UNIVERSIDADE FEDERAL DO
RIOGRANDE DO SUL
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO
EMMEDICINA: CIRURGIA
VALIDAÇÃO DO ESCORE INTERNACIONAL DE SINTOMAS
PROSTÁTICOS NA LÍNGUA PORTUGUESA (BRASIL)
MILTON BERGER
Porto
Alegre
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO
SULCURSO DE
PÓS-GRADUAÇÃO EM MEDICINA: CIRURGIAVALIDAÇÃO DO ESCORE INTERNACIONAL DE SINTOMAS
PROSTÁTICOS NA LÍNGUA PORTUGUESA (BRASIL)
MILTON BERGER
Dissertação apresentada ao Curso de Pós-Graduação em Medicina:
Cirurgi�
da Universidade Federal do Rio Grande doSul
para obtenção do título de Mestre em Medicina, área de concentração Cirurgia Urológica.Orientador: Prof. Dr. Walter
J. Koff
Porto Alegre 1997
·11 "lnr:
MED 05187290
T
WJ7 52 B4 96 c 199'/
[0235758] Berger, Milton. Validacao do escore
internacional de sintomas prostaticos na lingua portuguesa. 1997. 86f. : il.
B496c Berger, Milton
Validação do escore internacional de sintomas prostáticos na língua portuguesa (Brasil) I Milton Berger, orient. Walter José Koff.- Porto Alegre: UFRGS, 1997.
86f.
Dissertação (Mestrado)- Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Medicina. Curso de Pós Graduação em Medicina: Cirurgia.
1 Hiperplasia prostática benigna: sintomas. 2 Hiperplasia prostática benigna: padrões. I. Koff, Walter José. 11. Titulo.
C.D.D.: 616.6 C.D.U.: 616.65
Prostates
Growing
No man-hating avenger could situate it better, turgid bulb at the root and no old man 's .friend; reclining, bearing down
til! the once proud ear/y morning fount is strang/ed to a sizzle.
In silence after heavy rain you can hear prostates growing, or being staved
with rinses that turn the hair jetblack, or irrigation fines that nourisli transplanted hair,
or trips to the squash court squeezed around days designed to be tubular. Just as we go to the bal/game to see players looking bigger and sma/ler
we hope to make it through the operation under spina/ block, the /ast great reaming of the body a man 's mind can
comprehend.
Ron
CharachToronto, Ontário, Canadá Lancet, 348: 1644, 19%
A
meu pai, Prof. Jacob Berger, a quem devo o que sou e cuja
vida, como médico e urologista, me serve como referência de
competência, bondade, honestidade e retidão.
A
minha mãe, Célia, por seu amor e apoio.
AGRADECIMENTO ESPECIAL
Ao Prof. Walter J. Koff, pela orientação deste trabalho e pelo ensino da Urologia.
Ao Serviço de Urologia do HCP A, por minha formação profissional.
Ao Serviço de Cirurgia Geral do HCP A, pelo aprendizado cirúrgico.
AGRADECIMENTOS
Ao Prof Protásio Martins Costa Alves, Dr. Cláudio Luiz Martins Lima e Dr.
Bernardo da Silva Moreira, pelo ensino urológico.
Ao Prof. Thirso dos Santos Monteiro e Prof. Salomão Cutin, pelo ensino urológico.
Ao Dr. Pedro Nery da Luz Jr., companheiro na realização deste trabalho, e ao Dr.
Mauro Weiss, pela amizade e apoio.
À
Dra. Nancy Tamara Denicol, por "segurar" o plantão do Serviço de Transplante
Renal do HCP A durante a redação final desta dissertação.
Ao Dr. Renato Scaletscky, pela estimulante convivência urológica.
Aos acadêmicos Brasil Silva Neto, Alexandre Padoin, Alessandro Rossol e Sérgio
Henriques, pela ajuda na realização deste trabalho.
Ao Dr. Gustavo Toniazzo, Dr. Rafael da Luz Boeno e Dr. Oscar Salis Costa e Silva,
pela ajuda na realização deste trabalho.
AGRADECIMENTOS VII
Aos Professores do Curso de Pós-Graduação em Medicina: Cirurgia da UFRGS,
pelo ensino e estímulo.
Aos funcionários do Ambulatório de Urologia do HCP A, pela presteza e
cooperação.
Ao HCPA e à Faculdade de Medicina da UFRGS, pela oportunidade de
crescimento pessoal e profissional.
SUMÁRIO
LISTA DE ABREVIATURAS...
X
LISTA DE FIGURAS .... ... . . . .. . . . ... . . . ... . . . .. .. . . . ... . .. . .. ... .. . . ... . ... ... .. ... .. . . .. . .. .. . .. . .... . . XIILISTA DE TABELAS... XIII RESUMO . . . .. . . . .. . . .. . . ... . . ... . . .... .... .. . . ... . . ... . . . .... . . .. . . XIV
SUMMARY... .... . .. . .. .. .. . .. .. . . .. . . .. .. . . .. ... . .. . . . ... . . .. . . ... . . . .. . . .. ... ... XVI
1
-IN'TRODUÇÃO
....
.... .... .....
... ...
....
....
... ... · · · · · · · ·2-
REVISÃ
O DA LITERATURA E JUSTIFICATIVA ... . 2.1- Definições e Epidemiologia da
HBP ... ... ... · . . . ..2.2
-Nomenclatura
... ... · · ·23-As
.
pec os conomtcos a HBP
t E
" .
d
......
... ....
.
..
· ..
... · ....
... ..
...
... · .. · ....
..
· . . ·2.4
- Utilidade Clínica da Mensuração de Sintomas em HBP ... .
. 2 5.
-n
esenvo vtmento e um
1
·d
Qu
estiO nano e mtomas . ... .... ... ... ... .. ... .. .. ... ...
· , ·d s·
..2.6- Histórico dos Questionários de Sintomas Prostáticos .. ... .... . .. ... . .... ... .. ... .
.. 2. 7-
OEscore Internacional de Sintomas Prostáticos (I-PSS) .. ... .... ... .. ... .... . . ... . .. ..
..3
- OBJETIVOS ... .....
· . . · .. . . · . . . · · · . . . . · · · .. · · .. · .... · · · ·4
• PACIENTES E MÉTODO ... .5
• RESULTADOS ....
...
. ...
.. .....
.. ...
... ....
...
.......
..
..
....
.....
... · ...
..
....
... ....
..5.1 - Amostra Estudada ... ... ... ... .... .. ... ... ... . .... ... ... .... ... ... ... ... ... . ... ... ...
.5.2- Confiabilidade Teste-Reteste .. . . . ... .. ... .... .... . . .... .... ... .... ... ... .... . .... .. .. ... . ... ... .
5.3 - Confiabilidade de Consistência Interna .. . . ... ... ... ... . ... ... . .... .. .. ... ... ... . . ...
.5.4- Validade de Constructo ... ... ... .. ... ... ... ... ... .... ... .... ... ... ... .. ... ... .... .. .... ...
.1
3
3
6 9 12 15 17 19 22 23
29
29
33
36
36
SUMÁRIO
5.5-
Sensibilidade ou Responsividade ... ... .5.6-
Validação Lingüística ... ... ... .5. 7
-Influência do Nível de Instrução ... . . ... . .... .6
-DISCUSSÃO ... :
. ....
..
....
....
... ..
... .. .....
...
... ... ..
