TÍTULO I
DO OBJETO E DA APLICAÇÃO DA LEI DE EXECUÇÃO PENAL
Art. 1º A execução penal tem por objetivo efetivar as disposições de sentença ou decisão criminal e proporcionar condições para a harmônica integração social do condenado e do internado.
1. CONCEITO. A execução penal é a fase do processo penal em que o estado
faz valer a sua pretensão punitiva, ora convertida em pretensão executória. ► Aplicação em concurso:
• SEAP/ES. Agente Penitenciário. 2009 – CESPE.
O objetivo da execução penal é efetivar as disposições de decisão criminal condenatória, ainda que não definitiva, de forma a proporcionar condições para a integração social do condenado, do internado e do menor infrator. A afirmativa está errada. Ao menor infrator aplicam-se as normas do ECA. 2. NATUREZA JURÍDICA. Trata-se preponderantemente de processo
jurisdi-cional, vinculado à atividade administrativa, que tem por fim a efetividade da pretensão punitiva estatal. Portanto, a execução da pena caracteriza--se como atividade complexa, desenvolvida simultaneamente nos planos jurisdicional e administrativo.
3. AUTONOMIA. O Direito de Execução Penal (Exposição de Motivos da LEP,
itens 9 a 12) é o ramo autônomo do Direito Público que se ocupa da efe-tivação da pena aplicada, orientando-se por princípios próprios, porém intimamente ligado ao Direito Penal e ao Direito Processual Penal.
4. PRESSUPOSTO. A existência de uma sentença penal condenatória
transi-tada em julgado, impondo pena privativa de liberdade, restritiva de direi-tos ou multa, bem como sentença absolutória imprópria, que imponha medida de segurança.
Admite-se, ainda, a execução provisória da pena privativa de liberdade em caráter excepcional, quando for medida benéfica ao condenado, mesmo que não tenha ocorrido o trânsito em julgado da sentença.
1. JURISDIÇÃO COMUM. Em regra, compete à Justiça comum estadual a
execução, ressalvando-se os casos de pena cumprida em estabelecimen-to federal de segurança máxima, conforme será abordado em tópico posterior.
2. APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL NA EXECUÇÃO. A aplicação
do CPP na fase de execução é sempre subsidiária, quando não houver dis-posição expressa acerca da matéria na LEP. Havendo conflito, deve preva-lecer a LEP, por ser norma especial e posterior.
Parágrafo único. Esta Lei aplicar-se-á igualmente ao preso provisório e ao condenado pela Justiça Eleitoral ou Militar, quando recolhido a esta-belecimento sujeito à jurisdição ordinária.
1. EXECUÇÃO PROVISÓRIA. Conforme entendimento dos Tribunais
Superio-res, viola o princípio da não-culpabilidade a execução da pena privativa de liberdade antes do trânsito em julgado da sentença condenatória,
ressal-vada a hipótese de prisão cautelar do réu, desde que presentes os requi-sitos autorizadores previstos no art. 312, do CPP. A execução provisória
da pena sem a demonstração dos requisitos cautelares caracteriza cons-trangimento ilegal. (STF, HC 84078, Relator Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, DJe 25-02-2010; STJ, HC 203.984/SP, Rel. Ministro Gilson Dipp, Quinta Tur-ma, DJe 17/08/2011).
Assim, para o réu preso cautelarmente, admite-se a expedição de carta de execução provisória de sentença (guia de recolhimento), de forma a per-mitir que, mesmo sem o trânsito em julgado, possa usufruir dos benefícios da execução, sobretudo a progressão de regime.
► Súmulas do STF
Súmula 716: Admite-se a progressão de regime de cumprimento da pena ou a aplicação imediata de regime menos severo nela determina-da, antes do trânsito em julgado da sentença condenatória.
Súmula 717: Não impede a progressão de regime de execução da pena, fixada em sentença não transitada em julgado, o fato de o réu se encon-trar em prisão especial.
► Aplicação em concurso:
• TRF 3ª REGIÃO. Juiz Federal Substituto. 2011 – CESPE.
