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Entrevista Jaime Robredo :: Brapci ::

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ENTREVISTA

onmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

L.

_

Entrevista com Jaim e Robredo, Professor Titular da

Universida-de Universida-de Brasília, Departam ento de Biblioteconom ia, realizada pelo

pro-fessor M urilo Bastos da Cunha, em 10 de m arço de 1989.

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

U m d o s p r i m e i r o s c o n t a t o s d e J a i m e R o b r e d o c o m

VUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

ar e a l i d a -d e b r a s i l e i r a o c o r r e u e m 1972 q u a n d o d e s u a i n d i c a ç ã o p a r a

s e rod i r e t o r d o p r o j e t o d . e i m p l a n t a ç ã o d a a n t i g a B i b l i o t e c a N a -c i o n a l d e A g r i c u l t u r a ( B I N A G R I ) , h o j e C e n t r o N a c i o n a l D o c u -m e n t a l A g r f c o l a ( C E N A G R I ) . E n t r e t a n t o , e s s a n ã o f o i s u a p r i -m e i r a e x p e r i ê n c i a c o m p a í s e s e m d e s e n v o l v i m e n t o . E l e t e m s i -d o u m c o n s u l t o r b a s t a n t e a t i v o d a F A O e d a U n e s c o . R o b r e d o p a r t i c i p o u d o p l a n e j a m e n t o d o s s i s t e m a s n a c i o n a i s d e i n f o r -m a ç ã o d o C h i l e e d e M a r r o c o s , n o s q u a i s c o l o c o u e m p r á t i c a s u a g r a n d e v i v ê n c i a n a á r e a d a i n f o r m a ç ã o - e s p e c i a l i z a d a .

F o i u m d o s p i o n e i r o s n a u t i l i z a ç ã o d a C D U e m c o m p u t a d o r ; d i r i g i u p o r t r e z e a n o s oC e n t r o d e D o c u m e n t a ç ã o e I n f o r m a ç ã o d o I n s t i t u t o d o V i d r o , e m P a r i s - q u e i n d e x a v a d o c u m e n t o s s o -b r e t o d o s os a s p e c t o s d e s s e a s s u n t o - ; c o o r d e n o u ap r e p a -r a ç ã o d e t e s a u r o m u l t i l f n g u e e f o i b a s t a n t e a t i v o n a e d i ç ã o d e p u b l i c a ç õ e s t é c n i c a s .

S u a v i n d a p a r a o B r a s i l f o i e x t r e m a m e n t e - b e n é f i c a p a r a an o s s a p r o f i s s ã o . A p ó s t e r i m p l a n t a d o op r o j e t o B I N A G R I , e m 1979.i n g r e s s o u n o D e p a r t a m e n t o d e B i b l i o t e c o n o -m i a d a U n i v e r s i d a d e d e B r a s f l i a , o n d e f o i c h e f e d e d e p a r t a m e n t o , c o o r d e n a d o r d e m e s t r a d o e d e s e n v o l v e u n o v o s p r o j e t o s d e u s o d o c o m p u t a d o r n a a r m a z e n a g e m e r e -c u p e r a ç ã o d a i n f o r m a ç ã o . S e u s t r a b a l h o s d e i n d e x a ç ã o a u t o m á t i c a t ê m p r o d u z i d o v á -r i o s s e g u i d o -r e s a t r a v é s d e d i s s e r t a ç õ e s q u e o r i e n t o u s o b r e oa s s u n t o .

J a i m e R o b r e d o , a l é m d e a l i a r as u t i l e z a e u r o p é i a eop r o f u n d o c o n h e c i m e n t o s o b r e a u t o m a ç ã o d o c u m e n t á r i a , é u m b o m p i n t o r e ó t i m o c o z i n h e i r o . S u a v i s ã o c o s m o p o l i t a d a C i ê n c i a d a I n f o r m a ç ã o àsv e z e s c h o c a osm a i s p r o v i n c i a n o s ; e n t r e t a n t o , é p e s s o a q u e s e m p r e b u s c o u e s t i m u l a r o f o r t a l e c i m e n t o e o c r e s c i m e n t o d a á r e a , e s c r e v e n d o , m i n i s t r a n d o a u l a s , p r o f e r i n d o c o n f e r ê n c i a s , o r i e n t a n d o t e s e s o u s i m p l e s m e n t e " b e t e n -d o p a p o " . E s t a s u a m a r c a n t e c a r a c t e r í s t i c a p o d e s e r a g o r a a p r e c i a d a a t r a v é s d a s r e s -p o s t a s i n t e l i g e n t e s , eoe n f o q u e p r o s p e c t i v o d a d o àsp e r g u n t a s f o r m u l a d a s n e s t a b r e v e e n t r e v i s t a .

