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RENDA DE NÃO TRABALHO E ALOCAÇÃO DO TEMPO DE CRIANÇAS E JOVENS: UMA ANÁLISE PARA 2003

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UMA ANÁLISE PARA

2003

♦♦♦♦

Maria Carolina Tomás♣♣♣♣

Palavras Chave: Renda do Não Trabalho; Alocação de Tempo; Juventude; Família.

RESUMO

Este artigo tem como foco de análise o impacto da renda do não trabalho na entrada de crianças e jovens (10 a 24 anos) no mercado de trabalho, na continuidade dos estudos e na participação nas atividades domésticas. Pressupondo que a renda é um importante determinante na alocação do tempo dos filhos, decisão essa que parte de um conjunto complexo de características da família e de seus membros, da função produção doméstica, e da situação no mercado de trabalho. Os dados são provenientes da PNAD 2003 e o modelo adotado foi o logit multinomial. Ao final, observou-se que a renda do não trabalho é um incremento importante no rendimento da família, já que possibilita uma maior dedicação dos filhos ao investimento em capital humano. Outras questões interessantes foram levantadas a partir dos resultados, como a influência do sexo do filho na possibilidade dele ser ou não responsável por alguma tarefa doméstica, o que implica em uma divisão sexual do trabalho. O sexo do chefe da família também é relevante, uma vez que quando os domicílios são chefiados por mulheres os filhos têm menores chances de se dedicarem apenas ao estudo. Dessa maneira, há um conjunto de características da dinâmica do domicílio, da composição de sua renda, e até mesmo das características de capital humano dos pais, que influenciam a decisão de ofertar ou não trabalho, investir em capital humano e/ou permanecer no lar cuidando dos afazeres domésticos, o que demonstra a importância de uma análise da alocação do tempo como uma decisão familiar.

“Trabalho apresentado no XV Encontro Nacional de Estudos Populacionais, ABEP, realizado em Caxambú- MG – Brasil, de 18 a 22 de setembro de 2006”

Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Mestranda em Demografia pelo CEDEPLAR/UFMG

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RABALHO E

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LOCAÇÃO DO

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EMPO DE

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RIANÇAS E

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OVENS

:

UMA ANÁLISE PARA

2003

♦♦♦♦

Maria Carolina Tomás♣♣♣♣ 1. Introdução – A Família como Unidade de Interpretação e Análise

Vários esforços têm sido feitos para se compreender a participação de crianças e jovens no mercado de trabalho e seu tempo gasto em educação. Da mesma maneira, diferentes abordagens têm sido adotadas. Grande parte dos trabalhos analisa a alocação do tempo entre escola e trabalho e seus determinantes; aspectos econômicos, culturais e sociais são algumas das variáveis levadas em consideração. A desigualdade de acesso à educação é outro enfoque que tem recebido atenção.

Uma perspectiva interessante e adotada nesse trabalho é que a decisão do indivíduo dá-se dentro de um ambiente familiar e, portanto, tem como base a função de utilidade de seus membros, a produção doméstica e também a situação do mercado de trabalho, especificamente o potencial de ganhos de cada membro da família, dado suas características individuais.

Ressalta-se que a renda da família é um importante determinante para a permanência na escola ou para uma inserção (precoce) no mercado de trabalho, já que as famílias com maiores rendas tendem a investir mais em capital humano de seus filhos e são esses que, ao mesmo tempo, esperam obter maiores retornos ao ingressarem na atividade produtiva fora do ambiente doméstico. A renda dos pais proveniente de seu trabalho é fruto de um investimento em capital humano de gerações passadas. A renda do não trabalho, por sua vez, tem origem indiretamente do trabalho, no caso das aposentadorias, mas é fundamentalmente proveniente de programas sociais, dessa maneira, representa uma motivação ao investimento no capital humano das crianças e jovens e um desincentivo à alocação do tempo em atividades no mercado de trabalho.

Esse trabalho busca conhecer a influência da renda do não trabalho, aquela que não se relaciona linearmente com o capital humano dos pais, e pode representar em alguns domicílios uma renda extra, na educação, participação na força de trabalho e auxílio nas tarefas domésticas de crianças e jovens - indivíduos entre 10 e 24 anos, divididos em 3 grupos 10 a 14; 15 a 19 e 20 a 24 anos. Além dessa introdução, o artigo contém seis partes, sendo a segunda uma exposição dos principais argumentos das teorias sobre oferta de mão-de-obra e decisão em investimento em capital humano; a sessão seguinte apresenta brevemente questões e dados sobre a participação do jovem na força de trabalho; na quarta parte encontra-se a metodologia de pesquisa e na quinta sessão os primeiros resultados alcançados, logo em seguida, apontam-se algumas idéias com pretensões de conclusões e por último, encontram-se as referências bibliográficas.

“Trabalho apresentado no XV Encontro Nacional de Estudos Populacionais, ABEP, realizado em Caxambú- MG – Brasil, de 18 a 22 de setembro de 2006”

Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Mestranda em Demografia pelo CEDEPLAR/UFMG

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2. Oferta de Trabalho, Investimento em Educação e Atividades Domésticas– Uma Decisão Familiar

A decisão de trabalhar é uma decisão de como alocar o tempo, entre lazer, trabalho e atividades domésticas. No caso das crianças e jovens, tem se estudado a alocação de seu tempo entre trabalho e estudo. Mas, pretende-se nesse estudo, incluir a sua contribuição nas atividades domésticas. As decisões quanto à alocação do tempo, são importantes, já que além de uma restrição orçamentária, para, por exemplo, investimento em capital humano, há igualmente uma restrição do tempo disponível dos indivíduos para a realização de diferentes atividades.

