A EDUCAÇÃO COLONIAL BRASILEIRA NA REVISTA DO
INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE SÃO PAULO
Maria Aparecida Pereira Prof. Dr. Amarílio Ferreira Junior Doutorado Linha de Pesquisa: História, Filosofia e Sociologia da Educação
Resumo
A Educação Colonial é um tema pouco explorado pela historiografia da educação. Diante dessa constatação, esse projeto de pesquisa em desenvolvimento visa identificar as contribuições da Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, para a compreensão da Educação Colonial Brasileira. Dentre aos objetivos temos, por exemplo, apresentar o panorama da educação jesuítica no período colonial considerando a visão de autores da historiografia nacional, bem como, analisar a produção científica sobre a Educação Colonial publicada nesse periódico, de acordo com parâmetros bibliométricos: título, resumo, palavras-chave, etc. Do ponto de vista metodológico o estudo envolve quatro etapas: revisão de literatura; coleta de dados; organização e sistematização dos dados e análise e interpretação dos resultados. Por fim, espera-se obter evidências científicas para demonstrar que os textos, publicados na revista do IHGSP, são fundamentais para a história e para a historiografia da educação brasileira.
Palavras Chaves História da Educação; Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São
A educação jesuítica no Brasil Colonial é um tema pouco explorado pela historiografia da educação que lhe reserva um espaço exíguo nas obras referenciais da História da Educação, conforme já alertaram os pesquisadores da área (BITTAR & FERREIRA JUNIOR, 2003; FERREIRA JUNIOR & BITTAR, 2004). No entanto, essa realidade deveria ser diferente, principalmente, por se tratar de um período significativo da atuação pedagógica dos jesuítas, hegemônica durante duzentos e dez anos (1549-1759) no país.
Dessa forma, esse projeto em andamento que aqui se insere, tem como temática a Educação Colonial Brasileira presente na Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São
Paulo – IHGSP. E para pesquisar tal temática dentro desse periódico, será desenvolvido um
estudo bibliométrico dos artigos publicados no período de 1895 a 2004. Vale considerar a importância dessa temática para a própria historiografia da educação brasileira, além disso, torna-se necessário sublinhar que à natureza desse estudo envolve quatro grandes áreas do conhecimento: a Filosofia, a História, a Educação e a Ciência da Informação. O que é natural considerando que a Educação por excelência tem que dialogar com as outras áreas.
Pensando na hierarquia dos objetos de pesquisa, não poderia deixar de falar sobre os meus “Inacianos”. Desde o mestrado venho trabalhando com a questão dos jesuítas e agora no doutorado tenho a oportunidade novamente de produzir conhecimento sobre esse objeto esquecido, dentro de uma dimensão diferente e bem mais ampla.
Vale observar que as visões e interpretações sobre os jesuítas no Brasil é um assunto complexo sobre o qual não há unanimidade. Contudo, sempre tive o cuidado de analisá-los como homens de seu tempo. Sobre este aspecto, Hansen (2002, p.766) comenta que desde o século XVI, as interpretações das relações entre a Companhia de Jesus, com a Coroa Portuguesa e a sociedade colonial, subordinam-se aos “posicionamentos ideológicos acerca do papel da Igreja na Colônia”. O autor menciona ainda que “desde a expulsão dos inacianos pelo Marquês de Pombal, em 1759, as interpretações são polêmicas”. Também observa que autores do século XIX, como Varnhagen, Capistrano de Abreu, Brasílio Machado, Joaquim Nabuco, Eduardo Prado, “fazem a apologia da missão jesuítica”. Por sua vez, o autor refere que no século XX, a perspectiva de religiosos e historiadores católicos do clero também é apologética, principalmente a do Padre Serafim Leite.
E com base no estudo que tenho realizado sobre a temática educação jesuítica no Brasil colonial, não poderia deixar de mencionar a contribuição de dois professores do Departamento de Educação da Universidade Federal de São Carlos: Prof. Dr. Amarílio Ferreira Junior e a Profa. Dra. Marisa Bittar. Ambos estão trabalhando com essa temática e já
construíram uma produção científica considerável para a historiografia da educação brasileira no período colonial.
