sejam satisfeitos recomenda-se a utilizac¸ ˜ao de testes f´ısicos.
Com isso, o desenvolvimento de um modelo computacional tornou-se bastante razo ´avel seu estudo, pelos in ´umeros benef´ıcios que a ind ´ustria obteve para melhor compreens ˜ao dos fen ˆomenos envolvido em seus prot ´otipos. Portanto, ser ´a estudado a efici ˆencia energ ´etica do VE atrav ´es do modelo computacional proposto, que ser ´a discutido na sec¸ ˜ao 3. A seguir, ser ´a discutido sobre o modelo din ˆamico longitudinal e o controle longitudinal do ve´ıculo.
2.2.1 DIN ˆAMICA VEICULAR
A din ˆamica veicular ´e geralmente dividida em din ˆamica longitudinal, vertical e lateral. Na Figura 8, esses tr ˆes eixos s ˜ao definidos pela norma J 670 (Vehicle Dynamics Terminology ) atrav ´es da (SAE) (SAE, 2008).
Figura 8: Sistemas de coordenadas do ve´ıculo normatizadas pela SAE.
Fonte: (SAE, 2008) com modificac¸ ˜oes.
1. Din ˆamica longitudinal: estuda o movimento longitudinal (x) e rotac¸ ˜oes em torno de (y) em resposta a torques aplicados `as rodas;
2. Din ˆamica vertical: compreende o movimento vertical (z) e as rotac¸ ˜oes em torno de (x) e (y) em func¸ ˜ao de irregularidades do pavimento;
3. Din ˆamica lateral: envolve o movimento lateral (y) e as rotac¸ ˜oes (z) e (x) como resultado da atuac¸ ˜ao no volante.
Neste trabalho, ser ´a abordado somente quest ˜oes relacionadas sobre din ˆamica longitudinal, onde ser ´a objeto de estudo para o desenvolvimento do sistema de controle do ve´ıculo, que ser ´a visto no pr ´oximo t ´opico. Est ´a din ˆamica est ´a relacionada com o movimento de acelerac¸ ˜ao e frenagem do autom ´ovel. Os principais elementos que comp ˜oem a din ˆamica s ˜ao carroceria e o conjunto propulsor (motor, transmiss ˜ao e rodas).
As equac¸ ˜oes f´ısicas b ´asicas do movimento longitudinal do ve´ıculo s ˜ao fundamentais para entender as relac¸ ˜oes causa-efeito entre o motorista, ve´ıculo e solo. Algumas vari ´aveis de entrada s ˜ao:
1. Velocidade de refer ˆencia do ve´ıculo; 2. Inclinac¸ ˜ao do pavimento;
3. Especificac¸ ˜oes do ve´ıculo (por exemplo, resist ˆencia de rolamento, resist ˆencia do ar, massa ou velocidade do vento).
2.2 Modelo computacional 26
A an ´alise dos resultados da simulac¸ ˜ao ´e usada para verificar se as especificac¸ ˜oes do projeto foram satisfeitas, por exemplo:
1. Velocidade; 2. Acelerac¸ ˜ao;
3. Dados de consumo de energia.
2.2.2 CONTROLE LONGITUDINAL
Segundo (OGATA et al., 2003) e (NISE; SILVA, 2002), geralmente ´e utilizado um modelo matem ´atico da din ˆamica do carro adjunto as teorias de controle para implementac¸ ˜ao do controle de velocidade. De acordo com (DORF; BISHOP, 2001) o controle pode ser em malha aberta: a ac¸ ˜ao de controle independe da sa´ıda, como por ser visto na Figura 9. Ainda segundo o autor, pode-se ter a malha fechada: a ac¸ ˜ao de controle ´e dependente da sa´ıda, ou seja, a resposta do sistema ´e corrigida seguindo o valor de refer ˆencia da entrada, de acordo com a Figura 10.
Sistema v3 v2 v1 .. . vk entr adas v sa ´ıdas
Figura 9: Sistema de controle do ve´ıculo: malha aberta.
Fonte: Autoria pr ´opria.
Controle Sistema Dist ´urbios u Sensor vk e v − vsensor entr adas sa ´ıdas
Figura 10: Sistema de controle do ve´ıculo: malha fechada.
Para exemplificar, o controle em malha fechada da velocidade de um carro mais natural ´e o que os seres humanos utilizam, onde o sinal de entrada ´e emitido pressionando-se o acelerador, como resposta o carro desenvolve uma velocidade, que utilizando sensores naturais (vis ˜ao, audic¸ ˜ao e tato) ´e regulado para o valor de velocidade desejado, desde que compat´ıvel com o ve´ıculo utilizado (AGUIRRE, 2004). Com o advento da eletr ˆonica embarcada nos autom ´oveis, atualmente existem atuadores e sensores que fazem esse controle de forma autom ´atica.
Para garantir esse controle de velocidade, ser ´a implementado da seguinte forma: o condutor exerce o controle da velocidade de refer ˆencia vk, que compara com
a velocidade do ve´ıculo vsensor, a diferenc¸a constitui o sinal de erro e. Assim, quando
existir um erro, este sinal ´e inserido no controlador que gera uma tens ˜ao proporcional u, para o motor desenvolver um conjugado para vencer a carga solicitada, em um sistema em malha fechada.