A teoria clássica de oferta de trabalho apresenta dois efeitos que podem influenciar a decisão do indivíduo entre trabalho e lazer. Um deles é o efeito renda, que tem uma influência negativa, ou seja, se a renda aumentar (com os salários mantendo-se constantes), as horas de trabalho tendem a cair, e por outro lado, se a renda cair o tempo de trabalho tenderá a aumentar. O outro é o efeito de substituição, isto é, se a renda estiver constante, uma elevação dos salários, levará a uma redução da demanda por lazer, elevando as horas de trabalho, diferentemente do efeito renda, o efeito de substituição apresenta uma influência positiva (Ehrenberg e Smith, 2000).

Entretanto, a decisão de trabalhar não é definida individualmente. Normalmente, as decisões quanto à oferta de trabalho são tomadas no âmbito familiar e são resultantes de uma complexa interação entre as características da família e de seus membros, da função produção doméstica, e da situação no mercado de trabalho. É, portanto, na família que as pessoas decidem retirar-se, entrar, adiar ou participar do mercado de trabalho (Jatobá, 1990; Gonzaga e Reis, 2005).

A mudança da produtividade de um dos membros da família, uma queda da renda, a elevação dos preços de unidades de consumo da família podem estimular um ou outro membro a ofertar mão-de-obra a fim de manter inalterada a capacidade de consumo familiar.

A queda na renda real, por exemplo, principalmente em períodos de recessão faz com que haja uma entrada de outros membros da família no mercado de trabalho, o chamado

efeito trabalhador adicional. Os estudos realizados têm a mulher casada como a principal

categoria de análise do efeito do trabalhador adicional. Entretanto, essa mesma idéia pode ser aplicada aos filhos1, até mesmo, para manter a mulher dentro de casa para a realização do trabalho doméstico, ou devido a uma elevada queda na renda, embora como ressalta Oliveira (2005)

“mesmo que todos os membros do domicílios estando igualmente expostos aos choques, os efeitos são individuais. Em outras palavras, dependendo do conjunto de características individuais, os indivíduos terão respostas diferenciadas do mercado de trabalho”.

Quando um dos membros da família perde o emprego, normalmente o chefe, há uma diminuição tanto na renda familiar como no salário reserva dos outros membros, o que levaria a uma maior oferta de trabalho pelo cônjuge e filho (s). Embora, se espere que as decisões sejam intertemporais, ou seja, que a atenção seja dada à renda permanente, o efeito renda pode ser muito importante em um contexto em que as pessoas apresentam crédito reduzido (Gonzaga e Reis, 2005; Ehrenberg e Smith, 2000).

Nesse contexto, é importante compreender o conceito de salário reserva, ou seja, a taxa de salário que alguém sem emprego espera obter ao entrar no mercado de trabalho, dado pela probabilidade de se encontrar um emprego e pelo salário daqueles que se encontram empregados. Esse salário é, ao mesmo tempo, o custo de oportunidade do indivíduo

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permanecer em casa. Dessa forma, quando a taxa salarial cai ou quanto mais difícil é encontrar um emprego, o salário de reserva cai. Essas ocasiões, normalmente coincidem com os momentos de recessão, em que é necessária a entrada de outro(s) membro(s) da família no mercado de trabalho e acabam, por outro lado, desestimulando o indivíduo a procurar emprego, tanto pela dificuldade de se conseguir uma colocação, quanto pelo baixo retorno salarial. No caso dos jovens, essa situação pode levá-los a prolongar a vida estudantil2.

Por outro lado, a decisão de se estudar que também envolve a família. Os pais decidem o quanto pretendem investir em capital humano de seus filhos, a partir de suas restrições orçamentárias. Os pais derivam sua utilidade a partir de seu próprio consumo e da utilidade de seus filhos (pais altruístas), ou seja, uma das dimensões da escolha é: quanto gastar com consumo, e quanto investir em capital humano das crianças.

O valor do investimento em capital humano, também, depende da produtividade desse capital e de seu valor no mercado de trabalho, ou seja, o quanto ele pode elevar o salário da criança3 e pelo altruísmo dos pais, isto é, o quanto eles valorizam a utilidade de seu filho vis-à-vis a sua própria função de utilidade. Ressalta-se que a renda dos pais foi dada pelas decisões de investimento em capital humano da geração anterior (avós), ou seja o salário recebido atualmente está relacionado com o nível de capital humano investido pelos pais.

Dessa forma, a escolha de trabalhar, em detrimento a estudar, pode representar ganhos familiares no curto prazo, mas como é uma decisão de investimento em capital humano, tem impactos relevantes na renda das próximas gerações. Ou seja, o retorno do capital humano no mercado de trabalho é expresso, analogamente, às condições usuais de escolha intertemporal.

Uma renda adicional influencia tanto a decisão de ofertar trabalho, quanto a de continuar os estudos, já que é um desestimulador à entrada no mercado de trabalho, por representar uma suavização na queda da renda da família. E, por outro lado, representa uma possibilidade de se investir em capital humano dos filhos, por se constituir em um incremento na renda total. Segundo Eherenberg e Smith (2000), os programas de manutenção da renda

“reduzem claramente os incentivos ao trabalho porque ao mesmo tempo em que aumentam a renda reduzem a taxa de salário efetiva. Embora esse efeito possa ser aplicado à unidade familiar como um todo, não se segue daí que tanto o marido como a mulher [e eu acrescento os filhos] forneceram menos horas de trabalho principalmente devido à possibilidade de que os cônjuges sejam substitutos na produção doméstica” (p.257).

No Brasil, espera-se um efeito negativo da renda adicional, principalmente no caso de crianças, pelo fato de que estar na escola configura-se em uma condicionalidade dos programas sociais. Embora o conceito de renda de não trabalho possa englobar outros tipos de rendimentos.

