UNIVERSIDADE FEDERAL DE CAMPINA GRANDE
CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS
UNIDADE ACADÊMICA DE DIREITO
CURSO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS
AUGUSTO ACIOLY DA CUNHA BARROS
ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL
SOUSA - PB
2004
ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL
Monografia apresentada ao Curso de
Ciências Jurídicas e Sociais do
CCJS da Universidade Federal de
Campina Grande, como requisito
parcial para obtenção do título de
Bacharel em Ciências Jurídicas e
Sociais.
Orientadora: Professora Ma. Giorggia Petruce Lacerda e Silva
Abrantes.
SOUSA - PB
2004
A U G U S T O A C I O L Y DA C U N H A B A R R O S
ARGUIQAO DE DESCUMPRIMENTO DE P R E C E I T O FUNDAMENTAL
BANCA EXAMINADORA
G I O R G G I A P E T R U C C E L A C E R D A E S I L V A A B R A N T E S Prof.3 Ms O R I E N T A D O R A
Prof. Francisco Dinarte de S. F e r n a n d e s
Prof. Guerrison A r a u j o Pereira de A n d r a d e
S O U S A - P B 2 0 0 4
£ a minha noiva Katarina.
AGRADECIMENTOS
A Deus, o criador de t u d o e de t o d o s , por ter m e d a d o forga para lutar e veneer t o d o s os obstaculos, o que m e permitiu esta hoje, aqui, b e m proximo da realizagao de urn s o n h o , a g r a d u a c a o e m Direito.
A o s m e u s queridos e a m a d o s pais. A h ! S e m eles eu nem existiria, e se por ventura existisse, nao haveria c h e g a d o a o n d e cheguei s e m s u a s presengas
marcantes e f u n d a m e n t a l m e n t e d e t e r m i n a n t e s para q u e m e tornasse c a p a z de chegar a o n d e c h e g u e i .
A Dirley Junior (o e x e m p l o a ser seguido), urn primo q u e s e m p r e e inexplicavelmente d i s p e n s o u - m e u m a atengao e urn carinho i n c o m e n s u r a v e l , o m e u muito obrigado!
A Katarina (minha c o m p a n h e i r a ) , que a p e s a r da distancia s e m p r e esteve b e m proximo, e s o u b e c o m p r e e n d e r a importancia d e s t e trabalho, q u a n d o por i n u m e r a s vezes, houve de abdicar das minhas palavras ao telefone.
A tio Lucas (o incentivador), que s e m p r e m e apoio e m todas as dificuldades ao longo do curso, e x c e p c i o n a l m e n t e e m ferias e greves, e a tio R a i m u n d a o (o a m i g o de t o d o s os m o m e n t o s ) , aquele que d e s d e q u a n d o eu era crianga esteve ao m e u lado d e m o n s t r a n d o o q u a n t o eu Ihe s o u importante.
E finalmente, a professora Giorggia Petrucce Lacerda e Silva A b r a n t e s pelas precisas e coerentes consideragoes, s e m as quais essa pesquisa nao se realizaria, pela orientagao e aprego, na feitura d e s s a monografia de g r a d u a g a o , a quern os m e r e c i m e n t o s atribuo e cujas falhas sao de minha inteira responsabilidade.
A pesquisa realizada e de natureza teorica, procedida de f o r m a direta, n u m a a b o r d a g e m dialetica. Seu objeto consiste na analise d a Lei 9.882/99 que regulamenta o artigo 102, § 1.°, d a Constituicao Federal de 1988, e preve a arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l . O t e m a desenvolvido d e n o m i n a - s e : "Arguigao de D e s c u m p r i m e n t o de Preceito F u n d a m e n t a l " . Durante o estudo, pretendeu-se, c o m o objetivos: estudar a arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l e m seus a s p e c t o s doutrinarios e legais, positivos e negativos; e x a m i n a r o ja citado artigo da Carta M a x i m a e observar a sua correta interpretagao; investigar a correta aplicagao d a lei r e g u l a m e n t a d o r a d a arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l e a sua fungao no sistema de controle de constitucionalidade patrio. T u d o de m o l d e a verificar se a arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l e o instrumento mais a d e q u a d o a protegao d o s direitos f u n d a m e n t a l s e d a Constituigao. O referencial teorico que f u n d a m e n t a a pesquisa c o m p o e - s e do texto da Constituigao Federal de 1988, da lei 9.882/99, de obras de autores nacionais, c o m o Gilmar Ferreira M e n d e s e Dirley d a C u n h a Junior, e internacionais, c o m o J. J. G o m e s Canotilho, e das d e m a i s informagoes retiradas de sites. A c o n s e c u g a o d a atividade proposta, apresentou-se oportuna a utilizagao dos m e t o d o s bibliografico e de estudo comparativo, e apropriada tecnica de pesquisa d o c u m e n t a l . Encerrada a pesquisa, logrou-se exito na confirmagao do p r o b l e m a e hipotese previamente e l a b o r a d o s , quais s e j a m : p r o b l e m a - A arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l e o instrumento m a i s a d e q u a d o para protegao dos direitos f u n d a m e n t a l s e d a Constituigao? Hipotese - A arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l e o instrumento mais a d e q u a d o para a protegao dos direitos f u n d a m e n t a l s e da Constituigao e e necessario que seja aplicada de f o r m a efetiva sob pena do e m p o b r e c i m e n t o da jurisdigao constitucional.
P a l a v r a s - c h a v e s : controle, constitucionalidade, arguigao, d e s c u m p r i m e n t o , preceito, f u n d a m e n t a l , subsidiariedade.
SUMARIO
I N T R O D U Q A O 08
C A P i T U L O 1 - A R G U i g A O DE D E S C U M P R I M E N T O DE P R E C E I T O
F U N D A M E N T A L 11 1.1 Origem e Previsao Legal 11
1 . 2 C o n c e i t o 13 1.2.1 Arguigao 13 1.2.2 D e s c u m p r i m e n t o 14 1.2.3 Preceito f u n d a m e n t a l 15 C A P i T U L O 2 - D O S I N S T I T U T O S A F I N S N O D I R E I T O E S T R A N G E I R O 19 2.1 A Verfassungsbeschwerde do direito a l e m a o 19
2.2 A Beschwerde do direito austriaco 21 2.3 O Recurso de A m p a r o do direito espanhol... 22
2.4 O Writ of Certiorari do direito norte-americano 2 4
C A P i T U L O 3 - O B J E T O E F I N A L I D A D E 26 3.1 A t o s nao normativos do Poder Publico 2 6
3.1.1 A t o s pollticos 2 7 3.1.2 A t o s realizados por p a r t i c u l a r s investidos e m autoridade publica 28
3.1.5 O m i s s o e s do Poder Publico 31 3.2 Leis ou atos normativos municipals 32 3.3 Leis ou atos normativos anteriores a Constituigao 32
C A P i T U L O 4 - P R O C E S S O E P R O C E D I M E N T O 35
4.1 Legitimidade e C o m p e t e n c i a 36 4.2 Modalidades d a arguigao 39 4.3 Da Decisao Cautelar e s e u s efeitos 4 1
4.4 Da Decisao Final e s e u s efeitos 4 4
C A P i T U L O 5-DA S U B S I D I A R I E D A D E 4 6
C O N S I D E R A Q O E S FINAIS 53 R E F E R E N C E S B I B L I O G R A F I C A S 56
8
INTRODUQAO
Na ultima d e c a d a o controle de constitucionalidade brasileiro r e g u l a m e n t a d o inicialmente a p e n a s pela Constituigao Federal de 1988, foi p r e s e n t e a d o c o m d u a s leis que regram s u a s agoes: a Lei n.° 9.868/99 q u e trata das c o n h e c i d a s agao direta de inconsutucionalidade - instituida pelo legislador constituinte originario, e d a agao declaratoria de constitucionalidade - inserida e m nosso texto maior pela E m e n d a Constitucional n.° 03/93, a l e m da Lei 9.882/99, que dispoe sobre o processo e j u l g a m e n t o d a arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l - t a m b e m instituida pelo legislador constituinte originario. Essas agoes tern c o m o finalidade precipua manter a o r d e m constitucional e garantir a s u p r e m a c i a e imperatividade da Constituigao, a c a u t e l a n d o t o d a s as normas existentes no Pacto F u n d a m e n t a l e principalmente os direitos e as garantias f u n d a m e n t a l s .
A finalidade da presente pesquisa e o estudo da arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l , que foi idealizada pelo texto constitucional e
r e g u l a m e n t a d a pela Lei 9.882/99.
Tal agao e instrumento de jurisdigao constitucional que proporciona ao S u p r e m o Tribunal Federal exercer urn controle c o n c e n t r a d o de constitucionalidade. E objetivo d e s t e trabalho, portanto, explicitar sua importancia e a l c a n c e c o m o m e i o de protegao d o s direitos f u n d a m e n t a l s e da Constituigao.
A procura por valores e desejos constitucionais, b e m pelos reflexos d e s t e s na hermeneutica e aplicagao do referido instituto, d e t e r m i n a r a m , j u n t a m e n t e c o m outros fatores a escolha e d e l i n e a m e n t o do t e m a ora v e r s a d o .