.. .... . .6.1
- Amostra Estudada .....
.. . . . ....
..
.....
...
...
..
... ....
...
.. · · · ·· .6.2
- Confiabilidade Teste-Reteste ... ... . .... ... . ... ... ... .6.3
- Confiabilidade de Consistência Interna ... ... ... ....
6.4-
Validade de Constructo . ... ... ... . . . ... ... ... . . .... . ... .6. 5-
Sensibilidade ou Responsividade ... ... ... . ... .... .6.6-
Validação Lingüística . ... ... ... ... ... ... .6. 7
-Influência do Nível de Instrução ... ..
....
... ....
. · . · · ·6.8-
Processo de Tradução e Aperfeiçoamento do 1-PSS ... .7 -
PERSPECTIVAS DE UTILIZAÇÃO DO 1-PSS ...
..
8 -
CONCLUSÕES ...
.9 -
REFERÊNCIAS BffiLIOGRÁFICAS ...
.10-
ANEXOS ...
.I ...
.2
. . . .. . . .. . .3 ... ...
.4 ...
.5 ... ... . . ...
.6 ... ... ... .. ...
.7
• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • o o o o • • • • • • • • • • • • •�• • • • • • • • • • • • • • o o • • • • • • • o o • • • • • • • • • • • • • • •8
· · · ·· · · 9 ... ... ....
IX37
4043
47
47
48
49
50
51
53
54
57
60
64
66
75
76
78
79
80
81
82
83
84
86
AUASI
Bll
Bn•
BIP
DAN-PSS-1
HBP
IC
1-PSS
1-PSS1
1-PSS2
1-PSS1-Ql
aQ7
1-PSS2-Ql
aQ7
1-PSSpré
1-PSSpós1
1-PSSpósz
1-PSSing
1-PSSport
1-PSSing-Ql
aQ7
1-PSSport-Ql
aQ7
ITUP
LISTA
DE
ABREVIATURAS
American Urological Association Symptom Index BPH Impact Index
(Índice de Impacto da HBP) BIT aplicado no primeiro momento BIT aplicado no segundo momento Danish Prostatic Symptom Score Hiperplasia benigna da próstata Intervalo de confiança
Intemational Prostatic Symptom Score
(Escore Internacional de Sintomas Prostáticos) I-PSS aplicado no primeiro momento
I-PSS aplicado no segundo momento Questões
1
a 7 do I-PSS1Questões
1
a 7 do I-PSS2 I-PS S pré-operatórioI-PSS seis semanas após cirurgia I-PSS doze semanas após cirurgia I-PSS original em inglês
I-PSS traduzido
para
o português Questões1
a7
do I-PSSing Questões I a 7 do I-PSSport Incisão transuretral da próstataLISTA DE ABREVIATURAS
QL
QLt
QV'
QLpré
QLpós1
QLpós2
QLing
QLport
PSA
Qmax
RTUP
Escore Qualidade de Vida
QL aplicado no primeiro momento QL aplicado no segundo momento QL pré-operatório
QL seis semanas após cirurgia QL doze semanas após cirurgia QL original em inglês
QL traduzido para o português Antígeno prostático específico Fluxo urinário máximo
Ressecção transuretral da próstata
LISTA DE FIGURAS
FIGURA
1
- Os anéis de Hald . .. .... . . .. . . .. ... .. .. ... .. .. ... . . .. . .. . .. . .. .. . . ... . . ... .... . . 7FIGURA
2
- Prevalência de sintomas na aplicação do 1-PSS .. ... ... .. .. ... ...
30
FIGURA
3 - Freqüências dos escores na aplicação do 1-PSS ... . .. .. .. ... ... 31FIGURA 4
- Gráfico de correlação entre escores 1-PSS em dois momentos deaplicação.... ... ... ... . ... . . . . ... . . .... . . . .... .... . .. . .... . . ...
34
FIGURA
S - Gráfico das médias dos escores 1-PSS antes e após cirurgia... .... ...LISTA DE TABELAS
TABELA
1
- Prevalência de HBP histológica em autópsias ....
.. .. .. . .. . . .. . .. .. ... .. . . 4TABELA 2
- Prevalência de sintomas moderados e severos em diferentes países.5
TABELA
3
- Nomenclatura clássica e proposta para estudos de HBP ...
.....
.
..
...
....9
TABELA 4
- Distribuição de freqüências por faixa etária...
..
..... -...
29
TABELA
5 - Correlações entre 1-PSS, fluxo urinário, idade e PSA ....
. ....
.
...
...
..
.32
TABELA 6
- Nível de instrução da amostra...32
TABELA
7 - Correlações entre escores 1-PSS aplicados em dois momentos...33
TABELA
8 - Correlações entre cada questão do 1-PSS em dois momentos... . 3 5TABELA 9
- Níveis de correlação e regressão linear entre os escores 1-PSS, QLe
BII .... ... . ... . ... ... ... ... ... . ... .. ... ... . . . ... .... . .... ... . ....
37TABELA
10
- Porcentagem de pacientes por escore QL antes e após cirurgia...39
TABELA 11
- Porcentagem de pacientes por escore de cada questão antes e apóscirurgia .
.. . .. . . .. . . . .... ... ... .. . ... ... ... ... ... ... .. . . .. . . . .. .. .. .. . . .. ... ....
39
TABELA
12
- Médias dos escores de cada questão antes e após cirurgia...40
TABELA
13
- Correlação entre 1-PSS inglês e 1-PSS português...4 1
TABELA 14
- Correlações entre cada questão do 1-P-SS inglês e português...42
TABELA
15 - Nível de instrução da amostra total e do grupo com auxílio para responder o 1-PSS .. .. . .. ... . . .. .. .. .. .. .. .. .. ... .... .. .... .... .. . .. ..
43
TABELA 16
- Nível de instrução do grupo sem auxílio e com auxílio pararesponder o 1-PSS
.
. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. . .. . .. .. .. .. . .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 44TABELA
17 - Comparação de desempenho psicométrico do 1-PSS entre os grupostotal, com exclusão de analfabetos e exclusão de pacientes auxiliados a responder o 1-PSS... 45
RESUMO
A hiperplasia benigna da próstata (HBP) é uma doença de grande prevalência a partir da quinta década de vida no homem. Ela se manifesta principalmente pela presença de sintomas miccionais, coletivamente denominados prostatismo ou sintomas do trato urinário inferior, e as decisões sobre seu tratamento são baseadas preponderantemente na severidade e repercussão destes sintomas. A avaliação da severidade e repercussão dos sintomas por parte de médico e paciente constitui um processo de natureza subjetiva.
O 1-PSS (Escore Internacional de Sintomas Prostáticos) foi concebido e validado no idioma inglês como um instrumento para mensurar objetivamente estas informações. Para que tal instrumento possa ser utilizado em outros idiomas, é necessário que suas propriedades psicométricas sejam testadas após a tradução, já que diferenças culturais e lingüísticas invariavelmente existem.
O objetivo deste trabalho foi validar o 1-PSS no idioma português falado no Brasil. Em um grupo de pacientes com HBP, foram testadas a confiabilidade teste-reteste, a confiabilidade de consistência interna e a validade de constructo do 1-PSS traduzido. Em um grupo de pacientes tratado cirurgicamente, foi testada a sensibilidade ou responsividade do instrumento. Em um grupo de indivíduos bilíngües, foi verificada a validação
RESUMO XV
lingüística do instrumento. Foi avaliada também a influência que o nível de instrução tem sobre o desempenho psicométrico e sobre a aplicabilidade do instrumento.