RBBD - Com o você explica o fato de que, depois de doutorar-se em

Q uím ica, na Espanha, e de realizar estudos de

pós-doutora-do na Holanda, e após vários anos de pesquisa aplicada,

com trabalhos publicados em vários países, tenha deixado a

Q uím ica para passar a trabalhar na área da inform ação?

Jaim e - Em prim eiro lugar, nunca deixei a Q uím ica de lado. A visão

qu ím ica das coisas sobrevive em num erosas atividades

diá-1 2 0 R . b r a s . B i b l i o t e c o n . e D o e . , S ã o P a u l o ,2 2 ( 1 / 2 ) : 1 2 0 - 3 0 , j a n . / j u n . 1 9 8 9

ENTREVISTA

U FPR ~Be/SA

B I B l i O T E C A

rias. Assim , por exem plo, considero que graças à

experiên-cia de laboratório, posso desafiar aos m ais exigentes a

pre-parar um bom café, rico em arom a, encorpado e com pouca

cafeína. As artes da boa cozinha não diferem m uito das

prá-ticas de laboratório. Tam bém m eus reflexos de desconfiança

ante os produtos enlatados, com conservantes, e ante os

arom atizantes e colorantes artificiais, resultam do

conheci-m ento das diabruras que podem realizar-se através dos

pro-cessos quím icos. Cuidado com o crem e chantilly

industriali-zado, fabricado quase que integralm ente com m argarina!

Por 'outro lado, não passei para o cam po da inform ação,

pois um pesquisador, qualquer que seja sua área de

ativida-de, está habituado a lidar com a literatura especializada e

com a pesquisa bibliográfica, de m aneira a poder m anter em

dia seus conhecim entos. O que eu considero que realm ente

incorporei, de m inha experiência com o pesquisador, - e

co-m o professor - às m inhas atividades na área da inform ação

é um a visão, um enfoque e um a exigência próprios de um

usuário, que sabe para que serve a inform ação. Talvez, esse

ponto de vista possa explicar porque fico ainda tão chocado

quando escuto falar a torto e direito de educação de

usuá-rio, pois m elhor seria, em num erosos casos, considerar

se-riam ente a conveniência de confiar aos usuários a tarefa de

educar alguns bibliotecários de referência.

RBBD - Com o você traçaria seu perfil na área de inform ação?

Jaim e - Perm ita-m e dizer antes que acredito existir um a certa

con-fusão no uso indiscrim inado dos term os inform ação,

docu-m entação, ciência da inform ação, biblioteconom ia etc.

Pare-ce bcm lem brar que a entrada brilhante do Brasil na era da

inform ação docum entá ri a coincide com a criação do IBBD

-Instituto Brasileiro de Bibliografia e Docum entação, em

1 9 5 4 .

(2)

ENTREVISTA

Eu m e considero com o docum entólogo, com o alguém que

li-da com docum entos sob todos os pontos de vista. Desde sua

criação conceitual (autoria), passando pela sua preparação

m aterial, com vista a sua posterior difusão (preparação

edi-torial) e pela m aterialização, em form a de um veículo de

grande difusão (jornalism o e edição), assim com o pela

orga-nização e arm azenagem (bibliotecas, arquivos), até o outro

extrem o da cadeia, que se ocupa de extrairo conteúdo

(aná-lise da inform ação, indexação), representando os docum

en-tos em form a condensada (referenciação e resum os),

facili-tando, através de publicações secundárias, de bases de

da-dos e catálogos, a difusão dos conhecim entos e a localização

das inform ações pertinentes para todo tipo de usuário.

