VILA DO SABOR
UMA NOVA JORNADA CULTURAL
Trabalho de Conclusão de Curso I, apresentado ao curso de Arquitetura
e Urbanismo - 9 fase da Universidade do Sul de Santa Catarina, como
requisito parcial para obtenção do título de Arquiteta e Urbanista.
NOME: Ariéle de Souza Corrêa CIDADE: Tubarão/Santa Catarina E-MAIL:[email protected]
ORIENTADORA: Arq. Michelle Souza Benedet, Msc
Ariéle de Souza Corrêa e apresentado em julho de 2017 à banca avaliadora que segue:
Arq. Michelle Souza Benedet, Msc
ORIENTADORA
AVALIADOR 1
“Se você for, vá alto, vá forte, vá com orgulho, vá em
frente, vá firme.”
Ozzy Osbourne
AGRADECIMENTOS
a vida acadêmica, onde a caminhada foi longa. Durante cinco anos tive a oportunidade de conhecer pessoas incríveis, contar com a colaboração dos professores, evoluir seguindo os ensinos, aprendendo e aderindo os mesmos. Esses mestres que me guiaram até aqui, os amigos que conquistei foram fundamentais pra encarar as longas noites de trabalhos, rir de situações em que nos víamos apurados e nos desdobrávamos para conseguir terminar tudo e conciliar com a vida social, porque não foi fácil.
A faculdade é uma época de transição, muito aprendizado, crescimento e agradeço primeiramente à Deus por essa oportunidade, aos meus pais que tanto me apoiaram, e em especial à minha mãe, Cleusa, que um dia eu possa ter metade da força que ela tem, porque sei o quanto batalhou pra eu chegar até aqui e palavras não seriam o bastante pra eu retribuir todo o meu amor e admiração.
À minha orientadora, Michelle Benedet, agradeço imensamente por tudo, pela sua dedicação, amizade, todo ensino que me fez evoluir e concluir essa etapa.
Aos meus amigos e companheiros de vida pelo apoio, o quanto depositam confiança nas coisas que faço, pra mim é o mais valioso.
Por fim, agradeço todos que de modo direto ou indiretamente me auxiliaram em todos esses anos, fico lisonjeada por terem participado de um sonho e me ajudado na busca pelo conhecimento e crescimento pessoal. Foram de suma importância aqueles que passaram por mim deixando um pouquinho de si nessas trocas de experiências.
Queria poder escrever tudo que eu sinto em um texto, mas é impossível, então fica aqui registrado o meu muitíssimo obrigada à todos!
CAPÍTULO 1– INTRODUÇÃO
1.1 Introdução...09
1.2 Problemática / Justificativa...10
1.3 Objetivos...11
1.4 Metodologia...11
CAPÍTULO 2– REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Patrimônio como Bem Cultural...13
2.2 Turismo Cultural...14
2.3 Espaços Livres...15
2.4 Gastronomia e Cerveja...16
2.5 A Cerveja no Cotidiano das Pessoas...17
CAPÍTULO 3 – REFERENCIAIS PROJETUAIS 3.1 Museu do Pão - Rio Grande do Sul, RS...20
3.1.1 Localização...20
3.1.2 Acessos...20
3.1.3 Circulação...21
3.1.4 Volume...21
3.1.5 Definição dos Espaços...22
3.1.6 Estrutura e Técnicas Construtivas...22
3.1.7 Zoneamento Funcional...23
3.1.8 Conforto Ambiental...23
3.1.9 Simetria x Assimetria...24
3.1.10 Relações do Edifício com o entorno...24
3.1.11 Considerações Finais...24
3.2 Cervejaria Surly Brewing - Minnesota, EUA...25
3.2.1 Localização...25
3.2.2 Acessos...25
3.2.3 Circulação...26
3.2.4 Volume...27
3.2.5 Definição dos Espaços...27
3.2.6 Interior x Exterior...27 3.2.7 Simetria x Assimetria...27 3.2.8 Hierarquias Espaciais...28 3.2.9 Técnicas Construtivas...28 3.2.10 Zoneamento Funcional...29 3.2.11 Conforto Ambiental...29
3.2.12 Relações do Edifício com o entorno...30
3.2.13 Considerações Finais...30
3.3 Rua do Lavradio, RJ...31
3.3.1 Composição e Traçado Geral...31
3.3.2 Acessos...32 3.3.3 Circulações...32 3.3.4 Inserção Urbana...33 3.3.5 Vegetações e Materiais...33 3.3.6 Equipamentos e Mobiliários...34 3.3.7 Considerações Finais...34
3.4 Estudo de Caso – Lohn Bier, SC...35
3.4.1 Localização...36
3.4.2 Acessos...36
3.4.3 Circulação...36
3.4.4 Volume e Massa...36
3.4.5 Definição dos Espaços...36
3.4.6 Técnicas Construtivas...36
3.4.7 Conforto Ambiental...36
3.4.8 Relação do Edifício com o entorno...36
CAPÍTULO 4– ANÁLISE DA ÁREA
4.1 Aspecto Histórico e de Evolução Urbana...39
4.1.1 Localização da área...39
4.1.2 A cidade...40
4.1.3 Evolução Urbana do Município...41
4.1.4 Edificações de Valor Histórico e de Áreas de Preservação Ambiental...43
4.1.5 A História da Vila dos Engenheiros...44
4.2 Aspectos Funcionais...45
4.2.1 Hierarquia Viária...45
4.2.2 Sistema Viário – Fluxos, Sentidos e Conflitos...46
4.2.3 Transporte Coletivo...47
4.2.4 Pavimentação e Passeios Públicos...48
4.2.5 Uso do Solo...49
4.2.6 Áreas Gastronômicas Próximas...49
4.2.7 Espaços Públicos...;...50
4.2.8 Legislação...51
4.2.9 Gabaritos...52
4.3 Aspectos Ambientais e Paisagísticos...53
4.3.1 Características Bioclimáticas e Topográfica...53
4.3.2 Visões Seriais...54
4.3.3 Skyline Edifício com Entorno...54
4.3.4 Tipologias Arquitetônicas...54
4.4 Aspectos Arquitetônicos e Urbanístico...55
4.4.1 Equipamentos e Mobiliários...55
4.4.2 Infraestrutura...55
4.4.3 Cheios e Vazios...56
4.4.4 Público x Privado...56
4.4.5 Levantamento Fotográfico do Terreno...57
4.4.6 Levantamento Fotográficos das Casas...58
4.4.7 Análise das Principais Casas...58
4.4.8 Vegetações...58
CAPÍTULO 5 – PARTIDO 5.1 Conceito: A Harmonização através dos cinco sentidos...60
5.1.1 Memorial Conceitual e Intenções...61
5.1.2 Diretrizes Projetuais...61
5.2 Programa de Necessidade Geral...62
5.3 Organograma Geral...63
5.4 Fluxograma...63
5.5 Preparação da Área...64
5.6 Estudos Gerais de Implantação...65
5.7 Intenções para o edifício da Cervejaria...66
5.7.1 Estudo de Planta e Volumetria Cervejaria...66
5.7.2 Planta Baixa Cervejaria...67
5.7.3 Materiais e Sistema Construtivo Cervejaria...68
5.8 Zoneamento Esquemático Implantação...69
5.8.1 Inspirações para o paisagismo...70
5.8.2 Implantação Geral...71
CONSIDERAÇÕES FINAIS...72
REFERÊNCIAS...74
APÊNDICE...75
11
O referente capítulo traz uma contextualização sobre o tema para a proposta juntamente com a problemática da área. 1.1 PROBLEMÁTICA 1.2JUSTIFICATIVA 1.3OBJETIVOS 1.4 METODOLOGIA Capítulo 1
INTRODUÇÃO
11
Em uma época de desenvolvimento da cidade quando ocarvão entrava em alta novamente, no ano de 1942, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) se estabelecia na região de Tubarão. Com a demanda de construções para apoio da ferrovia surgia a necessidade de contratação de mão de obra qualificada. Os engenheiros que ali trabalhavam ganharam uma vila afastada da ferrovia e dos operários na Rua Felipe Schmidit, atualmente parte central da cidade.
As casas da Vila dos Engenheiros possuíam o que tinha de mais completo para a época, rede telefônica (ainda não era tão utilizado), saneamento básico, água encanada, entre outros recursos. Foi adotado um estilo arquitetônico diferenciado que remete ao estilo norte-americano, realidade distinta do Brasil. As fachadas foram todas trabalhadas com arcos e vitrais, ao centro ficava um grande círculo livre como ponto de encontro, enquanto nas laterais percorriam os caminhos que direcionavam os visitantes e usuários locais para as suas respectivas hospedagens. Além das casas de hóspedes, em uma das casas existia uma pequena capela, simbólica. Atualmente, é sede do poder público de Tubarão, a Prefeitura, conhecido como Paço Municipal. Nele constam duas secretarias e mais três de administração geral.
