COLIGAÇÕES ELEITORAIS PARA OS EXECUTIVOS
ESTADUAIS (1986-2010): PADRÕES E TENDÊNCIAS
Josimar Gonçalves da Silva1
RESUMO: As eleições para governadores dos estados oferecem um momento
privilegiado para observar não somente as estratégias dos partidos frente ao desafio de compor forças eleitorais, mas também permitem delinear o comportamento e as opções dos partidos e do eleitorado. A intenção central deste trabalho é traçar um perfil das coligações eleitorais para os executivos estaduais na “Nova República” (1986, 1990, 1994, 1998, 2002, 2006 e 2010) e avaliar o impacto da variável “consistência ideológica” das coligações sobre o desempenho eleitoral. A preocupação está concentrada principalmente em examinar as questões estaduais/regionais, verificar a dinâmica coligacionista dos principais partidos e as consequências eleitorais que estas atingem.
PALAVRAS-CHAVE: Eleições, Partidos Políticos, Coligações Eleitorais.
INTRODUÇÃO
Esta investigação tem como proposta um estudo do padrão e evolução das coligações eleitorais para os cargos de governadores de estado no período da nova democracia brasileira. Com este objetivo pretendemos apresentar um panorama que inclua a análise de todas as eleições que ocorreram no novo regime, oferecendo a possibilidade de identificar as continuidades e descontinuidades da lógica das coligações e desse modo indicar elementos que contribuam com a discussão sobre o comportamento coligacionista no sistema político brasileiro.
Nesta análise duas dimensões serão ressaltadas e contrapostas. A primeira considera o perfil das candidaturas e a estratégia das legendas. A abordagem é baseada principalmente na discussão de duas vertentes tradicionais que balizam as investigações preocupadas em analisar os mecanismos que motivaram as alianças eleitorais. Por “coligação” consideramos como o instrumento disponível para conseguir um maior eleitorado, mas também uma excelente ferramenta para ter influência e acesso à máquina governamental e proximidade com núcleos decisórios após as
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Josimar Gonçalves da Silva: é graduado (modalidade Bacharelado e Licenciatura) em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Goiás – UFG (Faculdade de Ciências Sociais). Realiza pesquisas na área de ciência política, com ênfase em estudos eleitorais, partidos políticos, financiamento partidário e relações entre mídia e política. Atualmente é mestrando em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB). E-mail: [email protected]
eleições. Nesse sentido, o espectro esquerda-direita não seria o mecanismo principal no inicio da ação coligacionista.
A segunda dimensão do estudo visa identificar o impacto que as candidaturas trouxeram, considerando o resultado eleitoral. Com este horizonte, a proposta é fazer um recorte analítico procurando estabelecer um perfil das duas dimensões nas diferentes regiões/estados. Pretende-se averiguar como são lançadas as candidaturas e qual desempenho eleitoral tiveram nos estados e regiões, tendo como pano de fundo a questão das diferenças regionais/estaduais e o fato de existir subsistemas partidários no país. Vale mencionar que no Brasil as diferenças e desigualdades, identificadas através de indicadores socioeconômicos, entre as regiões eos estados da federação é muito significativa, característica conhecida já antes da nova república.
As normas eleitorais recentes, editadas após o retorno do pluripartidarismo no Brasil, têm permitido a possibilidade de formação de coligações partidárias nas disputas eleitorais. A criação das coligações e sua existência estão presentes no processo eleitoral. A ampla utilização de coligações partidárias nas disputas eleitorais é uma das características marcantes da vida política brasileira.
As coligações estavam presentes no período democrático de 1945–1964 e foram novamente permitidas em 1985 (Lei nº. 7.454) com a instalação do governo civil (Sousa, 2006).Trabalhos recentes de autores como Krause (2005), Schmitt (1999), Dantas (2007), Machado (2007), Krause e Silva (2010) têm procurado demonstrar que os partidos políticos brasileiros apresentam diferenças no que diz respeito às suas bases de sustentação eleitoral e na sua atuação, principalmente em suas identidades no espectro esquerda-direita.
Para os cargos majoritários, as coligações são muitas vezes um subproduto das alianças firmadas com vistas às eleições proporcionais. Em relação ao Poder Executivo, há a esperança de que, em caso de vitória, os partidos apoiadores sejam contemplados com cargos na administração pública. Além deste cálculo, há a expectativa de que com o apoio de alianças, os candidatos reduzem o número de adversários, com o presumido suporte de lideres e candidatos ao Legislativo dos outros partidos.
A análise se divide em seis partes. A primeira se concentra no estudo dos padrões e tendências gerais das candidaturas contrapondo-as em relação às regiões/estados. Em seguida nos dedicamos mais especificamente no universo geral das coligações, mais uma vez comparando-as com as distintas regiões/estados. Na terceira parte reconstituímos o perfil da configuração das ofertas dos principais partidos que atuam no cenário político da nova democracia brasileira. A próxima parte se dedica a avaliar os resultados eleitorais gerais, observando comparativamente o
universo oferecido e a efetividade obtida. Na quinta parte procuramos também distinguir o padrão geral identificado com o constituído nas regiões/estados. A penúltima parte tem como proposta indicar a eficácia eleitoral das candidaturas por partido. Por fim, nas considerações finais, será feito um balanço sintético dos principais resultados encontrados.
1. PADRÕES E TENDÊNCIAS GERAIS DAS CANDIDATURAS
O estudo foi baseado em dados eleitorais oficiais fornecidos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pelo site “Dados eleitorais no Brasil”. No universo total das eleições majoritárias para governador de estado analisadas em todas as unidades da federação nas sete eleições (entre 1986 e 2010), houve 1048 candidaturas lançadas. No entanto, deve-se destacar o fato de que não se obtiveram informações de 10 candidaturas, não se sabe se eram isoladas ou coligadas2. Partindo então do universo de 1048 candidaturas, 45,6% delas foram isoladas e 54,4% coligadas.
O crescimento do perfil das candidaturas apresenta que a estratégia de lançar candidaturas coligadas para a eleição a governador tem sido predominante na nova democracia brasileira. Vale ressaltar que, com exceção do ano de 1986, o primeiro ano de eleição para governadores juntamente com um presidente civil e o regime democrático instalado, todos os outros anos que houve eleição registraram uma preferência dos partidos em buscar aliados. É importante também destacar que a coligação eleitoral foi permitida nesta eleição após 20 anos de proibição e oferecia possibilidades de aumentar forças eleitorais aos novos partidos que haviam sido criados com a reforma partidária de 1979.
A variável conjuntural da eleição de 1986 pode ter um poder explicativo mais elevado do que a regra eleitoral. A hegemonia que o PMDB detinha e a aprovação do Plano Cruzado conduziu o clima eleitoral. O ambiente político altamente favorável ao partido praticamente dificultava as chances de vitória de outro partido com candidatura isolada ou liderando uma chapa em uma coligação. A última alternativa era realizar uma coligação com o partido hegemônico, o que dava possibilidade ao acesso à máquina estatal em um futuro governo estadual ou estabelecer uma estratégia de se diferenciar para o mercado político a médio e longo prazo. Principalmente o PT e os pequenos partidos intensificaram-se em vários estados a apresentar candidaturas isoladas. Esta informação indica que a estratégia destes partidos era, principalmente, lançar-se na eleição de forma isolada para construir uma identidade e conseguir a
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Na eleição de 1986 não estão disponíveis as informações das candidaturas (isoladas e coligadas) para os estados de Minas Gerais e Espírito Santo.
visibilidade que uma campanha eleitoral majoritária oferece e aproveitar a oportunidade do espaço para mostrar a sua ideologia.
