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A RELAÇÃO SAÚDE E MEIO AMBIENTE: ENTRE AS LACUNAS DA FORMAÇÃO E O COMPROMISSO PROFISSIONAL 1

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Academic year: 2021

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A RELAÇÃO SAÚDE E MEIO AMBIENTE: ENTRE AS LACUNAS DA FORMAÇÃO

E O COMPROMISSO PROFISSIONAL

1

CIELO, Cibele

3

; CAMPONOGARA,Silviamar

4

; PERES, Roger Rodrigues

5

;

SOARES,

Sabrina Gonçalves Aguiar

6

; ROSSATO, Gabriela Camponogara

7

.

1

Trabalho de Pesquisa _UFSM/HUSM

2

Departamento de Enfermagem (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil

3

Apresentadora. Acadêmica do 7º semestre do Curso de enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil. [email protected]

4

Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Professora Adjunto do Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil.

5

Enfermeiro. Mestrando em Enfermagem do Programa de Pós Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil.

6

Enfermeira. Mestranda em Enfermagem do Programa de Pós Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil.

7

Acadêmica do 5º semestre do Curso de enfermagem da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Santa Maria, RS, Brasil.

E-mail: [email protected];

RESUMO

Tem-se como objetivo conhecer as concepções sobre a relação saúde e meio ambiente para trabalhadores, docentes e acadêmicos da saúde, com vistas a problematizar as lacunas da formação e o compromisso profissional diante dessa temática. Trata-se de projeto guarda-chuva, com sub-projetos estruturados de acordo com a abordagem qualitativa, cujos dados foram coletados no

período de 2010 e 2011. Observou-se que os sujeitos sentem-se afetados no dia a dia e

responsáveis frente à atual problemática ambiental, porém, não se consideram instrumentalizados para trabalhar as questões referentes à saúde e meio ambiente nas suas práticas de trabalho. Relacionam esse despreparo como consequência de uma formação que pouco os incentivou a refletirem sobre isso. Acredita-se que a inserção da discussão sobre a problemática ambiental, nos

diversos espaços de saúde, possibilita repensar o debate sobre a interface saúde e meio ambiente na

formação, considerando-a um valor primordial para uma prática profissional ambientalmente correta. Palavras-chave: Enfermagem; Meio Ambiente; Profissional de Saúde; Formação Profissional.

1. INTRODUÇÃO

As transformações vivenciadas pela sociedade contemporânea geram necessidades

de revisão de concepções, condutas e valores, para viabilizar a adaptação dos indivíduos às

demandas, concomitantemente, a questão da conscientização ambiental também ganhou

importância e espaço. Dadas as proporções desta problemática, exige-se comprometimento

de indivíduos e coletividade, pois invade diferentes espaços do cotidiano e atinge a todos.

Em

geral, exige-se do setor saúde ampliar o debate sobre a interface saúde e meio

ambiente, sendo este também responsável pela preservação do planeta para essa e para as

futuras gerações. A responsabilidade ambiental, quando verdadeiramente impregnada na

(2)

2

prática educacional, durante o processo formativo, pode impulsionar a discussão de novas

formas de entender as relações do homem com o meio, promovendo novas ações

comportamentais

1

.

Como se sabe, são vários os desafios encontrados quando se procura direcionar as

atividades humanas para a melhoria das condições de vida no planeta terra. Um desses

desafios é relativo à mudança de atitudes quando se trata da interação com os elementos

da natureza. Ter plena consciência quanto ao uso e ocupação do meio natural se torna

indispensável quando se busca equilíbrio entre o homem e o meio em que está inserido.

Para tanto, percebe-se que a questão da informação sobre a problemática do meio

ambiente precisa se adequar e passar por melhorias necessárias. É necessário que as

informações visem despertar no homem a reflexão que resultem em mudança de atitudes

dos adultos e ensino desses novos valores para as crianças e jovens nas instituições de

ensino

2

.

Assim sendo, esse relato justifica-se pela necessidade de se ampliar o olhar sobre a

temática saúde e meio ambiente nos espaços de formação com o objetivo de se formar

profissionais mais sensibilizados diante da problemática ambiental. De tal forma que se

sintam capacitados para implementar em suas práticas estratégias que visem cuidados pró

ambientais. Assim como também, apresenta algumas alternativas, sugeridas pelos sujeitos,

como formas de incentivo à reflexão sobre saúde e meio ambiente.

