A CONTRIBUIÇÃO DO PIBID NA FORMAÇÃO INICIAL E CONTINUADA DOCENTE
Marilúcia dos Santos Domingos Strique², Margarida Paulino de Cerqueira Pinto, Beatriz dos Santos Pereira, Pedro Palma de Souza, Mariana Constantino Nardine, Francielli Adriane da Costa(PIBID)1, Marilúcia dos Santos Domingos Striquer(orientadora)², (Orientadora), e-mail: [email protected]
de Iniciação à DocênciaPIBID/UENP. ² Coordenadora de área.
Universidade Estadual do Norte do Paraná/ Campus de Jacareizinho/Centro de Letras, Comunicação e Artes.
Ensino, SubprojetoLetras/Português-CJ.
Palavras-chave: formação inicial docente, formação continuada docente, PIBID, gênero textual biografia; escritores jacarezinhenses.
Introdução
Regidos pelos preceitos de Dolz e Schneuwly (2004) de que a cooperação social é “fator determinante das transformações e dos progressos que ocorrem” (p. 45), e na afirmativa de Leonardo Boff de que:
Há um casamento que ainda não foi feito no Brasil: entre o saber acadêmico e o saber popular. O saber popular nasce da experiência sofrida, dos mil jeitos de sobreviver com poucos recursos. O saber acadêmico nasce do estudo, bebendo de muitas fontes. Quando esses dois saberes se unirem, seremos invencíveis.
O subprojeto PIBID Letras/Português, campus Jacarezinho, visa promover um trabalho de cooperação para a formação docente na união de professores em formação inicial e professores em serviço, e que envolva a valorização e disseminação da cultura local da cidade de Jacarezinho/PR. O que pretendemos é pôr em prática o que defende Marcuschi (2008) em sua assertiva de que o que a escola deveria oferecer é “um ensino culturalmente sensível, tendo em vista a pluralidade cultural. Não se deveria privilegiar o urbanismo elitizado, mas frisar a variação linguística, social, temática, de costumes, crenças, valores locais” (p.172).
PIBID/Letras/Português-CJ o projeto foi implementado em uma sala de 6º ano do Colégio Luiz Setti, de Jacarezinho/PR.
O objetivo desse trabalho é, portanto, apresentar as ações pedagógicas realizadas na implementação do projeto de intervenção pedagógica.
Materiais e métodos
O projeto de intervenção e as ações realizadas para a implementação foram sustentados pelo arcabouço teórico-metodológico construído pelo Interacionismo Sociodiscursivo.
O projeto de Intervenção Pedagógica na escola, o material didático-pedagógica construídos pela professora supervisora voluntária também se sustentam pelos mesmos princípios teórico-metodológicos do Interacionismo Sociodiscursivo e foram construídos durante a participação da professora no Programa de Desenvolvimento da Educação (PDE) da Secretaria de Educação do Estado do Paraná.
Resultados e Discussão
A construção do projeto de intervenção realizado pela professora-supervisora aconteceu sob orientação acadêmica da coordenadora de área do subprojeto PIBID Letras/Português-CJ, assim como a construção de um material didático, instrumento auxiliar na implementação do projeto.
Em reuniões presenciais com a coordenado de área, os bolsistas de Iniciação à docência realizaram estudos do projeto de intervenção e do material didático e planejamento das ações pedagógicas a serem realizadas na implementação do projeto.
A implementação do projeto de intervenção ocorreu entre os meses de agosto e setembro de 2017, em uma sala de aula de 6º ano do ensino fundamental do Colégio Luiz Setti, da cidade de Jacarezinho/PR.
A primeira etapa consistiu, em síntese, no trabalho com os alunos com a: definição do que é o gênero textual biografia; Leitura de exemplares do gênero; análise do conteúdo temático que forma o gênero; apresentação dos escritores que seriam biografados: vida e obras dos escritores de Jacarezinho; organização de entrevistas a serem realizados com os escritores.
Em síntese, apresentamos os elementos que formam o gênero biografia e foram tomados como conteúdo de ensino e aprendizagem no processo:
Características contextuais do gênero discursivo/textual biografia
Prática social: divulgar, popularizar, se fazer conhecer, por meio de um relato, a história de vida de uma determinada pessoa por seus feitos relevantes.
Gênero escrito.
