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02
Carta
ao
leitor
Aedição
que thechega
às mãos demorou um pou co mais queoplanejado
parasair,
mas o atraso tem umaboa
justificativa.
Nãopodía
mos
simplesmente
ignorar
osprotestos
contra mais um aumento natarifado
transporte
coletivo de
Florianópolis.
No final demaio,
os manifestantes foram às ruas do centro
da
Capital
eprotagonizaram
aquela
queparecia
sera nova"Revolta da
Catraca",
comoficaram conhecidas as maní
festações
queem 2004 e2005conseguiram
derrubaros reajustes
no preço dapassagem.Os dois
episódios
passa dos foramretratadoscompri
morpela equipe
do Zeroenãopoderíamos
fazer feio destavez. Fomos às ruas também.
Os crachás de
imprensa
não adiantaram muitonahora emquea Polícia Militar começou aatirar bombasde efeito mo
ral e balas de borracha para
todo lado. Tivemos que cor rer. Mais difícil que suportar o cheiro dospray de
pimenta
foi manter a tãopropalada
imparcialidade.
A verdade éFlorianópolis,
junho
de2007iif"SI!"""',..�q. � �"._'."'.:.�;:�
No meio da multidão
Integrado
de Cultura(CIC)
da obra da escultora francesa Camille Claudel. Uma no
vidade é que o
chargista
daedição passada,
Lucas Neumman, escreveutrês deliciosas matérias sobre histórias em
quadrinhos
ougraphic
novel,
comoprefere
chamar.Para
finalizar,
dando seqüência
àcomemoração
das bodas deprata doZero,
a matéria que leva o selo dos 25
anos
resgata
ahistória da denúncia,
em1998,
depagamento de
aluguel
superfaturado
porparte
da Receita Federal. Devido à matéria doshoje
jor
nalistas AlexandreBrandão,
PedroValente,
Grasiela Costae
Filipe
Bezerra,
oprofessor
Henrique
Finco,
naépoca
à frente dojornal-laboratório,
foiprocessado
depois
quea
reportagem
investigativa
denunciou o
problema.
Feliz mente, em 2003 aJustiça
deuganho
de causa aoprofessor.
Na
sentença,
ojuiz
ressaltoua
importância
da sociedadefiscalizara
Administração
PÚblica. Estamos deolho! Boa Leitura!
que, nofinaldo protesto,nos sos
repórteres,
ínvoluntaria mente, engrossavam o coro:"Vem!
Vem! Vem pra lutavem, contraoaumento!".OZero deste mêstraz ain da outros assuntos além das
manifestações.
Guardamosas
páginas
centrais paraa cobertura da
primeira
visita do papa Bento XVIaoBrasil,
fatomenos comum que os corri
queiros
aumentosda tarifa dotransporte
urbano. A vinda dopontífice
foi conferida deperto
pelos
repórteres
DalmoBorba e Murilo Mellio. Os dois foram até oSantuário de
Aparecida (SP)
acompanhar
a
chegada
do chefe daIgreja
Católica erelatam,
em um diário de
viagem,
o queviram,
fizeram e sentiramenquanto
milhares de pessoas espera
vam
pelo
papa. O resultado é uma misturado Jornalismo Gonzo com oLiterário,
elaborada com muito prazer
pelos
dois estudantes.
A
edição
conta ainda comtextos sobre a
questão
dasvideoloterias em Santa Cata rina e a
exposição
no CentroZERO
ZEBO
EDIÇÃO
REPORTAGEM PROFESSORCOORDENADOR *****
AndressaTaffarel· Annelize Conti ArielaDiniz•Bruna
Wagner Lucio
Baggio
MelhorPeçaGráficaBruna
Wagner·
EvandroBordignon
DalmoBorba>DanielaKirst I, II, III,IVeXIIsadora Peron· PriscilaGrison Evandro
Bordignon
INFORMAÇÕES
Set Universitário/
PUC-RSTaiseBertoldi· Fernanda Peres
Felipe
Monteiro· Fernanda Fava IMPRESSÃO:Diário"Catarinense 1988,89,90,91,92e98 JORNALLABORATÓRIO
ZERO Fernanda Peres·Heitor Cardoso CIRCULAÇÃO:NacionalCursodeJornalismoda U FSC
EDITORAÇÃO
Isadora Peron·Jonathas MelloDISTRIBUIÇÃO: Gratuita *
Florianópolis,
maio de2007 TIRAGEM:5.000exemplares
3°melhorAndressa Taffarel·Guilherme Carrion Lucas Neumann· Murilo Mellio Ano XXV· Número2
Tiago Agostini·
VanessaCampos
PatríciaPratts· TaiseBertoldi TELEFONES Jonal-laboratório do BrasilFechamento:XXdemaio Vanessa
Campos·VeraFlesch +55
(48)
3721.6599· 3721.9490EXPOCOM 1994
REDAÇÃO
DO JORNALILUSTRAÇÃO
3721.9215• FAX:3721.9490
*
Curso deJornalismo FOTOGRAFIA JonathasMello Melhor Jornal-laboratório
UFSC- CCE -JOR Bruna
Wagner·Evandro
Bordignon
Lucas Neumann·Adorno NAINTERNET IPrêmio Foca Trindade-Florianópolis,
SC Fernanda Fava» JonathasMello MONITORIA SITE:www.zero.ufsc.br Sind. dos JornalistasdeSe,2000CEP 88040-900 Talita Garcia Tiago
Agostini
C1RCULAçÃo:,[email protected]
Será
que dessa
vez
baixa?
ocoro
"Amanhã vai
ser maior"dos manifestantes
que
foram
às ruas contra o aumento na tarifado
transporte
público
emFlorianópolis
não seconcretizou. Na
última
quinta-feira
do
mêsde
maio,
cerca
de
4mil
protestaram
no centroda
Capital
com a esperança
de
reverter oreajuste,
assim
comoaconteceu em 2004e 2005. O
episódio
tevedireito
a confronto com a
polícia, depredação
etudo
o queremetiaa uma nova Revolta
da Catraca.