28
3 METODOLOGIA
Primeiramente realizou-se uma investigac¸ ˜ao do estado da arte da efici ˆencia energ ´etica dos VEs buscando informac¸ ˜oes, t ´ecnicas e formas de alcanc¸ar os objetivos propostos por meio eletr ˆonico, artigos cient´ıficos, sites de fabricantes, folhas de dados t ´ecnicos e livros para fundamentac¸ ˜ao te ´orica necess ´aria ao trabalho. O escopo da pesquisa se concentrar ´a nos temas de modelagem din ˆamica longitudinal, sistemas de controle e algoritmo. Em seguida, an ´alises e modelagens ser ˜ao realizadas para escolha da topologia a ser utilizada e seus desempenhos. Para isto, o software MATLAB/Simulink®ser ´a utilizado para implementac¸ ˜ao do modelo matem ´atico adjunto
as teorias de controle do VE. Por fim, para o desenvolvimento do algoritmo ser ´a utilizado o script do MATLAB®, onde receber ´a alguns par ˆametros da simulac¸ ˜ao para
aumentar a efici ˆencia energ ´etica do ve´ıculo.
No cap´ıtulo 2, foi vista como realizar o controle longitudinal de um ve´ıculo, sendo necess ´ario a utilizac¸ ˜ao de um modelo matem ´atico da sua din ˆamica juntamente com a aplicac¸ ˜ao de t ´ecnicas de controle e o modelo computacional. Neste trabalho ´e proposta a concepc¸ ˜ao de um controlador e o desenvolvimento de um algoritmo. Portanto, h ´a a necessidade de se obter um modelo, cujo comportamento se aproxima da din ˆamica do VE e a l ´ogica necess ´aria para implementac¸ ˜ao das rotinas do algoritmo. Este cap´ıtulo apresenta os passos metodol ´ogicos utilizados para a obtenc¸ ˜ao de um modelo que represente a din ˆamica longitudinal do ve´ıculo (Sec¸ ˜ao 3.1), a modelagem do motor el ´etrico (Sec¸ ˜ao 3.2) e tamb ´em a metodologia de concepc¸ ˜ao do controlador de velocidade (Sec¸ ˜ao 3.3), baseado no modelo din ˆamico obtido.
3.1 MODELAGEM LONGITUDINAL
A segunda Lei de Newton ou Princ´ıpio Fundamental da Din ˆamica, expressa o comportamento da din ˆamica longitudinal do ve´ıculo, segundo (OSMAN et al., 2009).
Para acelerar um carro at ´e uma velocidade qualquer, a forc¸a inercial aplicada ´e igual a forc¸a exercida pelo motor `as rodas tracion ´aveis ( ~Fmotor) e as forc¸as resistivas como:
resist ˆencia ao rolamento ( ~Fvisc), resist ˆencia aerodin ˆamica ( ~Faero), resist ˆencia ao aclive
rotativas acelerarem e a forc¸a mec ˆanicas n ˜ao foram consideradas, assim a equac¸ ˜ao resultante, tem-se:
d
dt(M~v) = ~Fmotor− ~Fvisc− ~Faero− ~Fgrav, (1) onde M representa a massa total do ve´ıculo e ~v a sua velocidade longitudinal. Na Figura 11 ´e mostrado o diagrama de corpo livre do ve´ıculo referente `a Equac¸ ˜ao (1).
F
aero
F
motor
F
visc
F
visc
F
grav
Mg
a
Imagem ilustrativaFigura 11: Diagrama de forc¸as longitudinais que agem no plano inclinado em um carro.
Fonte: Autoria pr ´opria.
A forc¸a de resist ˆencia ao rolamento ~Fviscda Equac¸ ˜ao (2) ´e proporcional a fr,
que ´e o coeficiente de resist ˆencia ao rolamento, massa total do ve´ıculo M , gravidade da terra g e inclinac¸ ˜ao do pavimento que o ve´ıculo ir ´a trafegarα.
~
Fvisc = frM g cos(α). (2)
A resist ˆencia aerodin ˆamica ´e uma forc¸a exercida pela barreira que o ar exerce contra o movimento do ve´ıculo, que faz surgir uma zona de alta press ˜ao na frente e baixa press ˜ao atr ´as que empurra no sentido oposto ao movimento. Est ´a forc¸a resistiva depende da densidade do ar ρa, ´area frontal Af, coeficiente aerodin ˆamico CD,
velocidade do ve´ıculo ~v e a componente da velocidade do vento ~vw, como pode ser
visto na Equac¸ ˜ao (3).
~ Faero =
1
2ρaAfCD(~v − ~vw)
2. (3)
Sob um pavimento inclinado, surge uma forc¸a de resist ˆencia (aclive) ou de contribuic¸ ˜ao (declive) ao movimento, dada pela componente horizontal do peso do
3.2 Modelagem do motor el ´etrico 30
ve´ıculo, visto na Equac¸ ˜ao (4). A inclinac¸ ˜ao α da pista por ser vista na Figura 12. ~ Fgrav = M g sen(α). (4) 0 20 40 60 80 100 120 −1.5 −1 −0.5 0 0.5 1 1.5 2 2.5 Tempo [s] Inclinação [º] Inclinação da pista
Figura 12: Inclinac¸ ˜ao da pista.
Fonte: Autoria pr ´opria.
3.2 MODELAGEM DO MOTOR EL ´ETRICO
Na Figura 13 ´e disposto as principiais vari ´aveis de um motor de corrente cont´ınua, com excitac¸ ˜ao de campo constante e acoplado a uma carga, assim representando esquematicamente um VE.
Ra La ei + -e + -ia Tm,θm Jm JL n Campo constante TL,θL Motor
elétrico Engrenagens Veículo
Tb Tj
Figura 13: Esquem ´atico de um motor el ´etrico de corrente cont´ınua.
Fonte: Autoria pr ´opria.
A din ˆamica do ve´ıculo pode ser dividida em parte el ´etrica e mec ˆanica. Esquematicamente a parte el ´etrica do motor ´e descrita pela tens ˜ao de entrada ei,
a bobina, que ´e modelada pela resist ˆencia e indut ˆancia em s ´erie Ra e La, e uma forc¸a
contra-eletromotriz ou tens ˜ao induzida e, proporcional a velocidade do rotor ωm, e por
fim a corrente de armadura do motor ´e denotado pela vari ´avel ia.
torque de in ´ercia e o torque da carga, onde ´e descrita por Tm, Tb, Tj e TL
respectivamente. Em termos do momento de in ´ercia J1eq e atrito viscoso B1eq s ˜ao a
combinac¸ ˜ao motor, carga e trem de engrenagens que est ˜ao referenciadas ao eixo do motor, sendo proporcional a acelerac¸ ˜ao am e velocidade angular ωm respectivamente.
