Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 6, p. 40177-40194 jun. 2020. ISSN 2525-8761
Os desafios e possibilidades nas escolas multisseriadas
The challenges and possibilities in multiseried schools
DOI:10.34117/ bjdv6n6-525Recebimento dos originais: 08/05/2020 Aceitação para publicação: 23/06/2020
Edna Felix da Silva
Especialista em psicopedagogia Faculdade Inscrito Osmam Lins
Rua Joaquim Nabuco, n 495c, ABC, Moreno - PE CEP: 54800-000 E-mail: [email protected]
Kaltieli Gomes da Silva
Especialista em psicopedagogia institucional e clinica FEPAN
Rua: 1 travessa Tabelião Francisco Peixoto, n 15, Olaria, Moreno-PE, CEP: 54800-000 E-mail: [email protected]
Maria Rosemary de Brito
Especialista em educação especial FAFIRE
Rua: PE 60, Q33, conjunto residencial Maracaipe, atp. 402, Bloc 04, Ipojuca-PE, CEP 55590-000 E-mail: [email protected]
Geany Carla Barros Silva
Especialista gestão e recursos humanos Joaquim Nabuco
Rua Josefa Batista de Medeiros, n 106 cs A, Cabo de Santo Agostinho-PE, CEP: 54520110 E-mail: [email protected]
RESUMO
O presente artigo tem por objetivo apresentar algumas questões pertinentes à desvalorização da profissão docente no contexto atual da educação brasileira em razão do funcionamento de classes multisseriadas, além de apresentar os pontos positivos desta modalidade de ensino. O descaso com o professor, a falta de condições dignas de trabalho e os baixos salários refletem notoriamente na qualidade do ensino e na aprendizagem dos alunos. O papel do professor é fundamental diante de todo o contexto social apresentado pelas classes multisseriadas, uma vez que dele dependem todos os outros profissionais, através dele a aprendizagem acontece, a cultura é disseminada bem como os valores essenciais para a vivência harmoniosa na sociedade. Há uma necessidade urgente de investimento e de políticas públicas voltadas para a qualificação e valorização deste profissional, somente assim de fato, teremos uma educação de qualidade para todos. A pesquisa estrutura-se em análise bibliográfica com abordagem descritiva. Os resultados apontam para a necessidade de um maior investimento na educação e a melhoria do sistema de classes multisseriadas.
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ABSTRACT
The purpose of this article is to present some pertinent questions to the devaluation of the teaching profession in the current context of Brazilian education due to the functioning of multigrade classes, besides presenting the positive points of this teaching modality. The neglect of the teacher, the lack of decent working conditions and the low salaries reflect noticeably on the quality of teaching and student learning. The teacher's role is fundamental in the face of the whole social context presented by the multigrade classes, since all other professionals depend on it, through which learning happens, culture is disseminated as well as the essential values for harmonious living in society. There is an urgent need for investment and public policies aimed at the qualification and appreciation of this professional, only in this way will we have a quality education for all. The research is structured in bibliographical analysis with descriptive approach. The The results point to the need for greater investment in education and the improvement of the multi-grade class system.
Keywords: Devaluation, Teaching profession, Education, Quality, Multiseriate Classes.
1 INTRODUÇÃO
Desde os primórdios da educação brasileira, as classes multisseriadas já existiam. Elas são, dentre outros fatores, caracterizadas por um local no qual alunos de idades e conhecimentos diversos são instruídos pelo mesmo professor, sendo assim, um meio de ensino onde desde o 1º ano ao 3º do ensino fundamental podem estudar juntos, o que nem sempre é considerado por muitos estudiosos como muito saudável para a integridade e crescimento educacional deles enquanto alunos.
No entanto, as classes multisseriadas podem ter pontos positivos. Ao longo deste trabalho será realizada uma busca para entendê-los. No entanto, é preciso que haja entendimentos gerais sobre a educação brasileira para que isso seja possível. Logo, o objetivo geral deste trabalho é de trazer uma abordagem sobre as classes multisseriadas, seus desafios e possibilidades. Pretende-se, de forma especifica: Analisar os desafios na infraestrutura das escolas; conceituar a desvalorização dos professores; concluir com as possibilidades de crescimento positivo que podem haver nas classes multisseriadas. Vale salientar que a abordagem inicial nos dois primeiros objetivos específicos tem um caráter geral sobre as situações no Brasil, sem especificar muito, mas no ultimo capitulo tal ato é mais voltado para as classes multisseriadas.
A justificativa que permite a elaboração deste trabalho se dá em razão de que muitas das vezes é difícil um local do interior e sem recursos sustentar uma grande escola, na qual os alunos terão possibilidade de aprender o conteúdo de sua matéria com um professor por sala. Logo, ao longo deste artigo há a seguinte questão problema para ser resolvida: Quais são os desafios enfrentados pelas classes multisseriadas e, a partir disso, qual a solução proposta pelos líderes responsáveis pela educação no Brasil?