Em urn primeiro m o m e n t o , a p r e s e n t o u - s e a o r i g e m e previsao legal d a m e n c i o n a d a agao, c o m o intuito de coletar e agrupar subsidios c a p a z e s de
d e m o n s t r ? r a importancia de sua existencia, e a n e c e s s i d a d e p r e m e n t e de sua devida regulamentagao para o e n r i q u e c i m e n t o d a jurisdicao constitucional patria e efetiva protegao d o s preceitos constitucionais f u n d a m e n t a l s .
Fei*o isso, passou-se a devida conceituagao, focalizando o significado dos t e r m o s e s s e n c i a l m e n t e ligados ao objeto do trabalho, tais c o m o : caracteres proprios da arguigao, e n q u a n t o meio que proporciona urn controle concreto d e constitucionalidade; o d e s c u m p r i m e n t o , c o m o e l e m e n t o constitucional d a propria natureza do instituto; e u m a expansiva interpretagao d a e x p r e s s a o preceitos f u n d a m e n t a l s .
C o m o fito de enriquecer o trabalho, t e c e u - s e consideragoes breves acerca dos institutes afins no direito estrangeiro, quais s e j a m : a Verfassungsbeschwerde do direito a l e m a o , a Beschwerde do direito austriaco, o Recurso de Amparo do direito e s p a n h o l e o Writ of Certiorari do direito norte-americano, tudo isso para tornar expllcita a atividade do legislador ordinario ao regulamentar o novel instituto; atuou c o m s u p e d a n e o nestes institutes alienigenas.
Em seguida, efetivou-se o estudo do objeto e finalidade d a arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l , m e d i a n t e a analise dos atos que p o d e m , por ela, ser i m p u g n a d o s , a saber: a) A t o s nao normativos do Poder Publico( a)1 atos politicos; a)2 atos realizados por p a r t i c u l a r s investidos e m autoridade publica; a)3 atos normativos s e c u n d a r i o s ; a)4 ato de interpretagao e aplicagao do regimento
interno do Legislativo incompativel c o m o processo legislativo; a)5 o m i s s o e s do Poder Publico); b) Leis ou atos normativos municipals e c) Leis ou atos normativos anteriores a Constituigao Federal vigente.
Em seguida, p r o c e d e u - s e a pesquisa relacionada ao p r o c e s s o e p r o c e d i m e n t o o b e d e c i d o s pela arguigao, feita atraves do prisma constitucional, o n d e
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se trata acerca d a legitimidade para interpor, da c o m p e t e n c i a para julgar, das m o d a l i d a d e s de arguigao existentes, d a s d e c i s o e s cautelar e final e s e u s respectivos efeitos, tudo de f o r m a a esclarecer o m o d o c o m o se processa a utilizagao deste instrumento de protegao dos preceitos constitucionais f u n d a m e n t a l s .
Por f i m , a b o r d o u - s e o carater subsidiario atribuido pelo legislador ordinario para a arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l , e nela inserido atraves do artigo 4.°, § 1.°, da Lei 9.882/99, a p o n t a n d o o e n t e n d i m e n t o d a doutrina e do S u p r e m o Tribunal Federal e m relagao a referida subsdiariedade.
Na c o n s e c u g a o deste mister, escolheu-se a utilizagao dos m e t o d o s d e pesquisa c o m p a r a t i v e e bibliografico, a s s o c i a d o s a tecnica operacional de pesquisa d o c u m e n t a l para a coleta de d a d o s , os quais perfizeram-se d e v i d a m e n t e apropriados a resolugao do problema e l a b o r a d o e confirmagao d a hipotese proposta, quais s e j a m : p r o b l e m a - A arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l e o instrumento mais a d e q u a d o para a protegao d o s direitos f u n d a m e n t a l s e d a Constituigao? Hipotese - A arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l e o instrumento mais a d e q u a d o para a protegao dos direitos f u n d a m e n t a l s e d a Constituigao e e necessario que seja aplicada de f o r m a efetiva sob p e n a do e m p o b r e c i m e n t o da jurisdigao constitucional.
Firmados nesse p o s i c i o n a m e n t o , e possivel declarar d e s d e j a , a filiagao a corrente d a q u e l e s que se posicionam contrarios ao carater subsidiario d a arguigao, na crenga de que, a arguigao, c o m o agao especifica para a protegao dos preceitos m a g n o s nao pode j a m a i s , ser utilizada c o m o s e g u n d a opgao, pois assim a c o n t e c e n d o e s t a r e m o s diante de u m a patente inconstitucionalidade.
CAPiTULO 1
ARGUIQAO DE DESCUMPRIMENTO DE P R E C E I T O FUNDAMENTAL
1.1 O r i g e m e Previsao Legal
O Controle de Constitucionalidade brasileiro surgiu de f o r m a e x t r e m a m e n t e timida na Constituigao Imperial de 1824, o n d e a existencia do P o d e r M o d e r a d o r p o d a v a qualquer possibilidade de urn efetivo e eficaz exercicio d e s s e m e s m o controle de constitucionalidade.
C o n t u d o , depois de urn longo processo evolutivo iniciado c o m a Constituigao d e 1 8 9 1 , e p a s s a n d o pelas Constituigoes de 1934, 1937, 1946, 1967 ( E m e n d a Constitucional 01/69), c h e g a m o s aos dias atuais c o m a vigencia d a Carta M a g n a de 05 de outubro de 1988.
C o m efeito, no q u e t a n g e ao Controle d e Constitucionalidade, alem d a s ja conhecida agao direta de inconstitucionalidade (Adin), e s u a s m o d a l i d a d e s , c o m o t a m b e m a agao declaratoria de constitucionalidade, inserida e m nosso texto maior pela E m e n d a Constitucional 03/93, o legislador constituinte originario havia previsto e m nossa atual Carta M a g n a a c h a m a d a arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l ( A D P F ) , t o d a s e s s a s c o m a identica fungao precipua de m a n t e r a o r d e m constitucional.
Inserida e m nossa Constituigao Federal, a arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l foi a p r e s e n t a d a atraves de u m a n o r m a constitucional de eficacia limitada, ou seja, u m a n o r m a constitucional nao auto-aplicavel, q u e
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necessita de lei r e g u l a m e n t a d o r a para sua aplicagao. (SILVA, 1998 apud M A N D E L L I J U N I O R , 2 0 0 3 ) .
S e n a o , v e j a m o s o artigo 102, § 1.°, da Constituigao d a Republica Federativa do Brasil, ipsis Uteris: "A arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l , decorrente desta Constituigao, sera apreciada pelo S u p r e m o Tribunal Federal, na f o r m a da lei".
Entretanto, e m margo de 1997, tramitava no C o n g r e s s o Nacional o Projeto de Lei n° 2.872, de autoria da d e p u t a d a Sandra Starling, que objetivava disciplinar, dar efetividade ao instituto da arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l , sob o n o m e de "reclamagao".
Nao obstante, os professores Celso Ribeiro Bastos e Gilmar Ferreira M e n d e s v i n h a m realizando e s t u d o s paralelos ao referido projeto, no intuito de s a b e r se poderia a arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l tornar-se urn instituto habil a colmatar importantes lacunas identificadas no quadro de c o m p e t e n c i a s do S u p r e m o Tribunal Federal (STF).
Depois de a l g u m a s modificagoes, c h e g o u - s e a c o n c l u s a o de que o texto inicialmente e l a b o r a d o pelos ilustres Celso Ribeiro Bastos e Gilmar Ferreira M e n d e s deveria ser apreciado por u m a c o m i s s a o de especialistas, o que foi feito atraves d a portaria n° 572, publicada no Diario Oficial U n i a o ( D O U ) de 07 de julho d e l 9 9 7 , editada pelo entao Ministro da Justiga iris R e s e n d e .
Eram m e m b r o s d e s s a c o m i s s a o : Celso Ribeiro Bastos (presidente), Ives Gandra d a Silva Martins, A r n o l d o W a l d , O s c a r Dias Correa e Gilmar Ferreira M e n d e s .
O ja citado projeto de Lei da Deputada Sandra Starling recebeu parecer favoravel do relator Prisco V i a n a , e foi a p r o v a d o e m f o r m a de s u b s t i t u t i v e A d e s p e i t o
disso, o novo projeto b u s c o u inspiracao direta nos e s t u d o s realizados por aquela c o m i s s a o . O texto foi a p r o v a d o na C o m i s s a o de Constituicao e Justica e de R e d a c a o da C a m a r a dos D e p u t a d o s , referendado pelo plenario d a C a m a r a d o s D e p u t a d o s e pelo S e n a d o Federal, e posteriormente s a n c i o n a d o , c o m vetos, pelo Presidente da Republica.
Surgiu assim, a Lei n° 9.882 de 03 de d e z e m b r o de 1999, que r e g u l a m e n t o u o artigo 102, § 1° d a Constituicao Federal de 1988.
