COMPORTAMENTO DE ARGAMASSAS COM RESÍDUO DO CORTE DE ROCHAS EM CONDIÇÕES ADVERSAS DE TEMPERATURA E UMIDADE

11 

Loading....

Loading....

Loading....

Loading....

Loading....

Texto

(1)

COMPORTAMENTO DE ARGAMASSAS COM RESÍDUO DO CORTE DE

ROCHAS EM CONDIÇÕES ADVERSAS DE TEMPERATURA E UMIDADE

Afonso, W. M.(1); Désir, J. M.(2); Dias, D.P. (3); Schwan, R. M. (4);Dantas, D. F.(5)

(1) Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro,

wllisses@uenf.br

(2) Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro,

jean@uenf.br

(3) Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro,

dylmar@uenf.br

(4) Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro,

schwan@uenf.br

(5) Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro,

debidantas@censanet.com.br

RESUMO

A construção civil é um dos setores mais indicados para reutilização de rejeitos industriais. Neste trabalho procura-se estudar o comportamento de argamassas realizadas com o resíduo de corte de rochas (RCR) quando submetidas a condições adversas de temperaturas e umidade. Em trabalhos anteriores ficou comprovada a eficiência deste resíduo gerado no beneficiamento de rochas ornamentais, provenientes da região de Santo Antonio de Pádua e que é geralmente depositado nos pátios das empresas. Os resultados mostram que a argamassa resultante da incorporação do RCR atende plenamente as exigências prescritas nas normas NBR 13281 e NBR 13749 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), sendo ainda possível a utilização de traços com altos teores de resíduo e baixo teor de cimento, o que levado à escala industrial significa uma redução do impacto ambiental desta atividade. Este desempenho se deve, em parte, à finura do material, que confere maior compacidade à mistura. Contudo, como a durabilidade de qualquer material é um aspecto fundamental para sua aceitação no mercado e influencia muito o desempenho, torna-se imprescindível a avaliação do comportamento destas argamassas quando expostas a situações similares às que são submetidas na prática, principalmente quanto à temperatura e umidade. Assim sendo, foi realizado um conjunto de ensaios, envolvendo ciclos de molhagem e secagem, absorção por imersão e por capilaridade para o estudo de algumas características, tais como: estabilidade dimensional, variação de resistência, absorção, entre outras. Os resultados mostram que a resistência mecânica não é afetada nestas condições, mas revelam uma certa susceptibilidade das argamassas em relação à absorção de água.

PALAVRAS-CHAVE: resíduo do corte de rocha, argamassas, umidade, temperatura, durabilidade.

I CONFERÊNCIA LATINO-AMERICANA DE CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL X ENCONTRO NACIONAL DE TECNOLOGIA DO AMBIENTE CONSTRUÍDO

(2)

1. INTRODUÇÃO

Basicamente, a industria de rochas ornamentais gera resíduos em quatro fases: a primeira é relativa à extração dos blocos de rochas “in situ”, sendo o tipo de rejeito definido pelo processo de extração. Quando esta é feita por explosões, o rejeito é formado por fragmentos de rochas de tamanhos diversos, desde poucos milímetros até algumas dezenas de centímetros, dependendo da finalidade de uso do material extraído. Já no caso de cortes e processos hidráulicos mais modernos, a perda é bem menor, correspondendo apenas a uma parcela de finos. A segunda fase só existe em casos especiais, quando as rochas possuem planos bem definidos de clivagem e podem ser desplacadas facilmente, de forma quase artesanal. Assim, o resíduo gerado corresponde a lascas com dimensões insuficientes para seu aproveitamento. A terceira fase, já como etapa de acabamento, diz respeito ao recorte dos blocos ou chapas nas dimensões de comercialização. Nesta fase existem dois tipos de resíduos, os retalhos do corte e o pó residual do processo de serragem. A quarta e última fase é o acabamento final da peça, quando chapas de rochas são submetidas ao processo de polimento. O resíduo gerado é também um pó fino de rocha, acrescido do material abrasivo utilizado no polimento, formando um líquido pastoso, conhecido como “lama”.