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A metodologia utilizada para a criação desse trabalho é a pesquisa descritiva de cunho bibliográfico1. Sem sombra de dúvidas a tecnologia é importante nos dias atuais e os sites são muito
informativos, no entanto jamais se pode esquecer-se dos livros em um trabalho de cunho cientifico. Logo, para complementar o estudo, foram selecionados autores e obras que abordam o tema estudado e consultadas as plataformas de postagem de conteúdo acadêmico: Scielo e Google Acadêmico na busca por materiais de apoio no processo de escrita.
2 DESAFIOS NA INFRAESTRUTURA DAS ESCOLAS
A educação sempre foi considerada uma ferramenta de conscientização das pessoas, mas também durante muito tempo foi usada como uma forma de poder da classe dominante, só os mais favorecidos podiam estudar e serem preparados para exercer o poder, os menos favorecidos sempre foram excluídos desse processo. O professor era chamado de mestre e sábio, considerado autoridade detentora do saber e de cultura, respeitado por toda sociedade e igualado a juízes e prefeitos era destinado a lecionar para os filhos da burguesia.
Como ressalta o professor Herman Jankovitz, Diretor do Promagister – Programa de atualização e capacitação docente, o magistério era uma profissão respeitada e valorizada, mas a educação era feita para poucos. Era uma educação elitizada, muitos professores recebiam salários semelhantes aos de desembargadores e juízes2.
O mundo passou por grandes transformações e com ele os processos educativos também mudaram. A década de 1990 apresentou um novo momento na educação brasileira, comparável em termos de mudança à década de 1960. Em 1960 ocorreram as reformas educacionais que ampliaram o acesso à escolaridade, com o desenvolvimento industrial surgiu à necessidade da criação de mão de obra qualificada para o trabalho nas indústrias, a educação passou a ser também oferecida às classes menos favorecidas, uma educação de pouca qualidade para qualificá-las a um ofício3. O professor de mestre passou a ser conhecido com o transmissor de conteúdo, técnico em educação. A educação era uma forma de promover a mobilidade social individual ou de grupos, no entanto havia uma necessidade de políticas redistributivas como meio de reduzir as desigualdades sociais.
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Com o processo de urbanização, a população menos favorecida começou a situar-se na periferia das cidades, dando início ao processo de popularização da escola, possibilitando os grupos sociais excluídos frequentarem a escola, mas os professores se recusaram a lecionar nessa periferia, muitas vezes as escolas eram longe, de difícil acesso, sem infraestrutura e com muitos problemas sociais (sem saneamento nem pavimentação, tráfico de drogas, violência, etc.), a profissão docente começou a perder seu Status Quo, o que era tarefa de elite, passou a ser também tarefa das classes populares4.
Em meados da década de 1980, o sistema educacional começou a ser gratuito e estendido como direito de todos e obrigação do Estado. Começaram a surgir os cursos técnicos profissionalizantes (magistério, licenciatura curta, para agilizar a formação de professores), o que de imediato resolveu os problemas políticos, mas aos poucos foram surgindo os problemas na educação, como a má formação técnica. Houve um aumento na oferta de vagas acompanhado da admissão de profissionais com titulação inadequada para ser professor, barateando o valor do trabalho.
A reforma de 1990 tinha como princípio a educação para igualdade social e também a transformação na organização e na gestão da educação pública. As mudanças começaram a acontecer no ano de 1996 com a nova LDB (Lei de Diretrizes e Bases n° 9424/96) onde uma das atribuições nesse planejamento de gestão é o financiamento per capita e a criação do Fundeb, (Fundo Nacional de desenvolvimento da Educação Básica) que determina a valorização do professor em termos igualitários nacionalmente4. Ou seja, independentemente da localização geográfica onde lecione um professor, todos devem ser vistos igualmente, todos devem ser respeitados da mesma forma em sua profissionalização e consequentemente todos devem ganhar um salário semelhante, visto que todos receberam a mesma formação e, portanto, atuam na educação da mesma forma, mas não foi bem assim que aconteceu. A educação tem enfrentado sérios problemas quanto à valorização do professor e quanto às condições básicas de existência3.
3 DESVALORIZAÇÃO DOS PROFESSORES
A história do trabalho docente está relacionada ao conceito de que a educação é um meio utilizado pelos indivíduos para participarem da sociedade. Segundo o Referencial
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para Formação de Professores, a educação é considerada como o processo facilitador da integração como desenvolvimento pessoal e coletivo.
O ofício de professor está relacionado a uma concepção de educação como ação pela qual passa a sociedade, transmitindo suas tradições, seus costumes, seus valores, ou seja, sua cultura. A profissão de professor, nessa perspectiva, é o meio pelo qual a organização da transmissão cultural da sociedade se estabelece3.
A profissão do professor, como compreendida na contemporaneidade, só se estabelece a partir do século XV. É também importante compreender que a civilização ocidental nas cidades gregas Atenas, Esparta e Roma teve formas de positivar o trabalho docente. A escola e a escrita tinham um papel fundamental para a burguesia e o papel de educar crianças deixou de ser da família e da comunidade e passou a ser da escola.
