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A influência dos desenhos animados e da programação televisiva nas aulas de Ciências em uma sala de Educação Básica

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10.26843/rencima.v11i1.2459 eISSN 2179-426X

A influência dos desenhos animados e da programação televisiva nas

aulas de Ciências em uma sala de Educação Básica

The influence of cartoons and television programming on Science classes in a Basic Education classroom

Jhonatan Luan de Almeida Xavier Secretaria Municipal de Educação de Manaus

[email protected] https://orcid.org/0000-0001-9033-2794

Carolina Brandão Gonçalves Universidade do Estado do Amazonas

[email protected]

https://orcid.org/0000-0001-9527-6322

Resumo

Este artigo tem a finalidade de apresentar reflexões sobre uma experiência realizada em 2017, no âmbito de nossa pesquisa de mestrado no Programa de Pós-graduação Educação e Ensino de Ciências na Amazônia, pertencente a Universidade do Estado do Amazonas, em que junto a estudantes dos anos iniciais do Ensino Fundamental buscou-se identificar a preferência das crianças por determinada animação televisiva, com o objetivo de verificar quais os desenhos que tem exercido mais influência nas crianças a respeito do seu contato com a ciência no cotidiano. O estudo ocorreu a partir de abordagem qualitativa, mediante observação participante e rodas de conversa para coleta de dados, a animação foi exibida por livre escolha da turma, sem interferência dos pesquisadores. Procuramos analisar não só as escolhas das crianças em torno das animações, bem como o interesse, ou não, pelos desenhos com temáticas da ciência, além de discutir a veiculação da ciência nos desenhos animados da TV para o público infantil. Como resultados significativos, observamos que os programas televisivos e os desenhos animados possuem um forte apelo afetivo junto a vida das crianças sendo importantes na formação da cultura infantil atual.

Palavras-chave: Ciência. Educação. Desenhos animados. Divulgação científica. Abstract

This article has the purpose of presenting reflections about an experience realized in 2017, within the scope of our research of masters in the Program of Postgraduate Education and Teaching of Sciences in the Amazon, belonging to the University of the State of Amazonas, in which together students of the initial years of elementary school education sought to identify the preference of children for certain television animation, with the purpose of

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verifying which designs have exerted more influence in children regarding their contact with science in daily life. The study was based on a qualitative approach, through participant observation and conversation wheels for data collection, the animation was exhibited by the free choice of the class, without interference of the researchers. We try to analyze not only the children's choices around the animations, but also the interest or not in the science-themed cartoons, as well as discussing the use of science in TV cartoons for children. As significant results, we observed that television programs and cartoons have a strong affective appeal to children's lives and are important in the formation of the current child culture.

Keywords: Science. Education. Cartoons. Scientific divulgation. Introdução

Os estudos que envolvem as crianças e suas preferências cotidianas, são constantemente expostos no meio acadêmico. No entanto, cabe salientar que as culturas infantis não são estanques, e permanecem em atualização. Este estudo visa contribuir com conhecimentos acerca da interação das crianças com as mídias, especialmente a TV e seus desenhos animados no processo de divulgação científica na escola. Na pesquisa pudemos verificar, primeiramente, a influência das mídias no dia a dia junto ao público infantil, e a interações estabelecidas com a chegada da televisão no contexto diário das crianças.

Nesta perspectiva, nosso estudo, buscou socializar as experiências e resultados de uma prática de divulgação científica ocorrida com uma turma de 3º ano do Ensino Fundamental em uma escola pública de Manaus, pensado e teorizado sob a perspectiva de autores vinculados a área de divulgação científica em conjunto com os desenhos animados da TV, compreendemos que o referencial teórico corrobora com o desejo de construir práticas pedagógicas articuladas com a realidade dos estudantes em suas mais amplas complexidades. O principal objetivo foi analisar a relação das crianças com os desenhos animados da TV e com os conteúdos científicos presentes neles, além de refletir sobre o uso de instrumentos midiáticos na aprendizagem, tanto escolar como cotidiana. O trabalho apresenta a metodologia das rodas de conversa e observação participante para a coleta de dados. Sobre a roda de conversa Autor (Ano) explica que nas instituições são um dos momentos mais importantes, e exige preparo e planejamento por parte dos sujeitos, para que não se torne uma mera ocupação de tempo das crianças.

