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A EXPANSÃO DO PROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSAS DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIA

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Academic year: 2021

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INICIAÇÃO À DOCÊNCIA

Gabriela da Fontoura Rodrigues Selmi- Mestranda PPGEDU-UFRGS Flávia Maria Teixeira dos Santos- Professora PPGEDU UFRGS

RESUMO: Este trabalho apresenta demanda de professores no Brasil, indicados pelas pesquisas da Fundação Carlos Chagas (2010) e pelo INEP (2012). Diante desse quadro, o Governo Federal lançou o Plano de Desenvolvimento da Educação em 2007 que além de apresentar um diagnóstico dos problemas educacionais estabelece as ações a serem tomadas para a mudança do quadro educacional atual. O presente trabalho trata sobre uma das ações implementadas pelo MEC, o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência abordando a formação inicial de professores, a partir de uma nova perspectiva política do Brasil e do mundo: a valorização dos professores através de uma formação inicial qualificada. Será apresentada a evolução do PIBID desde o primeiro edital em 2007 até seu último edital, lançado em agosto de 2013. A pesquisa foi feita a partir da análise de documentos disponibilizados pelo Governo Federal e pela Capes. A análise documental revelou que houve um expressivo aumento relativo ao número de bolsistas (licenciandos, professores supervisores – rede pública de ensino, professores coordenadores – IES) de aproximadamente 1.600%, aos recursos utilizados na execução do Programa, que chegou a 1.000% e na quantidade das IES esse aumento foi de 453% e referente as escolas da rede pública participantes o aumento ultrapassou os 1.500%, no período de 2009 a 2012. Esses dados indicam a necessidade de acompanhamento e avaliação do Programa, mas as políticas de acompanhamento e avaliação são indicadas ainda como metas a serem alcançadas pela Diretoria de Formação de Professores da Educação Básica.

PALAVRAS-CHAVE: PIBID, Formação de Professores, Valorização profissional.

Problemática

O presente trabalho tem o objetivo de apresentar a expansão do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência, lançado pelo MEC em 2007 como uma das ações do PDE, contextualizando o quadro político-educacional e a importância desse Programa na valorização da formação de professores. Será relatada a expansão referente ao número de bolsistas, aos recursos utilizados e ao número de IES e escolas públicas atendidas, no período de 2009 a 2012.

Desenvolvimento

Uma pesquisa realizada em 2010 pela Fundação Victor Civita- FVC mostra que o Brasil já experimenta as consequências do baixo interesse pela docência. Segundo as estimativas do INEP, apenas no Ensino Médio e nas séries finais do Ensino Fundamental o déficit de professores com formação adequada à área que lecionam

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chega a 710 mil. Segundo a FVC (2010) a profissão docente no Brasil possui baixa atratividade, é desvalorizada socialmente é desgastante e mal remunerada.

Em virtude dessa situação o Governo Federal em 2007 lançou o Plano de Desenvolvimento da Educação - PDE que além de apresentar um diagnóstico dos problemas educacionais estabelece as ações a serem tomadas para a mudança do quadro educacional atual. O documento reconhece as conexões intrínsecas entre educação básica, educação superior, educação tecnológica e alfabetização e busca promover a articulação entre as políticas especificamente orientadas a cada nível, etapa ou modalidade e, também a coordenação entre os instrumentos de política pública disponíveis.

O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência

O PIBID nasceu com o propósito de suprir as demandas da educação brasileira que foram apontadas anteriormente. Objetiva incentivar a formação de professores para a educação básica, especialmente para o ensino médio. No seu primeiro edital, no ano de 2007 havia prioridade aos projetos que atenderiam as áreas mais deficitárias de professores no Brasil. Contudo, os primeiros resultados positivos do Programa das políticas de valorização do magistério e o crescimento da demanda, a partir de 2009, o programa passou atender toda a Educação Básica, incluindo a educação de jovens e adultos, a educação indígena, a educação do campo e quilombolas. Atualmente, a definição dos níveis a serem atendidos e a prioridade das áreas são decididas pelas instituições participantes, verificada a necessidade educacional e social do local ou da região. (BRASIL, 2012)

O programa visa à valorização do magistério, incentivando, com bolsas de estudo e com reconhecimento da profissão, os estudantes que optam pela carreira docente, os Supervisores – que são professores da Escola Básica e os Coordenadores e Gestores da Instituição de nível superior. O Edital refere-se também a dar prioridade aos Projetos que privilegiem, como bolsistas, alunos oriundos da rede pública de educação básica ou com renda familiar per capita de até um salário-mínimo e meio.

O PIBID é um programa que está articulado com a Educação Básica estimulando a interação entre professor universitário-professor da escola-professor em formação, o que busca uma sólida formação docente inicial e como consequência direta promove a melhoria da qualidade da educação básica, conforme mostra a figura 1. Metodologia do trabalho

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O método estudo de caso foi utilizado para realizar a análise documental, relativa a documentos oficiais, como Editais CAPES (2008) e Relatório de Gestão – CAPES – (2011 e 2012). As categorias para análise da expansão do Programa são relativas ao crescimento do número de bolsistas e número de IES e escolas da rede pública participantes bem como a quantidade de recursos disponibilizados pelo Governo Federal.