A formação do trabalho docente no meio da civilização ocidental acontece colateralmente às diversidades na maneira de conceber o mundo, que acontece na Grécia ao longo dos séculos. Registra-se, à época, o aparecimento da escrita, da moeda, das leis5.
A educação grega do período (séculos XII ao VIII A.C.) era voltada para a formação do guerreiro. O educador que surgira tinha a responsabilidade em dar uma educação integral, tendo sempre uma boa conduta e também sendo um espelho no qual as crianças pudessem se espelhar.
Esparta procurava oferecer o que era mais adequado para formação da criança, procurando juntá-las por idade, tendo como superintendentes aqueles que mais se destacavam. Em Atenas, a educação direcionava a formação do sujeito da polis, adicionando-se à educação física a formação necessária. As mulheres também tinham uma educação diferente dos homens. Ao término do século VI a. C. Surgiram as formas simples de escolas, as meninas eram educadas em casa, onde aprendiam os fazeres domésticos, enquanto os meninos, aos setes anos eram afastados da família, recebendo educação física, música e alfabetização.
Na Grécia se desenvolveu a formação integral em três níveis: Educação elementar, para todos, educação nos ginásios, para os que tinham mais posses e educação superior que visava uma formação cívica. O novo entendimento de educação não estava mais direcionado para o de herói, mas para formação do cidadão. No meio dessas mudanças surgiu o novo protagonista na educação grega denominado de sofista.
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De maneira geral podemos dizer que os gregos deixaram para sociedade ocidental grande contribuição para educação, parte da tradição pedagógica hoje de maneira particular a do Brasil, vem dessa herança deixada pelos gregos. A educação grega não era de caráter ocasional, seguia os valores da época e tinham diferentes protagonistas sociais6.
Roma adotava um modelo de educação mais usual, preocupando-se com problemas práticos, cotidianos e dedicava-se mais a retórica do que a filosofia. A educação romana começou a se organizar a partir do século IV a. C, momento em que surgem as escolas elementares em conformidade da classe dos artesãos e comerciantes. Nessa época, surge a figura do professor primário – lud magister.
Estes educadores eram na verdade antigos escravos ou algum proprietário falido que abriam “comércio de ensino” onde a educação era colocada como uma mercadoria para ser comercializada. A símile da Grécia que considerava o assalariado inferior. Os romanos consideravam a profissão docente inferior por ser exercida por classes sem prestígio e que vendiam a instrução como qualquer outra mercadoria vendida no comércio e faziam de tudo para conquistar clientes.
Surgiram também os cursos de gramáticos, que tinham o objetivo de colocar os jovens dos 12 aos 16 anos em contato com os clássicos gregos e o Retor, que surgiu para aperfeiçoar a retórica, arte de usar bem as palavras. Os professores: o lud magister e o gramático eram pessoas simples e mal remuneradas, enquanto o retor tinha maior importância e melhor remuneração6.
O Referencial para Formação de Professores7 aponta que, nos anos 1980, houve várias reformas educativas em diferentes países do mundo devido às exigências sociais por uma educação de qualidade. No Brasil, esse tempo se distinguiu pela luta dos movimentos de educadores e pela discussão sobre a formação de professores.
Nos fins da década 1970, a mobilização dos profissionais docentes foi intensificada, mas atingiu maior visibilidade pública nos anos 80, tanto por melhores salários, quanto por melhores condições de trabalho e essa década também foi assinalada pela crescente desvalorização dos vencimentos dos profissionais da educação, já que não havia reposição salarial devido ao forte aumento da inflação. Por outro lado também foi grande o índice de repetências e evasão escolar, sendo considerado inaceitável. As lutas da categoria e as iniciativas governamentais em favor de um ensino de
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qualidade em diferentes níveis tinham, portanto, um sentido de superação de graves problemas no campo da educação8.
O Programa Nacional de Fortalecimento dos Conselhos Escolares, diz que, nos tempos da educação jesuíta, no período colonial, os professores eram valorizados como trabalhadores inteligentes, na medida em tinham todo o saber organizado. Após a expulsão dos jesuítas do país, em 1759, nasce em 1772, um “projeto de oferta de educação gratuita através de professores assalariados, que eram improvisados e mal remunerados, tem-se então a desvalorização do ofício de professor”. Como o ensino público não prosperava, surgem então as primeiras aulas pagas no Brasil, surgindo assim os primeiros professores assalariados não públicos8.
Em 1827, durante do período imperial, surge a primeira lei educacional do Brasil, que previa que fossem criadas escolas e que os dirigentes das províncias (atuais governadores doestado) consolidassem os salários dos professores. Entretanto faltava dinheiro para o pagamento dos salários e poucas escolas foram construídas.