Por outro lado, salienta-se que não é apenas a renda familiar que influencia a entrada no mercado de trabalho e/ou a continuidade dos estudos dos filhos, já que as condições de vida, características sociais e culturais da família também apresentam sua importância, nesse sentido, diferentes empreendimentos teóricos foram formulados, como a noção dos capitais em Bourdieu (2002), ou ainda as teorias da reprodução social, eu têm como foco de análise a origem social do indivíduo (Blau e Duncan,1967; Haller e Portes,1973)4

2 O estudo de Gonzaga e Reis (2005) analisa o efeito do trabalhador adicional e do desemprego por desalento no

Brasil e encontram que “ao se incorporar as variáveis relacionadas ao efeito desalento na análise, o efeito trabalhador adicional deixa de ser significativo quando se estuda o conjunto dos trabalhadores, permanecendo significativo apenas para aqueles com baixa remuneração e escolaridades relativas”.

3 Essa pode ser uma das explicações do motivo pelo qual os negros têm uma escolaridade menor, já que sua taxa

de retorno no mercado de trabalho é inferior a dos brancos, nesse sentido, os pais de crianças negras teriam menores incentivos para investir em seu capital humano.

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A alocação do tempo em atividades domésticas, por sua vez, também se dá dentro da família. Elas são muito influenciadas pela divisão sexual do trabalho, ou seja, por diferenças biológicas, mesmo quando a motivação não é propriamente essa. De fato, as diferentes divisões do trabalho entre os membros da família são determinadas em parte por diferenças biológicas e em parte por diferentes investimentos e/ou retornos do capital humano, uma vez que as mulheres apresentam menores retornos de capital humano. Por outro lado, há momentos no ciclo de vida em que a taxa salarial da mulher excede sua produtividade marginal no domicílio, nesses pontos, segundo Becker (1981) elas estariam prioritariamente na força de trabalho.

Mesmo que todos os indivíduos do domicílio fossem biologicamente idênticos a especialização na alocação do tempo e na acumulação do capital humano estariam ainda presentes, já que torna a produção doméstica mais eficiente (Becker, 1981). Exatamente, por possibilitar um ou mais membros um maior investimento quando jovens em capital humano ou quando adulto uma dedicação maior ao mercado de trabalho, o que possibilita um melhor aproveitamento de seus retornos.

A divisão do trabalho implica na produção doméstica pelos membros envolvidos em diferentes tarefas, visando à maximização da função de utilidade do domicílio.

3. Crianças e Jovens na Força de Trabalho

A infância é caracterizada como a fase anterior à adolescência e à vida adulta, em que a criança cresce fisicamente e desenvolve as funções motoras e psicológicas, normalmente se considera criança o indivíduo do nascimento até seu décimo ano de vida. Juventude, por sua vez, é “um processo a longo prazo no qual um indivíduo, fisiologicamente maduro passa a realizar as funções físicas da existência do adulto em coletividade, adquire as habilidades necessárias para desempenhá-las numa forma social determinada” (Sanchis apud FJP, 2001:6), ou seja, é uma fase de transição da infância para a vida adulta, já que se busca independência econômica, colocação estável, desenvolvimento pleno da personalidade, etc. Devido à dificuldade de se encontrar um emprego, o aumento do tempo de permanência dos jovens na escola e na casa dos pais e o atraso na idade para se casar, esse processo tem-se modificado ao longo do tempo.

A inserção ocupacional, enquanto não é priorizada na infância, pode ser fundamental nessa etapa da vida, já que a conquista por um posto de trabalho estável, possibilita ao jovem uma série de outras atividades que almeja, além de significar a passagem para o mundo adulto e para um novo processo de socialização.

Inserção ocupacional é compreendida, nesse trabalho, como a passagem da situação de inatividade para a de atividade, seja ocupando um cargo ou procurando emprego, ou ainda, como a passagem do sistema escolar para a entrada no mercado de trabalho (Pochman,1998a). Embora, saibamos que nem sempre a inserção se dá com a finalização dos estudos.

O Brasil é um dos países com uma das mais altas taxas de participação infanto-juvenil no mercado de trabalho. Muitos estudos têm ressaltado essa elevada participação como uma característica negativa, uma vez que educação reflete a acumulação de capital humano com maior possibilidade de melhores salários e igualmente configura-se em um direito de cidadania. Há grandes diferenças tanto no acesso à educação quanto ao início da vida produtiva.

BOURDIEU, P. (2002). “The forms of the Capital”. In: BIGGART, N. (org.); Readings in Economic Sociology. Malden-MA: Blackwell Publishers. Pp.280-291.

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Mesmo quando se compara com países com um background econômico similar, essa participação se mantém muito alta, Argentina e Chile, por exemplo, tem uma taxa ao redor de 1% para os jovens de 10 a 14 anos, enquanto no Brasil está taxa é de 17%. De 15 a 19 anos, a taxa brasileira é de 53% , enquanto a do Chile é de 10% e a da Argentina 15%. Além disso, a proporção de crianças e jovens que trabalham e estudam simultaneamente no Brasil é uma das mais elevadas do continente (Leme e Wajnman, 2000).

Como ressalta Gonzaga e Reis (2005), parece haver uma forte correlação entre participação no mercado de trabalho e freqüência à escola. Embora não seja foco desse trabalho, ressalta-se que os autores acrescentaram a saúde da criança na análise, uma vez que as condições monetárias da família também influenciam a saúde dos filhos e as condições físicas interferem tanto no processo de aprendizagem quanto no de trabalho.

4. Metodologia

Este é um estudo explicativo causal que busca compreender os determinantes da participação dos indivíduos entre 10 e 24 anos no mercado de trabalho, o seu investimento em educação e sua participação nas tarefas doméstica, tendo como foco de análise o impacto da renda proveniente do não trabalho.

Os dados são provenientes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios5, do ano de 20036, a escolha deve-se fundamentalmente por essa pesquisa apresentar para indivíduos com 10 anos e mais sua participação nas tarefas domésticas, além de ser possível calcular a renda do não trabalho. Está-se considerando como renda do não trabalho as pensões, aposentadorias, rendimentos de investimentos e renda de transferências.