Noentanto,
o movimento
esfriou.
Houveumferiado
no começodejunho
e,naquela
semana, nãoaconteceram muitosprotestos,
apenasalgumas manifestações
referentes
aoDia do Meio
Ambiente,
comemorado
em5
dejunho.
O preço
da
passagemsubiu
5,5%
no cartãoe14,3%
para quem pagaem dinheiro. Os novosvalores
entraram em
vigor
em 27de
maio e, até agora, oprefeito
Dário
Berger
nãodeu
sinal de quevoltará
atrás nadecisão.
ZERO
de2007Entrevista
\M"Enquanto
puder,
continuarei
a
escrever"
Aos
83
anos,
Salim
Miguel,
escritor
libanês radicado
em
Florianópolis, chega
ao
27°
livro
com
O
sabor
da
fome
DANIELAKIRSTLibanês de
nascimento,
mas catarinense de coração,
o escritor SalimMiguel,
83 anos, acaba delançar
O Sabor daFome,
seu27Q título. A obratraz16contosde estilose
épocas
diferentes: 12delesfo ram escritosnoinício desteséculo,
dois nadécadade
90,
um em 1948e ooutrono anoseguinte.
Considerado um dos nomes mais
importantes
da literaturacontemporânea,
escreveu romances,crônicas,
críticas literárias e novelas. Salim recebeu
prêmios
como odaUnião Brasileira de Escrito res em1994,
daAssociação
Paulistade Críticosde Artes em 1999e, em2002,
oPrêmio JucaPato,
pro movidopela
União Brasileira de Escritores epela
Folha deS. Paulo.
O escritor
chegou
ao Brasil em1927,
com trêsanos de idade. Morou
algum
tempo
na cidade deMagé (RJ),
maslogo
se mudou paraBiguaçu,
onde viveu até1943,
antes de fixar residência em Florianópolis.
Nacapital
catarinense,
descobriua biblioteca
pública
doEstado,
onde passava horas mergu lhadonos livros. Umdia,
nãosatisfeitoapenascom abiblioteca,
Salim tornou-se sócio de umalivrariaque manteve aberta até o
Golpe
Militar de1964,
quando
foi invadidaeteveos livrosqueimados.
Naépoca,
ficou preso por48 dias porserconsiderado deesquerda,
vender livros deautorescomunistasetrabalhar para a
Agência
Nacional,
órgão
de divulgação
do governodeJoão Goulart.Como
jornalista,
trabalhou durante 40anos.Foirepórter
e chefe deredação
da editoraBloch,
do Rio deJaneiro,
escreveuparajornais
erevistasde SantaCatarina,
além deser nomeado paracomandar o escritório da
Agência
Nacional noestado,
em 1962.A
partir
da década de50,
começou atuar no cinema e no teatro. Em 1957 roteirizou O
Preço
daIlusão,
primeiro
longa-metragem
catarinense,
jun
tamente com sua esposa, a também escritora
Eglê
Medeiros. Em 1962organizou
oI Festival de Cinema Novo Brasileiroe em 1978adaptou
paraocinemaACartomante,
deMachadodeAssis. Suaparticipação
na
cinematografia
nacional therendeu,
em1994,
anomeação,
pelo
Ministério daCultura,
de membro da Comissão deResgate
doCinemaBrasileiro.ZERO:
Quando
começou o seuinteresse por literatura?
Salim
Miguel: Logo
que fuialfabetizado,
comeceialere aescrevermuito.
Quando
nãotinha nada paraler,
pegavajornais
velhos,
anúncios e até almanaquesde laboratórios
farmacêuticos,
queeram comuns naépoca.
Um dia isso nãofoimaissuficiente e então fui conversar com um
poeta
cego, dono deumalivraria,
parapedir
livrosemprestados.
Elenão concordou em me
emprestar,
massugeriu
que eulesse para ele. Passavadetrêsacincohoras por dia lendo todo otipo
de livro que se possaimagi
nar, livros que muitasvezes nem eu nem eleenten
díamos,
mas líamospelo simples
prazer de ler.Z: Existe
algo
deautobiográfico
nos seus li vros?SM:Todo
escritor,
por mais quediga
quenão,
uti lizaalgo
da vidadelenoqueescreve.Masépreciso
transformar isso numprojeto
de literatura. Se elequerfalarda
própria
vida,
faz memóriasouautobíografia.
Emalguns
demeuslivros existem elementos da minhavida,
como é ocaso de NurnaEscuridão,
quenarra a
trajetória
deumafamíliadeimigrantes.
TALITA GARCIA
Salim
garante
queparte
do que escreve na literatura deve-se ao seutrabalho comojornalista
Passava
de
três
a
cinco horas
por
dia
lendo
para
um
poeta
cego
livros
que
muitas
vezes nem eu nem
ele
entendíamos,
mas
líamos
pelo simples
prazer
de ler."
