• Nenhum resultado encontrado

edição18final

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "edição18final"

Copied!
11
0
0

Texto

(1)

APRESENTAÇÃO

LANÇAMENTO DO LIVRO:

ICNOLGIA DE

PALEOVERTEBRADOS

Por Paulo Souto

PERIGO NO HORIZONTE: A

CRISE NO ENSINO PÚBLICO

SUPERIOR

Por André Pinheiro

E O MUSEU NACIONAL VAI

PARA A SAPUCAÍ...

Por Alexander Kellner

XXV CONGRESSO

BRASILEIRO DE

PALEONTOLOGIA

Por Taissa Rodrigues

Nº 18, jul-set de 2017

ISSN 2318-7298

(2)

Paleonotícias On-line nº 18 Jul-Set de 2017

ISSN 2318-7298 Rio de Janeiro Núcleo RJ/ES

Sociedade Brasileira de Paleontologia Biênio 2015-2017

Corpo Editorial

Valéria Gallo

UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Alexander Kellner

Museu Nacional- Universidade Federal do Rio de Janeiro

Luzia Antonioli

UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro

André Pinheiro

FFP/UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Taissa Rodrigues

UFES - Universidade Federal do Espírito Santo

Elaine Machado

Museu Nacional- Universidade Federal do Rio de Janeiro Edição e Diagramação

Márcia A. dos Reis Polck

DNPM - Departamento Nacional de Produção Mineral Com colaboração de:

Rafael Costa da Silva

CPRM- Serviço Geológico do Brasil E-mail: [email protected]

SUMÁRIO

EXPEDIENTE

PÁG.

3

PÁG.

9

APRESENTAÇÃO

LANÇAMENTO DO LIVRO:

ICNOLOGIA DE

PALEOVERTEBRADOS

Por Paulo Souto

PERIGO NO HORIZONTE: A

CRISE NO ENSINO PÚBLICO

SUPERIOR

Por André Pinheirodo

E O MUSEU NACIONAL VAI

PARA A SAPUCAÍ ...

Por Alexander Kellner

XXV CONGRESSO

BRASILEIRO DE

PALEONTOLOGIA

Por Taissa Rodrigues

PÁG.

10

PÁG.

4

PÁG.

6

(3)

3

NÚCLEO SBP RJ/ES NÚCLEO SBP RJ/ES

No Brasil:

IV Simpósio Brasileiro de Patrimônio Geológico e II Encontro

Luso-Brasileiro de Patrimônio Geomorfológico e Geoconservação 09 a 14 de Outubro de 2017 Ponta Grossa - PR https://www.4sbpg.com/ Geosudeste 28 a 31 de Outubro de 2017 Diamantina - MG http://geosudeste.com.br/ Paleo RJ/ES 2018 01 e 02 de Dezembro de 2017 Rio de Janeiro - RJ https://sites.google.com/prod/view/paleorjes 2017/

49º Congresso Brasileiro de Geologia

20 a 24 de Agosto de 2018 Rio de Janeiro - RJ

https://www.49cbg.com.br/

XI Simpósio Brasileiro de Paleontologia de Vertebrados 16 a 20 de Julho de 2018 Terezina - PI http://xisbpv.org/

EVENTOS

APRESENTAÇÃO

Por Alexander Kellner

Museu Nacional/UFRJ - Academia Brasileira de Ciências

Nessa apresentação do Paleonotícias on-line, temos diversos artigos interessantes, sendo que cabe destaque para a análise do colega André Pinheiro (UERJ), que leva a uma reflexão sobre a situação na qual se encontra o cientista brasileiro.

Não é fácil ser pesquisador no Brasil. Isso sempre se soube, particularmente quando são feitas comparações com as condições da pesquisa em instituições científicas mais tradicionais situadas, por exemplo, na Europa e nos Estados Unidos. Nunca foi simples para cientistas brasileiros desenvolverem seus trabalhos, sempre tendo que lutar contra as mazelas do Estado quando se fala em financiamento da infraestrutura e da instalação de laboratórios. Acho que o mais difícil sempre foi - e é - o de lidar com a questão da (ou falta de) manutenção, desde os cuidados com os equipamentos mais sofisticados até a conservação de coisas simples como as descargas e torneiras de banheiros. Já vivemos tempos melhores e outros piores, numa ciclicidade que deve seguir alguma lei ainda desconhecida (pelo menos por mim) da natureza. Porém, nada se compara ao momento atual, onde o total desprestígio dos pesquisadores pode ser simbolizado pela perda do Ministério das Ciências, com a sua fusão - ou incorporação - com outra "pasta" na qual a atividade científica é nitidamente relegada para segundo plano. Não sei do porque, mas a expressão fagocitose me vem à mente.