Concluiu-se que o
1-PSS
traduzido apresentou ótimo desempenho psicométrico e pode ser utilizado como instrumento de avaliação de sintomas em pacientes comHBP
no Brasil. Pacientes com baixos níveis de instrução podem necessitar auxílio para respondê lo.SUMMARY
Benign prostatic hyperplasia is a very prevalent disease in men after forty years of age. Its main manifestation is a group of voiding symptoms collectively called prostatism or lower urinary tract symptoms, and decisions about treatment are based on how severe they are and to wich extent they affect the patient's quality of life. These perceptions on patient's and physician's minds are entirelly subjective.
The I-PSS (Intemational Prostatic Symptom Score) was conceived and validated in English to serve as an instrument to objectively measure this sort of information, i. e., subjective perceptions. In order for the 1-PSS to be used in other countries, its psychometric properties have to be evaluated, since linguistic and cultural differences naturally occur.
The objective of this study was to validate a Portuguese translation of the 1-PSS to be used in Brazil.
Test-retest reliability, internai consistency reliability and construct validity were evaluated in a group of patients with BPH. Sensitivity or responsivity was evaluated in a group of surgically treated BPH patients. Linguistic validation was verified in a group of bilingual men. The influence of patient education levei on the results of 1-PSS application was evaluated.
SUMMARY XVII
We conclude that the Portuguese translation of the 1-PSS has had an excellent psychometric performance and can be used in the evaluation of BPH patients in Brazil. Patients with elementary school education may have to be assisted in answering the questionnaire.
1-
INTRODUÇÃO
Hiperplasia benigna da próstata (HBP) é uma doença de grande prevalência a partir da quinta década de vida. Uma de suas peculiaridades é que a decisão de instituir tratamento depende basicamente da presença de determinados sintomas tradicionalmente associados a ela. Portanto, a decisão de tratamento é dependente da percepção subjetiva, por parte do paciente, da intensidade dos sintomas que apresenta, assim como da percepção, também subjetiva, por parte do urologista, do grau de incômodo que estes sintomas causam a seu paciente. Este estado de coisas leva a uma grande variabilidade na instituição de tratamento, já que certos sintomas podem ser desagradáveis a alguns pacientes e não a outros, justificando ou não tratamento. Por outro lado, a interpretação, pelo urologista, da repercussão que estes sintomas estão causando é também variável. Assim, não há uni formidade de critérios para indicação de tratamento, nem para avaliação de resultados de tratamento e nem para comparação entre diferentes tratamentos.
A fim de esclarecer esse problema, a Associação Americana de Urologia desenvolveu um questionário de sintomas (AUASI - American Urological Association Symptom Index), que sofreu extenso processo de validação na língua inglesa 1• o
questionário, acrescido de uma questão sobre qualidade de vida, foi recomendado para uso em pesquisa clínica e na prática urológica cotidiana pela Organização Mundial de Saúde, através de seu Comitê de Consenso Internacional em Hiperplasia Prostática Benigna,
1 -INTRODUÇÃO 2
tornando-se o Escore Internacional de Sintomas Prostáticos (1-PSS- International Prostatic Symptom Score
)
2.2-
REVISÃO
DA LITERATURA E
JUSTIFICATIVA
2.1-
Definições e Epidemiologia da
HBPHiperplasia benigna da próstata é uma das doenças mais comuns do homem idoso.
A
falta de uma definição epidemiológica consensual efetiva de HBP dificulta os estudos epidemiológicos sobre a doença 3, já que HBP pode ser definida a partir de diferentes perspectivas: histológica, clínica e urodinâmica 4•O termo
HBP
pressupõe um diagnóstico histológico da doença, através de amostra tecidual (definição histológica). Contudo, a realização de biópsia prostática é um procedimento caro e pouco prático para ser usado para diagnóstico de HBP, tanto em pesquisa epidemiológica quanto na prática clínica. Entretanto, estudos baseados emautópsias forneceram relevantes informações sobre a prevalência histológica da doença. Ela aumenta progressivamente a partir dos 40 anos: de cerca de
25%
na s• década de vida2-REVISÃO DA LITERATURA E JUSTIFICATIVA 4
TABELA I
Prevalência de HBP histológica em espécimes de autópsia (modificado de Berry et ai.
5)
Idade' 1 -10 11 -20 21 -30 31 -40 41 -50 51 -60 61 -70 71 -80 >80 N° próstatas com HBP I N° total próstatas (espécimes de autópsia)
O I
27O I
35O I
86 8I
105 22I
94 81I
191 171I
242 181I
221 65I
74 528 11075 Prevalência(%)
o
oo
7,6 23,4 42,6 70,6 81,9 87,8Deve-se levar em consideração, entretanto, que a prevalência histológica não corresponde à prevalência clínica de HBP. Não são todos os portadores de HBP histológica que apresentam sintomas miccionais ou aumento volumétrico da próstata ao exame digital retal.
De fato, a prevalência de HBP clínica (definição baseada em sintomas e exame digital retal) difere da de HBP histológica, segundo estudos epidemiológicos baseados em 'populações ou comunidades 6•7•8•9•10 [TABELA 2].
2- REVISÃO DA LITERATURA E JUSTIFICATIVA 5
TABELA2
Prevalência de homens com sintomas moderados e severos de prostatismo por faixa etária em estudos populacionais (modificado de Bosch et al.
8)
Idade Dinamarca Canadá EUA França Holanda
(%)
(%)
(%)
(%)
(%)
30-39 2 40-49 7 24 50-591 8
15
318
26 60- 69 2327
3614
30 70-79 31 44 27 36Apesar das diferenças de prevalência entre HBP histológica e clínica, verifica-se
uma nítida tendência de aumento progressivo de ambas com o aumento da faixa etária.
O
diagnóstico de HBP clínica sugere a existência de obstrução ao fluxo urinário.
Tradicionalmente, os sintomas miccionais associados a HBP, genericamente denominados
de 'prostatismo', são atribuídos aos efeitos obstrutivos causados pelo aumento do volume
prostático sobre o colo vesical.
Ademonstração objetiva de obstrução pode ser realizada
através de sofisticados estudos de pressão-fluxo, que registram
aspressões intravesicais
simultaneamente
aofluxo miccional
11'12.Seria possível então definir
HBP
sob uma
perspectiva urodinâmica: a presença de obstrução seria caracterizada pela observação de
altas pressões intravesicais durante a micção, acompanhadas de baixos fluxos miccionais,
afastadas as condições menos frequentes de obstrução associada a alto fluxo e de ausência
de obstrução associada a baixo fluxo (hipotonia do detrusor)
11•12.HBP, portanto, pode ser definida sob uma perspectiva sintomática (presença de
sintomas de prostatismo em paciente com aumento prostático ao exame digital retal), uma
2-REVISÃO DA LITERATURA E JUSTIFICATIVA 6
perspectiva urodinâmica (presença de obstrução prostática demonstrada objetivamente por
estudos de pressão-fluxo) e uma perspectiva histológica (presença de biópsia prostática
demonstrando hiperplasia).