O ano de 1990, comandado pelo governo do presidente Collor, não apenas apresentou uma virada, mas também mostrou um pequeno percentual de candidaturas não coligadas em todas as eleições analisados. A tendência para um mais alto percentual de candidaturas coligadas em relação às isoladas não é modificada nas eleições majoritárias subsequentes, mesmo sendo detectada um pequeno decréscimo contínuo desde a eleição de 1994. A estratégia de decidir por candidaturas coligadas aumenta na medida em que as lideranças dos partidos percebem que o mercado de oferta partidária está inflacionado, tentando diminuir incertezas e aumentar ganhos. No próximo tópico, analisaremos em que medida o padrão geral de candidaturas é encontrado quando as informações são analisadas por região/estado.
1.1 PADRÕES E TENDÊNCIAS DAS CANDIDATURAS NAS REGIÕES/ESTADOS
As tendências identificadas com os dados agregados por ano eleitoral se mostram de modo diferenciado em algumas regiões e estados do Brasil, quando realizado um recorte no tratamento e análise dos dados.
Na eleição de 1986, é possível perceber que as regiões Sul, Sudeste e Norte apresentaram o padrão geral já identificado nas informações demonstradas de forma agregada. Houve, assim, um predomínio de candidaturas isoladas de modo mais acentuado no Sudeste. A região Centro-Oeste mostrou certo equilíbrio, mas é necessário ressaltar que este resultado é principalmente fruto do estado do Mato Grosso do Sul. Goiás acompanhou o perfil nacional e Mato Grosso teve um equilíbrio entre as candidaturas isoladas e coligadas. Já o Nordeste do Brasil teve um comportamento diferente e praticamente todos os estados reproduzem este perfil.
1986 1990 1994 1998 2002 2006 2010 Coligados 47,7 63,5 57,4 56,1 54,6 53,5 54,8 Isolados 52,3 36,5 42,6 43,9 45,4 46,5 45,2 0 10 20 30 40 50 60 70 %
No ano de 1990, em todas as regiões, os partidos tiveram um maior percentual de candidaturas coligadas, não sendo verificada, neste aspecto, uma tendência diferente entre as regiões ou em relação aos dados já analisados de forma agregada. Em 1990 se caracterizou uma instabilidade no universo das legendas e um aumento de número de partidos atuantes no cenário político. Isto também levou a uma mudança de estratégia das organizações partidárias na maioria das regiões/estados. As legendas na conjuntura de alta fragmentação buscaram juntar forças para enfrentar as disputas nos estados, e a eleição com a regra de dois turnos para governadores, relacionada com uma grande quantidade de partidos no mercado político, circulou em praticamente todos os estados da federação.
O estudo, desenvolvido com os dados agregados da eleição de 1994, também confirma que na maioria das regiões e estados esse movimento ocorreu neste ano eleitoral. Quando há uma inversão, este procedimento se deve por um comportamento isolado de algumas unidades da federação que alteram o resultado geral.
Os dados da eleição de 1998, quando analisados desagregados, nos fazem perceber que as candidaturas coligadas mais uma vez são a preferência na maioria das regiões, com exceção dos estados do Sudeste, porém esse fato se deve mais uma vez aos dados do Rio de Janeiro e também ao equilíbrio de Minas Gerais e São Paulo.
A eleição de 2002, ano da vitória de Lula para a presidência da Republica, traz informações interessantes sobre o comportamento do Sudeste e Sul. Foram as duas únicas regiões em que as candidaturas isoladas são predominantes. Estudando o Sudeste, as candidaturas isoladas foram as favoritas em todos os estados e, no Sul, apenas o Rio Grande do Sul apresentou este perfil. Já no Centro-Oeste, Nordeste e Norte, na maioria dos estados, as candidaturas foram coligadas, com algumas exceções no Nordeste (Pernambuco e Sergipe) e Norte (Roraima), houve equilíbrio entre as opções coligada e isolada (Paraíba e Alagoas).
Como no ano de 2002, o padrão das coligações na eleição de 2006, ano da reeleição de Lula, se mantém no Sul. Só que agora a essa região é a única em que se apresentam mais candidaturas isoladas do que coligadas e apenas o estado de Santa Catarina constituiu um perfil diferente. Nas outras regiões, as coligações foram predominantes, mas com alguns estados que se distinguem. Analisando o perfil das candidaturas coligadas e isoladas, verifica-se que as regiões não tiveram um comportamento próximo entre si e também os estados apresentaram diferenças. No ano de 2010, foi possível verificar que as coligações nas regiões Sul, Sudeste e Norte se apresentaram como o padrão geral identificado nos dados apresentados de forma agregada. Verifica-se também que em todas as regiões, as legendas tiveram um alto percentual de candidaturas coligadas.
2. PADRÕES E TENDÊNCIAS GERAIS DAS COLIGAÇÕES
Nesta parte pretende-se dar respostas a duas questões. A primeira refere-se ao perfil das coligações eleitorais nos anos eleitorais. Ou seja, nas eleições majoritárias para governadores, como é feita as parcerias no quesito que diz respeito à proximidade ideológica? A segunda questão busca verificar o crescimento deste perfil em cada ano eleitoral, com a intensão de responder se as coligações cada vez mais se destacam em observar, ou não, a classificação ideológica na escolha de se associar na nova democracia brasileira.
No que diz respeito à classificação das coligações, mesmo com os limites já reconhecidos, optamos por manter a terminologia e a classificação tradicionalmente utilizada na literatura. Ou seja:
a) consistente: quando a coligação se dá apenas entre partidos situados num mesmo “campo” do espectro político – esquerda (E), centro (C) ou direita (D). As possibilidades de coligação nesse caso são: D-D; C-C; E-E.
b) semiconsistente: quando a coligação envolve partidos de centro com partidos de esquerda ou com partidos de direita. As possibilidades são: D; C-E.
c) inconsistente: quando a coligação envolver partidos de polos extremos (direita e esquerda). As possibilidades são: D-E; D-C-E.
A eleição de 1986 mostra-se de modo bastante particular em uma variedade de aspectos, e deve-se tratar ela de forma diferenciada. Primeiro, porque como já foi identificado anteriormente no gráfico, ela obteve a maior quantidade percentual de candidaturas isoladas. Neste ano eleitoral, dentro do universo das coligações, foi apresentado um comportamento que será modificado bastante em 1990; depois apresenta-se novamente um movimento coligacionista diferente, a partir da eleição de 1994. A eleição de 1990 não apenas apresenta, em relação à de 1986, um grande salto em relação ao percentual de candidaturas coligadas, mas também de coligações consistentes, e uma redução brusca das inconsistentes. Além desse comportamento, comparando a eleição de 1986 e a de 1990, percebe-se que há uma diferença bastante significativa se calcularmos as alianças consistentes e semiconsistentes (46,6% → 76,8%). Assim, a eleição de 1990 mostra uma cesura em muitos aspectos do comportamento estratégico coligacionista em relação à eleição 1986 que é novamente alterada a partir de 1994.
Quando avaliamos as coligações consistentes, verificamos que elas têm predominância em relação aos demais perfis somente em duas eleições, 1990 e 1994.
A eleição de 1990 não apenas apresentou o maior percentual de candidaturas coligadas, como verificado no gráfico anterior, mas também o mais elevado percentual de coligações consistentes.
A decisão em 1994 demonstrou o início do processo de redução das coligações consistentes, tendência que se mantém até a eleição de 2006, quando se observa uma pequena recuperação por deste tipo de estratégia coligacionista, mas que em 2010, tem uma grande redução. Importante considerar que este fato se deve principalmente porque pequenos partidos de esquerda procuram se coligar somente com partidos do mesmo espectro ideológico. Se calcularmos as coligações consistentes e semiconsistentes, elas têm o domínio, somando um total de 67,5% das ofertas de coligações em 1994. Curioso é que se considerarmos esta soma (consistentes e semiconsistentes), é a partir de 1994 que se apresenta uma redução contínua, estabilizada em 2006, mas com uma nova queda em 2010.
Com relação às coligações inconsistentes, com exceção do que já foi verificado nas eleições de 1986 e 1990, os dados mostram um contínuo aumento a partir de 1994 e uma estabilização em 2006, porém com um grande aumento em 2010 (80,2%). Mas a inflexão, em que se verifica uma maioria absoluta por esta opção, é a partir da eleição de 1998, ano da reeleição de Fernando Henrique Cardoso.
