UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL FACULDADE DE EDUCAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO
ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL INTEGRADA À EDUCAÇÃO BÁSICA NA MODALIDADE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
AS CONTRIBUIÇÕES DA EJA PARA O MUNDO DO TRABALHO
MARA IDELCINA RODRIGUES SOARES Orientador: Prof. Dr. Nilton Bueno Fischer /
Profª. Dra Simone Valdete dos Santos
PORTO ALEGRE 2009
FICHA CATALOGRÁFICA
___________________________________________________________________________
S676c Soares, Mara Idelcina Rodrigues
As contribuições da EJA para o mundo do trabalho / Mara Idelcina Rodrigues Soares Orientadores Nilton Bueno Fisher e Simone Valdete dos Santos. – Porto Alegre, 2009.
26 f.
Trabalho de conclusão (Especialização) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação. Curso de Especialização em Educação Profissional integrada à Educação Básica na Modalidade Educação de Jovens e Adultos, 2009, Porto Alegre, BR-RS.
1. Educação. 2. Educação de Jovens e Adultos. 3. EJA. 4. EJA – Mercado de trabalho. 5. EJA – Mundo do trabalho. I. Fisher, Nilton Bueno. II. Santos, Simone Valdete dos. III. Título
CDU 374.7
_____________________________________________________________________________ CIP-Brasil. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação.
AGRADECIMENTOS
À Deus pela existência.
À minha família.
Ao professor Nilton Bueno Fischer, por ter aceito meu convite em ser meu orientador e de ter me dado crédito sincero e encorajador com o tema escolhido.
Dedico cada letra, cada palavra, cada lágrima e cada sorriso que constituíram este trabalho. À pessoa mais iluminada, acolhedora e generosa que conheci e que hoje brilha em outras Querências.
Aos educandos da Escola Adonis dos Santos, pelas lições que aprendi através de suas respostas, todas recheadas de sonhos e esperanças.
Aos colegas professores da Escola Adonis dos Santos, pela oportunidade de repartir e aprender.
Aos colegas do curso pelas instigantes discussões nas aulas, pela amizade e afeto nos vários momentos que passamos juntos.
À professora Simone Valdete dos Santos em ter me acolhido num momento triste da escrita deste trabalho.
“ ...com todos os limites, com todas as dificuldades, com todos os desafios, mas com um profundo desejo de um comportamento de quem gosta de educar, de quem gosta de ser educado...” Nilton Bueno Fischer
RESUMO
Este trabalho aborda questões referentes aos desejos, expectativas, acesso, permanência, mobilidade dos educandos da EJA e o mundo do trabalho e pretende contribuir para a ampliação dos conhecimentos em relação aos educandos da EJA. A temática escolhida justifica a necessidade de refletirmos sobre a EJA. Os fundamentos para esta abordagem advêm da nossa prática docente, sendo um questionário aplicado nos estudantes da EJA, instrumento desta pesquisa. Para sua análise utilizei autores que tratam do tema do nosso estudo. A análise dos dados da pesquisa realizada, nos mostra, que de modo geral, os estudantes querem simplificar o tempo escolar e garantir um diploma para acompanhar as exigências da sociedade capitalista, do mercado de trabalho. Assim, a escola não está cumprindo totalmente sua função social, ou seja, de relacionar as disciplinas escolares com a vida profissional, com o seu cotidiano, seu dia a dia, com o que sabem, provocando frustrações e muitas vezes evasão escolar, mas também nos mostra que eles tem sonhos, expectativas de formarem-se e que não podemos colocar isso ou aquilo em primeiro lugar e sim que a escola possibilite condições para eles .
Palavras-chave: Educação de Jovens e Adultos; mercado de trabalho;
SÚMARIO
1. INTRODUÇÃO ...7 2. CONTEXTUALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS ...8 3. ESCREVENDO AS RESPOSTAS DOS ALUNOS...11 4.A RELAÇÃO DO PROEJA NA EJA E AS POLITICAS PUBLICAS NA EJA.18 5.CONCLUSÕES EM ABERTO ...21 6.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 22 ANEXOS ...23
INTRODUÇÃO
Na escola onde coletamos os dados empíricos, nas turmas da EJA, sentimos que, grande parte dos educandos, querem progredir em seus estudos, no trabalho ou arrumar um, para melhorar sua qualidade de vida e de seus familiares, por isso procuram à escola, pois tem nela uma possibilidade de “subir na vida”, de ascensão social. Por isso buscamos junto aos educandos, através dos questionários aplicados descobrir quais os desejos, expectativas, itinerários dos educandos e o mundo do trabalho tentando identificar as contribuições, as relações que se estabelecem entre a escolarização básica através das disciplinas da EJA e as possibilidades e limites destas em contribuir para o acesso, permanência e mobilidade dos educandos no mundo do trabalho.