Os estudos de prevalência e incidência devem basear-se em uma definição
uniforme da doença, para que seu diagnóstico seja homogêneo e estudos epidemiológicos
possam ser comparados e analisados. Como se viu, a doença
HBPenvolve aspectos
diversos de um único processo patológico (hiperplasia- obstrução - sintomas). Ainda não
foi possível unificar estes conceitos de modo a conseguir uma definição aplicável
universalmente, o que resulta em prejuízo para a realização de estudos epidemiológicos.
Pode-se afirmar, entretanto, a partir dos estudos referidos acima, que, independentemente
da definição utilizada, a prevalência de
HBPé alta a partir da
sadécada de vida e aumenta
progressivamente com a idade.
O
1-PSSrepresenta um instrumento que pode mensurar um dos aspectos mais
importantes, senão o mais importante, da doença HBP: os sintomas por ela causados.
2.2
-Nomenclatura
A interação entre os diversos aspectos da doença HBP (hiperplasia obstrução
-sintomas) ainda não foi esclarecida, como demonstram as fracas correlações existentes
entre estes fatores
13•14.Os "anéis de Hald" ilustram esquematicamente a pouco
compreendida interação entre os aspectos da doença e auxiliam a compreensão deste
fenômeno através de uma representação visual
15.Eles foram renomeados por Abrams, que
utilizou termos que parecem mais apropriados
àvista do conhecimento atual
16.Por meio
2-REVISÃO DA LITERATURA E JUSTIFICATIVA 7
des�a representação,
é possível verificarque está-se
lid
and
o comentidades distintas de
ummesmo processo
pato
lógic
o,entidades que
podem ou não se apresentarconcomitantemente
[FIGURA
1].
prostatismo
HBPobstrução
sintomas
dotrato urinário
inferiorobstrução
do colo vesicalFIGURA
1-Anéis de Bald (à esquerda) e os mesmos renomeados por Abrams (à
direita), representando os três aspectos da doença
Observa-se que as três dimensões da doença existem isoladamente ou associadas
umas às outras. Pacientes
podem se situar em qualquer das áreas,isoladas
oucomuns a
duas
outrês dimensões. Resta
determinar a melhor conduta para cada umadas situações
17•Pacientes
sintomáticos nem sempre apresentam obstrução e podem atémesmo
nemter hiperplasia de próstata. Pacientes obstruidos
pod
emser assintomáticos. A
ex
is
tên
ci
a dehiperplasia de próstata
podese dar sem que
o paciente apresente qualquer pro
bl
em
a, como obs
truçã
o ou sintomas. Somente a adoção deesforços para classificar o
pacie
nt
e emalguma das categorias dos
"anéisd
e Hal
d" permitirá o
ent
en
dimen
to doque efetivamente
2-REVISÃO DA LITERATURA E JUSTIFICATIVA 8
Devido
à
compreensão inadequada dos eventos fisiopatológicos envolvidos na
gênese da
HBP,
tem sido proposta uma mudança na terminologia consagrada pelo tempo e
ainda correntemente usada
naprãtica clínica e em pesquisa
16'17. Otermo 'prostatismo',
conjunto de sintomas tradicionalmente associados a
HBP, é
�rrôneo, pois sugere uma
etiologia prostãtica. No entanto, trata-se de sintomas inespecíficos que podem ser devidos a
uma variedade de condições clínicas e que seriam mais apropriadamente deno,minados
como 'sintomas do trato urinãrio inferior'
17.Os 'sintomas irritativos e obstrutivos',
subdivisões dos sintomas de prostatismo comumente utilizados, seriam melhor
classificados como 'sintomas de
armazenamento e de esvaziamento'
17,respectivamente.
O termo 'hiperplasia benigna da próstata' deveria ser reservado para o seu
significado estrito, isto
é,
para o diagnóstico histológico da doença. Em termos clínicos, o
achado de próstata aumentada ao exame digital retal deveria ser referido como 'aumento
prostãtico benigno'
17.'Obstrução do colo vesical', termo genérico comumente usado para definir
obstrução ao fluxo urinãrio causado pelo aumento prostãtico, mas que pode ocorrer em
outras condições patológicas anatômicas e funcionais, poderia ser complementado com
termos qualificativos, como 'obstrução do colo vesical secundãria a aumento prostãtico
benigno'
17.Neste estudo, os termos clãssicos e os termos sugeridos, definidos acima, serão
utilizados intercambiavelmente. Quando necessãrio, serã fornecido esclarecimento sobre os
termos utilizados.
A
maioria das publicações na literatura mundial ainda utiliza os termos
clãssicos, mesmo porque a sugestão de adoção destes novos conceitos
é
recente
17•182- REVISÃO DA LITERATURA E JUSTI FICATIVA
TABELA3
Nomenclatura proposta para uso em HBP Nomenclatura classicamente
·utilizada
Hiperplasia benigna da próstata
Sintomas de prostatismo
irritativos
obstrutivos
Obstrução do colo vesical
2.3 -
Aspectos Econômicos da
HBPNomenclatura proposta
Aumento prostático benigno
Sintomas do trato urinário
inferior
de armazenamento
de esvaziamento
Obstrução do colo vesical
secundário a aumento prostático
benigno
9
Os gastos em saúde têm apresentado uma tendência de crescimento no mundo todo.
O impacto que este dispêndio representa para a sociedade é enorme, já que os recursos
disponíveis são finitos. Vários fatores são responsáveis por este crescimento,
especialmente o aumento populacional e o constante desenvolvimento de novas
tecnologias médicas. Doenças comuns e prevalentes representam uma grande parcela dos
gastos em saúde.
HBPé uma delas.
Ressecção transuretral de próstata
(R TUP)
é a cirurgia mais freqüentemente
realizada para tratamento de
HBPnos
EUA,
constituindo
95%dos procedimentos com esta
finalidade
19•20.Um homem de
40anos tem cerca de 300/o de chances de se submeter a
prostatectomia se viver até os
80anos nos EUA
21.Em 1993, foram realizadas
168mil
RTUP por
HBPnos EUA, somente em pacientes do programa governamental Medicare,
2-REVISÃO DA LITERATURA E JUSTIFICATIVA 10
constituindo-se na segunda operação mais dispendiosa, atrás apenas de cirurgia para catarata22. Considerando-se que cada procedimento, aí incluídas suas complicações, custa US$ 6.889 19, pode-se avaliar o vulto dos gastos com o tratamento cirúrgico desta doença.
Em 1990, somente seis nações
(EUA,
Japão, Inglaterra, Bélgica, França e Suécia) despenderam cerca de 3 bilhões de dólares no tratamento cirúrgico daHBP
22.O advento de novas modalidades de tratamento de
HBP
vem contribuindo para o aumento destas despesas. Nos últimos anos, foram lançadas no armamentário urológico a cirurgia a laser 23, os "stents" prostáticos 24, a ter�pia por microondas e radiofreqüência 25•26 e a eletrovaporização 27, cujos custos-benefícios em relação às técnicas cirúrgicas convencionais ainda não foi possível determinar.Acima de tudo, o lançamento de drogas com ação cientificamente comprovada sobre
HBP
alterou o panorama do tratamento da doença. O apelo de um tratamento não cirúrgico é forte sobre a população afetada. A finasterida 28, um inibidor da 5-alfa-redutase, e os alfa-bloqueadores 29 foram responsáveis pela queda acentuada do número de cirurgias paraHBP
observada nos últimos anos nos países desenvolvidos, especialmente nos EUA, país onde as vendas desses produtos superaram 50 milhões de dólares no ano de 1994 19.No Hospital de Clínicas de Porto Alegre, foram realizadas
59 4
RTUP
e146
prostatectomias retropúbicas e suprapúbicas no período compreendido entre janeiro de 1995 e janeiro de 1997, o que dá uma média aproximada de 30 cirurgias por mês para tratamento de
HBP.
