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Relatório de Estágio Profissional "Ser Professora: do sonho à realidade"

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III

Ser Professora: do sonho à realidade

RELATÓRIO DE ESTÁGIO PROFISSIONAL

Relatório de Estágio Profissional, apresentado com

vista à obtenção do 2º Ciclo de Estudos conducente ao

grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos

Ensinos Básico e Secundário (Decreto-lei nº 74/2006

de 24 de Março e o Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de

Fevereiro)

Orientadora: Professora Paula Maria Leite Queirós

Susana Gonçalves Berenguer

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FICHA DE CATALOGAÇÃO

Berenguer, S. (2017). Ser professora: do sonho à realidade. Relatório de Estágio Profissional. Porto: S. Berenguer. Relatório de Estágio Profissional para a obtenção do grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.

PALAVRAS-CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL, PROFESSOR, EDUCAÇÃO FÍSICA, ATIVIDADES RÍTMICAS E EXPRESSIVAS, DANÇA

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VII

“Sem sonhos a vida não tem brilho. Sem metas os sonhos não têm alicerces. Sem prioridades os sonhos não se tornam reais. Por isso sonhe, trace metas, estabeleça prioridades e corra riscos para executar os seus sonhos. Melhor é errar por tentar do que errar por omitir!”

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IX

DEDICATÓRIA

Dedico este documento aos meus pais, por terem lutado sempre para que, tanto eu como a minha irmã alcançássemos os nossos sonhos. À minha irmã por todo o apoio, ajuda e motivação dada sempre que necessário e por ser um dos meus exemplos. À minha avó, muito do que sei hoje, devo-lhe a si. Obrigada pelo apoio incondicional que me dão, por acreditarem sempre em

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X

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XI

AGRADECIMENTOS

Quero agradecer a todas as entidades que contribuíram de forma direta ou indireta, tornando possível a realização deste estágio profissional na escola, o qual revelou ser uma oportunidade excecional para crescer em termos pessoais, profissionais e académicos, onde para além de ter aprofundado conhecimentos foi possível desenvolver competências em diversos níveis. Sendo assim, gostaria de deixar um especial agradecimento:

Gostaria de agradecer aos meus pais, à minha irmã e avó, pois são a razão do meu viver. Sister, és um dos meus exemplos de vida, se sou hoje a pessoa que sou também devo a ti. Sinto a tua falta todos os dias.

Às minhas manas do coração, Inês e Andreia, que me conhecem desde sempre e estão sempre disponíveis quando mais preciso. Em especial à Inês, pelas mil e uma histórias partilhadas, se fosse para as descrever nunca mais acabava, por teres sempre uma palavra amiga para dizer, insultar (que é o mais frequente) e chamar à razão.

Aos meus familiares mais próximos por estarem sempre presente, apoiando-me em tudo e incentivando-me quando mais precisei. Ao meu avô, o meu anjo da guarda, por me acompanhar e estar sempre presente quando mais preciso.

Aos meus “migos”, que me acompanharam uns de mais perto, outros de mais longe esta etapa da minha vida, por me apoiarem das mais variadas maneiras. Em especial à Ariana, por estares sempre presente e por seres a minha parceira. Que continuemos a criar muitos momentos para estarmos todos juntos. Estou sempre aqui para vocês! As verdadeiras amizades nascem do nada e acabam sendo tudo!

À Professora Paula Queirós que se manteve sempre disponível para me apoiar e esclarecer quaisquer dúvidas, dando o seu feedback sempre que tinha

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XII

disponibilidade para tal, demonstrando compreensão e disponibilidade para o diálogo.

Ao meu Professor Cooperante João Carvalho por todo o tempo despendido para me ajudar e acompanhar ao longo do estágio. Assim como ao Diretor da Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco, Sr. Rui Caetano, por ter aceite a minha solicitação para estagiar na escola em questão.

A todos os docentes da escola, pelo companheirismo e amizade, bem como todos os ensinamentos e ajuda disponibilizada, especialmente à professora Daniela Nunes, por me ter deixado colaborar no desporto escolar com ela, e ao professor Nuno Cruz por toda a ajuda disponibilizada quer para a elaboração do torneio 4 estações, quer por me deixar lecionar as aulas ao 2º ciclo numa das suas turmas.

Ao quarteto fantástico, da licenciatura, que apesar de ter tomado rumos diferentes no mestrado, partilhámos momentos inesquecíveis. À Daniela que foi novamente minha colega de turma, vivemos tanto aqui no Porto, passamos por altos e baixos, mas conseguimos ultrapassá-los juntas, obrigada pela partilha. Oss! À Sílvia pelos desabafos, cafés, as nossas histórias, não me esquecerei. À Cristina por todos os nossos encontros que tivemos quando vinhas ao Porto e pelos que partilhámos na nossa ilha.

À minha jammer unicórnio, Vânia, nada acontece por acaso, entrei naquele ginásio na altura certa. Foste tão importante no ano em que estive a viver no Porto. Não me vou esquecer do que fizeste por mim, das vezes que sem te aperceberes, com a tua boa disposição e energia contagiantes eras o meu “porto de abrigo” e me reconfortavas nos momentos menos bom. Obrigada por todas as aulas que partilhámos, que venham mais, porque quem dança é mais feliz!

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XIII

Às minhas nortenhas, Andreia e Mafalda, por todos aqueles jantares, por me receberem de braços abertos na invicta, por me mostrarem a vossa linda terra, pela partilha de bons momentos, boa disposição, risadas, por todas as vezes que jogamos ao UNO até às tantas, porque, em praticamente todos os jantares houve uma história associada.

Às minhas turmas do mestrado, principalmente ao Bacalhau, ao Cunha, à Margarida, à Guedes, à Sofia, à Liliana, ao Rúben e ao Alexandre, por estarem sempre prontos a ajudar-me no que foi necessário, pelo companheirismo e amizade.

Aos meus alunos do 10º ano pela partilha de momentos bons e menos bons, foi um crescimento mútuo, deixei um bocadinho de mim em vós, e vocês deixaram um bocadinho de vós em mim, foram a minha primeira turma de sempre. Não vos esquecerei! Aos restantes alunos no qual tive o privilégio de dar aulas, 5º ano e as três turmas de 12º ano, obrigada por me terem recebido tão bem. A pessoas como vocês, vale a pena dar aulas.

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ÍNDICE GERAL

DEDICATÓRIA ... IX AGRADECIMENTOS ... XI ÍNDICE DE TABELAS ... XIX ÍNDICE DE FIGURAS ... XXI ÍNDICE DE ABREVIATURAS... XXIII ÍNDICE DE ANEXOS ... XXV RESUMO ... XXVII ABSTRACT ... XXIX 1. INTRODUÇÃO ... 1 2. ENQUADRAMENTO PESSOAL ... 5 2.1. Um Sonho de Criança ... 6 3. ENQUADRAMENTO FUNCIONAL ... 9

3.1. A Escola Enquanto Instituição ... 10

3.2. A Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco ... 11

3.3. O Fictício Núcleo de Estágio ... 13

3.4. A Minha Turma ... 14

4. ESTÁGIO PROFISSIONAL: DA COMPREENSÃO ÀS EXPETATIVAS ... 19

4.1. O Que é o Estágio Profissional? ... 20

4.2. As Minhas Expetativas para o Estágio Profissional ... 22

5. ESTÁGIO: DA TEORIA À PRÁTICA ... 25

5.1. Início do Novo Desafio ... 26

5.2. Os Primeiros Passos na Escola/Turma ... 28

5.3. O Planeamento ... 31

5.3.1. Planeamento Anual ... 33

5.3.2. Planeamento das Unidades Didáticas ... 36

5.3.3. Planos de Aula ... 38

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XVI 5.5. Dificuldades e Potencialidades ... 46 5.5.1. A Disciplina na Aula ... 46 5.5.2. A Instrução ... 48 5.5.3. O Feedback ... 51 5.5.4. A Avaliação ... 54