• SEAP/PR. Agente Penitenciário Feminino. 2007 – COPS.
A Lei 7.210, de 11 de julho de 1984, aplicar-se-á igualmente ao preso pro-visório e ao condenado pela Justiça Eleitoral ou Militar, quando recolhido a estabelecimento sujeito à jurisdição ordinária.
A afirmativa está correta.
2. EXECUÇÃO DAS PENAS APLICADAS PELA JUSTIÇAS ESPECIALIZADAS. As
execuções das sentenças proferidas nas justiças especializadas competem à Justiça estadual quando os presos estiverem recolhidos em estabeleci-mentos penais estaduais, submetendo-se ao regramento da LEP. Assim, por exemplo, um militar condenado pela justiça militar à pena superior a 2 (dois) anos, que tenha sido excluído (praça) ou perdido o posto e a patente (oficial), será recolhido a estabelecimento penal comum e executado à luz da LEP (art. 61, do Código Penal Militar).
► Súmulas do STJ
Súmula 192: Compete ao juízo das execuções penais do Estado a exe-cução das penas impostas a sentenciados pela justiça federal, militar ou eleitoral, quando recolhidos a estabelecimentos sujeitos a administra-ção estadual.
► Informativos do STF
INFORMATIVO Nº 621. Prisão em unidade militar e progressão de re-gime – 2
Em conclusão, a 2ª Turma deferiu, em parte, habeas corpus para asse-gurar a militar progressão de regime para o semi-aberto, em igualdade de condições com os civis. Na espécie, o paciente fora condenado, sem decair da patente, e recolhido em estabelecimento prisional castrense — v. Informativo 617. Observou-se a boa conduta do paciente e o cum-primento de 1/6 da pena. Aduziu-se que o princípio ou a garantia da individualização da pena seria um direito fundamental, uma situação jurídica subjetiva do indivíduo, militar ou civil e que, ante a omissão ou falta de previsão da lei castrense, seriam aplicáveis a LEP e o CP, que conjugadamente dispõem à saciedade sobre o regime de progressão de pena. HC 104174/RJ, rel. Min. Ayres Britto, 29.3.2011.
► Informativos do STJ
18/5/2011), acolheu a aplicação subsidiária da Lei de Execuções Pe-nais (LEP) nos processos de execução referentes a militares em cumpri-mento de pena nos presídios militares diante da lacuna da lei castrense quanto à citada matéria. Observou, ainda, que o cumprimento da pena privativa de liberdade no regime integralmente fechado em estabele-cimento militar contraria não só o texto constitucional, mas também todos os postulados infraconstitucionais atrelados ao princípio da indi-vidualização da pena, caracterizando, assim, evidente constrangimento ilegal suportado pelo paciente a ser sanado no writ. HC 215.765-RS, Rel. Min. Gilson Dipp, julgado em 8/11/2011.
INFORMATIVO nº 0138. Terceira Seção. COMPETÊNCIA. EXECUÇÃO PE-NAL. SÚM. N. 192-STJ. Trata-se de conflito positivo de competência entre Justiça Federal e Justiça estadual nos autos de execução penal provisória referente a réu condenado pelo juízo federal, mas que cumpre a pena em estabelecimento estadual. O cerne da questão é saber a qual dos juízes compete decidir sobre os incidentes da execução. Prosseguindo o julgamento, após o voto de desempate do Min. José Arnaldo da Fonseca, a Seção, por maioria, decidiu aplicar a súm. n. 192-STJ, declarando com-petente para apreciar e julgar os incidentes da execução o juízo estadual. CC 34.352-SP, Rel. Min. Gilson Dipp, julgado em 12/6/2002.
► Aplicação em concurso:
• DEPEN. Agente Penitenciário Federal. 2009 – FUNRIO.
Com relação a competência do juízo, para a execução penal das penas impos-tas pela Justiça Federal é correto afirmar:
– Compete ao juízo das execuções penais do estado a execução das penas im-postas a sentenciados pela justiça federal, quando recolhidos a estabeleci-mentos sujeitos a administração federal.
A afirmativa está errada.