Diante do exposto, tem-se como

objetivo do estudo

conhecer as concepções sobre a

relação saúde e meio ambiente, por parte dos trabalhadores, docentes e acadêmicos da

área da saúde, com vistas a problematizar as lacunas da formação e o compromisso

profissional diante dessa temática.

2. METODOLOGIA

Trata-se de projeto guarda-chuva, com sub-projetos estruturados de acordo com a

abordagem qualitativa, do tipo descritivos, cujos dados foram coletados no período de 2010

e 2011.

Constituíram-se em sujeitos dos estudos: docentes e acadêmicos da área da saúde,

agentes comunitários de saúde, trabalhadores hospitalares, atuantes em instituições de

ensino e de saúde, de um município do interior do Rio Grande do Sul.

Os dados foram

coletados entre meados de 2009 a março de 2012, através de entrevistas semiestruturadas,

sendo gravadas e transcritas na íntegra pelos próprios pesquisadores. Utilizou-se o critério

de saturação de dados para o encerramento da coleta. Os dados foram analisados com

base na análise de conteúdo temática. Os sujeitos do estudo foram identificados de acordo

com a letra inicial da atividade exercida na instituição, a saber: DE – docente de

(3)

3

enfermagem; DAS – docentes da área da saúde; E – enfermeiros; ACS – agentes

comunitários de saúde e, AS – acadêmicos da saúde.

Em observância às Diretrizes da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de

Saúde, todos os projetos foram apresentados ao Comitê de Ética em Pesquisa da

instituição (CAAE: 0295.0.243.000-10)

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Na análise dos estudos, observou-se convergência de opiniões pelos diferentes

entrevistados, frente à interface saúde e meio ambiente. Entre essas opiniões apareceram o

compromisso profissional com a temática e a lacuna durante a formação frente a

esse

assunto.

Os entrevistados ressaltaram que se sentem afetados no seu dia a dia e

responsáveis frente à atual problemática ambiental, porém, não se consideram

instrumentalizados para trabalhar as questões referentes à saúde e meio ambiente nas suas

práticas de trabalho. Relacionam esse despreparo como consequência

de uma formação

que pouco os incentivou a refletirem sobre isso.

Nesse sentido, a universidade exerce um importante papel social na construção de

conhecimentos científicos que estimulem a reflexão e as discussões acerca da saúde e

meio ambiente. Essas discussões permitem a consolidação da criticidade do educando,

auxiliando-os na resolução de problemas e no despertar de sua autonomia na formulação de

pressupostos baseados numa consciência ambiental que ajude a resolver os problemas da

sociedade

3

.

Ainda, a educação ambiental é o principal instrumento que permite ao indivíduo

dispor de conhecimentos necessários à melhoria do meio ambiente. Além do mais, abre

espaços para que o homem adquira novos valores e habilidades para atuar como um ser

que pense de forma crítica diante da problemática do meio ambiente

4

.

Destaca-se que, no estudo realizado com as agentes comunitárias de saúde (ACS),

foi notória a preocupação em orientar os indivíduos mesmo que em nível individual e por

interesse pessoal já que possuem uma formação básica sobre as suas atribuições e

competências, afirmando que existe uma carência de elementos que forneçam subsídios

para o trabalho dessa abordagem (interface saúde e meio ambiente) com a população. E,

quando recebem alguma capacitação, essa visa solucionar apenas problemas pontuais,

decorrentes de vetores ambientais. Buscam, na orientação uma forma de trabalhar com a

comunidade a redução das ameaças à saúde na prevenção de doenças e a preservação de

recursos naturais, demonstrando uma preocupação também com as gerações futuras.

(4)

4

Sendo assim, tratando-se das questões ambientais em saúde, vale ressaltar que o

saber científico, que se pretende universal, tanto nos cursos como na sociedade, e o saber

do senso comum, prático e multicultural por natureza, devem ser valorizados e discutidos na

intenção de gerar resultados satisfatórios para ambos

5

.

Isso tudo leva a entender que a problemática ambiental deve ser apreendida de

acordo com o contexto em que está inserida, a partir do olhar dos múltiplos atores que com

ela interatuam, buscando por meio dos diversos saberes, construir uma nova racionalidade

que conceba o ambiente como parte da vida; não como algo isolado, como um mero apoio

para a existência humana; pelo contrário, esse ambiente precisa ser visto como a própria

existência humana, ele é o todo, é o tudo

6

.