Selecionaram-se os jovens de 10 a 24 anos na condição de filhos no domicílio, estes constituem-se 74,60% da amostra total de indivíduos nessa faixa etária, ao se eliminar os casos missings do conjunto de variáveis explicativas chegou-se a uma amostra de 75.826, o que corresponde a 90,38% do total de filhos entre 10 e 24 anos.

A unidade de análise é o indivíduo, e tomou-se o domicílio como a unidade familiar das crianças e jovens, mesmo reconhecendo que em um domicílio possa haver mais de uma família, entretanto, ressalta-se que na PNAD 2003 cerca de 93,8% dos domicílios eram constituídos por apenas uma família.

Optou-se pelo modelo logit multinomial, uma vez que a variável dependente é qualitativa com oito categorias diferentes: apenas estuda (categoria de referência), só trabalha, só realiza tarefas domésticas, trabalha e estuda, trabalha e realiza tarefas domésticas, estuda e ajuda nas atividades domésticas, não realiza nenhuma das três atividades e realiza todas as três atividades. O modelo logit multinomial representa uma generalização do modelo binário logístico e tem como equação geral:

Log [p(y=j| x=i) / p(y=1|x=i)] = β0 + β1X1 +... + βkXk + ε

5 Embora a Pesquisa de Orçamentos Familiares – POF apresente uma lista de rendimentos mais detalhada, essa

parte do questionário foi aplicada à apenas um indivíduo no domicílio, sendo na maioria dos casos (cerca de 50%) a pessoa de referência. Ademais, nessa pesquisa não é possível identificar se os pais trabalham e qual é a dedicação dos filhos no trabalho doméstico. A Pesquisa sobre Padrões de Vida 1996-1997 - PPV também poderia ser apontada como uma boa base de dados, já que apresenta informações sobre trabalho e background familiar para todos os moradores do domicílio, entretanto os indivíduos também não foram questionados sobre sua participação nas atividades domésticas e a listagem dos rendimentos do não trabalho é bastante similar à da PNAD.

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Variável de Teste:

 Percentual da renda total do domicílio que é proveniente de não trabalho (transferências, pensões, aposentadorias, etc);

Variáveis de Controle:

 Cor, variável dummy, em que 1 significa Brancos e Amarelos7 e 0 Negros (pardos e pretos);

 Sexo, variável dummy, em que 1 é homem e 0 é mulher;  Urbano/Rural

 Regiões do País, quatro variáveis dummies, tendo como referência a Região Sudeste.  Anos de Estudos;

 Anos de Estudo da Mãe, tendo em vista outras abordagens teóricas que privilegiam os aspectos sociais e culturais8;

 Tamanho da família (quantidade de moradores), pressupondo que quanto maior a família maiores são as possibilidades de divisão do trabalho;

 Pessoa de referência do domicílio está empregada ou não, tendo em vista a abordagem do trabalhador adicional;

 Sexo da pessoa de referência do domicílio, partindo dos resultados de Jatobá (1990) que encontrou taxas de participação da família na força de trabalho maiores entre aquelas que tinham a mulher como chefe.

Primeiramente, estimou-se um modelo para todos os filhos de 10 a 24 anos e posteriormente para os grupos de 10 a 14, 15 a 19 e 20 a 24 anos, separadamente. A divisão é importante tendo em vista, principalmente, as diferenças nas taxas de participação na força de trabalho e na freqüência à escola. Além das diferentes características sociais e a própria identificação dos grupos.

7 Nota-se que as características socioeconômicas do grupo amarelos (ou asiáticos) aproximam-se do grupo

brancos.

8 Como não é perguntado diretamente a escolaridade da mãe, considerou-se a pessoa de referência ou o cônjuge

do sexo feminino como mãe, uma vez que a definição de filhos na PNAD é: “filhos, enteados, filhos adotivos ou de criação da pessoa de referência da unidade domiciliar (ou da família) ou do seu cônjuge”.

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5. Resultados Preliminares

Dos jovens selecionados cerca de 33,7% estudam e também cuidam dos afazeres domésticos; 21,9% apenas estudam; 9,4% só trabalham; a mesma porcentagem trabalha, estuda e também cuida dos afazeres domésticos; 8,1% trabalham e estudam; 6,1% só afazeres domésticos; 8,2% trabalham e ajudam nas tarefas domésticas e somente 3,3% não realizam nenhuma das três atividades (GRÁF.1).

GRÁFICO 1 – Distribuição dos Filhos de 10 a 24 anos entre as Atividades

21,9% 9,4% 6,1% 33,7% 8,2% 8,1% 9,4% 3,3% só estuda só trabalha só afazeres domésticos estuda e afaz.domésticos trabalha e afaz. domésticos trabalha e estuda trabalha, estuda e afaz.domésticos nenhuma das três atividades

Elaboração própria a partir dos dados da PNAD 2003.

O GRÁF.2 apresenta a idade média para cada tipo de tarefa realizada. Nota-se que somente estudar e estudar e fazer tarefas domésticas têm as menores médias de idade, aproximadamente 14 anos, as maiores encontram-se entre aqueles que apenas trabalham e trabalham e ajudam nas atividades domésticas, por volta dos 20 anos e meio de idade. O que indica que quanto maior a idade maior a possibilidade de o indivíduo estar inserido no mercado de trabalho.

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Elaboração própria a partir dos dados da PNAD 2003.

