COMISSÃO EUROPEIA
Bruxelas, 3.5.2013 C(2013) 2458 final
REGULAMENTO DELEGADO (UE) N.º …/.. DA COMISSÃO de 3.5.2013
que complementa a Diretiva 2010/30/UE do Parlamento Europeu e do Conselho no respeitante à rotulagem energética dos aspiradores
EXPOSIÇÃO DE MOTIVOS 1. CONTEXTO DO ATO DELEGADO
Justificação e objetivos da proposta
O impacto ambiental dos aspiradores na UE é significativo, nomeadamente o seu consumo de eletricidade na fase de utilização, que foi estimado em 18 TWh por ano em 2005, o que corresponde a 6,6 Mt de equivalente CO2. Se incluirmos a produção do aparelho e os
consumíveis, o impacto total das emissões de gases com efeito de estufa é de 9-10 milhões de toneladas (Mt) de equivalente CO2.
Para que os consumidores possam comprar aspiradores mais eficientes em termos energéticos, deve ser instaurado um sistema de rotulagem que deve fornecer informações normalizadas sobre o consumo de energia e a eficácia de limpeza, bem como sobre a retenção de pó e a potência de ruído.
O presente regulamento delegado complementa o projeto de regulamento da Comissão que dá execução à Diretiva 2009/125/CE1 do Parlamento Europeu e do Conselho no que respeita aos requisitos de conceção ecológica para os aspiradores.
Contexto geral
A razão principal para as vendas persistentes de aspiradores de alta potência e baixa eficiência está na perceção que os utilizadores finais têm de que um consumo de energia mais elevado está associado a uma melhor eficácia de limpeza. Essa perceção leva-os a escolher aspiradores com elevado consumo energético e, portanto, baixa eficiência.
Em consequência disso, o consumo de energia dos aspiradores tem aumentado constantemente nas últimas décadas. Em média, segundo as estimativas, o consumo de energia em 2005 rondou os 1500 W e, nalguns países como a Alemanha, pensa-se que tenha rondado os 2300-2400 W. Ao ritmo atual, a média da UE em 2020 estará muito próxima da atual média alemã.
Sem que muitas pessoas se apercebam, o consumo médio de eletricidade dos aspiradores domésticos aumentou de cerca de 60 kWh/ano, em 1990, para um valor que se prevê atinja os 120 kWh/ano em 2020. A estes valores, os custos de energia e o impacto dos aspiradores são comparáveis aos das máquinas de lavar roupa e máquinas de lavar louça. Os aspiradores não domésticos (profissionais) consomem muito menos energia (30% menos energia com melhor desempenho) e o seu consumo de energia tem aumentado muito menos.
A principal deficiência do mercado é a ligação que os consumidores domésticos pensam existir entre potência elétrica nominal e eficácia de limpeza, que os impede de adquirirem aparelhos mais eficientes do ponto de vista energético.
As partes interessadas, incluindo as organizações industriais e de consumidores, são unânimes em pedir a introdução combinada de requisitos de conceção ecológica e de um sistema de rotulagem para os aspiradores.
De acordo com a avaliação de impacto, o parque total de aspiradores, de 288 milhões de unidades, foi responsável por um consumo anual de eletricidade de 18 TWh em 2005, na UE-27. Na ausência de novas ações, esse consumo aumentaria para 34 TWh em 2020. O aumento é principalmente devido ao aumento contínuo da população, da dimensão das habitações e (sobretudo) do consumo de energia. O objetivo da proposta é inverter o aumento previsto do consumo de energia destes aparelhos. Estima-se que o efeito combinado dos novos requisitos
de conceção ecológica estabelecidos no projeto de regulamento da Comissão que dá execução à Diretiva 2009/125/CE e do sistema de rotulagem estabelecido no presente projeto de regulamento delegado permita uma redução de 19 TWh em 2020.
Disposições em vigor no domínio da proposta
O projeto de regulamento da Comissão que dá execução à Diretiva 2009/125/CE incide no desempenho ambiental dos aspiradores, mas não existem quaisquer outras medidas obrigatórias ou iniciativas voluntárias para estes aparelhos.
