Amostragem por: pontos linhas quadrados Amostragem ao acaso, ao acaso estratificada, sistemática Conveniência
Selecção da área mínima a amostrar
TÉCNICAS GERAIS DE AMOSTRAGEM E RECOLHA DOS ORGANISMOS NA NATUREZA:
PREPARAÇÃO
Com excepcção dos estudos com organismos de grande porte (p.ex. arvores ou baleias), a maioria dos projectos de ecologia envolve a recolha de animais e plantas com o objectivo de análise posterior em laboratório.
Antes de se efectuarem as recolhas devem analisar-se as seguintes pontos:
Quais as técnicas e aparelhos mais adequados para o objectivo proposto? (vantagens e desvantagens)
É possível com a escolha realizada efectuar o trabalho no tempo disponível?
Será a relação esforço/resultados adequada?
A actividade de recolha danifica o meio?
Recolher sempre o nº mínimo de animais e plantas necessário ao estudo. Se possível repôr os organismos na natureza.
Amostragem por pontos: escolhem-se pontos individuais na
zona e os organismos são recolhidos nesse local.
Amostragem por linhas: são desenhadas linhas no mapa da
zona e os organismos são recolhidos ao longo de uma linha.
Amostragem por quadrados: são desenhados quadrados na
área de amostragem e os organismos dentro desses
quadrados são analisados
MÉTODOS DE AMOSTRAGEM NO ESPAÇO
x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x A B A B A B
X x x X x x
X
X x X
Amostragem uniforme ou sistemática -
Dividir a área
em estudo em unidades de amostragem iguais.
Recolher através de pontos, linhas ou quadrados
igualmente espaçados
Amostragem ao acaso -
Seleccionar pontos, linhas ou
quadrados, localizados ao acaso dentro da área de
estudo (recorrer a tabelas de nº aleatórios). Não existe
qualquer critério na escolha dos locais a amostrar
TIPOS DE AMOSTRAGEM NO ESPAÇO
x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x A B A B A B
Amostragem ao acaso estratificada
– Procedimento
semelhante ao acaso mas onde as diferentes zonas
estão igualmente representadas
X X
x X x x
A B A B
Amostragem de conveniência
– Quando o critério para a
selecção dos locais ou estações é dado pela facilidade de
acesso ao local.
É um tipo de amostragem sistemática, especialmente útil em áreas com alterações muito rápidas na composição de espécies. Recolha de
amostras ou observações in situ em intervalos espaciais definidos, por ex. 5m em 5m.
Ex: Praia rochosa, Sistema dunar, Montanha.
Esta fase do trabalho serve para garantir que se recolhe um nº representativo de espécies na zona em estudo.
A área miníma a estudar é atingida quando 1% no aumento da área não produz mais do que 0,5 % no nº de espécies. Na prática traduz-se por uma estabilização da curva e das frequências relativas das principais espécies.
1. DIRECTOS
Este tipo de recolha, sem a utilização de aparelhos especiais,
pode fazer-se em espécies terrestes vegetais ou animais de
mobilidade reduzida.
No meio aquático também pode realizar-se na zona entre marés
(intertidal) ou em mergulho. É muitas vezes utilizado um vulgar
formão para se proceder à raspagem de espécies aderidas a
substratos rochosos.
A principal vantagem é a observação directa do que se vai
recolher. A limtação consiste no facto de existirem muitos
organismos que não se podem recolher desta forma,
sobretudo animais com grande mobilidade e organismos de
dimensão microscópica (ex. fitoplâncton).
MÉTODOS DE RECOLHA DE
ORGANISMOS
MÉTODOS DE RECOLHA DE
ORGANISMOS
NA NATUREZA
2.1 Redes (terrestres e aquáticas)
São os aparelhos de recolha mais utilizados, quer em ambientes
terrestre quer aquáticos.
Têm como principal vantagem concentrarem organismos que
existem numa área ou volume considerável, em poucos
centímetros. Para além disso, separam os organismos por
dimensão, de acordo com a malhagem utilizada. Podem ser
utilizados quer para organismos que vivem à deriva na água
(plâncton), ou associados ao substrato (bentos) à superfície
(epifauna) quer enterrados (infauna), desde que disponham de
meios de revolver o solo ou sedimento.
