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Verificação do lactato e Vo2máx após teste de esforço máximo em atletas de Rugby Sevens e Fut6 feminino

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Academic year: 2021

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VERIFICAÇÃO DO LACTATO E VO2máx APÓS TESTE DE ESFORÇO MÁXIMO

EM ATLETAS DE RUGBY SEVENS E FUT7 FEMININO

Maria Gabriela Graf

Resumo: O treinamento físico do esporte de alto rendimento é mais efetivo quando

prescrito a partir de testes físicos, em que a fadiga muscular e a capacidade aeróbia são os grandes fatores limitantes do desempenho. O Rugby Sevens e Fut7 são dois esportes de característica física intermitente e de grande gasto energético. Por envolvimento pessoal com as modalidades, escassez do tema abordado e contribuição para a área, justifica-se a pesquisa a ser realizada. O objetivo geral foi verificar o nível de lactato após o teste de esforço máximo Yoyo Recovery Intermittent(level1) em atletas de Rugby Sevens e Fut7 feminino em Florianópolis e, em seguida, comparar seus resultados. Foi uma pesquisa de campo de natureza aplicada, com abordagem quantitativa. Participaram da pesquisa as atletas da equipe feminina principal de Rugby Sevens do Desterro Rugby Clube (8 atletas) e as atletas da equipe feminina principal de Fut7 do Paula Ramos/Veneno Clube (10 atletas) com idades entre 18 e 36 anos. Foram utilizados os instrumentos: Yoyo Recovery Intermittent(level1) e o Lactate analyzer (YSI Model 2700 Sport; YSI, Yellow Springs, OH). O teste foi realizado em 4 baterias e cada participante que terminou submeteu-se imediatamente a coleta de sangue. A análise dos dados foi feita inter e entre modalidades por meio da estatística descritiva, média com desvio padrão. Os resultados obtidos foram a média de VO2máx para a equipe de Rugby Sevens de 41,8 ml/kg/min e para o Fut7 de 40,4 ml/kg/min, a média de acúmulo de lactato foi de 12,68 mols/L e 9,46 mols/L, respectivamente. Conclui-se que a equipe de Rugby Sevens, atingindo valores maiores de lactato e VO2máx, sugere uma maior tolerância ao ácido láctico em intensidade de cargas altas, devido, provavelmente, aos valores de VO2máx elevados quando comparados à equipe de Fut.

Palavras-chave: lactato; VO2máx; Rugby; Fut7; Yoyo Recovery Intermittent

Artigo apresentado como trabalho de conclusão de curso de graduação da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Educação Física). Orientador: Prof. Erasmo Paulo Miliorini Ouriques, Ms. Palhoça, 2017.

Acadêmico (a) do curso de Educação Física da Universidade do Sul de Santa Catarina. Endereço eletrônico: grafmgabriela@gmail.com.

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1 INTRODUÇÃO

O treinamento físico gera adaptações orgânicas nos sistemas fisiológicos aumentando a aptidão física do atleta. Qualquer que seja a atividade física, o organismo necessita de uma fonte de energia. As fontes que não utilizam oxigênio geram energia para atividades de curto tempo, como atividades de alta velocidade e de potência. Já as fontes que necessitam de oxigênio são geradas mais lentamente, essas em atividades aeróbias (McARDLE, 2003; GUYTON, 2008).

O exercício de alta intensidade prolongado causa grande acúmulo de lactato na musculatura causando fadiga e, em alguns casos, a interrupção da atividade por incapacidade. O planejamento de treinamento aeróbio normalmente provém de testes físicos que mensuram VO2máx e lactato (causador da fadiga), dados importantes para prescrição da intensidade e volume do exercício (BOMPA, 2002; McARDLE, 2003; GUYTON, 2008).

A divisão de desportos em categorias se dá à similaridade de suas exigências de desempenho: objetivos de treinamento, demandas similares fisiológicas e nas habilidades do desporto em si. O Rugby e o Futebol estão no mesmo grupo em que incluem os esportes coletivos e aqueles individuais que se colocam em disputa com adversário e, onde os atletas devem possuir capacidade aguçada de tomar decisões rapidamente diante de situações complexas de jogo que se modificam continuadamente (BOMPA, 2002).