Dentre os artigos publicados podemos destacar: “Educação jesuítica no Brasil
Colônia”; “Pluralidade Lingüística, escola de bê-á-bá e teatro jesuítico no Brasil do século XVl”; “Casas de bê-á-bá e evangelização jesuítica no Brasil do século XVI”; “A pedagogia da escravidão nos sermões do Padre Antonio Vieira” e “Infância, catequese e aculturação no Brasil colonial”; Educação jesuítica e crianças negras no Brasil colonial”, dentre outros.
Em termos mais gerais, esse projeto tem o objetivo de identificar as contribuições da
Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo para a compreensão e análise da
história da educação brasileira no período colonial. Por outro lado, destacam-se, em termos mais específicos, os seguintes objetivos: Apresentar o panorama da educação jesuítica no período colonial considerando alguns autores da historiografia nacional que refletiram sobre esse tema; Levantar os principais aspectos e características do Instituto Histórico e
Geográfico de São Paulo, bem como, da sua revista, por exemplo: história, fundação,
localização, etc; Identificar a produção científica do Instituto Histórico e Geográfico de São
Paulo presente na revista do referido instituto sobre a educação brasileira e em particular
sobre a educação jesuítica no Brasil colonial; Destacar as contribuições da Revista do Instituto
Histórico e Geográfico de São Paulo para a análise da historiografia da educação brasileira e,
por fim, Analisar a produção científica desse importante instituto brasileiro sobre a educação jesuítica no Brasil colonial: de acordo com os seguintes parâmetros bibliométricos: título, resumo, palavras-chave, temática, autoria, etc.
A pesquisa científica compreende o trabalho de coleta e sistematização dos dados e a partir daí, a apresentação de uma descrição da realidade. Com base nessa visão, esse projeto de pesquisa em desenvolvimento tem um caráter exploratório e descritivo, uma vez que pretende verificar como a educação jesuítica no Brasil colonial foi tratada pelos pesquisadores e estudiosos que tiveram os seus trabalhos divulgados na Revista do Instituto Histórico e
Geográfico de São Paulo.
Assim sendo, o principal corpus da pesquisa será a coleção da Revista do Instituto
Histórico e Geográfico de São Paulo, que teve o seu primeiro exemplar publicado em 1895 e
até o ano de 2004 já havia publicado 96 volumes. Para melhor caracterizar essa revista, julgo necessário traçar um breve histórico do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo - IHGSP, instituição responsável por sua publicação. Por meio deste histórico será possível compreender a importância implícita dessa Revista.
O IHGSP é congênere, com algumas décadas de atraso, do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil que, fundado em 1838, ainda durante a Regência, teve papel seminal na formação da idéia de brasilidade, habilmente explorada durante o Segundo Reinado.
Associação de direito privado, o IHGSP foi reconhecido com entidade de utilidade pública pela Lei Estadual 508, de 17 de novembro de 1949, e pelo Decreto Federal 59.151, de 26 de agosto de 19661.
O IHGSP foi fundado em 1º. de novembro de 1894, por Domingos José Nogueira Jaguaribe Filho, Antonio de Toledo Piza e Estevão Leão Bourroul. Ao lado destes, também figuram, como fundadores personagens emblemáticas do século XIX, como Alfredo Ellis, José Eduardo de Macedo Soares, José Maria Lisboa, Prudente de Morais, Ramos de Azevedo ou Teodoro Sampaio. Além disto, o IHGSP registrou, na primeira metade do século XX, a participação de estudiosos do porte de Affonso Taunay, Clovis Bevilacqua, Euclides da Cunha, Fernando de Azevedo, Alcântara Machado, Julio de Mesquita Filho, Mário de Andrade, Orígenes Lessa, Roberto Simonsen e Sérgio Milliet.
Desde a sua criação, esta centenária instituição vem assumindo papel relevante na construção da identidade cultural paulista. Esse protagonismo é resultante da presença, entre os seus membros efetivos, de renomados intelectuais, autores de obras significativas da bibliografia nacional.
Estudos similares ao proposto nesta pesquisa de doutorado foram realizados por Sanchez (2003) que analisou a Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro - IHGB a partir de informações a respeito de sua materialidade, o que permitiu ao autor analisar o mundo letrado no Brasil do século XIX, especialmente na cidade do Rio de Janeiro, durante o Segundo Reinado. Além deste, outras instituições congêneres de diversos estados brasileiros também foram analisadas sob os mais diferentes aspectos, conforme comprova levantamento exploratório na base de dados de teses e dissertações da CAPES2.