1.2 Conceito
A n t e s de c o n c e i t u a r m o s o que seria a arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l , e n t e n d e m o s ser de s u m a importancia o t r a t a m e n t o de c a d a urn dos s e u s v o c a b u l o s , de maneira a determinar quais os p a r a m e t r o s juridicos que d e v e m ser c o n s i d e r a d o s para u m a c o e r e n t e conceituagao. V e j a m o s :
1.2.1 Arguigao
O v o c a b u l o "arguigao" e urn t e r m o polissemico e, portanto, possui varios significados. U s u a l m e n t e o t e r m o "arguigao" significaria o m e s m o que a r g u m e n t a g a o , a c u s a g a o , agao de arguir ( O B I O L , 1982, p. 74). C o n t u d o , o t e r m o "arguigao" presente no artigo 102, § 1°, d a CF/88 quer dizer "agao", o u seja, m e i o a d e q u a d o , instrumento a d e q u a d o , c o l o c a d o a disposigao do controle de constitucionalidade par.? disciplinar u m a possivel violagao a preceito f u n d a m e n t a l . C o n f o r m e dispoe Maria Helena Diniz (1998) apud Mandelli Junior (2003) "[...] alegagao feita perante S T F de infragao de norma constitucional".
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Esta interpretagao e admitida t e n d o e m vista que o legislador constituinte, e m outras oportunidades, ja havia se referido a "agao" sob outras terminologias, c o m o por e x e m p l o , a "representagao" de inconstitucionalidade prevista no artigo 125, § 2° da Constituigao F e d e r a l1.
Desta f o r m a , ao tratarmos d a "arguigao" prevista no artigo 102, § 1°, d a Constituigao d e v e r e m o s entende-la c o m o "agao" latu sensu, ou seja, c o m o instrumento processual capaz de proteger os preceitos constitucionais f u n d a m e n t a l s ( M A N D E L L I J U N I O R , 2 0 0 3 , p. 103).
1.2.2 D e s c u m p r i m e n t o
O termo " d e s c u m p r i m e n t o " , e m linguagem coloquial, traduz a ideia de deixar de cumprir, deixar de fazer algo que deveria ser feito ( O B I O L , 1982, p. 2 4 8 ) . No caso especifico, deixar de cumprir urn preceito constitucional f u n d a m e n t a l .
Desta f o r m a , " d e s c u m p r i m e n t o " e e s p e c i e do genero inconstitucionalidade. Qualquer que seja a e s p e c i e de d e s c u m p r i m e n t o a preceito f u n d a m e n t a l , d e v e ser ele declarado inconstitucional.
O d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l pode ocorrer d a s mais variadas f o r m a s ( M A N D E L L I J U N I O R , 2 0 0 3 , P. 111/112), quais s e j a m :
1) f o r m a l ou material: f o r m a l q u a n d o d e c o r r e , por e x e m p l o , de vicio de incompetencia do orgao do qual e m a n a o ato do Poder Publico; material q u a n d o se verifica u m a incompatibilidade c o m o c o n t e u d o do preceito constitucional f u n d a m e n t a l ;
1 Cf. Constituigao da Republica Federativa do Brasil. Art. 125, § 2°: Cabe aos Estados a instituicao de
representagao de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipals em face da Constituigao Estadual, vedada a atribuigao da legitimagao para agir a urn unico orgao.
2) total ou parcial: total q u a n d o vicia todo o ato e parcial q u a n d o atinge a p e n a s parte do ato;
3) agao ou o m i s s a o : agao q u a n d o se pratica ato comissivo e o m i s s a o q u a n d o se deixa de praticar ato de maneira a ferir preceito constitucional f u n d a m e n t a l ;
4) originario ou s u p e r v e n i e n t e : originario q u a n d o se viola urn preceito
constitucional f u n d a m e n t a l vigente; superveniente q u a n d o se viola urn preceito constitucional f u n d a m e n t a l , inicialmente e m a c o r d o c o m a Constituigao Federal, m a s que posteriormente passa a descumpri-lo seja por alteragao f o r m a l da constituigao ou por altoragao na f o r m a de interpretagao;
5) imediato ou derivado: imediato q u a n d o o d e s c u m p r i m e n t o decorre diretamente de ato do Poder Publico; derivado q u a n d o o d e s c u m p r i m e n t o surge de urn reflexo de ato praticado pelo Poder Publico.
6) direto ou indireto: direto q u a n d o o ato ferir preceito constitucional explicito; indireto q u a n d o ferir preceito constitucional implicito.
1.2.3 Preceito f u n d a m e n t a l
O termo "preceito" indica aquilo q u e se r e c o m e n d a c o m o regra e e n s i n a m e n t o ; regra de proceder ( O B I O L , 1982, p. 6 6 8 ) . Ja o v o c a b u l o " f u n d a m e n t a l " quer dizer necessario, indispensavel ( O B I O L , 1882, p. 369). Da j u n g a o d e s s a s e x p r e s s o e s t e m o s que preceito f u n d a m e n t a l e t o d a regra ou e n s i n a m e n t o necessario, indispensavel.
O s preceitos constitucionais sao as n o r m a s base, f u n d a m e n t a l s , do Estado Democratico de Direito, de maneira que t o d o s os preceitos inseridos na Constituigao
Federal d e v e m ser havidos c o m o preceitos f u n d a m e n t a i s . Pelo principio da u n i d a d e da Constituigao nao p o d e m o s admitir hierarquia entre preceitos constitucionais de u m a m e s m a Carta M a g n a .
Isto posto, c o m o p o d e r i a m o s considerar, para efeito da arguigao d e d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l , a existencia de preceitos f u n d a m e n t a i s e de preceitos nao f u n d a m e n t a i s ?
A p e s a r de os preceitos constitucionais e m a n a r e m de u m a m e s m a forga imperativa, d e v e m o s observar os valores trazidos por cada urn d e s t e s , na hipotese de observagao axiologica de t o d o s os preceitos constitucionais, para que p o s s a m o s determinar quais os preceitos constitucionais e quais os preceitos constitucionais f u n d a m e n t a i s ( C U N H A J U N I O R , 2 0 0 3 , p. 54).
Isto posto, p e r c e b e m o s a possibilidade de que na Constituigao Federal estejam inseridos preceitos constitucionais e preceitos constitucionais f u n d a m e n t a i s , s e n d o que esses preceitos constitucionais b u s c a m subsidios nos preceitos constitucionais f u n d a m e n t a i s .
S e n a o , v e j a m o s a ligao de J. J . G o m e s Canotilho (1997, p. 1047) in verbis:
[...] articulacao de principios e regras, de diferentes tipos e caracteristicas, iluminara a compreensao da Constituigao como urn sistema interno assente em principios estruturantes fundamentais que, por sua vez, assentam em subprincipios e regras constitucionais concretizadores desses mesmos principios. Quer dizer: a Constituigao e formada por regras e principios de diferentes graus de concretizacao.
Quais seriam entao os Preceitos Constitucionais F u n d a m e n t a i s ?
E certo que existe c o n s e n s o e m relagao a o s principios f u n d a m e n t a i s do titulo I da Constituigao Federal, que tratam d a configuragao basica d a estrutura politica do Estado (artigos 1.° ao 4°); os direitos e garantias f u n d a m e n t a i s , q u e equilibram a atuagao dos poderes e m favor d a d i g n i d a d e d a pessoa h u m a n a (expressos t a n t o no titulo II c o m o t a m b e m pelo § 2.° do artigo 5.°); os principios constitucionais sensiveis, cujo desrei:peito pode gerar intervengao fedaral (artigo 34, VII) e as clausulas petreas explicitas ou implicitas.
Para alguns a c r e s c e n t a m - s e a estes, ainda, as n o r m a s de organizagao politica d o Estado e as. de organizagao dos proprios Poderes. ( C U N H A J U N I O R , 2 0 0 3 , p. 56).
C o n t u d o , c a b e r a o a Doutrina e a Jurisprudencia determinar quais d e v e m ser os preceitos fundament;-is passiveis de s e r e m arguidos atraves do novel instituto, o u melhor, quais sao os preceitos constitucionais f u n d a m e n t a i s .
Unindo e m breve sintese t o d o s os a r g u m e n t o s c o n s i d e r a d o s a c i m a , p o d e r i a m o s afirmar que a arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l e u m a agac judicial p r o p i a da jurisdigao constitucional, cuja finalidade precipua e determine.- a inconstiti cionalidade de atos c o m i s s i v o s ou omissivos do Poder Publico qvie lesionem ou a m e a c e m lesionar qualquer d a s normas ou principios basilares do Estado D r m o c r a t i c o de Direito, c o m a intengao de m a n t e r intacta a o r d e m constitucional.
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A d e m a i s , v e j a m o s a ligao de Dirley da C u n h a Junior (2003, p. 4 9 ) :
[...] a arguigao de descumprimento de preceito fundamental consiste em uma agao judicial especial destinada a provocar a jurisdigao constitucional concentrada no Supremo Tribunal Federal para a tutela da supremacia dos preceitos mais importantes da Constituigao Federal. Vale dizer, e uma agao especlfica vocacionada a proteger exclusivamente os preceitos constitucionais fundamentais, ante a ameaga ou lesao resultante de qualquer ato ou omissao do Poder Publico.
