Conselho da União Europeia Bruxelas, 15 de janeiro de 2021 (OR. en) 5194/21 CFSP/PESC 17 COPS 8 PE 1 RESULTADOS DOS TRABALHOS
de: Secretariado-Geral do Conselho para: Delegações
n.º doc. ant.: 5059/21
Assunto: Relatório do alto representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança dirigido ao Conselho "Relatório PESC – As nossas prioridades em 2020"
Junto se envia, à atenção das delegações, o relatório do alto representante da União para os
Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança dirigido ao Conselho intitulado "Relatório PESC – As nossas prioridades em 2020", tal como aprovado pelo Conselho em 15 de janeiro de 2021.
Relatório do alto representante da União
para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança dirigido ao Conselho
"Relatório PESC – As nossas prioridades em 20201"
O presente relatório abrange os acontecimentos ocorridos até 1 de setembro de 2020. A) INTRODUÇÃO
1. Ao longo da última década, a Europa passou por crises sucessivas: a crise financeira, a crise do euro – consequência da primeira – e, depois, a crise migratória e dos refugiados.
Paralelamente, o mundo que nos rodeia tem vindo a tornar-se mais complexo, mais competitivo e mais perigoso, enquanto as alterações climáticas constituem uma ameaça existencial para a humanidade e a biodiversidade em todos os países e regiões, exigindo uma resposta coletiva urgente. Atualmente, a Europa, tal como o resto do mundo, vê-se
confrontada com a pandemia de COVID-19, que, representando embora um novo desafio sem precedentes, acelerou também as tendências que já existiam anteriormente.
2. São vários os países asiáticos que estão a emergir com uma importância cada vez maior – em termos económicos, tecnológicos e de segurança. Assiste-se a um aumento da rivalidade sistémica entre os EUA e a China. A União Europeia (UE) deve pautar-se pelos seus próprios interesses e valores, e defendê-los, trabalhar em estreita colaboração, em especial, com os países e organizações que partilham de valores universais e evitar ser instrumentalizada por qualquer interveniente.
3. Para se adaptar a este mundo mais competitivo, a UE terá de redobrar de esforços para defender e promover a ordem multilateral assente em regras articulada em torno das Nações Unidas (ONU). A necessidade de cooperação multilateral é mais urgente do que nunca, mas a oferta não tem acompanhado a procura. Para ajudar a reforçar o multilateralismo, a UE colaborará com parceiros animados do mesmo espírito, incluindo os EUA.
4. O mundo está a tornar-se mais digital, mas também mais dirigido pelo Estado. As grandes questões a colocar serão: quem controlará as redes digitais? E quem deterá a massa crítica necessária em termos de competências, investimentos e tecnologia para definir regras e normas? É fundamental que a UE desempenhe um papel de primeiro plano na cena mundial em matéria de concorrência tecnológica e que procure uma posição preponderante quanto às regras que nortearão o futuro digital do mundo.
5. A mundialização está sob pressão. É necessário seguir uma abordagem mais estratégica para gerir as vulnerabilidades e dependências, de que a saúde é um exemplo proeminente, mas também a economia, a segurança, a defesa e a proteção de funções críticas. Devemos evitar cair no protecionismo e reforçar simultaneamente a resiliência, incluindo a resiliência das cadeias de abastecimento mundiais, e a capacidade de agir com autonomia.
6. O mundo corre o risco de se tornar menos livre, menos próspero, mais desigual e mais fragmentado. A democracia, o respeito pela universalidade dos direitos humanos e pelo Estado de direito – que constituem o modelo político da UE – estão a ser contestados. Há quem não se coíba de tirar partido desta dinâmica. Na área do digital e em muitas outras, trava-se uma verdadeira batalha entre narrativas. A UE tem de defender o seu modelo e os valores universais que lhe servem de alicerce, nomeadamente combatendo a desinformação, seja qual for a fonte de que provenha.
7. Para fazer face a todos estes desafios, precisamos de concretizar o nível de ambição acordado pela UE no contexto da estratégia global da UE. Precisamos de apoiar o multilateralismo efetivo. De acordo com as conclusões do Conselho de junho de 2020, precisamos de reforçar a nossa autonomia estratégica e a nossa capacidade de cooperar com os nossos parceiros a fim de salvaguardar os nossos valores e interesses. Precisamos de promover uma recuperação mais ecológica, sustentável e socialmente inclusiva. Contudo, também precisamos de agir com base na solidariedade mundial, uma vez que as grandes questões da atualidade exigem respostas globais e coletivas.
8. As ambições da UE só são credíveis se forem acompanhadas de um sentimento de apropriação e responsabilidade partilhadas entre os Estados-Membros e as instituições,
trabalhando em conjunto no âmbito das suas competências respetivas. Além disso, precisamos de recursos para sermos eficazes. Para que a política externa da UE produza resultados
precisamos todos de nos investir nela, tanto política como financeiramente.
B) ÂMBITO GEOGRÁFICO
Europa e Ásia Central
Países da Europa Ocidental não membros da UE
9. A UE mantém com os países terceiros da Europa Ocidental não membros da UE relações muito estreitas, que assentam em valores e interesses comuns, incluindo a promoção do multilateralismo efetivo e de uma ordem mundial baseada em regras. Estes países, parceiros que partilham da mesma visão, apoiam, nas suas grandes linhas, as posições e os objetivos da política externa da UE, nomeadamente nas organizações internacionais, e cooperam em questões de âmbito mundial como a luta contra a pandemia de COVID-19, as alterações climáticas, a migração irregular ou a segurança. Com alguns desses países estabeleceu-se um diálogo político regular informal sobre assuntos relacionados com a PESC/PCSD e sobre questões como, por exemplo, as sanções e os direitos humanos. As relações com a Islândia, o Listenstaine e a Noruega são conduzidas principalmente no âmbito do Acordo sobre o Espaço Económico Europeu (EEE). A estreita parceria que este estabelece entre a UE e os Estados da EFTA membros do EEE é o melhor garante de prosperidade e estabilidade económicas
partilhadas a longo prazo e da construção de uma Europa alicerçada na paz, na democracia, no Estado de direito e nos direitos humanos. No que respeita à Suíça, as negociações sobre um Acordo-Quadro Institucional foram concluídas em 2018.
Esse acordo estabelece regras e procedimentos horizontais cruciais aplicáveis aos acordos, atuais e futuros, que permitem à Suíça participar no mercado interno da UE. Tais regras (como sejam uma adesão "dinâmica" ao acervo da UE por parte da Suíça, disciplinas em matéria de auxílios estatais e um mecanismo eficaz de resolução de litígios) são consentâneas com a relação ambiciosa, estratégica e estruturada que a UE e a Suíça merecem. Além disso, este quadro constitui a chave para o aprofundamento das nossas relações, uma vez que
qualquer acordo futuro depende deste, enquanto o atual acesso corre o risco de se erodir, dado que poderão não se realizar futuras atualizações dos acordos em vigor. A Suíça deverá ainda tomar as decisões necessárias para assinar o acordo, esperando-se que o faça rapidamente. Por último, desde 2015, a UE prossegue as negociações de acordos de associação com Andorra, o Mónaco e São Marinho. Tendo embora devidamente em conta "a situação especial dos países de reduzida dimensão" (de acordo com o Tratado), esses acordos de associação terão por objetivo permitir a sua participação no mercado interno da UE em conformidade com os princípios e disciplinas que garantem a integridade do mercado interno. A UE e a Santa Sé estão a reforçar ainda mais as suas relações, nomeadamente no contexto do 50.º aniversário do seu estabelecimento, que se comemora em 2020.