2.1 PADRÕES E TENDÊNCIAS DAS COLIGAÇÕES NAS REGIÕES/ESTADOS
A análise da evolução das estratégias coligacionistas nas regiões/estados nos permite desvendar as diferenças e semelhanças de comportamento das lideranças regionais/estaduais. A intenção, assim, é contribuir com o debate sobre as diversidades regionais/estaduais no sistema partidário brasileiro e fornecer elementos para a discussão das conexões entre o comportamento político e estrutura socioeconômica. Verificar se as lideranças partidárias nas regiões/estados com diferentes níveis de desenvolvimento apresentam estratégias parecidas ou diferentes no que diz respeito à dimensão da identidade ideológica também oferece subsídios empíricos ao tradicional debate da interpretação dicotômica do Brasil desenvolvido x Brasil subdesenvolvido.
Tendo como pressuposto, que as regiões Sul e Sudeste apresentam, de forma geral, os melhores indicadores socioeconômicos e as demais regiões do país, principalmente a Norte e Nordeste, os piores índices, é possível, então, pressentir que as lideranças partidárias nas regiões mais desenvolvidas tivessem um maior cuidado ao observar a identidade ideológica de outro partido ao estabelecer parcerias eleitorais.
O estudo dos dados desagregados apresenta que o padrão geral identificado por ano eleitoral não se distância de modo significativo quando é considerado o perfil geral das regiões; no entanto, foi perfeitamente possível perceber que existe nuances interessantes que devem ser destacados.
Em 1986 todas as regiões do país também apresentaram uma preferência maior por coligações inconsistentes. Curiosamente que os percentuais de coligações consistentes se destacam no Nordeste, seguido do Sudeste. No entanto, quando os estados são observados isoladamente, os estados de Santa Catarina, São Paulo, Rio Grande do Norte, Paraíba e Rondônia apresentam um comportamentofora do padrão geral identificado, não sendo oferecidas ao mercado eleitoral coligações inconsistentes.
No ano de 1990, os estados apresentaram, no cálculo geral, uma preferência mais elevada pelas coligações consistentes, mas isto não pode ser indicado quando avaliados os dados por região/estado. O Norte e Centro-Oeste não seguiram esta tendência. As maiores preferências por coligações consistentes foram oferecidas no Sudeste, seguida pelo Sul e todos os estados destas regiões manteriam este padrão geral. Os mais altos percentuais destas regiões ficam com Santa Catarina, Minas Gerais e São Paulo.
Continuando a análise do padrão das coligações por região/estado para o ano de 1994, quando também foi identificada uma tendência geral de predominância por coligações consistentes, as regiões/estados apresentam um viés diferenciado. Neste ano o Norte e o Sul não apresentam uma opção preferencial das lideranças partidárias idênticaao observado no estudo agregado dos dados. O percentual mais expressivo de coligações consistentes foi percebido no Sudeste, seguido pelo Centro-Oeste. Nesse sentido, existem também significativas diferenças nos estados destas duas regiões. O Rio de Janeiro não ofertou candidaturas coligadas, Goiás e Mato Grosso mostraram um equilíbrio e Mato Grosso do Sul apresentou uma tendência totalmente inversa.
O pleito de 1998, que marca um aumento na preferência por coligações
inconsistentes, faz-nos chamar atenção novamente as diversidades das
regiões/estados. A região Sudeste teve um maior percentual de coligações consistentes, diferenciando das outras regiões, mas estes dados se devem principalmente ao comportamento do Rio de Janeiro que não ofereceu coligações inconsistentes. Novamente, a região Norte teve o mais alto percentual de coligações inconsistentes, seguido do Nordeste. É importante observar que o Sudeste mais uma vez mostra os resultados mais significativos das coligações consistentes, e o Norte os
piores. No entanto, quando os estados são analisados isoladamente, existem disparidades que não podem ser desprezadas.
Em 2002 prevaleceram às coligações inconsistentes em todas as regiões. Neste ano, o Nordeste se destacou com o percentual de preferência por este tipo de união, seguido pelo Norte. Na região Nordeste o único estado que altera o padrão é a Bahia, e na região Norte, Rondônia e Tocantins. Os mais altos percentuais de coligações consistentes foram alcançados no Sul, seguido do Centro-Oeste. Se analisados os cálculos gerais, existem indicadores de que os lideres partidários nas regiões consideradas menos desenvolvidas tendem a verificar menos as preferências coligacionistas baseando-se em critérios de identidades ideológicas, e nas regiões mais desenvolvidas existe uma alta atenção quanto a este critério.
Na eleição de 2006, a única região que não apresenta uma predileção por coligações inconsistentes é o Sudeste, porém o estado de São Paulo foge deste padrão regional. Novamente o Norte é o que sai à frente em ofertas de coligações inconsistentes, seguido pelo Nordeste. São também nestas regiões que são ofertados os maiores percentuais de coligações com este perfil, Maranhão, Sergipe e Rondônia, onde sequer são ofertadas coligações eleitorais com base em proximidades ideológicas. Com uma característica diferente do padrão geral identificado, é também no Sudeste que estão os estados com mais alto percentual de coligações consistentes: Rio de Janeiro e Minas Gerais. Além do mais, em cincoestados de diferentes regiões, existe um equilíbrio entre as ofertas.
Na última eleição analisada, todas as regiões do Brasil apresentaram uma preferência maior por coligações de espectros ideológicos diferentes, ou seja, houve uma predileção pelas inconsistentes. As maiores preferências por coligações inconsistentes foram oferecidas no Sul, seguida pelo Sudeste e todos os estados destas regiões manteriam este padrão geral. Os mais altos percentuais destas regiões ficam, respectivamente, com Santa Catarina e São Paulo. É necessário observar que o Sudeste mais uma vez mostra os resultados mais significativos das coligações inconsistentes. Entretanto, quando os resultados nas unidades da federação são analisados isoladamente, existem disparidades que não podem ser desprezadas.
3. OS PARTIDOS E AS ESTRATÉGIAS DE CANDIDATURAS
Neste momento a intenção é avaliar de que forma os partidos se comportaram na evolução das suas estratégias coligacionistas ao decidir lançar suas candidaturas. Para esta análise foram considerados os 10 principais partidos políticos que atuam no cenário da nova democracia brasileira.
Duas questões devem ser tratadas nesta parte. Uma que procura investigar como as organizações partidárias estabeleceram suas estratégias de realizar candidaturas coligadas ou isoladas para o cargo de governador de estado na evolução da nova democracia brasileira. E a outra questão pretende avaliar se é possível identificar diferenças no comportamento de acordo com a classificação ideológica. Assim, podemos fornecer subsídios empíricos e oferecer contribuições ao debate sobre a fragilidade ou não dos partidos políticos brasileiros quanto a suas identidades ideológicas.
3.1 A ESQUERDA
A estratégia do PDT tem a seguinte curiosidade: sem exceção, o partido teve uma grande preferência em realizar coligações que não observam o espectro ideológica com seus parceiros. A legenda, em todo o período analisado, também tem um baixo percentual em se apresentar de maneira isolada nas candidaturas aos executivos estaduais, sendo elas insignificantes.
As coligações consistentes configuraram uma instabilidade e conseguiram o seu maior numero em 1998, mas nunca ultrapassaram as coligações inconsistentes. Calculando as coligações consistentes e semiconsistentes, o resultado confirma que o PDT não teve atenção ao buscar aliados de acordo com suas proximidades ideológicas. Ela vem continuamente reduzindo a partir de 1994, quando chega a não ofertar mais este perfil de candidaturas em 2006. Em 2010 ocorre um aumento nas coligações inconsistentes e uma redução nas coligações isoladas.
