Plano
Decenal De
araPiraca
Desenvolvimento territorial
sustentável no agreste
alagoano
Arapiraca . 2012
PLANO DECENAL DE ARAPIRACA
PREFEITURA MUNICIPAL DE ARAPIRACA
JOsé LUCIANO BARBOsA (Prefeito)ROgéRIO AUTO TEóFILO (Vice-Prefeito) sECRETARIA DE PLANEJAMENTO: HELENA VIRgíNIA MOREIRA (secretária) CAROLINE ALBUQUERQUE sANTOs (secretária)
PAULO séRgIO BARBOsA DE MELO, Coordenador geral - Plano Decenal JOsé MATIAs IRMãO, Co-Coordenador geral - Plano Decenal
Equipe Executiva:
ANA LéCIA sILVA sANTOs, DAVI BARBOsA NETO sALsA, JACksON gOMEs DOs sANTOs, JOsé FAUsTINO NETO, VALDENICE BARBOsA DOs sANTOs, JOsé CíCERO BARBOsA DOs sANTOs, Charlyton airan de S. dantaS, JOsé DIógENEs PEREIRA, ANA CRIsTINA VENTURA C. BARBOsA, sIMONE RACHEL LOPEs ROMãO. Colaboração:
LUIz CARLOs B. sILVA, sILVEsTRE RIzzATTO, NATyANE NUNEs. Empresas contratadas:
NOALDO DANTAs (Consultoria no planejamento). MANgUABA PRODUÇÕEs (Produção editorial). Parceiros institucionais:
FACOMAR – FEDERAÇãO DAs AssOCIAÇÕEs COMUNITÁRIAs DE ARAPIRACA FDLIs – FóRUM DE DEsENVOLVIMENTO LOCAL, INTEgRADO E sUsTENTÁVEL
Mensagem do Prefeito
Estou completando o oitavo ano de mandato no exercício de uma função que considero a mais gratificante que um cidadão possa exercer; que é a de dirigir os destinos de sua cidade. Muitas foram as realizações que comemoramos, mas ainda há muito a fazer, pois nossa cidade apresenta uma dinâmica extraordinária — que exige de seus governantes uma renovação diária de energia para um projeto de tamanha envergadura.
O desenvolvimento se constrói com obras e a realização de atividades, cobradas pela população. No entanto, não podemos deixar de considerar a importância que o planejamento ocupa em um mundo com recursos cada vez mais escassos para atender às demandas crescentes. O planejamento deixa de ser apenas uma necessidade, para se tornar o diferencial entre o sucesso ou o fracasso de uma gestão.
Estando para concluir meu segundo mandato como prefeito, não poderia fazê-lo sem deixar uma contribuição na forma das sugestões apresentadas pelo Plano Decenal de Arapiraca, que tem o propósito de estimular o início do debate sobre o que precisamos, para manter nossa cidade no rumo do desenvolvimento sustentável.
No próximo ano, o futuro gestor da cidade deverá elaborar o PPA (Plano Plurianual) para o período de 2014 a 2017, e a discussão sobre as sugestões aqui apresentadas já poderá vir ao debate, com uma lógica interessante, ou seja, por um lado, o FDLIs estruturado para uma nova realidade e com o Plano Decenal na mão; por outro lado, a equipe da nova gestão com muita vontade de trabalhar e realizar o sonho de nosso povo.
Neste momento esperamos que haja uma grande simbiose entre sociedade e poder público, pois está mais que provado que só a ação do poder público não é suficiente para tornar nossa cidade um local bom para se viver.
A lógica do Plano Decenal é interessante: não se resume em construir um Plano de Desenvolvimento, mas também apresentar uma governança para este plano, contribuindo para que ele seja colocado em prática, uma das grandes preocupações dos cerca de mil arapiraquenses que participaram de sua construção. Juntamente com as propostas, também está sendo apresentado um modelo de gestão, aproveitando a estrutura já existente do FDLIs e propondo um redesenho de seu formato de atuação; dotando nosso Fórum de estrutura executiva, que possa dar suporte às atividades consultivas e deliberativas.
Parabenizo toda a equipe do Plano Decenal pela dedicação e esforço realizado, para chegarmos a este resultado. Não temos dúvida de que as contribuições aqui registradas serão importantes para a continuidade do crescimento de nossa terra, de uma forma sustentável e com inserção social.
LUCIANO BARBOsA
, Outubro de 2012Coordenação Editorial: REgINA BARBOsA
Redação e pesquisa do Cap 01 e 02: REgINA BARBOsA
Redação e sistematização do Cap 03, 04, 05 e 06: PAULO séRgIO BARBOsA DE MELO, JOsé MATIAs IRMãO, sIMONE RACHEL LOPEs ROMãO.
Colaboração na pesquisa do Cap 02: sIMONE RACHEL LOPEs ROMãO. Revisão temática: sIMONE RACHEL LOPEs ROMãO, HERMANO DE FIgUEIREDO, PAULO séRgIO BARBOsA DE MELO, JOsé MATIAs IRMãO. Revisão ortográfica: OLgA gUsMãO, sIMONE RACHEL LOPEs ROMãO, CAMILA FIgUEIREDO MENDEs.
Edição final de textos: REgINA BARBOsA
Capa, Projeto gráfico e Design: REgINA BARBOsA Fotografias de Capa: CAMILA CAVALCANTE
Fotografias internas: CAMILA CAVALCANTE, JOsé FAUsTINO NETO, JACksON DOs sANTOs, DAVI sALsA, HERMANO FIgUEIREDO e REgINA BARBOsA.
Ilustrações: JOsé VICENTE (Vick).
A AsCOM (Assessoria de Comunicação - Prefeitura de Arapiraca) e a CâMARA MUNICIPAL DE ARAPIRACA cederam fotografias.
Colaboração no design: yURI gUIMARãEs, JÚLIA BARBOsA E kÁTIA sUELy. Colaboração na coleta de dados: ANA LéCIA s. sANTOs, ANA CRIsTINA VENTURA C. BARBOsA, VALDENICE BARBOsA, JOsé FAUsTINO NETO, JACksON DOs sANTOs E kÁTIA sUELy.
Colaboração na logística: JOsé CíCERO B. DOs sANTOs
Agradecimentos: zezito guedes, Albério Carvalho, Rosa Maria ângelo de O. Lira, Wilma Nóbrega, João Paulo de Nascimento silva, Marcelo Mascaro, Davi salsa, Margarete santos, Adso Levi Mendes, Nataska Conrado, Núbia Maria Ludovico, Maria do socorro, Maria do Patrocinio, Vitória s. Barbosa, Rita de Cássia, Eliza Magna, Emanoela Nunes Ferro, Hosana Cláudia, Lourdes Rizzatto, Alexandre Lopes, Márcio José Moura de Araújo, Maria de Fátima Lima, José Ademir de Lima, Adriano Targino Bispo.
Edição: Manguaba Produções. Maceió-AL
Impressão e fotolitos: Jolypaper gráfica - Jaboatão dos guararapes-PE
PRODUÇãO EDITORIAL
- PLANO DECENAL DE ARAPIRACAArapiraquenses,
Estamos concretizando um sonho. Apresentamos o resultado de um trabalho de construção coletiva, vivenciada ao longo dos últimos oito meses — o Plano Decenal de Desenvolvimento — que contou com a participação de cerca de mil cidadãos e cidadãs de nossa cidade.
A ideia nasceu do Prefeito Luciano Barbosa, que estando para concluir o seu segundo mandato, demonstrou a preocupação em deixar informações preciosas para os futuros gestores. Coube a mim e ao Professor Matias a tarefa de coordenar esta nobre missão que nos orgulha imensamente.
Foi um belo presente, pois a construção do Plano Decenal, ao tempo em que nos colocou em contato com as riquezas de nossa cidade, proporcionou a visão crítica de suas dificuldades e a percepção das potencialidades, com a oportunidade de debater e refletir sobre as soluções, e assim contribuir para o desenvolvimento da nossa querida Arapiraca.
Iniciamos o trabalho em dezembro de 2011, e muitas foram as pessoas que auxiliaram, para que conseguíssemos atingir o nosso objetivo. Foram realizadas 16 oficinas na zona urbana e 12 na zona Rural. O resultado das propostas e demais pesquisas estão presentes neste livro.
No Capítulo Um, optamos por apresentar uma cronologia dos principais fatos históricos e reflexões sobre a identidade local.
No Capítulo Dois, apresentamos um panorama atual de Arapiraca, e nos deparamos com uma quantidade muito grande de dados — por conta de tantas singularidades, e pela quantidade de obras, programas, projetos de uma cidade em movimento intenso.
