• Nenhum resultado encontrado

Automação de Processos: estudo e aplicação de método de custeio para precificação de projeto

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Automação de Processos: estudo e aplicação de método de custeio para precificação de projeto"

Copied!
84
0
0

Texto

(1)

Centro de Blumenau

Departamento de Engenharia de

Controle, Automação e Computação

Ana Júlia Lanzarin

Automação de Processos: estudo e aplicação de método de

custeio para precificação de projeto

Blumenau

2020

(2)

Automação de Processos: estudo e aplicação de

método de custeio para precificação de projeto

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Fede-ral de Santa Catarina como parte dos requisitos necessários para a obtenção do Título de Engenheiro de Controle e Automação. Orientador: Prof. Dra. Caroline Rodrigues Vaz

Universidade Federal de Santa Catarina Centro de Blumenau

Departamento de Engenharia de Controle, Automação e Computação

Blumenau

2020

(3)

Automação de Processos: estudo e aplicação

de método de custeio para precificação de

projeto

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Federal de Santa Catarina como requisito parcial para a ob-tenção do título de Engenheiro de Controle e Automação.

Comissão Examinadora

Prof. Dra. Caroline Rodrigues Vaz Universidade Federal de Santa Catarina

Orientadora

Prof. Dra. Ana Julia Dal Forno Universidade Federal de Santa Catarina

Prof. Dr. Leandro Duarte dos Santos Instituto Federal de São Paulo

(4)
(5)

A minha mãe Maricene, pedagoga que dedica sua vida à crença de que todos têm algo a nos ensinar, a qual não falhou nas orações durante toda a minha graduação. Ao meu pai Élton, que sempre proveu os meios necessários para que eu pudesse aproveitar as oportunidades que a vida me dá. A minha irmã Aline, minha mentora e confidente que me fez manter a Fé, não deixando eu me abalar pormenores. Ao meu anjo da guarda, Ziza, quem me guiou pelo bom caminho e sempre me fez acreditar que tudo posso. Aos meus familiares como um todo, que são meu porto seguro e meus maiores incentivadores. A Laura, minha fiel companheira desde os primórdios da terceira turma até a entrega definitiva deste Trabalho, exemplo de menina que a faculdade de engenharia tornou mulher forte. Ao Guilherme e ao Allan que vieram a somar não somente nos grupos de trabalhos, mas também tornaram o dia a dia na sala de aula mais leve. Aos meus colegas de turma e aos amigos que conheci em Blumenau, foi um prazer dividir essa fase tão importante da vida com vocês. Aos meus amigos chapecoenses que mesmo de longe se fizeram perto em diversos momentos, garantindo conforto a uma mensagem de distância. Aos meus amigos da AIESEC que estão espalhados pelo Brasil, obrigada por serem presença.

A todas as professoras e colegas meninas que tive durante a graduação, vocês são exemplo de resiliência, obrigada por lutarem pelo espaço das mulheres no campo das Ciências Exatas. Agradecimento especial a minha orientadora Caroline, que não hesita em expor seus pensamentos ao sinalizar o que está certo e errado.

A Integre Júnior (Empresa Júnior das Engenharias da UFSC Campus Blumenau), experiência mais desafiadora da minha graduação e razão da existência deste Trabalho. Aos meus ex-companheiros do MEJ, responsáveis pelo meu despertar para o mundo além da sala de aula e que me mostraram a importância do desenvolvimento de liderança jovem. Findo agradecendo ao corpo docente do curso e a Universidade Federal de Santa Catarina que não falhou durante todo o período da minha graduação, oferecendo Educação pública gratuita e de qualidade.

(6)

Nenhuma máquina pode fazer o trabalho de uma pessoa extraordinária."

(7)

Os progressos relacionados as revoluções que culminaram na Indústria 4.0 impactaram diretamente na apuração de despesas de produção, fazendo a contabilidade de custos se desenvolver no mesmo ritmo. O trabalho se justifica na necessidade da democratização ao acesso de métodos de custeio para empresas e visava analisar a possibilidade de minimizar custos através da automação de processos. Neste sentido, além da realização de pesquisa bibliométrica e sistêmica sobre o tema, foi realizado o estudo de caso do desenvolvimento de um projeto de software de controle de processo industrial. Foram simulados através do Arena o cenário atual do projeto (totalmente manual) e três cenários hipotéticos auto-matizados. Para fins comparativos foi aplicado o método de custeio ABC aos processos e foi observado que a atual precificação adotada pelo projeto não absorvia todos os custos. O cenário otimista automatizado apresenta diminuição na precificação de 21,47%, além de conferir maior confiabilidade ao sistema desenvolvido.

Palavras-Chave: 1. Automação de Processos. 2. Contabilidade de Custos. 3.

(8)

The progress related to the revolutions that culminated in Industry 4.0 directly im-pacted the calculation of production expenses, making cost accounting develop at the same time. The paper is justified by the need to democratize access to costing methods for companies and aimed to analyze the possibility of minimizing costs through process automation. So, in addition to conducting bibliometric and systemic research on the topic, a case study of the development of an industrial process control software project was made. The current (fully manual) and three automated hypothetical scenarios were simulated through Arena. For comparative purposes, the Activity-Based Costing method was applied and it was observed that the current pricing adopted by the project did not include all the costs. The automated optimistic scenario shows a decrease in pricing of 21.47%, besides to giving greater reliability to the system developed.

Keywords: 1. Process Automation. 2. Cost Accounting. 3. Industry 4.0. 4. Arena. 5.

(9)

Figura 1 – Estruturação da pesquisa . . . 18

Figura 2 – Matriz de custos para distribuições do método RKW. . . 21

Figura 3 – Esquema do custeio por absorção. . . 22

Figura 4 – Esquema do custeio variável. . . 23

Figura 5 – Esquema do custeio ABC. . . 24

Figura 6 – Pirâmide da automação. . . 27

Figura 7 – Método SYSMAP. . . 35

Figura 8 – Forma de pesquisa na base de dados Web of Science. . . . 36

Figura 9 – Resultados da pesquisa na base de dados Web of Science. . . . 37

Figura 10 – Forma de pesquisa na base de dados Web of Science. . . . 37

Figura 11 – Metodologia usada na revisão de literatura. . . 39

Figura 12 – Página inicial do EndNote X7. . . 40

Figura 13 – Página inicial do RStudio. . . 40

Figura 14 – Diagrama de Gantt do projeto. . . 43

Figura 15 – Página inicial do Arena. . . 45

Figura 16 – Configurações de Resource para os processos básicos no Arena. . . . 45

Figura 17 – Configurações do bloco Create no Arena. . . . 46

Figura 18 – Configurações do bloco Process no Arena. . . . 47

Figura 19 – Bloco Process usando dois recursos no Arena. . . . 48

Figura 20 – Histograma de uma distribuição normal. . . 48

Figura 21 – Visão geral das definições dos processos no Arena. . . 49

Figura 22 – Configurações do bloco Dispose no Arena. . . . 49

Figura 23 – Fluxograma dos procedimentos da pesquisa. . . 51

Figura 24 – Periodicidade de publicações. . . 53

Figura 25 – Historiograma. . . 54

Figura 26 – Representatividade dos autores. . . 54

Figura 27 – Representatividade de países. . . 55

Figura 28 – Co-ocorrências de palavras. . . 56

Figura 29 – Dendrograma. . . 57

Figura 30 – Uso médio de recursos após a execução do modelo normal no Arena. . 59

Figura 31 – Número absoluto de processos que os recursos estão envolvidos no ce-nário normal. . . 60

Figura 32 – Gráfico da porcentagem de custos no cenário normal. . . 65

Figura 33 – Gráfico de barras da estatística de tempo de desenvolvimento em horas para cada cenário. . . 66

(10)

Tabela 1 – Custo por hora trabalhada dos colaboradores. . . 41

Tabela 2 – Custos gerais. . . 42

Tabela 3 – Base para precificação atual do projeto. . . 44

Tabela 4 – Siglas adotadas para identificação dos recursos no Arena. . . 46

Tabela 5 – Tipos de documentos. . . 52

Tabela 6 – Representatividade de periódicos. . . 55

Tabela 7 – Estatística de tempo de desenvolvimento em horas no cenário normal. . 58