Já em 1834, as Províncias (atuais estados) passaram a se encarregar do ensino público e gratuito. Cobravam para isso um imposto sobre vendas e consignações, que tributavam a movimentação do comércio e da indústria que nasciam ou cresciam nas cidades maiores. Consequentemente, nas Províncias mais ricas e urbanizadas foram construídas diversas escolas públicas com educadores que recebiam um salário decente. Em contrapartida, nas Províncias mais pobres, as escolas não possuíam professores e se possuíssem seus salários não eram suficientes para uma vida digna. Fica claro ressaltar que a desvalorização do professor, àquela época, dava-se apenas em questões salariais, mas ainda assim, o professor gozava de grande prestígio social, porque eram as pessoas que possuíam maior conhecimento de cada cidade e povoado.
Como se vê, a condição de trabalhadores intelectuais ainda representava, pela visão social de trabalho, fonte de prestígio para os seus detentores, mesmo que estes se tornassem intelectuais trabalhadores9. De 1934 até 1964 havia no Brasil a valorização do magistério brasileiro. Os salários dos professores secundários eram compensadores, quase idêntico aos dos professores universitários.
As condições de trabalho também eram excelentes, os professores tinham regime de tempo integral, dedicava-se no máximo 24 horas semanais para o ofício, o que lhes
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proporcionava tempo para o estudo pessoal, elaboração das aulas, correção das provas etc.
Período este que correspondeu ao pós-II guerra e que foi marcado pela industrialização brasileira. Esse período também foi marcado pelo êxodo rural e pela busca da subida social através da educação. Houve grande aumento das matrículas, o que trouxe o deslocamento do magistério secundário para o superior. Surge então daí uma permanente desvalorização salarial e profissional dos professores.
Esta desvalorização ficou associada especialmente ao crescimento da população ocorrido no período de 1934 a 1988. As cidades brasileiras tinham um crescimento significativo a cada ano, crescimento este devido ao nascimento das crianças que logo entravam na idade escolar. Houve então um grande aumento da população a ser educada, grande aumento do número de matrículas e juntamente com um grande aumento do número de professores. Estes professores eram pagos nesse período (1834) com uma parte dos impostos estaduais e municipais.
Agravou-se então o problema com a destinação dos impostos e para conseguir proteger a prioridade à educação, conseguiu-se ligar os impostos ao sustento da educação e ao crescimento do ensino. Entretanto, na prática, isso não era cumprido. Os governantes burlavam a lei e destinavam esses recursos para obras que significavam meios para o desenvolvimento econômico ou meio de ganharem votos. Assim os recursos se tornavam insuficientes para sustentar os salários dos educadores8.
A partir de 1950, houve um grande rebaixamento dos salários dos educadores e isso levou à desvalorização dos professores que tiveram de duplicar ou até mesmo triplicar sua jornada de trabalho para conseguirem sobreviverem, consequentemente trazendo um prejuízo para a qualidade do ensino.
Tem-se então uma desvalorização profunda desses intelectuais da educação que representou uma crise profunda e que tem repercussão até os dias de hoje. A desvalorização do professor, por sua vez, está ligada à própria dinâmica do sistema educacional brasileiro, as reformas são marcadas pela padronização e massificação de processos administrativos e pedagógicos.
Essas reformas por determinarem uma reestruturação do trabalho docente, resultante da combinação de diferentes fatores que se farão presentes na gestão e na organização do trabalho escolar, tendo como efeito maior responsabilização dos professores e maior envolvimento da comunidade. Para ser professora ou professor de escola qualquer um serve7.
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O professor começou a ser cobrado por todos, mas não via retorno positivo pelo seu trabalho, além de formar e instruir o aluno, várias funções foram delegadas aos profissionais da educação (assistente social, psicólogo, pai, enfermeiro, entre outros), quase que adotando o papel de super-herói, ainda tendo que enfrentar baixo salário e um plano de carreira que não atende as suas inspirações, além da falta de capacitação permanente para sua atualização, especialização e aperfeiçoamento, resultando na perda de sua identidade profissional2.
Além de todas essas atribuições assistencialistas o trabalho docente não se resume apenas as atividades em sala de aula, o professor passou a ter atribuições de gestor, há uma imensa lista de projetos, currículos, planilhas, fichamentos a serem executados. O professor acaba utilizando o tempo em que poderia planejar suas aulas ou se ocupar de sua capacitação cumprindo tarefas meramente burocráticas. Outro fator que desqualifica e desvaloriza o trabalho docente está atrelado às reformas em curso que tiram do professor a autonomia da organização do seu trabalho e reconhecimento social, sendo que esse processo é um direito garantido pela legislação educacional “valorização do magistério” onde se trata de políticas docentes: carreira, remuneração e capacitação.
A formação de professores ocupa um lugar central neste debate, que só se pode travar a partir de uma determinada visão (ou projeto) da profissão docente. É preciso reconhecer as deficiências científicas e a pobreza conceptual dos programas atuais de formação de professores. E situar a nossa reflexão para além das clivagens tradicionais (componente científica versus componente pedagógica, disciplinas teóricas versus disciplinas metodológicas, etc.), sugerindo novas maneiras de pensar à problemática da formação de professores5.
