Governo prolonga prazos da IES/DA e do SAF-T
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(2) 2. SEXTA-FEIRA, 12 DE JULHO 2019. ABERTURA. Tancos e uma “inexplicável decisão” judicial. À Esquina do Tempo. ANTÓNIO VILAR ADVOGADO [email protected]. Há uma área problemática muito séria em torno do caso das armas de Tancos e que é do foro político, antes de ser de relevância judiciária, e jurídica. Talvez seja, até, do domínio da metapolítica, conhecida doutrinalmente por “razão de Estado”. Trata-se de uma difícil, angustiante questão (questões) que, pelo menos desde Platão (A República), é discutida e, porventura, o será sempre perante certos conflitos que um Estado (em sentido amplo) tem de resolver. A História universal, e também a portuguesa, referencia inúmeras situações críticas nesse domínio, face a motivos pelos quais foi imperioso (ou não) invocar a “razão de Estado”. Lembram-se, como meros exemplos, a morte de D. Inês de Castro ou do Conde Andeiro e os motivos que terão estado por detrás. Quando, neste tempo hiperindividualista, e numa sociedade de espetáculo, em que certas coisas acabam ainda antes de começar. em que quase tudo existe pela metade face à aceleração da vida, inerentes e a interesses – não tenho qualquer relação de amizade com o ex-ministro Azeredo Lopes, mas por quem tenho consideração e respeito –, não ficarei “nas encolhas”, retraído, face ao que tenho por uma questão política maior. É absolutamente “inexplicável” a decisão judicial que o constituiu arguido, por virtude do que terá acontecido em Tancos, e sobre isso dito, ou não dito, mas nisto não vai a consideração de que é ilegal. Terá sido tomada de acordo com a lei, mas, neste caso limite, há que recordar que o Homem não foi feito para ser escravo da lei, mas esta existe para servir os humanos, a sociedade, os povos, as nações e as suas instituições, bem como os inerentes pilares democráticos. Então não é crime a denegação de justiça e a prevaricação e, ainda mais, se imputáveis tais crimes a um ministro? Depende! Além do mais, seria necessário haver culpa (podia e devia ter agido de outra forma e não o fez). No caso concreto, pela informação que tenho e pelo estudo da filosofia política também (mas que sei eu?), não deveria ter sido constituído arguido. E porquê? Porque era Ministro da Defesa nacional e o âmbito do problema inscreve-se inegavelmente dentro daquilo que os cientistas políticos designam por razão de Estado. Um sacerdote católico que, em confissão, sabe da prática de um crime e do seu autor está obrigado ao segredo do cânone eclesiástico (resposta esta ainda há dias reafirmado oficialmente pela Igreja). Também um advogado que, em consulta, tome conhecimento de que o cliente, ao sair do seu consultório, vai matar a mulher está obrigado (é a minha fé) ao sigilo profissional.. Nesta edição. E outros exemplos caberiam: há valores mais altos, ou, pelo menos, do mesmo nível, em causa, porventura até em rota de colisão. Que estaríamos, hoje, a comentar se os mais altos dirigentes do Estado (desde o Sr. Presidente da República, passando por governantes e, até, o Sr. Chefe do EstadoMaior do Exército) tivessem alardeado a situação, explicado e comentado tudo e mais alguma coisa, trazido mais pasto às chamas que já, então, consumiam gravemente as Forças Armadas? Haveria revoltas (de casernas ou outras), para não ir mais longe? Creio que o PR compreendeu como ninguém a situação ao promover o importante desfile militar que se seguiu. Estou também entre aqueles que compreendem o que aquele conceito e doutrina significam e o que protegem. Se a ética exige que ele seja superado? Entendo que sim. Mas esse é um caminho difícil, exigente e que só numa sociedade axiologicamente irrepreensível poderá levar a bom porto. E é um caminho que implica uma decisão de todas as nações e Estados. Defendo por convicção – e por profissão – o cumprimento da lei e a realização do Direito e da Justiça, mas não de olhos vendados e indiferente às inerentes consequências porventura indizivelmente mais gravosas, caóticas e infames. A decisão judicial poderá ter plena justificação no “mundo da vida”, mas, no âmbito da defesa dos interesses do Estado, da democracia e da estabilidade política, agradeço-lhe, como simples cidadão, o seu comportamento, estimado arguido, mesmo sem saber se falou verdade ou não. A História o absolverá, não tenho dúvidas.. Imprensa EM REVISTA. EXPANSIÓN Espanha tem de concluir reformas orçamentais. 14. Negócios e Empresas. É essencial motivar os jovens a investir o talento numa empresa. 16. Negócios e Empresas. Voltalia parte de Portugal para a internacionalização. 32. Mercados. “Soluções de previsão de tesouraria são essenciais para as empresas”. Atualidade ................. Pág. 05. Negócios e Empresas Pág. 15. Fiscalidade................. Pág. 24. Governo prolonga prazos da IES/DA e do SAF-T. Setor da hotelaria vai ter energia em condições mais competitivas. Regras de faturação – o artigo 35º-A do CIVA. Internacional ............ Pág. 08. Negócios e Empresas Pág. 17. Mercados ................... Pág. 35. Incertezas e tensões comerciais penalizam fusões e aquisições. Empresa do Centro Internacional de Negócios da Madeira com software inovador. Mundo da tecnologia é investimento alternativo e a crescer. Opinião ..................... Pág. 10. Negócios e EmpresasPág. 