Desenvolver uma reflexão sobre essa temática, não é fácil, diria que é um desafio. Tema muito discutido, que tentarei fazê-lo através das respostas dos questionários dos educandos.
Este estudo pretende, a partir das respostas dos educandos, investigar os desejos, as expectativas, os itinerários dos educandos e o mundo do trabalho e tenta identificar as contribuições, as relações que se estabelecem entre a escolarização básica, através das disciplinas da EJA e as possibilidades e limites destas em contribuir para o acesso, permanência e mobilidade dos educandos no mundo do trabalho.
Os questionários foram respondidos por 36 alunos, 15 homens e 21 mulheres, entre 15 a 47 anos, estudantes das T: 5 e T:6 (Totalidades que correspondem respectivamente as 7ª e 8ª séries do ensino regular) do turno da noite. Educandos estes que foram do ensino regular diurno ou que resolveram retornar a estudar por opção.
Para isso, fiz alguns procedimentos metodológicos como a reprodução de um filme/ documentário “Pro dia Nascer Feliz” e aplicação e análise dos questionários.
A pesquisa com os educandos desenvolveu-se em uma escola da rede pública estadual de educação de jovens e adultos, situada na cidade de Viamão.
2. CONTEXTUALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
A Educação de Jovens e Adultos tem desde o período colonial quando os jesuítas chegam aqui e catequizam os índios, os escravos, passando dogmas, valores e crenças que não eram as crenças daquela população. Depois desse período vamos ter uma educação excludente, apenas aqueles que têm a propriedade é que vão ter acesso à educação como um todo.
A partir da década de 40, que o Estado assume a educação e a escolarização. Nas décadas de 60 e 70 vamos ter o surgimento dos Movimentos Sociais bastante fortes, fruto do novo momento que o País esta passando. Estávamos num governo populista, que era o governo Goulart. Quem surge com força e vai ter uma influência muito importante na Educação de Jovens e Adultos é Paulo Freire. Ainda na década de 60 surge os Movimentos Culturais, os Centros Populares de Cultura. Paulo Freire vai fazer parte desse processo. Ele buscava as pessoas não alfabetizadas, os camponeses, os operários e os trazia para o processo de alfabetização. Tinha cunho político porque defendia a idéia de que se precisava muito mais do que a leitura, da letra, do código, precisava da leitura do mundo, mudanças na visão de mundo compreendendo as relações sociais para poder transforma-las.
Essa educação tinha que ter um sentido, um significado, algo que a mobilizasse para sair daquela condição de exclusão, de miséria, de pobreza. Freire é exilado, após o golpe, vem o Regime Militar com uma outra lógica de Escola. Uma Escola voltada para aquele momento histórico, um modelo tecnicista, muito formador de mão de obra para empresas que estavam chegando aqui. Na década de 70, com a Lei 5692/71, quando surge o Ensino Supletivo, podemos identificar claramente essa perspectiva de mão de obra para as empresas colocada nas escolas e mais uma vez a escola se volta para o momento histórico em que o país vive. Surge então o Mobral, como grande campanha de alfabetização, exercendo uma grande influência ideológica nos Estados brasileiros.Sem deixar de lado o mérito de que todas essas experiências para um país que não tinha nada de alfabetização de adultos, era um avanço. Temos que analisar o que ele representou do ponto de vista ideológico, que valores queria passar.
Depois do Regime Militar vamos ter uma onde de movimentos democráticos, com o ressurgimento dos Movimentos Sociais. Volta-se a falar em Freire. As escolas começam a
repensar seus currículos, tendo como referencial aquilo que Freire colocava e outros autores críticos e é a partir da década de 80 que a EJA é colocada como um direito.
Com a promulgação da Constituição Federal em 1988, o dever do Estado com a EJA é ampliado ao se determinar - Artigo 208 – a garantia de Ensino Fundamental obrigatório e gratuito, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ele não tiveram acesso na idade própria.
