Generation of self-similar Gaussian time series by
means of the DWT and DWPT variance maps
I. R. Lund and J. R. de A. Amazonas
Abstract— Due to the several kinds of services that use the Internet and data networks infra-structures, the present networks are characterized by the diversity of types of traffic that have statistical properties as complex temporal correlation and non-gaussian distribution. The networks complex temporal correlation may be characterized by the Short Range Dependence -(SRD) and the Long Range Dependence - (LRD). Models as the fGN (Fractional Gaussian Noise) may capture the LRD but not the SRD.
This work presents two methods for traffic generation that synthesize approximate realizations of the self-similar fGN with SRD random process. The first one employs the IDWT (Inverse Discrete Wavelet Transform) and the second the IDWPT (Inverse Discrete Wavelet Packet Transform). It has been developed the variance map concept that allows to associate the LRD and SRD behaviors directly to the wavelet transform coefficients. The developed methods are extremely flexible and allow the generation of Gaussian time series with complex statistical behaviors.
Keywords— Self-similarity, long range dependence (LRD), short range dependence (SRD), traffic, wavelets, variance, wavelet packet.
I. INTRODUC¸ ˜AO
C
OM os avanc¸os tecnol´ogicos na ´area detelecomunicac¸˜oes, redes e aplicac¸˜oes, a Internet e as redes de dados corporativas passaram a ser a infra-estrutura para diversos tipos de servic¸os com diferentes caracter´ısticas de tr´afego. S˜ao exemplos de tais servic¸os as aplicac¸˜oes mais tradicionais como navegar na web e as aplicac¸˜oes multim´ıdia como voz sobre IP, transmiss˜ao de v´ıdeo e mensagens instantˆaneas. Assim, as atuais redes s˜ao caracterizadas pela diversidade de tipos de tr´afego os quais possuem diversas propriedades estat´ısticas como correlac¸˜ao temporal complexa e distribuic¸˜ao n˜ao Gaussiana.
Sendo assim, modelar tr´afego e entendˆe-lo ´e importante para o projeto e simulac¸˜ao de redes, para prover qualidade de servic¸o (QoS) para diversas aplicac¸˜oes e para o gerenciamento e controle das redes. V´arios modelos foram propostos no passado para modelar o tr´afego de redes como o processo aleat´orio de Poisson [1] [2]. Entretanto, ´e necess´ario modelar de forma realista o tr´afego de redes heterogˆeneo que possui duas propriedades estat´ısticas pertinentes: correlac¸˜ao temporal complexa e distribuic¸˜ao marginal n˜ao Gaussiana que resultam da complexidade das redes IP e da atual diversidade de aplicac¸˜oes. A correlac¸˜ao temporal complexa do tr´afego de redes pode ser caracterizada pela dependˆencia de curta durac¸˜ao
I. R. Lund, Laborat´orio de Comunicac¸ ˜oes e Sinais do Departamento de Enge-nharia de Telecomunicac¸ ˜oes e Controle da Escola Polit´ecnica da Universidade de S˜ao Paulo (LCS-PTC-EPUSP), [email protected]
J. R. A. Amazonas, LCS-PTC-EPUSP, [email protected]
(Short Range Dependence - SRD) e dependˆencia de longa durac¸˜ao (Long Range Dependence - LRD). Aplicac¸˜oes como voz sobre IP (VoIP) e VBR (Variable Bit Rate) video traces geram tr´afego com a propriedade SRD, enquanto aplicac¸˜oes como requisic¸˜ao de uma p´agina web geram tr´afego LRD. De fato, tr´afego de redes como VBR podem exibir uma mistura complexa de SRD e LRD [3]. Trabalhos feitos com medidas tanto em redes locais [4] quanto em redes de grande ´area [5] mostraram que o tr´afego das redes possui propriedades fractais tais como mem´oria longa (LRD) e auto-similaridade. Foi constatado que as aplicac¸˜oes de tempo real s˜ao caracterizadas pela SRD. J´a aplicac¸˜oes que n˜ao s˜ao de tempo real como
video-on-demand, comunicac¸˜ao de dados e algumas tarefas de gerenciamento de redes devem ser modeladas por modelos de tr´afego que capturem a dependˆencia temporal em largas escalas de tempo (LRD) [3].
A. Contribuic¸˜oes do Trabalho
Este artigo apresenta dois m´etodos para gerar tr´afego que sintetiza realizac¸˜oes aproximadas do processo aleat´orio auto-similar fGN utilizando wavelet. Ambos m´etodos geram s´eries que apresentam dependˆencia de longa durac¸˜ao (LRD). O primeiro m´etodo, chamado de DWT com mapa de variˆancias,
gera as realizac¸˜oes fGN simulando um sinal gaussiano 1/fα
a partir da IDWT (Inverse Discrete Wavelet Transform -Transformada Wavelet Discreta Inversa) de uma matriz de coeficientes, gerada assumindo-se que: a) a progress˜ao da variˆancia dos coeficientes wavelet ´e exponencial; b) os coefi-cientes wavelet intra-escala s˜ao i.i.d (i.i.d significa indepen-dente e identicamente distribu´ıdos.) e c) n˜ao h´a correlac¸˜ao entre escalas. O segundo m´etodo, chamado de DWPT com mapa de variˆancias, gera as realizac¸˜oes fGN simulando um
sinal gaussiano 1/fα a partir da IDWPT (Inverse Discrete
Wavelet Packet Transform) utilizando o conceito de mapa de variˆancias wavelet packet. A fim de introduzir SRD em tais s´eries para que tenham a caracter´ıstica de s´eries mistas (LRD e SRD) sem a necessidade de a gerac¸˜ao passar por dois est´agios como em [6], foi calculado uma mapa de variˆancias SRD com a introduc¸˜ao do ganho SRD nas variˆancias dos coeficientes do n´ıvel menos refinado do mapa de variˆancias calculado para a gerac¸˜ao das s´eries LRD, referentes ao intervalo de freq¨uˆencia onde se pretende introduzir o comportamento SRD.
A validac¸˜ao dos m´etodos DWT com mapa de variˆancias e DWPT foi feita em duas etapas: 1) Efetuou-se uma an´alise comparativa entre as s´eries geradas pelos m´etodos DWT de B¨ackar, DWT com mapa de variˆancias e DWPT a fim de verificar que as s´eries geradas pelos m´etodos DWT com mapa de variˆancias e DWPT s˜ao 1/f e LRD assim como as geradas
pelo m´etodo DWT de B¨ackar implementado em [7]. Essa an´alise foi feita pelos gr´aficos do periodograma e da func¸˜ao de autocorrelac¸˜ao e pela estimativa do parˆametro de Hurst pelos m´etodos de Whittle e do periodograma; 2) Compararam-se as s´eries geradas pelos m´etodos DWT com mapa de variˆancias e DWPT antes e depois da inserc¸˜ao do ganho SRD pela an´alise dos periodogramas.