Entretanto nota-se que, no meio hospitalar, os profissionais Enfermeiros possuem

dificuldade em segregar corretamente os resíduos justificando-se por suas atividades

corridas, pela desatualização frente o processo, com pouco conhecimento necessário para

desenvolver o gerenciamento dos resíduos hospitalares, pela falta de capacitações e pelo

fato de o serviço exigir o estabelecimento de prioridades. As orientações sobre segregação

de resíduos quando realizada é feita por meio de uma conversa informal com a equipe. Já

com os pacientes, as orientações são voltadas para o cuidado direto referente a suas

patologias não envolvendo questões ambientais.

O educador é compreendido como a pessoa capaz de desenvolver e exercer papel

ativo de troca na construção de novas relações no mundo e interrelações da sociedade com

o meio ambiente para a consolidação do compromisso ecológico, cabendo essa atuação

educativa a todas as pessoas, grupos e comunidades, uma vez que um ambiente saudável

é inerente à vida. As ações educativas desenvolvidas por enfermeiros devem compreender

a significação de sujeito e incentivar as pessoas a refletirem sobre seu compromisso

sócio-ambiental, permitindo uma conduta ativa na transformação do processo de aprendizagem

7

.

Nesse contexto, os enfermeiros e os acadêmicos destacam que o desenvolvimento

de ações de preservação ambiental está além do processo educativo possuindo relação

com valores e crenças pessoais. Portanto a educação ambiental torna-se um processo difícil

de ser cultivado e difundido nos diferentes espaços. A responsabilidade ambiental provem

de práticas educativas capazes de integrar ações sociais de caráter colaborativo nos

contextos em que os sujeitos estão inseridos, aliando saberes e práticas sociais cotidianas

de intervenção na realidade local

10

.

Ainda hoje, apesar de a problemática ambiental ser mais difundida, alguns

acadêmicos afirmam haver pouca abordagem dessa temática durante a formação, ficando

restrita muitas vezes apenas a uma disciplina no início da graduação. Enquanto outros

manifestaram não ter pensado sobre o assunto até o momento da entrevista. Uma educação

ambiental verdadeiramente crítica é aquela capaz de transitar entre os múltiplos saberes:

(5)

5

científicos, populares e tradicionais, alargando nossa visão sobre o ambiente e captando os

múltiplos sentidos que os grupos sociais atribuem a ele. Implementar essa forma de

educação é um desafio, já que implica mudança de paradigmas

3

.

Quanto à abordagem, dessas questões em suas práticas, os Docentes da Área

Saúde e os Docentes enfermeiros mencionam que há referências ao tema, mas de maneira

indireta, sendo que a relação vista nas salas de aula está vinculada com o adoecimento

proveniente das condições de saúde/saneamento básico, o descarte do lixo, epidemias,

questões naturalizadas, mas poucas abordagens dão ênfase às questões sociais que

permeiam a temática. Ainda, sentem a necessidade de internalizar as questões ambientais

para aí sim, talvez, poder efetuar alguma reflexão mais aprofundada e serem exemplos para

os seus alunos.

Sob esta ótica, cada professor, no que tange a sua responsabilidade profissional,

pode contribuir para que haja a interface saúde e meio ambiente dentro da sua disciplina,

levando-se em consideração a atual problemática ambiental e a urgência de formação de

uma consciência sensível à garantia da sobrevivência da humanidade

9

.

Os sujeitos deixam como sugestão para uma maior reflexão, conscientização e

difusão da relação saúde e meio ambiente nos diferentes espaços de saúde por meio de

projetos, grupos de pesquisa, educação continuada, palestras, desenvolvimento de ações

educativas com jovens e crianças, outros enfatizam que a temática tem que permear as

diversas etapas da vida do ser humano além de uma discussão transversal e interdisciplinar

do tema nos cursos de graduação da área da saúde e nos demais. Ainda, os sujeitos dos

estudos destacam que antes de atuarem como profissionais devem estar imbuídos dessa

responsabilidade como cidadãos.

Dessa forma, depreende-se que , meio ambiente e saúde relacionam-se em vários

pontos, como o problema do lixo, a poluição em todas as suas dimensões, a camada de

ozônio e o uso/conservação da água que são apenas alguns dos muitos exemplos que se

pode citar. Dessa maneira, fica explícito que as questões ambientais são, atualmente, um

problema de saúde, uma vez que a sociedade busca se desenvolver economicamente,

muitas vezes sem a devida preocupação com o meio ambiente

5

.