Tabela 8 – Custo total de mão-de-obra direta no Cenário Normal. . . 60

Tabela 9 – Rateio aluguel, IPTU e limpeza do escritório. . . 61

Tabela 10 – Depreciação por veículo. . . 61

Tabela 11 – Depreciação dos móveis de uso compartilhado. . . 61

Tabela 12 – Depreciação dos móveis do setor administrativo. . . 62

Tabela 13 – Depreciação dos móveis do setor comercial. . . 62

Tabela 14 – Depreciação dos móveis do setor de projetos. . . 62

Tabela 15 – Depreciação dos bens de consumo de uso compartilhado. . . 63

Tabela 16 – Depreciação dos bens de consumo do setor administrativo. . . 63

Tabela 17 – Depreciação dos bens de consumo do setor comercial. . . 63

Tabela 18 – Depreciação dos bens de consumo do setor de projetos. . . 63

Tabela 19 – Divisão do custo de energia elétrica. . . 63

Tabela 20 – Número de colaboradores por setor. . . 64

Tabela 21 – Despesas indiretas por setor. . . 64

Tabela 22 – Quantidade de horas mensal por colaborador em testes por cenário. . . 66

(11)

RKW Reichskuratorium Für Wirtschaftlichkeit CIF Custos Indiretos de Fabricação

MOI Mão-de-Obra Indireta

MOD Mão-de-Obra Direta

DRE Demonstração do Resultado do Exercício ABC Activity Based Costing

CNC Comando Numérico Computadorizado

CAD Computer Aided Design

CLP Controlador Lógico Programável

IHM Interface Homem Máquina

BI Business Intelligence

ERP Enterprise Resource Planning

CRM Customer Relationship Managemen

SCM Supply Chain Management

TI Tecnologia da Informação

BPO Business Process Outsourcing DVD Digital Versatile Disc

IBM International Business Machines Corporation

APL TIC Arranjo Produtivo Local de Tecnologias de Informação e Comunicação

DOS Disk Operating System

ACATE Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia P&D Pesquisa e Desenvolvimento

PD&I Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação UFSC Universidade Federal de Santa Catarina FINEP Financiadora de Estudos e Projetos

SYSMAP Scientometric and sYstematic yielding MApping Process

CAPES Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior

MEC Ministério da Educação

SIMAN SIMulation ANalysis

FIPE Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas PERT Program Evaluation and Review Technique

(12)

1 INTRODUÇÃO . . . . 13 1.1 Contextualização da Pesquisa . . . . 13 1.2 Problemática da Pesquisa . . . . 15 1.3 Objetivos . . . . 16 1.3.1 Objetivo Geral . . . . 16 1.3.2 Objetivos Específicos . . . . 16 1.4 Justificativa . . . 16 1.5 Estrutura da Pesquisa . . . . 17 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA . . . . 19 2.1 Custos . . . . 19 2.1.1 Nomenclatura de Custos . . . . 19 2.1.2 Métodos de Custeio . . . . 20 2.1.2.1 Custeio RKW . . . 20

2.1.2.2 Custeio por Absorção . . . 22

2.1.2.3 Custeio Variável . . . 23

2.1.2.4 Custeio ABC . . . 24

2.2 Automação Industrial . . . . 25

2.2.1 Níveis Hierárquicos da Automação Industrial . . . . 27

2.3 Classificação de Softwares . . . 28 2.3.1 Desenvolvimento de Softwares . . . . 29 3 METODOLOGIA . . . . 32 3.1 Classificação da Pesquisa . . . . 32 3.2 Ambiente da Pesquisa . . . . 33 3.2.1 Histórico da Empresa . . . . 33

3.2.2 Histórico de Pesquisa e Desenvolvimento da Empresa . . . . . 33

3.2.3 Instalações Físicas da Empresa . . . 34

3.3 Revisão de Literatura . . . . 34

3.4 Coleta e Tabulação de Dados da Pesquisa Bibliométrica . . . 38

3.4.1 EndNote . . . 38

3.4.2 RStudio . . . . 38

3.5 Coleta e Tabulação de Dados do Estudo de Caso . . . . 40

3.5.1 Entrevista Semi-estruturada . . . . 41

(13)

3.5.4 Construção do Modelo de Custos . . . . 49 3.6 Procedimentos da Pesquisa . . . . 50 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO . . . . 52 4.1 Análise Bibliométrica . . . . 52 4.2 Cenários Analisados . . . . 57 4.2.1 Cenário Normal . . . . 58

4.2.2 Cenários com Automação . . . . 65

5 CONCLUSÕES . . . . 68

5.1 Considerações Finais . . . . 68

5.2 Recomendações Futuras . . . . 69

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS . . . . 70

A MODELO DE SIMULAÇÃO COMPLETO ARENA . . . . 74

(14)

1 Introdução

Neste capítulo é realizada uma contextualização do tema abordado neste trabalho, além de expor a problemática de pesquisa. Também são apresentados o objetivo geral e os específicos, assim como a justificativa e a estrutura da pesquisa.

1.1

Contextualização da Pesquisa

Os progressos relacionados a renovação tecnológica industrial tiveram início na Ingla-terra, no século XVIII, apresentando uma nova forma de organização da sociedade e da produção, através da urbanização e fábricas, respectivamente. Hobsbawm (2000) afirma que a novidade não estava nas inovações e sim na maneira com que os homens passaram a utilizar a ciência e a tecnologia que estavam a seu alcance, ampliando mercados à me-dida com que os custos de produção caíam. Foi um momento de despertar, voltando o pensamento humano para problemas solúveis.

Antes da Primeira Revolução Industrial, a população era majoritariamente rural e as atividades artesanais serviam para suprir necessidades básicas. Na época os artesãos eram responsáveis pela contabilidade financeira, método resumido a relatórios simplificados, em que os créditos estavam atrelados a recebimentos e os débitos a pagamentos. Dessa forma, a apuração do custo dos produtos manufaturados eram feitos através de um balanço para determinar os lucros e as perdas de todo o negócio (SCHMIDT e SANTOS, 2006).

A modificação dos processos produtivos impactou também na apuração de custos, surgindo assim a contabilidade de custos, com a finalidade de atender às novas demandas de informação exigidas pela Revolução Industrial. Segundo Hendriksen e Breda (1999) esse período foi marcado por grandes transformações, visto que os empresários da época começaram a fazer grandes investimentos e houve a necessidade de contratação de mão-de-obra para trabalhar por mais tempo nas empresas e não por um período determinado. Logo, os fatores de produção passaram a ser considerados nos custos industriais por se tratarem de valores relacionados a atividades inerentes a manutenção da operação, como recursos naturais, capital e mão-de-obra. Apesar da análise do desempenho financeiro ter surgido para fins fiscais, quando agregada a outros conceitos, pode garantir uma visão holística da cadeia produtiva e servir de apoio à tomada de decisão gerencial.

Na contabilidade gerencial os procedimentos contábeis tratados pela contabilidade fi-nanceira e de custos são colocados numa perspectiva diferente, num grau de detalhe mais analítico ou numa forma de apresentação e classificação diferenciada, de maneira a auxi-liar os gerentes das entidades em seu processo decisório (IUDÍCIBUS, 2009). Conforme Pamplona (1986), as primeiras organizações americanas a desenvolverem sistemas de

(15)

con-tabilidade gerencial foram as tecelagens de algodão mecanizadas e integradas, surgidas após 1812. Hoje, com a grande competitividade de mercado existente, é crucial para a empresa ter informações precisas sobre seus custos e funcionamento, a fim de garan-tir estabilidade financeira, principalmente durante períodos de adversidades econômicas. Portanto, a contabilidade gerencial se apresenta como ferramenta de informação essencial na gestão de empresas.

Em 1840, quando a primeira fase da industrialização britânica já apresentava desgastes, surgem fortes bases para garantir o crescimento econômico: indústrias de bens de capital, carvão, ferro e aço. A Segunda Revolução Industrial deu início a era das ferrovias e a produção em massa, iniciando na Grã-Bretanha um período de plena industrialização e empregabilidade. Enquanto isso, a Terceira Revolução Industrial se deu em meados do século XX e impactou significativamente a organização convencional de todo o mundo, trazendo uma narrativa de colaborativismo e mudanças para energia renovável (RIFKIN, 2012). É aclamada pelos avanços tecnocientíficos, aplicação de tecnologias inteligentes, introdução da robótica e automação.