21. Automóvel ................. Pág. 38. Os novos desafios na educação. “É preciso acreditar no potencial dos portugueses”. Volvo cresce em contraciclo ao mercado. Humor económico. O Bank of America Merril Lynch alerta que a Espanha tem de levar a cabo um ajustamento orçamental antes que os choques como o “Brexit” ou a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China provoquem uma recessão da economia global. A entidade financeira aconselha ajustamentos nas pensões, na produtividade, na dívida externa, no mercado de trabalho e uma reforma educativa. Até porque é mais simples avançar e concluir as reformas quando se está num ciclo em alta, como é o caso da economia espanhola.. INVESTIR Produção da OPEP volta a bater mínimos A produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) tocou, em junho, mínimos de cinco anos. O aumento das extrações da Arábia Saudita não compensou integralmente as perdas do Irão e da Venezuela,. EDITOR E PROPRIETÁRIO Vida Económica Editorial, SA DIRETOR João Peixoto de Sousa COORDENADOR EDIÇÃO João Luís de Sousa REDAÇÃO Virgílio Ferreira (Chefe de Redação), Adérito Bandeira, Aquiles Pinto, Fernanda Teixeira, Guilherme Osswald, Patrícia Flores, Rute Barreira, Susana Marvão e Teresa Silveira; E-mail [email protected]; PAGINAÇÃO Célia César, Flávia Leitão e Mário Almeida; FOTOGRAFO Rui Marinho; PUBLICIDADE PORTO Rua Gonçalo Cristóvão, 14, 2º 4000-263 Porto - Tel 223 399 400 • Fax 222 058 098 • E-mail: comercial@ vidaeconomica.pt; PUBLICIDADE LISBOA Campo Pequeno, 50 - 1000 - 081 Lisboa • Tel 210 129 550 • E-mail [email protected]; ASSINATURAS Tel 223 399 400 • E-mail [email protected]; IMPRESSÃO Naveprinter, SA - Porto DISTRIBUIÇÃO VASP, SA - Cacém E-mail [email protected] • Tel 214 337 000 - Fax 214 326 009. MEMBRO DA EUROPEAN BUSINESS PRESS. em resultado das sanções impostas pelos Estados Unidos a estes dois países. A OPEP extraiu 29,60 milhões de barris diários, no mês em análise, o que se traduziu em menos 170 mil do que em maio. Foi o nível mais baixo desde abril de 2014. A Arábia Saudita aumentou a produção em 100 mil barris diários, o que não foi suficiente para equilibrar as quebras noutros países exportadores, como foram os casos também do Iraque, do Kuweit e de Angola.. LES ECHOS. Top da semana. EMMANUEL MACRON. Quando chegou à Presidência francesa, poucos lhe auguravam um futuro político auspicioso. Afinal, com esforços e convicções muito marcadas, Macron tem-se afirmado de forma consistente no cenário político europeu. Por vezes com opiniões criticáveis, nem por isso tem deixado o mandato por mãos alheias. E acabou por ser o vencedor claro do último Conselho Europeu. Com efeito, as suas ideias e as suas intenções acabaram por se concretizar. O que faz com que a França volte a ser o centro das decisões europeias, retirando peso sobretudo à Alemanha e com o Reino Unido praticamente fora da equação. Macron está a assumir cada vez mais o papel do passado recente de Angela Merkel.. RUI RIO. O líder da oposição procura afirmar-se como tal. E antecipou-se ao Partido Socialista em matéria de política fiscal. Ao falar em descida de impostos, ficou no centro da agenda mediática. Ainda não se sabe exatamente como pretende levar a cabo essa descida tributária, mas vai avançando com algumas ideias, o que sucede pela primeira vez desde que ascendeu ao cargo máximo do PSD. Resta esperar que as linhas fiscais sejam claramente traçadas e apresentadas com bom senso e objetividade. Internamente, defronta-se com alguns problemas, mas tudo aponta para que não se tornem um bicho de sete cabeças, tudo dependendo como os assuntos serão tratados, especialmente com racionalidade.. Deutsche Bank lança reestruturação massiva O setor financeiro europeu continua à procura do equilíbrio, num contexto de incertezas e de necessidade de fusões e aquisições. O gigante Deutsche Bank é um exemplo claro do que se passa na banca europeia. Os desafios são outros e é precisa uma adequação à nova realidade, especialmente tecnológica. O Deutsche Bank anunciou, depois de um conselho de supervisão, a supressão de cerca de 18 mil postos de trabalho, ou seja, 20% da sua força de trabalho, no horizonte de 2022.. TIRAGEM CONTROLADA PELA:. TIRAGEM DESTA EDIÇÃO 10.250 4000 Município (Porto) TAXA PAGA Registo na D G C S nº 109 477 • Depósito Legal nº 33 445/89 • ISSN 0871-4320 • Registo do ICS nº 109 477. AZEREDO LOPES. O antigo ministro da Defesa volta a estar no radar mediático. E pelas piores razões. Tancos arrisca tornar-se uma dor de cabeça sem fim para o Governo e muito especialmente para António Costa. Pode tornar-se mais um problema no que toca ao objetivo de chegar à maioria absoluta. A realidade é que se trata de uma questão muito mal explicada. Azeredo Lopes continua a rejeitar uma explicação cabal sobre o que realmente se passou. As pressões são cada vez maiores e a situação é, no mínimo, muito estranha. O tempo passa e o país continua sem saber o que de facto se passou, para mais numa área tão sensível. O que não deixa de ser assustador..
(3) +empreendedorismo +inovação. AS INICIATIVAS MAIS EMPREENDEDORAS MERECEM UM PRÉMIO Este prémio, atribuído pelo IAPMEI e pela Comissão Europeia, vai para as iniciativas portuguesas vencedoras. As que, pelo seu espírito de empreendedorismo, promovem a inovação e a internacionalização. São essas que nos inspiram.. Cerimónia de entrega dos EEPA 16 julho – 14h30 | CEiiA – Matosinhos.
(4) TODAS AS INICIATIVAS EMPREENDEDORAS MERECEM DESTAQUE Estas são as iniciativas portuguesas candidatas aos Prémios Europeus de Promoção Empresarial 2019. Academia da PI • INPI - Instituto Nacional da Propriedade Industrial | Academia de Código_Jr • Município do Fundão | Academia Lipor - Conhecimento Sustentável • LIPOR - Serviços Intermunicipalizados de Gestão de Resíduos do Grande Porto | Alvaiázere+ - Incubadora de Negócios de Alvaiázere • Município de Alvaiázere | Apoio ao Investidor no Espaço Inovação Mealhada • Câmara Municipal da Mealhada | As Nossas Quintas • Cáritas da Ilha Terceira; Região Autónoma dos Açores - Direção Regional da Solidariedade Social; Cooperativa BioAzórica | Beira Interior, Vinhos & Sabores • Município de Pinhel | Biovilla • BVLL - Cooperativa para o Desenvolvimento Sustentável, CRL | Building the Innovation Ecosystem • Beta - i - Associação para a Promoção da Inovação e do Empreendedorismo | CAIES - Centro de Apoio à Incubação de Empresas de Sesimbra • Município de Sesimbra | Caixa de Brinquedos • Município de Paredes de Coura | Cantanhede Go • AEC - Associação Empresarial de Cantanhede | CAPS - Catálogo de Aprovisionamento Público da Saúde • SPMS - Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, EPE |. Economia Circular • ADENE - Agência para a Energia; Instituto Superior de Agronomia | Nº 5 • Base Aérea Nº 5 Monte Real | Circuito Ciência Viva • Fundação Vodafone Portugal | Consolidação da IERA e mobilização do ecossistema empreendedor da Região de Aveiro • Universidade de Aveiro | CookWizard • CookWizard | Universidade de Aveiro | Cuidados Continuados Domiciliários EECI 24 de Évora • Administração Regional de Saúde do Alentejo, I.P. | Douro Creative Hub • Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro | Douro StartUp • Capital