A questão de garantir a educação de jovens e adultos sempre teve que ser batalhada, tanto na escola como na sociedade. Quem trabalha na EJA sabe como é desafiante e cheia de lutas as conquistas nesta modalidade, e por ser assim que a EJA é rica de experiências formais, na escola e também de experiências não formais, fora da escola, e há um universo muito complexo e muito rico deste processo na história da EJA no Brasil.
Na década de 90, os movimentos sociais aparecem novamente, mas não com a força que tinham na década de 60, de 80. Isso é fruto de um modelo que estava chegando ao Brasil: modelo econômico neoliberal. É um modelo que aponta para a perspectiva do mercado. O que realmente vai ditar as regras da sociedade é o mercado. A partir dessa lógica, temos que começar a pensar em qual é o papel da escola pública. Ou a dirigimos para o mercado, que cada vez mais vai afastando o Estado das políticas públicas, dando lugar a outras instituições, ou o Estado discute isso, problematiza e pensa uma perspectiva de Educação de Jovens e Adultos que contemple também aqueles que não têm acesso a esse mercado.
A legislação anterior - o Parecer 699/72 – resguardava esse direito apenas aos pertencentes à faixa etária dos 07 aos 14 anos correspondendo ao antigo ensino de 1º grau. Estando excluídos dessa faixa etária, restavam aos jovens e adultos, com escolaridade incompleta, pagar, mais uma vez, pelos seus estudos através dos inúmeros cursos supletivos espalhados pelo País, ou se inscreverem nos poucos programas públicos existentes. A inexistência de uma legislação federal que garantisse o direito dos jovens e dos adultos à educação, aliada à ausência de uma política nacional voltada para a educação desse público, contribuiu para o quadro existente hoje de 13,3% de analfabetos acima dos 15 anos e de mais de 60 milhões sem o ensino fundamental.
A LDB 9.394/96, nos artigos 37 e 38, dizem respeito diretamente à Educação de Jovens e Adultos, a lei incorporou a mudança conceitual de EJA que se dava desde o final
dos anos 80. A mudança de “ensino supletivo” para “educação de jovens e adultos” não é uma mera atualização vocabular. Houve um alargamento do conceito ao mudar a expressão de ensino para educação. Enquanto o termo “ensino” se restringe à mera instrução, o termo “educação” é muito mais amplo, compreendendo os diversos processos de formação.
Não se pode considerar a EJA e o novo conceito que a orienta apenas como um processo inicial de alfabetização. A EJA busca formar e incentivar o leitor de livros e das múltiplas linguagens visuais juntamente com as dimensões do trabalho e da cidadania. Ora, isto requer algo mais desta modalidade que tem diante de si pessoas maduras e talhadas por experiências mais longas de vida e de trabalho. Pode-se dizer que estamos diante da função equalizadora da EJA .(SOARES,2002,p.39)
A sociedade contemporânea vivencia novas realidades sociais, políticas, econômicas, culturais e geográficas resultantes do avanço tecnológico, da globalização, da informação decorrente de novas tecnologias de comunicação e de informação, da mudança nas concepções de Estado, nos paradigmas da ciência e do conhecimento. Essas dimensões estão a exigir pessoas mais qualificadas, com novas habilidades e atitudes, com competências profissionais, com mais conhecimentos, mais cultura, mais preparo técnico, com novas habilidades cognitivas e competências sociais que serão determinantes na sua exclusão ou inclusão sociais.
Se a sociedade brasileira diz-se democrática, buscando a igualdade e a equidade tem-se que dar condições para que as pessoas tenham acesso ao conhecimento possibilitando assim sua participação no mercado de trabalho, ora tão exigente.
3 .ESCREVENDO AS RESPOSTAS DOS ALUNOS
Procurei proceder analiticamente o olhar e a escuta destes alunos e refletir através de suas respostas as relações que fazem com o tema pesquisado. Uma das coisas que percebi foi que eles tem um conhecimento e que precisamos levar em conta para a sua aprendizagem e que o educador deve sempre levar isso em conta mesmo que ache que isso é muito bonito no papel ou no seu discurso.