5.5.5. Passagem pelo 2º Ciclo ... 56

5.6. Direção de Turma ... 58

5.7. Participação na Escola e Relação com a Comunidade Escolar ... 62

5.7.1. Participação e Dinamização de Atividades Escolares ... 62

5.7.1.1. Torneio de Voleibol ... 62

5.7.1.2. Dia da Educação Rodoviária ... 63

5.7.1.3. Torneio das 4 Estações ... 64

5.7.1.4. Atividades de Mar e Geocaching ... 67

5.7.1.5. Demonstração de Dança no dia do Eco-Ecolas ... 68

5.7.1.6. Atividades 1º Ciclo ... 70

5.7.2. Desporto Escolar – Dança ... 70

6. AS ATIVIDADES RÍTMICAS E EXPRESSIVAS: O TABU DA EDUCAÇÃO FÍSICA? ... 73

6.1. RESUMO ... 75

6.2. ABSTRACT ... 77

6.3. INTRODUÇÃO ... 79

6.4. ENQUADRAMENTO TEÓRICO ... 81

6.4.1. As Atividades Rítmicas e Expressivas como Matéria de Ensino ... 81

6.4.2. Dança-Educação ... 82 6.4.3. Composição em Dança ... 83 6.5 OBJETIVOS ... 85 6.5.1. Objetivos Gerais ... 85 6.5.2. Objetivos Específicos ... 85 6.6. METODOLOGIA ... 87 6.6.1. Caracterização da Amostra ... 87 6.6.2. Instrumento ... 87 6.6.3. Procedimentos Estatísticos ... 87

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6.7. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ... 90

6.8. CONCLUSÕES ... 109

6.9. BIBLIOGRAFIA ... 111

CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 113

BIBLIOGRAFIA ... 115 ANEXOS ... XXXII

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ÍNDICE DE TABELAS

Tabela 1 – Número de aulas por modalidade, distribuídas pelos 3 períodos. .. 36 Tabela 2 – Motivação dos alunos para as aulas de dança. ... 92 Tabela 3 – Análise das diferenças entre género com a variável “gostas de

dançar?” com “qual a motivação para estas aulas?”. ... 93 Tabela 4 – Importância em lecionar na escola dança e os motivos apontados.

... 94 Tabela 5 – Diferenças entre género relacionando o facto de ter tido dança na

formação académica com “dá dança nas suas aulas?”. ... 99 Tabela 6 – Motivos apontados pelos professores para não darem dança nas

aulas. ... 100 Tabela 7 – Relação entre ter dança na formação académica com a procura de

formação além da faculdade. ... 101 Tabela 8 – Análise se os professores que procuraram formação além da

faculdade usaram esses conhecimentos nas suas aulas. ... 101 Tabela 9 – Importância de a modalidade de dança estar inserida no PNEF e de

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XXI

ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1 – Ano letivo mais frequente da amostra. ... 90

Figura 2 – Percentagem de alunos que gostam de dançar. ... 91

Figura 3 – Estilos de dança praticados fora das aulas de EF. ... 91

Figura 4 – Estilos de dança favoritos dos alunos. ... 95

Figura 5 – Dificuldades que os alunos possam sentir nas aulas de dança. ... 96

Figura 6 – Motivos para os professores não lecionarem dança em EF. ... 96

Figura 7 – “O que significa para ti dança?” ... 97

Figura 8 – Anos de serviço dos docentes. ... 98

Figura 9 – Ciclos de Ensino dos professores. ... 98

Figura 10 – Atitude dos alunos em relação à modalidade de dança. ... 102

Figura 11 – Estilos de dança mais usados pelos docentes. ... 102

Figura 12 – Motivos para a dança constar no PNEF. ... 103

Figura 13 – Motivos apontados pelos docentes, ao não lecionarem esta modalidade, de poderem estar a privar os alunos de experienciarem as potencialidades do corpo. ... 104

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ÍNDICE DE ABREVIATURAS

AD – Avaliação Diagnóstica AF – Atividade Física

ARE – Atividades Rítmicas e Expressivas DE – Desporto Escolar

EBSGZ – Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco EE – Encarregados de Educação

EF – Educação Física EP – Estágio Profissional

FADEUP – Faculdade de Desporto da Universidade do Porto FB – Feedback

MEC – Modelo de Estruturação do Conhecimento PA – Plano de Aula

PEE – Projeto Educativo de Escola

PNEF – Programa Nacional de Educação Física UD – Unidade Didática

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XXV

ÍNDICE DE ANEXOS

ANEXO I: Planeamento Anual ... XXXIV ANEXO II: Estrutura do Plano de Aula ... XXXVI ANEXO III: Cartaz Torneio 4 Estações ... XXXVIII ANEXO IV: Questionário Aplicado aos Alunos referente ao Tema de

Investigação ... XL ANEXO V: Questionário Aplicado aos Professores referente ao Tema de

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RESUMO

O presente documento reflete um conjunto de vivências tidas ao longo do Estágio Profissional, inserido no 2º ciclo de estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino da Educação Física nos ensinos Básico e Secundário, da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. O Estágio Profissional decorreu na Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco, uma escola onde abrange o 2, 3º ciclo e secundário, situada na Região Autónoma da Madeira, sob a orientação de uma professora orientadora da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto e um professor cooperante da escola. Neste espaço é possível conhecer um pouco aquilo que foi o meu percurso enquanto professora-estagiária, desde as minhas fragilidades, às suas superações, a minha evolução, aos momentos mais felizes. O relatório é elaborado na primeira pessoa, e em termos de estrutura encontra-se segmentado em 5 capítulos: 1) No enquadramento pessoal, é feita uma apresentação sobre o meu percurso de vida e os motivos para ter escolher esta profissão; 2) No enquadramento funcional, é apresentado o contexto onde ocorreu o Estágio Profissional, e algumas influências durante o processo; 3) Estágio profissional: da compreensão às expetativas, onde é feito um enquadramento teórico sobre o que é o Estágio Profissional, e ainda apresento as expetativas que tinha no início desta caminhada; 4) Estágio: da teoria à prática, onde são focadas as dificuldades sentidas e formas de superação; 5) As Atividades Rítmicas e Expressivas: o tabu da Educação Física – estudo realizado na Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco da Região Autónoma da Madeira, que retrata o estudo de investigação elaborado.

PALAVRAS-CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL, PROFESSOR, EDUCAÇÃO FÍSICA, ATIVIDADES RÍTMICAS EXPRESSIVAS, DANÇA

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XXIX ABSTRACT

This document incorporates a set of experiences throughout the Professional Training, inserted in the 2nd cycle of studies leading to the Master's degree in Physical Education Teaching in Basic and Secondary Education, Faculty of Sport of the University of Porto. The Professional Internship was held at the Gonçalves Zarco Elementary and Secondary School, located in the Autonomous Region of Madeira, under the guidance of a Faculty of Sport of the University of Porto teacher and a cooperating teacher from Gonçalves Zarco Elementary and Secondary School. In this document it is possible to know a little about what my trajectory was as a trainee teacher from overcoming my weaknesses, my evolution, to the most memorable moments. The report is written in the first person, in terms of structure is segmented into 5 chap ters: 1) Personal framing, a presentation is made on my reasons for chosing the life course as a profession; 2) Functional framework, it is regarding the professional placement, and the influences gained during the process; 3) Professional internship: understanding to expectations, a theoretical framework is made on the Professional Internship undertaken; 4) Internship: from theory to practice, focuses on the difficulties experienced and ways of overcoming these; 5) The rhythmic and expressive activities: the taboo of Physical Education - a study carried out in the Gonçalves Zarco Elementary and Secondary School of the Autonomous Region of Madeira, which portrays the research study undertaken.