Considerando a noção de desenvolvimento sustentável, torna-se evidente a necessidade de distribuição dos recursos econômicos da humanidade, tendo preocupação com a preservação da natureza. Os processos de produção devem economizar energia e não gerar subprodutos perigosos, que podem por em risco a natureza e o ser humano (PENTTALLA, 1997). Ou ainda, há de se buscar alternativas de reaproveitamento de rejeitos, evitando prejuízos ao meio, garantindo a sua manutenção às gerações futuras (LIDDLE, 1994).

Neste âmbito, alguns destes tipos de resíduo são objetos de pesquisas em muitas instituições pelo mundo, buscando soluções para a minimização do impacto ambiental causado por este setor. Neste trabalho será dada ênfase a pesquisas relacionadas ao emprego de alguns desses resíduos no campo da construção civil.

Pesquisas visando o emprego do resíduo mais fino como material aplicado a dosagens cimentícias são poucas e recentes, mesmo já tendo sido constatada a eficiência deste material para uso com aditivo mineral inerte (fíler) em concretos. GONÇALVEZ (2001) estudou o efeito desta adição em algumas dosagens de concreto e comprovou que com teores ideais é possível melhorar o comportamento mecânico destes traços.

Apesar de já ocorrerem estudos relevantes sobre o aproveitamento destes resíduos na construção civil, ainda existe a necessidade de uma metodologia de aproveitamento racional, abrangente e, principalmente, viável deste material, para que se possa realmente difundir tecnologias, transformando a teoria em práticas convencionais.

Neste intuito, a utilização de argamassa como veículo para inserção do resíduo de corte de rocha no mercado da construção civil, agregando valores ao mesmo, tem se mostrado bastante promissora, por ser a argamassa um produto de uso abrangente, e também pela possibilidade de se obter melhorias técnicas e econômicas com o produto acabado.

Estudos realizados por AFONSO et al. (2003) comprovaram o bom desempenho mecânico das argamassas produzidas com o resíduo de corte de rocha em substituição à cal. Propriedades como a resistência à compressão, teor de ar incorporado e retenção de água, utilizadas como parâmetro de classificação pela NBR 13281/2001, apresentaram melhorias com a adição deste material. As exigências da NBR 13749/2001, quanto à resistência de aderência à tração, também foram atendidas (AFONSO, 2004).

Contudo, faz-se necessária a verificação do comportamento dessas argamassas durante sua vida útil, ou seja, é preciso comprovar que a durabilidade do produto, principalmente no que se refere à resistência a situações adversas oriundas do seu próprio papel estrutural. Assim, espera-se que este trabalho possa fornecer informações para a interpretação das respostas dessas argamassas quando, aplicadas com revestimento, sofrerem condições adversas de temperatura (exposição do sol) e umidade (chuvas e afins).

2 - MATERIAIS

Para realização deste trabalho, centrado no estudo de durabilidade de argamassas com resíduo de corte de rocha, serão utilizados, além do próprio RCR, os componentes típicos de argamassas convencionais (cimento, cal e areia). As características desses materiais são descritas abaixo.

(3)

2.1– Cimento

O cimento empregado na produção das argamassas foi o cimento Portland composto com adição de escória de alto-forno (CP II E 32), da marca “Votoran”, por ser o mais utilizado na região. Suas características físicas são: massa específica teórica de 2,92 g/cm3 (NBR 6474/1984) e superfície específica Blaine (NBR NM 76/1998) de 342 m2/Kg. A tabela 2.1 mostra os resultados da análise química, feita através de energia dispersiva de Raios X (EDX).

Elementos Percentual CaO 70,21% SiO2 17,03% Al2O3 5,89 % SO3 3,38 % Fe2O3 1,82 % K2O 0,86 % TiO2 0,44 % Outros 0,38 %

Tabela 2.1 – Constituição química do cimento

2.2 – Cal

A cal usada na confecção da argamassa foi do tipo CH III, do fabricante “Ical” comumente comercializada na região, a qual tem massa específica teórica de 2,24 g/cm3 (NBR 6474/1984) e superfície específica Blaine de 703 m2/Kg (NBR NM 76/1998). Os resultados da análise química podem ser vistos na tabela 2.2.