Douro - Associação Comercial, Industrial e de Serviços de S. João da Pesqueira; Município de S. João da Pesqueira | Dreams by Liliana Dolores • LD Unipessoal, Lda. | Ecossistema de Empreendedorismo de Mar da Figueira da Foz • Incubadora de Empresas da Figueira da Foz; Câmara Municipal da Figueira da Foz; Universidade de Coimbra | Ecotrophelia Portugal • PortugalFoods | Embaixadores Empresariais do Concelho de Braga • InvestBraga - Agência para a Dinamização Económica de Braga | Empreendedorismo FCT NOVA • Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade ENERTECH Nova de Lisboa | Empreendedorismo para Todos • Feira de Tecnologias para as energias • Câmara Municipal do Sabugal | ENOVE+ - Feira de Emprego e Empreendedorismo • Instituto Politécnico de Portalegre | Espaço do Investidor, Via Verde ao Investimento • InvestBraga - Agência para a Dinamização Económica de Braga | Estágios Internacionais de Jovens Quadros • AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal | Fichas de Exportação • INPI - Instituto Nacional da Propriedade Industrial | FIN Portugal • AJEPC - Associação de Jovens Empresários Portugal – China | Founders Founders • Founders Founders, Lda. | GAEM I Gabinete de Apoio ao Empreendedor Migrante • Alto Comissariado para as Migrações, I.P. | GAL Pesca do Sotavento • Município de Olhão | GATS - Games Applied to Schools • Agrupamento de Escolas da Zona Urbana da Figueira da Foz | I Shop Braga • Associação Comercial de Braga | Incubadora de Design - Mercado Municipal de Matosinhos • Município de Matosinhos; esad-idea, Associação para a Promoção de Investigação em Design e Arte | INTRA - Internationalisation of Regional SMEs • CRIA - Divisão de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia da Universidade do Algarve | INVEST Santo Tirso • Câmara Municipal de Santo Tirso | Jump Box • Instituto Empresarial do Tâmega | LINCE.Trofa - Lançar Iniciativas Novas com Empreendedores • Município da Trofa; AEBA - Associação Empresarial Baixo Ave | MySNS Carteira • SPMS - Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, EPE | Ornamentação de Ruas com Arte Reciclada - O São Pedro de Câmara de Lobos, uma Festa devolvida às pessoas • Município de Câmara de Lobos | Peneda - Gerês CompetiTUR • ADERE-PG – Associação de Desenvolvimento das Regiões do Parque Nacional da Peneda-Gerês; ESDL/IPVC - Escola Superior de Desporto e Lazer (Instituto Politécnico de Viana do Castelo); ACIBTM/INCUBO - Associação Centro de Incubação de Base Tecnológica do Minho/Incubadora de Iniciativas Empresariais Inovadoras | Pontos de referência para um mundo inclusivo • Santa Casa da Misericórdia do Porto | Portugal Exportador • Fundação AIP; AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal; NOVO BANCO | Portuguese Jewellery Newborn • AORP - Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal; COMPETE 2020 | Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo • Comissão Vitivinícola Regional Alentejana; Universidade de Évora | Programa ECOVALOR • Valorsul, S.A. | Projeto de Mentoring Empresarial • Casa Pia de Lisboa, I.P. | Quiz4you • INPI - Instituto Nacional da Propriedade Industrial | Têxtil e Vestuário • ATP - Associação Têxtil e Vestuário de Portugal; Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão | Regia Douro Empreendedor • Regia Douro Park; Município de Vila Real; UTAD - Universidade de Trás os Montes e Alto Douro | Registo Comercial Bilingue • Instituto dos Registos e do Notariado, I.P. | Renovação de Competências e Adequação de Formação para o Setor Automóvel através de Cooperação Europeia em Projeto ERASMUS+, DRIVES • Câmara Municipal de Mangualde | SAL de Aveiro - Empreendedorismo e Inovação • Associação Comercial do Distrito de Aveiro; Universidade de Aveiro | SANJOTEC CREATECH BOOST • SANJOTEC - Parque de Ciência e Tecnologia de S. João da Madeira | Shoe Fablab • CTCP - Centro Tecnológico do Calçado de Portugal; Câmara Municipal de Santa Maria da Feira | Smart Business Modeler • Smart City Innovation Lab at Católica Lisbon School of Business and Economics | Smart Rural, Smart HIESE • Município de Penela | StartUp Braga • InvestBraga - Agência para a Dinamização Económica de Braga | Turismo 4.0 - Programa de Apoio ao Empreendorismo e Inovação • Turismo de Portugal, I.P. | Ubimedical, motor de startups no setor biohealth • Ubimedical - Universidade da Beira Interior | Unidade de Tratamento Mecânico e Biológico de Resíduos do Nordeste • Resíduos do Nordeste, EIM S.A. | Valorização das Cidades CENCYL através do Empreendorismo Jovem • Município de Viseu | Zero Desperdicio 360 • ADDAPTCREATIVE Lda..
(5) 5. SEXTA-FEIRA, 12 DE JULHO 2019. OCDE assume sinais de aceleração para a economia nacional. ATUALIDADE. A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) aponta sinais de uma ligeira aceleração na atividade económica portuguesa. Portugal terá registado uma subida de 0,04 pontos, em maio, para 98,45, no que foi o primeiro crescimento em meses. Mantém-se abaixo da linha dos 100 pontos, que define a marca de longo prazo. Países cmo a Alemanha, a Espanha, a Itália e os Estados Unidos apresentam indicadores que apontam para uma desaceleração.. CONTABILISTAS CONTINUAM INSATISFEITOS. Governo prolonga prazos da IES/DA e do SAF-T pedido um parecer exaustivo à Comissão Nacional de Dados, não houve qualquer debate com os sindicatos e as associações. Trata-se de mais uma obrigação declarativa, que vai contra a tão falada simplificação fiscal e é muito provável que não esteja de acordo com as diretivas comunitárias.. GUILHERME OSSWALD [email protected]. O fisco prorrogou os prazos de entrega da IES/DA e do SAF-T, de 15 para 17 de julho deste ano e de 30 de abril para 31 de maio do próximo ano, respetivamente, mas o problema de base mantém-se. Os contabilistas continuam a contestar a obrigatoriedade de comunicar à Autoridade Tributária toda a informação contabilística e financeira, naquilo que classificam ser um “big brother” fiscal. A entrega da IES passa de 15 para 17 de julho e a do ficheiro SAFT de 30 de abril para 31 de maio do próximo ano (Despacho 271/2019-XXI). O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes, justifica estes adiamentos pela “transformação profunda” nos processos e procedimentos de registo contabilístico, induzidos pelo novo