Emoutros textos
aparece inciden talmente
alguém
que a crítica acha que sou eu, mas na verdade são elementos de passagens da minha vida ou desituaçôes
quepresenciei
e que transformo em literatura.Z: Osenhorse
inspira
emalgum
escritor? SM:Na medidaemquevamoslendo,
nosaproxi
mamos mais de certos escritores.É
difícil escolherum
livro,
mas setivesse queescolher,
diriaque doisme marcaram mais:As mile umanoiteseDom
Qui
xotede la mancha.
Z: O que
representam
na suavidaosprêmios
queosenhorrecebeu?
SM: Os
prêmios, primeiro,
mostram queoautor temalgum
talentoe,segundo, ajudam
natrajetória
do escritor. Passei a vender mais e a ser mais co
nhecido
após
aprimeira
edição
de Nur na Escuridão,
queconquistou importantes
prêmios
literários dopaís.
Tudoisso,
éclaro,
ajuda
amotivaroego.Z: Fez
alguma diferença
paraosenhorsertambémum
jornalista?
SM:Para muitos
escritores,
ojornalismo
atrapa
lha,
mas no meu caso não. Devoparte
do que es crevo ao meutrabalhocomojornalista,
porque nãoacredito muito em
inspiração.
Eu acredito em trêscoisas:
vocação,
talentoepersistência.
Z:O senhor também
já
trabalhoucomcinemaeteatro.
Qual
o seuinteresse poressasáreas?SM:
Hoje
ojornalista
trabalha dentro de umaárea
específica. Quando
comeceieradiferente,
nemtinhacurso deJornalismo. O
profissional aprendia
nodia-a-dia daredação
edeviateruminteressege ral. Por isso me interesso por absolutamente tudonaárea de cultura: Gostomuito de artes
plásticas,
teatro, músicaecinema. Eume
diversifiquei
muito,
massemprecentradonojornalismo
e naliteratura.Z:
Qual
a suaopinião
sobre aprodução
literá ria catarinense?SM: A literatura em Santa Catarina tem nomes
muito
importantes,
masinfelizmentenuncateveumprojeto
cultural. Alémdisso,
sempre pensamos queo
próximo governador
vai se preocupar um poucomais com a
cultura,
mas cada um que passa épior
que o anterior. O atual
governador
por pouco não acaboucom abibliotecapública
doEstado,
quetem153 anos e éumadas três mais
antigas
dopaís.
Elapossui
um acervode valorinestimável,
todaahistó riadeSanta Catarinaseencontra nela.r-I
Z: O senhor
lançou
seu últimolivro há menosde ummês. A
intenção
é pararporaíoucontinu arescrevendo?SM: Como não sei fazer outra
coisa,
pretendo
continuar escrevendo. Tanto que em fevereiro ter
minei O Sabor da
Fome,
um livro de contos que foilançado
emmaio,
naCapital.
Enquanto
eutiversaú deeidéiasnacabeça,
pretendo
continuar.04
iiiZero
25
anos
tribunal,
no entanto, man teve a
sentença
e restou aoengenheiro
pagar asdespe
sas do processo.O réu e ex-coordenador
do
Zero,
Henrique
Finco,
quehoje
não leciona mais noJor nalismo esim no curso de Cinema da
UFSC,
comenta que"sofrer esse
tipo
de processoé um risco inerente à
profis
são dojornalista".
Ele lamenta que
ninguém
daimprensa
tenha dado continuidade àsinvestigações
docaso.Rorianópolis, junho
de2007ZERO
.�---�---tante
superior
ao valor resultante da
aplicação
da fórmulaedos
parâmetros
definidos nopróprio
laudo".Por causa da
maté-ria,
Borlin moveu umaação
judicial
por calú-nia edifamação
contra ocoordenador do Zero na
época,
Henrique
Finco,
e a Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC).
Oengenheiro
alegava
que aparticipação
que tivera no caso serestringia
à avaliação
doimóvel,
cujo valor,
segundo
ele,
correspondia
à realidade do mercado. Na
ação,
Borlinpedia
indenização
por danos morais deR$
4 mil aocoordenadorFinco ede
R$
40mil à Universidade.
O processo
atingiu
700páginas
e muito se discutiu arespeito
dasuperavaliação
da áreaalugada
de5.326,23
m". Ofatoé queovalorinicialda lo
cação
pagopela
Receita passou de R$ 94 mil para
R$
61mil em setembro de
1999,
emrazão de uma nova
avaliação
realizada por
determinação
da Secretaria do Patrimônio da União. Os cofrespúblicos
safavam-se dodesperdício
de mais deR$
30 mil por mês.Quatro
anosdepois
da publicação
damatéria,
o proces sochegou
ao fim. Asentença
foi assinadaem05de setembro
de 2002
pelo
juiz
federal PauloHenrique
deCarvalho,
da 4ª Vara deFlorianópolis.
Foi reconhecidaa
improcedência
dopedido
e a veracidade dosfa-EVANDROBORDIGNDN
tanto, constatou com provas
fotográficas
que havia apenas material deconstrução
no local,
desmentindo aversãodoex-delegado.
Cerca de três meses antes
da
publicação
damatéria,
um funcionário da
Delegacia
do Patrimônio da União emSanta Catarina procurou o
jornal-laboratório
para suge rir comopauta
uma denúncia que outrosórgãos
daimpren
sa haviam recusado veicular. O casoenvolviaum
colega
detrabalho,
oengenheiro
civil WilsonBorlin,
responsável
pela
avaliação
de imóveispúblicos
no Estado.Quatro
estudantes,
Alexandre Brandão,
PedroValente,
Grasiela Costa eFilipe
Bezerra ficaramencarregados
de checar a veracidade das
acusações.