Esporte de origem britânica e de muito contato físico intenso, o Rugby é jogado com 15 jogadores e por maior parte do tempo com as mãos e com eventuais chutes. Caracterizado como esporte estrategicamente de evasão e conquista de território, onde o passe com as mãos só pode acontecer para trás ou para o lado (PORTAL DO RUGBY, 2017; WORLD RUGBY, 2017).

O Rugby Sevens é uma modalidade oriunda do Rugby tradicional só que jogado com 7 jogadores e por dois tempos de 7 minutos, tendo normalmente 6 jogos em dois dias, porém o tamanho do campo é o mesmo, o que deixa a modalidade com altas exigências físicas. Incluída nos Jogos Olímpicos do Rio 2016 e com grande popularidade no cenário mundial e em ascensão no nacional (WORLD RUGBY, 2017).

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Também de origem britânica, o Futebol que é um esporte muito popular mundialmente, ganha uma versão inicialmente praticada só como pretexto social, o Futebol Society. Após alguns anos, a versão minimizada do esporte se torna a modalidade Futebol Sete (Fut7), que ganha até uma própria confederação nacional (FPCF7, 2017; HELAL et. Al., 2017).

Hoje o Fut7 já é praticado em alto rendimento no país e tem grande popularização, realizando desde campeonatos estaduais e nacionais como torneios ainda de intenção social e lazer, com dois tempos de 25 minutos cada (FPCF7, 2017; HELAL et al., 2017).

O presente estudo obteve como objetivo verificar o nível de lactato e VO2máx após o teste de esforço máximo Yoyo Recovery Intermittent(level1) em atletas de Rugby Sevens e Fut7 feminino em Florianópolis.

Dá-se por justificativa que o Rugby Sevens e Fut7 são duas modalidades em ascensão no cenário nacional e compartilham entre si suas diferenças e semelhanças. Dentre as diferenças estão o tempo de jogo e o tamanho do campo, e como principal as valências físicas utilizadas, já que o Rugby Sevens possui contato físico mais forte que o Fut7. Já dentre as semelhanças estão o número de jogadores em cada time e o tipo de piso, pois a grama sintética vem sendo muito utilizada em campeonatos mundiais no Rugby Sevens também.

O interesse em trabalhar neste estudo dá-se por ser atleta de Rugby Sevens há 4 anos, Fut7 desde início do ano e ex-atleta de futsal por 7 anos, atuando recentemente como árbitra da Federação Catarinense de Fut7. Observa-se um crescente de campeonatos de Fut7 na capital e região e esse acontecimento passa a ser promissor. Haja vista que o Rugby Sevens se tornou olímpico em 2016 na edição do Brasil, aumentou o volume de campeonatos e torneios no país.

As modalidades, Rugby Sevens e Fut7, veem se popularizando fortemente no Brasil e pode-se dizer que, em Santa Catarina também. Porém, há poucos estudos nacionais e até internacionais realizados com as mesmas, principalmente quando se trata de mulheres. Vê-se assim, uma necessidade grande de pesquisas e estudos nessa área, juntando com a dificuldade encontrada na prescrição do treinamento físico das duas modalidades, decidiu-se investigar sobre e contribuir nessa área.

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O treinador deve planejar o treinamento traçando objetivos alcançáveis, porém deve partir de um ponto, que será definido a partir de coletas de informações fisiológicas. Assim, o mesmo necessita de um instrumento científico para avaliação que meça a aptidão do atleta e a partir disto traçar planejamentos futuros de modo apropriado e objetivo (BOMPA, 2002).

Grande parte do conhecimento científico na área do treinamento desportivo hoje é proveniente de experiências e pesquisas que buscam entender e melhorar os efeitos do exercício físico nos organismos. O atleta é o objeto de estudo na Ciência do Treinamento, ele é a fonte mensurável de dados e informações para os treinadores e cientistas esportivos (BOMPA, 2002).

As duas equipes participantes do estudo são competitivas de nível nacional, tornando-se equipes de rendimento. Para isso os treinadores respectivos devem prepará-las para o melhor desempenho possível nas competições, sabendo que a aptidão física é essencial para alcançar as metas. Este estudo então poderá contribuir para o futuro treinamento das mesmas.

Até então nenhum estudo foi encontrado com estes protocolos realizados com estas modalidades de equipes femininas no Brasil, podendo ser um estudo pioneiro que poderá contribuir na área de treinamento desportivo e servindo de base para novos estudos.

