FORMAÇÃO PELA ESCOLA: concepção, características e gestão
Maria Lucia Cavalli Neder
Introdução
O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE – é uma autarquia do MEC, que tem como responsabilidade principal executar as transferências automáticas e voluntárias de recursos públicos.
O modelo operacional de transferência dos recursos para os Estados, Municípios e Distrito Federal requer uma boa capacidade de execução por parte dos estados e municípios, além de um fortalecimento dos canais de controle, por meio dos conselhos, que exercem o controle social da aplicação dos recursos.
Os operadores tanto da gestão quanto do controle necessitam de capacitação especial para o desempenho das suas atividades e tal qualificação pode ser realizada, com mais eficácia, por meio da educação a distância, tendo em vista que é necessário atingir o universo dos 26 estados, do Distrito Federal e dos 5.561 municípios.
O FNDE, até o presente momento, fez a formação das pessoas envolvidas no seu programa de forma presencial, enviando técnicos aos municípios e aos Estados.
Mas, considerando o tamanho do nosso País e da quantidade de Estados, Municípios e pessoas a atender, levantamse as seguintes questões: Obviamente a sua resposta à primeira e à segunda questão foi NÃO. Assim também pensam o FNDE e a Secretaria de Educação a Distância (SEED) do MEC. Uma alternativa, então, vislumbrada como possível, seria realizar essa formação na modalidade a distância. É possível atender a todos os 26 Estados, o Distrito Federal e os 5.561 municípios do país que participam dos Programas do FNDE, de forma presencial? O número de técnicos do FNDE seria suficiente para atender toda a demanda? Como fazer para capacitar todas as pessoas envolvidas em programas do FNDE?
1. Concepção do Programa
O FNDE, então, em parceria com a SEED/MEC, criou o PROGRAMA NACIONAL DE FORMAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA FORMAÇÃO PELA ESCOLA.
A principal razão é a instauração de um processo de gestão democrática em que várias instâncias executivas nos níveis estaduais e municipais, além da sociedade civil organizada, possam participar efetivamente da execução e do controle social dos recursos públicos.
MEC e FNDE estão preocupados com a formação das pessoas responsáveis pela execução de seus programas. Qual a razão disso?
Em síntese, a finalidade do Formação pela Escola é constituirse em espaço para que a comunidade educativa conheça melhor os programas do FNDE, participe ativamente deles e avalie a execução dos mesmos.
Por esta razão, mediante a criação do FormAção pela Escola, o MEC elege como finalidade primordial a formação dos sujeitos que atuam em cada um dos Programas desenvolvidos pelo FNDE, a saber:
Programa Dinheiro Direto da Escola – PDDE
Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE Programa Nacional de Transporte do Escolar – PNATE Programas do Livro – PLi
O FNDE espera que esses programas não somente sejam eficazes, mas, sobretudo, significativos, isto é, que contribuam efetivamente para a melhoria da educação e das condições de vida de milhões de cidadãos que diariamente freqüentam os espaços escolares.
De que maneira?
Mediante o oferecimento de cursos a distância modalidade adequada para formação de grande contingente de pessoas em todos os Estados, Municípios e Distrito Federal do País – o FNDE e a SEED esperam formar pessoas para atuar em todos esses programas.
Vejamos, agora, quem se constitui o públicoalvo dos cursos que serão oferecidos através do FormAção pela Escola, dos quais você será tutor (a) e, ainda, quais são os seus objetivos.
PÚBLICOALVO
Gestores, técnicos, conselheiros, professores, merendeiras, pais de alunos e representantes da comunidade que estejam envolvidos ou queiram participar do controle social dos programas geridos
Objetivo geral
Contribuir para o fortalecimento da atuação dos agentes e parceiros envolvidos com execução, acompanhamento e avaliação de programas e ações desenvolvidos no âmbito do FNDE.