Essa preocupante realidade, que vemos todos os dias estampada nos jornais (somente perdendo para a questão da violência e dos desdobramentos da lava-jato), pode ser sintetizada com o relato de André Pinheiro sobre a situação do ensino público superior. Nada justifica o descaso com as universidades, tendo como símbolo o descalabro que está acontecendo com a UERJ, a despeito dos enormes esforços de alunos, técnicos e professores daquela instituição.

Dois outros artigos nos trazem um pouco de ânimo. Um é o lançamento do livro sobre icnologia de Paulo Souto (UNIRIO). Lançado com grande sucesso, ficamos contentes em ver esse tipo de iniciativa dos colegas, que serve de

Nº 18, Jul-Set de 2017

inspiração aos jovens e aos não-tão-jovens!

O segundo texto, elaborado pela colega Taissa Rodrigues (UFES) é um relato do XXV Congresso Brasileiro de Paleontologia. Foi um evento bem bacana, com diversas novidades, inclusive mesas redondas para a discussão de problemas que afetam a paleontologia.

Por último, temos um curto texto sobre a homenagem que a Imperatriz Leopoldinense prestará ao Museu Nacional/UFRJ, instituição que em 2018 comemora o seu bicentenário, o que faz dela a instituição científica mais antiga do Brasil.

(4)

Por Paulo Souto

Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro/ UNIRIO

SOBRE O LIVRO:

Quando nos conhecemos pela primeira vez, na virada do século, eu, Marcelo e Claudia, éramos colegas do curso de pós-graduação de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na época tínhamos muito entusiasmo e ideias, mas também grandes expectativas, quanto ao tema de tese, pois a icnologia de paleovertebrados era pouco conhecida e um tanto distante dos temas triviais que as pessoas estavam habituadas a estudar, eu em busca dos coprólitos, a Claudia a procura dos ovos fósseis e M a r c e l o d e s ve n d a n d o a s p e g a d a s n o s sedimentos, sempre trocando ideias e compartilhando novos achados quer nas pesquisas de laboratório, quer nos trabalhos de campo, fomos construindo muitas informações e trabalhos que conduziriam a realização de uma apostila, no princípio muito simples, destinada ao minicurso no evento de paleontologia de 2003, mas para nossa surpresa a fórmula deu tão certo que acabamos editando mais quatro versões nos eventos seguintes, com conteúdo cada vez mais elaborado. Entretanto, o tempo passou e nos afastamos, traçando novos horizontes em outras instituições acadêmicas.

Em 2010, logo após terminar o meu primeiro livro, intitulado Guia Ilustrado de Coprólitos do Brasil, sentia que ainda faltava algo a ser feito, e um dia olhando a apostila sobre a minha mesa, decidi que já estava na hora de botar

LANÇAMENTO DO LIVRO:

ICNOLOGIA DE PALEOVERTEBRADOS

a mão na massa e reunir os amigos novamente para mais um desafio, escrever um livro destinado exclusivamente aos icnofósseis de vertebrados, reunindo informações atuais do país e do exterior, com capítulos e ilustrações adequados aos diferentes temas, e uma abordagem que agrega conhecimentos da biologia e da paleontologia ... e assim nasceu o livro - ICNOLOGIA DE PALEOVERTEBRADOS. Com esse livro desejamos ter documentado e preenchido uma lacuna do conhecimento científico e acadêmico no país, e no sentido mais amplo poder contribuir com o aprendizado humano sobre a evolução da vida.

Foto Paulo Souto

Foto Paulo Souto

Foto Márcia Polck

(5)

5

NÚCLEO SBP RJ/ES

Sobre o Lançamento:

Nossa expectativa sobre o impacto do livro era tão grande que decidimos realizar uma prévia em julho durante o Congresso Brasileiro de Paleontologia ocorrido esse ano em Ribeirão Preto/SP, e para nossa surpresa os poucos exemplares produzidos foram rapidamente vendidos. Isso nos animou em finalizar a tiragem de produção e realizar no mês seguinte o lançamento oficial no Rio.