Existe uma depend ˆencia da massa do ve´ıculo com o momento de in ´ercia da carga JLe
o atrito das rodas foi inclu´ıdo com o atrito viscoso BL. A posic¸ ˜ao do motor ´e denotada
por θm e as constantes Km e Kb, que s ˜ao a constante do motor e a constante da
tens ˜ao induzida respectivamente, tendo seus valores dependentes da caracter´ıstica construtiva do motor fornecida pelo fabricante. A relac¸ ˜ao de engrenagem n ´e dada pela relac¸ ˜ao de engrenagens para transfer ˆencia de pot ˆencia `as rodas, dada por N1e N2,
onde n ˜ao foram consideradas as perdas referente as engrenagens (OGATA et al., 2003). A seguir, encontra-se as principais equac¸ ˜oes que modelam o ve´ıculo el ´etrico:
ei(t) = La
dia(t)
dt + Raia(t) + e(t), (5)
Tm(t) = Tb+ Tj+ n TL(t). (6)
A Equac¸ ˜ao (5) ´e obtida utilizando as Leis de Kirchhoff, escrevendo uma equac¸ ˜ao na malha da armadura do motor, em seguida a Equac¸ ˜ao (6) ´e o equil´ıbrio de torques do ve´ıculo (OGATA et al., 2003).
Tm(t) = Kmia(t). (7) Tb(t) = B1eq dθm(t) dt . (8) Tj(t) = J1eq dωm(t) dt . (9) TL(t) = n JLam. (10) e(t) = Kb dθm(t) dt . (11) n = N1 N2 . (12)
3.3 Controle de velocidade 32 JL= M rL2. (13) J1eq = Jm+ N1 N2 !2 J2+ N1 N2 !2 JL. (14) B1eq = Bm+ N1 N2 !2 B2+ N1 N2 !2 BL. (15)
Com base nas Equac¸ ˜oes (7) a (15), foram substitu´ıdas nas Equac¸ ˜oes (5) e (6), aplicando a transformada de Laplace para reproduzir o diagrama de blocos da Figura14. Km LaS+Ra n TL 1 J1eqS+B1eq Kb Ei Ωm − −
Figura 14: Planta do carro.
Fonte: Autoria pr ´opria.
A Equac¸ ˜ao (16) representa a func¸ ˜ao de transfer ˆencia do sistema obtida a partir da planta do ve´ıculo, onde ´e multiplicado a velocidade angular do motor Ωm pelo
fator de convers ˜ao n, resultando na velocidade angular da carga ΩL.
ΩL(s)
Ei(s)
= n Km
(LaJ1eq+ Lan2JL) s2+ (LaB1eq+ RaJ1eq+ Ran2JL) s + RaB1eq+ KmKb
. (16)
3.3 CONTROLE DE VELOCIDADE
Para implementar o sistema de controle em malha fechada do ve´ıculo, representado pela Figura 10, ser ´a escolhido uma estrutura de controle que reduz o erro em func¸ ˜ao das perturbac¸ ˜oes que o sistema possa vir a sofrer, como pode ser visto na Figura 15. Assim a estrat ´egia de controle definida ´e do tipo
proporcional-integral-derivativo (PID), mas existe outras derivac¸ ˜oes como PI e PD, utilizadas pela sua facilidade de implementac¸ ˜ao (CAMPOS; TEXEIRA, 2010).
P Kpe(t) I KIR e(t)dt D Kde(t)dt P e(t) + + + u(t)
Figura 15: Diagrama de blocos do controlador PID.
Fonte: Autoria pr ´opria.
Segundo (OGATA et al., 2003), a ac¸ ˜ao de controle PID no dom´ınio do tempo cont´ınuo v∗(t), ´e dada por:
v∗(t) = Kpe(t) + Kd de(t) dt + KI Z t 0 e(φ)dφ, (17)
aplicando a transformada de Laplace, e relacionado a ac¸ ˜ao de controle com o erro, obtemos a func¸ ˜ao de transfer ˆencia dada por:
G(s) = V
∗
E(s) = Kp+ KI
s + Kds, (18)
sendo Kp o ganho proporcional, Kdo ganho derivativo, e KI o ganho integral.
3.4 MODELO COMPUTACIONAL
O trabalho proposto ´e um estudo de efici ˆencia energ ´etica, utilizando um modelo computacional que aumente o consumo de energia atrav ´es de controlador e um algoritmo desenvolvido. A pista onde foram realizadas algumas edic¸ ˜oes da Maratona da Efici ˆencia Energ ´etica pode ser observada na Figura 16. As informac¸ ˜oes retiradas da pista para simulac¸ ˜ao ser ´a: dist ˆancia da pista, inclinac¸ ˜ao do pavimento e velocidade do ve´ıculo, sendo feitas algumas simplificac¸ ˜oes.
Na Figura 17 ´e observado diagrama geral do modelo computacional. As entradas da simulac¸ ˜ao s ˜ao inicializadas pelo usu ´ario do sistema ou pelo algoritmo. A simulac¸ ˜ao ser ´a implementada no ambiente MATLAB/Simulink® atrav ´es dos blocos
3.4 Modelo computacional 34
A
B
C
Legenda: setor 1 setor 2 setor 3Figura 16: Kart ´odromo Ayrton Senna, S ˜ao Paulo-SP.
Fonte: (GOOGLE, 2015) com modificac¸ ˜oes.