A ideia do Plano Decenal não foi a de esgotar os assuntos, e sim produzir uma agenda que servisse de instrumento para o início das discussões sobre os grandes temas ligados ao desenvolvimento da cidade, que foram agrupados em 10 eixos, a serem debatidos de forma permanente nas 10 Câmaras Técnicas do Fórum de Desenvolvimento Local Integrado e sustentável. Essas propostas estão apresentadas no Capítulo Três.
Ao fazermos uma análise mais detalhada do trabalho desenvolvido pelos prefeitos da década de 1970 até os nossos dias, percebemos que em maior ou menor grau, todos contribuíram para os avanços da atualidade.
Um ponto de destaque é que a cultura do planejamento está enraizada — vários Planos foram elaborados. Lembro-me das conversas com o Prefeito severino Leão, que em 1994 já falava em elaborar o Plano Diretor de Arapiraca, assunto que nos dias de hoje está na agenda do Ministério das Cidades como prioridade, inclusive com fonte de recursos para o financiamento pelo governo Federal.
Nos estudos realizados, foi identificado que em 1999, na primeira gestão da Prefeita Célia Rocha, foi elaborado o Plano de Desenvolvimento Local Integrado e sustentável pela Comunidade Ativa. Em sua segunda gestão, foi elaborado o Diagnóstico Comunitário Urbano e Rural, em parceria com a FACOMAR. Na primeira gestão do Prefeito Luciano Barbosa, foram elaboradas a Agenda 21 Arapiraca e o Plano Diretor Municipal Participativo e, agora para encerrar o seu segundo governo, o Plano Decenal de Desenvolvimento.
A Agenda 21 Arapiraca foi uma importante fonte inspiradora. Este documento conseguiu sintonizar o desenvolvimento local com os regional e nacional, visto que o movimento das agendas 21 foi patrocinado pelo governo Federal; em sintonia com o pensamento preconizado pela ONU.
Outro instrumento importante foi o Plano Municipal de Educação que nos subsidiou com diversos dados e indicativos.
Para alavancar o desenvolvimento local, é importante estabelecermos uma sintonia com os programas do governo Federal e, de forma abrangente e eficiente, precisamos continuar pleiteando e aplicando esses recursos.
Todos os que participaram das oficinas esboçaram a visão que têm para os dias vindouros, e estes anseios foram apresentados nos pressupostos das dez visões de futuro que estão no Capítulo Quatro.
Dois assuntos recorrentes nas oficinas estão nas perguntas: 1) O FDLIs, na qualidade de futuro gestor do Plano Decenal, terá autoridade para impor aos prefeitos sua aplicação? 2) será o Plano Decenal mais um Plano que vai cair no esquecimento?
Minha resposta em todos os momentos é que não podemos impor a aplicação do Plano Decenal, pois vivemos em um regime democrático: nossos gestores são eleitos pela maioria da população, mas esses têm autonomia institucional para gerir os destinos da cidade durante os seus quatro anos de mandato. No entanto, considero que este documento reflita os anseios da população, e tenhamos muita chance de, num processo de discussão democrática, negociar a inclusão de ações do Plano Decenal entre os objetivos das futuras gestões.
Quanto à segunda pergunta, dependemos muito de como a sociedade vai conduzir a gestão do Plano. E para que isso aconteça de forma consistente, apresentamos neste livro — no Capítulo Cinco — uma proposta de governança do Plano Decenal. Como também propomos iniciar uma nova etapa deste trabalho, que é a estruturação do FDLIs, para que se faça uma governança eficiente e aquele seja o grande elo entre a sociedade e os governos Municipal, Estadual e Federal, como também com a iniciativa privada, pois o Plano Decenal é para o município de Arapiraca, não se restringindo apenas às ações a serem desenvolvidas pela Poder Público Municipal.
No Capítulo seis é apresentado um relato do processo de realização das oficinas com as fotografias e nomes dos participantes das atividades realizadas na zona Rural e na zona Urbana.
Muitas foram as pessoas que auxiliaram, para que conseguíssemos atingir o nosso objetivo. A empresa do Noaldo Dantas conduziu de forma competente as oficinas na zona urbana. O Prof. Matias dividiu comigo a coordenação dos trabalhos e mediou as oficinas realizadas na zona Rural. Não poderia deixar de registrar a participação da equipe do Plano Decenal formada por: Ana Lécia s. santos, Ana Cristina Ventura, Charlyton airan dantas, Valdenice Barbosa, Jackson gomes, Luiz Carlos silva José Faustino Neto, José Cícero Barbosa, José Diógenes e simone Romão, Davi salsa; sem a ajuda dos quais, certamente não conseguiríamos tal realização.
Houve a importante contribuição da “Manguaba Produções” que, por intermédio de Regina Barbosa, viabilizou a edição e produção gráfica desta publicação.
Como dissemos, o trabalho apenas foi iniciado, temos muito a fazer pela frente. A construção de uma grande cidade requer o esforço de toda a população, que deve se unir aos seus gestores; abrindo um grande debate, que certamente continuará construindo os caminhos para a nossa querida Arapiraca.
Um forte abraço!
Paulo sérgio Barbosa de Mello Professor José Matias Irmão
Sumário
Capítulo 01 - HIsTóRIA E IDENTIDADE ... Cronologia de fatos históricos de Arapiraca ... História e Identidade local ... O ciclo fumageiro ... A feira livre ... Fluxos do agreste ... A árvore Arapiraca ... Relíquias do passado ... O Asa e a ferrovia ... Bodegas e Botecos ... Expansão e contradições... Imagens da cidade ... Capítulo 02 - PANORAMA DE ARAPIRACA ... Caracterização ... Localização ... População ... MEIO AMBIENTE ... DEsENVOLVIMENTO HUMANO DEsENVOLVIMENTO ECONÔMICO ... DEsENVOLVIMENTO URBANO ... DEsENVOLVIMENTO RURAL ... Capítulo 03 - PROPOsTAs DO PLANO DECENAL ... Apresentação ... O desenvolvimento sustentável e a Agenda 21 local ... Princípios do Plano Decenal de Desenvolvimento alinhados com a Carta de Princípios da Agenda 21 Arapiraca ... Estrutura Do Plano Decenal ... Eixo Temático 1 - EDUCAÇãO PARA A sUsTENTABILIDADE ...
EDUCAÇãO ... EsPORTEs ... JUVENTUDE ... Eixo temático 2 - ARAPIRACA CRIATIVA - CULTURA ... Eixo temático 3 - REDUÇãO DAs DEsIgUALDADEs sOCIAIs - AÇãO sOCIAIs ...
09 10 23 25 27 29 31 33 35 37 38 40 45 47 48 50 53 58 64 72 74 77 78 82 86 87 88 90 91 94 94 94 95 96 97 98 100 102 114 121 123 124 125 126 127 128 136 137 138 140 Educação ... Cultura ... Turismo ... saúde ... segurança ... Assistência social ... Esportes ... Mercado de trabalho ... Comércio ... serviços ... Indústria ... Abastecimento de água ... saneamento ... Acessibilidade ... Limpeza Pública ... Energia Elétrica ... Transportes ... Habitação ... Obras e Intervenções Urbanas ...
sAÚDE ... gERAÇãO DE EMPREgO E RENDA ... sEgURANÇA PÚBLICA ... Eixo temático 4 - CIDADE sUsTENTÁVEL - INFRAEsTRUTURA ... DEsENVOLVIMENTO URBANO ... Eixo temático 5 - gEsTãO DOs RECURsOs NATURAIs - MEIO AMBIENTE ... Eixo temático 6 - CIÊNCIA E TECNOLOgIA PARA O DEs. sUsTENTÁVEL... Eixo temático 7 - DEsENVOLVIMENTO ECONÔMICO ... Eixo temático 8 – INFRAEsTRUTURA E INTEgRAÇãO REgIONAL -TRâNsITO Eixo temático 9 - DEsENVOLVIMENTO E FORT. INsTITUCIONAL ... Eixo temático 10 - AgRICULTURA sUsTENTÁVEL - AgRICULTURA ... Propostas polos rurais - POLO BAIXA DA ONÇA ... POLO BATINgAs ...
POLO PAU FERRO ... POLO CANAã ... POLO CANgANDÚ ... POLO CAPIM ...
POLO VILA sãO JOsé ... POLO MAssARANDUBA ... P0LO BANANEIRAs ...
POLO VILA sãO FRANCIsCO ... POLO VILA APARECIDA ... POLO PAU D’ARCO ...