2 MATERIAIS E MÉTODOS

2.1 TIPO DE PESQUISA

Quanto a natureza foi uma pesquisa científica aplicada, pois deseja fornecer conhecimento provisório possibilitando indicar mecanismos de controle de intervenção sobre ele (FONSECA, 2002).

Quanto a abordagem do problema foi uma pesquisa quantitativa, de caráter quantitativo, pela sua amostra que é representativa da população alvo, os resultados são quantificados e analisados estatisticamente e se centra na objetividade (FONSECA, 2002).

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Quanto aos objetivos e procedimentos técnicos se caracterizou como pesquisa de campo por ir além da pesquisa bibliográfica (FONSECA, 2002).

2.2 SUJEITOS DA PESQUISA

Os sujeitos da pesquisa foram as atletas da equipe feminina principal de Rugby Sevens do Desterro Rugby Clube, 8 atletas; e as atletas da equipe feminina principal de Fut7 do Paula Ramos/Veneno Clube, 10 atletas, ao total de 18. A idade das atletas varia de 18 a 36 anos.

O processo de seleção utilizado foi não aleatório-intencional, justificando-se pela amostra ter sido de fácil acesso, capaz de fornecer os dados à nível competitivo nacional (FONSECA, 2002).

Os critérios de inclusão para os participantes foram: (a) concordar em participar do estudo, isto inclui realizar os testes; (b) na entrevista inicial não relatar mal-estar, dores musculares ou articulares.

2.3 INSTRUMENTO DE PESQUISA

Na pesquisa foram utilizados o teste de campo de esforço máximo indireto que mensura o Consumo máximo de oxigênio (VO2máx), Yoyo Recovery Intermittent(level1), a coleta de lactato através do Lancetador e lancetas G-TECH e mensuração de lactato através do Lactate analyzer (YSI Model 2700 Sport; YSI, Yellow Springs, OH).

2.3.1 Yoyo Recovery Intermittent(level1)

O teste consiste em correr 20 metros (Apêndice A e B), trocar a direção em 180º e correr mais 20 metros com descanso ativo de 10 segundos, com a velocidade aumentando a cada intervalo de corrida. O teste acaba quando o participante chega à exaustão completa ou fadiga, ou não ser mais capaz de correr

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os 20 metros dentro do tempo estipulado pelo beep sonoro do áudio do teste (KRUSTRUD et al., 2003).

2.3.2 Lactate analyzer (YSI Model 2700 Sport; YSI, Yellow Springs, OH)

O aparelho permite a mensuração de lactato sanguíneo pós teste através de uma punção de sangue da polpa do dedo armazenada em eppendorfs e resfriadas (ALVES et al., 2012).

2.4 PROCEDIMENTOS DE COLETA DE DADOS

Foi feito contato com o local da coleta e também com as instituições participantes para agendamento de data e hora. Previamente aconteceu a assinatura do Termo de Declaração de Ciência e Concordância entre as instituições e uma palestra com os participantes sobre a pesquisa a ser realizada. O projeto foi enviado para submissão e aprovado do CEP-Unisul. Antes da aplicação do teste, cada participante teve que concordar e assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Antes do teste, foi realizado um aquecimento de cerca de 10 a 15 minutos preparatório para exercício de alta intensidade. O Yoyo Recovery Intermittent(level1) foi realizado em duas baterias de cada instituição, ou seja, quatro baterias ao total. Enquanto a primeira bateria de cada instituição realiza o teste, a segunda ajudou na observação, na anotação da finalização do teste por seus companheiros de equipe e motivação dos mesmos.

Imediatamente após finalizar o teste, cada participante submeteu-se a coleta sanguínea na polpa do dedo. Com luvas cirúrgicas foi realizada a assepsia local com álcool e punção utilizando lanceta descartável.

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39,1 40,1 41,1 42,1 42,8 42,8 43,1 43,1 38,8 39,1 39,1 39,1 39,8 40,1 40,1 40,1 43,8 44,1 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 m l/ kg/m in

VO2máx Rugby Sevens VO2máx Fut7

2.5 ANÁLISE DE DADOS

Os dados do teste de esforço máximo foram analisados de acordo com a tabela de VO2máx utilizando a distância percorrida e os dados do lactato foram analisados em mmol/L e correlacionados com os níveis de VO2máx de cada participante;

Para a caracterização da amostra utilizou-se a estatística descritiva como média e desvio padrão e a análise dos dados foi feita inter e entre modalidades.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

O Gráfico 1 apresenta os valores de VO2máx alcançados por cada atleta de Rugby e Fut7 após a conclusão do teste Yoyo Recovery Intermittent(level1): Gráfico 1. VO2máx de cada atleta das equipes de Rugby Sevens e Fut7

FONTE: elaboração dos autores, 2017.