O PSB, no ano de 1986, apresentou empatado os seus mais altos percentuais com candidaturas isoladas e inconsistentes. Nos pleitos eleitorais de 1990 e 1994 tem
0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 120,00 1986 1990 1994 1998 2002 2006 2010 Perfil das candidaturas do PDT
preferência em buscar aliados próximos a seu espectro ideológico, e nas outras disputas eleitorais as coligações inconsistentes superam as consistentes. Importante destacar que o PSB também apresenta um contínuo crescimento das candidaturas inconsistentes desde o pleito de 1994.
Se somarmos as coligações consistentes e semiconsistentes, o resultado também mostra que o PSB teve pouco cuidado em conseguir apoio de acordo com suas proximidades ideológicas. Existe um enorme aumento em 1990 em termos de uma maior fidelidade ideológica na procura de seus parceiros, mas ela reduz abruptamente em 1994 e se recupera de forma pouco significativa apenas na eleição de 2006. Na ultima eleição analisada as coligações inconsistentes também tem um aumento de seu percentual.
O PPS inicia sua atuação na disputa eleitoral em 1994. O partido entra no cenário disposto a buscar parcerias e é praticamente insignificante o lançamento de candidaturas isoladas. Desde o início da participação da legenda nas eleições para governadores, as coligações inconsistentes foram as preferenciais. As coligações consistentes foram pouco representativas em todo o período estudado. E interessante destacar que nos anos de 1998 e 2006, onde quase a totalidade das candidaturas do partido (respectivamente 91% e 92%) são inconsistentes. Mesmo ao somarmos as coligações consistentes e semiconsistentes, o resultado mostra o que estamos apresentando. Em 2010 as coligações inconsistentes mantêm uma estabilidade em seu percentual. 0,00 10,00 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 70,00 80,00 90,00 1986 1990 1994 1998 2002 2006 2010 Perfil das candidaturas do PSB
O PT apresenta uma característica bastante diferenciada. Ele inicia sua trajetória de um modo diferente de todos os outros partidos analisados, privilegiando candidaturas isoladas de forma clara (89% em 1986). Esta estratégia vai perdendo a força a partir da eleição de 1990 e, nas eleições de 2002 e 2006, o partido apresenta somente candidaturas coligadas. Em 1986 há um empate nas ofertas entre as coligações consistentes e inconsistentes.
As coligações consistentes mantem uma predominância sobre todos os outros perfis de candidaturas nas eleições de 1990 e 1994. No entanto, já é possível identificar uma redução por esta preferência a partir de 1994, pouco significativa, que se mostra de forma clara a partir de 1998. Neste pleito as consistentes já empatam com as inconsistentes, e a partir do ano de 2002 estas superam todas as outras opções. Calculando as coligações consistentes e semiconsistentes, o resultado apresenta o que estamos demonstrando. Deve ser ressaltado que no ano de 1986 as candidaturas isoladas predominam, por isto o pequeno percentual de consistentes e semiconsistentes. É impressionante a contínua redução, percebido desde 1994. No último pleito o partido reduziu a quantidade de coligações consistentes e a melhor estratégia foi investir nas coligações inconsistentes, abarcando partidos de espectros ideológicos diferentes. 0 20 40 60 80 100 1986 1990 1994 1998 2002 2006 2010 Perfil das candidaturas do PPS
3.2 O CENTRO
O PMDB apresenta algumas particularidades pela sua posição no centro. Pela classificação utilizada na literatura, é o único partido considerado no espectro ideológico de centro até o surgimento do PSDB na disputa política. Isto obviamente cria um viés diferenciado. Pelo critério classificatório, apenas seria possível uma coligação consistente quando PMDB e PSDB estivessem unidos sem a presença de outros parceiros, o que limita as possibilidades de coligações consistentes. Em praticamente todo o período estudado, o partido teve um percentual insignificante de candidaturas isoladas para os executivos estaduais. Esta alternativa é apenas superada, em termos de baixos percentuais, pelas coligações consistentes.
Ao considerarmos todas as coligações que tiveram uma proximidade ideológica (consistentes e semiconsistentes), percebemos que existe uma instabilidade nos percentuais, mas no ano de 2006 é identificada uma diferença muito expressiva. O partido, nesta eleição, procurou principalmente aliados de distintas espectros ideológicas em uma mesma coligação. Portanto, na maioria das eleições observadas, existe um maior percentual de coligações que privilegiaram a identidade ideológica (especialmente as semiconsistentes) em relação às inconsistentes.
O PSDB também possui algumas características particulares pela sua posição no centro. A legenda entra na disputa eleitoral em 1990 dando preferência as candidaturas coligadas. Porém, esta foi a eleição em que o partido apresentou o maior numero percentual de candidaturas isoladas. As coligações consistentes, ou seja, aquelas em que está apena com o PMDB, são insignificantes. Analisando as coligações semiconsistentes e inconsistentes, verificamos que o partidoteve dois momentos em que alcançou o maior percentual de inconsistentes, 1998 e 2006. Ao
0,00 20,00 40,00 60,00 80,00 100,00 1986 1990 1994 1998 2002 2006 2010 Perfil das candidaturas do PT
somarmos as coligações consistentes e semiconsistentes, nota uma redução muito expressiva na eleição de 2006 (48% 21%), um comportamento semelhante ao PMDB.
3.3 A DIREITA
O PFL/DEM, em todas as eleições analisadas, decidiu por pou
de forma isolada, sendo ela insignificante. As coligações consistentes predominam na legenda sobre todos os outros perfis de candidaturas até 1994, quando há um equilíbrio entre as coligações consistentes e inconsistentes. As alianças com perfil vêm diminuindo a partir do ano de 1994. Certamente este fato se deve principalmente à aliança nacional com o PSDB e a estratégia de aproximação do partido com a candidatura de Fernando Henrique Cardoso e seu governo. No pleito de 2006 já não existe mais oferta de coligações consistentes. A verticalização possivelmente também contribui com esta performance, pois em 2006 a legenda estava com Geraldo Alckimin (PSDB).
O curioso a se destacar é que o partido tem ao longo do tempo se estabelecido, a partir da eleição de 1994, em coligações que não privilegiam a identidade ideológica. Em 1998 as candidaturas inconsistentes já empatam com as semiconsistentes e a partir de 2002 as inconsistentes ultrapassam todas as outras alternativas de candidaturas. C
semiconsistentes o resultado reafirma o que estamos apresentando. Existe um contínuo decréscimo, desde 1994
inconsistentes e candidaturas isoladas, comparando com o p
inconsistentes continuam atingindo altos percentuais, superando 60% das ofertas.
0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 1986 1990 Inconsistente
ações consistentes e semiconsistentes, nota-se uma instabilidade e uma redução muito expressiva na eleição de 2006 (48% →57% → 42%
21%), um comportamento semelhante ao PMDB.
O PFL/DEM, em todas as eleições analisadas, decidiu por pouco se apresentar de forma isolada, sendo ela insignificante. As coligações consistentes predominam na legenda sobre todos os outros perfis de candidaturas até 1994, quando há um equilíbrio entre as coligações consistentes e inconsistentes. As alianças com perfil vêm diminuindo a partir do ano de 1994. Certamente este fato se deve principalmente à aliança nacional com o PSDB e a estratégia de aproximação do partido com a candidatura de Fernando Henrique Cardoso e seu governo. No pleito de iste mais oferta de coligações consistentes. A verticalização possivelmente também contribui com esta performance, pois em 2006 a legenda estava com Geraldo Alckimin (PSDB).
O curioso a se destacar é que o partido tem ao longo do tempo se partir da eleição de 1994, em coligações que não privilegiam a identidade ideológica. Em 1998 as candidaturas inconsistentes já empatam com as semiconsistentes e a partir de 2002 as inconsistentes ultrapassam todas as outras alternativas de candidaturas. Considerando as coligações consistentes e semiconsistentes o resultado reafirma o que estamos apresentando. Existe um contínuo decréscimo, desde 1994. O Democratas reduziu a quantidade de coligações inconsistentes e candidaturas isoladas, comparando com o pleito anterior. Porém, as inconsistentes continuam atingindo altos percentuais, superando 60% das ofertas.