Capítulo 04 - VIsãO DE FUTURO DO PLANO DECENAL DE ARAPIRACA ... A Arapiraca que queremos no futuro ... EDUCAÇãO - Educação para a sustentabilidade ... CULTURA Arapiraca criativa ... sOCIEDADE - Redução das desigualdades sociais ... URBANIDADEs - Cidade sustentável ... MEIO NATURAL - gestão dos recursos naturais ... CIÊNCIA E TECNOLOgIA - Ciência e tecnologia para o des. sustentável ... ECONOMIA - Desenvolvimento econômico ... INTEgRAÇãO - Infraestrutura e integração regional ... gEsTãO - Desenvolvimento e fortalecimento institucional ... MEIO RURAL - Agricultura sustentável ... Capítulo 05 - IMPLEMENTAÇãO DO PLANO DECENAL
governança do Plano decenal ... Minuta de propostas ... Objetivos ... Formato de atuação ... Câmaras temáticas ... Arcabouço legal ... Ferramentas de gestão ... Capítulo 06 - OFICINAs DO PLANO DECENAL DE ARAPIRACA... Oficinas da zona Urbana ... Oficinas da zona Rural ... Oficinas de apresentação de resultados ... ANEXOs ... 142 145 147 148 150 152 154 156 157 160 163 166 167 168 169 170 171 172 173 174 175 176 177 179 181 182 183 184 185 186 187 188 189 190 191 195 196 197 198 199 200 200 203 204 212 220 223
HISTÓRIA E
CAPÍTULO 01
IDENTIDADE
10 . Plano deCenal de araPiraCa
Neste capítulo são apresentados os principais
dados históricos de Arapiraca: o marco de fundação, a
luta pela emancipação, a urbanização, o ciclo do fumo,
a expansão da feira e o crescimento da cidade.
O Plano decenal pensa o futuro, apresenta
propostas para o desenvolvimento local. No entanto,
para planejar é necessário conhecer a História, entender
os fatos e os paradigmas de cada época.
Apresentamos uma cronologia, veiculando de
forma objetiva, os principais eventos e fatos históricos,
visando favorecer a leitura e a pesquisa.
Na segunda parte, os textos discorrem sobre
a identidade e a História de Arapiraca, com reflexões
sobre a essência desta cidade.
A questão da identidade é ampla e dinâmica,
outros processos de pesquisa sobre o tema podem
complementar e aprodundar algumas das reflexões
levantadas neste capítulo.
Fundação
Manoel andré, no ano de 1848 saiu do povoado de Cacimbinhas (Palmeira dos Índios), para formar nova moradia.
A árvore Arapiraca
nas andanças do fundador em busca do novo local de moradia, Manoel andré escolheu uma árvore para descansar, quando resolveu fixar residência, assim, a cidade nasceu à sombra da árvore “arapiraca”.
SéCulO XIX
Chegada de Esperidião Rodrigues
o Coronel esperidião rodrigues da Silva (sobrinho de Manoel andré), chegou em 1880 e empreendeu muitas lutas pelo desenvolvimento e emancipação local, e estabeleceu-se com a primeira casa de negócio no povoado, no ramo de estivas e tecidos.
Presença quilombola
as comunidades de Carrasco e de Pau d’arco são locais de remanescentes de quilombos. há relatos dos moradores afirmando estarem residindo em arapiraca desde o século XiX.
Início da produção de fumo
a cultura do fumo foi introduzida por Francisco Magalhães. o agricultor plantou fumo pela primeira vez em um curral onde cuidava de gado no atual bairro de Cacimbas.
Feira livre
a feira livre de arapiraca teve origem em 1884 e foi a grande propulsora para a expansão do povoado e mais tarde contribuiu também para a emancipação política do Município.
Cartório e subdelegacia
em 1892, esperidião rodrigues conseguiu a instalação de uma Subdelegacia de Polícia e um Cartório de registro Civil.
Produção agrícola
o fundador junto com a sua família, assim que se instalou, deu início ao cultivo de mandioca, feijão, milho e algodão.
As primeiras trilhas
Uma trilha foi aberta para facilitar o escoamento da produção, no ano de 1863, e foi bastante utilizada pelos almocreves. os produtos agrícolas eram levados para as feiras de povoados próximos, através desta trilha e de outras que surgiram com o passar dos anos.
Religiosidade Cristã
Manoel andré construiu uma capela em homenagem a sua primeira esposa falecida. o fundador trouxe uma imagem de nossa Senhora, da cidade de Bom Conselho, Pe, contando com a ajuda da segunda esposa, e assim no dia 02 de fevereiro de 1865 ocorreu a primeira Missa do povoado.
Expansão da ocupação
em 1875 houve a construção das primeiras casas num lugar que foi denominado de “Quadro de arapiraca” (um tipo de medida tradicional). outros familiares de Manoel andré ocuparam as terras do povoado. a partir de então, através de casamentos entre parentes, formaram-se diversos núcleos familiares e também, aconteceu a ampliação do povoado além do quadro.
SéCulO XIX
Igreja de São Sebastião
em 1904, foi construída a igreja de São Sebastião.
Escola de música
esperidião rodrigues em 1908 criou uma escola de música, custeando um Maestro vindo de traipú.
Luta pela emancipação
arapiraca pertencia ao município de limoeiro de anadia. a partir de 1912, teve início uma campanha pela emancipação com a participação de vários habitantes, tendo na liderança o Coronel esperidião rodrigues.
Primeiro automóvel da cidade
no ano de 1922, o cidadão Manoel leão adquiriu um caminhão Ford 1919, figurando como o primeiro automóvel da cidade. além do uso pessoal, levava passageiros à capital, transportando produtos, abastecendo o comércio e ajudando na comunicação local.
Independência municipal
após vários anos de luta, no dia 30 de maio de 1924, a lei nº 1.009 foi sancionada pelo governador, Fernandes lima, criando o município de arapiraca, contando com a liderança de esperidião rodrigues.
Festa de emancipação
depois de criado o município houve um tempo para a organização do poder local e a construção da sede. no dia 30 de outubro de 1924 ocorreu a inauguração do Paço Municipal e a festa de emancipação de arapiraca.
Posse do primeiro prefeito
no dia 07 de janeiro de 1925, tomou posse o primeiro Prefeito, esperidião rodrigues da Silva, tendo como vice-prefeito José Magalhães.
Luz elétrica
ocorreu a instalação da luz elétrica, pelo empresário antônio apolinário Correia em 1925. esta empresa, no ano de 1945 foi vendida a Valdomiro Barbosa.
Expansão da produção de fumo
a partir da década de 1930, a cultura do fumo passa a ser desenvolvida em grandes “currais de fumo”, ampliando as áreas de cultivo. a partir de 1945 torna-se a principal cultura. nos anos de 1950, acontece a instalação de empresas de fumo.
Câmara dos Vereadores
ocorreu a instalação da Câmara de Vereadores de arapiraca em 1936.
12 . Plano deCenal de araPiraCa
Escola Adriano Jorge
em 1939 ocorreu a inauguração do Grupo escolar adriano Jorge, primeira escola estadual em arapiraca, mas somente em 1940 é que foi instituído oficialmente o curso primário.
Cinemas
em 1940, Manoel leão construiu o Cine leão, figurando como o primeiro cinema de arapiraca. em 1952, ocorreu a inauguração do Cine trianon, e aos poucos o Cine leão foi perdendo a importância.
Instituto São Luís
o instituto São luís foi a primeira instituição de ensino particular da cidade. Foi criado pelo decreto estadual de nº 2.225, de 30 de dezembro de 1936, autorizando o funcionamento da escola, mas as aulas somente tiveram início no ano de 1944.
Paróquia do Bom Conselho
no dia 15 de agosto de 1944 foi criada a Paróquia de n. Sra. do Bom Conselho.
Construção da Estrada de ferro
em 1947, instala-se em arapiraca a empresa Camilo Collier para construir a estrada de ferro. no ano de 1948, houve a inauguração do prédio da estação Ferroviária de arapiraca.
Criação do Clube dos Fumicultores
o Clube dos Fumicultores foi inaugurado em 30 de outubro de 1949.
Fundos da Igreja de Nossa Senhora do Bom Conselho. Casarão da esquina da Rua Anibal Lima.
Plano deCenal de araPiraCa . 15
Chegada de Bancos na cidade
no ano de 1950 se deu a instalação do Banco da lavoura de Minas Gerais (em 1971 passou a ser o Banco real); no dia 10 de março de 1956 houve a instalação da Caixa econômica Federal, e no dia 24 de abril de 1958 houve a instalação do Banco do nordeste.
Ginásio Bom Conselho
no ano de 1950, foi iniciado o primeiro curso ginasial, nossa Senhora do Bom Conselho.
Conclusão da estrada de ferro
a obra da estrada de ferro teve sua conclusão em 1951, passando a operacionalizar o sistema férreo local, que favoreceu a integração regional, ligando arapiraca a Pernambuco e Sergipe.