Balcãs Ocidentais
10. Em 2019 e 2020, os Estados-Membros reafirmaram o seu apoio inequívoco à perspetiva europeia da região dos Balcãs Ocidentais, nomeadamente através da decisão, tomada pelo Conselho nas suas conclusões de março de 2020, de encetar negociações de adesão com a República da Albânia e a República da Macedónia do Norte, através da nomeação de um representante especial da UE para o Diálogo Belgrado-Pristina e para outros assuntos
regionais dos Balcãs Ocidentais e da organização da Cimeira de Zagrebe a 6 de maio de 2020, juntamente com os Balcãs Ocidentais. Em conformidade com a Declaração da Cimeira de Zagrebe, a grande prioridade da UE em 2020 é continuar a intensificar o seu empenhamento a todos os níveis, a fim de apoiar a transformação política, económica e social da região. A este respeito, a UE continuará a apoiar as iniciativas construtivas e as estruturas que reforçam a cooperação regional inclusiva. A UE continuará a reforçar a resiliência da região,
contribuindo assim para a sua própria segurança. A cooperação entre a UE e os Balcãs Ocidentais e o apoio prestado durante a pandemia vão muito além do que qualquer outro parceiro prestou à região e merecem reconhecimento público. Esta cooperação e apoio devem
11. O Processo de Estabilização e de Associação, e o processo de alargamento, que continua a ser uma política fundamental da União Europeia, através do seu apoio às reformas e às relações de boa vizinhança, inclusive com os Estados-Membros da UE, e também através da
condicionalidade justa e rigorosa estabelecida e o princípio do mérito próprio, representam um investimento estratégico na paz, na democracia, na prosperidade, na segurança e na estabilidade da Europa. A EU continua empenhada na perspetiva europeia da região e no apoio às reformas e projetos orientados para a UE, dando especial destaque a um maior reforço do Estado de direito e da boa governação, e à defesa dos direitos fundamentais. A UE recorda a importância da obtenção de resultados concretos e da aplicação de boa fé dos acordos bilaterais, incluindo o Acordo de Prespa e o Tratado sobre as Relações de Boa Vizinhança com a Bulgária, como parte do processo de alargamento.
12. Ao longo de 2020, a UE concentrou-se nos fatores de estabilidade política e de segurança, e continuará a fazê-lo facilitando o diálogo entre Belgrado e Pristina, para que se chegue a um acordo abrangente e juridicamente vinculativo sobre a normalização das relações, que cubra todas as questões pendentes, em conformidade com o direito internacional e com o acervo da UE, e que contribua para a estabilidade da região. A UE continuará a aprofundar a cooperação com a Sérvia em matéria de política externa e de segurança, com destaque para o reforço do alinhamento pela política externa e de segurança comum da UE. A UE continuará a
desenvolver as suas atividades de diplomacia pública e de comunicação estratégica em coordenação com os Estados-Membros e as autoridades dos Balcãs Ocidentais, bem como ações de luta contra a desinformação.
13. No que respeita à República da Albânia e à República da Macedónia do Norte,
reconhecendo os progressos alcançados, o Conselho decidiu abrir negociações de adesão. As primeiras conferências intergovernamentais deverão ser convocadas o mais rapidamente possível após a adoção dos quadros de negociação pelo Conselho, em conformidade com as condições estabelecidas nas conclusões do Conselho de março de 2020.
14. A UE continuou a apoiar os esforços de reforma desenvolvidos pelo Montenegro e pela Sérvia, sobretudo no tocante ao Estado de direito, para que o processo de adesão de ambos à UE possa avançar mais rapidamente. A facilitação do diálogo político e o apoio à prossecução das reformas na Bósnia-Herzegovina deverão constituir prioridades fundamentais. A
conclusão do processo de liberalização de vistos com o Kosovo* também será objeto de apreciação.
15. A UE continuará a reforçar e a alargar a cooperação com os parceiros dos Balcãs Ocidentais no domínio da política externa, da segurança e da defesa, o que inclui um alinhamento progressivo pela política externa da UE. Para tal, recorrer-se-á, nomeadamente, a diálogos políticos regulares entre a UE e os Balcãs Ocidentais e a medidas de reforço de capacidades. A UE continuará também a promover a cooperação nos domínios das ameaças híbridas, da luta contra o terrorismo, da prevenção da radicalização e do extremismo violento, da luta contra a criminalidade organizada, da segurança das fronteiras, das armas de fogo ilícitas e dos arsenais de armas. A UE congratula-se com o contributo significativo prestado pelos parceiros dos Balcãs Ocidentais para as missões e operações da PCSD em todo o mundo. Os instrumentos da PCSD continuam a ser implantados na região. Na Bósnia-Herzegovina, a operação militar da UE, EUFOR Althea, continuará a prestar um contributo importante para a estabilidade e a segurança no país. A segunda revisão estratégica de 2019 confirmou a
necessidade de que a operação se concentre no seu mandato principal, ou seja, ajudar as autoridades da Bósnia-Herzegovina a exercerem a responsabilidade de manter um ambiente seguro e protegido e, na próxima revisão, que se deverá realizar em 2021, ponderar-se-ão eventualmente novos ajustamentos, consoante o evoluir da situação em matéria de segurança. 16. A Missão da UE para o Estado de Direito (EULEX) no Kosovo continuará a concentrar-se no
acompanhamento de julgamentos, no apoio às instituições do Estado de direito, nas funções operacionais residuais e no apoio técnico à aplicação de acordos alcançados no âmbito do diálogo mediado pela UE.
17. Para fazer face às questões ligadas à migração e à mobilidade, será necessário prosseguir uma estreita coordenação e cooperação, inclusive em matéria de prevenção da migração ilegal e dos movimentos secundários, de proteção e de assistência às pessoas em necessidade, pelo seguimento da assistência prestada para melhorar a gestão e defesa das fronteiras, bem como pela melhoria das capacidades de acolhimento, por um maior apoio ao regresso, à readmissão e ao combate às redes de passadores e de tráfico de seres humanos, pela assinatura e aplicação dos acordos sobre o estatuto da Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira e pelo destacamento de agentes de ligação da Europol. Nas conclusões do Conselho JAI de junho de 2020, instou-se à continuação do apoio aos Balcãs Ocidentais a fim de conseguir uma maior eficiência da política de migração e da gestão das fronteiras, aperfeiçoar o
funcionamento dos seus sistemas de asilo e intensificar a cooperação em matéria de
readmissão e de regresso, combater eficazmente a criminalidade organizada, o terrorismo e o extremismo violento, bem como aumentar a sua capacidade para combater a propagação de desinformação e de notícias falsas e de reagir a eventuais ciberataques e ameaças híbridas.
Turquia
18. A Turquia continua a ser um país candidato e um parceiro em muitos domínios. A UE tomou nota do empenhamento declarado do Governo da Turquia em aderir à UE. Todavia, esta postura tem de ser acompanhada da adoção de medidas e reformas correspondentes pelas autoridades turcas. Nas suas conclusões de 18 de junho de 2019, o Conselho observou que a Turquia se continua a afastar da União Europeia e que as negociações de adesão chegaram, assim, efetivamente a um impasse, e que mais nenhum capítulo poderá ser aberto ou encerrado, não estando previsto continuar o trabalho de modernização da União Aduaneira UE-Turquia.
19. Em 2020, o Conselho Europeu decidiu – no pressuposto de que os esforços construtivos para pôr termo às atividades ilegais levadas a cabo face à Grécia e a Chipre sejam sustentados – lançar uma agenda política positiva UE-Turquia com uma ênfase específica na modernização da União Aduaneira e na facilitação do comércio, nos contactos pessoais, nos diálogos de alto nível e na continuidade da cooperação sobre questões migratórias, em conformidade com a Declaração UE-Turquia de 2016. A proposta de uma agenda positiva UE-Turquia mantém-se válida, desde que a Turquia se mostre disposta a promover uma verdadeira parceria com a União e os seus Estados-Membros e a resolver as divergências pelo diálogo e em
conformidade com o direito internacional. Essa agenda poderá abranger os domínios da economia e do comércio, os contactos pessoais, os diálogos de alto nível e a continuidade da cooperação sobre questões migratórias. O Conselho Europeu salienta a importância de manter abertos os canais de comunicação entre a UE e a Turquia. A UE estará igualmente preparada para continuar a prestar assistência financeira aos refugiados sírios e às comunidades de acolhimento na Turquia, bem como para cooperar na gestão responsável dos fluxos migratórios com destino a todos os Estados-Membros e na intensificação dos esforços de combate às redes de introdução clandestina de migrantes.
20. A UE reafirma a importância que confere às relações com a Turquia e continua empenhada em manter um diálogo aberto e franco com vista a resolver problemas e a colaborar em domínios de interesse comum, como a migração, a proteção dos refugiados, a luta contra o terrorismo, a economia e o comércio. A UE tem um interesse estratégico num clima de estabilidade e de segurança no Mediterrâneo Oriental e no desenvolvimento de uma relação mutuamente benéfica de cooperação com a Turquia. Neste contexto, é absolutamente
imperativo conduzir um diálogo de boa-fé e abster-se de praticar ações unilaterais que sejam contrárias aos interesses da UE e constituam violação do direito internacional, da soberania e dos direitos soberanos dos Estados-Membros da UE. Todas as divergências têm de ser resolvidas pelo diálogo pacífico e em conformidade com o direito internacional.
