Os Consel hos de Saúde e
a Responsabi l i dade Ci dadã zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
El i z ab e th D i n i z Ba r r o s1
Com uma v isão realista so bre o s
limi-tes e as p o ssibilid ad es d o m ec anism o d e
co ntro le so cial inco rp o rad o ao arranjo
insti-tucio nal d o SUS, em seu artigo So raya afirma
que, não o bstante as d ificuld ad es que a no ssa
cultura po lítica co lo ca à co nstrução d e
práti-cas d emo crátipráti-cas,
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" (...) a força de institui-ções políticas e dos movimentos sindical epopular em cidades grandes tende a tornar
viável a participação de grupos de pressão,
determinando o tipo de envolvimento que
os usuários teriam nos Conselhos de
Saú-de" . E, d estac and o a im p o rtância d o p ap el
d o s m o v im ento s so c iais u rb ano s nesse p ro
-c esso d e rep resentaç ão , -c ham a a atenç ão
p ara a relev ância q u e a articulação d a c o
-m unid ad e téc nic o - c ientíf ic a c o -m o s -m
es-m o s tees-m tid o no estíes-m ulo e no f o rnec
i-m ento d e inf o ri-m aç õ es, insui-m o essenc ial ao
exerc íc io d a rep resentaç ão e à c ap ac id ad e
d e ne g o c iaç ão d o s seus rep resentantes no s
C o nselho s.
Ressalta tam b ém q ue " clientelismo e paternalismo ainda são características
marcantes nas relações entre governo e
gru-pos de interesse no Brasil, especialmente nas
pequenas cidades, nas áreas rurais e nas áreas
menos industrializadas do país" . Mas, m es-m o nesse aes-mbiente, as es-mud anças que o p o d er lo cal v em exp erimentand o , co m m eno r co m -p ro metimento c o m interesses o ligárquico s e co m g o v erno s p ro gressistas amp liand o esp a-ço s d e p articip ação em cid ad es meno res, têm
permitido avanços significativos na possibili-dade de participação da população no pro-cesso decisório setorial.
Lenhard t e O ffe ( 1984) no s instigaram, há temp o s, à reflexão co m algumas ind aga-çõ es que vale a p ena rememo rar. " A partir de que posições sociais de poder a
implemen-tação de um programa pode ser bloqueada
em sua trajetória administrativa? " . E, aind a,
" poderia ela (a política social) libertar-se do
equívoco tecnocrático, operando em vez disso
com base na evidência de que não são em
absoluto os p o licy o utp uts, com suas estrutu-ras institucionais e legais, que definem o
'im-p a c t o ' da 'im-política social, mas que são as
re-lações sociais de poder, de coerção e de
amea-ça, legal e politicamente sancionadas, bem
como as oportunidades correspondentes da
realização de interesses que determinam a
'justiça s o c i al ' que a política social tem
con-dições de produzir? " .
Refletind o co m essa p ersp ectiv a so bre o m o m ento atual, não é p o ssív el d eixar d e p erceber q ue ele é crítico para a p ro p o sta d o sistema d e saúd e co nstruíd a c o m base em
p rincíp io s d e univ ersalid ad e d e d ireito s, integ ralid ad e da atenção e eqüid ad e. A ló gica (?) da ação g o v ernamental, na esfera fed eral, está
se d irigind o à imp lantação d e um sistema restrito d e atenção básica d estinad o ao s mais p o bres. O s em bates na Co missão Tripartite so bre a imp lantação da N O B-96 são um claro ind icad o r da tentativa d e utilizá-la para im-p lementar uma "cesta básica" no interio r d o SUS. Sem d eixar d e rec o nhec er a necessid a-de a-de expandir a cobertura nessa faixa da
atenção à saúde, temos que estar atentos ao risco de retrocesso nas conquistas da cidada-nia que uma ação reduzida à mesma pode significar.
A utilização de normas e instrumentos legais infraco nstitucio nais para a burla d o s d isp o sitiv o s co nstitucio nais só p o d erá ser imped id a se ho uv er um d ecisiv o mo v imento so cial que o p ere c o m o barreira po lítica a esses d esíg nio s. Os Co nselho s d e Saúd e p o d em ser o esp aç o d e d isseminação d e info rma-çõ es q ue alimentem a luta p ela p reserv ação d o d ireito universal à saúd e. N esse quad ro
de ameaças, a participação nos conselhos poderá ser, ela própria, um fator importante de reflexão para os usuários sobre a neces-sidade de construção de sujeitos coletivos mais bem organizados, sempre que nos co-loquemos a tarefa de apoiar o processo de análise e de conhecimento sobre os riscos e as oportunidades de ação.
O artigo d e So raya no s co nv id a e no s d esafia a refletir so bre as tarefas que a co ns-trução da cid ad ania no s im p õ e, a to d o s que co ntinuamo s acred itand o na necessid ad e d e
co nstruir uma so cied ad e mais so lid ária.
zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA
R e f e rê n ci a b i b l i o g ráf i ca
LENHARDT, G. & OFFE, C. (1984) - Teo ria d o
Es-tado e Política So cial: Tentativas de Exp licação
Po lítico -so cio ló gica para as Funçõ es e o s
Pro-cessos Inovadores da Política Social. In: Offe,
C. (org.) -