Simscape T M 1 e as equac¸ ˜oes da din ˆamica veicular. O controle de velocidade ser ´a
implementado com o software utilizado, de acordo com as teorias de controle, sendo poss´ıvel realizar uma an ´alise pr ´evia do comportamento do ve´ıculo. Por fim, os dados da simulac¸ ˜ao s ˜ao recebidos pelo algoritmo, onde ser ´a processado e definido a sess ˜ao e volta mais eficientes, denominados sess ˜ao ultra e volta ultra, ou o consumo energ ´etico de uma determinada configurac¸ ˜ao do ve´ıculo por exemplo.
variáveis da simulação
Volta ultra
Sessão ultra
Entradas
Simulink
Algoritmo
Figura 17: Diagrama geral do modelo computacional.
Fonte: Autoria pr ´opria.
Para determinar os setores mais eficientes, ´e particionada as voltas e identificando por cores, onde o princ´ıpio b ´asico do algoritmo est ´a exposto na Figura 18. De acordo com a figura anterior, os segmentos AB, BC e CA representam os setores 1, 2 e 3, e a junc¸ ˜ao dos segmentos representam uma volta. J ´a as setas representam o consumo de energia em cada setor e volta correspondente. Assim, o
1’SimscapeT M’ fornece um ambiente para modelar e simular sistemas f´ısicos que abrangem
algoritmo faz uma busca pelo setor 1 e verifica qual voltas possuem o menor consumo energ ´etico daquele setor e armazena essa informac¸ ˜ao, que ´e exemplificado pela vari ´avel setorvolta.n
1 , logo os setores 2 e 3 tem o mesmo princ´ıpio de c ´alculo. Uma
vez com os tr ˆes setores mais eficientes dentre todas as voltas, o algoritmo monta a volta ultra, que ´e a volta criada pelo algoritmo, baseado no menor gasto energ ´etico dos setores. A seguir, para determinar a sess ˜ao mais eficiente, o algoritmo calcula o gasto energ ´etico das in ´umeras sess ˜oes do banco de dados e retorna a mais eficiente, caracterizando asess ˜ao ultra.
A setorvolta.n 1 // setorvolta1 1 (( setorvolta2 1 setor1volta3 B setorvolta.n 2 // setorvolta1 2 '' setorvolta2 2 setorvolta32 C setorvolta.n 3 // setorvolta1 3 (( setorvolta2 3 setorvolta33 A
Figura 18: Diagrama do algoritmo da volta ultra.
Fonte: Autoria pr ´opria.
Para implementac¸ ˜ao do modelo computacional, primeiramente ser ´a necess ´ario definir um modelo matem ´atico confi ´avel. A modelagem atrav ´es da func¸ ˜ao de transfer ˆencia n ˜ao permite fazer uma an ´alise dar partes do ve´ıculo como conjugado ou corrente do motor, fazendo necess ´ario modelos que abordem a din ˆamica mec ˆanico e el ´etrico de forma separada. Na Figura 19 foi implementado o modelo matem ´atico baseado na din ˆamica do motor el ´etrico no programa MATLAB/ Simulink®, onde na
tarja azul encontra-se a implementac¸ ˜ao da func¸ ˜ao de transfer ˆencia (FT) do ve´ıculo e na tarja rosa, encontra-se o diagrama de blocos das equac¸ ˜oes do ve´ıculo, em termos da din ˆamica el ´etrica e mec ˆanica separadas.
Em seguida, ser ´a tratado do modelo matem ´atico atrav ´es das bibliotecas dos blocos do Simulink®/SimscapeT M. Na Figura 20, ´e observado as m ´ascaras dos
componentes: unidade motriz, transmiss ˜ao e ve´ıculo. Na Figura 21, encontra-se a unidade motriz do ve´ıculo, composta por: entradas, malha de controle e motor el ´etrico. Assim, a entrada do modelo pode ser definida pelo usu ´ario ou gerada pelo algoritmo. A malha de controle foi implementada utilizando duas malhas de realimentac¸ ˜ao: corrente e tens ˜ao. O c ´alculo dos ganhos dos controlados foram utilizados a ferramenta de autoajuste do bloco PID Controller do software utilizado. Por fim, ´e modelado o motor el ´etrico, foi adicionado uma saturac¸ ˜ao na entrada, que limita a tens ˜ao fornecida ao motor. Tamb ´em foi adicionado uma saturac¸ ˜ao na sa´ıda que limita a corrente ser
3.4 Modelo computacional 36
Modelo matemático deduzido
Blocos FT
FT
Figura 19: Modelo matem ´atico deduzido do VE.
Fonte: Autoria pr ´opria.
Unidade Motriz
Transmissão
Veículo
Modelo matemático Simscape
Figura 20: Blocos Simscape da transmiss ˜ao, motor e ve´ıculo.
Fonte: Autoria pr ´opria.
positiva, assim desprezando a energia regenerativa do ve´ıculo. N ˜ao sendo objeto de estudo a din ˆamica da bateria n ˜ao foi modelado. Foi considerado as constantes Km e
Kb iguais, assim pot ˆencia el ´etrica absorvida do rotor ´e igual a pot ˆencia mec ˆanica,
n ˜ao sendo consideradas as perdas de energia na convers ˜ao eletromec ˆanica. A transmiss ˜ao do VE ´e modelada como segue na Figura 22. As din ˆamicas envolvidas
Entradas
Entradas Malha de Controle Motor Elétrico
Unidade Motriz
Figura 21: Blocos Simscape da unidade motriz.
Fonte: Autoria pr ´opria.
Transmissão
Figura 22: Blocos Simscape da transmiss ˜ao.