O local escolhido foi o Espaço Cultural do Centro de Ciências Humanas, primeiro por ser de fácil acesso e também pela possibilidade de realizar uma exposição pela primeira vez com essa temática nesse espaço. Entretanto, o tempo era curto devido ao feriado prolongado que se aproximava e por isso tínhamos pouco tempo para divulgar, organizar os materiais e painéis que seriam confeccionados, além da divulgação do evento pelo Núcleo de Paleontologia do RJ/ES e do DNPM/RJ.

Ao cair da noite graças ao empenho dos alunos monitores e a colaboração de funcionários e colegas da universidade estava tudo pronto a

tempo para início da noite de autógrafos e inauguração da exposição, que teve uma homenagem póstuma ao prof. Adauto José Gonçalves de Araujo, coordenador do Laboratório de Paleoparasitologia da Escola Nacional de Medicina da FioCruz, que foi representado pela sua filha Elisa Pocu.

O evento contou com o comparecimento de pesquisadores renomados como o prof. Dr. Luiz Fernando Ferreira da FioCruz, do Dr. Diogenes de Almeida Campos do Museu de Ciências da Terra/CPRM, Prof. Hermínio Ismael da UERJ, Prof. Dr. Felipe Vasconcelos da UFRJ, entre outros, além da presença de pesquisadores, docentes e amigos da UFFRJ, UFRJ, FAPERJ, CPRM, DNPM e da UNIRIO, aos quais agradecemos a inestimável consideração e reconhecimento ao nosso trabalho e dedicação acadêmica.

A exposição contou, durante os três curtos dias que esteve aberta, com a visitação de aproximadamente trezentos visitantes.

O livro esta disponível para compra diretamente com o autor Paulo Souto, para isso deve entrar em contato através do e-mail [email protected]

Nº 18, Jul-Set de 2017

Foto Paulo Souto Foto Paulo Souto

Foto Paulo Souto Foto Márcia Polck

(6)

Foto de André Pinheiro Por ANDRÉ E. PIACENTINI PINHEIRO

DCIEN/FFP/UERJ

A sombra de uma catástrofe de grandes proporções se abate sobre a Paleontologia e todos os seres do ensino superior brasileiro. Mas, ao contrário de vir de cima como um meteorito mortal, essa perturbação no ambiente foi forjada fundamentalmente por fragmentos do próprio processo histórico-social da nação, manifestado e infligido em última instância através do grande empresariado e de nossos estadistas e dirigentes.

Os institutos estaduais e federais do Rio Grande do Sul e as universidades estaduais do Rio de Janeiro são a linha de frente, a ponta de lança, como eu costumo ouvir por aí nos “rádios corredores” e barzinhos pra lá e pra cá, de um fenômeno que se estende a um seleto grupo de prestadores de serviço e servidores públicos, e que sintomatiza a má gestão de nossa máquina administrativa. Obscuros acordos comerciais e tecnológicos com outras economias globais aristocráticas forçaram a proliferação de escolas políticas premeditadas no Brasil, onde a promiscuidade entre nossos inúmeros partidos faz com que termos como “esquerda” e “direita” percam sentido e se dissipem na neblina. Muitos de nossos representantes políticos, pra não dizer a acachapante maioria, possuem pouca mobilidade de decisões e ações, e estão imersos numa argamassa de transações e alianças convenientes que engessam e promovem uma espécie de “ p a c t o c o l o n i a l r e v i s a d o ” ( a c h a m a d a “dependência periférica” de FHC), atolando países inteiros como o nosso e impedindo-os de se desenvolverem plenamente. O problema do(s) estado(s) não é originário de uma real crise financeira, mas sim de problemas na aplicação e gerenciamento dos recursos arrecadados, arrecadação esta propagada como insuficiente, mesmo sendo uma das mais altas do mundo em termos relativos. O impostômetro brasileiro ultrapassou os 2 trilhões de reais anuais no dia 06 de dezembro do difícil ano de 2017, que para um certo “alívio tenso” finalmente acabou de terminar.