GRÁFICO 2 – Distribuição da Idade Média dos Filhos por Atividade(s) Realizada(s)

nenhuma das três atividades trabalha, estuda e afaz. domésticos trabalha e estuda trabalha e afaz. domésticos estuda e afaz. domésticos só afazeres domésticos só trabalha só estuda Atividades 25 20 15 10 5 0 Id a d e M é d ia

Há igualmente diferenças na realização das atividades por sexo. As mulheres apenas são maioria nas categorias que envolvem as atividades do lar, o que pode indicar uma divisão sexual do trabalho entre os filhos e um maior investimento em capital humano entre os jovens do sexo masculino (GRAF.3).

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GRÁFICO 3 – Distribuição Por Sexo e Atividade(s) Realizada(s) 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50

estuda trabalha afaz.domést. est. e afaz.domésticos

trab. e afaz. domést.

trab. e est. as 3 ativ nenh.das 3 ativ.

feminino masculino

Elaboração própria a partir dos dados da PNAD 2003.

Observa-se que a maioria dos jovens mora em domicílios em que a renda é totalmente proveniente do trabalho (71,4%) e apenas 0,8% deles mora em domicílios com 100% da renda proveniente do não trabalho. Nota-se através do GRAF.4 uma grande similaridade na distribuição dos jovens por grupo etário entre o percentual da renda do domicílio, ou seja, em todas as idades há poucos domicílios com a renda 100% proveniente do não trabalho.

GRÁFICO 4 – Distribuição dos Filhos por Percentual da Renda que não é proveniente do trabalho 0 10 20 30 40 50 60 70 80 10 a 14 15 a 19 20 a 24 0% 0,1 a 50% 50,1% a 99,9% 100%

Elaboração própria a partir dos dados da PNAD 2003.

No GRAF. 5 é possível observar a pouca diferença na média do percentual da renda do domicílio do não trabalho por idade da criança e jovem, a menor média está entre as crianças de 10 anos e há apenas uma pequena elevação entre as idades mais avanças, com um pico nos 22 anos.

Por outro lado, as maiores médias de renda do não trabalho estão entre os jovens que realizam apenas tarefas domésticas e entre aqueles que realizam todas as três atividades (estudar, trabalhar e serviços do lar) e as menores estão entre apenas estudar e não fazer nenhuma das atividades (GRAF.6).

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24 23 22 21 20 19 18 17 16 15 14 13 12 11 10 Idade 10,00 8,00 6,00 4,00 2,00 0,00 P er ce n tu al m éd io d a re n d a d o d o m ic ili o q u e n ão é p ro ve n ie n te d o tr ab al h o nenhuma das três atividades trabalha, estuda e afaz. domésticos trabalha e estuda trabalha e afaz. domésticos estuda e afaz. domésticos só afazeres domésticos só trabalha só estuda Atividades 12,00 10,00 8,00 6,00 4,00 2,00 0,00 P e rc e n tu a l m é d io d a r e n d a d o d o m ic il io q u e n ã o é p ro v e n ie n te d o t ra b a lh o

Elaboração Própria a partir dos dados da PNAD 2003.

GRÁFICO 5 – Distribuição do Percentual Médio da Renda do Domicílio que não é proveniente do trabalho por Idade

GRÁFICO 6 – Distribuição do Percentual Médio da Renda do Domicílio que não é proveniente do trabalho por Atividade

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Os resultados das regressões são apresentados nas TAB. 1A a 4A do anexo. A renda do não trabalho tem um impacto importante na manutenção da criança e do jovem na escola. Por exemplo, entre os indivíduos de 10 a 24 anos o impacto é negativo, como o esperado, e significativo: 1% a mais da renda total do domicílio ser proveniente do não trabalho diminui em 1,01% a possibilidade do filho só trabalhar em relação a apenas estudar. Ao se analisar os grupos etários separadamente, nota-se que esse percentual se eleva, no caso, dos jovens de 10 a 14 anos é 1,79%, embora a significância seja inferior (apenas ao nível de 10%).

Por outro lado, a renda do não trabalho não apresenta significância para o jovem de 10 a 24 anos deixar de realizar apenas tarefas domésticas em detrimento de somente estudar. Entretanto, analisando por grupos etários observa-se que essa relação é importante, já que para os filhos mais novos (10-14 anos) a elevação de 1% na renda do não trabalho significa diminuir em 0,95% as possibilidades de estarem apenas cuidando dos afazeres domésticos e se dedicarem apenas aos estudos.

Ressalta-se por fim9, a importância da renda do não trabalho para retirar os filhos entre 10 e 24 anos da ociosidade (ou não trabalhar, nem estudar e tampouco cuidar dos afazeres domésticos) e estarem apenas estudando, uma vez que 1% a mais na renda total do domicílio diminui em aproximadamente 0,45% as chances de estarem ociosos em relação a se dedicarem apenas à educação.

Esses resultados ressaltam a importância da renda do não trabalho para o investimento em capital humano em detrimento ao trabalho e até mesmo, para alguns casos à dedicação aos afazeres domésticos. Dessa forma, tanto os programas sociais quanto o conjunto de benefícios da seguridade social têm importante papel na elevação da renda domiciliar para a possibilidade de se investir no capital humano dos filhos.

O chefe do domicílio estar ocupado ou não apenas tem influência ao se comparar apenas estudar, com as categorias que incluem estudar e mais uma ou duas atividades. Dessa maneira, o fato do chefe estar trabalhando possibilita ao filho entre 10 e 24 anos estar se dedicando apenas aos estudos ao invés de também ter que ajudar nas tarefas domésticas e/ou trabalhar. Esse resultado repete-se para os três grupos etários. Esperava-se que o fato do chefe trabalhar reduzisse as chances dos filhos apenas trabalharem, ao que tudo indica, a decisão de trabalhar em detrimento a apenas estudar não é diretamente influenciada pela condição de ocupação do chefe do domicílio, como é tratada nas abordagens de trabalhador adicional, embora, valha a pena ressaltar que se está analisando apenas um momento no tempo, e não uma série temporal, em que há a possibilidade de se observar os períodos de recessão, os ciclos econômicos e a inserção temporária na força de trabalho.

