U
NIVERSIDADEF
EDERAL DAP
ARAÍBA– UFPB
D
EPARTAMENTO DEQ
UÍMICA– DQ/CCEN
FÍSICO-QUÍMICA EXPERIMENTAL
M
ANUAL DEP
RÁTICASC
OMPLETOCONTEÚDO:
UTILIZAÇÃO DESTE MANUAL
P
ARTE1: T
ERMODINÂMICAQ
UÍMICAI
PRÁTICA N° 1: LEI DE BOYLE
PRÁTICA N° 2: LEI DE CHARLES E GAY-LUSSAC PRÁTICA N° 3: LEI DE GRAHAM
PRÁTICA N° 4: CALOR ESPECÍFICO DE UM SÓLIDO
PRÁTICA N° 5: CALOR DE NEUTRALIZAÇÃO, DISSOLUÇÃO E DILUIÇÃO PRÁTICA N° 6: FUNÇÕES TERMODINÂMICAS E SOLUBILIDADE
PRÁTICA N° 7: ENTROPIA DE UM PROCESSO IRREVERSÍVEL
PRÁTICA N° 8: CONSTANTE DE EQUILÍBRIO POR FOTOCOLORIMETRIA PRÁTICA N° 9: CONSTANTE DE EQUILÍBRIO POR TITULOMETRIA
1-8;9-37;93;94;95
P
ARTE2: T
ERMODINÂMICAQ
UÍMICAII
PRÁTICA N° 1: VOLUME MOLAR PARCIAL PRÁTICA N° 2: TENSÃO SUPERFICIAL
PRÁTICA N° 3: VISCOSIDADE DE UM LÍQUIDO PRÁTICA N° 4: EQUILÍBRIO SÓLIDO-LÍQUIDO
PRÁTICA N° 5: DISTRIBUIÇÃO DE SOLUTO ENTRE SOLV. IMISCÍVEIS PRÁTICA N° 6: SOLUBILIDADE LÍQUIDOS (SISTEMA BINÁRIO)
PRÁTICA N° 7: SOLUBILIDADE LÍQUIDOS (SISTEMA TERNÁRIO) PRÁTICA N° 8: CONDUTIVIDADE MOLAR
PRÁTICA N° 9: CONSTANTE DE FARADAY E NÚMERO DE AVOGADRO
1-8;38-62;93;94;96
P
ARTE3: C
INÉTICAQ
UÍMICAPRÁTICA N° 1: PARÂMETROS CINÉTICOS PELO MÉTODO DO ISOLAMENTO PRÁTICA N° 2: ORDEM DE REAÇÃO PELO MÉTODO DAS VELOC. INICIAIS PRÁTICA N° 3: CONSTANTE DE VELOC. POR CONDUTIVIMETRIA
PRÁTICA N° 4: PARÂMETROS CINÉTICOS POR FOTOCOLORIMETRIA PRÁTICA N° 5: CONSTANTE DE VELOC. POR TITULOMETRIA
PRÁTICA N° 6: CONSTANTE DE VELOC. POR POLARIMETRIA PRÁTICA N° 7: CATÁLISE ENZIMÁTICA VIA FOTOCOLORIMETRIA PRÁTICA N° 8: ISOTERMA DE ADSORÇÃO VIA TITULOMETRIA
1-8;63-92;93;94;97
F
ÍSICO-Q
UÍMICAE
XPERIMENTAL: P
RÁTICASS
UGERIDASPRÁTICAS N°: 1.4, 1.5, 1.7, 2.1, 2.2, 2.3, 3.2, 3.3, 3.4
1-8;9;19-21;22-25;28-30;38;39-40;41-43;44-46;63; 67-70;71-74;75-78;93;94;98
F
UNDAMENTOSDEF
ÍSICO-Q
UÍMICA: P
RÁTICASS
UGERIDASPRÁTICAS N°: 1.1, 1.2, 1.4, 1.5, 1.7, 3.2, 3.3, 3.4, 3.6
ORIENTAÇÕES INICIAIS:
ATITUDES SEGURAS NO LABORATÓRIO E TRATAMENTO DE DADOS
O
BJETIVOApresentar o desenvolvimento da disciplina experimental em forma de texto lógico e organizado.
O
BSERVAÇÕESI
NICIAIS1. Segurança no Laboratório: A participação dos alunos nas aulas práticas só será permitida se o aluno estiver portando o seu caderno de laboratório e vestido adequadamente (calça, sapato e bata).
2. Tempo da Atividade: Em todas as aulas práticas os alunos devem trazer seus cadernos de laboratório devidamente organizados, contendo as tabelas a serem preenchidas com os dados dos experimentos.
3. Avaliação da Prática: O caderno de laboratório também deve conter o tratamento de dados referente a cada prática, cuja cópia deve ser entregue aos professores no início da aula prática seguinte.
T
RATAMENTO DED
ADOSALGARISMOS SIGNIFICATIVOS
Em matemática 10 é igual a 10,0. Entretanto, nas ciências experimentais esses números não são necessariamente iguais. Por exemplo, quando se expressa a massa de uma amostra como sendo 10 g significa dizer que a quantidade pesada está entre 11 g e 12 g, enquanto que 10,0 g significa algo entre 9,9 g e 10,1 g.
Os algarismos necessários para expressar o resultado de um experimento, com a mesma precisão que as medidas efetuadas, são chamados algarismos significativos. Por exemplo, ao se escrever que a distância entre dois pontos é de 12,00 cm, a medida está sendo representada por quatro algarismos significativos. Escrevendo que a distância é de 0,1200 m ou 0,0001200 km tem-se tem-sempre quatro algarismos significativos. Note-tem-se que os zeros que precedem o algarismo 1 não fazem parte dos algarismos significativos, porque servem apenas para indicar a posição da vírgula. Os dois zeros seguintes aos algarismos 1 e 2 são significativos, porque indicam que a medida foi feita com precisão da ordem de um décimo de milímetro.
Não é o número de algarismos depois da vírgula que permite avaliar a precisão da medida, mas sim o número de algarismos significativos. Deste modo, o erro efetuado em uma medida é, antes de tudo, dependente da escala do instrumento no qual a medida foi efetuada. Por exemplo, se o comprimento de um objeto for determinado por uma régua cujas divisões são de 1 em 1
milímetro, a precisão da medida será de ±0,5 mm. Por outro lado, se a divisão da régua for de 0,1 em 0,1 milímetro, o erro na medida será de ±0,05 mm.
O experimentador deve registrar os resultados de tal modo que o último algarismo significativo, e apenas ele, seja incerto. A soma algébrica de um algarismo incerto com algarismos exatos é um algarismo incerto. Por exemplo:
104,65 + 0,2248 ---104,87
.
Neste caso o algarismo incerto é o 7, de modo que o resultado deve ser expresso como 104,87. Na multiplicação e na divisão o raciocínio é análogo. Por exemplo:
12,4 x2,54 496 620 248 ---31,496 ,
de modo que o resultado deve ser representado na forma de 31,5. PRECISÃO & EXATIDÃO
Os termos precisão e exatidão são usados para dar informações sobre a qualidade das medidas e a confiança que se pode depositar nelas. Por exemplo, pesou-se uma amostra sobre duas balanças, de modo que a primeira pesagem indicou 1,25±0,02 g e a segunda 1,2500±0,0002 g. O resultado apresentado pela segunda balança é mais preciso que o da primeira, mas não se tem certeza de qual resultado é o mais exato, visto que uma das balanças pode apresentar um erro sistemático.
Fala-se de precisão quando se considera o número de algarismos significativos e a reprodutibilidade dos resultados, enquanto a exatidão representa a diferença entre a medida e o seu valor real. Assim, uma medida pode ser muito precisa e pouco exata, mas se a medida for muito exata é provável que seja muito precisa.
A precisão depende dos erros acidentais (devidos ao operador; esses erros são variáveis em grandeza e sinal, e se compensam quando o número de medidas é grande), enquanto a exatidão depende dos erros sistemáticos (independentes do operador; esses erros são constantes em grandeza e sinal e nunca se compensam).