Elementos Percentual CaO 96,24% SiO2 1,35 % SO3 1,04 % K2O 0,95 % Fe2O3 0,18 % Outros 0,24 %

Tabela 2.2 – Análise por EDX da cal

2.3 – Agregado miúdo

Foi utilizada areia comum do rio Paraíba do Sul, por ser na prática a mais usualmente empregada no preparo de argamassas. O material, caracterizado conforme recomendações da ABNT, possui módulo de finura de 2,65 (NBR 7211/1983); massa específica aparente no estado solto de 1,39 g/cm3 (NBR 7251/1982) e massa específica teórica de 2,65 g/cm3 (NBR 6508/1984). Sua distribuição granulométrica é apresentada na tabela e figura 2.3.

Número da peneira (ABNT)

Abertura da peneira

(mm) Percentual retido acumulado

8 2,4 0

16 1,2 12

30 0,6 60

50 0,3 94

(4)

200 0,075 100 Tabela 2.3 – Distribuição granulométrica da areia

Figura 2.3 – Curva granulométrica da areia

2.4 – RCR

O resíduo utilizado neste trabalho é proveniente da região Norte Fluminense do Estado do Rio de Janeiro, mais especificamente de uma serraria situada no município de Santo Antônio de Pádua. Coletado do tanque de decantação desta indústria, o material, ainda com alto teor de umidade, foi seco em estufa por 24 horas, a uma temperatura de 110ºC, resultando um material em forma de torrões. O destorroamento foi feito por meio de um moinho de bolas durante um período de 600 ciclos, que, segundo AFONSO (2004), corresponde ao período ideal. Apos este tratamento, o material apresentou, superfície específica Blaine (NBR NM 76/1998) de 340 m2/Kg e massa especifica teórica (NBR 6508/1984) de 2,71 g/cm3.

As características granulométricas do RCR foram determinadas conforme procedimentos indicados pela ABNT. Os resultados são apresentados na tabelas abaixo.

Número da peneira (ABNT) Abertura da peneira (mm) Percentual passante

50 0,3 100

100 0,15 100

200 0,075 97

325 0,044 87

Tabela 2.4a – Distribuição granulométrica do RCR 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 0,01 0,1 1 10 % Retida acumulada

(5)

Diametros das particulas (mm)

0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 100,0 0,001 0,01 0,1 1 % Passando

Figura 2.4 – Curva granulométrica do RCR

A rocha de origem pode ser classificada, geologicamente, como um Milonito Gnaisse, oriundo de um metamorfismo de rochas ígneas semelhantes a Gnaisses (RETECMIN/RJ).

De acordo com ALMEIDA (2001), a análise mineralógica do RCR através da técnica de difração de Raios X (XRD) indicou a presença de biotita (7%), quartzo (25%) e feldspato (microclina, anortita e albita) (62%). A análise química, executada pelo CETEM (Centro de Tecnologia Mineral), determinou os resultados apresentados na tabela 2.4b, enquanto que na tabela 2.4c são mostrados os resultados do ensaio de análise por energia dispersiva (EDX), realizado no Laboratório de Engenharia Civil (LECIV) da UENF.

Tabela 2.4b – Análise química do RCR Tabela 2.4c – Análise por EDX do RCR

3 – METODOLOGIA

Este trabalho procura estudar o comportamento de argamassas produzidas com resíduo de corte de rochas quando submetidas a condições adversas de umidade e temperatura, que possam se aproximar das condições reais de trabalho de revestimentos construídos com essas argamassas. Para tanto, foram realizados três procedimentos de ensaios que possibilitaram a avaliação de parâmetros importantes quanto à durabilidade do produto; são eles: ciclagem água-estufa, absorção de água por imersão e absorção de água por capilaridade.