B. Organizac¸˜ao do Artigo
Ap´os esta Introduc¸˜ao, a Sec¸˜ao II apresenta os principais trabalhos correlacionados. A Sec¸˜ao III faz uma revis˜ao te´orica dos seguintes conceitos: Ru´ıdo Gaussiano Fracion´ario (fGN) que foi o primeiro modelo auto-similar a ser proposto na literatura e que, at´e hoje, ´e um dos processos1/fαmais rele-vantes, DWT (Discrete Wavelet Transform) e DWPT (Discrete
Wavelet Packet Transform). A Sec¸˜ao IV apresenta o mapa de variˆancias wavelet packet onde a express˜ao da variˆancia
wavelet packet ´e deduzida a partir da express˜ao da variˆancia
wavelet e ´e calculado o mapa de variˆancias wavelet packet para o fGN. Na Sec¸˜ao V s˜ao descritos os m´etodos DWT com mapa de variˆancias e DWPT para Gerac¸˜ao de S´eries Temporais Gaussianas com LRD e com a introduc¸˜ao de SRD. A Sec¸˜ao VI apresenta os resultados atrav´es da validac¸˜ao dos m´etodos DWT com mapa de variˆancias e DWPT desenvolvidos neste trabalho. A Sec¸˜ao VII apresenta as conclus˜oes e sugest˜oes de trabalhos futuros.
II. TRABALHOSCORRELACIONADOS
Em [8] foi introduzido o m´etodo DHM (Davies and Harte
Method) de gerac¸˜ao de realizac¸˜oes de processos estacion´arios Gaussianos de m´edia nula. O m´etodo ´e baseado na Fast
Fourier Transform (FFT). Outro m´etodo baseado na FFT, denominado Gaussian Spectral Synthesis Method (GSSM) foi publicado em [9]. Em [10], foi proposto um m´etodo de gerac¸˜ao de realizac¸˜oes aproximadas do fGN baseado na FFT. Paxson demonstrou que o seu m´etodo gera s´eries estatisticamente indistingu´ıveis de realizac¸˜oes fGN e que essas s´eries podem ser utilizadas na gerac¸˜ao de tr´afego de redes auto-similares.
O trabalho descrito em [11] tem o objetivo de sintetizar tr´afego em “tempo-real” semelhante ao encontrado em redes
reais. ´E mencionado um poss´ıvel uso para o tr´afego
sinte-tizado com caracter´ısticas reais e sua vantagem: utilizac¸˜ao em ambientes de teste para comparac¸˜ao de performance de equipamentos de rede obtendo resultados mais realistas. Nesse estudo, afirma-se que a auto-similaridade, a ocorrˆencia de
bursts e a “dependˆencia de longa durac¸˜ao” caracterizam o tr´afego encontrado nas redes de dados.
Em [6], foi modelado e implementado um gerador de tr´afego que exibe caracter´ısticas auto-similares para uso em redes IP. Esse artigo mostra a s´ıntese de realizac¸˜oes aproximadas do processo aleat´orio auto-similar fGN via transformada
wa-velet discreta (DWT). S˜ao geradas s´eries que apresentam dependˆencia de longa durac¸˜ao (LRD). Para sintetizar s´eries que tamb´em apresentem dependˆencia de curta durac¸˜ao (SRD), a gerac¸˜ao foi feita em dois est´agios. O primeiro gera as realizac¸˜oes fGN similar ao gerador implementado em B¨ackar
[11] simulando um sinal gaussiano 1/fα a partir da IDWT
(Inverse Discrete Wavelet Transform - Transformada
Wave-let Discreta Inversa) de uma matriz de coeficientes, gerada
assumindo-se que: a) a progress˜ao da variˆancia dos coefi-cientes wavelet ´e exponencial conforme deduzido em [12]; b) os coeficientes wavelet intra-escala s˜ao i.i.d e c) n˜ao h´a correlac¸˜ao entre escalas. O segundo est´agio introduz SRD atrav´es de uma filtragem IIR (Infinite Impulse Response) da sa´ıda do primeiro est´agio.
Este trabalho estende aquele desenvolvido em [6] por meio do uso do mapa de variˆancias que aumenta a flexibilidade para a introduc¸˜ao de dependˆencias SRD mais complexas e elimina a etapa de filtragem, isto ´e, as dependˆencias LRD e SRD s˜ao introduzidas simultaneamente.
III. REVISAO˜ TEORICA´
A densidade espectral de potˆencia (DEP) de um processo de mem´oria longa tem um p´olo na origem. O grau de LRD e impulsividade do tr´afego ´e expresso em termos do parˆametro
de Hurst [13] [14], 0 < H < 1 (α = 2H - 1). Quando
1/2 < H < 1, o tr´afego ´e auto-similar e LRD. Quanto maior H, maior o grau de LRD. A auto-similaridade est´a associada `a apresentac¸˜ao de estruturas similares em diferentes escalas de observac¸˜ao. No caso de tr´afego, a alternˆancia de per´ıodos de surtos e de suavidade (impulsividade e burstiness) e a LRD s˜ao mantidas em v´arias escalas de tempo onde a auto-similaridade ocorre em um sentido estat´ıstico. Os processos LRD s˜ao conhecidos como processos com espectro 1/fα,0 < α < 1.
Modelos como processos fGN (Fractional Gaussian Noise) podem capturar a LRD mas n˜ao a SRD.
A transformada wavelet ´e indicada para a s´ıntese de sinais 1/fα[15] [16] porque:
• os coeficientes wavelet de um processo 1/fαs˜ao aproxi-madamente n˜ao correlacionados no plano tempo-escala. Portanto, a modelagem e o processamento desses si-nais naquele dom´ınio podem ser realizados de maneira eficiente. Mais precisamente, pode-se afirmar que n˜ao h´a correlac¸˜ao entre coeficientes wavelet de uma mesma escala e que a correlac¸˜ao entre escalas diferentes ´e fraca (neste caso, a correlac¸˜ao ´e maior entre escalas adjacentes [3]).
• ´e o m´etodo mais eficiente do ponto de vista computacio-nal. A complexidade (em termos de operac¸˜oes de adic¸˜ao e multiplicac¸˜ao) associada `a gerac¸˜ao de uma realizac¸˜ao de M amostras ´eO(M ) (A notac¸˜ao O(aN) significa que o n´umero de operac¸˜oes necess´ariasNop, a menos de uma constante multiplicativaC, ´e menor ou igual a aN para
qualquerN (Nop ≤ CaN).). M´etodos baseados na FFT
(Fast Fourier Transform) [10], [9] possuem complexidade O(M logM ). A t´ecnica de gerac¸˜ao no dom´ınio do tempo de Hosking [17], baseada nas recurs˜oes de Levinson-Durbin, requerO(M2) operac¸˜oes.
• oferece a possibilidade de s´ıntese de tr´afego
n˜ao-gaussiano.
• a noc¸˜ao de escala temporal ´e intr´ınseca `a definic¸˜ao da transformada.