21. A pandemia de COVID-19 demonstrou claramente de que forma a UE e os seus parceiros podem enfrentar em conjunto desafios comuns. Para ajudar a Turquia a dar resposta a esses desafios, a UE tomou imediatamente medidas no contexto do seu Fundo de Solidariedade, do Instrumento de Assistência de Pré-Adesão e do Mecanismo em Favor dos Refugiados na Turquia, e continuará a prestar apoio para fazer face à situação de emergência causada pela COVID-19.
22. A política externa da Turquia tem vindo a colidir cada vez mais com as prioridades da UE no âmbito da sua política externa e de segurança comum, nomeadamente no que diz respeito à segurança de toda a região. A UE preza a realização de diálogos abrangentes com a Turquia sobre questões de política externa, que, assim que forem retomados, devem contribuir para inverter a tendência negativa persistente da Turquia para não subscrever as posições da UE em matéria de política externa e de segurança comum. O diálogo entre a UE e a Turquia sobre o combate ao terrorismo continua também a ser importante. Em julho de 2019, o Conselho decidiu não convocar, por enquanto, o Conselho de Associação nem outras reuniões no âmbito dos diálogos de alto nível UE-Turquia.
23. Continua a ser importante manter a cooperação no domínio da migração. No entanto, não se pode considerar aceitável a situação sem precedentes que se verificou nas fronteiras externas da UE com a Turquia em março de 2020. Reconhecendo embora os crescentes riscos e
encargos decorrentes da migração com que a Turquia se debate no seu território, bem como os esforços significativos que tem envidado para acolher mais de 4 milhões de migrantes e refugiados, a UE reiterou a sua profunda preocupação com a situação na fronteira entre a Grécia e a Turquia e rejeitou com firmeza o facto de a Turquia se valer da pressão migratória para alcançar objetivos políticos. Além disso, sublinhou que os migrantes não devem ser encorajados a aventurar-se em travessias ilegais e exortou o Governo turco e todos os intervenientes e organizações no terreno a fazerem passar esta mensagem e a combaterem a divulgação de informações falsas.
A Turquia deverá aplicar na íntegra as disposições da Declaração Conjunta de 2016
relativamente a todos os Estados-Membros. A referida declaração produz resultados tangíveis, inclusivamente através do apoio aos esforços significativos realizados pela Turquia para acolher migrantes e refugiados. Continua também a ser prioritário reforçar a gestão das fronteiras comuns com a UE. Até à implementação integral, efetiva e não discriminatória do Acordo de Readmissão UE-Turquia com todos os Estados-Membros, deverão ser
devidamente aplicados os acordos bilaterais de readmissão já existentes, bem como as disposições de acordos similares com Estados-Membros da UE. Continua a ser essencial a cooperação com todos os Estados-Membros da UE no domínio da Justiça e dos Assuntos Internos. Tanto a UE como a Turquia têm a ganhar com a continuidade da cooperação que estabeleceram e do compromisso que assumiram. A UE continuou a prestar uma ajuda humanitária importante aos refugiados vulneráveis na Turquia, inclusive fora do âmbito do Mecanismo em Favor dos Refugiados na Turquia. No seguimento da sua reunião com o presidente da Turquia em 9 de março de 2020, o presidente do Conselho Europeu e a
presidente da Comissão encarregaram o alto representante de fazer o balanço da aplicação da Declaração, juntamente com o seu homólogo turco.
24. Recordando as suas conclusões de julho de 2016, em que condenou firmemente a tentativa de golpe de Estado de 15 de julho de 2016, reiterou a sua solidariedade para com o povo turco e o seu pleno apoio às instituições democráticas da Turquia, a UE tem repetidamente
manifestado grande preocupação com a amplitude e o alcance desproporcionados das medidas tomadas pelas autoridades na sua sequência, e regista que várias destas medidas se mantêm em vigor. Apesar do levantamento do estado de emergência, continua a regredir-se de forma profundamente inquietante nos domínios do Estado de direito, da democracia e dos direitos fundamentais, incluindo a liberdade de expressão. Não pode ser tolerada a deterioração que se regista atualmente a nível da independência e do funcionamento do sistema judiciário, nem tão pouco as constantes restrições, detenções, encarceramentos e outras medidas tomadas contra jornalistas, académicos, membros de partidos políticos, inclusive deputados, defensores dos direitos humanos, utilizadores das redes sociais e outras pessoas no exercício dos seus direitos e liberdades fundamentais. A demissão forçada de autarcas eleitos no sudeste do país e a sua substituição por administradores nomeados pelo Governo, bem como a detenção de representantes locais, continuam a ser fonte de grande preocupação. A Turquia deverá intensificar a cooperação com o Conselho da Europa e os seus órgãos e instituições competentes, dar seguimento às suas principais recomendações e execução a todas as
sentenças do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, em conformidade com o artigo 46.º da CEDH. Relembrando as normas internacionais e as obrigações que a Turquia subscreveu e assumiu, a UE exortou o país a inverter com urgência tais tendências negativas.
25. A UE lamentou a decisão turca de alterar o estatuto de museu da Hagia Sophia. As
autoridades turcas devem anular a sua decisão, que afeta o caráter universal do monumento, reconhecido pela UNESCO como o património mundial.
26. A UE recordou e reafirmou a posição que definira claramente em anteriores conclusões do Conselho e do Conselho Europeu sobre a prossecução das atividades ilegais da Turquia no Mediterrâneo Oriental e no mar Egeu. A UE tem repetidamente declarado que se mantém inteiramente solidária com Chipre e a Grécia. Foi instituído um quadro de medidas restritivas em resposta às atividades de perfuração não autorizadas levadas a cabo pela Turquia no Mediterrâneo Oriental. A UE condenou igualmente a escalada das violações do espaço aéreo nacional grego e cipriota pela Turquia, nomeadamente os sobrevoos de zonas habitadas e das águas territoriais, que constituem violação do direito internacional. É essencial tomar medidas concretas para se criar um ambiente propício ao diálogo. Lamentavelmente, o comportamento da Turquia vai no sentido oposto. A UE continua a acompanhar atentamente a situação e voltará a analisá-la consoante a sua evolução, tomando as decisões que julgar adequadas. Espera ainda que a Turquia se empenhe inequivocamente em manter relações de boa vizinhança, respeitar os acordos internacionais e resolver os litígios por via pacífica, recorrendo, se necessário, ao Tribunal Internacional de Justiça, e em normalizar as suas relações com todos os Estados-Membros, incluindo a República de Chipre. O Conselho, congratulando-se com o convite do Governo de Chipre para negociar com a Turquia, observou que a questão da delimitação das zonas económicas exclusivas e da plataforma continental deverá ser tratada pela via do diálogo e da negociação de boa-fé, no pleno respeito pelo direito internacional e de acordo com o princípio das relações de boa vizinhança. A Turquia tem de respeitar a soberania de todos os Estados-Membros da UE sobre o seu mar territorial e o seu espaço aéreo, bem como todos os seus direitos de soberania, nomeadamente o direito à prospeção e exploração dos recursos naturais, nos termos do direito internacional e da UE, nomeadamente da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. O
Memorando de Entendimento entre a Turquia e a Líbia sobre a delimitação das jurisdições marítimas no mar Mediterrâneo infringe os direitos soberanos de Estados terceiros, não respeita o direito do mar e não pode ter consequências jurídicas para Estados terceiros.
27. A Turquia deverá evitar fazer ameaças e tomar medidas que prejudiquem as relações de boa vizinhança. Em vez disso, deverá respeitar o direito internacional, nomeadamente o direito do mar, e, em particular, a soberania de todos os Estados-Membros da UE sobre o seu mar territorial, bem como todos os seus direitos soberanos nas suas zonas marítimas, incluindo as são geradas pelas ilhas, e deverá abster-se de violar a soberania dos Estados-Membros da UE sobre o seu espaço aéreo. Todos os membros da comunidade internacional têm de respeitar estes princípios e deverão abster-se de praticar atos que comprometam a estabilidade e a segurança regionais.