Corroborando os resultados de Jatobá (1990), em que há maiores taxas de participação na força de trabalho nas famílias chefiadas por mulheres; o sexo da pessoa de referência apresentou-se negativo e significante, ou seja, em domicílios chefiados por mulheres os filhos têm maior possibilidade de estarem em outras atividades do que apenas estudando, por exemplo, o chefe ser homem diminui em 22,7% a possibilidade do jovem entre 10 e 24 anos estar só trabalhando em relação a estar apenas estudando. Ressalta-se, por outro lado, que apenas entre os filhos de 10 a 14 anos o sexo do chefe do domicílio não foi significativo com relação a só trabalhar e trabalhar e estudar.

A variável sexo apresenta uma peculiaridade interessante, já que ao envolver o auxílio nas tarefas domésticas as mulheres têm maiores chances de estarem envolvidas, tanto, quando se refere somente a realizar os afazeres do lar, ou mesmo quando se inclui duas ou três atividades, esse resultado aponta para uma divisão sexual do trabalho entre os filhos, com já havia sido levantado na análise descritiva.

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O diferencial do investimento em capital humano entre homens e mulheres pode não ser apenas um fator que influencia a divisão sexual do trabalho, mas pode ser o contrário. A divisão do trabalho, por antecedentes culturais, leva a uma menor alocação do tempo feminino, quando jovens, no investimento em capital humano em detrimento das obrigações do lar é o que parece indicar os resultados encontrados, uma vez que as filhas tendem a ter maior probabilidade de estarem realizando as tarefas domésticas. Dessa maneira, o seu retorno futuro, será igualmente menor, o que reforçaria sua manutenção dentro de casa, após o casamento. Por outro lado, como já dito anteriormente, há momentos no ciclo de vida que em que a taxa salarial das mulheres excede sua produtividade marginal no domicilio, nessas ocasiões elas estariam prioritariamente no mercado de trabalho.

O número de moradores do domicílio também influencia a atividade dos filhos entre 10 e 24 anos, tanto com relação aos afazeres domésticos quanto na oferta de trabalho, já que um morador a mais no domicílio eleva em 6,77% as possibilidades de apenas trabalhar em detrimento de somente estudar e com relação a apenas cuidar dos afazeres domésticos esse percentual se eleva para cerca de 8,3%. Apenas com relação a estudar e participar das tarefas domésticas, a influência é negativa (-2,31%). Os resultados para os grupos etários em separado são bastante distintos.

É interessante ressaltar a variável educação da mãe, mesmo ela não fazendo parte do conjunto de variáveis das teorias econômicas de oferta de trabalho e investimento em capital humano. Entretanto, dentro do aparto teórico da estratificação social é uma variável muito importante, já que apresenta outros significados além de capital humano. A educação materna apresentou-se negativa e significante para todos os grupos etários e todas as categorias, isto é, quanto maior a escolaridade da mãe do indivíduo maior é chance da criança e do jovem estarem apenas estudando, como por exemplo, um ano a mais de estudo da mãe diminui em média 18,27% as chances do filho entre 10 e 24 anos estar trabalhando e cuidado dos afazeres doméstico em relação a se dedicar apenas aos estudos. Entre as crianças de 10 e 14 anos esse percentual é bastante elevado (-26,66%) ao se comparar os filhos que apenas trabalham com aqueles que somente estudam.

Por fim, destaca-se que as diferenças entre os grupos etários, principalmente quanto à probabilidade de estar apenas estudando, podem evidenciar a diminuição do investimento em capital humano com a idade. Como salienta Becker (1981), o investimento em capital humano tende a diminuir com a idade, tanto pelo retorno quanto pelo custo, já que os custos de investimento tendem a ser mais baratos nas idades mais jovens devido ao valor previsível do tempo gasto no investimento ser mais barato.

(14)

6. Idéias à guisa de Conclusão

Buscou-se conhecer melhor a alocação de tempo de crianças e jovens, na condição de filhos no domicílio, entre 10 e 24 anos, entre apenas estudar, trabalhar ou cuidar do lar e fazer, duas, três ou ainda nenhuma das atividades. Para isso, utilizou-se um modelo logit multinomial tendo como foco de análise e variável de teste o percentual da renda domiciliar que é de não trabalho.

Ao final, observou-se que a renda do não trabalho é um incremento importante no rendimento da família, já que possibilita uma maior dedicação dos filhos ao investimento em capital humano. Outras questões interessantes foram levantadas a partir dos resultados, como a influência do sexo do filho na possibilidade dele ser ou não responsável por alguma tarefa doméstica, o que implica em uma divisão sexual do trabalho, isto é, em uma especialização dos filhos com base em suas características biológica, mesmo que a motivação para isso não seja exclusivamente biológica. O sexo do chefe da família também é relevante, uma vez que quando os domicílios são chefiados por mulheres os filhos têm menores chances de se dedicarem apenas ao estudo. Dessa maneira, há um conjunto de características da dinâmica do domicílio, da composição de sua renda, e até mesmo das características de capital humano dos pais, que influenciam a decisão de ofertar ou não trabalho, investir em capital humano e/ou permanecer no lar cuidando dos afazeres domésticos, demonstrando a importância de uma análise da alocação do tempo como uma decisão familiar.