KEYWORDS: PROFESSIONAL INTERNSHIP, TEACHER, PHYSICAL

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1. INTRODUÇÃO

O presente documento, foi elaborado no âmbito da unidade curricular Estágio Profissional (EP), integrado no segundo ano do segundo ciclo de estudos congruente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física (EF) nos Ensinos Básico e Secundário da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP).

O meu estágio foi realizado na escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco (EBSGZ), situada na Região Autónoma da Madeira, mais precisamente na cidade do Funchal.

O EP tem como intuito orientar de forma progressiva o professor-estagiário na construção da sua identidade, através do contacto com o contexto real, no qual põe à prova as suas competências profissionais. Através das mesmas deve ser capaz de desenvolver um desempenho crítico e reflexivo, para superar as exigências e os desafios impostos pela profissão1.

Este relatório é o culminar de uma longa etapa, marcada por alguns altos e baixos, no qual a procura pelas melhores soluções a tomar para superar os mais variados desafios, foi uma constante.

A docência é uma área exigente, pois é uma profissão com a qual estamos em constante contacto direto com um conjunto de seres humanos, em que o principal foco é ensiná-los, alertá-los e prepará-los para o futuro. Cada indivíduo é portador de uma personalidade, que é diferente do outro, isto porque é influenciado pela educação que lhes é dada desde que nasceram. O professor deve ter a capacidade de atender aos mais variados perfis que constituem a turma, ao mesmo tempo que tenta fazer um ensino homogéneo deve também particularizá-lo, isto é, deve tratar os alunos da mesma forma (igualdade de oportunidades, forma como se relaciona com eles, regras, etc), no entanto deve individualizar o ensino de acordo com as suas capacidades. Enquanto uns alunos são mais aptos em determinada modalidade, pode haver

1 Documento interno da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, designado “Normas Orientadoras do Estágio Profissional”, elaborado para a unidade curricular Estágio Profissional, no ano letivo 2016-2017.

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outros que não, pode ser dado um exercício igual para os dois níveis, no entanto com um grau de complexidade diferenciado.

Acrescentando a estes aspetos, a EF é uma disciplina peculiar devido ao facto de ser a única que ensina através do corpo (Graça, 2014), integrando um conjunto de valores transmitidos pelo desporto, tais como a cooperação, partilha, competição, aceitação, superação, esforço, empenho, dedicação, o saber ganhar e perder, a não desistir perante as dificuldades e a lutar pelos objetivos pessoais, ou seja, assume um papel preponderante na criação do “eu” ao longo da vida. Desta forma, a EF concebe uma noção de desenvolvimento integral e integrado, ensina a lidar com o próprio corpo, desenvolve noções de superação, de partilha, de trabalho em equipa e cooperação, promove a autoconfiança e autoestima (Batista & Queirós, 2015).

A caminhada pelo EP foi acompanhada pelo Professor Cooperante (PC) e pela professora orientadora, assim como pelos dois colegas que estavam também a estagiar pela Universidade da Madeira (UMa).

Em suma, neste relatório o leitor irá deparar-se com algumas das vivências tidas ao longo do ano letivo, algumas dificuldades e formas de superação, algumas inseguranças e momentos que me deixaram feliz.

Em termos de estrutura, o presente relatório encontra-se dividido em cinco capítulos, que pretendem apresentar, de forma organizada e refletida, as vivências enunciadas anteriormente.

No primeiro capítulo (Enquadramento Pessoal) é realizada uma apresentação sobre mim, o meu percurso académico e desportivo, como forma de perceber qual o motivo que me levou a escolher esta profissão.

O segundo capítulo (Enquadramento Funcional) diz respeito ao contexto em que ocorreu o EP, tal como algumas influências neste processo, o fictício núcleo de estágio e a turma onde lecionei as aulas. Este ponto inicia-se com um enquadramento teórico sobre a escola enquanto instituição, com intuito de expor a minha opinião em relação a esse assunto.

No terceiro capítulo (Estágio Profissional: da Compreensão às Expetativas) faço um enquadramento teórico sobre o que é o EP, e ainda apresento as expetativas que tinha no início desta caminhada.

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No quarto capítulo (Estágio: da Teoria à Prática) encontrará uma descrição reflexiva da prática desenvolvida, focando nas dificuldades sentidas em cada ponto e de que maneira foram superadas. Os textos são baseados em episódios ocorridos no EP, como: início do novo desafio, os primeiros passos na escola/turma, os três tipos de planeamento (anual, das Unidades Didáticas (UD) e Planos de Aula (PA)), chegou ao fim... qual o meu contributo para os alunos? Dificuldades e potencialidades (a disciplina na aula, a instrução, o feedback, a avaliação e a passagem pelo 2º ciclo); a direção de turma, torneio de voleibol, a prevenção rodoviária, o torneio 4 estações, as atividades de mar e Geocaching, a demonstração de dança no Eco-Escolas, as atividades do 1º ciclo e o Desporto Escolar (DE). Estes textos foram fundamentados por pequenos excertos de reflexões feitas durante o EP.

O quinto e último capítulo (As Atividades Rítmicas e Expressivas: o Tabu da EF?), corresponde ao estudo realizado na EBSGZ da Região Autónoma da Madeira, como forma de desenvolver as minhas capacidades de investigação.

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2. ENQUADRAMENTO PESSOAL

A vida só tem sentido a partir do momento em que o coração começa a bater, quando tudo começa a se transformar, onde tudo começa a ganhar sentido, quando contactamos com o mundo real, moldamos a nossa personalidade e os sonhos ganham vida.

Desta forma, este documento só fará sentido quando fizer uma breve apresentação de quem sou eu, quais as influências e motivos que me levaram a escolher esta profissão.

2.1. Um Sonho de Criança

O meu nome é Susana Gonçalves Berenguer, nasci a 15 de novembro de 1993, sou natural da ilha da Madeira, mais precisamente do concelho do Funchal.

A minha ligação com o desporto iniciou-se desde cedo, tenho vagas memórias de estar de férias na ilha de Porto Santo com os meus pais e a minha irmã. Todos os dias a ida à praia era obrigatória, o contacto com o mar fez-se de forma natural, adorava a água, não tinha medo das ondas, muito pelo contrário era aventureira. Aprendi a nadar com 5 anos, estive na natação durante um verão para aperfeiçoamento, que é como quem diz, deixar de nadar “à cãozinho”.

Recordo-me de ser uma criança ativa, de ir para a rua brincar à bola com os meus vizinhos ou andar de bicicleta, eu adorava fazer desporto. Era uma “maria-rapaz”, assim a minha mãe o dizia e “temia” que nunca viesse a usar um vestido ou saltos altos, pois não apresentava alguns comportamentos típicos de menina.

Desde o 1º ciclo do ensino básico até ao 2º/3º ciclo contava os minutos para que chegasse ao intervalo para ir a correr para os campos jogar à bola, para conseguir uma mesa de ténis de mesa para jogar ou então para ir jogar às apanhadas.

Participei ao longo do 3º e 4º ano nas competições do DE, independentemente de qual fosse a modalidade, já sabia que ia ser a escolhida. Ficava toda contente, e foi nesta altura que surgiu o sonho de ser

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professora de EF. A empatia criada com as professoras nesses dois anos foi tão grande, os momentos partilhados não só nas aulas, mas também durante as competições do DE, foram de tal maneira marcantes que eu só pensava “quando for grande quero ser igual às minhas professoras de EF”.

Sempre tive um gosto especial pelo futebol, foi então que durante umas férias de verão os meus pais colocaram-me num clube (Clube Desportivo Nacional) que tinha treinos durante essas férias como forma de ocupar as crianças.