Fonte: Autoria pr ´opria.
com relac¸ ˜ao ao VE, est ˜ao modeladas conforme a Figura 23. No cap´ıtulo 4, ser ´a discutido os resultados entre os modelos matem ´aticos, e ser ´a selecionado o que melhor atende o projeto, caso ambos os modelos convirjam.
O algoritmo proposto tem a func¸ ˜ao de fornecer alguns par ˆametros para inicializar a simulac¸ ˜ao e diminuir o consumo energ ´etico do VE basicamente. O ambiente de desenvolvimento para programac¸ ˜ao ´e o arquivo .m ou script. Na Figura 24 ´e poss´ıvel observar as opc¸ ˜oes do menu do algoritmo.
Na tela de menu, quando selecionado a opc¸ ˜ao 0, poder ´a optar pela pr ´e-simulac¸ ˜ao e ´e-simulac¸ ˜ao. Na pr ´e-´e-simulac¸ ˜ao todas as condic¸ ˜oes iniciais s ˜ao carregadas
3.4 Modelo computacional 38
Veículo
Figura 23: Blocos Simscape do VE.
Fonte: Autoria pr ´opria.
######### Simulador Veículo Elétrico ####### ######### Universidade Tecnológica Federal do Paraná ####### ######### UTFPR - Campus Pato Branco - PR ####### ######### Orientador: Prof. Dr. Jean Patric da Costa ####### ######### Orientando: Lucas Fernando Ferreira #######
0 -> Carregar simulink 1 -> Iniciar 1º sessão 2 -> Iniciar 2º sessão
3 -> Comparar 1º sessão com 2º sessão
4 -> Comparar 1º sessão com sessão ultra eficiente 5 -> Sessao Ultra Eficiente: atualizar referencia de velocidade 6 -> Caixa de Pandora
7 -> Dimensionamento do Motor
8 -> !!!!!!!!! Limpar Banco de Dados ULTRA !!!!!!!!!! -> Pressione qualquer digito restante para sair <-Insira a opção desejada:
Figura 24: Tela inicial do algoritmo.
no workspace ou ´area de trabalho do MATLAB®, para dar in´ıcio execuc¸ ˜ao do simulink. Na segunda tentativa que ´e a etapa de simulac¸ ˜ao, ser ´a realizado um ajuste no tempo de volta, e calibrado os vetores de tempo da inclinac¸ ˜ao da pista e entradas de velocidade 1:5. Assim, a simulac¸ ˜ao pode ser executada e salva, para que seus resultados possam ser analisados pelo algoritmo. As opc¸ ˜oes 1 e 2 s ˜ao para carregar as vari ´aveis da simulac¸ ˜ao para o algoritmo e realizar seu processamento. Portanto ser ´a poss´ıvel fazer uma an ´alise dos dados da sess ˜ao corrente 1 ou 2, em forma de gr ´aficos ou num ´erico para verificar o desempenho energ ´etico. Com isso, tem-se informac¸ ˜oes necess ´arias para comparar cada tem-sess ˜ao, para determinar qual delas apresenta a maior efici ˆencia energ ´etica, bastando digitar a opc¸ ˜ao 3 do menu. Para cada comparac¸ ˜ao realizada, o algoritmo seleciona a sess ˜ao mais eficiente em termos de energia e armazena como vari ´avel sess ˜ao ultra. A opc¸ ˜ao 4 compara a sess ˜ao 1 com a sess ˜ao ultra eficiente, determinando qual possui o menor gasto energ ´etico, e novamente armazena como vari ´avel sess ˜ao ultra a sess ˜ao mais eficiente em relac¸ ˜ao a energia. Uma vez obtida a sess ˜ao ultra, digitando a opc¸ ˜ao 5 atualiza-se a sess ˜ao ultra do banco de dados pela sess ˜ao ultra eficiente determinada, caso tenha o menor gasto energ ´etico, caso contr ´ario mantem o valor inalterado. Na opc¸ ˜ao 6 ´e poss´ıvel visualizar o consumo energ ´etico da sess ˜ao ultra e determinar a volta ultra. Para o dimensionamento do motor el ´etrico, ´e realizado o c ´alculo da pot ˆencia, conjugado e velocidade angular do motor, nos pontos de m ´axima solicitac¸ ˜ao: Pm, Tm e Wm respectivamente, digitando a opc¸ ˜ao 7. Por fim, para inicializar o banco de dados da sess ˜ao ultra e volta ultra ´e selecionado a opc¸ ˜ao 8.
O diagrama do modelo computacional encontra-se no ap ˆendice A e subap ˆendices A.1 at ´e A.9 deste trabalho, onde representa de forma sucinta (n ˜ao abordando todos os passos) da l ´ogica adotada para o desenvolvimento do algoritmo.
40
4 RESULTADOS E DISCUSS ˜AO
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E importante ressaltar que todas as simulac¸ ˜oes realizadas deste trabalho prop ˜oem a melhoria da efici ˆencia energ ´etica do autom ´ovel com velocidade m ´edia de 15 km/h, pavimento inclinado e ser ´a desprezada as acelerac¸ ˜oes laterais. Utiliza-se o software Matlab/Simulink® para resolver as equac¸ ˜oes de movimento do autom ´ovel e
simular o seu desempenho energ ´etico atrav ´es do algoritmo proposto. Para inicializar os par ˆametros da simulac¸ ˜ao ´e utilizado a Tabela 1.
Tabela 1: Constantes para simulac¸ ˜ao do VE.
Dados do projeto S´ımbolo Valor [Unid.]
Indut ˆancia da armadura La 0,273 [mH]
Resist ˆencia da armadura Ra 0,345 [Ω]
Relac¸ ˜ao de engrenagens n 1/10 [ Adim.]