28. A UE condena as ações unilaterais da Turquia em Varóssia e apela ao pleno respeito das Resoluções 550 e 789 do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Apoia o reatamento célere das negociações, sob os auspícios das Nações Unidas, e mantém-se plenamente empenhado numa solução global do problema de Chipre, no quadro da ONU, em
conformidade com as resoluções pertinentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e observando os princípios nos quais assenta a União, e espera que a Turquia faça o mesmo. 29. A UE tem exortado repetidamente a Turquia, nas conclusões e declarações pertinentes do
Conselho, designadamente nas suas conclusões de 18 de junho de 2019 e na sua declaração de 21 setembro de 2005, a cumprir as obrigações que lhe incumbem a título do quadro de negociação, inclusive no sentido de implementar na íntegra e de forma não discriminatória em relação a todos os Estados-Membros o Protocolo Adicional ao Acordo de Associação. A UE exortou ainda a Turquia a deixar de bloquear a adesão de Estados-Membros a organizações e mecanismos internacionais. O reconhecimento de todos os Estados-Membros continua a ser essencial.
30. A UE e a Turquia têm todo o interesse em melhorar as suas relações, instituindo um diálogo destinado a criar um clima de confiança. A abstenção da prática de ações unilaterais no Mediterrâneo Oriental, no mar Egeu e noutras regiões é condição para que o diálogo possa avançar. A inversão das tendências negativas que atualmente se verificam continua a ser condição prévia fundamental para que as relações entre a UE e a Turquia melhorem. A UE continua empenhada em defender os seus interesses, os dos seus Estados-Membros e a
estabilidade regional. O Conselho Europeu decidiu que, em caso de novas ações unilaterais ou provocações em violação do direito internacional, a UE recorrerá a todos os instrumentos e opções ao seu dispor, inclusive nos termos do artigo 29.º do TUE e do artigo 215.º do TFUE, a fim de defender os seus interesses e os dos seus Estados-Membros. A este respeito, o
Conselho Europeu convidou posteriormente o Conselho a adotar listas adicionais com base na sua Decisão de 11 de novembro de 2019 que impõe medidas restritivas tendo em conta as atividades de perfuração não autorizadas levadas a cabo pela Turquia no Mediterrâneo Oriental, e convidou o alto representante e a Comissão a apresentarem um relatório sobre a situação das relações políticas, económicas e comerciais UE-Turquia, e sobre os instrumentos e as opções para a via a seguir, inclusive no que diz respeito ao alargamento do âmbito de aplicação da decisão acima referida.
Parceria Oriental – Vertente multilateral
31. Desde 2009, reafirmando o seu empenhamento conjunto em construir um espaço comum de democracia, prosperidade e estabilidade partilhadas, a Parceria Oriental criou um quadro ambicioso, flexível e inclusivo de cooperação entre os Estados-Membros e os países parceiros destinado a permitir-lhes enfrentar em conjunto desafios comuns mundiais em toda uma série de domínios. Em conformidade com os princípios da inclusividade e da diferenciação, tal quadro permitiu reforçar e aprofundar as relações bilaterais e multilaterais com cada um dos seis parceiros orientais (Arménia, Azerbaijão, Bielorrússia, Geórgia, República da Moldávia e Ucrânia).
Permitiu ainda que se avançasse na concretização de objetivos acordados, apoiando processos de reforma sustentáveis e oferecendo uma estreita associação política e integração económica com a UE, com um impacto palpável na vida das pessoas. Os "20 resultados para 2020" acordados na Cimeira de 2017 demonstraram a utilidade de um quadro de execução orientado para os resultados, que se deverá manter no futuro. O Conselho reafirma a importância estratégica que atribui à Parceria Oriental enquanto dimensão regional específica da política europeia de vizinhança (PEV). O Conselho reafirma o compromisso conjunto de construir um espaço comum de democracia, prosperidade e estabilidade partilhadas. Esse espaço tem por base o nosso empenho partilhado numa ordem internacional baseada em regras, no direito internacional, nomeadamente na integridade territorial, na independência e na soberania, tal como consagradas nos princípios da Ata Final de Helsínquia e da Carta de Paris da OSCE, bem como nos valores fundamentais, no respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais de todas as pessoas, incluindo os direitos das pessoas pertencentes a minorias, na democracia, no Estado de direito, na boa governação e na igualdade de género, bem como no desenvolvimento sustentável e na economia de mercado. O Conselho salienta ainda que na atual situação sem precedentes provocada pelo surto de COVID-19, a solidariedade e a cooperação com os parceiros internacionais, inclusive no âmbito da Parceria Oriental,
constituem elementos essenciais. Na sequência de um vasto processo de consulta estruturado e inclusivo realizado em 2019, a Comunicação Conjunta sobre a Parceria Oriental pós-2020: "Reforçar a resiliência – uma Parceria Oriental em benefício de todos" foi adotada em 18 de março de 2020. Nas suas conclusões de 11 de maio de 2020, o Conselho registou com satisfação a comunicação conjunta, que identificava novos desafios e oportunidades na região da Parceria Oriental, que englobam as duas transformações paralelas, digital e ecológica, e reafirmou a necessidade de um empenho renovado nos princípios fundamentais da parceria, em especial a boa governação e as instituições democráticas, o Estado de direito, políticas eficazes contra a corrupção, o combate à criminalidade organizada, o respeito pelos direitos humanos e a segurança.
Reforçar a resiliência constituirá uma das metas principais, que se procurará atingir através de cinco grandes objetivos estratégicos consentâneos com as prioridades definidas pela
Comissão, assim como responder à emergência sanitária encarando-a como um importante domínio de cooperação, tendo em conta a pandemia de COVID-19. Em conjunto com os Estados-Membros e enquanto parte do programa da Equipa Europa, a UE lançou um conjunto de medidas de apoio para ajudar os países parceiros a superarem a crise e, especialmente, a atenuarem o impacto do surto de COVID-19 sobre as vidas humanas, o emprego e as economias.
32. A comunicação estratégica continuará a ser uma tarefa fundamental, a fim de promover a visibilidade e os benefícios da cooperação entre a UE e os países da Parceria Oriental,
designadamente face ao aumento da desinformação. No que toca à cooperação em matéria de política externa, segurança e defesa, a UE salienta o valor e importância de reforçar, sempre que adequado, os diálogos e a cooperação no domínio da PCSD e, neste contexto, saúda o valioso contributo prestado pelos países da Parceria Oriental (Geórgia, República da Moldávia e Ucrânia) para as missões e operações da PCSD, e continuará a providenciar programas regionais de formação neste domínio.
33. A Cimeira de 2021 da Parceria Oriental deverá aprovar os objetivos estratégicos a longo prazo a prosseguir pela Parceria Oriental de 2020 em diante com base na comunicação conjunta, nas conclusões adotadas pelo Conselho em 11 de maio de 2020 e nos contributos dos Estados-Membros e dos países parceiros.
Instâncias de cooperação regional
34. Em consonância com as prioridades que estabeleceu no âmbito da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), a UE continuará a apoiar o fortalecimento da Organização para salvaguardar a ordem europeia de segurança e assegurar o cumprimento da Ata Final de Helsínquia, da Carta de Paris e de outros princípios fundamentais da OSCE, tendo especialmente por objetivo encontrar soluções políticas sustentáveis para crises e conflitos prolongados, designadamente o conflito no leste da Ucrânia e na região limítrofe. A UE e a OSCE continuarão a servir-se do quadro de cooperação estabelecido pela troca de cartas entre a Comissão Europeia, o Serviço Europeu para a Ação Externa e a OSCE em junho de 2018, no âmbito do qual se alcançaram já progressos concretos em todas as dimensões e áreas geográficas da OSCE. Tendo em conta a troca de opiniões a alto nível realizada por videoconferência em maio de 2020, a UE e a OSCE promoverão igualmente uma abordagem multilateral para abordar as consequências da crise da COVID-19 a curto e a médio prazo também a nível dos países da OSCE, bem como o nexo entre clima e segurança, e reforçarão a cooperação existente. O conceito global de segurança da OSCE e a aplicação integral dos compromissos assumidos no que respeita às três dimensões continuarão a ser fundamentais para definir a postura da UE face à Organização.