Eis a principal legislação genérica com pertinência para os aspiradores:
– Diretiva 2002/96/CE2 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 27 de Janeiro de 2003, relativa aos resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos (REEE):
– Diretiva 2011/65/UE3 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 8 de junho de 2011, relativa à restrição do uso de determinadas substâncias perigosas em equipamentos elétricos e eletrónicos;
– Diretiva 2006/95/CE4 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 12 de dezembro de 2006, relativa à harmonização das legislações dos Estados-Membros no domínio do material elétrico destinado a ser utilizado dentro de certos limites de tensão (versão codificada) (Texto relevante para efeitos do EEE);
– Diretiva 2006/42/CE5 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 17 de maio de 2006,
relativa às máquinas, e que altera a Diretiva 95/16/CE (reformulação) (Texto relevante para efeitos do EEE);
– Diretiva 2004/108/CE6 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 15 de dezembro de 2004, relativa à aproximação das legislações dos Estados-Membros respeitantes à compatibilidade eletromagnética, e que revoga a Diretiva 89/336/CEE (Texto relevante para efeitos do EEE).
Coerência com outras políticas e com os objetivos da União
Uma maior adesão do mercado aos aspiradores eficientes em termos energéticos, através da introdução de classes de eficácia de limpeza e de consumo de energia, bem como de requisitos de conceção ecológica, contribuirá para atingir o potencial de economia de energia de 20% previsto para 2020.
Além disso, a aplicação da Diretiva 2010/30/CE7 contribui para o objetivo da UE de conseguir uma redução dos gases com efeito de estufa de, pelo menos, 20% em 2020.
A promoção da adesão do mercado aos aspiradores eficientes é conforme com a estratégia «Europa 2020» e o seu objetivo para 2020 de reduzir em 20% o consumo de energia, uma vez que ela visa apoiar a utilização mais eficiente e sustentável dos recursos, proteger o ambiente, reforçar a posição de liderança da UE no desenvolvimento de novas tecnologias ecológicas, melhorar o ambiente empresarial e ajudar os consumidores a fazerem escolhas mais informadas.
O Plano de Relançamento da Economia Europeia (COM(2008) 800) menciona a eficiência energética como uma das principais prioridades, em particular a promoção de uma rápida 2 JO L 37 de 13.2.2003, p. 24. 3 JO L 174 de 1.7.2011, p. 88. 4 JO L 374 de 27.12.2006, p. 10. 5 JO L 157 de 9.6.2006, p. 24. 6 JO L 390 de 31.12.2004, p. 24. 7
adoção pelo mercado de produtos que ofereçam um «elevado potencial de economia de energia», como os aspiradores.
Por último, contribuirá para o objetivo de dissociar o crescimento económico da utilização de recursos, estabelecido na estratégia Europa 2020 (COM(2010) 2020) no âmbito da iniciativa emblemática «Uma Europa eficiente em termos de recursos».
2. CONSULTAS ANTERIORES À ADOÇÃO DO ATO Consulta das partes interessadas
Métodos de consulta, principais setores visados e perfil geral dos inquiridos
Desde o início do estudo preparatório foram consultadas as partes interessadas, tanto a nível internacional como da UE, e peritos dos Estados-Membros e, juntamente com os requisitos de conceção ecológica, foi discutida a rotulagem energética no âmbito do Fórum de Consulta, estabelecido pela Diretiva-Quadro da Conceção Ecológica (Diretiva 2009/125/CE)8. O Fórum de Consulta é constituído por peritos dos Estados-Membros e por uma representação equilibrada de partes interessadas, nomeadamente ONG da área da proteção do ambiente e do consumidor, retalhistas e fabricantes. Durante as reuniões do Fórum de Consulta de junho de 2010 e de setembro de 2011, os serviços da Comissão apresentaram um documento de trabalho que propõe requisitos de conceção ecológica e uma classificação de eficiência energética para os aspiradores. Os documentos de trabalho também foram discutidos numa reunião de peritos dos Estados-Membros realizada em 27 de fevereiro de 2013.