Pode-se observar no Gráfico 1 que a variação entre a atleta menos condicionada (VO2máx = 38,8 ml/kg/min) para a melhor condicionada (VO2máx =

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9,54 9,57 11,79 12,45 12,81 14,37 14,67 16,23 6,6 6,75 7,23 7,92 9,15 9,15 10,2 11,25 13,2 13,29 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 m o l/ L

Lactato Rugby Sevens Lactato Fut7

44,1 ml/kg/min) é maior na equipe de Fut7 enquanto na equipe de Rugby Sevens a atleta menos condicionada possui VO2máx = 39,1 ml/kg/min e a mais condicionada VO2máx = 43,1 ml/kg/min.

A quantificação da capacidade aeróbia se dá, normalmente, pelo consumo máximo de oxigênio (VO2máx) tendo a potência aeróbia do atleta, refletindo na capacidade máxima de ressíntese aeróbia do ATP. O VO2máx é a quantidade máxima que um corpo consegue armazenar e transportar para os tecidos utilizarem no trabalho biológico (ANDRÉ, 2009).

O Gráfico 2 mostra a produção de lactato atingida após teste indireto de esforço máximo Yoyo Recovery Intermittent(level1) da equipe de Rugby Sevens e Fut7

Gráfico 2. Lactato após o teste indireto de esforço máximo de cada atleta das equipes de Rugby Sevens e Fut7

FONTE: elaboração dos autores, 2017.

Observa-se no gráfico 2 que a variação da atleta que mais acumulou lactato após teste para a que menos acumulou se equipara nas duas equipes mesmo que a linha linear de lactato da equipe de Rugby Sevens esteja acima: a

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atleta de Fut7 com menor acúmulo de lactato com 6,6 mols/L e a com maior com 13,29 mols/L, enquanto a atleta de Rugby Sevens com menor acúmulo com 9,54 mols/L e com maior com 16,23 mols/L.

O trifosfato de adenosina (ATP) é um composto nucleotídeo que tem como principais funções extrair a energia potencial do alimento e conservá-la dentro de suas ligações e transferir esta energia química para moléculas que necessitam exercer o trabalho biológico. Uma célula é capaz de utilizar o ATP sem utilização do oxigênio (anaerobicamente) gerando energia para consumo imediato e rápido, como um bloqueio no voleibol ou então um pique da natação prendendo a respiração (McARDLE, 2003; GUYTON, 2008).

Porém, o ATP é limitado em sua quantidade estocada, após alguns segundos de exercício explosivo é necessária uma ressíntese contínua para suprir a demanda de energia para o trabalho biológico. O metabolismo aeróbio entra em ação junto às reações catabólicas que vão gerar energia para um exercício de endurance (MCARDLE, 2003; GUYTON, 2008).

O acúmulo de lactato, não só sua produção, indica que o metabolismo energético anaeróbio foi ativado. A glicólise continua fornecendo energia anaeróbica para a ressíntese de ATP, porém por tempo limitado porque o acúmulo de lactato diminui a capacidade de regeneração de ATP em relação ao ritmo de utilização, se instalando assim a fadiga e diminuindo o desempenho físico. Podendo ser então, sugerido como um medidor de intensidade de esforço (McARDLE, 2003; GUYTON, 2008).

Com os resultados obtidos, calculou-se as médias das variáveis comparando-as entre modalidades:

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41,8 40,4 12,68 9,46 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 Rugby Sevens Fut7

Lactato (mols/L) VO2máx (ml/kg/min)

Gráfico 3. Comparação das médias de VO2máx e Lactato das equipes de Fut7 e Rugby Sevens

FONTE: elaboração dos autores, 2017.