Destaca-se a importância de se discutir as metodologias interativas em pesquisas com crianças, das quais destacamos a roda de conversa, esse caminho seguiu estruturado a fim de proporcionar o protagonismo das crianças nos processos decisórios de práticas pedagógicas e pesquisas acadêmicas, envolvendo-as durante todos os momentos das atividades.

Baseado nesses princípios, o artigo foi dividido em tópicos onde enfatizamos os aspectos bibliográficos referentes ao uso das mídias pelas crianças, aos estudos que

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envolvem a prática de divulgação científica nas escolas e como a dinâmica de aprendizado se beneficia com essas atividades, bem como a chegada dos desenhos animados como instrumentos de aprendizagem e como podem ser utilizados para o desenvolvimento da criticidade por parte das crianças sobre esse material que tanto está presente em suas culturas. Tratamos também, metodologicamente da importância de se construir um caminho em que as crianças se apropriem da escola e das suas práticas, e se enxerguem como construtoras do seu próprio conhecimento, protagonizando o seu aprendizado junto com os professores, fortalecendo constantemente o processo dialógico com a escola e consigo mesmas.

Como considerações gerais sobre a pesquisa, diante da quantidade de estudos referentes a práticas pedagógicas, consideramos que os estudos envolvendo a divulgação científica merecem uma atenção especial, diante da necessidade de atrair a curiosidade dos estudantes para os processos de construção da ciência e incentivo à carreira científica, os desenhos animados da TV revelaram-se promissores para atingir o público dos anos iniciais, possuem um apelo afetivo e seus conteúdos científicos por vezes passam despercebidos pelas crianças, de tal forma que são ferramentas a ser melhor exploradas e analisadas pelo público, pois não são isentas de significados.

A convivência entre as crianças e a mídia e seus impactos no cotidiano infantil As culturas e costumes próprios da infância sofrem transformações, por vezes passam despercebidas por pais, educadores e sociedade em geral. As interações, antes feitas principalmente por contato pessoal, atualmente estão dando espaço a novas formas de comunicação. Parte disso, deve-se ao uso das mídias e das TICs, como a Televisão e a Internet no cotidiano das crianças.

O uso de tecnologias pelas crianças é uma realidade evidente, ao menos pela grande maioria desse público, presentes nas metrópoles, indiferente da classe socioeconômica, pois é possível ver muitas delas com seus tablets, notebooks, computadores dentre outros recursos. Essa é uma característica visível nessa geração de crianças tecnológicas. Para Belloni (2014), as mídias representam um duplo papel para as crianças: o de ampliação de horizontes e ideias, e o de identificação de cotidianos, através dos diversos personagens e das situações vividas nos enredos.

Entre as mídias com que as crianças mais estão em contato em seu cotidiano, podemos destacar a televisão, hoje é considerada uma unanimidade nos lares brasileiros. Embora outras mídias tenham um alcance considerável, não podemos negar que a TV, atua como formadora de opinião e influência de comportamento em todos os níveis sociais (SCHMIEDECKE e PORTO, 2015).

Para Souza e Fernandes (2012) embora a televisão tenha conquistado um consenso no que diz respeito a confiabilidade e educação ao nível não formal, as políticas públicas que defendem a qualidade da programação e conteúdo para crianças não avançaram nas mesmas proporções. A Revista Abert (1993, p. 20), citada por Almeida (2012), menciona o

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Código de Ética da Radiodifusão, estabelecido em 1993 pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, que em seu Capítulo II dispõe sobre os programas infantis: Art. 13 — Nos programas infantis, produzidos sob rigorosa supervisão das emissoras, serão preservadas a integridade da família e sua hierarquia, bem como exaltados os bons sentimentos e propósitos, o respeito à Lei e às autoridades legalmente constituídas, o amor à pátria, ao próximo, à natureza e os animais.