Sob o pretexto da necessidade urgente de reformas econômicas, cortes financeiros vêm sendo desferidos contra as instituições de nível superior no atual Brasil. Não entrando nos méritos

da calorosa e cíclica discussão dos eventos que derrubaram a presidente, é fato que hoje a crise das universidades se manifesta em sua melhor forma, provocando a diminuição e a míngua do aporte financeiro para insumos, pesquisas e projetos, atrasos no repasse para empresas terceirizadas (e.g., limpeza e bandejão), diminuição e atrasos de auxílios e bolsas de e s t u d o s e o a t ra s o a c o m p a n h a d o d e fracionamentos psicóticos no pagamento dos salários dos pesquisadores e professores. A autonomia universitária ameaçada!

É possível elucubrar vários cenários para esse colapso, tanto no tocante a seus eventos causais como nos desdobramentos de um futuro não muito distante, pra não dizer logo ali adiante. E lhes digo que esse tipo de exercício mental, essa paranoia, se tornou bastante popular em nossa classe de profissionais. Ideias e posicionamentos políticos se confrontam na tentativa de sensibilizar o maior número de pessoas possíveis para essa causa (justíssima a meu ver, ainda que suspeito para advogar a favor) e delinear estratégias para lidar com os interlocutores do estado patrão, num xadrez maquiavélico. Como somos treinados na retórica e no discurso, nossas pacíficas e discursivas mobilizações de rua geralmente não logram sucesso. Como resultado?...greves do tipo “iô-iôs” que fragilizam todo o modus operandi da universidade.

Para aqueles com inclinações à pesquisa e à docência, que trilharam o caminho e rezaram a cartilha acadêmica, a estabilidade profissional é algo oferecido até então pelo nosso sistema, condição que obviamente se tornou desejável e esperada. No entanto, para todos os outros prestadores de serviços, soa como uma condição desigual, de certa forma profana, que favorece mais aqueles que nascem em berços esplêndidos no seio de uma sociedade discriminatória e castigada por desigualdades socioeconômicas históricas. Como acompanhamento, e claro, com a ajuda e empurrões das onipresentes e polarizadas mídias corporativistas marrons, inúmeras vezes somos levados a acreditar que a máquina pública realmente está inchada, desequilibrando as relações de custo-benefício entre os serviços como um todo prestados. Porém, alguns fatos e verdades devem vir à tona para que se possa arejar certos pontos e transmitir com o mínimo de crédito as informações desta coluna.

D e a c o r d o c o m d a d o s d e 2 0 1 5 (www.transparencia.rj.gov.br - contas de Gestão) os gastos do Estado do Rio de Janeiro com a UERJ no referido ano foi de 2,07% (aproximadamente 1,5 bilhões de reais). Muito? Será? Comparado

(7)

7

NÚCLEO SBP RJ/ES

Curso de treinamento de professores da rede pública em parceria com a URCA

aos 11,8% com a dívida não auditada do Estado (7,5 bilhões), e a 9,37% com a segurança pública (cerca de 6 bilhões), e também os 7,57% com a Secretaria de Estado de Transportes (cerca de 5 bilhões), e aos 2,04% gastos com a ALERJ e o TCE, não me parece que é a UERJ e seus servidores o grande câncer nas contas públicas do estado. De acordo com a fonte consultada, o custo anual para manter a ALERJ, com seus nobres e respeitáveis deputados, é praticamente o mesmo que para manter uma UERJ, sem falar nos salários de juízes do TJ do Rio, os mais caros do Brasil. Somando-se salário mais benefícios, o total pago a alguns desses “distintos” senhores alcança modestas cifras, como R$175.000,00 por mês. Ao passo que um docente na ativa, qualificado e em final de carreira não chega a ganhar 8% desse valor. Seria mesmo a UERJ uma das causadoras majoritárias de todo o rombo nessa história?