A. Ru´ıdo Gaussiano Fracion´ario
O Ru´ıdo Gaussiano Fracion´ario, em inglˆes Fractional
Gaus-sian Noise, ´e um processo estoc´astico estacion´ario, auto-similar e de mem´oria longa, proposto por [18] e bastante explorado na literatura de s´eries temporais [16]. Por ser um processo estoc´astico estacion´ario de tempo discreto, o fGN ´e exatamente auto-similar de segunda ordem com parˆametro
de Hurst H (1/2 < H < 1) se possuir seq¨uˆencia de
autocovariˆancia dada por:
γX(τ ) = σX2
2 [(τ + 1)
2H− 2τ2H+ (τ − 1)2H], (1)
para todoτ ∈ Z.
O processo fGN Xk ´e normalmente definido como o
pro-cesso de incrementos associado ao propro-cesso fBM (Fractional
Brownian Motion) Y (t), t ∈ R, sendo o fBM um processo
gaussianoe H-sssi (H self-similar with stationary increments - auto-similar com incrementos estacion´arios). Desta maneira, o fGN corresponde `a primeira diferenc¸a de um processo
auto-similarYk denominado movimento Browniano fracion´ario de
tempo discreto (DFBM) [19] [16], em que o DFBM ´e obtido atrav´es da amostragem do processo de tempo cont´ınuo fBM. Essa relac¸˜ao ´e dada por (2):
Xk= Yk− BYk = Yk− Yk−1= ∇Yk, (2)
em queB denota o operador atraso unit´ario e ∇ = (1 − B)
´e o operador diferenc¸a.
A DEP (Densidade Espectral de Potˆencia) do DFBM ´e dada por [16, p´ag. 280]: SY(f ) = σX2CH ∞ X j=−∞ 1 |f + j|2H+1, (3) em que σ2
X ´e a potˆencia do fGN, CH = Γ(2H+1) sin (πH)2π2H+1 e
0 < H < 1. De acordo com (3), a DEP do DFBM possui um p´olo na origem, pois
SY(f ) ∝ |f |−1−2H, f → 0 . (4)
O DFBM ´e um processo integrado de ordem 1
n˜ao-estacion ´ario. Como Xk = ∇Yk, pode-se mostrar [16, p´ag. 280] que
SX(f ) = 4 sin2(πf )SY(f ) . (5)
Como para pequenos valores def tem-se sin(πf ) ≈ f , a
DEP do fGN apresenta o seguinte comportamento pr´oximo `a origem:
SX(f ) ∝ f1−2H, f → 0 , (6)
ent˜ao o fGN satisfaz a relac¸˜ao (7) de um processo estacion´ario
de mem´oria longa quando 0 < 2H − 1 < 1, ou seja, 1/2 < H < 1. lim f →0 SX(f ) CS|f |−α = 1, (7) em que 0 < α < 1 e CS > 0.
Assim, (3) e (5) mostram que a DEP do fGN ´e caracterizada por somente dois parˆametros:σ2
XeH (respons´avel pela forma
do espectro). Al´em disso, ´e importante salientar que o fGN ´e completamente especificado pelas suas estat´ısticas at´e segunda ordem, como a m´edia e DEP, pois ´e gaussiano.
Pelo fato do fGN apresentar seq¨uˆencia de autocovariˆancia conforme (1), trata-se de um processo exatamente auto-similar
de segunda ordem quando 1/2 < H < 1. Para H = 1/2 , o fGN reduz-se a um ru´ıdo branco gaussiano. Quando0 < H < 1/2, o processo ´e SRD.
B. Discrete Wavelet Transform
A transformada wavelet discreta (DWT) ´e uma ferramenta b´asica para o estudo de s´eries temporais e tem uma func¸˜ao an´aloga `a da transformada de Fourier discreta na an´alise espectral [16]. A transformada wavelet discreta (DWT) da
s´erie temporal {Xt} ´e uma transformada ortonormal assim
como a transformada de Fourier discreta - Ortogonal Discrete
Fourier Transform (ODFT). Seja {Wn : n = 0, ..., N − 1} o conjunto de coeficientes DWT, ent˜ao, pode-se dizer que
W= WX, equac¸˜ao conhecida como equac¸˜ao de an´alise ou
de decomposic¸˜ao, em que W ´e o vetor coluna de tamanho
N = 2J do qual on-´esimo elemento ´e o n-´esimo coeficiente
DWTWn, eW ´e uma matriz de transformac¸˜ao ortogonal de
valor realN × N que define a DWT e satisfaz WTW = I
N.
A ortonormalidade implica em X =WTWe||W||2=||X||2.
O sinal no tempo contido em X pode ser completamente recuperado por esta equac¸˜ao que ´e conhecida como equac¸˜ao de s´ıntese ou de reconstruc¸˜ao.Wn2 representa a contribuic¸˜ao `a energia atribu´ıda ao coeficiente DWT de ´ındicen [16].
On-´esimo coeficiente wavelet Wn ´e associado a uma certa escala e a um certo intervalo de tempo.
A DWT pode tamb´em ser entendida como uma
decomposic¸˜ao particular da s´erie temporal {Xt} dentre
todas as poss´ıveis que s˜ao obtidas pela DWPT.
C. Discrete Wavelet Packet Transform
A DWPT pode ser considerada como uma colec¸˜ao de transformadas ortonormais, sendo que cada uma delas pode ser rapidamente calculada utilizando uma modificac¸˜ao muito simples do algoritmo da pirˆamide [20] para a DWT. Cada
DWPT ´e associada com um n´ıvel j, e o j-´esimo n´ıvel da
DWPT decomp˜oe o intervalo de freq¨uˆencia [0,1/2] em 2j
intervalos iguais e individuais. Devido `a decomposic¸˜ao do
n´ıvel J-1 dividir [0,1/2] em N/2=2J−1 intervalos iguais,
h´a uma DWPT que simula, mas n˜ao ´e a mesma, que a decomposic¸˜ao de [0,1/2] dada pela transformada discreta de
Fourier (DFT). Quandoj = 1,...,J-1, a DWPT resulta no que
se pode chamar de decomposic¸˜ao tempo-freq¨uˆencia porque cada coeficiente DWPT pode ser localizado numa banda de freq¨uˆencia espec´ıfica e num intervalo de tempo espec´ıfico ( ´E similar `a motivac¸˜ao da chamada transformada de Fourier de tempo curto, a qual essencialmente ´e calculada pela aplicac¸˜ao da DFT a sub-s´eries extra´ıdas de X.). Tamb´em pode-se criar uma grande colec¸˜ao de transformadas ortonormais atrav´es do agrupamento cuidadoso de bases vetoriais selecionadas de diferentes DWPTs. De fato, a DWT e todas DWTs parciais podem ser formadas utilizando bases vetoriais de diferentes
DWPTs. Ent˜ao, esse esquema leva a uma colec¸˜ao de trans-formadas flex´ıvel que serve como ponte entre decomposic¸˜oes tempo/escala e tempo/freq¨uˆencia [16].