Tais revoluções culminaram na Indústria 4.0, sendo a automação do chão de fábrica o movimento precursor da transição para a Quarta Revolução Industrial. A interação entre sistemas físicos e computacionais promove o surgimento de fábricas inteligentes, sendo a Internet das Coisas e a inteligência artificial aceleradores desse processo de transformação. Ao combinar a automação fabril e a digitalização de dados, é possível controlar o desem-penho da produção, possibilitando a relação entre homens e máquinas em tempo real. Assim sendo, as informações geradas pelas máquinas podem ser aliadas com ferramentas tecnológicas de análise e contribuírem para o crescimento das empresas.

Entretanto, para acompanhar a constante evolução de processos, tudo se inicia com um projeto que, de acordo com o PMI (2017), trata-se de um esforço temporário levado para criar um resultado único. Prado (2015) destaca que as mudanças de paradigmas ocorridas no século XX transformaram a arte de administrar em ciência, modernizando o ferramental adotado para o desenvolvimento de tarefas. Para isso, o gerenciamento de projetos depende da aplicação de conhecimentos, experiências, ferramentas e quaisquer técnicas que venham a agregar para atingir requisitos da entrega.

Diante disso, o presente Trabalho de Conclusão de Curso busca analisar a precificação do desenvolvimento de um software de controle usado no chão de fábrica, ao fazer o levan-tamento do estado da arte científica da minimização dos custos industriais relacionados à automação de processos. Para tal análise será simulado o modelo de um projeto, apresen-tando o processo atual e outros automatizados que seguem as premissas de cenários do PERT/CPM (pessismista, mais provável e otimista). O objetivo da simulação é gerar da-dos que permitam a verificação do impacto da automação de processos pela diferenciação dos custos de desenvolvimento do projeto.

(16)

1.2

Problemática da Pesquisa

O controle de processos é a etapa preliminar necessária para a transição para a In-dústria 4.0. Durante a tomada de decisão quanto a realização de um empreendimento é significativo que seja feito um projeto reunindo informações qualitativas e quantitativas relevantes que verifiquem sua viabilidade (NETO, 2009). Para a estruturação de pro-jetos em geral é necessária a adoção de critérios, sendo o foco deste trabalho medidas econômico-financeiras.

Uma das dificuldades enfrentadas por empresas que buscam automatizar seus proces-sos é saber como provar o seu valor, visto que durante a execução de um projeto diverproces-sos recursos são comprometidos, como capital humano, intelectual, físico e tecnológico. Logo, é crucial a análise se os retornos financeiros superam os custos dos recursos investidos. A não preocupação com os investimentos pode acarretar em danos financeiros prejudici-ais a vitalidade da empresa, podendo encarecer o preço dos produtos e torná-la menos competitiva no mercado.

Neto (2009) afirma que um projeto é composto por diversos estudos que se relacionam mutuamente, sendo que a informação de um é utilizada no outro. Um projeto é composto por estudos técnicos (análise de mercado, engenharia, tamanho e localização) e financeiros (receitas e desembolsos operacionais, investimento e financiamento), os quais devem ser realizados paralelamente devido a sua inter-relação. Apesar da importância de todas as análises técnicas, o foco deste Trabalho de Conclusão de Curso será o estudo da engenha-ria, a fim de coletar e sistematizar informações sobre um processo de desenvolvimento de

software a ser aplicado na indústria.

Ao analisar a cadeia produtiva de um determinado produto ou serviço, devem ser considerados fatores fixos e variáveis de produção. Fatores fixos dependem de investi-mento prévio, como maquinários e equipainvesti-mentos, ou seja, trata-se da estrutura básica que permitirá que o processo aconteça. Por consequência, quanto maior a necessidade de equipamentos e obras físicas de adequação, maior o investimento financeiro necessário no empreendimento. Enquanto isso, os fatores variáveis são insumos como mão-de-obra e matérias-primas associadas ao produto gerado, variando conforme o volume de produção e categorizados como custos.

Evidencia-se a possibilidade da adoção de diferentes métodos para um mesmo produto final, caracterizando um trade off (termo em inglês que significa optar por uma escolha em detrimento da outra) entre processos mais ou menos automatizados. Sendo assim, é necessário balancear investimentos fixos e variáveis, visto que um processo mais mo-derno terá maior investimento prévio, mas acarretará em menos custos de mão-de-obra, enquanto um menos moderno poderá ser menos eficiente no uso fatores variáveis de pro-dução. Ou seja, as análises em projetos não devem ser concentradas em uma única opção de cenário.

(17)

Logo, este trabalho visa responder a questão de pesquisa: "como é possível minimizar custos através da automação de processos?".

1.3

Objetivos

O que se pretende alcançar com a realização deste Trabalho de Conclusão de Curso é apresentado a seguir.

1.3.1

Objetivo Geral

Analisar a redução de custos gerada pela automação de um processo de desenvolvi-mento de software na área de projetos através da sua precificação.

1.3.2

Objetivos Específicos

• Levantar o estado da arte científica sobre minimização de custos e automação. • Construir um modelo de simulação para o processo de projetos.

• Identificar os impactos da automação na precificação do projeto através da aplicação de método de custeio.

1.4

Justificativa

No Brasil um projeto pode ser chamado de empreendimento, investimento ou obra, a ser desenvolvido em um cenário de incertezas (DARCI, 2015). O perfil empreendedor do país, amplamente difundido como jeitinho brasileiro, é discutido por Pedroso et al. (2009) e tem como característica a maneira criativa de contornar situações, solucionando proble-mas de forma especial. Entretanto, é comum os empreendedores no Brasil desconhecerem ferramentas que auxiliam a predizer seus resultados, além de apresentar dificuldades no controle de custos, vivem assim maiores adversidades no processo de tomada de decisões e investimentos.

Ao analisar pela ótica dos impactos que a má gestão de custos pode causar em uma empresa, uma possibilidade é o fechamento precoce da companhia. Sendo assim, a im-portância deste Trabalho de Conclusão de Curso é pautada na falta de produções que relacionem modelo de custos e automação de processos aplicado a empresas de porte pequeno e médio.

Para a empresa em si, alvo do estudo de caso aqui desenvolvido, a valia de ter um método de custeio moldado para sua realidade é inestimável, além da credibilidade de haver embasamento teórico. Com o sistema aqui apresentado, a empresa será capaz de

(18)

melhor precificar seus projetos e garantir que os custos inerentes aos mesmos seja destinado aos clientes corretamente. Além disso, a relevância da proposta de automação do projeto visa conferir maior valor agregado aos projetos desenvolvidos.

Sendo assim, o Trabalho se justifica na importância da democratização ao acesso de ferramentas e métodos de custeio que possam garantir uma visão holística da cadeia produtiva para empresas de menor porte. Dessa forma, a correta precificação de projetos garante que a empresa receba valores condizentes com a realidade.

1.5

Estrutura da Pesquisa

A estrutura da pesquisa é apresentada em cinco capítulos, a fim de observar um mesmo processo com e sem automação a partir da simulação de cenários e realizar análise dos custos atrelados ao projeto.

A introdução se apresenta no primeiro capítulo para contextualização do tema. Será apresentada a problemática da pesquisa, os objetivos gerais e específicos, além da justifi-cativa da escolha da temática.

No segundo capítulo é realizada a revisão de literatura dos principais tópicos a serem abordados no trabalho: custos de produção, automação industrial e softwares. São de-talhadas as informações de quatro diferentes métodos de custeio, níveis hierárquicos da automação industrial e automação aplicada ao desenvolvimento de softwares.

O capítulo três se refere à metodologia de pesquisa, descrevendo sua classificação e os procedimentos adotados para a mesma. É apresentada a entrevista semi-estruturada que gerou informações para o estudo de caso. A simulação será apresentada como uma ferramenta para aquisição de dados a serem analisados posteriormente no modelo de custos.

A seguir o quarto capítulo apresentará os resultados das metodologias aplicadas. Serão discutidos os dados levantados na simulação e seu impacto no modelo de custos.