Apesar de nunca ter sido uma atleta de alto rendimento, no 8º ano fui novamente parar ao futebol, estive no Club Sport Marítimo a treinar. Tínhamos treinos três vezes por semana, mas um dos dias não conseguia ir, porque a hora que saia da escola coincidia com a hora de início do treino. Depois comecei a questionar as minhas capacidades, achava que não conseguia conciliar o desporto com os estudos, mera estupidez e acabei por desistir uns meses depois.

No 10º e 11º ano participei no DE em basquetebol. No primeiro ano a equipa teve uma baixa de última hora e o professor acabou por ligar-me para ocupar o lugar da atleta. No ano a seguir participamos novamente, por divertimento, pois nunca tivemos um treino juntas antes das competições.

A vontade de ser professora de EF, poderia ter ficado por um simples “sonho de criança”, que muitas vezes nessa fase ambicionam um dia ser uma coisa, no outro já mudam de ideias, mas comigo não foi assim. Sempre quis que a minha profissão fosse ligada a esta área. A partilha de conhecimentos e as vivências com os diferentes professores de EF que tive, fomentaram ainda mais este sonho. Sentia que todos eles adoravam aquilo que faziam e isso era notório no método de ensino que utilizavam, a forma e o dinamismo que colocavam nos exercícios, a relação que estabeleciam com os alunos era sem dúvida muito diferente dos outros professores, e isto também é possível, pois a disciplina de EF permite isso. É a única disciplina que ensina através do corpo, onde integra um conjunto de valores transmitidos pelo desporto, tais como a cooperação, partilha, competição, aceitação, superação, esforço, empenho, dedicação, o saber ganhar e perder, a não desistir perante as dificuldades e a

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lutar pelos objetivos pessoais, que assumem um papel preponderante na criação do “eu” ao longo da vida.

Apesar de saber que o desporto é a minha área de eleição, sempre adorei crianças, esta profissão é, basicamente, a junção das duas coisas que mais gosto. Dar aulas a crianças e incidir-me mais sobre o 2º ciclo é o meu maior desejo.

No que diz respeito ao meu percurso académico, no 10º ano o agrupamento que escolhi foi o de Ciências e Tecnologias, e posteriormente formei-me em EF e Desporto pela UMa. Durante o segundo ano da licenciatura abracei um projeto de voluntariado na escola MAIS Desportiva Salesianos e dei aulas de natação a crianças dos 6 aos 15 anos. Foi uma experiência enriquecedora, pois estes vinham de bairros sociais onde as carências monetárias são grandes, existiam casos de violência doméstica, filhos monoparentais, entre outros. Eram crianças que necessitavam de atenção, carinho, além de ser “professora”, muitas vezes era também uma amiga. Houve uma miúda, que me intitulou de madrinha, sem dúvida que isso faz-nos sentir bem, por sabermos que estamos a contribuir para que aquela criança seja melhor.

O sonho ainda não tinha sido atingido, como tal em 2015 ingressei no Mestrado em EF nos ensinos Básico e Secundário pela FADEUP. Poderia ter ficado pela minha ilha e ter feito o mestrado lá, mas senti a necessidade de ir em busca de novos conhecimentos, ouvir outras mentalidades, abrir horizontes e crescer mais a nível pessoal e profissional.

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3. ENQUADRAMENTO FUNCIONAL

3.1. A Escola Enquanto Instituição

Na minha visão, a escola enquanto instituição deve certificar-se que todas as crianças e jovens têm acesso à educação, na qual deve constar a formação pessoal do indivíduo, intelectual, social, cultural e física. Deve ter em conta as dificuldades de cada um, para que todos sejam presenteados com aprendizagens enriquecedoras fruto de um trabalho de exploração das potencialidades e capacidades dos alunos ao máximo.

Um dos direitos do Ser Humano é precisamente o direito à educação. “A Declaração Universal dos Direitos do Homem, adotada e proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1948, constitui o documento que consagra, entre outros, o direito à educação” (Declaração dos Direitos Humanos, s.d.). Logo este deve ser atendido, para que todos os cidadãos tenham o privilégio de o usufruir, através da instituição escola. A educação é assumida pelo Governo como um serviço público universal e defende como princípios a disciplina, o esforço e a autonomia.

Muitas vezes ouvimos a expressão “os jovens de hoje são os adultos do amanhã”. Esta deve estar bem presente no entendimento dos responsáveis das entidades competentes, partindo da instituição com maior poder (Ministério da Educação), de modo a que o analfabetismo seja colmatado. São os jovens que vão determinar o futuro do país, e para que este não se desmorone, é fundamental que ocorra uma cooperação entre os Encarregados de Educação (EE), professores e alunos criando um ambiente propício para a aprendizagem, privilegiando a exigência de forma controlada, para formar adultos responsáveis e cultos.

Frequentar uma escola deve ser vista como uma oportunidade única, os jovens têm acesso a uma base cultural sólida comum, capaz de conciliar as diferentes dimensões (cognitiva, expressiva e valorativa) do desenvolvimento do Ser Humano, que são indispensáveis para saber viver em comunidade e em equilíbrio com a natureza (Azevedo, 2006).

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Valentim (s.d.) cit. por Batista et. al, (2015), refere que a escola deve atender às individualidades dos alunos, dispondo de apoios pedagógicos que vão ao encontro das dificuldades dos alunos, garantindo que os seus progressos sejam reais.

Nos dias que correm, para além de termos uma escola de massas, com alunos espalhados pelas distintas classes sociais, o Estado em conjunto com a sociedade alerta para que a entidade escola seja um local onde se verifique a inclusão social, albergando dos diferentes grupos sociais, grupos étnicos, as crianças com necessidades educativas especiais e crianças portadoras de doenças graves (Cunha, 2008). Para que esta ideia seja cumprida é necessário o aparecimento de uma nova conceção de professor. Ao professor letrado, bem formado, bondoso, adiciona-se o professor seletivo, que é capaz de distinguir os alunos mais capacitados, dos menos capacitados, distribuindo maior atenção a estes últimos (Cunha, 2008). O professor cada vez mais não deve ser encarado exclusivamente como um perito das matérias que leciona, mas também como um ser altamente qualificado nas diferentes áreas do saber (Ruivo, 1997 cit. por Cunha, 2008).

3.2. A Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco

A EBSGZ foi inaugurada a 9 de setembro de 1968, com a designação de Escola Preparatória de Gonçalves Zarco. Esta foi a primeira instituição com o ciclo preparatório, como anexo às Escola Secundária Francisco Franco e Escola Secundária Jaime Moniz (Projeto Educativo de Escola (PEE), 2010-2014). No ano 1989 criou-se um edifício próprio na freguesia de São Martinho (onde se encontra até então), abrangendo alunos desde o 2º ciclo até ao ensino secundário, inclusive.

A missão desta instituição escolar passa pela promoção de desenvolvimento harmonioso do aluno, através do sucesso educativo e valorização social e pessoal do mesmo, num fio condutor da educação para a cidadania, da potencialização das práticas colaborativas, da promoção da

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inovação e formação e da preservação da identidade e cultura escolar (PEE, 2014-2018).

A EBSGZ foca o aluno no centro do processo educativo, onde as estratégias, atividades e metodologias de ensino têm de ir ao encontro de um ensino com qualidade, direcionado para o sucesso dos jovens e bem-estar de toda a comunidade escolar.

O foco na Educação Física

As infraestruturas desportivas da escola abrangem um pavilhão polidesportivo, que contém quatro balneários (dois femininos e dois masculinos), uma sala de aula anexa (com mesas e cadeiras) e uma sala com três mesas de ténis de mesa (movíveis). Dois campos exteriores (um de reduzidas dimensões e outro com quatro campos com 40x20m) e seis mesas de ténis de mesa no exterior (amovíveis). Além destes espaços, há a possibilidade de utilizar outras áreas informais para as aulas de EF, como o espaço circundante do pavilhão e a varanda do mesmo, a sala de EF (necessita marcação prévia), a sala no pavilhão e o pátio.