Observamos, atualmente, que as programações para o público infantil são veiculadas sem diálogo direto com as crianças, o que resulta em produtos desenvolvidos por adultos, com desenhos muitas vezes importados, onde pouco ou nada tem a ver com a realidade da criança brasileira. A qualidade da programação, preocupa, especialmente pais e educadores, pois o serviço prestado para a esse público deixa a desejar, limitando as crianças a meros espectadores dos conteúdos.

No entanto, os autores Souza e Fernandes (2012) pontuam que, a televisão não pode ser considerada apenas como um vilão do desenvolvimento das crianças, uma vez que serve de parâmetro da realidade e os ajuda a lidar com a imaginação, estimula a criatividade, e a superação de problemas próprios da cognição e da psicologia infantil, contribuindo, assim, para a sua autonomia.

Diante do contexto exposto, parece-nos importante encontrar maneiras de aprender como trabalhar os conteúdos midiáticos de modo a favorecerem o desenvolvimento cognitivo e pessoal das crianças, o fato é que não se pode ignorar a presença das mídias no dia a dia, das crianças no seu exercício de entreter e educar os mais diversos públicos.

Divulgação científica e o uso das mídias na escola: a importância dos desenhos animados da TV para o ensino e aprendizagem

O ambiente escolar é um espaço importante para o desenvolvimento pessoal e cognitivo das crianças, e, portanto, mais um espaço de aprendizado, onde os meios de comunicação disponíveis são diversos, na busca por uma aprendizagem de qualidade. “A relação da educação com a comunicação sempre existiu, uma vez que o educador necessita dos recursos comunicativos para ensinar e aprender” (SILVA e NEVES, 2013, p. 7).

A escola e as atividades de divulgação científica (DC) que nela ocorrem, figuram como veículos essenciais de aprendizagem por meio das mídias e práticas pedagógicas, desde que haja uma colaboração entre os agentes envolvidos na construção do olhar crítico e criativo dos alunos diante dos conteúdos utilizados, uma vez que a escola fornece condições importantes para a criação de debates sobre temas do cotidiano (como as mídias), nos seus espaços Esperança, Filomeno e Lage (2014), enfatizam que a DC não pode mais ser encarada como a exposição de resultados das pesquisas laboratoriais, as atividades escolares envolvendo os temas da ciência merecem ser valorizadas.

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Os desenhos animados da TV podem ser considerados como um canal de diálogo promissor para a difusão do conhecimento científico, uma vez que não são vazios de significados e possuem conteúdos que podem ser aproveitados pelos docentes como estímulo a debates e ensino de conteúdos diversos. Observamos que elas dedicam grande parte do seu dia na audiência de programas com conteúdos animados. Por sua vez, a linguagem curta e clara dos desenhos torna-se atrativa e fazem com que as crianças se apropriem dos discursos e cheguem, muitas vezes a adotá-los no comportamento (MONTEIRO e SANTIN-FILHO, 2013).

Souza e Fernandes (2012) observam que no contexto onde as crianças são telespectadoras, os desenhos animados apresentam-se como companheiros, amigos muito próximos que compartilham uma linguagem familiar. A interação entre crianças e televisão, merece uma observação atenta por parte dos pesquisadores, pais e professores.

Nas práticas de divulgação científica na educação escolar os desenhos animados da TV têm um potencial relevante para o ensino de Ciências, costumam ser encontrados facilmente e possuem elementos que favorecem uma interação mais natural com os conteúdos da escola, podendo estimular debates por meios familiares às crianças. Autor (Ano) alerta que antes de usar as mídias em aulas, de modo a beneficiar o aprendizado dos alunos, é necessário estuda-las.