A determinação da precisão é feita pela percentagem de erro da medida. Por exemplo: 1ª Medida: 0,02 1,25 = 0,016 = 1,6 % 2ª Medida: 0,0002 1,2500 = 0,00016 = 0,016 % .
ERRO ABSOLUTO & ERRO RELATIVO
Em uma medida expressa na forma 7,25±0,03 cm, a quantidade 7,25 cm representa o valor absoluto da medida, enquanto que ±0,03 cm representa o erro absoluto, que é independente do valor da medida. O erro relativo é a fração do erro cometido na medida e depende do valor absoluto. Por exemplo, duas medidas deram 7,25±0,03 cm e 72,50±0,03 cm, de modo que os erros absolutos são os mesmos, mas os erros relativos são:
1ª Medida: 0,03
7,25 = 0,004 = 0,4% 2ª Medida: 0,03
72,50 = 0,0004 = 0,04% .
A análise de erro descrita acima diz respeito a precisão da medida. No entanto, outra análise de erro a ser considerada é feita com base na exatidão, para a qual é necessário um valor de referência (geralmente um valor tabelado em handbooks ou determinado através de um trabalho científico meticuloso). Para este tipo de análise, o erro absoluto é determinado pela expressão:
Erro =
|
Medida−Referência|
, e o erro relativo:%Erro =
|
Medida−Referência Referência|
.FONTESDE DADOS ADICIONAIS
Todos os dados adicionais, necessários para a realização de tratamentos de dados ou determinações de erros experimentais, tais como densidade, tensão superficial e viscosidade em diferentes temperaturas, devem ser obtidos em manuais de constantes físicas e químicas ou em artigos científicos (muitos dos quais são recomendados neste manual, ao final de cada prática).
R
EFERÊNCIAS1. Bueno, W. A.; Degrève, L.; Manual de Laboratório de Físico-Química, São Paulo, McGraw-Hill, 1980.
2. Silva, R. R.; Bocchi, N.; Rocha Filho, R. C.; Introdução à Química Experimental, São Paulo, McGraw-Hill, 1990.
3. Haynes, W. M.; Lide, D. R.; CRC Handbook of Chemistry and Physics, 2011.
ELABORAÇÃO DE RELATÓRIOS:
ESTRUTURA DE RELATÓRIOS SOBRE AS PRÁTICAS
O
BSERVAÇÕES SOBRE AF
ORMATAÇÃO• Papel: A4;
• Margens: Esquerda, Direita, Inferior e Superior 2,5 cm; • Fonte: Times 12, Arial 11 ou Verdana 11;
• Espaçamento: 1,5;
• Títulos e Subtítulos: Negrito e Letras Maiúsculas.
R
ELATÓRIOC
OMPLETOEste formato deve conter os seguintes componentes: 1. CAPA:
Título e número da prática, identificação do(s) aluno(s) e da turma(s) (ex.: Bacharelado em Química), data da realização do experimento e nome do professor responsável.
2. RESUMO:
Um texto contendo entre 5 e 10 linhas resumindo todo o relatório (objetivos, procedimentos e resultados).
3. OBJETIVOS:
Com verbo no infinitivo, indicar o(s) objetivo(s) da prática. 4. INTRODUÇÃO:
Teoria necessária para o entendimento da prática e discussão dos resultados, devendo estar referenciada com numeração sequencial, evitando-se cópia de textos da bibliografia consultada.
5. MATERIAIS E MÉTODOS:
Deve ser apresentado em 3 subitens, levando-se em conta as possíveis diferenças do roteiro da prática:
5.1. Materiais: Informar, na forma de itens, todos os materiais e equipamentos utilizados. Ex.:
◦ Chapa Elétrica Aquecedora (ou Bico de Bunsen + Tripé de Ferro); ◦ Termômetro (0-100 °C±0,5 °C).
5.2. Reagentes: Informar, na forma de itens, todos os reagentes utilizados, com formulação e concentração. Ex.:
◦ Ácido clorídrico concentrado (HCl);
5.3. Procedimento: Descrever todo o procedimento experimental realizado, com detalhes. Pode-se utilizar um fluxograma do procedimento experimental ou um esquema da montagem do experimento. Os verbos devem estar no passado e de forma impessoal (ex.: “colocou-se” ou “foram colocados”).
6. RESULTADOS E DISCUSSÃO:
Colocar todos os resultados alcançados na ordem em que foram adquiridos ou descritos no procedimento experimental, apresentado-os com clareza e organização.
◦ Fazer uso de quadros, tabelas, gráficos e figuras, quando conveniente, devendo ser numerados e mencionados no texto antes de suas colocações no documento. Quadros apresentam as laterais fechadas e as tabelas apresentam as laterais abertas. Figuras facilitam a ilustração de um esquema ou montagem experimental, e gráficos facilitam a ilustração de uma tendência, devendo ser priorizados se os resultados o permitirem. Em todos os casos deve-se utilizar legendas autoexplicativas, posicionadas na parte superior em tabelas, e na parte inferior em quadros, figuras e gráficos.
◦ Todos os resultados numéricos devem apresentar unidades, fazendo-se o uso correto de algarismos significativos. Deve-se informar nesta seção os erros absoluto e relativo quanto a precisão das medidas. Todos os cálculos relativos ao tratamento de dados devem ser apresentados neste item. Quando um valor de referência estiver disponível a partir de dados da literatura, deve-se informar nesta seção os erros absoluto e relativo obtidos quanto a exatidão dos resultados tratados.
◦ Todos os procedimentos que envolvem reações devem apresentar as devidas equações. Deve-se explicar todas as observações experimentais (mudanças de cor ou de temperatura, turvação, etc.) e os resultados obtidos (formação de um produto ou subproduto, rendimento, massa, concentração, etc.). Todas as discussões devem ser feitas com embasamento químico e considerações teóricas, o que exige conhecimento e pensamento crítico, razão pela qual este é o item de maior peso no relatório. Se o resultado diferir do que é esperado a partir da teoria, deve-se considerar criticamente as possíveis fontes de erro.
7. CONCLUSÕES:
Apresentar as conclusões de forma clara e resumida a partir dos resultados obtidos.
8. QUESTÕES:
Discussão das questões sugeridas no roteiro da prática. 9. REFERÊNCIAS:
Listar as referências consultadas para a realização do relatório de acordo com a ABNT. Indicar as referências no texto, com a numeração adequada.
R
ELATÓRIOC
URTOEste formato deve conter os seguintes componentes: 1. CAPA:
Título e número da prática, identificação do(s) aluno(s) e da turma(s) (ex.: Bacharelado em Química), data da realização do experimento e nome do professor responsável.
2. DADOS:
Colocar todos os resultados alcançados na ordem em que foram adquiridos ou descritos no procedimento experimental, apresentado-os com clareza e organização. Todos os resultados numéricos devem apresentar unidades, fazendo-se o uso correto de algarismos significativos.(*)
3. TRATAMENTO DE DADOS:
Todos os cálculos relativos ao tratamento de dados devem ser apresentados neste item. Todas as justificativas para o tratamento de dados realizado devem ser feitas com embasamento químico e considerações teóricas, o que exige conhecimento e pensamento crítico, razão pela qual este é o item de maior peso no relatório. Se o resultado diferir do que é esperado a partir da teoria, deve-se considerar criticamente as possíveis fontes de erro.(*)
4. ANÁLISE DE ERROS:
Deve-se informar nesta seção os erros absoluto e relativo quanto a precisão das medidas. Quando um valor de referência estiver disponível a partir de dados da literatura, deve-se informar nesta seção os erros absoluto e relativo obtidos quanto a exatidão dos resultados tratados.(*)
5. CONCLUSÕES:
Apresentar as conclusões de forma clara e resumida a partir dos resultados obtidos.
6. QUESTÕES:
Discussão das questões sugeridas no roteiro da prática. 7. REFERÊNCIAS:
Listar as referências consultadas para a realização do relatório de acordo com a ABNT. Indicar as referências no texto, com a numeração adequada. Ex.:
CORSARO, G. Colorimetric Chemical Kinetics Experiment. J. Chem. Educ., v. 41, n. 1, p. 48, 1964.