Para o desenvolvimento dos cursos para capacitação dos gestores de cada um desses programas, em bus Objetivos Específicos
Do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE)
Ø Fornecer informações básicas necessárias à compreensão do programa e de sua forma de operacionalização, de modo a colaborar com as comunidades locais e escolares para o desenvolvimento de projetos participativos, de princípios democráticos, no sentido de promover o desenvolvimento do controle social dos recursos públicos destinados ao PDDE. Do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE)
Ø Contribuir para a formação de gestores que possam atuar não só na busca de garantia da alimentação escolar de qualidade e em quantidade suficiente a todos os alunos, mas também na formação de hábitos alimentares saudáveis no contexto escolar. Visa estimular o exercício do controle social, de modo a elevar a qualidade da gestão desse programa. Do Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar (PNATE)
Ø Levar o cursista a ampliar sua compreensão em relação à dimensão política dos programas de transporte do escolar; conhecer a dinâmica do programa em seus diferentes aspectos de gestão; identificar os procedimentos contábeis do programa e compreender a importância do acompanhamento e do controle social do PNATE.
Dos Programas do Livro (PLi)
Ø Estimular a participação da comunidade escolar no processo de decisão de escolhas, reutilização, conservação e remanejamento dos livros, de modo a ampliar o acesso aos recursos disponíveis e fortalecendo a gestão democrática da escola pública.
Em outras palavras, o Programa FormAção pela Escola, oferecido na modalidade a distância, possibilitará a formação de um grande contingente de gestores para os diversos programas do FNDE, atingindose o maior número possível de Estados e Municípios.
Então, para finalizar este item, reforçando o que foi dito sobre a concepção do Programa, podemos perguntar:
Por que o oferecimento do Programa FormAção pela Escola na modalidade a distância?
Porque:
A
educação a distância (EAD)
ultrapassa as barreiras geográficas através de práticas educacionais desenvolvidas com tecnologias de informação e comunicação TICs.Por meio da EAD é possível disponibilizar a cursistas em todo o país e a qualquer momento grande quantidade de informações.
Assim, o FNDE poderá tornar mais eficaz o processo de capacitação e a divulgação de seus programas e ações.
2. Dimensão Política do Programa
Você está, com este curso, preparandose para atuar como tutor (a) desse programa e a sua participação é essencial para a garantia da democratização do acesso ao processo de formação dos futuros cursistas.
Assim, considerando que um tutor deve começar sua atuação pelo conhecimento do Programa em que atuará, propomos, a seguir:
Discutir a dimensão política do Programa FormAção pela Escola
Gostaríamos de começar a discussão da dimensão política do Programa FormAção pela Escola, chamando a atenção para duas questões que julgamos fundamentais para quem desenvolve atividades de EAD.
A primeira delas diz respeito à sua essência. Quando se discute essa modalidade, geralmente as pessoas colocam sua atenção primeira no aspecto relativo ao seu modo de organização, que
possibilita, por exemplo, que a relação entre professor e aluno não se dê, necessariamente, facea face.
A segunda diz respeito ao uso das novas tecnologias como recurso para que o processo de interação entre os sujeitos da prática educativa possa ocorrer.
Embora essas questões sejam importantes para a compreensão dessa modalidade, elas não são a sua essência. A essência, e chamamos a atenção para isso, é ser uma modalidade de desenvolvimento da EDUCAÇÃO.
Nesse sentido, ao pensarmos na educação a distância, devemos desviar o foco de nossa atenção:
DO ADJETIVO (DISTÂNCIA)
É isso mesmo, antes de pensarmos no modo de organização e desenvolvimento de um curso que terá como uma de suas características básicas a nãopresencialidade dos sujeitos da prática educativa, e que, por isso mesmo, exige uso de tecnologia de comunicação, é importante que tenhamos sempre presente que estamos participando de um processo educativo.
O substantivo, isto é, a essência primeira é a EDUCAÇÃO. Isso implica que, além da dimensão da formação profissional ou instrumental, de qualquer projeto, há a dimensão política, relativa à formação do cidadão crítico, participativo, responsável pela construção da sociedade em que vive.
Dessa forma, ao se trabalhar com a EAD, não podemos reduzir nossa compreensão apenas a aspectos ligados ao uso de tecnologia ou, ainda, ao fator da nãopresencialidade entre professor aluno. É importante estarmos atentos à sua dimensão política, isto é, conscientes de que, com nossas ações, estamos contribuindo não só para formação de pessoas que atuarão no mundo do trabalho, mas também e, sobretudo, para a formação do cidadão.
