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(1)

PMR-2330

Materiais para Sistemas

Eletromecânicos

Aula-3

Propriedades

Elétricas e Magnéticas dos

Materiais e suas Aplicações

(2)

Propriedades Elétricas

dos Materiais

As propriedades elétricas dos

materiais são uma consequência

importante de suas características

microscópicas e por isso elas são,

em muitos casos, utilizadas como

critério de quantificação para

defeitos estruturais presentes em

materiais condutores.

(3)

Figura 1. Modelo com

núcleos positivamente

carregados e imóveis,

imersos num gás de

elétrons livres.

Drude aplicou a teoria

cinética dos gases aos

elétrons de condução,

que se movem num

percurso cheio de íons

imóveis (movimento

difusivo).

A Figura 2. ilustra o

modelo difusivo de

condução.

(4)

Propriedades Elétricas:

a Resistividade e a Constante Dielétrica

As propriedades elétricas dos materiais são

descritas através de dois parâmetros físicos

constitutivos: a

resistividade (ρ)

e a

constante

dielétrica (K):

o primeiro associado à

movimentação das partículas transportadoras

de cargas livres

e o segundo à

movimentação

de curta distância associada às partículas

portadoras de cargas ligadas, presas aos

respectivos núcleos atômicos ou a superfícies

eletrizadas

.

(5)

Propriedades Elétricas:

a Resistividade e a Constante Dielétrica

o valor da

resistividade (ρ)

é uma medida da

indisponibilidade de cargas livres por unidade de

volume acrescida ao grau de dificuldade para sua

movimentação no meio material, sob a ação de um

campo elétrico aplicado, onde

cada material

apresenta um resistência diferenciada

o valor da

constante dielétrica (K)

vem associado

ao grau de assimetria na distribuição espacial das

cargas elétricas presas constituintes da unidade

celular do comportamento elétrico do meio material,

quando excitado por um campo elétrico aplicado.

(6)

Lei de Ohm

Quando iniciamos estudos sobre eletricidade em

condutores metálicos, temos contato com três

propriedades fundamentais:

corrente elétrica, resistência elétrica

e

potencial elétrico.

Estão relacionadas entre si pelo que conhecemos como Lei

de Ohm, expressada matematicamente por:

V = Ri

No modelo de Drude a resistência obedece a seguinte

equação:

R =

*L / A

Onde

é a resistividade característica do material que

forma o resistor, L é o comprimento e A é a área da seção

reta deste.

(7)

Resistividade VS Constante Dielétrica

A

resisitividade

é o parâmetro físico que possui um

dos maiores intervalos de variação na natureza, indo

desde 10

-8

ohm para os metais mais condutivos até 10

16

ohm para os isolantes (ou dielétricos) mais resistivos.

A

constante dielétrica

, quando capaz de ser

associada fisicamente aos fenômenos típicos decorrentes

da movimentação das cargas presas, varia no intervalo

que vai desde o seu limite inferior igual a 1, para o vácuo,

atinge os maiores valores em torno de 200 para família

dos minerais constituintes das rochas, mas podendo

chegar até 8.000 para materiais muito especiais

(8)

Resistividade VS Constante Dielétrica

Ambos os parâmetros, ρ e K, podem exibir

dispersão, ou seja, variar com a frequência do

campo elétrico aplicado, de modo

característico para cada material, inclusive

apresentando intervalo de frequência também

característico para a ocorrência deste

fenômeno. Para um mesmo material,

diferentes tipos de dispersão podem ocorrer

ao longo do espectro.

(9)

Aplicações em Condutores Elétricos

Para cada uso uma especificação adequada!

(10)

Aplicações da Resistividade

Potenciômetro

 Converte o deslocamento linear ou angular em variação de resistência.

 Potenciômetros de áudio e lineares.

 Potenciômetros de uma volta e multivoltas.  Trabalha como um divisor de tensão.

(11)

Materiais Piezoresistivo

Strain Gauges

Baseiam-se no efeito piezoresistivo apresentado pelos materiais

quando são sujeitos a uma deformação (força). Esse efeito

traduz-se numa variação da resistência elétrica do material em função da força aplicada: R=R0(1-x), em que x=Se*e, em que R0 é a resistência do material quando nenhuma força está aplicada, Se é um fator (=2 para a maioria dos materiais, e

aproximadamente 6 para a platina) e e = dl/l é a deformação normalizada do material.