Fundação do ASA
durante a construção da ferrovia, foi criado o Clube Ferroviário, que fechou após o término da empresa. o aSa, associação Sportiva arapiraquense, foi fundado no dia 25 de setembro de 1952, e de certa forma, deu continuidade ao ferroviário, herdando até mesmo as cores (preto e branco).
Estádio Coaracy da Mata Fonseca
o estádio Coaracy da Mata Fonseca foi inaugurado no ano de 1952 e recebeu esse nome em homenagem ao prefeito da cidade na época.
Pioneiros do radialismo
durante anos, o Cine leão manteve um alto-falante com músicas alegrando a cidade. o Cine trianon, no seu primeiro ano de existência, contou com José de Sá fazendo serviço de alto-falante que foi um dos pioneiros do radialismo na cidade, e em 1962 fez a mudança de nome para “rádio arapiraca”.
Biblioteca Pública
a Biblioteca Pública Municipal foi inaugurada em 1959, e no ano de 2001 ela passou a funcionar na Casa da Cultura que foi inaugurada em 1999, como um espaço voltado à comunidade para exposições de artes e pesquisas.
Grupo Hugo Lima
Fundação do primeiro Grupo escolar municipal, escola hugo lima em 1962.
Eletricidade de Paulo Afonso
até então a energia era fornecida por um serviço particular. o ano de 1963 se caracteriza pela inauguração da energia elétrica de Paulo afonso.
Banco do Brasil
no ano de 1965 houve a instalação do Banco do Brasil.
16 . Plano deCenal de araPiraCa
Capital Brasileira do Fumo
a produção do fumo no país alcançou o seu auge produtivo entre as décadas de 1960 a 1970, arapiraca passou a ser considerada a “Capital Brasileira do Fumo”.
Crescimento da feira livre
a partir de 1960, a feira livre passou a ser uma das três maiores feiras livres do nordeste, chegando a concentrar semanalmente mais de 30 mil pessoas.
Primeiro curso superior
em 1970 houve a Criação da Fundação educacional do agreste alagoano (FUneC), por meio da lei Municipal nº 719/70. em 1971, surge a Faculdade de Formação de Professores de arapiraca que passou a funcionar no ano de 1972, na escola Costa rego, oferecendo cursos de licenciatura.
Estação Rodoviária
ocorreu a inauguração do terminal rodoviário de arapiraca no ano de 1970.
Chegada de água encanada
até então a cidade não contava com água encanada. o ano de 1973 é caracterizado pela chegada da água encanada do rio São Francisco, momento de grande festa na cidade.
Bar do Paulo
Paulo lourenço, chegando de São Paulo em 1973, abriu o bar que se tornou um ponto de encontro, um espaço de referência na cultura local.
Rádio Novo Nordeste
a rádio novo nordeste aM foi ao ar no dia 20 de agosto de 1976 como a primeira difusora local, numa grande festa que movimentou toda a cidade.
Fundação da ACALA
no dia 14 de junho de 1987, oficializou-se a academia arapiraquense de letras e artes.
Criação da UNEAL
em em 1990, a FUneSa, Fundação educacional do agreste foi estadualizada, e passou a integrar a Fundação Universidade estadual de alagoas em 1996.
Declínio da cultura fumageira
até o ano de 1990 havia uma produção crescente de fumo. a partir do final da década de noventa, uma série de fatores resultou no declínio do ciclo do fumo.
Fórum DLIS
o Fórum de desenvolvimento local integrado e Sustentável (dliS) foi lançado no dia 22 de outubro de 1999.
Panorâmica de parte do centro da cidade, onde se visualiza a Praça Marques da Silva; Largo Dom Fernandes Gomes, década de 1960.
18 . Plano deCenal de araPiraCa
ASA - campeão alagoano
desde 1953 o time não conquistava o título, mas o século XXi começou muito bem para os arapiraquenses com a vitória do aSa no campeonato alagoano, e a partir de então foi campeão nos anos de 2001, 2003, 2005, 2009 e 2011.
Campus UFAL Arapiraca
o Campus arapiraca foi criado em 16 de setembro de 2006, aprovado pela resolução nº 20/2005 de 01 de agosto de 2005 pelo Conselho Universitário da Universidade Federal de alagoas.
Centro Administrativo Antônio Rocha
Construído e inaugurado na administração da ex-prefeita Célia rocha, foi inaugurado em novembro de 2004, o Centro administrativo antônio rocha passou a ser sede do poder executivo na primeira gestão do prefeito luciano Barbosa.
Museu dos Esportes
Foi criado em 2006 o museu dos esportes, em homenagem a Vicente Categoria, ex-atleta do aSa.
Comunidades quilombolas
no ano de 2007, o Governo Federal reconheceu as comunidades de Carrasco e de Pau d´arco como remanescentes de Quilombos. no dia 13 de julho de 2007 foi publicado este registro no diário oficial da União.
Memorial da Mulher
Foi inaugurado no dia 07 de março de 2008, o Memorial da Mulher, espaço cultural que faz uma importante homenagem a memória de Ceci Cunha.
Agenda 21 de Arapiraca
no dia 26 de outubro de 2008 houve o lançamento da agenda 21 de arapiraca, em evento festivo que afirmou a relevância desta ferramenta para o desenvolvimento sustentável da cidade.
Lago da Perucaba
o antigo açude do dnoCS, departamento nacional de obras Contra a Seca, passou por diversas obras de despoluição, pavimentação, paisagismo e urbanismo, ocorrendo a inauguração no dia 20 de março de 2009. e passou a se chamar lago da Perucaba.
Museu Zezito Guedes
o antigo prédio da Prefeitura de arapiraca, construído em 1946, foi transformado num espaço cultural. em 29 de outubro de 2009 foi inaugurado o Museu Zezito Guedes como um espaço de exposição do patrimônio material e imaterial de arapiraca.
Sesc Arapiraca
a unidade Sesc em arapiraca foi inaugurada no dia 27 de novembro de 2009, no bairro Santa edwiges.
Reforma do Estádio
o estádio Coaracy da Mata Fonseca foi reinaugurado no dia 07 de maio de 2010, com novo gramado, novo sistema de iluminação, nova arquibancada, novos vestiários, melhoria das cabines de rádio e tV, além de alambrados, placar eletrônico e sistema de som.
Área Verde Dom Constantino
a inauguração da Área Verde dom Constantino, ocorreu em outubro de 2005.
Bosque das Arapiracas
Foi inaugurado o Bosque das arapiracas no dia 28 de outubro de 2011, pelo prefeito luciano Barbosa, num grande evento que fez parte das comemorações aos 87 anos de emancipação Política de arapiraca.
Ginásio de esportes João Paulo II
em 2012 foi inaugurado o Ginásio de esportes João Paulo ii, local destinado a prática e para eventos esportivos.
Planetário
Foi inaugurado o Planetário, no mês de outubro de 2012, no lago da Perucaba.
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Hino oficial de Arapiraca
sob um céu de safira estrelado,
Num agreste dêste imenso Brasil,
Fôra um rincão pequenino fadado
A ser majestoso, soberbo e viril.
CÔRO
Arapiraca, Estrêla radiosa,
Que fulgura sob o céu do Brasil,
Cidade sorriso, cidade formosa,
Cheia de esplendor e de encantos mil.
Arapiraca fôra a inspiração
De um sertanejo cheio de fé.
Rendamos, pois, de coração
O nosso “HOsANA” a Manoel André.
A cultura do fumo, a sua riqueza,
O “OURO NEgRO”, que os seus campos veste
Lhe adquirira um título de nobreza,
“cidade galã”. PRINCEsA DO AgREsTE.
Terra adorada, gloriosa terra,
Crisol da Pátria, abençoada por Deus
Receba, pois, o afeto que se encerra
Nos meigos corações dos filhos teus.
Criado pelo Projeto de Lei n.º 36/61, do vereador Higino Vital da Silva (Sessão Ordinária do dia 11/11/1961).
Aprovado na Sessão Ordinária do dia 25/11/1961. Letra do professor Pedro de França Reis.
O tema da identidade nas Ciências sociais adquiriu, nas últimas décadas, grande importância e vem gerando amplos debates. Os acontecimentos históricos; as atividades produtivas; as expressões culturais, as crenças, as relações etnico-raciais, as contingências geográficas são elementos importantes no entendimento da identidade local.
Há cidades que nascem, e se desenvolvem à margem da presença generosa de um rio, ou nascem de uma lenda, um suposto milagre. Algumas passaram por longo processo de ocupação e expansão; há outras que nascem planejadas, para depois serem povoadas.