Apreensiva, a população do Rio, desconhecendo seu potencial e, como num transe, só observa, sabendo ou não que corre o risco de perder nada mais do que a instituição de maior caráter popular dentre as universidades do estado, com sete campi além de sua unidade principal no Maracanã (Campus Francisco Negrão de Lima), a saber: São Gonçalo (FFP), Ilha Grande (Ceads), Duque de Caxias (FEBF), Teresópolis (Dtur/IGEOG), Nova Friburgo (IPRJ) e Resende (FAT). A UERJ foi a primeira a instituir cursos noturnos e a que mais contempla cotistas (37% de seus alunos em 2016) dentre as universidades do Estado do Rio de Janeiro, a qual apresenta cerca de 3.020 docentes efetivos e que atende a aproximadamente 27.000 estudantes de graduação.

Dito isso, nunca é demais lembrar que este organismo chamado UERJ foi criado com o dinheiro do contribuinte, isto é, desde 1970 todos nós pagamos para que ele seja possível. Caso s e j a m i m p l e m e n t a d a s p a r c e r i a s c o m Organizações Sociais (OS), parcerias público-privadas, ou mesmo o desligamento de cursos e/ou fechamento de unidades, além da perda de um ensino público gratuito e de qualidade, para toda a população que pagou pela UERJ, isso será equivalente a um investimento falido daí pra frente, dinheiro jogado fora.

Para a Paleontologia, as perdas são similares aos programas e cursos que não possuem investimentos vindos do setor privado

( s a l v o e x c e ç õ e s , c o m o p e s q u i s a s d e paleomicrontologia ligadas à exploração de óleo, por exemplo). A falta de repasse às unidades traz agravantes para a própria qualidade dos cursos de Paleontologia, principalmente no tocante às saídas de campo, que acabam ficando cada vez mais restritivas devido ao não cobrimento de despesas, como abastecimento de veículos, hospedagem e alimentação dos alunos e diárias de motoristas. Por mais que a Paleontologia seja interessante e empolgante por si mesma, a escassez de bolsas de estudos sempre causa estresses para os estudantes (e para seus orientadores também), que após resistirem por certo tempo acabam seduzidos por outras áreas que as oferecem em maior quantidade. Como relato pessoal, tive alunos interessados e com bons potenciais, mas que após certo tempo sem bolsas ou outros auxílios acadêmicos largaram a Paleontologia para se dedicarem a pesquisas ligadas à saúde humana e zoonoses em instituições mais estáveis, como a FIOCRUZ. Também, não é de se espantar que a diminuição de investimentos em pesquisas e projetos de extensão ligados à Paleontologia, senão por departamentos e editais internos, mas também por órgãos de fomento como FAPERJ e CNPq (os quais igualmente sofrem com o decréscimo de seus recursos), causa certa estagnação, quando não retrocessos, no avanço desta importante e esclarecedora área das ciências naturais. Em se tratando do drama dos professores com seus salários (e aí, claramente não se restringindo somente à Paleontologia), esses fatiamentos sobre os pagamentos em parcelas incertas, acabam por induzir docentes a optarem por regimes de trabalho com redução de carga horária (abandono da condição de “Dedicação Exclusiva”) e evasão dos mesmos, sendo que uma vez perdido o docente, as reposições através de novos concursos públicos prometem ser improváveis nos próximos anos.

Sem muito nos compararmos com países mais estáveis e tecnológicos, por vezes li e ouvi que no momento em que a Paleontologia brasileira tornou-se mais expressiva e alavancou suas pesquisas, algo que creio ter ocorrido em meados da década de 1970 do século passado, estávamos defasados cerca de 50 anos quando comparados aos nossos vizinhos argentinos, sendo que as perspectivas em meados do início deste século eram que rapidamente estaríamos equiparados, para o fortalecimento e a alegria do Cone Sul. No entanto, e escrevendo agora por jargões f u t e b o l í s t i c o s , m e t á f o r a s b a s t a n t e compreensíveis e convenientes no Brasil, e

(8)

Foto Sandra de Souza

também para aproveitar a velha rixa bairrista entre nós nesse aspecto, quase empatamos esse jogo. Porém, nesse momento da partida vários gols estão sendo marcados, todos eles contra; a desestabilidade dos jogadores e toda a torcida são evidentes perante nosso recuo na tabela. Seremos rebaixados para subcategorias e aí, talvez nem mesmo os botecos e os carnavais, outras de nossas grandiosas paixões, serão suficientes para enxugar nossas lágrimas e elevar nosso moral.