(12)

Condutividade Iônica

Alguns materiais em determinadas condições físicas não

conduzem eletricidade, entretanto, alterando-se estas condições o mesmo material pode passar a conduzir

eletricidade. Um exemplo simples a ser considerado é o sal de cozinha, NaCl. Este sal na temperatura ambiente é um

péssimo condutor de eletricidade e é caracterizado como um isolante. Entretanto, basta fundi-lo ou dissolvê-lo em água que se perceba uma elevada taxa de condução de eletricidade.

Fenômenos como este levaram cientistas do século passado a questionarem se o mecanismo de condução de eletricidade em metais era o mesmo observado, por exemplo, no NaCl.

O primeiro a sugerir que os mecanismos de condução eram

completamente distintos foi Arrhenius, que entre 1880 e 1890, estudou a condutividade elétrica de soluções ácidas, e sugeriu que o mecanismo de condução elétrica em determinadas

substâncias ocorria devido à migração de íons e não de elétrons como nos condutores metálicos.

(13)

• A condutividade iônica, derivada de migração de íons, não ocorre

em grande extensão na maioria dos sólidos iônicos e covalentes, tal como os óxidos e haletos.

• Pode parecer controverso mencionar condutividade iônica em

sólidos covalentes, entretanto, é preciso ter em mente que a expressão "sólidos covalentes" se refere à predominância da

covalência, sem desprezar qualquer parcela de caráter iônico nas ligações. Nestes casos, os átomos tendem a permanecer

essencialmente fixos em suas posições de retículo e só podem se mover através de defeitos no retículo cristalino.

• Somente em temperaturas altas, onde a concentração de defeitos

torna-se realmente alta e onde os átomos adquirem energia térmica, essa condutividade iônica torna-se apreciável. Como exemplo, a condutividade iônica do NaCl em aproximadamente 1073 K (800 °C), pouco abaixo de sua fusão, é aproximadamente 10 -1 ohm-1, enquanto na temperatura ambiente o NaCl é um isolante.

(14)

As condutividades são geralmente dependentes da temperatura e

aumentam com o aumento da temperatura para todos os

materiais, exceto os metais. Nos metais a maior condutividade é observada em baixas temperaturas. Em alguns metais ocorre

ainda o fenômeno da supercondutividade em temperaturas próximas do zero absoluto, isto é, -273 °C ou 0 K.

Tabela 1: Valores típicos de condutividade elétrica (W-1).

Condutores iônicos Cristais iônicos < 10-16 a 10-2 Eletrólitos sólidos 10-1 a 103 Eletrólitos fortes (líquidos) 10-1 a 103 Condutores Eletrônicos Metais 103 a 107 Semicondutores 10-7 a 105 Isolantes < 10-10

(15)

Eletrólitos

Eletrólito é toda a substância que dissociada

ou

ionizada

origina

íons

positivos ( cátions ) e íons

negativos ( ânions ), pela adição de um

solvente

ou por aquecimento. Desta forma torna-se um

condutor de

eletricidade

.

Uso mais comum  pilhas e baterias

Ex. baterias de chumbo/ácido, níquel/cádmio,

(16)

• Os eletrólitos sólidos (condutores iônicos rápidos ou

condutores superiônicos), apresentam conjunto de íons, os ânions ou os cátions, que podem se mover livremente.

•Esses materiais tem frequentemente estruturas cristalinas

muito específicas, nas quais existem camadas ou túneis abertos, ao longo dos quais os íons podem se mover.

• Os valores de condutividade desses materiais são

comparáveis aos observados para eletrólitos líquidos fortes.

• Um exemplo é o valor de condutividade de 10-1 ohm-1

apresentada pelo íon Na+ em β-alumina, a 298 K (25 °C). Existe um grande interesse em estudar as propriedades

desses eletrólitos sólidos para desenvolver novos materiais, e em estender sua gama de aplicações em dispositivos

(17)

CAPACITORES

Qualquer circuito elétrico ou eletrônico, necessita de pelo

menos um dos seguintes componentes: Resistor (R); Capacitor (C); Indutor (L).

Num circuito contendo esses três componentes, dois deles

conservam energia, enquanto o terceiro dissipa energia.

Dois condutores isolados com formato qualquer, separados por

(18)

CAPACITORES

Uma vez conhecida a geometria do capacitor podemos

calcular a sua capacitância:

(a) considera-se uma carga q sobre as placas;

(b) calcula-se E entre as placas através da Lei de Gauss.

A capacitância depende

somente de fatores

geométricos, a área A da

placa e a separação entre

elas, d.

(19)

Esquemas simplificados de alguns dos

sensores capacitivos mais utilizados.