Outro fator que deve ser considerado no aumento dos gastos no tratamento de
HBP
é o crescente envelhecimento da população mundial, tanto nos países desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento. Estima-se que mais de 600 milhões de pessoas no planeta terão
2- REVISÃO DA LITERATURA E JUSTIFICATI VA 1 1
mais de
60
anos no ano2000
30• Pessoas acima de65
anos d e idade constituem o segmento que mais rapidamente cresce na população americana 19•Tendência seme�hante se verifica no Brasil, onde o envelhecimento da população d
"fi
d1
. , d"31
po e ser ven tca o pe o segumte m tce :
população >
65
anosI= ---
X 100
população<
15
anosEste índice informa o número de pessoas maiores de
65
anos para cada100
pessoas menores de15
anos. Em todo o Brasil, o índice mudou de10,49
em1980
para13,91
em1991.
Para a região sul do país (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), a mudança foi de10,58
para15,57.
Considerando-se somente o Rio Grande do Sul, o índice passou de14,36
para19,43,
evidenciando um envelhecimento ainda mais acentuado da população 31•Os números acima demonstram a necessidade de os sistemas de saúde públicos e privados estabelecerem meios de verificar o custo-beneficio dos tratamentos para doenças, especialmente as mais prevalentes, a fim de minimizar e otimizar os gastos em saúde.
É
necessãrio criar instrumentos uniformes, reproduzíveis e consistentes de mensuração para diagnosticar a doença, avaliar resultados de tratamentos e comparar tratamentos entre si 32•O 1-PSS representa um dos instrumentos necessãrios para estas finalidades em relação a HBP.
2- REVISÃO DA LITERATURA E JUSTI FICATIVA 12
2.4 -
Utilidade Clínica da Mensuração de Sintomas em
HBPA mensuração de fenômenos é uma tarefa comum na prática médica, especialmente a mensuração de fenômenos anatômicos ou fisiológicos (altura, peso, freqüência cardíaca, pressão arterial, contagem sangüínea, dosagem de antígeno prostático específico, volume prostático, fluxo urinário, etc.). Tais mensurações auxiliam no diagnóstico, no prognóstico e na avaliação de tratamentos 33.
Certas condições são, no entanto, ma1s dificeis de mensurar objetivamente. Parâmetros subjetivos como dor, satisfação, incômodo, angústia, prazer e medo são exemplos de fenômenos mais complexos de ser medidos. Certas condições patológicas, entretanto, se manifestam preponderantemente por tais fenômenos subjetivos ou sintomas.
Com o progresso da Medicina, diversas doenças estão sendo erradicadas, prevenidas e detectadas precocemente. Esclarecimento da população através dos meios de comunicação e de campanhas organizadas por entidades médicas tem resultado em maior procura dos serviços de saúde. Está-se assistindo a uma mudança no enfoque da atuação médica. Pacientes procuram serviços médicos na esperança não somente de curar uma doença, mas de melhorar sua qualidade de vida. Mesmo em doenças crônicas ou incuráveis, procura-se preservar e melhorar a qualidade de vida dos pacientes, evitando tratamentos dolorosos e de eficácia questionável ou procedimentos diagnósticos que não levarão
à
alteração de condutas já definidas.Sintomas, seu impacto sobre a qualidade de vida e a limitação funcional deles decorrente são parâmetros cada vez mais importantes na avaliação e tratamento de doenças
2-REVISÃO DA LITERATURA E JUSTIFICATIVA 13
uma doença não é satisfatória se não for acompanhada da erradicação dos sintomas dela derivados.
As complicações de HBP, como retenção urinária, hematúria, litíase vesical, hidronefrose e insuficiência renal, são eventos que inquestionavelmente necessitam de intervenção ativa por parte do urologista, a fim de evitar perigo
à
vida do paciente. Contudo, estes eventos ocorrem numa minoria de pacientes com HBP. O que mais freqüentemente leva o paciente a procurar atendimento urológico é o aparecimento de sintomas como dificuldade miccional, esforço miccional, freqüência urinária diurna e noturna aumentadas, incontinência urinária e diminuição da força e calibre do jato urinário. Portanto, intervenção do urologista é solicitada para aliviar ou diminuir sintonias que causam desconforto ao paciente, ou seja, para melhorar sua qualidade de vida. De fato, a presença de sintomas miccionais é a causa mais freqüente de indicação cirúrgica em Iffip 34Depreende-se daí que a necessidade e o tipo de tratamento dependem de informações essencialmente subjetivas, como a intensidade dos sintomas e o grau de incômodo que eles determinam ao paciente. Por outro lado, a indicação
ou
não de tratamento também depende da maneira como o urologista interpreta ou percebe a intensidade destes sintomas e sua repercussão. Note-se mais uma vez que essas impressões ou percepções também são de natureza totalmente subjetiva.Essa subjetividade por parte de paciente e urologista determina enormes diferenças nas taxas de indicação de tratamento para HBP. De fato, encontra-se grande variabilidade no número de prostatectomias realizadas por fração de população em diferentes regiões geográficas e entre diferentes médicos, o que sugere que critérios ou limiares diversos para
2-REVISÃO DA LITERATURA E JUSTIFICATIVA 14
indicação terapêutica são adotados 32• Essa variabilidade não é observada quando se
examinam doenças cuja indicação de tratamento é clara e linear, como, por exemplo,
laparotomia para trauma com perfuração de víscera oca, internação hospitalar para
tratamento de infarto agudo do miocárdio ou cirurgia para fixação interna de fratura de
fêmur32.
Em face do exposto, seria extremamente desejável haver um instrumento uniforme,
reproduzível e consistente que pudesse quantificar os sintomas decorrentes de
HBP
e sua
repercussão.
Aexistência de tal instrumento permitiria 35:
•
comparar um paciente com outro (ou uma população com outra);
•avaliar resultados de um tratamento específico para
HBP;
•
comparar resultados de diferentes tratamentos para
HBP;
•
monitorar a progressão da doença no tempo em pacientes individualmente;
•aumentar o conhecimento sobre
ahistória natural de
HBP;
•
identificar o momento ideal para intervenção terapêutica;
•
aumentar a eficiência da comunicação entre paciente e urologista;
•aumentar o envolvimento do paciente nas decisões sobre seu tratamento;
•
acoplado a testes urodinâmicos, fornecer um quadro detalhado e completo do
estado da doença.
2-REVISÃO DA LITERATURA E JUSTIFICATIVA 15
2.5
-D�senvolvimento de um Questionário de Sintomas
Um instrumento desenvolvido para mensurar sintomas deve preencher uma série de
qualidades psicométricas e clinimétricas que avaliem sua performance como instrumento
de medição
36.Primeiramente, é necessário selecionar um grupo represent3;tivo de sintomas
que adequadamente representem e informem o máximo sobre a doença em questão, tanto
·para o paciente quanto para o médico
3'.36.Uma vez definidas as questões acerca destes
sintomas, são testadas sua confiabilidade, validade e sensibilidade
32•36•'Confiabilidade' é definida como a consistência de uma resposta a uma questão
3'e
éconfirmada quando
há
um alto grau de concordância entre as respostas a uma mesma
questão aplicada antes e após um intervalo de tempo não suficiente para que haja mudança
no estado da doença. Em outras palavras, se a doença não sofreu alterações, questões a seu.
respeito devem fornecer as mesmas respostas, quando aplicadas em momentos diferentes.