A divulgação científica pelos desenhos animados da TV na escola, beneficiam, tanto professores, como alunos, há uma necessidade de renovação de métodos de ensino, e formas de atrair a atenção dos alunos, o espaço escolar estão em constante atualização e há uma necessidade de buscar novas formas de aprendizado conforme emergem os novos recursos.

A divulgação da ciência nos desenhos animados da TV em sua relação com a escola Os saberes da Ciência encontram-se nos mais diversificados recursos disponíveis, não somente os presentes na escola, poia pode-se aprender diariamente em todas as etapas da nossa vida. Siqueira (2008) esclarece que a divulgação da ciência para o público infantil não se dá somente pelos meios formais de ensino, mas pode acontecer em diferentes espaços e momentos, sendo necessário que a escola se aproprie de modo atento desses locais, como a mídia, os museus e as bibliotecas, por exemplo.

No entanto, para que o professor possa perceber o caráter educativo de alguns produtos da mídia, como as animações da TV por exemplo, parece-nos importante desenvolver uma visão investigativa sobre seus conteúdos, esse exercício pode ser aperfeiçoado a partir do trabalho na escola, mediante a experiência de observá-los, refletir e debater sobre estes em um processo dialógico com os alunos. “A educação é comunicação, é diálogo, na medida em que não é transferência de saber, mas um encontro de sujeitos interlocutores que buscam a significação dos significados.” (FREIRE, 1983).

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na Educação, no Ensino de Ciências e mesmo nas áreas da Comunicação Social. Observa-se que as programações televisivas Observa-se importam com audiência ao invés de qualidade de conteúdo, quando há alguma intenção de difundir a ciência, esta geralmente apresenta-se por meio de discursos sensacionalistas ou com falhas de comunicação.

Sobre a programação televisiva para o público infantil, com foco nos desenhos animados, os autores Monteiro e Santin-Filho (2013) explicam que as animações são as principais atrações voltadas às crianças, e geralmente são transmitidas de manhã, horário em que muitas, não vão à escola.

Mesquita e Soares (2008) consideram que os conteúdos científicos costumam ser encontrados nos desenhos animados e podem ser divididos em dois grupos: os que usam conceitos científicos com vistas ao ensino do público, os chamados desenhos educativos e os que usam a ciência apenas como entretenimento, utilizando seus conceitos e linguagens com ludicidade e com formas e objetivos diferenciados, os chamados desenhos criativos.

Dentre as imagens visuais e signos colocados diante das crianças a partir dos desenhos animados, temos algumas que podem ser promissoras para popularizar a ciência, porém em grande maioria dos materiais a imagem do cientista e da ciência, de maneira geral, não condiz com a realidade.

Geralmente, o cientista é apresentado como um sujeito do sexo masculino, solitário e que se preocupa exclusivamente com os problemas de sua pesquisa (MONTEIRO e SANTIN-FILHO, 2013). Em algumas animações a Ciência é veiculada como algo que acontece da noite para o dia e é isenta de erros e reconstruções de pensamento. Pensamos que, atitudes como essa, contribuem com que o público de estudantes tenha um distanciamento das atividades da ciência, e consequentemente, um afastamento da carreira científica, uma vez que essas animações difundem uma imagem pouco favorável da área.

Acreditamos que esta realidade pode ser modificada, a partir do momento em que o público se torne capaz de olhar criticamente os programas que estão em exibição, essas competências se desenvolvem mediante o exercício diário e em parceria entre a escola, a família e a sociedade. Percebe-se a necessidade de a escola renovar suas práticas pedagógicas e também currículos, hoje demostram-se defasados frente as transformações que estamos vivenciando. Apresentar uma imagem mais fiel e menos superficial da ciência também nos parece um processo que as mídias e produtoras de conteúdos precisam rever. Consideramos, portanto, que os desenhos animados possuem um grande potencial para o ensino, não só das ciências, mas de outros componentes curriculares existentes na escola. A reflexão diante dos desenhos também é um exercício de cidadania. Souza e Fernandes (2012) pontuam que a relação entre quantidade e qualidade de programas infantis, desenhos animados e propagandas para o público infantil, que reproduzam valores e comportamentos benéficos para a convivência em sociedade não é tarefa fácil de coordenar.