A EJA para muitos é uma oportunidade para que melhorem de vida, ajudem os filhos nos estudos, consigam um diploma para arrumar um emprego ou mudar de cargo, ampliem seus conhecimentos, possam se mobilizar em relação as questões do trabalho ou nas questões políticas .
Nas respostas dos questionários dos educandos, observa-se vários elementos que a escola deve levar em consideração em relação ao que os alunos querem e esperam que a escola ofereça.
ATÉ QUE SÉRIE ESTUDOU? 4ª SÉRIE 1+2+2 =5 5ª SÉRIE 4+3=7 6ª SÉRIE 1+2+1=4 7ª SÉRIE 5+3+3 +4=15 8ª SÉRIE 1+1=2 NÃO RESPONDEU = 3
QUANTO TEMPO FICOU SEM ESTUDAR? Não respondeu 3+6 Nunca parou 8+1 Faz tempo 1 De 1 a 5 anos 4 +6 De 6 a 10 anos 2 De 11 a 15 anos 2 17 anos 1 30 anos 1 35 anos 1
VOCÊ ACHA QUE O ESTUDO É IMPORTANTE PARA CONSEGUIR UM EMPREGO?
“Sem um estudo não conseguimos um emprego.” “Sim para ter mais conhecimento.”
“Sem ele não vamos há lugar nenhum.” “Acho com certeza para ser alguém na vida.”
QUAL O MOTIVO DE ESTAR CURSANDO A EJA E NÃO O ENSINO REGULAR?
“Por causa do trabalho.”
“Uma certa dificuldade em algumas matérias.” “Por estar muito atrasada nos estudos.”
“Por que assim eu posso trabalhar.”
“Porque parei de estudar muito nova e já agora fui ver que para sermos alguém precisamos ter estudo.”
“Porque tenho já uma idade avançada.” “Para terminar os estudos mais rápido.” “Para terminar mais cedo.”
“Porque o EJA é bem mais fácil e mais rápido para quem quer terminar o estudo.” “Escolha própria mesmo.”
A ESCOLA DEVE EDUCAR PRA QUÊ?
“Para aprender.”
“Para os alunos ser alguém na vida e arrumar um bom emprego.”
“Eu acho que educar não adiante não, quero dize não devem, mas ninguém respeita mais, nem todos são assim, a escola tem que ensinar as matérias.”
“Para formar pessoas prontas para o mundo.”
“Para ser um bom cidadão.”
“Para que cada aluno tenha um futuro isso e claro depende de cada aluno.”
“Para sermos educado em todos os aspectos.”
“A escola não tem que educar, educação se traz de casa. Escola nos prepara para o
mercado de trabalho.”
“Apenas nos ensina as matéria de estudo. Nós da provas. Enfim nos prepara para o
mercado de trabalho.”
“Para ter um país mais evoluído.”
COMO VOCÊ ACHA QUE DEVERIA SER A SUA FORMAÇÃO NA EJA?
“Eu acho que a minha formação deveria ser a melhor possível, sair sabendo de tudo.” “Talvez com mais aprendizagem.”
“Ótima mais para isso preciso me esforçar mais.”
“Pena que temos que estudar um monte para conseguir ir a frente.” “Eu acho que não deveria ser tão resumido.”
O QUE VOCÊ GOSTARIA QUE TIVESSE NA EJA?
“Educação Física” “Merenda Escolar.” “Passeios, Torneio de Futebol.”
“Recreio com mais tempo e Laboratório de Ciências e mais segurança, aqui é horrível.” “Que tivesse mais palestra para os jovens porque é difícil trabalhar em torno dele e eu sei
que os professores se esforçam mais as vezes e em vão porque eles não vem.”
“Que as matérias fossem mais completas.”
“Professores que não faltassem de preferência porque quem se ferra são os alunos não os
professores e também mais higiene nos banheiros.”
Os alunos apesar das dificuldades encontradas almejam uma escola que se preocupe com o saber , com o ato de aprender e não só com uma certificação.
COMO VOCÊ ESTÁ SE BENEFICIANDO DAS DISCIPLINAS(CIENTIFICAS, SOCIAIS E DE LINGUAGENS) DA EJA, NO SEU EMPREGO OU PARA
ARRUMAR UM?,
“Bom se for para arrumar um, as de linguagem servem muito para ter e dar uma boa impressão nas entrevistas de emprego.”
É muito importante as disciplinas para emprego, se manter atualizado no dia a dia..”