Se o Estado não oferecer uma capacitação adequada ao professor, ele não vai realizar um constante processo de estudo das teorias pedagógicas e dos avanços das várias ciências, se ele não se apropriar desses conhecimentos, ele terá grande dificuldade em fazer de seu trabalho docente uma atividade que se diferencie do espontaneismo que caracteriza o cotidiano alienado da sociedade capitalista contemporânea. Como exigir do professor que ele ensine bem, que ele transmita as formas mais desenvolvidas do saber objetivo, se ele próprio não teve a formação contínua que lhe desse acesso a esse tipo de ensino e de saber?
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A falta de vontade política priorizando a escola é outro fator importante para a desvalorização do trabalho docente. A educação é cara, e a falta de investimento prejudica a infraestrutura da escola e um ensino de qualidade, as condições de salário têm piorado, juntamente com a falta de material pedagógico. Sem recursos didáticos, escolas precárias e sem instalações dignas tanto para professores como para os estudantes, salas superlotadas uma matriz curricular que não atende as necessidades curriculares, os professores estão se desiludindo com a profissão. A escola não atende as demandas da sociedade para a formação das crianças no conteúdo profissional, não atende ao menos as demandas para o desenvolvimento da cidadania7.
O governo lança um olhar divergente sobre professores, principalmente da educação fundamental, às lutas em favor da categoria e pelo reconhecimento do valor de seu trabalho incomoda, criam tensões, dividem opiniões, e por muitas vezes reafirmam a visão deturpada sobre a categoria, julgando-os desmotivados, despreparados, ineficientes. Os professores têm todo direito de reivindicar melhorias, mas muitas vezes o governo não aceita essas reivindicações e acaba tratando os profissionais como marginais, como verificamos em jornais de 2008, quando houve uma greve dos funcionários da educação a polícia militar foi chamada para afrontar os manifestantes (bater, jogar bomba de gás, borrachadas).
A sociedade se divide entre os dois lados, por um lado se choca com a imagem tímida da professora na sala de aula e por outro com a imagem da professora manifestante em um protesto, mas na maioria das vezes aceita a visão negativa e acaba tachando o professor de alienado, sem vontade de trabalhar, porém, não se trata de não querer trabalhar, mas sim de ter o direito de ser reconhecido e valorizado como qualquer outro trabalhador.
A dificuldade que os governos têm de parar logo com as longas greves de professores apesar das famílias se incomodarem com a falta de aulas, é que os docentes mexem com essas convicções morais, éticas, em torno da educação, da infância, e por extensão da dignidade de quem trabalha nesses campos. A sociedade, e a mídia ficam divididas não tanto entre quem tem razão, os governos ou os mestres, mas divididas entre valores e direito”3.
O descaso com a educação não é apenas político, mas também da sociedade como um todo, que como consequência vem recebendo uma educação de qualidade cada
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vez pior. A sociedade possui uma imagem empobrecida da profissão docente, apontam o professor como o principal responsável pela falta de qualidade na educação, os pais jogam nos braços dos professores a responsabilidade total pela educação dos filhos, (moral, comportamental, cognitiva), uma visão desfigurada da verdadeira função do professor.
A imagem que a sociedade faz do professor e que muitos ainda fazem de sua função, transmitir os sabres escolares, ensinar competências e habilidades, preparar para concursos e vestibulares, aplicar provas, dar notas, aprovar ou reprovar, credenciar, atestar para passar de ano, de serie, de nível... tem pouco de profissional e de especifico, qualquer um pode fazer desde que saiba esses saberes seja treinado. Essa imagem tem pouco de pública, pois reproduz e serve a lógica do privado, do mercado8.
O professor não é um técnico, que possui uma função mecanizada, é muito mais que isso, é um formador de opiniões, ele forma cidadãos para o mundo, ao mesmo tempo em que ele ensina, aprende. O processo de ensinar, que implica o de educar e vice-versa, envolve a paixão de conhecer10. É preciso conhecer o aluno, seu contexto social, saber suas dificuldades e as possibilidades. Para isso não é qualquer um que é capaz de fazer sem uma formação e dedicação.
O trabalho do professor não acaba quando o sinal bate para o término da aula, ele continua em sua residência, nas preparações de aula do dia seguinte, nas atividades posteriores, o professor não pode ser comparado como um profissional industrial.
Muitas vezes o próprio professor se desvaloriza perante sua profissão. Desde os anos 70 os docentes começaram a ter uma visão coletiva de sua profissão, e através de lutas, mobilizações sindicais, começaram a construir seus valores, sua identidade, buscaram o reconhecimento de seus direitos. Saíram às ruas, protestaram, mas quando voltam à sala de aula continuam com o mesmo padrão tradicionalista, com as mesmas práticas educacionais, os mesmo modos de vida. Os professores não aceitam uma postura mais aberta dentro da sala de aula, reforçando os velhos valores culturais da profissão. A cultura profissional de uma categoria não se altera enquanto a vida material dos profissionais e as práticas cotidianas e coletivas não se alterarem4. A valorização social depende, antes de tudo, da autovalorização.