A influência da companhia foi de fato relevante à cidade, pois devido a ela, Tubarão foi se desenvolvendo e até hoje mantém as construções da época conservadas.
A cidade de Tubarão não possui estabelecimentos que unam o espaço urbano com a gastronomia. Alguns equipamentos de caráter gastronômico são espalhados aos poucos pela cidade, que conta com uma gama pequena em relação à seu público. Além disso, poucos espaços trazem vivência para a população e os existentes não promovem estímulo necessário.
1.1 INTRODUÇÃO
VILA DO SABOR
UMA NOVA JORNADA CULTURALINTRODUÇÃO
A proposta desse trabalho é cultivar um dos poucos espaços urbanos históricos ainda preservados agregando um novo valor ao local através do uso gastronômico, que é de caráter cultural direcionado para cervejaria e cada casa existente com intuito de promover uma experiência diferenciada envolvendo o caráter degustativo de cada pessoa e criando identidade local.
Objetiva-se atrair faixas etárias distintas e promover lazer ao novo empreendimento. Além de estabelecer originalidade, trazendo turismo e um marco regional aguçando mais a curiosidade de visitantes e promovendo economia.
A escolha do tema se fez através da necessidade de um empreendimento com uso cultural para a cidade de Tubarão com base na carência de equipamentos que promovam esse uso ao público e espaços verdes urbanos. Além disso, a gastronomia remete à uma parte importante da consolidação da cidade, que é a diversidade étnica existente. Esse empreendimento valoriza o espaço no qual está inserido e traz consigo o turismo.
O terreno escolhido para o desenvolvimento do anteprojeto é o Paço Municipal, antiga Vila dos Engenheiros da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), o qual o poder público ocupa desde 1987 utilizando as seis casas com estilo arquitetônico diferenciado, que anteriormente tinham a finalidade de servir como abrigo aos engenheiros que trabalhavam na siderúrgica.
As edificações mantêm as características de sua concepção que agregam valor à cidade e faz parte da história local, que resguarda poucos edifícios de igual importância, e é através desses espaços urbanos que Tubarão tem seu diferencial, pois a história traz raízes e legitimidade.
Com isso, o intuito desse trabalho é trazer um uso necessário ao público, aliando com a cultura da cidade, propondo em uma área com valor de historicidade para aproveitamento em prol dos cidadãos e utilizar o conceito humano por trás de cada item, como forma de explorar os sentidos das pessoas para que possam entender e sentir a necessidade de conhecer a cultura local com o prazer de poder ter um lugar especifico onde elas possam encontrar diferentes tipos de gastronomia que traz amplas opções e faixas etárias, buscando o movimento da área, mantendo-a mantendo-ativmantendo-a com o uso explormantendo-ado pelmantendo-a comunidmantendo-ade e visitmantendo-antes.
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UMA NOVA JORNADA CULTURALINTRODUÇÃO
Para a elaboração do anteprojeto é necessário pontuar os objetivos que irão guiar a pesquisa e se fazer presente nos resultados finais.
1.3.1 OBJETIVO GERAL
Elaborar o anteprojeto arquitetônico de uma nano cervejaria que atenda às necessidades de produção e comercialização da vila proposta, juntamente com o estudo preliminar das casas existentes como opções gastronômicas e o anteprojeto de paisagismo do Paço Municipal.
1.3.2 OBJETIVOS ESPÉCÍFICOS
▪ Estipular usos gastronômicos para cada casa existente;
▪ Oferecer espaços de lazer para integração entre as pessoas e o local com áreas de contemplação e mesas ao longo do terreno;
▪ Preservar a vegetação nativa existente para mostrar a importância de preservá-las e agregá-las na paisagem;
1.4 METODOLOGIA
O trabalho será dividido em cinco partes: pesquisas bibliográficas, referenciais teóricos, referencias projetuais, análise da área e os estudos iniciais para a elaboração do anteprojeto. Serão seguidos os seguintes passos para a realização do trabalho:
1. Análise de referenciais teóricos: compreender a relação dos temas no desenvolvimento humano e como podem agregar valor aos usuários e o local como estudo do espaço livre, relação da gastronomia e o homem, e o turismo que é gerado pelo estimulo do uso gastronômico. Esses estudos são feitos através do auxílio das pesquisas bibliográficas.
2. Análise de referenciais projetuais de espaços nacionais e internacional com a mesma temática para compreender quais lugares/itens são importantes na hora de projetar e como são dispostos aos usuários. Foram feitas análises arquitetônicas e também de espaços urbanos;
3. Levantamento da área e seu entorno para entender os acessos, fluxos, leis que regem o local, relações com o entorno e estudos como análise de áreas gastronômicas próximas, bioclimática, sistema viários, hierarquia viária, topográfica, edificações históricas e áreas de preservações, infraestrutura urbana, mobiliários urbanos, uso do solo, gabaritos, legislação, equipamentos urbanos, cheios e vazios, público e privado, elementos construtivos do terreno, tipologia arquitetônica do entorno, análise das casas da área em estudo, relação da área com o entorno e levantamento fotográfico.
4. Com o embasamento das análises, levantamentos de dados históricos, atual e registros fotográficos, é possível montar o programa de necessidades que dará a base para o partido arquitetônico apresentado no TCC I, o qual terá sequência com o anteprojeto arquitetônico no TCC II.
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UMA NOVA JORNADA CULTURALINTRODUÇÃO
Neste capítulo, buscou-se entender a relação da gastronomia e cerveja com as pessoas unindo à importância de cultivar um terreno como bem cultural em prol da cidade.
2.1PATRIMÔNIO COMO BEM CULTURAL
2.2TURISMO CULTURAL
2.3ESPAÇOS LIVRES
2.4GASTRONOMIA E CERVEJA
2.5 A CERVEJA NO COTIDIANO DAS PESSOAS
REFERENCIAL
TEÓRICO
A palavra patrimônio deriva do vocábulo greco-latino: "pater", significando chefe de família, ou antepassados. É associada a bens, posses ou heranças deixados pelos chefes ou antepassados de um grupo social (CARNEIRO, 2009). Já a cultura, na definição literal, é o conjunto de manifestações sociais, artísticas e linguísticas de um certo povo ou civilização.
Como o próprio nome sugere, patrimônios são a importância da cultura de um determinado local. Cada um cultiva dentro de si a história humana, suas fases e técnicas.
De acordo com a Carta de Veneza publicada pelo ICOMOS em 1966:
A conservação e o restauro dos monumentos
constituem uma disciplina que apela à
colaboração de todas as ciências e de todas as técnicas que possam contribuir para o estudo e salvaguarda do patrimônio monumental.
A preservação do patrimônio vai além de uma questão exclusiva do poder público, depende da conscientização do público em entender a importância para o meio urbano e cultural, saber lutar por seus direitos, cuidando assim de uma parte da sua história.
Segundo Santos (2012), preservamos para manter a integridade dos traços que definem um bem cultural, pois eles constituem a nossa herança patrimonial, formando o legado da nossa identidade cultural. A ideia de reutilizar um espaço com importância cultural gera várias opiniões, umas por falta de informações, outros por não compreender os valores, ou pelo próprio desinteresse.
Algumas dessas opiniões levam as pessoas a unirem a ideia de que reutilizar um patrimônio histórico é resgatar sua ideia original, incluindo os mesmos usos originais, o que é errôneo. Levando em consideração as reflexões citadas, é perceptível a importância de intervir fisicamente no bem cultural, pois este gera favorecimentos para a população, trazendo benefícios sociais, pois essas obras formam o patrimônio humano que está sobre responsabilidade dos que estão aptos a garantir sua proteção. (SANTOS, 2012).
A preservação é um instrumento, já a conscientização traz fatores relevantes que ajudam a resgatar os valores da obra (figura 01). Com isso, o público se interessa em constituir um local verdadeiro com identidade própria.
Pedroso (1999) afirma que quem não vive as próprias raízes não tem sentido de vida. O futuro nasce do passado, que não deve ser cultuado como mera recordação e sim ser usado para o crescimento no presente, em direção ao futuro. Nós não precisamos ser conservadores, nem devemos estar presos ao passado mas precisamos ser legítimos e só as raízes nos dão legitimidade.
Exercício da memória Preservação Benefícios sociais Interesse social Identidade Cuidar faz os mecanismos funcionarem
Interligando outras funções mantendo movimento.
Figura 01: Mecanismos Fonte: Esquema autora
O exercício da memória por morar em um local com personalidade própria promove opções de lazer, transformando o patrimônio a fim de despertar o interesse dos que o cercam, visando também outros pontos positivos, como promover o turismo para o local.
O uso do bem cultural objetiva trazer a história que concilia os conhecimentos do local aliadas ao lazer para buscar a atenção das pessoas que irão usufruir do espaço.