Observa-se no gráfico 3 que a equipe de Fut7 apresenta uma média de lactato, após a conclusão do teste, de 9,46  2,5 mols/L enquanto a equipe de Rugby Sevens 12,68  2,38 mols/L. Já os valores de consumo máximo de oxigênio, a equipe de Fut7 apresenta uma média de 40,4  1,9 VO2máx e a equipe de Rugby Sevens 41,8  1,5 VO2máx.

O Tratado de Cardiologia do Exercício e do Esporte (2007) aponta uma média de VO2máx para diferentes grupos femininos, que comparando, o Fut7 e Rugby Sevens se aproximam do grupo determinado como condicionadas (40,47) ficando atrás dos grupos de tenistas (46,36), futebolistas (48,59) e da maior média que são das ciclistas (62,26).

Esses resultados, referindo-se ao VO2máx, colocam as equipes, segundo a classificação dada pelo American Heart Association (AHA), em nível “elevado”, a qual o foco é dado na saúde do coração. Em nível de performance, segundo o laboratório Cemafe-Unifesp/Escola Paulista de Medicina, a classificação para

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mulheres fisicamente ativas, o valor alcançado para o VO2máx atinge um nível considerado “muito fraco” (GUEDES E GUEDES, 2006).

Em um estudo com doze atletas de elite da seleção feminina espanhola de Rugby Sevens utilizando-se GPS durante um torneio internacional de dois dias contendo 5 jogos ao total, a média de consumo máximo de oxigênio das mesmas foi de VO2máx 51.1  3.6 ml/kg/min, muito maior que a melhor condicionada das duas equipes da pesquisa presente (SUAREZ-ARRONES, L. et al., 2012).

Uma pesquisa com 20 atletas de futsal feminino, que competem em nível estadual, do município de Guarapuava, Paraná, onde foram submetidas ao teste “Vai-e-Vem” que é similar ao presente teste, porém se inicia em uma velocidade de menor intensidade e é contínuo. A média obtida de consumo máximo de oxigênio foi de 44,43  3,5, que também se apresenta maior que as médias das equipes de Rugby Sevens e Fut7 feminino de Florianópolis que competem nacionalmente (BONFANTE; LUZ; LOPES, 2012).

No ano de 2010, na Itália, em um estudo com 20 mulheres adultas jovens da equipe de corrida de distância média da Universidade de Catania foram submetidas a um teste de bicicleta intermitente e gradativo até chegar à exaustão ou incapacidade de manter a intensidade exigida. A média de acúmulo de lactato encontrado após o teste foi de 10,8 mols/L  3,11, ficando acima da média do Fut7 (9,46 mols/L) e abaixo do Rugby Sevens (12,68 mols/L) (PERCIAVALLE et al., 2010).

4 CONCLUSÃO

Em vista dos resultados obtidos no presente estudo, observa-se que a média de VO2máx obtida no teste pelas atletas de Rugby Sevens é maior que a média das atletas de Fut7, mostrando uma melhor capacidade aeróbia. A maior variação de resultados na equipe de Fut7 pode ser explicada pelas diferentes

posições de jogo que requerem diferentes demandas fisiológicas

consequentemente. Já no Rugby Sevens apesar das diferentes posições de jogo, as demandas fisiológicas se equiparam muito, sendo evidenciadas pela menor variação

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de resultados apresentados da equipe da modalidade, apresentando homogeneidade no condicionamento físico aeróbio. Comparadas em questão de performance ficam classificadas como “muito fraco” (GUEDES E GUEDES, 2006).

Em relação ao lactato, a média de acúmulo da equipe de Rugby Sevens também ficou acima da média da equipe de Fut7.

Assim, observando os resultados, conclui-se que a equipe de Rugby Sevens, atingindo valores maiores de lactato e VO2máx, sugere uma maior tolerância ao ácido láctico em intensidade de cargas altas, devido, provavelmente, aos valores de VO2máx elevados quando comparados à equipe de Fut.

Deve-se destacar que um VO2máx mais elevado não é o único fator determinante de um melhor desempenho no jogo. O fato de saber dosar a “energia” durante a prática deve ser posta em destaque também. Todavia, uma pessoa com alto índice de VO2máx sugere uma maior capacidade de suportar um tempo de prática maior durante o jogo e, muitas vezes, um tempo de recuperação entre uma sessão e outra, mais rápido.