W= WX representa os coeficientes wavelet obtidos pela
transformada de X utilizando a matriz DWT ortonormalN ×
N W (Assume-se que N = 2J para qualquer inteiro J.). Na
pr´atica, a matriz W ´e gerada implicitamente pelo algoritmo
da pirˆamide.
No dom´ınio da freq¨uˆencia, W1,1 est´a relacionado ao inter-valo de freq¨uˆencia [14,12]; W2,1 ao intervalo [81,
1
4]; e W2,0 ao intervalo [0,18].
A decomposic¸˜ao de X que se assemelha a an´alise de multiresoluc¸˜ao da DWT usual:
kXk2 =kW2,0k2+kW2,1k2+kW2,2k2 +kW2,3k2pode produzir uma an´alise de variˆancia (ANOVA) similar `a baseada da DWT.
A Figura 1 ´e um exemplo de wavelet packet table ou wavelet
packet tree. J´a que o ponto inicial da an´alise ´e a s´erie temporal
X, define-se que W0,0 ≡ X. Assim, X est´a associado com
uma doublet (j,n), no caso (0,0).
W0,0= X j=0 W1,0 j=1 W1,1 W2,0 j=2 W2,1 W2,2 W2,3 W3,0 j=3 W3,1 W3,2 W3,3 W3,4 W3,5 W3,6 W3,7 0 1 16 1 8 1 4 3 16 5 16 3 8 7 16 1 2 G( )k N 2 H( )k N 2 G( )k N1 2 H( )k N1 2 H( )k N1 2 G( )k N1 2 G( )k N 2 2 G( )k N 2 2 H( )k N 2 2 H( )k N 2 2 G( )k N 2 2 G( )k N 2 2 H( )k N 2 2 H( )k N 2 2 f
Figura 1:Diagrama de fluxo ilustrando a an´alise de X em W3,0,. . ., W3,7.
Nj ≡ N/2j. Fonte: [16] p´agina 212.
A colec¸˜ao de doublets (j,n) formando os ´ındices dos n´os da tabela ser˜ao denotados porN ≡ {(j, n) : j = 0, . . . , J0; n = 0, . . . , 2j − 1}, sendo poss´ıvel escolher qualquer J
0 que
satisfac¸a J0 ≤ J (como tamb´em ´e verdadeiro para DWTs
parciais, se J0 < J pode-se relaxar a estipulac¸˜ao N = 2J e permitir que N seja qualquer inteiro m´ultiplo de 2J0). As
doublets(j,n) que formam os ´ındices dos coeficientes Wavelet Packet (WP) correspondentes a uma transformada ortonormal
ser˜ao denotadas por C; por exemplo, C = {(3,n):n=0,. . .,7}
para a transformada DWPT de n´ıvel j = 3 levando a W3,0,
. . ., W3,7. Claramente,C ⊂ N . ´
E interessante notar que al´em das DWPTs, ´e poss´ıvel extrair outras transformadas ortonormais da tabela WP. Por exemplo, todas DWTs parciais podem ser retiradas dessa tabela. Isso ´e
ilustrado pela Figura 2 na qual a DWT parcial de n´ıvel J0
= 3 consiste de quatro n´os da tabela WP e s˜ao eles: C =
{(3, 0), (3, 1), (2, 1), (1, 1)}. W0,0= X j=0 W1,0 j=1 W1,1 W2,0 j=2 W2,1 W3,0 j=3 W3,1 0 1 16 1 8 G( )k N 2 H( )k N 2 G( )k N1 2 H( )k N1 2 G( )k N 2 2 H( )k N 2 2 1 4 f
Figura 2: Diagrama de fluxo ilustrando a an´alise de X em W3,0, W3,1,
W2,1, W1,1 o qual ´e idˆentico `a DWT parcial de n´ıvelJ0 = 3. Fonte: [16]
p´agina 212.
IV. MAPA DE VARIANCIASˆ WAVELETPACKET
A. Variˆancia Wavelet Packet
A variˆancia Wavelet (tamb´em chamada de espectro
Wa-velet) ´e uma quantidade te´orica definida para explorar mais profundamente a an´alise de variˆancia baseada em wavelet. A variˆancia wavelet ´e interessante pelos seguintes pontos de vista [16]:
• A variˆancia wavelet decomp˜oe (analisa) a variˆancia de um determinado processo estoc´astico numa base de escala. • A variˆancia wavelet est´a relacionada com os conceitos de
densidade espectral de potˆencia (DEP).
• A variˆancia wavelet ´e um bom substituto para a variˆancia de um processo para alguns processos com variˆancia infinita.
O segundo ponto de vista ´e o de interesse para este artigo e que ser´a desenvolvido para a wavelet packet.
Assim como os coeficientes wavelet da DWT numa
determinada escala τj s˜ao nominalmente associados com
frequˆencias no intervalo [1/2j+1,1/2j], os coeficientes da
DWPT num determinado n´ıvelj s˜ao nominalmente associados
com freq¨uˆencias no intervalo [n/2j+1,(n + 1)/2j+1]. υ2
Y(τj) ´e a variˆancia dos coeficientes wavelet da DWT na escalaτj:
υ2Y(τj) ≈ 2 Z 1/2j
1/2j+1
SY(f )df (8)
O fator 2 que multiplica a integral acima ´e devido `a DEP SY(.) ser uma func¸˜ao par de f no intervalo [-1/2,1/2].
Similarmente,υ2
Y(j, n) ´e a variˆancia do n-´esimo coeficiente
DWPT no n´ıvelj (doublet (j,n)):
υ2Y(j, n) ≈ 2j
Z n+1/2j+1
n/2j+1
SY(f )df (9)
B. Mapa de variˆancias Wavelet Packet para o fGN
Como o objetivo deste trabalho ´e gerar s´eries temporais baseadas no modelo fGN, ´e necess´ario calcular o mapa de variˆancias para os coeficientes DWPT que ser´a utilizado na s´ıntese de s´eries fGN via DWT e DWPT.
Admitindo-se que a DEP de um fGN possa ser aproximada por:
SY(f ) = f−α, (10)
substituindo (10) em (9), obt´em-se a express˜ao para variˆancia dos coeficientes DWPT para um processo fGN:
υY2 ≈ 2j Z n+1/2j+1 n/2j+1 f−α df υ2Y(j, n) ≈ 2j 1 − α 1 2j+1 1−α h (n + 1)1−α− n1−αi (11)
Como a DWT pode ser extra´ıda da tabela WP, o mapa de variˆancias da DWT tamb´em pode ser extra´ıdo do mapa de variˆancias da DWPT. Os coeficientes wavelet das escalas j da DWT s˜ao os coeficientes n=1 dos n´ıveis j da DWPT.
Ent˜ao, substituindo n=1 em (11), obt´em-se a express˜ao para
a variˆancia do coeficiente wavelet de cada escala j: υ2Y(τj) = υY2(j, 1) υ2Y(τj) ≈ 1 1 − α 1 2−αj 1 − 1 21−α (12) sendo 1−α1 1 − 1 21−α
= C, em que C ´e uma constante e υ2
Y(τj) ≈ C × 2αj.