modelo de submissão da IES/DA, que “obriga a um período de adaptação e formação” das empresas e dos profissionais da contabilidade. A isto acrescenta o “esforço adicional” decorrente da necessidade de proceder, em simultâneo, aos trabalhos de encerramento das contas de 2018 e efetuar os registos do período de 2019, já no novo modelo. De facto, este tem sido um ano marcado por muitas e profundas alterações legislativas. E o Governo tem feito algumas concessões, face à necessidade de tornar o regime mais acessível e evitar penalizações desnecessárias. Com estes adiamentos de prazos, há um reconhecimento de que esse esforço adicional ocorreu. Adicionalmente, António Mendonça Mendes considera importante que a implementação do novo modelo de submissão da IES/DA deve ser articulado com as empresas produtoras de software, ordens profissionais e confederações patronais com representação em sede de concertação social. O secretário de Estado garante que foram consultadas pela Autoridade Tributária as entidades com obrigação de reporte estatístico internacional, igualmente destinatárias da Informação Empresarial Simplificada e que as mesmas não se opuseram à prorrogação do prazo de entrega da declaração IES/DA. Chama ainda a atenção para o facto de a Assembleia da República ter aprovado recentemente alterações legislativas, “no sentido de se implementar a exclusão do acesso pela AT aos campos de dados do ficheiro normalizado de auditoria – designado SAF-T, relativo à contabilidade, através da encriptação da informação de menor relevância ou desproporcionada, face ao âmbito e ao objeto da legislação aplicável”, conclui António Mendonça Mendes.. APOTEC também contra. A encriptação da informação contabilística de menor relevância ou desproporcionada, prometida por António Mendonça Mendes, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, é uma solução que não satisfaz às associações dos contabilistas.. OCC aplaude. “A Ordem dos Contabilistas Certificados (OCC) tem vindo, nas últimas semanas, a encetar contactos com a Secretaria de Estados dos Assuntos Fiscais, no sentido de sensibilizar a tutela para a necessidade de conceder um prazo adicional para a entrega da IES/DA, sem esquecer outras questões relevantes para o exercício da profissão”, escreve Paula Franco, bastonária da OCC, numa carta aberta aos contabilistas certificados publicada no site da Ordem. “São, naturalmente, boas notícias para todos os contabilistas certificados, num ano que tem sido marcado por muitas exigências e profundas alterações legislativas”, acrescenta a bastonária. Anaco insatisfeita. Vítor Vicente, presidente da Anaco, defende que a prorrogação dos prazos mais não é do que uma falsa questão. “A medida é mera cosmética ou reflete as dificuldades internas da máquina fiscal para cumprir os prazos. No essencial, tudo fica como estava, apenas com alterações nas datas das entregas. Estamos a falar de migalhas e não de alterações importantes, sobretudo ao nível de conteúdo. O que importa é que a esmagadora maioria dos profissionais está contra o princípio do SAF-T e é notório que está a aumentar a contestação ao novo regime.”. Para o responsável associativo, as contabilidades são propriedade das empresas, fazem parte do seu ativo. Ora, “o Estado apropria-se de dados dos privados sem pagar. Acresce que se trata de informação muito sensível. E o que se encripta também se pode desencriptar. A Autoridade Tributária está repleta de fugas de informação”. Vítor Vicente garante que não foi. Ainda que a Assembleia da República tenha aprovado uma proposta para “eliminar a devassa à vida privada das empresas que a entrega do SAF-T representava”, a APOTEC alerta que é necessário percorrer um longo caminho para evitar outros males, especialmente ao nível dos custos de contexto para as empresas e os contabilistas. José Araújo, presidente do Conselho Científico da APOTEC, defende que haverá que introduzir profundas alterações à redação do Decreto-Lei nº 87/2018 para evitar outras desconformidades e custos inadequados. Adianta o dirigente associativo: “As demonstrações financeiras não podem ser construídas automaticamente através das taxonomias – plano de contas fiscais –, contrariando as normas contabilísticas, o Código das Sociedades Comerciais e os Estatutos da OCC. Não podem ser preenchidos campos que são redundantes, de custos inadequados e sem utilidade. Também não se pode obrigar ao registo de movimentos de recolha de faturas, uma a uma, nem à constituição de conta corrente, quando a isso não obriguem as normas contabilísticas e as práticas comerciais.” A APOTEC volta a mostrar-se disponível para colaborar com a Secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais.. Portugal foi o primeiro país a adotar o ficheiro SAF-T Introduzido no nosso país em 2008, o ficheiro SAF-T, que resulta do termo inglês “Standard Audit File for Tax Purposes”, destina-se a entidades com sede ou estabelecidas de forma permanente em Portugal, sujeitas a imposto sobre o rendimento. O objetivo é permitir às autoridades fiscais uma fiscalização das empresas de forma mais eficiente e com um menor esforço. No nosso país, todas as empresas que tenham atividade comercial, industrial ou agrícola têm de enviar a totalidade do que faturam mensalmente à Autoridade Tributária e Aduaneira (AT). Este ficheiro (o SAF-T faturação) serve precisamente para fazer esta comunicação. Esse ficheiro contém a seguinte informação: nome, número de contribuinte, morada, país e cidade, site e email da empresa e dos seus clientes; todas as faturas emitidas no mês referido (simplificadas ou não), notas de crédito e de débito, fichas de serviço, consultas de mesa, guias de consignação, guias de transporte, faturas proforma, recibos e demais documentos, ainda que possam ter sido anulados; tipo e a designação de quaisquer produtos e/ou serviços. Além deste ficheiro, existe um outro mais elaborado (o SAF-T contabilidade) com informação referente a um período mais alargado, que é enviado só quando solicitado pela AT, normalmente para efeito de realização de auditorias. Desde julho de 2017 que as “taxonomias”, códigos pré-definidos e estruturados que fazem correspondência a uma ou mais contas do Sistema de Normalização Contabilístico (SNC), fazem parte do ficheiro SAF-T..