Como sugestão indica-se novos estudos e pesquisas sobre a recuperação de lactato em atletas mulheres em geral, mas principalmente Rugby Sevens e Fut7, dois esportes em crescente no Brasil e com quase inexistentes estudos sobre desempenho nas modalidades até agora.

REFERÊNCIAS

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BOMBA, T. O. Periodização: teoria e metodologia do treinamento. 4. ed. São Paulo: Phorte, 2002.

BONFANTE, I. L. P.; LUZ, R. M. F.; LOPES, Wendell Arthur. Perfil da aptidão física de equipe feminina de futsal de alto rendimento conforme função desempenhada em

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jogo. Revista Brasileira de Futsal e Futebol, Campinas, v. 4, n. 12, p.131-139, maio-ago 2012.

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FEDERAÇÃO PAULISTA DE FUTEBOL 7. Origem. São Paulo, 2017. Disponível em: <http://www.fpcf7s.com.br/origem/>. Acesso em: 12 mai. 2017.

FONSECA, J. J. S. Metodologia da Pesquisa Científica. Universidade Estadual do Ceará. 2002.

GHORAYEB, Nabil; DIOGUARDI, Giuseppe S. Tratado de Cardiologia do

Exercício e do Esporte. São Paulo: Atheneu, 2007.GUEDES, D.P. & GUEDES,

J.E.R.P. Manual Prático para Avaliação em Educação Física. São Paulo: Manole, 2006. p. 396-399. 2006.

GUYTON, A. C. Fisiologia Humana. 6. ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 2008.

GUEDES, D. P. & GUEDES, J. E. R. P. Manual prática para avaliação em Educação Física. São Paulo: Manole, p. 396-399. 2006.

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<http://www.portaldorugby.com.br/entenda-o-rugby/historia-do-rugby>. Acesso em: 12 abr. 2017.

__________Entenda o rugby: guia para iniciantes. Disponível em:

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RUGBY FOOTBALL HISTORY. Origins of Rugby. Disponível em

<http://www.rugbyfootballhistory.com/originsofrugby.htm>. Acesso em: 30 abr. 2017. SUAREZ-ARRONES, L. et al. Match running performance and exercise intensity in elite female rugby sevens. Journal of Strength and Conditioning

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WORD RUGBY. Leis do Jogo Rugby Union, incorporando o documento do jogo. Disponível em

<http://laws.worldrugby.org/downloads/World_Rugby_Laws_2017_PTBR.pdf>. Acesso em: 9 abr. 2017.

__________Sevens: history of sevens. Disponível em:

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APÊNDICE A – TABELA YOYO TEST

YO-YO INTERMITTENT RECOVERY TEST – NÍVEL I (BANGSBO, 1994) Nome: _________________________________________________ Idade: _____ anos Modalidade: ____________________

Nível

Veloc. (km/h) Vel. Número de voltas (bpm) FC

5 10.0 1 40 9 12.0 1 80 11 13.0 120 1 160 2 12 13.5 1 200 2 240 3 280 13 14.0 1 320 2 360 3 400 4 440 14 14.5 480 1 520 2 560 3 600 4 640 5 680 6 720 7 760 8 15 15.0 1 800 2 840 3 880 4 920 5 960 6 1000 7 1040 8 1080 16 15.5 1 1120 2 1160 3 1200 4 1240 5 1280 6 1320 7 1360 8 1400 17 16.0 1 1440 2 1480 3 1520 4 1560 5 1600 6 1640 7 1680 8 1720 18 16.5 1 1760 2 1800 3 1840 4 1880 5 1920 6 1960 7 2000 8 2040 19 17.0 2080 1 2120 2 2160 3 2200 4 2240 5 2280 6 2320 7 2360 8 20 17.5 1 2400 2 2440 3 2480 4 2520 5 2560 6 2600 7 2640 8 2680 21 18.0 1 2720 2 2760 3 2800 4 2840 5 2880 6 2920 7 2960 8 3000 22 18.5 3040 1 3080 2 3120 3 3160 4 3200 5 3240 6 3280 7 3320 8 23 19.0 1 3360 2 3400 3 3440 4 3480 5 3520 6 3560 7 3600 8 3640

FCi: _____ bpm FCf: _____ bpm Distância percorrida: _____ m PV: _____ km/h VO2máx estimado: D(m) x 0,0084 + 36,4 VO2máx = _______ ml/kg/min

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ANEXO A – CEP

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Referências

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