35. A UE dará continuidade ao seu compromisso com a cooperação regional no mar Negro, de que a Sinergia do Mar Negro constitui o elemento central e que abrange vertentes ligadas ao Pacto Ecológico, mediante a aplicação das conclusões do Conselho de 17 de junho de 2019. Além disso, continua a ser essencial apoiar e aplicar a Agenda Marítima Comum e a Agenda Estratégica de Investigação e Inovação para o mar Negro, adotadas em Bucareste em
21 de maio de 2019. Será da maior importância reforçar a cooperação regional e
transfronteiras, criar confiança, impulsionar o multilateralismo, apoiar a sociedade civil e melhorar a conectividade (desenvolvendo o "papel de elo de ligação da bacia do mar Negro") e a comunicação estratégica. Estas ações produzirão resultados concretos para os cidadãos, aumentando a resiliência das sociedades envolvidas, desenvolvendo uma economia azul sustentável e atenuando o impacto da pandemia de COVID-19. A observância do direito internacional, designadamente dos princípios da independência, da soberania e da integridade territorial, da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), incluindo a liberdade de navegação, bem como das decisões estratégicas da UE e da sua política de não reconhecimento da anexação ilegal da Crimeia e de Sebastopol, continuará a ser uma premissa fundamental para a atuação da UE em matéria de cooperação regional no mar Negro.
36. A UE continuará a apoiar claramente a atual arquitetura de cooperação regional na Europa do Norte através da sua política de dimensão setentrional. O financiamento e a participação continuarão a fazer parte do trabalho das parcerias criadas no quadro da dimensão
setentrional, dos conselhos regionais e dos programas de cooperação transfronteiras e
transnacional. Serão mantidas as ligações estabelecidas com outras políticas e objetivos da UE importantes para a região, como a política da UE para o Ártico e a Estratégia da UE para a Região do Mar Báltico, com especial destaque para as relações pessoais, a saúde, as alterações climáticas, o ambiente e a conectividade.
37. As regiões do Ártico continuam a ter um interesse económico, ambiental e de segurança considerável a nível mundial. Juntamente com a Comissão, o alto representante, está a realizar consultas internas e externas sobre uma eventual atualização da política da UE para o Ártico, tendo em conta as conclusões adotadas pelo Conselho em 9 de dezembro de 2019. As
alterações climáticas e o aumento das temperaturas em todo o Ártico levam a uma aceleração da fusão do gelo em terra e no mar, bem como ao degelo do pergelissolo (permafrost). O maior acesso aos recursos localizados nas regiões do Ártico suscitou o interesse de novos e grandes investidores. O impacto local, social e as mudanças demográficas podem ser
dramáticos, se bem que não uniformes, em todo o Ártico. Em termos de segurança e proteção, as implicações do aumento da atividade requerem também uma análise aprofundada. A UE continuará a aumentar a sua visibilidade, nomeadamente através do enviado especial para as Questões do Ártico, em cooperação com a Comissão, os Estados-Membros e o Parlamento Europeu.
Parceria Oriental – Relações bilaterais
38. A UE reafirma o seu apoio resoluto à independência, soberania e integridade territorial da Ucrânia dentro das suas fronteiras internacionalmente reconhecidas, A UE continua empenhada em apoiar as reformas empreendidas pela Ucrânia, bem como em reforçar a associação política e a integração económica da Ucrânia com a UE, em conformidade com o Acordo de Associação UE-Ucrânia/Acordo de Comércio Livre Abrangente e Aprofundado (ACLAA). A UE recordou a necessidade de assegurar o respeito pelos direitos que as pessoas pertencentes a minorias nacionais já exercem, tal como consagrados nas convenções das Nações Unidas e do Conselho da Europa e nos protocolos conexos. No que se refere à lei da língua oficial e à lei da educação, a UE sublinha a necessidade de implementar plenamente as recomendações da Comissão de Veneza sobre a lei da educação. A UE e a Ucrânia acordaram na necessidade de continuarem a cooperar no combate às ciberameaças e às ameaças híbridas. A Missão de Aconselhamento da UE (EUAM) na Ucrânia continua a prestar aconselhamento estratégico e apoio prático, a fim de se criarem serviços de segurança civil eficientes,
responsáveis e que mereçam a confiança da população. A EUAM está a reforçar as suas atividades no sudeste do país, nomeadamente através da abertura do seu gabinete em Mariupol. A UE reafirma o seu apoio resoluto à independência, soberania e integridade territorial da Ucrânia dentro das suas fronteiras internacionalmente reconhecidas, e continuará plenamente empenhada na sua política de não reconhecimento, nomeadamente impondo medidas restritivas. Condena a militarização da Crimeia e Sebastopol, ilegalmente anexadas, que está a ser operada pela Rússia e apela ao pleno cumprimento das normas internacionais em matéria de direitos humanos no país. Além disso, continua a apoiar firmemente os esforços de negociação envidados pelo Quarteto da Normandia, pelo Grupo de Contacto Trilateral e pela OSCE tendo em vista a plena aplicação dos Acordos de Minsk por todas as partes, sublinhando simultaneamente a responsabilidade da Federação da Rússia nesta
matéria. Na sequência de um decreto presidencial russo que permite a emissão simplificada de passaportes em certas zonas das regiões de Donetsk e Luhansk, a Comissão Europeia e o SEAE definiram orientações sobre a forma de tratar os pedidos de visto apresentados por residentes destas zonas da Ucrânia não controladas pelo Governo.
A UE congratulou-se com a libertação recíproca de prisioneiros e está pronta a continuar a apoiar a implementação das medidas acordadas na Cimeira da Normandia em dezembro de 2019. Não se deve permitir que a atual pandemia de COVID-19 tenha um impacto negativo nos esforços de resolução de conflitos. A UE continuará a apelar à Rússia para que assuma toda a sua responsabilidade nesta matéria e utilize a sua forte influência sobre as organizações armadas por ela apoiadas para que permitam o acesso incondicional da Missão Especial de Observação da OSCE (SMM) e dos intervenientes humanitários às zonas não controladas pelo Governo.
39. A UE, que continua plenamente empenhada na associação política e na integração económica com a Geórgia, congratulou-se com o empenho demonstrado por este país em que o Acordo de Associação, incluindo a zona de comércio livre abrangente e aprofundado nele prevista, seja efetivamente implementado. A UE mantém-se firme no seu apoio à integridade territorial da Geórgia dentro das suas fronteiras internacionalmente reconhecidas. Continua também plenamente empenhada na resolução de conflitos e na sua política de não reconhecimento e de diálogo com a Geórgia, utilizando todos os instrumentos ao seu dispor no âmbito de uma abordagem integrada, que passa pelas atividades desenvolvidas pelo representante especial da UE para o Sul do Cáucaso e a crise na Geórgia e pela Missão de Observação da UE (EUMM). A UE está igualmente pronta a apoiar a execução da iniciativa de paz da Geórgia, subordinada ao tema "Um passo para um futuro melhor", que visa promover as trocas comerciais, a
40. A UE continua igualmente empenhada na associação política e na integração económica com a República da Moldávia, centrada na implementação de reformas baseadas no Acordo de Associação, com vista a proporcionar benefícios concretos aos cidadãos da República da Moldávia. A UE incentivou a República da Moldávia a prosseguir, com caráter prioritário, os seus esforços com vista à consolidação do Estado de direito, ao avanço da reforma do sistema judicial, ao apoio à sociedade civil e à independência dos meios de comunicação social, à promoção do desenvolvimento económico constante, à luta contra a corrupção e ao apoio à boa governação, bem como à resolução dos problemas com que se debatem as pessoas pertencentes a minorias nacionais. A cooperação com a Geórgia e a República da Moldávia continuará a procurar fazer face às implicações socioeconómicas e outras da pandemia de COVID-19 de forma sustentável. A UE continua também a apoiar uma solução global,
pacífica e sustentável para o conflito na Transnístria, no formato 5+2, com base na soberania e na integridade territorial da República da Moldávia dentro das suas fronteiras
internacionalmente reconhecidas, com um estatuto especial para a Transnístria. 41. O compromisso da UE para com a Arménia está concentrado no aprofundamento das
reformas democráticas, sociais e económicas baseadas no Acordo de Parceria Abrangente e Reforçado de 2017 (CEPA) e nas prioridades da parceria estabelecidas em 2018. No Comité de Parceria UE-Arménia, em dezembro de 2019, a UE manifestou o seu apreço pelos
objetivos alcançados até à data no âmbito do roteiro para a aplicação do CEPA adotado pelo Governo arménio. A UE continuará a apoiar a resiliência, a segurança e a prosperidade do país com base na democracia, nos direitos humanos, no Estado de direito e no
desenvolvimento económico sustentável e na conectividade, nomeadamente no âmbito da implementação do CEPA, presentemente em curso.