1990 1994 1998 2002 2006 2010 Inconsistente Semi-Consistente Consistente Isolado
se uma instabilidade e → 42% → 61% →
co se apresentar de forma isolada, sendo ela insignificante. As coligações consistentes predominam na legenda sobre todos os outros perfis de candidaturas até 1994, quando há um equilíbrio entre as coligações consistentes e inconsistentes. As alianças com este perfil vêm diminuindo a partir do ano de 1994. Certamente este fato se deve principalmente à aliança nacional com o PSDB e a estratégia de aproximação do partido com a candidatura de Fernando Henrique Cardoso e seu governo. No pleito de iste mais oferta de coligações consistentes. A verticalização possivelmente também contribui com esta performance, pois em 2006 a legenda
O curioso a se destacar é que o partido tem ao longo do tempo se partir da eleição de 1994, em coligações que não privilegiam a identidade ideológica. Em 1998 as candidaturas inconsistentes já empatam com as semiconsistentes e a partir de 2002 as inconsistentes ultrapassam todas as outras onsiderando as coligações consistentes e semiconsistentes o resultado reafirma o que estamos apresentando. Existe um . O Democratas reduziu a quantidade de coligações leito anterior. Porém, as inconsistentes continuam atingindo altos percentuais, superando 60% das ofertas.
2010 Isolado
O PP(B), em todo o período estudado, também não privilegiou se lançar sozinho para concorrer aos executivos estaduais. As candidaturas isoladas
foram as que tiveram o menor percentual, com exceção apenas no pleito de 2006, quando as coligações consistentes superaram as isoladas, e o partido não constituiu uma parceria de perfil ideológico consistente.
As coligações consistentes, por sua ve
nas duas primeiras eleições (1986 e 1990). As coligações com este perfil também vêm diminuindo a partir de 1994. Um discreto aumento é registrado em 2002 (2%), mas como já identificado, em 2006 elas não são ofertadas
coligações consistentes e semiconsistentes, o resultado apresenta que a legenda tem, desde 1994, reduzido continuamente o critério ideológico na decisão de buscar aliados (como o PFL/DEM). Existe um contínuo d
2010 continua com alto percentual de coligações inconsistentes, mas sobre uma redução, comparado ao ano anterior.
O PTB, do mesmo modo como as outras legendas de direita analisados, não preferiu concorrer isoladamente. A decisão de s
escolhida, exceto em 1990, ano em que coligações semiconsistentes registram o mais baixo percentual, e de 2002, quando as isoladas empatam com o percentual de coligações consistentes. A estratégia por coligações consiste
predominante em relação aos outros perfis de candidaturas apenas em 1986 e tem sido reduzidas continuamente. Em 2006 o partido já não ofereceu candidaturas com esta classificação.
Nos demais anos, a legenda lançou candidaturas com coligações inconsistentes com os maiores percentuais. Estas se apresentaram nas eleições de
0 10 20 30 40 50 60 70 80 1986 1990 Inconsistente
, em todo o período estudado, também não privilegiou se lançar sozinho para concorrer aos executivos estaduais. As candidaturas isoladas
foram as que tiveram o menor percentual, com exceção apenas no pleito de 2006, quando as coligações consistentes superaram as isoladas, e o partido não constituiu uma parceria de perfil ideológico consistente.
As coligações consistentes, por sua vez, apenas são a maior opção do partido nas duas primeiras eleições (1986 e 1990). As coligações com este perfil também vêm diminuindo a partir de 1994. Um discreto aumento é registrado em 2002 (2%), mas como já identificado, em 2006 elas não são ofertadas nos estados. Juntando as coligações consistentes e semiconsistentes, o resultado apresenta que a legenda tem, desde 1994, reduzido continuamente o critério ideológico na decisão de buscar aliados (como o PFL/DEM). Existe um contínuo decréscimo, desde o ano de 1994. O PP em 2010 continua com alto percentual de coligações inconsistentes, mas sobre uma redução, comparado ao ano anterior.
O PTB, do mesmo modo como as outras legendas de direita analisados, não preferiu concorrer isoladamente. A decisão de sair sozinho foi a alternativa menos escolhida, exceto em 1990, ano em que coligações semiconsistentes registram o mais baixo percentual, e de 2002, quando as isoladas empatam com o percentual de coligações consistentes. A estratégia por coligações consistentes manteve predominante em relação aos outros perfis de candidaturas apenas em 1986 e tem sido reduzidas continuamente. Em 2006 o partido já não ofereceu candidaturas com
Nos demais anos, a legenda lançou candidaturas com coligações inconsistentes com os maiores percentuais. Estas se apresentaram nas eleições de
1990 1994 1998 2002 2006 2010 Inconsistente Semi-Consistente Consistente Isolado
, em todo o período estudado, também não privilegiou se lançar sozinho para concorrer aos executivos estaduais. As candidaturas isoladas sempre foram as que tiveram o menor percentual, com exceção apenas no pleito de 2006, quando as coligações consistentes superaram as isoladas, e o partido não constituiu
z, apenas são a maior opção do partido nas duas primeiras eleições (1986 e 1990). As coligações com este perfil também vêm diminuindo a partir de 1994. Um discreto aumento é registrado em 2002 (2%), mas nos estados. Juntando as coligações consistentes e semiconsistentes, o resultado apresenta que a legenda tem, desde 1994, reduzido continuamente o critério ideológico na decisão de buscar aliados de 1994. O PP em 2010 continua com alto percentual de coligações inconsistentes, mas sobre uma
O PTB, do mesmo modo como as outras legendas de direita analisados, não air sozinho foi a alternativa menos escolhida, exceto em 1990, ano em que coligações semiconsistentes registram o mais baixo percentual, e de 2002, quando as isoladas empatam com o percentual de ntes manteve-se predominante em relação aos outros perfis de candidaturas apenas em 1986 e tem sido reduzidas continuamente. Em 2006 o partido já não ofereceu candidaturas com
Nos demais anos, a legenda lançou candidaturas com coligações inconsistentes com os maiores percentuais. Estas se apresentaram nas eleições de
2010 Isolado
2002 e 2006, quando as outras opções são pouco significativas. Quanto ao espectro ideológico como critério de dec
semiconsistentes, é instável o resultado, e apresenta pequenos percentua eleições de 2002 e 2006.
partido em 2002, que e estar aliado com o
estabelecer proximidades com algumas legendas de esquerda nos estados.
eleição ocorre uma redução das coligações inconsistentes, e um leve aumento das semiconsistentes.
No mesmo sentido que os outros parti
período analisado também ofertou poucas candidaturas isoladas para os executivos estaduais. Ao compararmos com os outros perfis, estas sempre foram as mais baixas ofertas do partido, somente no ano de 2002 que elas p
semiconsistentes e em 2006 empatam com as consistentes (com nenhuma oferta). As coligações consistentes apresentam os mais elevados percentuais em 1986 e 1990. Entretanto, já no primeiro ano eleitoral, este perfil de coligação não
inconsistentes. Ambos os perfis apresentam os mais altos percentuais, mas empatados. Em 1990, as coligações consistentes estão acima de todas as outras candidaturas ofertadas. Analisando a evolução das coligações consistentes, percebe se que elas têm reduzido continuamente, apenas no ano de 2002 que elas demonstram uma recuperação, mas pouco expressiva, e em 2006 o partido não oferece candidaturas coligadas com este perfil.