(6) 6. SEXTA-FEIRA, 12 DE JULHO 2019. ATUALIDADE ANTÓNIO DAMÁSIO, ORADOR NA CONFERÊNCIA “CONNECTING HEALTHCARE”, AFIRMA. “É preciso acreditar no potencial dos portugueses” “A felicidade e a inovação no futuro das organizações” foi o tema do debate recentemente realizado no Terminal de Cruzeiros de Leixões, evento que juntou 600 pessoas e que teve a intervenção de vários oradores sobre o papel determinante das pessoas para o futuro das organizações, conectando diferentes visões com base na ciência, saúde, arte, economia, música, negócios, entre outras, inspirando e motivando todos os profissionais da área da saúde. A conferência “Connecting Healthcare – A felicidade e a inovação para o futuro das organizações”, organizada pelo Seal Group em parceria com a Unidade Local de Saúde de Matosinhos (ULSM), celebrou a comemoração dos 20 anos de atividade da ULSM, integrando o Global Healthcare Forum, pretendendo promover a discussão e o debate sobre as novas competências e as ligações que se estabelecem entre os profissionais de saúde com a sociedade. As neurociências tiveram um lugar de destaque neste evento, trazendo a explicação científica sobre o caminho a seguir e novas abordagens a ter em conta neste ano em que o Sistema Nacional de Saúde celebra os seus 40 anos, tornando imperioso uma análise ao seu modelo atual, ponderando o equilíbrio entre a evolução tecnológica e o desenvolvimento pessoal e profissional dos seus colaboradores. Sabendo-se que as instituições de saúde contém dinâmicas de extrema exigência, desgaste e responsabilidade visando a sua longevidade e qualidade de vida dos cidadãos, o primeiro painel do evento teve como temática “Smart Choices: a construção de comunidades sustentáveis”, contando com a moderação de Afonso Camões (Global Media Group), e juntou Paula Teles (ICVM), Vladimiro Feliz (CEiiA), Yves Billiet-Prades (Aica Madrid), Abel Paiva (Professor) e Paulo Azevedo (Sonae), que partilharam a sua visão sobre o impacto das organizações na sociedade e comunidades locais. O período da manhã teve ainda momentos de intervenções individuais, práticas e formativas no formato de palestra,. António Damásio focou a importância da relação médico-paciente.. com a presença de Hector Puche (Fundación Budhi) sob o tema “Liderança, Produtividade e Inteligência Artificial”, Sobrinho Simões (Investigador) que trouxe a temática “Melhoramento humano da sociedade na saúde e na doença” e por fim Pedro Abrunhosa (Autor) que brindou os presentes com a intervenção sobre “Arte e espiritualidade” acompanhada no final com um momento musical de sua autoria e que fez as delícias de todos os presentes. É preciso acreditar no potencial dos portugueses. O período da tarde iniciou-se com um segundo painel que teve como tema “What’s next: a felicidade e a inovação na era digital”, sendo moderado por Alexan-. Evento juntou 600 pessoas no Terminal de Cruzeiros de Leixões.. dre Lourenço (APAH), e contou com a presença de reputados convidados como Luís Portela (Bial), Carlos Coelho (Ivity), Joana Vasconcelos (artista plástica), Adrian Bridge (The Fladgate Partnership), Nicole Azevedo (Operação Nariz Vermelho) e Nuno Dias (Utente Ulsm). Na sequência deste painel, seguiu-se a palestra com Júlio Machado Vaz (Médico) que abordou o tema “Envelhecimento saudável – o desafio que a sociedade não pode ignorar”, abordando o papel de todos nós no acompanhamento e integração dos mais idosos “numa sociedade que deve cuidar daqueles que já cuidaram de nós”. O momento alto da conferência estava guardado para a intervenção do investigador e nome maior das neurociências, professor António Damásio, que trouxe. o tema “Biology, Neuroscience and the noble art of medicine”, onde focou a importância da relação médico-paciente, “keynote speaker” na nobre arte de exercer a profissão. O moderador, Sérgio Almeida (Seal Group), questionou no final o “keynote speaker” sobre “qual a mensagem que gostaria de deixar aos portugueses”, ao que Damásio respondeu “uma palavra de esperança e de acreditar no potencial dos portugueses”. A sessão de encerramento contou com a participação da ministra da Saúde, Marta Temido, que enalteceu “a relevância do evento para os profissionais de saúde”, da presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Luísa Salgueiro, do presidente do Conselho de Administração da ULSM, António Taveira Gomes, e do Fundador do Seal Group, Sérgio Almeida.. António Taveira Gomes, presidente do Conselho de Administração da ULSM, Marta Temido, ministra da Saúde, António Damásio, “keynote speaker”, Luísa Salgueiro, presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, e Sérgio Almeida, fundador do Seal Group..
(7) 7. SEXTA-FEIRA, 12 DE JULHO 2019. ATUALIDADE. Empresas portuguesas têm escassez de talentos. Estado contrata mil técnicos especializados. A escassez das aptidões pode estar a travar o crescimento dos negócios, sendo que não há profissionais suficientes e disponíveis com as competências adequadas para preencher as vagas, de acordo com os especialistas da Hays. Em Portugal, as empresas estão a enfrentar uma escassez de talentos para funções-chave, o que pode significar que não estão a conseguir atingir o seu potencial máximo. A escassez de competências também pode ter um impacto sobre os salários e por isso, as empresas têm a necessidade de oferecer salários e benefícios mais atrativos.. O Governo vai abrir concursos para cerca de mil técnicos especializados. As áreas abrangidas são a estatística, a gestão, o planeamento e jurídica. Isto porque há vagas por preencher em vários ministérios, de acordo com comunicado do Executivo. Para já, não foram referidos dadas, tendo sido apenas dito que será em breve. O Governo argumenta que as contratações têm a ver com o envelhecimento dos funcionários do Estado e que se está a refletir nos serviços públicos prestados aos cidadãos.. Trabalhadores dos impostos assinam acordo com Governo na revisão de carreiras GUILHERME OSSWALD [email protected]. O Conselho Geral Extraordinário do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI) analisou e debateu o projeto de carreiras, tendo ficado decidido um acordo com o Governo. Ainda que existam reivindicações por esclarecer, considera o sindicato que será possível avançar com o processo negocial num patamar acima do atual. A atual proposta contempla várias das exigências dos trabalhadores dos impostos. O STI considera que há ainda aspetos que têm de ser clarificados, designadamente a questão das regras do sistema de avaliação permanente, sobretudo no que se refere à periodicidade e aos efeitos na progressão. De igual modo, haverá que decidir a equiparação do exercício de funções de coordenação de equipas a cargos de chefia, valorizando estas funções e retirando os trabalhadores que as exercem do SIADAP 3. Uma outra matéria tem a ver com o complemento para funções de risco acrescido, através da criação do suplemento ou da majoração do suplemento atual. Não menos importantes são as normas transitórias destinadas a integrar nas carreiras especiais os trabalhadores das carreiras gerais em desajuste funcional.. O STI considera que há ainda aspetos que têm de ser clarificados. A última oportunidade que houve para assinar