Consultadopelo
repórter
AlexandreBrandão,
Borlinprimeiramente
afirmou des conhecer oprédio
em obras. Já em umasegunda
entrevis ta, admitiu saberdo interesse daDelegacia
da ReceitaFede ral em mudar-se para olocal,
masalegou
não ter recebidopedido
formal deavaliação
do imóvel.A
reportagem
também citava uma auditoria do Tribu nal deContas da União
(TCU),
publicada
no Diário Oficial da União emagosto
de1998,
queacusava Borlin de ser respon
sável
pela "elaboração
de lau do deavaliação
definindo valor delocação
de seispavimentos
do EdifícioOtília Elizaemmon-�'n'it '\I\'i);' r:-rQ'-Receita Federal continua utilizando a
construção
comosede,
masaluguel
foi reduzidoJustiça
confere
ganho
de
causa ao
Zero
Em setem bro de
1998,
o Zeroestampa
vanacapauma denúncia de irregularida-desnalocação
de umprédio
pela
Receita Federal emSanta Catarina. Ovalormensal pagona
época
eradeR$
94mil,
acimadopreçode
mercado,
esti madoem nomáximoR$
50mil para a áreaalugada,
segundo
corretores consultados
pelo
jornal.
Alémdisso,
a empresaRCD
Empreendimentos
começou a receber o montante
antes mesmode a
construção
estarconcluída.
O
imóvel,
localizado naAvenida Osmar
Cunha,
foialugado
semprocesso
de licitação, enquadrado
no inciso 10 doartigo
24 da lei federal8.666,
que a tornadispensá
vel
quando
as necessidades deinstalação
elocalização
condicionam a escolha em
determinado
lugar.
Adispen
sa, no entanto,
exige
que opreço
seja
compatível
com ode mercado.
Oentão
delegado
daReceita
Federal,
JanirCassai,
afirmou, na
época,
que o preçocorrespondia
aovigente
nomercado e que, mesmo com a obra
inacabada,
aReceitajá
estaria utilizando o subsolo para
alojar
materialapreendi
do. Aequipe
doZero,
noen-Matéria
que
denunciou
esquema
de
superfaturamento
no
aLugueL
do
prédio
da Receita
sofreu
processo
por
caLúnia
EVANDROBORDIGNON HEITOR CARDOSO
...
tos
publi-cados no
Zero,
queagiu
dentro da liberdade deimprensa,
relatando,
segundo
opróprio
juiz,
"irregularidades
nagestão
dopatrimõnio
públi
co, que demanda
fiscalização
permanente
e acurada da sociedade".
(Veja box).
Não
satisfeito,
Borlin re correu àsegunda
instânciae o processo foi até o Tribu nal
Regional
Federal da 4aRegião,
em PortoAlegre.
Osentença
�Juiz
reconhece
importância
da
fiscalização
No
relatório da
sentença
proferida
emprimeiro
grau,ojuiz
PauloHenrique
de Carvalho
reconheceaverdade
dosfatos
alegados pela
matéria do
Zeroeaponta
aimportância
deasociedade fiscalizar
aAdministração
Pública.
Veja
otrecho do relatório
dadecisão:
"O
laudo
pericial
e osdocumentos de
fls.274a284sãofirmes
eincontestes
aoapontar
oequívoco
naavaliação
do aludido imóvel
(fls.
339a354).
Opróprio
autordisse
emaudiência queavaliou
oimóvel
emaproximadamente
R$ 93.000,00
(fL 655).
Alémdisso,
odocumento defL
680 informaaredução
do valorinicial do
aluguel
de
R$ 93.864,88
paraR$
61.024,20, confirmando
o erro naanálise.
(
...)
Impossível,
anteaveracidade dos fatos
divulgados
e aausênciade
abuso
do direitode
narrar,aindenização
pordanos
morais.Entender
ocontrário
significa punir
osréuspelo
exerócio
da livremanifestação
do
pensamento,
assegurado
naConstituição
FederaL
Ademais,
anotíciarelata
irregularidades
nagestão
do
patrimônio
público,
quedemanda
fiscalização
permanente
eacuradada
sociedade".
t---��--- -- --- -_.- - - --- -
�---ZERO
Florianópolis, junho
de2007Mídia
e
Poder
WIGravação
revela
fragilidade
ética
da
mídia
Escuta
da
PF
mostra
como a
relação
entre
dono
dejornal
e
político pode
afetar
a
integridadejornalística
Aconversatelefônica grava
da
pela
Polícia Federal(PF)
naOperação
Navalha,
envolvendoo
deputado
distrital Pedro Passos
(PMDB)
e oempresário
Ro naldoJunqueira,
dono do Jornal daComunidade,
deBrasília,
vai além de provarqualquer
envol vimentonafraude delicitações.
Revela como arelação
entremídiae
poder público
é muitasvezes
pautada pelos
interesses econômicospessoais.
Osrepór
teres Lúcio Larnbranho e Edu ardo
Mílítão,
do siteCongresso
em
Foco,
nareportagem
"Asrelações
entre mídia epoder
emBrasília",
contamcomo esseenvolvimento
pode
influenciaras notícias
publicadas
nos veí culos decomunicação.
Na matéria,
ficaexplícita
asociedadeentre
deputados
eex-políticos
proprietários
de empresas deoutdoors,
nacapital
federal,
quanto
àscotasdepublicidade
oferecidaspelo
governo.Nos
diálogos grampeados,
o
empresário Junqueira
diz aodeputado: "Quando
você esculhambaa
publicidade
dogoverno,você está
brigando
com todosos
jornais
dacidade. Não é sócomigo".