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animado pode ser fundamental para desmistificar alguns conceitos acerca da ciência existentes na infância, e favorecem uma aproximação e empatia pela construção dos conhecimentos científicos desde a mais tenra idade.

O desenho animado Steven Universo

A animação é uma produção norte-americana exibida no Brasil pelo canal fechado Cartoon Network, passa em horários alternados entre manhã e tarde, atualmente está em sua quinta temporada. O site da emissora apresenta a seguinte descrição para o programa: Steven é o famoso irmão mais novo de uma equipe mágica de guardiãs da humanidade, as CRYSTAL GEMS! Embora ele não seja tão poderoso quanto Garnet, Ametista e Pérola, Steven sempre as acompanha em suas aventuras mágicas e encontra suas próprias formas de salvar o dia” Autor (CARTON NETWORK, 2017).

De uma maneira geral, este desenho conta com temas familiares do personagem principal, um híbrido de humano e seres de uma dimensão paralela. Os elementos gráficos são bem atuais e ilustram cenários que estimulam a imaginação das crianças com planetas e estrelas, além de recursos tecnológicos aliados aos superpoderes dos personagens. Nos episódios os personagens geralmente têm uma missão para salvar o mundo, no entanto, sempre se envolvem em situações engraçadas durante as ações, a figura 1 ilustra o núcleo principal da animação.

Figura 1: Personagens da animação Steven Universo

Fonte: http://steven-universe.wikia.com/wiki/Steven_Universe_Wiki

A animação é uma das mais elogiadas pelo público e foi indicada a vários prêmios, tendo ganhado alguns deles. A sua mistura entre fantasia e ficção científica é um atrativo valorizado tanto pelo público como pelas críticas especializadas.

Resultados e discussões

Cada recurso metodológico aplicado para alcançar os resultados que visavam em melhorias no ensino e aprendizagem da referida turma, bem como estabelecer um ambiente de discussão sobre a ciência e os desenhos animados, revelaram pontos de

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vistas importantes tanto no aspecto social e do respeito as opiniões diferentes entre as crianças, como no que tange ao alcance de uma nova perspectiva para a aprendizagem dos conteúdos do ensino de Ciências propostos.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais do Brasil (BRASIL, 1997), tratam o uso das mídias como algo fundamental para os anos inicias no ensino de ciências, destacando os desenhos animados, que são preferência de grande maioria das crianças, por ter espaço reservado em seus momentos de lazer e aprendizado.

As perguntas selecionadas no momento da roda de conversa foram explicadas a turma, antes da aplicação das atividades. Percebemos uma confusão de conceitos sobre de que forma poderiam aprender com o uso de outros recursos que não fossem as aulas expositivas e com o livro didático.

As respostas das crianças nos mostraram que é possível desmistificar a imagem do cientista que faz parte do imaginário social. Nesse sentido, consideramos que a intervenção metodológica favoreceu o processo de aprendizagem e o desenvolvimento do senso crítico das crianças, a partir do diálogo, do uso dos recursos de animação, do lidar com a diversidade de opiniões e no compartilhamento de vivências na coletividade.

Construir um ambiente de investigação em qualquer segmento de ensino pode não ser tão favorável em alguns ambientes, com as crianças exigem certas particularidades para envolvê-las em um olhar de investigação para construir um novo conhecimento, desta forma, pensamos que essa etapa da pesquisa, foi uma primeira aproximação, onde verificamos a possibilidade de iniciar essa perspectiva nas crianças participantes.