– A competência do juízo de execuções penais, em matéria relativa a sentenças criminais proferidas pela Justiça Federal, depende da instalação da Vara de-Execuções Criminais Federais, independentemente do local de recolhimento do sentenciado.
A afirmativa está errada.
– A competência para apreciar pedidos incidentais na execução penal, estando o detento a cumprir pena em estabelecimento estadual, é da Justiça Federal. A afirmativa está errada.
– Compete ao juízo das execuções penais do estado a execução das penas im-postas a sentenciados pela justiça federal, quando recolhidos a estabeleci-mentos sujeitos a administração estadual.
– Compete a justiça federal a execução de suas penas impostas, quando reco-lhidos a estabelecimentos sujeitos a administração estadual.
A afirmativa está errada.
Art. 3º Ao condenado e ao internado serão assegurados todos os direi-tos não atingidos pela sentença ou pela lei.
Parágrafo único. Não haverá qualquer distinção de natureza racial, social, religiosa ou política.
1. DIREITOS DOS EXECUTANDOS. Alguns direitos são atingidos com a
exe-cução da pena privativa de liberdade ou restritiva de direitos. Os demais direitos são preservados.
► Aplicação em concurso:
• SEAP/ES. Agente Penitenciário. 2007 – CESPE.
– Na Declaração Universal dos Direitos da Pessoa Humana, publicada pela ONU, dispõe-se que as punições não podem ser constituídas por tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.
A afirmativa está correta.
– A CF, ao proclamar o respeito à integridade física e moral dos presos, consa-gra conservação de todos os direitos fundamentais reconhecidos à pessoa livre, com exceção, obviamente, dos incompatíveis com a condição peculiar de preso.
A afirmativa está correta.
2. DIREITOS POLÍTICOS. Com o trânsito em julgado da sentença
condena-tória, os direitos políticos são suspensos, nos termos do artigo 15, III, da Constituição da República, não podendo o condenado votar nem ser vo-tado, mesmo que não esteja em regime fechado. Todavia, não há que se
falar em suspensão dos direitos políticos do preso provisoriamente. Por
essa razão, o TSE determinou a criação de seções eleitorais especiais em
estabelecimentos penais e em unidades de internação de adolescentes,
a fim de que os presos provisórios e os adolescentes internados tenham
assegurado o direito de voto, sendo a matéria regulamentada na Instru-ção nº 29667, ResoluInstru-ção nº 23219, de 02/03/2010.
1. COOPERAÇÃO DA COMUNIDADE. A Lei de Execução Penal adota como
cri-tério de interpretação das suas disposições a prevalência de mecanismos de reinclusão social na análise dos direitos e deveres dos sentenciados, tendo em vista o fim socialmente regenerador do cumprimento da pena. Assim, busca-se, sempre que possível, a redução das distâncias entre a população intramuros (carcerária) e a comunidade extramuros. Nessa linha, o texto legal dispõe que o “Estado deverá recorrer à cooperação da comunidade nas atividades de execução da pena e da medida de segurança”, fazendo também do Conselho da Comunidade um órgão da execução penal (art. 61). Esse paradigma de interpretação da lei aproxima-a da Constituição da República, que tem na cidadania e na dignidade da pessoa humana dois de seus fundamentos e estabelece por objetivos fundamentais erradicar a marginalização e construir uma sociedade livre, justa e solidária.
TÍTULO II
DO CONDENADO E DO INTERNADO CAPÍTULO I
Da Classificação
Art. 5º Os condenados serão classificados, segundo os seus anteceden-tes e personalidade, para orientar a individualização da execução pe-nal.
1. CLASSIFICAÇÃO E INDIVIDUALIZAÇÃO DA EXECUÇÃO. A LEP determina
que os condenados devem ser distribuídos em classes, de acordo com determinados critérios, a fim de que as penas sejam cumpridas atenden-do ao preceito constitucional de individualização da pena (art. 5º, XLVI, CR). Portanto, não se devem inserir no mesmo contexto condenados dife-renciados, como por exemplo, reincidentes e primários.