Te-nho trabalhado, há quase vinte e cinco anos, em todas e

ca-da um a ca-das etapas que integram c ciclo docum entá rio.

Natu-ralm ente, o advento das novas tecnologias tem introduzido

novos aspectos e novas dim ensões em todas atividades

rela-tivas ao m undo da inform ação. Creio que m eu espírito de

pesquisador tem m e ajudado bastante a acom panhar a

contínua evolução do setor e a tratar de introduzir algum as

idéias inovadoras no perfil dos profissionais.

RBBD - Você já está há m ais de dez anos no Brasil. Q ue m udanças,

positivas e negativas, observou neste período?

Jaim e - M eus prim eiros contatos com o Brasil rem ontam aos tem pos

. 'do IBBD, que acabei de citar há pouco, quando Harold Borko

preparava, por solicitação desse órgão e sob os auspícios da

Unesco, a proposta ou projeto de criação do Sistem a

Nacio-nal de Inform ação Científica e Técnica, o 'non nato' SNICT.

O ponto que m e parece m ais positivo e que deve ser

regis-trado com o crédito aos prim eiros diretores do IBBD, é o

es-forço por divulgar a produção docum ental e bibliográfica

brasileira através da com pilação, processam ento autom ati-

VUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

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ENTREVISTA

B I B L I O T E C A

B i b l i o t e c a S ~ t o , - l " l e " t l ' I C e < '

ç ã o e d e C i ; , , ' ; rm o

nas, Letr"" e.' 'r'l~S

G ETO R D E ED U ,' çAO

zado e difusão das "Bibliografias Brasileiras", em num

ero-sas áreas, tais com o Física, Q uím ica, G eociências, Educação,

Ciências Sociais etc. etc. Foi um trabalho pioneiro em toda

Am érica Latina e em todo o Terceiro M undo. A inform ática

entrou na docum entação; a biblioteconom ia com eçou a ser

repensada; com eçou tam bém a surgir um novo tipo de

pro-fissional da docum entação. O s m elhores especialistas

es-trangeiros do m om ento trouxeram , pela prim eira vez ao

Brasil, as novas idéias da Ciência da Inform ação. Pela

pri-m eira vez surge a preocupação da com patibilidade entre

sis-tem as.

Saudade daqueles tem pos de esperança! O sonho de um

órgão que coordenaria o SNICT, que cuidaria da política

na-cional de inform ação, para dar um grande im pulso ao

de-senvolvim ento científico e tecnológico, que estabeleceria

norm as e padrões avançados no processam ento da

infor-m ação docuinfor-m entá ria, foi se apagando a partir do m om ento

em que se m udou o nom e para o atual Instituto Brasileiro de

I nform ação em Ciência e Tecnologia - que ninguém sabe

ex-tam ente o que quer dizer - e que sofre do descaso (ou do

desconhecim ento) dos vários governos que se sucederam , e

aos quais cabe um a grande responsabilidade pelo atraso

tecnológico generalizado do país, com relação aos países

avançados.

Com efeito, os países industrializados consideram a

infor-m ação coinfor-m o uinfor-m beinfor-m , no infor-m ais ainfor-m plo sentido do term o, com

plena consciência de que, no alvorecer do próxim o século,

só serão fortes os países capazes de dom inar e adm inistrar a

inform ação. Inform ação é poder; inform ação é riqueza;

in-form ação é desenvolvim ento, progresso e bem -estar;

infor-m ação é cultura. Sem respeito pela inform ação, a m em ória e

a identidade dos povos desaparecem . O m undo civilizado

investe quantidades espantosas no desenvolvim ento da

in-form ação em todos os seus variados aspectos e aplicações.

Vam os torcer para que os próxim os governantes sejam

(3)

ENTREVISTA

pazes de m udar, com firm e vontade e am pla visão do futuro,

os rum os som brios atuais.

R BBD - Alguns países possuem políticas de inform ação. Você acha

que o Brasil tam bém deveria ter um a?

Jaim e - Pareceria que na sua pergunta está im plícita a afirm ação de

que o Brasil não tem política de inform ação. A este respeito,

lem bro um a palestra do Professor Briquet de Lem os, por

ocasião do C ongresso de Biblioteconom ia e D ocum entação,

em R ecife, eT que dizia que, talvez, a política de inform ação

do país consistia em não ter política algum a de inform ação.