As instalações desportivas e respetiva gestão estão a cargo do diretor de instalações que organiza e distribui a ocupação dos espaços.

Segundo o Regulamento Interno definido pelo grupo disciplinar de EF, a abordagem de algumas matérias de ensino é condicionada em alguns espaços desportivos, particularmente o badminton, o voleibol e a ginástica, que só podem ser lecionadas no pavilhão polidesportivo, com intuito de preservar os materiais desportivos e a integridade física dos estudantes.

Em relação aos projetos de âmbito desportivo presentes na escola, destaca-se: a) DE, que abrange modalidades como: andebol, badminton, basquetebol, ginástica aeróbica, dança (apenas ensaios para a participação na cerimónia de abertura), futsal, ténis de mesa, voleibol e atletismo; b) desporto GZ, referente ao Clube Escola Gonçalves Zarco e que culmina na abordagem de modalidades como o voleibol e ténis de mesa.

No meu entendimento, a escola devia apostar na compra de materiais desportivos, como bolas de futebol, raquetes de ténis de mesa, equipamento

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de som, redes de ténis de campo e colchões para ginástica. Apesar da escola dispor de espaldares no pavilhão, estes não estão bem situados, o que faz com que não lhes seja dada utilidade. Estes deviam ser removidos e colocados num local onde não existisse problema de os alunos os utilizarem para a ginástica.

Outro problema que se coloca é o pavimento dos campos exteriores que se encontra em alcatrão. Este constitui-se como um perigo para a integridade física dos alunos, pois caso caiam o risco de escoriações é grande. Apesar da escola não ter muitas verbas deveria tentar arranjar uma parceria ou patrocínio com alguma entidade no sentido de ajudar na alteração do piso para algo mais seguro que o presente.

3.3. O Fictício Núcleo de Estágio

A partir do momento em que tomei a decisão e verifiquei a possibilidade de ir estagiar para a ilha da Madeira, sabia que à partida não ia ter núcleo de estágio constituído por colegas do mestrado, pois os outros dois madeirenses quiseram ficar a estagiar no Porto. Todavia, a escola onde escolhi estagiar faz parceria com a UMa no mesmo mestrado, logo tive dois colegas de estágio, mas de outra universidade.

Assim sendo, o núcleo de estágio da EBSGZ é constituído por 3 estagiários. Já conhecia os dois colegas antes de ingressar para esta faculdade, pois a rapariga foi da minha turma em algumas disciplinas da licenciatura na UMa, e o rapaz era do ano anterior a mim na licenciatura, ou seja, quando entrei na universidade ele estava no 2º ano e praxou-me.

Eu e o rapaz já tínhamos frequentado esta escola, o que facilitou a nossa integração. Como a colega não conhecia a escola, acabamos por ajudá-la e levámo-la a conhecer as instalações.

Posso referir que o grupo inicialmente era um pouco mais individualista, mas com o tempo isso foi-se desmoronando dando lugar a uma cooperação e entreajuda.

O facto de nós irmos observar as aulas uns dos outros ajudou a apurar o nosso sentido crítico construtivo, apontando as falhas uns dos outros como forma de melhorar e crescer na nossa prestação enquanto professores.

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Notei uma evolução em ambos, desde as primeiras aulas até agora, embora existam aspetos que ainda têm que ser melhorados, mas este é um processo contínuo e, não é só em um ano que vamos chegar ao patamar que pretendemos.

O núcleo de estágio da escola EBSGZ foi orientado pelo mesmo PC da escola, diferindo apenas na professora orientadora, no meu caso foi uma da professora da FADEUP, no deles por uma professora da UMa. Contei com o apoio de ambas a entidades no processo de orientação e coordenação nesta etapa.

O PC, ajudou-nos a evoluir no que diz respeito à capacidade de tomada de decisão, onde através da liberdade dada para experimentação, pudéssemos vivenciar o erro, refletir sobre o mesmo e alterar o que achássemos necessário. A orientadora foi fundamental neste processo de orientação sobre todo o planeamento necessário ao longo do estágio, assim como alertar sobre algumas eventualidades que possam surgir e como lidar com elas.

3.4. A Minha Turma

A turma na qual lecionei as aulas de EF era de 10º ano do Curso de Ciências e Tecnologias dos Cursos Científico-Humanísticos. Era constituída por, inicialmente 18 alunos, 10 raparigas e 8 rapazes. No entanto, um dos alunos não estava inscrito na disciplina (por ser repetente e ter ficado com a nota do ano anterior) inicialmente ia às aulas e deixou de ir. Outros dois alunos foram transferidos de curso no 2º período, por não se identificarem com o mesmo. Nesse mesmo período veio um aluno transferido do continente. A turma terminou o ano constituída por 16 alunos. A média de idades da turma situava-se nos 15 anos.

A ficha biográfica foi preenchida no início do ano letivo pelos alunos como ferramenta que nos permitiu conhecer com maior detalhe cada um deles.

Quando o professor faz o planeamento do ano letivo, selecionando as matérias a serem lecionadas na turma, devem ter em conta as preferências e as modalidades em que os alunos sentem maior dificuldade (Bento, 2003).

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Assim sendo, na primeira aula foi aplicado um questionário para saber quais as suas preferências e maiores dificuldades ao nível das matérias de ensino, perceber se na turma existiam alunos federados ou não, se praticam Atividade Física (AF) fora das aulas e se tinham problemas de saúde. O modo como estes aspetos condicionaram o planeamento, será abordado mais à frente, no capítulo 5.3.1 Planeamento anual.

Estilo de vida, Atividade Física e Historial Desportivo

Para entender as capacidades e potencialidades dos alunos na disciplina de EF é imprescindível perceber todo o contexto desportivo dos mesmos, tanto no passado como atualmente.

Historial Desportivo

Atualmente dois alunos estão ligados a um clube desportivo na modalidade de Futebol e Andebol.

Curiosamente a maioria da turma (13 alunos) já participou no DE em diferentes modalidades e inclusive em mais do que uma. A modalidade mais procurada foi o voleibol (6 alunos), futebol e basquetebol (3 alunos em cada), andebol, dança (2 alunos em cada) e badminton e atletismo (1 aluno em cada).

Atividade Física

Os níveis de AF estão associados aos estilos de vida saudáveis, que são adotados pelos alunos no dia-a-dia. Os alunos da turma na sua maioria são sedentários, visto que para além das aulas de EF não fazem nenhum tipo de AF.

Atualmente apenas dois elementos encontram-se associados a um clube na modalidade de futebol e andebol, um frequenta um ginásio e outra faz exercício físico em casa.

Limitações na Prática Desportiva

De forma a que a prática letiva decorra de forma segura, é fundamental consciencializar-se das limitações dos alunos, percebendo as condicionantes

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na prática e em que sentido terá que haver uma alteração da sua atividade nas aulas de EF.

A aluna ACF2 tem síncope neurocardiogénica, síncope é a perda transitória de consciência e tónus postural (desmaio), oriunda da ativação inapropriada do nervo vago. O distúrbio básico na origem do desmaio é a redução súbita da oxigenação cerebral derivado da diminuição do fluxo sanguíneo nessa região.

A CS3 tem diabetes (não é insulinodependente) e asma usando a bomba sempre que necessário. É necessário certificar-se se toma sempre o pequeno-almoço.

A FN4 tem dermatite atópica e tiroidite de ashimoto auto-imune, necessita

de ter cuidados com o sol, não podendo apanhar em excesso.

A aluna LR5 tem um desvio na coluna. A JH6 tem problemas no crescimento ósseo, pelo que por vezes sente dores principalmente nas articulações, deve evitar todo o tipo de impactos.