42. A UE continua a cooperar com o Azerbaijão no âmbito das prioridades da parceria
estabelecidas em 2018. A celebração de um novo e ambicioso acordo com o Azerbaijão, que reflita o atual estádio da nossa cooperação, continua a ser a grande prioridade nas relações entre nós estabelecidas. O diálogo no domínio da segurança prosseguiu com um segundo diálogo sobre segurança entre a UE e o Azerbaijão, que teve lugar em dezembro de 2019, em Bacu.
43. A UE continua a acompanhar de perto o processo de resolução do conflito no Alto Carabaque e a apoiar os esforços envidados pelos copresidentes do Grupo de Minsk da OSCE,
nomeadamente através do representante especial da UE para o Sul do Cáucaso e a crise na Geórgia. No que diz respeito ao caminho a seguir daqui em diante, espera que as partes deem seguimento às declarações conjuntas de 30 de janeiro e 21 de abril de 2020, respetivamente, dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Arménia e do Azerbaijão e dos copresidentes do Grupo de Minsk. A União Europeia apela a que o cessar-fogo seja rigorosamente observado, a que se consagrem energia e recursos à luta contra a pandemia de COVID-19 e a que a
participação nas negociações conduzidas pelos copresidentes seja construtiva. A UE está pronta a continuar a apoiar as medidas de reforço da confiança da sociedade civil em ambas as partes do conflito.
44. A UE prosseguiu a sua relação com a Bielorrússia em conformidade com as conclusões do Conselho de fevereiro de 2016. Uma vez que as eleições legislativas realizadas em novembro de 2019 na Bielorrússia não respeitaram normas internacionais importantes em matéria de eleições democráticas, a UE exortou as autoridades bielorrussas a retomarem os trabalhos conducentes a uma reforma eleitoral global. Em 17 de fevereiro de 2020, o Conselho decidiu prorrogar as medidas restritivas ainda em vigor contra a Bielorrússia por mais um ano, até 28 de fevereiro de 2021, atendendo a que não se registou melhoria na situação em matéria de direitos humanos no país, em que ressalta a persistente aplicação da pena de morte. Em conformidade com o compromisso de apoiar os contactos pessoais e a sociedade civil, assumido pela UE, entraram em vigor a 1 de julho de 2020 acordos de readmissão e
facilitação de vistos entre a UE e a Bielorrússia. No entanto, na sequência da clara falsificação dos resultados das eleições presidenciais de 2020 e da repressão de manifestantes pacíficos que se seguiu, deterioraram-se gravemente as relações entre a UE e a Bielorrússia. A UE emitiu uma mensagem de grande clareza ao não reconhecer os resultados e ao declarar que a tomada de posse de Alexander Lukashenko carecia de legitimidade democrática e ainda ao anunciar sanções específicas contra pessoas implicadas em atos de violência e repressão e na falsificação dos resultados eleitorais. A UE sublinhou o seu apoio ao desejo de mudança democrática manifestado pela população da Bielorrússia. AUE exortou também as
autoridades bielorrussas a porem termo aos atos de violência desproporcionada e inaceitável contra os manifestantes pacíficos e a libertarem os detidos e ainda a encetarem um diálogo nacional inclusivo com a sociedade em geral, em particular com o Conselho de Coordenação.
Rússia
45. Em 2020, a gestão das relações com a Federação da Rússia continuou a representar um desafio estratégico fundamental para a União Europeia e foi debatida pelos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE em várias ocasiões. A política da UE em relação à Rússia continua a reger-se pelos cinco princípios acordados por unanimidade e reafirmados em diversas ocasiões pelos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE. Até à data, os acordos de Minsk não foram aplicados, o que constituiria uma condição essencial para qualquer alteração substancial da posição da UE em relação à Rússia. A aplicação equilibrada, eficaz e geral dos cinco princípios é assegurada por uma abordagem unida por parte da UE.
46. Em 2020, as relações da UE com a Rússia continuaram a ser marcadas pela violação do direito internacional por parte da Rússia na Ucrânia e na região limítrofe, nomeadamente a anexação ilegal da península da Crimeia e as ações levadas a cabo pela Rússia para
desestabilizar a situação no leste da Ucrânia, os ciberataques e o envenenamento de Alexei Navalny com um agente neurotóxico. Os três regimes de medidas restritivas da UE (proibição de viajar/congelamento de bens de pessoas e entidades; medidas relacionadas com a anexação da península da Crimeia; e medidas económicas) são objeto de reapreciação periódica. As medidas económicas continuam a estar ligadas à aplicação integral dos Acordos de Minsk. 47. Em março de 2019, o Conselho Europeu congratulou-se com o importante trabalho realizado
e apelou a que se intensificassem esforços coordenados para abordar os aspetos internos e externos da desinformação. Em conformidade com as conclusões do Conselho de 22 de março de 2018, a UE continuou a tomar medidas destinadas a aumentar a sua resiliência à
desinformação e aos riscos de natureza química, biológica, radiológica e nuclear, assim como a fortalecer as suas capacidades de resposta a ameaças híbridas, nomeadamente no domínio do ciberespaço, da comunicação estratégica e da contrainformação. A UE apoia inteiramente a Resolução 2166 do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre o abate do voo MH-17 e exorta a Rússia a reconhecer a sua responsabilidade e a cooperar plenamente com todas as iniciativas destinadas a apurar a verdade e as responsabilidades e a fazer justiça. O início do processo penal, a 9 de março de 2020, marcou uma etapa importante no apuramento da verdade e na obtenção de justiça para as vítimas e seus familiares mais próximos, obrigando
48. Ao mesmo tempo, no âmbito dos cinco princípios orientadores, a UE continuará o seu diálogo seletivo sobre crises internacionais, questões mundiais e outras que para ela se revestem de interesse. Continuará também a manifestar a sua séria preocupação e a tomar medidas
concretas relativamente aos direitos humanos, ao Estado de direito e à democracia na Rússia, especialmente no tocante às medidas que limitam as liberdades fundamentais e às restrições impostas para coartar a existência de uma sociedade civil independente na Rússia. A UE manterá e reforçará o seu apoio aos contactos pessoais e à sociedade civil russa, elemento indispensável das suas relações com o país. Recorda-se a importância do papel do Conselho da Europa e da OSCE, bem como os compromissos e obrigações de todos os seus membros.
Ásia Central
49. A Estratégia da UE para a Ásia Central, adotada em junho de 2019, norteou a colaboração da UE com a região ao longo do ano. A UE avançou com a negociação de acordos de parceria e cooperação reforçados de nova geração (APCR) com os Estados da Ásia Central, que
constituíram um instrumento de peso para criar parcerias mais modernas e diversificadas e promover a cooperação e a convergência regulamentar em domínios particularmente relevantes para os processos de reforma em curso na região. O APCR com o Cazaquistão entrou em vigor em março de 2020. O APCR com o Quirguistão, rubricado em julho de 2019 em Bishkek, foi preparado de molde a permitir a sua assinatura no primeiro semestre de 2021. As negociações em curso do APCR com o Usbequistão avançaram substancialmente. O SEAE e a DG TRADE elaboraram diretrizes de negociação de um APCR com o Tajiquistão. Em julho de 2019, a UE abriu no Turquemenistão uma delegação investida de plenos
poderes. A UE promoveu ativamente a cooperação regional, sobretudo nos domínios do Estado de direito e da governação, do papel da sociedade civil, dos direitos humanos e da igualdade de género, das forças de polícia e da luta contra a criminalidade transnacional, incluindo a luta contra os estupefacientes, a gestão das fronteiras, a educação, a água e o ambiente, a redução do risco de catástrofes, bem como a conectividade sustentável e o desenvolvimento do comércio na região. A 16.ª reunião ministerial UE-Ásia Central, que se realizará em novembro de 2020, constituirá uma oportunidade crucial para definir o
contributo que a UE pode prestar em prol da recuperação económica pós-COVID-19 na região, bem como para debater as prioridades da cooperação da UE durante o ciclo orçamental pós-2020.
Médio Oriente e Norte de África (MENA)
50. Para explorar formas de reforçar a parceria com a nossa vizinhança meridional, no ano do 25.º aniversário do Processo de Barcelona, o Conselho Europeu realizará um debate
estratégico sobre a vizinhança meridional, região de importância estratégica para a UE.