PARTE 1
PRÁTICA N° 1:
VERIFICAÇÃO DA LEI DE BOYLE
O
BJETIVODeterminar experimentalmente a relação entre a pressão e o volume de uma amostra de ar à temperatura constante.
I
NTRODUÇÃOBoyle e Mariotte enunciaram, a partir de resultados experimentais, uma lei que rege as variações de volume e de pressão, à temperatura e composição constantes. Esta lei é válida para os gases ideais e, experimentalmente, é comprovada variando-se a pressão de um gás, à temperatura constante, e determinando o seu volume. Esta lei pode ser expressa da seguinte maneira: “À temperatura constante, o produto da pressão de uma determinada amostra de um gás pelo seu volume é constante”. Matematicamente: pV = constante, onde p é a pressão exercida sobre o gás e V o volume da amostra gasosa.
A amostra de ar é mantida a uma temperatura constante e varia-se seu volume. A pressão é medida por um manômetro a água. A pressão da amostra de ar é igual à pressão da coluna d’água mais a pressão atmosférica, que é lida no barômetro do laboratório em milímetros de mercúrio e deve ser convertida em centímetros de água. A pressão medida inclui a pressão de vapor da água. Para obter a pressão do ar seco, deve-se subtrair a pressão de vapor da água na temperatura do experimento.
(1) Balão de nível.
(2) Balão contendo o gás. (3) Bureta.
Figura 1: Sistema com manômetro a água para medir a pressão de
M
ATERIAIS: E
QUIPAMENTOS& R
EAGENTES 01 Balão de nível; 01 Balão volumétrico; 01 Bureta; 02 Mangueiras de silicone; Água destilada.P
ROCEDIMENTOPARTE A: MONTAGEM EXPERIMENTAL
1. Para obter o volume do ar contido no balão e no tubo de borracha até o zero da bureta de gás (volume morto), desconecte o tubo de borracha no ponto A. Encha o balão, o tubo de borracha e a bureta, até o zero, com água destilada. Elimine bolhas de ar comprimindo o tubo de borracha. Transfira a água cuidadosamente, evitando perdas, para um bécher previamente tarado. Pese o bécher com a água (utilize a balança mecânica de contrapesos).
2. Reconecte o tubo de borracha em A. Desconecte agora o tubo de borracha no ponto B. Encha o balão de nível até à metade com água destilada. Não deixe bolhas de ar. Ajuste a altura do balão de nível de modo que a bureta fique com água pela metade.
3. Reconecte o tubo de borracha ao ponto A. Verifique se o balão ficou bem fechado.
4. Prepare uma tabela no seu caderno de laboratório com uma coluna para volumes em mililitros e duas colunas para alturas em centímetros.
PARTE B: COLETA DE DADOS
1. Comprima a amostra de ar elevando o balão de nível até que o nível d’água na bureta fique a um ou dois milímetros da marca superior. Anote a altura da água no balão de nível (h2) e na bureta (h1). Se necessário,
extrapole a escala da bureta com o auxílio de uma régua graduada.
2. Faça de cinco a dez medidas, baixando o balão de nível até que todo o volume da bureta seja utilizado.
3. Obtenha a temperatura e a pressão atmosférica sob a qual o experimento foi realizado. Com essas informações, determine a pressão de vapor da água e a densidade da água e do mercúrio na temperatura do experimento.
T
RATAMENTO DED
ADOS1. Apresente os dados obtidos em uma tabela de pressão em função do volume.
2. Determine o volume fixo de ar no equipamento (volume morto), dividindo a massa de água obtida na etapa 1 da parte A do procedimento pela densidade da água na temperatura do experimento. Cada amostra de ar terá o volume medido na bureta mais o volume morto.
3. Calcule a pressão total do ar seco em centímetros de água, subtraindo, para cada medida, a pressão de vapor da água. Some a cada valor a pressão da atmosfera (lida no barômetro do laboratório), convertida de milímetros de mercúrio para centímetros de água. Utilize, para a conversão de unidades, a relação: p = ρgh.
4. Apresente tabelas de pressão (em centímetros de água) em função do volume, e calcule o produto pV em função da pressão para cada medida. 5. Trace o gráfico 1/V = f(p) e encontre a melhor reta.
6. Trace o gráfico pV = f(p) e determine o valor médio da constante.
7. Discuta os resultados, apontando possíveis causas de desvios em relação à lei de Boyle, caso elas sejam observadas.
Q
UESTÕES PARA OR
ELATÓRIO1. Que tipos de curvas foram obtidas a partir do tratamento dos dados? 2. Faça uma regressão linear para o gráfico do item 6 e obtenha a equação
que melhor descreve os seus resultados. Faça uma comparação com a Lei de Boyle.
3. Quais as possíveis fontes de erro ou limitações neste experimento? Para cada uma, tente dizer que efeito elas terão no resultado esperado dos experimentos.
4. Como o objetivo da prática é verificar se o produto pV é constante, é interessante verificar o quanto as medidas experimentais se distanciam de um valor médio.
5. Caso as medidas experimentais não confirmem a lei de Boyle, indique uma maneira de verificar o quanto as medidas se distanciam do desejado.
B
IBLIOGRAFIA1. ATKINS, P.W.; Físico-Química, 7ª Ed. RJ: Ed. LTC, 2004.
PRÁTICA N° 2:
VERIFICAÇÃO DA LEI DE CHARLES E GAY-LUSSAC
O
BJETIVOVerificar a validade da lei de Charles e Gay-Lussac para uma amostra de ar, utilizando um sistema hidrostático.
I
NTRODUÇÃOPara verificar experimentalmente a lei de Charles e Gay-Lussac, mede-se a pressão de uma amostra de ar, mantida a volume constante no sistema hidrostático da figura 1, a diferentes temperaturas. O balão 1 é imerso em um banho de água (não ilustrado na figura) de modo que a temperatura da amostra de ar pode ser variada adicionando-se água quente, água fria ou gelo triturado ao banho. A pressão do ar será igual à pressão da coluna d’água (diferença entre os dois níveis de água no sistema: h = h2 - h1) mais a pressão atmosférica. A
pressão da atmosfera é lida no barômetro do laboratório, em milímetros de mercúrio, e deve ser corrigida para centímetros de água. A pressão medida inclui a pressão de vapor da água. Para obter a pressão do ar seco, deve-se subtrair do valor medido a pressão de vapor da água a cada temperatura do experimento.
(1) Cuba contendo água; (2) Balão contendo o ar; (3) Bureta;
(4) Termômetro;
(5) Resistência elétrica para aquecimento; (6) Régua;
(7) Balão de nível.
Figura 1: Sistema com manômetro a água para medir a pressão de um
M
ATERIAIS: E
QUIPAMENTOS& R
EAGENTES 01 Balão de nível; 01 Balão volumétrico; 01 Bureta; 01 Termômetro; 01 Resistência elétrica; 02 Mangueiras de silicone; 01 Régua graduada; Água destilada.P
ROCEDIMENTOPARTE A: MONTAGEM EXPERIMENTAL
1. Monte o sistema hidrostático da figura 1. Mantenha o balão contendo ar imerso em um banho de água à temperatura ambiente. Agite a água do banho com um bastão de vidro para homogeneizar a temperatura.
2. Encha o balão de nível até a metade com água destilada. Abaixe-o até que o nível de água na bureta de gás fique entre 10 e 15 mililitros. Ajuste a altura do balão de nível até que a água fique à mesma altura nos dois lados do tubo em U (faça marcas para se orientar).
PARTE B: COLETA DE DADOS
1. Registre em uma tabela os dados, colocando colunas para a temperatura e para as alturas do nível da água na bureta (h1) e do balão de nível (h2).
2. Misture água gelada ao banho até conseguir uma temperatura razoavelmente constante, em torno de 20 C.
3. Ajuste a altura do balão de nível para que o volume fique constante, mantendo os níveis de água no tubo em U sempre nas marcas.
4. Anote a temperatura e as novas alturas h1 e h2.
5. Repita o procedimento, acrescentando gelo ao banho, variando a temperatura em cerca de 5 oC para cada ponto, anotando a temperatura e
as alturas em cada etapa.