A preservação da Vila dos Engenheiros é importante, pois ela representa uma parte da cidade, sendo criada em uma época de transição econômica e evolutiva de Tubarão. Portanto, é necessário resgatar os valores da Vila, pois os beneficiados serão as pessoas que a viram nascer e também a nova geração, trazendo consciência de suas raízes com a preservação de um dos símbolos de sua história.
2.2 TURISMO CULTURAL
Diversos são os motivos que movem o interesse do turismo nas pessoas. Entre eles, há o lazer em conhecer novos locais, ter contato com outras culturas e obter experiência cultural.
Alguns autores do século passado definiam o turismo como o conjunto de relações e fenômenos que resultam como consequências das viagens sempre que delas não resultem um registro permanente nem que eles se vinculem a alguma atividade produtiva. (HUNZIKER e KRAPF, 1940).
Os autores pressupõe que o turismo e o lazer estejam vinculados e isso traz um número significativo de pessoas que buscam nele encontrar atividades que não tenham ligação com seu cotidiano.
Essa necessidade de fuga, buscando algo novo, implica em número de pessoas que passam a frequentar o mesmo lugar, propiciando o contato entre culturas distintas. (BARRETTO, 2001).
O turismo cultural é aquela forma de turismo que tem por objetivo, entre outros fins, o conhecimento
de monumentos e sítios histórico-artísticos.
Exerce um efeito realmente positivo sobre estes tanto quanto contribui - para satisfazer seus próprios fins - a sua manutenção e proteção. Esta forma de turismo justifica, de fato, os esforços que tal manutenção e proteção exigem da comunidade humana, devido aos benefícios socioculturais e econômicos que comporta para toda a população implicada. (ICOMOS, 1976, p. 2).
A atividade turística é importante no sentido da valorização dos costumes e hábitos do cotidiano das pessoas. É atrativa, fortalece vínculos e ajuda a economia.
Diante disso, propor a implantação de uma vila gastronômica rica em cultura com espaços de lazer na antiga Vila dos Engenheiros contribuirá para o fortalecimento de uma infraestrutura que visa a conservação do patrimônio local, promovendo economicamente a cidade.
“
Não só transforma a sua mente,
o turismo muda o rumo da sua história
”
Rinaldo Pedro
Constituídos por ruas, quintais, jardins, lotes vagos, praças, entre outros, as funções atribuídas para o conceito de espaço livre são variadas e formam um importante sistema urbano que juntamente com outros possuem conectividade e complementaridade à vida pública. (MATTOS, 2015). O espaço livre urbano, assim como a arquitetura, é lugar usufruído como meio de satisfação de expectativas funcionais, bioclimáticas, econômicas, sociológicas, topoceptivas, afetivas, simbólicas e estéticas, em função de valores que podem ser universais, grupais ou individuais.” (HOLANDA, 2007, p. 118)
Relacionam-se entre si e com o seu entorno consolidando uma ocupação da cidade ou reestruturando o território, garantindo funções urbanas referentes ao suporte biofísico e à sua percepção visual. (MENDONÇA, 2007).
Mesmo com a mudança durante a história sobre a definição do espaço, sempre permaneceu a essência de ser utilizado como forma de pessoas se reunirem, circular, comercializar, sendo um ponto de encontro dentro da cidade. (TARDIN, 2008).
A relação das pessoas com esses espaços sofrem conflitos devido à crescente segregação socioespacial. (CALDEIRA, 2000). Devido a isso e outros fatores, os espaços vem perdendo seu uso público e deixando de ser local de lazer para o bem comum.
2.3 ESPAÇOS LIVRES
Ao analisar os espaços livres no Brasil, é possível observar e compreender um amplo quadro de problemas relacionados à produção e à gestão
pública como a falta de inserção em
planejamentos mais integrados. (MATTOS, 2015, p.12).
A falta de lazer acarreta em falta de conhecimento e principalmente em falta de integração.
As pessoas ficam submetidas à própria segregação sem a troca de experiência, crenças, cultura e pertencimento da cidade.
O aumento da mobilidade e a diversidade de contatos abertos aos indivíduos permite-lhes, não
só, desmultiplicarem-se por diversos papéis e
identidades, mas também pertencerem a diversas redes fragmentadas por diversos lugares afastados (SALGUEIRO,1998, p.228)
Os espaços públicos constituem elementos estruturantes da vida urbana, desempenhando uma função de interesse coletivo que estimulam o desenvolvimento urbano, ao mesmo tempo em que contribuem para valorização da qualidade de vida e vivência urbana, reforçam a atração de recursos humanos qualificados para dinamização econômica e melhoria da imagem das cidades. (MATOS, 2010).
O entendimento do espaço livre para o bem coletivo é aspecto vital para o meio urbano. Essas experiências que promovem o contato do ser humano com outros traz integração (figura 02), e também os conecta com a natureza do local. Em especial, o terreno da antiga Vila dos Engenheiros possui arborizações centenárias que exalam a história da cidade e remete a um local de lazer no meio da natureza fazendo com que as pessoas tenham uma opção de entretenimento que é fundamental para o bem estar pessoal.
Entretenimento
Troca de experiência Figura 02: Integração
Fonte: Croqui autora
atividades (figura 03).
Assim surgem múltiplos restaurantes com cardápios destinados a vários paladares e condições econômicas definidos pela gama de serviços prestados. (BARRETOS, 2008). Com a bebida não é diferente, as cervejas artesanais por exemplo, estão crescendo no mercado devido a sua personalidade, são mais elaboradas e até utilizadas em diversas receitas, aumentando a cultura cervejeira a qual cresce no Brasil recentemente, mas é tradição em outros há muitos anos. Por ser uma bebida versátil apresenta uma variedade considerável de sabores e aromas, como os de cereais, caramelo, café, chocolate, pão, entre outros. Além disso, as diversas intensidades de amargor, carbonatação, refrescância, cor, temperatura de serviço e teor alcoólico permitem variáveis combinações ou harmonizações, que ocorrem por complementaridade ou por contraste. (MORADO, 2009).
A cerveja é uma das opções que a gastronomia oferece, com isso objetiva-se fazer as duas combinações. As casas da antiga Vila dos Engenheiros serão estabelecimentos gastronômicos com opções variadas que serão abastecidas com a cerveja local, fornecida pela cervejaria disposta no interior do local. A proposta visa atrair gostos e faixas etárias distintas, pois se tratando de lazer cultural gastronômico cada pessoa terá uma experiência, permitindo originalidade.
2.4 GASTRONOMIA E CERVEJA
Integração
Cultura
Figura 03: Integração Fonte: Croqui autora, 2017. A alimentação está em nossa essência, ninguém vive sem
comer ou beber. Segundo Schulter (2003), a identidade de uma pessoa também é expressada através da gastronomia, que reflete as preferências e aversões, identificações e discriminações, e, quando imigra, leva consigo essas experiências. Dessa forma vai-se criando caráter étnico, o que é visto com frequência no turismo, onde são ressaltadas as características de uma cultura em particular. O autor ainda a insere no contexto como um bem cultural, pois proporciona infinitas possibilidades de entretenimento para as pessoas que a exploram e também aquelas que não procuram diretamente isso, mas de uma forma ou outra acabam se interligando, devido a essas áreas estarem inseridas no meio urbano.
A mudança de hábitos humanos, na busca por lazer e socialização com o passar do tempo fica mais evidenciada, as pessoas se tornaram mais exigentes nesse quesito. Com isso, o ato de alimentar-se não é apenas biológico, é fator de diferenciação cultural, uma vez que a identidade é comunicada pelas pessoas através do alimento que reflete as aversões, identificações e descriminações. (BARRETOS, 2008).
A dimensão social e cultural da gastronomia determinou incorporá-la ao complexo emaranhado das políticas de patrimônio cultural. (SCLUTER, 2003, P.69).
A alimentação também é memória, operando fortemente no imaginário de cada pessoa pois está associada aos sentidos humanos, como: odor, visão, olfato e paladar; destacando as diferenças e semelhanças da qual pertence por carregar consigo cultura. A adoção de novos hábitos alimentares abre espaço para a aqueles que querem fugir da rotina e coordenar seu tempo em função de suas próprias atividades
Não é sabido em qual época a cerveja foi descoberta, mas acredita-se que foi um acidente no período em que os humanos estavam desenvolvendo suas habilidades de cultivo. O cereal deixado na água germina sem que o homem interfira, essa junção de ingredientes fermenta devido à ação dos levedos naturais e começam a produzir o álcool. (MELO, 2001).