Contribuir para a melhoria das aulas de ciências por meio de abordagens investigativas são importantes, pois, proporcionam aos alunos conhecimentos relacionados ao mundo científico, percebemos que, frequentemente, os conteúdos de ciências para os anos iniciais estão ligados à área da biologia (AZEVEDO e FIREMAN, 2017).

Um dos momentos mais importantes, de maior entusiasmo, foi o da escolha pelas crianças, das animações a serem exibidas em sala. Notou-se que elas foram influenciadas pelas escolhas umas das outras. As opções variavam entre Barbie, Meu Malvado Favorito e Hora de Aventura. A figura 2 mostra o resultado geral após a participação das crianças no debate para a escolha da animação.

No entanto, quando a primeira criança mencionou Steven Universo, as demais começaram a escolher conforme ela, no total foram 26 votos para o desenho vencedor. Quando questionadas sobre o porquê da escolha do desenho? Enfatizaram que o mesmo tem piadas engraçadas e de que gostam dos cenários do desenho, como o universo e seres de outros planetas.

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Fonte: Acervo dos Autores (2017)

Os episódios exibidos foram todos da primeira temporada, de títulos “Os jogos eletrônicos” e “O café da manhã”, no primeiro episódio os personagens ficavam viciados em uma casa de jogos, enquanto no outro eles apenas tentavam tomar o café da manhã juntos, porém sem sucesso.

Após as exibições começamos um debate pautado nos aspectos metodológicos propostos na pesquisa, a crianças lembraram que além do Steven Universo, seus desenhos favoritos, eram “Hora de Aventura”, “Apenas um Show” e “Clarêncio, o otimista”. Em suas opiniões, a animação “Steven Universo” ensinava a respeitar os mais velhos e sobre a Ciência, elas observaram isso quando o personagem viaja por outras dimensões. A seguir poderemos observar o momento da exibição do episódio escolhido.

Figura 3: Resultado da votação feita na turma

Fonte: Acervo dos Autores (2017)

Após as exibições começamos um debate pautado nos aspectos metodológicos propostos na pesquisa, a crianças lembraram que além do Steven Universo, seus desenhos favoritos, eram “Hora de Aventura”, “Apenas um Show” e “Clarêncio, o otimista”. Em suas opiniões, a animação “Steven Universo” ensinava a respeitar os mais velhos e sobre a Ciência, elas observaram isso quando o personagem viaja por outras dimensões.

Sobre o aprendizado mediante desenhos animados da TV, os alunos mostraram-se bastante otimistas, em muitas falas foram destacados elementos como o de salvar o mundo, respeitar os pais, a família, os mais velhos. Alguns disseram ainda, que, as boas atitudes dos desenhos são repetidas em suas vidas cotidianas. Vasconcelos (2015) ressalta

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que, os desenhos animados atuam como reflexo e formador de representações, influenciando nos comportamentos e pensamentos do tempo histórico em que foram produzidos e veiculados.

Percebemos que estas informações realmente estão presentes em alguns desenhos, em sua maioria de forma implícita, uma vez que não se tratam de desenhos que tem uma finalidade educativa, os desenhos mencionados estão mais voltados para a área do entretenimento.

As indagações sobre o uso da televisão no cotidiano das crianças revelaram que elas assistem TV por boa parte do tempo, algumas falaram que veem somente após o momento de estudos. Sobre a programação favorita, destaca-se por primeiro, os desenhos animados e em segundo, os programas jornalísticos.

Perguntamos o porquê da preferência pelos telejornais? As crianças responderam que são importantes para nos manter bem informados, embora apresentem “opiniões” muito violentas. Mesmo com o ponto de vista favorável sobre a programação televisiva, foram enfáticas em dizer que “não aprendem muitas coisas boas na TV, pois seus pais dizem que na TV, nenhum programa é bom.”