2. ANTECEDENTES E PERSONALIDADE. Para orientar a classificação,
proce-de-se à análise da folha de antecedentes criminais, bem como ao estudo da personalidade do apenado, levando-se em consideração sua conforma-ção física, seu temperamento e seu caráter, dentre outros aspectos. ► Aplicação em concurso:
• SEAP/ES. Agente Penitenciário. 2007 – CESPE.
As normas relativas à classificação dos condenados e dos internados consti-tuem corolário do princípio constitucional da individualização da pena, de modo que a cada sentenciado corresponda o tratamento penitenciário ade-quado.
Art. 6º A classificação será feita por Comissão Técnica de Classifica-ção que elaborará o programa individualizador da pena privativa de liberdade adequada ao condenado ou preso provisório. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003)
1. EXAME DE CLASSIFICAÇÃO E PROGRAMA INDIVIDUALIZADOR. A
Comis-são Técnica de Classificação, com base no exame de classificação, deve elaborar um programa que orientará o cumprimento da pena. Note-se que, com a mudança promovida pela lei 10792/2003, a referida comissão
não acompanha mais a execução, não lhe cabendo mais propor à autori-dade judicial as progressões e regressões de regime e as conversões.
Art. 7º A Comissão Técnica de Classificação, existente em cada estabe-lecimento, será presidida pelo diretor e composta, no mínimo, por 2 (dois) chefes de serviço, 1 (um) psiquiatra, 1 (um) psicólogo e 1 (um) assistente social, quando se tratar de condenado à pena privativa de liberdade.
Parágrafo único. Nos demais casos a Comissão atuará junto ao Juízo da Execução e será integrada por fiscais do serviço social.
1. COMPOSIÇÃO DA COMISSÃO. Quanto às penas privativas de liberdade,
a LEP determina a existência da Comissão no estabelecimento penal, in-dicando sua composição mínima, que inclui profissionais de várias áreas habilitados a uma correta observação do preso. Nos demais casos (penas restritivas de direitos ou multa), a comissão dará apoio ao juízo da execu-ção, funcionando junto a esse.
Art. 8º O condenado ao cumprimento de pena privativa de liberdade, em regime fechado, será submetido a exame criminológico para a ob-tenção dos elementos necessários a uma adequada classificação e com vistas à individualização da execução.
Parágrafo único. Ao exame de que trata este artigo poderá ser sub-metido o condenado ao cumprimento da pena privativa de liberdade em regime semi-aberto.
1. EXAME CRIMINOLÓGICO. A LEP, nos mesmos termos do artigo 34, do
abrangendo os aspectos psicológico e psiquiátrico do condenado, com a análise de sua maturidade, disciplina, capacidade de lidar com frustra-ções, laços afetivos com a família e com terceiros, agressividade e outros dados, de forma a delimitar um prognóstico de periculosidade, ou seja, sua tendência a retornar à delinquência.
► Aplicação em concurso:
• MP/GO. Promotor de Justiça. 2010 – MP/GO (ADAPTADA).
O exame criminológico, consoante o regramento previsto na Lei de Execução Penal, não é obrigatório para os condenados a pena privativa de liberdade no regime fechado; no entanto, caso seja realizado, será levado a efeito pela Comissão Técnica de Classificação.
A afirmativa está errada.
2. EXAME CRIMINOLÓGICO E REGIME SEMIABERTO. À luz da LEP, é
faculta-tiva a realização do exame criminológico para o início de cumprimento de pena em regime semiaberto. A norma prevista no artigo 35 do Código
Pe-nal, deve ser lida como uma medida benéfica ao sentenciado primando-se
pela individualização da pena. ► Súmulas do STJ
Súmula 439: Admite-se o exame criminológico pelas peculiaridades do caso, desde que em decisão motivada.
► Aplicação em concurso:
• SEAP/CE. Agente Penitenciário. 2011 – UECE.
O exame criminológico para a obtenção dos elementos necessários a uma adequada classificação e com vistas à individualização da execução é obri-gatório para:
– Os condenados somente às penas privativas de liberdade em regime fechado. A afirmativa está correta.
– Os condenados somente às penas privativas de liberdade em regime semi- aberto.