A estratégia do partido tem, desde 1998, aumentado a formação de col
que desconsideram o critério ideológico, chegando a apresentar 92% de coligações inconsistentes em 2006. Ou seja, esta decisão se deve muito pela sua aproximação
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2002 e 2006, quando as outras opções são pouco significativas. Quanto ao espectro ideológico como critério de decisão na coligação, se calcularmos as consistentes e semiconsistentes, é instável o resultado, e apresenta pequenos percentua
eleições de 2002 e 2006. As informações apresentam principalmente a estratégia do partido em 2002, que e estar aliado com o PPS para presidente da República e estabelecer proximidades com algumas legendas de esquerda nos estados.
eleição ocorre uma redução das coligações inconsistentes, e um leve aumento das
No mesmo sentido que os outros partidos de direita, o PL/PR, durante todo o período analisado também ofertou poucas candidaturas isoladas para os executivos estaduais. Ao compararmos com os outros perfis, estas sempre foram as mais baixas ofertas do partido, somente no ano de 2002 que elas perdem para as coligações semiconsistentes e em 2006 empatam com as consistentes (com nenhuma oferta). As coligações consistentes apresentam os mais elevados percentuais em 1986 e 1990. Entretanto, já no primeiro ano eleitoral, este perfil de coligação não
inconsistentes. Ambos os perfis apresentam os mais altos percentuais, mas empatados. Em 1990, as coligações consistentes estão acima de todas as outras candidaturas ofertadas. Analisando a evolução das coligações consistentes, percebe
elas têm reduzido continuamente, apenas no ano de 2002 que elas demonstram uma recuperação, mas pouco expressiva, e em 2006 o partido não oferece candidaturas coligadas com este perfil.
A estratégia do partido tem, desde 1998, aumentado a formação de col
que desconsideram o critério ideológico, chegando a apresentar 92% de coligações inconsistentes em 2006. Ou seja, esta decisão se deve muito pela sua aproximação
1990 1994 1998 2002 2006
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2002 e 2006, quando as outras opções são pouco significativas. Quanto ao espectro isão na coligação, se calcularmos as consistentes e semiconsistentes, é instável o resultado, e apresenta pequenos percentuais nas As informações apresentam principalmente a estratégia do PPS para presidente da República e estabelecer proximidades com algumas legendas de esquerda nos estados. Na última eleição ocorre uma redução das coligações inconsistentes, e um leve aumento das
dos de direita, o PL/PR, durante todo o período analisado também ofertou poucas candidaturas isoladas para os executivos estaduais. Ao compararmos com os outros perfis, estas sempre foram as mais baixas erdem para as coligações semiconsistentes e em 2006 empatam com as consistentes (com nenhuma oferta). As coligações consistentes apresentam os mais elevados percentuais em 1986 e 1990. Entretanto, já no primeiro ano eleitoral, este perfil de coligação não está acima das inconsistentes. Ambos os perfis apresentam os mais altos percentuais, mas empatados. Em 1990, as coligações consistentes estão acima de todas as outras candidaturas ofertadas. Analisando a evolução das coligações consistentes,
percebe-elas têm reduzido continuamente, apenas no ano de 2002 que percebe-elas demonstram uma recuperação, mas pouco expressiva, e em 2006 o partido não
A estratégia do partido tem, desde 1998, aumentado a formação de coligações que desconsideram o critério ideológico, chegando a apresentar 92% de coligações inconsistentes em 2006. Ou seja, esta decisão se deve muito pela sua aproximação
2010 Isolado
com o PT a partir de 2002. Ao fazermos uma soma das parcerias consistentes e semiconsistentes, chegamos a um resultado muito curioso. Houve uma preocupação em observar o espectro ideológico de seus aliados significativo até 1994, mas já neste ano começa um processo de declínio
um declínio no seu percentual de lançamentos, e é substituída pelas coligações consistentes e semiconsistentes. A candidatura isolada não é uma boa estratégia de lançamento para o partido.
4. O RESULTADO ELEITORAL:PADRÕES E TENDÊNCIAS GERAIS
Os dados tratados e analisa
perfil das candidaturas ofertadas. Com esta finalidade utilizamos de um instrumento chamado “taxa de sucesso”.
É necessário destacar que a taxa de sucesso deve ser utilizada com certaparcimônia nas consid
coligações inconsistentes não estariam prejudicadas porque o eleitorado não dá importância para classificação ideológica na hora de decisão do voto? Ou o eleitor não considera as coligações e, com isso,
oferecem riscos aos candidatos? No entanto, para as legendas elas seriam via de regra mais produtivas, pois existe a possibilidade de trazer mais partidos, retiram algumas legendas do lado adversário da campa
horário de propaganda eleitoral. Esta é uma questão que a taxa de sucesso não consegue responder com segurança. O que a taxa de sucesso nos permite avaliar é qual o perfil de candidatura que teve maior potencialidade de ter
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com o PT a partir de 2002. Ao fazermos uma soma das parcerias consistentes e stentes, chegamos a um resultado muito curioso. Houve uma preocupação em observar o espectro ideológico de seus aliados significativo até 1994, mas já neste ano começa um processo de declínio. Em 2010, as coligações inconsistentes sofrem percentual de lançamentos, e é substituída pelas coligações consistentes e semiconsistentes. A candidatura isolada não é uma boa estratégia de lançamento para o partido.
RESULTADO ELEITORAL:PADRÕES E TENDÊNCIAS GERAIS
Os dados tratados e analisados apresentam o resultado eleitoral em relação ao perfil das candidaturas ofertadas. Com esta finalidade utilizamos de um instrumento chamado “taxa de sucesso”.
É necessário destacar que a taxa de sucesso deve ser utilizada com certaparcimônia nas considerações a respeito do comportamento do eleitorado. As coligações inconsistentes não estariam prejudicadas porque o eleitorado não dá importância para classificação ideológica na hora de decisão do voto? Ou o eleitor não considera as coligações e, com isso, as coligações sem proximidades ideológicas não oferecem riscos aos candidatos? No entanto, para as legendas elas seriam via de regra mais produtivas, pois existe a possibilidade de trazer mais partidos, retiram algumas legendas do lado adversário da campanha eleitoral e ainda aumentam o horário de propaganda eleitoral. Esta é uma questão que a taxa de sucesso não consegue responder com segurança. O que a taxa de sucesso nos permite avaliar é qual o perfil de candidatura que teve maior potencialidade de ter um bom desempenho
1990 1994 1998 2002 2006
Inconsistente Semi-Consistente Consistente Isolado
com o PT a partir de 2002. Ao fazermos uma soma das parcerias consistentes e stentes, chegamos a um resultado muito curioso. Houve uma preocupação em observar o espectro ideológico de seus aliados significativo até 1994, mas já neste . Em 2010, as coligações inconsistentes sofrem percentual de lançamentos, e é substituída pelas coligações consistentes e semiconsistentes. A candidatura isolada não é uma boa estratégia de
RESULTADO ELEITORAL:PADRÕES E TENDÊNCIAS GERAIS
o resultado eleitoral em relação ao perfil das candidaturas ofertadas. Com esta finalidade utilizamos de um instrumento
É necessário destacar que a taxa de sucesso deve ser utilizada com erações a respeito do comportamento do eleitorado. As coligações inconsistentes não estariam prejudicadas porque o eleitorado não dá importância para classificação ideológica na hora de decisão do voto? Ou o eleitor não as coligações sem proximidades ideológicas não oferecem riscos aos candidatos? No entanto, para as legendas elas seriam via de regra mais produtivas, pois existe a possibilidade de trazer mais partidos, retiram nha eleitoral e ainda aumentam o horário de propaganda eleitoral. Esta é uma questão que a taxa de sucesso não consegue responder com segurança. O que a taxa de sucesso nos permite avaliar é um bom desempenho
2010
nos resultados, mas não as condições que levaram o eleitorado à decisão eleitoral. Assim, a taxa de sucesso nos oferece excelentes subsídios para uma boa analise sobre os efeitos que as coligações sem resistência ideológica trazem as legendas. Isto nos mostra que, se a ideologia exerce um papel paralelo na decisão e elaboração das coligações, é porque este perfil fundamentalmente também aumenta os ganhos em momentos de competição eleitoral acirrado, o contrário disso seria uma estratégia irracional.