Por (12), observa-se que a variˆancia dos coeficientes wavelet de um processo fGN ´e exponencialmente relacionada `a escala j como foi utilizado em [7] que se baseou nos trabalhos de Kaplan e Kuo [12] e de Flandrin [21] [22] que obtiveram o mesmo resultado.
A Tabela I ´e um exemplo de um mapa de variˆancias DWPT para s´ıntese de um fGN com 3 n´ıveis (J=3) e parˆametro α=0,9 normalizado pelo coeficiente wavelet da DWT no ´ultimo n´ıvel a fim de que esse coeficiente tenha variˆancia 1 na escala menos refinada J=3.
De acordo com [7], uma s´erie temporal com comportamento SRD e LRD, simultaneamente, pode ser obtida por meio da filtragem adequada de uma s´erie temporal que apresente apenas comportamento LRD. Dessa forma, a DEP da s´erie temporal com comportamento SRD e LRD pode ser escrita na forma
SY(f ) = GSRD(f ) × SYLRD(f ) (13)
em que GSRD(f ) representa o comportamento SRD e ser´a
chamado de ganho SRD, e SYLRD(f ) ´e a DEP de uma s´erie
temporal com comportamento LRD puro. Dessa forma, a variˆancia wavelet ´e dada por
υY2(τj) ≈ 2 Z 1/2j 1/2j+1 SY(f )df ≈ 2 Z 1/2j 1/2j+1 GSRD(f ) × SYLRD(f )df (14)
Se, a t´ıtulo de exemplo, for considerado que o ganho SRD independe da freq¨uˆencia, ent˜ao
υ2Y(τj) ≈ 2 Z 1/2j 1/2j+1 SY(f )df ≈ 2 Z 1/2j 1/2j+1 GSRD× SYLRD(f )df ≈ GSRD× 2 Z 1/2j 1/2j+1 SYLRD(f )df (15)
A equac¸˜ao (15) mostra que o mapa de variˆancias de uma s´erie temporal com SRD e LRD pode ser obtido do mapa de variˆancias de uma s´erie com comportamento LRD puro, multiplicando a variˆancia dos coeficientes wavelet na escala menos refinada pelo ganho SRD. Neste trabalho, a equac¸˜ao (15) ´e a base para a gerac¸˜ao de s´eries temporais Gaussianas com LRD e SRD. No caso mais geral, utiliza-se a equac¸˜ao (14) que deve ser integrada numericamente.
V. GERAC¸ ˜AO DES ´ERIESTEMPORAISGAUSSIANAS COM
LRDESRD
Neste trabalho foram geradas s´eries temporais Gaussianas que apresentam simultaneamente LRD e SRD em diferentes faixas de freq¨uˆencia atrav´es do desenvolvimento de dois m´etodos que se baseiam no mapa de variˆancias, o m´etodo DWT com mapa de variˆancias e o m´etodo DWPT. Diferente-mente do apresentado em [6], em foi desenvolvido um gerador que necessitava de dois est´agios para gerar tais s´eries, neste trabalho a introduc¸˜ao dos comportamentos SRD e LRD ´e feita simultaneamente.
A. Gerac¸˜ao de S´eries Temporais Gaussianas com LRD pelo m´etodo DWT com mapa de variˆancias
Para que seja poss´ıvel a introduc¸˜ao de SRD em s´eries temporais geradas via DWT, o c´odigo desenvolvido em [7] foi alterado para utilizar a variˆancia do coeficiente wavelet de um mapa de variˆancias previamente calculado. Nesse mapa, s˜ao calculadas as variˆancias dos coeficientes do n´ıvel menos refinado (j = J + 1) de uma wavelet packet table (ver Sec¸˜ao III-C) e normalizadas pela variˆancia do coeficiente wavelet da DWT (coeficiente WJ+1,2). As variˆancias dos coeficientes dos demais n´ıveis (j) s˜ao calculadas a partir das variˆancias dos coeficientes do n´ıvel (j + 1). Ap´os o c´alculo do mapa de variˆancias completo, ´e introduzida a SRD nas variˆancias dos coeficientes do n´ıvel menos refinado do mapa referentes ao intervalo de freq¨uˆencia requerido gerando um mapa de variˆancias com SRD.
Esse c´odigo gera ao mesmo tempo s´eries temporais gaussi-anas com LRD e densidade espectral de potˆencia (DEP) 1/f e tais s´eries com a introduc¸˜ao de SRD no intervalo de freq¨uˆencia solicitado.
B. Gerac¸˜ao de S´eries Temporais Gaussianas com LRD pelo m´etodo DWPT
Para a gerac¸˜ao de s´eries pelo m´etodo DWPT ´e necess´ario calcular o mapa de variˆancias conforme j´a foi descrito na Sec¸˜ao V-A para obter:
TABELA I:Mapa de variˆancias DWPT para s´ıntese de um fGN com 3 n´ıveis (J=3) e parˆametro α=0,9, normalizado pelo coeficiente W3,1 N´ıvel Coeficientes DWPT 0 W0,0 2,14 1 W1,0 W1,1 4,00 0,29 2 W2,0 W2,1 W2,2 W2,3 7,47 0,54 0,33 0,24 3 W3,0 W3,1 W3,2 W3,3 W3,4 W3,5 W3,6 W3,7 13,93 1,00 0,62 0,45 0,36 0,30 0,26 0,23
• o coeficiente de inicializac¸˜ao n e seu par n + 1 ou n − 1 do n´ıvel menos refinado atrav´es da multiplicac¸˜ao do desvio padr˜ao (raiz da variˆancia retirada do mapa) por um vetor de n´umeros aleat´orios de dimens˜ao igual ao n´umero de pontos que os coeficientes do n´ıvel menos refinado dever˜ao ter para iniciar a reconstruc¸˜ao;
• o coeficiente do n´ıvelj que n˜ao foi reconstru´ıdo a partir dos coeficientes do n´ıvel j + 1 mas que ser´a necess´ario para a reconstruc¸˜ao do coeficiente do n´ıvelj − 1. O mapa de variˆancias com a introduc¸˜ao de SRD tamb´em ser´a calculado conforme descrito na Sec¸˜ao V-A a fim de gerar a mesma s´erie temporal com a introduc¸˜ao do SRD no intervalo de freq¨uˆencias solicitado. A ´unica diferenc¸a ´e a escolha do conjunto de coeficientes DWPT que ser˜ao utilizados na construc¸˜ao da s´erie temporal desejada.
VI. RESULTADOS
Para validar que os m´etodos DWT com mapa de variˆancias e DWPT geram s´eries temporais gaussianas com LRD, s´eries geradas por este m´etodos ser˜ao comparadas com s´eries geradas pelo m´etodo DWT de B¨ackar implementado no trabalho [7].