CAPITULO 2
DOS INSTITUTOS AFINS NO DIREITO ESTRANGEIRO
A arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l , e m c o n f o r m i d a d e c o m a regulamentagao d a d a pela Lei n.° 8.882/99, a p r e s e n t a alguns caracteres s e m e l h a n t e s a outros institutos do Direito Internacional, haja vista que estes instrumentos tern c o m o f u n g a o precipua fiscalizar a constitucionalidade de f o r m a direta ou m e d i a n t e incidentes de inconstitucionalidade2.
Destarte, a doutrina tenta estabelecer urn paralelo entre certos caracteres da arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l brasileira c o m a
Verfassungsbeschwerde a l e m a , a Beschwerde austriaca, o Recurso de Amparo do
Direito E s p a n h o l e, c o m m e n o s v e e m e n c i a , o Writ of Certiorari do Direito Norte A m e r i c a n o .
Portanto, faz-se imprescindivel a realizagao de a l g u m a s consideragoes acerca dos referidos institutos, a fim de q u e p o s s a m o s a p r e e n d e r o c o n t e u d o a m p l o d a arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l ( A D P F ) .
2.1 A Verfassungsbeschwerde do Direito A l e m a o
A Verfassungsbeschwerde do Direito a l e m a o e u m a agao c o l o c a d a a disposigao de qualquer pessoa fisica ou juridica que se sentir lesada pelo Poder
2"Trata-se do incidente de constitucionalidade inspirado no direito alemao, que permite seja
antecipada -J posigao do STF sempre que for suscitado, em qualquer processo, o problema de constitucionalidade, com fundamentos relevantes. No caso, a Corte Suprema se limitaria a decidir a materia constitucional, prosseguindo, em seguida, normalmente o feito na instancia em que se encontrava... Trata-se, no f m d o , de uma especie de tutela antecipada de carater constitucional, em
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Publico e m qualquer de s e u s direitos constitucionais f u n d a m e n t a l s , s e n d o esta agao apreciada e decidida pelo Tribunal Constitucional ( M A N D E L L I J U N I O R , 2 0 0 3 , 76/77).
O instituto a l e m a o , q u a n d o protege o cidadao ou q u a n d o controla os atos do Poder Publico, realiza, respectivamente, u m a f u n c a o subjetiva de protegao dos direitos subjetivos e u m a f u n g a o objetiva de protegao d a s u p r e m a c i a constitucional ( C U N H A J U N I O R , 2 0 0 3 , p. 4 8 ) .
A d e m a i s , o referido instituto t a m b e m requer a utilizagao e e s g o t a m e n t o d a s instancias judiciais inferiores, implicando na inevitabilidade do instrumento por ser este o unico meio a d e q u a d o e eficaz de sanar a suposta lesao.
E n t r e m e n t e s , podera o remedio juridico, e x c e p c i o n a l m e n t e , ser utilizado de f o r m a direta, c o m p r o v a d o urn interesse geral o u , ainda, d e m o n s t r a d a a intengao de evitar urn g r a n d e e insofismavel prejuizo para o autor. Seria, entao, o recurso analisado s e m a n e c e s s i d a d e de e s g o t a m e n t o d a s vias j u d i c i a i s3.
P e r c e b e m o s , entao, o carater subsidiario do recurso, t e n d o e m vista ser imprescindivel o e x a u r i m e n t o d a s vias judiciais ordinarias, c o m o obice, e claro, de que se o e s g o t a m e n t o da vias judiciais inferiores nao estiver o b j e t i v a m e n t e realizado, podera ser interposto de f o r m a imediata, caso nao seja subjetivamente exiglvel do autor o dito e x a u r i m e n t o .
virtude da qual ocorre no processo, uma cisao entre a questSo constitucional e as demais suscitadas pelas partes". (WALD, 1999, apud MANDELLI JUNIOR, 2003).
Segundo dispoe o § 90 da Lei Organica do Tribunal Constitucional Federal alemao: "(1) Qualquer pessoa pode propor o recurso constitucional no Tribunal Constitucional Federal com a alegacao de estar sendo violada pelo Poder Publico, em alguns de seus direitos fundamentais (...); (2) Se esta proporcionada a via judicial contra a violagao, o recurso constitucional, entao, somente pode ser proposto apos o esgotamento da via judicial, acerca de urn recurso constitucional proposto, quando ele e de significado geral ou suceder ao promovente urn prejuizo grave e inevitavel, caso ele for remetido primeiro a via judicial". (CUNHA JUNIOR, 2003, p. 48).
Sao objeto da Verfassungsbeschwerde tanto os atos comissivos c o m o os atos omissivos, d e s d e que v e n h a m a lesionar principios constitucionais. ( H E C K , 1995
apud M A N D E L L I J U N I O R , 2 0 0 3 ) .
Sao s e m e l h a n g a s entre a Arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l brasileira e a Verfassungsbeschwerde a l e m a : 1 - a apreciagao originaria do institute pelo tribunal guardiao da Constituigao; 2 - a possibilidade do exercicio do controle de constitucionalidade de ato do Poder Publico, seja ele comissivo ou omissivo; 3- a possibilidade do controle sobre atos pre-constitucionais; 4 - o principio da subsidiariedade; 5- a preocupagao c o m urn controle objetivo d a constitucionalidade, e m d e f e s a d a propria Constituigao ( M A N D E L L I J U N I O R , 2 0 0 3 , p.80).
D i s i i n g u e m - s e , entretanto, no seguinte: 1 - a impossibilidade de ajuizamento da arguigao brasileira por qualquer individuo que teve lesionado s e u direito f u n d a m e n t a l . Gragas a veto presidencial. (artigo 2.°, I, d a Lei n.° 9.882/99) (grifo nosso); 2- a Verfassungsbeschwerde refere-se a violagao, g e n e r i c a m e n t e , d e direitos f u n d a m e n t a i s - neles t a m b e m incluidos outros preceitos; 3- os atos passiveis de i m p u g n a g a o pela agao direta de inconstitucionalidade, no direito brasileiro, d e v e m ser excluidos d a arguigao, e m virtude do principio d a subsidiariedade; 4 - o prazo para interposigao d o s institutos, que existe no direito a l e m a o e nao existe no direito brasileiro ( M A N D E L L I J U N I O R , 2 0 0 3 , p.80).
2.2 A Beschwerde do Direito A u s t r i a c o
O instituto da Beschwerde e anterior a Verfassungsbeschwerde a l e m a , e acreditamos ter o legislador a l e m a o b u s c a d o inspiragao no instituto austriaco, nao
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a p e n a s pela o r d e m cronologica d o s referidos institutos, m a s , principalmente, pelas s e m e l h a n g a s existentes entre eles.
C o m a Beschwerde austriaca permite-se q u e , por meio d e urn incidente de inconstitucionalidade, seja s u s p e n s o o p r o c e s s o ou na primeira instancia ou no tribunal, s u b m e t e n d o a q u e s t a o constitucional a d e c i s a o do Tribunal Constitucional.
O recurso austriaco d e v e ser interposto no prazo de seis m e s e s a contar da pratica do ato inconstitucional do Poder Publico ( M O R A E S , 2 0 0 1 , p. 20).
O Tribunal Constitucional, a p o s resolver a q u e s t a o constitucional suscitada, devolve o c o n h e c i m e n t o d a materia ao tribunal c o m p e t e n t e para solver, de a c o r d o c o m a questao constitucional ja resolvida, a materia de merito que estava prejudicada.
No direito austriaco c o m o no a l e m a o , qualquer pessoa pode interpor a referida agao, de maneira q u e nao existem restrigoes q u a n t o a legitimidade ativa do instituto.
D a d a s as similaridades, s o b r e t u d o e m relagao ao que foi explicitado, as consideragoes feitas e m relagao as s e m e l h a n g a s e diferengas entre a
Verfassungsbeschwerde a l e m a e a arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito
f u n d a m e n t a l brasileira se a p l i c a m , d e v e r a s , e m relagao a Beschwerde austriaca.
2.3 O Recurso de Amparo do Direito E s p a n h o l
O Recurso de Amparo esta previsto na Constituigao e s p a n h o l a de 1978, t e n d o b u s c a d o , igualmente, subsidios no Direito A l e m a o , haja vista possuir a l g u m a s s e m e l h a n g a s c o m a Verfassungsbeschwerde a l e m a , nao o b s t a n t e , claro, as s u a s particularidades.
De f o r m a similar a prevista pelo sistema de controle de constitucionalidade da A l e m a n h a , pode o juiz ordinario na E s p a n h a enviar ao Tribunal Constitucional u m a questao e m q u e o m e s m o tenha duvida sobre a constitucionalidade de u m a disposicao legislativa que d e v a aplicar ( F A V O R E U , 1994 apud M A N D E L L I J U N I O R , 2 0 0 3 ) .
E de se observar que o Recurso de Amparo, tanto q u a n t o a
Verfassungsbeschwerde a l e m a e a Beschwerde austriaca, t a m b e m p o d e ser
interposto por qualquer p e s s o a , e e d e v i d a m e n t e e x p r e s s a a possibilidade d a interposicao pelas p e s s o a s j u r i d i c a s , o Defensor do Povo e o Ministerio Fiscal -Ministerio Publico Espanhol. ( S E G A D O , apud M A N D E L L I J U N I O R , 2 0 0 3 ) .