O

ensaio de ciclagem tem o objetivo de avaliar o comportamento da argamassa submetida a condições alternadas de molhagem e secagem. O procedimento consistiu em efetuar ciclos onde a argamassa é imersa em água durante um período de 17 horas a uma temperatura de 23ºC e na seqüência colocada em estufa, a uma

Elementos Percentual SiO2 67,14% Al2O3 14,92% K2O 5,18 % Fe2O3 4,40 % Na2O 2,93 % CaO 1,91 % TiO2 0,73 % MgO 0,73 % PF 0,50 % Elementos Percentual SiO2 64,95% Al2O3 16,55% K2O 9,16 % Fe2O3 3,70 % CaO 2,81 % SO3 1,55 % TiO2 0,58 % BaO 0,51 % Outros 0,20 %

(6)

temperatura de 70ºC, durante 30 horas. Entre o período de permanência em estufa e imersão, os corpos de prova são resfriados em temperatura ambiente durante 1 hora. As argamassas foram curadas no ambiente do laboratório (23ºC e umidade relativa do ar de 65%) durante 14 dias e submetidas à ciclagem por 28 dias, totalizando 14 ciclos. Essa metodologia permite avaliar a influência da ciclagem nos seguintes parâmetros: absorção de água por imersão, variação de massa, variação dimensional e a resistência à compressão após ciclagem.

Os ensaios de absorção de água foram realizados segundo as prescrições da ABNT Sendo utilizados os seguintes procedimentos: Absorção por imersão (NBR 9778/1987) e por capilaridade (NBR 9779/1995). Através desses testes foi possível determinar a absorção e sua evolução com o tempo (taxa), tanto por capilaridade quanto por imersão.

Para a determinação da absorção por imersão, a argamassa é seca em estufa a 105ºC, durante 72 horas e finalmente é submetida à fervura durante 5 horas. Depois de resfriada a água por 14 horas, os corpos de provas são retirados da imersão. Os dados de ensaios, massas dos corpos-de-prova, são obtidos durante todo procedimento, em intervalos de tempo determinados. Já para o ensaio de absorção por capilaridade, os corpos de prova são secos em estufa (105ºC) durante 24 horas, resfriados a 23ºC e organizados em um recipiente de forma a ficarem submetidas a uma lâmina d’água constante de 5 mm, sem tocar o fundo, durante um período de 72 horas. Da mesma forma, as medidas são feitas durante este período.

As argamassas,cujas propriedades são discutidas neste artigo,foram selecionadas dentre uma série de traços estudados durante a fase experimental da pesquisa de mestrado de AFONSO (2004). Tais traços e os critérios de escolha são resumidos a seguir, na tabela 3.

Traço em massa Constituição Critérios para escolha

1:1:7R cimento:cal:areia Traço de referência, argamassa comumente produzida em canteiros de obra da região.

1:2:7 cimento:RCR:areia Traço com baixo teor de resíduo e resistência à compressão satisfatória.

1:1:4:10 cimento:cal:RCR:areia Traço que combina cal e resíduo, com baixo teor de cimento mas com boa resistência à compressão.

1:5:7 cimento:RCR:areia

Traço com elevado teor de resíduo, baixo teor de aglomerante, porém com satisfatória resistência à compressão

Tab. 3 – Traços das argamassas utilizadas nos ensaios

4 – RESULTADOS E DISCUSSÕES

Os resultados dos testes são apresentados em forma gráfica para os valores médios obtidos de grupos de quatro corpos-de-prova para cada ensaio. Os resultados se mostraram bastante consistentes, com pouca dispersão, mesmo assim, quando necessário, foi aplicado o tratamento estatístico especificado pelas normas para cada teste.

Para o ensaio de ciclagem água-estufa, método não regulamentado pela ABNT, nas análises de variação de massa, variação dimensional e absorção de água por imersão, os valores considerados válidos foram os que apresentaram desvio relativo à média inferior a 30%. O tratamento aplicado nos dados de resistência à compressão seguiu as recomendações da norma que regulamenta o ensaio.