Foram facultados aos peritos e às partes interessadas todos os documentos de trabalho relevantes, que foram também publicados no sistema CIRCA da Comissão, juntamente com as observações das partes interessadas, recebidas por escrito. Além disso, a iniciativa foi debatida por diversas vezes em reuniões dos serviços da Comissão com as partes interessadas e os Estados-Membros, mas também com os parceiros internacionais. O projeto de regulamento delegado foi notificado à OMC/OTC (Acordo sobre os Obstáculos Técnicos ao Comércio), para garantir que não será introduzido qualquer entrave ao comércio.
Resumo das respostas e modo como foram tidas em conta
As partes interessadas e os Estados-Membros são no geral claramente favoráveis a um sistema de rotulagem energética para os aspiradores, conforme com a Diretiva «Rotulagem Energética» reformulada. Foram recebidos os seguintes contributos sobre os principais aspetos da proposta:
Produtos abrangidos e classificação
Os aparelhos a abranger são os aspiradores a seco domésticos e profissionais. Os aspiradores a húmido, de sólidos e líquidos, industriais, centrais, a bateria e os aspiradores-robôs, assim como as polidoras de pavimentos e os aspiradores de exterior, estão excluídos, porque não estão em vigor normas de desempenho e porque o seu impacto ambiental é relativamente pequeno quando comparado com o impacto dos aspiradores a seco.
Escalas de rotulagem energética
Em consonância com as propostas das partes interessadas, a métrica da rotulagem energética é expressa em «consumo anual de energia» (em kWh/ano), que, por sua vez, depende quer do consumo de energia (em Watts) do aspirador quer da eficácia de limpeza (taxa de remoção de pó) em alcatifas e pavimentos duros com interstícios.
Calendário
As partes interessadas viram com bons olhos a introdução de um rótulo e manifestaram o seu desejo de o verem aplicado o mais depressa possível. Os Estados-Membros assinalaram que os diferentes rótulos não deveriam seguir-se uns aos outros com calendários curtos, como um ano. Sugeriram a existência de apenas dois, e não três, rótulos diferentes no que respeita à escala de rotulagem.
Outros requisitos de informação
A taxa de reemissão de pó, a fração (em percentagem) de pequenas partículas (0,3-10 μm) de pó (re)emitidas pelo aspirador em percentagem do número de pequenas partículas de pó recolhidas no orifício de aspiração durante a realização de ensaios normalizados foi considerada pelas partes interessadas um parâmetro importante especialmente para os utilizadores com problemas respiratórios. Outro parâmetro relevante, e uma importante característica de venda para determinados segmentos de mercado, é a potência de ruído (em dBA re1).
Obtenção e utilização de pareceres de peritos Contribuição de peritos científicos
Um estudo preparatório e uma avaliação de impacto forneceram a pertinente análise técnica, económica e de mercado necessária para a revisão do regime de rotulagem energética. Foram efetuados por consórcios de consultores externos em nome da Direção-Geral da Energia da Comissão (DG ENER).
Principais organizações e peritos consultados
O estudo preparatório decorreu em processo aberto que teve em conta as contribuições das partes interessadas relevantes, como fabricantes e suas associações, ONG ambientalistas, organizações de consumidores e de retalhistas, peritos dos Estados-Membros da UE e do EEE e organizações internacionais, como a Agência Internacional da Energia (AIE). O projeto de medida foi notificado à OMC no âmbito do Acordo sobre os Obstáculos Técnicos ao Comércio (OTC).