7. Referências Bibliográficas

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ANEXOS – RESULTADOS DAS REGRESSÕES

TABELA 1A – Resultados da Regressão Multinomial para os Filhos entre 10 e 24 anos (valores percentuais e significância)

Sexo (homem = 1) 170,55 0.000 -86,57 0.000 -82,18 0.000 -66,54 0.000 90,11 0.000 -65,75 0.000 56,880 0.000 Cor -6,93 0.104 -32,30 0.000 -25,44 0.000 -18,85 0.000 1,77 0.660 -18,46 0.000 -13,448 0.015 Idade 116,65 0.000 85,16 0.000 6,35 0.000 110,46 0.000 45,11 0.000 36,87 0.000 86,540 0.000 Urbano/Rural -64,42 0.000 -34,66 0.000 -29,36 0.000 -71,14 0.000 -71,00 0.000 -73,32 0.000 -14,901 0.062 Anos de Estudo -6,52 0.000 -8,63 0.000 3,46 0.000 -2,48 0.009 8,96 0.000 7,75 0.000 -20,271 0.000 Educação da Mãe -17,44 0.000 -14,88 0.000 -5,75 0.000 -18,21 0.000 -10,59 0.000 -10,51 0.000 -10,728 0.000

Renda de Não Trabalho -1,01 0.000 -0,10 0.389 -0,12 0.085 -0,55 0.000 -0,14 0.159 0,15 0.088 -0,450 0.004

Sexo do Chefe (homem=1) -22,70 0.000 -42,51 0.000 -18,44 0.000 -45,22 0.000 -16,74 0.000 -33,83 0.000 -30,704 0.000

Chefe Trabalha? (Sim/Não) 1,22 0.641 -3,46 0.204 -9,24 0.000 -3,19 0.220 -4,58 0.068 -13,26 0.000 -0,898 0.789

Total de Moradores do Domic. 6,77 0.000 8,30 0.000 -2,31 0.001 0,63 0.579 5,51 0.000 1,18 0.225 9,730 0.000

Norte -25,96 0.000 7,35 0.329 55,20 0.000 2,08 0.776 22,89 0.002 98,60 0.000 -29,774 0.000 Nordeste -42,63 0.000 -31,90 0.000 13,24 0.000 -34,61 0.000 29,12 0.000 60,97 0.000 -43,458 0.000 Sul 66,12 0.000 102,28 0.000 102,93 0.000 194,38 0.000 54,21 0.000 260,20 0.000 16,245 0.088 Centro-Oeste 5,22 0.442 1,87 0.799 32,85 0.000 8,21 0.252 25,70 0.000 57,65 0.000 -11,574 0.164 Constante 0,00 0.000 0,00 0.000 0,794 0.000 0,000 0.000 0,002 0.000 0,026 0.000 0,000 0.000 N Log pseudo-likelihood Pseudo R2 W ald Chi G.L

Categoria de Referência: Apenas estuda

trabalhar afaz. domésticos estuda e afaz.domést. trab. e afaz.domést. trabalha e estuda as 3 ativ. nenh. das 3 ativ.

75826 -105991.79 32354.71 0.2379 98

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16

TABELA 2A - Resultados da Regressão Multinomial para os Filhos entre 10 e 14 anos (valores percentuais e significância)

Sexo (homem = 1) 271,50 0.001 -89,69 0.000 -80,61 0.000 -46,76 0.015 308,59 0.000 -53,41 0.000 -31,76 0.015 Cor -30,33 0.306 -21,59 0.154 -21,27 0.000 -6,82 0.797 5,87 0.478 -19,59 0.002 -0,24 0.988 Idade 189,51 0.000 145,16 0.000 18,33 0.000 229,48 0.000 49,10 0.000 50,24 0.000 106,34 0.000 Urbano/Rural -73,35 0.000 -10,70 0.550 -26,48 0.000 -87,71 0.000 -76,79 0.000 -81,02 0.000 -11,90 0.485 Anos de Estudo -2,02 0.838 -33,21 0.000 8,99 0.000 -19,63 0.005 9,09 0.001 8,80 0.000 -55,80 0.000 Educação da Mãe -26,66 0.000 -18,92 0.000 -4,99 0.000 -16,46 0.000 -12,16 0.000 -8,67 0.000 -9,16 0.000

Renda de Não Trabalho -1,79 0.079 -0,95 0.038 0,05 0.596 0,05 0.939 0,76 0.000 0,90 0.000 -0,33 0.454

Sexo do Chefe (homem=1) -3,96 0.903 -39,65 0.004 -15,99 0.000 -75,02 0.000 7,49 0.504 -13,79 0.084 -37,71 0.009

Chefe Trabalha? (Sim/Não) -4,38 0.798 -16,89 0.111 -8,62 0.000 -16,19 0.357 -20,31 0.001 -28,96 0.000 -14,05 0.182

Total de Moradores do Domic. 12,06 0.037 2,66 0.471 -3,10 0.001 4,26 0.494 5,09 0.005 0,95 0.558 5,72 0.138

Norte 84,49 0.139 135,96 0.001 62,83 0.000 122,98 0.077 123,23 0.000 199,34 0.000 -28,24 0.173 Nordeste -24,41 0.440 28,77 0.273 23,30 0.000 -9,38 0.799 158,68 0.000 140,84 0.000 -39,69 0.009 Sul 0,93 0.987 176,77 0.000 113,79 0.000 210,00 0.004 100,15 0.000 361,29 0.000 76,30 0.014 Centro-Oeste 14,99 0.763 195,91 0.000 54,02 0.000 147,51 0.031 29,29 0.094 69,81 0.000 -0,87 0.973 Constante 0,000 0.000 0,000 0.000 0,411 0.037 0,000 0.000 0,318 0.000 0,005 0.000 0,000 0.000 N Log pseudo-likelihood Pseudo R2 W ald Chi G.L

Categoria de Referência: Apenas estuda

trabalhar afaz. domésticos estuda e afaz.domést. trab. e afaz.domést. trabalha e estuda as 3 ativ. nenh. das 3 ativ.