4.1 – Ciclagem água-estufa

A variação de massa é medida por meio da diferença entre a massa dos corpos de prova antes e depois da ciclagem. A variação positiva indica a perda de massa depois de realizado o ensaio. No caso da ciclagem, esta propriedade demonstra a estabilidade de massa em condições de temperatura e umidade variáveis, como ocorre na prática, principalmente em argamassa de revestimento externo. A figura 4.1a apresenta os valores de variação de massa para as argamassas ensaiadas. Já a variação dimensional, mostrada na figura 4.1b, é obtida pelo cálculo realizado com a diferença entre dimensões lineares do corpo de prova antes do ensaio e depois de feita a ciclagem. A variação positiva indica a diminuição de dimensão após a realização do ensaio. Esta

(7)

propriedade demonstra a estabilidade dimensional das argamassas, muito importante no caso de argamassas de revestimento, que frente à contração ou expansão bruscas podem sofrer fissuração e até desplacamento.

Variação de Massa 0 0,25 0,5 0,75 1 1:1:7R 1:2:7 1:1:4:10 1:5:7 Traços Var iaç ão (% ) Variação Dimensional 0 0,05 0,1 0,15 0,2 0,25 1:1:7R 1:2:7 1:1:4:10 1:5:7 Traços Var iaç ão (% )

Fig. 4.1a – Variação de massa após ciclagem Fig. 4.1b – Variação dimensional após ciclagem

Para todas as argamassas, a perda de massa foi pequena, menor que 1%, mostrando um desempenho satisfatório; contudo, a argamassa de traço 1:1:4:10 com cal e resíduo em sua constituição, apresentou uma perda um pouco maior. Já as outras argamassas com RCR mostram-se iguais ou melhores que o traço de referência.

Já quanto à variação dimensional, que também foi de pequena ordem (menor que 0,25%), as argamassas com RCR tiveram um pior desempenho, porém, dado o grau de variação, não é nada muito significativo.

Após a realização da ciclagem, os corpos de prova são novamente imersos em água durante 24h e sua massa é comparada com a massa do corpo seco, previamente medido. Assim determina-se a Absorção de água por imersão da argamassa (figura 4.1c). A absorção de água se revela um parâmetro importante por ser o principal meio de penetração de agentes agressivos externos.

A determinação da resistência à compressão foi realizada imediatamente após o último ciclo, com a finalidade de verificar a variação de resistência da argamassa em condições de exposição adversa. A figura 4.1d apresenta os valores de resistência após a ciclagem e para os mesmos traços, quando curados a condições ambientais do laboratório.

Absorção de água por imersão

9,5 10 10,5 11 11,5 12 1:1:7R 1:2:7 1:1:4:10 1:5:7 Traços Abs o ão (% ) Resistência à compressão 0 2 4 6 8 10 1:1:7R 1:2:7 1:1:4:10 1:5:7 Traços Resistên cia (MPa ) Cura normal Pós ciclagem

Fig.4.1c – Absorção de água após ciclagem Fig. 4.1d – Resistência à compressão após ciclagem

A absorção de água por imersão após a ciclagem para as argamassas com RCR foi mais acentuada, principalmente no caso da argamassa 1:5:7, com o maior teor de resíduo. Portanto, apesar de adições finas contribuírem para densificação da matriz; falta adesão interna quando se aumenta a relação material inerte/material cimentício, não sendo possível um bom fechamento dos poros com a hidratação do cimento. Com a resistência à compressão foi o contrário, enquanto a argamassa de referência apresentou perda de resistência em relação aos corpos-de-prova curados normalmente e aos submetidos à ciclagem, os traços com RCR tiveram aumento de resistência. Isto, provavelmente porque em termo da hidratação de cimento, cujos

(8)

Absorção por Capilaridade 1,4 1,6 1,8 2 2,2 2,4 2,6 0 6 12 18 24 30 36 42 48 54 60 66 72 Tempo (h) Abs o r ç ão (g/ c m 2 ) 1:1:7R 1:2:7 1:1:4:10 1:5:7

produtos garantem a evolução da resistência, o ciclo de molhagem e secagem pode ser considerado como melhoria de condição de cura.