Até o início da Idade média a produção de cerveja era uma atividade exclusivamente caseira, de responsabilidade das esposas e dirigida ao consumo doméstico, já que fazia parte da dieta da família, principalmente no desjejum– bem mais barata que o vinho. No período medieval, além de ser uma necessidade nutricional a cerveja era, às vezes usada como remédio, para isso eram misturadas cascas, raízes, especiarias como tomilho, pimenta, e ervas em geral. Principalmente por serem alfabetizados, os religiosos se tornaram, de fato, os primeiros pesquisadores sobre a cerveja, tendo aprimorado seu método de fabricação e introduzido a ideia de conservação a frio da bebida. (MORADO, 2009, p. 30).
De acordo com os historiadores, a bebida foi evoluindo entre os povos e suas respectivas culturas gradativamente.
2.5 A CERVEJA NO COTIADIANO DAS PESSOAS
Cereal Água + Cereal Bebida alcoólica
A produção da cerveja no Brasil iniciou-se também artesanalmente e lentamente, devido a algumas dificuldades encontradas ao trazer a cultura de outros países, buscando adaptação a outro clima e temperatura e foi trazida por meio da Companhia das Índias Ocidentais (STANDAGE, 2005).
A urbanização ocorrida nos séculos XII e XIII concentrou o consumo e ajudou na criação do negócio especializado da cerveja. Durante esse período, diferentes estabelecimentos e instituições
se desenvolveram com a produção e a
comercialização da bebida. A partir da produção caseira, responsabilidade das donas de casa sem fins lucrativos e realizada de forma absolutamente artesanal, começaram a surgir grupos de vizinhos e amigos que se reuniam temporariamente para produzir e comercializar cervejas em escala maior e já com fins lucrativos. (MORADO, 2009, p. 38) Nesse contexto, Morado (ibid, 2009) cita que a bebida passa de apenas uma atividade corriqueira para algo com caráter industrial, além de proporcionar aos idealizadores de mercado fins lucrativos, trazem a socialização entre as pessoas como fator importante ao sucesso do produto.
Cerveja não é uma bebida que isola as pessoas.
Desde as mais remotas manifestações de
socialização, a humanidade procura locais para se reunir e manifestar sua alegria e afetividade fora dos circuitos de competição e trabalho, onde seja
possível relaxar as barreiras sociais e
convencionais. (MORADO, 2009, p. 64).
VILA DO SABOR
UMA NOVA JORNADA CULTURALREFERENCIAL TEÓRICO
Fonte: Esquema autora, 2017.Essas experiências que promovem o contato do ser humano com a natureza, de certo modo, os leva à naturalidade do local, incorporando o lazer.
O brasileiro é um povo festeiro e divertido com uma cultura rica, é quase certo imaginar alguma comemoração ou algum tipo de lazer com cerveja acompanhando, este fato derivou o dito “Com Cerveja” que remete a frase “Com Certeza”, demonstrando o sucesso do produto. Desde sempre foi uma bebida de integração das pessoas, presente em momentos de comemorações e lazer, o uso com moderação faz com que a cerveja seja aliada a boas memórias e a socialização entre pessoas.
Embora o início da cerveja tenha sido em países europeus, essa cultura se alastrou pelo mundo trazendo consigo tradição, sabor e em sua essência, a descontração, se usada com moderação. Relativamente, ela não é ligada a uma única cultura, quando estudiosos mencionam a cerveja sendo criada e citada por diferentes povos. É de caráter cosmopolita, principalmente por estar relacionado com o costume do consumidor.
Um dos maiores pontos positivos é a simplicidade com que ela nasceu e foi aderida ao cotidiano. Sendo despretensiosa, servindo para alegria dos que a procuram como forma de passar o tempo livre em um momento de lazer.
O mundo cervejeiro é capaz de oferecer um universo de possibilidades tanto para a elaboração de pratos quanto para a harmonização com diferentes tipos de comidas.
O álcool intensifica a sensação de calor provocada pelas comidas apimentadas e, por isso, elas não se dão bem com bebidas muito alcoólicas, o que faz da cerveja seu par ideal. (MORADO, 2009, p. 246).
Contudo, o homem evoluindo seus conhecimentos e gostos, desenvolveu novas opções de entretenimento. Atualmente, as opções de locais para esse tipo de consumo variam desde jardins até bares. O contato do homem com a cerveja e a vontade de tornar isso cada vez mais ao seu favor, desempenhando o papel de lazer torna o consumo da bebida maior.
Com o intuito de buscar inspirações para a produção projetual, neste capítulo serão apresentados levantamentos e análises de dois referenciais nacionais e um internacional a fim de compreender as características e particularidades de cada um para agregar conhecimento no desenvolvimento desse trabalho. Por fim, também apresentará o estudo de caso com a finalidade de pesquisa e coletas de dados.
3.1 MUSEU DO PÃO - RS
3.2 CERVEJARIA SURLY BREWING - EUA
3.3 RUA DO LAVRADIO - RJ
3.4 LOHN BIER - SC
REFERENCIAIS
PROJETUAIS
1 2 3 4 5 6 7 3.1.1 LOCALIZAÇÃO 3.1 MUSEU DO PÃO - RS
No começo do século passado o Moinho foi construído por uma família de imigrantes italianos e com a morte do moleiro, foi abandonado no ano de 1990. Em 2014, foi criada uma entidade chamada Associação dos Amigos dos Moinhos do Alto Taquari, designado a preservar o patrimônio cultural e com isso, foi negociado e comprado o terreno onde a obra está inserida. Iniciou-se o projeto do Moinho de Ilópolis, patrocinado pela Nestlé Brasil e restaurado com convênio do Instituto Ítalo Latino Americano – IILA, a fim de recuperar os elementos originais para reincorporar em um novo projeto.
Autores: Francisco Fanucci e Marcelo Ferraz Localização: Ilópolis - Rio Grande do Sul, Brasil Área: 330.0 sqm
Ano do Projeto: 2007
Figura 05: Museu do Pão Fonte: Archdaily
A obra está localizada no centro da cidade de Ilópolis/SC e possui 4.102 habitantes. O acesso se dá pela via local Rua José da Silva Koling em frente ao edifício (figura 04), rua que faz ligação com a rodovia estadual. A rodovia, no entanto, faz ligação com a região central do Vale do Taquari.
Rodovia Via Local
(Rua José da Silva Koling) Museu do Pão
Figura 04: Localização do Museu Fonte: Google Maps, 2017
3.1.2 ACESSOS
Na vista frontal das fachadas que ficam na esquina do terreno se dão os quatro acessos principais. O moinho possui três: um para a visita ao salão, os outros dois para a bodega/mercearia; já o museu, um principal para visitação. Os secundários ficam dispostos nas laterais das edificações para transição de funcionários e serviços (figura 05).
Planta Baixa: 5- Oficina de panificação 6- Sala de aula 7- Pátio Acesso Principal Aceso Funcionários 1- Museu 2- Auditório 3- Moinho 4- Mercearia
1 2 3 4 5 6 7 3.1.3 CIRCULAÇÃO
Embora o terreno possua alguns leves desníveis, há rampas de acessibilidade ao entrar em cada bloco (figura 06 e 07). A circulação se dá ao longo de todas as edificações pela centralidade de cada uma delas. O único acesso vertical acontece no moinho, no centro do salão, que leva até o seu segundo pavimento onde ficam parte do programa expositivo (figura 08 e 09).
Figura 06: Planta Baixa Fonte: Archdaily Escada Rampa Figura 07: Moinho - RS Fonte: RBS Direct Figura 08: Moinho - RS Fonte: Archdaily Figura 09: Corte Fonte: Archdaily 3.1.4 VOLUME
O moinho (figura 10) possui três pavimentos, já os novos dois volumes são perpendiculares entre si e tem área semelhante (figura 11 e 12). Os três blocos são volumes independentes mas se conectam através das passarelas. Com linhas retas, o museu possui uma volumetria retangular e se eleva ao solo para ficar no nível do piso interno do moinho, sua entrada principal é através de uma pequena rampa na fachada frontal.
Figura 10: Museu do Pão Fonte: Clic RBS
Figura 12: Planta Baixa Museu Fonte: Archdaily
Figura 11: Museu do Pão Fonte: Trip Advisor
Figura 13: Croqui Museu do Pão Fonte: Autora, 2017
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3 4
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7
Embora o bloco do museu seja parecido em sua disposição com o da oficina de panificação, ambos são de usos distintos. O museu é marcado pela planta térrea limpa e transparente contando com mostruários em uma espécie de vitrine com peças remetentes à história do moinho, ao fundo fica o auditório para palestras sobre a história do local. Já na parte da oficina de panificação, logo no início, ficam os sanitários, os únicos dos três blocos, e também possui salão com mesa extensa para o curso de culinária sendo o foco do bloco, alguns espaços se tornam repetitivos como o auditório no final para pequenas palestras. No moinho, é onde ficam os mostruários de seu uso original e ao lado a mercearia, como proposta de atração aos turistas (figura 14).