Penso, sinceram ente, que o país precisa de um a Política de

Inform ação, m as observe que falo de Política com P m

aiús-culo. Para isso, torna-se indispensável delegar as com

petên-cias adequadas a algum órgão idôneo e m uito próxim o do

poder decisório. Infelizm ente, este não é o caso, no presente

m om ento.

R BBD - Tem os hoje trinta cursos de graduação em Biblioteconom ia,

cinco cursos de m estrado e um de doutorado em

Biblioteco-nom ia e/ou áreas afins. O que você acha desses cursos?

Jaim e - N ão m e parece possível responder em term os de m uitos ou

poucos. Parece lógico questionar a validade do esforço por

m anter em funcionam ento escolas que dispõem apenas de

quatro ou m enos professores. Essas escolas não deveriam

estar funcionando nessas condições. M as, talvez, elas

pode-riam ser reforçadas, quando a situação de sua área de

in-fluência se justificasse .. Em alguns casos, porém , poderia

justificar-se o cancelam ento - ou a suspensão provisória

-de -determ inados cursos. Talvez existam escolas dem ais, e

faltem escolas de arquivística e cursos específicos para for-

VUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

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ENTREVISTA

m ar verdadeiros docum entalistas. Seria necessário realizar

estudos de m ercado e trabalhar com diversos cenários

pros-pectivos relacionados com diversas alternativas

sócio-econôm icas previsíveis. Infelizm ente, os estudos de m ercado

de trabalho são recentes e pouco num erosos e os estudos

prospectivos não existem em absoluto.

N o que diz respeito aos cursos de pós-graduação "stricto

sensu", eles são, evidentem ente, pouco num erosos. Isto não

significa que devam criar-se im ediatam ente novos cursos de

m estrado nos quatro cantos do país. O que eu quero dizer é

que, considerando as diversas facetas dos perfis dos

dife-rentes profissionais que lidam com a inform ação

doeu-m entária, os cursos atuais não cobrem todos aspectos da

dem anda potencial atual, e m uito m enos da dem anda que

cabe esperar nos próxim os anos.

R BBD - Você acha que esses cursos atendem as necessidades do

m ercado de trabal ho?

Jaim e - C om o acabo de dizer, faltam estudos de m ercado de

traba-lho. M esrr.o assim , existem sinais indicadores de que os

atuais cursos de biblioteconom ia não estão form ando

pro-fissionais capazes de enfrentar os desafios dos próxim os

anos, com profissionais de diversas áreas se preparando

pa-ra entpa-rar t a m b é m no m ercado, lutando por ocupar os novos

e s p a ç o s criados pela sociedade intorm atizada. parece-m e

que, em geral, os novos currículos das escolas de

bibliote-conom ia ficaram m uito aquém das necessidades futuras,

aum entando o núm ero de sem estres necessários para obter

um diplom a. ao tem po que enfraquecem a form ação ao

di-versificar - SE,maprofundar - os conteúdos program áticos.

Por outro lado, cabe perguntar o que farão os novos

profis-sionais em am bientes altarr.ente inform atizados, quando na

. rnsior ia das escolas em que se torrr.ar am o acesso a

(4)

ENTREVISTA

quer tipo de com putador é um a raridade e o contato tom os

grandes sistem as rem otos de recuperação da inform ação

praticam ente inexistente?

R BBD - E os cursos da U niversidade de Brasília?

Jaim e - Acabo de entregar à Associação dos Bibliotecários do D

istri-to Federal o texistri-to de um pequeno trabalho em que pretendo

cham ar a atenção sobre o contraste que existe entre o

nú-m ero de publicações do D epartam ento de Biblioteconom ia

sobre tem as relacionados com a qualidade do ensino, sobre

o perfil do profissional, sobre o novo currículo e outros

te-m as correlatos e a dem anda decrescente pela

Bibliotecono-m ia por parte dos vestibulandos. N esse m esm o trabalho,

apresento alguns dados colhidos entre os alunos de

gra-duação que estariam se form ando no ano passado ou este

ano e que perm item conhecer com o foi se m odificando sua

visão da Biblioteconom ia, ao tem po que indicam algum as

tendências das opiniões sobre a com pleteza da form ação

re-cebida e sobre a adequação desta às realidades do m ercado.