Resumo das opiniões recebidas e tidas em conta
Não foi mencionado qualquer risco potencialmente grave e com consequências irreversíveis. Avaliação de impacto
A opção da rotulagem tem de ser ponderada juntamente com outras opções políticas, como a autorregulação ou o estabelecimento de requisitos mínimos de desempenho (eficiência energética). Foi realizada uma avaliação de impacto, nos termos do artigo 15.º, n.º 4, alínea b), da Diretiva 2005/32/CE, que analisou também a opção da rotulagem. Numa primeira fase, foram rejeitadas as seguintes opções:
– Ausência de ação da UE (a legislação em vigor não seria alterada nem seria adotada nova legislação). Esta opção foi rejeitada por não permitir cumprir os objetivos estabelecidos nas Diretivas-Quadro «Conceção Ecológica» e «Rotulagem Energética»;
– Apoio a um compromisso voluntário por parte do setor em causa. Esta opção foi rejeitada devido ao facto de o setor não ter apresentado propostas nesse sentido; – Adoção apenas de requisitos de conceção ecológica. Esta opção foi rejeitada, porque
a imposição de requisitos rigorosos de conceção ecológica sem fornecer ao consumidor uma explicação correta sobre o modo como isso poderá afetar a eficácia
de limpeza pode ter efeitos altamente negativos no mercado e constituiria um obstáculo à aceitação da medida pelos consumidores. Sem essa explicação, a medida seria provavelmente também menos ambiciosa;
– Adoção apenas do sistema de rotulagem (sem requisitos de conceção ecológica). Esta opção foi rejeitada por não permitir alcançar as poupanças desejadas.
Consequentemente, foi escolhida a opção que alia a adoção de requisitos de conceção ecológica a um sistema de rotulagem, por permitir mais economias e por ser também a preferida de todas as partes interessadas.
Com esta opção:
– As melhorias em curso no plano energético são mantidas e estimuladas;
– Uma concorrência justa e a diferenciação dos produtos continuam a conduzir a melhorias do consumo de energia;
– É alcançado o nível de consumo de energia economicamente eficiente;
– A competitividade do setor é apoiada pelo desenvolvimento do mercado interno da UE de produtos sustentáveis;
– Os encargos para os fornecedores, nomeadamente as PME, não são excessivos, já que os períodos de transição têm em conta os ciclos de reformulação da conceção. – Não há impacto negativo sobre o emprego na UE.
3. ELEMENTOS JURÍDICOS DO ATO DELEGADO Síntese da ação proposta
A medida impõe novos requisitos de informação obrigatórios para os fornecedores que colocam no mercado aspiradores e para os distribuidores que comercializam estes aparelhos no ponto de venda ou através de um sistema de venda à distância, por exemplo, através de catálogos ou da Internet. O âmbito da medida é consonante com o âmbito do projeto de regulamento da Comissão que dá execução à Diretiva 2009/125/CE, que fixa requisitos mínimos em matéria de consumo anual de energia, de consumo máximo de energia, de eficácia mínima de limpeza, de potência máxima de ruído e de reemissão máxima de pó para os aspiradores.
Os métodos de medição e o procedimento de verificação para fins de fiscalização do mercado são inteiramente alinhados pelo projeto de regulamento da Comissão que dá execução à Diretiva 2009/125/CE.
Base legal
O projeto de regulamento delegado dá execução à Diretiva 2010/30/UE, em particular ao seu artigo 10.º. Tem por base o artigo 194.º do TFUE.
Princípio da subsidiariedade
O projeto de regulamento delegado dá execução à Diretiva 2010/30/UE, em conformidade com o seu artigo 10.º.
Princípio da proporcionalidade
Em conformidade com o princípio da proporcionalidade, a presente medida não excede o estritamente necessário para atingir o objetivo.
A medida de execução assume a forma de um regulamento delegado, diretamente aplicável em todos os Estados-Membros. Deste modo, as administrações nacionais e da UE não incorrerão em quaisquer custos com a transposição da legislação de execução para o direito nacional.
Em termos de avaliação da conformidade, os custos suplementares abrangerão tanto estas medidas de instituição da rotulagem energética, como a conceção ecológica.
Escolha do instrumento
Instrumento proposto: regulamento delegado. Incidência orçamental
O presente regulamento delegado não tem incidência no orçamento da UE. Cláusula de reexame/revisão/caducidade
O projeto inclui uma cláusula de revisão. Espaço Económico Europeu
O ato proposto incide numa matéria que diz respeito ao Espaço Económico Europeu, pelo que deve ser-lhe extensível.