6. Remova o gelo e aqueça o banho suavemente, com cuidado para manter o nível de água no tubo em U, e meça as alturas, como anteriormente, variando a temperatura em cerca de 5 oC para cada ponto.
7. Obtenha a temperatura e a pressão atmosférica sob a qual o experimento foi realizado. Com essas informações, determine a pressão de vapor da água e a densidade da água e do mercúrio na temperatura do experimento.
T
RATAMENTO DED
ADOS1. Apresente os dados obtidos em uma tabela: temperatura (T), altura da coluna de água na bureta (h1) e altura da coluna de ar no balão de nível
(h2).
2. Para cada temperatura, calcule a pressão total do ar úmido e corrija-a, subtraindo a pressão de vapor da água para obter a pressão do ar seco. Adicione a pressão atmosférica, convertida de milímetros de mercúrio para centímetros, de água. Apresente os dados calculados em uma tabela. 3. Trace o gráfico da pressão do ar seco (em centímetros de água) em função
da temperatura (em C).
4. Obtenha a melhor reta (p = kt(oC) + kT
0) pelo método dos mínimos
quadrados (regressão linear) e encontre T0.
5. Compare seu resultado com o valor 273,15 e discuta, calculando erros.
Q
UESTÕES PARA OR
ELATÓRIO1. Que tipos de curvas foram obtidas a partir do tratamento dos dados?
2. Faça uma regressão linear para o gráfico e obtenha a equação que melhor descreve os seus resultados. Faça uma comparação com a Lei de Charles. 3. Quais as possíveis fontes de erro ou limitações neste experimento? Para
cada uma, tente dizer que efeito elas terão no resultado esperado dos experimentos.
4. Como o objetivo da prática é verificar se V é proporcional a T, é interessante verificar o quanto as medidas experimentais se distanciam de um valor médio.
5. Caso as medidas experimentais não confirmem a lei de Charles, indique uma maneira de verificar o quanto as medidas se distanciam do desejado.
B
IBLIOGRAFIA1. ATKINS, P.W.; Físico-Química, 7ª Ed. RJ: Ed. LTC, 2004.
PRÁTICA N° 4:
DETERMINAÇÃO DO CALOR ESPECÍFICO DE UM SÓLIDO POR CALORIMETRIA
O
BJETIVODeterminar o calor específico de um sólido a partir de um simples experimento de calibração de um calorímetro.
I
NTRODUÇÃOCalor pode ser definido como uma quantidade que se transfere de um corpo a outro como consequência exclusiva de uma diferença de temperatura entre ambos. A experiência mostra que a quantidade de calor recebida por um sistema, sob pressão constante, é proporcional ao acréscimo de temperatura produzido, ou seja:
q = C ×(T2−T1) , (1)
onde T1 e T2 são as temperaturas inicial e final do sistema, respectivamente, e C
é uma constante de proporcionalidade, denominada capacidade calorífica média, a qual depende da natureza, do estado físico e do tamanho do sistema. Se dividirmos a capacidade calorífica pela massa do sistema, obtém-se a capacidade calorífica específica, ou simplesmente calor específico, do sistema, c:
c = C
m ⇔ C = mc . (2)
De acordo com a primeira lei da termodinâmica, quando dois sistemas interagem e trocam energia, um deles ganha e o outro perde a mesma quantidade de energia. Desta forma, se os sistemas estiverem em temperaturas diferentes, a quantidade de energia trocada pode ser representada da seguinte forma:
q1 = −q2 ⇔ q1 + q2 = 0 , (3)
onde q1 é a quantidade de energia perdida pelo corpo 1 e q2 a quantidade de
energia ganha pelo corpo 2. Se substituirmos q1 e q2, teremos:
C1×(Tf−T1) = −C2×(Tf−T2) , (4)
onde C1 e C2 são as capacidades caloríficas dos sistemas 1 e 2, T1 e T2 as
temperaturas iniciais dos sistemas 1 e 2 e Tf a temperatura final (de equilíbrio).
A quantidade de calor trocada entre um sistema e o meio externo é medida por meio de um calorímetro, que é um reservatório de calor de capacidade calorífica conhecida, cujas variações de temperatura fornecem as quantidades de calor recebidas de um sistema ou transferidas para este.
M
ATERIAIS: E
QUIPAMENTOS& R
EAGENTES01 Calorímetro adiabático de isopor; 01 Copo de alumínio.
01 Esfera de ferro metálico; 01 Esfera de chumbo metálico; 01 Proveta de 250 mL;
01 Chapa Elétrica Aquecedora (ou Bico de Bunsen + Tripé de Ferro); 01 Balança mecânica;
02 Termômetros (0-100 °C±0,5 °C).
P
ROCEDIMENTOPARTE A: CALIBRAÇÃO DO CALORÍMETRO
1. Coloque 200 mL de água destilada no interior do sistema calorimétrico e deixe-o alcançar o equilíbrio térmico. Anote a temperatura.
2. Pese uma quantidade de ferro metálico (c = 0,106 cal/g°C) em balança adequada (mecânica). Aqueça-a em água destilada até que esta entre em ebulição e anote a temperatura. Em seguida, transfira rapidamente o ferro metálico para o sistema calorimétrico, espere o equilíbrio térmico ser alcançado e anote a temperatura de equilíbrio.
3. Utilize estes dados para calcular a capacidade calorífica do sistema calorimétrico.
PARTE B: DETERMINAÇÃO DO CALOR ESPECÍFICODE UM SÓLIDO
1. Esvazie e lave o calorímetro.
2. Repita o procedimento anterior, utilizando uma amostra de chumbo metálico.
T
RATAMENTO DED
ADOS1. Utilize as equações (1) a (4) e os valores de temperaturas obtidos na parte A para calcular a capacidade calorífica do sistema calorimétrico.
2. Utilizando a equação (4), os dados da segunda parte e o resultado anterior, determine o calor específico do chumbo.
3. Compare seus resultados com os da literatura. Calcule o erro relativo e o absoluto e discuta sobre as diferenças.
Q
UESTÕES PARA OR
ELATÓRIO1. Os valores obtidos são satisfatórios?
2. Quais as possíveis fontes de erro ou limitações neste experimento? Para cada uma, tente dizer que efeito elas terão no resultado esperado dos experimentos.
B
IBLIOGRAFIA1. ATKINS, P.W.; Físico-Química, 7ª Ed. RJ: Ed. LTC, 2004.
PRÁTICA N° 5:
DETERMINAÇÃO DO CALOR DE NEUTRALIZAÇÃO, DISSOLUÇÃO E DILUIÇÃO
O
BJETIVODeterminar o calor de neutralização (em uma reação ácido-base) e dissolução (na solubilização de um soluto em água).
I
NTRODUÇÃOCalor pode ser definido como uma quantidade que se transfere de um corpo a outro como consequência exclusiva de uma diferença de temperatura entre ambos. A experiência mostra que a quantidade de calor recebida por um sistema, sob pressão constante, é proporcional ao acréscimo de temperatura produzido, ou seja:
q = C ×(Tf−Ti) , (1) onde Ti e Tf são as temperaturas final e inicial do sistema, respectivamente, e C é
uma constante de proporcionalidade, denominada capacidade calorífica média, a qual depende da natureza, do estado físico e do tamanho do sistema. Se dividirmos a capacidade calorífica pela massa do sistema, obtém-se a capacidade calorífica específica, ou simplesmente calor específico, do sistema, c:
c = C
m ⇔ C = mc . (2)
De acordo com a primeira lei da termodinâmica, quando dois sistemas interagem e trocam energia, um deles ganha e o outro perde a mesma quantidade de energia. Desta forma, se os sistemas estiverem em temperaturas diferentes, a quantidade de energia trocada pode ser representada da seguinte forma:
q1 = −q2 ⇔ q1 + q2 = 0 , (3)
onde q1 é a quantidade de energia perdida pelo corpo 1 e q2 a quantidade de
energia ganha pelo corpo 2. Se substituirmos q1 e q2, teremos:
C1×(Tf−T1) = −C2×(Tf−T2) , (4)
onde C1 e C2 são as capacidades caloríficas dos sistemas 1 e 2, T1 e T2 as
temperaturas iniciais dos sistemas 1 e 2 e Tf a temperatura final (de equilíbrio).