Ao longo da história, a profissão docente foi vista como uma profissão feminina, destinada às mulheres, que como mãe teria vocação inata para ensinar, a sala de
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aula, seria uma extensão do compromisso da mulher com a sociedade. Essa situação permitiu que as mulheres fossem colocadas no mercado de trabalho, ocuparam espaço nas salas de aula de educação infantil e ensino fundamental, recebendo salários mais baixos que o dos homens, mas por outro lado contribuiu para a desprofissionalização do magistério e desqualificação do trabalho docente.
O acúmulo de tarefas, as condições precárias de trabalho, a perda de autonomia, a degradação dos salários, e a falta de tempo livre para o desenvolvimento profissional e pessoal e a obrigação de assumir a função que são consideradas obrigação das famílias, são dificuldades encontradas pelos professores para o exercício da profissão, pois, o acúmulo de tarefas os distanciam de suas funções essenciais e equivalem a um esvaziamento da profissão docente.
Todos esses fatores, que têm sido associados à precarização do trabalho docente, repercutindo negativamente na qualidade do ensino e depreciando ainda mais sua imagem pública. Esses fatores tiraram a autonomia do professor, levando à proletarização do trabalho docente, transformando-o em mero executor de tarefas. Tirou o Status Quo da profissão e a igualou as demais profissões proletarizadas, o professor começou a ser igualado a um mero trabalhador que vende sua força de trabalho9. Entende-se que:
“A profissionalização é um processo através do qual os trabalhadores melhoram o seu estatuto, elevam os seus rendimentos e aumentam o seu poder/autonomia. Ao invés, a proletarização provoca uma degradação do estatuto, dos rendimentos e do poder/autonomia; é útil sublinhar quatro elementos deste último processo: a separação entre a concepção e a execução, a estandardização das tarefas, a redução dos custos necessários à aquisição da força de trabalho e a intensificação das exigências em relação à atividade laboral".
Outro fator extremamente relevante que contribui para a desvalorização do trabalho docente são os baixos salários. Em uma reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo no dia 4 de Outubro de 2012, levantamentos realizados por economistas e por agências da ONU e do banco Mundial afirmam que os professores brasileiros em escolas de ensino fundamental têm um dos piores salários de sua categoria em todo o mundo e recebem uma renda abaixo do Produto Interno Bruto (PIB) per capita nacional.
Os professores são constantemente cobrados quanto sua formação, qualificação, mas não veem retorno salarial em cima disto. Podemos ressaltar que a má remuneração é
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uma das causas de falta de interesse pela carreira, os estudantes de hoje preferem carreiras que pagam melhor e que oferecem garantias de crescimento profissional. .
Os professores passam um bom tempo estudando e se preparando para a profissão, mas na hora de buscar salário justo, é um desânimo, e sem falar das grandes batalhas em prol das lutas quase sempre perdidas. Por isso muitos dos profissionais trabalham 30, 40 e até 60 horas semanais, com dois ou três empregos, para poder garantir a sobrevivência e a qualidade de vida dos mesmos, sem tempo para investir em um bom planejamento de aula, investir na sua qualificação e até mesmo sem tempo para família e para momentos de lazer8.
A jornada é desgastante, e infelizmente é a rotina de grande parte dos professores do país. A educação não é levada a sério pela classe política e há uma grande negligência do poder público em reconhecer a relevância da profissão e recompensar com um bom salário, apesar dos recursos financeiros de que o país dispõe.
Houve avanços na legislação assegurando alguns direitos dos professores, como a criação de um piso salarial comum (Lei nº 11.738/08), mas ainda não é o suficiente para sanar os problemas. O Estado de São Paulo, um dos mais ricos e que possui cerca de 230 mil professores em sua rede de ensino, o salário dos docentes ainda é baixo, não há crescimento profissional e falta de incentivo na formação continuada de qualidade, isso afasta os bons e os novos profissionais da rede de ensino. A insatisfação com a remuneração é generalizada, é preciso parar de pensar no magistério como vocação no qual os professores trabalham por amor à profissão e reforçar o conceito de profissionalização, exigindo que seja remunerado com um salário digno, e isso só pode ocorrer com aumento de investimento do poder público na educação.
Os melhores professores, devido às oportunidades salariais foram para a iniciativa privada de ensino, enquanto a rede pública ficou com os profissionais menos gabaritados. Como não tinham profissionais na quantidade e com qualidade suficientes, as escolas passaram a admitir profissionais que não tinham uma preparação adequada, isso fez o salário cair, até chegar à situação que se encontra nos dias atuais3.
A desvalorização salarial, falta de perspectivas de crescimento profissional, péssimas condições de trabalho, superlotação das salas de aula, violência e jornadas de trabalho estafantes está diretamente associada à desvalorização social da profissão.
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Poucas pessoas optam por esta profissão, visto ser marcado por uma história atual de intensos dissabores em todos os aspectos, sobretudo, no que tange ao respeito pelo professor.
O governo sempre procura um culpado para descarregar a deficiência da educação e um dos seus alvos são os próprios professores e os cursos de formação docente (pedagogia), não assumindo as suas responsabilidades para solucionar os problemas na educação.