Para finalizar, no quinto capítulo, são apresentadas as considerações finais sobre a minimização de custos relacionada a automação do processo. Também será apresentado um tópico de recomendações para trabalhos futuros.

A Figura 1 consolida a estrutura da pesquisa em um fluxograma, dividindo-a em: definição do problema, objetivo geral e específicos, referencial teórico e entrevista semi-estruturada.

(19)

Figura 1 – Estruturação da pesquisa

Definição do problema

Como é possível minimizar custos através da automação de processos?

Objetivo geral

Analisar a redução de custos ge-rada pela automação de um pro-cesso de desenvolvimento de software

Objetivo específico 2 Construir um modelo de simulação para o processo de projetos Objetivo específico 1 Levantar o estado da arte científica so-bre minimização dos

custos e automação

Objetivo específico 3

Identificar os impactos da automação na precificação do projeto através da apli-cação de método de custeio

Referencial teórico

Automação industrial

Definição do tema, histórico e níveis hie-rárquicos da automação

Custos de produção

Abordar o que são custos de produção, sua nomenclatura e métodos de custeio Automação de testes Apresentação do conceito aplicado ao desenvol-vimento de softwares e técnicas como code review

Entrevista Semi-Estruturada

Proposta de Automação

Proposta de automação do processo e

simula-ção do novo cenário

Simulação via software

Simulação do cenário de desenvolvimento atual

Comparativo de custos

Aplicação de método de custeio aos cenários simulados e análise dos impactos da automação

(20)

2 Fundamentação Teórica

A fundamentação teórica tem como objetivo fazer o levantamento do estado da arte científica de custos, automação industrial e softwares, sendo esta a forma de divisão do capítulo.

2.1

Custos

Segundo Megliorini (2006) os custos estão relacionados a produtos, mercadorias ou serviços entregues ou prestados aos clientes, que tenham gerado receitas. Com a implan-tação do sistema fabril e da produção em massa durante a Revolução Industrial, o conceito de depreciação ganhou destaque, havendo a necessidade de reunir maior informação sobre os custos produtivos. Foi nesse contexto que surgiram os especialistas em contabilidade (HENDRIKSEN e BREDA, 1999).

Viceconti e Neves (1995, p. 10) apresentam que a contabilidade passou por uma adaptação aos procedimentos de apuração do resultado em indústrias, visto que essas empresas passaram a adquirir matérias-primas e contar com fatores de produção, deixando apensar de revender mercadorias. Com isso surge a contabilidade de custos, ramo que inicialmente teve como principal função avaliar os estoques nas indústrias, mas que evoluiu junto com as fábricas.

Atualmente, a fim de que decisões sejam tomadas de forma apurada, as empresas ne-cessitam ter acesso a informações sobre seus custos de maneira rápida e precisa. Sendo assim, aplicando os princípios da contabilidade financeira na contabilidade de custos, é possível apurar valores relacionados a custos dos bens e serviços da produção. Quando se trata de custos de produção, é adotada uma medida comum e uma nomenclatura espe-cífica, facilitando o entendimento. A medida comum é resumida a unidades monetárias, enquanto a nomenclatura se divide em gastos, custos, despesas e investimentos.

2.1.1

Nomenclatura de Custos

A nomenclatura de custos pode variar de acordo com diferentes autores, sendo a terminologia aqui apresentada a defendida por Megliorini (2006).

Os gastos são compromissos financeiros assumidos por uma empresa na aquisição de recursos: a serem consumidos no ambiente fabril para produção de produtos; para realização de serviços; a serem consumidos no ambiente de administração ou comercial e mercadorias para revenda. Já os custos se tratam da parcela de gastos consumida na fabricação do produto, bem como aquisição de mercadorias para revenda e realização de serviços.

(21)

As despesas são a parcela dos gastos consumida para gerar receita, compondo as despesas administrativas e de venda. Em contrapartida, os investimentos são gastos registradas em contas do ativo da empresa, podendo ser feitos na aquisição de matéria-prima, mercadorias para revenda, materiais diversos, bem como ações de outras empresas. A fim de determinar o custo de cada produto é necessário fazer a divisão entre custos diretos e indiretos. Os custos diretos podem ser facilmente identificados e ter seu consumo medido com exatidão, como matéria-prima e mão-de-obra. Enquanto os custos indiretos não se encontram diretamente ligados a produção de um único produto, pois são rateados entre várias etapas da cadeia produtiva, se relacionando a mais de um produto final, é o caso da energia elétrica.

Outra classificação básica dos custos está relacionada ao seu comportamento em di-ferentes volumes de produção, estando divididos entre custos fixos e variáveis. Custos fixos se relacionam a manutenção da estrutura e independem do volume de produção, por exemplo aluguel e depreciação. Os custos variáveis oscilam de acordo com o volume de produção, aumentando junto com o aumento da quantidade, como a matéria-prima e energia elétrica. Dessa forma, o custo total será a soma dos custos fixos e variáveis.

2.1.2

Métodos de Custeio

Custeio significa apropriação de custos, de forma que os métodos de custeio são apli-cados aos custos indiretos e buscam encontrar a melhor forma de chegar ao custo total do produto, visto que os custos diretos são facilmente identificáveis. A escolha do método de custeio correto é de extrema importância para aqueles que administram as empresas, visto que, de acordo com Kaplan (1999), os métodos tradicionais podem ser considera-dos ineficazes por não apresentar precisão nas relações entre custos considera-dos diversos recursos empregados na empresa.

Com a aceleração do tráfego de dados através da digitalização de processos, a adoção dos métodos de custeio têm se tornado mais efetivo, visto que as ferramentas gerenciais são capazes de processar efetivamente os dados das empresas. Além do emprego das tec-nologias, faz-se necessário adotar o método de custeio de acordo com os objetivos visados pela empresa, podendo ser custeio: RKW, por absorção, variável e ABC (MEGLIORINI, 2006, p. 2).

2.1.2.1 Custeio RKW

O método de custeio RKW (Reichskuratorium Für Wirtschaftlichkeit, em português Conselho Administrativo do Império para a Eficiência Econômica), também conhecido como custeio pleno foi desenvolvido na Alemanha com o propósito de determinar preços de venda de produtos. Trata-se de uma adaptação do método de fixação do preço de venda,

(22)

ao basear na alocação não apenas dos custos, mas também das despesas dos produtos, seguido da adição de uma margem de lucro desejada (VICECONTI e NEVES, 1995).

Martins (2003) descreve que no método RKW o rateio não é dos custos de produção apenas, mas sim de todas as despesas da empresa em todos os produtos. Trata-se de uma técnica de custeio tradicional, em que os custos indiretos de produção são apropriados (como os administrativos e financeiros), recaindo sobre o produto final todos os custos e despesas. Tal método permite o cálculo do efeito de variações de custo de um item ou nova despesa para o preço do produto.

De acordo com Biazebete, Borinelli e Camacho (2009), o custeio RKW trata-se de um método que todos os custos e despesas de uma organização, sejam eles fixos ou variáveis, diretos ou indiretos, são apropriados no produto final. A partir do momento que tudo na empresa se torna custo, a operação se beneficia visto que todos os gastos do processo são recuperados.

Bornia (2010) apresenta que a principal característica do método se trata da divisão em centros de custos, divididos em diretos e indiretos. Os centros de custos diretos são ligados de forma direta com os produtos e indiretos são aqueles que apoiam os centros de custos que estão diretamente ligados ao serviço da empresa.

O autor supracitado condensa o método em 5 passos: i) separação dos custos em itens; ii) divisão da empresa em centros de custos; iii) identificação dos custos indiretos com os centros (distribuição primária); iv) distribuição dos custos dos centros indiretos até os diretos (distribuição secundária); v) distribuição dos custos dos centros diretos aos produtos (distribuição final). A Figura 2 apresenta uma matriz de custos a ser usada nas distribuições primária e secundária, levando os custos até seus centros diretos.

Figura 2 – Matriz de custos para distribuições do método RKW[16].

Entretanto, é necessário se atentar a subjetividade do método de custeio RKW, visto que os critérios definidos para o rateio dos custos nos centros são arbitrários e podem ser parciais.