A d e m a i s , o referido instituto t a m b e m possui dupla f u n c a o , quais s e j a m : a) possibilitar a m a n u t e n c a o d a s u p r e m a c i a constitucional, garantindo o devido c u m p r i m e n t o dos preceitos f u n d a m e n t a i s (aspecto objetivo); b) proporcionar a protegao d o s direitos d c s individuos (aspecto subjetivo).
Dentre as principals s e m e l h a n g a s entre o Recurso de Amparo e s p a n h o l e a arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l brasileira, d e s t a c a m o s o fato de que a m b a s propiciam urn controle de constitucionalidade concreto e c o n c e n t r a d o , que deve ser realizado pelo Tribunal e n c a r r e g a d o de proteger a Constituigao, quais s e j a m : no Brasil, o S u p r e m o Tribunal Federal e, na E s p a n h a , o Tribunal Constitucional, a m b o s c o m o intuito de d e f e s a da Constituigao, possibilitando a declaragao d a inconstitucionalidade de ato do Poder Publico.
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2.4 O Writ of Certiorari do Direito N o r t e - a m e r i c a n o
O instituto do Direito N o r t e - A m e r i c a n o (Writ of Certiorari) t a m b e m se identifica c o m a arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l , postas d e t e r m i n a d a s convergencias e m alguns pontos.
A Writ of Certiorari faculta, de f o r m a similar a arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l , a possibilidade de que u m a q u e s t a o decidida ou ainda pendente de decisao seja apreciada pela Supreme Court, d e s d e que existam importantes e especiais razoes para isso.
A c e r c a disso, C u n h a Junior (2003, p. 47) e s c r e v e :
[...] o writ of certiorari do Direito Norte-Americano, que consiste num pedido formulado a Supreme Court por quaisquer das partes de urn processo em curso perante outra instancias judiciais, a fim de que a Corte dirima determinada questao ja decidida, ou ainda pendente de decisao (certiorari
before judgement), quando existam importantes e especiais razoes para
isso - circunstancia que revela o consideravel grau de discricionariedade do Tribunal em admitir ou nao o pedido.
A s s i m s e n d o , resta explicita a s e m e l h a n g a entre os dois institutos. A possibilidade de u m a questao ser apreciada pelo tribunal guardiao d a Constituigao, tendo c o m o requisito principal a importancia e especial razao para o Direito norte-americano e a violagao de preceito f u n d a m e n t a l no Direito brasileiro, j a d e n o t a a paridade existente entre os p a r a m e t r o s de interposigao dos referidos institutos.
V e - s e , pois, q u e os institutos de Direito C o m p a r a d o e s t u d a d o s c o n c o r r e r a m para a regulamentagao da Lei n.° 9.882/99, que trata da arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l .
Entrementes, e de se reconhecer que e m alguns p o n t o s estes institutos distinguem-se d o brasileiro, s o b r e t u d o no que t a n g e a legitimidade ativa. Nos institutos alienigenas, possui c a p a c i d a d e postulatoria qualquer p e s s o a que t e n h a
sido afetada pela lesao a preceito f u n d a m e n t a l4, e entre nos, infelizmente, gragas a
veto presidencial, a legitimidade ativa sofre restrigoes, c o n s o a n t e d e m o n s t r a r e m o s mais adiar.te.
4 Entender "Preceito Fundamental" acima utilizado em sentido latu sensu, ou seja, como os
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CAPITULO 3
O B J E T O E FINALIDADE
O artigo 1.° da Lei 9.882/99 preve que a arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l "tc-ra por objeto evitar ou reparar lesao a preceito f u n d a m e n t a l resultante de ato do Poc*3f Publico". E m vista disso, a finalidade precipua do instituto e evitar ou reparar les'-o a preceito f u n d a m e n t a l . D e p r e e n d e - s e , ainda, q u e sao passiveis de impugnaga D por este instrumento os atos do Poder Publico.
No m e s m o artigo, inciso I, paragrafo unico, o legislador cuidou de explicitar as especies normativas sujoitas a arguigao, dispondo:
Cabera tambem a arguigao de descumprimento de preceito fundamental qur.ndo for relevante o fundamento da controversia constitucional sobre lei ou ato normativo federal, estadual, ou municipal, incluidos os anteriores a Constituigao.
Neste ponto, c u m p r e dividir os objetos d a arguigao de f o r m a didatica e objetivando urn m e l h o r e n t e n d i m e n t o da materia, da seguinte f o r m a : a) atos nao normativos do Poder Publico; b) leis ou atos normativos municipais; e c) leis ou atos normativos anteriores a Constituigao.
3.1 A t o s nao Normativos do Poder Publico
Para Hely L o p e s Meirelles ( 2 0 0 1 , apud M A N D E L L I J U N I O R , 2003) atos d o Poder Publico sao:
[...] atos juridicos, revestidos de finalidade publica, que emanam de orgaos ou instituigoes de natureza publica, criados para realizar os fins do Estado, sejam federais, estaduais, distritais ou municipais, os quais se encontram em situagao de autoridade relativamente aos particulares, por perseguirem o interesse publico.
Destarte, nao sao sindicaveis pela A D P F os atos juridicos nao veiculados pelo Poder Publico, tais c o m o os atos normativos estrangeiros, as n o r m a s de natureza privada e os atos do poder publico q u e f o r e m regidos pelo direito privado.
Dentre os atos nao normativos do Estado e mister d e s t a c a r m o s a sindicabilidade d o s atos politicos, dos atos realizados por p a r t i c u l a r s investidos e m autoridade publica, dos atos normativos secundarios e ainda, das o m i s s o e s do Poder Publico.
3.1.1 A t o s politicos
Os atos politicos, t a m b e m c o n h e c i d o s por atos de governo, sao aqueles atos praticados pelo Poder Publico c o m certa m a r g e m de discricao e o b s e r v a n d o as n o r m a s constitucionais no exercicio de f u n c o e s a p e n a s politicas. C o m o e x e m p l o de atos politicos t e m o s a iniciativa de lei pelo Poder Executivo, a d e c r e t a g a o de intervencao, a n o m e a g a o de ministros de Estado e a c o n c e s s a o de indulto, dentre outros.
Os atos de g o v e r n o sao passiveis de s e r e m objeto d a A D P F , haja vista que sao atos do Poder Publico e p o d e m vir a ferir preceito f u n d a m e n t a l , de maneira que nao poderia a lei excluir da apreciagao do Poder Judiciario lesao ou a m e a g a a direito (artigo 5.°, X X X V , d a CF/88).
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3.1.2 A t o s realizados por p a r t i c u l a r s investidos e m autoridade publica
E tido c o m o certo q u e a p e n a s os atos praticados pelo Poder Publico s a o passiveis de s e r e m objeto da arguigao; c o n t u d o , m e r e c e m d e s t a q u e os atos realizados por p a r t i c u l a r s investidos e m autoridade publica.
E n t e n d e m o s que, tal c o m o ocorre e m s e d e de m a n d a d o de s e g u r a n g a5, a
arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l d e v e ser cabivel q u a n d o os atos praticados por p a r t i c u l a r s ferirem ou a m e a g a r e m de lesao urn preceito f u n d a m e n t a l , d e s d e q u e e s t e j a m eles investidos e m autoridade publica.
Este t a m b e m e o e n t e n d i m e n t o de Daniel S a r m e n t o ( 2 0 0 1 , p. 91/92). S e n a o , v e j a m o s :
A c-xpressao ato do Poder Publico, empregada pelo legislador, deve ser corr.preendida em seu sentido mais lato, e alcanga tambem, em nosso entendimento, os atos de particulares que agem investidos em autoridade put lea, como os praticados por empresas concessionarias e pemissionarias de servigo publico. Parece-nos, neste particular, per'eitamente cabivel a analogia com o mandado de seguranga, que pode tambem ser impetrado contra os atos de pessoas juridicas de direito privado, no exercicio de atribuigoes do Poder Publico.
Nos dias atuais, o n d e o Estado cada vez m a i s faculta a realizagao de s u a s atividades por p a r t i c u l a r s atraves de privatizagoes, t e r c e r i z a g o e s e parcerias, urge que estes atos s e j a m passiveis de fiscalizagao, e u m a interpretagao g e n e r o s a da Lei n.° 9.882/99 p o s s i b i l i t a r h englobar e s s a situagao.
5 Cf. Constituigao da Republica Federativa do Brasil. Artigo 5.°, LXIX. Conceder-se-a mandado de
seguranga para proteger direito liquido e certo, nao amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsavel pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade publica ou agente de pessoa juridica no exercicio de atribuigoes do Poder Publico.
3.1.3 A t o s normativos secundarios
A t o s Normativos S e c u n d a r i o s s a o aqueles que e x p r e s s a m urn c o m a n d o geral do E x e c u t i v e explicitando a correta aplicagao da lei. E s s e s atos nao s a o lei e m sentido f o r m a l , sao leis a p e n a s e m sentido material, de maneira que a ela se e q u i p a r a m para fins de controle judicial, p o d e n d o , portanto, s e r e m a t a c a d o s e invalidados direta e i m e d i a t a m e n t e pelas vias judiciais c o m u n s e t a m b e m por m a n d a d o de seguranga, d e s d e q u e v e n h a m a ferir direito liquido e certo ( M E I R E L L E S , 2 0 0 1 , p. 170).