Destarte, a relação entre saúde e ambiente deve ser focalizada de forma mais

aprofundada, buscando uma prática interdisciplinar, que possibilite a valorização e a

compreensão da verdadeira relação existente entre o ser humano, a saúde e o ambiente

8

.

Dessa forma, trata-se então, de introduzir uma abordagem complexa no trato dos problemas

ambientais que incorpore todos os aspectos biológicos, sociais, psicológicos, éticos,

políticos, tecnológicos, econômicos e culturais envolvidos na construção e na busca de

soluções para os problemas socioambientais

11

. Assim, une-se o papel social e profissional.

(6)

6

4. CONCLUSÃO

Acredita-se que a inserção da discussão sobre a problemática ambiental, nos

diversos espaços de saúde, possibilita

repensar o debate sobre a interface saúde e meio

ambiente na formação, considerando-a um valor primordial para uma prática profissional

ambientalmente correta. Afinal, a responsabilidade ambiental, na medida em que gera

mudança de postura, deve fazer parte não só da prática profissional, mas também do

cotidiano das pessoas.

Assim sendo, o papel docente, profissional e acadêmico ambientalmente

responsável e comprometido com sua prática, está atrelado à proposição de reflexões, de

novos hábitos e novas posturas, que possibilitem, o aprendizado de valores essenciais para

a promoção da saúde e de melhor qualidade de vida às pessoas e para a preservação do

planeta.

REFERÊNCIAS

1 ADÃO, N. M. L. A práxis na educação ambiental. Rev. eletrônica Mestr. Educ. Ambient.,

v. 14, p. 74-76, janeiro - junho 2005.

2 ROCHA, APO. A educação ambiental no contexto escolar como elemento

indispensável para transformação da consciência ambiental Monografia apresentada ao

Instituto Superior de Educação da Faculdade Alfredo Nasser Aparecida de Goiânia ___ de

dezembro de 2010.

3 SILVA, A. L.; CAMILLO, S. O. A educação em enfermagem à luz do paradigma da

complexidade. Rev Esc Enferm USP, v. 41, n.3, p. 403-10, 2007.

4 PELICIONI, Maria Cecília Focesi. Educação ambiental para uma escola saudável. In:

PHILIPPI JR, Arlindo; PELICIONI, Maria Cecília Focesi (org). Educação ambiental e

sustentabilidade. São Paulo: Manole, 2005.

5 FREITAS, E.S. Representações sociais, meio ambiente e saúde: por uma educação

ambiental de qualidade. O Mundo da Saúde. São Paulo. v.30, n.4, p.598-606, 2006.

6 CAMPONOGARA, S. Um estudo de caso sobre a reflexividade ecológica de trabalhadores

hospitalares 2008. Florianópolis, 2008. Tese (Doutorado em Enfermagem) – Universidade

Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2008.

7 BEZERRA, P. E. et al. Educação ambiental e enfermagem: uma integração necessária.

Rev Bras Enferm.Brasília,v.63, n.5, p.848-852, Set./Out., 2010.

8 JACOBI, P. R.; TRISTÃO, M.; FRANCO, M. I. G. C. A função social da educação

ambiental nas práticas colaborativas: participação e engajamento. Cad. Cedes, Campinas,

v. 29, n. 77, p. 63-79, janeiro-abril 2009.

9 VIANA, P. A. M. O.; OLIVEIRA, J. E. A inclusão do tema meio ambiente nos currículos

escolares. Rev. eletrônica Mestr. Educ. Ambient., v.16, p. 1-17, janeiro-junho 2006.

(7)

7

10 SENA, J. CEZAR-VAZ, M.R.. A relação saúde/ambiente nos processos de formação do

profissional enfermeiro: um ensaio teórico. Revista eletrônica do Mestrado em Educação

Ambiental. Rio Grande, RS. v.24, p.265-273, 2010.

11 LIMA, G.F.C. Educação, emancipação e sustentabilidade: em defesa de uma pedagogia

libertadora para a Educação ambiental. In: LAYRARGUES, P.P. Identidades da educação

ambiental brasileira. Ministério do Meio Ambiente. Diretoria de Educação Ambiental.

Brasília, DF. p.85-112, 2004.

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