um diploma de carreiras foi em 2009. Ora, foi então decidido aguardar pela revisão de outras carreiras para obter mais vantagens, o que acabou por se traduzir numa espera de mais uma década para se voltar a negociar a re-. visão de carreiras. Nessa altura já eram reivindicações do STI aspetos como a revisão do vínculo, a criação de um grupo de inspeção tributária com grau de carreiras de grau de complexidade funcional 3 ou a transição de todos os profissionais para as novas carreiras. Acontece que. estas reivindicações estão atingidas na proposta de carreiras aprovada, daí a decisão de assinar um acordo com o Governo. Até porque agora se parte de um patamar mais elevado para atingir outros objetivos essenciais à concretização das várias exigências ainda pendentes.. Portugal acima da média europeia na transposição de diretivas Portugal é um dos países com melhor desempenho da União Europeia no que respeita à transposição de diretivas. O país manteve a forte prestação que havia registado no ano passado, um défice de 0,4%, o que compara com os 0,7% da média europeia, tendo transposto 87% das diretivas avaliadas, de acordo com o painel de avaliação do mercado único da Comissão Europeia. A Comissão nota que Portugal “conseguiu igualar o resultado fantástico de dezembro de 2017, o que revela que este Estado-Membro supervisiona bastante bem a transposição atempada das diretivas relativas ao mercado único”. Este esforço prosseguiu em 2019. Até julho deste ano, o. Governo aprovou a transposição de 17 diretivas europeias, quatro sob a forma de proposta de lei (uma das quais já aprovada pela Assembleia da República e publicada em Diário da República) e 13 sob a forma de decreto-lei (que, com uma única exceção, já foram todos publicados). O Governo explica que houve uma inovação nesta matéria, a partir de 2017, importando para a ordem jurídica nacional uma ferramenta assente nos chamados “diplomas omnibus”, que regulam em simultâneo várias matérias diferentes. A avaliação da Comissão Europeia destaca ainda uma diminuição no défice de conformidade (que mede a transposição incor-. reta de diretivas), o que coloca Portugal na média europeia, bem como uma acentuada diminuição no número de processos por infração pendentes nesta matéria. É mesmo “a maior diminuição. em termos percentuais num ano (-35%), o que significa que Portugal nunca teve tão poucos processos relacionados com o mercado único”, adianta o Executivo em comunicado.. SDM regista evolução positiva do CINM A praça de negócios madeirense tem revelado capacidade de resistência face à incerteza de que é alvo, gerada na sequência do procedimento de investigação aberto pela Comissão Europeia. A conclusão é de Roy Garibaldi, administrador Executivo da SDM, que, no balanço da SDM sobre a evolução do Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM) no primeiro semestre de 2019, ressalva o crescimento contínuo do MAR e a estabilidade global dos outros setores de atividade do CINM na primeira metade do ano. Recorde-se que o procedimento de investigação aberto pela Comissão Europeia abarca empresas do Regime III do CINM, cuja produção de efeitos caduca no próximo ano, e não o Regime IV, que se encontra em vigor e que está a ser promovido internacionalmente pela SDM. Segundo este administrador da empresa concessionária do CINM, o fluxo de empresas que saiu foi compensado pelas novas entradas, confirmando assim que o trabalho promocional da SDM nos mercados tem surtido efeito, mesmo em situação de desvantagem face às praças concorrentes. Uma afirmação sustentada no facto de mais de 90% das novas empresas terem origem nos 15 mercados onde a SDM tem vindo a apostar mais fortemente na promoção nos últimos anos. MAR mantém tendência de subida. O Registo Internacional de Navios da Madeira (MAR) continua a assinalar uma tendência positiva de crescimento. Desde o fim de 2018, num período de seis meses, o MAR assinalou um crescimento de mais 27 navios de comércio, atingindo um total de 653 embarcações registadas, a 30 de junho. Deve-se sublinhar que, no caso específico do MAR, é a área do CINM menos exposta e menos afetada pelo procedimento de investigação instaurado por Bruxelas. No total, o número de entidades licenciadas no CINM no fim de junho era de 2272, em comparação com as 2238 registadas a 31 de dezembro de 2018. De acordo com os dados mais recentes disponibilizados pela AT, em 2018, o CINM gerou para os cofres da Região Autónoma da Madeira mais de 121 milhões de euros em receita fiscal..
(8) 8. SEXTA-FEIRA, 12 DE JULHO 2019. ATUALIDADE/Internacional. Bruxelas responde às pressões norte-americanas. Indústria europeia volta a registar um recuo. A Comissão Europeia anunciou que os Estados Unidos estão a preparar as tarifas alfandegárias que querem impor às importações europeias pelos subsídios da União à Airbus, tomando como base estimativas e não valores confirmados pela Organização Mundial do Comércio (OMC). Em resposta, Bruxelas está a desenvolver medidas para que a UE possa avançar rapidamente com tarifas sobre as importações norte-americanas e em represália às ajudas que Washington concede à Boeing.. A tensão comercial e a incerteza política, a que se junta o baixo rendimento da indústria automóvel, provocaram uma deterioração nas carteiras dos pedidos junto dos fabricantes europeus. O setor industrial fixou-se em 47,6 pontos, em junho, o que compara com os 47,7 do mês anterior, de acordo com a Markit. A Alemanha mantém-se o país da região da moeda única com os resultados mais fracos. Já a França aparece em contraciclo, com o índice industrial a apresentar o nível mais elevado em nove meses.. JOÃO LUÍS DE SOUSA DIRETOR ADJUNTO [email protected]. Paulo Nunes de Almeida: a despedida de um herói Conheci o Paulo Nunes de Almeida há mais de 30 anos. Na altura éramos ambos recémlicenciados. Eu tinha estudado Direito e o Paulo seguira Economia. Depois de uma experiência na Banca, o Paulo apostava no empreendedorismo e no associativismo. Do grupo de fundadores da ANJE, o Paulo era o que tinha a aparência mais britânica. Com um gosto clássico, parecia mais próximo dos profissionais financeiros da City em Londres do que da nova vaga de empreendedores com estilo informal vestidos com calças de ganga e t-shirt. Mas por trás da aparência elegante de nobre britânico o Paulo era uma pessoa simples e acessível, de diálogo fácil. Ao longo dos anos fomo-nos cruzando nos eventos onde o Paulo participava e estava envolvido. E nos últimos anos o ritmo de iniciativas da AEP fez com que nos víssemos com maior frequência. Tive conhecimento da doença de forma algo insólita. Há alguns anos atrás, um amigo comum, o Carlos de Sousa, comentou que o Paulo estivera doente. Alguns dias depois,encontrei o Paulo num concerto no Coliseu do Porto, então dirigido pelo eng. José António Barros. Como era Inverno, disse-lhe: “O Paulo esteve doente. Foi uma gripe?”