Pesquisas de opinião poderiam fornecer importante auxilio para a compreensão de qual o peso que o eleitor dá às coligações na decisão de seu voto e existe aqui um campo a ser investigado. Almeida (1998), ao analisar o comportamento do eleitor brasileiro, utiliza uma sondagem sobre o interesse do eleitor pela política, o pesquisador observou que a grande maioria dos entrevistados não tinha informação a respeito das alianças que formavam as chapas dos seus candidatos. Esta consideração oferece uma importante pista sobre o entendimento e a importância que o eleitorado confere às coligações eleitorais.
4.1 O QUE É MAIS EFICAZ?
De modo geral as candidaturas isoladas na nova democracia brasileira não tiveram bons resultados às organizações partidárias. Os melhores desempenhos alcançados foram nos anos de 1986 e 1994, no entanto foram insignificantes. A eleição de 2006 foi a mais difícil para este perfil, quando nenhuma candidatura isolada foi vitoriosa. Estas informações contribuem para utilização da teoria da escolha racional nos momento dos partidos aliarem-se. A estratégia geral da maioria das legendas, de estabelecer coligações eleitorais nas eleições majoritárias, é, sem dúvida, uma resposta dos lideres partidários para aumentar as chances de uma vitória, ou seja, isto não pode ser desconsiderado para o partido que pretende governar um estado. A opção principal por alianças é especialmente uma reação dos partidos para conseguir um eleitorado cada vez mais heterogêneo e com um comportamento eleitoral volátil. A instabilidade e o ambiente de incerteza nas competições para os executivos estaduais é notória, quando considerarmos que estas eleições apresentam uma das mais altas taxas de volatilidade eleitoral na nova democracia brasileira, ultrapassando inclusive as taxas das eleições proporcionais.
As coligações consistentes também não tiveram sucesso durante todo o período analisado. Os melhores desempenhos conquistados foram nas eleições de 1990 e 1994, anos em que também foi possível identificar os maiores percentuais de coligações consistentes na concorrência eleitoral. Embora nestes dois pleitos ter
havido as mais elevadas ofertas deste perfil, isto não significou de forma expressiva um sucesso eleitoral. Nos pleitos eleitorais de 1986 e 2006 as coligações consistentes tiveram os seus resultados mais ruins, quando nenhuma deles conseguiu vitória.
As coligações semiconsistentes conduziram a preferência do eleitorado em 1986, 2002, 2006 e 2010. O centro obteve sucesso nestas eleições com sua estratégia de não trazer consigo parceiros de espectros ideológicos antagônicos nos estados. Por outro lado, é também importante ressaltar as diferenças entre as eleições. Em 1986, todas as coligações semiconsistentes que concorreram às eleições tiveram vitória, mas ao mesmo tempo foi neste ano em que as inconsistentes tiveram as suas melhores taxas de sucesso eleitoral. Esta informação nos faz pensar que a estratégia do centro em aliar-se nos estados com partidos de espectros opostos não foi totalmente infrutífera.
5. OS PARTIDOS E A EFICÁCIA DAS CANDIDATURAS
Nesta seção, a intensão e observar qual o impacto que os partidos obtiveram a partir de suas estratégias. Pretendemos avaliar em que grau valeu a pena aos partidos estabelecerem determinadas coligações e se estes resultados se diferenciam. Mais uma vez é importante ressaltar que a constatação de que um determinado tipo de candidatura trouxe mais ganhos a uma legenda deve ser vista com certa cautela. A opção do eleitor em si ainda não nos oferece elementos suficientes o bastante para identificar se esta escolha foi ou não influenciada pela classificação ideológica. O eleitor tem a possibilidade de não considerar a coligação como uma variável que entra em seu cálculo de escolha, ou seja, isto é diferente de afirmar que ele não importa ou não tem afinidades com alguma ideologia ou legenda dentro do espectro esquerda-direita. Independente da questão, e importante destacar que, se para as organizações partidárias, os resultados eleitorais de alianças inconsistentes não são prejudicais, ocorre o contrário, a proximidade ideológica provavelmente não terá peso na elaboração das estratégias partidárias.
5.1 A ESQUERDA
PDT
Novamente os dados mostram que as candidaturas isoladas são infrutíferas aos partidos. Para o PDT, os resultados foram também insignificantes. Caso avaliarmos as taxas de sucesso da legenda, com exceção de 1994, os melhores resultados foram para as coligações inconsistentes. A estratégia do partido, em ter
ofertado ao eleitorado preferencialmente coligações que não consideraram a proximidade no espectro ideológico, foi, sem dúvida, eficaz.
PSB
A decisão de concorrer sozinho nas eleições e os resultados não fogem à regra também para o PSB, ou seja, os ganhos eleitorais não são significativos. A preferência do partido pela busca de aliados ideologicamente próximos em 1990 e 1994 (coligações consistentes) também não trouxe resultados positivos, devido ao fato de que as taxas de sucesso com este perfil não apresentaram os melhores resultados nestes anos. No ano de 1990, nenhuma coligação consistente obteve sucesso, apesar da oferta ter sido grande (75%). Já na eleição seguinte, em 1994, houve alguma melhora, mas não um percentual mais alto, quando observadas as outras candidaturas. A estratégia da legenda, a partir de 1994, de aumentar a oferta ao eleitorado de candidaturas inconsistentes de forma geral, foi a mais lucrativa. E importante destacar que nos anos de 1986, 1998, 2006 e 2010, houve um bom êxito com as altas taxas das semiconsistentes. Isto refere-se principalmente aos dois últimos anos em questão, quando este tipo de oferta foi pequeno (4%), mas com os resultados altamente eficazes.
PPS
O PPS não foge a regra do comportamento padrão das taxas de sucesso das candidaturas isoladas dos outros partidos. A escolha em privilegiar as candidaturas inconsistentes trouxe bons resultados, se comparadas com o aproveitamento das outras ofertadas pelo partido. As coligações inconsistentes apresentaram os melhores percentuais em todas as eleições em que a legenda concorreu. No entanto deve-se considerar que na eleição de 2006 as semiconsistentes tiveram um efeito bastante positivo, apesar de a oferta deste tipo de coligação ter sido pouca (8%).
PT
As duas primeiras eleições que o partido participou foram ruins, nenhuma vitória. O curioso é que, já em 1994, quando predominou a estratégia de coligações eleitorais consistentes, o partido apresentou sua maior taxa de sucesso com as inconsistentes. Esse padrão não foi alterado em 1998. Deve-se ressaltar que em 1998 as alianças consistentes e inconsistentes são lançadas no mesmo percentual (46%), mas a maior eficácia foi conquistada com as inconsistentes. Em 2002, a legenda
aumentou a sua oferta de coligações inconsistentes e foram elas que também tiveram os melhores resultados.
5.2 O CENTRO
PMDB
O ano de 1986 foi marcado pela hegemonia do PMDB no processo eleitoral e as taxas de sucesso do partido foram bastante elevadas em todos os perfis apresentados. Para o partido, as candidaturas isoladas também não trouxeram vantagens eleitorais, exceto em 1986. Analisando as coligações que consideram a proximidade ideológica (semiconsistentes e as consistentes em 2002) com as que não observam o espectro ideológico, constata-se que, em quatro eleições, o critério ideológico foi mais respeitado, indicando os mais altos percentuais (1990, 1994, 1998 e 2002). Levando em consideração que o PMDB teve um maior percentual de candidaturas de perfil inconsistente em dois momentos eleitorais (1986 e 2006), os dados demonstram que nem sempre esta decisão garante os melhores resultados. O ano de 2010 chama a atenção. Mesmo com a grande oferta de coligações inconsistentes (78%), elas não tiveram tanto sucesso quanto as semiconsistentes. E possível que o eleitor tenha privilegiado o partido quando na aliança não teve um mistura de esquerda e direita. Mas, e claro queisto teria que ser investigado com variáveis de controle, para identificar com cuidado as relações entre o comportamento coligacionista do partido e as reações do eleitorado.