Figura 14: Planta Baixa Museu Fonte: Archdaily Museu Auditório Mercearia/Bodega Sanitários Oficina de Panificação Moinho
3.1.5 DEFINIÇÃO DOS ESPAÇOS 3.1.6 ESTRUTURAS E TÉCNICAS CONSTRUTIVAS
O museu possui uma arquitetura mais moderna, com a transparência dos panos de vidros para mostrar seu ambiente interno já que é um local expositivo, em alguns pontos são vistas as empenas de madeira que barram um pouco da iluminação e vedam a parte do auditório (figura 15), e sua cobertura é revestida em concreto com forma plana.
O bloco da oficina de panificação possui formato retangular (figura 15), a vedação é feita com empenas de concreto, com intuito de vedar o seu uso privado. Os guarda corpos das passarelas (figura 17) que interligam os blocos possuem formas diagonais sendo fabricados em madeira Araucária, igual a do moinho (figura 16 e 18).
Figura 16: Bodega - Moinho Fonte: Archdaily
Figura 17: Ligação Museu e Oficina Fonte: Tripadvisor
Figura 15: Museu do Pão Fonte: Archdaily
Figura 18: Museu do Pão Fonte: Archdaily
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7
A obra é praticamente toda acessível aos visitantes. Eles possuem passe livre ao longo dela e conseguem usufruir de todo o layout disposto. Alguns usos, como auditórios, bodega e cozinha, onde ocorrem as aulas de panificação, são restritos e por isso tem fluxo maior de serviços (figura 19).
Figura 19: Planta Baixa Museu Fonte: Archdaily
Fluxo Visitantes Fluxo Serviços
3.1.7 ZONEAMENTO FUNCIONAL 3.1.8 CONFORTO AMBIENTAL
A iluminação natural no bloco do museu é abundante visto que ele é revestido de vidro que contorna praticamente todo o edifício, se não fossem as tábuas de madeira que intercalam criando um ritmo para obra (figura 20). Os painéis, além de ter uma função estética, funcionam como proteção para incidência solar durante o dia, pelo posicionamento do bloco que é noroeste/norte. A parte dos fundos, onde se localiza o auditório, é vedada com empenas de concreto e possui uma espécie de janela que é fechada com cortinas quando utilizada para palestras. Na oficina foram colocadas aberturas pequenas ao longo do bloco (figura 21). As maiores aberturas ficam na parte inferior e as menores na parte superior. Também foram utilizadas as linhas de sombra que percorrem toda a extensão do teto promovendo luz natural no interior dos ambientes como uma espécie de claraboia.
Planta Baixa: 4- Mercearia
5- Oficina de panificação 6- Sala de aula 7- Pátio 1- Museu 2- Auditório 3- Moinho
Figura 20: Oficina de Panificação Fonte: Archdaily
Aberturas maiores Linhas de sombra Vedação de vidro incolor
Empena de Madeira Passarela coberta com madeira
Figura 21: Vista Externa Museu Fonte: Archdaily
3.1.10 RELAÇÕES DO EDIFÍCIO COM O ENTORNO
O museu do pão se localiza no centro da cidade de Ilópolis em uma importante esquina, que em frente passa uma rodovia estadual. O entorno do projeto é de caráter residencial (figura 23), as casas possuem gabaritos de no máximo dois pavimentos e a maioria é de alvenaria tradicional. Sua arquitetura é respeitosa com o entorno, os dois novos blocos mantém alturas mais baixas que a moinho, para não tirar sua grandeza e se incorporar ao local.
A obra se comunica com o entorno através do usos sociais, como a bodega (figura 24) e a oficina de panificação, além de possuir fachadas envidraçadas que evidenciam algumas características do uso atual e escondem a oficina, criando curiosidade e mantendo-o mais reservado. Além disso, entre os dois
O moinho possui uma configuração única, no entanto, os dois novos blocos (figura 22) são parecidos em sua disposição mas todos os três volumes possuem identidades distintas e são independentes.
O museu do pão foi concebido com o intuito de restaurar um patrimônio cultural do local para promover uso interativo com o público. A obra possui uma boa localização, estratégica para promover o turismo cultural no centro da cidade de Ilópolis e promove usos que interagem com a população e atraem turistas.
A escolha desse referencial foi feita porque é um projeto com objetivo de conservação de patrimônio pré-industrial que foi restaurado para que a obra não perdesse a identidade e fosse deteriorada, ou esquecida ao longo do tempo.
3.1.11 CONSIDERAÇÕES FINAIS
dois blocos novos, fica a praça onde estão expostos alguns equipamentos que eram de origem do moinho, usados durante seu funcionamento.
Figura 24: Bodega Fonte: Archdaily Figura 23: Entorno Moinho
Fonte: Ilopolis RS 3.1.9 SIMETRIA X ASSIMETRIA
Figura 22: Os três volumes– Museu do Pão Fonte: Croqui autora
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9
Acesso Principal Aceso Funcionários Carga/Descarga
Figura 27: Pav. térreo Fonte: Archdaily Arquitetos: HGA Área Total: 4645,0 m² Data do projeto: 2015 3.2.1 LOCALIZAÇÃO Universidade Centro de Minneapolis Área do projeto Transporte público Ciclofaixas Via arterial Via local Rodovia
Figura 25: Localização e entorno Fonte: Landezine
Os três acessos principais são na fachada frontal do edifício, em frente à via arterial da cidade, que liga a rodovia sentido leste/oeste. Acessos secundários, destinados a serviços, estão na parte dos fundos ao lado do recebimento de mercadorias, carga e descarga (figura 27 e 28). Primeiro Pavimento 1- Entrada 2- Fermentação 3- Galeria 4- Varejo 5- Hall da cervejaria 6- Deck cervejaria 7- Fermentação 8- Refrigerador 9- Cozinha 10- Sala de aula 11- Depósitos Segundo Pavimento 1- Restaurante 2- Deck/Restaur. 3- Depósito louça 4- Cozinha 5- Mesa particular 6- Hall sala de aula 7- Sala estar 8- Deck eventos 9- Armazém 10- Mezanino Figura 28: Segundo pav.
Fonte: Archdaily Localizado em Minneapolis, em Minnesota, faz fronteira
entre Minneapolis/St. Paul, dentro da zona de transição industrial (figura 25), com intuito de aproveitar o entorno para conectividade com o público (figura 26).
Surly Brewing MSP foi projetada como uma cervejaria que unisse áreas de lazer com a produção de cerveja no bairro de Prospect Park em Mineápolis. O projeto utiliza 7 terrenos individuais para comportar uma expansão de 200% no terreno. 3.2 CERVEJARIA SURLY BREWING - EUA
Figura 26: Localização e entorno Fonte: Google Maps,
3.2.2 ACESSOS
Figura 29: Implantação Fonte: Landezine Implantação: 1- Cervejaria 2- Entrada da praça 3- Carga/Descarga 4- Área Lazer 5- Jardim da cerveja 6- Possível expansão 7- Box Existente 8- Jardim 9- Jardim 10- Depósito 11- Jardim 12- Captação de água 13- Estacionamento 14- Vegetação nativa 10 6 13 6 12 12 14 11 12 6 7 4 8 5 9 2 1 Figura 30: Corte Fonte: Archdaily 4 3 6 7 5 1 2 8 9 11 10 12 Corte: 1- Hall cervejaria 2- Cervejaria 3- Deck cervejaria 4- Jardim da cerveja 5- Sala Estar 6- Restaurante 7- Deck 8- Hall Eventos 9- Sala de aula 10- Doca 11- Casa de máquina 12- Armazenamento de grãos Acesso Principal Aceso Funcionários Carga/Descarga Linha de Corte
Planta Baixa - Térreo 1- Entrada 2- Fermentação 3- Galeria 4- Varejo 5- Hall da cervejaria 6- Deck cervejaria 7- Fermentação 8- Refrigerador 9- Cozinha 10- Sala de aula 11- Depósitos
Figura 31: Planta Baixa Fonte: Archdaily
Figura 32: Escada Fonte: Archdaily
Circulação Vertical Elevador | Monta Carga
Os visitantes que chegam a pé, de carro, bicicleta ou transporte público são conduzidos a passar pelo jardim. Já na parte lateral fica o estacionamento de clientes e funcionários (figura 29).
Acesso Vertical 3.2.3 CIRCULAÇÃO
A circulação vertical por escada fica ao centro do uso público, enquanto os elevadores estão inseridos em locais que possuem maior movimento, na área de eventos e cervejaria/bar (figura 31).
3
O volume consiste em um bloco que possui um pequeno aclive na cobertura causando uma impressão de movimento na superfície da forma simples da cervejaria (figura 33). Tem um aspecto de arquitetura moderna industrial devido aos seus materiais e equipamentos que ficam evidenciados nas fachadas (figura 34), como forma de mostrar o conceito da equipe de arquitetos que trabalhou no projeto, já que a finalidade é unir a imagem de empresa cervejeira ao mesmo tempo que conecta as pessoas a desfrutarem do local.