A quantidade de calor trocada entre um sistema e o meio externo é medida por meio de um calorímetro, que é um reservatório de calor de capacidade calorífica conhecida, cujas variações de temperatura fornecem as quantidades de calor recebidas de um sistema ou transferidas para este.
Calor de neutralização é o calor liberado quando um mol de um ácido reage com um mol de uma base, ambos em soluções diluídas. Ex.:
H(aq)+
+ Cl(aq)- + Na(aq)+ + OH(aq)- → Na(aq)+ + Cl(-aq) + H2O(ℓ) . (5) Observa-se experimentalmente que reações entre soluções diluídas de ácidos fortes e bases fortes são sempre acompanhadas do mesmo efeito térmico, e este, por sua vez, é totalmente devido à formação da água. Porém, se um ácido fraco for neutralizado por uma base forte, ou vice-versa, o efeito térmico será completamente diferente. Isto ocorre devido a vários processos simultâneos: alguns são exotérmicos, como a neutralização, e outros endotérmicos, como a ionização do ácido e da base. O calor medido é a soma de todos os processos: neutralização, ionização, solvatação, diluição, entre outros.
Calor integral de dissolução é a variação de entalpia associada com a adição de certa quantidade de um soluto a uma determinada quantidade de solvente, à temperatura e pressão constantes. Exs.:
I: HCl(g) + 10H2O(ℓ ) → HCl·10H2O(ℓ) HI = -16,608 kcal.mol-1. (6)
II: HCl(g) + 25H2O(ℓ) → HCl · 25 H2O(ℓ) HII = -17,272 kcal.mol-1. (7)
Os processos acima representam os calores integrais de dissolução do HCl na água, à 25 °C. A diferença entre os processos e é a quantidade do solvente. Portanto, H - H representa o calor integral de diluição do HCl quando se acrescentam 15 mols de água à solução de HCl do processo I.
A determinação do calor de neutralização e do calor integral de dissolução é feita a partir de um sistema calorimétrico, de acordo com:
ΔHr = qr
n , qr = −qcal = −CcalΔT ⇒ Δ Hr =
−CcalΔT
n , (8)
onde Hr e qr são a entalpia e o calor da reação (neutralização e dissolução),
respectivamente, n o número de mols neutralizados e Ccal a capacidade calorífica
do calorímetro.
M
ATERIAIS: E
QUIPAMENTOS& R
EAGENTES01 Frasco de Dewar (Garrafa Térmica/Calorímetro) de 500 mL; 01 Béquer de 200 mL + Proveta de 50 mL (ou 100 mL) + Funil; 01 Chapa Elétrica Aquecedora (ou Bico de Bunsen + Tripé de Ferro); 02 Termômetros (0-100 °C±0,5 °C);
HCl 1,0 mol/L + NaOH 1,0 mol/L (prepare-as se necessário); Nitrato de Sódio (NaNO3) ou Nitrato de Potássio (KNO3).
P
ROCEDIMENTOPARTE A: CALIBRAÇÃO DO CALORÍMETRO
1. Coloque 100 mL de água destilada, sob temperatura ambiente, no interior do recipiente calorimétrico (frasco de Dewar/garrafa térmica) e anote a temperatura (T1) de equilíbrio. Este conjunto (recipiente calorimétrico +
100 mL de água a temperatura ambiente) constitui o calorímetro a ser utilizado em todas as demais etapas da prática.
2. Aqueça 100 mL de água destilada até ~80 °C. Coloque 50 mL da água aquecida em uma proveta e a devolva. Repita este procedimento 3 vezes de modo que a proveta entre em equilíbrio térmico com a água aquecida. Finalmente, colete 50 mL da água aquecida em uma proveta, anote a temperatura (T2) e a transfira para o interior do calorímetro.
3. Espere o equilíbrio térmico ser alcançado e anote a temperatura (Tf).
PARTE B: CALOR DE NEUTRALIZAÇÃO DE UM ÁCIDO FORTEPORUMA BASE FORTE
1. Esvazie o calorímetro e lave-o cuidadosamente (com bastante água da torneira e depois com água destilada). Em seguida, coloque 50 mL de uma solução de NaOH 1,0 mol/L no interior do calorímetro e anote a temperatura (Ti) quando esta estiver constante.
2. Pegue 50 mL de uma solução de HCl 1,0 mol/L, à temperatura conhecida e igual à do interior do calorímetro (Ti; caso as temperaturas não sejam
iguais, deve-se esperar que até que as temperaturas estabilizem até atingirem a temperatura ambiente), e coloque-a (com auxílio de um funil, se necessário) sobre a solução de hidróxido de sódio do calorímetro.
3. Agite suavemente a mistura e anote a temperatura de equilíbrio (Tf). Note
que os 100 mL de água no interior do calorímetro foram restaurados. PARTE C: DETERMINAÇÃO DO CALOR INTEGRALDE DISSOLUÇÃO(*)
1. Esvazie o calorímetro e lave-o cuidadosamente. Coloque 100 mL de água destilada no interior deste e anote a temperatura de equilíbrio.
2. Pese cerca de 2,5 g de NaNO3 (ou KNO3) e transfira para o interior do
calorímetro. Feche-o, homogeneíze a mistura e anote a temperatura de equilíbrio.
PARTE D: DETERMINAÇÃO DO CALOR INTEGRAL DE DILUIÇÃO(*)
1. Retire 50 mL da solução do interior do calorímetro e deixe esfriar até a temperatura inicial (ambiente). Descarte o restante da solução do calorímetro e lave-o cuidadosamente.
2. Devolva os 50 mL de solução para o calorímetro. Leia a temperatura de um em um minuto e anote a temperatura de equilíbrio.
3. Adicione 50 mL de água destilada à solução contida no calorímetro. A temperatura deve ser igual à da solução do interior do calorímetro.
4. Leia a temperatura a cada minuto e anote a temperatura de equilíbrio.
T
RATAMENTO DED
ADOS1. Utilize as equações (1) a (4) e os valores de temperaturas obtidos na parte A para calcular a capacidade calorífica do sistema calorimétrico. A densidade e o calor específico da água a ~80 °C são, respectivamente, 0,971 g/cm3 e ~1 cal/g°C.
2. Com os valores de temperatura obtidos na parte B e a capacidade calorífica do sistema calorimétrico, calcule o calor de neutralização (em J/mol) a partir da relação: H = -CcalTcal/n, onde n é o número de mols
neutralizados.
3. Com os valores de temperatura obtidos na parte C e a capacidade calorífica do sistema calorimétrico, calcule o calor integral de dissolução do sal (NaNO3 ou KNO3).
4. Com os valores de temperatura obtidos na parte D e a capacidade calorífica do sistema calorimétrico, calcule o calor integral de diluição do sal.
5. Compare seus resultados com os da literatura. 6. Calcule o erro relativo em cada caso e discuta.
Q
UESTÕES PARA OR
ELATÓRIO1. Se a quantidade de massa de cada composto fosse reduzida à metade, o calor de dissolução também seria reduzido à metade?
2. Explique o que aconteceria, em relação ao calor de dissolução, se a quantidade de solvente fosse o dobro da que foi usada no experimento. 3. Os valores obtidos são satisfatórios?
4. Quais as possíveis fontes de erro ou limitações neste experimento? Para cada uma, tente dizer que efeito elas terão no resultado esperado dos experimentos.
B
IBLIOGRAFIA1. ATKINS, P.W.; Físico-Química, 7ª Ed. RJ: Ed. LTC, 2004.
PRÁTICA N° 7:
DETERMINAÇÃO DA ENTROPIA DE UM PROCESSO IRREVERSÍVEL
O
BJETIVOCalcular a variação de entropia para um processo irreversível.