Uma cidade, além de ser um aglomerado de casas, ruas, escolas, lojas, é um espaço de convivência e de interação humana. Cada cidade tem um jeito de ser, uma identidade forjada pelos acontecimentos históricos, culturais, fatores sócioeconômicos. Para entender a identidade de uma cidade é necessário ir além dos dados oficiais, ampliando as fontes de pesquisa.
Quando se fala na origem de Arapiraca, há sempre a alusão ao pioneirismo do fundador em desbravar essas terras, mas não há fontes bibliográficas que especifiquem qual foi a participação dos demais grupos étnicos, como quilombolas e indígenas, o que indica a necessidade de novas pesquisas.
As atividades agrícolas favoreceram uma divisão fundiária em pequenas propriedades, e isso contribuiu para uma diferenciação do modelo do seu crescimento, em relação a outras cidades alagoanas que tiveram, ou têm, como base econômica a monocultura da cana-de-açúcar.
Ao longo das décadas, o intenso comércio vêm gerando interações; fluxos de mercadorias e de pessoas. As identidades desta cidade são permeadas por incorporações, composições, transformações. A cidade se apresenta versátil na construção de sua vida econômica e social.
Não existe uma identidade única. Arapiraca é hibrída, vivencia ao longo do tempo transformações e composições sociais, culturais e econômicas, exigindo renovados esforços de compreensão e formulações.
História e
Identidade local
O tabaco começou a ser cultivado em Arapiraca no final do século XIX, quando a cultura da mandioca predominava no então povoado. A partir de 1945, a produção fumageira aumentou. Na década de 1950, houve um avanço na extensão do plantio. E foi nesse período em que a vegetação nativa passou a ser drasticamente reduzida.
Arapiraca ganhou notoriedade, passando a ser chamada de capital brasileira do fumo. A dinâmica da cidade mudou, adaptando-se a essa modalidade econômica. Ivan Fernandes Lima em "geografia de Alagoas" indica: "O progresso é visível, as residências multiplicam-se, (....) O comércio já se torna variado a oferecer muitos dos confortos modernos a seus habitantes, pelas fortunas que as plantações de fumo lhe vão proporcionando". (LIMA, 1965).
A cada ano foi aumentando a produção fumageira. Nos meses de agosto a outubro, ampliava-se o movimento de automóveis com cargas de folhas de tabaco; enchendo-se os salões e até mesmo as casas de famílias com as folhas, para a destalagem.
O cheiro do fumo estava por toda parte. As mulheres e jovens aproveitavam a temporada para ganhar dinheiro; de forma inadequada, até mesmo as crianças trabalhavam. No interior dos salões e nas residências, as destaladeiras de fumo entoavam seus cantos, que ficaram gravados na memória cultural de Arapiraca.
No meio rural, houve a afirmação e a expansão da divisão fundiária em pequenas propriedades. Do ponto de vista econômico e social, o ciclo fumageiro gerou riquezas, e contribuiu para a expansão da cidade. Jean Baptiste Nardi explicita: “A indústria atraiu o dinheiro de fora pela venda de seu produto, aumentou o volume e a circulação interna, fortaleceu e ampliou as atividades econômicas e melhorou o padrão de vida da população urbana”. (NARDI, 2004).
Este ciclo produtivo no entanto não resultou numa distribuição de recursos que beneficiasse os diversos setores, tanto da cidade como do meio rural. Nardi também afirma: “A comparação do faturamento do produtor e da empresa de fumo desfiado, quando da mudança quantitativa de produção, mostra a desvantagem que leva o produtor em relação à empresa”. E ainda relatou que mediante a informalidade desta atividade produtiva, o setor público não arrecadou recursos compatíveis com a circulação de riquezas.
Uma crise tomou conta do setor a partir da década de 1990. O fim do ciclo fumageiro contribuiu para compor um modelo de crescimento mais diversificado, e tem um papel preponderante no entendimento da economia, da história e da identidade local.
O ciclo fumageiro
Plano deCenal de araPiraCa . 25
A feira livre
Uma árvore é o marco simbólico da fundação da cidade, mas foi a feira que escoou a produção agrícola e se firmou como espaço de interação sociocultural. Durante muitos anos, a feira se espalhou pelas ruas do Centro da cidade, com uma grande variedade de frutas, legumes, carnes, cereais, animais, roupas, panelas, móveis, insumos e utensílios agrícolas.
Entre as décadas de 1960 a 2000 era uma das maiores feiras livres do Nordeste, para onde convergiam além dos feirantes, os emboladores, violeiros, cordelistas e sanfoneiros, resultando num palco da cultura popular. A feira de Arapiraca foi objeto de grande interesse de etnógrafos, artistas e estudiosos por sua diversidade de produtos e riqueza cultural. O artista Hermeto Pascoal, natural de Lagoa da Canoa, afirma ter tido como base de inspiração na infância e juventude os sons da feira, bem importantes para a sua formação.
Os moradores da zona rural aproveitavam a oportunidade para ir ao banco, ao cartório e ao cinema. Tanto o Cine Trianon como o Cine Triunfo promoviam sessões matinês, nas segundas-feiras, ocasião em que o público lotava as salas para assistir a filmes de diversos gêneros, desde os brasileiros como o popular Mazzaropi; os faroestes americanos; as aventuras como “zorro”, “Tarzan” ou “James Bond”. E na semana santa não faltavam as histórias sobre a Paixão de Cristo.
A feira, como um espaço de interação, faz parte da História e da identidade de Arapiraca, com a qual a cidade cresceu e se fortaleceu. No entanto, gerava problemáticas urbanas e, no início do século XXI, passou por reordenamentos que resultaram no enfraquecimento da sua integridade.
Conforme a publicação "A cidade do futuro, Agenda 21 de Arapiraca”: “A tradicional feira livre já não existe em sua pujança cultural e social. A feira vinha multiplicando seus problemas enquanto sustentação econômica com baixa arrecadação de impostos, sujeira, falta de organização, entre outros aspectos. Assim, em janeiro de 2004, a administração municipal fez a relocalização da feira, adotando uma nova configuração”.
Atualmente, o comércio formal e informal de Arapiraca tem crescido: há feiras espalhadas nos bairros em diversos formatos, entretanto há a ausência da feira em seu vigor de outrora. Buscando referências em cidades do agreste pernambucano e agreste paraibano, pode-se trabalhar numa reorganização da feira como um negócio maior, propiciando interação social, comercial, e afirmação de identidade cultural; contribuindo também para o turismo.
Fluxos do Agreste
O agreste é uma área de transição na Região Nordeste do Brasil situada entre a zona da Mata e o sertão.
A faixa da região agreste em todo o Nordeste abriga algumas cidades que têm expressivo crescimento e dinâmica urbana como Caruaru (Pernambuco), Campina grande (Paraíba) Feira de santana (Bahia) e Arapiraca (Alagoas).
Região central do Estado de Alagoas, espaço de transição entre o bioma da Mata Atlântica e o bioma da caatinga. A faixa territorial do agreste alagoano caracteriza-se por ser uma rota de passagem. Lugar de chegadas e partidas, Arapiraca desde as suas origens, apresentava grande vocação para as interações comercial e social.
A população de Arapiraca é composta por residentes naturais. Mas há uma parcela significativa de pessoas que chegaram de cidades circunvizinhas, e até de outras regiões, resultado dos fluxos migratórios.
Atualmente a cidade vivencia de forma contundente os efeitos dos movimentos da globalização, caracterizada por estabelecer um intenso fluxo de mercadorias, serviços e informações entre os diversos países, estados e cidades.
Arapiraca, vem-se afirmando como um pólo regional, e amplia a sua estrutura tanto pelas demandas locais, como pelas demandas de todo o agreste e sertão alagoano. No ano de 2009, houve a reconfiguração da região, com a criação da Região Metropolitana do Agreste Alagoano (Lei Complementar Nº 27 em 01/12/2009) formada por 20 Municípios.
Arapiraca, desde a sua fundação, é tipicamente uma cidade agrestina, vivenciando intenso fluxo, intercâmbios comerciais, mobilização e interação social. Certamente é necessário constante estudo e entendimento da dinâmica da sociedade atual para uma construção consistente de seu futuro.
O Plano Decenal é um processo de planejamento que se apresenta como um espaço para reflexão e superação das problemáticas, refletindo a identidade, as dificuldades e as potencialidades locais.