REGULAMENTO DELEGADO (UE) N.º …/.. DA COMISSÃO de 3.5.2013
que complementa a Diretiva 2010/30/UE do Parlamento Europeu e do Conselho no respeitante à rotulagem energética dos aspiradores
(Texto relevante para efeitos do EEE)
A COMISSÃO EUROPEIA,
Tendo em conta o Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia,
Tendo em conta a Diretiva 2010/30/UE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 19 de maio de 2010, relativa à indicação do consumo de energia e de outros recursos por parte dos produtos relacionados com a energia, por meio de rotulagem e outras indicações uniformes relativas aos produtos9, nomeadamente o seu artigo 11.º,
Considerando o seguinte:
(1) A Diretiva 2010/30/UE exige que a Comissão adote atos delegados no que respeita à rotulagem dos produtos relacionados com a energia que representem um potencial significativo de poupança de energia e cujos níveis de desempenho variem consideravelmente para uma funcionalidade equivalente.
(2) A energia utilizada pelos aspiradores representa uma parte significativa da procura total de energia na União. A margem para redução do consumo de energia dos aspiradores é substancial.
(3) Os aspiradores a húmido, os aspiradores de sólidos e líquidos, os aspiradores-robôs, os aspiradores industriais, os centrais e os alimentados por bateria, assim como as polidoras de pavimentos e os aspiradores de exterior, têm características particulares e devem, por conseguinte, ser excluídos do âmbito de aplicação do presente regulamento.
(4) As informações fornecidas no rótulo devem ser obtidas através de procedimentos de medição fiáveis, exatos e reprodutíveis, que tomem em consideração os métodos de medição reconhecidos como os mais avançados, incluindo, quando disponíveis, as normas harmonizadas adotadas pelas organizações europeias de normalização, enumeradas no anexo I do Regulamento (UE) n.º 1025/2012 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 25 de outubro de 2012, relativo à normalização europeia10.
(5) O presente regulamento deve especificar um formato e um conteúdo uniformes para o rótulo dos aspiradores.
(6) Além disso, o presente regulamento deve especificar os requisitos para a documentação técnica e a ficha dos aspiradores.
(7) O presente regulamento deve ainda especificar os requisitos para as informações a fornecer nas vendas à distância, nos anúncios publicitários e no material técnico de promoção dos aspiradores.
9 JO L 153 de 18.6.2010, p. 1. 10
(8) É conveniente prever uma revisão das disposições do presente regulamento à luz do progresso tecnológico,
ADOTOU O PRESENTE REGULAMENTO:
Artigo 1.º
Objeto e âmbito de aplicação
1. O presente regulamento estabelece requisitos para a rotulagem e o fornecimento de informações suplementares sobre os aspiradores alimentados pela rede elétrica, incluindo os aspiradores híbridos.
2. O presente regulamento não é aplicável a:
(a) Aspiradores a húmido, aspiradores de sólidos e líquidos, aspiradores alimentados por bateria, aspiradores-robôs, aspiradores industriais ou aspiradores centrais;
(b) Polidoras de pavimentos; (c) Aspiradores de exterior.