A grande m aioria dos alunos considera indispensável

reali-zar outro curso, pois a form ação recebida não parecer ser

nem suficiente nem adequada ao m ercado. Em três casos,

surgiram com entários em que o curso é qualificado de

obso-leto ou "bitolante".

N o caso da pós-graduação, pareceria que assistim os a um a

situação inversa, em que a dem anda tende a aum entar de

form a significativa, com candidatos procedentes de várias

áreas. O novo currículo do C urso de m estrado, cuja im

plan-tação se inicia neste sem estre, é o resultado de um longo e

profundo processo de reflexão, apoiado em pesquisas de

m ercado, do qual participaram tanto os professores quanto

os alunos do curso e os m estres form ados anteriorm ente.

Atualm ente está sendo avaliado, pelas altas instâncias daVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

1 2 6 R . b r a s . B i b l i o t e c o n . e D o e . , S ã o P a u l o , 2 2 ( 1 / 2 ) : 1 2 0 - 3 0 , j a n . l j u n . 1 9 8 9

ENTREVISTA

U niversidade de Brasília, um projeto de C urso de D

outora-do, que pretende .atender a forte dem anda observada e que

desde já conta com o apoio de vários órgãos financiadores,

tanto nacionais com o estrangeiros.

D e qualquer m aneira, seria desejável rever todas as

ativida-des do D epartam ento, com o um todo, depurando talvez o

curso de graduação em biblioteconom ia e criando outros

cursos com o os de arquivologia, m useologia e docum

ento-logia, de form a a cobrir todos os aspectos de profissões

in-tim am ente inter-relacionadas, em bora claram ente

diferen-ciadas.

R BBD - C om o você está vendo a evolução da área de inform ação no

futuro?

Jaim e - A grande m aioria das pessoas não está percebendo que,

num a sociedade inform atizada, - que chegará

inexoravel-m ente no Brasil, num futuro bem próxim o - a m aioria das

profissões não terão nada a ver com o que elas são

atual-m ente. N o caso das profissões da inform ação, as m udanças

deverão ser m uito m ais drásticas do que se im agina.

A concepção integrada da produção, da difusão, do uso, da

arm azenagem e da recuperação dos suportes inform acionais

os rna is diversos (livros, periódicos, enciclopédias, bases de

dados etc.) dispensaré um a série de etapas e processos aos

quais se atribui hoje um a grande im portância. A

catalo-gação, classificação, indexação etc. serão feitas autom

atica-m ente a partir dos elem entos incluídos no próprio docum

en-to, desde sua produção, por m eios totalm ente inform

atiza-dos. A'2 . estantes cheias de livros e periódicos deverão

desa-parecer da m aior parte das bibliotecas, substituídas por

áreas especiais onde serão conservados uns poucos discos

com pactos, nos quais se arm azenam os textos integrais de

vários m ilhões de volum es atuais. Ainda, a arm azenagem

(5)

ENTREVISTA

sica dos discos com pactos só ocorrerá em alguns centros

m uito especiais, destinados a conservar a m em ória e o

sa-ber. A m aioria dos centros e núcleos usuários não

preci-sarão arm azenar nem docum entos, nem arquivos, nem bases

de dados, já que poderão obter as im agens e os textos

dese-jados nos term inais de vídeo conectados, através de um a

re-de re-de telecom unicação por cabo, aos centros hospedeiros.

N o caso em que se deseje levar para casa a cópia de um

tex-to qualquer - arm azenado em discos com pactos a vários

centos de quilôm etros de distância -, bastará acionar os

re-cursos do telefacsím ile (ou telefax) para obter a cópia em

alguns segundos.

As bases de dados, acessíveis desde as casas ou desde os

escritórios ou laboratórios, dispensarão a visita às

bibliote-cas especializadas - que acabarão desaparecendo em sua

grande m aioria - ao perm itir a setores cada vez m aiores da

sociedade - a custos cada vez m ais baixos - identificar a

do-cum entação pertinente, a qual poderá ser consultada m esm o

na

VUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

t e l a dopr ó p rio aparelho de televisão.