Figura 33: Fachada Lateral Fonte: Archdaily
A cervejaria foi projetada para combinar o uso industrial com lazer (figura 35), moldado na cultura cervejeira. Com isso, além de propor um jardim comum à frente da empresa (figura 36), também foi pensado em áreas para apresentações ao ar livre como o da futura expansão na implantação e no interior da cervejaria ficam centros de eventos, restaurante e produção da cerveja exposta através de divisórias envidraçadas.
3.2.4 VOLUME
Figura 34: Fachada Frontal Fonte: Archdaily
3.2.5 DEFINIÇÃO DOS ESPAÇOS
Figura 35: Jardim Fonte: Archdaily
Figura 36: Jardim Fonte: Archdaily
3.2.6 INTERIOR X EXTERIOR
A proposta de sacada e deck permite conectar os visitantes com a cervejaria e o jardim (figura 37). Além disso, o conceito de transparência traz uma dinâmica aos convidados que podem conhecer o processo de produção do empreendimento (figura 38).
Figura 37: Fachada Frontal Fonte: Archdaily
Figura 38: Fachada Frontal Fonte: Archdaily
3.2.7 SIMETRIA X ASSIMETRIA
Exceto pela fachada frontal, o projeto não possui simetria (figura 39). Foi desenvolvido seguindo seu programa de necessidades, pensado no entorno e acessibilidade do público. Os acessos de funcionários e público são independentes e marcados por seus respectivos usos, havendo eixos variados.
Figura 39: Implantação Fonte: Landezine Eixo
9
Planta Baixa - Térreo: 1- Entrada 2- Fermentação 3- Galeria 4- Varejo 5- Hall da cervejaria 6- Deck cervejaria 7- Fermentação 8- Refrigerador 9- Cozinha 10- Sala de aula 11- Depósitos
Planta Baixa– 2 pav. 1- Restaurante 2- Deck/Restaur. 3- Depósito louça 4- Cozinha
5- Mesa particular 6- Hall sala de aula 7- Sala estar 8- Deck eventos 9- Armazém 10- Mezanino Figura 40: Planta baixa - 1 pav.
Fonte: Archdaily
Figura 41: Planta baixa– 2 pav. Fonte: Archdaily 3.2.8 HIERARQUIAS ESPACIAIS Privado Semi-Público Público 3.2.9 TÉCNICAS CONSTRUTIVAS
A obra foi especificamente adaptada para combinar a fabricação de cerveja com a reunião social (figura 42), inserindo jardins para o uso comum (figura 43), bar, restaurante, áreas internas com salas de estudo para reuniões e palestras. A utilização da cor vermelha internamente nos assentos e teto remete o caráter industrial da vizinhança e fixa a marca da cerveja de Surly, que é envolvida em metal vermelho. O design externo mostra uma arquitetura moderna industrial (figura 44), com as placas metálicas em cor mais escura, já na parte interna, a transparência foi para colocar o processo de preparação em exposição aos visitantes, usando madeira e vidro, que são elementos com características naturais trazendo uma leitura mais confortável, humana do ambiente interno ao público.
Figura 44: Cervejaria Surly Brewing Fonte: Archdaily Figura 43: Fachada
Cervejaria Surly Brewing Fonte: Archdaily Figura 42: Fachada
Cervejaria Surly Brewing Fonte: Archdaily
Planta Baixa - Térreo: 1- Entrada 2- Fermentação 3- Galeria 4- Varejo 5- Hall da cervejaria 6- Deck cervejaria 7- Fermentação 8- Refrigerador 9- Cozinha 10- Sala de aula 11- Depósitos
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Figura 45: Planta baixa– 1 pav.Fonte: Archdaily
Os visitantes podem ter um pouco de contato com a fabricação das cervejas transitando por alguns pontos da produção (figura 45 e 46). Como a vedação foi feita através de vidros eles conseguem ter uma noção do que está acontecendo e serve como mostruário à equipe responsável que dá cursos, palestras sobre a cervejaria, ou até mesmo para quem está usufruindo dos espaços através do bar ou restaurante.
3.2.10 ZONEAMENTO FUNCIONAL
Fluxo Visitantes Fluxo Serviço Figura 46: Planta baixa– 2 pav.
Fonte: Archdaily
Planta Baixa– 2 pav. 1- Restaurante 2- Deck/Restaur. 3- Depósito louça 4- Cozinha
5- Mesa particular 6- Hall sala de aula 7- Sala estar 8- Deck eventos 9- Armazém 10- Mezanino
3.2.11 CONFORTO AMBIENTAL
Segundo a equipe de arquitetos responsáveis pelo projeto, o edifício seguiu as recomendações do selo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) sistema de certificação e orientação ambiental de edificações. Eles trabalharam com estratégias de conservação de energia conseguindo reduzir em média R$45.000 reais anualmente.
Além disso, a cervejaria foi projetada em um antigo terreno onde possuía uma contaminação devido ao mau uso anterior, que foi contida após a compra do terreno. Os materiais das fundações existentes foram reciclados e reutilizados no paisagismo da cervejaria. O projeto conta com várias áreas verdes, intercalando com a indústria. Essas áreas em alguns pontos possuem captação de água da chuva (figura 47).
Figura 47: Implantação Fonte: Landezine Pontos de Captação Pluvial
Figura 48: Entorno imediato Fonte: Google Maps, 2016
Figura 49: Entorno imediato Fonte: Google Maps, 2016 A cervejaria está situada em uma zona de transição industrial, motivo pelo qual foram utilizados materiais que remetessem à indústria nas fachadas, caracterizando o novo empreendimento local. A localização para o empreendimento foi um ponto importante para os responsáveis que visaram cruzar a fronteira da conectividade com o público (figura 48 e 49). Todo o perímetro é cercado por ciclofaixas, carros e metrôs próximos. O acesso (figura 50) para o terreno do projeto (figura 51 e 52) foi um dos principais motivos que fizeram a equipe HGA desenvolverem o projeto.
Figura 50: Entorno imediato Fonte: Google Maps, 2016
Ponto de Visão 1
Figura 51 e 52: Terreno Fonte: Landezine Ponto de Visão 2
3.2.12 RELAÇÕES DO EDIFÍCIO COM O ENTORNO 3.2.13 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A escolha desse referencial foi feita pelo modo como pensaram na conectividade (figura 53). A forma como deixaram evidenciados os usos (figura 54) e a transparência permitindo aos visitantes entender os processos de produção da cervejaria será um item aderido a proposta desse trabalho, também a maneira com que os espaços de lazer foram pensados para serem aliados à sustentabilidade como os lagos dispostos nos jardins que captam a água da chuva, expandindo a área sustentável do projeto com método eficiente ao mesmo tempo que é esteticamente agradável aos usuários.
VILA DO SABOR -
UMA NOVA JORNADA CULTURALREFERENCIAL TEÓRICO
Figura 53: Bicicletário nalateral da Cervejaria Fonte: Croqui autora
Figura 54: Fermentadores expostos na fachada Fonte: Croqui autora
A rua do Lavradio tem 246 anos, aberta em 1771, sendo a primeira rua residencial do Rio de Janeiro. O intuito inicial era fazer um caminho que ligasse os Arcos da Lapa à Praça Tiradentes. Em sua fase inicial, foi ocupada por residências de pessoas nobres, duques e escritores. Consequentemente foi expandindo a área central do Rio de Janeiro e durante o Império de Marques de Lavradio foram abertos teatros, cafés, bares em um raio próximo à rua.
Em meados dos anos 1800, o Lavradio estava quase extinto, a vida do local havia se esvanecido, os principais pontos de reuniões de pessoas da alta sociedade haviam sido fechados. Outras ruas foram sendo abertas e tomando brilho e o período de crise do Lavradio foi se estendendo, até meados do século XX.
O Rio de Janeiro teve uma reforma urbana no início do século XX, a nova administração da época trouxe desapropriações e também demolições na área central da cidade. Em 1979, o projeto Corredor Cultural iniciou-se pelo governo municipal com intervenções em áreas centrais para reverter a situação que se encontrava a antiga área nobre da cidade.
A ACCRA (Associação de Comerciantes do Centro do Rio Antigo) foi criada em 1992 para promover reformas urbanas centrais. Os próprios comerciantes desenvolveram um documento com intuito de promover progresso no setor comercial com medidas para o desenvolvimento local, como áreas gastronômicas e culturais da cidade. Com os dois projetos em andamento, ao longo dos anos, acabou sendo feita após um tempo a requalificação da rua do Lavradio que trouxe de novo a vida, criando uma das feiras culturais mais famosas do Brasil que ocorre uma vez por mês.
3.3 RUA DO LAVRADIO - RJ
A rua gastronômica/cultural está inserida em um contexto urbano onde o traçado principal é retilíneo (figura 55).