Estou me beneficiando, estou feliz quero aproveitar tudo.”
Está nos beneficiando para um currículo e para aprender falar corretamente.”
VOCÊ APROVEITA O QUE APRENDE NAS DISCIPLINAS, PARA O SEU DIA A DIA?
“Com certeza eu aprendo muito e aproveito bastante.” “Sim cada dia que passa se aprende um pouco.” “Sim aproveito muito para ensinar meus filhos.” “Sim principalmente a matemática e o português.” “Mais ou menos nem tanto como devia.”
um rádio ou leio um jornal eu sei o que o jornal está comentando, palavras que eu nem sabia o que queria dizer. Eu aprendi muitas coisas nesse um ano e meio indo para a escola.”
O PROFESSOR FAZ ATIVIDADES ONDE OS SABERES DE VOCÊS/ALUNOS CONTRIBUEM PARA O DESENVOLVIMENTO DO CONTEÚDO ESTUDADO
NA SALA DE AULA?
“As vezes durante aulas de história e português onde nós alunos expressamos um pouco o
que sabemos.”
“Sim respondendo e tentando aprender o máximo que posso, e ai eu participo da aula.” “Mais ou menos depende da matéria.”
O jovem não quer ficar um turno todo sentado, ouvindo o professor, ele quer participar e ter voz e vez na sala de aula, quer um currículo que esteja relacionado com a realidade, e o mais importante ele quer ser respeitado na sua individualidade.
VOCÊ TRABALHA? 14 (6 homens e 8 mulheres) disseram SIM
21 (8 homens e 13 mulheres) disseram NÃO 1(mulher) não respondeu
VOCÊ ACHA QUE ESTUDANDO É MAIS FÁCIL DE ARRUMAR UM EMPREGO? POR QUÊ?
“Por que a pessoa tem mais conhecimento.”
“Sim porque para arrumar um emprego é preciso ter o ensino médio.” “Sim porque as idéias ficam mais claras.”
“Sim porque ajuda a ter um bom currículo.” “Sim porque são muitos os desempregados.”
“Sim porque eles chamam mais rápido para trabalhar.” “Porque tenho que ser qualificado no cargo.”
VOCÊ ACHA QUE TERMINANDO A T6 (ENSINO FUNDAMENTAL) E
SEGUINDO ADIANTE NO ENSINO MÉDIO, FICA FÁCIL DE PROCURAR UM EMPREGO?
“Tendo bastante estudo fica mais fácil de arrumar emprego.”
“Sim, mesmo que a EJA seja um ensino abreviado o que as empresas pedem é um
diploma de 2º grau.”
VOCÊ ACREDITA QUE A SUA FORMAÇÃO DEVA SER PARA O MERCADO DE TRABALHO OU PARA ALÉM DO MERCADO DE TRABALHO?
“Sim para o mercado de trabalho.”
“Não sei te responder.”
“Para o mercado de trabalho como e nossa necessidade no momento mas acredito que possamos ir além do necessário e termos mais formação.”
“Gostaria que fosse além do mercado de trabalho e para o meu próprio desenvolvimento
intelectual.”
QUAL ERA SUA RESPOSTA, QUANDO CRIANÇA PARA A PERGUNTA: O QUE VAI SER QUANDO CRESCER?
Jogador de futebol / Modelo Bombeiro/ Militar
Médico/ Enfermeira Advogado / Empresário Professora / Psicóloga Trabalhador/ Empresário Professora de dança de salão
O desemprego é uma marca evidente dos nossos dias, vivida de forma trágica pelos jovens pois os números de desempregados é enorme, sem contar dos que ainda não tiveram a oportunidade do primeiro emprego.
O diploma é importante para que esse jovem ingresse no mercado de trabalho, mesmo que ele saiba que a escola pode ser insuficiente para uma boa colocação, ela ainda é indispensável como garantia de um possível ingresso nesse mercado de trabalho.
QUANDO VOCÊ SAIR DO ENSINO FUNDAMENTAL (TERMINAR A T6) VAI SEGUIR ADIANTE?
Os 36 alunos responderam que irão continuar estudando .
QUAL A TUA MAIOR NECESSIDADE, ANSEIO, DESEJO?
“Desejo ter um emprego que eu goste do emprego que eu escolher.” “Ter um serviço de carteira assinada e ter a casa própria.”