Ficção? Sonho dei i rante? Absolutam ente, não! O I nstitut

N ational d'lnforrnation Scientifique, et Technique (I N 1ST)

do C entre N ational de Ia R echerche Scientifique (C N R S), da

França, que reúne as atividades do C entre de D ocum

enta-tion Scientifique et Technique (C D ST) e do C entre de D

ocu-m entation de Sciences H um aines (C D SH l, já com eçou o

tra-balho de colocar seu acervo em discos com pactos. Até m

ea-dos do presente ano, deverá tornar possível o acesso às

ba-ses de dados PASC AL ao público, através da rede M initel, a

preços preferenciais. O s serviços serão pagos através da

fa-tura do telefone.

N o que se refere às redes telefax, já existem , na m aioria .dos

países da C om unidade Econôm ica Européia, em : qualquer

agência dos correios, term inais públicos, enquanto o núm

e-ro de term inais nos escritórios ultrapassa o núm ero de

ter-m inais de telex.

128 R. bras. Bibliotecon. e D o e . , São Paulo,22(1/2): 120-30, jan./jun. 1989 R. bras. Bibliotecon. e Doe., São Paulo, 22(1/2): 120-30, jan./jun. 1989 129

---.

ENTREVISTA

O Brasil tem tudo o que precisa, em m atéria de

infraestrutu-ra básica e de tecnologia de telecom unicações e de

telein-form ática para com eçar a im plantar todos esses novos

servi-ços que constituem , em seu conjunto, o que hoje com eça a

ser cham ado de docum ática. Falta a vontade - ou a

per-cepção - do poder público para iniciar definitivam ente o

processo de desenvolvim ento.

C om tudo isso, que acontecerá, no Brasil, com os

bibliotecá-rios e com os outros especialistas da inform ação? Acredito

que acontecerá o que está acontecendo nos países

desen-volvidos. O s bibliotecários voltarão a ser ou continuarão

sendo os anim adores indispensáveis das bibliotecas públicas

e m unicipais, hoje ignoradas ou esquecidas pelas

autorida-des. Eles deveriam poder beneficiar-se dos recursos

fantás-ticos das novas tecnologias para lançar verdadeiras

cruza-das culturais e educativas. Ao m esm o tem po deverão surgir

novos profissionais da inform ação (na França são cham ados

"engenheiros docum entalistas") que aliem um a sólida

for-m ação tecnológica e especializada ao conhecim ento de todas

as técnicas inform acionais. Aí, eu vejo um grande horizonte

aberto para os cursos de pós-graduação.

R BBD - O Brasil perdeu o bonde da revolução industrial. Você acha

que tem os condições de tom ar um a carona no bonde da

re-volução da inform ação?

Jaim e - N este m om ento, o Brasil está perdendo todos os bondes,

acum ulando um atraso tecnológico que os jovens de hoje

terão que recuperar. É preciso esquecer a tutela e o

paterna-lism o feudal do Estado e deixar a todos os setores da

socie-dade ocupar o seu lugar, criando, de novo, espaço para a

iniciativa privada. O Brasil tem pessoas e recursos. Só é

preciso reuni-Ios para se atingir a m assa crítica necessária e

(6)

in---I

ENTREVISTA

dispensável. A era industrial está term inando e estam os

en-trando na nova era da inform ação e do conhecim ento, na era

dos serviços integrados num contexto social. Trata-se da

cham ada era ou civilização quaternária. C onviria com eçar a

perceber que a nova era vem aí com velocidade

avassalado-ra. M esm o se por preguiça, cansaço ou ignorãncia o Brasil

quiser ficar longe dos trilhos do bonde, a pressão social

será tão grande, que ele acabará sendo em purrado para

dentro do bonde.

R BBD - E as associações profissionais. Q ue novos papéis elas

pode-riam exercer na nova sociedade da inform ação?

Jaim e - A união faz a força. Acredito que as associações podem ser,

nos próxim os anos, verdadeiros foros onde se discutiriam os

problem as de hoje e as soluções de am anhã. Verdadeiros

laboratórios de idéias que poderiam fundam entar as

indis-pensáveis reform as das escolas e dos cursos.VUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Referências

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