Esta propriedade de uma questão ou de um grupo de questões se denomina 'confiabilidade
teste-reteste' e é especialmente importante para instrumentos destinados a acompanhar a
evolução de uma doença ao longo do tempo. Quanto mais confiável o questionário, maior a
probabilidade de que mudanças nas respostas sejam devidas a verdadeiras alterações no
estado da doença
32•Outro tipo de confiabilidade é aquela denominada 'confiabilidade de
consistência interna', que é uma medida da capacidade de um grupo de questões mensurar
um mesmo conceito.
A
capacidade de mensuração de um fenômeno
émaior quando as
questões são de fato relacionadas entre si, isto é, quando elas se referem todas
aum mesmo
conceito
36.Esta propriedade pode ser medida estatisticamente por meio da estatística
2-REVISÃO DA LITERATURA E JUSTIFICATIVA 16
Outra propriedade a ser testada
é a 'va
lidad
e', que se refereà capacidade
de uminstrumento
mensurar
oque realmente se
pretendeque ele mensure
35•'Validade
deconteúdo' existe
quando
o grupode
questões selecionadas realmenterepresenta o
conceito de interesse, tanto paramédicos quanto para pacientes
35.'Validade de constructo' é a
maneira
pela qual o instrumento se relaciona com outras medidas aceitas
da doença para
verificar se o instrumento realmente a mensura
32,
ou a maneira pela qual o instrumento se
correlaciona com o incômodo causado por ela
35•'Validade discriminante' é a capacidade
.de um
t
este discriminar indivíduos com e sem
doença, eé importante especialmente para
testes
com fins diagnósticos
35•
Uma
propriedade extremamenteimportante para testes que visem
detectar alterações no estadoda doença, como,
por exemplo,q
uan
tific
ara
progressãoda
doença oua
resposta aotratamento,
é
a 'sensibilidade'
ou 'responsividade'32.
Esta é
definidaj
us
ta
mente como a capacidade de detectar mudanças significativas no estado da
doença,ou
seja, melhora ou piora
36•
Outras pr
op
riedad
es são igualmente n
ec
ess
árias
paraque
uminstrumento
do tipo questionário possa ser efici
ente
.Um
quest
ionário auto-administrado,além de
ser maisprático e
eficaz para uso clínico, também evita a adm
ini
straç
ão por um entre
vis
tado
r, situação que pode cons
tit
ui
rum viés sign
ifica
tiv
o.Além
disso, um questionário eficientedeve fornecer a maior quant
id
ade possível de informações com um n
úmero
poucoextenso
de questões,
isto é, deve ser conciso e
parc
im
on
ioso. Idealmente,deve apresentar
razoávelhabilidade de
g
en
eral
izaç
ão,ou s
eja
,sua
aplicação deveser possível
a diferentesi
ndivíduos
,grupos
ou populações, paraque
seusresultados sejam
·s
ign
ificat
ivose
2- REVISÃO DA LITERATURA E JUSTIFICATIVA 17
2.6
-Histórico dos Questionários de Sintomas Prostáticos
A
importância dos sintomas decorrentes do aumento prostâtico como manifestação
de doença e o surgimento de tratamentos não cirúrgicos para
HBP
levaram um grupo de
urologistas americanos, em conjunto com membros de entidades governamentais de saúde
americanas, em
1977,
a estabelecer critérios para o estudo dos resultados de tratamentos
para
HBP
38.O
maior mérito do trabalho reside no fato de ter indicado uma lista de
sintomas importantes de serem avaliados em protocolos de estudo, assim como categorias
de resposta desejáveis. Ele é, portanto, o ''pai" conceitual de todos os questionários
subseqüentes
39.O
Índice de Sintomas de Madsen-Iversen, publicado em
1983,
foi
idealizado para selecionar candidatos a prostatectomia
40e para avaliar a resposta a ela
41•Esses dois instrumentos foram certamente os mais utilizados no passado recente.
No entanto, ambos os índices de sintomas são passíveis de crítica. Eles se limitam a listar
os sintomas considerados mais importantes, não havendo indicação de como as questões
devem ser formuladas ou administradas (auto-administradas ou administradas pelo
entrevistador).
Apresença de um sintoma pode ser argüida de diferentes maneiras, e
diversos entendimentos podem decorrer de cada uma delas, o que limita a possibilidade de
comparação entre estudos.
O
espectro de respostas mistura freqüência e severidade, que
são dimensões inter-relacionadas, mas diferentes. Além disso, nenhum destes instrumentos
sofreu um processo formal de validação estatística, não havendo dados sobre sua validade
'confiabilidade e sensibilidade
33•39.2 -REVISÃO DA LITERATURA E JUSTIFICATIVA 18
O Índice de Sintomas do 'Maine Medicai Assessment
Program'
(MMAP)
42,
utilizado num estudo de resultados de proStatectomia publicado em 1 988, foi o instrumento mais adequadamente validado do ponto de vista psicométrico
33.
Seu mérito reside no fato de relacionar sintomas com outras medidas de qualidade de vida e de proporcionar uma base racional para classificar a severidade dos sintomas prostáticos em leves, moderados e severos. No entanto, o questionário era administrado pelo entrevistador, o que pode introduzir um viés considerável nas respostas.O . .
nh 'd c. d
l
'd43 44 45
'áutros quest1onános, menos co ec1 os, 1oram esenvo Vl os · · , J incorporando· conceitos como auto-administração e correlação com outras medidas de qualidade de vida.
Um questionário interessante, o 'DAN-PSS-1 ' (Danish Prostatic Symptom Score), desenvolvido na Dinamarca, incorpora novos conceitos a um instrumento deste tipo, como a avaliação da qualidade de vida em relação a cada sintoma urinário 46. Recentemente, esse
questionário sofreu um processo de validação formal, que demonstrou ótimo desempenho do ponto de vista psicométrico
47•
A
inclusão de um maior número de sintomas, assim como a avaliação do grau de incômodo referente a cada um deles, pode lhe conferir uma capacidade de melhor retratar o quadro clínico de pacientes com HBP.Em
1992, foi publicado o 'American Urological Association Symptom Index' (AUASI), assim como todo o seu processo de desenvolvimento e validação 1 .O
cuidadosométodo de concepção envolveu etapas muito bem planejadas, desde a seleção das questões a partir de um grupo extenso de sintomas até a validação estatística formal do instrumento.
A
sua tradução para outros idiomas e sua utilização como instrumento de mensuração de2-REVISÃO DA LITERATURA E JUSTIFICATIVA 19
Organização Mundial de Saúde
2,
que adicionou, às sete questões existentes, uma outra
referente
à
qualidade de vida em função da condição urinária. Tomou-se então
,
0'
'Intemational Prostatic Symptom Score'
(I-PSS).
Atualmente, é o questionário mais
utilizado pela comunidade urológica internacional em trabalhos sobre
HBP.
Suas virtudes,
além da rigorosa validação estatística, são sua simplicidade e praticidade, pois contém um
pequeno número de questões sobre sintomas urológicos (sete) e uma sobre a repercussão
destes na qualidade de vida.