A árvore Arapiraca
O fundador Manoel André quando chegou foi beneficiado pela sombra de uma árvore situada à margem direita do Riacho seco (atual Riacho Piauí). O historiador zezito guedes, no livro “Arapiraca através do tempo”, narra: “Quando realizava o primeiro desmatamento na área, auxiliado por trabalhadores, num dia de muito sol, Manoel André escolheu a árvore sombria, onde pudesse descansar ao meio dia. Encostou ali os instrumentos de trabalho, e cuidou de preparar a bóia, quando então, usou estas palavras: - Essa Arapiraca, por enquanto é a minha casa. Este seria o primeiro ponto de referência, o marco que, através do tempo, passaria a história”.
A árvore Arapiraca encontrada por Manoel André é da família das Leguminosas Mimosáceas (Piteodolobim), uma espécie de angico branco.
A palavra Arapiraca tem origem indígena, significando: “ramo que arara visita”. Certamente isso se deve ao fato do agreste alagoano ter sido terra indígena, e desde o século XVI a região passou a ter seu território ocupado e povoado pelos portugueses.
guedes também se refere a uma árvore quando relata sobre a formação e o desenvolvimento da feira de Arapiraca. Cita que foi em torno de uma tamarineira que os feirantes vendiam os produtos, e até mesmo usavam os galhos para pendurarem as mercadorias.
Há uma árvore desta espécie na beira da estrada na serra dos Ferreiras. No entanto pela importância simbólica para a cidade carece de proteção e até mesmo de um tombamento ambiental.
Com as recentes obras de urbanização do Bosque das Arapiracas, houve o plantio de diversas mudas desta espécie podendo no futuro esta árvore aparecer em quantidade maior.
No plano simbólico é muito positivo para a cidade ter como marco de fundação uma árvore que serve de abrigo, representa o vínculo de Arapiraca com o seu meio natural. E assim a cidade vai refazendo a sua história que pode continuar sendo vigorosa, altiva, dinâmica, mas sem descuidar do patrimônio ambiental e cultural.
Plano deCenal de araPiraCa . 31
Entre as décadas de 1960 a 2000 houve uma grande expansão urbana, quando foram eliminados as edificações que poderiam representar um patrimônio cultural na atualidade, restando apenas alguns exemplos da tipologia arquitetônica do passado.
Na esquina da Rua Anibal Lima, o primeiro andar de uma edificação preserva os traços originais de 1936 (Fotografia). A Igreja de são sebastião, na Praça Marques da silva é uma relíquia de 1904 bem como outras igrejas antigas, como a da praça Bonfim que se apresenta em estado de abandono.
A escassez de um patrimônio arquitetônico denuncia a forma como ocorreu a expansão urbana. zezito guedes, no “Mapeamento Cultural dos Municípios do Agreste” (2002) revela: “Em trinta e cinco anos, o crescimento desordenado das atividades comerciais e da feira livre de segunda-feira destruíram toda a arquitetura tradicional do centro urbano, demolindo prédios históricos e atingindo frontalmente as tradições, as manifestações populares. A partir de então as residências das ruas centrais foram compulsoriamente “expulsas” para novos bairros, invadindo a zona rural”.
No auge da produção fumageira, foram construídas residências suntuosas, ostentando o poder de uma classe emergente. Maria Angélica da silva comenta: "O fortalecimento econômico local, ocorrido em padrão não absolutamente centralizador facilitou o acesso rápido a um melhor padrão de vida para camadas diversas da população. Procuram-se formas de traduzir a prosperidade dos negócios na exibição de certo padrão de arquitetura" (sILVA,1991).
No que diz respeito as potencialidades de patrimônio imaterial, o ciclo fumageiro deixou como legado o canto das destaladeiras que tem um papel de destaque pela importância na memória da cidade.
Esta cidade aberta e interativa assimila rapidamente as novidades e nem sempre se apropria do que lhe seja inerente.
As manifestações populares tradicionais refletem a mistura de etnias, relembram antigos costumes, modos de trabalho e crenças. No meio rural, algumas manifestações se mantém vivas e afirmam a força das tradições, em especial o coco de roda, o reisado, o guerreiro, as bandas de pífanos que têm influência tantos das bases culturais européias, como indígenas e africanas.
Arapiraca vai refazendo a sua história que pode e deve continuar sendo vigorosa, altiva, dinâmica, mas é preciso enfrentar os inúmeros desafios de um processo de crescimento intenso com muitas lições a compreender, caminhos a trilhar, tesouros a preservar.
Relíquias do passado
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O ASA e a ferrovia
No ano de 1947, a empresa Camilo Collier instalou-se para a construção da estrada de ferro. Durante as obras, os operários formaram um time denominado "Ferroviário" para jogar futebol nos finais de semana. No ano de 1951, a obra da estrada de ferro estava concluída, ligando Arapiraca aos Estados de sergipe e Pernambuco.
O Clube Ferroviário neste mesmo período findou suas atividades, mas serviu de estímulo para a criação do AsA, Associação sportiva Arapiraquense, fundado no dia 25 de setembro de 1952; herdando até mesmo as cores preto e branca.
O Estádio Coaracy da Mata Fonseca foi inaugurado no ano de 1952, e também deu impulso à formação e fortalecimento do AsA. No entanto, por muitos anos, o time não tinha uma boa performance, era tido como um time azarão. Dos anos de 1970 a 1990, o ciclo fumageiro e o comércio propiciaram o crescimento local, o time também cresceu e se estruturou.
Orgulho local
A partir do ano de 2001, passou a ter vitórias significativas. é na atualidade o time alagoano que mais vem conquistando títulos.
O AsA tem recebido apoio do poder público, do empresariado local, e conta com uma torcida muito apaixonada, que está sempre ao lado do time do coração. é cada dia mais frequente o hábito de adultos, jovens e crianças fazerem parte da torcida, colocando-o acima de qualquer time da Capital ou do eixo sul-sudeste do país.
No ano de 2012 o time completa 60 anos e são muitos motivos para festas. O AsA vem tendo uma boa perfomance, com resultados que favorecem a autoestima do arapiraquense, indo além do espaço esportivo, afirmando-se como uma importante marca na identidade local e reforçando o sentimento de pertencimento.
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36. Plano deCenal de araPiraCa
Paulo Lourenço tendo ao fundo uma coleção de disco Vinil. Detalhe de instalações internas de um Bar de Arapiraca
O comércio como ponto de encontro como espaço de trocas faz parte da história de Arapiraca. Nas primeiras décadas do século XX, as bodegas eram espaços privilegiados de venda de mercadorias mas também de comunicação e de diversão.
zezito apresenta dados sobre este tema ao narrar: "Muito comum no passado, era a presença das bodegas que geralmente, o povo usava como ponto de encontro. Além da função comercial junto a comunidade, existia o fator comunicação: Era nos adjuntos de bodega que o povo falava do tempo, produção agrícola, mercado, carestia, política, religião, cangaço, nascimento, transitoriedade, vida alheia, as "novas" do dia, as "estórias de trancoso". (gUEDEs, 1999).
Ao longo das décadas outras bodegas se instalaram, cresceram, viraram lojas, outros espaços comerciais se firmaram, alguns até mesmo de forma inusitada. No final da década de 1970, quando o supermercado Vascore foi inaugurado era uma grande novidade. Por muitos anos, a lanchonete no interior deste supermercado era um espaço de encontro dos jovens.
A lanchonete Pinguim foi um lugar para onde convergiam a juventude e outros setores da população durante muitas décadas. Parques e novos bares, restaurantes se instalaram, a cidade não pára de expandir e ampliar sua vocação para a interação comercial e social.
Nas últimas décadas, alguns bares fizeram nome por terem uma identidade forte. O Bar do Paulo é o exemplo mais emblemático como um espaço de encontro de mais de uma geração, com noitadas memoráveis. Um local de se discutir política, cinema, filosofia, literatura. Mais que um bar, um espaço cultural onde durante anos acontecia uma espécie de educação musical. Paulo Lourenço, grande conhecedor de música brasileira, de jazz, de blues, de pop tem um rico acervo de discos vinil e sua história vai além das fronteiras locais.
Não somente o Bar do Paulo, como o carisma do Paulo, e também o seu acervo de discos vinis estão na cidade como um legado, carecendo de uma maior valorização e incorporação à identidade local.
Nos últimos anos, diversos outros bares e restaurantes se firmaram como espaços de diversão e de sociabilidade. Com a chegada do shopping garden, previsto para entrar em funcionamento no ano de 2013, certamente a praça da alimentação do shopping será um espaço de rica interação.
Em Arapiraca, bares e restaurantes que reflitam a cultura e história local podem impulsionar o turismo e a economia local.
Bodegas e botecos
Entre 1940 e 1950, a cultura do fumo expandiu-se: a feira livre se espalhou por diversas ruas e chegou à linha férrea. Até então, Arapiraca era um lugar pacato, semelhante ao povoado de outrora. A educação em Arapiraca, até então, acontecia apenas nas escolas isoladas. Foi nesse período que se instalou o primeiro grupo escolar e a primeira escola privada quando passou a haver alguma condição de formação escolar.