Nesta linha de raciocinio, c o n c l u i m o s que os atos normativos s e c u n d a r i o s , especies que sao de atos do Poder Publico, a e x e m p l o d o s decretos e regulamentos, t a m b e m d e v e m ser passiveis d e i m p u g n a g a o pela A r g u i g a o de D e s c u m p r i m e n t o de Preceito F u n d a m e n t a l , d e s d e que f i r a m ou a m e a c e m de lesao preceito constitucional m a g n o .
3.1.4 A t o de interpretagao e aplicagao de regimento interno do Legislativo incompativel c o m o processo legislativo
A p e s a r de o S u p r e m o Tribunal Federal se recusar a apreciar os atos ofensivos ao regimento interno d a s c a s a s legislativas, c o n f o r m e se observa e m sua a m p l a jurisprudencia, sob o a r g u m e n t o de tratar-se d e questao interna corporis do referido o r g a o6, e n t e n d e m o s , ser d e s c a b i d a tal posigao, haja vista contrapor-se aos
6 MS 22.183, Rel. Min. Marco Aurelio, DJU de 12.12.1997: "MANDADO DE SEGURANQA
IMPETRADO CONTRA ATO DE PRESIDENTE DA CAMARA DOS DEPUTADOS, QUE INDEFERIU, PARA FINS DE REGISTRO, CANDlDATURA AO CARGO DE 3.° SECRETARIO DA MESA. ALEGAQAO DE VIOLAQAO DO ART. 8.° DO REGIMENTO DA CAMARA E DO § 1 ° DO ART. 58 DA CONSTITUIQAO. 1. Ato do Presidente da camara que, tendo em vista a impossibilidade, pelo criterio proporcional, do preenchimento de dois cargos da Mesa pelo mesmo partido, defere, para fins de registro, para o cargo de Presidente e indefere para o de membro titular da Mesa. 2. Mandado de
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principios constitucionais d a inafastabilidade do controle judicial e do devido processo e g a l , t a m b e m aplicaveis ao processo legislativo. ( C U N H A J U N I O R , 2 0 0 3 ) .
Este t a m b e m e o e n t e n d i m e n t o de Daniel S a r m e n t o ( 2 0 0 1 , p. 9 7 ) :
O Supremo Tribunal Federal vem mantendo o entendimento, que nos par~ce absolutamente desacertado, de que a violagao das normas regimentais no processo legislativo e insuscetivel de controle jurisdicional, por se tratar de questao interna corporis do Poder Legislativo. Tal orientagao, em nosso entendimento, revela-se incompativel com o principio da inafastabilidade do controle jurisdicional, bem como a clausula do devido processo legal, que, como nao poderia deixar de ser, estende-se tambem ao processo legislativo. O Supremo Tribunal Federal nao pode furtar-se do oni.s de apreciar tal questao, pois ela diz respeito a regularidade formal das normas juridicas, materia diretamente afeta aos direitos nao so dos parhmentares, mas de toda a populacao, destinataria destas normas.
Nao nos parece eensato permitir que qualquer ato, seja ele publico, privado, omissivo, comissivo, legislativo (inclusive os Interna corporis), executivo ou de qualquer natureza, p o s s a m se s o b r e p o r a Constituigao; se s o b r e p o r sim, pois q u a n d o qualquer ato nao pode ser controlado e m f a c e d a Constituigao e c o m o se fugisse da esfera de controle de constitucionalidade, o que os colocaria a c i m a da Carta M a x i m a , e isto afrcnta diretamente o principio da S u p r e m a c i a Constitucional.
A Lei n.° 9.882/99 continha, e m sua redagao inicial, no artigo 1.°, paragrafo unico, inciso II, p e r m i s s a o para que o S u p r e m o Tribunal Federal controlasse tais q u e s t o e s , todavia o Presidente da Republica, infelizmente, vetou tal dispositivo c o m a alegaga:* de que "a intorvengao autorizada do S u p r e m o Tribunal Federal no a m b i t o das n o r m u s constantes de regimentos internos d o Poder Legislativo restringe-se aquelas e m que se r e p r c d u z e m n o r m a s constitucionais" ( S A R M E N T O , 2 0 0 1 , p. 98).
seguranga impetrado para o fim de anular a eleigao da Mesa da Camara e validar o registro da candidaturas ao cargo de 3.J Secretario. 3. Decisao fundada, exclusivamente, em norma regimental
referente a composigao da Mesa e indicag^o de cargos (art. 8 ° ) . 3.1. O fundamento regimental, por ser materia interna corporis, ^6 pode encontrar solugao no ambito do Poder Legislativo, nao sujeito a apreciagao do Poder Judicia:io. 3.2. Inexistencia de fundamento constitucional (art. 58, § 1.°), caso em que a qi:est§o poderia ser submetida ao Judiciario. 4. Mandado de seguranga nao conhecido, por
3.1.5 O m i s s o e s do poder publico
£ sabido que os a t o s juridicos p o d e m ser praticados m e d i a n t e agoes e o m i s s o e s . A s s i m , c o m os atos do P o d e r Publico nao poderia ser diferente. A t o s omissivos do Poder Publico que lesionem ou a m e a c e m preceito f u n d a m e n t a l , d e v e m ser objeto da arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l .
E o que nos ensina Dirley da C u n h a Junior (2003, p. 68):
Realce-se, ademais, que o conceito de ato do Poder Publico, para os fins de arguigao, envolve tambem e necessariamente as omissoes estatais, porquanto o descumprimento dos preceitos constitucionais fundamentais pode verificar-se tanto por agao quanto por omissao.
C o m efeito, na A D P F n.° 4 - D F , Rel. M i n . Octavio Gallotti ( D J U , 2 0 0 2 apud C u n h a Junior, 2 0 0 4 , p.625) o S u p r e m o Tribunal Federal, a p r e c i a n d o preliminar s o b r e a admissibilidade d a arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l , ajuizada pelo Partido Democratico T r a b a l h i s t a - P D T , contra M P 2 . 0 1 9 / 2 0 0 0 , q u e fixa o valor do salario m i n i m o , teve a o p o r t u n i d a d e de c o n h e c e r da arguigao por e n t e n d e r q u e a m e d i d a judicial existente - agao direta de inconstitucionalidade por o m i s s a o - nao seria, e m principio eficaz para sanar a l e g a d a lesividade, nao se aplicando a e s p e c i e o § 1.°, do artigo 4.°, da Lei 9.882/99. V e n c i d o s os Ministros Octavio Galloti, relator Nelson J o b i m , Mauricio Correa, S y d n e y S a n c h e s e Moreira A l v e s , q u e nao c o n h e c i a m d a agao. E m s e g u i d a , s u s p e n d e u - s e a c o n c l u s a o do j u l g a m e n t o para que os autos f o s s e m e n c a m i n h a d o s , por s u c e s s a o , a Ministra Ellen G r a d e .
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3.2 Leis ou A t o s Normativos Municipais
C o m o advento d a Lei n.° 9.882/99, tornou-se possivel urn controle concentrado de constitucionalidade das leis ou d o s atos normativos municipais, d a d a a previsao de fiscalizacp.o dos referidos atos pela A D P F (art. 1.°, paragrafo unico, I, da referida Lei).
A d e m a i s , as leis e os atos normativos estaduais e federals ja e r a m objeto do controle c o n c e n t r a d o de constitucionalidade atraves da agao direta de inconstitucionalidade, c o n f o r m e artigo 102, I, a, da C F / 8 8 .
O u t r o s s i m , vale ressaltar que as leis ou atos normativos municipais que contrariem preceito constitucional nao f u n d a m e n t a l p o d e m ser a t a c a d o s a p e n a s pelo controle difuso de constitucionalidade, o que j a acontecia antes da edicao d a referida lei.
3.3 Leis ou A t o s Normativos anteriores a Constituigao
A s leis ou os atos normativos anteriores a Constituigao hodierna nao e r a m admitidos c o m o objeto de agao direta de inconstitucionalidade (Adin), e m virtude de construgao j u r i s p r u d e n t i a l .
O S u p r e m o Tribunal Federal s e m p r e e n t e n d e u q u e , nesses c a s o s , o q u e se configura nao e hipotese de inconstitucionalidade e sim de incompatibilidade c o m a nova o r d e m constitucional, de maneira que o p r o b l e m a se resolveria t a o - s o m e n t e pelo f e n o m e n o d a recepgao.
O u t r o s s i m , o e n t e n d i m e n t o do S T F e o seguinte: se lei ou ato normativo e contrario h n o r m a constitucional s u p e r v e n i e n t e , a referida lei ou ato esta r e v o g a d o
por nao haver sido recepcionado pela nova o r d e m constitucional instalada. N a o sendo, pois, caso de inconstitucionalidade, m a s d e r e v o g a c a o .
O referido e n t e n d i m e n t o gera u m a inseguranca juridica, haja vista que a solugao de controversies relevantes q u e e n v o l v e m a recepgao ou nao, de n o r m a s infraconstitucionais, nao conta c o m urn instrumento definitivo de solugao d o s conflitos de eficacia erga omnes.