. Com um sorriso sereno no rosto, o Paulo. respondeu: “Foi algo pior. Tive um problema oncológico e tiraram-me um pulmão”. Senti o desconforto de ter ignorado a gravidade da doença e ao mesmo tempo apreensivo sobre o problema difícil que ele enfrentava. Foi o primeiro e único comentário sobre a saúde do Paulo que ia enfrentando as sucessivas batalhas contra o avanço da doença em acumulação com todos os seus compromissos e tarefas profissionais. Nos últimos tempos, e apesar de visivelmente enfraquecido, mantinha intacta a boa disposição, a presença e empenho no trabalho diário, a resposta rápida a todas as solicitações, as tomadas de posição nas diversas frentes, sem nunca esmorecer, sem nunca se lamentar. A invulgar coragem e energia anímica do Paulo acalentavam a esperança de um desfecho diferente. Poderia ser um dos casos onde a evolução contraria a realidade dos factos e não encontra explicação médica. Por isso, a morte do Paulo na passado quinta-feira foi um choque imprevisto para todos, gerando uma onda de pesar e tristeza. Um presidente norte-americano dizia sobre aqueles que perdiam a vida pelo seu país: ”Nós não devemos chorar os mortos”. E acrescentava: “Só devemos chorar os mortos se os vivos os. não merecerem”. Perante o desaparecimento do Paulo, sentimos a frustração por não termos feito mais, divulgando melhor as suas ideias, as iniciativas da AEP e das organizações a que esteve ligado e por não termos proposto mais projetos e desafios onde teríamos o seu apoio incondicional. Pela parte que nos toca, a nossa obrigação em relação ao Paulo ficou inacabada e incompleta. E esse vazio poderá ser também o sentimento de muitos daqueles que com o Paulo colaboraram. Pensamos no que foi a nossa colaboração com ele e ficamos desalentados face ao que podia ter sido se estivéssemos mais atentos, se lhe dedicássemos o tempo devido. Se hoje pudéssemos voltar atrás no tempo, desejaríamos ter feito mais e diferente. Mas, apesar de o Paulo estar agora fora do nosso olhar, as suas causas, os seus valores e os seus princípios nunca estiveram tão presentes. E mesmo a doença que o destruiu fisicamente ajudou a construir a imagem invulgar que fica gravada para sempre no nosso pensamento. A dimensão do seu exemplo corresponde à dimensão do seu sacrifício, fazendo com que até a sua doença adquira uma estranha justificação. Quando o trabalho nos parecer árduo e excessivo, devemos pensar no trabalho constante e abnegado do Paulo e no esforço. quase sobre-humano que fez em condições de enorme debilidade física. Quando o sentido do propósito nos parecer pouco evidente ou difícil de alcançar, devemos pensar na generosidade e na determinação do Paulo ao dedicar o pouco tempo de vida que lhe restava aos compromissos profissionais, à custa do tempo para si próprio e para a sua família. Quando acharmos que a. nossa capacidade para fazer a mudança é reduzida e limitada, devemos pensar na atitude do Paulo e da forma como foi capaz de fazer a mudança para a comunidade, para os seus colaboradores, para o associativismo e para o país, ao longo da vida, de forma constante e coerente, sem nunca deixar de olhar na direção certa. Nós só devemos chorar o Paulo se algum dia desistirmos de o merecer.. Coface faz soar alarmes do risco-país A Coface está a fazer soar os alarmes. A sua última avaliação de risco-país revela uma forte preocupação quanto aos efeitos colaterais da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China. O impacto não está medido, mas é um facto que as consequências para o crescimento mundial podem ser desastrosas. Para já, o crescimento mundial é revisto em baixa pela empresa de seguros sobre o crédito. O crescimento do PIB, este ano, a nível global, deverá fixar-se em cerca de 2,9%, o que compara com os 3.1% do exercício anterior. Este abrandamento será acompanhado por uma série de falências de empresas. Um dos efeitos imediatos desta guerra comercial é o impacto sobre as exportações. As da China para os Estados Unidos registaram uma quebra de 10%, durante os primeiros quatro meses do ano. Natu-. ralmente, esta situação tem eco em todo o mundo. A Coface estima que o comércio global sofra uma descida de sete décimas, este ano, com movimentos diferenciados de acordo com os setores. O setor automóvel europeu, em particular, reflete as vulnerabilidades do comércio internacional. Este setor está relacionado com uma quebra na procura. Com a agravante de que o movimento protecionista assume um peso acrescido e rápido na Europa. As empresas defrontam-se ainda com cada vez mais exigências regulamentares, especialmente ao nível ambiental. Ora, neste âmbito, a Alemanha é fortemente penalizada, sendo que é o motor da economia europeia. A Coface decidiu descer o nível deste país na respetiva classificação de risco-país. Os países mais ligados à Alemanha também sofrem os efeitos imediatos.. A companhia de seguros de crédito alerta para uma degradação nos níveis de crescimento e para o disparar das falências de empresas..
(9) 9. SEXTA-FEIRA, 12 DE JULHO 2019. ATUALIDADE/Opinião. JACK SOIFER PAULO VAZ. FALAR OU FAZER. Jurista e Gestor. “In Memoriam” Paulo Nunes de Almeida, o Presidente da AEP, que também já havia desempenhado cargos de liderança na ANJE, ACP e ATP, entre muitos outros organismos e instituições de relevo na vida associativa nacional, empresarial e desportiva, faleceu na passada semana, vítima de doença prolongada, contra a qual lutou corajosamente quase nove anos. O seu desaparecimento deixa uma profunda mágoa e desamparo para os que o conheciam, consideravam e admiravam. Inteligente, elegante, ponderado, conciliador por natureza, tenaz e determinado, por onde passou foi capaz de realizar obra notável e deixar memória como nenhum outro. “O melhor do melhores”, como muitos o designavam, foi, além do mais, um exemplo de virtudes, que prolongou da sua vida pessoal, enquanto ser humano singular, para a vida pública, que, em Portugal, tão carente anda de modelos deste tipo. Tivesse o país mais cidadãos como Paulo Nunes de Almeida e, certamente, teríamos um país bem melhor, mais justo e mais desenvolvido. Até a sua luta pessoal contra a doença que o vitimou acabou por ser uma metáfora da sua personalidade: um lutador, sereno e forte, que fazia da discrição e da tranquilidade com que enfrentava a vida e os problemas a resposta sempre assertiva e sempre certa. Foi um dos fundadores da ANJE, com Paulo Barros Vale, e ajudou a transformar a Associação de Jovens Empresários numa organização vibrante e dinâmica, uma verdadeira “pedrada no charco” no mundo associativo de então, que estiolava num conservadorismo paralisante e que ameaçava deixar sem defesa o mundo empresarial. Quase como hoje. Tive o privilégio de com ele realizar as negociações para a fusão das associações têxteis – APT e APIM – que resultaram na maior organização representativa do setor, a ATP, e uma das mais importantes e prestigiadas na Europa. Tive a felicidade de com ele trabalhar nessa Associação, enquanto projeto mobilizador de resgate um sector acossado e à beira do declínio irreversível. Com a liderança de Paulo Nunes de Almeida, a ATP foi o instrumento necessário para, de 2003 a 2008, a indústria têxtil nacional ter podido resistir à liberalização selvagem do comércio mundial e à entrada da China na OMC, sem qualquer respeito pelas regras elementares do comércio internacional, o que possibilitou um indispensável período de adaptação ao setor em Portugal e na Europa e a chance única para se reconverter e recuperar, o que