PSDB
As candidaturas isoladas indicaram um alto percentual de sucesso em 1994 e 2002. Isto significa que todas foram vencedoras, mas deve ser lembrado que foi pequena a quantidade de ofertas (5% em 1994 e 4% em 2002). Somente na eleição de 2006 que o partido apresenta o seu maior percentual de vitórias com coligações em que o espectro ideológico foi observado (semiconsistentes). Curiosamente é que no PSDB é verificado um mesmo fenômeno encontrado no PMDB na competição eleitoral de 2006. Apesar de em 2006 a legenda ter oferecido ao eleitorado uma ampla oferta de coligações inconsistentes (67%), não foram estas as que tiveram mais sucesso.
5.3 A DIREITA
A decisão de concorrer isolado resultou em baixos percentuais de sucesso. A exceção são as eleições de 1994 e 1998. As coligações consistentes são pouco eficazes. A legenda privilegiou as candidaturas com este perfil até 1994. No entanto, apenas em 1990 elas conseguiram os melhores resultados, quando superaram os percentuais das outras.
Analisando o desempenho das inconsistentes, existe uma inversão. Este é o perfil mais eficaz de praticamente todas as eleições, somente em 1990 elas perderam para as consistentes e em 2006 para as semiconsistentes, este foi o ano em que o partido não lançou coligações consistentes.
Deve-se ressaltar que a estratégia do partido, principalmente a partir da eleição 1994, de não privilegiar a identidade ideológica, trouxe bons resultados, pois são essas as alianças que atingem as mais altas taxas. Em 2010, entretanto, há uma alteração interessante deste quadro, quando as semiconsistentes tem melhor desempenho em relação às outras, apesar da legenda não as ter privilegiado.
PP (B)
As candidaturas isoladas também não apresentaram percentuais que fossem significativos, houve apenas uma exceção em 1990. Mesmo que as coligações consistentes tenham sido a maior opção da legenda nas duas primeiras eleições, esta estratégia não foi escolhida pelo seu eleitorado em 1986, ano em que o partido somente venceu quando concorreu com coligadas inconsistentes. Houve uma alteração em 1990, ano em que a maior taxa de sucesso esteve com as consistentes. No entanto, não é ao acaso que a ocorrência deste perfil de candidatura vem reduzindo a partir de 1994. As taxas de sucesso das inconsistentes têm sido as mais produtivas ao partido, seguidas das semiconsistentes.
PTB
Em todo o período analisado as candidaturas isoladas foram totalmente sem sucesso. Mesmo com a estratégia preferencial por coligações consistentes em 1986, elas não tiveram bom desempenho, pois nenhuma obteve vitória. Aconteceu o contrário, neste ano a maior taxa de sucesso do partido ocorreu com as alianças inconsistentes. As taxas de sucesso com as candidaturas coligadas consistentes foram as mais produtivas em 1990 e 2002. Interessante foi o fato do partido, nestes anos eleitorais, não ter apresentado uma oferta ampla deste perfil, principalmente em 2002 (5% das candidaturas em que participou). Já em 2010 a maior taxa de sucesso ficou com as semiconsistentes. Isto talvez indique que o PTB esteja caminhando na
contra mão. Ele tem privilegiado as coligações inconsistentes nas eleições de 2002 e 2006, no entanto consegue os melhores resultados quando considera a classificação ideológica. Quanto às inconsistentes, elas tiveram melhores resultados que as outras candidaturas em três eleições (1986, 1994 e 1998).
PL/PR
O resultado das candidaturas isoladas também repetiu o padrão encontradonos outros partidos, ou seja, eles são insignificantes. O cuidado que o PL/PR tinha em considerar a proximidade ideológica nas estratégias eleitorais forneceu resultado até a eleição de 1994. Nas primeiras três eleições foram as semiconsistentes ou as consistentes que tiveram as melhores taxas. Mesmo que o partido tenha desde 1998 crescentemente privilegiado a formação de coligações que não constituíram proximidade no espectro ideológico, e isto tenha dado algum resultado, foi em 2006 que o resultado das semiconsistentes é o mais produtivo. E importante ainda destacar que é justamente na eleição de 2006 que a oferta das inconsistentes chegou a 92%. Isto e, parece que a estratégia do partido nestes anos também está indo na contramão.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com relação ao padrão geral das candidaturas apresentadas, verifica-se que as coligações têm sido a opção predominante na nova democracia brasileira. O estudo indica que a grande maioria dos partidos tem estabelecido esta estratégia frente às enormes incertezas que esta eleição forma na competição eleitoral do Brasil. A instabilidade em que há na eleição majoritária estadual perante o grande número de partidos que estão concorrendo, relacionado aos elevados índices de volatilidade eleitoral neste tipo de pleito, são fatores que precisam ser considerados para entender esse fenômeno. Downs (1999) ao postular a tese da economia dos esforços, nos mostra que ainda pode-se acrescentar que o sistema presidencialista estadual contribuiu com este comportamento, no momento em que os candidatos ao executivo estadual, calculam através das alianças eleitorais, a forca no poder legislativo estadual (Lavareda, 1991). No entanto, também não é somente a expectativa de conseguir base de apoio no legislativo estadual ou a esperança de obter maior potencial de vitória que pode melhor explicar este comportamento. A negociação para conseguir cargos também entra neste cálculo.
Os dados referentes aos padrões e tendências gerais das coligações nas
desconsideradas, entretanto elas mostram uma variação como característica fundamental. As regiões/estados, em regra geral, não caracterizam níveis próximos de comportamento de uma eleição para eleição e não sendo, desse modo, possível retirar uma sistematicidade de perfil ou distinções que se repetem entre as regiões/estados na evolução das eleições. Vale destacar que foi possível encontrar alguns elementos que mostram uma diferenciação significativa de comportamento coligacionista entre as regiões/estados, e por outro, um padrão de mudanças tanto na ótica do espaço quanto do tempo. Ou seja, essa lógica baseia-se principalmente em cálculos focados na análise de variáveis conjunturais da competição nos estados.
O pleito de 1986, que foi o único de turno único também não gerou uma tendência bipolar de disputa nas diferentes regiões/estados, afirmando a importância de juntar à análise o elemento conjuntural desta eleição. Mesmo com algumas ressalvas já mencionadas sobre a utilização da tese de Duverger em eleições majoritárias de turno único, esta informação nos fornece subsídios para refletir sobre a influência das regras eleitorais no cenário das coligações.
Com relação ao padrão e evolução do comportamento do universo das coligações, percebemos que as alianças consistentes apenas predominam em duas eleições (1990 e 1994). Vale destacar que o foi o ano de 1990, o momento que a identidade ideológica nas coligações foi o mais considerado para estabelecer parcerias. A conjuntura eleitoral polarizada da eleição presidencial de 1989 parece ter motivado o ambiente na eleição para aos executivos estaduais, e a tese da “resistência ideológica” (Soares, 1974) mostra um poder explicativo plausível. Entretanto, o pleito de 1994 lança o começo do processo de declínio das coligações consistentes. Esta tendência se mantém até 2010, quando ocorre uma leve recuperação das uniões com este perfil. Caso ainda sejam consideradas as coligações consistentes e semiconsistentes como aquelas que observam a proximidade no espectro ideológico na estratégia coligacionista, e é também a partir da eleição de 1994 que ocorre um declínio, mas que se estabilizada em 2010.
Em termos gerais a teoria da economia dos esforços (Downs, 1999) apresentou ter um amplo poder de explicar e oferecer um diagnostico da dinâmica das coligações eleitorais. A orientação pela maximização do voto, como princípio geral, esteve presente em todos os partidos políticos e isto tem sido intensificado e ampliado nas últimas eleições. Esse comportamento pode ser demonstrado não apenas pela busca de parceiros para competir no mercado eleitoral, mas também pela crescente estratégia dos partidos em estabelecer alianças que potencializem os resultados, sendo cada vez menos expressivo a ocorrência de coligações que apresentem “resistência ideológica”. Além disto, deve ser mencionado que a orientação para