(23)

2.1.2.2 Custeio por Absorção

O custeio por absorção, de acordo com o resgate histórico trazido por Catânio e Pereira (2018), foi desenvolvido no século XX e é decorrente do sistema RWK, descrito em 2.1.2.1. Segundo Megliorini (2006), o método de custeio por absorção é caracterizado por apropriar custos fixos e variáveis aos produtos, fazendo com que os produtos absorvam todos os custos incorridos de um período. O custeio por absorção propõe, conforme Ribeiro (2013), que os custos atrelados ao processo fabril sejam alocados ao produto e que as despesas do período sejam registradas diretamente no resultado.

Viceconti e Neves (1995) apresentam um esquema a fim de facilitar a apuração do custeio por absorção. Inicialmente são i) separados custos e despesas, na sequência ii) é feita a apropriação dos custos diretos e indiretos à produção realizada no período incorrido, para finalizar são apurados os custos: iii) da produção acabada; iv) dos produtos vendidos e v) do resultado.

São atribuídos critérios de rateio para apuração dos custos indiretos de fabricação (CIF), podendo ser, por exemplo, o aluguel dividido por área utilizada e a depreciação em função das horas-máquina. Para o rateio da mão-de-obra indireta (MOI), Catânio e Pereira (2018) usam como critério a própria mão-de-obra direta (MOD), onde:

M OI = T otal M OI

T otal M OD × M OD. (2.1)

Sendo assim, o custeio por absorção pode ser apresentado através do esquema da Figura 3:

Figura 3 – Esquema do custeio por absorção[17].

É interessante destacar que esse método de custeio é aceito na maioria dos países e inclusive pela legislação brasileira, sendo usado para balanço patrimonial e lucro fiscal. Através do custeio por absorção é possível elaborar uma Demonstração do Resultado do

(24)

Exercício (DRE), por se basear nos valores apresentados pela contabilidade financeira. Sendo assim, Staudt (2017) afirma que o custeio por absorção é fundamental para a contabilidade financeira, por respeitar as determinações societárias e fiscais.

2.1.2.3 Custeio Variável

O método apresentado em 2.1.2.2 de custeio por absorção oferece falta de segurança nos processos de decisão relacionados as políticas de preço, visto que os produtos absorvem os custos total de maneira direta ou indireta em dado período de tempo, independente dos custos apresentarem comportamento fixo ou variável em relação ao volume produzido. Dessa forma, passa a existir a necessidade de entender o comportamento dos custos pela sua variação em relação ao volume de produção, considerando custos variáveis e fixos para enfoque gerencial, ajudando na tomada de decisões estratégicas em empresas competitivas (STAUDT, 2017).

Nesse contexto, segundo Megliorini (2006), surge o custeio variável, método no qual os custos fixos não são apropriados pelos produtos, visto que eles são mais importantes para manutenção da estrutura fabril em si do que para fabricação de um produto. Ou seja, nesse método de custeio o valor cobrado pelos produtos será apenas os custos variáveis associados a produção, enquanto os custos fixos são taxados como despesas do período e vão diretamente para o resultado do exercício. A Figura 4 apresenta um esquema do método de custeio variável.

Figura 4 – Esquema do custeio variável[17].

No esquema apresentado por Catânio e Pereira (2018) a margem de contribuição é uma medida referencial para acobertar os custos fixos e despezas fixas do período, a mesma

(25)

surge do custo dos produtos vendidos, o qual é empregado aos custos diretos da produção. Cabe destacar que o método de custeio variável tem propósito gerencial e não apresenta o custo real da produção, pois não considera os custos fixos.

Para Viceconti e Neves (1995) as principais vantagens do método estão atreladas a ser uma ferramenta para administradores, a qual impede a distorção de resultados, como os aumentos da produção não corresponderem ao aumento das vendas. Em contrapartida, tem desvantagens para custos mistos (apresentam custos fixos e variáveis) por não separar a parcela fixa da variável e não ser aceito pela legislação brasileira, por ferir os princí-pios contábeis normalmente aceitos (em curto prazo posterga o recolhimento de tributos associados aos lucros por apenas apresentar os gastos fixos somente no resultado).

2.1.2.4 Custeio ABC

O custeio baseado em atividades (em inglês ABC - Activity Based Costing) busca reduzir distorções causadas pelo rateio de custos indiretos no desenvolvimento de projetos adotando um critério de absorção lógico. Com as evoluções tecnológicas os custos indiretos se tornaram expressivos em comparação com os custos diretos empregados em matéria-prima e mão-de-obra antigamente.

Viceconti e Neves (1995) apresentam o custeio ABC como uma forma de rastreamento de quais atividades da empresa consomem a maior parcela dos recursos, partindo da premissa que os fatores produtivos da empresa são consumidos pelas suas atividades e não pelos produtos fabricados. Nesse método são adotados como indicadores os direcionadores de recursos e os de atividades, sendo o primeiro uma classificação de quais atividades consomem os recursos produtivos e o segundo a indicação de quanto das atividades é consumido pelo produto. É possível estruturar o custeio ABC em dois - como mostra a Figura 5 - ou mais estágios, dependendo do detalhamento necessário.

(26)

Segundo Megliorini (2006, p. 152) as atividades realizadas pela empresa devem ser divididas em departamentos para identificação da sua relevância. Identificadas as ativi-dades os devidos custos dos recursos devem ser atribuídos e então, aos objetos de custeio. Divide-se a atribuição em: i) apropriação direta (quando é possível identificar o recurso como uma atividade específica); ii) rastreamento por meio de direcionadores que melhor representam a relação entre o recurso e a atividade; iii) rateio.

Sendo assim, a análise estratégica de custos se torna mais fácil nessa metodologia visto que são estudadas as atividades que têm maior responsabilidade no consumo dos recursos. Dentre os objetivos do ABC está criar valor para os clientes através do uso eficiente e eficaz de tais recursos, rastreando as rotas de consumo deles dentro da empresa (NAKAGAWA, 1995).

2.2

Automação Industrial

Não é possível definir uma data exata de início da automação industrial, sua história remete a longos anos de evolução. Roggia e Fuentes (2016) afirmam que desde o período da pré-história o homem trabalha no desenvolvimento de mecanismos cuja finalidade é auxiliar em atividades a fim de reduzir o esforço físico. A vontade inata do ser humano de se desenvolver gera uma busca infinita por facilidades, Muraro (1969) apresenta que, caso o progresso econômico fosse a única justificativa para o desenvolvimento, os homens ainda viveriam como nômades.

Hobsbawm (2000) se refere a Grã-Bretanha como a primeira “oficina mecânica do mundo”, visto que no século XVIII ela possuía condições sócio-econômicas favoráveis para superar eventuais obstáculos no processo de industrialização. A Revolução Industrial teve como cenário a indústria algodoeira, a qual deu o tom da mudança da aceleração de crescimento a partir da transformação da economia (adotando o capitalismo industrial) e sociedade (estabelecendo a produção por meio de fábricas).

Com o aumento do volume de produção e a conquista de mercados de exportação foi necessária a mecanização dos processos por meio de dispositivos semiautomáticos a fim de atender as demandas. A técnica de mecanização é capaz de criar uma extensão das funções humanas (que não a cerebral) ao fragmentar processos, sendo caracterizada pela possibilidade de realizar repetições infinitas de movimentos uniformes (MURARO, 1969). O processo de substituição do esforço físico para execução de tarefas apesar de eficaz, não era o mais eficiente, visto que cabia ao trabalhador supervisão constante para a correção de eventuais falhas. Hobsbawm (2000) apresenta a segunda fase da Revolução Industrial, que ocorreu entre os anos de 1840 e 1895, como a fase da industrialização. Nessa época, as indústrias foram tomando forma por meio da produção em massa e os Estados Unidos da América e a região que hoje compreende o território da Alemanha se tornaram economias industriais equiparáveis com a Grã-Bretanha. Bertagnolli, Rizzoto e Tonial

(27)

(2011) citam o surgimento da automação propriamente dita durante a Segunda Revolução Industrial, pois depende de tecnologias inexistentes até então, sendo a cibernética, a eletrônica e a física.