(20)

Sensores Capacitivos

As variações no valor nominal da capacidade podem

ser provocadas por redução da área frente a frente,

da

distancia de separação entre as placas

, ou por

variação da constante dielétrica do material

.

Os sensores capacitivos permitem medir com

grande precisão um grande número de grandezas

físicas, tais como: a posição, o deslocamento, a

velocidade e a aceleração linear ou angular de um

objeto, a força, o torque, a pressão e a temperatura,

assim como detectar a proximidade de objetos, a

presença de água e de pessoas, a umidade, a

concentração de gases e o nível de líquidos ou

sólidos

, etc.

(21)

Efeitos do material dielétrico

MATERIAL K MATERIAL K

vácuo 1 Porcelana 6

ar 1.0006 Alumina 8.1~9.5 teflon 2 Titanatos 50~10000 papel parafinico 2.5 Silício amorfo 3.8

plástico 3 Pyrex 5.1

papel 4~6 Poliestireno 2.5~2.6 óleo 4 água destilada 80

mica 3~7

(22)

Indutores

• Um

indutor

é um dispositivo elétrico passivo que

armazena

energia

na forma de

campo magnético

,

normalmente combinando o efeito de vários loops da

corrente elétrica

. O indutor pode ser utilizado em

circuitos como um filtro passa baixa, rejeitando as altas

freqüências.

• É geralmente construído como uma

bobina

de

material

condutor

, por exemplo, fio de

cobre

, e um

núcleo

de material ferromagnético, que aumenta a

indutância concentrando as linhas de força de campo

magnético que fluem pelo interior das espiras.

(23)

Indutores

•O campo magnético pode induzir uma tensão noutro

indutor, se este for enrolado sobre uma mesma forma ou

núcleo. Pela Lei de Faraday, a tensão induzida será

proporcional à velocidade de variação do fluxo, e ao

número de espiras deste indutor.

E2 = N2 df/dt

• Aplicando aos dois enrolamentos, a lei permite deduzir

a relação básica do

transformador

.

(24)

Aplicações em Transformadores e Sensores Indutivos

Usados para detectar objetos metálicos, o sensor indutivo

trabalha pelo princípio da indução eletromagnética.

Funciona de maneira similar aos enrolamentos primários e

secundários de um transformador. O sensor tem um

oscilador e uma bobina; juntos produzem um campo

magnético fraco. Quando um objeto entra no campo,

(25)

Ferroeletricidade

A partir da descoberta por Valasek de propriedades

ferroelétricas do denominado "sal de Rochelle", grande tem sido a atenção dos físicos em torno da pesquisa do fenômeno da ferroeletricidade, em vista de sua relevância tecnológica bem como pelos seus aspectos teóricos

fundamentais.

Os ferroelétricos são materiais que exibem um momento de

dipolo elétrico espontâneo, mesmo na ausência de um campo aplicado. A polarização permanente pode ser mudada, e mesmo invertida, por um campo elétrico.

Viários são os compostos que apresentam esta propriedade.

O magnetismo nos materiais ferroelétricos é causado pela forma de alinhamento dos seus átomos constituintes, os quais atuam como eletromagnéticos elementares.

(26)

Materiais Ferroelétricos

Os ferroelétricos são materiais dielétricos, que não conduzem corrente elétrica, e exibem dipolos elétricos orientados

espontaneamente mesmo sem a aplicação de um campo elétrico externo, cuja polarização deve poder ser reorientada com a

(27)

Ferroeletricidade

Um exemplo de material ferroelétrico é o Niobato de Chumbo e

Magnésio (PMN) de composição Pb(Mg1/3Nb2/3)O3. É um ferroelétrico que apresenta estrutura perovskita cúbica do tipo A(B',B'')O3 acima de Tm, como mostrado na figura abaixo.

O grande interesse por esse material se deve à vários fatores, dentre os

quais, destacam-se a sua alta constante dielétrica em Tm (Km > 15.000) que permite o aumento da eficiência volumétrica dos

capacitores, temperatura de sinterização relativamente baixa (~1000ºC) e Tm de -10ºC. Diferentemente dos ferroelétricos normais, que

possuem Tc, temperatura de Curie, os relaxores possuem Tm,

temperatura de máxima constante dielétrica. Os relaxores possuem a principal característica de ter uma transformação paraelétrica-

ferroelétrica, ao longo do

resfriamento, de forma difusa, ocupando um intervalo

considerável de temperatura. Os ferroelétricos normais

possuem uma forma aguda para essa transformação.