Os jogos de volume e massas do projeto respeitam a formação do entorno, referente à cultura patrimonial. Os estabelecimentos comerciais (figura 56 e 57) e a feira (figura 58) são localizados na extensão do Lavradio, formando uma unidade entre a rua e sua quadra. Desta forma, traçaram-se os eixos estruturadores do projeto.
3.3.1 COMPOSIÇÃO E TRAÇADO GERAL
Figura 55: Localização Fonte: Google Maps, 2016
Rua do Lavradio
Figura 58: Feira Rua do Lavradio Fonte: Diário do Rio
Figura 57: Santo Scenarium, Lavradio Fonte: Santo Scenarium
Figura 56: Casa Momus, Lavradio Fonte: Deloox
Figura 59: Rua do Lavradio Fonte: Google Maps, 2016
Rua Men de Sá
AV. República do Chile
Rua Frei Caneca Rua Riachuelo Rua do Lavradrio AV. Henrique Valadares O Lavradio está centralizado em um ponto com vários eixos de acessos (figura 59).
O principal ocorre pela Rua Men de Sá, pois nela se encontram várias opções de estabelecimentos gastronômicos presentes nas casas históricas, também localizam-se alguns expositores da feira mensal. Nas ruas adjacentes se localizam os estacionamentos (figura 60) para os estabelecimentos. Já os transportes públicos passam pelas principais ruas e avenidas que circulam o local e atendem a população que mora nos bairros vizinhos. E Rua do Lavradio Estacionamentos Trajeto de Ônibus 3.3.2 ACESSOS
Figura 60: Rua do Lavradio Fonte: Google Maps, 2016
Inicialmente o Lavradio era um caminho de passagem entre os pontos turísticos do Rio de Janeiro, servindo como uma rua de ligação entre os Arcos da Lapa e o emergente Largo do Rocio (atual Praça Tiradentes) com o tempo e a urbanização do Rio expandindo, o local virou um das áreas nobres, sendo assim contava com uma infraestrutura boa e conservada.
A circulação na rua se dá por um percurso linear com pista asfaltada. Há calçamento nos dois lados da rua. Entre a pista de veículos e a calçada existe um pequeno desnível de acessibilidade para cadeirantes (figura 61 e 62).
O local não apresenta grandes inclinações, portanto facilita a locomoção aos usuários com necessidades especiais.
3.3.3 CIRCULAÇÕES
Figura 61: Rua do Lavradio Fonte: Google Maps, 2016
Rebaixo da calçada
Figura 62: Rua do Lavradio Fonte: Google Maps, 2016
A rua do Lavradio está inserida em um contexto cultural da cidade com casarões antigos em estilo eclético, entretanto atualmente mescla-se ao cenário do local muitas construções modernas.
Ao longo da rua existe uma variedade de comércio, bares, restaurantes que utilizam os casarios como ponto fundamental para o sucesso local (figura 63). Transformaram o patrimônio da cidade em atrativo, um dos mais famosos do Rio com a utilização dos espaços históricos com fim cultural através das opções gastronômicas de diferentes etnias que atendem um público variado e curioso.
Devido à grande procura dos turistas e até mesmo dos moradores locais, o local expandiu suas áreas de interesse criando uma feira (figura 64) que além de contar com toda a área comercial já consolidada também são inseridas tendas e expositores ao longo do Lavradio a fim de atender maior número de pessoas e necessidades, trazendo outros tipos de cultura além da gastronomia, como artesanato, pintura, música.
Figura 63: Rua do Lavradio Fonte: O dia
Nas proximidades do Lavradio há uma boa quantidade de praças para os moradores e visitantes usufruírem. Mas a praça principal onde ocorre o maior número de apresentações é a Emilinha Borba (figura 65 e 66). Nela são feitos eventos, como apresentações de grupos de dança, música, teatro, entre outros. Todos esses contribuem para que o local seja ponto de lazer gastronômico/cultural (figura 67).
Figura 66: Praça Emilinha Borba Fonte: Wikimapia
3.3.4 INSERÇÃO URBANA
Figura 64: Feira do Lavradio Fonte: Riliam Rodrigues Blog
3.3.5 VEGETAÇÕES E PRAÇAS
Figura 67: Praça Lavradio Fonte: Wikimapia
Rua do Lavradio Praça Emilinha Borba
Figura 65: Rua do Lavradio Fonte: Google Maps, 2016
Áreas Verdes Próximas
Áreas gastronômicas Escola Delegacia Igreja Acessos Principais Pontos de Ônibus Pontos de VLT Hospitais
Após a abertura da rua, o entorno foi se desenvolvendo, tornando-se o Lavradio, o centro de tudo.
No local há vários equipamentos públicos e privado, para atender a grande demanda de moradores (figura 68). Por ser uma centralidade, a maioria das áreas gastronômicas e comerciais são dispostas nas principais quadras.
A feira foi criada a partir da necessidade de um uso atrativo para a rua que era tão famosa desde sua criação. No início pequenas exposições aconteciam ao longo da rua. Com o passar do tempo e o sucesso aumentando, os expositores também acompanharam o ritmo. Antigamente eram feitas as feiras com 40 barraquinhas, atualmente são mais de 400. Isso fez com que as ruas Men de Sá e Lavradio que já tinham o comércio consolidado, obtivessem ainda mais estabelecimentos comerciais e equipamentos.
A proposta de requalificação do espaço público é um referencial importante a ser observado, pois uma ideia revitalizou o que tinha caído no esquecimento do público. A rua do Lavradio é histórica, tem valor cultural para a cidade, o uso que foi combinado a ela agregou valor e trouxe uma série de benefícios aos usuários. Conta com variedades como: música ao longo da rua que ficam concentradas nas praças, artesanato, venda de roupa, antiguidades na feira que ocorre mensalmente, entre outros usos.
É combinado ao lugar a gastronomia que remete à cultura e firma a história do Lavradio através dos moradores e visitantes que a utilizam e levam consigo a experiência local.
Devido a esses fatores, se tornou tão conhecido e prestigiado, pelo fato de possuir atrativos diversos e combinar diferentes tipos de público através da gastronomia que impulsiona o turismo e o mais importante, promove o entretenimento do público que mantém o valor do Lavradio.
A proposta desse TCC terá como base essa ideia de revitalização, incorporando um novo uso que seja aberto para diferentes públicos, como é o caso da gastronomia, inserido no Paço Municipal (antiga Vila dos Engenheiros) que possui valor histórico e está localizado no ponto central da cidade de Tubarão.
3.3.6 EQUIPAMENTOS E MOBILIÁRIOS 3.3.7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Figura 68: Rua do Lavradio Fonte: Google Maps, 2016
“
Esse projeto (a feira) conseguiu resgatar a região do
Lavradio do ostracismo, do abandono e da falta de
lazer
”
Jane Soares Pimentel
(Comerciante no Lavradio
)
ESTUDO DE CASO
LOHN BIER/SC
Inicialmente a família Lohn produzia cervejas artesanais como hobby. Após algum tempo produzindo, surgiu a ideia de montar um estabelecimento referente à tradição familiar. O nome foi em homenagem à matriarca com sobrenome alemão que seguia as tradições cervejeiras e há anos produzia cerveja artesanal.
O acesso principal está na fachada frontal do edifício. Já os secundários/serviços estão dispostos ao longo do projeto nas fachadas laterais e posterior.
3.4 CERVEJARIA LOHN-BIER– SC
3.4.2 ACESSOS 3.4.1 LOCALIZAÇÃO
Localizado em Lauro Muller/SC, inserido dentro da zona em expansão da cidade. Está posicionado em frente a rodovia SC 390 (figura 69).
Rodovia SC 390
Figura 69: Localização Lohn Bier Fonte: Google Maps, 2016
Lohn Bier
3.4.3 CIRCULAÇÃO
A circulação da cervejaria é marcada pela horizontalidade através do pavilhão e o único acesso vertical é feito pela escada localizada na parte externa.
3.4.4 VOLUME E MASSA
A cervejaria possui linhas retas e formato retangular com pé direito duplo, característicos de uso industrial. Apesar do volume em formato de caixa, a fachada frontal possui detalhes nos revestimentos que dão aspecto natural como a pedra ferro, tijolo rústico e madeira.
3.4.5 DEFINIÇÃO DOS ESPAÇOS
A disposição do projeto foi pensada no atendimento às necessidades do uso, normas e leis dos órgãos responsáveis.
Na parte da frente ao lado do acesso principal está localizado o PUB funcionando em horários diversos, semanalmente e nos fins de semana servindo almoço aos visitantes, cafés e jantas.
3.4.7 CONFORTO AMBIENTAL
Divisórias internas são de isopainel, material resistente à água e umidade e com grande capacidade de isolamento térmico. A telha é tipo sanduíche com algumas translúcidas suficiente para aproveitamento da luz natural sem necessidade da utilização da artificial, durante o dia.