No caso do Programa FormAção pela Escola, sua dimensão política está nos seus objetivos centrais que são:
Ø formar maior número possível de pessoas para o desenvolvimento, o acompanhamento e a avaliação dos programas desenvolvidos pelo FNDE;
Ø fortalecer a gestão democrática dos programas, qualificando pessoas para exercerem o controle social dos recursos disponibilizados pelo MECFNDE.
Levando em conta essa dimensão política do Formação pela Escola, é importante realçar que, ao trabalhar em um programa de EAD, você estará desenvolvendo também uma ação política e que, com essa sua ação, estará possibilitando participação crítica, responsável e democrática na gestão dos recursos públicos.
A ação política é realçada também em termos da possibilidade que essa modalidade oferece em atendimento a um maior número de pessoas, com ampliação dos espaços de atendimento, favorecendo, assim, uma maior democratização do acesso ao saber.
Pois é, é importante que você reflita um pouco mais sobre o que acabou de ler, antes de seguir para o nosso próximo item de estudo, onde veremos como se estrutura a gestão do FormAção pela Escola.
3. Estrutura de gestão do Programa
No processo de gestão dos cursos do FNDE vamos encontrar três níveis de responsabilidades: o municipal, o estadual e o nacional.
O Município e/ou o Estado indicarão pelo menos um educador para exercer a função de tutor, que será responsável pela articulação, capacitação, acompanhamento, monitoramento e avaliação dos trabalhos desenvolvidos nos cursos do FormAção pela Escola, no âmbito do município, ou das cidades coligadas. Cada tutor acompanhará aproximadamente 40 participantes.
Você já tinha pensado sobre a Educação a Distância nessa perspectiva? Você tinha em mente essa dimensão política na ação educativa? E em termos da dimensão dos
Cabe ao Tutor, em articulação com o Município e com o Estado, organizar a Fase Presencial do curso, indicando local e infraestrutura adequados a sua realização.
O Estado será responsável pela articulação, capacitação dos tutores, acompanhamento, monitoramento e avaliação do Programa no âmbito estadual.
No nível nacional, encontrase a Coordenação Nacional do FormAção pela Escola, integrada por equipes do FNDE e da SEED. Nesse nível, são formuladas as diretrizes para implementação do programa, são elaboradas as estratégias de execução e são feitos o acompanhamento, monitoramento e avaliação dos resultados, além da produção de materiais e administração financeira.
O tutor ou conjunto de tutores em cada município compõe, dentro da estrutura de gestão do FormAção, o nível “Tutoria do Formação”.
Os membros da equipe que executará as ações citadas acima em cada Estado compõem, dentro da estrutura de gestão do FormAção, o nível “Coordenação Estadual”.
Você deve estar pensando: Puxa, quanta gente envolvida nesse trabalho...
Veja, então, no organograma abaixo, como se estrutura o processo de gestão do Programa Formação pela Escola.
3.1. Níveis de Gestão
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E quais são as atribuições e responsabilidades em cada um desses níveis de gestão no Programa?
Vejamos:
Ø A Coordenação Nacional
A Coordenação Nacional será integrada por um Coordenador do FNDE, um Coordenador da SEED e uma equipe técnica formada por servidores desses dois órgãos. Cabe a essa coordenação, prioritariamente, capacitar, acompanhar, monitorar e avaliar os trabalhos desenvolvidos pelas Coordenações Estaduais do Programa.