Destarte, as leis ou atos normativos r e v o g a d o s nao g e r a m efeitos erga
omnes, posto que a recepcionalidade ou nao, pela Constituigao, de referida lei ou
ato normativo so e passivel de analise pelo controle difuso de constitucionalidade, e s e u s efeitos f i c a m adstritos ao caso concreto e m que foi suscitada a inconstitucionalidade.
E de ver-se, p o r e m , que o e n t e n d i m e n t o de que seria a lei ou os atos normativos passiveis de declaragao de inconstitucionalidade atraves, por e x e m p l o , da A d i n , geraria efeito erga omnes, o que, indubitavelmente, proporcionaria u m a maior seguranga juridica e certeza perante o o r d e n a m e n t o juridico vigente.
V e j a m o s , entao, o e n t e n d i m e n t o de J. J . G o m e s Canotilho (1997, p. 8 3 3 / 8 3 4 ) :
[...] pode haver urn interesse juridico relevante na apreciacao de constitucionalidade de normas ja revogadas. Basta pensar nos diferentes efeitos de revogacao de normas e da declaragao de inconstitucionalidade. Aquela opera para o futuro, isto e, tern efeito ex nunc esta tern efeitos retroactivos, ou seja, produz efeitos ex tunc. Isto justificara, algumas vezes, a admissibilidade dos pedidos de declaragao de inconstitucionalidade de normas ja revogadas, justamente para se destruirem os efeitos por elas produzidos ate o momento da revogagao. Dada a excepcionalidade desta situagao, compreende-se a exigencia dos principios da adequagao, necessidade e proporcionalidade. Nao deve decorrer-se a declaragao de inconstitucionalidade sempre que os efeitos produzidos sejam pouco relevantes ou possam ser eliminados decorrendo a outros meios ou remedios para defesa de direitos.
A oportunidade da apreciagao d a s leis ou d o s atos normativos anteriores a Constituigao atraves do controle c o n c e n t r a d o de constitucionalidade foi trazida pela lei que r e g u l a m e n t o u a arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l , (artigo
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1.°, paragrafo unico, I, parte final) de maneira que o sistema de controle de constitucionalidade brasileiro p a s s o u a contar c o m um instrumento c a p a z de fiscalizar a constitucionalidade do direito precedente.
C o n v e m ressaltar que o referido controle so e cabivel se a n o r m a infraconstitucional p r e c e d e n t e a constituigao lesionar preceito f u n d a m e n t a l .
Do exposto, p o d e m o s concluir q u e sao passiveis d a arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l t o d o s os atos do Poder Publico, d e s d e que sejam ofensivos a o s preceitos constitucionais f u n d a m e n t a i s porque, ainda que a lei se refira a t o d o s os atos, nao p o d e m o s olvidar a indispensabilidade, para a propositura do referido instituto, da violagao de preceito constitucional f u n d a m e n t a l e de nao qualquer preceito constitucional.
CAPITULO 4
P R O C E S S O E PROCEDIMENTO
No que toca ao processo e ao p r o c e d i m e n t o da arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l , a l g u m a s consideragoes d e v e m ser feitas s o b r e t u d o e m relagao a legitimidade, a c o m p e t e n c i a , as m o d a l i d a d e s de arguigao e ainda, as decisoes cautelar e fina! e s e u s respectivos efeitos.
A Lei n.° 9.882/99 nao previu a existencia de prazo final para o a j u i z a m e n t o da A D P F , distinguindo-se, portanto, d o s m o d e l o s austriaco e a l e m a o ; nao obstante, e m s e u artigo 3.° e l e n c o u alguns requisitos essenciais d a petigao inicial, quais s e j a m : "a indicagao do preceito f u n d a m e n t a l que se considera violado; a indicagao do ato q u e s t i o n a d o ; a prova da violagao do preceito f u n d a m e n t a l ; o pedido e s u a s especificagoes; e se for o caso a c o m p r o v a g a o da existencia de controversia judicial relevante sobre a aplicagao do preceito f u n d a m e n t a l " .
Depois de proposta a arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l nao se admite desistencia, haja vista tratar-se de processo objetivo de constitucionalidade, vigendo sobre tal o principio d a indisponibilidade d e instancia.
De acordo c o m o artigo 6.°, caput, d a j a citada lei a p o s a d e c i s a o do pedido de liminar o relator "solicitara as informagoes as autoridades responsaveis pela pratica do ato q u e s t i o n a d o , no prazo de d e z dias". Pode t a m b e m , se e n t e n d e r necessario, ouvir as partes nos p r o c e s s o s que e n s e j a r a m a arguigao, requisitar informagoes adicionais, designar perito ou c o m i s s a o de peritos para q u e emita parecer sobre a q u e s t a o , ou ainda, fixar data para declaragoes, e m audiencia publica, de p e s s o a s c o m experiencia e autoridade na materia. A d m i t e - s e , c o m
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autorizagao do relator, a possibilidade de haver s u s t e n t a c a o oral e j u n t a d a d e memoriais, por requerimento dos interessados no processo.
4.1 Legitimidade e C o m p e t e n c i a
A priori, vale ressaltar a inexistencia de partes, no sentido de sujeitos que litigam pela d e f e s a de direitos pessoais, no processo objetivo de provocagao d a jurisdigao constitucional.
P o d e m o s falar e m legitimidade ativa na m e d i d a e m q u e a Lei n.° 9.882/99 previu, e m seu artigo 2.°, I, que " p o d e m propor a arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l os legitimados para a agao direta de inconstitucionalidade".
A Lei n.° 9.868/99, que dispoe sobre o p r o c e s s o e j u l g a m e n t o d a agao direta de inconstitucionalidade, preve e m s e u artigo 2.° q u e p o d e m propor a agao: o Presidente da Republica, a M e s a do S e n a d o Federal, a Mesa d a C a m a r a dos D e p u t a d o s , a Mesa da A s s e m b l e i a Legislativa ou a M e s a da C a m a r a Legislativa do Distrito Federal, o G o v e r n a d o r do Estado ou o G o v e r n a d o r do Distrito F e d e r a l , o Procurador-Geral da Republica, o C o n s e l h o Federal da O r d e m d o s A d v o g a d o s do Brasil, partido politico c o m representagao no C o n g r e s s o Nacional e confederagao sindical ou entidade de classe de ambito nacional.
O inciso II do referido artigo, c o m o j a anteriormente a f i r m a d o , foi v e t a d o pelo Presidente d a Republica. Tal inciso estabelecia a possibilidade da propositura da A D P F por "qualquer pessoa lesada ou a m e a g a d a e m decorrencia de ato do Poder
Publico".
A s justificativas para o veto do inciso q u e possibilitava a legitimidade aberta para a A D P F referem-se ao fato de que o a c e s s o individual e irrestrito ao controle
concentrado de constitucionalidade dos atos do Poder Publico provocaria u m a c u m u l o excessivo de agoes, inviabilizando a f u n c i o n a l i d a d e do S u p r e m o Tribunal Federal. A i n d a s e g u n d o o veto, os interessados ja p o s s u e m u m a m p l o a c e s s o ao controle difuso de constitucionalidade, s e n d o , portanto, d e s n e c e s s a r i a a legitimagao aberta.
A p e s a r das criticas feitas ao veto presidencial, c a b e realgar q u e o § 1.° do artigo 2.° d a Lei n.° 9.882/99, e m c o n f o r m i d a d e c o m o disposto no artigo 5.°, X X X I V , a, da Constituigao Federal, que preve o direito de petigao, e s t a b e l e c e :
Na hipotese do inciso II, faculta-se ao interessado, mediante representagao, solicitar a propositura da arguigao de descumprimento de preceito fundamental ao Procurador-Geral da Republica, que examinando os fundamentos juridicos do pedido, decidira do cabimento do seu ingresso em juizo.
C o n t u d o , se o Procurador-Geral da Republica pugnar pela nao p r o m o g a o da arguigao, nada podera o interessado fazer, haja vista q u e o § 2.° do artigo 2.° d a j a m e n c i o n a d a lei, que previa a possibilidade de representagao e m cinco dias perante o S u p r e m o Tribunal Federal, e m caso de indeferimento do pedido do interessado por parte do Procurador-Geral da Republica, foi t a m b e m vitima de veto presidencial.
Nao obstante a importancia das referidas criticas, p a s s e m o s as e s p e c i e s de legitimagao.
A legitimagao ativa pode ser universal ou especial. A m e n c i o n a d a divisao refere-se a exigencia ou nao da pertinencia tematica, que na ligao de A l e x a n d r e de Moraes (2003, p. 6 2 4 ) "e o requisito objetivo d a relagao de pertinencia entre a d e f e s a do interesse especifico do legitimado e o objeto da propria agao". E m outras palavras, e o interesse de agir e m d e t e r m i n a d a s situagoes de lesao a preceito f u n d a m e n t a l .
Legitimidade universal e aquela e m que os legitimados, e m razao de s u a s atribuigoes, nao precisam satisfazer os requisitos d a pertinencia tematica. S a o eles:
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o Presidente d a Republica, a Mesa do S e n a d o Federal, a M e s a da C a m a r a dos D e p u t a d o s , o Procurador-Geral d a Republica, C o n g r e s s o Federal da O r d e m d o s A d v o g a d o s do Brasil e o partido politico c o m representagao no C o n g r e s s o Nacional.