A principal desvantagem é que podem colmatar, bem como
provocar reacções de fuga (evitamento ou evasão)
Sweep net ou rede vassoura- recolhe pequenos insectos na vegetação rasteira ou em ribeiros.
-Dragas e tubos
São os aparelhos de recolha utilizados quando os organismos se encontram dentro do substracto (enterrados-infauna). As dragas são mais utilizadas em ambientes marinhos, quando se amostram animais enterrados em zonas subtidais. Os tubos podem ser utilizados quer em ambientes terrestre quer aquáticos.
Têm como principal vantagem é a recolha de informação sobre o meio em que os organismos se inseriam: granulometria, matéria orgânica, etc.
A principal desvantagem é não separem os organismos do solo ou sedimento, nem por dimensão, necessitam de um esforço adicional de crivagem e triagem
-Garrafas
Utilizadas exclusivamente em ambientes
aquáticos. Dirigem-se a organismos de
dimensões muito reduzidas, muito abundantes
(mais de 104/m3) e com pouca mobilidade.
Tal como os tubos e as dragas, as garrafas têm
como principal vantagem
a recolha de
informação sobre o meio em que os
organismos se inseriam: nutrientes dissolvidos
na água, temperatura, pH, etc.
A principal desvantagem é não separem os
organismos da água nem por classe de
dimensão, necessitam de um esforço adicional
de concentração e observação. Para além
disso só permitem a captura de organismos
com mobilidade reduzida.
Armadilhas
São utilizadas prefencialmente em ambientes terrestes mas também podem ser úteis no meio aquático.
A principal vantagem consiste no facto de permitirem capturar animais que normalmente não se observam, mas que estão presentes no local, como pequenos mamiferos com actividade nocturna ou organismos de grande mobilidade.
A principal desvantagem consiste no facto de induzirem stress nos organismos capturados ou mesmo ferimentos.
FORMAS DE ESTIMAR A ABUNDÂNCIA
As medidas de abundância podem ser quantitativas
(contam-se os indivíduos das diferentes espécies) ou qualitativas
(estabelecem-se subjectivamente escalas de abundância, por
ex. muito abundante, pouco abundante)
Quantitativas
-Densidade
- Biomassa
- Frequência
- Percentagem de cobertura
Qualitativas
E-extremamente abundanteS-super abundante A-abundante C-comum F-frequente O-ocasional R-raraEscalas de abundância
Os resultados da densidade consomem muito tempo, mas mas são bastante rigorosos. Só desta forma se conseguem comparar abundâncias de amostras de dimensão diferente.
Os resultados são sempre expressos por unidade de área (cm2 , dm2,
m2) ou de volume (l, m3 , 100 m3).
Nº individuos/m2=Nº individuos contados/área amostrada em m2
No caso das redes terrestres, dragas ou tubos de recolha é possível determinar directamente a área amostrada e converter o nº de individuos recolhidos para uma área padrão.
No caso das garrafas de recolha de água é apenas necessário saber o volume da garrafa utilizada para posteriomente converter a abundância determinada para um volume padrão.
No caso das redes aquáticas existem fórmulas precisas para se determinar o volume de água analisado. Tal justifica-se uma vez que as redes são submersas e para se determinar a quantidade de água que passa pela boca da rede é necessário utilizar um fluxómetro.
Os resultados da biomassa consomem ainda mais tempo que as densidades, uma vez que exigem o esforço adicional de para além dos organismos serem contados também têm de ser pesados ou medidos.
As formas usuais de expressar a biomassa são também por área ou volume:
-Peso Húmido -Peso Seco
-Peso Seco Livre de Cinzas (Peso seco-peso das cinzas) -Matéria organica
Existem meios mais recentes de determinar a biomassa, como sejam a quantificação do DNA total presente no organismos, uma vez que é um indicador do nº total de células. Pode também utilizar-se o quantificação do carbono e azoto elementares, base da matéria orgânica. Estes métodos apesar de muito laboriosos, são indispensáveis no cálculo da produção, bem como em estudos de fluxos de energia através dos diferentes níveis tróficos
-Tem a desvantagem de necessitar, na maioria das vezes, da destruição dos organismos para se determinar o peso seco ou o peso seco livre de cinzas
A frequência define-se como o nº ou percentagem de amostras em que uma determinada espécie ocorre. Não se quantifica o nº total de individuos de cada espécie, como no caso da densidade.