Há uma grande necessidade de investimento na educação, como ressalta Oliveira (2006), uma jornada não estafante e um processo de formação contínua permanente para os professores. Programas governamentais para melhoria das condições de trabalho e uma revisão do currículo escolar aproximando o aluno e professor realmente do conhecimento que precisam ter na vida social e profissional, também são de extrema importância.
Pode-se considerar que assim como o trabalho em geral, também o trabalho docente tem sofrido relativa precarização nos aspectos concorrentes às relações de emprego. O aumento dos contratos temporários nas redes públicas de ensino, chegando, em alguns estados, a número correspondente ao de trabalhadores efetivos, o arrocho salarial, o respeito a um piso salarial nacional, a inadequação ou mesmo ausência, em alguns casos, de planos de cargos e salários, a perda de garantias trabalhistas e previdenciárias oriunda dos processos de reforma do Aparelho de estado têm tornado cada vez mais agudo o quadro de instabilidade e precariedade do emprego no magistério público11.
As classes multisseriadas são um exemplo claro de que os professores precisam se desdobrar para conseguir lidar com diferentes situações dentro de uma mesma sala. Os professores se perguntam e pensam como realizar um bom trabalho em sala, com todos os alunos motivados, tendo sua vida profissional por um fio e nem se fala na sua vida financeira, pois ficará no mínimo dois meses sem receber, irá perder o planejamento da escola, pois a atribuição de aulas desses contratados acontece após o início do ano letivo. Muitos professores têm enfrentado problemas semelhantes a esses em todo o território nacional, não sendo respeitados nem mesmo nos direitos civil e trabalhista.
Destaca-se também como problematizadora a violência. Os professores no passado eram respeitados por todos, admirados por sua sabedoria. Hoje em dia, constata-se a triste realidade de desrespeito e violência contra os docentes, seja na forma física
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n. 6, p. 40177-40194 jun. 2020. ISSN 2525-8761
como na forma verbal, principalmente para quem trabalha nas periferias das grandes cidades. Os alunos não respeitam e a sociedade não reconhece mais o docente como um ícone importante para a formação da criança e jovem. Assim os professores não conseguem realizar seu trabalho por medo e insegurança9.
As brigas, furtos, desacatos e agressões dentro das escolas começaram a ser considerados casos corriqueiros, sugerindo uma banalização do assunto, de acordo com a APEOESP, no Estado de São Paulo, quatro em cada dez professores da rede estadual já sofreram algum tipo de violência na escola (44%). A principal causa da violência nas escolas é a falta de educação, respeito e valores (valores esses, que deveriam ser ensinados em casa). A falta de valores familiares e falta de correção contribui em muito para a crescente violência contra docentes, os pais são coniventes com o comportamento dos filhos, não há punição ou qualquer tipo de repreensão5.
4 METODOLOGIA
A metodologia utilizada para a criação desse trabalho é a pesquisa descritiva de critério bibliográfico1, por meio de obras e autores que abordam o tema em questão. Foi realizada uma
pesquisa documental, sendo esse modelo de estudo àquele que se realiza através de pesquisas e registro12:
Registro disponível, decorrente de pesquisas anteriores, em documentos impressos, como livros, artigos, teses etc. Utilizam-se dados de categorias teóricas já trabalhadas por outros pesquisadores e devidamente registrados. Os textos tornam-se fontes dos temas a serem pesquisados. O pesquisador trabalha a partir de contribuições dos autores dos estudos analíticos constantes dos textos.
A pesquisa documental é feita por meio de documentações impressas12:
Fonte de documentos no sentido amplo, ou seja, não só de documentos impressos, mas, sobretudo de outros tipos de documentos, tais como jornais, fotos, filmes, gravações, documentos legais. Nestes casos, os conteúdos dos textos ainda não tiveram nenhum tratamento analítico, são ainda matéria-prima, a partir da qual o pesquisador vai desenvolver sua investigação e análise.
Tendo em vista os conceitos que serão apresentados, o presente trabalho apoiou-se em pesquisas documentais, discussões e análise da literatura já publicada em forma de revistas, textos, artigos e livros.
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A revisão da literatura realizada para esse estudo utilizou as bases de dados: Scielo e Google Acadêmico, sendo escolhidas por serem consideradas bases de dados virtuais de referência para publicações de teses, artigos, dissertações e pesquisas1.
Nesta busca, foram envolvidos os estudos que estivessem publicados em periódicos, revistas especializadas ou indexados nas referidas bases de dados, sendo excluídos documentos que apresentassem duplicidade entre as bases, cujo tema não analisasse o objetivo da pesquisa.
5 CONCLUSÃO: OS DESAFIOS E PONTOS POSITIVOS DAS CLASSES
MULTISSERIADAS
Como foi observado ao longo deste trabalho, os problemas na educação acontecem em vários pontos do país. Os pontos anteriormente abordados demonstraram o quão à educação brasileira está degradada e fora de si, no qual os alunos estão cada vez mais rebeldes e os professores desvalorizados, levando em consideração o quanto que trabalham e o tão pouco que recebem.