Massa do conjunto (ve´ıculo+piloto) M 60 (20+40) [kg]
Raio da pneu rL 0,3 [m]
In ´ercia do motor Jm 0,0138 [ Nms2]
In ´ercia da engrenagem J2 0,010 [Nms2]
In ´ercia da carga JL 6,3 [Nms2]
Coeficiente de atrito viscoso do motor Bm 0,010 [mNm/rad/s]
Coef. atrito viscoso da engrenagem B2 0,10 [mNm/rad/s]
Coef. atrito viscoso da carga BL 0,30 [mNm/rad/s]
Constante do torque do motor Km 0,1 [ mNm/A]
Constante contra-eletromotriz Kb 0,1 [mNm/A]
Proporcional/Integral/Derivativo P/I/D 10/4/2 [Adim.] Proporcional/Integral/Derivativo P1/I1/D1 10/0/2 [Adim.]
Tens ˜ao da bateria Vbat 24 [V]
Fonte: Autoria pr ´opria.
Para inicializar a simulac¸ ˜ao, al ´em dos par ˆametros carregados ´e necess ´ario carregar as entradas do sistema, que modelam a conduc¸ ˜ao humana. Na Figura 25 ´e exposto as cinco entradas hipot ´eticas que ser ˜ao utilizados para a simulac¸ ˜ao e posteriormente pelo algoritmo para melhorar a efici ˆencia energ ´etica do ve´ıculo.
0 50 100 150 200 250 0 10 20 30 Velocidade de Referência 0 50 100 150 200 250 0 10 20 0 50 100 150 200 250 0 50 0 50 100 150 200 250 0 10 20 30 0 50 100 150 200 250 0 10 20 30 Tempo(s) Velocidade (km/h) Entrada 1 Entrada 2 Entrada 3 Entrada 4 Entrada 5
Figura 25: Velocidades de refer ˆencia constante e vari ´avel que ser ˜ao usadas como entradas do modelo.
Fonte: Autoria pr ´opria.
4.1 COMPARATIVO ENTRE OS MODELOS PROPOSTOS
Na sess ˜ao 3.4, foi abordado os modelos FT, blocos FT e Simscape, sendo objeto de estudo mais aprofundado neste cap´ıtulo. Na Figura 26a, foi comparado as sa´ıdas dos tr ˆes modelos em malha aberta e pavimento plano. Foi utilizado na simulac¸ ˜ao um degrau de tens ˜ao do motor de 24 V, e num segundo momento foi variado essa tens ˜ao. Assim, para estas duas situac¸ ˜oes de tens ˜ao dos modelos n ˜ao apresentaram diverg ˆencia significativa nas suas respostas. Na Figura 26b observa-se o modelo Simscape, onde sua sa´ıda convergiu com o restante dos modelos, quando excitado com uma tens ˜ao constante. J ´a quando o modelo Simscape foi comparado com o modelo FT e blocos FT, houve um pequeno desvio devido a tens ˜ao vari ´avel aplicada aos terminais do motor ter agora uma din ˆamica mais r ´apida no seu comportamento. Cabe ressaltar que o modelo FT e blocos FT foi comparado apenas para efeito de verificac¸ ˜ao, pois s ˜ao oriundos das mesmas equac¸ ˜oes f´ısicas, divergindo apenas da forma que foi manipulado suas equac¸ ˜oes, podendo ter cometido algum erro tendo em vista que n ˜ao foi realizado a validac¸ ˜ao dos modelos.
Por fim, conclui-se de forma geral, ambos os modelos FT, blocos FT e Simscape convergiram e podem ser usados para as demostrac¸ ˜oes deste trabalho que
4.2 An ´alise do menu 42 0 50 100 150 200 250 0 20 40 Tempo [s] T
ensão [v] Tensão de terminal
0 50 100 150 200 250 0 15 30 Tempo [s] V elocidade [km/h]
Velocidade da saída do veículo
Modelo Simscape Modelo Blocos FT Modelo FT
(a) Tens ˜ao constante do motor e velocidade do VE.
0 50 100 150 200 250 0 20 40 Tempo [s] T ensão [v] 0 50 100 150 200 250 0 20 40 Tempo [s] V elocidade [km/h]
Velocidade da saída do veículo
Tensão de terminal
Modelo Simscape Modelo Blocos FT Modelo FT
(b) Tens ˜ao vari ´avel do motor e velocidade do VE. Figura 26: Comparac¸ ˜ao dos modelos matem ´aticos do VE.
Fonte: Autoria pr ´opria.
se seguir ˜ao. Ser ´a utilizado o modelo baseado nos blocos SimscapeT M, por ser mais
intuitivo sua manipulac¸ ˜ao atrav ´es de blocos predefinidos do VE.
4.2 AN ´ALISE DO MENU
Quando selecionamos a opc¸ ˜ao 1 do algoritmo, abre-se duas janelas que representam as voltas simuladas da entrada 3, ilustrado na Figura 27a e 27b. Assim, como o ve´ıculo esta parado, ´e necess ´ario romper essa in ´ercia para o ve´ıculo comec¸ar a se movimentar, ent ˜ao era de se esperar que o consumo energ ´etico da primeira volta fosse maior, como verificou-se. Na janela do workspace possui indicac¸ ˜oes de velocidade m ´edia, consumo energ ´etico total e m ´edio da sess ˜ao 1. Analogamente, a opc¸ ˜ao 2 tem as mesmas informac¸ ˜oes descritas acima, por ´em para a sess ˜ao 2.