O desenvolvimento local ocorreu após a segunda guerra Mundial, momento em que o Brasil importava o modelo de vida americano, com crescente valorização e expansão da sociedade de consumo.
Na década de 1990, o declínio da atividade fumageira motivou a busca de alternativas econômicas, resultando num crescimento com bases produtivas diversificadas. Nos últimos anos, Arapiraca vivenciou um novo ciclo de expansão: surgiram universidades, clínicas, hotéis, restaurantes.
Há um crescimento vertical se impondo e formando uma nova paisagem. A cidade vem invadindo o campo, mas os costumes do meio rural permanecem presentes no tecido urbano. Os padrões de comportamento e de consumo, comuns nas metrópoles, estão presentes, demonstrando os efeitos da globalização.
Há constantes assimilações de produtos, tecnologias e estilos. Mas um processo de crescimento acelerado traz embutido os seus ”efeitos colaterais”. Num espaço de muitos fluxos surgem as oportunidades e as ameaças. A ascensão social fez surgirem as soluções prováveis e improváveis, como o crescimento de veículos e, mais ainda, a quantidade excessiva de motocicletas que impactam em grande número de acidentes.
As tecnologias são assimiladas rapidamente, pessoas e empresas fazem uso de processos de automação, redes sociais, meios audiovisuais; favorecendo o desenvolvimento local.
Há queixas no que diz respeito ao convívio, falta consciência do uso do espaço coletivo. Tanto no lazer como nas atividades comunicacionais há uso abusivo de sons, gerando poluição sonora, conflitos e sujeiras nas ruas.
O comércio cresceu, a paisagem urbana mudou, ampliando a quantidade de placas, faixas, marquises num excesso de sinalizações, resultando em poluição visual.
Diante dos inúmeros desafios de um processo de crescimento intenso, é urgente a necessidade de uma ordenação urbana que requer planejamento, investimentos; como também consciência de cada pessoa.
Expansão e contradições
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38 . Plano deCenal de araPiraCa
A folha do fumo enquanto simbologia vem deixando de ter uma importância pela decadência da fumicultura. A árvore Arapiraca nas últimas décadas ganhou força como ícone local, afirmando os processos fundantes da cidade.
A quantidade de igrejas construídas revela a forte presença da religião católica em Arapiraca. A Igreja Matriz, construída na década de 1970 tem figurado como principal monumento.
No meio urbano tem havido investimentos em áreas verdes, implantação de parques e arborização de praças. Um exemplo de sincronia entre a vegetação e a construção urbana são os caramanchões que mesmo não sendo grandes e vistosos, impõe-se como uma marca da cidade pela presença constante em praças e parques públicos, ofertando conforto e abrigo.
Esta cidade que se expande com um comércio intenso, um trânsito caótico, ao investir em arborização favorece o convívio coletivo e a preservação do meio ambiente.
é notável o avanço da educação no município, tanto pela presença das Escolas de Tempo Integral, as Arapiraquinhas e mais recente, a inauguração do Planetário, reforçando a preocupação com o fortalecimento da educação e o acesso ao conhecimento.
Arapiraca vivencia constantes transformações, gerando novas referências. Os espaços construídos, em especial o Parque Ceci Cunha, e o Lago da Perucaba ganham força como espaços de coesão social, e trazem a água como um elemento novo na paisagem.
O Planetário além de um novo espaço de acesso a conhecimentos e a tecnologia, passa a ser um referencial imagético importante.
Imagens da cidade
Igreja Matriz Nossa senhora do Bom Conselho; Planetário no Lago da Perucaba; Caramachões no Mercado do Artesanato, Parque Ceci Cunha.
PANORAMA
CAPÍTULO 02
Arapiraca beneficia diversos municípios do Agreste, do sertão e do Baixo são Francisco alagoano, funcionando como uma cidade polo, oferecendo infraestrutura, prestação de serviços e um comércio diversificado e muito dinâmico, a cidade vem contribuindo de forma decisiva para o desenvolvimento do Estado de Alagoas.
A cultura do fumo nas décadas de 1960 a 1990 movimentou a economia, gerando um ciclo de crescimento. Entretanto, com a crise deste setor, Arapiraca encontrou na diversificação agrícola — aliada ao fortalecimento das atividades comerciais, industriais e do setor de serviços — novos caminhos para o desenvolvimento sócioeconômico.
A revista Veja publicou, em agosto de 2010, que Arapiraca é uma das 22 metrópoles do futuro, analisando diversos aspectos do desenvolvimento econômico e social. A Revista Exame, no mês de agosto de 2012, publicou pesquisa da empresa norte-americana MCkinsey, que a cidade está em sétimo lugar no país, na previsão de crescimento no poder de consumo nos próximos anos.
O crescimento não é somente econômico. Arapiraca vem-se tornando referência em setores como a Educação Básica, por conta dos investimentos nas escolas de tempo integral. E a presença de diversas instituições de Ensino superior contribuindo para fixar os jovens na cidade e gerar maior enriquecimento cultural e tecnológico. Aliado a esse crescimento, a rede de saúde atende a toda a região Agreste, e os projetos urbanísticos estruturantes têm mudado a paisagem urbana. Além disso, a agricultura familiar apontam bons rumos no meio rural de Arapiraca.
Alguns setores se apresentam como o gargalo para o desenvolvimento, como o sistema de transportes, a oferta de energia elétrica, e de água, bem como um crescimento preocupante da violência, são fatores que pedem muita atenção e necessidade de investimentos.
As ações públicas têm gerado uma perspectiva positiva de qualidade de vida e de estruturação do município, mas a cidade caracteriza-se por ter uma classe média muito atuante e produtiva, o crescimento é também resultado dos esforços de um povo trabalhador. O arapiraquense em geral trabalha muito, investe e sabe reivindicar. Boa parte vem participando dos planejamentos, opinando e apontando caminhos.
A tendência é que Arapiraca continue se fortalecendo, com a melhoria da qualidade de vida para todos. O Plano Decenal construiu, junto com a sociedade, propostas para a cidade nos próximos dez anos.
Entretanto, para se conceber o futuro é preciso refletir sobre o passado e entender o momento presente. Neste capítulo apresentamos o panorama da cidade na atualidade, com as principais características e dados qualitativos e quantitativos de cada setor, tanto na zona urbana como na zona rural.
A cidade do futuro
CArACTErIZAÇÃO
Arapiraca localiza-se no agreste alagoano, região central do Estado, possui área total igual a 356,179 km². distante 126km da capital, Maceió.
O município é cortado pelas rodovias AL-115: Palmeira dos índios – girau do Ponciano e Feira grande. O acesso, a partir de Maceió, é feito através das rodovias pavimentadas BR-316, BR-101 e AL-220. A cidade também possui um ramal interligado com a malha ferroviária regional através da Rede Ferroviária Federal.
Arapiraca é polo da RMA, Região Metropolitana do Agreste alagoano. A criação desta região ocorreu por meio da Lei Complementar Nº 27 no dia primeiro de janeiro de 2009. Integram a Região Metropolitana do Agreste os seguintes municípios: Arapiraca, Campo grande, Coité do Nóia, Craíbas, Feira grande, girau do Ponciano, Igaci, Junqueiro, Lagoa da Canoa, Limoeiro de Anadia, Olho D’Água grande, são sebastião, Taquarana, Traipu, Palmeira dos índios, Estrela de Alagoas, Belém, Tanque d’Arca, são Braz e Jaramataia.
Com a Região Metropolitana, todos os municípios que a compõem podem fazer atividades em comum, como a execução de obras e implantação, manutenção e operação de serviços públicos; além de medidas para o desenvolvimento econômico e social dos municípios.
Também podem ser executadas, em comum, atividades relativas ao sistema viário de trânsito, às comunicações, à distribuição de água potável, ao tratamento e à destinação final de resíduos sólidos, à política de oferta habitacional, à saúde, e à segurança pública, entre outros.
lOCAlIzAçãO
48 . Plano deCenal de araPiraCa
REGIÃO METROPOLITANA DO AGRESTE
Rio são Francisco
RMA - Região Metropolitana do Agreste
Maceió
(Capital do Estado) (Cidade Pólo do Agreste
Alagoano) - Arapiraca
Oceano Atlântico Pernambuco
sergipe Bahia
Dados fornecidos pelo IBgE 2010, e secretaria de Planejamento de Arapiraca.
Município Gênero masculino Gênero feminino Total
arapiraca 101.884 112.122 214.006
Distribuição da população por gênero
Fonte: IBGE 2010.