Com o objetivo de investigar as relações entre avaliações urodinâmicas complexas
e um amplo espectro de sintomas urinários, a 'Intemational Continence Society' el
a
borou
o 'ICSmale questionnaire' para estudo da
HBP.
Este questionário engloba um espectro
ainda maior de sintomas do que o
DAN-Pss..:t,
e recentemente foi submetido a um
processo de validação psicométrica, no qual demonstrou ótimo desempenho com grande
número de pacientes recrutados em
12países da Europa, Ásia e Oceania
48.2.7 -
O
Escore Internacional de Sintomas Prostáticos (1-PSS)O
1
-P
SS
é
composto de sete questões relacionadas a sete diferentes sintomas
urinários associados a
HBPe uma questão sobre a qualidade de vida em função destes
sintomas [ANEXO 8].
Os sintomas referidos nas questões são:
Questão n°
1 -esvaziamento vesical incompleto
Questão n°
2 -polaciúria
2 -REVISÃO DA LITERATURA E JUSTIFICATIVA
Questão n°
4- urgência
Questão n°
5 - jato urinário fraco
Questão n°
6
-esforço miccional
Questão n°
7
-noctúria
20
Dentre eles, quatro são considerados de esvaziamento ou obstrutivos (esvaziamento
vesical incompleto, intermitência, jato urinário fraco e esforço miccional), e três são
considerados de armazenamento ou irritativos (polaciúria, urgência e noctúria).
A
escala de respostas representa um espectro de seis freqüências, que variam de
"nenhuma vez" a "quase sempre", e se aplica às seis primeiras questões.
Aescala de
respostas da sétima também representa um espectro de seis freqüências, que variam de
"nenhuma vez" a
"5 vezes ou mais".
A
cada freqüência é atribuído um valor numérico, que
varia de
O
para "nenhuma vez" a
5 para "quase sempre" (questões
Ia
6)
ou
"5vezes ou
mais" (questão 7). Portanto, o escore 1-PSS pode variar de
O
a
3 5 .À
questão sobre qualidade de vida (QL) é atribuído u m valor numérico que varia de
O
a
6, já que o espectro possível é de sete · respostas e representa o escore QL. Esse escore
não é adicionado ao escore 1-PSS, mas sim registrado conjuntamente a este, já que um e
outro representam dimensões diferentes relacionadas aos sintomas: o 1-PSS avalia a
freqüência ou severidade dos sintomas, e o escore QL, a repercussão que eles exercem
sobre o bem-estar do paciente. De fato, a adição deste escore ao 1-PSS decorreu do
reconhecimento de que não
só
a presença dos sintomas
é importante, mas também o grau
de incômodo causado por eles.
A
partir de correlações realizadas entre o escore 1-PSS e o grau de incômodo
2 -REVISÃO DA LITERATURA E JUSTIFI CATIVA 2 1
identificar categorias de pacientes com diferentes níveis de sintomas. Indivíduos com
escore abaixo de 7 em geral eram nada ou pouco incomodados pelos seus sintomas.
Aqu
eles que apresentavam escores entre
8
e 19 demonstravam graus intermediários de
incômodo. Já homens com escore acima de
20apresentavam incômodo mais intenso
secundário a seus sintomas urinários
1 .Desta forma, foi possível classificar os sintomas em
três categorias:
O
a 7
-leves;
8
a 19
-moderados;
20a
3 5 -severos.
3
-OBJETIVOS
O objetivo geral deste estudo é validar o Escore Internacional de Sintomas
Prostáticos (1-PSS) traduzido para a língua portuguesa falada no Brasil, para uso em
pacientes com hiperplasia benigna da próstata.
Os objetivos específicos do estudo são:
•
avaliar a 'confiabilidade teste-reteste' do 1-PSS traduzido;
•
avaliar a 'confiabilidade de consistência interna' do 1-PSS traduzido;
•avaliar a 'validade de constructo' do 1-PSS traduzido;
•
avaliar a 'sensibilidade' ou 'responsividade' do 1-PSS traduzido;
•avaliar a 'validação lingüística' do 1-PSS traduzido;
4 -
PACIENTES E MÉTODO
O questionário I-PSS original em inglês [ANEXO 1] foi traduzido para o português
por dois urologistas bilíngües, e tal tradução [ANEXO 2] foi comparada a uma versão
livre, não validada, em português falado em Portugal 49 [ANEXO 3]. Não houve alteração
da primeira versão brasileira após esta comparação. A seguir, foi solicitado a um tradutor
profissional que traduzisse o
I-PSS
inglês para o português [ANEXO 4]. Esta tr
aduç
ã
ofoi
revisada pelos dois urol
ogistas bi
l
ín
gü
e
s, comparada à primeira versão em português,
euma segunda versão foi redigida [ANEXO 5].
Iniciou-se então a aplicação do questionário, segunda versão, aos pacientes
portadores de
HBP
encaminhados ao ambulatório da próstata do Serviço de Urologia do
Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCP A).
Os critérios de inclusão no estudo foram:
• idade entre 40 e 85 anos
•
presença de sintomas de prostatismo
•
exame digital retal compatível com hiperplasia benigna da próstata
Os critérios de exclusão do estudo foram:
•
doença uretral (estenose, divertículo, cirurgia pré
via)
•doença vesical (litíase, neoplasia, cirurgia prévia)
4 -PACI ENTES E MÉTODO 24
•
bexiga neurogênica (acidente vascular cerebral, traumatismo raquimedular,
neuropatia diabética, doença de Parkinson)
•
infecção urinária não tratada
•radioterapia pélvica prévia
•
deficiência visual severa (impossibilidade de ler)
•
antígeno prostático específico (PSA) maior que
1 O
ng/ml
Os pacientes atendidos no ambulatório da próstata provinham dos ambulatórios de
urologia geral do Serviço de Urologia do HCP A, onde já haviam recebido um diagnóstico
de portadores de HBP, definida clinicamente como normalmente se define em nosso meio,
ou seja, pela presença de sintomas de prostatismo e aumento benigno da próstata ao
exame
digital retal. A seleção inicial dos pacientes, portanto, foi realizada por outros urologistas
membros do serviço. A seleção final ocorreu no ambulatório da próstata, onde os
prontuários eram revisados para verificar se os pacientes se adequavam aos critérios de
inclusão e exclusão do estudo e se consentiam em participar do mesmo após informação
sobre os objetivos e procedimentos.
A
fim de padronizar as informações aos pacientes, foi adicionada ao questionário
1-PSS uma folha de rosto que continha breves instruções sobre o preenchimento do mesmo.
Incluiu-se, nesta folha de rosto, um exemplo não urológico do uso da escala de respostas, o
qual era constituído de três perguntas sobre atividades corriqueiras e que exigia respostas
na mesma escala utilizada pelas questões urológicas
10[ANEXO 9].
O questionário 1-PSS foi entregue a todos os pacientes que preenchiam os critérios
do estudo, consecutivamente, e estes o respondiam sozinhos ou com a ajuda de familiares
ou acompanhantes.
A
necessidade ou não de auxílio para o preenchimento do questionário
4 -PACIENTES E M ÉTODO 25
foi registrada. O grau de instrução (escolaridade) dos pacientes foi registrado. Durante
0preenchimento do questionário, os pacientes eram instruídos a beber líquidos. Ao sentirem
desejo miccional, era realizada uma urofluxometria livre em urofluxômetro DANTEC
URODYN
1000.Uma segunda visita era solicitada uma a duas semanas após a visita
inicial para nova aplicação do I-PSS. Os escores I-PSS, os escores de cada questão
individual e o escore
QL
foram registrados.