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E de suma import ˆancia ter uma vis ˜ao geral do comportamento do ve´ıculo a cada volta, pois rapidamente podemos identificar algum comportamento indesejado. Por exemplo, no gr ´afico de posic¸ ˜ao, poder ´a ser verificado se o ve´ıculo est ´a se movendo para frente ou em algum ponto o Tmn ˜ao foi capaz de vencer os conjugados resistivos e
o ve´ıculo regrediu na sua trajet ´oria, ou ainda, no gr ´afico de corrente pode existir algum pico muito elevado que na pr ´atica poder ´a danificar o motor. Por tanto, tendo essa vis ˜ao global pode-se constatar alguma anomalia e com a combinac¸ ˜ao de gr ´aficos analisar o que est ´a causando aquele dist ´urbio ou consumo excessivo de energia, antes do
0 50 100 150 200 0 500 1000 Posição (m) 0 50 100 150 200 0 20 40 Velocidade (km/h) 0 50 100 150 200 0 10 20 Corrente (A) 0 50 100 150 200 0 20 40 Tensão (V) 0 50 100 150 200 0 200 400 Potência (W) 0 50 100 150 200 0 5000 10000 Tempo (s) Energia (J)
(a) Primeira volta.
150 200 250 300 350 500 1000 1500 Posição (m) 150 200 250 300 350 10 20 30 Velocidade (km/h) 1500 200 250 300 350 10 20 Corrente (A) 150 200 250 300 350 10 20 30 Tensão (V) 1500 200 250 300 350 200 400 Potência (W) 1500 200 250 300 350 5000 Tempo (s) Energia (J) (b) Segunda volta.
Figura 27: Curvas geradas pelo algoritmo da primeira e segunda volta do VE.
Fonte: Autoria pr ´opria.
ve´ıculo ir para a pista atrav ´es da simulac¸ ˜ao.
Na buscar de um melhor desempenho energ ´etico, seja na fase de competic¸ ˜ao ou desenvolvimento do prot ´otipo, a massa do ve´ıculo e do piloto s ˜ao diretamente proporcionais ao conjugado da carga, com isso reduzi-la acarretar ´a num menor consumo de energia. Utilizando pilotos de menor massa ou materiais mais leves do que os convencionais como: fibra de carbono na carenagem e ac¸o aeron ´autico na estrutura, busca-se diminuir a massa do conjunto, por ´em at ´e o momento n ˜ao se tinha noc¸ ˜ao do gasto energ ´etico at ´e o prot ´otipo esteja concebido e pronto para teste. Para efeito de comparac¸ ˜ao, na Figura 28 foi alterado a massa do piloto de 40 kg at ´e 100 kg e foi variado as entradas do sistema expostas na Figura 25, para acompanhar o gasto energ ´etico do ve´ıculo. Com relac¸ ˜ao aos outros par ˆametros foram mantidos constantes de acordo com a Tabela 1. Como esperado, foi constatado a depend ˆencia da massa com o consumo de energia, sendo bastante v ´alido a abordagem de diminuic¸ ˜ao da massa do ve´ıculo, realizado pelas equipes de efici ˆencia energ ´etica. Tamb ´em na mesma figura pode-se observar, como as entradas
4.2 An ´alise do menu 44 40 60 80 100 200 400 600 800 708 527 413 335 730 543 426 345 313 239 192 160 500 375 296 242 515 318 303 246 Massa [kg] Consumo [km/kwh]
Entrada 1 Entrada 2 Entrada 3 Entrada 4 Entrada 5
Figura 28: Consumo energ ´etico m ´edio em func¸ ˜ao da variac¸ ˜ao da massa e entrada do sistema.
Fonte: Autoria pr ´opria.
respondem a variac¸ ˜ao da massa. As entradas 1 e 2, que apresentam um perfil constante de sua amplitude, apresentaram um menor consumo energ ´etico, enquanto os outros perfis de velocidade tiveram um gasto de energia maior. De forma geral, a variac¸ ˜ao de massa de 40 kg para 100 kg, proporcionou uma reduc¸ ˜ao da efici ˆencia energ ´etica de 50%.
Um outro par ˆametro bastante relevante em se analisar, diz respeito a transmiss ˜ao do ve´ıculo, respons ´avel pela transfer ˆencia de pot ˆencia `as rodas. Apresentado na Figura 29 as relac¸ ˜oes de engrenagens de 1/12, 1/10, 1/6, 1/1 e 6/1.
As relac¸ ˜oes de engrenagem que obtiveram os melhores aproveitamentos de energia foram a relac¸ ˜ao 1/12 e 1/10. A relac¸ ˜ao 1/12 apresentou consumo energ ´etico superior apenas na entrada 3, em comparac¸ ˜ao a relac¸ ˜ao 1/12. A entrada 3 ´e a curva que possui as maiores acelerac¸ ˜oes no trajeto, com isso desenvolvendo um conjugado superior, em relac¸ ˜ao as outras entradas em alguns pontos do trajeto. Assim, a relac¸ ˜ao 1/10 apresentou o melhor consumo energ ´etico geral dentre todos os cen ´arios analisados.
Para fazer uma an ´alise mais criteriosa e compreender o motivo da entrada 3 perder desempenho com a relac¸ ˜ao de 1/10, ser ´a feito uma discuss ˜ao em cima das Figuras 30 e 31.
1/12 1/10 1/6 1/1 6/1 0 200 400 600 800 693 708 611 47 8 716 730 621 38 8 409 313 179 74 8 484 500 466 56 8 437 515 350 65 8
Transmiss ˜ao [Adim.]
Consumo
[km/kwh]
Entrada 1 Entrada 2 Entrada 3 Entrada 4 Entrada 5
Figura 29: Consumo energ ´etico m ´edio em func¸ ˜ao da variac¸ ˜ao da relac¸ ˜ao de engrenagem e entrada do sistema.
Fonte: Autoria pr ´opria.
a partir do instante de tempo 100s da primeira volta, apresentou um gasto energ ´etico superior com a relac¸ ˜ao 1/10, quando comparado com a relac¸ ˜ao 1/12. Assim como nas Figuras 31a e 31b, representou na segunda volta, a partir do instante 250s um gasto energ ´etico superior na relac¸ ˜ao 1/10. Com isso, verificou que a entrada 3 tem um gasto de energia alto, no ponto que tem maior inclinac¸ ˜ao na pista, que ´e na metade do trajeto. Outro ponto ´e a coincid ˆencia da acelerac¸ ˜ao da entrada 3 no ponto de maior inclinac¸ ˜ao, justificando o gasto energ ´etico superior as outras entradas.