´
E importante ressaltar que este trabalho n˜ao ´e um trabalho de modelagem de tr´afego e, portanto, n˜ao h´a a preocupac¸˜ao de comparar as caracter´ısticas obtidas com as observadas em traces de tr´afego real. O objetivo deste trabalho ´e o de reproduzir as caracter´ısticas j´a reportadas na literatura, descritas nas Sec¸˜oes I e II, e detalhadas em [7].
Para todas as simulac¸˜oes foram geradas s´eries temporais com os mesmos parˆametros: 4096 pontos, func¸˜ao wavelet de
Haar eα = 0,9 (H = 0,95).
Como o trabalho de Mello [7] j´a demonstrou que o m´etodo de gerac¸˜ao de s´eries temporais via transformada wavelet realmente gera s´eries gaussianas com LRD, a validac¸˜ao deste trabalho ficou limitada `a an´alise do periodograma, da func¸˜ao de autocorrelac¸˜ao e estimativa do parˆametro de Hurst pelos m´etodos de Whittle e do periodograma [23] [7].
O estimador da func¸˜ao de autocorrelac¸˜ao ´e dado por:
ˆ ρX(τ ) = 1 M s2 X M X k=m+1 (Xk− ˆµ)(Xk−m− ˆµ) , (16)
em queM ´e o n´umero de amostras, s2
X ´e a variˆancia amostral eµ ´e o estimador da m´edia µ de X. Note-se que −1 ≤ ρ ≤ 1.ˆ
O estimador ˆPX(f ) da DEP ´e obtido pelo m´etodo
n˜ao-param´etrico (Os m´etodos n˜ao-param´etricos de an´alise espectral
s˜ao baseados em modelos AR, MA e ARMA. Portanto n˜ao
devem ser aplicados para estimac¸˜ao da DEP de um ru´ıdo 1/f .) do periodograma [24], com janelamento de dados (data
tapering, para reduc¸˜ao de vazamento de potˆencia) e suavizac¸˜ao
(smoothing, para reduc¸˜ao da variabilidade de ˆPX(f )). O
periodograma ´e calculado via (A definic¸˜ao foi dada sem incluir o janelamento e a suavizac¸˜ao, para melhor compreens˜ao da natureza essencial do estimador.):
ˆ PX(f ) = 1 M|X(f )| 2. (17) O m´etodo de estimac¸˜ao do parˆametro H de Whittle [25] ´e baseado numa estimac¸˜ao de m´axima verossimilhanc¸a no dom´ınio da freq¨uˆencia do modelo FD(d). Esse m´etodo usa o periodograma. O m´etodo de estimac¸˜ao de H pelo
pe-riodograma baseia-se no fato de que PX(f ) ∝ f2H−1 para
freq¨uˆencias pr´oximas de zero.
Tamb´em foi feita uma comparac¸˜ao entre as s´eries geradas pelos m´etodos DWT com mapa de variˆancias e DWPT antes e depois da inserc¸˜ao do ganho SRD utilizando a an´alise dos periodogramas.
A. Comparac¸˜ao entre as s´eries geradas sem SRD pelos m´etodos DWT de B¨ackar, DWT com mapa de variˆancias e DWPT
As Figuras 3 e 4 mostram gr´aficos do periodograma sua-vizado e das func¸˜oes de autocorrelac¸˜ao para s´eries simuladas pelo m´etodo DWT de B¨ackar.
0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 Frequencia -30 -25 -20 -15 -10 Espectro fGn.DWT.Haar.H=0,95 Periodograma Suavizado
Figura 3: Periodograma suavizado de uma s´erie temporal obtida atrav´es do m´etodo DWT de B¨ackar.
0 20 40 60 80 100 Atraso 0.0 0.2 0.4 0.6 0.8 1.0 ACF fGn.DWT.Haar.H=0,95
Figura 4:Func¸˜ao de autocorrelac¸ ˜ao de uma s´erie temporal obtida atrav´es do m´etodo DWT de B¨ackar.
As Figuras 5, e 6 mostram gr´aficos do periodograma sua-vizado e das func¸˜oes de autocorrelac¸˜ao para s´eries simuladas pelo m´etodo DWT com mapa de variˆancias.
0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 Frequencia -30 -25 -20 -15 -10 Espectro
fGn.DWT com mapa de variancias.Haar.H=0,95 Periodograma Suavizado
Figura 5: Periodograma suavizado de uma s´erie temporal obtida atrav´es do m´etodo DWT com mapa de variˆancias.
As Figuras 7 e 8 mostram gr´aficos do periodograma sua-vizado e das func¸˜oes de autocorrelac¸˜ao para s´eries simuladas pelo m´etodo DWPT.
Os periodogramas mostram que as DEPs das s´eries simu-ladas com H=0,95 de todos os m´etodos tˆem p´olos na origem, ou seja, que as s´eries s˜ao 1/f . Pelas func¸˜oes de autocorrelac¸˜ao tamb´em pode-se observar que as s´eries s˜ao 1/f .
Verifica-se que as s´eries geradas pelo m´etodo DWT com mapa de variˆancias s˜ao similares `as geradas pelo m´etodo DWT de B¨ackar. Tamb´em verificou-se que as s´eries geradas pelo m´etodo DWPT s˜ao similares `as geradas pelos m´etodos DWT de B¨ackar e DWT com mapa de variˆancias.
Al´em da an´alise do periodograma e da func¸˜ao de autocorrelac¸˜ao, tamb´em foram feitas an´alises estat´ısticas dos trˆes m´etodos utilizando a estimativa de H pelos m´etodos de Whittle e do periodograma. Foram geradas dez s´eries com os
mesmos parˆametros - 4096 pontos, func¸˜ao de Haar eα = 0,9
(H = 0,95) para cada m´etodo e foi calculada a estimativa de
0 20 40 60 80 100 Atraso 0.0 0.2 0.4 0.6 0.8 1.0 ACF
fGn.DWT com mapa de variancias.Haar.H=0,95
Figura 6:Func¸˜ao de autocorrelac¸ ˜ao de uma s´erie temporal obtida atrav´es do m´etodo DWT com mapa de variˆancias.
0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 Frequencia -30 -25 -20 -15 Espectro fGn.DWPT.Haar.H=0,95 Periodograma Suavizado
Figura 7: Periodograma suavizado de uma s´erie temporal obtida atrav´es do m´etodo DWPT.
H pelos m´etodos de Whittle e do periodograma. A Tabela II mostra as m´edias dessas estimativas para essas 10 gerac¸˜oes (Observou-se que para os trˆes m´etodos o desvio padr˜ao ´e inferior a 1% e as distribuic¸˜oes n˜ao apresentaram outliers.). De acordo com Paxson [10], o m´etodo de Whittle ´e um bom m´etodo de estimac¸˜ao do parˆametro de Hurst H para s´eries que apresentam LRD. Comparando-se os valores do parˆametro de Hurst estimados pelo m´etodo de Whittle nos trˆes m´etodos de gerac¸˜ao de s´eries, conclui-se que o m´etodo DWPT ´e o que se aproxima mais do parˆametro de Hurst real que foi inserido como parˆametro para gerac¸˜ao das s´eries (α = 0,9 (H = 0,95)). Pode-se verificar que a estimativa no m´etodo DWT com mapa de variˆancias ´e muito pr´oxima da estimativa no m´etodo de B¨ackar pois s˜ao a mesma transformada.