Ao se tratar das classes multisseriadas há uma peculiaridade, pois como foi dito anteriormente logo na introdução, esta modalidade de ensino é baseada na metodologia de ensino em conjunto, no qual os alunos estão em um ambiente de pessoas com níveis de escolaridade e idade diferentes. Estudiosos afirmam que tal ato é um impasse para a educação de qualidade brasileira, levando em consideração que cada ano escolar deve ter sua própria metodologia de estudo e, ao misturar, faz com que os alunos não consigam alcançar os objetivos esperados pelo Ministério de Educação.
Não se pode julgar os professores que trabalham nessas escolas de modo algum, pois eles são guerreiros que buscam trazer a educação para os mais desfavorecidos pela sociedade. Todavia, a cada dia que passa se torna mais difícil criar abordagens teóricas e práticas que consigam alcançar o entendimento de todos os alunos que estão dentro de uma sala de aula em classe multisseriada.
O ideal para os meios educativos, que é o que ocorre em locais de grande porte e com mais investimento na educação são as classes seriadas, o que deveria ser para todos. No interior dos estados mais pobres, como os Nordestinos, há a ocorrência de muitas classes de cunho multisseriada em razão de não haver investimento por meio político para a criação de escolas com capacidade, verbas e professores o suficiente em prol de uma educação de qualidade.
A visão de classe multisseriada como educação de segundo plano também é aderida por grande parte da população, que muitas vezes matriculam seus filhos longe de sua casa para que possam frequentar classes seriadas, tamanha é a visão equivocada que têm das classes multisseriadas.
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Portanto, em razão do que foi apresentado e discutido ao longo deste artigo, é possível afirmar que as classes multisseriadas muitas vezes são compreendidas colmo sendo um impasse para a sociedade brasileira no meio educativo. Mesmo assim, por mais que haja inúmeros problemas nesse meio, também há pontos positivos. Um desses pontos é a superação que os alunos provenientes de classes multisseriadas passam. Hoje em dia em razão do que é proposto, há muitas pessoas que saíram de lugares pobres, muitas vezes de classes multisseriadas, com o sonho de se formar e com o seu próprio esforço conseguiram, caracterizando a autonomia do aluno. É claro que cada vez mais o Governo Federal deve estar em conjunto com o Estadual para que possam ofertar educação de qualidade para todos. Enquanto isso não é feito, é preciso analisar os meios educativos ideais para que os alunos dessas classes possam enfrentar seus desafios e usufruir da melhor metodologia possível no processo de ensino/aprendizagem.
REFERÊNCIAS
1. GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
2. JACOMINI, M. A.; ALVES, T.; CAMARGO, R. B. Plano Nacional de Educação e remuneração docente: desafios para o monitoramento da valorização profissional no contexto da meta 17. In: Anais 37ª Reunião da Anped. Florianópolis: UFSC 2015. Disponível em: http://37reuniao.anped.org.br/wpcontent/uploads/2015/02/Trabalho-GT05-4065.pdf. Acesso em: 12/09/2019.
3. FACCI, Marilda Gonçalves Dias. Valorização ou esvaziamento do trabalho do professor? Um estudo crítico-comparativo da teoria do professor reflexivo, do construtivismo e da psicologia vigotskiana. Campinas: Autores Associados, 2008.
4. BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases n° 9424/96. Brasília: Senado Federal, 1996.
5. NÓVOA, António. (org). Profissão professor. 2 ed. Porto Alegre, 2009.
6. GASPARINI, S. M.; BARRETO, S. M.; ASSUNÇÃO, A. A. O professor, as condições de trabalho e os efeitos sobre sua saúde. In: Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 31, n. 2, p. 189-199, maio/ago. 2005. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/ep/v31n2/a03v31n2 . Acesso em: 12/09/19.
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7. SINPEEN – Sindicato dos profissionais em educação no ensino municipal de SP. Disponível em < http://www.sinpeem.com.br/home.php> Acesso em 12/09/19.
8. ARROYO, Miguel G. Oficio de Mestre. 10.ed. São Paulo: Vozes, 2009. 256 p.
9. MORAES, D. A. F. de; OLIVEIRA, C. C. de; MARTINS, N. Futuros professores: representações discentes da docência. In: IX Reunião da Anped Sul, 2012. Disponível em: http://www.ucs.br/etc/conferencias/index.php/anpedsul/9anpedsul/paper/viewFile/1777/583. Acesso em: 12/09/2019.
10. FREIRE, Paulo. Professora sim, tia não: cartas a quem ousa ensinar. São Paulo: Editora Olho d'água, 1997
11. OLIVEIRA, E. da S. G. de. O "mal-estar docente" como fenômeno da modernidade: os professores no país das maravilhas. In: Ciências & Cognição, vol.7, 2006, p.27-41. Disponível em: http://www.cienciasecognicao.org/pdf/v07/M31677.pdf. Acesso em: 12/09/2019.
12. SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 23. ed. rev. e atual. São Paulo: Cortez, 2007.