No momento de realização dos PA o principal cuidado foi encontrar exercícios alternativos para os alunos que não conseguiam fazer o que era pretendido. O objetivo foi tentar mantê-los também em AF.

Preferências Desportivas

O estabelecimento das matérias de ensino a abordar, poderá sofrer alguma influência de acordo com as modalidades eleitas pelos alunos como favoritas, assim como as que apresentam mais dificuldades e/ou que gostam menos. Esta informação é pertinente, para que consigamos ser influentes e incutir o gosto pela prática de AF dos alunos, não só no presente, mas também que esta seja levado em diante e faça parte da rotina dos mesmos.

As raparigas preferem o voleibol, enquanto os rapazes o futebol. Contudo, a diferença entre estas duas modalidades na junção dos dois géneros é mínima (1). No que refere à matéria com maiores dificuldades a maioria da

2 Sigla fictícia para o nome da aluna 3 Sigla fictícia para o nome da aluna 4 Sigla fictícia para o nome da aluna 5 Sigla fictícia para o nome da aluna 6 Sigla fictícia para o nome da aluna

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turma respondeu a ginástica. Estes dados serão alvo de uma reflexão no momento do planeamento anual para a turma (5.3.1 Planeamento anual).

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4. ESTÁGIO PROFISSIONAL: DA COMPREENSÃO ÀS

EXPETATIVAS

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4. ESTÁGIO PROFISSIONAL: DA COMPREENSÃO ÀS EXPETATIVAS

4.1. O que é o Estágio Profissional?

“Aprender a ser professor é uma viagem longa e complexa, repleta de desafios e de emoções.” (Arends, 1995)

O EP é o culminar de toda a etapa universitária, é o ano em que colocamos à prova tudo aquilo que retivemos.

A intenção do estágio, consiste não só no ganho de experiência, como também se espera que sejam aplicados os conhecimentos adquiridos ao longo desta etapa. Desta forma, e do meu ponto de vista, o estágio é fundamental pelos motivos referidos anteriormente, mas também pelo facto de ser um ponto de partida para nos inserirmos no mercado de trabalho. Borko (1986), encara a fase de iniciação como um tempo de tensões e aprendizagens intensivas, em contextos normalmente desconhecidos, no qual os professores principiantes devem desenvolver os conhecimentos profissionais e, simultaneamente, conseguir manter um certo equilíbrio pessoal.

“O professor começa a construir-se desde o momento que decide abraçar a carreira” (Campos, 1995), apesar de que, esta acaba por ir se construindo à medida que o tempo passa, sem nos apercebermos, por influência das experiências que tivemos como alunos e através de outros contactos. Porém o período inicial é fundamental para criar bases para o futuro, estimulando por exemplo, as práticas reflexivas de autoaprendizagem, manter-se atualizado e modernizar no que confere à atividade educativa (Campos, 1995). Ser um profissional ativo, crítico com as situações que acontecem, seja preocupado com os valores humanos e o desenvolvimento integral dos alunos (Estrela, Esteves & Rodrigues, 2002).

A fase inicial de estágio é muito trabalhosa, é uma nova realidade para os estagiários, pelo que a forma como são recebidos na escola, o tipo de acompanhamento que lhe é cedido, a partilha de experiências com os colegas mais experientes, são essenciais no processo de socialização. O início de carreira é o momento que nos dedicamos de corpo e alma ao que estamos a

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fazer graças ao grande entusiasmo e dedicação, mas “é também um momento de grande responsabilidade, de incertezas e de inseguranças, que pode resultar em descontentamentos face à profissão” (Matiz & Lopes, 2009).

O professor principiante encontra inúmeros constrangimentos quando se depara com a realidade, podendo representar um ponto crítico e, frequentemente difícil no desenvolvimento profissional, em que poderá ocorrer o que Muller Fohbrodt et al., (1978) cit. por Veenman, (1984), intitulam de “choque com a realidade” (reality schock) (Marques, 2011). Torna-se pertinente entender o porquê, enumerando as causas, para se poder estabelecer estratégias de intervenção, com vista à sua minimização ou irradicação, tendo em conta que os fatores que desencadeiam o choque são variados, podem apresentar-se nas instituições de formação, nas escolas e nos próprios professores.

Existem outras expressões que têm surgido na literatura, como é o caso do “choque de transição” elegido por Corcoran (1981) cit. por Marques (2011), que defende que este pode conduzir a um estado de paralisia, que torna os professores incapazes de transferirem para a sala de aula os conhecimentos que aprenderam e desenvolveram ao longo do estágio curricular.

Através do EP os futuros professores adquirem uma maior noção da realidade com que se deparam, das perspetivas de carreira e o que se passa no mundo de trabalho (Cole & Knowles, Jardine & Field, kuzmic). Os níveis de maturidade e de autoconfiança dos alunos aumentam, normalmente durante o EP (Amaral et al., Kuzmic; Simões & Ralha Simões, Sprinthall & Sprinthall).

O estágio deve trazer um leque de experiências significativas, com intuito de fomentar competências imprescindíveis ao desempenho de forma autónoma e eficaz dos futuros profissionais (Caires & Almeida, 2000).

Após o EP, sinto que evolui, sinto que estou mais autoconfiante e capaz de liderar de forma satisfatória uma turma. Na minha forma de pensar e agir perante os alunos, a capacidade de me adaptar às imprevisibilidades que acontecem. Acredito que se não fosse o EP, iria ter, o que foi mencionado anteriormente, um “choque com a realidade” de forma mais pronunciada.

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A minha passagem pela escola enquanto estagiária inicialmente foi um pouco atribulada, no sentido em que fomos alvos de uma série de informações e tarefas a serem cumpridas, facto que me fez colocar em causa se tinha capacidade de dar resposta ao que era pretendido. Tudo o que fazia, UD, PA demorava o dobro ou triplo do tempo do que na fase final. As dificuldades que mais sentia ao dar aulas, controlo da turma na totalidade, dar Feedbacks (FB) específicos e individualizar os exercícios, foram sendo superadas ao longo do tempo.

4.2. As Minhas Expetativas para o Estágio Profissional

Após o primeiro ano do mestrado, que se centrou fundamentalmente em aspetos teóricos durante primeiro semestre, passando para o segundo com uma maior ligação à componente prática, a verdade é que todas as aulas lecionadas foram dadas em grupo. Seguramente foi fundamental para ter algumas noções do que iria acontecer no estágio, mas quando chegamos à realidade e estamos sozinhos as coisas mudam. Dar aulas de EF, foi o que sempre ambicionei, portanto não questionei esse aspeto. O que me deixava insegura era saber se era capaz de adaptar adequadamente os exercícios perante o contexto, e se saberia avaliar e classificar da forma mais correta.

As minhas expetativas passavam por ser uma professora motivada a lecionar aquilo que adoro, de tal forma que os alunos se sentissem igualmente motivados e viessem com uma boa pré-disposição para as aulas.

Em relação à turma, o que lhe disse desde início foi que, não queria criar muitas expetativas em relação ao que ia acontecer ao longo do ano letivo, apenas pedi que fossem compreensivos, empenhados e acima de tudo respeitadores.

Um dos meus objetivos era que a turma evoluísse quer ao nível motor, cognitivo e socioafetivo, como em questões relacionadas com a pontualidade que foi um dos aspetos que mais batalhei ao longo do ano letivo, pelo facto de ser a primeira aula da manhã e terem uma tolerância de atraso superior às restantes aulas, o que se tornou mais complicado contrariar. A questão das

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meninas e os cabelos amarrados foi outra batalha, que me deparei, no entanto já cumprem com a regra sem ter que andar sempre a relembrar.