(28)

Ferromagnetismo

O ferromagnetismo é explicado

pelo conceito de que algumas espé- cies de átomos possuem um mo- mento magnético, que é um eletro- magnetismo elementar produzido

pelo movimento dos elétrons ao redor do núcleo e pelo spin dos seus elétrons sobre seus próprios eixos.

Abaixo da temperatura de Curie, os átomos se comportam

como minúsculos ímãs em materiais ferromagnéticos espontaneamente alinhados entre si. Eles se tornam

orientados na mesma direção então cada campo magnético reforça o outro.

(29)

Ferromagnetismo

Um requisito de um material ferromagnético é que

seus átomos ou íons devem ter

momento

magnético permanente

.

Outro requisito para o ferromagnetismo é a

existência de alguma força interatômica que deixe

os momentos magnéticos de muitos átomos

paralelos uns com os outros

. Sem essa força os

átomos estariam desordenados por agitação

térmica, os momentos dos átomos vizinhos

neutralizariam um ao outro e o alto momento

magnético que é característico do

(30)

Ferromagnetismo

O ferromagnetismo é um processo físico no qual

certos materiais eletricamente descarregados atraem

fortemente outros materiais. A magnetita, Fe3O4, é

um composto de óxidos de ferro II e III, (69% de FeO

e 31% de Fe2O3) e ferro são dois materiais

encontrados na natureza que têm a capacidade de

adquirir forças atrativas e por isso são frequentemente

chamados ferromagnéticos naturais.

Eles foram descobertos a mais de 2000 anos atrás e

serviram de base para os primeiros estudos científicos

do magnetismo.

Hoje em dia os materiais ferromagnéticos são usados

numa ampla variedade de aparelhos essenciais do

dia-a-dia como por exemplo

motores elétricos

, geradores,

transformadores, telefones e auto-falantes

.

(31)

Ferroelétrico/Piezelétrico/Piroelétrico

As propriedades de um ferroelétrico têm como base a simetria

de seu cristal. Os cristais que possuem um ou mais eixos polares apresentam o fenômeno da piezoeletricidade que consiste em provocar uma deformação mecânica através da aplicação de um campo elétrico e vice-versa.

Os cristais que possuem apenas um eixo polar podem adquirir cargas de sinais opostos sobre suas faces perpendiculares

quando submetidos a uma variação de temperatura. Este fenômeno é chamado de piroeletricidade.

Quando, através de um campo elétrico, pode-se inverter o

sentido dessa polarização, acontece o fenômeno da ferroeletricidade.

(32)

Materiais Piezelétricos

Em 1945, o descobrimento que cerâmicas ferro

elétricas de titanato de bário (BaTiO3) polarizadas

apresentam o efeito piezelétrico marcou o início da

geração das piezo cerâmicas.

Os estudos de soluções sólidas de PbZrO3-

PbTiO3, nos anos 50, resultaram na obtenção de

cerâmicas de titanato zirconato de chumbo (PZT),

que passaram a ser objeto de freqüentes

investigações para a otimização de suas

propriedades ou como motivação para o

(33)

Materiais Piezelétricos

Na atualidade materiais piezelétricos são utilizados

como elementos sensores e/ou atuadores em

aplicações tecnológicas desde baixas, na faixa de Hz,

até frequências da ordem de Giga-Hz.

As baixas frequências são cobertas principalmente

pelos materiais policristalinos (cerâmicos, polímeros

ou compósitos). Cristais e filmes finos são os mais

utilizados em aplicações de altas frequências.

As cerâmicas eletroeletrônicas constituem uma

importante classe de materiais para pesquisa científica

devido as suas inúmeras aplicações tecnológicas como

em osciladores, sensores, micromotores, memórias

(34)

Materiais Piezelétricos

A condição necessária para que um material possa

apresentar o fenômeno da piezeletricidade é a

ausência de um centro de simetria. Por isso todos os

materiais piezelétricos são anisotrópicos.

Para descrever as propriedades de todas as classes de

materiais anisotrópicos existem 18 coeficientes

piezelétricos, 21 coeficientes elásticos e 6 coeficientes

dielétricos independentes.

(35)

O efeito piroelétrico é o fenômeno onde o sólido exibe

uma

dependência da sua polarização espontânea em

função da temperatura

, fazendo com que o cristal

exiba cargas elétricas em sua superfície

correspondentes à mudança da temperatura. Podemos

entender melhor esse fenômeno explicitando da

seguinte maneira; ao aquecermos um cristal o mesmo

apresentará em suas extremidade um campo elétrico

de acordo com a variação de temperatura a qual o

cristal foi submetido.

Referências

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