TABELA II: Estimativas do parˆametro de Hurst pelos m´etodos de Whittle e do periodograma das s´eries geradas pelos m´etodos DWT de B¨ackar, DWT com mapa de variˆancias e DWPT
M´etodo H Whittle H periodograma DWT de B¨ackar 0.92990 0.93370 DWT com mapa de variˆancias 0.93626 0.90977
0 20 40 60 80 100 Atraso 0.0 0.2 0.4 0.6 0.8 1.0 ACF fGn.DWPT.Haar.H=0,95
Figura 8:Func¸˜ao de autocorrelac¸ ˜ao de uma s´erie temporal obtida atrav´es do m´etodo DWPT.
B. Comparac¸˜ao entre as s´eries geradas sem e com SRD pelos m´etodos DWT com mapa de variˆancias e DWPT
Foram geradas s´eries gaussianas com LRD com os
parˆametros α = 0, 9 (H = 0, 95), N = 4096, pelo m´etodo
da DWT com mapa de variˆancias e pelo m´etodo DWPT com coeficiente de inicializac¸˜ao W12,2048. Simultaneamente foram introduzidas nessas s´eries, SRD com ganho constante igual a 10 e SRD com ganho vari´avel igual a 10-1-10 em trˆes faixas de freq¨uˆencia diferentes conforme as func¸˜oes ganho SRD da Figura 9. No total foram 18 s´eries geradas, 6 s´eries com LRD e 6 s´eries mistas com LRD e introduc¸˜ao de ganho SRD constante e 6 s´eries mistas com LRD e introduc¸˜ao de ganho SRD vari´avel (9 realizac¸˜oes pelo m´etodo DWT com mapa de variˆancias e 9 realizac¸˜oes pelo m´etodo DWPT).
Figura 9: Ganho SRD constante = 10 e vari´avel = 10-1-10
As Figuras 10 e 11 apresentam o periodograma suavizado de uma s´erie temporal obtida atrav´es do m´etodo DWT com mapa de variˆancias com a introduc¸˜ao de um ganho SRD na faixa de frequˆencia 0,15-0,25, constante=10 (Fig. 10) e vari´avel=10-1-10 (Fig. 11). Para ambos os casos constata-se que a s´erie gerada apresenta um p´olo na origem, evidenciando o compor-tamento LRD e que o periodograma desvia-se do decaimento exponencial, indicando a presenc¸a de comportamento SRD. Entretanto, o comportamento do ganho SRD vari´avel n˜ao foi capturado pelo m´etodo. As duas figuras s˜ao praticamente idˆenticas. Isso se deve ao fato de o m´etodo de gerac¸˜ao via DWT n˜ao especificar a forma da DEP em frequˆencias m´edias
e altas. O comportamento SRD ´e introduzido na escala menos refinada de frequˆencias e `a medida que se progride em escala, o efeito ´e dilu´ıdo em uma maior faixa de frequˆencia. A insensibilidade do m´etodo DWT com mapa de variˆancias `as variac¸˜oes do ganho SRD fica mais pronunciado `a medida que este ´e introduzido em faixas de frequˆencias mais elevadas. Por raz˜oes de espac¸o, os periodogramas correspondentes n˜ao s˜ao apresentados mas podem ser encontrados em [26].
0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 Frequencia -30 -25 -20 -15 -10 Espectro
fGn.DWT com mapa de variancias.Haar.H=0,95.0,15<f<0,25 Periodograma Suavizado
Ganho Constante = 10
Figura 10:Periodograma suavizado de uma s´erie temporal obtida atrav´es do m´etodo DWT com mapa de variˆancias com a introduc¸˜ao de um ganho SRD constante=10 na faixa de frequˆencia 0,15-0,25
0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 Frequencia -30 -25 -20 -15 -10 Espectro
fGn.DWT com mapa de variancias.Haar.H=0,95.0,15<f<0,25 Periodograma Suavizado
Ganho Variavel = 10-1-10
Figura 11:Periodograma suavizado de uma s´erie temporal obtida atrav´es do m´etodo DWT com mapa de variˆancias com a introduc¸˜ao de um ganho SRD vari´avel=10-1-10 na faixa de frequˆencia 0,15-0,25.
As Figuras 12 e 13 apresentam o periodograma suavizado de uma s´erie temporal obtida atrav´es do m´etodo DWPT, coeficiente de inicializac¸˜ao=W12,2048, com a introduc¸˜ao de um ganho SRD na faixa de frequˆencia 0,15-0,25, constante=10 (Fig. 12) e vari´avel=10-1-10 (Fig. 13). Ambas as figuras apresentam um p´olo na origem, evidenciando a presenc¸a de comportamento LRD. Al´em disso, o efeito da introduc¸˜ao de SRD nas s´eries geradas pelo m´etodo DWPT ´e observado de forma clara na faixa de frequˆencia (0,15-0,25): as duas figuras s˜ao distintas e indicam a captura do comportamento do ganho SRD pelo m´etodo.
As Figuras 14 e 15 apresentam o periodograma suavizado de uma s´erie temporal obtida atrav´es do m´etodo DWPT, coeficiente de inicializac¸˜ao=W12,2048, com a introduc¸˜ao de
0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 Frequencia -30 -25 -20 -15 -10 Espectro fGn.DWPT.Haar.H=0,95.inicializacao em W12,2048.0,15<f<0,25 Periodograma Suavizado Ganho Constante = 10
Figura 12:Periodograma suavizado de uma s´erie temporal obtida atrav´es do m´etodo DWPT, coeficiente de inicializac¸ ˜ao=W12,2048, com a introduc¸˜ao de
um ganho SRD constante=10 na faixa de frequˆencia 0,15-0,25
Ganho Variavel = 10-1-10 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 Frequencia -30 -25 -20 -15 -10 Espectro fGn.DWPT.Haar.H=0,95.inicializacao em W12,2048.0,15<f<0,25 Periodograma Suavizado
Figura 13:Periodograma suavizado de uma s´erie temporal obtida atrav´es do m´etodo DWPT, coeficiente de inicializac¸ ˜ao=W12,2048, com a introduc¸˜ao de
um ganho SRD vari´avel=10-1-10 na faixa de frequˆencia 0,15-0,25.
um ganho SRD nas faixas de frequˆencia 0,25-0,35 e 0,35-0,45, respectivamente, e vari´avel=10-1-1. Ambas as figuras apresentam um p´olo na origem, evidenciando a presenc¸a de comportamento LRD. Al´em disso, o efeito da introduc¸˜ao de SRD nas s´eries geradas pelo m´etodo DWPT ´e observado de forma clara em ambas faixas de frequˆencia: as duas figuras indicam a captura do comportamento do ganho SRD pelo m´etodo.