No início do ano letivo a turma era formada por grupos com alunos vindos de diferentes turmas, com o passar do tempo, a turma foi criando uma maior empatia entre eles, havendo também alguns conflitos pelo meio entre algumas raparigas, que foram sendo atenuados o que fez com que atualmente já sejam amigas. Com a entrada e saída de alunos, os grupos também foram sofrendo alterações. De uma forma geral, na turma, apesar de haver grupos, dão-se todos bem, nunca houve uma situação em que tivesse que me aborrecer muito, o que é uma mais valia e confirmação de que é uma boa turma.

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5. ESTÁGIO: DA TEORIA À PRÁTICA

5.1. Início do Novo Desafio

Nos dias que correm, independentemente qual seja a área que estamos inseridos, é fundamental a existência de um estágio, pois cada vez mais, um dos requisitos exigidos pelas entidades para contratação das pessoas é a experiência. Este é um assunto debatível, pois existem cursos que não têm estágio, e a probabilidade desses alunos conseguirem emprego na sua área, sem formação poderá ser menor, ou não.

Contudo, vou apenas centrar-me na nossa área que é a da EF. O estágio para os futuros professores é imprescindível, porque é a primeira vez que contactam com o mundo real, que trabalham com os jovens e estão em contacto com profissionais experientes. Tudo isto revela-se uma mais valia, o professor-estagiário tem a oportunidade de inserir-se numa cultura escolar, onde imergem diversos valores, normas, hábitos, costumes e práticas que influenciam a forma de pensar, sentir e agir dessa comunidade específica (Batista & Queirós, 2015), tendo sempre a orientação do PC.

Borko (1986), cit. por Marques, (2011) analisa a fase de iniciação como uma fase de tensão e aprendizagens constantes, em ambientes normalmente anónimos, no qual é pretendido que os professores-estagiários desenvolvam conhecimentos profissionais, ao mesmo tempo que encontrem um certo equilíbrio pessoal.

Outros aspetos contextuais como uma formação inicial desadequada ou pouco adaptada às competências que a docência exige, a falta de equipamentos, a excessiva pressão social e da escola e a sobrecarga de trabalho poderão conduzir ao “choque com a realidade”, como já foi referido anteriormente.

Vonk (1989), cit. por Marques, (2011) fez um estudo que permitiu identificar os problemas mais mencionados pelos docentes. Os problemas com que mais se deparam durante o primeiro ano são: a falta de conhecimentos que possuem, as capacidades e atitudes do docente no controlo da aula, no relacionamento com os alunos, gestão dos comportamentos de indisciplinas, o

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relacionamento com a administração, com colegas e com os pais na participação nas atividades escolares. O mesmo autor divide os problemas a dois níveis: micro (oriundos da sala de aula) e macro (relação com os colegas, direção da escola e responsáveis dos alunos). No que diz respeito ao nível micro os principais problemas são:

• Organização das atividades de ensino e aprendizagem (organização das atividades para grupos heterogéneos, instrução, individualização das tarefas para os alunos);

• Controlo, disciplina na aula e estabelecimento de regras; • Motivação e participação dos alunos;

• Sentimentos em relação à sua prestação (stress, sentimentos de fracasso);

• Relação com os alunos.

Relativamente ao nível macro, são identificadas as seguintes:

• Problemas relacionados com a organização e funcionamento da escola;

• Problemas no relacionamento com colegas docentes e direção da escola;

• Complicações no relacionamento com os responsáveis dos alunos. Durante o meu estágio, em relação ao nível macro posso afirmar que não tive problemas. Relativamente ao nível micro serão abordados alguns dos problemas mais à frente nos pontos 5.3.3 Planos de Aula e 5.5.1 A Disciplina na Aula.

É através do contacto diário com os docentes experientes, onde ocorre uma partilha de conhecimentos e vivências, que os futuros docentes vão ao longo do tempo entender todos os acontecimentos e responsabilidades envolvidas na atividade do professor (Keay, 2007, cit. por Batista & Queirós, 2015) e com isto adquirir as competências que são precisas para dar resposta aos requisitos ligados à sua profissão.

Durante o primeiro ano de docência os professores passam por dois períodos diferenciados: o período limiar que ocorre nos primeiros cinco/seis meses, onde são representados o isolamento e o primeiro contacto com a

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escola e a turma (para a maioria é a primeira vez que estão responsáveis por um grupo grande de crianças, logo traduz-se num período de insegurança). O segundo período é o do crescimento ou maturação que acontece nos seis meses subsequentes e é determinado pela aceitação do docente por parte dos colegas de profissão e dos alunos. Os níveis de confiança e segurança aumentam o que o leva a experimentar novas coisas e pôr os conhecimentos adquiridos na sua formação inicial em prática (Vonk 1983 cit. por Marques 2011). Apesar do autor fazer referência ao primeiro ano de docência, enquanto estagiária eu revejo-me nesta condição. Parti de uma fase onde reinava alguma insegurança e confiança para atualmente estar mais segura daquilo que faço.

As atitudes do professor, podem ser influenciadas consoante o tipo de alunos que temos à frente. Se temos alunos motivados e empenhados será mais fácil nós atuarmos, porém se temos alunos mal-educados e preguiçosos a nossa atitude será completamente diferente.

5.2. Os Primeiros Passos na Escola/Turma

A partir do momento em que o PC me contactou a informar-me a data de início do estágio comecei a “cair na real”, estava para breve o início do meu sonho, mas com ele surgiram algumas incertezas. Serei capaz de corresponder com sucesso a este desafio? Serei capaz de controlar uma turma? Ter que lidar com o início da adolescência, (fase em que os meus alunos se encontram), seria uma problemática? Os exercícios que irei aplicar serão os mais adequados aos alunos?

Mesmo já estando ambientada à escola, fiquei ansiosa para a primeira reunião do ano letivo com os colegas professores do departamento de EF. Entretanto passou, pois reencontrei professores que ainda estão na escola desde a época em que a frequentei como aluna, alguns deles tinham-me dado aulas desta disciplina e reconheceram-me. Rapidamente a curiosidade em saber o que estava lá a fazer foi grande, quando explicado o motivo receberam-me de braços abertos e dispuseram-se a ajudar no que precisasse.

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Nesta reunião foi distribuído os horários com as turmas aos professores. Ao meu PC foram atribuídas quatro turmas, três de 12º ano e uma de 10º ano. Fui a primeira estagiária a escolher, visto que o processo de estágio da UMa ainda não tinha iniciado, tomei a liberdade de escolher a turma de 10º ano. A minha preferência seria lecionar aulas no 2º ciclo, por ser a faixa etária que mais me fascina, por os alunos estarem mais predispostos a fazer as aulas e gostarem de EF. Não tendo essa possibilidade, a minha escolha recaiu sobre o 10º ano, pois a faixa etária dos alunos é mais baixa, ainda existem muitos alunos que gostam de EF e por estarem numa fase de transição de ciclo. O facto de se encontrarem no início da adolescência era algo que me preocupava um pouco, pois passei por essa fase há pouco tempo, tenho as memórias bem presentes e sei como são os alunos nessa fase, mais “chatos”, nunca estão satisfeitos com nada, mais irritadiços, etc. Entendi que tinha capacidades de corresponder a este desafio e assumi o cargo de professora dessa turma.

Estas reuniões iniciais servem então para transmitir informações relevantes sobre o decorrer da prática pedagógica, a forma de funcionamento do grupo de EF e também da escola.

Durante esses primeiros dias, o reencontro com outros docentes de outras disciplinas foi constante, alguns ainda se lembravam de mim outros nem tanto.

A apresentação feita a todos os membros da direção executiva foi também fundamental, para saber a quem tinha de dirigir-me caso fosse necessário.

A verdade é que a forma como fui recebida por todos deixou-me mais confortável e pronta para começar.