O participante João, expôs sua opinião: “Minha mãe disse que na TV nada presta”. Sobre a presença da ciência nos desenhos animados, as crianças expuseram que a percebem nos programas, como na exibição de imagens sobre ambientes do futuro, dos cientistas que salvam o mundo, e especialmente, nos “poderes” dos mais variados personagens existentes. A figura 4 mostra o debate ocorrido com a turma, após a exibição da animação.

Figura 4: Conversa após a exibição das animações

Fonte: Acervo dos Autores (2017)

Na questão sobre o contato com os cientistas e o que representavam para elas? As respostas foram diversas, muitas, disseram que nunca tiveram contato com um pesquisador, a não ser nas feiras de ciências, que algumas haviam participado na escola em anos anteriores.

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ciências, pois, até certo tempo, acreditava-se que os a ciência não era adequada para ser discutida com as crianças dos anos iniciais, tendo como consequência um aprendizado tardio de temas que podem ser considerados complexos para uma área que sempre está com novas informações, revelando a necessidade de diálogo entre a infância e a ciência (BORGES, 2012).

Continuando o debate, algumas crianças continuaram expondo seus pontos de vista, explanando que os cientistas eram importantes para a sociedade, pois se não fossem eles, muitas pessoas estariam doentes e não teríamos sequer ar condicionado nas salas. Questionadas sobre o, dia a dia, de um cientista, notamos que a imagem remete a um sujeito do sexo masculino, que não se diverte e se ocupa apenas com as pesquisas. Muitas das crianças pensam que o cientista é alguém que está acima das pessoas comuns.

Uma menina por nome Camila disse na ocasião que: “O cientista não tem tempo

para diversão, passa o dia trabalhando no laboratório”.

Algumas crianças acharam impossível se tornarem cientistas, pois elas apenas se divertem, e um “cientista de verdade” tem assuntos mais sérios para se preocupar. As crianças também demonstraram acreditar que as mulheres não podem ser cientistas, pois, para elas isso é uma tarefa dos homens. É uma visão curiosa, uma vez que, no desenho animado escolhido pela turma, a ciência está representada nas figuras femininas, são as irmãs que protegem o personagem principal Steven.

Ao final, a turma foi convidada a expor suas conclusões sobre a participação nas entrevistas e como isso influenciou em suas aprendizagens, durante esses momentos, constatamos que os resultados foram bastante positivos, pois, as crianças participantes destacaram que mudaram suas visões sobre a ciência presente nas mídias, como os desenhos animados, ao fim do episódio citado, as crianças perceberam com mais clareza que a ciência estava dentro do enredo do desenho através das irmãs do personagem principal.

Desta forma, podemos considerar que houve um avanço na aprendizagem da turma, já que um dos objetivos da intervenção era favorecer um novo pensamento sobre a ciência presente em elementos do cotidiano como os desenhos animados. Percebemos também que outro objetivo foi alcançado, o de analisar criticamente o papel da televisão na vida delas, pois, como anteriormente, durante os depoimentos, havia uma visão de que a televisão não poderia ser um instrumento de aprendizagem, ao fim, as respostas revelaram que a televisão pode ser uma aliada para adquirir novos conhecimentos.

Para ilustrar com mais detalhes essa verificação, trazemos a fala de Mariana que, ao fim das atividades, colocou seu ponto de vista: “Depois de hoje, passei a olhar melhor

os desenhos da ciência”. Após ela, Mateus pediu a palavra para encerrar o debate: “Eu aprendi que o cientista pode ser como qualquer um de nós.” Encerramos as atividades

agradecendo as crianças pela participação e à professora da turma pelo acolhimento.

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A pesquisa sobre divulgação cientifica na escola, com crianças do 3º ano, mediante o uso dos desenhos animados da TV revelou a importância de encontrarmos estratégias sensíveis ao interesse do público investigado, capaz de envolvê-los nas atividades do ensino de Ciências retirando-os do papel passivo de meros receptores de informações, para conduzi-los ao de protagonistas do conhecimento desenvolvido no contexto escolar.

