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Virtual Books - E-Book: Mokolóton de Notice: Array to string conversion in /home/virtutmv/public_html/v2/ebooks/ebook.php on line 19 Array em Portugues

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Academic year: 2021

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Essa novela juvenil de ficção científica foi premiada no concurso "Prêmio Joaquim

Duarte Baptista", promovido pela Sociedade de Cultura

Latina do Brasil, em Mogi das Cruzes (SP). Participou com cerca de 6000 textos.

Foi numa manhã de verão que Mokolóton chegou. Sem ser percebido por ninguém, sem ser detectado por nenhum radar, pousou sua nave na base de uma montanha. Deu uma olhada em volta, procurando um lugar onde pudesse esconder a nave. Com sua vista aguçada, não demorou a avistar uma caverna. Foi até ela e examinou-a cautelosamente. A caverna, além de espaçosa, não tinha morcegos. Nem vestígio de outro animal qualquer que pudesse incomodá-lo. Portanto, concluiu que estava desabitada.

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“Este local serve para o meu esconderijo”, disse para si próprio. E cuidou que tudo se arranjasse. Passou para o lado de fora da caverna e executou as seguintes operações:

Olhou firmemente para sua nave. Esta, como se lhe obedecesse, ergueu-se no ar até mais ou menos a altura de seus olhos e se manteve nessa posição por alguns segundos.

Mokolóton lentamente girou a cabeça em direção à entrada da caverna.

A nave, como se fosse impulsionada pelo movimento de seus olhos, fez um trajeto circular, até que parou diante da abertura e ficou suspensa

no ar. Ele avaliou rapidamente o tamanho da nave em relação à abertura da caverna. Viu que não haveria nenhum problema caso a introduzisse de lado. E foi o que fez. Virou-a no ar e em seguida, com acenos repetidos, introduziu-a na caverna, pousando-a cuidadosamente no chão. Esta pousou sem barulho.

“Pronto!”, pensou. “O primeiro passo já está dado. Agora preciso explorar o lugar, descobrir como vivem seus habitantes e depois enviar notícias para o meu povo.”

Passou novamente para o lado de fora da caverna e pôs-se a observar o panorama. O local parecia deserto. Somente trinado de pássaros ouvia-se ali. O sol ainda não despontara no horizonte. Os pássaros cantavam alegremente nas árvores, como se preparassem para a

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apresentação de um concerto muito hilariante. Mokolóton sorriu encantado com a barulheira que faziam e ficou observando seus movimentos nas árvores.

Tirou um pacotinho de amendoim do bolso. Sem tirar os olhos dos pássaros, abriu-o. E lentamente ia comendo os grãos, enquanto observava tudo em volta. Naquela hora do dia os morros estavam encobertos pela neblina e pareciam enegrecidos, reflexos da rica vegetação verdejante.

Sentou-se no chão. Tirou da mochila um instrumento parecendo um binóculo. E com ele pôs-se a vasculhar o local. Então pôde observar melhor a extensão em volta. Viu umas casinhas lá longe. “Deve ser onde moram os habitantes deste lugar”, concluiu. “Lugar magnífico, verdejante, povoado de pássaros que cantam alegres. Mas que tipo de seres são os habitantes deste planeta? Como serão eles?”

Louco para matar a curiosidade, resolveu descer e caminhar numa direção pré-determinada. Caminhou algum tempo, não encontrando ninguém pelo caminho. Isto é, nenhum ser humano ele encontrava pelo caminho.

Entretanto, para sua surpresa, avistou uma cobra. E curioso com o surpreendente animal que rastejava, ergueu-a do chão, quando imediatamente levou uma picada. Tratava-se de uma urutu-cruzeiro, cobra venenosa. Uma pessoa que leva uma picada dela, se não for socorrido de imediato, morre instantaneamente.

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Mas Mokolóton, no entanto, como se tivesse sido picado por um mero inseto, nada sentiu. Largou o animal no chão sem manifestar o menor descontentamento e continuou seu caminho.

Adiante, encontrou um tamanduá-bandeira. Este veio rapidamente ao seu encontro.

“Até que enfim alguém que anda sobre pernas”, raciocinou. Esperou agachado pelo bicho que se aproximava ameaçadoramente, longe de imaginar o que iria acontecer. E estendeu os braços a ele. Mas o tamanduá, sem dó nem piedade cravou nele suas unhas pontiagudas. Desconfiou que o tamanduá é um bicho agressivo. Sem se incomodar com a dor, entretanto, desgrudou o indelicado animal do corpo e o pôs no chão. O tamanduá ficou golpeando o ar sem entender o que se passava. Mokolóton, entretanto, sem exibir nenhum ferimento, continuou seu caminho.

“Os habitantes deste planeta são inóspitos”, disse por fim. “Não se comunicam. Parece que não pensam. E atacam sem a menor necessidade. Portanto, são briguentos.”

E continuava seu raciocínio, enquanto caminhava: “Não são uniformes. Usam a boca para morder e as unhas para ferir. E atacam sem motivo aparente...” E foi pensando desse modo que mais tarde se surpreendeu com uma criatura diferente das que vira até então. À porta de uma casa avistou um menino sentado no chão, que passou a olhar para ele assustado, querendo fugir. Mas o menino, apesar da insistência em querer se levantar, não conseguia. Arrastava-se somente. E

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arrastando-se foi em direção à porta, onde parou e pôs-se a olhar para o visitante.