51. A União Europeia continua empenhada na unidade, na soberania e na integridade territorial da Síria e em encontrar uma solução duradoura para o conflito no país: só uma solução política baseada na plena aplicação da Resolução 2254 do CSNU e do Comunicado de Genebra permitirá que a estabilidade e a paz sejam duradouras. A União Europeia continua, pois, a apoiar o processo político liderado pelas Nações Unidas em Genebra. Continua também a ajudar a coligação internacional contra o Daexe a estabilizar o nordeste da Síria e a consolidar a vitória militar contra esta organização terrorista e apela aos aliados do regime,
nomeadamente à Rússia, que usem a sua influência para assegurar a plena participação do regime sírio neste processo mandatado pelo CSNU. Nas conclusões do Conselho de outubro de 2019 sobre o nordeste da Síria, o Conselho condenou a ação militar da Turquia, que compromete seriamente a estabilidade e a segurança de toda a região, tendo como consequência mais sofrimento e deslocações de civis e dificultando consideravelmente o acesso à ajuda humanitária. O conflito na Síria dura há já dez anos e continua a estar marcado por persistentes violações e atropelos do direito internacional, incluindo atropelos dos direitos humanos e do direito internacional humanitário, por todas as partes envolvidas,
particularmente pelo regime sírio e pelos seus aliados. A UE e os seus Estados-Membros continuam empenhados em prevenir a impunidade e em que se faça justiça pelas violações do direito internacional cometidas durante o conflito na Síria.
52. A União Europeia considera que a única solução sustentável para o problema das pessoas deslocadas internamente na Síria e dos refugiados sírios é o regresso às suas casas, mas as condições atuais não permitem que esse regresso aconteça voluntariamente, em condições de segurança e com dignidade, em conformidade com o direito internacional. A União Europeia continua a ajudar o ACNUR a prestar apoio até que essas condições estejam preenchidas. O Fundo Fiduciário Regional da União Europeia de resposta à crise síria continua a prestar assistência a 1,9 milhões de refugiados sírios e pessoas deslocadas internamente nos países vizinhos, bem como às comunidades de acolhimento na região.
53. A União Europeia e as Nações Unidas copresidiram à quarta Conferência de Bruxelas subordinada ao tema "Apoiar o futuro da Síria e da região", em 30 de junho de 2020. A conferência permitiu à comunidade internacional reafirmar o seu apoio aos esforços liderados pela ONU no sentido de se alcançar uma paz sustentável na Síria, e à UE reafirmar a sua política em matéria de sanções, não normalização e regresso. A UE recordou que não financiará a reconstrução na Síria até que esteja em curso uma sólida transição política. Participaram 52 países e 24 organizações e agências internacionais, o que permitiu angariar, no total, 6,9 mil milhões de euros (7,7 mil milhões de dólares) para responder à crise. A União Europeia e os seus Estados-Membros continuam a ser os principais doadores.
54. A UE continuará não só a ajudar a Jordânia e o Líbano a enfrentarem as consequências da crise síria como a promover a estabilidade e o desenvolvimento nos dois países, em
consonância com os compromissos assumidos em sucessivas conferências internacionais. Em cooperação com ambos os países, realizaram-se novos progressos na área da segurança, contribuindo a UE para a gestão integrada das fronteiras, a prevenção do extremismo violento, a luta contra o terrorismo e a segurança da aviação. No Líbano, a UE continuou a honrar o compromisso assumido em março de 2018, durante a Conferência de Roma II, no sentido de apoiar as forças armadas e as forças de segurança interna libanesas. Além disso, reagiu rapidamente à devastadora explosão que deflagrou no porto de Beirute a 4 de agosto de 2020. Prestou uma ajuda de emergência significativa, tendo, ao mesmo tempo, apoiado os apelos lançados a que o Governo libanês empreendesse rapidamente reformas financeiras,
económicas e políticas, que a UE está pronta a apoiar. Em junho de 2019, a Jordânia assinou com a UE um acordo-quadro de participação (primeiro país da região do Médio Oriente e Norte de África a fazê-lo), com base no qual contribuirá para as missões e operações da PCSD.
55. O Egito continua a ser um parceiro fundamental em muitas questões regionais, como o processo de paz no Médio Oriente, a Líbia e o Mediterrâneo Oriental. No plano bilateral, a UE continuará a implementar as prioridades conjuntas da parceria com o Egito, respeitando integralmente as disposições do Acordo de Associação, incluindo as relativas aos direitos humanos e ao papel da sociedade civil, e sublinha a importância de preservar a
condicionalidade do apoio da UE, conforme estabelecido na cláusula-tipo relativa aos direitos humanos pertinente, ao continuar o diálogo com o Egito. Em setembro de 2019, a UE e o Egito, na qualidade de copresidentes do Grupo da África Oriental instituído no seio do Fórum Mundial contra o Terrorismo, organizaram um evento paralelo sobre a luta contra o
financiamento do terrorismo, à margem da reunião ministerial do Fórum Mundial contra o Terrorismo que teve lugar em Nova Iorque.
56. Continuando a basear-se na Estratégia de 2018 da UE para o Iraque, no Acordo de Parceria e Cooperação UE-Iraque e nas conclusões do Conselho de 15 de julho de 2019 sobre o Iraque, e tendo em conta a decisão tomada na reunião extraordinária do Conselho dos Negócios
Estrangeiros de 10 de janeiro de 2020 no sentido de se intensificar o diálogo com o Iraque como forma de apoiar a sua soberania, a UE está empenhada em colaborar estreitamente com o novo Governo iraquiano no que toca às reformas urgentemente necessárias, reivindicadas em protestos nacionais massivos desde outubro de 2019, a fim de fortalecer as instituições do país e construir um Iraque inclusivo, próspero e estável, em paz com os seus vizinhos. Tal como no passado, a UE continuará a incentivar o Governo do Iraque a acelerar a
implementação da agenda de reconstrução e a honrar os compromissos assumidos na Conferência Internacional para a Reconstrução do Iraque, realizada no Koweit em fevereiro de 2018. A este respeito, a UE continuará a lançar mão de todos os instrumentos e políticas ao seu dispor para apoiar os esforços envidados pelo Governo, nomeadamente no que diz
respeito à luta contra a corrupção, ao reforço das capacidades institucionais, à melhoria da governação, à preparação para as eleições antecipadas marcadas para 6 de junho de 2021 e à realização de reformas socioeconómicas destinadas a diversificar uma economia vulnerável, dependente do petróleo. Continuará igualmente empenhada em dar resposta às prementes necessidades humanitárias que atualmente se fazem sentir, em resultado de anos de conflito, de deslocações internas generalizadas e de perturbações no acesso aos serviços sociais. O reforço da cooperação no domínio da migração, incluindo no domínio da readmissão, continua a fazer parte integrante do compromisso global da UE para com o Iraque.
57. A UE está a contribuir para o reforço do Estado de direito e o apoio à reforma do setor da segurança civil no Iraque, nomeadamente através da Missão de Aconselhamento da PCSD, a EUAM Iraque, com destaque para a execução da Estratégia Nacional de Segurança do Iraque. Para tal, a Missão continua a prestar aconselhamento estratégico e a facultar conhecimentos especializados às autoridades iraquianas. Em 7 de abril de 2020, o Conselho acordou em prorrogar o mandato da EUAM Iraque por dois anos, ou seja, até 30 de abril de 2022. 58. A UE apoiou os esforços envidados pela coligação internacional contra o Daexe, tendo
vários Estados-Membros contribuído para a segurança do Iraque e para a formação das suas forças armadas e de segurança. Continua também a colaborar com as autoridades iraquianas por forma a assegurar que a UE e os seus Estados-Membros possam prosseguir os seus esforços nesse sentido, respeitando plenamente a soberania e a Constituição iraquianas. 59. A nível inter-regional, apesar das dissensões persistentes entre os países do Conselho de
Cooperação do Golfo (CCG), a UE continuou a desenvolver a sua ação, renovando, nomeadamente, as diligências a favor de uma solução no seio do CCG, em especial a fim de apoiar a prossecução dos esforços de mediação conduzidos pelo Koweit. Após um interregno de quase três anos, que remonta a novembro de 2017, em junho de 2020 teve lugar uma primeira reunião do Comité Misto de Cooperação UE-CCG.