Artigo 2.º
Definições
Para além das definições estabelecidas no artigo 2.º da Diretiva 2010/30/UE, aplicam-se para efeitos do presente regulamento as seguintes definições:
3. «Aspirador»: aparelho que elimina sujidades da superfície a limpar através de um fluxo de ar criado por subpressão gerada dentro da unidade;
4. «Aspirador híbrido»: um aspirador que pode ser alimentado tanto pela rede elétrica como por bateria;
5. «Aspirador a húmido»: um aspirador que elimina matérias secas e/ou húmidas (sujidade) de uma superfície através da aplicação, à superfície a limpar, de detergente aquoso ou de vapor e da eliminação deste e da sujidade por um fluxo de ar criado por subpressão gerada dentro da unidade, incluindo os tipos vulgarmente conhecidos por aspiradores de projeção-extração;
6. «Aspirador de sólidos e líquidos»: um aspirador concebido para remover um volume de mais de 2,5 litros de líquido, em combinação com a funcionalidade de um aspirador a seco;
7. «Aspirador a seco»: um aspirador concebido para remover sujidade principalmente seca (pó, fibras, fios), incluindo os tipos equipados com um bocal ativo alimentado por bateria;
8. «Bocal ativo alimentado por bateria»: uma cabeça de limpeza munida de um dispositivo de agitação alimentado por bateria para ajudar à remoção da sujidade; 9. «Aspirador alimentado por bateria»: aspirador alimentado apenas por bateria;
10. «Aspirador-robô»: um aspirador alimentado por bateria que é capaz de funcionar sem intervenção humana num determinado perímetro e que é constituído por uma parte móvel e uma estação de acoplamento e/ou outros acessórios de apoio ao seu funcionamento;
11. «Aspirador industrial»: um aspirador concebido para fazer parte de um processo de produção, para remover matérias perigosas, para remover poeiras pesadas na indústria da construção, da fundição, da mineração ou da alimentação ou para fazer parte de uma máquina ou instrumento industrial e/ou um aspirador comercial com uma cabeça de largura superior a 0,50 m;
12. «Aspirador comercial»: um aspirador destinado a limpezas domésticas em meios profissionais e a uma utilização por não especialistas, pelo pessoal de limpeza ou por prestadores de serviços de limpeza contratados em escritórios, espaços comerciais e instalações hospitalares e hoteleiras, declarado pelo fabricante como tal na sua declaração de conformidade prevista na Diretiva 2006/42/CE do Parlamento Europeu e do Conselho11;
13. «Aspirador central»: um aspirador constituído por uma fonte de subpressão fixa (não móvel) e por tomadas de aspiração em vários pontos fixos do edifício;
14. «Polidora de pavimentos»: um aparelho elétrico concebido para proteger, alisar e/ou tornar brilhante certos tipos de pisos, que funciona habitualmente em combinação com um agente de polimento destinado a ser aplicado sobre o piso pelo aparelho e normalmente também equipado com a funcionalidade auxiliar de um aspirador; 15. «Aspirador de exterior»: um aparelho concebido para utilização no exterior e
destinado a recolher resíduos como relva cortada e folhas para um coletor por meio de um fluxo de ar criado por subpressão gerada dentro da unidade e que pode conter um dispositivo de retalhamento e funcionar igualmente como ventilador;
16. «Aspirador alimentado por bateria de dimensão normal»: um aspirador alimentado por bateria que, com a bateria totalmente carregada, pode limpar, sem recarga, 15 m² de pavimento com 2 duplas passagens em cada parte do pavimento;
17. «Aspirador com filtro de água»: um aspirador a seco que utiliza mais de 0,5 litros de água como principal meio de filtragem, em que o ar da sucção atravessa a água, que retém à passagem a matéria seca removida;
18. «Aspirador doméstico»: um aspirador destinado a utilização residencial ou doméstica, declarado como tal pelo fabricante na sua declaração de conformidade prevista na Diretiva 2006/95/CE do Parlamento Europeu e do Conselho12;
19. «Aspirador de uso geral»: um aspirador fornecido com um bocal fixo ou, pelo menos, um bocal amovível para limpeza quer de alcatifas quer de pavimentos duros, ou fornecido com pelo menos um bocal amovível destinado especificamente à limpeza de alcatifas e pelo menos um bocal amovível destinado à limpeza de pavimentos duros;
20. «Aspirador de pavimentos duros»: um aspirador fornecido com um bocal fixo destinado especificamente à limpeza de pavimentos duros ou fornecido unicamente com um ou mais bocais amovíveis destinados especificamente à limpeza de pavimentos duros;
21. «Aspirador de alcatifas»: aspirador fornecido com um bocal fixo destinado especificamente à limpeza de alcatifas ou fornecido unicamente com um ou mais bocais amovíveis destinados especificamente à limpeza de alcatifas;
11
JO L 157 de 9.6.2006, p. 24.
22. «Aspirador equivalente»: um modelo de aspirador colocado no mercado cuja potência de entrada, consumo anual de energia, taxa de remoção de pó de alcatifas e pavimentos duros, taxa de reemissão de pó e nível de potência sonora são os mesmos que os de outro modelo de aspirador colocado no mercado com um número de código comercial diferente pelo mesmo fabricante.