E que a EJA não termine e que muitas outras pessoas possam realizar os seus desejos.” “Desejo me realizar na minha vida profissional.”
“Me formar e fazer uma faculdade.”
“A minha maior necessidade e anseio e aprender a escrever um livro.”
“Ser enfermeira mas agora não dá ainda porque não tenho todo o estudo que precisa, por
isso que eu estou estudando.” “Terminar os estudos”.
O trabalho para os jovens e adultos não significa apenas garantir um espaço econômico na sociedade, mas também adquirir bens de consumo que os identifiquem como pessoas e uma certa sensação de liberdade.
Conhecer um pouco esse aluno da EJA, seu cotidiano, seus sonhos, seus engajamentos culturais, sociais e políticos, nos aproxima cada vez mais deles e nosso olhar antes restrito vai se transformando em um novo olhar, mais rico e interessante.
Esses alunos mesmo que não freqüentem ou se dediquem a uma atividade específica, eles gostam de música, de dança, de teatro, de leitura entre outros. Eles interferem e participam como sujeitos na sociedade. Mesmo que na sala de aula os encontramos com uma postura um pouco critica da realidade em que vivem e que poucos esperam que a sociedade mude, observa-se nas suas entrevistas que eles tem ciência do seu entorno, da sua realidade e da situação econômica que o país e o mundo vive.Nota-se que eles tem perspectivas sim, de mudança, de esperança num futuro melhor para eles e para os seus familiares. Realizar essa entrevista possibilitou conhecê-los um pouco melhor e saber alguns dos motivos que os fizeram ingressar na EJA e entender, nesta escola , o grande número de jovens que freqüentam a EJA.
4.A RELAÇÃO DO PROEJA NA EJA E AS POLITICAS PUBLICAS NA EJA Ao longo dessa década esteve em relevância o processo de mobilização que muitos educadores fizeram em prol da EJA. Aconteceu uma série de Encontros Municipais, Estaduais, Regionais, Conferencias, Simpósios, Seminários, Fóruns, enfim seja lá qual o nome, todos esses encontros tinham um único foco a EJA. Esses encontros convergiram para que esse ano o Brasil sedie a VI CONFINTEA(Conferência Internacional de Educação de Adultos) que irá acontecer no Estado do Pará.
O Brasil ao sediar essa conferencia, recebe o reconhecimento da diversidade de experiências, de educadores e de educandos que fazem a educação de jovens e adultos no Brasil, bem como a necessidade de sua participação na construção de políticas públicas nacionais.
O PROEJA (Programa criado pelo Governo Federal) deve atender a um grupo especifico, ou seja, a educação profissional possui as concepções de EJA quanto a sua implantação, ou seja, não mais profissionalizante como mão-de-obra barata, e sim como possibilidade de agir e refletir suas experiências de vida e de escola. É necessário entender que o PROEJA é uma proposta integradora da Educação de Jovens e Adultos e Ensino Fundamental e Profissionalizante.
O PROEJA pretende:
“a formação humana, no seu sentido lato, com acesso ao universo de saberes e
conhecimentos científicos e tecnológicos produzidos historicamente pela humanidade,integrada a uma formação profissional que permita compreender
o mundo, compreender-se no mundo e nele atuar na busca de melhoria das próprias condições de vida e da construção de uma sociedade socialmente
justa. A perspectiva precisa ser, portanto, de formação na vida e par a vida e não apenas para qualificação do mercado ou para ele.Por esse entendimento
não se pode subsumir a cidadania à inclusão no mercado de trabalho, mas
assumir a formação do cidadão que produz, pelo trabalho, a si e o mundo” (MEC, 2006, p.10)
Temos as bases legais, uma proposta em andamento em muitas Escolas Federais desse Brasil. O que falta então para o PROEJA ser implantado como uma política local(estaduais e municipais)?
Pela organização da oferta da educação brasileira, de acordo com a LDB, União , estados e municípios dividem a responsabilidade pela oferta da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio, em colaboração. Cabe também à União definir diretrizes e políticas nacionais. Entretanto, é conclusão de muitas pesquisas e observações a diferença e/ou a distância de entre a concepção das políticas e programas e o que é realizado. Os governos locais ao implantarem os preceitos legais e as políticas nacionais o fazem de diferentes maneiras, conseqüência de diversos fatores que vão desde a diferença de interpretação à influência das características do contexto local, às prioridades e, finalmente, à vontade política de cada governo.