Do ponto de vista da formação do próprio pesquisador o estudo foi fundamental para fazê-lo perceber que a motivação dos alunos acontece com maior autenticidade à medida que estes têm chances de se expressar com liberdade seus entendimentos em torno do que estão estudando. O desenho animado, é um fenômeno familiar no cotidiano das crianças, vimos que essa familiaridade foi importante para instaurar um processo de diálogo e curiosidade pelos conteúdos da Ciência.

No que diz respeito a metodologia adotada no âmbito do estudo ressaltamos que os instrumentos metodológicos foram importantes, pois proporcionaram novas maneiras de expressão para as crianças, o diálogo coletivo foi bastante valorizado, permitindo com que a troca de experiências e aprendizados ocorresse com mais naturalidade, como pesquisadores, notamos que aprender desta forma, modifica a dinâmica da sala de aula, nas rodas de conversas, nas exibições dos desenhos as falas começaram a fluir com maior intensidade e espontaneamente no decorrer das atividades. O que nos levou a refletir sobre como novas maneiras de interação entre os conhecimentos científicos e a sociedade no espaço escolar, podem abrir outras possibilidades de aprendizado.

Consideramos importante ressaltar ainda, alguns pontos significativos com a conclusão desse estudo. Um deles, é a percepção da divulgação científica nos desenhos animados da TV, observamos que a ciência é um elemento que agrega valor à diversas narrativas dentro das histórias. No momento atual, a ciência chama a atenção das crianças através dos cenários futuristas e da ligação entre imaginação infantil.

A televisão, mesmo com a chegada da internet na sociedade, ainda figura como uma referência de informação e entretenimento, conseguindo na atualidade influenciar em modos de pensar e comportar-se.

Outro aspecto que nos pareceu interessante foi poder verificar a presença da ciência nas animações e que as crianças consideram essa participação um fator bastante positivo para elas. Alertamos para a necessidade de uma programação de qualidade para o público infantil, que atentem para necessidade de oferecer-lhes conteúdos que lhe ajudem a aprender, a desenvolver suas competências e habilidades para agir no mundo. Atualmente são poucos os canais que se preocupam com o aspecto da qualidade dos programas, a maior parte deles exibidos em sistemas fechados de entretenimento, e algumas exceções na TV aberta.

A imagem do cientista como alguém distante das crianças ainda é perceptível nas suas falas, parece ser necessário que novos canais de interação entre cientistas e público sejam disponibilizados, e que cheguem à todas as classes sociais. As atividades de divulgação científica nas escolas são meios pelos quais essa distância entre a produção

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científica e a sociedade podem ser diminuídas.

A dinamização do ensino público a partir da divulgação científica valoriza o aprendizado, e reforça a escola como um espaço democrático e de prestígio das diversas competências e habilidades dos estudantes.

Salientamos que os desenhos animados da TV são apenas uma das opções para o trabalho com a DC nas escolas e especialmente com as crianças, ferramentas como o cinema e literatura infantil também são desafios e possibilidades a serem explorados por professores e cientistas, já que essas mídias carregam consigo grandes informações que precisam ser analisadas com mais profundidade pelo grande público, sendo instrumentos de aprendizagem muito valiosos. Contudo, os desenhos da televisão demonstraram grande capacidade de promover a aprendizagem escolar e merecem ser observados com maior atenção.

Favorecer a interação saudável entre as crianças e a mídia é um exercício para pais, professores e sociedade, o diálogo entre esses pares não pode ser mais acontecer de cima para baixo, e sim de modo igualitário, todos podem contribuir para que a ciência, mídia e sociedade atuem juntos para a melhoria da qualidade de vida infantil.

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Imagem

Figura 1: Personagens da animação Steven Universo
Figura 3: Resultado da votação feita na turma
Figura 4: Conversa após a exibição das animações

Referências

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