No início do século XX os processos industriais mecanizados passaram por adaptações, a fim de novamente aumentar a qualidade e produtividade fabril, visando maiores lucros. De acordo com Silveira e Lima (2003, p. 2):

Em 1909, Henry Ford teve a grande ideia que mudou o pensamento da indústria contemporânea, propagando-se até os dias de hoje. Henry Ford (1863-1947), da General Motors, idealizou algo que ele chamou de linha de montagem, e talvez esse seja o real gatilho para o grande desenvolvimento industrial e ainda esta é uma boa marca de início pré-existencial da automação industrial.

Entretanto, conforme Rifkin (1995) relata, o termo “automação” foi utilizado pela primeira vez somente no ano de 1947 por Del Harver, fazendo referência a dispositivos automáticos que a Ford Motor Company (empresa que ele ocupava a vice-presidência) desenvolveu para suas linhas de produção. Rosário (2009) ressalta que a palavra auto-mação se tornou relevante com o surgimento da máquina de comando numérico em 1949, visto que ela tinha capacidade de realizar operações mediante programação, sem haver a necessidade de um operador intervir diretamente.

Na sequência, uma série de evoluções foi acontecendo, válvulas e componentes foram substituídos por transistores, cabeamento por placas de circuitos integradas. Após sur-giram os computadores, os quais permitiam comandar ferramentas cortantes através do Comando Numérico Computadorizado (CNC) com alta precisão e repetibilidade, além de poder realizar o produto diretamente do projeto quando associado ao Projeto Assistido por Computador (em inglês computer aided design, CAD). Foi notável o aumento da pro-dutividade com o uso de máquinas CNC, pois trabalhos de preparação e posicionamento de peças passaram a ser desnecessários, bem como para com fins de medições (ROSÁRIO, 2009).

Silveira e Lima (2003) vão ao encontro das ideias de Lima (2003) sobre os Controladores Lógicos Programáveis (CLP) surgirem como computadores industriais com função de controle para substituir o uso de relés. Tratam-se de aparelhos eletrônicos digitais passíveis de programação em linguagem simples e de fácil entendimento, usando uma lógica parecida com a dos relés. Adquirem dados por meio de suas entradas e acionam dispositivos através das suas saídas.

Ao analisar diferentes definições de automação, Pereira (2015) conclui que todas con-vergem para um sistema que possua sensores na entrada (em inglês inputs) para obtenção de dados, os quais são armazenados e processados por comparação e controle, e por final o sistema é atuado através de saídas (em inglês outputs). Visto isso, cabe a definição da aplicabilidade da automação industrial de Parede, Gomes e Horta (2011, p. 14): “As

(28)

aplicações não se resumem a substituir o trabalho humano em tarefas exaustivas, monóto-nas e perigosas; elas trazem melhoria na qualidade de processos, otimização dos espaços, redução no tempo de produção e custos.”.

2.2.1

Níveis Hierárquicos da Automação Industrial

É possível representar a ordem de subordinações de atividades, pessoas e relações de trabalho, através de um nível hierárquico. Na indústria a pirâmide da automação é usada para representar visualmente a hierarquia de controle e trabalho, divide-se em cinco níveis sendo a base os equipamento de campo e o topo a área corporativa da empresa, como é apresentado na Figura 6.

Figura 6 – Pirâmide da automação[30].

O formato de pirâmide deixa claro que a maior parte de equipamentos e informações se concentram na base, ou seja, em campo. Entretanto, ao passo com que os níveis sobem, o volume de dados diminui e inversamente a qualidade de tratamento aumenta. A descrição detalhada de cada nível é feita a seguir, em concordância com o apresentado por Moraes e Castrucci (2010):

(29)

• Nível 1 - Dispositivos de campo, sensores e atuadores: a base da pirâmide é onde se encontram as máquinas, dispositivos e componentes, sendo chamado de chão de fábrica. É onde os dados são adquiridos, mas apresenta um baixo nível de inteligência.

• Nível 2 - Controle: é o nível de controle automatizado da planta em que se situam os controladores digitais, dinâmicos e lógicos. As Interfaces Homem-Máquina (IHM) se encontram nesse nível, bem como os concentradores de informações do nível inferior.

• Nível 3 - Supervisão: é responsável pelo controle do processo produtivo industrial, armazena informações da produção em banco de dados e permite a obtenção de relatórios para atestar a qualidade e produtividade fabril.

• Nível 4 - Gerenciamento de planta: responsável pela planejamento e progra-mação da produção, através do controle e logística de suprimentos.

• Nível 5 - Gerenciamento corporativo: o topo da pirâmide é responsável pela administração dos recursos da empresa. Todas as decisões e gerenciamento do sis-tema partem daqui.

Os componentes que compõem cada nível da pirâmide da automação estão descritos dentro da pirâmide na Figura 6. Os protocolos de comunicação estão listados a direita da pirâmide, sendo que é através deles que diferentes tipos de componentes podem se comunicar e trocar informações.

2.3

Classificação de Softwares

Nos anos 1980 as informações entre os níveis 1 e 2 da pirâmide da automação para os níveis administrativos 4 e 5 era repassada através de relatórios. No contexto de expandir os benefícios da automação e controle de processos surge a aplicação dos softwares na indústria, sendo representado pelo nível 3, a fim de garantir a integração e troca de informações diretas entre os demais níveis (GOEKING, 2010).

De acordo com Gutierrez e Alexandre (2004) a multiplicidade das aplicações além de ser enorme é extremamente dinâmica, dado que constantemente surgem novas oportuni-dades de uso, tanto para coisas novas quanto para melhoria em sistemas já consolidados. As autoras também apresentam diferentes formas de classificação de software, podendo se basear em modelo de negócios e permitem a divisão em 3 categorias (produtos, serviços e embarcados) a serem descritas de forma individualizada a seguir.

A categoria de produtos apresenta uma subdivisão técnica que pode ser exemplificada através de: i) infra-estrutura: sistema operacional, programas servidores, middleware, se-gurança, gerenciadores de redes, armazenagem e sistemas; ii) ferramentas: linguagem de

(30)

programação, gerenciamento de desenvolvimento, modelagem de dados, Business

Intelli-gence (BI), data warehouse, ferramentas de internet; iii) aplicativos: Enterprise Resource Planning (ERP), Customer Relationship Management (CRM), recursos humanos, Supply Chain Management (SCM).

Quanto à inserção no mercado os softwares do tipo produto se dividem entre hori-zontal (aplicável a qualquer tipo de usuário) e vertical (relacionado ao tipo de usuário ou de atividade desenvolvida pelo mesmo). Já a forma de customização permite cate-gorização entre pacote (produtos padronizados desenvolvidos em sua totalidade antes do lançamento), customizado (também desenvolvidos de forma modular antes do lançamento entretanto adaptável), customizado (produto adaptado a cada usuário) e sob encomenda (desenvolvidos para uso exclusivo de um usuário).

Os serviços de software variam de acordo com o método de compra, podendo ser um serviço discreto a ser realizado em um curto e pré-definido período de tempo cujo projeto é de responsabilidade do cliente ou outsourcing em que o gerenciamento do projeto passa a ser do provedor do serviço. O outsourcing por sua vez pode ser convencional com a terceirização de uma atividade específica da área de Tecnologia da Informação (TI) ou

Business Process Outsourcing (BPO) em que um contrato é feito com uma organização

externa para fornecer um processo ou função de negócio.

A terceira e última categoria de embarcados trata dos softwares que não podem ser vendidos separadamente dos produtos que estão integrados, como por exemplo aparelhos de Digital Versatile Disc (DVD) e terminais celulares. Atividades que anteriormente eram realizadas por circuitos (hardware) agora podem ser feitas por softwares, o que permitiu o aumento da competitividade no campo da eletrônica.

Listadas as classificações dos tipos de softwares fica claro o quanto a indústria ascendeu desde o surgimento do primeiro software na década de 1940 quando, de acordo com Kowaltowski (1996, p. 4), foi desenvolvido o primeiro computador de propósito geral completamente eletrônico. Desde então, a tecnologia pôde ser empregada em diversos setores da atividade humana: automatização de tarefas repetitivas, controle de processos, mitigação de problemas e simulação de cenários.

2.3.1

Desenvolvimento de Softwares

Gutierrez e Alexandre (2004) levantam uma importante questão relacionada aos desa-fios e forte competitividade existente na indústria de software. Com o grande número de prestadores do serviço no setor cada vez mais tem se feito necessário elevar a produtivi-dade no desenvolvimento de softwares visando ganho de mercado e aumento das margens de lucro.