I
NTRODUÇÃOA variação da entropia é definida por dS ≥ dqrev
T , (1)
em que a igualdade vale para processos reversíveis e a desigualdade para processos irreversíveis. Para uma transformação finita, a variação de entropia é dada pela integral:
ΔS =
∫
1 2 dq
rev
T , (2)
que é a soma das variações de entropia para cada uma das etapas infinitesimais que compõem o processo irreversível. Sob pressão constante, o calor desenvolvido em cada etapa infinitesimal é:
dqrev = CpdT , (3)
onde dqrev é o calor trocado sob pressão constante, dT a variação de temperatura
e Cp a capacidade calorífica a pressão constante. Substituindo (3) em (2) tem-se:
ΔS =
∫
1 2 C pdT T = Cpln(
T2 T1)
, (4)que fornece a variação da entropia do processo.
O processo em estudo é a mistura de duas amostras de água a diferentes temperaturas em um calorímetro adiabático: em uma etapa procede-se o resfriamento de uma amostra de água quente, com aquecimento do conjunto calorimétrico; em uma segunda etapa promove-se o aquecimento de uma amostra de água fria, com resfriamento do conjunto calorimétrico. O calor absorvido ou cedido pelo calorímetro é dado por:
qcal = C ΔT , (5)
onde C é a capacidade calorífica do sistema calorimétrico (equivalente d’água do calorímetro) e ΔT é a variação de temperatura. Devido à Primeira Lei:
M
ATERIAIS: E
QUIPAMENTOS& R
EAGENTES02 Béqueres de 200 mL; 02 Provetas de 50 mL; 02 Provetas de 100 mL;
01 Chapa Elétrica Aquecedora (ou Bico de Bunsen + Tripé de Ferro); 01 Frasco de Dewar (Garrafa Térmica/Calorímetro) de 500 mL; 02 Termômetros (0-100 °C±0,5 °C).
P
ROCEDIMENTOPARTE A: CALIBRAÇÃO DO CALORÍMETRO
1. Meça com uma proveta 100 mL de água destilada e a transfira para o calorímetro. Com um termômetro leia a temperatura da água no calorímetro a cada minuto até que esta estabilize.
2. Em um béquer de 200 mL aqueça ~100 mL de água destilada a ~90 °C. Encha uma proveta de 50 mL com a água quente e, em seguida, devolva-a para o béquer. Repita esta operação mais duas ou três vezes até que a temperatura da água na proveta atinja ~80 °C. Anote a temperatura e, em seguida, transfira os 50 mL da proveta para o calorímetro.
3. Tampe o calorímetro com uma tampa contendo um termômetro e meça a temperatura do sistema (calorímetro+água quente) a cada minuto até que esta estabilize.
PARTE B: COLETA DE DADOS
1. Esvazie o calorímetro. Novamente, meça com uma proveta 100 mL de água destilada e a transfira para o calorímetro. Com um termômetro leia a temperatura da água no calorímetro a cada minuto até que esta estabilize. 2. Em um béquer de 200 mL resfrie ~100 mL de água destilada a ~0 °C. Encha uma proveta de 50 mL com a água gelada e, em seguida, devolva-a para o béquer. Repita esta operação mais duas ou três vezes até que a temperatura da água na proveta atinja ~5 °C. Anote a temperatura e, em seguida, transfira os 50 mL da proveta para o calorímetro.
3. Tampe o calorímetro com uma tampa contendo um termômetro e meça a temperatura do sistema (calorímetro+água gelada) a cada minuto até que esta estabilize.
T
RATAMENTO DED
ADOS1. Procure no manual de constantes físicas e químicas a densidade e o calor específico da água a pressão constante na temperatura em que você trabalhou. A partir destes dados e da utilização da equação (6), determine a capacidade calorífica do calorímetro.
2. A partir da equação (4), encontre S para o aquecimento da água fria, para o resfriamento da água quente e o S total para o conjunto calorimétrico nas etapas de calibração e de coleta de dados (partes A e B do procedimento). Apresente seus resultados em unidades SI.
Q
UESTÕES PARA OR
ELATÓRIO1. Os processos de mistura (partes A e B) são espontâneos? Justifique. 2. Os valores obtidos são satisfatórios?
3. Quais as possíveis fontes de erro ou limitações neste experimento? Para cada uma, tente dizer que efeito elas terão no resultado esperado dos experimentos.
B
IBLIOGRAFIA1. ATKINS, P.W.; Físico-Química, 7ª Ed. RJ: Ed. LTC, 2004.
PARTE 3
PRÁTICA N° 2:
DETERMINAÇÃO DA ORDEM DE REAÇÃO PELO MÉTODO DAS VELOCIDADES INICIAIS
O
BJETIVODeterminar a ordem da reação de oxidação do iodeto de potássio pelo persulfato de potássio através do método das velocidades iniciais.
I
NTRODUÇÃONeste experimento será estudada a reação (qual a equação iônica?) do iodeto de potássio (KI) com o persulfato de potássio (K2S2O8):
2 KI(aq) + K2S2O8(aq) I→ 2(aq) + 2 K2SO4(aq). (1)
A velocidade inicial da reação pode ser medida trabalhando-se com uma concentração baixa (por que baixa?) e conhecida de íons tiossulfato (S2O32–), com
formação de íons tetrationato (S4O62–):
2 S2O32–(aq) + I2(aq) 2I→ –(aq) + S4O62–(aq). (2)
Esta reação é muito mais rápida que a primeira, que prossegue consumindo o iodo gerado na reação (1) até que todo tiossulfato tenha sido convertido em tetrationato. Quando isto ocorre, a mínima quantidade de iodo adicional, gerada pela reação (1), na presença do iodeto que ainda não reagiu, leva à formação de I3–, que pode ser revelado através do indicador amido. O intervalo de tempo
decorrido entre o início da reação e a mudança na coloração da solução é uma medida da velocidade inicial da reação.
A lei de velocidade desta reação, à temperatura e força iônica constantes, pode ser escrita como:
v = −d [ S2O82–]
dt = k [S2O82–]m[I-]n , (3)
onde m e n são as ordens de reação em relação ao persulfato (S2O82–) e ao
iodeto (I–), respectivamente. Nesta prática, utilizaremos o método da velocidade
inicial para encontrar m e n. Este método consiste na medição da velocidade de reação após um período de tempo curto o bastante para que a reação não tenha ocorrido apreciavelmente, mas longo o suficiente para que a velocidade não seja afetada pelo tempo de mistura dos reagentes. (Que complicações teríamos se esta reação fosse monitorada por um período de tempo mais longo?) Para um dado conjunto de condições iniciais, mede-se o intervalo de tempo (Δt) entre o início da reação e o aparecimento de uma coloração azul característica, correspondente à formação pela reação (1) de uma quantidade fixa de iodo (Δ[I2]), que é determinada pela quantidade de tiossulfato utilizada na reação (2).
A taxa de formação do iodo é igual à taxa de consumo do perssulfato e, portanto, à velocidade da reação.
Assumindo que a quantidade de tiossulfato utilizada satisfaz às condições necessárias à medida da velocidade inicial, tem-se:
v0 = −
(
d [S2O8 2– ] dt)
0 = +(
d [I2] dt)
0 ≃ +Δ [I2] Δt . (4)Uma vez que são feitas várias medidas em condições iniciais diferentes, porém se mantendo a quantidade de tiossulfato em um valor fixo, tem-se que Δ[I2] é o
mesmo em cada uma das medidas, o que resulta em: v0 = −
(
d [S2O8 2– ] dt)
0 = +(
d [I2] dt)
0 ≃ Const Δt . (5)Substituindo a equação (5) na lei de velocidade (3) e tirando o logaritmo neperiano de ambos os membros da equação resultante, obtém-se (confirme este resultado):
ln(1/ Δ t) = ln k + mln[S2O82–
] + nln[I-] − C , (6)
em que C = ln(Const) = ln[Na2S2O3]. Logo, se fizermos um gráfico de ln(1/Δt)
versus ln[S2O82–], para [I–] constante, obteremos uma reta de inclinação igual a
m, e se fizermos um gráfico de ln(1/Δt) versus ln[I–], para [S
2O82–] constante,
obteremos uma reta de inclinação igual a n.