A estrutura é em alvenaria convencional com telha e estrutura metálica, já as fachadas são marcadas pela utilização do vidro e revestimentos.
A cervejaria combina a fabricação de cervejas com a visitação guiada, na entrada principal, ao lado do bar é vista a fabricação das cervejas através do vidro incolor.
3.4.6 TÉCNICAS CONSTRUTIVAS
3.4.8 RELAÇÃO DO EDIFÍCIO COM O ENTORNO
Em uma zona com poucas construções, a cervejaria está inserida no meio de poucas indústrias de pequeno/médio porte e residências. A rodovia que está em frente ao terreno favorece a chegada de visitantes..
Arquiteta:Tatiani Felisbino Brighenti
Área total:2.000,00 m²
Ano do projeto: Inaugurado em 14/10/2014
8
N
Acesso principal Acesso secundário - serviços
Figura 71: Implantação Lohn Bier Fonte: Administração Lohn adaptado pela autora, 2017.
1
2
3
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9
10 11 12 13 15 16 17 18 19 20PLANTA BAIXA: 1- PUB 2- Recepção 3- Sanitários 4- Escritório 5- Cozinha 6- Produção 7- Laboratório 8- Envase 9- Depósito 10- Moagem 11- Casa de máquinas 12- Lavação de barril 13- Câmara Fria 14- Expedição 15- Vestiários 16- Depósito 14 17- Envase 18- Cozinha 19- Lavação 20- Depósito 1
3.4.9 ANÁLISE DAS IMAGENS
Fonte: Acervo autora
Fachada frontal com acesso à Rodovia SC-390. Os revestimentos de tijolo, pedra, ferro e vidro espelhado com intuito de trazer elementos que remetam a natureza e aos processos rústicos ao mesmo tempo que mesclam com a transparência do vidro criando visual interno x externo.
R
odovia S
C
-390
1
Detalhe do acesso principal em madeira com cobertura suspensa presa através de cabos de aço e vidros refletivos retangulares ao fundo. Todos os elementos se enquadram na forma retangular da obra.
2
2
3
Fonte: Acervo autora
Fonte: Acervo autora 3
Primeiro ambiente de visitação, recepção com vista para o processo de produção das cervejas através da parede vedada com vidro incolor. No hall encontram-se mesas bistrôs com o bar a disposição ao lado.
O PUB é como um anexo à fábrica que serve os chopes e cervejas produzidas, é o local de degustação e conta com menus servindo pratos que acompanham as bebidas garantindo experiência gastronômica através das combinações de bebida e comida.
4
4
Decoração do PUB coberta com panos e luminárias com garrafas de cervejas reaproveitadas esteticamente. Atrás do guarda corpo estofado encontra-se o gerente do bar.
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5
6
6
Loja com produtos do local, cervejas, copos, kits, camisetas e outras bebidas de parcerias com a fábrica.
7
7
Processo de produção das cervejas, fermentadores de 2.000L, elevados do piso através de apoio e escada metálica com tubulação além do teto.
Fonte: Acervo autora
Fonte: Acervo autora Fonte: Acervo autora Fonte: Acervo autora
Fonte: Acervo autora Saída da produção para o depósito. 8 8
Depósito para armazenamento de garrafas e cereais. Cobertura com telha sanduíche e translúcidas em alguns pontos gerando iluminação natural.
Fonte: Acervo autora 9
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Fonte: Acervo autora
3.4.10 CONSIDERAÇÕES FINAIS
É interessante ressaltar que a cervejaria utilizada para o estudo de caso é considerada de médio porte com produção de até 200 mil litros mensais e terceirizando outras bebidas. Nela são oferecidos cursos e pequenas palestras para quem tem interesse em degustar ou aderir a prática artesanal.
Além de toda a vivência, reconhecimentos de fluxos e serviços, a maneira como integram com as pessoas e instigam as mesmas a desfrutarem do local é um dos pontos em destaque do projeto, também por estar localizado em uma área às margens da rodovia, tornando-se referência de atratividade da região, trazendo entretenimento e cultura.
Sala de envase onde as garrafas passam por processo de higienização e rotulação. Nota-se a presença de ventilação forçada através dos ventiladores de exaustão. Fonte: Acervo autora 11 11 Poço com 70m de profundidade localizado atrás da fábrica com dezesseis caixas de 2.000L captando água local.
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Lado esquerdo quatro caixas de filtragem de 2.000L, ao lado direito duas caixas de 20.000L para reservatório.
Fonte: Acervo autora
Fonte: Acervo autora
Croqui parte de fabricação Fonte: acervo autora
VILA DO SABOR
UMA NOVA JORNADA CULTURAL LOHN BIER – SCESTUDO DE CASO
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Esse capítulo busca compreender o contexto urbano onde a área da proposta está inserida, através de análises, mapas e levantamentos da área para facilitar a elaboração das diretrizes projetuais com o entendimento adquirido dos condicionantes locais.
4.1ASPECTOS HISTÓRICOS E DE EVOLUÇÃO URBANA
4.2ASPECTOS FUNCIONAIS
4.3ASPECTOS AMBIENTAIS E PAISAGÍSTICOS
4.4 ASPECTOS ARQUITETÔNICOS E URBANÍSTICOS
Capítulo 4
Figura 74: Mapa de Tubarão Fonte: Google Maps, 2011 Adaptado pela autora CENTRO
STO. ANTÔNIO DE PÁDUA
VILA MOEMA
RECIFE
Nesse aspecto serão abordados: localização, históricos do bairro, da área em estudo juntamente com as tendências de desenvolvimento da área.
Figura 73: Mapa de Tubarão Fonte: Prefeitura de Tubarão Adaptado pela autora
Av. Pedro Zapelini Padre Geraldo Spetman
Rua Filipi Schmitd Rua dos Ferroviários
Av. Patrício Lima
Lauro Muller
Av. Pres Tancredo Neves
Marcolino Martins Cabral
SC
Rodovia Federal (BR 101)
Rodovias Estaduais (SC 440 e SC 438) Rio Tubarão
Área de estudo - Intervenção Figura 72: Mapa do Brasil
Fonte: Leis Municipais
N
VILA DO SABOR
UMA NOVA JORNADA CULTURAL 4.1 ASPECTOS HISTÓRICOS E DE EVOLUÇÃO URBANAANÁLISE DA ÁREA
O terreno onde será realizado o projeto, pertence à cidade de Tubarão, bairro Centro, localizado no estado de Santa Catarina (figura 72 e 73). O local é conhecido por Paço Municipal, atualmente sede da Prefeitura de Tubarão, inserido em um contexto privilegiado, na parte central da cidade. Tendo em seu entorno os bairros: Santo Antônio de Pádua, Recife e Vila Moema (figura 74).
DADOS GERAIS
Tubarão possui uma boa localização, fica próximo ao mar e às serras catarinenses. É cortado pela rodovia Br-101, principal acesso juntamente com a rodovia SC-378. Fica a uma distância de 140 km de Florianópolis, capital de Santa Catarina e a 336 km de Porto Alegre, capital gaúcha.
A cidade é sede da AMUREL (figura 75), que compreende dezessete munícipios, fundada no ano de 1970. Destaca-se ainda a importância da economia na região que é marcada pelo comércio, pecuária e agricultura.
Conta com uma estrutura viária considerável em relação ao fluxo de veículos que cresceu a mais do que o previsto para a estrutura urbana. Como atrativo, a cidade abriga o museu ferroviário e o museu Willy Zumblick que contém uma biblioteca aberta à comunidade.
População total:102.087 hab. (Fonte: IBGE)
Área de Unidade Territorial: 301,755 km² (Fonte: IBGE) Densidade Populacional: 322 hab/m² (Fonte: IBGE)
Dados obtidos através de: Site Prefeitura de Tubarão/SC, 2017. Coordenadas Geográficas Latitude:28º 28’ 00’’ Longitude:49º 00’ 25’’ Área total:300 km² Área Urbana:64 km² Área Rural:236 km² Higrometria
A umidade relativa do ar apresenta uma média anual de 83,59 pontos. O índice é elevado em virtude da presença de lagoas e do mar, havendo influências devido à temperatura e à altitude.
Clima
Subtropical com temperatura média máxima de 23,6ºC e média mínima de 15,5ºC.
Ventos:
A predominância dos ventos na região são: 37,5% ocorrência dos ventos Nordeste 15,6% ocorrência dos ventos Sul 13,2 ocorrência dos ventos Sudoeste Limites
Norte: Gravatal e Capivari de Baixo Sul: Treze de Maio e Jaguaruna Leste: Laguna
Oeste: Pedras Grandes e São Ludgero 4.1.2 A CIDADE
Figura 75: Vista aérea de Tubarão, 2017 Fonte: André Fernandes– Drones Sul