Fatores específicos também são definidores do sucesso ou não de determinada política, entre eles o financiamento, a concepção curricular, o engajamento do pessoal docente, o envolvimento de alunos e da comunidade escolar e da sociedade em geral.
Cabe a cada sistema de ensino, estadual ou municipal, definir a estrutura e a duração dos cursos da educação de Jovens e Adultos, respeitadas as diretrizes curriculares nacionais, a identidade desta modalidade de educação e o regime de colaboração entre os entes federativos. Nessa construção curricular o contexto cultural do aluno trabalhador deve ser considerado e servir de ponte entre o seu saber e o que a escola pode proporcionar, evitando assim o desinteresse, os conflitos e a expectativa de fracasso que acabam provocando um alto índice de evasão.
A legislação, as normas, somente, não se constituem em elementos que garantam o acesso, a permanência e o sucesso a esse contingente de jovens e adultos que foram privados do direito a educação, é necessário que a norma seja operacionalizada localmente. Assim, dentro da política de consolidação do PROEJA devemos ter presente a função social e o comprometimento de nossa rede de ensino enquanto referência na implementação do Programa.
CONCLUSÕES EM ABERTO
É possível concluir que o importante a considerar é que os alunos da EJA são diferentes dos alunos presentes nos anos adequados à faixa etária. São jovens e adultos trabalhadores, com muita experiência de vida e profissional e com um olhar diferenciado sobre as coisas da vida.
Vinte e uma pessoas falaram que não trabalham e dizem o quanto as empresas estão exigindo (escolarização) para arrumar um emprego.
A maioria tem a esperança de continuar os estudos, ter acesso ao Ensino Médio e ter algum tipo de habilitação profissional.
Assim sendo, o desafio da EJA é o estabelecimento de metodologias criativas com a finalidade de se garantir aos jovens e adultos que tiveram passagens fracassadas pelas escolas, o acesso à cultura letrada, possibilitando sua participação ativa no universo da sala de aula, no político, no profissional e cultural.
É necessário que haja a participação dos poderes públicos municipal, estadual e federal e de toda a sociedade brasileira para que possam traçar metas de como integrar jovens e adultos a programas diferenciados e de criar políticas públicas efetivas, com o objetivo continuo de desenvolver capacidades e as competências necessárias para os mesmos poderem enfrentar as transformações culturais, cientificas e tecnológicas que repercutem no seu dia a dia de sobrevivência no mercado de trabalho, proporcionando-lhes atualização de conhecimento para toda a vida.
Se a educação de Jovens e Adultos tem como objetivo possibilitar aos trabalhadores e a outros segmentos da sociedade, a reentrada no sistema educacional, dando-lhes a condição de escolarizado e possuidor de conhecimentos sistematizados, faz-se necessário que além da formação de docentes para a área de educação de Jovens e Adultos, sejam oferecidos ambientes adequados tanto no que se refere aos ambientes pedagógicos, propriamente ditos, como Salas de Aula, Laboratório e Oficinas, como também áreas destinadas a Lazer e Esportes que terão a importância para a socialização e a construção da auto-estima dos alunos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
ARROYO, Miguel G. Imagens quebradas: trajetórias e tempos de alunos e mestres. Petrópolis, RJ : Vozes,2004.
BRASIL. Programa de Integração da Educação Profissional Técnica de Nível Médio na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos – PROEJA – documento base. MEC. Brasília – DF: 2006
BRUNEL, Carmen. Jovens cada vez mais jovens na educação de jovens e adultos. Porto Alegre: Mediação, 2004.
FRIGOTTO, Gaudêncio(Org.). Educação e crise do trabalho: perspectivas de final de século. Petrópolis, RJ:Vozes,1998.
MACHADO, Maria Margarida. Formação de educadores de jovens e adultos. Brasília: SANTOS,Simone Valdete; ESLABÃO, Leomar da Costa; FRANZOI, Naira (Org.). Reflexões sobre a prática e a teoria PROEJA: produções da especialização PROEJA/RS. Porto Alegre: Evangraf Ltda,2007.
SECAD/MEC, UNESCO, 2008.
SOARES, Leôncio José Gomes.Educação de jovens e adultos. RJ: DP&A,2002.