Artigo 3.º
Responsabilidades dos fornecedores e calendário
23. Os fornecedores devem garantir que, a partir de 1 de setembro de 2014:
(a) Cada aspirador seja fornecido com um rótulo impresso no formato e com as informações previstos no anexo II;
(b) Seja disponibilizada uma ficha de produto, como previsto no anexo III;
(c) A documentação técnica, descrita no anexo IV, seja disponibilizada, a pedido, às autoridades dos Estados-Membros e à Comissão;
(d) Qualquer anúncio publicitário relativo a um modelo específico de aspirador, caso forneça informações sobre a energia ou o preço, indique também a classe de eficiência energética;
(e) Qualquer material técnico promocional relativo a um modelo específico de aspirador que descreva os seus parâmetros técnicos específicos indique a sua classe de eficiência energética.
24. O formato do rótulo previsto no anexo II deve ser aplicado de acordo com o seguinte calendário:
(a) Para os aspiradores colocados no mercado a partir de 1 de setembro de 2014, os rótulos devem ser conformes com o rótulo 1 do anexo II;
(b) Para os aspiradores colocados no mercado a partir de 1 de setembro de 2017, os rótulos devem ser conformes com o rótulo 2 do anexo II.
Artigo 4.º
Responsabilidades dos distribuidores
Os distribuidores devem garantir que, a partir de 1 de setembro de 2014:
(a) Cada modelo exposto no ponto de venda ostente o rótulo fornecido pelos fornecedores em conformidade com o artigo 3.º na superfície externa do aparelho ou nela pendurado, de modo a ser claramente visível;
(b) Os aspiradores propostos para venda, locação ou locação com opção de compra por um meio que implique a impossibilidade de o utilizador final ver o produto exposto, como especificado no artigo 7.º da Diretiva 2010/30/UE, sejam comercializados com as informações dadas pelos fornecedores em conformidade com o anexo V do presente regulamento;
(c) Qualquer anúncio publicitário relativo a um modelo específico de aspirador, caso forneça informações sobre a energia ou o preço, contenha igualmente uma referência à classe de eficiência energética;
(d) Qualquer material técnico promocional relativo a um modelo específico de aspirador que descreva os seus parâmetros técnicos específicos inclua uma referência à classe de eficiência energética desse modelo.
Artigo 5.º
Métodos de medição
As informações a fornecer em conformidade com os artigos 3.º e 4.º devem ser obtidas por métodos de medição e de cálculo fiáveis, exatos e reprodutíveis, que tomem em consideração os métodos de medição e cálculo reconhecidos como os mais avançados, como indicado no anexo VI.
Artigo 6.º
Procedimento de verificação para fiscalização do mercado
Os Estados-Membros devem aplicar o procedimento previsto no anexo VII ao avaliarem a conformidade da classe de eficiência energética, da classe de eficácia de limpeza, da classe de reemissão de pó, do consumo anual de energia e do nível de potência sonora declarados.
Artigo 7.º
Revisão
A Comissão deve rever o presente regulamento à luz do progresso tecnológico o mais tardar cinco anos após a sua entrada em vigor. A revisão deve avaliar, nomeadamente, as tolerâncias de verificação previstas no anexo VII, a eventual inclusão dos aspiradores de dimensão normal alimentados por bateria no âmbito de aplicação e a viabilidade do recurso a métodos de medição do consumo anual de energia, da taxa de remoção de pó e da taxa de reemissão de pó baseados em medições efetuadas com o recipiente parcialmente cheio em vez de vazio.
Artigo 8.º
Disposição transitória
O presente regulamento aplica-se aos aspiradores com filtro de água a partir de 1 de setembro de 2017.
Artigo 9.º
Entrada em vigor
O presente regulamento entra em vigor no vigésimo dia seguinte ao da sua publicação no
Jornal Oficial da União Europeia.
O presente regulamento é obrigatório em todos os seus elementos e diretamente aplicável em todos os Estados-Membros.
Feito em Bruxelas, em 3.5.2013
Pela Comissão
O Presidente