É tempo de nos envolvermos mais como cidadãos que somos nas questões política de nosso país, deixarmos a batida desculpa da “correria” do mundo, para sermos mais participantes quanto a tudo aquilo que é decidido oficialmente. Nosso pacifismo histórico tem seus benefícios, mas neste momento em que nos encontramos é preciso uma posição mais ativa. O governo deve nos representar, e não o contrário. Que a esperança nunca nos abandone, e que sempre tenhamos motivação suficiente para enchermos o peito e soltar o insistente brado “

UERJ RESISTE

!”.

(9)

9

NÚCLEO SBP RJ/ES

Nº 18, Jul-Set de 2017

E o Museu Nacional vai para a Sapucaí...

Por Alexander Kellner

Museu Nacional/UFRJ - Academia Brasileira de Ciências

O carnaval de 2018 tem uma grande surpresa: o Museu Nacional/UFRJ, que está para completar 200 anos de existência, será homenageado pelo Grêmio Recreativo Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense - a Rainha de Ramos! Essa escola de samba, que em 2019 completará 60 anos de existência, retornou aos seus carnavais com temas históricos, que tanto encantaram os foliões em diversas ocasiões, dando títulos para essa agremiação.

Não é preciso destacar a felicidade de professores, técnicos e alunos da instituição. Sem contar com as pessoas que militam na ciência, que tem passado por extremas dificuldades nesses "tempos modernos!" Finalmente, falar de Museu Nacional é também falar do desenvolvimento da ciência, já que se trata da instituição científica mais antiga da América do Sul, com mais de 20 milhões de itens! Por isso mesmo, o Museu se tornou referência e inspiração para outras instituições científicas, algumas, inclusive, surgindo a partir do próprio acervo do museu, que chegou a ser distribuído durante a instalação da república brasileira em 1889. O Museu foi transferido, com os seus pesquisadores e acervo, para o Palácio de São Cristóvão, antiga residência das famílias real e imperial, em 1892, onde se localiza até hoje.

O enredo da Imperatriz procura, com leveza, mostra às pessoas a importância do Museu e a riqueza do seu acervo. As alas apresentam diferentes áreas das ciências naturais e antropológicas, sem descuidar dos aspectos históricos. O Museu não participou com qualquer financiamento, mas a comunidade vai estar

presente em peso na Sapucaí. Teremos integrantes em distintas alas, mas a concentração principal da comunidade da instituição se dará nas alas 4 (Comissão do Império) e 6 (Corais). A escola será a quinta a desfilar na madrugada de 12 para 13 de fevereiro. Fiquem de olho e bom carnaval!

Legenda das figuras:

1 - Integrantes do Museu Nacional e da Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense; 2 - Atores da UFRJ representando a família real; 3 - Integrantes da Imperatriz Leopoldinense no Museu Nacional; 4 - A fachada do Museu Nacional no dia do lançamento do enredo.

Foto Acervo Imperatriz Leopoldinense

Foto Acervo Imperatriz Leopoldinense

Foto Acervo Imperatriz Leopoldinense

Foto Acervo Imperatriz Leopoldinense

1 4

3 2

(10)

Por Taissa Rodrigues

UFES - Universidade Federal do Espírito Santo

O X X V C o n g r e s s o B r a s i l e i r o d e Paleontologia ocorreu entre os dias 17 e 21 de julho, no campus da USP na cidade de Ribeirão Preto. O evento contou com uma rica programação, que incluía as sessões regulares organizadas por intervalos de tempo e por temas mais específicos, minicursos, palestras magnas e mesas-redondas com temas relevantes à Paleontologia nacional.

Como tinha ótimas lembranças do Simpósio Brasileiro de Paleontologia de Vertebrados que foi organizado pelo mesmo grupo de pesquisas, convidei e incentivei todos os meus alunos a comparecerem e a levarem seus resumos.

P o s s o d i z e r q u e a o r g a n i z a ç ã o correspondeu à expectativa (e, claro, as famosas cervejarias ribeirão-pretanas também não decepcionaram!). O Congresso foi organizado dentro das instalações da universidade, que apesar de distante do centro da cidade, tinha cantinas próximas para os almoços. E, como foi em época de férias escolares, os congressistas não encontraram filas muito longas ou falta de espaço para convivência. Esta “exclusividade” no uso do espaço ajudou muito a criar um ambiente propício à troca de ideias, às conversas de corredor, e no convívio durante o evento. O auditório da sessão principal (ainda me confundo sobre qual é o “auditório” e qual é o “anfiteatro”) e o foyer onde ocorreu o coffee break era acessível a cadeirantes. No entanto, não estou certa se as salas menores, onde ocorreram as apresentações paralelas, também o eram.