Decidiu-se não expor os números relativos aos escores de cada questão no
questionário [ANEXO
8],
ao contrário do I-PSS original [ANEXO 1 ], para que a idéia de
freqüência ou severidade da questão fosse transmitida somente pela escala de respostas.
Além dessa razão, a presença de dígitos nos espaços destinados às respostas poderia
facilitar a memorização das respostas selecionadas, o que introduziria um fator de erro na
avaliação da confiabilidade teste-reteste.
Após o preenchimento, os questionários foram avaliados pelos autores, e
comentários sobre dificuldades ou falta de entendimento surgiram espontaneamente.
As propriedades avaliadas no processo de validação, em número de seis, estão
descritas a seguir.
- Avaliação da confiabilidade teste-reteste
Os pacientes responderam o I-PSS em dois momentos diferentes, com intervalo de
uma a duas semanas entre eles. O escore I-PSS, os escores de cada questão e o escore
QL
foram comparados para verificar seu grau de correlação, utilizando-se o coeficiente de
correlação de Pearson.
A comparação de médias entre os escores foi realizada através do
teste t de Student para amostras pareadas.
4 -PACIENTES E M ÉTODO 26
- Avaliação da confiabilidade de consistência interna
A
consistência interna do 1-PSS foi avaliada, verificando-se se
asquestões eram
relacionadas entre si e ao escore total, através da estatística alfa de Cronbach
37.- Avaliação da validade de constructo
Essa propriedade significa a maneira pela qual o 1-PSS se relaciona com medidas
que avaliam o incômodo causado pela doença. No questionário original, a única maneira
de avaliar este tipo de relação é a correlação do escore I-PSS com o escore QL. A fim de
obter uma melhor avaliação da validade de constructo, decidiu-se verificar também a
correlação do escore 1-PSS com outro escore que mede o incômodo causado pelos
sintomas urinários na percepção geral de saúde por parte dos pacientes. Esse instrumento
se denomina Índice de Impacto da HBP (BPH Impact Index - BIT) e foi validado no
idioma inglês
50.Ele é composto de quatro questões, e o escore total, que resulta da soma
dos escores de cada uma delas, pode variar de
O
a 13 [ANEXO 1]. A validação do
BITnão
faz parte dos objetivos deste trabalho. A sua utilização decorreu da necessidade de dar
maior consistência ao processo de validação do 1-PSS. O BIT foi traduzido para o
português num processo semelhante, apesar de menos extenso, ao realizado para o 1-PSS
[ANEXOS 4 e 8] . Os resultados deste processo são relatados juntamente com os resultados
do processo ao qual o I-PSS foi submetido.
O
escore I-PSS foi correlacionado ao escore
QL e ao escore
BITpor meio do coeficiente de correlação de Pearson. Modelos de
regressão linear foram utilizados para predizer o escore QL e o escore BII a partir do
escore 1-PSS.
4 -PACIENTES E MÉTODO 27
- Avaliação da sensibilidade ou responsividade
Essa propriedade foi testada em um grupo de pacientes que foi submetido a
tratamento cirúrgico de HBP através de incisão transuretral da próstata
(ITUP),
que é um
método efetivo no tratamento de HBP e comparável, em termos de eficácia,
àressecção
transuretral da próstata
(RTUP),
considerada o padrão-ouro dentre os tratamentos
cirúrgicos para HBP
5 1.A indicação de cirurgia não foi realizada pelo autor deste estudo,
mas sim pelos urologistas dos ambulatórios de urologia geral de onde os pacientes eram
provenientes. O escore I-PSS não foi usado como critério para indicação de cirurgia. O
I-PSS pré-operatório foi comparado aos I-PSS de quatro a seis semanas e de dez a doze
semanas após a cirurgia. Os escores I-PSS e os de cada questão foram analisados por meio
do teste t de Student para amostras pareadas.
- Avaliação da validação lingüística
Indivíduos masculinos bilíngües acima de
40 anos responderam o questionário
original inglês e o questionário traduzido para o português em dois momentos diferentes,
com intervalo de uma semana entre eles
52.Esse grupo era constituído de professores da
Faculdade de Medicina e de outras faculdades da UFRGS, e de professores de inglês do
Instituto Cultural Brasileiro Norte-Americano. Nenhuma investigação clínica ou
laboratorial foi realizada nesse grupo. Os escores totais e individuais de cada questão
foram correlacionados por meio do coeficiente de correlação de Pearson,
ea comparação
entre as médias foi feita através do teste t de Student para amostras pareadas.
4 -PACIENTES E MÉTODO 28
- Avaliação da influência do nível de instrução
Os pacientes foram classificados em seis niveis de escolaridade (analfabetos,
1 °
grau incompleto,
1 °
grau completo,
2°
grau incompleto,
2 °
grau completo e
3°
grau
completo ou incompleto). Foi verificada a associação de tais categorias com a necessidade
ou não de auxílio para o preenchimento do questionário pelo teste qui quadrad(). Como
descrito acima, tal auxílio não foi prestado pela equipe médica, mas sim
por
acompanhantes ou familiares. As análises de desempenho psicométrico do 1-PSS
(consistência interna, validade de constructo) foram repetidas, subtraindo-se da amostra os
pacientes analfabetos e os pacientes que necessitaram auxílio. Estas análises foram
comparadas àquelas do grupo total de pacientes, para verificar se houve influência do nível
de instrução no desempenho psicométrico do 1-PSS.
Foi utilizado o banco de dados do programa EPI INFO, e
asavaliações estatísticas
foram realizadas com o programa SPS S (Statistical Package for the Social Sciences) em
computador pessoal.
5 - RESULTADOS
5. 1
-Amostra Estudada
Duzentos e oitenta e um pacientes responderam o 1-PSS num primeiro momento (I-PSS1). A idade variou de
40
a 84 anos (média = 62 anos), sendo que95, 1%
dospacientes tinham entre
50
e80
anos [TABELA 4].TABELA 4
Distribuição de freqüências por faixa etária Faixa etária N° de pacientes
(anos)
(%)
40 - 49
6(2, 1 )
50 - 59
74
(26,3)60 - 69
1 24 (44,2)70 - 79
69 (24,6)� 80
8 (2,8)28 1 ( 1 00)
Considerando-se um escore de questão � 2 como presença do sintoma, verifica-se que o sintoma mais prevalente na aplicação do I-PSS1 foi noctúria (8 1 ,8% dos pacientes
5 -RESULTADOS 30
registraram escore � 2 nesta questão), seguido de jato fraco (72,2%), polaciúria
(63,90/o),
sensação de esvaziamento incompleto(58,7%),
intermitência (56%), urgência miccional(5 1, 1%)
e esforço miccional (38
,2%
) [FIGURA 2].Q6-esforço miccional Q4-urgência QJ-intennitência Ql-esvaziamento incompleto Q2-polaciúria QS-jato fraco Q7 -noctúria . .
0% lOo/o 20o/o 30% 40% 50% 60% 70o/o 80% 90%
FIGURA 2 - Prevalência de sintomas urinários na primeira aplicação do 1-PSS para cada questão e sintoma correspondente (escore da questão � 2)
O
escore I-PSS1 vartou de1
a35.
Nenhum paciente apresentou escoreO
[FIGURA