28750 -27067117 0.1612 7561.66 98

(18)

17

TABELA 3A - Resultados da Regressão Multinomial para os Filhos entre 15 e 19 anos (valores percentuais e significância)

Sexo (homem = 1) 153,46 0.000 -89,89 0.000 -86,24 0.000 -73,61 0.000 83,61 0.000 -73,45 0.000 23,47 0.044 Cor -1,91 0.785 -31,76 0.000 -32,08 0.000 -18,25 0.006 -8,01 0.162 -21,22 0.000 -19,70 0.020 Idade 184,01 0.000 110,11 0.000 -0,89 0.633 154,04 0.000 48,93 0.000 29,66 0.000 119,41 0.000 Urbano/Rural -58,21 0.000 -25,45 0.006 -24,63 0.000 -69,82 0.000 -64,05 0.000 -63,59 0.000 -2,87 0.836 Anos de Estudo -14,04 0.000 -13,62 0.000 0,62 0.597 -9,89 0.000 2,56 0.065 3,85 0.006 -26,33 0.000 Educação da Mãe -16,79 0.000 -12,73 0.000 -5,96 0.000 -15,49 0.000 -10,28 0.000 -11,06 0.000 -9,42 0.000

Renda de Não Trabalho -1,03 0.000 -0,23 0.216 -0,33 0.006 -0,66 0.000 -0,61 0.000 -0,15 0.257 -0,86 0.001

Sexo do Chefe (homem=1) -19,36 0.009 -47,25 0.000 -16,02 0.001 -48,05 0.000 -17,86 0.005 -36,51 0.000 -36,76 0.000

Chefe Trabalha? (Sim/Não) -1,06 0.807 -0,70 0.873 -8,17 0.005 0,18 0.968 -6,04 0.106 -13,21 0.000 8,52 0.118

Total de Moradores do Domic. 9,40 0.000 7,15 0.000 -1,69 0.197 2,10 0.274 5,85 0.000 1,43 0.347 9,48 0.000

Norte -37,05 0.000 -7,47 0.481 39,52 0.000 -10,67 0.346 7,05 0.486 66,28 0.000 -52,13 0.000 Nordeste -50,64 0.000 -53,59 0.000 -5,84 0.271 -50,60 0.000 -3,35 0.615 26,45 0.000 -58,61 0.000 Sul 103,95 0.000 108,06 0.000 90,49 0.000 231,81 0.000 55,40 0.000 256,09 0.000 0,24 0.987 Centro-Oeste 6,40 0.559 -17,84 0.078 11,71 0.115 -5,91 0.594 12,85 0.178 50,48 0.000 -21,68 0.078 Constante 0,000 0.000 0,000 0.000 0,955 0.000 0,000 0.000 0,002 0.000 0,102 0.000 0,000 0.000 N Log pseudo-likelihood Pseudo R2 W ald Chi G.L

Categoria de Referência: Apenas estuda

trabalhar afaz. domésticos estuda e afaz.domést. trab. e afaz.domést. trabalha e estuda as 3 ativ. nenh. das 3 ativ.

27854 -43882254 0.1516 10458.35 98

(19)

18

TABELA 4A - Resultados da Regressão Multinomial para os Filhos entre 20 a 24 anos (valores percentuais e significância)

Sexo (homem = 1) 138,25 0.000 -86,66 0.000 -82,16 0.000 -68,93 0.000 21,55 0.035 -70,67 0.000 87,39 0.000 Cor -14,53 0.070 -39,07 0.000 -24,68 0.003 -24,60 0.001 2,63 0.782 -23,61 0.005 -17,67 0.072 Idade 41,27 0.000 19,60 0.000 -5,91 0.080 37,43 0.000 16,95 0.000 13,33 0.000 29,80 0.000 Urbano/Rural -49,57 0.000 -17,85 0.291 -47,55 0.001 -57,24 0.000 -51,48 0.000 -58,26 0.000 17,61 0.436 Anos de Estudo -7,97 0.000 -10,09 0.000 -5,11 0.011 -4,08 0.030 7,38 0.001 3,47 0.107 -17,73 0.000 Educação da Mãe -17,13 0.000 -15,76 0.000 -5,59 0.000 -18,87 0.000 -10,26 0.000 -10,18 0.000 -12,11 0.000

Renda de Não Trabalho -1,49 0.000 -0,52 0.023 -0,35 0.145 -1,03 0.000 -0,69 0.003 -0,63 0.007 -0,72 0.008

Sexo do Chefe (homem=1) -31,63 0.000 -45,82 0.000 -35,92 0.000 -49,05 0.000 -30,95 0.001 -44,77 0.000 -33,56 0.001

Chefe Trabalha? (Sim/Não) 13,21 0.010 6,70 0.211 -6,48 0.233 6,08 0.226 8,21 0.135 -0,19 0.972 4,20 0.487

Total de Moradores do Domic. 7,28 0.005 12,01 0.000 2,11 0.448 1,85 0.470 6,98 0.013 3,14 0.264 12,60 0.000

Norte -37,95 0.001 -13,65 0.335 91,27 0.000 -12,69 0.346 -12,08 0.411 62,38 0.002 -31,66 0.025 Nordeste -57,42 0.000 -41,02 0.000 24,00 0.055 -46,23 0.000 -15,00 0.124 16,21 0.175 -53,99 0.000 Sul -2,47 0.837 25,49 0.095 54,64 0.002 77,45 0.000 5,46 0.692 134,74 0.000 -21,05 0.127 Centro-Oeste -29,77 0.004 -30,73 0.008 -15,57 0.251 -24,46 0.026 -3,58 0.783 4,09 0.779 -36,56 0.004 Constante 0,024 0.000 0,645 0.413 0,990 0.000 0,177 0.024 0,103 0.003 0,521 0.909 0,036 0.000 N Log pseudo-likelihood Pseudo R2 W ald Chi G.L

Categoria de Referência: Apenas estuda

trabalhar afaz. domésticos estuda e afaz.domést. trab. e afaz.domést. trabalha e estuda as 3 ativ. nenh. das 3 ativ.

98 19222 -33173868 0.1113 5595.77

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