60. Face a esta situação e prosseguindo os esforços de parceria a nível regional com o CCG, a UE continuou paralelamente a trabalhar no sentido de consolidar as suas relações bilaterais com todos os países do CCG. Para tal, realizaram-se reuniões de altos funcionários com Omã, o Qatar, o Koweit e os Emirados Árabes Unidos, enquanto o Conselho autorizou a assinatura de um acordo de cooperação entre o SEAE e o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Barém. Foram também estabelecidos contactos com o Reino da Arábia Saudita para este fim. A abertura de uma nova delegação da UE no Koweit em julho de 2019, igualmente responsável pelas relações da UE com o Qatar, consolidou a presença estratégica da UE na região.
61. O aprofundamento do diálogo e da cooperação da UE com os países do Golfo em torno dos desafios mundiais, nomeadamente no contexto do adiamento da EXPO Dubai 2020,
continuará a ser vital, sobretudo face à pandemia de COVID-19. Com base no mandato conferido ao alto representante pelo Conselho dos Negócios Estrangeiros em janeiro de 2020, a UE continuará também a trabalhar com todas as partes de molde a contribuir para o
desanuviamento e os esforços de diálogo na região do Golfo.
62. A UE continuou a apoiar o reatamento das negociações de paz lideradas pela ONU no Iémen. Em 2019, prosseguiu a sua ação diplomática junto das partes no conflito e de outros
intervenientes de relevo. Intensificou a sua cooperação com o gabinete do enviado especial da ONU, apoiando a promoção de medidas de reforço da confiança, o financiamento de diálogos "de segunda via", o patrocínio de iniciativas de consolidação da paz e a reconstrução de instituições públicas críticas. Isto incluiu também a continuação da prestação de apoio, pela UE, ao Mecanismo de Verificação e Inspeção das Nações Unidas (UNVIM). Além disso, a UE procurou assegurar que a sua participação substancial em domínios como a segurança alimentar, a saúde e a nutrição, a água e o saneamento e ainda o desenvolvimento rural pudesse assentar sobretudo em intervenções humanitárias.
63. A UE reforçará o diálogo bilateral com Omã a fim de apoiar o papel positivo deste país na procura de soluções pacíficas para os conflitos na região.
64. No que toca ao processo de paz no Médio Oriente (PPMO), a UE continua empenhada numa solução bi-estatal negociada e viável que tenha em conta as legítimas aspirações de palestinianos e israelitas e respeite todas as resoluções pertinentes da ONU e os parâmetros acordados a nível internacional, nomeadamente as Resoluções 1860 e 2334 do CSNU e os acordos anteriores. Continua convencida de que é necessário envidar esforços consideráveis para que se reatem negociações construtivas destinadas a encontrar uma solução bi-estatal com base nas fronteiras de 1967, com Jerusalém como capital de ambos os Estados, que satisfaça as necessidades de segurança de Israel e da Palestina, bem como as aspirações palestinianas a um Estado e à soberania, que ponha fim à ocupação e resolva todas as questões ligadas ao estatuto definitivo, para que se possa pôr termo ao conflito.
65. A UE insta ambas as partes a demonstrarem, por meio de políticas e ações, um verdadeiro empenho na solução bi-estatal como única via realista para acabar com o conflito. Continuará, assim, a visar este objetivo juntamente com os seus parceiros, tanto israelitas como
palestinianos, com atores regionais como a Jordânia e o Egito e com outros parceiros que integrem o Quarteto para o Médio Oriente. A representante especial da UE para o processo de paz no Médio Oriente continuará também a desempenhar um papel central neste contexto. 66. Na perspetiva da UE, a iniciativa lançada pelos Estados Unidos em janeiro de 2020 permitiu
que se reativassem os tão urgentemente necessários esforços tendentes a encontrar uma solução negociada e viável para o conflito israelo-palestiniano. A União Europeia estudou as propostas apresentadas com base na posição estabelecida da UE e que inclui a necessidade de respeitar todas as resoluções pertinentes das Nações Unidas e os parâmetros acordados a nível internacional.
67. A UE congratulou-se ainda com o anúncio da normalização das relações entre Israel e os Emirados Árabes Unidos, feito em agosto de 2020, e reconheceu o papel construtivo desempenhado pelos EUA neste contexto. A UE considera que tal evolução representa um contributo positivo para a paz e a estabilidade no Médio Oriente. Na opinião da UE, a resolução global do conflito israelo-árabe exige uma abordagem regional inclusiva e um diálogo com ambas as partes.
68. No terreno, a situação no território palestiniano ocupado tem continuado a deteriorar-se, sem perspetivas de um futuro político claro. Na Cisjordânia, em Jerusalém e na Faixa de Gaza continuou a assistir-se a atos de violência, incluindo atentados terroristas, e a viver-se um clima de agitação. Recordando o direito que assiste a Israel de defender os seus legítimos interesses em matéria de segurança, a UE declarou publicamente esperar que as autoridades israelitas cumpram na íntegra as obrigações que lhes incumbem por força do direito
internacional em matéria de direitos humanos e do direito internacional humanitário (DIH) e tomem medidas contra a violência crescente dos colonos. Condenou também firmemente todos os atos de violência, terrorismo e incitamento ao ódio e à violência, que são
fundamentalmente incompatíveis com a prossecução de uma solução bi-estatal pacífica. 69. Recordando que os colonatos são ilegais nos termos do direito internacional, constituem um
obstáculo à paz e ameaçam tornar impossível uma solução bi-estatal, a UE reitera também a sua firme oposição à política israelita de implantação de colonatos e às medidas tomadas neste contexto, reafirmando que quaisquer anexações constituiriam uma violação grave do direito internacional. Relativamente aos Montes Golã, a UE confirmou a sua posição já assumida, nos termos da qual, em conformidade com o direito internacional e as Resoluções 242 e 497 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a União Europeia não reconhece a soberania de Israel sobre os Montes Golã ocupados. Além disso, o Conselho Europeu de dezembro de 2017 reiterou o seu firme empenhamento na solução bi-estatal, o que significa que a posição assumida pela UE em relação a Jerusalém se mantém inalterada.
70. A UE apela a que todas as partes tomem rapidamente medidas conducentes a uma mudança de fundo na situação política, económica e de segurança na Faixa de Gaza, que incluam o fim do bloqueio e a abertura total dos postos de passagem, indo simultaneamente ao encontro das legítimas preocupações de Israel com a sua segurança. Os recentes disparos de foguetes por grupos militantes são inaceitáveis e evidenciam novamente o perigo de escalada. Todas as partes interessadas se devem empenhar na via da não violência e da paz. O regresso da Autoridade Palestiniana à Faixa de Gaza é necessário para melhorar as condições de vida e a situação humanitária de forma duradoura. A Cisjordânia e a Faixa de Gaza continuam a não estar unidas sob a alçada de uma Autoridade Palestiniana única e legítima. A UE continuará a apelar a que todas as fações palestinianas trabalhem em conjunto para dar resposta às
necessidades da população. Tal como em anos anteriores, continuará a prestar apoio político e financeiro à Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA) e a apoiar o acesso humanitário a todos os doadores. A UNRWA presta ajuda essencial às populações vulneráveis afetadas pela grave situação humanitária e é crucial para a estabilidade e a segurança na região e para a viabilidade da solução bi-estatal. As operações e programas desenvolvidos pela Agência contribuem para o combate à
radicalização e ao aumento do extremismo, especialmente em Gaza.
71. A Missão de Polícia da UE para os Territórios Palestinianos (EUPOL COPPS) continua a apoiar a Autoridade Palestiniana na criação das instituições de polícia e de justiça penal de um futuro Estado da Palestina. O mandato da Missão de Assistência Fronteiriça da UE para o Posto de Passagem de Rafa (EUBAM Rafa), atualmente instalada em Telavive, consiste em assegurar a presença de terceiros no posto de passagem de Rafa, com base no Acordo de 2005 sobre a Circulação e o Acesso, como parte das medidas de criação de confiança entre o
Governo de Israel e a Autoridade Palestiniana. Em posição de prevenção desde 2007, a Missão mantém-se a postos para ser novamente destacada para Rafa, logo que as condições o permitam. Em abril de 2020, os Estados-Membros acordaram em que os mandatos da
EUBAM Rafa e da EUPOL COPPS fossem prorrogados por um ano, ou seja, até 30 de junho de 2021.