JáPassosliga
para reclamardeumamatéria,
sobre seuenvolvimentocomgrilagem
de terras,
publicada pelo
Jamal daComunidade,
depois
daalteração
noorçamento
publicitário.
Conversas como estas trazem
à reflexão decomo interesses econômicos
podem
alterarpautas,
arriscar acredibili- /-.?'>c-"-,--""':?". dade dosconteúdosefragi
lizar aética
profissional
nojornalismo.
VANESSA CAMPOS
PATRIcIA
PRATTSO volume normalmente
gasto
compublicidade pelos
governos
justifica
o interesse de muitos veículos de comunicação
em manter umarelação
vantajosa
com opoder público.
SóemSanta Catarina foram gas
tos em 2005
pelo
governoestadual
R$ 63,4
milhões doscofrespúblicos
commídia,
contraR$
54,6
milhões em 2004-um au
mento de
16,26%.
A Secretaria de Estado daComunicação
concentrou 78% desse dinheiro para
divulgar
epromoveraadministração
direta do governo doEstado.pelo
interesse
ourelação
com aempresa que anuncia.
Comple
mentaaindaque, mesmoqueo
veículo de
comunicação
tenha necessidade financeira parasobreviverno
mercado,
essefatorjamais
pode
influenciar no queconduzaatividade dos
jornalis
tas:ointeresse
público.
Daniela
Rísson,
professora
deÉtica
eLegislação
doJornalismo,
revelaque essetipo
derelação
entrea
publicidade
e aáreaedi torial dos veículos de comunicação
acaba sendocomum,apesar de isso serantijornalístico.
Elaexplica
queestarelação
éantiga,
pois
vemdesdeosurgimento
dapublicidade
nosjornais. Contudo,
osveículos passama serconside radosempresaseadministradoscomotais.
Assim,
osjornais
pas saram adepender
dapublicidade
como fonte de financiamento.
"Issogeraessa
relação negativa",
afirma a
professora.
Comolegí
timo 'CidadãoKane',
Daniela acredita queos donos
dos
jornais
usam o po
der que
jul-gam
deter,
por editaremum determina doveículo,
para ameaçaranunciantes,
políticos
e desafetos.Proposta
de
regulamentação
das licítacões
.:>A
publicidade
estatal atravésde
agências
depropaganda
deveserlicitada,
de acordocom a lei federal 8.666 de1993,
que instituinormasgerais
sobre licitações.
Noentanto, odeputado
federal José Eduardo Cardozo
(PT-SP)
defende a inclusão nalei de normas
específicas
pararegulamentar
arelação
entreasagências
depublícídade
e osgo vernosde todasasesferas.Segundo
Cardozo,
a atuallegislação possui
deficiências que faz com que asagências
sejam pressionadas
acontratarempresas indicadas por pesso
as
ligadas
ao governo. Odepu
tado é autor do
projeto
de lei7.352/2006
quepropõe
alterareacrescentar
dispositivos
rela tivosàlicitação
eàcontratação
de
serviços
depublicidade
edeassessoriade
imprensa.
Dentre asprincipais
inovações
doprojeto
está aque impede
que osresponsáveis
porjulgar
aspropostas apresenta
das
conheçam
seusautores.Há também aprevisão
da escolha deumacomissãojulgadora
por meiodesorteio,
compessoas de umalistapública,
além datentativade evitar que uma
agência
vencedora de uma concorrên ciasubcontrateterceiros.
OPL 7.352 foianexado a ou
tro
projeto
de lei(pL 7.709/2007),
de autoria do Executivo Federale que
propõe
outras reformasnalei 8.666.OPL7.709
já
passoupela
Câmara eagoratramitanoSenado.
Escuta da
Operação
Navalha
desmascara
político
e
revela
sua
íntima
relação
com
dono
de
jornal
Compromisso
éticoO
presidente
do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina,
RubensLunge,
avaliou oconteúdoda
reportagem
do siteCongresso
emFoco,
eafirmaque arelação
entreaempresadecomunicação
eo governo,depen
dendo de como se
comportam
osdoislados,
refle-te diretamente _.a.-_�
na
pauta
e noque será noti ciado. Rubens sa lienta ainda queosindicato
reivindica,
entre outrascláusulasdacampanha
salarial de2007,
acláu-sula
ética,
naqual
ojornalista
poderá
seoporafazer determí nadapauta
quando
ela afrontaro
código
de éticadaprofissão.
Arelação
entreoanunciante,
seja
ele quem
for,
no entendimento dosindicato,
jamais
pode
in fluenciarnapauta.
"Matériaspagasdevem ficar bemclaraspara
os
leitores,
eénossaobrigação,
deixar isso claro a quem nos
pauta
nasredações",
diz. Alémdisso,
opresidente
do sindicato enfatiza que an
tes de
qualquer
interesse po lítico oupessoal,
ojornalismo
somente resiste porque tem
credibilidade e se move no
sentido de defender a socie dade e a
comunídade,
e nãoPedro
Passos:Deixa
eutefolar
umacoisa,
teperguntar
umacoisa.
ALgum
dianavida
eujáfi: alguma
coisa quelhe
desagradou
ou[he dei
alguma palavra
contraquaLquer
interesseseu oudeseupessoal
queeunãosaiba?
Jáfiz
isso,
pelo
amorde Deus?
Ronaldo
Junqueira:
É.
Mas porque você estáperguntando
isso?
Passos:
Ué,
masp",
porque
essamatériaemamade
mim,
rapaz.
Eu,
que tô tãor
desse
jeito,
vocêfazer
umamatériadessa.