M
ATERIAIS: E
QUIPAMENTOS& R
EAGENTES03 Béqueres de 50 mL; 01 Pipeta volumétrica de 5 mL; 01 Pipeta volumétrica de 100 mL; 01 Balão de 250 mL; 03 Balões de 500 mL; 01 Bureta de 50 mL; 02 Buretas de 25 mL; 01 Pêra; 01 Termômetro. 14 Béqueres (de 50 ou 100 mL).
P
ROCEDIMENTOPARTE A: PREPARAÇÃO DAS SOLUÇÕES
1. Prepare as seguintes soluções: (a) 500 mL de K2S2O8 0,1 M;
(b) 500 mL de Na2SO4 0,1 M;
(c) 250 mL de Na2S2O3 0,01 M;
(d) 500 mL de KI 0,1 M em Na2SO4;(*)
(e) 100 mL de uma solução aquosa 0,5 % de amido.(**)
(*) Para preparar esta solução retire uma alíquota de 333 mL da solução (b) e
dissolva 8,30 g (0,050 mol) de KI na mesma. Transfira para um balão de 500 mL e complete o volume.
(**) Coloque cerca de 0,5 g de amido em um almofariz, adicione algumas
gotas de água destilada e triture. Transfira esta pasta de amido para um béquer contendo 100 mL de água fervente e deixe ferver por mais 5 min. Deixe esfriar, retire o sobrenadante e teste o amido com solução de KI/I2
(deverá aparecer uma coloração azul intensa). PARTE B: COLETA DE DADOS
1. Numere os 7 pares de béqueres (um par para cada medida) e coloque as quantidades especificadas nas colunas da tabela abaixo. Por exemplo, no béquer 2a tem-se 10 mL da solução de K2S2O8 e 2 mL da solução de
Na2SO4 (mais 3 a 5 gotas da solução de amido), enquanto que no béquer
2b tem-se 5 mL da solução de Na2S2O3 e 8 mL da solução de KI. O amido
também deve estar presente nos frascos 1a a 7a. Note que o volume total em cada linha da tabela é sempre o mesmo.
Frasco K2S2O8
(a) Na(b)2SO4 Frasco Na(c)2S2O3 KI+Na(d)2SO4
1a 10 0 1b 5 10 2a 10 2 2b 5 8 3a 10 4 3b 5 6 4a 10 6 4b 5 4 5a 8 2 5b 5 10 6a 6 4 6b 5 10 7a 4 6 7b 5 10
2. Misture o par 1a/1b, acione o cronômetro imediatamente após a mistura, anote a temperatura da mistura reacional e o tempo necessário para o aparecimento da coloração azul. Repita o procedimento para os outros pares de béqueres.
T
RATAMENTO DED
ADOS1. Faça dois gráficos, um de ln(1/Δt) versus ln[S2O82–] (a [I–] constante) e
outro de ln(1/Δt) versus ln[I–] (a [S
2O82–] constante). As inclinações das
duas retas fornecerão os valores de m e n, respectivamente.
2. Obtenha a constante de velocidade k (na temperatura do experimento) a partir do coeficiente linear das duas retas (ver equação (6) acima).
3. Compare os resultados obtidos com os da literatura.
Q
UESTÕES PARA OR
ELATÓRIO1. Os valores obtidos são satisfatórios?
2. Quais as possíveis fontes de erro ou limitações neste experimento? Para cada uma, tente dizer que efeito elas terão no resultado esperado dos experimentos.
B
IBLIOGRAFIA1. Shurvell, H. F.; J. Chem. Educ., 43, 555, 1966.
2. Howells, W. J.; J. Chem. Soc., 5844, 1964; J. Chem. Soc., 203, 1946; J. Chem. Soc., 463, 1939; J. Chem. Soc., 641, 1941.
3. Indelli, A.; Prue, J. E.; J. Chem. Soc., 107, 1959.
4. Jette, E.; King, C. V.; J. Am. Chem. Soc., 51, 1034, 1929.; J. Am. Chem. Soc., 51, 1048, 1929.
5. Mathews, G. P.; Experimental Physical Chemistry, Oxford University Press, p. 400, 1985.
PRÁTICA N° 3:
DETERMINAÇÃO DA CONSTANTE DE VELOCIDADE POR CONDUTIVIMETRIA
O
BJETIVODeterminar a constante de velocidade da reação de saponificação do acetato de etila em uma determinada temperatura utilizando a técnica de condutivimetria.
I
NTRODUÇÃOA reação de ésteres com bases fortes é chamada de saponificação. Neste experimento a reação de saponificação a ser estudada é:
CH3COOC2H5 + NaOH CH→ 3COONa + C2H5OH,
a qual segue uma cinética de segunda ordem:
v = k [ AcEt][NaOH] . (1)
Esta reação pode ser seguida por medidas da condutância elétrica da solução, uma vez que os íons OH– são progressivamente substituídos por CH
3COO– (este
último possui uma mobilidade elétrica inferior à do íon hidroxila). Consequentemente, a condutância da solução decresce com o avanço da reação.
Para a reação de saponificação do acetato de etila, tem-se: CH3COOC2H5 + OH– → CH3COO– + C2H5OH Tempo
AcEt OH– Ac– EtOH
a b 0 0 0
a-x b-x x x t
onde a e b são as concentrações iniciais de acetato de etila e hidróxido de sódio, respectivamente, e x a concentração de íons acetado livres em solução. Portanto, a velocidade da reação pode ser escrita na forma (com a = b):
v = dx
dt = k (a−x )(b−x) = k (a−x)
2
. (2)
A integração desta equação resulta em: x
a−x = k at . (3)
Logo, um gráfico de x/(a-x) versus t fornece o valor da constante de velocidade k. No entanto, como podemos relacionar a concentração x com a condutância da solução em um dado tempo t?
A condutância (G, medida em siemens, S) é definida como o inverso da resistência (R, medida em ohms, Ω). Verifica-se experimentalmente que a condutância de uma amostra é proporcional a área da seção transversal (A, medida em metro-quadrado, m2) e inversamente proporcional ao seu
comprimento (ℓ, medido metro, m), a constante de proporcionalidade sendo denominada condutividade (κ, medida em siemens por metro, S·m-1):
G = κ⋅A
ℓ = Kκ , com: K = ℓA , (4) onde K é a constante de cela (medida em m-1; esta constante é característica da
célula eletrolítica onde se faz a medida e deve ser informada pelo fabricante do equipamento, denominado condutivímetro). Admitindo que os íons migram na solução de forma independente (lei da migração independente dos íons), a condutância da solução é devida à soma das condutâncias de cada íon:
G = 1 K
∑
JκJ = 1
K
∑
J(cJLJ) , (5)
onde cJ é a concentração molar e LJ a condutância iônica equivalente da espécie
J, respectivamente (para íons monovalentes: n0 de equivalentes = n0 de mols).
No caso sob estudo, tem-se: Gt = 1
K
[
bLNa+ + (b−x )LOH- + x LAc-]
= G0 +x
K
(
LAc-−LOH-)
, (6)onde Gt é a condutância no tempo t e G0 a condutância inicial (em t = 0):
G0 = b
K
(
LNa+ + LOH-)
. (7)Se o valor final da concentração x for c (em t → ∞), pode-se escrever: Gc = 1 K
[
b LNa+ + (b−c )LOH- + c LAc-]
= G0 + c K(
LAc-−LOH-)
. (8) Portanto: G0−Gt = x K(
LOH-−LAc-)
, G0−Gc = c K(
LOH-−LAc-)
⇒ G0−Gt G0−Gc = x c , (9)de modo que a concentração x pode ser relacionada com a condutância Gt, medida em qualquer instante de tempo t. Logo, a equação (3) pode ser reescrita na forma (com a = b = c): a
(
G0−Gt G0−Gc)
[
a−a(
G0−Gt G0−Gc)
]
= k at ⇒ Gt = Gc + 1 k a(
G0−Gt t)
(10)M
ATERIAIS: E
QUIPAMENTOS& R
EAGENTES01 Condutivímetro; 01 Cronômetro;
01 Pipeta de 25 mL + 01 Pipeta de 50 mL; 01 Agitador magnético.
100 mL de NaOH 0,02 mol/L e 100 mL de NaOH 0,01 M;
100 mL de CH3COOC2H5 0,02 mol/L e 100 mL de CH3COOC2H5 0,01M.