Nesse cenário surgem iniciativas como a criação de bibliotecas internas que permitem o reaproveitamento de módulos de softwares a serem reutilizados e soluções padronizadas

(31)

para venda em escala, ambas as soluções permitem a diminuição de horas de desenvolvi-mento e pessoas envolvidas no processo. Também surge a oportunidade do emprego de técnicas de automatização de testes para aumento da confiabilidade do sistema.

Segundo Westland (2002) erros no desenvolvimento de software que só são descobertos após o lançamento do mesmo trazem prejuízos imensuráveis. Para garantia do correto funcionamento de um software é preciso incluir no processo de desenvolvimento rotinas de testes, podendo elas serem manuais ou automatizadas através de ferramentas. Conforme o projeto avança é necessário refazer testes já realizados em etapas preliminares para garantir o correto funcionamento do software.

Uma rotina de testes manuais é custosa para o programador por se tornar repeti-tiva, além dos cenários de testes se restringirem aos conhecidos por ele, ou seja, além de trabalhoso e consumir o tempo que poderia ser investido no desenvolvimento de novas funcionalidades, fica aberto a falhas humanas. Sendo assim, a automatização de testes permite o aumento da produtividade do time de desenvolvedores e, de acordo com Beck e Andres (2000), confere qualidade ao sistema desenvolvido.

A revisão de código (em inglês Code Review) é uma técnica que consiste em uma re-visão sistemática do código à procura de defeitos como erros de lógica de programação, duplicação de linhas de programa e má gerência de memória, além de possíveis problemas relacionados com legibilidade e capacidade de evolução de código (MÄNTYLÄ; LASSE-NIUS, 2009). Tal revisão normalmente é realizada por outros desenvolvedores a fim de que os novos trechos de códigos, caso aceitos, sejam integrados à base principal de código com maior qualidade.

O uso de code review é antigo, a International Business Machines Corporation (IBM) declara ter feito a introdução da técnica em 1974, tendo um exemplo prático relatado por Fagan (1986) em que a inspeção de um programa de 20.000 linhas de código economizou mais de 85% do esforço do programador, detectando os principais defeitos por meio de revisão de código em vez de teste. Dentre os benefícios listados estão a diminuição e prevenção de defeitos e a economia financeira.

Surgiu então a oportunidade de incorporar ferramentas para automação da técnica de

code review, visando aumentar a segurança dos softwares para que continuem funcionando

sob ataques maliciosos - assunto que emergiu na década de 90. McGraw (2008) destaca que os problemas de segurança não necessariamente surgem por conta de erros humanos, pois a maioria das linguagens de programação não foram planejadas pensando nesse viés de segurança. O autor destaca que o uso de ferramentas automatizadas são capazes de apontar vulnerabilidades em segundos, enquanto manualmente levariam semanas ou até mesmo meses para conclusão da revisão.

Bernard e Kon (2008) ao tratar da importância dos testes de unidade (trecho de código) automatizados trazem a reprodutibilidade de cenários idênticos e que diversas vezes eliminam falha humana. Os testes se tratam de programas ou scripts simples que

(32)

realizam funcionalidades do software, sejam de baixa ou alta complexidade, e analisam de forma automática os resultados.

Atualmente são adotados frameworks que permitem a escrita de um único código a ser executado repetidas vezes para automatizar o processo de depuração. De maneira geral, segundo Bavota e Russo (2015), as alterações que passaram pelo processo de revisão de código tendem a introduzir duas vezes menos defeitos do que aquelas que não passaram. Quanto aos benefícios e limitações de testes automatizados, Rafi et al. (2012) rea-lizaram uma pesquisa com 115 profissionais de software que apresenta que as maiores vantagens estão relacionadas ao reuso, possibilidade de readaptação, cobertura de testes e redução de esforços na execução repetitiva durante o processo. Contudo, se acredita que os testes automatizados não são capazes de substituir os manuais na sua totalidade, principalmente para cenários complexos.

Ainda que, de maneira geral, para o desenvolvimento e adoção de ferramentas que permitam testes automatizados seja necessário um investimento financeiro inicial, os testes manuais por serem repetitivos se tornam um desperdício. Logo, a longo prazo os testes automatizados podem ser considerados um investimento para a empresa, já que aumentará a confiabilidade dos trabalhos e seus colaboradores poderão trabalhar em atividades que agreguem maior valor ao produto elevando assim sua produtividade.

Com isso, os conceitos e as temáticas apresentadas nas Seções 2.1, 2.2 e 2.3 serão utilizados como base para o entendimento da análise que será realizada nos capítulos seguintes. Entretanto, previamente os procedimentos metodológicos da pesquisa serão expostos.

(33)

3 Metodologia

Para conferir maior credibilidade a esta pesquisa e também atingir os objetivos pro-postos é necessário que seja definida a metodologia de pesquisa a ser aplicada. Com isso, pretende-se demonstrar os procedimentos metodológicos utilizados de tal maneira que o trabalho seja facilmente compreendido não somente pelo pesquisador, assim como o leitor. Nesse capítulo são abordadas questões relacionadas a definição da metodologia científica aplicada, além de como a pesquisa é classificada, o ambiente de pesquisa, a ferramenta utilizada para a coleta e a tabulação dos dados e a organização dos mesmos.

3.1

Classificação da Pesquisa

Lakatos e Marconi (2001, p. 41) destaca que o método “é o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo – conhecimentos válidos e verdadeiros - traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões do cientista.”. Pereira (1996, p. 55) afirma que “para se chegar a um determinado conhecimento, existe a necessidade de se saber as construções mentais que o possibilitam ser efetivados.”.

Como esta pesquisa busca gerar novos e úteis conhecimentos para o progresso cientí-fico, entretanto, sem ter uma aplicação prática, então, ela é classificada como básica ou pesquisa pura, sendo escolhido o método indutivo por fornecer bases lógicas à investiga-ção, que segundo Silva e Menezes (2001, p. 26) “é um método proposto pelos empiristas como Bacon, Hobbes, Locke e Hume. Consideram que o conhecimento é fundamental na experiência, não se levando em conta princípios pré-estabelecidos.”.

A pesquisa pode ser classificada segundo Silva e Menezes (2001) em quatro diferentes formas: 1) quanto à natureza; 2) quanto aos objetivos; 3) quanto à abordagem; 4) quanto aos procedimentos técnicos.

Em relação aos métodos técnicos, segundo Gil (2008), esta é classificada como um estudo bibliográfico e estudo de caso, pois sua realização é feita com base em dados e consultas de trabalhos científicos que já foram feitos sobre o tema.

A abordagem utilizada neste trabalho é quantitativa, pois é para analisar a redução de custos gerada pela automação de um processo fabril. Além disso, analisando os objetivos desta pesquisa, conforme Gil (2002) e Silva e Menezes (2005), trata-se de uma pesquisa exploratória e descritiva, pois busca tornar explícito algum problema, buscando saber qual é a frequência que o mesmo ocorre e suas relações, através da conexão entre características deste fenômeno e outras variáveis.

(34)

3.2

Ambiente da Pesquisa

O objeto de estudo desta pesquisa foi uma Empresa de software que será detalhado a seguir o seu histórico tanto de origem quanto de pesquisa e desenvolvimento; instalações da empresa.

3.2.1

Histórico da Empresa

A Empresa de Softwares foi criada em 1992 na cidade de Florianópolis, em Santa Catarina, com a missão de atender a demanda por soluções informáticas (softwares) na área da gestão e controle, sendo uma das primeiras em entrar neste setor. Integrante do Arranjo Produtivo Local de Tecnologias de Informação e Comunicação (APL TIC), a empresa oferece soluções sob o modelo de locação de software, no qual está inserido o custo de atualização e melhorias enquanto o pagamento continuar.

Inserida no polo tecnológico de Florianópolis, desde sua criação, a empresa tem uma preocupação constante com a atualização tecnológica, visando atender a seus clientes com maior qualidade e eficiência. Dessa forma, a empresa passou por várias transformações nos últimos anos, a primeira importante foi a mudança de tecnologia de programação em plataforma Disk Operating System (DOS) para a mudança a plataforma Windows. Mudança que foi motivada na época pelo crescimento de aplicações Windows e pela redução de custos de hardware compatível.