4.2 – Absorção de água por capilaridade

A absorção por capilaridade é obtida por meio da divisão do valor de aumento de massa pela área da seção do corpo de prova, para cada idade de interesse. Os resultados podem ser vistos na figura 4.2a. Esta propriedade mede a capacidade de ascensão capilar da água em paredes com revestimento de argamassas.

Fig. 4.2a – Absorção de água por capilaridade

Também por capilaridade, as argamassas com RCR têm uma absorção de água maior que a argamassa de referência. Isto já era esperado, visto que a adição de finos faz com que haja uma diminuição nos diâmetros dos poros, o que por sua vez aumenta a absorção capilar, já que esta é inversamente proporcional ao tamanho dos poros.

Em um período de 72 horas, as argamassas atingem o estado de saturação por capilaridade, porém, como pode ser notada pelo formato das curvas, a absorção é mais acentuada, atingindo quase o máximo, já no primeiro dia, tendo a maior taxa durante as primeiras 3 horas.

4.3 – Absorção de água por imersão

A absorção por imersão é obtida por meio da divisão do valor de aumento de massa após a imersão e fervura pela massa do corpo de prova seco em estufa. Os resultados deste ensaio são mostrados na figura 4.3a. Apesar de serem raros os casos de argamassas submetidas a condições de imersão na prática, está propriedade fornece informações importantes relativas à porosidade efetiva do material, isto é, a quantidade de vazios não isolados existentes.

(9)

Absorção por Imersão 13 13,5 14 14,5 15 15,5 16 16,5 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 Idade (dias) A b so ão ( % ) 1:1:7 (R) 1:2:7 1:1:4:10 1:5:7

Fig. 4.3a – Absorção de água após imersão e fervura

Os resultados de absorção por imersão também se mostram coerentes com os demais, ficando as argamassas com RCR com os maiores valores de absorção. Também já era esperada a inversão das posições dos traços, 1:1:4:10 com 1:5:7, já que este último possui maior teor de finos e, como comentado anteriormente, tem maior susceptibilidade à capilaridade que absorção por imersão. Já a argamassa com menor teor de finos e a de referência tiveram taxas de absorção bem próximas. Pode ser verificado que a taxa de absorção por imersão é maior nas primeiras 24h, atingindo praticamente a saturação por imersão.

5 – CONCLUSÕES

Mediante aos dados obtidos neste estudo pode se concluir que as argamassas com RCR continuaram a demonstrar boa resistência mecânica, mesmo após terem sido submetidas à ciclagem água-estufa. Os valores de resistência à compressão não foram muito afetados, chegando a haver ganho de resistência à compressão, fato que deve ser creditado à temperatura utilizada na cura.

Com respeito à perda de massa e estabilidade dimensional pós-ciclagem, os percentuais foram muito baixos, não tendo muita significância a comparação entre argamassa com e sem resíduo.

Já quanto à absorção de água, os resultados apontam para se ter cautela no emprego de resíduo de corte de rocha em argamassa. Como já comprovado anteriormente, a adição deste resíduo densifica o produto final, diminuindo o tamanho dos poros, e isto contribui para o aumento da absorção por capilaridade, como esperado, porém, o aumento da absorção também por imersão é um fato preocupante, estando possivelmente ligado ao aumento do teor de material inerte, faltando adesão interna suficiente para o fechamento dos poros. Contudo, os resultados obtidos neste trabalho não impedem o emprego do resíduo de corte de rocha em materiais cimentícios, pelo contrário, estes vêm contribuir para correta e racional utilização do RCR, contribuindo efetivamente e continuamente com a redução dos impactos ambientais causados por este material. Porém, tais dados servem de alerta para que seja dispensada maior atenção quanto ao desempenho destes produtos, evidenciando a importância do estudo do comportamento global (resistência mecânico e análise de durabilidade) de misturas cimentícias.