Evolução do PIBID – do edital 2007 aos dias de hoje

O quadro 1 apresenta o crescimento do número de bolsistas dos editais de 2007 ao edital de 2012. O número de bolsistas, do primeiro ao último edital encerrado no ano de 2012, teve um crescimento de aproximadamente 1600%. Fica evidente o interesse do Governo Federal em investir no Programa e dar continuidade na política educacional que esta sendo implementada.

No ano de 2010, houve uma evolução entre o público contemplado. O MEC abriu um edital específico direcionado a alunos da Licenciatura em Educação do Campo e Educação Indígena, chamado de Edital diversidade. Essa medida garante que o Programa não fique restrito aos grandes centros urbanos levando o incentivo da formação inicial e da valorização da profissão docente para todos os públicos do país.

A partir do ano de 2011, foi lançada uma nova modalidade de bolsa de participação do Programa - a bolsa de coordenação de gestão. Segundo o Relatório de Gestão (2012), essa modalidade foi criada para suprir a demanda da Gestão Pedagógica dos Projetos e Subprojetos de cada IES, já que o Coordenador Institucional é encarregado de coordenar a parte burocrática das IES.

A leitura do gráfico 1 permite verificar o aumento do número total de bolsas, por edital e por IES. Na configuração atual, podem participar do PIBID instituições públicas de Ensino Superior – Federais, Estaduais e Municipais - e Instituições Comunitárias, Confessionais e Filantrópicas, Privadas sem fins lucrativos, participantes de programas estratégicos do MEC, como o REUNI, o ENADE, o Parfor e UAB, o que define são os editais. O gráfico 2 abaixo mostram a distribuição das IES x Escola Pública, conforme os Relatórios de Gestão de 2011 e 2012, respectivamente.

Conforme o Relatório de Gestão 2009 – 2011 da Diretoria de Educação Básica – DEB, a alteração das portarias que regulamentavam o PIBID pelo Decreto 7.219/2010 mostrou interesse do MEC e institucionalizar o programa e dar continuidade na agenda das políticas públicas educacionais. A proposta é que o PIBID, a exemplo do Programa

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Institucional de Bolsa de Iniciação Científica – PIBIC, que valorizou a ciência nas universidades, seja uma política de Estado de valorização à docência.

O gráfico 2 permite uma análise sobre o aumento do número de IES participantes. Hoje existem 146 instituições, distribuídas em Federais, Municipais, Estaduais e Comunitárias. Um avanço significativo, de aproximadamente 400%, se comparado as 37 Instituições participantes do Edital 2007.

A relevância dos números deve ser considerada, pois existem 146 instituições, distribuídas em todo o país, pensando e refletindo sobre o processo de formação inicial. Esse movimento já torna intrínseco o processo de valorização da profissão.

O quadro 2 apresenta a evolução dos recursos executados, a partir do primeiro Edital 2007. Se compararmos os gastos investidos, houve um aumento de mais de 1000% e podemos afirmar que o Governo Federal está investindo e valorizando o Programa. A evolução dos recursos orçamentários do PIBID indica uma conquista. Em 4 anos de existência do Programa o investimento aumentou mais de dez vezes. Se compararmos ao PIBIC, esse crescimento só foi alcançado depois de 20 anos de existência do Programa.

Encerra-se essa breve análise reiterando que o PIBID é implementado em um momento de incertezas quanto à profissão docente, onde a procura e o número de docentes formados não acompanham a demanda necessária para o Sistema Educacional, mas que é um incentivo e uma valorização nos diferentes espaços onde acontece a formação de novos profissionais da educação.

Salienta-se a importância da criação de uma política de acompanhamento e avaliação para o PIBID, garantindo o funcionamento, conforme aprovação de seus respectivos editais, dos projetos e subprojetos de todas as IES participantes. Os documentos analisados, embora mencionem a importância da criação de uma política de avaliação, não estabelece prazos e não apresentam indicadores de qualidade que justifiquem a expansão extremamente elevada em um intervalo de tempo restrito.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Ministério da Educação. Diretoria de Formação de Professores da Educação Básica-DEB. Relatório de gestão 2009-2011. (2011)

BRASIL. Ministério da Educação. Diretoria de Formação de Professores da Educação Básica-DEB. Relatório de gestão 2009-2012. (2012)

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GATTI, B. A. et al. Atratividade da carreira docente no Brasil. In: Fundação Victor Civita. Estudos e pesquisas educacionais. São Paulo: FVC, 2010, v. 1, n. 1.

Figura 1

Figura 1 – Articulação entre os diferentes níveis de Ensino

Fonte: Elaborada pelos- autores a partir da leitura dos Editais 2007 e 2009. Quadro 1: Números de Bolsas editais 2007 a 2012

Fonte: Relatório de Gestão CAPES 2009-2012 – adaptado pelos autores. Gráfico 1

Pibid: Evolução do número de bolsas – todos os editais

Fonte: Relatório de Gestão 2009-2012

Gráfico 2

Gráfico 2 Pibid: Evolução do número de IES e escolas, 2009 – 2012

Fonte: Relatório de Gestão 2009-2012

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Referências

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