Atualmente, a maior parte do produtos da empresa ainda se encontra na plataforma Windows, sendo o projeto em questão o primeiro produto em plataforma cloud, motivando um novo salto tecnológico e de diversificação de mercado para a empresa, ao sair da plataforma Windows para plataforma de computação em nuvem ou cloud computing.

A constante atualização tecnológica da empresa foi especialmente motivada pela re-configuração societária produzida em 2005, onde os novos sócios estabeleceram um foco mais empreendedor, ágil e mais preocupado com a satisfação dos seus clientes. A partir desse ano, novos projetos de atualização tecnológica foram iniciados, principalmente rela-cionados com a migração para a tecnologia JAVA, possibilitando a abertura de possíveis novas linhas de produtos bem como sua inserção no Parque Tecnológico Alfa, no bairro João Paulo da cidade de Florianópolis embora a empresa fosse associada à principal en-tidade de classe do setor desde a sua criação, Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (ACATE).

3.2.2

Histórico de Pesquisa e Desenvolvimento da Empresa

A empresa desenvolve soluções de software baseada intensamente em atividades de pesquisa e desenvolvimento, a partir das quais os produtos da empresa evoluíram cons-tantemente desde a criação da mesma.

(35)

Dentre as inovações realizadas anteriormente pode-se destacar a migração de tecnologia de programação Clipper (plataforma DOS) para tecnologia Clarion (plataforma Windows) a início da década de 2000. Com essa migração, a base de clientes da empresa incrementou-se consideravelmente, bem como a capacidade interna da mesma em oferecer um melhor suporte ao cliente.

Com o atual interesse da Empresa de Softwares em desenvolver seus produtos na tec-nologia de computação em nuvem (cloud computing), o desenvolvimento de um primeiro protótipo utilizando tal tecnologia foi realizado ao longo de 2011. Tal desenvolvimento ajudou a identificar as potencialidades de tecnologia cloud bem como a desenvolver as capacidades dos membros da equipe de pesquisa e desenvolvimento (P&D) da empresa.

Outra das atividades de P&D realizadas pela empresa para incrementar as capacidades e competências na área de computação em nuvem foi a inserção em redes de pesquisa no tema de tecnologia cloud, em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), bem como a inserção da empresa numa vertical da ACATE sobre cloud computing que será criada a seguir.

A Empresa de softwares, desde sua criação, utilizou dos próprios recursos para financiar as atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), apenas existindo uma exceção, um financiamento anterior no valor de R$ 30.000,00 que foram obtidos junto à Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) para realizar a migração dos produtos da empresa de plataforma DOS para plataforma Windows.

3.2.3

Instalações Físicas da Empresa

A Empresa de Softwares conta com uma área instalada de 50 m2, com projetos des-tinados a empresas que buscam qualidade e tecnologia da informação e comunicação de ponta. Está aparelhada para hosting internet escalável, para uma fábrica de software de até 30 desenvolvedores, no Condomínio Empresarial, do Polo Tecnológico de Florianó-polis. Possui serviços de vigilância 24 horas, fiação especializada para empresas de base tecnológica e mobiliário cuidadosamente planejado segundo padrões de ergonomia.

A infraestrutura tem o seguinte detalhamento: 1 link com internet (10 mbps); 7 estações de trabalho, plataforma Windows/Intel; 1 servidor, uma sala de reunião com capacidade para 10 pessoas, 1 periférico multifuncional HP (impressora laser, scanner, fax, copiadora); 2 impressoras jato de tinta e espaços de convivência equipados.

3.3

Revisão de Literatura

O levantamento da arte científica deste trabalho se deu através do SYSMAP

(Scien-tometric and sYstematic yielding MApping Process), um método de revisão de literatura

(36)

apresentar de forma estruturada os principais processos para realização de uma revisão de literatura de um tema que o pesquisador não possui conhecimento ou na qual o pesqui-sador busca identificar detalhes específicos sobre determinado aspecto e/ou contexto[48].

As cinco fases do SYSMAP (Figura 7) são apresentadas a seguir:

1. construção da coleção de artigos (Amostra I): quando as palavras-chave são defini-das, tentando obter uma busca eficiente para o conteúdo a ser estudado e escolha das bases de pesquisa;

2. processo de filtragens: ocorre a identificação dos artigos repetidos e a organização dos artigos pelos seus títulos e resumos;

3. análise cientrométrica: quando é identificado quais são os principais autores, perió-dicos e também palavras-chave sobre o tema estudado;

4. análise de conteúdo (Amostra II): esta etapa ocorre após a leitura dos artigos sele-cionados e,

5. construção das lacunas/oportunidades de pesquisa.

Figura 7 – Método SYSMAP[48].

A análise bibliométrica é um método quantitativo usado para mapear em determinado assunto os principais autores, periódicos e palavras-chave. Maldonado, Santos e Macedo (2010) afirmam que essas técnicas são ferramentas que se apoiam em uma base teórica metodológica reconhecida cientificamente que possibilita o uso de métodos estatísticos e

(37)

matemáticos para mapear informações, a partir de registros bibliográficos de documentos armazenados em bases de dados.

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) se trata de uma fundação vinculada ao Ministério da Educação (MEC) do Brasil e disponibiliza um portal de periódicos que possibilita pesquisas em diferentes bases de dados. Devido a sua relevância acadêmica internacional, para a análise preliminar dos objetos de es-tudo do presente trabalho, a Web of Science foi a base de dados adotada para pesquisa. Selecionaram-se as palavras-chave cost minimization, economic, automation e robotics pela sua relação com o tema proposto.

A realização da pesquisa ocorreu até o mês de março de 2020 na base de dados Web

of Science Core Collection sem restrições de anos anteriores na busca e, conforme é

apre-sentado na Figura 8, as palavras pesquisadas foram

("cost minimization" OR "economic") AND "(automation" OR "robotics").

Figura 8 – Forma de pesquisa na base de dados Web of Science.

Foram encontrados 2348 (dois mil trezentos e quarenta e oito) documentos entre ar-tigos e revisões, como é apresentado na Figura 9. Portanto, foi necessário realizar um refinamento de documentos que estivessem alinhados com o tema para uma maior ade-quação da pesquisa, conforme mostra o refinamento das opções na Figura 10 dentro do banco de dados Web of Science.

Desta forma, obteve-se 638 artigos (amostra 1). A filtragem, Fase 2 do método SYS-MAP, ocorreu para remoção dos documentos duplicados, além disso, os artigos foram

(38)

Figura 9 – Resultados da pesquisa na base de dados Web of Science.

Figura 10 – Forma de pesquisa na base de dados Web of Science.

submetidos à alinhamento dos títulos e resumos em relação ao objetivo da pesquisa, artigos que não estavam alinhados com o tema foram excluídos (técnicos ou que não apre-sentavam informações sobre modelos de minimização de custos e automação) restando 59

Referências

Documentos relacionados

De acordo com o Consed (2011), o cursista deve ter em mente os pressupostos básicos que sustentam a formulação do Progestão, tanto do ponto de vista do gerenciamento

(2009) sobre motivação e reconhecimento do trabalho docente. A fim de tratarmos de todas as questões que surgiram ao longo do trabalho, sintetizamos, a seguir, os objetivos de cada

Na apropriação do PROEB em três anos consecutivos na Escola Estadual JF, foi possível notar que o trabalho ora realizado naquele local foi mais voltado à

Este trabalho tem como objetivo contribuir para o estudo de espécies de Myrtaceae, com dados de anatomia e desenvolvimento floral, para fins taxonômicos, filogenéticos e

Para analisar as Componentes de Gestão foram utilizadas questões referentes à forma como o visitante considera as condições da ilha no momento da realização do

dois gestores, pelo fato deles serem os mais indicados para avaliarem administrativamente a articulação entre o ensino médio e a educação profissional, bem como a estruturação

eficiente no controle das duas espécies, quando realizado no nível do solo e seguido da aplicação de herbicida específico, como o 2,4-D + picloram.. que o óleo diesel

For the cultivar used in this study, some results showed that it does not tolerate water deficit, especially during the reproductive stage, with significant reductions in