P
ROCEDIMENTO1. Leia o manual de instruções e ligue o condutivímetro.
2. Prepare 100 mL de uma solução de NaOH 0,02 mol/L e 100 mL de uma solução de acetato de etila 0,02 mol/L.
3. Determine a condutância inicial da mistura reacional (devida aos íons OH–)
diluindo uma amostra da solução de NaOH 0,02 mol/L (cerca de 50 mL) para metade da concentração inicial. Feito isso, enxugue a célula de condutividade e, em seguida, lave-a com uma alíquota da solução diluída. 4. Misture volumes iguais (de acordo com o tamanho da célula, cerca de
50 mL) das soluções de acetato de etila e hidróxido de sódio 0,02 mol/L, de maneira a cobrir os eletrodos, e acione o cronômetro. Agite a mistura reacional continuamente e faça leituras de sua condutância e temperatura em intervalos de 5 min até a condutância ficar praticamente constante. 5. Prepare, a partir de diluição das soluções anteriores, 100 mL de NaOH
0,01 M e 100 mL de acetato de etila 0,01 M. Repita o procedimento anterior.
6. Guarde as misturas reagentes e meça a condutância após 24 h.(*)
(*) Etapa opcional para a determinação de G
c.
T
RATAMENTO DED
ADOS1. Faça um gráfico de:
Condutância(t ) × Condutância (0)−Condutância(t )
t (11)
e, utilizando o método dos mínimos quadrados, trace a melhor reta e encontre a constante de velocidade k. O coeficiente linear desta reta fornece a condutância no tempo infinito, e deve corresponder à condutância obtida após um dia de reação. A condutância inicial pode ser aproximada pela condutância da solução de NaOH diluída à metade da concentração da solução preparada inicialmente (por quê?).
Q
UESTÕES PARA OR
ELATÓRIO1. Os valores obtidos são satisfatórios?
2. Quais as possíveis fontes de erro ou limitações neste experimento? Para cada uma, tente dizer que efeito elas terão no resultado esperado dos experimentos.
B
IBLIOGRAFIA1. Petek, A.; Majdakrajnc, M.; Int. J. Chem. Kinet., 44, 692, 2012.
2. Farrington Daniels, Experimental Physical Chemistry, 6a ed., Company,
Inc., New York, p. 135.
3. Laidler, K. J.; Chemical Kinectics, 3a ed., p. 23-25.
PRÁTICA N° 4:
DETERMINAÇÃO DE PARÂMETROS CINÉTICOS POR FOTOCOLORIMETRIA
O
BJETIVODeterminar a ordem e a constante de velocidade da reação do cristal violeta com o hidróxido de sódio por fotocolorimetria.
I
NTRODUÇÃOA reação a ser estudada envolve duas espécies iônicas, uma das quais é fortemente colorida (o cristal violeta, CV), e a outra incolor (o íon hidróxido, OH–). O produto da reação é incolor, de forma que, através de medidas da perda
de intensidade de cor em diferentes intervalos de tempo, pode-se calcular a constante de velocidade diretamente, a partir de leituras de absorbância.
Durante o curso da reação, o desaparecimento da forma colorida segue a lei cinética:
v = −d [CV]
dt = k [CV] m[OH
-]n . (1)
Se utilizarmos uma concentração inicial do hidróxido muito maior do que a concentração inicial do cristal violeta, então quando todo o corante tiver reagido, a concentração de NaOH permanecerá praticamente a mesma e a lei de velocidade passa a obedecer a:
v = −d [CV] dt = kef[CV] m, com: k ef = k [OH -]n . (2)
A concentração do cristal violeta pode ser monitorada ao longo do tempo por fotocolorimetria. Quando um feixe de radiação monocromática atinge um corpo, esta pode ser refletida, espalhada, absorvida ou transmitida sem sofrer alteração. A absorção depende da natureza do meio, do percurso óptico, do comprimento de onda dos fótons incidentes e da concentração dos compostos absorventes. A fração de energia radiante transmitida através da solução é a transmitância (T), e é calculada a partir da razão entre a energia radiante transmitida (It) e a incidente (I0):
T = It
I0 . (3)
A transmitância (T) relaciona-se com a absorbância (A, que segue a lei de Lambert-Beer) de acordo com a equação:
−log T = A = εb c , (4)
onde é a absortividade, b é o percurso ótico e c é a concentração da solução. Portanto, a concentração pode ser monitorada pela medida da absorbância.
De acordo com a equação (4), pode-se determinar a ordem de reação m em relação ao cristal violeta a partir do ajuste dos dados experimentais de absorbância a uma lei de velocidade integrada. Para uma lei de velocidade de ordem m:
v = −d [R]
dt = k [R ] m
, (5)
onde [R] representa a concentração c do reagente R, sendo esta proporcional a absorbância A, tem-se:(*)
∫
[R]0 [R ] d[R] [R]m = −∫
0 t k dt , (6) m = 0: [R ] − [R]0 = −kt ⇒ A − A0 = −(εbk )t , (7a) m = 1: ln(
[R ] [R]0)
= −kt ⇒ ln(
A A0)
= −kt , (7b) m = 2: 1 [R ] − 1 [R]0 = kt ⇒ 1A − 1 A0 =(
k εb)
t . (7c)(*) Nota #1: Nesta equação a constante k representa a constante efetiva da equação (2).
M
ATERIAIS: E
QUIPAMENTOS& R
EAGENTES04 Balões volumétricos de 50 mL. 01 Balão volumétrico de 100 mL; 02 Balões volumétricos de 500 mL; 01 Pipeta volumétrica de 5 mL; 01 Pipeta volumétrica de 10 mL; 01 Espectrofotômetro; 01 Cronômetro;
Cristal Violeta (M = 408,0 g·mol–1);
P
ROCEDIMENTOPARTE A: CALIBRAÇÃO DO ESPECTROFOTÔMETRO
1. Leia o manual de instruções e ligue o espectrofotômetro.
2. Prepare uma solução de cristal violeta pesando 0,018 g para 500 mL de solução, e chame-a de A0.(**) Pegue uma alíquota de 10 mL desta solução e
a transfira para um balão de 50 mL, completando o volume com água destilada. Chame esta solução de A1 e a concentração da mesma de a.
3. Estabeleça o “branco” da absorbância. Para isto, encha a cubeta com água destilada, coloque-a no espectrofotômetro com a parte transparente disposta ao longo do feixe de luz, feche a tampa do aparelho e zere a absorbância.
4. Lave a cubeta com um pouco da solução A1 e, em seguida, encha-a com a
solução. Coloque a cubeta no espectrofotômetro, feche a tampa do aparelho e escolha o filtro de comprimento de onda que apresentar o maior valor de absorbância (ou menor valor de transmitância). Zere o instrumento com o branco sempre que trocar de filtro.
5. Após a escolha do comprimento de onda adequado, deve-se construir a curva de calibração do aparelho, para o cromóforo em questão. Para tal, prepare, por diluição, a partir da solução A1, soluções com as seguintes
concentrações: a/2, a/3, a/4, a/5, a/8, a/10 e a/20. Os volumes de solução A1 e água para as diluições seguem a proporção indicada a seguir.
a/2 a/3 a/4 a/5 a/8 a/10 a/20
Sol. A1 4 2 2 2 2 2 2
Água 4 4 6 8 14 18 38
Total 8 6 8 10 16 20 40
6. Meça as absorbâncias das soluções, começando com a solução mais diluída e finalizando com a mais concentrada, para construir a curva de calibração, que deve incluir o valor da absorbância da solução de concentração a, e determine a faixa de linearidade da mesma.(***)
*(**) Nota #2: Não confunda a solução A
0 com a absorbância inicial A0! (***) Nota #3: Utilize os seguintes dados de uma calibração prévia:
Concentração: c [mol·L–1] Absorbância: A [Filtro: 585 nm]
a 0,776 a/2 0,394 a/3 0,231 a/4 0,192 a/5 0,136 a/8 0,088 a/10 0,062 a/20 0,033