Ja a legitimidade especial e a q u e l a e m que os legitimados p r e c i s a m satisfazer o requisito da pertinencia tematica. S a o eles: o G o v e r n a d o r do Estado ou do Distrito Federal, a Mesa da A s s e m b l e i a Legislativa do Estado ou da C a m a r a Legislativa do Distrito Federal, a confederagao sindical e as entidades de classe de a m b i t o nacional.
No que c o n c e r n e a legitimidade passiva, serao legitimadas as a u t o r i d a d e s ou os orgaos do Poder Publico responsaveis pela edigao, o m i s s a o ou realizagao do ato i m p u g n a d o .
De acordo c o m a Carta M a g n a , e m s e u artigo 102, § 1.°, "a arguigao d e d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l d e c o r r e n t e d a Constituigao Federal sera julgada pelo S u p r e m o Tribunal Federal". A s s i m s e n d o , c a b e e x c l u s i v a m e n t e ao
S u p r e m o Tribunal julgar a A D P F intentada contra atos do Poder Publico que firam ou p o s s a m vir a ferir preceito constitucional f u n d a m e n t a l .
Discute-se, ainda, acerca d a possibilidade d a s Constituigoes Estaduais e s t a b e l e c e r e m o instituto d a arguigao para d e f e s a de s e u s preceitos f u n d a m e n t a i s . Para C u n h a Junior (2003, p. 66) isto e p l e n a m e n t e possivel, tanto q u e opina:
Somos integralmente Concordes com essa possibilidade, com base no criterio da simetria, de modo que as Cartas Estaduais podem perfeitamente introduzir em seus sistemas de defesa da supremacia de suas normas, a arguigao de descumprimento em tela, para a protegao especifica dos preceitos fundamentais que consagra. Nesse caso, a competencia para julga-la certamente cabera, com exclusividade, aos Tribunals de Justiga.
Se a Constituigao Federal instituiu a arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l e as Constituigoes Estaduais nela p o d e m se espelhar s e m contraria-la, nada i m p e d e q u e , a n a l o g i c a m e n t e , permita-se a instituigao da arguigao para
protegao dos preceitos f u n d a m e n t a i s d o s E s t a d o s - m e m b r o s . Decerto, c a b e r a aos Tribunais de Justiga d o s Estados o seu j u l g a m e n t o . C o m efeito, j a t e m o s c o m o e x e m p l o A l a g o a s e Rio G r a n d e do Norte.
4.2 Moda-idades da Arguigao
A Lei n.° 9.882/99 e m seu artigo 1.° previu dois ritos distintos para o p r o c e s s a m e n t o da arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l . No caput do referido artigo e s t a b e l e c e u u m p r o c e s s o de natureza objetiva e no inciso I, paragrafo unico do m e s m o artigo u m processo de natureza subjetivo-objetiva. S e n a o , v e j a m o s a ligao de C u n h a Junior (2004, p. 573):
Estabeleceu, assim, (a) um processo de natureza objetiva, no qual a arguigao e proposta diretamente no Supremo Tribunal Federal, ind:pendentemente da existencia de qualquer controversia, para a defesa exc'usivamente objetiva dos preceitos fundamentais ameacados ou lesados por qualquer ato do poder publico e (b) um processo de natureza subjetivo-objetiva, no qual a arguigao e proposta diretamente no Supremo Tribunal Federal, em razao de uma controversia constitucional relevante, em discussao perante qualquer juizo ou tribunal, sobre a aplicagao de lei ou ato normativo do poder publico questionado em face de algum preceito fundamental.
A arguigao direta ou a u t o n o m a e aquela q u e deriva do processo de natureza objetiva e a arguigao incidental e a proveniente do processo de natureza subjetivo-objetiva.
C o n v e m ressaltar q u e a referida distingao refere-se a p e n a s aos ritos que serao seguidos, desta f o r m a , nao ha de se falar e m dois tipos de arguigao, ou ainda, que a lei instituiu d u a s m o d a l i d a d e s . A referida diferenciagao, que e m e r a m e n t e processual, e feita pela doutrina e refere-se e s p e c i f i c a m e n t e aos p r e s s u p o s t o s que sao exigidos para u m a e para a outra m o d a l i d a d e de arguigao de d e s c u m p r i m e n t o .
A arguigao de d e s c u m p r i m e n t o d e preceito f u n d a m e n t a l e m sua m o d a l i d a d e direta ou a u t o n o m a e u m a agao caracteristica do controle abstrato de
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constitucionalidade, a similitude da agao direta de inconstitucionalidade (Adin), d a agao declaratoria de constitucionalidade e d a agao direta de inconstitucionalidade por omissao. A Lei 9.882/99, ao regulamentar o § 1.° do artigo 102 d a Constituigao Federal e s t a b e l e c e u , e m s e u artigo 4.°, § 1.°, que a A D P F a u t o n o m a s o m e n t e d e v e ser utilizada q u a n d o essas outras agoes nao f o r e m a d m i s s i v e i s , ou nao se revelem eficazes para afastar ou impedir lesao a preceito f u n d a m e n t a l da Constituigao Federal.
Ja a arguigao incidental de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l d a f o r m a c o m o concebida nos artigos 5.°, § 3.°, e 6.°, § 1.° da lei supracitada, apresenta-se c o m o u m a f e r r a m e n t a apta a possibilitar a p a s s a g e m direta e imediata ao S u p r e m o Tribunal Federal de u m a c e l e u m a constitucional relevante, discutida no a m b i t o d a s instancias judiciais ordinarias, d e s d e que envolva a interpretagao e a aplicagao de u m preceito constitucional f u n d a m e n t a l .
T o d a v i a , a Corte S u p r e m a ao apreciar a arguigao incidental o p e r a u m a "separagao" entre a questao de natureza constitucional e as d e m a i s q u e s t o e s levantadas e d e b a t i d a s pelas partes no caso concreto. O S u p r e m o Tribunal Federal, portanto, limita-se a observar a problematica constitucional, d e v e n d o resolver e s s a questao de f o r m a pratica e eficaz, s e m , c o n t u d o , manifestar-se acerca do objeto e d a pretensao ligada ao caso concreto, o q u e cabe, s e m s o m b r a de duvidas aos orgaos judiciarios inferiores.
V a l e , p o r e m , observar que a d e c i s a o proferida pelo S u p r e m o Tribunal Federal, ao contrario do que ocorre nas d e m a i s d e c i s o e s proferidas e m s e d e de controle difuso atraves do incidente de inconstitucionalidade, vinculara nao a p e n a s o j u l g a m e n t o do caso concreto do qual e m a n o u , m a s t a m b e m , a t o d o s os outros sob
os quais pese a n e c o s s i d a d e d e se resolver a q u e s t a o s e m e l h a n t e . Isso se d e p r e e n d e da leitura do artigo 10 e § 3 . °7 d a Lei 9.882/99.
A s s i m , o intuito do legislador ordinario foi possibilitar que a Corte S u p r e m a antecipe decisoes que v e r s e m sobre q u e s t o e s constitucionais relevantes, que anteriormente so c h e g a v a m a s e u c o n h e c i m e n t o muito d e p o i s , a p o s u m longo e moroso processo, que o a s s a por t o d a s as censuraveis vias recursais. I m p e d e - s e c o m isso, que se g e r e vm clima de incerteza e inseguranca juridica proveniente de decisoes conflitantes e r.inda, u m c o n g e s t i o n a m e n t o de agoes nos tribunals.
Destarte, as c o n ^ d e r a g o e s feitas e m relagao aos requisitos da petigao inicial, a legitimidade e a c o m p e t e n c i a , aplicam-se as d u a s m o d a l i d a d e s de arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l a c i m a tratadas.
4.3 Da Decisao Cautelssr e s e u s Efeitos
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A possibilidade d ~ d e c i s a o cautelar e m s e d e de jurisdigao constitucional retira seu f u n d a m e n t o do vasto poder geral de cautela que 6 d a d o pela Constituigao Federal ao Poder Judi: :ario no exercicio d a atividade jurisdicional. Desta feita, e
pertinente a arguigao de d e s c u m p r i m e n t o de preceito f u n d a m e n t a l a possibilidade de c o n c e s s a o de m e d i d a cautelar. V e j a m o s entao, o escorreito e n s i n a m e n t o trazido a colagao por W a l t e r Claudius Rothenburg ( 2 0 0 1 , p. 2 3 1 ) :
Da simples enunciagao do cabimento da arguigao de descumprimento tanto para evitar quanto para reparar lesao a preceito fundamental, extrai-se a possibilidade de tutela jurisdicional liminar e/ ou cautelar. Essa possibilidade ja esta insita ao principio da inafastabilidade do controle judicial (art. 5.°, XXXV, da Constituigao, que alude a 'lesao ou a ameaga a direito') e encontra valiosa ilustragao na previsao cautelar em agao direta de inconstitucionalidade (art. 102, I, p): se ate o controle concentrado tradicional de constitucionalidade admite a tutela imediata, com muita maior
7 Art. 10, § 3.°, da Lei 9.882/59: "A decisao tera eficacia contra todos e efeito vinculante relativamente