Selecionando a opc¸ ˜ao 3 do algoritmo, a Figura 32 ´e gerada no Comandand Windows do MATLAB®, onde a sess ˜ao 1 foi carregada a relac¸ ˜ao de 1/10 e a sess ˜ao 2, a relac¸ ˜ao 1/12 . Assim, ´e poss´ıvel aferir qual relac¸ ˜ao de engrenagem ´e mais eficiente, para melhor ajuste do prot ´otipo.
Por fim, salientando que a transmiss ˜ao dos prot ´otipos ´e fixa, esse estudo de simulac¸ ˜ao ser ´a poss´ıvel prever a relac¸ ˜ao que traz maior efici ˆencia em todo o trajeto da pista, considerando a din ˆamica do VE. Normalmente dimensiona-se a relac¸ ˜ao para que atinja uma velocidade m ´axima espec´ıfica ou que tenha um conjugado suficiente para superar um aclive, comprometendo a efici ˆencia energ ´etica se n ˜ao for considerado a din ˆamica de todo o trajeto. Lembrando que algumas relac¸ ˜oes de engrenagem foram utilizadas apenas para efeito de simulac¸ ˜ao, n ˜ao sendo utilizadas na pr ´atica como 1/12 ou 6/1.
4.2 An ´alise do menu 46 0 50 100 150 200 0 500 1000 Posição (m) 0 50 100 150 200 0 20 40 Velocidade (km/h) 0 50 100 150 200 0 10 20 Corrente (A) 0 50 100 150 200 0 20 40 Tensão (V) 0 50 100 150 200 0 200 400 Potência (W) 0 50 100 150 200 0 5000 10000 Tempo (s) Energia (J)
(a) Primeira volta n=1/12
0 50 100 150 200 0 500 1000 Posição (m) 0 50 100 150 200 0 20 40 Velocidade (km/h) 0 50 100 150 200 0 10 20 Corrente (A) 0 50 100 150 200 0 20 40 Tensão (V) 0 50 100 150 200 0 200 400 Potência (W) 0 50 100 150 200 0 5000 10000 Tempo (s) Energia (J) (b) Primeira volta n=1/10
Figura 30: Curvas geradas pelo algoritmo da primeira volta de n=1/12 e n=1/10, considerando a entrada 3.
Fonte: Autoria pr ´opria.
consumida, permitir ´a uma tomada de decis ˜ao mais t ´ecnica das escolhas a se fazer. A massa ´e apenas um par ˆametro dentre muitos outros do ve´ıculo que podemos variar, onde ´e fixado as outras vari ´aveis e observa-se como a massa contribui para efici ˆencia energ ´etica do ve´ıculo ou o di ˆametro da roda, velocidade de refer ˆencia ou atrito. Assim pode-se direcionar o desenvolvimento e ganho de desempenho energ ´etico do prot ´otipo.
Na opc¸ ˜ao 4, tem-se a possibilidade de fazer a comparac¸ ˜ao da sess ˜ao 1 corrente, com a sess ˜ao ultra eficiente. Assim, na Figura 33 observa-se o desempenho energ ´etico de ambas, por ´em a sess ˜ao ultra eficiente permanece inalterado.
4.2.1 DETERMINAC¸ ˜AO DA SESS ˜AO ULTRA-EFICIENTE
Selecionando a opc¸ ˜ao 6 do menu, encontra-se a sess ˜ao e volta ultra eficiente, baseado nas entradas simuladas da Figura 25. Acessando a opc¸ ˜ao sess ˜ao ultra eficiente ´e gerado a Figura 34 que mostra a sess ˜ao mais eficiente em termos de energia gerado pelo algoritmo. Como esperado a entrada 2 retornou o consumo mais
150 200 250 300 350 500 1000 1500 Posição (m) 150 200 250 300 350 10 20 30 Velocidade (km/h) 1500 200 250 300 350 10 20 Corrente (A) 150 200 250 300 350 10 20 30 Tensão (V) 1500 200 250 300 350 200 400 Potência (W) 1500 200 250 300 350 5000 Tempo (s) Energia (J)
(a) Segunda volta n=1/12
150 200 250 300 350 500 1000 1500 Posição (m) 150 200 250 300 350 10 20 30 Velocidade (km/h) 1500 200 250 300 350 10 20 Corrente (A) 150 200 250 300 350 10 20 30 Tensão (V) 1500 200 250 300 350 200 400 Potência (W) 1500 200 250 300 350 5000 10000 Tempo (s) Energia (J) (b) Segunda volta n=1/10
Figura 31: Curvas geradas pelo algoritmo da segunda volta de n=1/12 e n=1/10, considerando a entrada 3.
Fonte: Autoria pr ´opria.
>>>>>>>>>>> -> Comparar 1º sessão com 2º sessao <- <<<<<
Consumo da 1º sessão: 4.468433e-03 [kWh]
Consumo médio da 1º sessão: 3.133089e+02 [Km/kWh] Consumo da 2º sessao: 3.418667e-03 [kWh]
Consumo médio da 2º sessao: 4.095163e+02 [Km/kWh] ### Sessão mais eficiente ###
Consumo da 2º sessao: 3.418667e-03 [kWh]
Consumo médio da 2º sessao: 4.095163e+02 [Km/kWh]
Consumo e média ultra eficiente permanece o mesmo!! 1.977924e-03 [kWh] e 7.078128e+02 [Km/kWh] >>
Figura 32: Tela gerada pelo algoritmo comparando as relac¸ ˜oes de
engrenagem 1/10 e 1/12, considerando a entrada 3.