Junqueira:
Pedro
Passos,
maseununcasoube
que vocêentendesse de
pubiicidade. Agora
não temuma semanaque você não
faz
umdiscurso
esculhambando
oudicidode,
não seio
quê.
Você támudando
de ramo? O que táhavendo
comvocê?Passos:
(risos}
Maso seunome,o seujornal,
a suapessoa eununcatoquei.
Eutoconasacanagem que tãofazendo
comnós,pô.
Junqueira:
Nãoadianta,
rapaz...Quando
vocêesculhamba
apublicidode
do
governo, você estábrigando
comtodos
osjornais
da cidade.
Não é sócomigo.
Passos:
Não,
masnãoé, não,
Ronaldo.
O queogovernotá
fazendo
comagente,
emtermosdenegóao
dematéria
em
ama da
gente,
éumneqõcio
horroroso,
pô.
Aí,
quando
bate
naCâmara,
até tudobem,
já
éoqueele vinha
fazendo
mesmo,né.
Mas,
batendo
emmim
individualmente,
ainda
mais
você,
queeunutroporvocê
umaamizade
pessoal.
Junqueira:
Temuns11deputados
doidos
propondo
cortar 20milhões cada
umda verba
do governode
publiadade,
evocê tá
lá
nomeio.
Meu Deusdo
céu!Passos: Mas pra que você
vai bater
emmim,
oúnico
que é seuamigo
deverdade,
"sô"? Batenosoutrosdez,
"uai".Acabarcom
osoutrosdez.
Algum
dia
navida
vocêmepediu alguma
coisa queeufalasse
não para você? Vocêtem
dúvida
sevocêpedir
pramim tirarassinatura de
CPIoubotar
se eudeixo de tirar
oudeixo de botar?
(
...sobreodeputado
JoséReguffe
-PDT)
Junqueira: Deputado
novo,cheio
degás,
nãoseioquê.
Você
sabe
quenaeleição
euatéajudei
ele. Dei
unscartaz paraele,
unstremlá.
Passos: No
dia
queele
foi
lá,
tomouposse,ele
foi
lá
...Ronaldo
temaLguma
coisa possateajudar?
Eufalei
nada.
Nada de
cargo, nãotemempregoeunão queronada.
Aíele
perguntou
efalou
setinhaalguma
coisa quepodia
me
atrapalhar.
Eufalei
tem.O que é?Quando
apareceroassunto
ouolkidade
de governo você sai deplenádo.
Vocêcorredisso
comoodiabo
dacruz.Porque?
Porque
você pensa que tásaameando
ogoyerno,
masnãotá. Tásacaneando
osjornais.
EaGlobo.
Eocr. E você é muitonovoparaarrumar uns
inimigos
desses.
Fonte:
www.congressoemfoco.com.br
Acervo: Biblioteca Pública de Santa Catarina
w
Videoloterias
ZEBO
de2007
Justiça
suspende
videoloterias
no
Estado
Supremo
juLga
inconstitucionaL decreto
que
permitia expLoração
do
jogo.
Ainda
não
há
reguLamentação
federaL
para
o
setor
FERNANDA FAVA
FERNANDA PERES
...
pública,
Antonio FernandoSouza,
que reclamou ao Su premo. ParaRocha,
a estratégia
do governo estadual éuma "afronta" à Constitui
ção.
"Ao editar odecreto,
ogovernador
mostrou umatutela incrível à
jogatina",
denuncia.Em
agosto
de2006,
o STFjá
haviaquestionado
a competência legislativa
dogovernocatarinensenoassunto.Na
época,
oobjeto
da discussãoera a Lei Estadual nº. 11.348 de
2000,
quedelegava
ocon-trole dos
jogos
de azar eletrôni cos à Codesc. OSupremo
consi derou a norma inconstitucional. Em feverei-ro de2004,
foipublicada
a Me dida Provisória168,
queproibiu
ojogo
no Brasil. Editadapelo
pre sidente Luiz Iná cio Lula da Silva Uma decisão doSupremo
TribunalFederal
(STF)
evitoua tentativa do governo esta
dual de autorizar ofunciona
mentoemSanta Catarinadas
videoloterias,
popularmente
conhecidas como
máquinas
caça-níqueis.
No começo demaio,
através de uma liminar que
impediu
avigência
do decreto estadual
076,
oSTF reafirmou que o mérito de
legislar
sobre sistemas de sorteios é de ca-ráterprivativo
daUnião,
comoprevê
oartigo
22 daConstitui-ção
Federal. Através decretoAo
editar
o
decreto,
o
governador
Luiz
Henrique
mostrou
uma
tutela incrível
à
jogatina.
'" do076,
de fevereiro de2007,
o governador Luiz Henri que da Silveira
permitia
que aDAVY LINCOLN ROCHA
Companhia
deprocuradordaRepúblicaem
Desenvolvimen- Santa Catarina
to do Estado de Santa Catarina
(Codesc)
voltasse a se ocupar do credenciamento e da
fiscalização
das loterias eletrônicas,
proibidas
nopaís
desde2004.Antes da
liminar,
48casas estavamemativida de com base nodecreto.Os
procuradores
da República
noEstado,
CelsoAntônio
Três,
Davy
Lincoln Rocha e JoãoMarques
Neto alertaram sobre o decretoao
procurador-geral
daRe-em uma tenta
tiva de abafar o
escândalo Waldomiro
Diniz,
a MP foi
revogada
no Congresso.Duranteo
período
devigência
damedida,
os estabelecimentos catarinenses continuaram
funcionando,
porque a Lei 11.348 passoua ser usada para
legitimar
aexploração
dosjogos.