Aliás, enquanto o auditório principal era bastante espaçoso, os locais das sessões paralelas ficaram bastante cheios e havia muitas pessoas em pé durante algumas apresentações. Atenção, pessoal: os primeiros a chegar podem se sentar

nas poltronas do meio, e deixar espaço nas laterais para quem está vindo de outras sessões (ou para quem pegou um Uber que não sabia o caminho, mesmo com mapa)!

Apesar de ser suspeita para falar sobre as mesas-redondas, para mim elas foram um destaque especial do Congresso. Elas trouxeram temas relevantes à Paleontologia nacional, mas que nem sempre recebem destaque nos eventos: Comércio de fósseis no Brasil, Perfil do Paleontólogo e Mulheres na Paleontologia. Como sempre, todos os presentes tinham muitas opiniões sobre estes assuntos tão especiais, e os tempos de todas as mesas extrapolaram em muito o que estava previamente planejado.

Apesar de o tema ser pesado, nós organizadoras da mesa-redonda Mulheres na Paleontologia ficamos muito satisfeitas por termos contado com uma participação tão expressiva. Esperamos que a mesa e os pontos e depoimentos levantados contribuam para o empoderamento das paleontólogas brasileiras e q u e t r a g a m r e f l e x õ e s f u t u r a s s o b r e comportamentos vistos no dia-a-dia que não podem continuar a ser aceitos como naturais ou como “menores”, ou como “inconvenientes”.

Por fim, parabenizo a organização deste congresso e desejo muita sorte aos organizadores do próximo, em Uberlândia!

XXV Congresso Brasileiro de Paleontologia

Foto Valéria Gallo

Foto Valéria Gallo Foto Valéria Gallo

(11)

Núcleo RJ/ES

Sociedade Brasileira de Paleontologia Biênio 2015-2017

Presidente

Valéria Gallo

UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Vice-presidente

Alexander Kellner

Museu Nacional - Universidade Federal do Rio de Janeiro

1ª Secretária

Luzia Antonioli

UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro

2º Secretário

André Pinheiro

FFP/UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro

1ª Tesoureira

Taissa Rodrigues

UFES - Universidade Federal do Espírito Santo

2ª Tesoureira

Elaine Machado

Museu Nacional - Universidade Federal do Rio de Janeiro

Diretora de Publicações

Márcia A. dos Reis Polck

DNPM - Departamento Nacional de Produção

11

NÚCLEO SBP RJ/ES

Nº 18, Jul-Set de 2017

Referências

Documentos relacionados

Various agroindustrial by-products have been used as elephant grass silage additives, such as orange pulp, that promoted better fermentation and raised the nutritive value of the

O Climate Policy Initiative/ Núcleo de Avaliação de Políticas Climáticas da PUC-Rio trabalha para aprimorar políticas públicas de energia e uso da terra gerando evidências para

The Climate Policy Initiative/ Núcleo de Avaliação de Políticas Climáticas da PUC-Rio works to improve public energy and land use policies by generating evidence for decision makers

• A falta de registro do imóvel no CAR gera multa, impossibilidade de contar Áreas de Preservação Permanente (APP) na Reserva Legal (RL), restrição ao crédito agrícola em 2018

• Não garantir condições dignas e saudáveis para os trabalhadores pode gerar graves consequências para o empregador, inclusive ser enquadrado como condições análogas ao

• Quando o navegador não tem suporte ao Javascript, para que conteúdo não seja exibido na forma textual, o script deve vir entre as tags de comentário do HTML. <script Language

Este trabalho buscou, através de pesquisa de campo, estudar o efeito de diferentes alternativas de adubações de cobertura, quanto ao tipo de adubo e época de

As medidas antiparasitárias devem está voltadas principalmente para os animais jovens de até 2 anos de idade, com tratamento a cada 30, 60 ou 90 dias conforme infestações.