aconteceu de 2009 até esta data. A Indústria Têxtil e Vestuário Portuguesa tem, por isso, uma imensa dívida de gratidão ao Paulo Nunes de Almeida, pois, não sendo o único protagonista nesta senda de resistência e relançamento de todo um sector, foi, incontestavelmente, o seu destacado líder. Incansável, tenaz, diligente,. diplomático e firme. Eficaz. Na AEP, primeiro como Vice-Presidente de José António Barros, e depois como Presidente, cargo que ocupou até ao último dia que a doença permitiu, empenhou-se na recuperação económicofinanceira da instituição, sem nunca deixar desfalecer a sua dinâmica e importância para a região e o país, sendo a voz mais autorizada, sensata e consequente do “Norte”, que, ao contrário do que muitos julgam, não é uma região geográfica, mas uma atitude e um conjunto de valores sólidos e inquebráveis, independentes da ideologia política, que deveriam estar a orientar o país para mais crescimento, mais geração de riqueza e sua melhor distribuição, promovendo o equilíbrio e combatendo as desigualdades, não pelo discurso mas pela ação e pela realização. Por tudo isto, o sentimento de perda é esmagador. Mas, mais ainda, por o seu desaparecimento prematuro ter impedido que o Paulo Nunes de Almeida cumprisse um destino maior, para o qual estava preparado, e que o país tanto dele carece. Nunca foi tão literal dizer que ficamos mais pobres por ter partido, até porque tem sido esse o fado de Portugal, quando aqueles que são melhores partem ou se afastam, deixando que o país seja conduzido pela habitual mediocridade e mesquinhez, que nos avilta e nos atrofia. Mais e mais. Não deixa de ser sintomático que o semanário “Expresso”, na edição de 6 de Julho, tenha entendido dedicar apenas umas escassas linhas “in memoriam” ao Paulo Nunes de Almeida, quando havia tanto a dizer e a homenagear, preferindo sempre destacar outras ilustres nulidades que vão fazendo carreira por Lisboa, especialmente por serem da capital e do seu ecossistema de poder, de cultura e de economia protegida, que o resto do país cada vez estranha mais e a que cada vez ganha mais repugnância. A escritora Agustina Bessa-Luís, também recentemente desaparecida, dizia que “o país não precisa de quem lhe diga o que está errado; mas de quem saiba o que está certo”. Paulo Nunes de Almeida era dos que sabiam o que está certo e praticava aquilo que acreditava, com um sentido de serviço raro e exemplar. Por isso vai-nos fazer muita falta, muito mais do que julgamos sequer imaginar. No que me diz respeito, perdi igualmente um amigo único, e se é verdade que aqueles que partem nunca o fazem verdadeiramente, pois ficam para sempre vivos no nosso espírito e o coração, também é verdade que aqueles que desaparecem levam com eles uma parte importante da nossa vida, que jamais se revitalizará, pelo que o melhor que podemos fazer é seguir o seu exemplo de trabalho, dedicação e de serviço, simplesmente para os honrar e para que a nossa existência também valha realmente a pena. Obrigado, Paulo. Até um dia, até sempre!. *Consultor Internacional, autor de COMO SAIR DA CRISE, ONTEM E HOJE NA ECONOMIA, PORTUGAL RURAL e o bilingue PORTUGAL PÓS-TROIKA?. Saúde das finanças Faz-me impressão a atitude de dois ministros, sempre sorridentes, com ótima oratória, mas a dizer meiasverdades como verdades. Milhares de utentes do SNS, enfermeiras, médicos, todos descrevem em detalhe o que se passa no mundo real; mas dois ministros dizem que o SNS melhorou e põem a culpa do caos no Governo anterior. FACTOS: Foi atribuído ao SNS mais recursos no Orçamento do Estado, mas: 1. Quando o diretor de um hospital precisa de peças sobressalentes ou manutenção, não as pode adquirir, deve fazer uma requisição, que vai à burocracia regional, que o envia ao Ministério da Saúde, que o envia ao Ministério das Finanças, que. MINISTÉRIOS À MERCÊ DE ALGUM FUNCIONÁRIO DAS FINANÇAS!? E os ministros podem na TV dizer que a verba para a Saúde aumentou, é verdade. O ministro faz muito bem em reduzir o gasto público! E porque não travar as despesas com burocratas? Quando trabalhei nos EUA ouvi de financistas a teoria da utilidade do cidadão: “Para o PIB, idosos, grávidas e doentes crónicos são um peso – deixem-nos sem apoio. Apoiem apenas os produtivos”. Mas estamos na Europa. Vários estudos indicam que há uns 40 mil burocratas inúteis no Estado. A maioria nomeada pelos dois partidos que se alternam no poder.. “O ministro faz muito bem em reduzir o gasto público! E por que não travar as despesas com burocratas?”. leva meses para liberar a verba de, p.ex, 350 euros. Entretanto, param blocos operatórios, ecografia, sistema informático, tudo o que é básico para a unidade funcionar; isto irrita os profissionais. 2. Quando falta pessoal temporariamente, por férias, doença, ou gravidez, o procedimento é igual, não se pode contratar pessoal para a Saúde. Contratam-se tarefeiros a preço muito mais elevado, beneficiando umas raras empresas, sem controlo do Tribunal de Contas. 3. Quando por falta constante de pessoal e o ministro, após meses, autoriza a contratação, leva mais meses para efetivar este pessoal. 4. Quando o ministro, após pressão da comunicação social, autoriza a contratação de serviços externos, é para pagar a algum dos três grupos. Como noutros países da Europa do Norte, podemos utilizar a sociedade civil que, por valores ínfimos de apoio, com voluntários, como bombeiros, fazem o mesmo que uns 50 mil funcionários. P.ex, infrações de trânsito são controladas pelo “cidadão-alerta”, em geral reformados antes ativos em associações, respeitados pelo grupo, íntegros, que, após curta formação, fotografam ou filmam infrações e enviam à GNR local. P.ex, “cidadã-saúde”, idem, que leva amostras de alimentos e de comidas de pastelarias e restaurantes para um laboratório universitário e, se fora dos padrões, encaminha para a Procuradoria. Na Suécia e no Reino Unido, as ONG de defesa do consumidor enviam processos diretamente à Procuradoria. Dispensa as agências. “Como noutros países da Europa do Norte, podemos utilizar a sociedade civil que, por valores ínfimos de apoio, com voluntários, como bombeiros, fazem o mesmo que uns 50mil funcionários” privados valores muito superiores ao que custaria realizar as mesmas cirurgias nos hospitais públicos. É o que dizem a Ordem dos Médicos, a dos Enfermeiros e a maioria dos profissionais. 5. A influência dos amigos da corte está ainda na administração do SNS, que sobrecarrega médicos e enfermeiros com tarefas burocráticas e atividades para dar a impressão de eficácia. Filmetes são mostrados nas salas de espera, uns poucos com sugestões para prevenção de doenças (ótimo), muitos a divulgar o raro, não o real. NANOVERBAS DE. de controlo, como ANACOM, DG-Consumidor, etc., que na prática não defendem o cidadão do abuso do poder dominante. Lá o Tribunal de Contas pode fechar temporariamente a conta bancária de uma instituição que não esclareça despesas inusitadas. Há muitas boas práticas noutros países. Se uma roda gira mal por cá, e gira bem algures, porque não testála por cá, talvez ajustar a pressão do ar? YES, WE CAN! REDUZIR A DESPESA, CORTAR NA BUROCRACIA, NÃO NOS PROFISSIONAIS!.
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