Os Primeiros Passos na Turma

Chegou o primeiro dia de aulas, 19 de setembro de 2016, a primeira aula do ano letivo foi de EF. Estava ansiosa, foi a primeira vez que estive em contacto com os meus alunos, na aula de apresentação. Esta começou com uns percalços, a sala de EF não estava limpa e continha alguns materiais de construção, não estando em condições para dar aulas, tivemos que ir para a sala de ténis de mesa, não tínhamos retroprojetor lá, tive que adaptar-me às condições que tinha.

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Diante o olhar atento dos alunos à espera de perceber o que se passava, o porquê de ter supostamente um professor de EF e também estar outra pessoa lá. Comecei por apresentar-me como estagiária, falei sobre o meu percurso académico e desportivo, dos meus objetivos, grelhas de avaliação e regras a serem implementadas. Como nem todos os alunos se conheciam devido à transição de ciclo (3º ciclo para o secundário), acabei por fazer dinâmicas de grupo para que todos se conhecessem minimamente. Sendo que a primeira era colocarem-se por ordem da lista, obrigando-os assim a perguntar o nome uns aos outros e também uma forma de perceber se estavam todos os alunos. Posteriormente cada um apresentava-se, dizendo o nome, idade, se eram atletas federados ou se já tinham sido, qual a modalidade preferida, a que tinham mais dificuldades e ainda se já tinham alguma ideia do que queriam seguir futuramente.

Apesar de nem todas as dinâmicas de grupo terem sido realizadas devido à mudança de instalação, o balanço feito da primeira aula foi positivo, e senti-me à vontade nesse prisenti-meiro mosenti-mento de partilha com a turma.

“A turma apesar de ainda estar muito introvertida e pouco participativa, aparenta ser acessível, os alunos são respeitadores e educados.” (Reflexão aula nº 1 de apresentação, 19-09-16)

Em síntese, os alunos receberam-me bem, demonstraram algum entusiasmo por terem a oportunidade de colaborar no processo de estágio, como também pelo facto de normalmente associaram professores estagiários à probabilidade de experienciarem modalidades ou exercícios mais diversificados.

Terminei assim a primeira aula satisfeita, a primeira impressão da turma foi muito positiva, o que fez com que a minha vontade de passar à parte prática fosse ainda maior.

Estrela (s.d.) cit. por Oliveira, (2002) refere que o primeiro impacto que temos perante a turma, a exposição e definição das regras para as aulas, as recomendações, a curiosidade recíproca entre professor e aluno e a empatia

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gerada, são acontecimentos importantes para o arranque de um bom ano letivo.

Foi também a partir desta fase que comecei a pensar nas modalidades a abordar em cada período, dado que o roulement de instalações já estava definido para os períodos. Como tal, o planeamento anual começou a ser construído.

5.3. O Planeamento

“Trata-se de prever possíveis cursos de ação de um fenómeno e plasmar de algum modo as nossas previsões, desejos, aspirações e metas num projeto que seja capaz de representar, dentro do possível, as nossas ideias acerca das razões pelas quais desejaríamos conseguir, e como poderíamos levar a cabo, um plano para se concretizar.” (Zabalza, 1994)

O planeamento de acordo com Ilg cit. por Bento, (2003, p. 13) é “um meio de reconhecimento antecipado e de regulação do comportamento atuante, assumindo as funções de: motivação, estimulação, orientação e controlo, transmissão de vivências e experiências, racionalização da ação. Entre estas, o ponto fulcral reside nas funções de orientação e controlo e na de racionalização.”

Isto significa que, o planeamento passa por uma antecipação, onde o professor deverá prever algumas situações que possam surgir e como as contornar. A orientação e controlo da atividade, requer uma atenção redobrada para verificar eventuais falhas que possam existir e que não foram projetadas previamente, devem rapidamente ser corrigidas para não se reproduzir em impactos negativos na aprendizagem dos alunos. Quando mais detalhado for o planeamento da sua ação, maior é a eficácia na transmissão dos conhecimentos, e consequentemente maior é a interiorização por parte dos alunos.

Assim sendo, o planeamento acarreta uma pertinência elevada, no modo como a aprendizagem dos alunos será conduzida. Rink (1996) advoga que o

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planeamento se define como um esboço em que consta uma sequência lógica de aprendizagem, devidamente justificados por objetivos a serem seguidos.

É essencial salientar que um bom planeamento não é sinónimo de uma boa aula, pois nesta estão diversos fatores em jogo, no entanto pode garantir uma melhor dinamização da aula, porque este conduz a nossa prestação (Vieira, 1993). No entanto, uma má preparação é um fio condutor para que a aula não seja bem conseguida.

A planificação envolve várias etapas, primeiramente é feita uma pesquisa, onde serão selecionadas algumas ideias, ideias essas que terão que ser exequíveis. Após estes passos segue-se a conceção da ação e a reformulação, caso seja necessário.

No decorrer da preparação para o ensino, solicita-se a produção de três níveis de planeamento distintos: o planeamento anual, as UD e os PA.

De salientar que no planeamento anual e das UD foi aplicado o Modelo de Estrutura do Conhecimento (MEC), (Vickers, 1990). A autora defende que este é um instrumento de trabalho que facilita a distribuição da informação. O intuito da utilização do MEC é poder demonstrar como uma matéria é estruturada e organizada que servirá de guião para o processo de ensino, tal como a possibilidade de ligar essa mesma à metodologia e às estratégias para o ensino. O MEC apresenta 8 módulos divididos por três fases: a primeira é a análise, onde estão presentes os módulos 1 (caracterização da modalidade e conteúdos programáticos), 2 (análise do envolvimento) e 3 (análise dos alunos). A segunda é a decisão, onde consta os módulos 4 (determinação da extensão e sequência dos conteúdos), 5 (definição dos objetivos), 6 (determinação da avaliação) e 7 (criar progressões de ensino). Por fim a aplicação, módulo 8 (a informação é sintetizada e reportada dos planos de aula; progressões individuais para a prática).

A escolha das modalidades a serem abordadas ao longo do ano letivo, foi feita de acordo com o Programa Nacional de Educação Física (PNEF), com as preferências dos alunos e as instalações atribuídas para cada período.

Já tinha uma ideia inicial das modalidades que queria abordar, no entanto a distribuição ao longo do ano letivo foi um processo mais complicado. O facto

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de não saber bem o número de aulas ideal para lecionar uma modalidade, deixou-me um pouco desorientada. Para que chegasse a um acordo questionei-me “O que é que eu pretendo com estes alunos? Onde e como posso fazer a diferença enquanto docente?”. A minha ideia foi então não dar muitos conteúdos para que os que fossem dados conseguissem ficar consolidados. No término de cada período o plano foi fazer uma aula diferente, podendo ser a critério do docente ou do aluno.

O planeamento é um processo contínuo, que pode ser reestruturado à medida que o tempo vai passando, ou seja, é flexível, e de acordo com a situação que nos encontramos, e a evolução que os alunos obtiveram é feito um ajustamento.

5.3.1. Planeamento Anual

Através do plano anual o docente obtém uma perspetiva geral onde está presente um programa de ensino para a sua turma. Este documento é generalizado, ou seja, não tem muitos pormenores ao nível da ação, necessita de uma preparação quer ao nível da reflexão a longo prazo como da análise. Sendo este o ponto de partida, as singularidades surgem com outro nível de planeamento, das UD e nos PA, daí este documento ser de âmbito mais global e flexível (Bento, 2003).

O objetivo da criação destes documentos é sintetizar toda a informação necessária para que a nossa atuação, enquanto professores, seja facilitada e executável de elaborar um processo de ensino-aprendizagem coerente.

O planeamento anual foi desenvolvido individualmente dentro no núcleo de estágio, visto que as ideologias defendidas por alguns docentes da UMa, são diferentes das que foram ensinadas pela FADEUP. O PC apenas nos deu algumas ideias gerais para alguns aspetos em comum, como a caracterização da turma e do envolvimento (módulo 2 e 3), que fossem aplicáveis em ambos os modelos.

Referências

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