"Quando
a lei de 2000 foijulgada
inconstitucional,
no ano
passado,
suspendemos todas as
operaçôes
!g;r::M 7::.nnttn rf",f..nrl.. in.... nrnmnfnrm::. ri... r::.r.. mnr"' .... n '" r",nrf::.
""f
GRÃO
EMGRÃíl Apenas
em2003,
Codesc recebeu repasse deR$
22 milhõesdemáquinas caça-níqueis
e
credenciamentos",
conta o
gerente
de Loterias da Codesc, Adriano Teixeira. "Nesse meiotempo,
até fevereiro,
trabalhamos no de senvolvimento de uma novalegislação."
Daísurgiu
o decreta
076,
assessoradopelo
procurador-geral
doEstado,
Adriano Zanotto. "Editamoso texto com base na
própria
decisão do
STF,
que declarou inconstitucional a lei de
2000,
mas ressalvouuma outra, de
1966,
que ainda estáem
vigor
epode
serregula
mentada",
diz. Zanottose refere à Lei Estadual nº.
3.812,
que criaa Loteria do Estado de Santa Catarina.
de
quatro
mil empregos diretos ecinco mil indiretos para os catarinenses. No auge da
atividade,
em2004,
a Codesccontava 30 casas de
bingo
e159 videoloterias em funcio
namento. Esse número caiu para dez
bingos
e 56 videoloterias no ano
passado.
Em
2005,
aarrecadação
daCompanhia
não passou dosR$
8milhôes,
anteR$
22 mi lhôes em 2003. Cerca de 300projetos
sociais ficavam com7% desse montante, sendo o
restante destinado aeventos
esportivos
eàadministração
interna da Codesc. Ganhos
Antes mesmo da segun da
sentença desfavorável,
ogoverno se
antecipou
ao STFe
suspendeu
o decreto 076."Apesar
deproibido,
ojogo
continuasendo uma atividade lícitacomo
qualquer
outra,quegera emprego,rendae dívíden
dos paraSantaCatarinae para
quem
investe,
alémde atrairoturismo",
defendeZanotto. De acordo com representantesdo setor, a
exploração
dos
jogos
de azar gera cercaFAVA
Sem
bingos, Federação
de Velas passa por
dificuldadesfinanceiras
As
leis
Zico(n>
8.672de
1993)
ePelé
(n>
9.615de
1998)
tornaram aatividade dos
bingos legal
desde
que umaporcentagem
da
arrecadação
fossedestinada
aassociações
desportivas.
Em2001,
a LeiMaguito (n°
9.981de
2000)
revogou osartigos
da
LeiPelé
referentes
aosbingos.
Entretanto,
osquejá
existiam
continuaramoperando.
No
Estado,
umadas entidades
que sebeneficiou
com alegislação
foi
aFederação
de
Velas
de Santa Catarina(Fevesc),
sediada
emFlorianópolis,
quetem entre 600e 700velejadores
filiados
e seteclubes.
A Fevescrecebia
um repassede 2,38%
ao mêsdo total
de cartelas vendidas
pelo
Golden
Bingo,
empresa
queexplorava jogos
deazar naCapital.
A taxaequivalia
a umamédia de
R$120
mil por ano parafinanciar
ascompetições
estaduais
de vela.
Após
ofechamentodos
bingos
em2004,
aúnica fonte de renda
dafederação
passou a ser acontribuição
dos clubes
filiados.
"Esteanoestamos semfuncionários
e não pagamosaluguel.
Aluz
e otelefone,
opróprio presidente
paga. Asdespesas
de
competição
estãosendo bancadas
pelos
clubes",
afirma
opresidente
da
Fevesc,
Samuel Linhares.
"Afederação
sempreapoiou
astentativas de
legalizar
ojogo
porqueera a únicaforma de
oesporte
sobreviver
em SantaCatarina."
_-ZERO
Florianópolis,Lunho
de2�07
Falta
de
regulamentação
incita
práticas
corruptas
As
vantagens
daexploração
econômica do setor não superam os danos causados
pela
jogatina,
naopinião
do procurador da
República
em Tubarão Celso Antônio Três. "Essa história da
geração
de renda é enganosa: essas casas investem muito poucoem compara
ção
ao dinheiro que tiram daspessoas",
acredita. Ele entende que, semregulamentação,
oBrasil uniuoque há de
pior
naatividade lícita- o
prejuízo
nobolso do consumidor e o vício
- com omaior inconveniente da
prática
ilegal,
acorrupção.
Pela lei
estadual,
uma máquina
caça-níqueis
deveria de volver empremiação
pelo
me nos85% do que arrecada.Mas,
de acordocomodelegado geral
daPolícia Civil de Santa Catari
na, Mauricio
Eskudlark,
o proprietário conseguiria
adulterarosistema da
máquina
paramodificaresse
percentual.
Oequi
pamento
pode
serprogramado
para
premiar mais,
atraindono voscompetidores,
ouparanãopremiar,
recuperando
assim aquantia
pagaemprêmios
pela
casa.O
procurador
daRepública
em
Florianópolis
AndréBertuol enumera outrasinfraçôes
co muns nestetipo
deatividade,
como
sonegação
deimpostos,
lavagem
dedinheiro,
contrabando de
equipamentos,
fun cionamento semlicença
e atéinfiltração
de "testas-de-ferro" daspróprias
casaspara levarosprêmios
mais altos. Em defesaprópria,
a Codescexplica
que,quando
a atividadepodia
serexercida,
umafiscalização
detalhadaerafeita semanalmente
para identificaressasfraudes.
