20º CBP: Protocolo Em Cena

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20º ­ CBP: Protocolo Em Cena 

Preencha sempre abaixo do título do campo e não remova os campos que deixar em  branco. A explicação de cada campo, quando existir, deverá ser removida.  Campos marcados com * possuem preenchimento obrigatório.  ­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­  Proponente *  Camila Tyrrell      Federada *  Companhia do Teatro Espontâneo de São Paulo    Título da Vivência *  Teatro Espontâneo    Tema *  Tema livre (escolhido pelo público).    Objetivo *  Participação da Companhia do Teatro Espontâneo no Psicodrama Público do CCSP    Desenho da proposta *  A proposta foi realizar um teatro espontâneo com o público presente no CCSP no dia 23  de março de 2016.      Diretor *  Camila Tyrrell    Egos­atores:  Andreia Freitas, Ângelo Borim, Hélio de Paula, Maíra Lima e Viviane Barreto    Registrador *  Digite o nome da pessoa que registrou o evento.    Local *  Centro Cultural São Paulo   

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Duração (horas) *  2h30  Data de realização *  23/03/2016    Número de Participantes *  89 participantes    Aquecimento *  A diretora iniciou o encontro apresentando a companhia do Teatro Espontâneo  de São Paulo, da qual todos os envolvidos na apresentação fazem parte como  atores e diretores de Teatro Espontâneo, e que alternam a direção a cada  apresentação. Naquele dia, ela dirigiria e os demais fariam o papel de atores  espontâneos.  Convidou todos para realizarem uma inspiração profunda, soltando o ar  de olhos fechados. Pediu que todos pensassem em como havia sido o seu dia  até aquele momento. E quando todos abriram os olhos, solicitou aos atores que  fizessem estátuas corporais com base nos sentimentos deles no momento.  Convidou o público para aproximar­se do palco e observar as esculturas  corporais. Poderiam escolher qual escultura mais se assemelhava com seu  próprio sentimento e se posicionariam ao lado dos atores. Depois a diretora  pediu que assumissem a mesma forma da escultura e experimentassem a  posição da escultura escolhida.  Cinco grupos de esculturas foram formados, representando: (1) abertura  ao novo; 2) curiosidade/inquietude; 3) saudação/cumprimentos 4) alívio e  alegria e 5) cansaço.  A diretora pediu que cada grupo experimentasse um movimento.  Movimentos e sons propostos a partir da posição que se encontravam. Após  cada grupo demonstrar aos demais seus movimentos e sons, os grupos foram  convidados a interagir entre si e depois entre os demais grupos.  Em seguida, a diretora pediu as falas que apareciam em cada grupo e no grupo  “Abertura ao novo” surgiu: “Que chata essa gente que não me deixa fluir; Que 

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me impede de fluir”. Iniciou­se uma sequência de falas e parecia haver um  “desfile de gente”, onde passavam no centro do palco e diziam: “Que gente  chata; Que gente linda; Que gente feia; Que gente fedida; Gente invisível”. Um  participante se posicionou ao centro representando “Gente invisível”. Alguns  disseram: “Que horror!”, “Por que a gente não queima ele?!” Outro tropeçou no  invisível.    Dramatização *  Esta cena transformou­se numa família de moradores de rua, em que o pai  austero deixava a avó cuidando das crianças pequenas enquanto ia tentar  conseguir um trabalho. As crianças mamavam nos peitos da avó que dizia  estar já sem leite. Ouvia­se: “Eu adoro mamar no peito!, Aqui é mais fácil e  quentinho”.   A cena foi se transformando e num dado momento encontravam­se  vários mortos que haviam tomado um café “envenenado”, mas todos  conversavam entre si e explicavam os motivos de suas mortes (vale referenciar  que o dia 26/3/16 se tratava do sábado de aleluia).  Seguindo, um participante subiu ao primeiro andar do teatro e de lá,  falava se tratar do diabo que veio para ver todos que estavam ali. Os  participantes reconheceram o participante no primeiro andar mas negaram­o  como diabo e elegeram um outro a seu lado como sendo o verdadeiro. Alguns  outros subiram e se posicionaram ao lado do “verdadeiro” diabo para tirar selfs  e entrevistá­lo. Foram feitas perguntas como: “Qual seria a relação do diabo  com Hades”. A resposta foi que Hades se tratava de seu assistente. Outra: “Se  o senhor cair o Aécio assume?” Este não obteve resposta. Outra: “O horror que  estamos vivendo é coisa do senhor ou de Deus?” Resposta do personagem  diabo: “É coisa dos homens” (risos e aplausos).  Deixando de lado o diabo, voltaram ao centro do palco e outro  participante gritou pedindo para falar com Deus, mas este não apareceu.  Duas personagens específicas permearam as cenas durante toda a  apresentação. Um foi o garçom que servia o café aos presentes e outra foi a  agricultora que plantava para “que todos pudessem comer quando voltassem”. 