Quanto à execução da pesquisa estão sendo adotados e desenvolvidos os seguintes procedimentos metodológicos: 1ª Etapa: revisão de literatura sobre os seguintes aspectos: a) colonização brasileira: objetivando traçar o contexto histórico deste período. Foram consideradas obras de referência para o estudo: os trabalhos de Freyre (1961); Hollanda
1 O IHGSP mantém, em sua sede própria, no Edifício Ernesto de Souza Campos, Rua: Benjamin Constant, 158,
situada na região central de São Paulo, um precioso acervo documental, constituído por biblioteca, hemeroteca, mapoteca e museu. O seu endereço eletrônico é: http://www.ihgsp.org.br/.
(1975); Prado Junior. (1986) e Azevedo (1963); dentre outras; b) Educação Jesuítica no Brasil Colonial, como forma de obter os subsídios teóricos para a compreensão da atuação pedagógica dos jesuítas (BITTAR & FERREIRA JR., 1999, 2000, 2001, 2003; 2004, 2005; PAIVA, 1982); c) o IHGSP e a Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, visando contextualizar o objeto de estudo, ou seja, os artigos publicados neste periódico (GUIMARÃES, 1995 e 2007; ARAÚJO, 2008; DIHEL, 1998, SANCHEZ, 2003). Igualmente, para entender a historiografia brasileira e compreender o papel dos Institutos Históricos e Geográficos, recorremos a artigos de um importante periódico da área de História, publicado pelo CPDOC/FGV, a revista Estudos Históricos. O seu primeiro número, lançado em 1988, aborda o tema “Caminhos da historiografia” com contribuições de historiadores (Francisco Falcon, Francisco Iglésias, Ricardo Benzaquem de Araújo e Manoel Luís Lima Salgado Guimarães (1988), sendo que este último comparece com um artigo em que enfoca o projeto historiográfico implementado pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) em seu objetivo de pensar e escrever a história nacional); 2ª Etapa: coleta
de dados: serão selecionados os artigos publicados na Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo cuja temática seja a Educação, apesar de eu já ter adquirido o DVD
que traz os referidos volumes; 3ª Etapa: organização dos dados coletados: Estes artigos serão subdivididos em duas categorias: aqueles cuja temática seja a educação, independentemente do período enfocado e aqueles cuja temática é a “Educação Jesuítica no Brasil colonial”; Todos artigos serão sistematizados com o objetivo de gerar indicadores bibliométricos sobre a produção científica em questão. Segundo Hayashi et al (2007, p.5) estes indicadores são importantes para avaliar as áreas de conhecimento e a produção de conhecimento de pesquisadores. Em seguida, apenas os artigos cuja temática seja a “Educação Jesuítica no Brasil colonial” serão analisados do ponto de vista do conteúdo, com base na leitura analítica do texto integral de cada um deles; 4ª Etapa: Análise e
interpretação dos resultados: a análise dos artigos juntamente com o referencial teórico
sobre a educação jesuítica no Brasil colonial permitirá verificar o quadro da produção científica disponível nesse periódico, assim como, a contribuição do IHGSP para a historiografia da educação brasileira.
É visível que ainda não foi possível desenvolver as etapas 2, 3 e 4 do projeto, haja vista, que tenho centrado a minha pesquisa nos estudos de revisão de literatura para o aprofundamento do referencial teórico, diante da complexidade e da própria necessidade que tenho sentido de voltar a minha atenção para a questão da historiografia, do conceito de
História, do entendimento do século XIX (considerado o Século da História), do significado e o surgimento do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro - IHGB, assim, como o de São Paulo - IHGSP, além do que seria a tão desejada construção da “Identidade e da Nação
Brasileira”, com a criação do IHGB e dos seus congêneres.
Dessa forma, dentre os resultados esperados, pretendo obter evidências científicas para demonstrar que os textos, publicados na revista do IHGSP, são fundamentais para a história e historiografia da educação brasileira, pois poderão nos fazer compreender como a elite letrada – representada pelos intelectuais que publicavam artigos neste periódico – pensava a educação brasileira, em especial, a Educação no Brasil Colonial.
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