A afirmativa está errada.
– Os condenados às penas privativas de liberdade em regime fechado e para os condenados às penas privativas de liberdade em regime semi-aberto. A afirmativa está errada.
– Os condenados às penas privativas de liberdade em regime aberto ou à pena restritiva de direitos.
– Os condenados somente à pena restritiva de direitos. A afirmativa está errada.
• SEAP/ES. Agente Penitenciário. 2009 – CESPE.
O condenado ao cumprimento de pena privativa de liberdade e restritiva de direitos deve ser submetido a exame criminológico a fim de que sejam ob-tidos os elementos necessários à adequada classificação e individualização da execução.
A afirmativa está errada.
Art. 9º A Comissão, no exame para a obtenção de dados reveladores da personalidade, observando a ética profissional e tendo sempre presen-tes peças ou informações do processo, poderá:
I – entrevistar pessoas;
II – requisitar, de repartições ou estabelecimentos privados, dados e in-formações a respeito do condenado;
III – realizar outras diligências e exames necessários.
Art. 9º-A. Os condenados por crime praticado, dolosamente, com violên-cia de natureza grave contra pessoa, ou por qualquer dos crimes previstos no art. 1º da Lei nº 8.072, de 25 de julho de 1990, serão submetidos, obrigatoriamente, à identificação do perfil genético, mediante extração de DNA - ácido desoxirribonucleico, por técnica adequada e indolor. § 1º A identificação do perfil genético será armazenada em banco de da-dos sigiloso, conforme regulamento a ser expedido pelo Poder Executivo. § 2º A autoridade policial, federal ou estadual, poderá requerer ao juiz competente, no caso de inquérito instaurado, o acesso ao banco de dados de identificação de perfil genético.”
1. DILIGÊNCIAS. O dispositivo apresenta um rol exemplificativo de
diligên-cias a serem desenvolvidas pela equipe multidisciplinar, visando à ob-tenção de elementos conclusivos acerca da personalidade do apenado.
§ 1º A identificação do perfil genético será armazenada em banco de da-dos sigiloso, conforme regulamento a ser expedido pelo Poder Executi-vo. (Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012)
§ 2º A autoridade policial, federal ou estadual, poderá requerer ao juiz competente, no caso de inquérito instaurado, o acesso ao banco de dados de identificação de perfil genético. (Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012) 1. IDENTIFICAÇÃO DO PERFIL GENÉTICO (DNA). A novidade inserida pela
lei 12654/2012 impõe que os condenados por crimes dolosos praticados com violência de natureza grave contra pessoa ou por crimes hediondos e equiparados sejam submetidos, obrigatoriamente, à identificação do per-fil genético, mediante extração de DNA.
Em que pese inserida logo após o exame criminológico, a alteração da LEP não apresenta nenhuma aplicação prática em sede de execução penal, não servindo para a individualização do cumprimento da pena, já que o artigo 9º-A não especificou sua finalidade nesta seara. Ademais, de acordo com a lei 12654/2012, as informações genéticas contidas nos bancos de dados de perfis genéticos não poderão revelar traços somáticos ou com-portamentais das pessoas.
Na verdade, se a extração das amostras de DNA de condenados tem por objetivo constituir meio de prova, caracteriza-se flagrante violação à ga-rantia de direito ao silêncio e de inexigibilidade de auto-incriminação (arti-go 5º, inciso LXIII, da Constituição). Portanto, em respeito ao nemo tenetur
se detegere, o condenado poderia recusar-se a fornecer material genético
para realização de exame que lhe fosse desfavorável.
Todavia, alerta a doutrina que não há proibição de o Estado usar vestígios para colher material útil na identificação do indivíduo. Assim, partes de-sintegradas do corpo humano podem ser objeto de apreensão e exame, uma vez que já não lhe pertencem (como, por exemplo, saliva em “guim-ba” de cigarro). Em consequência, esses elementos podem ser apreen-didos e submetidos a exame, independentemente de consentimento do condenado, sem caracterizar violação do texto constitucional.
CAPÍTULO II Da Assistência
SEÇÃO I Disposições Gerais