O efeito da introduc¸˜ao de SRD nas s´eries geradas pelo m´etodo DWPT ´e observado de forma clara nas trˆes faixas de freq¨uˆencias, da mais baixa (0,15-0,25) `a mais alta (0,35-0,45). Isso se deve ao m´etodo de gerac¸˜ao via DWPT ser flex´ıvel em relac¸˜ao `as freq¨uˆencias e assim especificar a forma da DEP em freq¨uˆencias m´edias e altas. Portanto, este m´etodo ´e bom para efeitos em m´edias e altas freq¨uˆencias e apresenta uma maior flexibilidade em relac¸˜ao ao m´etodo da DWT com mapa de variˆancias. Observa-se que a diferenc¸a entre o ganho constante e o ganho vari´avel ´e percebida neste m´etodo.
VII. CONCLUSOES E TRABALHOS FUTUROS˜
Este trabalho desenvolveu o conceito de mapa de variˆancias
wavelet packet a partir do conceito de variˆancia wavelet e apresentou dois m´etodos criados para Gerac¸˜ao de S´eries
0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 Frequencia -30 -25 -20 -15 -10 Espectro fGn.DWPT.Haar.H=0,95.inicializacao em W12,2048.0,25<f<0,35 Periodograma Suavizado Ganho Variavel = 10-1-10
Figura 14:Periodograma suavizado de uma s´erie temporal obtida atrav´es do m´etodo DWPT, coeficiente de inicializac¸ ˜ao=W12,2048, com a introduc¸˜ao de
um ganho SRD vari´avel=10-1-10 na faixa de freq¨uˆencia 0,25-0,35.
0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 Frequencia -30 -25 -20 -15 -10 Espectro fGn.DWPT.Haar.H=0,95.inicializacao em W12,2048.0,35<f<0,45 Periodograma Suavizado Ganho Variavel = 10-1-10
Figura 15:Periodograma suavizado de uma s´erie temporal obtida atrav´es do m´etodo DWPT, coeficiente de inicializac¸ ˜ao=W12,2048, com a introduc¸˜ao de
um ganho SRD vari´avel=10-1-10 na faixa de freq¨uˆencia 0,35-0,45.
Temporais Auto-Similares Gaussianas LRD com introduc¸˜ao do comportamento SRD em diferentes faixas de freq¨uˆencia. O primeiro m´etodo foi o DWT e o segundo o DWPT, ambos com mapa de variˆancias.
A fim de validar tais m´etodos, foram geradas s´eries por estes m´etodos e comparadas com s´eries geradas pelo m´etodo DWT de B¨ackar utilizado em [6]. Tal validac¸˜ao foi feita atrav´es da an´alise do periodograma, da func¸˜ao de auto-correlac¸˜ao e estimativa do parˆametro de Hurst pelos m´etodos de Whittle e do periodograma. A partir dos gr´aficos do periodograma suavizado e das func¸˜oes de autocorrelac¸˜ao para s´eries simu-ladas pelos trˆes m´etodos verificou-se que as DEPs das s´eries
simuladas comH=0,95 tˆem p´olos na origem, ou seja, que as
s´eries s˜ao 1/f . Concluiu-se que as s´eries geradas pelos trˆes m´etodos s˜ao similares.
Em relac¸˜ao `as contribuic¸˜oes deste trabalho, constata-se que o m´etodo DWT com mapa de variˆancias ´e mais flex´ıvel que o DWT de B¨ackar pois o mapa de variˆancias pode ser alterado para gerar s´eries com diferentes espectros al´em de possibilitar a introduc¸˜ao de SRD em diferentes faixas de freq¨uˆencia. Al´em disso, os comportamentos LRD e SRD s˜ao introduzidos simul-taneamente, eliminando uma etapa do processo dos m´etodos descritos em [6]. No entanto, ´e importante destacar que pelo fato da DWT n˜ao especificar a forma da DEP, este m´etodo
n˜ao captura variac¸˜oes do ganho SRD.
O m´etodo DWPT se apresentou ainda mais flex´ıvel que o DWT com mapa de variˆancias em relac¸˜ao `a introduc¸˜ao de SRD em diferentes faixas de freq¨uˆencia como pode-se observar ao introduzir um ganho SRD constante e vari´avel nas s´eries temporais com LRD em trˆes faixas de freq¨uˆencia diferentes.
Os resultados deste trabalho podem ser utilizados em am-bientes de simulac¸˜ao de redes que necessitem a gerac¸˜ao de tr´afego com caracter´ısticas realistas e que possam ser facilmente modificadas para ensaiar diferentes condic¸˜oes da rede. Adicionalmente, os resultados s˜ao importantes para a implantac¸˜ao de testbeds utilizados na validac¸˜ao de projetos de rede, verificac¸˜ao de desempenho ou diagn´ostico de problemas. Este trabalho ser´a ampliado com a utilizac¸˜ao de curvas de ganho SRD mais realistas. Tamb´em dever´a ser ampliado para a gerac¸˜ao de s´eries MWM (Multifractal Wavelet Model), impor-tante em ambiente de redes locais, e s´eries com distribuic¸˜oes n˜ao gaussianas, por exemplo distribuic¸˜oes α-est´aveis.
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[26] I. R. Lund, “Contribuic¸ ˜oes `a gerac¸˜ao de tr´afego fractal por meio da transformada wavelet,” Master’s thesis, Escola Polit´ecnica, USP, 2008.
Isabelle Reis Lund recebeu o t´ıtulo de engenheira eletricista pela Pontif´ıcia Universidade Cat´olica do Rio de Janeiro e de mestre em Engenharia El´etrica pela Escola Polit´ecnica da Universidade de S˜ao Paulo (EPUSP), Brasil, em 2008. Seus interesses s˜ao na ´area de redes cabeadas e sem-fio, qualidade de servic¸o (QoS), gerac¸˜ao e estimac¸˜ao de tr´afego.
Jos´e Roberto de A. Amazonas recebeu o t´ıtulo de engenheiro eletricista pela Escola Polit´ecnica da Universidade de S˜ao Paulo (EPUSP), Brasil, em 1979, al´em dos t´ıtulos de mestre, doutor e livre-docente pela EPUSP, em 1983, 1988 e 1996, res-pectivamente.
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E professor associado do Departamento de Enge-nharia de Telecomunicac¸ ˜oes e Controle da EPUSP, onde ´e respons´avel por pesquisa e ensino de comunicac¸ ˜oes ´opticas e redes de comunicac¸˜ao de alta velocidade. Esteve em diversos cargos em uni-versidades no Brasil e na Europa, e tamb´em liderou pesquisas em parceria com v´arias companhias brasileiras, europ´eias e norte-americanas.
Seus interesses s˜ao na ´area de comunicac¸ ˜oes ´opticas, redes cabeadas e sem-fio, qualidade de servic¸o (QoS) e ensino a distˆancia (EaD).