Torna-se necessário o aprofundamento no estudo dos mecanismos de absorção de água dessas argamassas com RCR, de forma a se determinar altenartivas de controle, para que se possa ter a possibilidade de uso irrestrito deste material.

Como este artigo é parte integrante de um trabalho de mestrado, outras propriedades das argamassas com RCR estão sendo estudas, dentre elas podem ser destacadas: resistência de aderência, resistência à tração, módulo de elasticidade, teor de ar incorporado e retenção de água.

(10)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 9778. Argamassa e concreto endurecidos –

determinação da absorção de água por capilaridade. Rio de Janeiro – 1995.

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 9779. Argamassa e concreto endurecidos –

determinação da absorção de água por imersão - índice de vazios e massa específica. Rio de Janeiro –

1987.

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR NM 76. Cimento portland – determinação da

finura pelo método de permeabilidade ao ar (método de Blaine). Rio de Janeiro – 1998.

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 6474. Cimento portland e outros materiais em

pó determinação da massa específica. Rio de Janeiro – 1984.

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 6508. Grãos de solos que passam na peneira de

4,8 mm – determinação da massa específica. Rio de Janeiro – 1984.

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 7251. Agregado em estado solto – determinação da massa unitária. Rio de Janeiro – 1982.

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 7211. Agregado para concreto. Rio de Janeiro – 1983.

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 13279. Argamassa para assentamento de

paredes e revestimentos de paredes e tetos – determinação da resistência à compressão. Rio de Janeiro –

1995.

ABNT – Associação Brasileira de Normas técnicas. NBR 13281. Argamassa para assentamento e

revestimento de paredes e tetos – requisitos. Rio de Janeiro – 2001.

ABNT – Associação Brasileira de Normas técnicas. NBR 13281. Revestimento de paredes e tetos de

argamassas inorgânicas – especificação. Rio de Janeiro – 2001.

AFONSO, W.M. Caracterização do resíduo de corte de rocha na produção de argamassas. Dissertação de M. Sc. do Programa de pós-graduação em engenharia civil da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro - em desenvolvimento - proposta de projeto aprovada em abril de 2004. Campos dos Goytacazes – RJ.

AFONSO, W.M.; DESIR, J.M.; DIAS, D.P.; SCHWAN, R.M.; DANTAS, D.F. Caracterização do resíduo

de corte de rocha da região de Santo Antônio de Pádua para utilização na produção de argamassas.

Inter american conference on non-conventional materials and technologies in the eco-construction and infrastructure (IAC-NOCMAT), João Pessoa – PB, 2003.

ALMEIDA, S. L. M. Aproveitamento de rejeitos de pedreiras de Santo Antônio de Pádua – RJ para

produção de brita e areia. Centro de Tecnologia Mineral – CETEM, 2001.

FELLENBERG, G. Introdução aos problemas da poluição ambiental. 2 ed. USP. São Paulo, 1980. apud FALCÃO, P. I. E STELLIN JÚNIOR, A. Utilização de finos de serrarias do Espírito Santo nas indústrias

de construção civil. Jornadas IBERMAC Materiais de construção. Madri/Espanha, 2001.

GONÇALVES, J. P. Utilização do resíduo de corte de granito (RCG) como adição para produção de

concretos. Dissertação de M. Sc. do Programa de pós-graduação em engenharia civil da Universidade Federal

do Rio Grande do Sul. Porto Alegre/RS, 2000.

LIDDLE, B. T. Construction for sustainability and the sustainability of the construction industry. CIB TG 16 sustainable construction. Proceedings. November 6-9. Tampa. Florida. USA, 1994. apud John, V. M. (2000).

(11)

PENTTALLA, V. Concrete and Sustainable Development. ACI Materials Journal. V.94. Nº 5. Set/Out. USA, 1997. apud Gonçalves, J. P. (2000).

RETECMIN. Fábrica de argamassas de Santo Antonio de Pádua/Projetos; disponível em:

http://www.cetem.gov.br/html/Retecmin/comeco.htm

Imagem

Referências

temas relacionados :