O gênero pertence a esfera literária, a esfera escolar, a esfera midiática e jornalística e também a comercial.
A pessoa física que escreve a biografia, chamado de biógrafo, assume o papel de um cidadão que deseja que a vida do biografado(a) se torne conhecida.
O destinatário pode ser um estudante, um pesquisador ou um cidadão com certo nível cultural que objetiva conhecer a biografia de uma determinada personalidade.
A temática se relaciona à história de vida do biografado.
Há biografias publicadas em sites da internet, livros, jornais, revistas. Características discursivas do gênero biografia
Gênero da ordem do relatar, pois relata acontecimentos vividos - com uso de sequências narrativa em predominância, mas aparecem também a descritiva, explicativa e argumentativa.
Escrito em terceira pessoa do singular.
Esquematicamente, o plano geral pode ser apresentado da seguinte maneira: 1) título: nome do biografado; 2) Texto introdutório: geralmente faz referência aos familiares, local e data de nascimento do biografado, campo de atuação profissional, ou seja, a vida pessoal, formação escolar/acadêmica e profissional; 3) relato em ordem cronológica de acordo com as atividades desenvolvidas ao longo da vida do biografado; vale salientar que nas cinco biografias analisadas há a data de publicação das obras, com seus respectivos títulos.
Características linguístico-discursivas
São utilizadas retomadas nominais e também são frequentes a coesão lexical por sinônimos.
O tempo verbal predominante é o pretérito perfeito do indicativo; porém há também o presente histórico, isto é, o biógrafo relata os acontecimentos passados como se presenciasse as cenas; são utilizados mais verbos de ação.
Os tipos de conectivos usados são temporais e espaciais.
A variedade linguística privilegiada é mais informal; há o respeito pela norma padrão da língua, o texto não apresenta gírias, escolhas mais livres do léxico e sintaxe.
manter um padrão mais informal. Há mais substantivos concretos, verbos de ação e apresenta poucos adjetivos
O tom dado ao texto é mais objetivo.
A instância geral da enunciação se faz ouvir a voz do biógrafo.
Há mobilização de elementos paratextuais: foto colorida do biografado, acompanhada de uma legenda; há também a presença título (elemento supratextual). Esses recursos auxiliam na construção do sentido do texto.
Em agosto e setembro de 2017, os escritores foram até a sala de aula e além de contarem histórias de seus livros foram entrevistados pelos alunos. Autores entrevistados: José Lázaro Boberg, Celso Antônio Rossi, Geraldo Silva, Selma Camargo Foggiato e José Augusto Coppi.
Após as entrevistas, os alunos produziram as biografias que formaram, ainda no ano letivo de 2017, um livro de biografias produzido pelos alunos o qual fará parte do acervo da biblioteca do Colégio, do município e ainda será apresentado em evento específica aos demais alunos da escola.
Conclusões
Orientam os Parâmetros Curriculares Nacionais: Pluralidade Cultural e Educação Sexual (BRASIL, 1997) que é muito importante o trabalho em sala de aula com as culturas regionais, uma vez que essas culturas “são produzidas pelos grupos sociais ao longo das suas histórias, na construção de suas formas de subsistência, na organização da vida social e política, nas suas relações com o meio e com outros grupos, na produção de conhecimentos” (p.37). Fato que gera o reconhecimento do aluno como sujeito pertencente a um lugar onde a cultura é valorizada, e pode também gerar motivação para a leitura e produção de textos.
É nesse sentido, na apresentação do trabalho realizado que concretamente defendemos o PIBID como um fundamental programa de formação docente. É no contato real e contínuo dos professores em formação inicial com a sala de aula que seus saberes acadêmicos podem se relacionar com os saberes experienciais do professor em serviço e com os saberes populares construídos em histórias de vida, e assim suas ações terem impactos efetivos no sistema educacional brasileiro.
Agradecimentos
Referências
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais:pluralidade cultural, orientação sexual. Brasília: MEC/SEF, 1997.
DOLZ, J.; SCHNEUWLY, B. Gêneros e progressão em expressão oral e escrita: elementos para reflexões sobre uma experiência suíça (Francófona). In: SCHNEUWLY, B. e DOLZ, J. Gêneros orais e escritos na escola. Trad. Roxane Rojo e Glaís Sales Cordeiro. São Paulo: Mercado das Letras, 2004.
MARCUSCHI, L. A. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.