Frequência
Espécies Amostra 1 Amostra 2 Amostra 3 Frequência- Nº Frequência-% A s s s 3 100 B n s s 2 66.6 C n n s 1 33.3Não confundir com frequência relativa (que está relacionado com a densidade de um determinado taxa relativamente à densidade total)
Esta medida permite ultrapassar a necessidade de se contarem todos os individuos de uma certa área, como acontece com a densidade. É especialmente útil para o caso de vegetação rasteira, musgos ou liquens, em que é dificil contar cada índividuo. Também no caso de organismos coloniais em que não se consegue separar cada organismo per si, por exemplo no caso de esponjas do mar.
Percentagem de cobertura
% cobertura=nº pontos tocados por cada organismo/nº total pontos
(Método dos quadrados com pontos)
E-extremamente abundante S-super abundante A-abundante C-comum F-frequente O-ocasional R-rara
A medição dos parâmetros ambientais deve ser tão cuidadosa quando possível. Para além disso deve-se registar sempre todas as condições ambientais observadas, p.ex. nebulosidade, hora do dia, etc.
É através das variáveis ambientais registadas que se irão explicar as distribuições e as abundâncias dos taxa recolhidos.
Os principais parâmetros com interesse em estudos gerais de ecologia são: - temperatura - luz/turbidez - pH - salinidade - humidade - oxigénio - vento - granulometria
A temperatura é um dos parâmetros mais importantes a condicionar a distribuição e abundância dos organismos, uma vez que afecta directamente os principais processos metabólicos: respiração, crescimento, fotossíntese e reprodução. Mede-se com termómetro ou sonda multiparâmetro (TºC).
A luz no meio terreste e a turbidez no meio marinho são das variáveis que mais condicionam a actividade fotossintética, pelo que a sua medição é indispensável quando se estudam comunidades vegetais. No entanto, estas variáveis também podem afectar directamente (através dos ritmos circadianos) ou indirectamente (através da disponibilidade alimentar) os animais. Mede-se com medidor de radiação solar, turbidimetro ou disco de secchi (lux, mg/l,m).
O pH (concentração de iões de hidrogénio) é também uma variável com interesse em estudos de ecologia, sobretudo em estudos a nível do solo, uma vez que o pH influencia a disponibilidade de outros nutrientes inorgânicos paras as plantas. Mede-se com medidor de pH, ou sonda multiparâmetro.
A salinidade afecta a regulação osmótica e é especialmente importante no meio marinho (estuários e zonas intermarés) e por vezes também nos solos. Mede-se com salinómetros, condutivímetros e sondas multiparâmetro (%o, PSU).
A concentração de oxigénio é fundamental na água para a actividade respiratório dos animais. A quantidade de oxigénio dissolvido na água mede-se com um oxímetro ou sonda multiparâmetro (mg/l).
A humidade atmosférica é dos principais factores que influencia a distribuição e abundância das plantas e animais terrestre e intertidais. A quantidade de água existente no ar expressa-se geralmente humidade relativa (quantidade de vapor de água existente no ar relativamente á quantidade de vapor de água que existeria se o ar estivesse completamente saturado) Mede-se com um higrómetro e expressa-se em %.
A granulometria afecta também a distribuição quer das plantas, quer dos animais bentónicos
aquáticos, e mede-se normalmente através de um
conjunto de peneiros (crivos) de diferente malhagem.
MEDIÇÃO DE PARÂMETROS AMBIENTAIS:
O vento afecta a distribuição de plantas nas zonas costeiras e nas
montanhas. Intervém na dispersão das sementes e provoca turbulência no meio aquático (agregações de plâncton). Mede-se com um
quer terrestres: -TºC -Humidade -Vento -Luz quer aquáticas: -TºC -Salinidade -Oxigenio dissolvido -pH -Turdidez