O Censo do IBgE de 2010 apresenta um total de 101.884 de pessoas do gênero masculino e 112.122 de pessoas do gênero feminino, demonstrando que há um número maior de mulheres no município de Arapiraca.
No ano de 2012, no mês de março, considerado o mês da mulher, visando ampliar políticas para este público, a Prefeitura Municipal de Arapiraca criou a secretaria da Mulher, que tem a missão de inclusão social e promoção de políticas para o gênero feminino.
POPulAçãO
50 . Plano deCenal de araPiraCa
Conforme o IBgE, Instituto Brasileiro de geografia e Estatísticas, em 2010, a população de Arapiraca era de 214.006 habitantes. é considerada a segunda maior cidade do Estado de Alagoas, tanto do ponto de vista populacional como também econômico. é a capital da Região Metropolitana do Agreste, e, pela área de influência direta do município, atinge uma população de aproximadamente meio milhão de habitantes.
MuNICíPIO 1960 1970 1980 1991 1996 2000 2007 2010
Arapiraca 44.483 94.287 136.179 164.921 173.339 186.466 202.398 214.006 Urbano 21.149 46.549 87.175 130.963 138.243 152.354 163.708 181.481 Rural 23.334 47.738 49.004 33.958 35.096 34.112 38.690 32.525
Evolução da população urbana e rural do município de Arapiraca
Fonte: Diagnóstico do Plano Diretor Municipal de Arapiraca (2005) / Censo IBGE 2000, 2007 e 2010.
POPULAÇÃO RESIDENTE - GRUPOS DE IDADE
Município Total 0 a 9 anos 10 a 19 anos 20 a 29 anos 20 a 30 anos 30 a 39 anos 40 a 49 anos 50 a 59 anos ou mais60 anos
arapiraca 214.006 36.848 43.255 39.807 41.373 32.174 25.319 17.004 19.599
Fonte: Secretaria Municipal de Planejamento de Arapiraca, com informações do IBGE 2010.
Distribuição da população por faixa etária
À direita, transeuntes na Rua Manoel André.
Conforme os dados do IBgE, fazendo uma comparação entre 2000 e 2010, foi verificada a ampliação da população idosa — que cresceu 3,9% em média. Em 2000, esse grupo representava 7,2% da população; já em 2010 detinha 9,2% do total.
Arapiraca encontra-se situada numa área de transição, entre os biomas da Mata Atlântica e o da Caatinga em Alagoas, ocorrendo a manifestação de vegetação típica nessas áreas. A cultura do fumo implicou num desmatamento da vegetação nativa, implicando em desaparecimento de muitas espécies.
Nos últimos anos, a redução da fumicultura favoreceu a diversificação da agricultura, principalmente de hortaliças, milho e frutas.
Com relação à fauna, há uma incidência maior no meio rural de animais típicos dessa zona de transição, alguns tipos de aves, animais domésticos, animais de criação para consumo humano, assim como para uso em meios de transporte.
Arapiraca está situada a 264m de altitude em relação ao mar. O relevo do município é favorável ao desenvolvimento urbano e rural; apresenta uma topografia com predominância plana, diminuindo as possibilidades de deslizamentos e erosão. No entorno da cidade apresenta-se algumas serras e serrotes de variados tamanhos e formatos.
A temperatura média anual é de 28º C, entretanto ocorre variações ao longo do ano, a mínima atinge 12ºC, em junho e a máxima de 38ºC, no mês de fevereiro. O clima é do tipo tropical sub-úmido. Há uma variação durante o dia em relação à noite, quando a temperatura costuma baixar. As precipitações pluviométricas não são distribuídas de forma igualitária, mais de 50% correspondem aos meses de abril a julho. A umidade relativa do ar é de 75% no período seco (de outubro a janeiro) e de 85% no período das chuvas (maio a agosto).
O território é drenado por mananciais de águas de superfície, de bacias hidrográficas, formadas por rios como o Piauí, Coruripe, Perucaba e Riacho salgado, afluente do Rio Traipu, contribuinte do Rio são Francisco. Existem ainda o Riacho dos Vitorinos, as Lagoas de Pé Leve, Cangandu e o Lago da Perucaba.
Os principais desafios estão relacionados ao crescimento acelerado da cidade. é necessário enfrentar os problemas em relação aos recursos hídricos, evitando a ocupação das margens de rios e mananciais, e o lançamento de esgoto nos rios, riachos e lagoas.
Arapiraca, como tantas outras cidades, precisa lidar com a questão do lixo, provendo sistema de coleta seletiva, evitando a grande quantidade de resíduos sólidos que são depositados no aterro sanitário.
segundo o Plano de Ação da Agenda 21 de Arapiraca, um grande desafio é, a longo prazo, estabelecer uma cultura de desenvolvimento sustentável. A cidade vem-se expandindo num ritmo acelerado da construção civil, com grandes investimentos empresariais, e precisa ampliar com mais intensidade as áreas verdes, e preservá-las.
Está prevista a implantação da Mineradora Vale Verde em Craíbas, que fará a extração e o processamento de cobre e de ferro. Este empreendimento irá afetar a cidade sobre vários aspectos, pela envergadura da obra, podendo atingir um alto nível de impacto sobre a área a ser explorada.
A Mineradora Vale Verde e o IMA, Instituto de Meio Ambiente do Estado de Alagoas, firmaram convênio, prevendo estudos científicos para a criação de uma unidade de conservação, com área superior à do projeto, contribuindo para a preservação do bioma, e ao mesmo tempo atendendo aos requisitos da legislação para a compensação ambiental.
DESAFIOS AMBIENtAIS
Na página à esquerda, Conjunto Habitacional Jardim das Paineiras.
Em julho de 2007, foi criada a sEMAsA, secretaria de Meio Ambiente e saneamento, que atua em parceria com as demais secretarias da gestão municipal, e também com órgãos governamentais nas esferas federal e estadual, empresas, escolas, entidades sociais. O município em parceria com o IMA, Instituto do Meio Ambiente, realiza licenciamento ambiental de impacto local. O Conselho Municipal do Meio Ambiente e Fundo Municipal do Meio Ambiente foram criados e estão em fase de estruturação.
A SEMASA vem realizando os projetos e ações abaixo elencados:
Arborização
O projeto de arborização do município de Arapiraca fez o plantio de aproximadamente 11.500 mudas, de espécies variadas e também da árvore arapiraca. Diversas outras medidas da gestão pública foram realizadas como a implantação da área verde Dom Constantino e do Bosque Urbano das Arapiracas que contribuem para ampliar a qualidade ambiental da cidade. Atualmente já se pode falar num pulmão verde, que auxilia na recomposição da vegetação e condições de habitat para a fauna local.
Educação ambiental nas escolas
Em parceria com a secretaria de Educação, vem sendo efetivado o APMAs, Agentes Protetores do Meio Ambiente, contemplando anualmente 600 alunos que se tornam multiplicadores; o projeto “Educando com a Horta Escolar”, acontece em algumas escolas da rede municipal. Um projeto de capacitação é realizado numa parceria da Prefeitura de Arapiraca com a Braskem e a ONg Lagoa Viva, que efetiva dois anos de formação ambiental para os professores da rede municipal. Como resultado final, cada escola terá sua Agenda 21 escolar. Há outras ações educativas que ampliam a consciência ambiental no meio escolar.
Gestão municipal
Em Arapiraca, já
se pode falar na
existência de um
pulmão verde.
Plano deCenal de araPiraCa . 55
Educação Ambiental e coleta seletiva
Visando reduzir o acúmulo de lixo na área urbana e desenvolver ações de educação ambiental, tem sido feita a implantação de lixeiras públicas em pontos estratégicos da cidade. Foi criado, em 2011, o personagem “Bicho Lixão” com o objetivo de sensibilizar a sociedade. O Projeto “saco é um saco”, em parceria com o MMA, Ministério do Meio Ambiente e supermercados, estimula a sociedade a trocar garrafas plásticas por sacolas retornáveis. O projeto “Papa Pilhas” foi elaborado com o objetivo de recolhimento desse material, e para orientar sobre os cuidados necessários e os perigos da contaminação com os elementos tóxicos contidos nas pilhas, e seus malefícios ao meio ambiente.
Gestão ambiental no ambiente de trabalho
A A3P, Agenda Ambiental da Administração Pública, desenvolvida em parceria com o MMA, Ministério do Meio Ambiente do governo Federal, propicia mudanças nos investimentos, compras e contratação de serviços, bem como a gestão adequada dos resíduos e dos recursos naturais, no ambiente de trabalho da administração pública municipal.
Estufa de mudas em Guaribas, Zona Rural de Arapiraca. Á direita, Bosque das Arapiracas, plantio da árvore Arapiraca.