Mokolóton achou estranho aquele jeito de andar. Porém descobriu que o que o menino queria era ficar de pé e caminhar. Portanto, sem sair do lugar, pôs-se a observar a criatura que lhe parecia amedrontada. Esta, por sua vez, concluíra que o visitante não tinha nenhuma intenção de lhe fazer mal. Pois, se quisesse, já o teria feito, pelo tempo que permanecia ali. Notou que Mokolóton tinha uma aparência estranha. Mas não parecia ser mau. Era bastante alto, robusto e tinha o corpo encouraçado. Um olhar firme e penetrante que parecia adentrar seu corpo. E concluiu que o “monstro” não mais o deixava assustado. E arrastou-se de novo, só que desta vez para mais perto dele.

Afinal, Lucas que vivia o tempo todo sozinho, na sua inocência, se ele se deparasse de repente com o bicho-do-mato, o boitatá, o curupira, ou o saci-pererê, certamente que não ficaria apavorado, por entender que nenhum desses seres lhe faria algum mal.

No entanto, querendo que a mãe também visse o visitante, seu novo amigo, fez gestos desengonçados tentando chamar sua atenção. A mãe dele estava distante. Então ele se arrastou de novo a fim de chamá-la.

Lucas não andava. Aliás, nunca andara. Desde cedo descobriram ser portador de paralisia cerebral. A família o levara a diversos médicos, de cidades diferentes. Como nenhum deles dera jeito,

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Ela acreditava muito nisso. E na esperança de que esse milagre viesse a acontecer um dia, orava todos os dias. Sem dinheiro para correr mundo, orava incessantemente acreditando que um dia o filho ficaria bom. E toda a família adquirira o hábito cultivar pensamento positivo, fazer orações seguidas, pela cura de Lucas.

“Por que essa criatura se arrasta e não anda?”, pensou Mokolóton, notando ser o menino uma criatura semelhante as criaturas de seu planeta, se bem que de pequena estatura.

“Deve ser filhote”, concluiu. E decerto por ser filhote não o atacara, como fizeram os outros bichos.

Apresentava a inocência das crianças de se seu planeta, se bem que sua aparência fosse diferente.

“Será que o povo daqui é todo assim?”

Como Lucas agora sorria para ele, ele passou a sorrir para o menino também.

Nisso Lucas começou a sentir uma estranha transformação. De súbito sentiu um puxão no corpo, um choque, sem, contudo, sentir dor. Sentiu que suas pernas iam ficando alongadas, que ganhavam músculo, que se esticavam, como se estivessem sendo puxadas por alguma força invisível. E, como se essa força invisível o erguesse, pôs-se de pé. Deu uns passos. Andou direitinho. Sorriu mais ainda para o forasteiro, sem acreditar no que lhe acontecia. Agora não via mais a sua frente um monstro, mas sim um homem, ou então um deus.

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- Mamãe! Vem ver o que este homem fez comigo! – gritou.

- Ora, Lucas! Vê se não me incomode! Já não falei que é pra não me incomodar quando lavo roupa? Mas deu-lhe um lampejo de repente:

- Lucas falou comigo?

Sabia que Lucas não conseguia pronunciar as palavras corretamente. Como gritara então?

E correu ao local onde gostava de ficar o filho, sozinho, na porta da casa.

Lucas havia saído no encalço do monstro, seu benfeitor, que se assustara quando ela gritou e se embrenhara na mata.

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SOBRE O AUTOR E SUA OBRA

José Guimarães e Silva

Nasceu em Cáceres, Estado de Mato Grosso, em 22 de março de 1951. É o caçula de seis irmãos, filho do segundo casamento de seu pai.

Quando tinha apenas três meses de nascimento, a família mudou-se para Cuiabá, cidade em que viveu até a idade de 19 anos, passando depois a residir em São Paulo.

Em Cuiabá, depois do curso primário no Grupo Escolar “Prof. Joaquina de Cerqueira Caldas”, ingressou-se na Escola Industrial de Cuiabá, hoje Escola Técnica Federal de Mato Grosso. Em Cuiabá também serviu o exército no 16 Batalhão de Caçadores, onde dava asas à imaginação escrevendo cartas de amor, às namoradas dos colegas que não sabiam ler.

Em São Paulo, concluiu o curso de Ciências Físicas e Biológicas, licenciatura, primeiro grau. Matemática, segundo grau, na universidade São Judas Tadeu. E Mestrado na PUC-SP.

O desejo de escrever surgiu de forma espontânea, procurando expressar seus sentimentos e experiências, estimulado pela professora de Português, que sempre elogiava suas redações. E essa motivação cresceu quando em 1980 foi contemplado com a Sexta colocação do II Concurso Literário “Em breve nascerá outro escritor”, com o conto “O Investidor Ilícito”. Esse conto faz parte do livro “O Velório do Boi”, a ser editado brevemente, pela Editora Talento Brasileiro.

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No entanto, só voltou à escrita agora, que se encontra aposentado, pela Caixa Econômica Federal.

Hoje é membro do Grupo Poetrix:

http://poetrix.vila.bol.com.br Escrivaninha:

http://www.netpar.com.br/tits

Hoje, em Pouso Alegre, próspera cidade do Sul de Minas, onde reside desde 1999, passa o tempo brincando com sua filha Luiza, de cinco anos de idade, que o alegra sempre com suas invencionices ou contando estórias sem pé nem cabeça, enquanto o pai escreve as dele.

As opiniões serão sempre bem-vindas.

Livros publicados:

“Companheiro de Viagem”, Editora Salesiana Dom Bosco, 1981 e Virtual & Editora, 2001;

http://www.papelvirtual.com.br

“O Desconhecido”, conto, em “Nova Literatura Brasileira”, Shogun Editora e Arte, 1983.

“O Velório do Boi”, contos, Editora Talento Brasileiro;

http://www.talentobrasileiro.com.br

Para corresponder com José Guimarães escreva: [email protected]

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Referências

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