Além da
corrupção,
Bertuol alerta para oefeito dajogatina
na rendado cidadão. "Acapta
ção
da poupançapopular
pelo
jogo
tambémélesiva, pois
não deriva apenas do prazer de apostar, mas muitas vezes da ilusãodeumasolução
fácil paraproblemas
financeiros.É
comojogar
dinheiro nolixo",
lembra. Como passar dotempo, a
DIVULGAÇÃO/POLIcIACIVIL
FRAUDE
Delegado
aponta
possibilidade
deadulteração
dasmáquinas
simples
vontade de recuperaros valores
apostados pode
setornarumvício parao
jogador,
caracterizando distúrbio com
pulsivo.
Para orientar essaspessoas, em
Florianópolis
existe umgrupo de
Jogadores
Anônimos
(JA).
[ver
box]
no Senado e agoratramita na
Câmara dos
Deputados.
No dia 16 demaio,
umamanifestação
reuniu 12 mil trabalhadores de casas de
jogos
emBrasília,
pedindo
quea atividade volte a serpermitida.
Na ocasião,o
presidente
Luiz Inácio Lulada Silva expressou que não é contrário à atividade."Oupro
íbe,
ouregulamenta,
oquenãopode
é ficar essaindústria deliminares",
explicou.
Para o
procurador Davy
Rocha,
umasolução
paraa regulamentação
é usar o mode lo instituído emalguns
países
da
Europa
e nos Estados Unidos,
quepermitem
ojogo
emgrandes complexos
turísticos isolados dos centrosurbanos. "Issoimpossibilitaria
quehaja
máquinas
caça-níqueis
emqualquer padaria
oulanchonete, comoé comum
hoje,
gerando
vício egastos
abusivos."
De acordo com o advo
gado
daAssociação
Catarinensede
Bingos
eVideolo terias(ACBingo),
RobsonVieira,
estudos recentessugerem, entre outras me
didas,
afiscalização
online dasmáquinas,
querastrearia
possíveis adulterações
porparte
doproprietário,
e ocontrole de CPFnoato
daaposta,visandoconter
o endividamento do
jo
gador.
"Muitas vezes é afalta de
regulamentação
clara que abre brechas para
corrupção
e outrosproblemas.
Opaís pode
legalizar
o setor, fiscalizando e
punindo
severamente as casas de
jogo",
sugere Vieira.
Façam
suasapostas
No
Congresso
Nacional,
dezprojetos
de lei defendemalegalização
dosjogos
de azar,enquanto sete estabelecem a
proibição.
Umamatériadetermi nandoqueaUniãodelegue
aosEstadosautonomiapara
legislar
sobreoassunto
já
foiaprovada
1993- leiZico autoriza entidadesa
explorarjogos
ereverterlucros parao
esporte;
1998- LeiPelé
regula
atividadedebingos;
2000- leiMaguito
revogaartigos
sobrebingos
da lei Pelé. Continuam existindoas casascriadasatéestadata.Estados passamaeditar leis sobreosetor;
- lei Estadual11.348
permite
jogos
emSC;
2004- MP168suspende
atividadedebingos,
é revogada
trêsmesesdepois pelo
Congresso;
2006
-STF
julga
alei11.348inconstitucional;
2007-Em
fevereiro,
oEstadopublica
decreto 076 permitindo funcionamentode
caça-níqueis.
Emabril,
oSTFsuspende
avigência
dodecreto.Videoloterias
@07
!IIIl =_*
vício
Mais 24 horas de
abstinência
do
jogo
Aomesmo
tempo
quegera empregose
lucro,
osjogos
de
azarpodem
setornarum
problema
de
saúdepara quem não consegue
seconterefazdas
apostas
umvício diário. Para
ajudar
á
essaspessoas,existe
em
Florianópolis
ogrupode
auto-ajuda Jogadores
Anônimos(JA).
o
tratamentoébaseado
emsimilarescomoo
Alcóolicos Anônimos
(AA).
A entidadesemfins lucrativosfoi
criadaem2002ejá
atendeuemtornode mil pessoas
gratuitamente.
Para custearseusgastos,
oJAdepende
dascontribuições
dos
próprios
membros.Uma
dessas
pessoas éofuncionáriopúblico
O.M.5.,
53anosejogador
compulsivo
por maisde
20."Cheguei
a desviarR$
6 milda
contabancária de
minhamulher,
porqueestavasemdinheiro para
apostar",
lembra. Issoaconteceuem
novembro de2006 e,desde
então,
O.M.5. passouafreqüentar
oJA.Sempre
queti
nha
umtempo
livre,
não resistiaeparavaem umacasa
dejogos
para
fazer
algumas
apostas.
"Aindavou levardois
mesespara
quitar
asdívidas
quefiz
noperíodo
emquejogava",
conta.
Histórias
deproblemas
familiaresdevidoaovícioe ao endividamento porcausado
jogo
sãocomuns nosdepoimentos
dados
duranteas
reuniões
do grupo. Acada
sessão,
osjogadores
emrecuperação
dividemsuasexperiências,
oram edesejam
unsaosoutros"mais 24horas
de serenidade
eabstinênciadojogo".
o JAsereúne às
terças
equintas-feiras
às19h e aossábados
às16h,
naIgreja
NossaSenhora
da
Conceição,
noCentro. O telefone para
contato
é
(48)
8414 2208. Todasasinformações
sobrearede de
Jogadores
Anônimos
emtodooBrasil estão