SCHEIBEL, Maria Fani; LEHENBAUER, Silvana (Org.). Reflexões sobre educação de jovens e adultos - EJA. Porto Alegre: PALLOTTI, 2006.
ANEXOS
Questionário aplicado ao alunos da EJA
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM EDUCAÇÃO PROFISSIONAL TÉCNICA DE NÍVEL MÉDIO INTEGRADA AO ENSINO MÉDIO NA MODALIDADE
EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS
ENTREVISTA COM O ALUNO DA ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO FUNDAMENTAL ADONIS DOS SANTOS.
ROTEIRO PARA A ENTREVISTA
Profª. MARA IDELCINA RODRIGUES SOARES(entrevistadora)
Para a sua tranquilidade você poderá sugerir um nome fictício para ser usado no desenvolvimento deste trabalho.
DADOS PESSOAIS 1)Nome:__________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ Nome fictício: _____________________________________________________________ 2) Idade: _____________________________________________________________ 3) Estado civil:_____________________________________________________________ 4) Filhos:_________________________________________________________________
5) Cidade onde mora:________________________________________________________ 6) Naturalidade:____________________________________________________________
FORMAÇÃO
7) Até que série estudou antes de entrar na EJA:___________________________________ 8) Quanto tempo ficou sem estudar:____________________________________________ 9) Quando voltou a estudar:_________Em que série:_______________________________ 10) Marque:
1- municipal 2-estadual 3- federal 4-privada
( ) 1ª série( ) 2ª série ( )3ª série ( )4ªsérie ( )5ª série ( )6ª série ( )7ª série ( )8ª série
11) Você em algum momento estudou à noite?____________________________________
12) Antes de você se tornar aluno da Escola Adonis dos Santos/EJA:
-Qual escola estudou:________________________________________________________ -Quando:__________________________________________________________________
13) Qual era sua resposta, quando criança para a pergunta:
O que vai ser quando crescer?________________________________________________ _________________________________________________________________________
14) Quando você sair do ensino fundamental( terminar a T6) vai seguir
estudando?________________________________________________________________ -Em qual escola vai se inscrever?______________________________________________ -Em que curso vai se inscrever?________________________________________________
15) Há quanto tempo estuda nesta escola?
_________________________________________________________________________
17) Você acha que o estudo é importante para conseguir um emprego?_________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ 18) Você trabalha?__________________________________________________________ 19) Em que?_______________________________________________________________ 20) Carga horaria:__________________________________________________________
21) Aqui em Viamão ou em outra cidade?________________________________________
22)Qual cidade?____________________________________________________________
23)Quanto tempo está neste emprego?__________________________________________
24)Quantos anos tinha quando conseguiu seu primeiro emprego?_____________________
25)Já ficou desempregado?___________________________________________________
26) Caso ele/a não tenha nunca trabalhado, vou fazer as seguintes perguntas:
27) Pretende trabalhar em que?________________________________________________
28 ) No que você gostaria de trabalhar no seu primeiro emprego, por quê? Já pensou a respeito, caso não consiga?
_________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________
29 ) Você acha que estudando é mais fácil de arrumar um emprego?Por quê?
_________________________________________________________________________ 30 ) Você acha que terminando a T6(Ensino Fundamental) e seguindo adiante, no Ensino Médio, fica fácil de procurar um emprego?
_________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________
PARA TODOS OS ALUNOS 31) A escola deve educar para quê?
_________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________
32 ) Como você/aluno está se beneficiando das disciplinas(cientificas,sociais e de linguagens) da EJA no seu emprego ou para arrumar um?
_________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________
33) Você aproveita o que aprende nas disciplinas, para o seu dia a dia?
_________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________
34) O professor faz atividades onde os saberes de vocês/alunos contribuem para o desenvolvimento do conteúdo estudado na sala de aula?
_________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________
35) Como você acha que deveria ser a sua formação na EJA?
_________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________ 36) E a dos professores?
_________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________
37)Qual o motivo de estar cursando a EJA, e não o ensino regular?
_________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________
38) O que você gostaria que tivesse na EJA?
_________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________
39) Você acredita que a sua formação deva ser para o mercado de trabalho ou para além do mercado de trabalho?
_________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________
40) Qual a tua maior necessidade/anseio/desejo?
_________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ __________________________________________________________________