Unidade II – Princípios do Dir. Processual Penal
Princípio do Devido Processo Legal (artigo 5º, LIV, CF)
“ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o
devido processo legal”.
“Implica garantir às partes uma atuação efetiva durante o
desenrolar do processo (deduzindo pretensões, produzindo
provas, fazendo alegações) na busca do convencimento do juiz
obrigando este à plena obediência ao princípio.” Ou seja,
constitui um conjunto de garantias suficientes para possibilitar às
partes o exercício pleno de seus direitos, poderes e faculdades
processuais.
Divisão:
a) devido processo legal material (direito material de garantias fundamentais do cidadão) “protege o particular contra qualquer atividade estatal que, sendo arbitrária, desproporcional ou não razoável, constitua violação a qualquer direito fundamental”. Razoabilidade e proporcionalidade.
b) devido processo legal formal (ou em sentido processual) tem como conteúdo certas garantias de natureza processual.” Autonomia do procedimento”
Garantia de Contraditório: (artigo 5º, LV, CF)
“Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”.
- Princípio da Igualdade: oportunidades iguais.
Espécies do contraditório:
a) Contraditório real: ao mesmo tempo.
Princípio da ampla defesa (art. 5º , LV, CF)
“Direito das partes de oferecer argumentos em seu favor e de demonstrá-los, nos limites em que isso seja possível.”
- Exercida pela defesa técnica e pela autodefesa(direito de audiência/direito de presença)
O indeferimento de provas ou de outros instrumentos de defesa, em si, não constitui “a priori” cerceamento ao direito à defesa. Princípio do livre convencimento do juiz, ou seja, a análise da essencialidade a prova requerida.
Inocência Presumida ou presunção de inocência/não culpabilidade(art. 5º , LVII, CF)
Até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória, ninguém será considerado culpado.
Princípio do “favor rei” (“in dúbio pro reo”ou “favor libertatis”)
Tem como fundamento a presunção de inocência. Princípio do “in dúbio pro reo” x “in dúbio pro societate
Princípio da Verdade Real:
“O conjunto probatório deve refletir, no maior grau de fidelidade possível, os acontecimentos pertinentes ao fato investigado.”
A verdade real se contrapõe a verdade formal.
Verdade formal ou convencional: acordo surgido das manifestações formuladas pelas partes, o qual exclui no todo ou em parte a verdade real (usada no Processo Civil).
Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de ofício:
I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas
consideradas urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida;
II – determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante
Proibição de Provas Obtidas por Meios Ilícitos:(art. 5º LVI)
Não é admitida no processo, qualquer prova obtida através de transgressões a normas de direito material.
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(...)
LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos.
TEORIA DOS FRUTOS ENVENENADOS:
Afirma que uma prova ilícita originária ou inicial teria o condão de contaminar as demais provas decorrentes, ou seja, o processo que contém prova obtida por meio ilícito é nulo e todos os atos decorrentes, também, devem ser tidos como nulos, é o que a doutrina denomina prova ilícita por derivação
Princípio da igualdade das partes ou da paridade processual
A igualdade processual é um desdobramento do princípio da isonomia e da igualdade (artigo 5º , caput, da CF)
Publicidade dos Atos Processuais:
Os atos processuais são públicos (art. 5º, XXXIII e LX; e art. 93º, IX da CF).
Princípio da persuasão racional ou do livre convencimento motivado. (artigo 155, CPP)
“A liberdade conferida ao juiz encontra equilíbrio na obrigatoriedade de que exponha, motivando as decisões que proferir.”
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Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios:
IX - todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação
Princípio da motivação dos atos judiciais
Artigo 93, IX da CF e artigo 381, III, CPP.
“Toda decisão representa uma garantia contra as arbitrariedades no exercício do poder estatal.”
Dispensa e exigência de motivação: recebimento da denúncia
Princípio da economia processual (art. 563, CPP)
“Nenhum ato será considerado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a acusação e a defesa.”
Princípio do duplo grau de jurisdição
As decisões podem ser revistas por órgãos jurisdicionais de grau superior, por meio da interposição de recursos. STF e Juizados
Princípio da vedação do “bis in idem” – (Art. 5º , §2º , CF)
“Não poderá o Estado deduzir uma pretensão punitiva que tenha por objeto o mesmo fato, contra o mesmo acusado, se este foi considerado inocente em decisão definitiva, não mais sujeita a recurso.”
Princípio da proporcionalidade
“Proibição de que o Estado, ao agir, tanto na posição de acusador quanto na de julgador, pratique, em sua atividade, qualquer excesso.”
TRÍPLICE DIMENSÃO DO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE: ADEQUAÇÃO, NECESSIDADE E PROPORCIONALIDADE EM SENTIDO ESTRITO
Princípio da oficialidade (art. 129, I e 144, p. 4º , da CF)
Não só a aplicação da pena ao transgressor da norma cabe ao Estado, como também a própria persecução aos transgressores e a apuração dos fatos que se suspeita constituírem crimes são deveres do Estado. A persecução penal e, por determinação legal, atribuição do Estado.
Princípio da obrigatoriedade (ou legalidade)
Sendo o processo obrigatório para a segurança e reintegração da ordem jurídica, devem os órgãos persecutórios atuar necessariamente, ou seja, não podem possuir poderes discricionários para apreciar a conveniência ou oportunidade da instauração do processo ou inquérito.
FONTES DO DIREITO PROCESSUAL PENAL
As normas do direito são criadas, modificadas e extintas por meio de certos tipos de atos, chamados pelos juristas de fontes do direito. Situam-se no conjunto de elementos que constituem o processo.
FORMAIS DIRETAS FORMAIS
FORMAIS SUPLETIVAS/INDIRETAS
1) Formais Diretas A própria lei existente.
a) Fontes Processuais Penais Principais
- CPP/ CF/88 (fonte de todos os ramos do direito) b) Fontes Processuais Penais Extravagantes
- Toda a legislação processual penal fora do CPP.
cont. fontes processuais extravagantes.
b.1) Complementares:
Cuida de complementar a fonte processual penal principal. Vem tratar de matéria não tratada no CPP.
Ex. Lei de Tóxicos, Lei Maria da Penha, etc b.2) Modificativas:
Modificam redação, suprimem etc.
c) Fontes Orgânicas
- Principais: Organizacional, são estaduais. Cada Estado tem suas organizações judiciárias.
- Complementares: Organizacional, os regimentos internos dos tribunais que complementam as fontes orgânicas principais.
2) FORMAIS SUPLETIVAS
Embora ainda não seja lei, vai produzi-la.
Fontes Formais Supletivas Indiretas : Costumes, jurisprudência e princípios.
Fontes Formais Supletivas Secundárias
Doutrina, direito, histórico, direito estrangeiro. 5.2.SUBSTANCIAIS
Não se classificam.Essência, revela sua vontade abstrata através da forma.Nem sempre o homem escreve o real desejo da lei.