Principais atribuições da Coordenação Nacional
ü participar ativamente da elaboração do projeto de curso do Programa, bem como do seu material didático e das propostas de capacitação dos envolvidos;
ü disponibilizar material de apoio sobre o PDDE, PNAE, PLi, PNATE, bem como toda e qualquer informação necessária à elaboração do material didático do FormAção;
ü apresentar o Programa aos Secretários Estaduais e Municipais de Educação, solicitando a sua adesão;
ü articular a liberação das equipes estaduais para o serviço de Coordenação de Tutoria estadual do Programa;
ü realizar a coordenação administrativa e financeira do Programa (administração das equipes e dos recursos financeiros: licitação de empresas para produção do material impresso e dos vídeos; custear gastos gerais de passagem aérea, hospedagem e alimentação dos participantes nas capacitações);
ü organizar, acompanhar, monitorar e avaliar o Curso de Formação para os tutores do Programa;
ü realizar pesquisa avaliativa sobre o Formação pela Escola, propondo reformulações pertinentes. Ø Coordenação Estadual Uma outra instância na gestão do FormAção é A COORDENAÇÃO ESTADUAL. Como se estrutura essa coordenação? Quem indica essa coordenação? Quais são as suas principais atribuições?
Veja as respostas a essas perguntas:
As atividades de apoio ficarão sob a responsabilidade de uma Coordenação Estadual do Programa, indicada pela Secretaria Estadual de Educação de cada um dos Estados participantes do Programa FormAção pela Escola.
Essa coordenação deverá, preferencialmente, integrar a Coordenação de Educação a Distância Estadual e ser apoiada pelas equipes e responsáveis pelo Programa TV Escola.
Caberá à Coordenação Estadual do Programa a capacitação, acompanhamento, monitoramento e avaliação dos trabalhos desenvolvidos pela Tutoria Municipal, bem como fornecer assistência técnica para a solução de dúvidas e de questões complexas que não puderem ser resolvidas com os recursos disponíveis.
Os responsáveis pelos Programas desenvolvidos pelo FNDE nos Estados exercerão a função de especialistas em conteúdo e apoiarão técnica e institucionalmente a equipe estadual do Programa.
Principais atribuições da Coordenação Estadual
ü participar das Reuniões Técnicas do Programa;
ü definir o Plano de Ação para a implementação do Programa, fazendo os ajustes necessários e adequando a proposta apresentada à realidades dos estados;
ü definir a equipe de Orientadores Estaduais, sendo preferencialmente servidores ligados à TV Escola e ao Proinfo;
ü articular entre si os agentes envolvidos com o FormAção no Estado, incluindo os responsáveis pelos Programas do FNDE;
ü articularse com os prefeitos municipais, apresentando o Programa e construindo parcerias;
ü promover divulgação do Programa, destacando seus objetivos e critérios de participação;
ü realizar encontros e/ou visitas aos municípios, após definida a Tutoria Municipal, explicando o Programa, sua natureza, funcionamento, metodologia;
ü apoiar tecnicamente o período de inscrição do curso;
ü propor, junto aos Orientadores Estaduais e à Tutoria Municipal, a melhor estratégia para a realização da fase presencial;
ü disponibilizar infraestrutura de equipamentos (TV, vídeos, parabólicas, computadores internet) e comunicação (fone, fax, correio eletrônico);
ü apoiar técnica e institucionalmente os eventos realizados nos Estados, em especial a fase presencial do curso;
ü acompanhar, monitorar e avaliar o trabalho dos Orientadores Estaduais, propondo encaminhamentos e soluções possíveis no processo de implementação do Programa; ü monitorar a implementação do Programa, no ambiente SIFE WEB, incorporando
informações solicitadas;
ü apoiar a pesquisa avaliativa do programa, propondo reformulações pertinentes.
ü elaborar um plano de acompanhamento pedagógico do sistema de Tutoria Municipal.
Ø Tutoria Municipal
Este é o nível de gestão que você integra. Ele corresponde ao apoio aos cursistas realizado pelos tutores do FormAção, selecionados e preparados para desempenhar funções voltadas ao desenvolvimento do programa.
Na Unidade III deste Módulo de estudo, você verá detalhadamente as questões que envolvem ser um tutor: o que é, que papel desempenha e quais as atribuições no contexto do FormAção pela Escola.
Após conhecermos as atribuições e responsabilidades de cada uma das instâncias que participam do processo de gestão do Programa, é hora de conhecermos a dinâmica de funcionamento do Programa FormAção pela Escola. Então, vamos para a Unidade II!