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Surgiram outros diversos temas: morte, sexo, vazio, inferno,  inconsciente, conflitos familiares e estupro. Destaca­se que quando apareciam  cenas simultâneas e a diretora pedia que elas fossem escolhidas ou se  integrassem, a escolha pela integração culminava na volta dos mortos em  cena, todos posicionando­se no centro do palco. Isso aconteceu quatro vezes.  Uma fala de uma pessoa da plateia após esta dinâmica específica foi: ­Eu  queria entender porque toda vez que se pede a integração das cenas todos  morrem? Será que é só assim que nós podemos conviver juntos? Morrendo?  Houveram várias participações e manifestações de falas e interferências  nas cenas por parte das pessoas que se encontravam no palco, na plateia  inferior e na plateia superior. O público estava bem envolvido com a história.  No final da sessão o teatro espontâneo encerrou com uma dicotomia  entre pessoas que se juntaram numa corrente dizendo que juntos eram mais  fortes, em outra ponta pessoas se sentindo oprimidas e um outro elemento que  se dizia o espelho da corrente e seu movimento era de um animal selvagem,  demostrando a agressividade da corrente.    Compartilhamento *  Ao final, no compartilhar de sentimentos e impressões, grande parte da plateia  falou da liberdade propiciada naquele encontro, que as tocaram. Foi  questionado o veto das fotos e vídeos, cujo pedido foi feito no início do trabalho  para evitar o incômodo que ocorreu na última sessão do Psicodrama Público,  por parte de alguns participantes.    Processamento  Detalhe aqui como foi conduzida a etapa de Processamento, caso houve.      Principais resultados e desdobramentos relacionados ao tema “Soluções em  Tempos de Crise” *  Nas duas semanas que antecederam o encontro, milhares de pessoas participaram de  manifestações pró e contra o Impeachment de Dilma Russef. Os ânimos estavam 

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mexidos e este era o sábado de aleluia, cujo momento cultural cristão é a malhação do  Judas, conhecido culpado por entregar Jesus a Poncio Pilatos.  O tema protagônico foi a busca pela tentativa de esclarecimento para o momento de  crise vivido pelos brasileiros. Os participantes estavam em busca de explicações sobre a  culpa, se de Deus ou do Diabo, de se encontrarem em situação tão tenebrosa, onde  miseráveis tornam­se mais miseráveis, onde os desvalidos e “invisíveis” encontram­se  cada vez mais as margens da sociedade, onde as gentes não se reconhecem ou respeitam  e onde a solução por muitas vezes encontrada para a interconexão foi a escolha pela  morte de todos os envolvidos. Atores e plateia se dedicaram na tentativa de criar cenas  que pudessem esclarecer uma causa principal mas a somatória das variáveis  apresentadas culminava no retorno à ma estaca zero.  O ponto alto foi um estupro de um cadáver, que após o ato se levantou e repetiu por  várias vezes: ­ Eu fui estuprada.  Esta fala repetida foi um convite a que os demais atores em cena se condoissem e a peça  foi chegando ao seu final. O grupo maior que acolheu a vítima se construiu de braços  dados, estruturado como uma parede, onde ressoava forte a fala: ­ todos juntos somos  mais fortes. A maioria dos atores participantes se uniram a esta corrente, mas dois  outros se posicionaram contrários, um recusando­se a definir uma posição e outro  espelhando a agressividade proposta pelo cordão dos fortes.  O trabalho propiciou uma reflexão cênica sobre vários pontos da crise vivida no país e  permitiu um chamado à responsabilidade de cada um frente só momento presente.     Principais pontos teóricos e técnicos utilizados durante a intervenção *  Tecnicamente a apresentação seguiu as etapas do psicodrama, com aquecimento  dramatização e compartilhar, estando presentes os instrumentos do psicodrama:  protagonista (eu coletivo), palco, diretor, ego auxiliar e plateia.  Foram utilizados iniciadores físicos e mentais bem perceptíveis durante o aquecimento.  As intervenções realizadas pela diretora focaram privilegiar a escolha do grupo pela  construção e elaboração das cenas e expressão das falas. Foi possível observar  solilóquios, intervenções no sentido de limpar as cenas e definir com os atores e plateia  o caminho a seguir.  

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  As referências teóricas que embasaram o trabalho foram:  Aguiar, Moysés, Teatro Espontâneo e psicodrama, São Paulo, Ágora, 1998.  Aguiar, Moysés, Teatro da anarquia: um resgate do psicodrama, Campinas, SP, Papirus,  1988.  Moreno, Jacb Levy, O teatro da espontaneidade; [tradução de Maria Sílvia Mourão  Neto] – São Paulo: Summus, 1984.   

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